Por Patrícia Carvalho, in Jornal Público
O diagnóstico feito pela Universidade Católica sugere criação de um Observatório Social para estudar os factores de risco
O Diagnóstico Social do Porto (DSP) traça um retrato de uma cidade cada vez mais envelhecida, esvaziada, empobrecida e dependente. Todos os indicadores analisados pela equipa da Universidade Católica (que realizou o diagnóstico, a pedido da Câmara do Porto, para que o documento sirva de base à criação da Rede Social) apontam para uma degradação da vida citadina, mas os relatores não se deixam abater. Cingir o Porto aos seus indicadores negativos não faz, para os autores do DSP, "justiça à presente situação da cidade". O Porto está cheio de potencialidades, garantem. Ainda assim, as recomendações são diversas e partem de um ponto básico: é preciso mais coordenação entre os intervenientes na área social.
Na análise aos dados recolhidos durante dez meses (entre Setembro de 2008 e Junho de 2009), os responsáveis pelo DSP tiram uma conclusão: "Em termos globais, considera-se que a cidade possui um bom capital no plano de recursos materiais e humanos que, acima de tudo, carecem de gestão integrada e partilhada." Isto, sem que se possa desvalorizar "as necessidades relativas ao reforço de financiamentos e equipamentos", diz o documento, a que o PÚBLICO teve acesso. Mas esta não é a única recomendação feita à Câmara do Porto.
Numa cidade em que a habitação é um dos problemas mais evidentes, o alerta dos técnicos da UC é para que sejam criadas "medidas de incentivo à aquisição e conservação de habitação, sobretudo junto de pessoas e famílias jovens". A juntar a isto, o DSP apela também a uma "acção articulada com as juntas de freguesia e as associações de moradores no âmbito das estratégias de realojamento e das acções de proximidade junto das zonas residenciais mais vulneráveis".
A população idosa, que tem crescido cada vez mais no Porto (em 2008, 27% dos habitantes do Porto tinham idade igual ou superior a 65 anos), é também uma das que evidencia mais sinais de carência, mas também aquela a quem o DSP reconhece um conjunto de potencialidades que podem modificar, de forma positiva, a cidade. Por isso, os técnicos da Católica defendem: "As respostas urgentes para as situações de isolamento e de vulnerabilidade das pessoas idosas devem ser equacionadas, tendo, justamente, em conta o potencial humano deste grupo populacional."
Concretizado ao longo de um período marcado por uma profunda crise económica, o diagnóstico constata que, no Porto, "entre os principais indicadores de alerta, assinala-se a persistência do fenómeno da pobreza e que, num contexto situacional de crise, implica riscos sociais agravados". Em casos de urgência, exigem-se medidas urgentes, e o DSP pede isso mesmo.
Entre elas, está a "divulgação e incentivo ao microcrédito"; "iniciativas de educação e formação"; a "valorização do tecido associativo"; o "apoio à formação de redes e promoção de dinâmicas de voluntariado social"; a "promoção de medidas específicas de apoio à família" e a "aposta reforçada em projectos de intervenção sócio- comunitária e serviços de proximidade". Tudo isto, alerta o DSP, deve ser acompanhado por "estudos suportados por um "Observatório Social" capaz de acompanhar continuamente a evolução dos indicadores de risco assinalados, com especial atenção para a singularidade das trajectórias de vida, sobretudo das pessoas vulneráveis".


