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30.11.20

Cozinha com Alma. Um ‘take-away’ onde ajuda ao comprar

Manuela Pires, in RR

A Cozinha com Alma é um projeto social que nasceu há mais de oito anos no concelho de Cascais. Aqui, o lucro das refeições permite subsidiar as mesmas refeições para as famílias da bolsa social. E, com a pandemia, surgiu mais um apoio.

Passam poucos minutos da dez da manhã, mas na Cozinha com Alma já cheira a comida. O creme de bróculos está quase pronto; no tacho gigante, os patos estão há mais de duas horas a cozer e, ali ao lado, duas funcionárias descascam dezenas de ovos para a pescada à Brás.

Na Cozinha com Alma trabalham 24 pessoas para além dos muitos voluntários que dedicam uma parte do seu dia a ajudar este projeto social.

Carmo Barros é uma delas. Sobe e desce as escadas com ligeireza, está equipada a rigor, bata branca, toca e máscara. Carmo Barros trabalhou nos jornais, foi assistente editorial, nunca tinha trabalhado numa cozinha.

“Foi através de amigas comuns que fiquei a conhecer este projeto e, como já não trabalho e não consigo ficar em casa sem fazer nada, decidi ajudar. Estou aqui há cinco anos e em muito boa hora”, conta à Renascença.

Carmo Barros fica na reta final do trabalho na cozinha: embalar a comida, etiquetar as embalagens para irem para a loja, “mas também tenho de garantir que há caixas suficientes e por isso trato do inventário”.

A pandemia fez reduzir o número de voluntários que todos os dias integram este projeto, mas agora, aos poucos e cumprindo as regras de segurança sanitária, alguns já voltaram.
Muito mais do que um simples prato de comida

A Cozinha com Alma é um “take-away” onde o lucro das refeições vendidas ao público geral permite subsidiar as mesmas refeições para as famílias da bolsa social. A ideia surgiu há mais de 8 anos. Com a crise económica, Cristina de Botton começou a sentir à sua volta que muitas pessoas passavam dificuldades e decidiu que tinha de fazer alguma coisa.

“Eram famílias que nunca tinham precisado de ajuda e é muito difícil dar esse primeiro passo. Quando chegam a nós já estão muito fragilizadas”, conta a fundadora e presidente da Cozinha com Alma.

Neste momento, ajudam 72 famílias do concelho de Cascais, que são selecionadas pela assistente social do projeto e pelas juntas de freguesia de residência. Aqui a missão é apoiar e capacitar famílias que estejam a viver dificuldades financeiras temporárias, através do acesso a refeições de qualidade a um preço simbólico e a um plano de capacitação e acompanhamento.

Ana Avillez, diretora executiva da Cozinha com Alma, conta que cada família é diferente e precisa de ser acompanhada. “Por vezes, há situações de sobreendividamento, de desemprego, de emprego precário e os mentores ajudam as famílias a serem autónomas porque o apoio é temporário”, conta.

A pandemia somou dificuldades económicas a mais famílias e por isso a Cozinha com Alma lançou um novo programa – o CO-alma – para dar resposta às famílias que estão a ter dificuldade em garantir as suas despesas básicas.

“O programa apoia 40 famílias, a somar às 72 que integram a nossa bolsa social. É um apoio que tem a duração de um mês e que pode ser renovado, mediante uma avaliação” relata a diretora executiva da Cozinha com Alma.

Além do lucro das refeições, a associação conta com o apoio de vários parceiros e ainda de donativos.

Desde o início da pandemia, nunca deixaram de trabalhar. As vendas aumentaram e o novo serviço de entrega ao domicílio permitiu conquistar mais clientes fora do concelho.
“É uma ideia brilhante. A comida é melhor que no restaurante”

Nuno Campos entra na loja com um saco amarelo debaixo do braço. Está junto ao frigorífico dos congelados, conhece bem os cantos à casa. “Eu já morei aqui perto, em Cascais, mas agora vivo em São Pedro de Sintra, mas venho cá três vezes por semana. Não gosto de cozinhar e a minha mulher e o meu filho são vegetarianos. Aqui tem todas as comidas que gosto”, conta.

“O meu prato favorito é o bacalhau com broa, melhor do que em qualquer restaurante”, garante à Renascença. Nuno Campos já vai à Cozinha com Alma comprar comida há vários anos e considera que “esta ideia é brilhante porque ajuda muitas famílias”.
Na loja, há refeições congeladas, e outras que precisam apenas de aquecer no micro-ondas. A ementa é muito variada: há empadão de atum, souflés, empadas, croquetes; há sete pratos diferentes de bacalhau, arroz de pato, rosbife, strudel de legumes, etc.

Cada um deles tem quatro preços diferentes: o de venda ao público e os três escalões onde estão integradas as famílias – e que podem custar, por exemplo, 30, 60 ou 90 cêntimos.

“Cada família tem um cartão com um plafond máximo por mês que permite ter uma refeição diária para cada elemento do agregado familiar. Tem de gerir o seu orçamento”, conta Cristina de Botton, sublinhando que as “refeições são muito variadas e todas com muita qualidade”.

A um mês do Natal, a ementa já está disponível para encomendas e à porta da loja está uma árvore de Natal feita com tábuas de madeira onde estão penduradas 72 estrelas – uma por cada uma das famílias da bolsa social.

Cristina de Botton tira uma delas. “Esta família tem quatro pessoas: mãe com 49 anos, pai com 45, filho com 19 e filha com 13. A ideia é colocar no cabaz os alimentos essenciais para a ceia de Natal, mas há quem coloque também um presente para a família”, revela.

A fundadora da Cozinha com Alma diz que qualquer pessoa pode assim ajudar e dar um “mimo” a estas famílias nesta época de Natal.

27.10.15

Metade das famílias portuguesas vive com menos de mil euros por mês - DECO

in Sapo.pt

Metade das famílias portuguesas com filhos menores sobrevive com menos de mil euros por mês e 18% não consegue pagar a prestação da casa e as contas da água, luz e gás, revela um estudo da DECO.

De acordo com as conclusões de um inquérito da Associação para a Defesa dos Direitos do Consumidor sobre o orçamento familiar, as famílias com mais dificuldades em fazer face às despesas diárias são as que têm filhos menores, mesmo que ambos os cônjuges trabalhem.

"Metade destes agregados sobrevive com menos de mil euros por mês, não sendo difícil presumir que muitos dos elementos trabalhadores ganhem apenas o salário mínimo nacional (505 euros), ou até menos", conclui a DECO.

Os resultados do inquérito estatístico, que será publicado na edição de novembro da revista Dinheiro & Direitos, indicam que cerca de dois terços vivem com o peso de um crédito à habitação, havendo ainda quem tenha, ou acumule, empréstimos para outros fins (compra de carro ou de mobília, por exemplo).

Os cartões de crédito (37%) e os cartões de loja (26%) são também produtos financeiros que trazem os inquiridos "amarrados" ao pagamento de juros, com três quartos dos inquiridos a classificarem a sua situação como difícil ou muito difícil.

O estudo concluiu igualmente que "o estado das finanças domésticas deteriorou-se, nos últimos anos, para muitas destas famílias".

De acordo com a DECO, muitas destas famílias têm dificuldade em pagar as contas, quando não se encontram mesmo impossibilitadas de o fazer, nomeadamente: eletricidade, gás, água, seguros (86%); renda ou empréstimo da casa (83%); outros encargos correntes, como alimentação, vestuário e combustível (79%); educação dos filhos (75%); créditos para compra de carro e/ou outros bens (73%); cuidados de saúde (62%).

Mais de metade dos inquiridos admitiu já ter liquidado contas depois da data limite, embora nem sempre numa base regular, e as faturas que mais vezes ficaram por saldar foram as de comunicações (telefone fixo e móvel, televisão e Internet). A maioria teve de reorganizar a gestão do orçamento familiar para não atrasar mais pagamentos e, num terço dos casos, são os empréstimos de familiares ou de amigos que resolvem a situação, revela o inquérito.

Certos encargos periódicos, como férias, seguros, revisão do carro ou impostos, são acautelados por 71% dos inquiridos, revela ainda ao estudo, segundo o qual um "pé de meia" para aquela despesa específica ou esperar pelos subsídios de férias e/ ou de Natal são as soluções utilizadas com maior frequência.

Outras formas encontradas pelos portugueses consistem em recorrer às poupanças e fasear o pagamento das contas.

Com o objetivo de conhecer como os portugueses gerem o seu orçamento familiar, entre outubro e novembro de 2014, a DECO enviou um questionário de autopreenchimento a uma amostra dos 30 aos 74 anos, proporcional à população residente em Portugal Continental no que se refere às variáveis sexo, idade e regiões.

O mesmo estudo foi realizado pelas congéneres da DECO em Espanha, em Itália e na Bélgica. No total das 5.649 respostas obtidas, 1.222 são de portugueses.

SMS// ATR

Lusa/Fim

22.12.14

Caritas já ajudou três mil pessoas a pagar a renda

Leonor Paiva Watson, in Jornal de Notícias

A Cáritas Portuguesa apoiou este ano cerca de seis mil pessoas através do seu Fundo Social, num total de quase meio milhão de euros. Metade "foi para ajudar a pagar rendas", revela Eugénio Fonseca.

Só no 1.º semestre de 2014 foram atendidas 73 828 pessoas pelas cáritas diocesanas, mais 2,4% do que no período homólogo. As cáritas não têm mãos a medir para os pedidos de socorro e o desafio, avança Eugénio Fonseca, presidente da instituição, "é responder a uma pobreza cujo perfil está a mudar rapidamente. Uma pobreza que chegou à classe média e tocou na classe média/alta, uma pobreza que chegou a professores, arquitetos e advogados".

28.7.14

Casos sociais ocuparam mais de 250 camas de grandes hospitais

in Jornal de Notícias

Mais de 250 camas de alguns dos maiores hospitais do país estiveram ocupadas, no primeiro semestre do ano, com doentes que tiveram de permanecer internados por incapacidade da família em os acolher e por falta de respostas sociais.

O tempo de espera da comparticipação económica para o doente ingressar num lar ou para pagar a um cuidador é o "obstáculo mais frequente à efetivação da alta hospitalar", segundo o Serviço Social do Centro Hospitalar Lisboa Norte (CHLN).

Neste centro hospitalar, que integra os hospitais Santa Maria e Pulido Valente, os casos de alta protelada por razões sociais baixaram de 103, em 2012, para 94, em 2013. Até junho, já foram registadas 57 situações, que demoraram, em média, 13 dias a ser resolvidas, adianta o CHLN, numa resposta escrita enviada à agência Lusa.

A falta de "vaga imediata" para acolhimento em lares, residências assistidas, centros de acolhimento de crianças e comunidades terapêuticas foi responsável por 29,8% das situações de protelamento de alta.

Também as situações sinalizadas ao Ministério Público geraram "alguns tempos de espera", adianta o CHLN, ressalvando que, este ano, ainda não foi registada nenhuma situação de abandono.

A diretora do Serviço Social do Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra (CHUC), Isabel Ventura, adiantou que "a maior parte das famílias não abandona os seus idosos".

"A família tem dificuldade em conciliar a vida familiar e profissional e, por falta de recursos humanos e financeiros, por vezes, não reúne condições para levar o seu doente", explicou Isabel Ventura. Por outro lado, acrescentou, "continua a ser muito difícil" arranjar vaga num lar comparticipado pela Segurança Social e os lares privados são caros para os rendimentos das famílias.

Os casos de alta protelada por razões sociais, que excluem os doentes que aguardam integração na Rede Nacional de Cuidados Continuados (RNCCI), "são excecionais" neste centro hospitalar, que agrega os hospitais da Universidade de Coimbra (HUC) e dos Covões.

Em 2012, foram registados cinco casos, em 2013, 15 e, este ano, dez. Muitos destes casos são encaminhados pelo serviço de urgência dos HUC, como recurso para solucionar o problema social. Além destes casos, os HUC referenciaram em 2013, para a RNCCI, 1.380 doentes e 811 no primeiro semestre do ano, cujo tempo de espera para integração nas unidades demorou, em média, de seis a 20 dias.

"Sabemos que estes tempos de espera têm interferência nas demoras médias dos internamentos, mas são o garante da continuidade de cuidados que os doentes necessitam", sublinhou Isabel Ventura.

Um estudo realizado nos últimos seis meses de 2013, no serviço de Medicina Interna dos HUC, verificou que 45% dos doentes tinham entre 76 e 85 anos, 61% tinham uma dependência elevada e 55% auferiam rendimentos entre 200 e 400 euros mensais. A maioria (61%) vivia com a família e o apoio era assegurado por esta em 89% dos casos, refere o estudo, acrescentando que 46% foram referenciados para a RNCCI.

O Centro Hospitalar de Lisboa Central (CHLC), que engloba os hospitais de S. José, Estefânia, St.º António dos Capuchos, Curry Cabral, Santa Marta e Maternidade Alfredo da Costa, sinalizou 256 casos sociais em 2013, menos 32 do que em 2012.

Até junho, foram registados 128 casos, refere o CHLC, que aponta como principais motivos para o protelamento de alta as dificuldades das famílias em assumir o papel de principal cuidador, os baixos recursos económicos, a "falta de resposta atempada da rede de suporte formal" e a dependência física e cognitiva dos doentes.

Já o Hospital Beatriz Ângelo, em Loures, registou um aumento do número de doentes com alta protelada, que passou de 66, em 2012, para 93, no ano seguinte.

Até junho foram assinaladas 60 situações e atualmente há cerca de 18 doentes a aguardarem resposta social.

13.5.14

Aumentou o crédito malparado concedido às famílias

in Jornal de Notícias

O crédito malparado concedido às famílias continuou a aumentar em março, tendo atingido os 5.194 milhões de euros, de acordo com os números do Banco de Portugal.

Quase metade (47%) do crédito de cobrança duvidosa concedido às famílias refere-se a crédito à habitação, havendo em março 2.438 milhões de euros em crédito malparado nesta rubrica, embora tenha caído face ao valor registado em fevereiro (2.446 milhões de euros).

Quanto ao crédito ao consumo, estavam concedidos 1.407 milhões de euros em créditos de cobrança duvidosa em março, valor ligeiramente mais baixo do que o registado em fevereiro (1.414 milhões de euros).

Já relativamente ao crédito de cobrança duvidosa concedido pelos bancos às empresas, em março, atingiu os 12.164 milhões de euros, no total, menos 88 milhões de euros do que no mês anterior, um comportamento que se registou nas duas principais áreas do crédito às empresas.

Na construção, o crédito malparado caiu dos 4.301 milhões de euros em fevereiro para os 4.236 milhões de euros em março e, no imobiliário, passou dos 2.505 milhões de euros em fevereiro para os 2.398 milhões de euros em março.

26.3.14

EPAL. 1532 famílias já pediram a tarifa social na água em sete meses

Por António Ribeiro Ferreira, in iOnline

EPAL admite que a subida do preço da água este ano deve ser idêntica à inflação no dia em que anunciou lucros de 40 milhões de euros em 2013

É mais um forte contributo para se fazer o retrato do país depois de três anos de troika e de políticas de austeridade que atacatam sobretudo salários e pensões da classe média. E se na segunda-feira se comentou muito o facto de em 2013 a Empresa Portuguesa de Águas Livres, a EPAL, ter cortado o abastecimento de água a 11 836 casas em Lisboa, o que representa um aumento de 15% face ao verificado no ano anterior, ontem foi dia para a empresa revelar os resultados de 2013 e prever que o tarifário da água vai subir de acordo com a inflação a curto prazo.

Chafarizes e fontanários Mas importa realçar o facto da empresa de capitais públicos ter desvaloriza os cortes de água às famílias, com o seu secretário-geral, José Manuel Zenha, a dizer que "o serviço público não é gratuito" e que "a cidade está cheia de chafarizes e fontanários e ninguém morre à míngua por causa dos cortes" do abastecimento doméstico.

74% de redução da factura Uma verdade que mostra o estado a que chegou o país na segunda década do século XXI. Ainda sobre a pobreza crescente em Portugal, o presidente da Empresa Portuguesa das Águas Livres, José Manuel Sardinha, falou sobre o tarifário social, introduzido em Agosto do ano passado e que permite uma redução de 74% na factura da água a famílias carenciadas, José Sardinha avançou que houve 1532 adesões em sete meses, mas para ter direito ao tarifário social o agregado familiar deverá ter rendimentos na ordem dos 400 euros, valor que compara com o ordenado mínimo de 485 euros.

Famílias numerosas Mas como a situação social continua a agravar-se, com a pobreza a aumentar de forma assustadora, como revelou o INE esta semana, o presidente José Sardinha disse que a EPAL tem planos de pagamento a oito anos e um tarifário para famílias numerosas, que introduz um factor de desconto em função do número das pessoas do agregado.

Aumento igual à inflação O presidente da EPAL, José Manuel Sardinha, também falou nos aumentos dos preços e admitiu que a actualização tarifária da água deverá acompanhar o nível de inflação. Escusando-se a avançar qual o valor da actualização tarifária já proposta e em fase de apreciação na Direcção-Geral das Actividades Económicas (DGAE), José Manuel Sardinha lembrou que "acompanha normalmente o nível da inflação e por vezes fica até abaixo".

O presidente da EPAL reforçou que o valor não se deve alterar muito e, quando questionado pelos jornalistas sobre a data do novo preçário, afirmou que não há um mês definido para a divulgação e que todos os anos a data se altera. No ano passado, a actualização tarifária foi feita em Agosto e representou um acréscimo de 0,61% para os clientes diretos.José Manuel Sardinha falava num encontro com jornalistas a propósito dos resultados de 2013 da empresa pública detida integralmente pelas Águas de Portugal, ano em que registou uma quebra do lucro de 8% para 40 milhões de euros.

Com Lusa

21.2.14

"As famílias não estão a sair da crise"

por Ana Margarida Pinheiro, in Diário de Notícias

A saída da crise e do programa de ajustamento financeiro tem sido um dos temas mais recorrentes das últimas semanas. O governo quer um regresso pleno aos mercados já a 17 maio e até já tem o financiamento para este ano totalmente garantido.

Mas nas famílias as dívidas ainda se acumulam, o recuo do desemprego ainda não se sente em pleno e os cortes que a austeridade provocou ainda estão demasiado frescos.

O Parlamento Europeu pega hoje em todas estas condicionalidades para pensar uma saída da crise - veja aqui o programa. Paulo Trigo Pereira, economista e representante da DECO, adiantou ao Dinheiro Vivo um pouco dos temas que hoje serão abordados na Universidade Nova de Lisboa. E deixa o alerta: "As famílias definitivamente não saíram da crise".


Depois de mais de dois anos de dificuldades e austeridade, o que é importante para pensar uma saída da crise para Portugal?
Sair da crise é retomar sustentadamente o crescimento económico a uma taxa razoável (superior a 1,5% em termos reais) e baixar significativamente a taxa de desemprego, o que passa sobretudo por investimento internacional e nacional. Para a retoma do investimento é necessário que as empresas possam aceder ao crédito em condições mais favoráveis que as actuais.

Os mais recentes dados macroeconómicos começam a apontar para essa saída. É importante que as pessoas tenham mais consciência do ponto em que estamos?
A previsão ténue de crescimento para este ano e a descida do desemprego são dados estimulantes, mas não é razão para optimismos, nem para aliviar o esforço de contenção orçamental nas famílias e no Estado.

Mas estamos já a sair da crise?
Não, não estamos. Os nossos dois problemas essenciais não estão resolvidos. O fardo da dívida pública está a aumentar e o crescimento neste ano será ainda fraco. Em 2014, o peso da dívida pública bruta no PIB deverá chegar aos 137% do PIB, (embora haverá 8,7% em depósitos), quando em em 2010 era de 94%. O défice em 2013 foi ainda excessivo.

Ao nível dos consumidores, e porque também os irá representar neste evento, a crise ainda não passou, e a austeridade ainda se sente...
As famílias definitivamente não saíram da crise. Em 2010 os pedidos à DECO relacionados com sobre-endividamento eram 11960 e têm vindo sempre a crescer, quase triplicando em 2013 (29214). Porém, os processos em que a DECO consegue abrir processos para renegociar a dívida junto dos bancos, cresceu até 2012, mas reduziu-se em 2013, não porque as famílias não necessitem, mas porque já não têm rendimentos suficientes para renegociar essa dívida.

Não pensando só em Portugal, mas na Europa como um todo, o que podemos antever para o decorrer deste ano de 2014?
A economia da área euro terá um modesto crescimento em 2014, cerca de 1%, mas mantém elevados níveis de desemprego que se prevê ficarem estacionários. Este ano será ano de eleições para o parlamento europeu e dos resultados que daí emergirem dependerá o progresso da integração europeia. Um peso excessivo de euro-cépticos, ou mesmo secessionistas será problemático para a Europa. Espero que tal não aconteça a bem do projecto europeu...

O que pode ser feito pela Europa e não pelos Estados-membros de forma individual?
As condições políticas para que a União Europeia como um todo faça alguma coisa não são grandes, se pensarmos na resistência de ingleses (que até propõem referendar a permanência na União), holandeses ou finlandeses. Parece-me essencial que quer a nível do Orçamento da União Europeia quer de instrumentos restritos aos países da área euro, que se desenhem formas de apoio no âmbito de prestações sociais aos países periféricos mais afectados pela crise.

Um dos pilares deste encontro de sexta-feira tem a ver com as consequências da governação económica. Que balanço é que lhe parece que deve ser feito? Já se atiraram muitas culpas.
Não existe governação económica nem na UE nem na zona euro. Aquilo a que se chama 'governação económica', não são mais de um conjunto de regras e procedimentos praticamente iguais para todos os países - o “six pack” o “two pack” ou o tratado orçamental. Se houvesse verdadeira governação económica numa lógica europeia teríamos países (Alemanha e alguns nórdicos) a aumentar a sua procura interna, com políticas expansionistas de maior défice e maior inflação enquanto os países periféricos continuariam o seu esforço de consolidação orçamental com políticas restritivas. Mas não é isto que acontece.

A União Bancária pode ser a resposta para os problemas?
A União bancária é muito importante e está avançar, mas não com a velocidade desejável. Vão ser concluídos, espera-se, dois pilares fundamentais – a supervisão e regulação europeia e os mecanismos de resolução bancária – mas faltará um muito importante, a garantia de depósitos. Este é essencial para evitar novas crises e o pânico dos agentes económicos em situações de perca de confiança, mas muito dificilmente a mutualização dos riscos dos depósitos passará em alguns países.

4.2.14

Regime especial do crédito à habitação vai chegar a mais famílias em dificuldades

in Dinheiro Vivo

O Regime Extraordinário de crédito à habitação vai sofrer alterações para passar a abranger mais famílias em dificuldades. Em cerca de um ano (de novembro de 2012 até setembro de 2013), este regime especial de renegociação ajudou apenas 297 famílias, tendo sido rejeitado o apoio a mais de 80,6% dos 1626 pedidos efectuados.

O que a maioria PSD/CDS-PP quer agora fazer é facilitar a aplicação da lei aumentando a sua abrangência. De acordo com o Jornal de Negócios, a alteração vem aumentar o valor máximo elegível para o imóvel, que até aqui era de 120 mil euros, para 130 mil euros. Também será introduzido o conceito de família numerosa (cinco ou mais elementos) que irá permitir uma taxa de esforço de 40%. É de 45% para agregados com dependentes e de 50% no caso das famílias sem dependentes.

Leia também: Prestação da casa com maior aumento em ano e meio


As novas regras também vão diminuir as custas associadas aos documentos que os agregados precisam de preencher para aceder a este regime. Por um lado, vão ficar isentas de taxas e emolumentos para emissão de certidões e por outro elimina a necessidade de alguns documentos pedidos pelas instituições de crédito.

Estas alterações vão a discussão em Plenário na próxima quinta-feira podendo baixar à Comissão de Orçamento e Finanças sem discussão. Segundo o deputado Carlos Silva afirma ao Jornal de Negócios, as alterações trazem "um maior esforço das instituições de crédito e uma melhor proteção das famílias".

16.12.13

Rui e Maria investiram os últimos 500 euros num anúncio de emprego

Por Marta F. Reis, in iOnline




Dizem-se vítimas das suas escolhase não da crise. Procuram uma oportunidade




"Se precisasse de dois funcionários para sua casa, não nos contratava?", pergunta Rui. Há um mês a pedir emprego com a mulher num anúncio no "Expresso" e no "Público", só ligaram jornalistas e pessoas a provocar, a dizer que vão repetir a fórmula, a gabar a "boa ideia". Aos 50 anos procuram trabalho como caseiros, ou ele mordomo, motorista, e ela governanta. Trabalho com alojamento. No anúncio dizem-se educados, cultos e polivalentes, pré-falidos, mas sem dívidas. Fluentes em inglês, francês e castelhano. Ela com formação musical, carta de marinheiro, conhecimentos de cozinha. Ele, ex-relações públicas e empresário. Ambos desportistas e com boa presença. Ambos com carta de condução. Moram (ainda) em Cascais. Com o melhor nível moral, elevada educação e saber-estar. Sem mais-valias rurais. "É que, se calhar, devia pôr que faço tudo, animal de carga", remata o ex-empresário. Maria suaviza. "Estamos revoltados com a situação, queríamos apenas trabalho, o que for." Insistem que não são vítimas da crise nem queriam exposição mediática. São produto das decisões e alguns erros, e esperam uma oportunidade. "Quando tudo falhou, pusemo-nos no lugar de quem pensámos que nos poderia contratar e fizemos o anúncio."

Rui e Maria conheceram-se em miúdos nas férias, perto da praia da Adraga, Sintra. Namoraram, casaram e começaram a trabalhar depois do secundário. Ele foi director comercial e vendedor de publicidade. Ela trabalhou nos CTT e teve duas empresas. Aos 40 anos, e com uma vida desafogada, acharam que chegava de trabalhar 18 horas por dia. "Tínhamos poupado, não tínhamos filhos e já não fazia sentido tê-los. Tínhamos alguns rendimentos de imóveis e decidimos aproveitar." Em 2001 foram para o Brasil. "Nunca quisemos trabalhar para enriquecer, era para manter um nível de vida confortável", explica Rui. "Íamos esperar pelos 70 e não gozar nada? Tive anos em que descontei 35% do que ganhava e, se calhar, nem nunca vou ter direito a reforma."

Para ter visto, tiveram de montar um negócio. Investiram mil dólares, cada, e abriram uma empresa de construção e turismo, com um pequeno rent-a-car em Fortaleza. Viviam sobretudo de rendimentos, mas o negócio acabou por trazer mais problemas do que imaginavam. "Somos obrigados a ter um sócio brasileiro e, no nosso caso, não correu bem, fomos enganados. Uma pessoa, quando está a jogar fora de casa, não conhece o terreno, fica mais vulnerável", diz Rui. Depois de perderem mais do que ganharam, mas sobretudo por causa da "insegurança crescente" no Brasil, decidiram regressar em 2009. Das escolhas, é a única de que se arrependem. "Tínhamos um suporte financeiro que nos permitia voltar. Pensámos que com 20 ou 30 mil euros se abria um boteco que dava para manter o nível de vida, que nunca foi acima das possibilidades. Nunca pedimos um empréstimo, nunca comprámos nada a crédito."

Mas a realidade caiu-lhes em cima. "Talvez por estarmos longe, não tínhamos noção e voltámos na pior altura. A primeira ideia foi abrir uma empresa de publicidade, mas percebi que seria impossível, com o mercado lotado e a carga fiscal. Pensámos num bar, numa discoteca. Andámos pelo país a ver hipóteses, tanto fazia ficar em Lisboa ou ir para outro lado, mas vimos tudo a abrir e a fechar. Pessoas que investiram e meses depois faliram. Para investir à toa e perder tudo, mais valia estar quieto."

Mas as poupanças começaram a encolher. "Decidimos começar a vender algum património herdado, mas a carga fiscal foi tremenda. Tinha uma casa na Ulgeira, a aldeia onde nos conhecemos, que restaurei de ruínas com 50 mil euros. Quando a vendemos, tive de pagar mais-valias ao Estado de 30 mil euros, quase não ganhei nada. Mas sempre pagámos todos os impostos." Para viver, arrendaram uma casa na Quinta da Bicuda, na expectativa de que apareceria o negócio. A renda inicial era de 1500 euros, negociaram para 800 euros, valor que esperavam conseguir suportar. "Fomos arrastando, sempre na expectativa, não encontramos nada este ano, é no próximo." Pelo meio, contratempos trouxeram novas despesas. Maria teve de ser operada quatro vezes. "No Estado, o tempo de espera era de dois anos. Não ia andar a morfina e com dores e, por isso, fomos para o particular. Nunca pusemos o bem--estar ou a alimentação em causa."

Há ano e meio, e conscientes de que seria difícil, decidiram voltar ao mercado de trabalho. Rui colocou anúncios e respondeu a outros na área comercial. Maria foi ao centro de emprego, primeiro a pedir orientação para um eventual negócio e, depois, para ter trabalho. A ela, disseram-lhe que tinha pouca formação e que tinham parado os programas de orientação. Quando muito, poderia inscrever-se "para as estatísticas". A ele, disseram-lhe que era velho e estava há demasiado tempo fora do mercado de trabalho. "Dei comigo a pensar que não tinha mais nada, o dinheiro acabou. Resta um andar que tenho arrendado em Almada, com dois inquilinos com mais de 65 anos. Não posso vendê-lo ocupado, podem viver mais 30 anos, e não posso tirá-los de lá", sublinha. "Não posso do ponto de vista jurídico e não queria, estão lá há 20 anos e não os vou pôr na rua. Não me parece correcto."

Até há seis meses acreditaram que haveria hipótese de negociar a saída dos inquilinos com indemnização, vender o apartamento, investir num negócio e recomeçar sozinhos. Nada aconteceu. "Quando demos por nós, já só havia duas soluções: ir pedir moedas para Santa Apolónia, o que está fora de questão ou, como fizemos, pôr um anúncio de caseiros e encontrar uma família abastada que precise e nos dê um tecto." Rui garante que todas as palavras do anúncio foram escolhidas com cuidado, do melhor nível moral à falta de experiência na agricultura. "Íamos dizer que percebemos quando fui criado na Avenida de Roma, e a Maria na Graça? Pusemos as mais-valias que pensamos ter, fruto da nossa experiência e educação. Saber línguas, a aprendizagem de anos de música da Maria na Academia de Santa Cecília, mais-valia na iniciação de crianças. Queríamos que tivesse impacto, mas nunca este impacto", garante. Mesmo depois de aceitarem contar a história à comunicação social, para tornar mais visível o anúncio, não houve resultados: "Mesmo que não seja para caseiros ou trabalho doméstico, temos aquelas competências, só queríamos que aparecesse alguém."

E se não resultar, há um plano B? "O plano B era voltar a Portugal e investir. O plano B falhou e não tenho plano C. O meu dinheiro acabou. Não tenho ninguém a quem pedir. Não temos pais, tenho um irmão com quem não me dou há dez anos e não lhe vou bater à porta agora, a pedir."

A última cartada, diz Rui, é um último anúncio no "Expresso", que será publicado amanhã. "É o meu último investimento. Pagámos 500 euros para ser no caderno de Economia, para ter mais visibilidade."

Se até lá nada mudar, até 8 de Janeiro vão deixar a casa, para não ficarem a dever ao senhorio. Nas últimas semanas, agarraram-se a esta última expectativa. Todas as manhãs fazem caminhadas e ginástica para espairecer e Maria diz que, apesar de tudo, continuam a ser a bengala um do outro. "Cansamo-nos para dormir. Força para me levantar, tenho todos os dias, não nos podemos deixar ir abaixo", diz Rui. "Não sei como vai ser quando chegar o limite, o dia de sair. Mas não me vão despejar. Antes chamo alguém para vender o recheio e autodespejo-me."

31.1.13

72% não conseguem pagar as contas no fim do mês

Lucília Tiago, in Jornal de Notícias

Em meados de 2012, três em cada quatro portugueses (72%) chegavam ao final do mês com a conta a zeros e sem conseguir pagar as contas todas. Esta realidade irá agravar-se neste ano com a subida dos impostos.

A crise está cada vez mais a afetar o dia a dia das famílias e 2013 ameaça ser um ano particularmente difícil por causa do corte que o IRS vai impor ao rendimento disponível.

O mais recente relatório "Think", da TNS Global, observava que 72% dos portugueses diziam ter dificuldade em chegar ao final do mês com todas as contas pagas. Neste conjunto, cerca de um quarto afirmava que o salário nunca chegava, enquanto 48% admitiam que vivem esta sensação de "muito mês para tão baixo ordenado" apenas de vez em quando.

12.10.12

Pais em dificuldades pedem mais apoios escolares para os filhos

por Fátima Casanova, in RR

É o que está a acontecer no agrupamento de escolas de Cinfães, que a Renascença acompanhou, mas o processo está parado por causa da burocracia que envolve a contratação dos técnicos que acompanham estes casos.

O ano lectivo ainda não vai com um mês e em muitas escolas já se acumulam os pedidos de mudança de escalão dos alunos com vista à obtenção de apoios sociais.

Na base destes pedidos está a alteração do rendimento familiar, já depois da entrega da declaração de IRS. É o que está a acontecer no agrupamento de escolas de Cinfães, mas o processo está parado por causa da burocracia que envolve a contratação dos técnicos que acompanham estes casos.

Os pedidos de apoio têm estado a chegar desde o início do ano lectivo porque muitos pais foram confrontados com a redução do seu orçamento, como diz Manuel Pereira, director do agrupamento.

“Tenho muitos casos de pais cujos filhos estão no escalão B ou C a pedir para ser repensado ou alterado o escalão no sentido de poderem dar resposta aos problemas que diariamente tem. Dizem que não tem dinheiro para pagar refeições”, explica.

“Um aluno que não tem escalão tem de pagar um euro e sessenta por dia pelas refeições, um que tem escalão B tem de pagar oitenta cêntimos e é esta situação”, diz Manuel Pereira.

Situações que, no entanto, ainda estão sem resposta, porque neste agrupamento faltam colocar três técnicos: psicólogo, assistente social e mediador de conflitos, que são determinantes para avaliar a situação de cada aluno.

“Porque às vezes há famílias que por uma razão ou por outra dão dados que não correspondem à verdade, e nós temos de garantir que quando atribuímos um suplemento alimentar ou quando tivermos uma alteração de escalão temos de ter a certeza de que estamos a agir correctamente”, refere o responsável.

“Isso passa por um conhecimento mais próximo que um psicólogo pode dar. Enquanto não tivermos os técnicos não podemos dar uma resposta”, lamenta.

Manuel Pereira, que também é presidente da associação nacional de dirigentes escolares, lamenta a demora e a burocracia que envolvem o processo de recrutamento de técnicos numa altura em que as dificuldades económicas colocam às escolas novos desafios no acompanhamento dos alunos.

19.9.12

Directores escolares alertam que acabou "pobreza envergonhada"

Por Graça Barbosa Ribeiro, in Público on-line

Dois ou três dias bastaram para os pais começarem a pedir apoios nas escolas. Esta semana foi de regresso às aulas.

Na maior parte das escolas do país, esta semana serviu para proporcionar um primeiro encontro entre professores e alunos, que só segunda-feira começam as actividades lectivas. Mas dois ou três dias bastaram para os representantes das duas associações de directores detectarem mudanças. "Acabou a pobreza envergonhada, os pais estão num tal grau de desespero que nos procuram e falam abertamente das dificuldades", comenta Filinto Lima, dirigente da Associação Nacional de Directores de Agrupamentos e Escolas Públicas (ANDAEP).

Uns aparecem a pedir manuais escolares, outros a perguntar o que têm de fazer para conseguir mais apoio da acção social escolar, mas há também quem esteja preocupado com as refeições. "Não é uma multidão, mas tenho falado com colegas que dizem que está a acontecer em todas as escolas. Se antes tínhamos de estar atentos aos miúdos para detectar carências, esta semana bastou-nos abrir a porta aos pais", diz Filinto Lima que nota que, "se a vergonha acabou", a pobreza, eventualmente, "até aumentou".

Manuel Pereira, da Associação Nacional de Dirigentes Escolares (ANDE), confirma a tendência. E diz ter notado, também, que "têm aparecido muito mais pais nas reuniões de início de ano" - "Há mais desemprego e têm mais tempo? Procuram apoio na escola? Só espero que tenhamos força para dar a estes pais e aos alunos o que eles precisam: um espaço de fuga a este clima de depressão e de crise", diz Manuel Pereira, acrescentando, contudo, que teme que isso seja impossível, "dada a situação complicada que se vive nas escolas".

Fala dos professores contratados "que fazem uma hora e meia de carro por dia para ir dar aulas e outro tanto para regressar às suas casas e aos filhos pequenos e que não ganham mais do que tempo de serviço". E junta-lhes os horários zero, "que vivem tempos de incerteza" e aqueles "que têm mais alunos por turma e mais turmas". "Vivemos este ano uma escola triste com actores tristes", resume Rui Martins, professor e dirigente da Confederação Nacional Independente de Associações de Pais (Cnipe). O presidente da Confederação Nacional das Associações de Pais (Confap), Albino Almeida, diz-se preocupado com as questões sociais e a direcção da Federação Nacional dos Professores divulgou um comunicado sobre este ano horribilis: "Menos 40,5% de docentes contratados em 31 de Agosto e menos 50% contratados na primeira bolsa de recrutamento", indica.

Apesar dos múltiplos problemas relacionados com a colocação de professores, a maior parte não afecta os alunos, por se tratar de duplicações em relação às vagas existentes. Verificam-se atrasos nas ofertas de escola dos estabelecimentos com autonomia e em território educativo de intervenção prioritária, onde o Ministério passou a controlar o processo de selecção.



17.9.12

«Pobreza: Cáritas recebe 15 pedidos de ajuda por hora»

in a Bola

A Cáritas recebe, por hora, 15 novos pedidos de ajuda, totalizando já mais de 64.500 casos de pessoas que recorreram aos serviços, no espaço de seis meses. Com a fome a aumentar, o presidente da Cáritas alerta: «A sociedade já não consegue ajudar mais.» Não há hipótese de esconder a realidade. Há mais pobreza e depressão social em Portugal e a Cáritas há muito que não consegue responder a todos os pedidos de ajuda. Eugénio Fonseca nunca foi brando a falar da realidade com que lida e mostra-se preocupado com o crescente aumento de solicitações. Os números mostram que de janeiro a julho surgiram, por dia, 358 casos de pessoas a pedir ajuda.

6.9.12

Famílias tiram filhos do privado devido à crise

por Liliana Carona, in RR

“Os pais esforçam-se até fim e os miúdos choram porque não querem sair do colégio”, diz a directora do Colégio da Imaculada Conceição, em Viseu.

O regresso às aulas dá-se na próxima segunda-feira, mas para muitos alunos será um novo começo, numa nova escola. Muitos pais viram-se obrigados a tirar os filhos das escolas privadas para os inscrever nas públicas devido à falta de dinheiro no orçamento familiar.

A irmã Teresa Santos, há 20 anos a dirigir o Colégio da Imaculada Conceição, em Viseu, faz tudo para que os alunos fiquem na instituição, inclusive perguntar aos pais quanto podem pagar. Se uns dizem que podem pagar 50 euros, outros não têm mesmo dinheiro, como testemunham alguns dos pais à Renascença.

“Os pais esforçam-se até fim e os miúdos choram porque não querem sair do colégio”, lamenta.

A religiosa fala em pobreza envergonhada. “O contrato simples assenta no IRS do ano anterior, quando ainda conseguiam equilibrar as finanças. Portanto, o fosso veio agora: têm vergonha de apresentar o IRS porque estava bom e agora a situação é outra”.

A mensalidade no Colégio da Imaculada Conceição ronda entre os 200 e os 300 euros.