in Diário de Notícias
O presidente da Confederação da Indústria Portuguesa (CIP) defendeu hoje que o problema do desemprego deve ser atacado nas suas causas e não nos efeitos, comentando assim a subida até aos 10,5 por cento, segundo dados divulgados pelo Eurostat.
"Lamentamos obviamente esses dados, mas como temos dito, nós para atacar o desemprego, devemos atacar as causas e não, como até agora parece, apenas os efeitos", sublinhou António Saraiva, em declarações aos jornalistas, no final de uma audiência com o Presidente da República.
O Eurostat divulgou hoje que o desemprego na zona euro manteve-se nos 9,9 por cento, pelo terceiro mês consecutivo, mas Portugal sofre uma nova subida até aos 10,5 por cento. Portugal tem a sexta taxa de desemprego mais alta da UE, tendo chegado aos 10,5 por cento em Janeiro, o que representa uma subida de 0,2 pontos percentuais face aos 10,3 por cento verificados em Novembro e Dezembro de 2009.
Em Janeiro do ano passado, a taxa de desemprego em Portugal era de 8,5 por cento.
Perante estes dados, o presidente da CIP entende que o ataque a ser feito é nas causas do desemprego.
"A causa está num crescimento económico sustentado, está em apoiar as empresas porque são elas as criadoras ou, pelo menos, as defensoras da manutenção do emprego e só com crescimento económico conseguiremos reduzir o desemprego e, idealmente, criar mais e diferente emprego", apontou António Saraiva.
Questionado sobre a actualização do Programa de Estabilidade e Crescimento (PEC) e sobre se o primeiro ministro, José Sócrates, já teria iniciado as discussões com os parceiros sociais sobre a matéria, o presidente da CIP revelou que apenas sabe que o Governo tem intenção de falar com os parceiros, mas que "até agora ainda não o fez".
Entende que o Governo ainda está "dentro do calendário", apesar de esperar que "não passe muito mais tempo".
Sobre os princípios que gostaria de ver salvaguardados, António Saraiva apontou os investimentos mas apenas os que tenham retorno.
"Devem ser muito bem calculados e numa perspectiva de retorno, de desenvolvimento, numa perspectiva de necessidade imperiosa de os lançar. Devem ser por isso criteriosos e sobretudo gerarem retorno positivo e não lançar-se dinheiro para problemas porque essa não é maneira de desenvolvermos o país", defendeu.
A Confederação da Industria Portuguesa esteve hoje no Palácio de Belém para apresentar a nova direcção a Cavaco Silva, bem como a dar a conhecer ao Presidente da Repúblicas as suas posições sobre o Orçamento do Estado e o PEC.


