27.2.13

População portuguesa em risco de pobreza desceu em tempo de crise, diz Eurostat

Autor: Álvaro Cerqueira, in PT Jornal

Segundo o Eurostat, o risco de pobreza desceu em Portugal, entre 2010 e 2011, passando de 25,3 para 24,4 por cento. Estes números representam o valor mais baixo desde 2004 e reportam a um período em que o país enfrenta uma crise.

Trata-se de um aparente contrassenso: os riscos da população portuguesa enfrentar situações de pobreza e de exclusão social decresceram entre 2010 e 2011, de acordo com dados divulgados hoje pelo Eurostat, gabinete de estatísticas da União Europeia.

A queda portuguesa, na ordem de 0,9 por cento, é o valor mais alto de sempre e segue em contraciclo com o que se verifica na Europa a 27, onde os riscos de pobreza continuam a crescer. Apesar de tudo, Portugal ainda apresenta riscos de pobreza acima da média da União Europeia.

Recentemente, o Instituto Nacional de Estatística (INE) publicou um estudo que revelava que há 1,8 milhões de portugueses em situação de risco de pobreza, o que corresponde a 18 por cento da população.

No Inquérito às Condições de Vida e Rendimento, concluiu-se que houve um aumento de 0,1 por cento em 2010, comparativamente com o ano de 2009 (17,9 pontos percentuais). Cruzando estes dados com os do Eurostat, assinala-se uma redução dos riscos de pobreza, numa altura em que Portugal atravessava uma crise (que persiste).

Já no que diz respeito a famílias com famílias dependentes, o estudo do INE apresentava um aumento superior: situa-se nos 20,1 por cento, mais um ponto do que em 2009.

Os riscos de pobreza crescem quando os agregados familiares são formados por um adulto e uma criança dependente, ou por dois adultos e mais do que duas crianças dependentes. No primeiro caso, o risco atinge os 27,9 por cento, enquanto no segundo estava, em 2010, nos 34,5 por cento.

A única franja da população que assinala um decréscimo é a população idosa: em 2010, 20 por cento dos idosos enfrentavam riscos de pobreza, segundo o INE, menos um ponto do que o ano de 2009.

Relativamente aos menores de idade, os riscos situam-se nos 22,4 por cento, enquanto na população ativa aumentaram de 15,7 de 2009 para 16,2 por cento verificados em 2010, neste inquérito às condições de vida.