por Joana Costa, in RR
Zero Desperdício, Fruta Feia e Refood são projectos portugueses que podem servir de modelo para experiências em todo o mundo, diz a FAO à Renascença.
Lisboa quer ser a primeira capital zero desperdício do mundo. No Minho, nasceu o primeiro movimento universitário nacional de combate ao desperdício nas cantinas. A Refood chega ao Porto este ano e também está em marcha no Algarve. A Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) está atenta ao que Portugal está a fazer contra o desperdício alimentar.
"São experiências positivas que devem ser partilhadas a nível mundial para a criação de uma plataforma sólida de combate ao desperdício", refere Hélder Muteia, representante da FAO em Portugal, à Renascença.
Portugal está bem posicionado nesta luta, diz a organização das Nações Unidas. Tem um nível de desperdício de 17%, abaixo da média mundial (35%), concluiu, em 2012, o Projecto de Estudo e Reflexão sobre Desperdício Alimentar. No mundo, a comida desperdiçada podia alimentar os 846 milhões de pessoas que passam fome.
O surgimento de várias iniciativas contribuiu para estes números. Mas a grande distribuição e a indústria também estão atentas.
Lisboa a capital do zero desperdício
O Movimento Zero Desperdício, a completar dois anos de existência, vai assinar terça-feira um novo protocolo com a Câmara de Lisboa para tornar a cidade a primeira capital mundial do zero desperdício. Ainda não são conhecidos os pormenores da iniciativa.
O movimento da associação Dariacordar aproveita os bens alimentares que antes acabavam no lixo – comida que nunca saiu da cozinha, comida cujo prazo de validade se aproxima do fim ou comida que não foi exposta, nem esteve em contacto com o público – fazendo-os chegar a pessoas que dela necessitam. Já serviu quase 900 mil refeições nos estabelecimentos aderentes.
Este movimento lança, por estes dias, o "Manual da Replicação" para levar às autarquias e juntas de freguesia o conceito legal de combate ao desperdício alimentar, criado há dois anos.
"Com a criação da associação em Janeiro de 2011, explicámos à ASAE que a lei não era muito objectiva no que à distribuição de alimentos perecíveis dizia respeito. Havia uma interpretação negativa da mesma, com a proibição da distribuição e doação de alimentos desperdiçados mas em óptimas condições de segurança e higiene alimentar para serem consumidos por quem necessitasse", diz António Costa Pereira, presidente do Movimento Zero Desperdício.
"A ASAE concordou e juntos preparámos os procedimentos de recolha, transporte e condicionamento para ser possível doar. No fundo, desbloqueámos este processo", explica.
Refood chega ao Porto
Com o caminho legal aberto para a doação de alimentos perecíveis e confeccionados, nasceu a Refood.
Esta associação 100% voluntária combate o desperdício alimentar, ajudando famílias carenciadas assinaladas por instituições particulares de solidariedade social (IPSS).
A fórmula é simples: a Refood recolhe junto de estabelecimentos de restauração sobras em condições de serem consumidas. Fê-lo primeiro em Lisboa, com 680 famílias beneficiadas. Quase três anos depois, chega ao Porto, na Foz do Douro. "Estamos em negociações com a Câmara para nos ser cedido um espaço", conta à Renascença Francisca Mota, impulsionadora e coordenadora da Refood Porto.
A 12 de Março, uma "reunião sementeira" teve "uma adesão muito grande". "Superou largamente as nossas expectativas. E resultou numa grande base de dados de pessoas que querem colaborar com o projecto a título voluntário", refere.
Desta reunião surgiram também pessoas interessadas em criar 14 núcleos noutras freguesias do Porto e arredores. "Vontade que neste momento também já chegou ao Algarve (onde as coisas estão mais avançadas), Oeiras, Covilhã e, possivelmente, Vila Real."
Das cantinas para as cantinas
A Norte, em Braga e Guimarães, nasceu em Outubro de 2013 o movimento "Menos olhos do que barriga", pela mão de alunos de Ciências da Comunicação da Universidade do Minho. Levam a comida que sobra nas cantinas da universidade para as cantinas sociais.
Na instituição minhota são geradas quatro mil toneladas de resíduos alimentares por mês. Números que impressionam aquele que se afirma como o primeiro movimento universitário português contra o desperdício alimentar.
"Temos patrulhas. De forma informal, abordamos os alunos. O objectivo é que ganhem mais consciência social e percebam se vão realmente comer tudo o que colocam no prato ou não. Porque tudo o que sobra no tabuleiro é resíduo e tudo o que sobra nas cantinas lá dentro vai para cantinas sociais", explica a co-fundadora Sara Oliveira.
Com meio ano de vida, não há ainda números concretos do reflexo do "Menos estômago que barriga". Mas a recepção dos alunos "tem sido fantástica", refere.
Pioneirismo português
Com um posto de venda ao público no lisboeta Largo do Intendente (o segundo nasce, no Rossio, na terça-feira), a cooperativa Fruta Feia ajuda os agricultores a escoar a produção que não conseguem colocar no mercado por razões estéticas – o aspecto ou o tamanho dos produtos hortícolas.
A cooperativa, que em Setembro deve chegar ao Porto, "conta já com 210 consumidores associados e 14,5 toneladas de desperdício evitado", nas contas da fundadora Isabel Soares.
"Acho que é original no mundo. Existem vários projectos, a nível nacional, europeu e mundial, que visam combater o desperdício alimentar. Agora projectos que estejam baseados nos consumidores, como é a cooperativa de consumo Fruta Feia, e que pretendam actuar no início da cadeia agro-alimentar, ou seja, ao nível do agricultor, é o único que conheço", diz
30.3.15
A imagem mais triste do dia
in o Observador
Na Síria, uma menina confundiu a máquina fotográfica de um jornalista com uma arma. Num gesto instintivo, levantou os braços em jeito de rendição e tornou-se imagem de um conflito que se arrasta.
"A imagem mais triste do dia" foi captada por um jornalista do Huffington Post e tornou-se viral nas redes sociais
Quando começou a circular nas redes sociais a fotografia foi considerada por muitos a “imagem mais triste do dia”. Na Síria, uma menina de tenra idade levantou os braços em jeito de rendição no momento em que um jornalista do Huffington Post se preparava para lhe tirar um foto. O motivo? A criança agiu instintivamente depois de confundir a máquina fotográfica que o repórter carregava com uma arma.
O fotojornalista que imortalizou o momento queria retratar a realidade das crianças sírias num país oprimido pelo regime de Bashar al-Assad e a braços com escalada de violência do pós-Primavera Árabe. Conta o jornal online R7, que o repórter nunca imaginou que a criança pensasse que ele lhe estava a apontar uma arma.
O repórter, no entanto, acabou por captar numa única imagem o instinto de sobrevivência de alguém que, aparentemente, está habituado a viver com a violência da guerra. A imagem foi partilhada por Nadia AbuShaban, fotojornalista na Palestina, e tornou-se rapidamente viral.
O Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) estima que quase 14 milhões de crianças estão a ser afetadas pelo conflito na Síria e no Iraque. Um dado que esta imagem parece suportar. A menina, de quem se desconhece o nome, mostrou, num único gesto, que entende como funcionam as armas e que sabe como deve a agir para garantir que sobrevive. Pelo menos por mais um dia.
Na Síria, uma menina confundiu a máquina fotográfica de um jornalista com uma arma. Num gesto instintivo, levantou os braços em jeito de rendição e tornou-se imagem de um conflito que se arrasta.
"A imagem mais triste do dia" foi captada por um jornalista do Huffington Post e tornou-se viral nas redes sociais
Quando começou a circular nas redes sociais a fotografia foi considerada por muitos a “imagem mais triste do dia”. Na Síria, uma menina de tenra idade levantou os braços em jeito de rendição no momento em que um jornalista do Huffington Post se preparava para lhe tirar um foto. O motivo? A criança agiu instintivamente depois de confundir a máquina fotográfica que o repórter carregava com uma arma.
O fotojornalista que imortalizou o momento queria retratar a realidade das crianças sírias num país oprimido pelo regime de Bashar al-Assad e a braços com escalada de violência do pós-Primavera Árabe. Conta o jornal online R7, que o repórter nunca imaginou que a criança pensasse que ele lhe estava a apontar uma arma.
O repórter, no entanto, acabou por captar numa única imagem o instinto de sobrevivência de alguém que, aparentemente, está habituado a viver com a violência da guerra. A imagem foi partilhada por Nadia AbuShaban, fotojornalista na Palestina, e tornou-se rapidamente viral.
O Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) estima que quase 14 milhões de crianças estão a ser afetadas pelo conflito na Síria e no Iraque. Um dado que esta imagem parece suportar. A menina, de quem se desconhece o nome, mostrou, num único gesto, que entende como funcionam as armas e que sabe como deve a agir para garantir que sobrevive. Pelo menos por mais um dia.
Erradicação da Pobreza: Rede Europeia Anti Pobreza apresenta a necessidade de adoção de uma estratégia nacional
in PS
Os responsáveis da Rede Europeia Anti Pobreza, representada pelo seu Presidente, Padre Agostinho Jardim Moreira, e vice-Presidente José Alberto dos Reis, bem como pelos membros do grupo de trabalho que elaborou o documento para a erradicação da pobreza, Professor Alfredo Bruto da Costa, Drª Joaquina Madeira e Professor Farinha Rodrigues, foram recebidos hoje pelo Grupo Parlamentar do Partido Socialista.
O encontro com os vice-Presidentes Vieira da Silva e Sónia Fertuzinhos e com os deputados da área da Segurança Social e Trabalho, Nuno Sá e Catarina Marcelino, teve como objetivo a apresentação do “Compromisso para uma estratégia nacional para a erradicação da pobreza”.
Além da análise da situação e do impacto das políticas anti-crise no aumento da pobreza em Portugal, o documento estabelece como prioridades o combate à pobreza infantil, a criação de emprego, o investimento na educação e saúde e a necessidade de intervenção para a inclusão social numa perspetiva multidimensional e integrada das várias áreas setoriais.
O partido socialista manifestou o seu elevado apreço pela iniciativa e afirmou uma profunda sintonia com os objetivos e prioridades da mesma.
Os responsáveis da Rede Europeia Anti Pobreza, representada pelo seu Presidente, Padre Agostinho Jardim Moreira, e vice-Presidente José Alberto dos Reis, bem como pelos membros do grupo de trabalho que elaborou o documento para a erradicação da pobreza, Professor Alfredo Bruto da Costa, Drª Joaquina Madeira e Professor Farinha Rodrigues, foram recebidos hoje pelo Grupo Parlamentar do Partido Socialista.
O encontro com os vice-Presidentes Vieira da Silva e Sónia Fertuzinhos e com os deputados da área da Segurança Social e Trabalho, Nuno Sá e Catarina Marcelino, teve como objetivo a apresentação do “Compromisso para uma estratégia nacional para a erradicação da pobreza”.
Além da análise da situação e do impacto das políticas anti-crise no aumento da pobreza em Portugal, o documento estabelece como prioridades o combate à pobreza infantil, a criação de emprego, o investimento na educação e saúde e a necessidade de intervenção para a inclusão social numa perspetiva multidimensional e integrada das várias áreas setoriais.
O partido socialista manifestou o seu elevado apreço pela iniciativa e afirmou uma profunda sintonia com os objetivos e prioridades da mesma.
27.3.15
Violência contra idosos e crianças aumentou em 2014
in SÁBADO/Lusa
A Associação Portuguesa de Apoio à Vítima (APAV) registou 852 casos de violência contra idosos em 2014, mais 10,1% face ao ano anterior, e 992 situações de agressões a crianças e jovens.
Em média, todas as semanas, 16 idosos e 19 crianças são vítimas de crime em Portugal, segundo o relatório anual da APAV 2014, a que a agência Lusa teve acesso.
Comparativamente com os dados de 2013, a APAV registou um aumento de casos de violência contra as pessoas idosas, passando de 774 situações em 2013 para 852 no ano passado, um aumento de 10,1%,
Também registou um aumento de casos nas crianças e jovens, que subiram de 974 para 992, o que representou um aumento de dois por cento.
"Entre mulheres e homens, no seu conjunto, o aumento percentual foi o mais significativo com 12,4% (de 6.985, em 2013, para 7.848 em 2014), sublinha a APAV no relatório.
De acordo com os dados, todas as semanas, em média, 130 mulheres e 21 homens recorrem aos serviços da associação.
No cômputo geral, a APAV registou, em 2014, 12.379 processos de apoio com atendimentos, a maioria de violência doméstica.
Em termos comparativos, de 2013 para 2014 existe um aumento do número de processos com atendimentos (quase 5%) e do número de crimes (4,4%).
A APAV acompanhou 8.889 vítimas directas que foram alvo de 21.541 crimes e ou de outros atos violentos.
Dos 12.379 processos, 91,9% tiveram o seu primeiro atendimento em 2014, existindo 8% de casos que transitaram de anos anteriores devido à complexidade das situações apresentadas.
Do total dos crimes registados pela APAV, "claramente que os crimes contra as pessoas, particularmente no que diz respeito à violência doméstica (maus tratos físicos e psíquicos) sobressaem face aos restantes com 78,4% do total de crimes".
Dos utentes que reportaram crimes à APAV, em 2014, 82,3% eram mulheres com idades entre os 25 e os 54 anos (37,1%). Relativamente à escolaridade, os níveis de ensino superior (7,6%) e o nível de ensino básico do 3º ciclo (4,8%) destacaram-se face aos restantes.
Já no que diz respeito à principal actividade económica, 29,6% dos utentes encontravam-se empregados e 19,4% desempregados.
As vítimas de crime que usufruíram dos serviços da APAV eram maioritariamente casadas (32,8%) ou solteiras (22,7%) e pertenciam sobretudo, a um tipo de família nuclear com filhos em 39,4% dos casos.
As grandes zonas urbanas concentram o maior número de vítimas que recorrem aos serviços da APAV, sendo a maioria destas, como em anos anteriores de nacionalidade europeia (91,2%).
Em mais de 70% dos casos assinalados a vitimação ocorrida foi de tipo continuado. A duração deste tipo de vitimação continuada acontece, sobretudo, num espaço temporal entre os dois e os seis anos (19%).
Segundo a APAV, o principal local do crime assinalado foi a residência comum (entre vítima e autor do crime) com 52,6% das sinalizações.
A associação registou 9.152 autores de crime em 2014, mais de 80% eram homens, com idades compreendidas entre os 25 e os 54 anos (30%), 35,6% eram casados e em 31,7% dos casos tinham uma actividade profissional regular.
A Associação Portuguesa de Apoio à Vítima (APAV) registou 852 casos de violência contra idosos em 2014, mais 10,1% face ao ano anterior, e 992 situações de agressões a crianças e jovens.
Em média, todas as semanas, 16 idosos e 19 crianças são vítimas de crime em Portugal, segundo o relatório anual da APAV 2014, a que a agência Lusa teve acesso.
Comparativamente com os dados de 2013, a APAV registou um aumento de casos de violência contra as pessoas idosas, passando de 774 situações em 2013 para 852 no ano passado, um aumento de 10,1%,
Também registou um aumento de casos nas crianças e jovens, que subiram de 974 para 992, o que representou um aumento de dois por cento.
"Entre mulheres e homens, no seu conjunto, o aumento percentual foi o mais significativo com 12,4% (de 6.985, em 2013, para 7.848 em 2014), sublinha a APAV no relatório.
De acordo com os dados, todas as semanas, em média, 130 mulheres e 21 homens recorrem aos serviços da associação.
No cômputo geral, a APAV registou, em 2014, 12.379 processos de apoio com atendimentos, a maioria de violência doméstica.
Em termos comparativos, de 2013 para 2014 existe um aumento do número de processos com atendimentos (quase 5%) e do número de crimes (4,4%).
A APAV acompanhou 8.889 vítimas directas que foram alvo de 21.541 crimes e ou de outros atos violentos.
Dos 12.379 processos, 91,9% tiveram o seu primeiro atendimento em 2014, existindo 8% de casos que transitaram de anos anteriores devido à complexidade das situações apresentadas.
Do total dos crimes registados pela APAV, "claramente que os crimes contra as pessoas, particularmente no que diz respeito à violência doméstica (maus tratos físicos e psíquicos) sobressaem face aos restantes com 78,4% do total de crimes".
Dos utentes que reportaram crimes à APAV, em 2014, 82,3% eram mulheres com idades entre os 25 e os 54 anos (37,1%). Relativamente à escolaridade, os níveis de ensino superior (7,6%) e o nível de ensino básico do 3º ciclo (4,8%) destacaram-se face aos restantes.
Já no que diz respeito à principal actividade económica, 29,6% dos utentes encontravam-se empregados e 19,4% desempregados.
As vítimas de crime que usufruíram dos serviços da APAV eram maioritariamente casadas (32,8%) ou solteiras (22,7%) e pertenciam sobretudo, a um tipo de família nuclear com filhos em 39,4% dos casos.
As grandes zonas urbanas concentram o maior número de vítimas que recorrem aos serviços da APAV, sendo a maioria destas, como em anos anteriores de nacionalidade europeia (91,2%).
Em mais de 70% dos casos assinalados a vitimação ocorrida foi de tipo continuado. A duração deste tipo de vitimação continuada acontece, sobretudo, num espaço temporal entre os dois e os seis anos (19%).
Segundo a APAV, o principal local do crime assinalado foi a residência comum (entre vítima e autor do crime) com 52,6% das sinalizações.
A associação registou 9.152 autores de crime em 2014, mais de 80% eram homens, com idades compreendidas entre os 25 e os 54 anos (30%), 35,6% eram casados e em 31,7% dos casos tinham uma actividade profissional regular.
Rede Europeia exige estratégia nacional de erradicação da pobreza
in Defesa
Rede Europeia exige estratégia nacional de erradicação da pobreza A EAPN Portugal/Rede Europeia Anti-Pobreza apresentou, no passado dia 12 de Março, no Parlamento, um compromisso no qual apela a uma “estratégia nacional de erradicação da pobreza”, em particular nas novas gerações.
Os responsáveis manifestaram à presidente da Assembleia da República, Assunção Esteves, a sua “preocupação com a actual situação do País, nomeadamente no que concerne ao retrocesso de direitos adquiridos” e “às implicações que este retrocesso terá nas novas gerações, constituindo uma forte ameaça aos Direitos Humanos fundamentais e à noção de Estado de Direito”.
A delegação que entregou o ‘compromisso’ incluía o presidente da EAPN Portugal, padre Jardim Moreira, Eduardo Figueira, presidente da ANIMAR, e os professores Alfredo Bruto da Costa, Manuela Silva e Carlos Farinha Rodrigues.
“O grave problema da desigualdade, nas suas diversas formas (rendimento, riqueza, poder, etc.) em Portugal tem de merecer uma análise muito mais profunda do que tem merecido até agora”, refere o documento, que chama ainda a atenção para o facto de “a pobreza das crianças não é dissociável da pobreza em geral.
Este conjunto de preocupações levou a EAPN Portugal a criar e dinamizar um grupo de trabalho sobre o tema da pobreza e a exclusão social, que ao longo dos últimos meses realizou vários encontros com vista a refl ectir sobre o impacto da crise.
“A pobreza das crianças é fundamentalmente a pobreza das respectivas famílias. Não impede isto que se reconheça serem importantes, e até indispensáveis, no combate à pobreza medidas directamente dirigidas às crianças”, assinala o texto, enviado à Agência ECCLESIA.
O documento realça o facto de a União Europeia ter previsto na sua programação (2014-2020) que pelo menos 20% do Fundo Social Europeu deve ser inteiramente dedicado ao combate à pobreza.
A EAPN sustenta que “o combate à pobreza e exclusão deverá situar-se no âmbito da presidência do Conselho de Ministros”, e contar com a participação de toda a sociedade “no desenho, implementação e avaliação das políticas e programas”.
Rede Europeia exige estratégia nacional de erradicação da pobreza A EAPN Portugal/Rede Europeia Anti-Pobreza apresentou, no passado dia 12 de Março, no Parlamento, um compromisso no qual apela a uma “estratégia nacional de erradicação da pobreza”, em particular nas novas gerações.
Os responsáveis manifestaram à presidente da Assembleia da República, Assunção Esteves, a sua “preocupação com a actual situação do País, nomeadamente no que concerne ao retrocesso de direitos adquiridos” e “às implicações que este retrocesso terá nas novas gerações, constituindo uma forte ameaça aos Direitos Humanos fundamentais e à noção de Estado de Direito”.
A delegação que entregou o ‘compromisso’ incluía o presidente da EAPN Portugal, padre Jardim Moreira, Eduardo Figueira, presidente da ANIMAR, e os professores Alfredo Bruto da Costa, Manuela Silva e Carlos Farinha Rodrigues.
“O grave problema da desigualdade, nas suas diversas formas (rendimento, riqueza, poder, etc.) em Portugal tem de merecer uma análise muito mais profunda do que tem merecido até agora”, refere o documento, que chama ainda a atenção para o facto de “a pobreza das crianças não é dissociável da pobreza em geral.
Este conjunto de preocupações levou a EAPN Portugal a criar e dinamizar um grupo de trabalho sobre o tema da pobreza e a exclusão social, que ao longo dos últimos meses realizou vários encontros com vista a refl ectir sobre o impacto da crise.
“A pobreza das crianças é fundamentalmente a pobreza das respectivas famílias. Não impede isto que se reconheça serem importantes, e até indispensáveis, no combate à pobreza medidas directamente dirigidas às crianças”, assinala o texto, enviado à Agência ECCLESIA.
O documento realça o facto de a União Europeia ter previsto na sua programação (2014-2020) que pelo menos 20% do Fundo Social Europeu deve ser inteiramente dedicado ao combate à pobreza.
A EAPN sustenta que “o combate à pobreza e exclusão deverá situar-se no âmbito da presidência do Conselho de Ministros”, e contar com a participação de toda a sociedade “no desenho, implementação e avaliação das políticas e programas”.
Taxa de desemprego esconde número real de desempregados
in Notícias ao Minuto
O mercado de trabalho em Portugal encontra-se numa "situação depressiva" e a descida gradual dos números do desemprego, a partir de 2013, tem sido contrariada pelo número de desempregados que não é contabilizado pelas estatísticas, revela um estudo socioeconómico.
"A descida gradual do número de desempregados, a partir de 2013, tem sido paulatinamente contrariada pelo aumento do número de desempregados que não é reconhecido pelas estatísticas e, pela primeira vez, os valores do desemprego "não oficial" [...] ultrapassaram os números do desemprego "oficial"", alerta o Barómetro das Crises intitulado "Crise e mercado de trabalho: Menos desemprego sem mais emprego?", hoje divulgado.
De acordo com a análise feita pelo Centro de Estudos Sociais (CES) da Universidade de Coimbra, considerando as diversas formas de desemprego, o subemprego e estimativas prudentes sobre a situação laboral dos novos emigrantes, a taxa real de desemprego poderia situar-se, no segundo semestre de 2014, em 29% da população ativa, caso os trabalhadores emigrados tivessem ficado no país.
No entender do Observatório, em vez de uma descida do desemprego, "é talvez mais adequado falar-se numa situação de estabilização do desemprego em níveis bastante elevados e de uma estabilização do emprego num nível bem mais reduzido do que o estimado no início do programa de ajustamento".
Na análise feita, o Barómetro refere que "a criação de emprego verificada recentemente assenta em bases frágeis", ou seja, excluindo dos valores oficiais os desempregados ocupados -- quantificados como empregados pelo Instituto Nacional de Estatística (INE) -- ter-se-ão destruído 463,6 mil postos de trabalho de 2011 até ao 2º semestre de 2013 e criado, a partir daí, apenas 37,9 mil postos de trabalho.
Por último, o Observatório salienta que o desemprego atual "é um desemprego mais desprotegido do que antes da vigência do programa de ajustamento" e que o emprego gerado em Portugal assenta, sobretudo, em atividades precárias e em estágios "mal remunerados e sem perspetiva de continuidade e de verdadeira inserção no mercado de trabalho".
O mercado de trabalho em Portugal encontra-se numa "situação depressiva" e a descida gradual dos números do desemprego, a partir de 2013, tem sido contrariada pelo número de desempregados que não é contabilizado pelas estatísticas, revela um estudo socioeconómico.
"A descida gradual do número de desempregados, a partir de 2013, tem sido paulatinamente contrariada pelo aumento do número de desempregados que não é reconhecido pelas estatísticas e, pela primeira vez, os valores do desemprego "não oficial" [...] ultrapassaram os números do desemprego "oficial"", alerta o Barómetro das Crises intitulado "Crise e mercado de trabalho: Menos desemprego sem mais emprego?", hoje divulgado.
De acordo com a análise feita pelo Centro de Estudos Sociais (CES) da Universidade de Coimbra, considerando as diversas formas de desemprego, o subemprego e estimativas prudentes sobre a situação laboral dos novos emigrantes, a taxa real de desemprego poderia situar-se, no segundo semestre de 2014, em 29% da população ativa, caso os trabalhadores emigrados tivessem ficado no país.
No entender do Observatório, em vez de uma descida do desemprego, "é talvez mais adequado falar-se numa situação de estabilização do desemprego em níveis bastante elevados e de uma estabilização do emprego num nível bem mais reduzido do que o estimado no início do programa de ajustamento".
Na análise feita, o Barómetro refere que "a criação de emprego verificada recentemente assenta em bases frágeis", ou seja, excluindo dos valores oficiais os desempregados ocupados -- quantificados como empregados pelo Instituto Nacional de Estatística (INE) -- ter-se-ão destruído 463,6 mil postos de trabalho de 2011 até ao 2º semestre de 2013 e criado, a partir daí, apenas 37,9 mil postos de trabalho.
Por último, o Observatório salienta que o desemprego atual "é um desemprego mais desprotegido do que antes da vigência do programa de ajustamento" e que o emprego gerado em Portugal assenta, sobretudo, em atividades precárias e em estágios "mal remunerados e sem perspetiva de continuidade e de verdadeira inserção no mercado de trabalho".
«Falta um plano de combate à pobreza»
Texto Domingos Pinto | Foto Ana Paula, in Fátima Missionária
O recado ao poder político é do presidente da Cáritas Portuguesa, no contexto da crise que atinge o país, e foi uma das preocupações manifestadas no último Conselho Geral da instituição, realizado no Porto
Em entrevista à FÁTIMA MISSIONÁRIA, Eugénio da Fonseca considera que o acordo com os credores internacionais não era minimamente exequível, e sublinha que «não tem havido vontade política» para resolver «as situações mais agressivas da pobreza». Neste contexto, o Presidente da Cáritas pede consensos e coragem aos partidos políticos para assumirem «compromissos pré-eleitorais», independentemente do resultado do voto dos portugueses.
FÁTIMA MISSIONÁRIA Uma das conclusões que se destaca do Conselho Geral da Cáritas é a ideia de que a família Cáritas não pode desperdiçar o património da doutrina social da Igreja. O que é que motivou esta chamada de atenção?
Eugénio da Fonseca Todos temos consciência que há um distanciamento muito grande entre aquilo que é o ensinamento social da igreja e aquilo que os cristãos sabem sobre a mesma. Temos que ter cristãos mais conscientes das suas responsabilidades sociais, económicas e políticas, se queremos ter um país de maior progresso, e não nos ficarmos pelas lamentações.
FM No discurso de abertura do encontro apelou a que se revejam as condições de pagamento da dívida portuguesa, porque elas - e estou a citar - «condicionam o atual orçamento de Estado que continua a penalizar as famílias portuguesas».
EF Permitam-me esta imodéstia, mas logo que me deram oportunidade de ter acesso à realidade da dívida soberana portuguesa, percebi que o memorando aprovado com as instituições que formavam a Troika não era minimamente exequível sem exigir o esforço dramático que viemos depois a constatar. Agora já estamos livres da presença física da Troika, mas não estamos libertos, e ainda há pouco tempo isso foi dito claramente pela União Europeia, que ficámos sob vigilância. Eu acho que devia ser uma vigilância solidária e não uma vigilância punitiva, porque se chegámos a esta situação, é porque houve pouca solidariedade, particularmente por parte daqueles que a deveriam ter exigido, que são os nossos parceiros europeus.
Por isso, para podermos ser respeitadores dos compromissos que assumimos – e eu defendo que a dívida se deve ir pagando – baixemos as taxas de juro, vamos rever prazos, ou continuamos com medidas de austeridade.
FM Deixou também um recado aos decisores políticos no contexto das eleições que se aproximam …
EF Em primeiro lugar desejo muito que seja um período patriótico, onde, acima de tudo, estejam os interesses da nação. Penso que se deveriam fazer programas eleitorais mais claros para que não aconteça que se vote apenas contra alguém e não a favor de ideias importantes, viáveis, realistas para o nosso país. Acho que os partidos deviam ter a coragem de assumir compromissos pré-eleitorais, independentemente de quem ficasse depois a governar. Refiro, por exemplo, o papel do Estado, que Estado queremos, que condições vamos dar à sociedade civil para que ela seja efetivamente fortalecida.
FM No comunicado final é sublinhada a ideia que “o pobre não deve ser objeto, mas sim sujeito”. Acha que tem havido uma instrumentalização política da pobreza?
EF Primeiro, ainda não resolvemos de verdade as situações mais agressivas da pobreza, porque não tem havido vontade política para o fazer. Agora as coisas vão mudar de figura porque temos gente em idade ativa que caiu na pobreza, e, se calhar, é melhor começarem a pensar que os pobres vão passar a votar. Por outro lado, o que tem acontecido são medidas avulsas. Ou seja, falta um plano estratégico de combate à pobreza, que deve depender diretamente do primeiro-ministro, porque as soluções não estão apenas ao nível da segurança social, da solidariedade e do trabalho; tem muito a ver com a justiça, com a economia, com as finanças, com a educação e com a saúde. Portanto, dada esta transversalidade, devia encontrar-se um plano devidamente mensurável para depois quem o planifica poder prestar contas.
Também teremos que tomar consciência de que os recursos financeiros disponibilizados para este combate devem ser canalizados para as pessoas e não para as estruturas, que muitas vezes estão carregadas de metodologias burocráticas que fazem gastar mais de 70 por cento dos orçamentos dos projetos de combate à pobreza, e às pessoas chegam os restos desses dinheiros. Portanto, há aqui uma revolução a fazer, mas para isso é preciso vontade política e articulação entre todos os agentes sociais, para evitarmos trazer para este combate qualquer tipo de protagonismo pessoal, institucional ou político, mas fazermos das pessoas, neste caso dos pobres, protagonistas desta ação, deste combate.
O recado ao poder político é do presidente da Cáritas Portuguesa, no contexto da crise que atinge o país, e foi uma das preocupações manifestadas no último Conselho Geral da instituição, realizado no Porto
Em entrevista à FÁTIMA MISSIONÁRIA, Eugénio da Fonseca considera que o acordo com os credores internacionais não era minimamente exequível, e sublinha que «não tem havido vontade política» para resolver «as situações mais agressivas da pobreza». Neste contexto, o Presidente da Cáritas pede consensos e coragem aos partidos políticos para assumirem «compromissos pré-eleitorais», independentemente do resultado do voto dos portugueses.
FÁTIMA MISSIONÁRIA Uma das conclusões que se destaca do Conselho Geral da Cáritas é a ideia de que a família Cáritas não pode desperdiçar o património da doutrina social da Igreja. O que é que motivou esta chamada de atenção?
Eugénio da Fonseca Todos temos consciência que há um distanciamento muito grande entre aquilo que é o ensinamento social da igreja e aquilo que os cristãos sabem sobre a mesma. Temos que ter cristãos mais conscientes das suas responsabilidades sociais, económicas e políticas, se queremos ter um país de maior progresso, e não nos ficarmos pelas lamentações.
FM No discurso de abertura do encontro apelou a que se revejam as condições de pagamento da dívida portuguesa, porque elas - e estou a citar - «condicionam o atual orçamento de Estado que continua a penalizar as famílias portuguesas».
EF Permitam-me esta imodéstia, mas logo que me deram oportunidade de ter acesso à realidade da dívida soberana portuguesa, percebi que o memorando aprovado com as instituições que formavam a Troika não era minimamente exequível sem exigir o esforço dramático que viemos depois a constatar. Agora já estamos livres da presença física da Troika, mas não estamos libertos, e ainda há pouco tempo isso foi dito claramente pela União Europeia, que ficámos sob vigilância. Eu acho que devia ser uma vigilância solidária e não uma vigilância punitiva, porque se chegámos a esta situação, é porque houve pouca solidariedade, particularmente por parte daqueles que a deveriam ter exigido, que são os nossos parceiros europeus.
Por isso, para podermos ser respeitadores dos compromissos que assumimos – e eu defendo que a dívida se deve ir pagando – baixemos as taxas de juro, vamos rever prazos, ou continuamos com medidas de austeridade.
FM Deixou também um recado aos decisores políticos no contexto das eleições que se aproximam …
EF Em primeiro lugar desejo muito que seja um período patriótico, onde, acima de tudo, estejam os interesses da nação. Penso que se deveriam fazer programas eleitorais mais claros para que não aconteça que se vote apenas contra alguém e não a favor de ideias importantes, viáveis, realistas para o nosso país. Acho que os partidos deviam ter a coragem de assumir compromissos pré-eleitorais, independentemente de quem ficasse depois a governar. Refiro, por exemplo, o papel do Estado, que Estado queremos, que condições vamos dar à sociedade civil para que ela seja efetivamente fortalecida.
FM No comunicado final é sublinhada a ideia que “o pobre não deve ser objeto, mas sim sujeito”. Acha que tem havido uma instrumentalização política da pobreza?
EF Primeiro, ainda não resolvemos de verdade as situações mais agressivas da pobreza, porque não tem havido vontade política para o fazer. Agora as coisas vão mudar de figura porque temos gente em idade ativa que caiu na pobreza, e, se calhar, é melhor começarem a pensar que os pobres vão passar a votar. Por outro lado, o que tem acontecido são medidas avulsas. Ou seja, falta um plano estratégico de combate à pobreza, que deve depender diretamente do primeiro-ministro, porque as soluções não estão apenas ao nível da segurança social, da solidariedade e do trabalho; tem muito a ver com a justiça, com a economia, com as finanças, com a educação e com a saúde. Portanto, dada esta transversalidade, devia encontrar-se um plano devidamente mensurável para depois quem o planifica poder prestar contas.
Também teremos que tomar consciência de que os recursos financeiros disponibilizados para este combate devem ser canalizados para as pessoas e não para as estruturas, que muitas vezes estão carregadas de metodologias burocráticas que fazem gastar mais de 70 por cento dos orçamentos dos projetos de combate à pobreza, e às pessoas chegam os restos desses dinheiros. Portanto, há aqui uma revolução a fazer, mas para isso é preciso vontade política e articulação entre todos os agentes sociais, para evitarmos trazer para este combate qualquer tipo de protagonismo pessoal, institucional ou político, mas fazermos das pessoas, neste caso dos pobres, protagonistas desta ação, deste combate.
26.3.15
Loures cria centro empresarial para atrair empresas
in Diário de Notícias
A Câmara de Loures inaugurou esta quinta-feira, no Mercado Abastecedor de Lisboa (MARL), um centro empresarial para atrair novas empresas do setor agroalimentar e logística e contribuir para o desenvolvimento técnico das já existentes.
O projeto, designado por "Loures INOVA - Centro Empresarial", resulta de uma parceria entre a Câmara de Loures, o MARL e a Associação Parque de Ciência e Tecnologia Almada/Setúbal (Madan-Parque).
Segundo o presidente da Câmara de Loures, Bernardino Soares (CDU), o objetivo é "criar um centro de negócios e de capacitação empresarial dos setores agroalimentar e logística", de forma a "desenvolver tecnicamente as empresas já existentes e a fomentar a fixação de novos negócios" no concelho.
"Essencialmente, visa trabalhar ativamente nesses dois setores, que são muito importantes no nosso concelho, para garantir que há não só maiores capacidades de investimento como incorporação de inovação tecnológica e, com isso, criar mais riqueza", apontou.
O autarca explicou que, em termos práticos, o novo centro empresarial do MARL irá gerir e apoiar projetos de empresas e ligá-los a fundos comunitários e, ainda, facilitar a ligação entre as universidades e as suas investigações científicas e tecnológicas e a sua aplicação na produção e nas empresas.
"É esse o papel de charneira que esta iniciativa vai ter. Uma forte capacidade para chegar a apoios, fundos comunitários e viabilizar novas empresas e novos projetos das empresas que já cá temos", sublinhou Bernardino Soares.
O Loures Inova vai funcionar em instalações cedidas pelo MARL e, numa segunda fase, terá também a valência de centro de incubação de empresas.
A Câmara de Loures inaugurou esta quinta-feira, no Mercado Abastecedor de Lisboa (MARL), um centro empresarial para atrair novas empresas do setor agroalimentar e logística e contribuir para o desenvolvimento técnico das já existentes.
O projeto, designado por "Loures INOVA - Centro Empresarial", resulta de uma parceria entre a Câmara de Loures, o MARL e a Associação Parque de Ciência e Tecnologia Almada/Setúbal (Madan-Parque).
Segundo o presidente da Câmara de Loures, Bernardino Soares (CDU), o objetivo é "criar um centro de negócios e de capacitação empresarial dos setores agroalimentar e logística", de forma a "desenvolver tecnicamente as empresas já existentes e a fomentar a fixação de novos negócios" no concelho.
"Essencialmente, visa trabalhar ativamente nesses dois setores, que são muito importantes no nosso concelho, para garantir que há não só maiores capacidades de investimento como incorporação de inovação tecnológica e, com isso, criar mais riqueza", apontou.
O autarca explicou que, em termos práticos, o novo centro empresarial do MARL irá gerir e apoiar projetos de empresas e ligá-los a fundos comunitários e, ainda, facilitar a ligação entre as universidades e as suas investigações científicas e tecnológicas e a sua aplicação na produção e nas empresas.
"É esse o papel de charneira que esta iniciativa vai ter. Uma forte capacidade para chegar a apoios, fundos comunitários e viabilizar novas empresas e novos projetos das empresas que já cá temos", sublinhou Bernardino Soares.
O Loures Inova vai funcionar em instalações cedidas pelo MARL e, numa segunda fase, terá também a valência de centro de incubação de empresas.
Pagamentos em atraso aumentam 5 milhões de euros
in Jornal de Notícias
Os pagamentos em atraso das administrações públicas atingiram os 1.600 milhões de euros em fevereiro, mais cinco milhões do que em janeiro, devido sobretudo aos Hospitais EPE.
De acordo com a síntese de execução orçamental até fevereiro, divulgada esta terça-feira pela DGO, os pagamentos em atraso das administrações públicas aumentaram de 1.595 milhões de euros em janeiro para 1.600 milhões em fevereiro.
"Para esta variação contribuiu o aumento observado nos Hospitais EPE, parcialmente compensado pela diminuição dos pagamentos em atraso da administração regional e local", explica a entidade liderada por Manuela Proença.
As dívidas por pagar há mais de 90 dias dos Hospitais EPE aumentaram em 21 milhões de euros entre os dois meses, atingindo os 640 milhões.
A administração regional e local conseguiu reduzir os seus pagamentos em atraso em 21 milhões de euros, fixando-os agora em 924 milhões no final de fevereiro.
As Empresas Públicas Reclassificadas conseguiram reduzir as dívidas por pagar há mais de 90 dias num milhão de euros, enquanto a administração central, excluindo o subsetor da saúde, aumentou os pagamentos em atraso em cinco milhões de euros.
No âmbito do programa de resgate, entretanto terminado, a 'troika' (Fundo Monetário Internacional, Comissão Europeia e Banco Central Europeu) exigiu que o valor dos pagamentos em atraso há mais de 90 dias não aumente face ao valor registado no final do ano anterior.
Os pagamentos em atraso das administrações públicas atingiram os 1.600 milhões de euros em fevereiro, mais cinco milhões do que em janeiro, devido sobretudo aos Hospitais EPE.
De acordo com a síntese de execução orçamental até fevereiro, divulgada esta terça-feira pela DGO, os pagamentos em atraso das administrações públicas aumentaram de 1.595 milhões de euros em janeiro para 1.600 milhões em fevereiro.
"Para esta variação contribuiu o aumento observado nos Hospitais EPE, parcialmente compensado pela diminuição dos pagamentos em atraso da administração regional e local", explica a entidade liderada por Manuela Proença.
As dívidas por pagar há mais de 90 dias dos Hospitais EPE aumentaram em 21 milhões de euros entre os dois meses, atingindo os 640 milhões.
A administração regional e local conseguiu reduzir os seus pagamentos em atraso em 21 milhões de euros, fixando-os agora em 924 milhões no final de fevereiro.
As Empresas Públicas Reclassificadas conseguiram reduzir as dívidas por pagar há mais de 90 dias num milhão de euros, enquanto a administração central, excluindo o subsetor da saúde, aumentou os pagamentos em atraso em cinco milhões de euros.
No âmbito do programa de resgate, entretanto terminado, a 'troika' (Fundo Monetário Internacional, Comissão Europeia e Banco Central Europeu) exigiu que o valor dos pagamentos em atraso há mais de 90 dias não aumente face ao valor registado no final do ano anterior.
Governo quer incentivar trabalho parcial sem perda de rendimentos
in Jornal de Notícias
O Governo vai aprovar em breve uma medida que permite aos pais que terminarem a licença de parentalidade trabalhar a tempo parcial sem perderem a totalidade do seu rendimento.
"A nossa preocupação é garantir que os jovens pais e, acima de tudo, as jovens mães possam, durante mais algum tempo, quando acaba o seu período de licença de maternidade [e paternidade] poderem acompanhar os seus filhos sem perderem a totalidade do seu rendimento e isso implica uma partilha, isto é, passarem a trabalhar a tempo parcial podendo encontrar um financiamento através de fundos nacionais e comunitários de forma a que as pessoas não percam a totalidade do seu rendimento", afirmou o ministro da Solidariedade, Emprego e Segurança Social.
Falando aos jornalistas à margem de um almoço-debate subordinado ao tema "Novo Ciclo: Crescimento Económico e seus Reflexos no Tecido Social", que decorreu em Lisboa, o ministro escusou-se a avançar mais detalhes sobre esta medida, mas disse estar "muito empenhado para que, a muito breve trecho, possam abrir candidaturas [a esta medida]".
Em simultâneo, o executivo pretende criar uma segunda medida, mas destinada às empresas, que estimule a contratação de desempregados que possam substituir os trabalhadores que optarem por prolongar a licença de maternidade e prefiram trabalhar a tempo parcial.
"Ao mesmo tempo, queremos ter uma segunda medida que ajude também as próprias empresas a poderem contratar também nesse tempo parcial alguma pessoa, um desempregado, para que a própria empresa não se ressinta do ponto de vista da sua produtividade, da sua competitividade", explicou Mota Soares.
E sintetizou: "Temos duas medidas, uma de apoio à empresa criando essa oportunidade de trabalho que é libertada por um trabalhador ou por uma trabalhadora e, ao mesmo tempo, conseguir ter um apoio à própria trabalhadora para não perder a totalidade do seu rendimento".
Quanto ao montante que será disponibilizado pela tutela no âmbito destas medidas, Mota Soares remeteu para breve, sublinhando que o financiamento será "nacional e comunitário", e está inscrito no Programa Operacional Emprego e Inserção.
O Governo vai aprovar em breve uma medida que permite aos pais que terminarem a licença de parentalidade trabalhar a tempo parcial sem perderem a totalidade do seu rendimento.
"A nossa preocupação é garantir que os jovens pais e, acima de tudo, as jovens mães possam, durante mais algum tempo, quando acaba o seu período de licença de maternidade [e paternidade] poderem acompanhar os seus filhos sem perderem a totalidade do seu rendimento e isso implica uma partilha, isto é, passarem a trabalhar a tempo parcial podendo encontrar um financiamento através de fundos nacionais e comunitários de forma a que as pessoas não percam a totalidade do seu rendimento", afirmou o ministro da Solidariedade, Emprego e Segurança Social.
Falando aos jornalistas à margem de um almoço-debate subordinado ao tema "Novo Ciclo: Crescimento Económico e seus Reflexos no Tecido Social", que decorreu em Lisboa, o ministro escusou-se a avançar mais detalhes sobre esta medida, mas disse estar "muito empenhado para que, a muito breve trecho, possam abrir candidaturas [a esta medida]".
Em simultâneo, o executivo pretende criar uma segunda medida, mas destinada às empresas, que estimule a contratação de desempregados que possam substituir os trabalhadores que optarem por prolongar a licença de maternidade e prefiram trabalhar a tempo parcial.
"Ao mesmo tempo, queremos ter uma segunda medida que ajude também as próprias empresas a poderem contratar também nesse tempo parcial alguma pessoa, um desempregado, para que a própria empresa não se ressinta do ponto de vista da sua produtividade, da sua competitividade", explicou Mota Soares.
E sintetizou: "Temos duas medidas, uma de apoio à empresa criando essa oportunidade de trabalho que é libertada por um trabalhador ou por uma trabalhadora e, ao mesmo tempo, conseguir ter um apoio à própria trabalhadora para não perder a totalidade do seu rendimento".
Quanto ao montante que será disponibilizado pela tutela no âmbito destas medidas, Mota Soares remeteu para breve, sublinhando que o financiamento será "nacional e comunitário", e está inscrito no Programa Operacional Emprego e Inserção.
O desemprego é uma ofensa à dignidade humana, diz Francisco
por Ângela Roque, in RR
Na audiência-geral desta quarta-feira, o Papa pediu ainda orações pelo Sínodo da Família, lamentando as atitudes de maledicência e de crítica não construtiva.
A falta de trabalho é uma ofensa para a dignidade humana, disse esta quarta-feira o Papa, no final da audiência-geral desta quarta-feira, no Vaticano.
Saudando a presença na Praça de São Pedro de um grupo de trabalhadores italianos ameaçados pelo desemprego, Francisco defendeu ser urgente contrariar a lógica do lucro e privilegiar a da solidariedade, porque não ter trabalho é indigno e é injusto.
“É uma injustiça não ter trabalho. Quando não se ganha o pão, perde-se a dignidade! E este é o drama do nosso tempo, em especial para os jovens que, sem trabalho, não têm perspectiva de futuro e podem ser presas fáceis para organizações malfeitoras. Por favor, lutemos pela justiça do trabalho. Devemos lutar por isto”.
O Papa pediu também aos peregrinos que rezem pelo Sínodo dos Bispos sobre a Família, que vai decorrer em Outubro, porque o bom andamento dos trabalhos precisa mais da oração de todos do que de atitudes de maledicência e crítica não construtiva.
“Peço-vos por favor que não falhem com a vossa oração. Todos, Papa, cardeais, bispos, sacerdotes, religiosos e leigos, todos somos chamados a rezar pelo sínodo”, afirmou Francisco, lembrando ainda que foi a 25 de Março, Dia da Anunciação, que há 20 anos João Paulo II publicou a encíclica Evangelium Vitae, sobre o valor e a inviolabilidade da vida humana.
A data é celebrada no dia 25 de Março, em vários países, com Jornadas pela Vida.
No final da sua audiência geral, o Papa cumprimentou várias figuras públicas presentes, incluindo o presidente da Câmara de Lisboa, António Costa, que integrava uma delegação de dirigentes da Rede de Cidades Magalhânicas. António Costa, na qualidade de presidente da Camara de Lisboa entregou ao papa uma Caravela de prata em Filigrana.
Ainda esta tarde António Costa tem reunião marcada com o primeiro-ministro italiano Matteo Renzi.
Na audiência-geral desta quarta-feira, o Papa pediu ainda orações pelo Sínodo da Família, lamentando as atitudes de maledicência e de crítica não construtiva.
A falta de trabalho é uma ofensa para a dignidade humana, disse esta quarta-feira o Papa, no final da audiência-geral desta quarta-feira, no Vaticano.
Saudando a presença na Praça de São Pedro de um grupo de trabalhadores italianos ameaçados pelo desemprego, Francisco defendeu ser urgente contrariar a lógica do lucro e privilegiar a da solidariedade, porque não ter trabalho é indigno e é injusto.
“É uma injustiça não ter trabalho. Quando não se ganha o pão, perde-se a dignidade! E este é o drama do nosso tempo, em especial para os jovens que, sem trabalho, não têm perspectiva de futuro e podem ser presas fáceis para organizações malfeitoras. Por favor, lutemos pela justiça do trabalho. Devemos lutar por isto”.
O Papa pediu também aos peregrinos que rezem pelo Sínodo dos Bispos sobre a Família, que vai decorrer em Outubro, porque o bom andamento dos trabalhos precisa mais da oração de todos do que de atitudes de maledicência e crítica não construtiva.
“Peço-vos por favor que não falhem com a vossa oração. Todos, Papa, cardeais, bispos, sacerdotes, religiosos e leigos, todos somos chamados a rezar pelo sínodo”, afirmou Francisco, lembrando ainda que foi a 25 de Março, Dia da Anunciação, que há 20 anos João Paulo II publicou a encíclica Evangelium Vitae, sobre o valor e a inviolabilidade da vida humana.
A data é celebrada no dia 25 de Março, em vários países, com Jornadas pela Vida.
No final da sua audiência geral, o Papa cumprimentou várias figuras públicas presentes, incluindo o presidente da Câmara de Lisboa, António Costa, que integrava uma delegação de dirigentes da Rede de Cidades Magalhânicas. António Costa, na qualidade de presidente da Camara de Lisboa entregou ao papa uma Caravela de prata em Filigrana.
Ainda esta tarde António Costa tem reunião marcada com o primeiro-ministro italiano Matteo Renzi.
Mota Soares acredita que é possível "superar" previsões da taxa de desemprego
Cristina Oliveira da Silva, in Económico
O ministro do Emprego e da Segurança Social acredita que a taxa de desemprego possa ficar abaixo do previsto no Orçamento do Estado.
Falando à margem de um almoço promovido pelo International Club of Portugal, Mota Soares indicou que a taxa prevista no Orçamento do Estado é de 13,4% em 2015, salientando depois que o primeiro indicador do ano, publicado pelo Instituto Nacional de Estatística, aponta para um valor inferior (13,3% em Janeiro).
“O número que nós inscrevemos do ponto de vista orçamental é um número conservador, é um número que eu acho que é perfeitamente possível de atingir e eventualmente até superar. Ainda estamos no início do ano”, referiu.
O almoço foi marcado por um período de perguntas após a intervenção do ministro. Durante o debate, um empresário afirmou que as empresas não conseguem saber junto da Segurança Social o eventual valor das suas dívidas. Em resposta, o ministro afirmou que “tem a noção” de que os serviços da Segurança Social têm de “se tornar mais amigos da economia”, admitindo que isso implique “algum investimento” nomeadamente em recursos informáticos.
“Percebo que o sistema da Segurança Social é complexo”, até mais do que “o sistema do fisco”, indicou Mota Soares, acrescentando que é preciso trabalhar para que a Segurança Social seja “mais rápida a responder” do que hoje. “Até porque uma das nossas grandes preocupações é sempre a de podermos manter as empresas abertas”, acrescentou.
Ministro não está preocupado com campanha eleitoral
Durante a sua intervenção, o ministro sublinhou várias acções do actual Governo e até deixou uma pergunta “de prevenção de riscos”: “Quem é que serve melhor a economia portuguesa?”. Mota Soares quis distinguir quem consegue manter a “coesão social” de quem quer “voltar à irresponsabilidade de um passado”, o que levou um elemento da assistência a questionar se o governante estaria a dar o pontapé de saída para a campanha eleitoral da coligação PSD/CDS.
“Não estou preocupado com isso”, respondeu Mota Soares. “Acho que o Governo ainda tem muito para fazer até se preocupar com a própria campanha eleitoral”, indicou. O ministro entende que o país atravessa um momento de “viragem” e que é preciso aprender com “erros do passado” para não os repetir.
Os participantes também questionaram o futuro da sustentabilidade da Segurança Social, com Mota Soares a defender um diálogo com o “maior consenso político”. Indicou, no entanto, que há “aspectos cruciais sobre qualquer sistema”, apontando para o crescimento e produtividade da economia e a natalidade.
O ministro do Emprego e da Segurança Social acredita que a taxa de desemprego possa ficar abaixo do previsto no Orçamento do Estado.
Falando à margem de um almoço promovido pelo International Club of Portugal, Mota Soares indicou que a taxa prevista no Orçamento do Estado é de 13,4% em 2015, salientando depois que o primeiro indicador do ano, publicado pelo Instituto Nacional de Estatística, aponta para um valor inferior (13,3% em Janeiro).
“O número que nós inscrevemos do ponto de vista orçamental é um número conservador, é um número que eu acho que é perfeitamente possível de atingir e eventualmente até superar. Ainda estamos no início do ano”, referiu.
O almoço foi marcado por um período de perguntas após a intervenção do ministro. Durante o debate, um empresário afirmou que as empresas não conseguem saber junto da Segurança Social o eventual valor das suas dívidas. Em resposta, o ministro afirmou que “tem a noção” de que os serviços da Segurança Social têm de “se tornar mais amigos da economia”, admitindo que isso implique “algum investimento” nomeadamente em recursos informáticos.
“Percebo que o sistema da Segurança Social é complexo”, até mais do que “o sistema do fisco”, indicou Mota Soares, acrescentando que é preciso trabalhar para que a Segurança Social seja “mais rápida a responder” do que hoje. “Até porque uma das nossas grandes preocupações é sempre a de podermos manter as empresas abertas”, acrescentou.
Ministro não está preocupado com campanha eleitoral
Durante a sua intervenção, o ministro sublinhou várias acções do actual Governo e até deixou uma pergunta “de prevenção de riscos”: “Quem é que serve melhor a economia portuguesa?”. Mota Soares quis distinguir quem consegue manter a “coesão social” de quem quer “voltar à irresponsabilidade de um passado”, o que levou um elemento da assistência a questionar se o governante estaria a dar o pontapé de saída para a campanha eleitoral da coligação PSD/CDS.
“Não estou preocupado com isso”, respondeu Mota Soares. “Acho que o Governo ainda tem muito para fazer até se preocupar com a própria campanha eleitoral”, indicou. O ministro entende que o país atravessa um momento de “viragem” e que é preciso aprender com “erros do passado” para não os repetir.
Os participantes também questionaram o futuro da sustentabilidade da Segurança Social, com Mota Soares a defender um diálogo com o “maior consenso político”. Indicou, no entanto, que há “aspectos cruciais sobre qualquer sistema”, apontando para o crescimento e produtividade da economia e a natalidade.
Maria da Conceição quer tirar da pobreza 100 crianças no Bangladesh
in Observador
Desde 2005, a Fundação Maria Cristina, fundada pela atleta portuguesa Maria da Conceição, entra nas favelas do Bangladesh para promover a educação de crianças e de as tirar da pobreza.
A atleta filantropa portuguesa Maria da Conceição vive para cumprir a promessa de tirar da pobreza 100 famílias da capital do Bangladesh, através da Fundação Maria Cristina, à qual deu o nome da sua mãe adotiva. Ao mesmo tempo de vai batendo recordes desportivos – foi a primeira mulher a correr sete maratonas em sete semanas seguidas em sete continentes diferentes, incluindo a Antártida – Maria de Conceição prossegue uma atividade humanitária que já lhe valeu ser considerada uma herdeira laica de Madre Teresa de Calcutá.
Depois de subir o Evereste e de muitas maratonas, Maria da Conceição vai fazer um Ironman em agosto, apesar de não saber nadar nem andar de bicicleta, para financiar a causa humanitária que iniciou no Bangladesh.
“Consegui entrar no coração dos maratonistas, que são uma grande comunidade, e então pensei: que tal entrar no coração de quem faz natação e ciclismo, que ainda são mais? Decidi inscrever-me num Ironman [triatlo de longa distância], em agosto de 2015, mas ainda não sei nadar e vou ter de nadar 3,8 quilómetros, depois andar 180 de bicicleta e fazer uma maratona (42 quilómetros). Não sei nadar – tive três aulas de natação – e não sei andar de bicicleta. Estou agora nessa fase de treino”, explicou Maria da Conceição, em entrevista à agência Lusa.
Aos 37 anos, a antiga assistente de bordo vai voltar a enfrentar um desafio extremo para suportar o Projecto Daca, que tem como objetivo assegurar a educação de 100 crianças bengalis.
Este vai ser um teste à capacidade física de Maria da Conceição, numa reedição do feito concretizado em maio de 2013, quando se tornou na primeira portuguesa a subir o Evereste, para ‘reanimar’ a Fundação Maria Cristina, então em “coma” devido à crise financeira.
“[Pensei] o que é que eu posso fazer para dar um choque, para despertar a atenção das pessoas? ‘Vou subir o Evereste’. Não sou uma montanhista, mas posso aprender. Aprendi e fui”, referiu, admitindo que esta provação “não trouxe o retorno que estava à espera”.
Esta escalada ocorreu depois do seu primeiro 777 Challenge, em 2011, quando correu sete maratonas, em sete dias, em sete emirados, naquela que foi a sua primeira abordagem à corrida, que, como viria a concluir, oferecia mais visibilidade à causa.
“O objetivo era angariar fundos para a fundação e isso marcou-me imenso, fiquei muito triste na altura”, admitiu Maria da Conceição, que, depois de escalar o Evereste, decidiu globalizar o 777 Challenge, em 2014, correndo ultramaratonas na Antártida, na América do Sul, na Ásia, na Europa, na Oceânia, América do Norte e, finalmente, África.
Desde então, cumpriu ainda cinco maratonas em dias consecutivos em cinco estados norte-americanos, aproveitando o facto de a corrida ter sido, nos seus dez anos de atividade, “o que trouxe mais dinheiro à fundação no mais curto espaço de tempo”.
Os 37 anos da vida desta portuguesa radicada no Dubai são contados nas 163 páginas do livro “Maria da Conceição, uma mulher no topo do mundo”, desde o seu nascimento em Vila Franca de Xira, passando pela adoção pela refugiada angolana Maria Cristina, em Avanca, onde se juntou aos seus seis ‘irmãos’. Depois da morte da sua mãe adotiva, aos 10 anos, e atingida a maioridade, Itália, Suíça e Inglaterra fizeram parte da rota rumo à sua independência, que acabou por ocorrer apenas no Dubai, onde se tornou assistente de bordo.
Mas, tudo mudou em abril de 2005, durante uma escala de 24 horas em Daca. “Foi quando fiz uma viagem ao Bangladesh e vi pessoas como eu que viviam na pobreza que eu senti necessidade de as ajudar. Ao lado do que elas tinham, que não era nada, eu tinha muito e eu decidi partilhar o que tinha”, recordou Maria da Conceição, em entrevista à agência Lusa.
A realidade da capital bengali tocou-a de tal forma que decidiu ajudar famílias das favelas.
“Todos sabemos que há pobreza, mas o que é que fazemos? Ignoramos. Mas eu quando tive de passar 24 horas num país do terceiro mundo, a ver, sentir, ouvir e a cheirar a pobreza, não pude ignorar, não pude virar as costas”, sublinhou.
A memória e gratidão que tinha pela mãe adotiva foram decisivas. “Foi um pouco a pensar no meu passado, que alguém me tinha ajudado e a diferença que isso tinha tido na minha vida. Pensei que se eu fizesse a mesma coisa por aquelas crianças elas podiam chegar onde eu cheguei. Chamei à Fundação Maria Cristina para agradecer e em homenagem ao que a Cristina fez por mim. Imagine, era uma viúva, fazia limpezas, com seis filhos e ainda deu casa e comida a uma sétima criança”, salientou.
A portuguesa começou por retirar 39 crianças das ruas do bairro de Gawair e inscrevê-las numa escola local, mas o projeto foi tendo altos e baixos, invariavelmente por dificuldades de financiamento, levando Maria da Conceição a criar a Fundação Maria Cristina, em 2010.
Foi a partir daí que se tornou ex-hospedeira e se dedicou “24 horas por dia, sete dias por semana” a esta causa, juntando à gestão da fundação os desafios extremos, como correr maratonas, ultramaratonas e escalar montanhas. “A crise financeira abateu o meu projeto e fechou-o, eu podia ter baixado os braços… mas reinventei-me, não cruzei os braços, não fiquei a chorar os oito anos de trabalho que tinha tido com a fundação e como a vida é tão injusta”, recordou.
Apesar de concretizar estes desafios, como o de se tornar na primeira portuguesa a subir o Evereste, Maria da Conceição não conseguiu angariar o milhão de euros que asseguraria, pelo menos, a educação de 100 crianças, mas nunca desistiu, conseguindo identificar resultados positivos.
“Já temos muitos resultados. Algumas crianças que tinham 12 anos, quando começámos a tomar conta delas saíram das favelas de Daca, já estão a trabalhar [na companhia aérea Emirates, no Dubai] e a tomar conta das famílias. Os pais também sabem ler e escrever, já dá para ver muita diferença nos últimos dez anos, mas ainda há muito trabalho para continuar”, assegurou, advertindo que “são precisos no mínimo 13 anos para educar uma criança”.
Maria da Conceição lamentou algum desconhecimento sobre o seu projeto, sobretudo em Portugal – “há estrangeiros que viajam na Emirates que perguntam se a humanitária está a voar” – para justificar o lançamento desta sua biografia.
“Para divulgar a história da fundação, o meu percurso de vida mas também para que possa inspirar outras pessoas para fazerem o que a Cristina fez, quando eu tinha dois anos, e o que estou a fazer agora. Acho que as pessoas pensam que para ajudar e mudar a vida de outras pessoas é preciso muita coisa, mas veja a minha história: como uma mulher de limpeza, muito pobre, como ela mudou a minha vida; e eu que não tenho nada, mas fiz a diferença que fiz na vida destas pessoas”, frisou.
A poucos meses de enfrentar os 3,8 quilómetros de natação, 180 quilómetros de bicicleta e uma maratona a correr, num Ironman (triatlo de longa duração), Maria da Conceição, que ainda vai aprender a nadar e a andar de bicicleta, quer tornar-se num exemplo a seguir. “Espero pelo menos inspirar as pessoas a batalharem pelos sonhos e objetivos, não só no mundo da caridade, mas também nos estudos, na carreira…”, concluiu.
Desde 2005, a Fundação Maria Cristina, fundada pela atleta portuguesa Maria da Conceição, entra nas favelas do Bangladesh para promover a educação de crianças e de as tirar da pobreza.
A atleta filantropa portuguesa Maria da Conceição vive para cumprir a promessa de tirar da pobreza 100 famílias da capital do Bangladesh, através da Fundação Maria Cristina, à qual deu o nome da sua mãe adotiva. Ao mesmo tempo de vai batendo recordes desportivos – foi a primeira mulher a correr sete maratonas em sete semanas seguidas em sete continentes diferentes, incluindo a Antártida – Maria de Conceição prossegue uma atividade humanitária que já lhe valeu ser considerada uma herdeira laica de Madre Teresa de Calcutá.
Depois de subir o Evereste e de muitas maratonas, Maria da Conceição vai fazer um Ironman em agosto, apesar de não saber nadar nem andar de bicicleta, para financiar a causa humanitária que iniciou no Bangladesh.
“Consegui entrar no coração dos maratonistas, que são uma grande comunidade, e então pensei: que tal entrar no coração de quem faz natação e ciclismo, que ainda são mais? Decidi inscrever-me num Ironman [triatlo de longa distância], em agosto de 2015, mas ainda não sei nadar e vou ter de nadar 3,8 quilómetros, depois andar 180 de bicicleta e fazer uma maratona (42 quilómetros). Não sei nadar – tive três aulas de natação – e não sei andar de bicicleta. Estou agora nessa fase de treino”, explicou Maria da Conceição, em entrevista à agência Lusa.
Aos 37 anos, a antiga assistente de bordo vai voltar a enfrentar um desafio extremo para suportar o Projecto Daca, que tem como objetivo assegurar a educação de 100 crianças bengalis.
Este vai ser um teste à capacidade física de Maria da Conceição, numa reedição do feito concretizado em maio de 2013, quando se tornou na primeira portuguesa a subir o Evereste, para ‘reanimar’ a Fundação Maria Cristina, então em “coma” devido à crise financeira.
“[Pensei] o que é que eu posso fazer para dar um choque, para despertar a atenção das pessoas? ‘Vou subir o Evereste’. Não sou uma montanhista, mas posso aprender. Aprendi e fui”, referiu, admitindo que esta provação “não trouxe o retorno que estava à espera”.
Esta escalada ocorreu depois do seu primeiro 777 Challenge, em 2011, quando correu sete maratonas, em sete dias, em sete emirados, naquela que foi a sua primeira abordagem à corrida, que, como viria a concluir, oferecia mais visibilidade à causa.
“O objetivo era angariar fundos para a fundação e isso marcou-me imenso, fiquei muito triste na altura”, admitiu Maria da Conceição, que, depois de escalar o Evereste, decidiu globalizar o 777 Challenge, em 2014, correndo ultramaratonas na Antártida, na América do Sul, na Ásia, na Europa, na Oceânia, América do Norte e, finalmente, África.
Desde então, cumpriu ainda cinco maratonas em dias consecutivos em cinco estados norte-americanos, aproveitando o facto de a corrida ter sido, nos seus dez anos de atividade, “o que trouxe mais dinheiro à fundação no mais curto espaço de tempo”.
Os 37 anos da vida desta portuguesa radicada no Dubai são contados nas 163 páginas do livro “Maria da Conceição, uma mulher no topo do mundo”, desde o seu nascimento em Vila Franca de Xira, passando pela adoção pela refugiada angolana Maria Cristina, em Avanca, onde se juntou aos seus seis ‘irmãos’. Depois da morte da sua mãe adotiva, aos 10 anos, e atingida a maioridade, Itália, Suíça e Inglaterra fizeram parte da rota rumo à sua independência, que acabou por ocorrer apenas no Dubai, onde se tornou assistente de bordo.
Mas, tudo mudou em abril de 2005, durante uma escala de 24 horas em Daca. “Foi quando fiz uma viagem ao Bangladesh e vi pessoas como eu que viviam na pobreza que eu senti necessidade de as ajudar. Ao lado do que elas tinham, que não era nada, eu tinha muito e eu decidi partilhar o que tinha”, recordou Maria da Conceição, em entrevista à agência Lusa.
A realidade da capital bengali tocou-a de tal forma que decidiu ajudar famílias das favelas.
“Todos sabemos que há pobreza, mas o que é que fazemos? Ignoramos. Mas eu quando tive de passar 24 horas num país do terceiro mundo, a ver, sentir, ouvir e a cheirar a pobreza, não pude ignorar, não pude virar as costas”, sublinhou.
A memória e gratidão que tinha pela mãe adotiva foram decisivas. “Foi um pouco a pensar no meu passado, que alguém me tinha ajudado e a diferença que isso tinha tido na minha vida. Pensei que se eu fizesse a mesma coisa por aquelas crianças elas podiam chegar onde eu cheguei. Chamei à Fundação Maria Cristina para agradecer e em homenagem ao que a Cristina fez por mim. Imagine, era uma viúva, fazia limpezas, com seis filhos e ainda deu casa e comida a uma sétima criança”, salientou.
A portuguesa começou por retirar 39 crianças das ruas do bairro de Gawair e inscrevê-las numa escola local, mas o projeto foi tendo altos e baixos, invariavelmente por dificuldades de financiamento, levando Maria da Conceição a criar a Fundação Maria Cristina, em 2010.
Foi a partir daí que se tornou ex-hospedeira e se dedicou “24 horas por dia, sete dias por semana” a esta causa, juntando à gestão da fundação os desafios extremos, como correr maratonas, ultramaratonas e escalar montanhas. “A crise financeira abateu o meu projeto e fechou-o, eu podia ter baixado os braços… mas reinventei-me, não cruzei os braços, não fiquei a chorar os oito anos de trabalho que tinha tido com a fundação e como a vida é tão injusta”, recordou.
Apesar de concretizar estes desafios, como o de se tornar na primeira portuguesa a subir o Evereste, Maria da Conceição não conseguiu angariar o milhão de euros que asseguraria, pelo menos, a educação de 100 crianças, mas nunca desistiu, conseguindo identificar resultados positivos.
“Já temos muitos resultados. Algumas crianças que tinham 12 anos, quando começámos a tomar conta delas saíram das favelas de Daca, já estão a trabalhar [na companhia aérea Emirates, no Dubai] e a tomar conta das famílias. Os pais também sabem ler e escrever, já dá para ver muita diferença nos últimos dez anos, mas ainda há muito trabalho para continuar”, assegurou, advertindo que “são precisos no mínimo 13 anos para educar uma criança”.
Maria da Conceição lamentou algum desconhecimento sobre o seu projeto, sobretudo em Portugal – “há estrangeiros que viajam na Emirates que perguntam se a humanitária está a voar” – para justificar o lançamento desta sua biografia.
“Para divulgar a história da fundação, o meu percurso de vida mas também para que possa inspirar outras pessoas para fazerem o que a Cristina fez, quando eu tinha dois anos, e o que estou a fazer agora. Acho que as pessoas pensam que para ajudar e mudar a vida de outras pessoas é preciso muita coisa, mas veja a minha história: como uma mulher de limpeza, muito pobre, como ela mudou a minha vida; e eu que não tenho nada, mas fiz a diferença que fiz na vida destas pessoas”, frisou.
A poucos meses de enfrentar os 3,8 quilómetros de natação, 180 quilómetros de bicicleta e uma maratona a correr, num Ironman (triatlo de longa duração), Maria da Conceição, que ainda vai aprender a nadar e a andar de bicicleta, quer tornar-se num exemplo a seguir. “Espero pelo menos inspirar as pessoas a batalharem pelos sonhos e objetivos, não só no mundo da caridade, mas também nos estudos, na carreira…”, concluiu.
Portugal. “Aumento da pobreza não é inevitável”: Presidente CNJP
in Rádio Vaticano
O alerta é do presidente da Comissão Nacional Justiça e Paz Pedro Vaz Patto sobre a situação social do país, uma reflexão no contexto da mensagem da quaresma que este organismo da Conferência Episcopal Portuguesa divulgou neste tempo litúrgico centrada este ano no tema “Da Globalização da Indiferença a uma Ética do Cuidado”.
A CNJP considera que “a crise” dos mercados mundiais tem trazido “consequências a nível de desemprego, pobreza infantil, vulnerabilização da vida familiar, exclusão” e a sociedade portuguesa tem “vindo a assistir com alguma indiferença ao avolumar destes desequilíbrios”, oportunidade para interpelar os católicos sobre o acolhimento que recebem “aqueles que vivem nas periferias, sejam elas económicas, sociais, culturais, geográficas étnicas, religiosas, de orientação sexual ou outras”.
É neste contexto que em entrevista à Rádio Vaticano o juiz Pedro Vaz Patto sublinha que “há um défice de coesão social em Portugal” e aponta a urgência de “uma ética do cuidado” para com o Outro.
Ao jornalista Domingos Pinto, o presidente da Comissão Nacional Justiça e Paz começa por fazer um apelo contra a indiferença perante os mais desfavorecidos.
O alerta é do presidente da Comissão Nacional Justiça e Paz Pedro Vaz Patto sobre a situação social do país, uma reflexão no contexto da mensagem da quaresma que este organismo da Conferência Episcopal Portuguesa divulgou neste tempo litúrgico centrada este ano no tema “Da Globalização da Indiferença a uma Ética do Cuidado”.
A CNJP considera que “a crise” dos mercados mundiais tem trazido “consequências a nível de desemprego, pobreza infantil, vulnerabilização da vida familiar, exclusão” e a sociedade portuguesa tem “vindo a assistir com alguma indiferença ao avolumar destes desequilíbrios”, oportunidade para interpelar os católicos sobre o acolhimento que recebem “aqueles que vivem nas periferias, sejam elas económicas, sociais, culturais, geográficas étnicas, religiosas, de orientação sexual ou outras”.
É neste contexto que em entrevista à Rádio Vaticano o juiz Pedro Vaz Patto sublinha que “há um défice de coesão social em Portugal” e aponta a urgência de “uma ética do cuidado” para com o Outro.
Ao jornalista Domingos Pinto, o presidente da Comissão Nacional Justiça e Paz começa por fazer um apelo contra a indiferença perante os mais desfavorecidos.
Um anel que permite a leitura a cegos, sem o recurso a braile
por Dinheiro Vivo
FingerReader é uma ferramenta de leitura em voz alta de textos, em formato de livro ou através de um Kindle para cegos.
Um aparelho eletrónico que permite a leitura de um livro comum a deficientes visuais, sem recorrer ao uso braille, através de um sistema que faz a leitura em voz alta e em tempo real dos textos. O utilizador pode ainda optar por um sistema de tradução.
Este é um produto desenvolvido por pesquisadores do MIT (Massachusetts Institute of Technology), que pretende revolucionar a forma como as pessoas que não conseguem ver, ou que têm visão reduzida, leem textos.
Basta seguir o texto com o dedo indicador (aconselhado para colocar o 'fingereader'), para que o aparelho reproduza em voz alta cada palavra seguida. Sempre que inicia uma nova frase ou um novo parágrafo, o aparelho emite sinais de vibração, que alertam o utilizador. Caso este se afaste da linha de texto, é emitido um sinal para que o leitor volte atrás e se coloque novamente em linha com o que está a ler.
O aparelho tem uma pequena câmara que faz a análise dos elementos escritos do texto, fazendo a sua leitura em tempo real, sejam impressos ou em e-book, como o Kindle.
Uma das ferramentas adicionais do anel de leitura é a possibilidade de tradução de textos.
FingerReader é uma ferramenta de leitura em voz alta de textos, em formato de livro ou através de um Kindle para cegos.
Um aparelho eletrónico que permite a leitura de um livro comum a deficientes visuais, sem recorrer ao uso braille, através de um sistema que faz a leitura em voz alta e em tempo real dos textos. O utilizador pode ainda optar por um sistema de tradução.
Este é um produto desenvolvido por pesquisadores do MIT (Massachusetts Institute of Technology), que pretende revolucionar a forma como as pessoas que não conseguem ver, ou que têm visão reduzida, leem textos.
Basta seguir o texto com o dedo indicador (aconselhado para colocar o 'fingereader'), para que o aparelho reproduza em voz alta cada palavra seguida. Sempre que inicia uma nova frase ou um novo parágrafo, o aparelho emite sinais de vibração, que alertam o utilizador. Caso este se afaste da linha de texto, é emitido um sinal para que o leitor volte atrás e se coloque novamente em linha com o que está a ler.
O aparelho tem uma pequena câmara que faz a análise dos elementos escritos do texto, fazendo a sua leitura em tempo real, sejam impressos ou em e-book, como o Kindle.
Uma das ferramentas adicionais do anel de leitura é a possibilidade de tradução de textos.
Violência contra idosos e crianças aumentou em 2014, alerta a APAV
in SicNotícias
A Associação Portuguesa de Apoio à Vítima (APAV) registou 852 casos de violência contra idosos em 2014, mais 10,1% face ao ano anterior, e 992 situações de agressões a crianças e jovens.
Em média, todas as semanas, 16 idosos e 19 crianças são vítimas de crime em Portugal, segundo o relatório anual da APAV 2014, a que a agência Lusa teve acesso.
Comparativamente com os dados de 2013, a APAV registou um aumento de casos de violência contra as pessoas idosas, passando de 774 situações em 2013 para 852 no ano passado, um aumento de 10,1%,
Também registou um aumento de casos nas crianças e jovens, que subiram de 974 para 992, o que representou um aumento de dois por cento.
"Entre mulheres e homens, no seu conjunto, o aumento percentual foi o mais significativo com 12,4% (de 6.985, em 2013, para 7.848 em 2014), sublinha a APAV no relatório.
De acordo com os dados, todas as semanas, em média, 130 mulheres e 21 homens recorrem aos serviços da associação.
No cômputo geral, a APAV registou, em 2014, 12.379 processos de apoio com atendimentos, a maioria de violência doméstica.
Em termos comparativos, de 2013 para 2014 existe um aumento do número de processos com atendimentos (quase 5%) e do número de crimes (4,4%).
A APAV acompanhou 8.889 vítimas diretas que foram alvo de 21.541 crimes e ou de outros atos violentos.
Dos 12.379 processos, 91,9% tiveram o seu primeiro atendimento em 2014, existindo 8% de casos que transitaram de anos anteriores devido à complexidade das situações apresentadas.
Do total dos crimes registados pela APAV, "claramente que os crimes contra as pessoas, particularmente no que diz respeito à violência doméstica (maus tratos físicos e psíquicos) sobressaem face aos restantes com 78,4% do total de crimes".
Dos utentes que reportaram crimes à APAV, em 2014, 82,3% eram mulheres com idades entre os 25 e os 54 anos (37,1%). Relativamente à escolaridade, os níveis de ensino superior (7,6%) e o nível de ensino básico do 3º ciclo (4,8%) destacaram-se face aos restantes.
Já no que diz respeito à principal atividade económica, 29,6% dos utentes encontravam-se empregados e 19,4% desempregados.
As vítimas de crime que usufruíram dos serviços da APAV eram maioritariamente casadas (32,8%) ou solteiras (22,7%) e pertenciam sobretudo, a um tipo de família nuclear com filhos em 39,4% dos casos.
As grandes zonas urbanas concentram o maior número de vítimas que recorrem aos serviços da APAV, sendo a maioria destas, como em anos anteriores de nacionalidade europeia (91,2%).
Em mais de 70% dos casos assinalados a vitimação ocorrida foi de tipo continuado. A duração deste tipo de vitimação continuada acontece, sobretudo, num espaço temporal entre os dois e os seis anos (19%).
Segundo a APAV, o principal local do crime assinalado foi a residência comum (entre vítima e autor do crime) com 52,6% das sinalizações.
A associação registou 9.152 autores de crime em 2014, mais de 80% eram homens, com idades compreendidas entre os 25 e os 54 anos (30%), 35,6% eram casados e em 31,7% dos casos tinham uma atividade profissional regular.
A Associação Portuguesa de Apoio à Vítima (APAV) registou 852 casos de violência contra idosos em 2014, mais 10,1% face ao ano anterior, e 992 situações de agressões a crianças e jovens.
Em média, todas as semanas, 16 idosos e 19 crianças são vítimas de crime em Portugal, segundo o relatório anual da APAV 2014, a que a agência Lusa teve acesso.
Comparativamente com os dados de 2013, a APAV registou um aumento de casos de violência contra as pessoas idosas, passando de 774 situações em 2013 para 852 no ano passado, um aumento de 10,1%,
Também registou um aumento de casos nas crianças e jovens, que subiram de 974 para 992, o que representou um aumento de dois por cento.
"Entre mulheres e homens, no seu conjunto, o aumento percentual foi o mais significativo com 12,4% (de 6.985, em 2013, para 7.848 em 2014), sublinha a APAV no relatório.
De acordo com os dados, todas as semanas, em média, 130 mulheres e 21 homens recorrem aos serviços da associação.
No cômputo geral, a APAV registou, em 2014, 12.379 processos de apoio com atendimentos, a maioria de violência doméstica.
Em termos comparativos, de 2013 para 2014 existe um aumento do número de processos com atendimentos (quase 5%) e do número de crimes (4,4%).
A APAV acompanhou 8.889 vítimas diretas que foram alvo de 21.541 crimes e ou de outros atos violentos.
Dos 12.379 processos, 91,9% tiveram o seu primeiro atendimento em 2014, existindo 8% de casos que transitaram de anos anteriores devido à complexidade das situações apresentadas.
Do total dos crimes registados pela APAV, "claramente que os crimes contra as pessoas, particularmente no que diz respeito à violência doméstica (maus tratos físicos e psíquicos) sobressaem face aos restantes com 78,4% do total de crimes".
Dos utentes que reportaram crimes à APAV, em 2014, 82,3% eram mulheres com idades entre os 25 e os 54 anos (37,1%). Relativamente à escolaridade, os níveis de ensino superior (7,6%) e o nível de ensino básico do 3º ciclo (4,8%) destacaram-se face aos restantes.
Já no que diz respeito à principal atividade económica, 29,6% dos utentes encontravam-se empregados e 19,4% desempregados.
As vítimas de crime que usufruíram dos serviços da APAV eram maioritariamente casadas (32,8%) ou solteiras (22,7%) e pertenciam sobretudo, a um tipo de família nuclear com filhos em 39,4% dos casos.
As grandes zonas urbanas concentram o maior número de vítimas que recorrem aos serviços da APAV, sendo a maioria destas, como em anos anteriores de nacionalidade europeia (91,2%).
Em mais de 70% dos casos assinalados a vitimação ocorrida foi de tipo continuado. A duração deste tipo de vitimação continuada acontece, sobretudo, num espaço temporal entre os dois e os seis anos (19%).
Segundo a APAV, o principal local do crime assinalado foi a residência comum (entre vítima e autor do crime) com 52,6% das sinalizações.
A associação registou 9.152 autores de crime em 2014, mais de 80% eram homens, com idades compreendidas entre os 25 e os 54 anos (30%), 35,6% eram casados e em 31,7% dos casos tinham uma atividade profissional regular.
Violência doméstica deixou 700 orfãos em dez anos
por Rute Coelho, in Diário de Notícias
A Comissão de Proteção às Vítimas de Crime denuncia que a maioria das crianças, apesar do "trauma brutal", não teve apoio do Estado.
Um dos últimos traumatizados pela violência conjugal é uma criança de três anos que perdeu a mãe e o pai no mesmo dia. Aconteceu no dia 3 de março: o pai matou a mãe à facada, em casa, em Santa Marta do Pinhal, Corroios, e a seguir saltou da ponte 25 de abril e suicidou-se. O filho de três anos ficou durante 20 minutos a assistir à morte da mãe, no chão da cozinha. O caso foi evocado ao DN por Carlos Anjos, presidente da Comissão de Proteção às Vítimas dos Crimes Violentos (CPVCV).
Segundo uma estimativa feita pela Comissão, "nos últimos 10 anos cerca de 700 crianças ficaram orfãs de mãe por causa da violência doméstica". A projeção foi feita com base no número de 400 mulheres mortas na última década, à média de 1,5 filhos por cada uma. Uma das crianças orfãs do ano passado é Joana, de 13 anos, cujo pai está em prisão preventiva pela morte da sua mãe e irmã, em Soure (Coimbra). O crime aconteceu a 20 de outubro do ano passado. Os amigos de Inês, de 16 anos, prestaram uma homenagem com balões brancos (na foto).
A Comissão de Proteção às Vítimas de Crime denuncia que a maioria das crianças, apesar do "trauma brutal", não teve apoio do Estado.
Um dos últimos traumatizados pela violência conjugal é uma criança de três anos que perdeu a mãe e o pai no mesmo dia. Aconteceu no dia 3 de março: o pai matou a mãe à facada, em casa, em Santa Marta do Pinhal, Corroios, e a seguir saltou da ponte 25 de abril e suicidou-se. O filho de três anos ficou durante 20 minutos a assistir à morte da mãe, no chão da cozinha. O caso foi evocado ao DN por Carlos Anjos, presidente da Comissão de Proteção às Vítimas dos Crimes Violentos (CPVCV).
Segundo uma estimativa feita pela Comissão, "nos últimos 10 anos cerca de 700 crianças ficaram orfãs de mãe por causa da violência doméstica". A projeção foi feita com base no número de 400 mulheres mortas na última década, à média de 1,5 filhos por cada uma. Uma das crianças orfãs do ano passado é Joana, de 13 anos, cujo pai está em prisão preventiva pela morte da sua mãe e irmã, em Soure (Coimbra). O crime aconteceu a 20 de outubro do ano passado. Os amigos de Inês, de 16 anos, prestaram uma homenagem com balões brancos (na foto).
25.3.15
Alguns médicos ainda tratam homossexualidade como doença
in Jornal de Notícias
A homossexualidade ainda é considerada por alguns médicos uma doença que pode ser curada, revela um estudo da ILGA, que indica que as pessoas lésbicas, gay, bissexuais e transgénero se sentem discriminadas no acesso a cuidados de saúde.
A constatação faz parte do estudo "Saúde em Igualdade - Pelo acesso a cuidados de saúde adequados e competentes para pessoas lésbicas, gays, bissexuais e trans (LGBT)", realizado com recurso a 600 inquéritos, feitos entre junho e novembro de 2014.
Especificamente em relação aos 249 inquiridos que estão a ser seguidos ao nível da saúde mental ou psicoterapia, pelo menos 27 pessoas (11%) afirmaram que o/a profissional de saúde lhes sugeriu que a homossexualidade é uma doença e pode ser "curada".
Em declarações à Lusa, o coordenador do estudo disse ter ficado surpreendido com este dado, mas lembrou que foi só em 1972 que a Associação Americana de Psiquiatria retirou a homossexualidade da lista de doenças mentais, e só nos anos 1980 é que a Organização Mundial de Saúde deixou de considerar a homossexualidade uma doença.
Nuno Pinto considerou este dado "particularmente grave" porque surge em relação a pessoas que estão a ser seguidas em contexto de psicoterapia e disse acreditar que a realidade supere os 11% apurados no inquérito.
"Houve pessoas que não estariam a ser acompanhadas nos serviços de saúde mental e que disseram que isto lhes foi sugerido por outros profissionais, noutras áreas, nomeadamente uma participante que disse que a sua ginecologista lhe sugeriu isto", revelou.
Para o responsável, esta realidade é bastante reveladora da necessidade de formação dos profissionais de saúde, lembrando que este tipo de considerações tem um forte impacto em quem está a ser acompanhado, normalmente pessoas vulneráveis "que deviam ter relação significativa e prolongada no tempo com este profissional".
"Numa consulta, a médica, cuja especialidade era ginecologia, considerou a homossexualidade como uma doença, para a qual é necessário tratamento", refere uma mulher lésbica, de 21 anos.
Outra, com 27 anos, conta: "A enfermeira que fez a triagem questionou a relação que eu tinha na altura com uma pessoa do mesmo sexo, dando a entender que era uma fase".
Nuno Pinto sublinha que os profissionais de saúde são vistos "como uma espécie de autoridade que baliza o que é certo e o que é errado", pelo que comentários deste género feitas por estas pessoas "poderão ter um impacto bastante maior" do que se for feito por um desconhecido ou uma pessoa com quem não haja uma relação.
"Pode ter impacto ao nível da saúde mental, já que as pessoas LGBT são as que estão mais em risco em matéria de doenças mentais exatamente pela discriminação que a sua orientação social desencadeia", sublinhou.
Prova disso, para o responsável, está no número de suicídios de jovens LGBT, que "são pelo menos três vezes superior aos jovens não LGBT".
"Um comentário destes, dito por um profissional isto pode validar o insulto social e as consequências podem ser a nível da saúde mental e do bem-estar", alertou.
A homossexualidade ainda é considerada por alguns médicos uma doença que pode ser curada, revela um estudo da ILGA, que indica que as pessoas lésbicas, gay, bissexuais e transgénero se sentem discriminadas no acesso a cuidados de saúde.
A constatação faz parte do estudo "Saúde em Igualdade - Pelo acesso a cuidados de saúde adequados e competentes para pessoas lésbicas, gays, bissexuais e trans (LGBT)", realizado com recurso a 600 inquéritos, feitos entre junho e novembro de 2014.
Especificamente em relação aos 249 inquiridos que estão a ser seguidos ao nível da saúde mental ou psicoterapia, pelo menos 27 pessoas (11%) afirmaram que o/a profissional de saúde lhes sugeriu que a homossexualidade é uma doença e pode ser "curada".
Em declarações à Lusa, o coordenador do estudo disse ter ficado surpreendido com este dado, mas lembrou que foi só em 1972 que a Associação Americana de Psiquiatria retirou a homossexualidade da lista de doenças mentais, e só nos anos 1980 é que a Organização Mundial de Saúde deixou de considerar a homossexualidade uma doença.
Nuno Pinto considerou este dado "particularmente grave" porque surge em relação a pessoas que estão a ser seguidas em contexto de psicoterapia e disse acreditar que a realidade supere os 11% apurados no inquérito.
"Houve pessoas que não estariam a ser acompanhadas nos serviços de saúde mental e que disseram que isto lhes foi sugerido por outros profissionais, noutras áreas, nomeadamente uma participante que disse que a sua ginecologista lhe sugeriu isto", revelou.
Para o responsável, esta realidade é bastante reveladora da necessidade de formação dos profissionais de saúde, lembrando que este tipo de considerações tem um forte impacto em quem está a ser acompanhado, normalmente pessoas vulneráveis "que deviam ter relação significativa e prolongada no tempo com este profissional".
"Numa consulta, a médica, cuja especialidade era ginecologia, considerou a homossexualidade como uma doença, para a qual é necessário tratamento", refere uma mulher lésbica, de 21 anos.
Outra, com 27 anos, conta: "A enfermeira que fez a triagem questionou a relação que eu tinha na altura com uma pessoa do mesmo sexo, dando a entender que era uma fase".
Nuno Pinto sublinha que os profissionais de saúde são vistos "como uma espécie de autoridade que baliza o que é certo e o que é errado", pelo que comentários deste género feitas por estas pessoas "poderão ter um impacto bastante maior" do que se for feito por um desconhecido ou uma pessoa com quem não haja uma relação.
"Pode ter impacto ao nível da saúde mental, já que as pessoas LGBT são as que estão mais em risco em matéria de doenças mentais exatamente pela discriminação que a sua orientação social desencadeia", sublinhou.
Prova disso, para o responsável, está no número de suicídios de jovens LGBT, que "são pelo menos três vezes superior aos jovens não LGBT".
"Um comentário destes, dito por um profissional isto pode validar o insulto social e as consequências podem ser a nível da saúde mental e do bem-estar", alertou.
Para elas trabalhar não garante a sobrevivência
Teresa Abecasis (texto) e Joana Bourgard (fotos), in RR
Natália só vive quando está a trabalhar, Sandra trabalha para pagar as contas do filho. Mas o que recebem não chega. Elas, as mulheres, são o elo mais fraco. Histórias de como é ser mulher numa cultura de salários baixos.
Natália está à janela de casa a fumar. Vive numa cave, em Alcabideche, no concelho de Cascais. A janela dá para os pés dos transeuntes no passeio, para o chão debaixo dos carros estacionados e para um gato que se esconde do sol que apareceu de repente e em força nos primeiros dias de Março.
É o início de uma bonita tarde de Primavera e Natália está à janela. Acaba o cigarro e fecha os estores de casa, “para os gatos não entrarem”. Agora, a única luz que tem vem de uma lâmpada economizadora, colocada num candeeiro no meio do chão da sala que também é quarto.
Senta-se na cama, à entrada de casa, e convida-nos a fazermos o mesmo. Está escuro na sala.
“O meu emprego foi a melhor coisa que eu tive”, diz, com a voz rouca. “Mudei de feitio e de maneira de ser”.
Tem 57 anos e trabalha há 11 num lar na Parede. O lar é a sua segunda casa. Os colegas são a segunda família. A primeira: os pais, os seis irmãos, os dois filhos e o neto. Natália depende dos pais para sobreviver.
No lar, Natália trata dos utentes, que vão dos 70 aos cem anos. Recebe 560 euros por mês para “fazer de tudo” - desde dar banhos a levantar reformas, passando por distribuir iogurtes no bar. Trabalha em turnos, normalmente no da manhã.
Entra antes das 7h00 e sai depois das 15h00. No lar, sente-se a pessoa mais feliz do mundo.
Mas, quando regressa a casa, é uma pessoa diferente. Senta-se na cama, em frente à televisão e vê a novela das 18h00, das 19h00, das 21h00... Ou dorme. Passa as horas livres, as folgas e as férias fechada em casa, com os estores corridos.
“Às vezes, ouço a vizinhança dizer ‘não está ninguém, a Natália não está’. Eu ouço e estou aqui caladinha, não digo nada”. Não sai de casa para não gastar o dinheiro que não sobra.
Daqui a uma semana vai entrar de férias e já está ansiosa porque não tem para onde ir ou o que fazer. “Vou visitar a minha mãe, e depois vou visitar a minha mãe, e depois vou visitar a minha mãe”.
Os pais moram em Oeiras. Natália visita-os com frequência, depende deles. Volta sempre carregada. “Os meus pais dão-me queijo, peixe, carne, fruta, óleo, azeite, batatas, cebolas.” Só assim, diz, consegue sobreviver.
Dos 560 euros que recebe todos os meses, 260 vão directamente para a renda da casa, 112 para uma dívida que tem no banco, 61 para o passe. Sobram-lhe cerca de 120 euros para pagar a alimentação, telemóvel e as contas da casa - água, luz, gás.
Como faz? O dinheiro não estica, mas Natália vai esticando os prazos.
“Eu só pago quando está para chegar o corte”. Pega no telemóvel para mostrar como é. “Hoje estava eu muito bem quando recebi uma mensagem. ‘Ai, credo, o que é que se passa?’ E vejo assim… Eu gosto muito é de ler isto. ‘Evite o corte, pague até ao dia 15/03’.”
Era a conta da electricidade e o último aviso para pagá-la. Natália paga tudo, “mas tem é de vir o [aviso de] corte”.
Também no lar onde trabalha vai acumulando dívidas das refeições que pede de vez em quando e que depois paga com os subsídios de férias e de Natal. “Nós temos um ordenado. Não temos de estar a pedir uma sopa e um pão. Temos o ordenado”, repete.
Uma cultura de salários baixos
Natália recebe um pouco mais do que o salário mínimo (505 euros). E, ainda assim, fazer contas faz parte do seu dia-a-dia: é uma estratégia de sobrevivência.
Em 2005, 5% dos trabalhadores portugueses recebiam o salário mínimo. Em 2014, essa percentagem subiu para 12,9%. São mais de 465 mil pessoas, segundo dados da Comissão Europeia.
As mulheres são as mais afectadas porque há mais mulheres trabalhadoras a ganhar o salário mínimo (17,5%) do que homens (9,4%).
Mesmo entre os que recebem mais, os valores médios não se afastam muito dos valores mínimos. Mais uma vez, são as mulheres as mais prejudicadas. No 4º trimestre de 2014, o rendimento médio mensal líquido dos trabalhadores por conta de outrem era de 818 euros. No caso das mulheres, o valor baixa para 751 euros.
“Salário mínimo significa dificuldades”
Aceita contar a sua história, mas não quer ser identificada. Por isso, chamamos-lhe “Sandra”, que não é o seu verdadeiro nome.
Tem 25 anos e é auxiliar de acção educativa numa creche na zona de Carnide, em Lisboa. Recebe o salário mínimo, aumentado recentemente, mas garante que nem sentiu a diferença.
Desde Outubro do ano passado que o mínimo que um trabalhador com contrato, a trabalhar a tempo inteiro, pode ganhar é 505 euros. Tirados os descontos obrigatórios, chegam à conta da Sandra cerca de 460 euros por mês.
Foi mãe adolescente, tem uma casa própria e trataria do filho sozinha se conseguisse. Desde que a criança nasceu, há oito anos, que fez questão de assumir as suas responsabilidades, mas precisou da ajuda da mãe.
Estava a tirar o curso tecnológico de acção social (ensino secundário) quando ficou grávida. Na altura, o namorado quis que ela fosse trabalhar para assumir as despesas da família, enquanto ele continuava desempregado. Ela não aceitou e seguiram cada um o seu caminho. Terminou o curso, foi estagiar e está a trabalhar há três anos.
Sandra conta a sua história, mas não quer identificada
Para Sandra, receber o salário mínimo significa ser dependente. “Significa ter dificuldades. Se eu recebesse um bocadinho mais, não precisava de ter ninguém a ajudar-me. Aí podia ser mesmo independente”.
A mãe, que ganha cerca de 600 euros, acabou por ir viver com a filha e partilham as despesas. Mas as contas da criança e a renda da casa, diz Sandra orgulhosamente, é ela que paga.
Não sobra muito. Dos 460 euros, subtraímos 250 para a casa. Ficam 210.
Como muitos outros pais e crianças, Sandra e o filho saem de casa por volta das 8h00 todos os dias e regressam quase 12 horas depois. A partir de casa, apanham dois autocarros para chegar à escola. Depois, se o tempo estiver bom, Sandra segue a pé durante 15 minutos até chegar à creche onde trabalha.
Entra às 9h00 ou às 10h00 e sai às 18h00 ou às 19h00. O que significa que o filho tem de estar inscrito em três prolongamentos na escola - um de manhã, a partir das 8h00, dois à tarde, até às 20h00.
Quando vão às compras, Sandra e o filho comem fora, “uma extravagância”. “Lá vamos ao McDonald’s...” No início do ano lectivo, a Cáritas ofereceu o material e os livros escolares do filho. No Natal recebeu um cabaz de alimentos. A roupa vem de amigos ou instituições.
Sandra não se queixa. Sente que tem tudo o que precisa e está concentrada em dar ao filho tudo o que não teve. “Já lhe disse que ele tem de ir para faculdade”.
Uma equação difícil
No dia em que falamos com a Sandra, apanhamo-la à saída do emprego e acompanhamo-la na última etapa da sua maratona diária. Andar até à escola do filho, apanhar o primeiro autocarro para casa e depois o segundo.
Sandra e o filho a caminho de casa, no fim do dia
No autocarro, a criança mostra-se aborrecida. Teve um teste de matemática e “só” teve “Bom”. Errou três perguntas, uma delas um “problema” que valia dez pontos.
O problema envolvia dois meninos e duas laranjas. Um deles comeu 0,8 décimos da laranja e outro 0,6 décimos. Era preciso pintar os gomos que os meninos comeram e ele enganou-se.
À volta com outras contas, Sandra tem dificuldades com outras variáveis. “Penso continuar no meu trabalho, gostaria de ganhar um bocadinho mais”. Mas não há nada que gostaria de fazer? “Gostava de tirar a carta, mas agora não tenho tempo. O dia está todo contado.”
A Natália sobra-lhe mais tempo, mas vai-lhe faltando força. Lembra-se de dias melhores, quando era mais nova. “Tinha dois empregos. Agora só tenho um. Já não tenho capacidade para dois”.
Apesar disso, está sempre disponível para acompanhar os utentes do lar às consultas, fora do horário normal de trabalho, e assim ganhar um dinheiro extra. Ligam sempre para ela. Mesmo quando está de férias.
A única altura em que não está disponível para trabalhar é no Ano Novo. Dia 31 de Dezembro e dia 1 de Janeiro podem pô-la a trabalhar que ela não vai, garante. “Estou aqui fechada, com a minha garrafa de champagne, a ver televisão. No dia 1, levanto-me, toda fresca e airosa, vou para o cafézinho de uma amiga e estou lá a comemorar. Dia 2, vou trabalhar”. E os outros dias são iguais.
Renascença © 2015
Natália só vive quando está a trabalhar, Sandra trabalha para pagar as contas do filho. Mas o que recebem não chega. Elas, as mulheres, são o elo mais fraco. Histórias de como é ser mulher numa cultura de salários baixos.
Natália está à janela de casa a fumar. Vive numa cave, em Alcabideche, no concelho de Cascais. A janela dá para os pés dos transeuntes no passeio, para o chão debaixo dos carros estacionados e para um gato que se esconde do sol que apareceu de repente e em força nos primeiros dias de Março.
É o início de uma bonita tarde de Primavera e Natália está à janela. Acaba o cigarro e fecha os estores de casa, “para os gatos não entrarem”. Agora, a única luz que tem vem de uma lâmpada economizadora, colocada num candeeiro no meio do chão da sala que também é quarto.
Senta-se na cama, à entrada de casa, e convida-nos a fazermos o mesmo. Está escuro na sala.
“O meu emprego foi a melhor coisa que eu tive”, diz, com a voz rouca. “Mudei de feitio e de maneira de ser”.
Tem 57 anos e trabalha há 11 num lar na Parede. O lar é a sua segunda casa. Os colegas são a segunda família. A primeira: os pais, os seis irmãos, os dois filhos e o neto. Natália depende dos pais para sobreviver.
No lar, Natália trata dos utentes, que vão dos 70 aos cem anos. Recebe 560 euros por mês para “fazer de tudo” - desde dar banhos a levantar reformas, passando por distribuir iogurtes no bar. Trabalha em turnos, normalmente no da manhã.
Entra antes das 7h00 e sai depois das 15h00. No lar, sente-se a pessoa mais feliz do mundo.
Mas, quando regressa a casa, é uma pessoa diferente. Senta-se na cama, em frente à televisão e vê a novela das 18h00, das 19h00, das 21h00... Ou dorme. Passa as horas livres, as folgas e as férias fechada em casa, com os estores corridos.
“Às vezes, ouço a vizinhança dizer ‘não está ninguém, a Natália não está’. Eu ouço e estou aqui caladinha, não digo nada”. Não sai de casa para não gastar o dinheiro que não sobra.
Daqui a uma semana vai entrar de férias e já está ansiosa porque não tem para onde ir ou o que fazer. “Vou visitar a minha mãe, e depois vou visitar a minha mãe, e depois vou visitar a minha mãe”.
Os pais moram em Oeiras. Natália visita-os com frequência, depende deles. Volta sempre carregada. “Os meus pais dão-me queijo, peixe, carne, fruta, óleo, azeite, batatas, cebolas.” Só assim, diz, consegue sobreviver.
Dos 560 euros que recebe todos os meses, 260 vão directamente para a renda da casa, 112 para uma dívida que tem no banco, 61 para o passe. Sobram-lhe cerca de 120 euros para pagar a alimentação, telemóvel e as contas da casa - água, luz, gás.
Como faz? O dinheiro não estica, mas Natália vai esticando os prazos.
“Eu só pago quando está para chegar o corte”. Pega no telemóvel para mostrar como é. “Hoje estava eu muito bem quando recebi uma mensagem. ‘Ai, credo, o que é que se passa?’ E vejo assim… Eu gosto muito é de ler isto. ‘Evite o corte, pague até ao dia 15/03’.”
Era a conta da electricidade e o último aviso para pagá-la. Natália paga tudo, “mas tem é de vir o [aviso de] corte”.
Também no lar onde trabalha vai acumulando dívidas das refeições que pede de vez em quando e que depois paga com os subsídios de férias e de Natal. “Nós temos um ordenado. Não temos de estar a pedir uma sopa e um pão. Temos o ordenado”, repete.
Uma cultura de salários baixos
Natália recebe um pouco mais do que o salário mínimo (505 euros). E, ainda assim, fazer contas faz parte do seu dia-a-dia: é uma estratégia de sobrevivência.
Em 2005, 5% dos trabalhadores portugueses recebiam o salário mínimo. Em 2014, essa percentagem subiu para 12,9%. São mais de 465 mil pessoas, segundo dados da Comissão Europeia.
As mulheres são as mais afectadas porque há mais mulheres trabalhadoras a ganhar o salário mínimo (17,5%) do que homens (9,4%).
Mesmo entre os que recebem mais, os valores médios não se afastam muito dos valores mínimos. Mais uma vez, são as mulheres as mais prejudicadas. No 4º trimestre de 2014, o rendimento médio mensal líquido dos trabalhadores por conta de outrem era de 818 euros. No caso das mulheres, o valor baixa para 751 euros.
“Salário mínimo significa dificuldades”
Aceita contar a sua história, mas não quer ser identificada. Por isso, chamamos-lhe “Sandra”, que não é o seu verdadeiro nome.
Tem 25 anos e é auxiliar de acção educativa numa creche na zona de Carnide, em Lisboa. Recebe o salário mínimo, aumentado recentemente, mas garante que nem sentiu a diferença.
Desde Outubro do ano passado que o mínimo que um trabalhador com contrato, a trabalhar a tempo inteiro, pode ganhar é 505 euros. Tirados os descontos obrigatórios, chegam à conta da Sandra cerca de 460 euros por mês.
Foi mãe adolescente, tem uma casa própria e trataria do filho sozinha se conseguisse. Desde que a criança nasceu, há oito anos, que fez questão de assumir as suas responsabilidades, mas precisou da ajuda da mãe.
Estava a tirar o curso tecnológico de acção social (ensino secundário) quando ficou grávida. Na altura, o namorado quis que ela fosse trabalhar para assumir as despesas da família, enquanto ele continuava desempregado. Ela não aceitou e seguiram cada um o seu caminho. Terminou o curso, foi estagiar e está a trabalhar há três anos.
Sandra conta a sua história, mas não quer identificada
Para Sandra, receber o salário mínimo significa ser dependente. “Significa ter dificuldades. Se eu recebesse um bocadinho mais, não precisava de ter ninguém a ajudar-me. Aí podia ser mesmo independente”.
A mãe, que ganha cerca de 600 euros, acabou por ir viver com a filha e partilham as despesas. Mas as contas da criança e a renda da casa, diz Sandra orgulhosamente, é ela que paga.
Não sobra muito. Dos 460 euros, subtraímos 250 para a casa. Ficam 210.
Como muitos outros pais e crianças, Sandra e o filho saem de casa por volta das 8h00 todos os dias e regressam quase 12 horas depois. A partir de casa, apanham dois autocarros para chegar à escola. Depois, se o tempo estiver bom, Sandra segue a pé durante 15 minutos até chegar à creche onde trabalha.
Entra às 9h00 ou às 10h00 e sai às 18h00 ou às 19h00. O que significa que o filho tem de estar inscrito em três prolongamentos na escola - um de manhã, a partir das 8h00, dois à tarde, até às 20h00.
Quando vão às compras, Sandra e o filho comem fora, “uma extravagância”. “Lá vamos ao McDonald’s...” No início do ano lectivo, a Cáritas ofereceu o material e os livros escolares do filho. No Natal recebeu um cabaz de alimentos. A roupa vem de amigos ou instituições.
Sandra não se queixa. Sente que tem tudo o que precisa e está concentrada em dar ao filho tudo o que não teve. “Já lhe disse que ele tem de ir para faculdade”.
Uma equação difícil
No dia em que falamos com a Sandra, apanhamo-la à saída do emprego e acompanhamo-la na última etapa da sua maratona diária. Andar até à escola do filho, apanhar o primeiro autocarro para casa e depois o segundo.
Sandra e o filho a caminho de casa, no fim do dia
No autocarro, a criança mostra-se aborrecida. Teve um teste de matemática e “só” teve “Bom”. Errou três perguntas, uma delas um “problema” que valia dez pontos.
O problema envolvia dois meninos e duas laranjas. Um deles comeu 0,8 décimos da laranja e outro 0,6 décimos. Era preciso pintar os gomos que os meninos comeram e ele enganou-se.
À volta com outras contas, Sandra tem dificuldades com outras variáveis. “Penso continuar no meu trabalho, gostaria de ganhar um bocadinho mais”. Mas não há nada que gostaria de fazer? “Gostava de tirar a carta, mas agora não tenho tempo. O dia está todo contado.”
A Natália sobra-lhe mais tempo, mas vai-lhe faltando força. Lembra-se de dias melhores, quando era mais nova. “Tinha dois empregos. Agora só tenho um. Já não tenho capacidade para dois”.
Apesar disso, está sempre disponível para acompanhar os utentes do lar às consultas, fora do horário normal de trabalho, e assim ganhar um dinheiro extra. Ligam sempre para ela. Mesmo quando está de férias.
A única altura em que não está disponível para trabalhar é no Ano Novo. Dia 31 de Dezembro e dia 1 de Janeiro podem pô-la a trabalhar que ela não vai, garante. “Estou aqui fechada, com a minha garrafa de champagne, a ver televisão. No dia 1, levanto-me, toda fresca e airosa, vou para o cafézinho de uma amiga e estou lá a comemorar. Dia 2, vou trabalhar”. E os outros dias são iguais.
Renascença © 2015
Por Andreia Sanches, in Público on-line
Encontro em Lisboa sobre “ciganos e educação” juntou investigadores, professores, responsáveis políticos e representantes das comunidades ciganas.
Eram vários os convidados a falar na abertura e mais ainda interviriam nas diferentes sessões do encontro — professores, investigadores, responsáveis políticos. Mas foram as palavras de Sónia Matos, dirigente da Associação para o Desenvolvimento das Mulheres Ciganas Portuguesas (Amucip), que mais eco acabaram por ter na manhã desta terça-feira em torno do tema “ciganos e educação”, no ISCTE-Instituto Universitário de Lisboa (IUL). Há uns 15 anos, contou Sónia, quis estudar. Muitas vezes não é fácil para as meninas ciganas, como ela era. Explicou isso à assistente social que, na altura, aceitou ouvi-la: “Quero estudar e trabalhar, mas para isso preciso do RSI”, sigla para Rendimento Social de Inserção. O RSI permitiria-lhe chegar à beira da família e dizer: “Há este contrato.” Um contrato de inserção social que implicava estudar, a troco de uma prestação do Estado.
“Foi isto que aconteceu com muitas meninas ciganas e comigo também", disse. "O RSI mudou a minha vida”, explicou à plateia e aos colegas de sessão de abertura. “O RSI foi a grande revolução na comunidade cigana”, defendeu.
Hoje, Sónia Matos é mediadora sociocultural, é auxiliar de acção educativa numa escola, trabalha num centro cultural na Arrentela. É também uma das fundadoras da Amucip. “Foi cerca de 300 euros de apoio do Estado naquela altura. Contribuo para o Estado há 15 anos.”
Na escola onde trabalha, lida diariamente com adolescentes ciganos. “Os pais já sabem que têm de meter os filhos na escola, seja pelo RSI [a prestação acarreta essa obrigação], seja por causa da Comissão de Protecção de Crianças”, seja porque acham que é importante saber ler e escrever. Estas crianças e jovens têm, contudo, uma desvantagem: os pais envolvem-se pouco, não ajudam nos TPC nem vão ver se “há recados na caderneta”. Insistiu Sónia Matos: “Somos nós que estudámos que temos que fazer com que eles gostem de lá estar.” A importância de apostar na existência de mediadores, que façam a ponte entre famílias e escola, foi sublinhada pela dirigente e por quase todos os participantes.
“Ciganos e educação” — foi então o mote para dois dias de debate, que começou na segunda-feira e se prolongou por esta terça. Foram apresentados vários projectos educativos que envolvem comunidades ciganas. Pedro Calado, alto-comissário para as Migrações, recordou alguns dados do Estudo Nacional sobre as Comunidades Ciganas, de Manuela Mendes, Olga Magano e Pedro Candeias, apresentado já este ano. Em 1599 agregados familiares inquiridos (com cerca de 6800 pessoas), a taxa de analfabetismo encontrada foi de 15,5%.
Só cerca de 6% tinham o 3º ciclo. E apenas 2,5% completaram o ensino secundário.
Contudo, registou-se “um salto geracional” muito significativo, disse Pedro Calado. O mesmo estudo diz, por exemplo, que hoje a maioria das crianças até aos 5 anos já frequentam o pré-escolar. Os jovens entre os 10 e os 14 anos também registam “forte presença nos 1.º e 2.º ciclos”. A frequência escolar vai contudo diminuindo à medida que a criança se aproxima da adolescência. Calado fala de um “retrato agridoce”.
Mas as palavras de Sónia não seriam esquecidas. Idália Serrão, uma das deputadas presentes, ex-secretária de Estado Adjunta e da Reabilitação (PS), disse que Sónia tinha posto “o dedo na ferida” e lamentou “a falta de pêjo com que muitos associam o RSI à fraude” quando “o nível de fraude noutras prestações é maior”.
Luís Capucha, outro investigador do IUL, ex-director-geral de Inovação e Desenvolvimento Curricular (era ministra Maria de Lurdes Rodrigues) lembrou que “os ciganos são uma pequena minoria dos beneficiários” do RSI mas que a forma que se "arranjou para descredibilizar" a medida “foi designá-la de forma populista e racista como o ‘rendimento dos ciganos’”. Para Capucha, que interviu num painel destinado a debater o impacto das políticas sociais nos percursos escolares dos ciganos, o RSI teve impacto, independentemente de ter sido “sucessivamente empobrecido”.
Segundo o último estudo nacional, as principais fontes de subsistência dos agregados familiares dos ciganos inquiridos baseiam-se no apoio da família (33,8%) e no RSI (33,5%).
“O RSI foi a principal medida para promover a escolaridade”, disse também Lurdes Nicolau, investigadora do CRIA (Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa) e do Centro de Estudos Transdisciplinares para o Desenvolvimento (da Universidade de Trás-os-Montes). Esta professora considera que para o aumento da escolarização dos ciganos têm contribuído as políticas de realojamento, a acção social escolar, mas, também, o RSI, que atacou várias frentes: “Trouxe melhorias ao nível da saúde, da vacinação”, e com melhor saúde há mais sucesso; “promoveu o sedentarismo, o que permitiu uma assistência mais regular à escola” e “obrigou os adultos a procurar formação” — também ao abrigo dos acordos de inserção.
O encontro de dois dias foi promovido pelo Centro de Estudos das Migrações e das Relações Interculturais da Universidade Aberta, com o Centro de Investigação e Estudos de Sociologia do Instituto Universitário de Lisboa e teve o apoio da União Europeia e do Conselho da Europa.
Encontro em Lisboa sobre “ciganos e educação” juntou investigadores, professores, responsáveis políticos e representantes das comunidades ciganas.
Eram vários os convidados a falar na abertura e mais ainda interviriam nas diferentes sessões do encontro — professores, investigadores, responsáveis políticos. Mas foram as palavras de Sónia Matos, dirigente da Associação para o Desenvolvimento das Mulheres Ciganas Portuguesas (Amucip), que mais eco acabaram por ter na manhã desta terça-feira em torno do tema “ciganos e educação”, no ISCTE-Instituto Universitário de Lisboa (IUL). Há uns 15 anos, contou Sónia, quis estudar. Muitas vezes não é fácil para as meninas ciganas, como ela era. Explicou isso à assistente social que, na altura, aceitou ouvi-la: “Quero estudar e trabalhar, mas para isso preciso do RSI”, sigla para Rendimento Social de Inserção. O RSI permitiria-lhe chegar à beira da família e dizer: “Há este contrato.” Um contrato de inserção social que implicava estudar, a troco de uma prestação do Estado.
“Foi isto que aconteceu com muitas meninas ciganas e comigo também", disse. "O RSI mudou a minha vida”, explicou à plateia e aos colegas de sessão de abertura. “O RSI foi a grande revolução na comunidade cigana”, defendeu.
Hoje, Sónia Matos é mediadora sociocultural, é auxiliar de acção educativa numa escola, trabalha num centro cultural na Arrentela. É também uma das fundadoras da Amucip. “Foi cerca de 300 euros de apoio do Estado naquela altura. Contribuo para o Estado há 15 anos.”
Na escola onde trabalha, lida diariamente com adolescentes ciganos. “Os pais já sabem que têm de meter os filhos na escola, seja pelo RSI [a prestação acarreta essa obrigação], seja por causa da Comissão de Protecção de Crianças”, seja porque acham que é importante saber ler e escrever. Estas crianças e jovens têm, contudo, uma desvantagem: os pais envolvem-se pouco, não ajudam nos TPC nem vão ver se “há recados na caderneta”. Insistiu Sónia Matos: “Somos nós que estudámos que temos que fazer com que eles gostem de lá estar.” A importância de apostar na existência de mediadores, que façam a ponte entre famílias e escola, foi sublinhada pela dirigente e por quase todos os participantes.
“Ciganos e educação” — foi então o mote para dois dias de debate, que começou na segunda-feira e se prolongou por esta terça. Foram apresentados vários projectos educativos que envolvem comunidades ciganas. Pedro Calado, alto-comissário para as Migrações, recordou alguns dados do Estudo Nacional sobre as Comunidades Ciganas, de Manuela Mendes, Olga Magano e Pedro Candeias, apresentado já este ano. Em 1599 agregados familiares inquiridos (com cerca de 6800 pessoas), a taxa de analfabetismo encontrada foi de 15,5%.
Só cerca de 6% tinham o 3º ciclo. E apenas 2,5% completaram o ensino secundário.
Contudo, registou-se “um salto geracional” muito significativo, disse Pedro Calado. O mesmo estudo diz, por exemplo, que hoje a maioria das crianças até aos 5 anos já frequentam o pré-escolar. Os jovens entre os 10 e os 14 anos também registam “forte presença nos 1.º e 2.º ciclos”. A frequência escolar vai contudo diminuindo à medida que a criança se aproxima da adolescência. Calado fala de um “retrato agridoce”.
Mas as palavras de Sónia não seriam esquecidas. Idália Serrão, uma das deputadas presentes, ex-secretária de Estado Adjunta e da Reabilitação (PS), disse que Sónia tinha posto “o dedo na ferida” e lamentou “a falta de pêjo com que muitos associam o RSI à fraude” quando “o nível de fraude noutras prestações é maior”.
Luís Capucha, outro investigador do IUL, ex-director-geral de Inovação e Desenvolvimento Curricular (era ministra Maria de Lurdes Rodrigues) lembrou que “os ciganos são uma pequena minoria dos beneficiários” do RSI mas que a forma que se "arranjou para descredibilizar" a medida “foi designá-la de forma populista e racista como o ‘rendimento dos ciganos’”. Para Capucha, que interviu num painel destinado a debater o impacto das políticas sociais nos percursos escolares dos ciganos, o RSI teve impacto, independentemente de ter sido “sucessivamente empobrecido”.
Segundo o último estudo nacional, as principais fontes de subsistência dos agregados familiares dos ciganos inquiridos baseiam-se no apoio da família (33,8%) e no RSI (33,5%).
“O RSI foi a principal medida para promover a escolaridade”, disse também Lurdes Nicolau, investigadora do CRIA (Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa) e do Centro de Estudos Transdisciplinares para o Desenvolvimento (da Universidade de Trás-os-Montes). Esta professora considera que para o aumento da escolarização dos ciganos têm contribuído as políticas de realojamento, a acção social escolar, mas, também, o RSI, que atacou várias frentes: “Trouxe melhorias ao nível da saúde, da vacinação”, e com melhor saúde há mais sucesso; “promoveu o sedentarismo, o que permitiu uma assistência mais regular à escola” e “obrigou os adultos a procurar formação” — também ao abrigo dos acordos de inserção.
O encontro de dois dias foi promovido pelo Centro de Estudos das Migrações e das Relações Interculturais da Universidade Aberta, com o Centro de Investigação e Estudos de Sociologia do Instituto Universitário de Lisboa e teve o apoio da União Europeia e do Conselho da Europa.
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