in Público online
Está previsto o desenvolvimento de uma plataforma para fazer matching de jovens e idosos. O objectivo é alojar estudantes em casas de idosos isolados.
A Assembleia Municipal de Lisboa decidiu esta terça-feira recomendar à Câmara a implementação de um programa intergeracional para o alojamento de estudantes em casas de idosos isolados, tendo a vereadora informado que se prevê o desenvolvimento uma plataforma para matching.
Proposta pelo PAN, com contributos do PSD, a recomendação pede à câmara municipal que "estude a implementação do Programa Lisboa Intergeracional, em parceria com IPSS/ONG, associações académicas locais e serviços sociais das universidades e institutos politécnicos existentes em Lisboa".
Apreciada na sessão plenária da Assembleia Municipal de Lisboa, a proposta foi aprovada com os votos contra do PCP, a abstenção do Chega e os votos a favor de BE, Livre, PEV, uma deputada do Cidadãos Por Lisboa (eleita pela coligação PS/Livre), PS, PSD, PAN, IL, MPT, Aliança e CDS-PP.
De acordo com a vereadora dos Direitos Humanos e Sociais, Sofia Athayde (CDS-PP), "está previsto o desenvolvimento de uma plataforma para matching de universitários e idosos" pela Universidade Nova de Lisboa.
Sofia Athayde disse ainda que a criação de um programa intergeracional para o alojamento de estudantes em casas de idosos isolados consta do projecto da Carta Municipal de Habitação, que aponta para o lançamento de um projecto-piloto, por se considerar que "faz todo o sentido para a cidade".
Na apresentação da recomendação, o deputado do PAN, António Morgado Valente, referiu que, no município de Lisboa, a população sénior ronda 127 mil pessoas, representando cerca de 23% da população total da cidade, enquanto a população estudantil universitária é de cerca de 128 mil alunos, a maioria dos quais deslocados de outras zonas do país e mesmo vindos de países estrangeiros.
"Lisboa também tem um problema grave relativamente à falta de alojamento para estudantes", apontou o deputado do PAN, apresentado como bom exemplo de um problema intergeracional o que foi implementado em Coimbra, designado de "Abraço de Gerações", que responde ao problema dos jovens estudantes e ao isolamento dos idosos.
Carlos Medeiros, do Chega, considerou que este tipo de programas é "utópico e não resolve nada", optando por se abster.
A favor da recomendação, CDS-PP, MPT, IL, PS e PSD manifestaram o apoio a soluções criativas e diversificadas que respondam ao problema de habitação dos jovens estudantes ao mesmo tempo que contribuem para combater a solidão e isolamento dos idosos.
Nesta reunião, os deputados aprovaram ainda outras recomendações à câmara, nomeadamente uma do PS para se proceda ao alargamento da rede de postos de carregamento eléctrico da Empresa Municipal de Mobilidade e Estacionamento de Lisboa (EMEL), uma do MPT pelo aproveitamento da energia geotérmica na cidade e uma do PSD pela isenção de taxas municipais e administrativas às instituições educativas.
Foi ainda viabilizada uma moção do MPT para que o Governo assuma a responsabilidade pela concretização do Museu Olímpico.
Por proposta do MPT e do Livre, foram viabilizados votos de saudação ao Dia Mundial do Refugiado. Durante as intervenções, o deputado Carlos Medeiros, do Chega, foi acusado de ter um discurso xenófobo, após afirmar-se contra a recepção de "pseudo-refugiados muçulmanos": "Não queremos uma zona como o Martim Moniz, que mais parece uma zona deslavada do continente indiano".
A assembleia aprovou também, com a abstenção do Chega e os votos a favor dos restantes, a proposta da câmara de Relatório de Gestão, Demonstrações Financeiras e Orçamentais Consolidados de 2022, que reflecte "uma trajectória positiva de fortalecimento das contas" do município e das empresas municipais.
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3.2.23
EVENTO NACIONAL ENALTECEU CRIAÇÃO DA DIREÇÃO DAS POLÍTICAS DE LONGEVIDADE
in JM
Caso Único em Portugal” foi assim que o Jornal Expresso, considerou a criação do organismo público regional, dedicado exclusivamente aos desafios da Longevidade e do envelhecimento saudável, uma iniciativa do Governo Regional através da criação Direção Regional para as Políticas Públicas Integradas e Longevidade (DRPPIL), liderada por Ana Clara Silva.
Na conferência promovida pelo Expresso, que se realizou no passado dia 30 de janeiro, sob o tema “O que é preciso mudar nas cidades”, teve no cerne do debate questões como: proporcionar mais qualidade de vida às pessoas menos jovens, perante a evidência de uma população portuguesa mais envelhecida, provendo os centros urbanos de condições ideais ao nível da acessibilidade, da mobilidade, da habitação, da inclusão, da disponibilidade de produtos e dos serviços, foram alguns dos temas abordados.Questionada sobre o principal desafio da Longevidade, Ana Clara Silva destaca a necessidade da mudança de mentalidade, a forma como se olha para a Longevidade, um fenómeno que é expressivo nas sociedades atuais e que obriga a uma intervenção pujante, apelativa para que todos o compreendam e, se comprometam: “todos somos poucos para fazer aquilo que queremos fazer, viver com qualidade e de uma forma saudável e participativa.”
Ana Clara Silva sublinhou ainda a importância de criar uma Estratégia Regional para o Ecossistema da Longevidade que será o chapéu de desenvolvimento de várias iniciativas como a elaboração do Mapa Cognitivo Coletivo da Longevidade, uma ferramenta estratégica que vai possibilitar a representação gráfica de ideias e conceitos sobre a Longevidade, o que vai contribuir para um melhor enquadramento das ações promotoras da literacia para a Longevidade, as quais devem promover a intergeracionalidade e o empenho de todos na construção ambientes favoráveis e estimulantes para todas as idades.
Não obstante, destacar a importância da proteção dos mais vulneráveis, dos que precisam de uma intervenção assistida no seu processo de envelhecimento, numa região heterogénea. em que o índice de longevidade é mais elevado nas Regiões Norte da ilha da Madeira, quando comparado com as regiões litorais, a Diretora Regional considera a Longevidade como o maior ativo no presente, podendo representar uma oportunidade extraordinária para criar um ecossistema económico e social sustentável, com todos os agentes económicos e sociais a participar para este desígnio da Longevidade positiva.
Defende ainda “uma governança integrada da longevidade, assente na cooperação multissetorial, transversal aos vários departamentos governativos, que identifique os parceiros locais, iniciativas, agentes, utilizadores e beneficiários, esbatendo redundâncias, fortalecendo a conetividade entre sistemas e organizações e chamando todos à ação”, disse.
12.8.22
Vila Velha de Ródão: Efeméride juntou avós e netos
in Reconquista
Vila Velha de Ródão comemorou o Dia Internacional dos Avós, promovendo a intergeracionalidade e o envelhecimento ativo.
No dia 26 de julho, o Cotrato Local de Desenvolvimento Social de 4.ª Geração (CLDS 4G) de Vila Velha de Ródão, programa cofinanciado pelo Fundo Social Europeu, associou-se ao Núcleo Distrital de Castelo Branco da EAPN – Rede Europeia Anti Pobreza e restantes entidades parceiras na comemoração do Dia Internacional dos Avós, para promover a intergeracionalidade e o envelhecimento ativo e apoio à população idosa, assim como grupos que revelem maiores níveis de fragilidade social.
A ação contou com o apoio da Câmara Municipal de Vila Velha de Ródão e traduziu-se num encontro, no Campo de Feiras, no qual os participantes foram convidados a construir cata-ventos, um brinquedo intemporal, homenageando assim avós e netos.
Nesta manhã marcada pela criatividade e diversão, os avós receberam ainda uma lembrança na forma de postais alusivos ao Dia Internacional dos Avós, desenhados pela dinamizadora do Projeto de Ocupação de Tempos Livres do Instituto Português do Desporto e Juventude, Ana Rita Teixeira, e pela EAPN, com frases elaboradas pelos jovens voluntários da Cáritas Interparoquial de Castelo Branco.
Vila Velha de Ródão comemorou o Dia Internacional dos Avós, promovendo a intergeracionalidade e o envelhecimento ativo.
No dia 26 de julho, o Cotrato Local de Desenvolvimento Social de 4.ª Geração (CLDS 4G) de Vila Velha de Ródão, programa cofinanciado pelo Fundo Social Europeu, associou-se ao Núcleo Distrital de Castelo Branco da EAPN – Rede Europeia Anti Pobreza e restantes entidades parceiras na comemoração do Dia Internacional dos Avós, para promover a intergeracionalidade e o envelhecimento ativo e apoio à população idosa, assim como grupos que revelem maiores níveis de fragilidade social.
A ação contou com o apoio da Câmara Municipal de Vila Velha de Ródão e traduziu-se num encontro, no Campo de Feiras, no qual os participantes foram convidados a construir cata-ventos, um brinquedo intemporal, homenageando assim avós e netos.
Nesta manhã marcada pela criatividade e diversão, os avós receberam ainda uma lembrança na forma de postais alusivos ao Dia Internacional dos Avós, desenhados pela dinamizadora do Projeto de Ocupação de Tempos Livres do Instituto Português do Desporto e Juventude, Ana Rita Teixeira, e pela EAPN, com frases elaboradas pelos jovens voluntários da Cáritas Interparoquial de Castelo Branco.
1.8.22
CLDS promove “Intercâmbios Seniores” para “combater isolamento”
in Rádio Boa Nova
No âmbito do eixo “Promoção do Envelhecimento Ativo e Apoio à População Idosa”, o CLDS 4G de Oliveira do Hospital tem desenvolvido ações de combate à solidão e ao isolamento através da atividade “Partilhas e Companhias – Intercâmbio Sénior”.
De acordo com a equipa técnica do projeto, “Partilhas e Companhias – Intercâmbio Sénior” pretende “combater a problemática do isolamento social das pessoas idosas, ao proporcionar-lhes a oportunidade de visitar aldeias rurais situadas na outra ponta do concelho, assim como receber na sua aldeia grupos de idosos e poderem ser guias dessa visita”. Através desta atividade, são realizados “intercâmbios de idosos, ao recordarem as artes, ofícios e tradições de outros tempos, assim como se desenvolve uma espécie de troca gastronómica”.
“Oliveira do Hospital é um Município com uma enorme riqueza cultural e com belas paisagens. Ninguém melhor que os nossos destinatários, experientes, para apresentar a outros as aldeias onde vivem, nasceram e sempre viveram, em muitos casos. É este conhecimento que esta atividade pretende aproveitar, não só para proporcionar uma experiência interessante a quem visita, como para fomentar a autoestima e o sentimento de pertença a quem conduz a visita e apresenta a sua aldeia, a sua gastronomia e as suas paisagens,”, refere o CLDS.
Segundo o projeto, no ano de 2021 foram realizados três intercâmbios, sendo que no ano de 2022 estão já em curso a realização de mais três. No dia 19 de julho, os participantes de Vila Pouca da Beira visitaram Meruge. No dia 23 de agosto, sucede-se o aposto. Meruge visita Vila Pouca da Beira. No dia 26 de julho, São Gião visitou Seixas/Felgueira e no dia 16 de agosto invertem-se os papéis. A 10 e 30 de agosto, realiza-se intercâmbio entre Carvalha e Chão Sobral/ Gramaça.
No âmbito do eixo “Promoção do Envelhecimento Ativo e Apoio à População Idosa”, o CLDS 4G de Oliveira do Hospital tem desenvolvido ações de combate à solidão e ao isolamento através da atividade “Partilhas e Companhias – Intercâmbio Sénior”.
De acordo com a equipa técnica do projeto, “Partilhas e Companhias – Intercâmbio Sénior” pretende “combater a problemática do isolamento social das pessoas idosas, ao proporcionar-lhes a oportunidade de visitar aldeias rurais situadas na outra ponta do concelho, assim como receber na sua aldeia grupos de idosos e poderem ser guias dessa visita”. Através desta atividade, são realizados “intercâmbios de idosos, ao recordarem as artes, ofícios e tradições de outros tempos, assim como se desenvolve uma espécie de troca gastronómica”.
“Oliveira do Hospital é um Município com uma enorme riqueza cultural e com belas paisagens. Ninguém melhor que os nossos destinatários, experientes, para apresentar a outros as aldeias onde vivem, nasceram e sempre viveram, em muitos casos. É este conhecimento que esta atividade pretende aproveitar, não só para proporcionar uma experiência interessante a quem visita, como para fomentar a autoestima e o sentimento de pertença a quem conduz a visita e apresenta a sua aldeia, a sua gastronomia e as suas paisagens,”, refere o CLDS.
Segundo o projeto, no ano de 2021 foram realizados três intercâmbios, sendo que no ano de 2022 estão já em curso a realização de mais três. No dia 19 de julho, os participantes de Vila Pouca da Beira visitaram Meruge. No dia 23 de agosto, sucede-se o aposto. Meruge visita Vila Pouca da Beira. No dia 26 de julho, São Gião visitou Seixas/Felgueira e no dia 16 de agosto invertem-se os papéis. A 10 e 30 de agosto, realiza-se intercâmbio entre Carvalha e Chão Sobral/ Gramaça.
15.11.21
“Longevidade é uma mentalidade emergente”
Fátima Ferrão, in Expresso
O envelhecimento das sociedades, por força do aumento da esperança média de vida, está a colocar um conjunto de novos desafios que obrigam a repensar a organização social e a economia. O tema estará em debate na conferência “Parar para Pensar: Longevidade”, que decorre na próxima segunda-feira, dia 15, e que junta o Expresso à Deco Proteste, com o patrocínio da Google. Ainda durante a semana, o último debate deste ciclo de oito, acontece na sexta-feira, 19, e terá como mote a Democracia, que enfrenta novos desafios e ameaças, muitos deles como resultado da pandemia
São cerca de 5000 os portugueses com 100 ou mais anos e, segundo as previsões, este número deverá duplicar até 2050. Portugal é um dos países demograficamente mais envelhecidos da Europa e do mundo, com cerca de metade da população com idade acima dos 50 anos, o que coloca um conjunto de desafios sociais e económicos. “Estas mudanças vão exigir que cidades, transportes, bancos, ou outros serviços sejam diferentes do que são hoje”, aponta Ana Sepúlveda. A diretora executiva da 40+Lab, que defende o desenvolvimento de uma economia da longevidade, recorda que a sociedade e as empresas não podem esquecer a importância das pessoas com mais de 65 anos, pois elas continuam a ter um forte impacto no consumo e no trabalho. “O Estado tem que criar condições para que as pessoas trabalhem até mais tarde e para a promoção da intergeracionalidade”, reforça.
Na opinião da responsável pelo projeto 40+Lab, o talento jovem é importante nas organizações, mas a capacidade de reflexão, aliada à experiência profissional, tornam os mais velhos, peças fundamentais nas empresas. “As organizações têm que mudar o paradigma de gestão de pessoas”, defende. Ana Sepúlveda será uma das convidadas do debate “Parar para Pensar: Longevidade”, que decorre na segunda-feira, 15. À especialista no tema juntam-se ainda António Lacerda Sales, secretário de Estado Adjunto e da Saúde, e Carlos Lobo, sócio fundador da Lobo, Vasques & Associados. Marta Atalaya, jornalista da SIC, será a moderadora da sétima conferência, de um ciclo de oito.
Para fechar a semana, na sexta-feira, 19, terá lugar o último debate “Parar para Pensar”, cujo tema será a Democracia. Os oradores confirmados são, para já, José Ribeiro e Castro, advogado e antigo presidente do CDS, e João Nuno Amaral, diretor do gabinete de comunicação do Parlamento. Especialistas no tema, os convidados procurarão dar resposta a um conjunto de respostas que se impõem. Como está a democracia a mudar em Portugal, e no mundo, e que desafios se colocam serão o mote para lançar a conversa.
"PARAR PARA PENSAR: LONGEVIDADE" E “PARAR PARA PENSAR: DEMOCRACIA”
O que é?
As conferências "Parar para Pensar: Longevidade" e “Parar para Pensar: Democracia” são, respetivamente, as duas últimas de um ciclo de oito que junta o Expresso e a Associação Deco Proteste, com o apoio da Google, e que têm por objetivo promover a discussão sobre temas estruturantes no pós-pandemia.
Quando, onde e a que horas?
No dia 15 de novembro, às 16h30, o debate será sobre a Longevidade e, no dia 19 de novembro, às 20h00, o tema será a Educação. Para assistir em na página de Facebook do Expresso (15 de novembro) e na SIC Notícias (19 de novembro).
Quem são os oradores?
Na conferência "Parar para Pensar: Longevidade", os oradores são:
Ana Sepúlveda, Diretora Executiva da 40+Lab
António Lacerda Sales, Secretário de Estado Adjunto e da Saúde
Carlos Lobo, Sócio Fundador da Lobo, Vasques & Associados
Na conferência "Parar para Pensar: Democracia", os oradores são:
José Ribeiro e Castro, advogado e antigo presidente do CDS
João Nuno Amaral, diretor do gabinete de comunicação do Parlamento
Porque é que estes temas são centrais?
Impõe-se, cada vez mais, o debate sobre o tema da longevidade, numa altura em que Portugal tem mais de metade da população com idades acima dos 50 anos. O país está também entre os que contam com uma população mais envelhecida na Europa e no mundo. Que desafios coloca o aumento da esperança média de vida à sociedade e à economia? Como garantir um envelhecimento ativo, e com qualidade de vida aos cidadãos?
Já no que se refere ao tema da Democracia, as mudanças que o mundo sofreu ao longo dos últimos dois anos têm impacto na organização da sociedade, não apenas ao nível político, mas de forma transversal. Que desafios e ameaças se impõe, no pós-pandemia? A resposta não será simples, mas certamente serão apontados caminhos, ao longo do debate, nas diferentes perspetivas dos peritos convidados.
Onde posso assistir?
Simples, clique AQUI para assistir ao debate "Parar para Pensar: Longevidade" e veja na SIC Notícias o “Parar para Pensar: Democracia”
O envelhecimento das sociedades, por força do aumento da esperança média de vida, está a colocar um conjunto de novos desafios que obrigam a repensar a organização social e a economia. O tema estará em debate na conferência “Parar para Pensar: Longevidade”, que decorre na próxima segunda-feira, dia 15, e que junta o Expresso à Deco Proteste, com o patrocínio da Google. Ainda durante a semana, o último debate deste ciclo de oito, acontece na sexta-feira, 19, e terá como mote a Democracia, que enfrenta novos desafios e ameaças, muitos deles como resultado da pandemia
São cerca de 5000 os portugueses com 100 ou mais anos e, segundo as previsões, este número deverá duplicar até 2050. Portugal é um dos países demograficamente mais envelhecidos da Europa e do mundo, com cerca de metade da população com idade acima dos 50 anos, o que coloca um conjunto de desafios sociais e económicos. “Estas mudanças vão exigir que cidades, transportes, bancos, ou outros serviços sejam diferentes do que são hoje”, aponta Ana Sepúlveda. A diretora executiva da 40+Lab, que defende o desenvolvimento de uma economia da longevidade, recorda que a sociedade e as empresas não podem esquecer a importância das pessoas com mais de 65 anos, pois elas continuam a ter um forte impacto no consumo e no trabalho. “O Estado tem que criar condições para que as pessoas trabalhem até mais tarde e para a promoção da intergeracionalidade”, reforça.
Na opinião da responsável pelo projeto 40+Lab, o talento jovem é importante nas organizações, mas a capacidade de reflexão, aliada à experiência profissional, tornam os mais velhos, peças fundamentais nas empresas. “As organizações têm que mudar o paradigma de gestão de pessoas”, defende. Ana Sepúlveda será uma das convidadas do debate “Parar para Pensar: Longevidade”, que decorre na segunda-feira, 15. À especialista no tema juntam-se ainda António Lacerda Sales, secretário de Estado Adjunto e da Saúde, e Carlos Lobo, sócio fundador da Lobo, Vasques & Associados. Marta Atalaya, jornalista da SIC, será a moderadora da sétima conferência, de um ciclo de oito.
Para fechar a semana, na sexta-feira, 19, terá lugar o último debate “Parar para Pensar”, cujo tema será a Democracia. Os oradores confirmados são, para já, José Ribeiro e Castro, advogado e antigo presidente do CDS, e João Nuno Amaral, diretor do gabinete de comunicação do Parlamento. Especialistas no tema, os convidados procurarão dar resposta a um conjunto de respostas que se impõem. Como está a democracia a mudar em Portugal, e no mundo, e que desafios se colocam serão o mote para lançar a conversa.
"PARAR PARA PENSAR: LONGEVIDADE" E “PARAR PARA PENSAR: DEMOCRACIA”
O que é?
As conferências "Parar para Pensar: Longevidade" e “Parar para Pensar: Democracia” são, respetivamente, as duas últimas de um ciclo de oito que junta o Expresso e a Associação Deco Proteste, com o apoio da Google, e que têm por objetivo promover a discussão sobre temas estruturantes no pós-pandemia.
Quando, onde e a que horas?
No dia 15 de novembro, às 16h30, o debate será sobre a Longevidade e, no dia 19 de novembro, às 20h00, o tema será a Educação. Para assistir em na página de Facebook do Expresso (15 de novembro) e na SIC Notícias (19 de novembro).
Quem são os oradores?
Na conferência "Parar para Pensar: Longevidade", os oradores são:
Ana Sepúlveda, Diretora Executiva da 40+Lab
António Lacerda Sales, Secretário de Estado Adjunto e da Saúde
Carlos Lobo, Sócio Fundador da Lobo, Vasques & Associados
Na conferência "Parar para Pensar: Democracia", os oradores são:
José Ribeiro e Castro, advogado e antigo presidente do CDS
João Nuno Amaral, diretor do gabinete de comunicação do Parlamento
Porque é que estes temas são centrais?
Impõe-se, cada vez mais, o debate sobre o tema da longevidade, numa altura em que Portugal tem mais de metade da população com idades acima dos 50 anos. O país está também entre os que contam com uma população mais envelhecida na Europa e no mundo. Que desafios coloca o aumento da esperança média de vida à sociedade e à economia? Como garantir um envelhecimento ativo, e com qualidade de vida aos cidadãos?
Já no que se refere ao tema da Democracia, as mudanças que o mundo sofreu ao longo dos últimos dois anos têm impacto na organização da sociedade, não apenas ao nível político, mas de forma transversal. Que desafios e ameaças se impõe, no pós-pandemia? A resposta não será simples, mas certamente serão apontados caminhos, ao longo do debate, nas diferentes perspetivas dos peritos convidados.
Onde posso assistir?
Simples, clique AQUI para assistir ao debate "Parar para Pensar: Longevidade" e veja na SIC Notícias o “Parar para Pensar: Democracia”
6.10.21
Palmela MAIOR - Estratégia Municipal para o Envelhecimento Ativo e a Relação entre Gerações 2021-2025
in Rostos on-line
A Palmela MAIOR - Estratégia Municipal para o Envelhecimento Ativo e a Relação entre Gerações 2021-2025, que está em fase de conclusão, foi apresentada a 1 de outubro, Dia Internacional da Pessoa Idosa, no Auditório Municipal de Pinhal Novo, durante a Sessão de Abertura do “Outubro MAIOR”.
Este momento marcou o arranque de um mês repleto de atividades dirigidas à população idade+ (sénior) e famílias do concelho de Palmela, promovidas pela Câmara Municipal e parceiros locais, com o tema “A importância do Cuidar ao longo da vida, numa sociedade mais digital”.
«Por outro lado, esta iniciativa marca, para o Município, o início de um novo ciclo, que assumimos com grande entusiasmo e força para enfrentar os desafios e implementar a Estratégia Municipal para o Envelhecimento Ativo e a Relação entre Gerações 2021-2025», destacou o Presidente da Autarquia, Álvaro Balseiro Amaro. Trata-se de «um compromisso com todas as gerações, um convite à reflexão sobre a forma como pensamos, sentimos e agimos em relação ao envelhecimento e um instrumento aberto, que procura, neste horizonte temporal, auxiliar e apontar caminhos para um território mais plural, inclusivo e comprometido com o envelhecimento saudável e de qualidade e com um território com lugar para todas as idades», explicou.
A Sessão contou com a participação, através de vídeo, de António Fonseca, Consultor da Fundação Calouste Gulbenkian para as Questões do Envelhecimento, que elogiou o processo de criação desta Estratégia como «exemplar», por ouvir e «procurar recolher o que são as preocupações e necessidades» desta população.
O “Outubro MAIOR” 2021 marca o regresso às atividades presenciais, «depois de um árduo ano e meio de vida confinada», durante o qual «foi, sem dúvida, a população de idade maior que mais profundamente foi afetada», realçou Álvaro Balseiro Amaro.
Para além das várias propostas de convívio, atividade física e cultura que integram o programa, destacou o ciclo formativo de capacitação técnica das IPSS - Instituições Particulares de Solidariedade Social e o Webinar “Tempo de Investir nas Pessoas - a cultura do cuidado para uma sociedade equilibrada e harmoniosa, em que todos contam”. Destaque, igualmente, para duas propostas relacionadas com novas valências que o Município disponibilizou este ano à comunidade, no âmbito da candidatura PRIA - Projetos em Rede para a Inclusão Ativa: a Pista Check-up, em Quinta do Anjo, e a Unidade Móvel de Saúde, que irá passar pelas várias freguesias, ao longo do mês, para monitorizar, por exemplo, a pressão arterial ou a glicémia e ensinar a emitir o certificado digital COVID-19.
Município promove literacia digital nas IPSS
No âmbito do investimento que o Município está a fazer na literacia digital e na capacitação e promoção de recursos para as IPSS, durante a Sessão, foram também atribuídos vouchers para equipamento informático e audiovisual. Este apoio beneficia a Associação dos Idosos de Palmela, Associação dos Lares dos Ferroviários (Pinhal Novo), Associação de Reformados, Pensionistas e Idosos de Pinhal Novo, Centro Social Paroquial de Pinhal Novo, Centro Social de Quinta do Anjo, Casa do Povo de Palmela - Centro Social em Lagameças, Fundação COI, Fundação Robert Kalley, Santa Casa da Misericórdia de Palmela e União Social Sol Crescente de Marateca.
A Sessão contou também com um momento musical, a cargo de Miguel Silva, da Associação Juvenil Odisseia, e com a participação da munícipe Flórida Lourenço, que deu voz e rosto ao vídeo de abertura.
O “Outubro MAIOR” (em conjunto com a Receção à Comunidade Educativa e o Dia Internacional das Cidades Educadoras 2021) integra a campanha “Educação com sentido é ir no sentido de todos”.
A Palmela MAIOR - Estratégia Municipal para o Envelhecimento Ativo e a Relação entre Gerações 2021-2025, que está em fase de conclusão, foi apresentada a 1 de outubro, Dia Internacional da Pessoa Idosa, no Auditório Municipal de Pinhal Novo, durante a Sessão de Abertura do “Outubro MAIOR”.
Este momento marcou o arranque de um mês repleto de atividades dirigidas à população idade+ (sénior) e famílias do concelho de Palmela, promovidas pela Câmara Municipal e parceiros locais, com o tema “A importância do Cuidar ao longo da vida, numa sociedade mais digital”.
«Por outro lado, esta iniciativa marca, para o Município, o início de um novo ciclo, que assumimos com grande entusiasmo e força para enfrentar os desafios e implementar a Estratégia Municipal para o Envelhecimento Ativo e a Relação entre Gerações 2021-2025», destacou o Presidente da Autarquia, Álvaro Balseiro Amaro. Trata-se de «um compromisso com todas as gerações, um convite à reflexão sobre a forma como pensamos, sentimos e agimos em relação ao envelhecimento e um instrumento aberto, que procura, neste horizonte temporal, auxiliar e apontar caminhos para um território mais plural, inclusivo e comprometido com o envelhecimento saudável e de qualidade e com um território com lugar para todas as idades», explicou.
A Sessão contou com a participação, através de vídeo, de António Fonseca, Consultor da Fundação Calouste Gulbenkian para as Questões do Envelhecimento, que elogiou o processo de criação desta Estratégia como «exemplar», por ouvir e «procurar recolher o que são as preocupações e necessidades» desta população.
O “Outubro MAIOR” 2021 marca o regresso às atividades presenciais, «depois de um árduo ano e meio de vida confinada», durante o qual «foi, sem dúvida, a população de idade maior que mais profundamente foi afetada», realçou Álvaro Balseiro Amaro.
Para além das várias propostas de convívio, atividade física e cultura que integram o programa, destacou o ciclo formativo de capacitação técnica das IPSS - Instituições Particulares de Solidariedade Social e o Webinar “Tempo de Investir nas Pessoas - a cultura do cuidado para uma sociedade equilibrada e harmoniosa, em que todos contam”. Destaque, igualmente, para duas propostas relacionadas com novas valências que o Município disponibilizou este ano à comunidade, no âmbito da candidatura PRIA - Projetos em Rede para a Inclusão Ativa: a Pista Check-up, em Quinta do Anjo, e a Unidade Móvel de Saúde, que irá passar pelas várias freguesias, ao longo do mês, para monitorizar, por exemplo, a pressão arterial ou a glicémia e ensinar a emitir o certificado digital COVID-19.
Município promove literacia digital nas IPSS
No âmbito do investimento que o Município está a fazer na literacia digital e na capacitação e promoção de recursos para as IPSS, durante a Sessão, foram também atribuídos vouchers para equipamento informático e audiovisual. Este apoio beneficia a Associação dos Idosos de Palmela, Associação dos Lares dos Ferroviários (Pinhal Novo), Associação de Reformados, Pensionistas e Idosos de Pinhal Novo, Centro Social Paroquial de Pinhal Novo, Centro Social de Quinta do Anjo, Casa do Povo de Palmela - Centro Social em Lagameças, Fundação COI, Fundação Robert Kalley, Santa Casa da Misericórdia de Palmela e União Social Sol Crescente de Marateca.
A Sessão contou também com um momento musical, a cargo de Miguel Silva, da Associação Juvenil Odisseia, e com a participação da munícipe Flórida Lourenço, que deu voz e rosto ao vídeo de abertura.
O “Outubro MAIOR” (em conjunto com a Receção à Comunidade Educativa e o Dia Internacional das Cidades Educadoras 2021) integra a campanha “Educação com sentido é ir no sentido de todos”.
8.4.21
Projecto pioneiro de inovação social abrange todo o concelho de Guimarães
in Correio do Minho
Promoção da prática do voluntariado jovem que visa a inclusão da população mais vulnerável e em risco de exclusão digital.
Guimarães foi o concelho escolhido no âmbito da iniciativa Portugal Inovação Social para implementar o projeto da Comunidade Criativa de Inclusão Digital de Guimarães (CCIDG). Trata-se de um projeto itinerante (sala de aula sobre rodas), com uma viatura equipada com seis postos informáticos, para a implementação de um programa de desenvolvimento de competências digitais, com vista ainda à promoção da inclusão da população mais vulnerável e em risco de exclusão digital.
O projeto é desenvolvido pela Delegação de Guimarães da Cruz Vermelha Portuguesa, financiado pelo Portugal Inovação Social em 312 mil euros, e conta com o apoio de 134 mil euros da Câmara Municipal de Guimarães como investidor social.
O Presidente da Câmara, Domingos Bragança, destacou a “resposta complementar que acrescenta mais inovação à área social e a outros projetos que estão no terreno”. Evidenciou a experiência da Cruz Vermelha na ligação ao voluntariado e a “capacidade de fazer esta ligação de âmbito intergeracional com as pessoas que estão mais isoladas”. O Presidente da Câmara de Guimarães realçou que “há imensos jovens que querem participar e revelam a excelência da criatividade para um mundo melhor, através das novas ferramentas digitais” associando isso ao “voluntariado” como a “forte componente humana”. Mencionou ainda que “o isolamento das pessoas, muitas vezes, deve-se à falta de interação psicológica e social. Precisamos de saber ler estes sinais de fragilidade para poder intervir”.
O Presidente da Delegação de Guimarães da Cruz Vermelha vincou, também, “a lógica de intergeracionalidade para combater o isolamento”, com a vantagem de chegar a todo o território através da nova unidade itinerante. Perante este “desafio”, Armando Guimarães aponta como meta envolver 240 jovens voluntários e chegar a mais de 500 vimaranenses.
Helena Loureiro, representante regional do Norte do programa Portugal Inovação Social, vincou a escolha de Guimarães para a implementação deste projeto pioneiro a nível nacional, na sequência dos resultados do trabalho da Rede Social e a interligação da Câmara Municipal com as instituições locais.
Agora, o programa será dinamizado por voluntários, tendo como objetivo principal estimular a participação cívica e envolvimento social dos jovens. Existe ainda um programa de acompanhamento, realizado por voluntários (Digital Dreamers) destinado aos beneficiários das sessões de Inclusão Digital, com foco prioritário nos idosos em situação de solidão ou isolamento.
No fundo, a criação da primeira Comunidade Criativa para a Inclusão Digital de Guimarães pretende incentivar os jovens para a prática do voluntariado, criar comunidades locais colaborativas, resilientes e que contribuam para um crescimento inclusivo, em todo o território. Está previsto ainda o empréstimo de tablets a utentes no sentido de praticarem os seus conhecimentos nos meios digitais, terem acesso a entretenimento e atividades personalizadas e a meios de comunicação inovadores e tecnológicos com o da equipa de voluntários.
Promoção da prática do voluntariado jovem que visa a inclusão da população mais vulnerável e em risco de exclusão digital.
Guimarães foi o concelho escolhido no âmbito da iniciativa Portugal Inovação Social para implementar o projeto da Comunidade Criativa de Inclusão Digital de Guimarães (CCIDG). Trata-se de um projeto itinerante (sala de aula sobre rodas), com uma viatura equipada com seis postos informáticos, para a implementação de um programa de desenvolvimento de competências digitais, com vista ainda à promoção da inclusão da população mais vulnerável e em risco de exclusão digital.
O projeto é desenvolvido pela Delegação de Guimarães da Cruz Vermelha Portuguesa, financiado pelo Portugal Inovação Social em 312 mil euros, e conta com o apoio de 134 mil euros da Câmara Municipal de Guimarães como investidor social.
O Presidente da Câmara, Domingos Bragança, destacou a “resposta complementar que acrescenta mais inovação à área social e a outros projetos que estão no terreno”. Evidenciou a experiência da Cruz Vermelha na ligação ao voluntariado e a “capacidade de fazer esta ligação de âmbito intergeracional com as pessoas que estão mais isoladas”. O Presidente da Câmara de Guimarães realçou que “há imensos jovens que querem participar e revelam a excelência da criatividade para um mundo melhor, através das novas ferramentas digitais” associando isso ao “voluntariado” como a “forte componente humana”. Mencionou ainda que “o isolamento das pessoas, muitas vezes, deve-se à falta de interação psicológica e social. Precisamos de saber ler estes sinais de fragilidade para poder intervir”.
O Presidente da Delegação de Guimarães da Cruz Vermelha vincou, também, “a lógica de intergeracionalidade para combater o isolamento”, com a vantagem de chegar a todo o território através da nova unidade itinerante. Perante este “desafio”, Armando Guimarães aponta como meta envolver 240 jovens voluntários e chegar a mais de 500 vimaranenses.
Helena Loureiro, representante regional do Norte do programa Portugal Inovação Social, vincou a escolha de Guimarães para a implementação deste projeto pioneiro a nível nacional, na sequência dos resultados do trabalho da Rede Social e a interligação da Câmara Municipal com as instituições locais.
Agora, o programa será dinamizado por voluntários, tendo como objetivo principal estimular a participação cívica e envolvimento social dos jovens. Existe ainda um programa de acompanhamento, realizado por voluntários (Digital Dreamers) destinado aos beneficiários das sessões de Inclusão Digital, com foco prioritário nos idosos em situação de solidão ou isolamento.
No fundo, a criação da primeira Comunidade Criativa para a Inclusão Digital de Guimarães pretende incentivar os jovens para a prática do voluntariado, criar comunidades locais colaborativas, resilientes e que contribuam para um crescimento inclusivo, em todo o território. Está previsto ainda o empréstimo de tablets a utentes no sentido de praticarem os seus conhecimentos nos meios digitais, terem acesso a entretenimento e atividades personalizadas e a meios de comunicação inovadores e tecnológicos com o da equipa de voluntários.
15.3.21
O estigma da desigualdade intergeracional
Por António Covas, opinião, in Sul Informação
As consequências sociais da pandemia estão aí e deixam-nos um aviso sério, há cada vez mais famílias à beira do limiar crítico de pobreza
Se a década que agora começa, e não começou nada bem com a covid-19, for tão triste e melancólica como as duas primeiras décadas deste século, estarão criadas as condições para uma tragédia da desigualdade profunda, ou seja, para assistirmos ao agravamento do estigma da desigualdade intergeracional.
A demografia estará contra nós com o envelhecimento acelerado da população, as alterações climáticas estarão contra nós, os efeitos da pandemia estão ainda por apurar, a economia precisa de recuperar e não sabemos se continuará a apresentar taxas de crescimento médio muito baixas ao longo da década, o limiar de pobreza será atingido por muitos portugueses no desemprego de longa duração, na inatividade, na pré-reforma e na reforma.
Vejamos como esta tragédia e este estigma se podem manifestar:
1. Os impactos das alterações climáticas alteram o nosso conceito de bem-estar
As alterações climáticas, pelos seus efeitos profundos, obrigam-nos a rever o nosso conceito habitual de bem-estar. Acresce que, devido à grande inércia das alterações climáticas, os problemas só terão uma resolução no médio e longo prazo.
Até lá, trata-se de fazer remediação e mitigação de um grave problema de saúde pública que afeta bastante o estrato de população mais envelhecido. Vamos ouvir falar de mobilidade e de refugiados por motivos climáticos. É a primeira grande desigualdade.
2. Os efeitos da pandemia afetam as relações de sociabilidade habituais
Os efeitos pós-pandemia da covid-19 estão ainda por apurar e é muito provável que a circulação deste vírus se transforme em doença crónica de múltiplas mutações.
Se assim for, teremos não apenas de mudar as regras de etiqueta social como alterar as nossas relações de sociabilidade habituais. E nada será como dantes, com um impacto profundo sobre a população mais idosa, em especial, sobre o estado da sua saúde mental. É a segunda grande desigualdade.
3. A degradação habitacional acentua-se com as alterações climáticas
As alterações climáticas, em especial, o aquecimento global, mas, também, as suas ocorrências mais severas, terão um impacto muito forte sobre as condições de habitabilidade da população mais desfavorecida que vive geralmente em habitações pouco cuidadas e bairros degradados. É a terceira grande desigualdade.
4. A desqualificação socio-laboral acentua-se com a iliteracia digital
Os mercados de trabalho estão a evoluir muito rapidamente no sentido de uma progressiva desmaterialização de processos e procedimentos de trabalho e produção, em particular, os métodos de fabrico industrial da indústria mais convencional e padronizada.
Os trabalhadores mais velhos destes setores industriais serão os primeiros a serem atingidos pelo processo de transformação digital. A desqualificação laboral acentua-se com a iliteracia digital e uma nova desigualdade tem lugar.
5. O desemprego de longa duração e a inatividade estendem-se no tempo
Estes trabalhadores devido à sua idade e baixas qualificações entram na fileira do desempregado de longa duração, das formações profissionais avulsas e, mesmo, na inatividade profissional, já para não referir as baixas por doença e os problemas agravados de natureza familiar e saúde mental.
Muitos deles não terão condições técnico-profissionais para enfrentar o ciclo das grandes transições, incerto e inseguro. E uma nova desigualdade tem lugar.
6. Os salários baixos e médios estão próximos e com tendência para estagnar
Estes mesmos trabalhadores, no último segmento da sua vida profissional, estão no patamar mais baixo da escala salarial, porque nos últimos vinte anos do século XXI a economia portuguesa cresceu a uma taxa tão baixa que não permitiu corrigir a desigualdade na distribuição de rendimentos do trabalho. E assim se alimenta mais uma desigualdade na sociedade portuguesa.
7. As expetativas quanto às pensões de reforma não são muito brilhantes
A tragédia da desigualdade profunda prossegue para lá da vida ativa, quando os trabalhadores entram no período da reforma e recebem a sua parca pensão de rendimentos.
Salários baixos significam pensões ainda mais baixas e, assim, estamos cada mais próximos do limiar de pobreza e da ajuda misericordiosa. A desigualdade aprofunda-se até à pobreza e o isolamento familiar e social.
8. O acesso a cuidados médicos diferenciados não está assegurado para todos
Basta olhar para 2/3 do território nacional e não encontramos lá cuidados médicos diferenciados. Ou seja, a população mais envelhecida que vive no rural remoto e nas pequenas localidades do interior acumula morbilidades de todo o tipo e doenças crónicas que se eternizam, no preciso momento em que os seus rendimentos estão mais depauperados.
Em caso de urgência, o táxi pode substituir a ambulância, mas tudo pode acontecer durante uma deslocação de risco. É, mais uma vez, a tragédia da desigualdade profunda a manifestar-se.
9. Os problemas de mobilidade acentuam o abandono e isolamento familiares
A covid-19 acentuou seriamente um problema de longa data, um círculo vicioso em pleno funcionamento, a saber, o encerramento de alguns serviços públicos, de serviços privados bancários, seguros, médicos e transporte de passageiros e, sobretudo, a quebra dos laços sociais de proximidade, isolaram ainda mais as pequenas povoações e localidades o que conduziu ao crescente abandono e o isolamento da população mais idosa, doente e com graves problemas de mobilidade, já para não falar na ausência de relações familiares e nas questões de segurança pessoal. É mais uma desigualdade profunda em plena laboração.
10. O acesso aos meios de comunicação e informação não está assegurado
A doença crónica da pessoa idosa e as comorbilidades associadas impedem, na prática, o acesso aos meios de informação e comunicação. Uma audição deficiente, uma visão problemática, uma saúde mental precária, são razões bastantes para isolar uma pessoa do mundo que a envolve. Veja-se, por exemplo, a crise de leitores da imprensa local e regional.
E o mais grave é que não se vislumbra nenhuma estratégia preventiva de abordar os problemas da sociedade sénior e o envelhecimento ativo com a responsabilidade coletiva e o cuidado que merecem. Eis a suprema tragédia da desigualdade profunda.
Notas Finais
As desigualdades enunciadas, na sua extrema complexidade, não serão resolvidas se forem abordadas isoladamente, tanto mais quanto a pobreza, a precariedade e a doença são problemas transgeracionais, isto é, juntam famílias de gerações diferentes com dificuldades semelhantes.
Acresce que as grandes transições já em curso para esta década podem não somente agravar estas desigualdades, como, também, desencadear efeitos assimétricos de ricochete que irão colocar muita pressão sobre os mercados de trabalho, os níveis de remuneração mínimos e médios de salários e pensões, as condições de habitabilidade, a oferta e a qualidade dos serviços públicos e sociais, a qualidade dos programas de envelhecimento ativo, dos cuidados primários e continuados de saúde, a assistência à família e a qualidade dos serviços ambulatórios de proximidade, o acesso à informação e comunicação, por exemplo, a imprensa local, que interessa em particular aos mais idosos.
As consequências sociais da pandemia estão aí e deixam-nos um aviso sério, há cada vez mais famílias à beira do limiar crítico de pobreza. E não podemos tolerar tal fatalidade.
Autor: António Covas é Professor Catedrático Aposentado da Universidade do Algarve
As consequências sociais da pandemia estão aí e deixam-nos um aviso sério, há cada vez mais famílias à beira do limiar crítico de pobreza
Se a década que agora começa, e não começou nada bem com a covid-19, for tão triste e melancólica como as duas primeiras décadas deste século, estarão criadas as condições para uma tragédia da desigualdade profunda, ou seja, para assistirmos ao agravamento do estigma da desigualdade intergeracional.
A demografia estará contra nós com o envelhecimento acelerado da população, as alterações climáticas estarão contra nós, os efeitos da pandemia estão ainda por apurar, a economia precisa de recuperar e não sabemos se continuará a apresentar taxas de crescimento médio muito baixas ao longo da década, o limiar de pobreza será atingido por muitos portugueses no desemprego de longa duração, na inatividade, na pré-reforma e na reforma.
Vejamos como esta tragédia e este estigma se podem manifestar:
1. Os impactos das alterações climáticas alteram o nosso conceito de bem-estar
As alterações climáticas, pelos seus efeitos profundos, obrigam-nos a rever o nosso conceito habitual de bem-estar. Acresce que, devido à grande inércia das alterações climáticas, os problemas só terão uma resolução no médio e longo prazo.
Até lá, trata-se de fazer remediação e mitigação de um grave problema de saúde pública que afeta bastante o estrato de população mais envelhecido. Vamos ouvir falar de mobilidade e de refugiados por motivos climáticos. É a primeira grande desigualdade.
2. Os efeitos da pandemia afetam as relações de sociabilidade habituais
Os efeitos pós-pandemia da covid-19 estão ainda por apurar e é muito provável que a circulação deste vírus se transforme em doença crónica de múltiplas mutações.
Se assim for, teremos não apenas de mudar as regras de etiqueta social como alterar as nossas relações de sociabilidade habituais. E nada será como dantes, com um impacto profundo sobre a população mais idosa, em especial, sobre o estado da sua saúde mental. É a segunda grande desigualdade.
3. A degradação habitacional acentua-se com as alterações climáticas
As alterações climáticas, em especial, o aquecimento global, mas, também, as suas ocorrências mais severas, terão um impacto muito forte sobre as condições de habitabilidade da população mais desfavorecida que vive geralmente em habitações pouco cuidadas e bairros degradados. É a terceira grande desigualdade.
4. A desqualificação socio-laboral acentua-se com a iliteracia digital
Os mercados de trabalho estão a evoluir muito rapidamente no sentido de uma progressiva desmaterialização de processos e procedimentos de trabalho e produção, em particular, os métodos de fabrico industrial da indústria mais convencional e padronizada.
Os trabalhadores mais velhos destes setores industriais serão os primeiros a serem atingidos pelo processo de transformação digital. A desqualificação laboral acentua-se com a iliteracia digital e uma nova desigualdade tem lugar.
5. O desemprego de longa duração e a inatividade estendem-se no tempo
Estes trabalhadores devido à sua idade e baixas qualificações entram na fileira do desempregado de longa duração, das formações profissionais avulsas e, mesmo, na inatividade profissional, já para não referir as baixas por doença e os problemas agravados de natureza familiar e saúde mental.
Muitos deles não terão condições técnico-profissionais para enfrentar o ciclo das grandes transições, incerto e inseguro. E uma nova desigualdade tem lugar.
6. Os salários baixos e médios estão próximos e com tendência para estagnar
Estes mesmos trabalhadores, no último segmento da sua vida profissional, estão no patamar mais baixo da escala salarial, porque nos últimos vinte anos do século XXI a economia portuguesa cresceu a uma taxa tão baixa que não permitiu corrigir a desigualdade na distribuição de rendimentos do trabalho. E assim se alimenta mais uma desigualdade na sociedade portuguesa.
7. As expetativas quanto às pensões de reforma não são muito brilhantes
A tragédia da desigualdade profunda prossegue para lá da vida ativa, quando os trabalhadores entram no período da reforma e recebem a sua parca pensão de rendimentos.
Salários baixos significam pensões ainda mais baixas e, assim, estamos cada mais próximos do limiar de pobreza e da ajuda misericordiosa. A desigualdade aprofunda-se até à pobreza e o isolamento familiar e social.
8. O acesso a cuidados médicos diferenciados não está assegurado para todos
Basta olhar para 2/3 do território nacional e não encontramos lá cuidados médicos diferenciados. Ou seja, a população mais envelhecida que vive no rural remoto e nas pequenas localidades do interior acumula morbilidades de todo o tipo e doenças crónicas que se eternizam, no preciso momento em que os seus rendimentos estão mais depauperados.
Em caso de urgência, o táxi pode substituir a ambulância, mas tudo pode acontecer durante uma deslocação de risco. É, mais uma vez, a tragédia da desigualdade profunda a manifestar-se.
9. Os problemas de mobilidade acentuam o abandono e isolamento familiares
A covid-19 acentuou seriamente um problema de longa data, um círculo vicioso em pleno funcionamento, a saber, o encerramento de alguns serviços públicos, de serviços privados bancários, seguros, médicos e transporte de passageiros e, sobretudo, a quebra dos laços sociais de proximidade, isolaram ainda mais as pequenas povoações e localidades o que conduziu ao crescente abandono e o isolamento da população mais idosa, doente e com graves problemas de mobilidade, já para não falar na ausência de relações familiares e nas questões de segurança pessoal. É mais uma desigualdade profunda em plena laboração.
10. O acesso aos meios de comunicação e informação não está assegurado
A doença crónica da pessoa idosa e as comorbilidades associadas impedem, na prática, o acesso aos meios de informação e comunicação. Uma audição deficiente, uma visão problemática, uma saúde mental precária, são razões bastantes para isolar uma pessoa do mundo que a envolve. Veja-se, por exemplo, a crise de leitores da imprensa local e regional.
E o mais grave é que não se vislumbra nenhuma estratégia preventiva de abordar os problemas da sociedade sénior e o envelhecimento ativo com a responsabilidade coletiva e o cuidado que merecem. Eis a suprema tragédia da desigualdade profunda.
Notas Finais
As desigualdades enunciadas, na sua extrema complexidade, não serão resolvidas se forem abordadas isoladamente, tanto mais quanto a pobreza, a precariedade e a doença são problemas transgeracionais, isto é, juntam famílias de gerações diferentes com dificuldades semelhantes.
Acresce que as grandes transições já em curso para esta década podem não somente agravar estas desigualdades, como, também, desencadear efeitos assimétricos de ricochete que irão colocar muita pressão sobre os mercados de trabalho, os níveis de remuneração mínimos e médios de salários e pensões, as condições de habitabilidade, a oferta e a qualidade dos serviços públicos e sociais, a qualidade dos programas de envelhecimento ativo, dos cuidados primários e continuados de saúde, a assistência à família e a qualidade dos serviços ambulatórios de proximidade, o acesso à informação e comunicação, por exemplo, a imprensa local, que interessa em particular aos mais idosos.
As consequências sociais da pandemia estão aí e deixam-nos um aviso sério, há cada vez mais famílias à beira do limiar crítico de pobreza. E não podemos tolerar tal fatalidade.
Autor: António Covas é Professor Catedrático Aposentado da Universidade do Algarve
28.7.20
O papel dos “netos emprestados” no combate à solidão
Rute Cardoso, in Público on-line
No voluntariado de proximidade, muitas vezes cria-se uma ligação particular entre o voluntário e o idoso que é acompanhado. O objectivo destes projectos é combater a solidão. Hoje é Dia Mundial dos Avós.
Relações fortes não existem apenas entre as pessoas que partilham os mesmos genes. Que o diga Celso, que escuta de Gracinda as “histórias de avó” que ouve quando visita a sua verdadeira avó. Ou Inês e Joaquina, que partilham segredos. De Norte a Sul do país há associações que ajudam os mais velhos a não estar sós. Celso e Inês são voluntários, assim como Aline que, aos 80 anos, acompanha Ana Rosa, de 82. Hoje é o Dia dos Avós e o PÚBLICO foi conhecer a Associação de Voluntariado Universitário (VO.U.), no Porto, o Projecto de Voluntariado de Proximidade da Fundação Eugénio de Almeida, em Évora, e a Associação Coração Amarelo, em Lisboa.
O projecto mais antigo é o da Associação Coração Amarelo, fundado há 20 anos. Actualmente, conta com sete delegações, sendo a de Oeiras a segunda mais velha. Os utentes (140, de momento) chegam “através da acção social da câmara, dos hospitais, de algum vizinho/amigo”, explica Paula Sobral, presidente da Delegação de Oeiras. A maior parte dos utentes são mulheres.
Noutros casos, como o da VO.U., o acompanhamento faz-se com dois ou três voluntários, se possível, também para ser mais fácil conciliar com os horários dos estudantes universitários, que têm disponibilidade limitada. Já o Projecto de Voluntariado de Proximidade da Fundação Eugénio de Almeida, além dos mais velhos, também acompanha famílias monoparentais, ex-reclusos e vítimas de violência doméstica. Cada uma à sua maneira, as instituições mantêm o objectivo de combater a solidão.
"Histórias de avó"
Celso Moura entrou na VO.U. há um ano e meio. Em tempo de aulas, o estudante de assessoria e tradução passava duas a três horas por semana com a “Dona Gracinda”, umas vezes com outra voluntária, outras sozinho. “Estamos lá para ela não se sentir triste, para não se sentir sozinha e acontece o mesmo connosco. Ficamos mais felizes”, diz Celso, que vê semelhanças entre as visitas a Gracinda e as idas à casa da avó, de onde sai “bem da cabeça e bem da barriga”.
Sem filhos ou netos, Gracinda conta com a companhia de sobrinhos, do cão da vizinha e, desde há dois anos, dos voluntários. As visitas eram muitas vezes passadas à conversa, com o barulho de fundo da televisão. Quando “queria muito sair” por estar “farta de estar em casa”, Celso conta que iam “dar uma volta até aos cafés” para Gracinda, de 95 anos, também não “perder a pouca mobilidade que ainda tem”. “Outras vezes não passeio porque não me apetece, mas gosto da companhia deles”, salienta Gracinda que vê os voluntários como os netos que nunca teve. “São umas jóias.”
Apesar de ter uma ligação “muito mais forte” com a sua avó, Celso reconhece que “as histórias de avó estão todas lá”. “Ela ri-se de tudo o que conta, fala do falecido marido, da vida que tinha antes, sejam coisas boas ou más. É uma pessoa fantástica que está contente com o que fez da vida”, diz o voluntário de 21 anos com carinho na voz.
“Veio esta porcaria desta pandemia e [os voluntários] nunca mais vieram porque não podem”, diz Gracinda, triste. “Agora é que não posso sair”, queixa-se. Impossibilitado de fazer as visitas, Celso vai mantendo o contacto por telefone. “Todo o cuidado é pouco, e apesar de tudo, mesmo se formos bem protegidos, nunca se sabe. Pode correr bem, pode correr mal”, reconhece o voluntário sobre a covid-19.
Joaquina Ribeiro vive num lar, em Évora, desde que caiu e partiu a anca. Quando ainda vivia sozinha, a mulher de 90 anos contou com o apoio de Inês Nabais, durante dois anos. A voluntária da Fundação Eugénio de Almeida, em Évora, estudava perto de Joaquina, o que aliado à cumplicidade logo sentida aumentou a frequência das supostas visitas semanais. “Às vezes, ela ligava-me a dizer que tinha feito um bolinho ou que estava com saudades e eu passava por lá; às vezes ligava eu, porque precisava de falar”, conta a jovem de 20 anos, que actualmente estuda Psicologia em Lisboa.
Muito independente, Joaquina não queria ajuda para ir às compras ou à farmácia. “Às vezes dói-me a perna, mas ainda estou capaz de trabalhar”, conta a mulher que gosta de fazer “trabalhinhos com conchas do mar”. Também partilha com a voluntária o amor pelo oceano e tentou ensiná-la a fazer as pecinhas de que tanto gosta. “Eu nunca consegui porque é necessária uma precisão e uma minúcia incrível”, confessa Inês que tem diversas conchas, estrelas-do-mar e até um cavalo-marinho que Joaquina lhe deu. “Quando estou mais em baixo, vou sempre ver as peças, parece que me dão uma energia especial”, partilha a voluntária que tem um dos búzios de Joaquina preso numa rasta.
“Já não tenho nenhuma das minhas avós, mas lembro-me muito bem de quando as ia visitar, daquelas coisas das avós: dos bolinhos, de nunca acharem que nos alimentamos bem”, explica Inês que vê o mesmo carinho nos avisos de Joaquina para “não ir [visitá-la] à noite, para vestir um casaquinho”. A afeição de avó não se reserva apenas para o “netinho que vai fazer cinco anos” – chega também para Inês. “É muito boa e gosto muito dela”, conta Joaquina.
Apesar da significativa diferença de idades, Inês aponta a parecença entre ambas como curiosa. “A Dona Joaquina tem uma alma muito juvenil”, salienta a voluntária que também considera a idosa uma amiga. “Falávamos de encontros amorosos como se estivéssemos as duas a viver a nossa adolescência plena”, confessa entre risos.
A idade é só um número
Mas a juventude, e o bem que ela faz aos utentes beneficiários, não se vê só pela idade – vê-se pela vontade. É o caso particular de Ana Rosa Fernandes e Aline Bettencourt, utente e voluntária, respectivamente, que têm apenas dois anos de diferença. Ana Rosa, de 82 anos, está em Lisboa desde os 28 e mudou de residência várias vezes. “Pareço uma pomba”, diz com um sorriso nos olhos. Ana Rosa já conhecia Aline antes de entrar na Delegação de Oeiras da Associação Coração Amarelo. Foi a voluntária de 80 anos que lhe deu a conhecer o projecto. Aline, também uma das fundadoras da delegação, conta que Ana Rosa está inscrita em várias associações e que “aproveita todas as excursões e passeios”, não sendo um caso difícil de acompanhar.
Para evitar entrar na casa de Ana Rosa, as duas amigas encontram-se numa esplanada para conversarem, estando bem presente o afecto, carinho e atenção referido pela presidente da delegação, Paula Sobral. “Autónoma” e bastante “interessada”, Ana Rosa faz bijuteria e costura, actividades encorajadas pela voluntária. “A minha casa está cheia de quadros todos feitos pela minha mão”, diz orgulhosamente, embora lamente que às vezes “os dedos já não fechem como deve ser” — a voluntária, que actualmente acompanha mais 14 utentes, massaja as mãos da amiga pois fez um workshop de massagens.
Durante o confinamento, Ana Rosa acabou de fazer umas almofadas e outros trabalhos em “ponto de Arraiolos, ponto de cruz, meio ponto”. Depois de pedir uns minutos, volta com um saco cheio de coisas que fez enquanto esteve em casa — dá especial atenção ao vestido com bandolete a condizer que fez para a bisneta, que Aline gaba com um sorriso.
No voluntariado de proximidade, muitas vezes cria-se uma ligação particular entre o voluntário e o idoso que é acompanhado. O objectivo destes projectos é combater a solidão. Hoje é Dia Mundial dos Avós.
Relações fortes não existem apenas entre as pessoas que partilham os mesmos genes. Que o diga Celso, que escuta de Gracinda as “histórias de avó” que ouve quando visita a sua verdadeira avó. Ou Inês e Joaquina, que partilham segredos. De Norte a Sul do país há associações que ajudam os mais velhos a não estar sós. Celso e Inês são voluntários, assim como Aline que, aos 80 anos, acompanha Ana Rosa, de 82. Hoje é o Dia dos Avós e o PÚBLICO foi conhecer a Associação de Voluntariado Universitário (VO.U.), no Porto, o Projecto de Voluntariado de Proximidade da Fundação Eugénio de Almeida, em Évora, e a Associação Coração Amarelo, em Lisboa.
O projecto mais antigo é o da Associação Coração Amarelo, fundado há 20 anos. Actualmente, conta com sete delegações, sendo a de Oeiras a segunda mais velha. Os utentes (140, de momento) chegam “através da acção social da câmara, dos hospitais, de algum vizinho/amigo”, explica Paula Sobral, presidente da Delegação de Oeiras. A maior parte dos utentes são mulheres.
“Vamos ter com a pessoa no sentido de lhe dar apoio. Não fazemos higiene, nem alimentação. Damos o tal afecto, o tal carinho, a tal atenção. Mas se há outras necessidades, articulamos com outras instituições que estão connosco em rede”, explica. Os 60 voluntários acompanham muitas vezes mais do que um utente
"Histórias de avó"
Celso Moura entrou na VO.U. há um ano e meio. Em tempo de aulas, o estudante de assessoria e tradução passava duas a três horas por semana com a “Dona Gracinda”, umas vezes com outra voluntária, outras sozinho. “Estamos lá para ela não se sentir triste, para não se sentir sozinha e acontece o mesmo connosco. Ficamos mais felizes”, diz Celso, que vê semelhanças entre as visitas a Gracinda e as idas à casa da avó, de onde sai “bem da cabeça e bem da barriga”.
Sem filhos ou netos, Gracinda conta com a companhia de sobrinhos, do cão da vizinha e, desde há dois anos, dos voluntários. As visitas eram muitas vezes passadas à conversa, com o barulho de fundo da televisão. Quando “queria muito sair” por estar “farta de estar em casa”, Celso conta que iam “dar uma volta até aos cafés” para Gracinda, de 95 anos, também não “perder a pouca mobilidade que ainda tem”. “Outras vezes não passeio porque não me apetece, mas gosto da companhia deles”, salienta Gracinda que vê os voluntários como os netos que nunca teve. “São umas jóias.”
Apesar de ter uma ligação “muito mais forte” com a sua avó, Celso reconhece que “as histórias de avó estão todas lá”. “Ela ri-se de tudo o que conta, fala do falecido marido, da vida que tinha antes, sejam coisas boas ou más. É uma pessoa fantástica que está contente com o que fez da vida”, diz o voluntário de 21 anos com carinho na voz.
“Veio esta porcaria desta pandemia e [os voluntários] nunca mais vieram porque não podem”, diz Gracinda, triste. “Agora é que não posso sair”, queixa-se. Impossibilitado de fazer as visitas, Celso vai mantendo o contacto por telefone. “Todo o cuidado é pouco, e apesar de tudo, mesmo se formos bem protegidos, nunca se sabe. Pode correr bem, pode correr mal”, reconhece o voluntário sobre a covid-19.
Joaquina Ribeiro vive num lar, em Évora, desde que caiu e partiu a anca. Quando ainda vivia sozinha, a mulher de 90 anos contou com o apoio de Inês Nabais, durante dois anos. A voluntária da Fundação Eugénio de Almeida, em Évora, estudava perto de Joaquina, o que aliado à cumplicidade logo sentida aumentou a frequência das supostas visitas semanais. “Às vezes, ela ligava-me a dizer que tinha feito um bolinho ou que estava com saudades e eu passava por lá; às vezes ligava eu, porque precisava de falar”, conta a jovem de 20 anos, que actualmente estuda Psicologia em Lisboa.
Muito independente, Joaquina não queria ajuda para ir às compras ou à farmácia. “Às vezes dói-me a perna, mas ainda estou capaz de trabalhar”, conta a mulher que gosta de fazer “trabalhinhos com conchas do mar”. Também partilha com a voluntária o amor pelo oceano e tentou ensiná-la a fazer as pecinhas de que tanto gosta. “Eu nunca consegui porque é necessária uma precisão e uma minúcia incrível”, confessa Inês que tem diversas conchas, estrelas-do-mar e até um cavalo-marinho que Joaquina lhe deu. “Quando estou mais em baixo, vou sempre ver as peças, parece que me dão uma energia especial”, partilha a voluntária que tem um dos búzios de Joaquina preso numa rasta.
“Já não tenho nenhuma das minhas avós, mas lembro-me muito bem de quando as ia visitar, daquelas coisas das avós: dos bolinhos, de nunca acharem que nos alimentamos bem”, explica Inês que vê o mesmo carinho nos avisos de Joaquina para “não ir [visitá-la] à noite, para vestir um casaquinho”. A afeição de avó não se reserva apenas para o “netinho que vai fazer cinco anos” – chega também para Inês. “É muito boa e gosto muito dela”, conta Joaquina.
Apesar da significativa diferença de idades, Inês aponta a parecença entre ambas como curiosa. “A Dona Joaquina tem uma alma muito juvenil”, salienta a voluntária que também considera a idosa uma amiga. “Falávamos de encontros amorosos como se estivéssemos as duas a viver a nossa adolescência plena”, confessa entre risos.
A idade é só um número
Mas a juventude, e o bem que ela faz aos utentes beneficiários, não se vê só pela idade – vê-se pela vontade. É o caso particular de Ana Rosa Fernandes e Aline Bettencourt, utente e voluntária, respectivamente, que têm apenas dois anos de diferença. Ana Rosa, de 82 anos, está em Lisboa desde os 28 e mudou de residência várias vezes. “Pareço uma pomba”, diz com um sorriso nos olhos. Ana Rosa já conhecia Aline antes de entrar na Delegação de Oeiras da Associação Coração Amarelo. Foi a voluntária de 80 anos que lhe deu a conhecer o projecto. Aline, também uma das fundadoras da delegação, conta que Ana Rosa está inscrita em várias associações e que “aproveita todas as excursões e passeios”, não sendo um caso difícil de acompanhar.
Para evitar entrar na casa de Ana Rosa, as duas amigas encontram-se numa esplanada para conversarem, estando bem presente o afecto, carinho e atenção referido pela presidente da delegação, Paula Sobral. “Autónoma” e bastante “interessada”, Ana Rosa faz bijuteria e costura, actividades encorajadas pela voluntária. “A minha casa está cheia de quadros todos feitos pela minha mão”, diz orgulhosamente, embora lamente que às vezes “os dedos já não fechem como deve ser” — a voluntária, que actualmente acompanha mais 14 utentes, massaja as mãos da amiga pois fez um workshop de massagens.
Durante o confinamento, Ana Rosa acabou de fazer umas almofadas e outros trabalhos em “ponto de Arraiolos, ponto de cruz, meio ponto”. Depois de pedir uns minutos, volta com um saco cheio de coisas que fez enquanto esteve em casa — dá especial atenção ao vestido com bandolete a condizer que fez para a bisneta, que Aline gaba com um sorriso.
22.1.20
Idosos e jovens à mesma mesa para analisar as notícias
in JN
Foram já 200 as pessoas que participaram nas sessões de leitura crítica de jornais do projeto JN Todos, uma iniciativa da Associação JN Solidário que está a ser desenvolvida no concelho de Vila Nova de Gaia, em parceria com a autarquia local. À mesma mesa, idosos e jovens discutem a atualidade do país, elegendo para conversa os mais variados temas entre as notícias que são publicadas pelo nosso jornal ao longo de uma semana.
Por norma, as sessões decorrem às quintas e às sextas-feiras em lares ou centros de dia, que abrem as suas portas a grupos de estudantes do ensino secundário e do ensino profissional. Desde que o projeto arrancou, em junho do ano passado, aderiram às sessões de leitura crítica de jornais perto de 20 instituições.
Prolongando-se até julho de 2021, a leitura de jornais do JN Todos acompanha o calendário escolar e, de momento, ainda há algumas vagas para o terceiro período do corrente ano letivo. Aos alunos é exigido que tenham pelo menos 16 anos e as inscrições podem ser feitas através do email jnsolidario@jn.pt.
Fruto de uma candidatura que mereceu a comparticipação de fundos comunitários (através do POISE-Programa Operacional Inclusão Social e Emprego), o projeto JN Todos tem como principais destinatários os idosos do concelho, visando promover o envelhecimento ativo através do cruzamento intergeracional. Dessa forma, além de promover a cidadania ativa e o espírito de entreajuda, potencia a criação de laços afetivos entre pessoas que não se conhecem.
Encontros de saberes e voluntariado no domicílio são as outras grandes vertentes desta iniciativa solidária.
Foram já 200 as pessoas que participaram nas sessões de leitura crítica de jornais do projeto JN Todos, uma iniciativa da Associação JN Solidário que está a ser desenvolvida no concelho de Vila Nova de Gaia, em parceria com a autarquia local. À mesma mesa, idosos e jovens discutem a atualidade do país, elegendo para conversa os mais variados temas entre as notícias que são publicadas pelo nosso jornal ao longo de uma semana.
Por norma, as sessões decorrem às quintas e às sextas-feiras em lares ou centros de dia, que abrem as suas portas a grupos de estudantes do ensino secundário e do ensino profissional. Desde que o projeto arrancou, em junho do ano passado, aderiram às sessões de leitura crítica de jornais perto de 20 instituições.
Prolongando-se até julho de 2021, a leitura de jornais do JN Todos acompanha o calendário escolar e, de momento, ainda há algumas vagas para o terceiro período do corrente ano letivo. Aos alunos é exigido que tenham pelo menos 16 anos e as inscrições podem ser feitas através do email jnsolidario@jn.pt.
Fruto de uma candidatura que mereceu a comparticipação de fundos comunitários (através do POISE-Programa Operacional Inclusão Social e Emprego), o projeto JN Todos tem como principais destinatários os idosos do concelho, visando promover o envelhecimento ativo através do cruzamento intergeracional. Dessa forma, além de promover a cidadania ativa e o espírito de entreajuda, potencia a criação de laços afetivos entre pessoas que não se conhecem.
Encontros de saberes e voluntariado no domicílio são as outras grandes vertentes desta iniciativa solidária.
21.2.18
Crianças e idosos juntos na sala de aula para definirem o amor
Miguel Dantas, in Público online
Escola Básica das Matas junta as duas gerações com o objectivo de ensinar jovens a respeitar e valorizar população sénior.
No poema da Dona Porcina descreve-se o seu primeiro beijo. Quem o ouve talvez ainda não o tenha dado mas o entusiasmo destes miúdos com menos de uma década de vida fazem-na recuar dos seus 95 anos até ao tempo de meninice. Na Escola Básica das Matas, em Vila Nova de Gaia — uma escola do primeiro ciclo com jardim de infância —, fala-se de amor. Crianças do pré-escolar ao quarto ano aguardam a visita dos seus colegas séniores. Os mais novos fazem desenhos para lhes entregar à chegada. Ao acabarem o trabalho, exibem as suas obras à educadora de infância, cheios de orgulho e aguardando o elogio devido.
Os idosos chegam à escola com um sorriso rasgado. As crianças do quarto ano sabiam o nome de cada um e cumprimentaram individualmente os utentes do Lar de Idosos da Santa Casa da Misericórdia de Gaia, que se deslocaram ao estabelecimento de ensino acompanhados por uma funcionária. Os desenhos surpresa que os pequenos do pré-escolar realizaram constituíram “um miminho extra”.
Durante o mês de Fevereiro, a Escola das Matas — que pertence ao Agrupamento de Escolas Dr. Costa Matos — promove uma acção que junta crianças e idosos, pretendendo partilhar a visão que as diferentes faixas etárias possuem sobre o amor. O Projecto Gerações, que tem participantes entre os três e os 95 anos de idade, reuniu poemas e desenhos realizados pelos participantes. A turma do pré-escolar, uma das turmas do quarto ano e alguns utentes do lar da Santa Casa da Misericórdia gaiense associaram-se ao projecto.
A apresentação multimédia — que reuniu poemas e desenhos relacionados com o amor — foi feita com acompanhamento da música O amor é mágico dos Expensive Soul. Os alunos do quarto ano foram trauteando a música, à medida que os poemas e desenhos iam sendo projectados no quadro branco. A cada poema, o rosto do autor iluminava-se. Este efeito não se fez só sentir nas crianças — os idosos não poupavam sorrisos.
Fernanda Seixas, professora da turma do quarto ano, disse ao PÚBLICO que este convívio intergeracional tem como principal objectivo ensinar aos mais jovens “os valores da tolerância e integração”. Cumulativamente, pretende-se que gerações do futuro aprendam desde tenra idade a respeitar e valorizar a população com maior experiência de vida.
Também a educadora de infância, Maria João Lima, diz que se devem adoptar nas escolas portuguesas projectos que, como este, “sejam dinamizadores” e sirvam como uma “abertura de horizontes” das crianças. A educadora realça também a importância da participação familiar na vida escolar pois estes projectos apenas são possíveis devido ao “empenho e envolvimento dos pais”.
O encontro das crianças com os idosos já é acontecimento recorrente na escola gaiense devido à existência de uma parceria com o lar da Santa Casa da Misericórdia de Vila Nova de Gaia, que permite que tanto as crianças como os idosos se visitem mutuamente.
No início da apresentação destes trabalhos sobre o amor, a professora Fernanda Seixas relembrou a dificuldade que grandes escritores como Camões, Camilo Castelo Branco e Florbela Espanca sentiram ao tentar definir este “sentimento que arde sem se ver.
Os poemas vão das — naturais — abordagens engraçadas até aos jogos de palavras e reflexões profundas. Os desenhos realizados pelos alunos da pré-escolar, recheados de corações, mostram a visão de uma criança sobre o sentimento que, em Fevereiro — mês dos afectos e de S. Valentim —, assume importância redobrada.
A dona Porcina — nome carinhoso pelo qual é tratada a senhora de 95 anos — é uma das utentes que visitou a escola gaiense. Vivaça e muito bem-humorada foi sorrindo ao ler os poemas e desenhos que as crianças fizeram. O seu poema faz-nos recuar no tempo até ao seu primeiro beijo. Ri-se quando a professora Fernanda o declama para as turmas.
“As crianças fazem-me lembrar a minha vida de meninice. Tenho muitas saudades dessa vida”, diz , com um brilho nos olhos. Dona Porcina garante que as crianças têm em si “o amor mais puro que existe” porque “não existe nele qualquer malícia”. Para ela, as crianças presentes no convívio são os seus “filhinhos de outros pais”.
Júlia Mendes, funcionária do lar da Santa Casa da Misericórdia, refere que, para os cidadãos séniores “é uma alegria” visitar as crianças.
O próximo evento que aproximará as duas gerações já está a ser delineado. Desta vez, serão as crianças que visitarão o lar gaiense. Uma peça de teatro surpresa foi prometida à comitiva sénior que visitou as turmas da Escola Básica das Matas.
Texto editado por Ana Fernandes
Escola Básica das Matas junta as duas gerações com o objectivo de ensinar jovens a respeitar e valorizar população sénior.
No poema da Dona Porcina descreve-se o seu primeiro beijo. Quem o ouve talvez ainda não o tenha dado mas o entusiasmo destes miúdos com menos de uma década de vida fazem-na recuar dos seus 95 anos até ao tempo de meninice. Na Escola Básica das Matas, em Vila Nova de Gaia — uma escola do primeiro ciclo com jardim de infância —, fala-se de amor. Crianças do pré-escolar ao quarto ano aguardam a visita dos seus colegas séniores. Os mais novos fazem desenhos para lhes entregar à chegada. Ao acabarem o trabalho, exibem as suas obras à educadora de infância, cheios de orgulho e aguardando o elogio devido.
Os idosos chegam à escola com um sorriso rasgado. As crianças do quarto ano sabiam o nome de cada um e cumprimentaram individualmente os utentes do Lar de Idosos da Santa Casa da Misericórdia de Gaia, que se deslocaram ao estabelecimento de ensino acompanhados por uma funcionária. Os desenhos surpresa que os pequenos do pré-escolar realizaram constituíram “um miminho extra”.
Durante o mês de Fevereiro, a Escola das Matas — que pertence ao Agrupamento de Escolas Dr. Costa Matos — promove uma acção que junta crianças e idosos, pretendendo partilhar a visão que as diferentes faixas etárias possuem sobre o amor. O Projecto Gerações, que tem participantes entre os três e os 95 anos de idade, reuniu poemas e desenhos realizados pelos participantes. A turma do pré-escolar, uma das turmas do quarto ano e alguns utentes do lar da Santa Casa da Misericórdia gaiense associaram-se ao projecto.
A apresentação multimédia — que reuniu poemas e desenhos relacionados com o amor — foi feita com acompanhamento da música O amor é mágico dos Expensive Soul. Os alunos do quarto ano foram trauteando a música, à medida que os poemas e desenhos iam sendo projectados no quadro branco. A cada poema, o rosto do autor iluminava-se. Este efeito não se fez só sentir nas crianças — os idosos não poupavam sorrisos.
Fernanda Seixas, professora da turma do quarto ano, disse ao PÚBLICO que este convívio intergeracional tem como principal objectivo ensinar aos mais jovens “os valores da tolerância e integração”. Cumulativamente, pretende-se que gerações do futuro aprendam desde tenra idade a respeitar e valorizar a população com maior experiência de vida.
Também a educadora de infância, Maria João Lima, diz que se devem adoptar nas escolas portuguesas projectos que, como este, “sejam dinamizadores” e sirvam como uma “abertura de horizontes” das crianças. A educadora realça também a importância da participação familiar na vida escolar pois estes projectos apenas são possíveis devido ao “empenho e envolvimento dos pais”.
O encontro das crianças com os idosos já é acontecimento recorrente na escola gaiense devido à existência de uma parceria com o lar da Santa Casa da Misericórdia de Vila Nova de Gaia, que permite que tanto as crianças como os idosos se visitem mutuamente.
No início da apresentação destes trabalhos sobre o amor, a professora Fernanda Seixas relembrou a dificuldade que grandes escritores como Camões, Camilo Castelo Branco e Florbela Espanca sentiram ao tentar definir este “sentimento que arde sem se ver.
Os poemas vão das — naturais — abordagens engraçadas até aos jogos de palavras e reflexões profundas. Os desenhos realizados pelos alunos da pré-escolar, recheados de corações, mostram a visão de uma criança sobre o sentimento que, em Fevereiro — mês dos afectos e de S. Valentim —, assume importância redobrada.
A dona Porcina — nome carinhoso pelo qual é tratada a senhora de 95 anos — é uma das utentes que visitou a escola gaiense. Vivaça e muito bem-humorada foi sorrindo ao ler os poemas e desenhos que as crianças fizeram. O seu poema faz-nos recuar no tempo até ao seu primeiro beijo. Ri-se quando a professora Fernanda o declama para as turmas.
“As crianças fazem-me lembrar a minha vida de meninice. Tenho muitas saudades dessa vida”, diz , com um brilho nos olhos. Dona Porcina garante que as crianças têm em si “o amor mais puro que existe” porque “não existe nele qualquer malícia”. Para ela, as crianças presentes no convívio são os seus “filhinhos de outros pais”.
Júlia Mendes, funcionária do lar da Santa Casa da Misericórdia, refere que, para os cidadãos séniores “é uma alegria” visitar as crianças.
O próximo evento que aproximará as duas gerações já está a ser delineado. Desta vez, serão as crianças que visitarão o lar gaiense. Uma peça de teatro surpresa foi prometida à comitiva sénior que visitou as turmas da Escola Básica das Matas.
Texto editado por Ana Fernandes
4.10.17
Programa Aconchego volta a promover o encontro entre estudantes e seniores
in Porto.
Estão abertas as candidaturas para os estudantes e cidadãos seniores que desejam participar no Programa Aconchego. "Quem estuda tem casa; quem tem casa tem companhia" é o conceito de uma iniciativa que aproxima gerações.
Criado pela Câmara do Porto em parceria com a Federação Académica do Porto, o programa promove o alojamento de estudantes universitários em casa de seniores residentes na cidade.
O projeto proporciona aos aderentes a troca de experiências entre gerações, a companhia para o sénior e a redução das despesas de alojamento para o estudante. Os estudantes contribuem simbolicamente em géneros, que podem ser alimentares, para comparticipar no acréscimo de despesas como água, luz e gás.
A partir de duas dificuldades detetadas, os constrangimentos económicos que as famílias demonstram em ter um filho a estudar fora do local de origem e o sentimento solidão que os seniores por vezes afirmam sentir, aliado à preocupação que muitos dos filhos sentem por os pais viverem sozinhos, obteve-se assim uma dupla solução.
As candidaturas ao programa estão abertas todo o ano.
+info: Departamento Municipal de Desenvolvimento Social da Câmara do Porto | email otiliaoliveira@cm-porto.pt | telefone 22 589 92 60
Recorde o conceito Aconchego e testemunhos de participantes em vídeo-reportagem realizada em fevereiro deste ano.
Estão abertas as candidaturas para os estudantes e cidadãos seniores que desejam participar no Programa Aconchego. "Quem estuda tem casa; quem tem casa tem companhia" é o conceito de uma iniciativa que aproxima gerações.
Criado pela Câmara do Porto em parceria com a Federação Académica do Porto, o programa promove o alojamento de estudantes universitários em casa de seniores residentes na cidade.
O projeto proporciona aos aderentes a troca de experiências entre gerações, a companhia para o sénior e a redução das despesas de alojamento para o estudante. Os estudantes contribuem simbolicamente em géneros, que podem ser alimentares, para comparticipar no acréscimo de despesas como água, luz e gás.
A partir de duas dificuldades detetadas, os constrangimentos económicos que as famílias demonstram em ter um filho a estudar fora do local de origem e o sentimento solidão que os seniores por vezes afirmam sentir, aliado à preocupação que muitos dos filhos sentem por os pais viverem sozinhos, obteve-se assim uma dupla solução.
As candidaturas ao programa estão abertas todo o ano.
+info: Departamento Municipal de Desenvolvimento Social da Câmara do Porto | email otiliaoliveira@cm-porto.pt | telefone 22 589 92 60
Recorde o conceito Aconchego e testemunhos de participantes em vídeo-reportagem realizada em fevereiro deste ano.
25.7.17
Seis mil avós da Área Metropolitana do Porto em encontro no Europarque
in Diário de Notícias
O Dia Metropolitano dos Avós comemora-se quarta-feira no centro de congressos Europarque, em Santa Maria da Feira, com mais de 6.000 participantes de 15 municípios da região do Porto e um programa de animação que inclui a atuação do cantor Roberto Leal.
Segundo revela em comunicado o Conselho Metropolitano do Porto, o objetivo do encontro é "valorizar o papel dos avós enquanto cidadãos ativos e privilegiados na transmissão de valores sociais e culturais na sociedade".
Proporcionando-lhes uma tarde de convívio e entretenimento coletivo, pretende-se assim também "promover a interculturalidade e a intermunicipalidade", em reconhecimento do "trabalho desenvolvido com a comunidade sénior pelos diversos grupos e associações de voluntariado" da área metropolitana.
Para esse efeito, a organização do encontro no Europarque preparou aos avós dos municípios da região "um dia recheado de atividades, como uma masterclass de ginástica, [uma sessão de] dança para os idosos e um concerto de Roberto Leal".
O programa inclui ainda atuações por coletividades da Feira, como: o grupo "Elemento C" do CIRAC de Paços de Brandão, a formação "Rufus e Circus" da Cooperativa Casa dos Choupos e o grupo de percussão "Sempre a Bombar" da Associação Pelo Prazer de Viver.
Além da referida masterclass de ginástica por monitores do Programa Movimento e Bem Estar da Câmara Municipal da Feira, haverá ainda uma atuação com cavaquinhos pelo núcleo de Musicoterapia da Associação "Abraçar Mais" de Milheirós de Poiares, Danças Medievais pelo grupo MD5 e a atuação do duo de cordas "Blue & White".
A performance de Roberto Leal, por sua vez, será precedida por uma intervenção de Emídio Sousa, presidente do Conselho Metropolitano do Porto e também da Câmara da Feira - município que se faz representar no evento com cerca de 2.200 avós.
A participação desses seniores em concreto resulta de um convite dirigido à população pelas juntas de freguesia e outras instituições da Rede Social do concelho. No caso dos avós sem meio de deslocação próprio, o transporte até ao local fez-se por autocarro disponibilizado pela autarquia e teve um custo individual de 2,5 euros.
Além dos seniores da Feira, participam no encontro também os dos concelhos de Póvoa do Varzim, Vila do Conde, Santo Tirso, Maia, Valongo, Paredes, Porto, Gondomar, Vila Nova de Gaia, Espinho, São João da Madeira, Arouca, Vale de Cambra e Oliveira de Azeméis.
O Dia Metropolitano dos Avós comemora-se quarta-feira no centro de congressos Europarque, em Santa Maria da Feira, com mais de 6.000 participantes de 15 municípios da região do Porto e um programa de animação que inclui a atuação do cantor Roberto Leal.
Segundo revela em comunicado o Conselho Metropolitano do Porto, o objetivo do encontro é "valorizar o papel dos avós enquanto cidadãos ativos e privilegiados na transmissão de valores sociais e culturais na sociedade".
Proporcionando-lhes uma tarde de convívio e entretenimento coletivo, pretende-se assim também "promover a interculturalidade e a intermunicipalidade", em reconhecimento do "trabalho desenvolvido com a comunidade sénior pelos diversos grupos e associações de voluntariado" da área metropolitana.
Para esse efeito, a organização do encontro no Europarque preparou aos avós dos municípios da região "um dia recheado de atividades, como uma masterclass de ginástica, [uma sessão de] dança para os idosos e um concerto de Roberto Leal".
O programa inclui ainda atuações por coletividades da Feira, como: o grupo "Elemento C" do CIRAC de Paços de Brandão, a formação "Rufus e Circus" da Cooperativa Casa dos Choupos e o grupo de percussão "Sempre a Bombar" da Associação Pelo Prazer de Viver.
Além da referida masterclass de ginástica por monitores do Programa Movimento e Bem Estar da Câmara Municipal da Feira, haverá ainda uma atuação com cavaquinhos pelo núcleo de Musicoterapia da Associação "Abraçar Mais" de Milheirós de Poiares, Danças Medievais pelo grupo MD5 e a atuação do duo de cordas "Blue & White".
A performance de Roberto Leal, por sua vez, será precedida por uma intervenção de Emídio Sousa, presidente do Conselho Metropolitano do Porto e também da Câmara da Feira - município que se faz representar no evento com cerca de 2.200 avós.
A participação desses seniores em concreto resulta de um convite dirigido à população pelas juntas de freguesia e outras instituições da Rede Social do concelho. No caso dos avós sem meio de deslocação próprio, o transporte até ao local fez-se por autocarro disponibilizado pela autarquia e teve um custo individual de 2,5 euros.
Além dos seniores da Feira, participam no encontro também os dos concelhos de Póvoa do Varzim, Vila do Conde, Santo Tirso, Maia, Valongo, Paredes, Porto, Gondomar, Vila Nova de Gaia, Espinho, São João da Madeira, Arouca, Vale de Cambra e Oliveira de Azeméis.
Encontro Intergeracional amanhã no Parque Urbano do Rio Diz para assinalar o dia dos Avós
por Rádio F
A Rede Europeia Anti-Pobreza, EAPN Portugal, através do Núcleo Distrital da Guarda e em parceria com o Municipio da Guarda, promove amanhã o 8º Encontro de Avós e Netos, seguindo a tradição iniciada em 2010, para assinalar o Dia dos Avós com um encontro intergeracional. Trata-se de uma iniciativa que pretende juntar crianças e seniores, interagindo uns com os outros, através de várias atividades. O encontro começa às 10h30m no Parque Urbano do Rio Diz, e termina por voltas das 16h30m com um lanhe partilhado. Cátia Azevedo técnica do Núcleo Distrital da Guarda da EAPN Portugal, explicou que a incitava é a continuidade ao tem vindo a ser feito nos últimos anos, e refere, que a iniciativa é aberta a toda a sociedade que queria assinalar o dia dos Avós.
O programa é diversificado, e conta com várias atividades lúdicas e desportivas, rastreios de saúde, demonstrações da GNR, danças e música, e cinema para os Avós com a exibição do filme “O Pátio das Cantigas
O convívio intergeracional pretende promover a partilha de conhecimentos e experiências, entre as diferentes gerações e contribuir para a colaboração e convívio entre várias instituições.
A Rede Europeia Anti-Pobreza, EAPN Portugal, através do Núcleo Distrital da Guarda e em parceria com o Municipio da Guarda, promove amanhã o 8º Encontro de Avós e Netos, seguindo a tradição iniciada em 2010, para assinalar o Dia dos Avós com um encontro intergeracional. Trata-se de uma iniciativa que pretende juntar crianças e seniores, interagindo uns com os outros, através de várias atividades. O encontro começa às 10h30m no Parque Urbano do Rio Diz, e termina por voltas das 16h30m com um lanhe partilhado. Cátia Azevedo técnica do Núcleo Distrital da Guarda da EAPN Portugal, explicou que a incitava é a continuidade ao tem vindo a ser feito nos últimos anos, e refere, que a iniciativa é aberta a toda a sociedade que queria assinalar o dia dos Avós.
O programa é diversificado, e conta com várias atividades lúdicas e desportivas, rastreios de saúde, demonstrações da GNR, danças e música, e cinema para os Avós com a exibição do filme “O Pátio das Cantigas
O convívio intergeracional pretende promover a partilha de conhecimentos e experiências, entre as diferentes gerações e contribuir para a colaboração e convívio entre várias instituições.
24.7.17
Freguesia de Quarteira distinguida pelas boas práticas junto dos cidadãos seniores
por Barlavento
Autarquia recebeu ‘Selo Freguesia Amiga do Idoso’ atribuído no âmbito de programa nacional.
A Junta de Freguesia (JF) de Quarteira venceu a candidatura ao Programa ‘Freguesia/União de Freguesias Amiga do Idoso’, criado pela Cidade Social em parceria com a Associação Nacional de Gerontólogos. Trata-se de uma distinção que visa reconhecer, distinguir, promover e premiar as boas práticas realizadas pela freguesia na promoção de atividades, programas e envolvimento ativo deste escalão etário.
Responsável pela candidatura da autarquia, o Presidente da JF de Quarteira, Telmo Pinto, realçou a importância do selo de reconhecimento, tendo considerado que este é o resultado do grande investimento feito nos últimos quatro anos em prol dos cidadãos da Freguesia.
“Temos desenvolvido uma forte intervenção no sentido de criarmos condições para a integração e socialização dos cidadãos de mais idade, de forma a erradicarmos situações de isolamento e todas as consequências que advém dessa condição”, realçou o autarca, que faz questão de dedicar o galardão a todos os quarteirenses.
O programa avalia o conhecimento da realidade da Freguesia, nomeadamente o número de idosos residentes e as suas condições de vida. Avalia também a promoção do envelhecimento ativo, os programas de informação e sensibilização realizados, a aposta na formação contínua, as atividades de lazer realizadas, as parcerias existentes, a implementação estratégica de marketing e comunicação, a existência de programas intergeracionais e a promoção de programas educativos.
Ao longo dos últimos anos a população sénior de Quarteira tem sido apoiada através do Regulamento de Apoio Social e contemplada com diversas iniciativas e ações desenvolvidas pela Junta de Freguesia de Quarteira em parceria com a Câmara Municipal de Loulé, ou promovidas por diversos agentes locais com o apoio das Autarquias. É de salientar as atividades físicas como a Marcha-Corrida de Quarteira e os programas ‘Seniores em Movimento’ e ‘Caminhar é Saúde e Alegria’.
Merecem também destaque os programas de formação contínua desenvolvidos na Freguesia, entre os quais o projeto ‘Academia do Saber’ criado em parceria entre a JF e a Associação Sócio-Cultural de Quarteira, que conta atualmente com 18 instrutores voluntários. No mesmo contexto têm sido dinamizadas, por várias organizações financiadas pela Junta, atividades que abrangem maioritariamente cidadãos seniores, como o ‘Banco de Tempo’, o ‘Cantinho da Amizade’, o ‘Centro Paroquial’ e a Fundação António Aleixo.
A Freguesia de Quarteira tem apostado também nas atividades de lazer, como excursões e bailes populares, enquanto na área das práticas de solidariedade foi criado o Núcleo da Associação Oncológica do Algarve e estabelecidas parcerias direcionadas à realização de eventos para esta faixa etária.
No âmbito das atividades vocacionadas para a idade sénior foram lançados ainda programas intergeracionais entre alunos da ‘Academia do Saber’ e crianças do Colégio Origami e do Centro de Apoio à Criança, criado o Grupo de Folclore de Quarteira e promovidos programas educativos como a comemoração do Dia Mundial da Diabetes e sessões de esclarecimento pela Associação Oncológica do Algarve.
De forma a envolver toda a comunidade sénior nas ações e atividades organizadas, a JF de Quarteira procede à sua divulgação através da implementação de estratégias de comunicação e marketing, que incluem as redes sociais, o website da Autarquia e a distribuição de diversos materiais nos estabelecimentos comerciais da Freguesia.
Para além de outros benefícios conquistados no âmbito desta distinção, a JF de Quarteira passará a ter acesso a uma lista de programas nacionais desenvolvidos pelas autarquias e formação em regime de e-learning sobre gerontologia, que atribui diversas competências, entre as quais, como atuar perante o isolamento social e geográfico numa freguesia.
A importância deste programa e da intervenção das freguesias e uniões de freguesia na área da gerontologia, é o reconhecimento de que, em Portugal, esta faixa da população tem direito e deve ser apoiada, acompanhada e a ter oportunidades de viver com qualidade de vida.
Autarquia recebeu ‘Selo Freguesia Amiga do Idoso’ atribuído no âmbito de programa nacional.
A Junta de Freguesia (JF) de Quarteira venceu a candidatura ao Programa ‘Freguesia/União de Freguesias Amiga do Idoso’, criado pela Cidade Social em parceria com a Associação Nacional de Gerontólogos. Trata-se de uma distinção que visa reconhecer, distinguir, promover e premiar as boas práticas realizadas pela freguesia na promoção de atividades, programas e envolvimento ativo deste escalão etário.
Responsável pela candidatura da autarquia, o Presidente da JF de Quarteira, Telmo Pinto, realçou a importância do selo de reconhecimento, tendo considerado que este é o resultado do grande investimento feito nos últimos quatro anos em prol dos cidadãos da Freguesia.
“Temos desenvolvido uma forte intervenção no sentido de criarmos condições para a integração e socialização dos cidadãos de mais idade, de forma a erradicarmos situações de isolamento e todas as consequências que advém dessa condição”, realçou o autarca, que faz questão de dedicar o galardão a todos os quarteirenses.
O programa avalia o conhecimento da realidade da Freguesia, nomeadamente o número de idosos residentes e as suas condições de vida. Avalia também a promoção do envelhecimento ativo, os programas de informação e sensibilização realizados, a aposta na formação contínua, as atividades de lazer realizadas, as parcerias existentes, a implementação estratégica de marketing e comunicação, a existência de programas intergeracionais e a promoção de programas educativos.
Ao longo dos últimos anos a população sénior de Quarteira tem sido apoiada através do Regulamento de Apoio Social e contemplada com diversas iniciativas e ações desenvolvidas pela Junta de Freguesia de Quarteira em parceria com a Câmara Municipal de Loulé, ou promovidas por diversos agentes locais com o apoio das Autarquias. É de salientar as atividades físicas como a Marcha-Corrida de Quarteira e os programas ‘Seniores em Movimento’ e ‘Caminhar é Saúde e Alegria’.
Merecem também destaque os programas de formação contínua desenvolvidos na Freguesia, entre os quais o projeto ‘Academia do Saber’ criado em parceria entre a JF e a Associação Sócio-Cultural de Quarteira, que conta atualmente com 18 instrutores voluntários. No mesmo contexto têm sido dinamizadas, por várias organizações financiadas pela Junta, atividades que abrangem maioritariamente cidadãos seniores, como o ‘Banco de Tempo’, o ‘Cantinho da Amizade’, o ‘Centro Paroquial’ e a Fundação António Aleixo.
A Freguesia de Quarteira tem apostado também nas atividades de lazer, como excursões e bailes populares, enquanto na área das práticas de solidariedade foi criado o Núcleo da Associação Oncológica do Algarve e estabelecidas parcerias direcionadas à realização de eventos para esta faixa etária.
No âmbito das atividades vocacionadas para a idade sénior foram lançados ainda programas intergeracionais entre alunos da ‘Academia do Saber’ e crianças do Colégio Origami e do Centro de Apoio à Criança, criado o Grupo de Folclore de Quarteira e promovidos programas educativos como a comemoração do Dia Mundial da Diabetes e sessões de esclarecimento pela Associação Oncológica do Algarve.
De forma a envolver toda a comunidade sénior nas ações e atividades organizadas, a JF de Quarteira procede à sua divulgação através da implementação de estratégias de comunicação e marketing, que incluem as redes sociais, o website da Autarquia e a distribuição de diversos materiais nos estabelecimentos comerciais da Freguesia.
Para além de outros benefícios conquistados no âmbito desta distinção, a JF de Quarteira passará a ter acesso a uma lista de programas nacionais desenvolvidos pelas autarquias e formação em regime de e-learning sobre gerontologia, que atribui diversas competências, entre as quais, como atuar perante o isolamento social e geográfico numa freguesia.
A importância deste programa e da intervenção das freguesias e uniões de freguesia na área da gerontologia, é o reconhecimento de que, em Portugal, esta faixa da população tem direito e deve ser apoiada, acompanhada e a ter oportunidades de viver com qualidade de vida.
3.10.16
Festival Sénior “Reencontros de Memórias e Saberes” assinala cinco anos de Envelhecimento Ativo em Esposende
in Correio do Minho
A apresentação do livro “Vidas com Rostos” marcou o arranque do Festival Sénior “Reencontros de Memórias e Saberes”, que o Município de Esposende, em colaboração com os Parceiros da Rede Social do concelho, leva a efeito de hoje até 4 de outubro, com o objetivo de assinalar o 5.º aniversário do Programa “Envelhecimento Ativo”.
O livro, cuja sessão de apresentação decorreu no Auditório Municipal de Esposende, apresenta o registo fotográfico de algumas das várias iniciativas que têm vindo a ser desenvolvidas ao longo dos cinco anos de existência deste programa, promovido no âmbito da Rede Social, evidenciando as vivências dos participantes e retratando a dinâmica intergeracional e o envolvimento com a comunidade.
“Estamos num Município de excelência em relação à dinâmica desenvolvida em torno da pessoa idosa”, afirmou o Presidente da Câmara Municipal de Esposende na sessão de apresentação, onde marcou também presença a Vereadora da Coesão Social, Raquel Vale, e Carla Faria, Coordenadora da Licenciatura em Gerontologia do Instituto Politécnico de Viana do Castelo. Benjamim Pereira referiu que o Município tem vindo a desenvolver um conjunto muito diversificado de atividades para a comunidade sénior com o objetivo de contribuir para um envelhecimento ativo e notou, com satisfação, que a adesão tem vindo a aumentar.
“Vocês são verdadeiramente importantes para o Município”, afirmou o Autarca dirigindo-se à vasta plateia de seniores, garantindo que o Município continuará a valorizar os idosos e a proporcionar-lhes iniciativas que contribuam para um envelhecimento ativo, e referiu que essa aposta será até para reforçar, atendendo a que esta franja da população tem tendência a aumentar, refletindo a tendência nacional.
Desafiando os idosos a “viver de forma p
lena, a viver a vida com alegria”, convidou-os a participarem e a usufruírem das atividades que o Município, em conjunto com os demais Parceiros da Rede Social, desenvolve nos mais variados domínios, exortando-os, ainda, a transmitirem a sua “escola de vida” aos mais novos, não só pelo saber acumulado, mas também pelo exemplo de vida. Terminou com agradecimentos aos idosos do concelho pelo seu contributo para o desenvolvimento do concelho, dizendo mesmo “por me ajudarem a gerir melhor este Município”.
A Vereadora da Coesão Social fez o enquadramento do Festival Sénior, assinalando que a sua realização está também associada à comemoração do Dia Internacional da Pessoa Idosa, que se assinala a 1 de outubro. Raquel Vale realçou que o Programa “Envelhecimento Ativo” tem vindo a ser desenvolvido, desde 2012, em estreita colaboração com os Parceiros da Rede Social, num efetivo trabalho em rede, que torna a oferta a esta faixa etária mais diversificada, com a vantagem de se rentabilizarem recursos locais, se concertarem estratégias com vista ao mesmo objetivo, possibilitando aos mais velhos o acesso a um maior número de iniciativas, que proporcionam o reforço das relações interpessoais.
Por sua vez, Carla Faria, Coordenadora da Licenciatura em Gerontologia do Instituto Politécnico de Viana do Castelo, elogiou o Programa considerando que contribui, de forma efetiva, para um envelhecimento ativo. Dirigindo-se aos idosos, exortou-os a participarem e a envolverem-se nas atividades, e frisou que, entre outras virtudes, o Programa também promove a intergeracionalidade e a inclusão social.
Como forma de homenagear os idosos, muitos dos quais estão retratados no livro “Vidas com Rostos”, o Município ofereceu um exemplar a cada um dos presentes.
A apresentação do livro “Vidas com Rostos” marcou o arranque do Festival Sénior “Reencontros de Memórias e Saberes”, que o Município de Esposende, em colaboração com os Parceiros da Rede Social do concelho, leva a efeito de hoje até 4 de outubro, com o objetivo de assinalar o 5.º aniversário do Programa “Envelhecimento Ativo”.
O livro, cuja sessão de apresentação decorreu no Auditório Municipal de Esposende, apresenta o registo fotográfico de algumas das várias iniciativas que têm vindo a ser desenvolvidas ao longo dos cinco anos de existência deste programa, promovido no âmbito da Rede Social, evidenciando as vivências dos participantes e retratando a dinâmica intergeracional e o envolvimento com a comunidade.
“Estamos num Município de excelência em relação à dinâmica desenvolvida em torno da pessoa idosa”, afirmou o Presidente da Câmara Municipal de Esposende na sessão de apresentação, onde marcou também presença a Vereadora da Coesão Social, Raquel Vale, e Carla Faria, Coordenadora da Licenciatura em Gerontologia do Instituto Politécnico de Viana do Castelo. Benjamim Pereira referiu que o Município tem vindo a desenvolver um conjunto muito diversificado de atividades para a comunidade sénior com o objetivo de contribuir para um envelhecimento ativo e notou, com satisfação, que a adesão tem vindo a aumentar.
“Vocês são verdadeiramente importantes para o Município”, afirmou o Autarca dirigindo-se à vasta plateia de seniores, garantindo que o Município continuará a valorizar os idosos e a proporcionar-lhes iniciativas que contribuam para um envelhecimento ativo, e referiu que essa aposta será até para reforçar, atendendo a que esta franja da população tem tendência a aumentar, refletindo a tendência nacional.
Desafiando os idosos a “viver de forma p
lena, a viver a vida com alegria”, convidou-os a participarem e a usufruírem das atividades que o Município, em conjunto com os demais Parceiros da Rede Social, desenvolve nos mais variados domínios, exortando-os, ainda, a transmitirem a sua “escola de vida” aos mais novos, não só pelo saber acumulado, mas também pelo exemplo de vida. Terminou com agradecimentos aos idosos do concelho pelo seu contributo para o desenvolvimento do concelho, dizendo mesmo “por me ajudarem a gerir melhor este Município”.
A Vereadora da Coesão Social fez o enquadramento do Festival Sénior, assinalando que a sua realização está também associada à comemoração do Dia Internacional da Pessoa Idosa, que se assinala a 1 de outubro. Raquel Vale realçou que o Programa “Envelhecimento Ativo” tem vindo a ser desenvolvido, desde 2012, em estreita colaboração com os Parceiros da Rede Social, num efetivo trabalho em rede, que torna a oferta a esta faixa etária mais diversificada, com a vantagem de se rentabilizarem recursos locais, se concertarem estratégias com vista ao mesmo objetivo, possibilitando aos mais velhos o acesso a um maior número de iniciativas, que proporcionam o reforço das relações interpessoais.
Por sua vez, Carla Faria, Coordenadora da Licenciatura em Gerontologia do Instituto Politécnico de Viana do Castelo, elogiou o Programa considerando que contribui, de forma efetiva, para um envelhecimento ativo. Dirigindo-se aos idosos, exortou-os a participarem e a envolverem-se nas atividades, e frisou que, entre outras virtudes, o Programa também promove a intergeracionalidade e a inclusão social.
Como forma de homenagear os idosos, muitos dos quais estão retratados no livro “Vidas com Rostos”, o Município ofereceu um exemplar a cada um dos presentes.
28.9.15
E no princípio estavam as avós
Sarah Kaplan, in Público on-line
A antropóloga Kristen Hawkes tem vindo a estudar o papel das avós na sociedade humana e nas espécies que nos são mais próximas. E conclui que é por causa da existência destas cuidadoras extremadas que temos evoluído para a monogamia, uma tese que colhe discórdia entre os antropólogos
Pub
O que fazem as avós? Alimentam-nos, dão-nos mimos e estão constantemente a dar-nos a volta com perguntas sobre o nosso estado amoroso. Mas às avós pode também estar reservado outro papel, pelo menos de acordo com a antropóloga Kristen Hawkes, que diz serem elas a força motriz por detrás da evolução de grande parte da sociedade humana.
Hawkes, especialista em evolução humana e biologia social na Universidade do Utah, é autora de vários estudos sobre a “hipótese avó”, na qual defende que muitas das características que nos distinguem dos nossos antepassados macacos se devem ao papel de cuidadoras extremadas que são as mães das nossas mães. No último estudo, que foi publicado há uma semana na Proceedings of the National Academy of Sciences (também conhecido como PNAS, a revista científica da Academia Nacional de Ciências dos Estados Unidos), Hawkes e os outros co-autores explicam como a “instituição avó” é um factor crucial na disseminação da monogamia.
A explicação tradicional da evolução humana diz que, quando as avós começaram a ajudar a criar os netos, as filhas ficaram libertas para procriar mais e em períodos mais curtos de tempo. Essas avós de longa duração acabaram por ter mais netos e estes, por sua vez, acabaram por herdar os genes dessa longevidade e assim ajudaram ao aumento da esperança de vida.
O homem, por sua vez, aproveitou as vantagens de ter uma vida mais longa e de passar a usufruir de redes sociais mais alargadas e optou pelo acasalamento com uma única mulher, e daí as relações humanas se terem tornado monogâmicas. Não admira que sejam sempre as avós a lembrar-nos de que ainda não casámos!
A sequência de eventos que liga a existência das avós à relação monogâmica pode ser rebuscada mas é sem dúvida atractiva. Começa, como defende Hawkes, com um povo do Norte da Tanzânia, os Hadza. A antropóloga começou a estudar os Hadza no anos 1980. São dos últimos caçadores-recolectores do mundo e desde há dezenas de milhares de anos que mantêm o mesmo estilo de vida. Não se dedicam à agricultura mas à caça, à imagem do que já faziam os seus antepassados, e são por isso uma raríssima janela aberta sobre o passado pré-histórico do homem, como justifica a antropóloga.
Uma das muitas coisas que tanto Hawkes como os seus colegas acabaram por concluir é que as anciãs do povo Hadza eram “fantásticas recolectoras de tubérculos”, diz a antropóloga. “Era nas mãos delas que estava a tarefa de encontrar este precioso recurso alimentício. Para os mais pequenos, precisamente por serem ainda pequenos, seria difícil descobrir os tubérculos, mas elas faziam-no e davam-nos a comer às crianças.” Para nós, que temos avós que insistem em encher-nos o estômago sempre que as visitamos, esta ideia pode parecer até mundana. Mas foi uma espécie de momento “eureka” para Hawkes.
Como qualquer documentário sobre natureza pode atestar, as prioridades no mundo animal são: 1.) procurar alimento; 2.) procurar companheiro. Dito isto, percebe-se que, no mundo animal, a presença de uma fêmea na comunidade já depois de ter passado o seu tempo fértil é uma anomalia. Entre os primatas, os humanos são a única espécie que continua a viver para além da menopausa. A possibilidade de procriar é o que comanda a evolução de uma espécie e não há qualquer razão evolucionista válida que justifique a permanência de elementos femininos que há muito passaram o seu apogeu como reprodutoras. A não ser, como sugere Hawkes, que passem ao papel de avós.
Em 1997, Hawkes e os seus colegas antropólogos James O’Connell e Nicholas Blurton Jones publicaram um estudo no jornal Current Anthropology no qual defendiam que a esperança de vida na mulher tem aumentado e evoluído na medida em que foram desenvolvendo um papel mais significativo enquanto cuidadoras dos mais novos. Com uma mãe-avó por perto, a filha podia ter mais crianças e com gravidezes mais próximas, pois, ao invés de esperar que o mais novo cresça e seja independente até ter o próximo, contava já com essa preciosa ajuda (entre os primatas, os humanos são também os únicos que dão à luz uma segunda cria antes de a primeira estar completamente desenvolvida).
Quando começamos a levar a sério esta ‘hipótese avó’ é espantoso o quanto ela nos pode transmitir [sobre a vida em sociedade]”
Quanto mais uma mulher viva além do seu apogeu reprodutor, mais netos terá a possibilidade de vir a criar. Quer isto dizer que as avós de longa duração acabaram por ter descendências mais alargadas e também a possibilidade de disseminar os seus genes da longevidade. O resultado ao longo de milénios foi que a esperança de vida da mulher para além da idade fértil multiplicou-se por décadas.
Em 2012, Hawkes esteve a trabalhar com uma especialista australiana em estatística para arranjar um modelo matemático para estudar este processo. E chegaram ambas à conclusão de que ao longo de 60 mil anos as avós quase conseguiram duplicar a esperança média de vida por comparação com os nossos primos macacos mais próximos. Com este resultado — humanos que vivem muitos mais anos do que alguma vez aconteceu na história da evolução humana —, Hawkes fez-se esta pergunta: então e o que se passa com os homens?
Ao contrário da mulher, a fertilidade masculina não entra em declínio por volta dos 40 anos. Significa isto que as sociedades humanas têm tido muito mais homens férteis do que mulheres com quem estes possam acasalar. E isto foi uma grande mudança desde as sociedades matriarcais dos nossos antepassados e familiares primatas, nas quais normalmente o número de fêmeas em idade fértil ultrapassava o dos machos (numa linguagem das ciências da natureza, os machos tendiam a passar mais tempo a caçar e na luta, correndo por isso muito mais riscos de morrer prematuramente).
Há três modos de os machos maximizarem a sua descendência de acordo com aquilo que manda a natureza, e que é o prolongamento da espécie: podem tentar acasalar com o maior numero possível de fêmeas; podem ficar com uma só fêmea e tentar impedir que outros machos se aproximem dela; ou podem ainda investir tempo e recursos na educação das crias que já tenham. Na maioria das espécies, o que se verifica é que os machos optam pela primeira situação já que a “senhora” engravida e depois fica a tomar conta da “ninhada”. É por isso que os bonobos, ou chimpanzés-pigmeus — os nossos parentes mais próximos — , têm taxas astronómicas de interacções sexuais.
Se olharmos para o caso masculino, no rácio de adultos em idade fértil, o papel de Don Juan pode tornar-se mais arriscado. Por serem altamente competitivos, “para eles, a vantagem acaba por ser manterem vigilância sobre as mulheres que já têm”, como diz Hawkes. Para estes homens de longa duração, acasalar para a vida, manter e proteger uma só mulher e os seus filhos acabou por se tornar uma vantagem da evolução. E foi assim que nasceu a relação monogâmica, como sustentam Hawkes e os seus colegas no estudo agora publicado no PNAS.
A “hipótese avó”, acreditam Hawkes e os seus colegas, pode ainda revelar outras qualidades humanas únicas: aumento do tamanho do cérebro (porque quem vive mais anos pode dedicar mais tempo à aprendizagem e retirar daí as respectivas recompensas); comunidades mais complexas (porque educar uma criança deixou de ser uma tarefa independente para passar a ser um esforço conjunto); maiores indíces de competitividade (promovidas precisamente pelo aumento do tamanho do cérebro e pelas comunidades mais alargadas); e até empatia (porque redes sociais mais extensas requerem de todos nós uma evolução no sentido do respeito e compreensão pelo outro).
“Quando começamos a levar a sério esta ‘hipótese avó’ é espantoso o quanto ela nos pode transmitir [sobre a vida em sociedade]”, diz Hawkes. “É uma fonte verdadeiramente rica para tantas outras actividades.”
Nem toda a gente está de acordo sobre a “hipótese avó”, bastante controversa no mundo da antropologia. Muitos estudos têm defendido que, para a evolução humana, o contributo das avós é insuficiente para justificar o crescimento tremendo da longevidade humana. Outros estudos lembram que a hipótese de Hawkes descura o papel dos elementos masculinos das comunidades caçadoras-recolectoras, incluindo os próprios Hadza, de que são os homens o garante da maior parte da alimentação dos mais novos do grupo.
Há uma teoria sobre a menopausa que compete com a de Hawkes mas defende que a mesma se deve ao conflito entre as mulheres de diferentes gerações. Noutras espécies, como por exemplo nos elefantes, as fêmeas mais jovens suprimem a sua fertilidade enquanto houver fêmeas mais velhas a procriar, de modo a não entrarem em competição directa na busca de segurança ou de alimentos.
Hawkes refuta estas teses argumentando que a “hipótese avó” é desconfortável para muitos cientistas simplesmente porque vira do avesso as crenças arreigadas sobre as sociedades humanas. “A cartilha que nos é contada” sobre monogamia, como diz esta antropóloga, é que ela começa no seio de famílias nucleares e relações duradouras e estáveis. Se essas relações estivessem para durar, então as mulheres mais depressa estariam disponíveis para acasalar com os melhores machos caçadores de forma a que comunidades mais alargadas e inteligentes se pudessem formar.
“Já conhecemos de gingeira a história do Ozzie & Harriet e do Leave it to Beaver [séries americanas sobre a vida familiar dos anos 1950]”, diz Hawkes, não sendo por isso de estranhar que os antropólogos tomem os seus exemplos por garantidos.
O que a “hipótese avó” sugere é que a monogamia pode não ser uma qualidade inata porque na narrativa desta antropóloga ela é estudada ao longo dos tempos e apresentada como resposta às circunstâncias de cada momento, tal qual outra adaptação do humano à evolução. Talvez as conclusões a que chega possam não ser particularmente românticas, mas ainda assim pode vir a ser uma hipótese a ter em conta. Tentem perguntar à vossa avó na próxima vez que elas vos ligar.
Exclusivo PÚBLICO/The Washington Post
A antropóloga Kristen Hawkes tem vindo a estudar o papel das avós na sociedade humana e nas espécies que nos são mais próximas. E conclui que é por causa da existência destas cuidadoras extremadas que temos evoluído para a monogamia, uma tese que colhe discórdia entre os antropólogos
Pub
O que fazem as avós? Alimentam-nos, dão-nos mimos e estão constantemente a dar-nos a volta com perguntas sobre o nosso estado amoroso. Mas às avós pode também estar reservado outro papel, pelo menos de acordo com a antropóloga Kristen Hawkes, que diz serem elas a força motriz por detrás da evolução de grande parte da sociedade humana.
Hawkes, especialista em evolução humana e biologia social na Universidade do Utah, é autora de vários estudos sobre a “hipótese avó”, na qual defende que muitas das características que nos distinguem dos nossos antepassados macacos se devem ao papel de cuidadoras extremadas que são as mães das nossas mães. No último estudo, que foi publicado há uma semana na Proceedings of the National Academy of Sciences (também conhecido como PNAS, a revista científica da Academia Nacional de Ciências dos Estados Unidos), Hawkes e os outros co-autores explicam como a “instituição avó” é um factor crucial na disseminação da monogamia.
A explicação tradicional da evolução humana diz que, quando as avós começaram a ajudar a criar os netos, as filhas ficaram libertas para procriar mais e em períodos mais curtos de tempo. Essas avós de longa duração acabaram por ter mais netos e estes, por sua vez, acabaram por herdar os genes dessa longevidade e assim ajudaram ao aumento da esperança de vida.
O homem, por sua vez, aproveitou as vantagens de ter uma vida mais longa e de passar a usufruir de redes sociais mais alargadas e optou pelo acasalamento com uma única mulher, e daí as relações humanas se terem tornado monogâmicas. Não admira que sejam sempre as avós a lembrar-nos de que ainda não casámos!
A sequência de eventos que liga a existência das avós à relação monogâmica pode ser rebuscada mas é sem dúvida atractiva. Começa, como defende Hawkes, com um povo do Norte da Tanzânia, os Hadza. A antropóloga começou a estudar os Hadza no anos 1980. São dos últimos caçadores-recolectores do mundo e desde há dezenas de milhares de anos que mantêm o mesmo estilo de vida. Não se dedicam à agricultura mas à caça, à imagem do que já faziam os seus antepassados, e são por isso uma raríssima janela aberta sobre o passado pré-histórico do homem, como justifica a antropóloga.
Uma das muitas coisas que tanto Hawkes como os seus colegas acabaram por concluir é que as anciãs do povo Hadza eram “fantásticas recolectoras de tubérculos”, diz a antropóloga. “Era nas mãos delas que estava a tarefa de encontrar este precioso recurso alimentício. Para os mais pequenos, precisamente por serem ainda pequenos, seria difícil descobrir os tubérculos, mas elas faziam-no e davam-nos a comer às crianças.” Para nós, que temos avós que insistem em encher-nos o estômago sempre que as visitamos, esta ideia pode parecer até mundana. Mas foi uma espécie de momento “eureka” para Hawkes.
Como qualquer documentário sobre natureza pode atestar, as prioridades no mundo animal são: 1.) procurar alimento; 2.) procurar companheiro. Dito isto, percebe-se que, no mundo animal, a presença de uma fêmea na comunidade já depois de ter passado o seu tempo fértil é uma anomalia. Entre os primatas, os humanos são a única espécie que continua a viver para além da menopausa. A possibilidade de procriar é o que comanda a evolução de uma espécie e não há qualquer razão evolucionista válida que justifique a permanência de elementos femininos que há muito passaram o seu apogeu como reprodutoras. A não ser, como sugere Hawkes, que passem ao papel de avós.
Em 1997, Hawkes e os seus colegas antropólogos James O’Connell e Nicholas Blurton Jones publicaram um estudo no jornal Current Anthropology no qual defendiam que a esperança de vida na mulher tem aumentado e evoluído na medida em que foram desenvolvendo um papel mais significativo enquanto cuidadoras dos mais novos. Com uma mãe-avó por perto, a filha podia ter mais crianças e com gravidezes mais próximas, pois, ao invés de esperar que o mais novo cresça e seja independente até ter o próximo, contava já com essa preciosa ajuda (entre os primatas, os humanos são também os únicos que dão à luz uma segunda cria antes de a primeira estar completamente desenvolvida).
Quando começamos a levar a sério esta ‘hipótese avó’ é espantoso o quanto ela nos pode transmitir [sobre a vida em sociedade]”
Quanto mais uma mulher viva além do seu apogeu reprodutor, mais netos terá a possibilidade de vir a criar. Quer isto dizer que as avós de longa duração acabaram por ter descendências mais alargadas e também a possibilidade de disseminar os seus genes da longevidade. O resultado ao longo de milénios foi que a esperança de vida da mulher para além da idade fértil multiplicou-se por décadas.
Em 2012, Hawkes esteve a trabalhar com uma especialista australiana em estatística para arranjar um modelo matemático para estudar este processo. E chegaram ambas à conclusão de que ao longo de 60 mil anos as avós quase conseguiram duplicar a esperança média de vida por comparação com os nossos primos macacos mais próximos. Com este resultado — humanos que vivem muitos mais anos do que alguma vez aconteceu na história da evolução humana —, Hawkes fez-se esta pergunta: então e o que se passa com os homens?
Ao contrário da mulher, a fertilidade masculina não entra em declínio por volta dos 40 anos. Significa isto que as sociedades humanas têm tido muito mais homens férteis do que mulheres com quem estes possam acasalar. E isto foi uma grande mudança desde as sociedades matriarcais dos nossos antepassados e familiares primatas, nas quais normalmente o número de fêmeas em idade fértil ultrapassava o dos machos (numa linguagem das ciências da natureza, os machos tendiam a passar mais tempo a caçar e na luta, correndo por isso muito mais riscos de morrer prematuramente).
Há três modos de os machos maximizarem a sua descendência de acordo com aquilo que manda a natureza, e que é o prolongamento da espécie: podem tentar acasalar com o maior numero possível de fêmeas; podem ficar com uma só fêmea e tentar impedir que outros machos se aproximem dela; ou podem ainda investir tempo e recursos na educação das crias que já tenham. Na maioria das espécies, o que se verifica é que os machos optam pela primeira situação já que a “senhora” engravida e depois fica a tomar conta da “ninhada”. É por isso que os bonobos, ou chimpanzés-pigmeus — os nossos parentes mais próximos — , têm taxas astronómicas de interacções sexuais.
Se olharmos para o caso masculino, no rácio de adultos em idade fértil, o papel de Don Juan pode tornar-se mais arriscado. Por serem altamente competitivos, “para eles, a vantagem acaba por ser manterem vigilância sobre as mulheres que já têm”, como diz Hawkes. Para estes homens de longa duração, acasalar para a vida, manter e proteger uma só mulher e os seus filhos acabou por se tornar uma vantagem da evolução. E foi assim que nasceu a relação monogâmica, como sustentam Hawkes e os seus colegas no estudo agora publicado no PNAS.
A “hipótese avó”, acreditam Hawkes e os seus colegas, pode ainda revelar outras qualidades humanas únicas: aumento do tamanho do cérebro (porque quem vive mais anos pode dedicar mais tempo à aprendizagem e retirar daí as respectivas recompensas); comunidades mais complexas (porque educar uma criança deixou de ser uma tarefa independente para passar a ser um esforço conjunto); maiores indíces de competitividade (promovidas precisamente pelo aumento do tamanho do cérebro e pelas comunidades mais alargadas); e até empatia (porque redes sociais mais extensas requerem de todos nós uma evolução no sentido do respeito e compreensão pelo outro).
“Quando começamos a levar a sério esta ‘hipótese avó’ é espantoso o quanto ela nos pode transmitir [sobre a vida em sociedade]”, diz Hawkes. “É uma fonte verdadeiramente rica para tantas outras actividades.”
Nem toda a gente está de acordo sobre a “hipótese avó”, bastante controversa no mundo da antropologia. Muitos estudos têm defendido que, para a evolução humana, o contributo das avós é insuficiente para justificar o crescimento tremendo da longevidade humana. Outros estudos lembram que a hipótese de Hawkes descura o papel dos elementos masculinos das comunidades caçadoras-recolectoras, incluindo os próprios Hadza, de que são os homens o garante da maior parte da alimentação dos mais novos do grupo.
Há uma teoria sobre a menopausa que compete com a de Hawkes mas defende que a mesma se deve ao conflito entre as mulheres de diferentes gerações. Noutras espécies, como por exemplo nos elefantes, as fêmeas mais jovens suprimem a sua fertilidade enquanto houver fêmeas mais velhas a procriar, de modo a não entrarem em competição directa na busca de segurança ou de alimentos.
Hawkes refuta estas teses argumentando que a “hipótese avó” é desconfortável para muitos cientistas simplesmente porque vira do avesso as crenças arreigadas sobre as sociedades humanas. “A cartilha que nos é contada” sobre monogamia, como diz esta antropóloga, é que ela começa no seio de famílias nucleares e relações duradouras e estáveis. Se essas relações estivessem para durar, então as mulheres mais depressa estariam disponíveis para acasalar com os melhores machos caçadores de forma a que comunidades mais alargadas e inteligentes se pudessem formar.
“Já conhecemos de gingeira a história do Ozzie & Harriet e do Leave it to Beaver [séries americanas sobre a vida familiar dos anos 1950]”, diz Hawkes, não sendo por isso de estranhar que os antropólogos tomem os seus exemplos por garantidos.
O que a “hipótese avó” sugere é que a monogamia pode não ser uma qualidade inata porque na narrativa desta antropóloga ela é estudada ao longo dos tempos e apresentada como resposta às circunstâncias de cada momento, tal qual outra adaptação do humano à evolução. Talvez as conclusões a que chega possam não ser particularmente românticas, mas ainda assim pode vir a ser uma hipótese a ter em conta. Tentem perguntar à vossa avó na próxima vez que elas vos ligar.
Exclusivo PÚBLICO/The Washington Post
22.7.13
Famalicão: Crianças e Jovens das Lameiras participam em 'Caça ao Tesouro'
in Correio do Minho
Realizou-se a atividade Caça ao Tesouro no Parque da Devesa, no âmbito do grupo de trabalho Interconcelhio Infância e Juventude da Rede Europeia Anti-Pobreza - EAPN Braga, que promove o intercambio de crianças e jovens entre as diferentes instituições de vários concelhos. Esta atividade foi dinamizada pelas duas instituições de Vila Nova de Famalicão que se fazem representar na EAPN, a Associação de Moradores das Lameiras e Associação Gerações, contando com o apoio do Centro de Estudos e Atividades Ambientais - CEAB do Parque da Devesa. Marcaram presença nesta atividade instituições de Vila Nova de Famalicão, Amares, Vizela e Braga.
Cerca de 150 crianças, jovens e idosos exploraram o parque, responderam a questões relacionadas com o parque, questões de cultura geral e conhecimento, e durante o percurso realizaram diversas atividades, dinamizadas pelas instituições presentes, Associação Valoriza, Projeto T3tris, Centro Social e Paroquial de Sta. Eulália - Vizela, Associação Gerações, Associação de Moradores das Lameiras, e algumas participações 'extra' que prontamente se mostraram disponíveis para colaborar, como a YUPI - Youth Union Of People With Initiative Associação para o Desenvolvimento Social e Comunitário de Vila Nova de Famalicão, a Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários de Vila Nova de Famalicão e pela PSP de Famalicão.
O Edifício das Lameiras foi representado e muito bem, com uma equipa que completou todo o circuito proposto, contagiando todos com a sua animação, simpatia e claro o seu querer e vontade de completar toda a prova, conseguindo assim terminar todas as atividades propostas com balanço muito positivo, passando-se assim uma tarde divertida e de muita alegria e boa disposição.
Esta iniciativa tinha como principais objetivos o intercâmbio entre as instituições e entre os jovens das várias instituições e localidades, promover a intergeracionalidade, a responsabilidade ambiental, a participação social e cívica, a assertividade, a resiliência e o respeito pelo próximo. No balanço final, os dinamizadores mostravam-se satisfeitos pois foram alcançados todos os objetivos, sendo visível a satisfação de todos os que nela participaram.
Realizou-se a atividade Caça ao Tesouro no Parque da Devesa, no âmbito do grupo de trabalho Interconcelhio Infância e Juventude da Rede Europeia Anti-Pobreza - EAPN Braga, que promove o intercambio de crianças e jovens entre as diferentes instituições de vários concelhos. Esta atividade foi dinamizada pelas duas instituições de Vila Nova de Famalicão que se fazem representar na EAPN, a Associação de Moradores das Lameiras e Associação Gerações, contando com o apoio do Centro de Estudos e Atividades Ambientais - CEAB do Parque da Devesa. Marcaram presença nesta atividade instituições de Vila Nova de Famalicão, Amares, Vizela e Braga.
Cerca de 150 crianças, jovens e idosos exploraram o parque, responderam a questões relacionadas com o parque, questões de cultura geral e conhecimento, e durante o percurso realizaram diversas atividades, dinamizadas pelas instituições presentes, Associação Valoriza, Projeto T3tris, Centro Social e Paroquial de Sta. Eulália - Vizela, Associação Gerações, Associação de Moradores das Lameiras, e algumas participações 'extra' que prontamente se mostraram disponíveis para colaborar, como a YUPI - Youth Union Of People With Initiative Associação para o Desenvolvimento Social e Comunitário de Vila Nova de Famalicão, a Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários de Vila Nova de Famalicão e pela PSP de Famalicão.
O Edifício das Lameiras foi representado e muito bem, com uma equipa que completou todo o circuito proposto, contagiando todos com a sua animação, simpatia e claro o seu querer e vontade de completar toda a prova, conseguindo assim terminar todas as atividades propostas com balanço muito positivo, passando-se assim uma tarde divertida e de muita alegria e boa disposição.
Esta iniciativa tinha como principais objetivos o intercâmbio entre as instituições e entre os jovens das várias instituições e localidades, promover a intergeracionalidade, a responsabilidade ambiental, a participação social e cívica, a assertividade, a resiliência e o respeito pelo próximo. No balanço final, os dinamizadores mostravam-se satisfeitos pois foram alcançados todos os objetivos, sendo visível a satisfação de todos os que nela participaram.
12.7.13
Crianças mandam cartas de boas férias a idosos de São José
Raquel Trindade, in Jornal de Notícias
As crianças da Escola Básica de São José, em Lisboa, estão a escrever cartas informais aos idosos da freguesia, no âmbito do programa de intercâmbio entre gerações, que pretende estabelecer relações próximas entre a comunidade.
A iniciativa pretende ocupar as crianças durante as férias, por um lado contribuindo para o treino da escrita e caligrafia e, por outro, manter o contacto entre os mais novos e os mais velhos durante a pausa letiva.
Mais de 60 cartas serão enviadas nos próximos dias, com votos de "boas férias" e promessas de retomarem um contacto mais direto no regresso às aulas. "Boas férias e espero ter notícias vossas", escrevem as crianças.
Os autores das cartas apresentam-se e falam dos seus gostos, convidando os idosos a responderem . "Quem és tu?" lê-se numa carta escrita pela Beatriz, de oito anos.
Vasco Morgado, presidente da Junta de Freguesia de São José, refere que este projeto procura reforçar o "encontro geracional". "As crianças estão mais habituadas ao email, mas como os idosos não têm computador, optámos pela via tradicional das cartas", explica o autarca.
Lisboa apresenta um crescente peso da faixa etária mais idosa, segundo os censos dos últimos 50 anos.
As crianças da Escola Básica de São José, em Lisboa, estão a escrever cartas informais aos idosos da freguesia, no âmbito do programa de intercâmbio entre gerações, que pretende estabelecer relações próximas entre a comunidade.
A iniciativa pretende ocupar as crianças durante as férias, por um lado contribuindo para o treino da escrita e caligrafia e, por outro, manter o contacto entre os mais novos e os mais velhos durante a pausa letiva.
Mais de 60 cartas serão enviadas nos próximos dias, com votos de "boas férias" e promessas de retomarem um contacto mais direto no regresso às aulas. "Boas férias e espero ter notícias vossas", escrevem as crianças.
Os autores das cartas apresentam-se e falam dos seus gostos, convidando os idosos a responderem . "Quem és tu?" lê-se numa carta escrita pela Beatriz, de oito anos.
Vasco Morgado, presidente da Junta de Freguesia de São José, refere que este projeto procura reforçar o "encontro geracional". "As crianças estão mais habituadas ao email, mas como os idosos não têm computador, optámos pela via tradicional das cartas", explica o autarca.
Lisboa apresenta um crescente peso da faixa etária mais idosa, segundo os censos dos últimos 50 anos.
26.11.12
«Intergeracionalidades» é tema de seminário em Setúbal
in Rostos
no âmbito do Ano Europeu do Envelhecimento Ativo e da Solidariedade entre Gerações 2012
“Intergeracionalidades” é o tema de um seminário que se realiza no dia 21, no Auditório Municipal Charlot, em Setúbal, no âmbito do Ano Europeu do Envelhecimento Ativo e da Solidariedade entre Gerações 2012.
Neste encontro, uma iniciativa do Observatório Sénior, organizado pela Câmara Municipal, Universidade Sénior de Setúbal (UNISETI) e Instituto Politécnico de Setúbal (IPS), diversos profissionais contribuem para a dinamização de painéis temáticos, todos seguidos de debate.
A sessão de abertura, marcada para as 10h00, conta com a presença do presidente do IPS, Armando Pires, do reitor da UNISETI, Brissos Lino, e da coordenadora do Ano Europeu do Envelhecimento Ativo, Joaquina Madeira.
“O imperativo social da intergeracionalidade” é o primeiro e único painel da manhã, com início às 11h00, em que participam Stella António, do Instituto Superior das Ciências Sociais e Políticas da Universidade Técnica de Lisboa, e Maria João Quintela, do Observatório do Envelhecimento e da Natalidade.
Da parte da tarde, os trabalhos começam às 14h30, para apresentação do painel “O idadismo como obstáculo intergeracional”, por Sibila Marques, do Instituto Superior de Ciências do Trabalho e da Empresa.
Segue-se, às 15h30, “Respostas de sucesso”, com Ana Bordeira, do Centro Comunitário de S. Sebastião, e Ana Paula Leiria, do Centro de Cidadania Ativa.
Após cada debate dos painéis do período tarde, há animação pelo Grupo EnvelheSeres, cabendo o encerramento do seminário, cerca das 16h30, à presidente da Câmara Municipal, Maria das Dores Meira, ao reitor da UNISETI, Brissos Lino, e, em representação do Observatório Sénior, José Rebelo.
no âmbito do Ano Europeu do Envelhecimento Ativo e da Solidariedade entre Gerações 2012
“Intergeracionalidades” é o tema de um seminário que se realiza no dia 21, no Auditório Municipal Charlot, em Setúbal, no âmbito do Ano Europeu do Envelhecimento Ativo e da Solidariedade entre Gerações 2012.
Neste encontro, uma iniciativa do Observatório Sénior, organizado pela Câmara Municipal, Universidade Sénior de Setúbal (UNISETI) e Instituto Politécnico de Setúbal (IPS), diversos profissionais contribuem para a dinamização de painéis temáticos, todos seguidos de debate.
A sessão de abertura, marcada para as 10h00, conta com a presença do presidente do IPS, Armando Pires, do reitor da UNISETI, Brissos Lino, e da coordenadora do Ano Europeu do Envelhecimento Ativo, Joaquina Madeira.
“O imperativo social da intergeracionalidade” é o primeiro e único painel da manhã, com início às 11h00, em que participam Stella António, do Instituto Superior das Ciências Sociais e Políticas da Universidade Técnica de Lisboa, e Maria João Quintela, do Observatório do Envelhecimento e da Natalidade.
Da parte da tarde, os trabalhos começam às 14h30, para apresentação do painel “O idadismo como obstáculo intergeracional”, por Sibila Marques, do Instituto Superior de Ciências do Trabalho e da Empresa.
Segue-se, às 15h30, “Respostas de sucesso”, com Ana Bordeira, do Centro Comunitário de S. Sebastião, e Ana Paula Leiria, do Centro de Cidadania Ativa.
Após cada debate dos painéis do período tarde, há animação pelo Grupo EnvelheSeres, cabendo o encerramento do seminário, cerca das 16h30, à presidente da Câmara Municipal, Maria das Dores Meira, ao reitor da UNISETI, Brissos Lino, e, em representação do Observatório Sénior, José Rebelo.
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