4.7.23

Os trabalhadores inesperados que os hotéis portugueses estão a empregar: matemáticos, engenheiros, atrizes ou mesmo vaqueiros

Conceição Antunes, in Expresso


Num sector em crescimento, os hotéis estão a contratar pessoas com profissões inusitadas para a área, vindas de mundos diversos, da ciência às artes, da tecnologia à agricultura, entre outros. Histórias de quem encontrou uma segunda oportunidade de carreira, ou nunca imaginou “trabalhar em turismo”


Foi um trabalhador escolhido a dedo, pela sua experiência, num ofício pouco comum para um grupo de raiz hoteleira - mas que está apostado em fazer pontes com o mundo rural. José Candeias, vaqueiro desde sempre, foi contratado pela Vila Galé para tratar das vacas em pasto na sua herdade alentejana que integra três hotéis. Pela primeira vez tem de lidar no seu trabalho com constantes visitas de turistas. “É muito movimento aqui, normalmente os pastores e vaqueiros gostam de estar sossegados, mas os animais já se habituaram”, nota

O Expresso contactou uma série de trabalhadores com perfil ‘fora da caixa’ contratados a tempo inteiro pelos dois maiores grupos hoteleiros em Portugal - Pestana e Vila Galé - cujos capitais são exclusivamente nacionais, empregam no país cerca de 5 mil pessoas, e têm, no conjunto, mais de uma centena e meia de hotéis.


Numa realidade extensível a outros grupos hoteleiros nacionais, o que se constata é que o turismo está de forma crescente a contratar profissionais de diferentes áreas, quer porque a operação hoteleira está a expandir-se e absorve pessoas com os mais variados perfis, porque o contratado não encontra alternativas com a formação de base ou ainda porque a acelerada transição tecnológica nos hotéis obriga a recrutar trabalhadores que há uns anos eram impensáveis no sector, como matemáticos, engenheiros ou especialistas em sistemas digitais, conforme explica o presidente executivo do grupo Pestana, José Theotónio.

“O perfil das pessoas que têm entrado para os nossos departamentos é muito diferente do que até há uns anos precisávamos para estas áreas. Temos hoje um engenheiro aeroespacial na área comercial, ou uma senhora formada em medicina molecular na área de revenue management (gestão de preços). Há aqui de tudo”, exemplifica o CEO do grupo Pestana.

“Por outro lado, temos visto chegar às áreas operacionais pessoas com formações muito distantes da hotelaria, que conseguimos formar internamente e se tornam bons profissionais, trazendo até um refrescamento às equipas”, nota José Theotónio. “O mais importante é terem a atitude correta, o gosto em contactar com clientes e vontade de aprender”.

UMA ATRIZ A DIRIGIR O HOTEL PESTANA CR7 NA MADEIRA

Um caso emblemático é o de Alexandra Viveiros, de 37 anos, atriz formada em interpretação pela Escola Superior de Teatro e Cinema, que fez parte do elenco de peças no Teatro Nacional D. Maria II (como ‘Esta Noite Improvisa-se’, de Luigi Pirandello) e é atualmente diretora do hotel Pestana CR7 no Funchal.

“A hotelaria é como um teatro: existe a cena, existe o palco, tudo é feito para proporcionar ao hóspede uma experiência de vida que possa ser única”, descreve Alexandra Viveiros. “Há também toda a estrutura de serviço, que para mim é o backstage de um espetáculo, a alegria do show must go on. O que se faz num teatro é de facto muito semelhante ao que se faz em operação hoteleira”.

“Tenho o privilégio de poder trabalhar todos os dias artisticamente”, resume a atriz, lembrando estar a dirigir “um hotel com um conceito mais jovem, ligado à grande figura do Cristiano Ronaldo", que, como ela, também é madeirense.

O serviço no Pestana CR7, onde Cristiano Ronaldo vai “bastantes vezes”, carateriza-se por seguir uma linha de turismo de padrão alto mas "descontraído, com muitos detalhes entre as várias unidades. Por exemplo, o ‘check in’ no hotel do Funchal é feito com as pessoas sentadas num sofá”.

“Temos de ser um bocadinho personas no quotidiano de trabalho, é o que eu gosto de transmitir às minhas equipas, e trago isso do teatro”, destaca Alexandra Viveiros. As performances também têm um lugar especial nos eventos que organiza no hotel. “É o know-how que trago das artes, e esta marca permite criar algo que tem mais a ver com espetáculo, numa linha de lifetsyte”

A atriz garante estar a trabalhar em hotelaria por vontade assumida, e não por falta de opções profissionais. Foi ela própria que, nos tempos em que vivia em Lisboa, concorreu à vaga de guest service manager do hotel Pestana CR7 que abriu na baixa em 2016, assumindo funções que descreve como “do tipo Relações Públicas: tratar de pedidos especiais de clientes VIP, e também da parte de eventos”.

A sua vontade de ‘voar’ para áreas complementares aos palcos já a tinha levado a uma passagem anterior pela aviação, em que trabalhou na Emirates Airlines no Dubai, no lounge de primeira classe, que tem um serviço de luxo a clientes “por contrato direto com o sheik”

Com a reabertura pós-pandemia, Alexandra Viveiros foi desafiada, em junho de 2021, a voltar à Madeira como diretora do CR7 Funchal. Segundo a atriz, que teve João Perry como padrinho de cena e Lia Gama como madrinha (cabendo-lhes dar as 'deixas' a quem está em primeira atuação), “isto na hotelaria também acontece". "O primeiro diretor foi para mim um grande padrinho ao passar-me o testemunho”, diz.

“Num hotel há procedimentos que para mim são como um guião. Mas temos de ser maleáveis, há sempre coisas que fogem ao guião, todos os dias acabam por ser um improviso”, frisa Alexandra Viveiros, garantindo levar isso com prazer. “Esta capacidade traz-se das artes de observação humana, o que é fundamental é gostar de pessoas”.

EX-JOGADOR DE FUTEBOL TORNA-SE DIRETOR DE F&B NA POUSADA DO PORTO

Já para Mauro Almeida, a entrada na hotelaria foi como uma segunda vida após dar por terminada a carreira de jogador profissional de futebol, durante a qual conquistou vários títulos. Aos 34 anos, decidiu parar “por opção”. "Mas sem deixar de pensar: “o que vou fazer agora?”

"Quando acabou a carreira no futebol, senti a necessidade de me requalificar. Em 2018 fiz um curso de empreendedorismo, o meu plano era criar um hostel ou uma unidade hoteleira, porque tinha alguma ligação com o que tinha feito tendo em conta os países por onde passei, a falar vários idiomas. Tudo isso desenvolveu em mim uma paixão", conta.

Foi a fazer esse curso que entrou como estagiário na Pousada de Portugal na sua terra-natal, Viseu, instalada no edifício que era o antigo hospital e maternidade da cidade - e onde ele próprio veio ao mundo. Durante um ano e meio assumiu funções de rececionista, após assinar contrato com o grupo Pestana em 2019.

“Nasço para uma nova vida profissional no lugar onde literalmente nasci”, constata Mauro Almeida. "Sou uma pessoa ambiciosa, e percebi desde o início que estava a entrar na maior equipa de Portugal na hotelaria".

Entretanto ocorreu a pandemia, que obrigou o pessoal a ir para casa. Na reabertura Mauro mudou para empregado de mesa, passando de segunda a primeira categoria. Um salto na carreira veio em maio de 2023, com a possibilidade de se candidatar internamente ao cargo de chefia de F&B (alimentação e bebidas) da Pousada do Porto na Rua das Flores, funções que hoje ocupa.

"Na posição em que estou, quero solidificar o meu trabalho, crescer dentro do grupo Pestana, onde estão sempre a surgir oportunidades, incluindo a mobilidade para trabalhar em hotéis no estrangeiro”, considera.

Mauro Almeida começou a jogar futebol aos nove anos - “até fui campeão nacional de juniores pelo FC Porto, em 1999, com o João Pinto como treinador” -, mais tarde assinou contrato com os dragões para integrar a equipa B de futebol profissional, “onde estava o Bruno Alves, o Ricardo Costa e o Tonel". "Sabia de antemão que não ia jogar, e isso é tudo o que queremos naquela idade.”

Por isso, decidiu ir para o Académico de Viseu, emprestado pelo FC Porto, passando depois pelo Sporting da Covilhã e pelo Estrela da Amadora. Em 2004 a sua carreira tornou-se internacional e jogou em cinco países: Holanda, Inglaterra, Irlanda, Bulgária e Angola (jogando no Recreativo do Libolo, campeã da supertaça em 2015).

“A minha vida foi andar de país para país, o que me deu capacidade para lidar com diferentes culturas”, faz notar. “Tenho bem presente que o futebol foi uma vida que eu tive, teve o seu término, e agora estou a criar raízes na hotelaria, onde estou a ir passo a passo e quero chegar mais além”.

Mauro também gosta de dar palestras sobre a sua história de vida, “para mostrar aos mais jovens a ilusão de pensar que qualquer jogador profissional de futebol tem muito dinheiro e a vida feita". E avisa: "a percentagem de jogadores que o consegue é muito pequena.”

“Ao fim da carreira, há que arregaçar as mangas e não ter medo de ir à luta, porque é isso que nos faz crescer”, defende. “Fui campeão de futebol em Portugal e em Angola, agora quero ser campeão na hotelaria."

ESPECIALISTA EM DESIGN PÕE AS PAREDES ‘A FALAR' NOS HOTÉIS VILA GALÉ

Da lista de 1750 trabalhadores que os hotéis Vila Galé têm em Portugal faz parte Olga Carmo, licenciada em design e com mestrado em cultura visual - constituindo um exemplo vivo que não é só por requalificação de funções que profissionais de diferentes áreas estão a chegar ao sector.

Olga Carmo foi contratada pela Vila Galé na perspetiva de trazer as suas qualificações especializadas para o grupo, dando corpo à aposta dos hotéis serem temáticos, onde ‘as paredes também falam’.

Poesia, literatura, música, pintura, cinema, reis de Portugal ou fortificações portuguesas no mundo são alguns dos temas dos hotéis Vila Galé distribuídos pelo país, onde nas paredes de cada quarto é narrada uma história diferente, numa solução gráfica a cargo de Olga Carmo.

Este trabalho começa pela “pesquisa sobre o tema proposto, passando depois por muitos desenhos e pinturas manuais e digitais, tratamento de imagens, composições e o enquadramento histórico e visual destes elementos”, explica a especialista em design.

“Acaba por ser decorativo e também didático. Transmitimos uma mensagem, é interessante que quem nos visita saia dos nossos hotéis a saber um pouco mais sobre o tema que serviu de mote à decoração”, nota.

Com as recentes aberturas de hotéis do grupo, Olga Carmo tem andado ‘a mil’, destacando-se o novo Vila Galé Nep Kids, em Beja, onde adultos só podem entrar acompanhados de crianças e cujos quartos relatam “as mais famosas histórias infantis", às quais também se pode aceder, através de QRCode que conduz a páginas de internet contendo mais pormenores.

O destaque vai ainda para o novo Vila Galé Collection, em Tomar, que abre a 1 de julho para a Festa dos Tabuleiros, e “partiu da recuperação de um edifício que se encontrava muito degradado”, tendo um tema que “acompanha a história da cidade: os Templários”, expresso também nas paredes dos quartos.

“Inicialmente, quando me formei, não me imaginava a trabalhar em turismo, mas o meu objetivo sempre foi que o meu trabalho chegasse a muitas pessoas”, refere Olga Carmo. “No turismo é possível, porque tem imensa visibilidade, os clientes elogiam a decoração e tiram fotos junto aos quadros e painéis que desenhei, e isso é muito gratificante”, frisa.

“O fundamental é fazermos o que gostamos", sublinha. “E o meu trabalho é sempre diferente, como cada hotel tem um tema na sua decoração, não há monotonia, é uma descoberta e aprendizagem constante”.

‘REVOLUÇÃO TECNOLÓGICA’ TRAZ AOS HOTÉIS ENGENHEIROS, ANALISTAS DE SISTEMAS OU MATEMÁTICOS

A chegada de novas profissões ao sector deve-se ainda à necessidade de contratar especialistas - bem pagos - de diferentes áreas científicas e tecnológicas para fazer face à profunda alteração que os hotéis enfrentam nos últimos anos, associada à transição digital.

“O modelo de negócio alterou-se radicalmente, e não tendo os hotéis uma resposta para esta nova realidade, em que a maior parte das pessoas faz reservas através de plataformas digitais, hoje quem mais dinheiro ganha com o turismo são empresas 100% tecnológicas, como a Google, a Booking ou a Expedia”, explica o presidente executivo do Pestana.

Este grupo continua a apostar em canais próprios, o que implica “investir muito em software". "Mas o maior custo acaba por ser ter equipas preparadas para gerir estes sistemas”, pelo que está a recrutar de forma crescente “muita gente da área digital, de diferentes áreas de engenharia, da gestão e da tecnologia” pela sua capacidade em análise de dados.

“É necessário esta gente chegar ao turismo para conseguirmos ter canais diretos, e não dependermos em excesso de plataformas de terceiros, senão tornamo-nos meros prestadores de serviços destas plataformas”, adverte José Theotónio.

Neste lote de novos profissionais do grupo Pestana inclui-se Mafalda Brilhante, engenheira química formada pelo Instituto Superior Técnico, que trabalha na área de inovação e business intelligence ("tratamento de dados que são relevantes para se tomarem decisões no dia a dia", conforme descreve, de forma simplificada).

“Sou a criança que sempre quis ser cientista, mas quando acabei o curso percebi que em Portugal não era um tipo de negócio que me atraía”, refere a engenheira química, que ao sair da Faculdade foi trabalhar como consultora na Accenture e desenvolveu projetos que a levaram a uma mina de diamantes em Angola. Em 2011 entrou no grupo Pestana - “por um anúncio que vi no Expresso” -, com a missão de implementar sistemas SAP nos hotéis do Brasil, onde passou três anos e meio.

“E apaixonei-me pela hotelaria, é um negócio de pessoas para pessoas, tem tudo a ver comigo”, refere Mafalda Brilhante, que desde então já passou por várias áreas dentro do grupo, incluindo a financeira, de compras ou de logística. Em 2015 tratou de um dos primeiros projetos em todos os hotéis de revenue management (estratégia de gestão de preços, “que mudam todos os dias, e às vezes no mesmo dia”), área em que se tornou diretora das Américas (hotéis do grupo no Brasil, nos Estados Unidos e na Argentina).

O que tem isto a ver com engenharia química? “O que é importante ter é uma lógica de pensamento matemático, e sermos resilientes para nos adaptarmos às várias situações”, realça Mafalda Brilhante, garantindo ter tido abertura dentro do grupo para se ir formando ou mudando de área.

“Eu aqui tenho oportunidade de falar com pessoas, o que adoro, na minha área nunca ia ser a mesma coisa”, reconhece. “E entretanto também tive três filhos. Estou super feliz por trabalhar em hotelaria”.

TRABALHADORES QUE RESULTAM DO ‘CASAMENTO’ ENTRE TURISMO E AGRICULTURA

Os próprios hotéis estão com os seus conceitos a evoluir e procuram cada vez mais “proporcionar experiências diferentes” aos hóspedes, pelo que também precisam de trabalhadores para as proporcionar, frisa Gonçalo Rebelo de Almeida, administrador da Vila Galé.

Um dos exemplos são os “monitores especializados em lidar com crianças” que o grupo está a recrutar, a par de profissionais de atividades equestres, para passeios a cavalo, complementando a estada em hotéis como o Vila Galé Alentejo Vineyards.

“Além de hotelaria, temos também atividade agrícola e de produção de vinhos, azeite e gado na nossa herdade no Alentejo, perto de Beja, pelo que é essencial ter profissionais destas áreas, como um enólogo, um vaqueiro ou um engenheiro agrónomo”, detalha Gonçalo Rebelo de Almeida.

A aposta no interior e a ligação ao mundo rural também levou a Vila Galé a contratar um falcoeiro, Rui Fortunato, tendo o grupo reabilitado a falcoaria que estava desativada na coudelaria de Alter do Chão, ao fazer o hotel Collection Alter Real, na sequência da concessão daquele património ganha por concurso público.

O grupo hoteleiro criou aqui um museu de falcoaria vivo, que recebe visitas guiadas, tendo 40 aves em exposição, incluindo falcões, águias e espécies noturnas, como um bufo real. Dentro do espaço do hotel, há todos os dias voos de demonstração, de manhã e a meio da tarde, consoante as condições climatéricas.

“É o único hotel em Portugal que tem um museu de falcoaria, com exposição e este tipo de visita”, refere Rui Fortunato, enfatizando ser uma forma de “preservar a tradição da falcoaria portuguesa, classificada como património imaterial da humanidade”.

Ver os falcões a voar, ou providenciar a sua alimentação ‘à luva’, são experiências que têm sido apreciadas pelos visitantes, em particular crianças.

As visitas não põem os falcões em stress. “Não são aves selvagens, já nasceram em contacto com humanos, confiam em nós, vêem-nos como alguém que as está a proteger e alimentar, e nós não invadimos o seu espaço vital, há sempre uma linha de respeito”, esclarece Rui Fortunato.

“Zelar pelo bem estar das aves”, encontrando "as condições ideais para poderem voar”, é uma preocupação permanente do falcoeiro, que enfatiza a atenção especial que é preciso dar na altura da reprodução, de janeiro a agosto. “Isto é um trabalho por 24 horas, e todos os dias da semana”, sublinha.



Também o vaqueiro da Vila Galé, José Candeias, diz dar atenção, de manhã à noite, às 350 vacas de que tem de cuidar na herdade de Santa Vitória, em Beja, acompanhando-as no pasto de moto-4 - uma “modernice” para quem começou este ofício a pé, tal como faziam o seu pai e o seu avô.

“Ele não tem descanso, vive cá no monte, é um trabalho que não tem horas para entrar ou sair”, constata Ricardo Palma, engenheiro agrícola da Vila Galé, responsável pela herdade. “Quando vai de férias tem de vir um substituto. É complicado, porque os animais já o conhecem, e é muito difícil encontrar pessoas a trabalhar com gado.”

“As vacas são como a gente, precisam de atenção todos os dias. Acordo de manhã e vou ver cada uma, a ver se está tudo bem. Sigo-as de mota nas pastagens, falo com elas”, descreve José Candeias, frisando ser “o gosto pela vida de campo” que o move. “Cada vez há menos vaqueiros na região, é preciso gostar muito de fazer isto, dedicamos a nossa vida ao gado.”

O que mais o preocupa é a seca. “E com as alterações climáticas está cada vez pior, a chuva veio tarde, as ervas e os fenos não têm consistência”. A falta de feno para alimentar o gado, que costumava vir da Rússia ou da Ucrânia, também está a fazer mossa.

“O que as vacas comem não dá para pagar os lucros que dão, isto nos dias de hoje tem de ser muito bem gerido, e muita gente está a levar os animais para o matadouro porque os custos estão caríssimos. É uma dor para quem lida com gado", refere José Candeias. “Nós aqui conseguimos gerir a comida para as vacas, vamos mudando de pastagem para pastagem, para os custos serem o menos possível”. O problema, constata, é que ”não há água".

Para o grupo Vila Galé, que está em fase acelerada de aberturas de hotéis, conviver com diferentes perfis de trabalhadores já é habitual.


"Devido à falta de mão de obra no sector, há pessoas que eram de outras áreas e agora estão a entrar na hotelaria, nota Gonçalo Rebelo de Almeida. “Temos uma grande diversidade de situações”, realça ainda o administrador da Vila Galé, enfatizando a entrada crescente de “especialistas em marketing digital, revenue management, inteligência artificial e realidade aumentada, análise de dados (big data) ou cibersegurança.

Inquilinos com taxa de esforço acima de 100% vão voltar a ser avaliados

Por Lusa, in TSF

Marina Gonçalves garante que os casos em atraso estão a ser analisados e que os apoios podem demorar, mas vão ser pagos.


A ministra da Habitação, Marina Gonçalves, disse esta terça-feira no parlamento que a situação dos inquilinos com taxas de esforço com a renda acima de 100% vai de novo ser avaliada com base no IRS de 2022.


Marina Gonçalves, que esteve esta terça-feira a ser ouvida na Comissão de Economia, Obras Públicas, Planeamento e Habitação foi confrontada pelos deputados dos vários partidos da oposição sobre os casos de pessoas que, pensando que eram elegíveis, não estão a receber o apoio.

A ministra referiu que entre as situações que podem estar a fazer com que as pessoas ainda não tenham recebido o apoio estão aquelas cujo IBAN (junto da Autoridade Tributária e Aduaneira e da Segurança Social) não está atualizado ou viabilizado, e que são neste momento perto de 28 mil.

Há ainda, perto de 20 mil famílias cujo apoio não supera os 20 euros e que, por isso, é apenas pago semestralmente, sendo o primeiro pagamento (com retroativos a janeiro) efetuado este mês.


Outra situação, precisou, tem a ver com as pessoas cujos dados indicam ter uma taxa de esforço para com o pagamento da renda superior a 100%, tendo em conta os dados disponíveis com base nos rendimentos de 2021.

Estas situações, indicou, vão agora ser alvo de uma segunda avaliação com base nos rendimentos de 2022, uma vez encerrada a campanha do IRS.


"Por isso há uma parte [de famílias] que não recebeu o apoio e vai receber", precisou a ministra, lembrando que neste momento o apoio chega a 185 mil famílias - nas quais se incluem as que têm taxas de esforço acima de 35%, mas inferiores a 100%.

Os deputados também questionaram a ministra sobre o despacho do secretário de Estado dos Assuntos Fiscais para aplicação do apoio, criticando o facto de este alterar o previsto num decreto-lei, mas Marina Gonçalves repetiu que o mesmo tem uma função meramente interpretativa e que os critérios não firam alterados.

Quem tem direito a subsídio de desemprego?

in TSF

Se ficou desempregado involuntariamente e tem pelo menos um ano de descontos, pode ser elegível para receber o subsídio de desemprego. Para isso, tem de cumprir algumas condições: ser residente em Portugal, ou, se for estrangeiro, ter um título válido de residência.

Também não pode estar a trabalhar a tempo inteiro, sendo que se tiver um trabalho a tempo parcial, poderá ter direito ao subsídio de desemprego parcial. Finalmente, não pode continuar a exercer qualquer atividade, remunerada ou não na empresa que efetuou o despedimento.

Caso tenha o contrato suspenso por salários em atraso, pode avançar também para o subsídio de desemprego. Use o simulador do Doutor Finanças para saber qual o valor a que terá direito por arte da Segurança Social.


Se ambos os cônjuges estiverem desempregados e tiverem descendentes a cargo, basta preencher o requerimento para receber uma majoração de 10% em cada apoio. O mesmo para as famílias monoparentais, desde que o desempregado não receba pensão de alimentos.

Se for desempregado de longa duração e tiver esgotado o período de concessão do subsídio de desemprego ou o período de concessão do subsídio social de desemprego inicial, pode pedir a Pensão de Velhice antecipada.

O Papa à FAO: milhões de pessoas continuam passando fome, é preciso ação conjunta

Raimundo de Lima, in Vatican News


A pobreza, as desigualdades, a falta de acesso a recursos básicos, como alimentos, água potável, saúde, educação e moradia, são uma grave afronta à dignidade humana! É o que afirma o Papa Francisco na mensagem aos participantes da 43ª Conferência da FAO, Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura

Raimundo de Lima – Vatican News

Milhões de pessoas continuam sofrendo com a miséria e a desnutrição no mundo, devido a conflitos armados, bem como às mudanças climáticas e aos desastres naturais resultantes. O deslocamento em massa, além de outros efeitos das tensões políticas, econômicas e militares em escala planetária, debilitam os esforços para garantir que as condições de vida das pessoas sejam melhoradas em razão de sua dignidade inerente.

É o que ressalta o Papa na mensagem aos participantes da 43ª Conferência da FAO, Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura, que tem sua sede em Roma. Lançando um olhar para a situação atual, Francisco diz valer a pena repetir mais uma vez: a pobreza, as desigualdades, a falta de acesso a recursos básicos, como alimentos, água potável, saúde, educação e moradia, são uma grave afronta à dignidade humana!

Já no início de sua mensagem, o Santo Padre congratula-se com o diretor geral da FAO, Qu Dongyu, por sua eleição para um segundo mandato à frente desta Organização, incentivando-o a continuar seu trabalho, em um momento em que é inescapável uma ação decisiva e competente para erradicar o flagelo da fome no mundo, que avança em vez de recuar.

Evitar o perigo da "colonização ideológica"

Em nossos dias, constata o Pontífice, muitos especialistas afirmam que a meta do Fome Zero não será alcançada dentro do prazo estabelecido pela comunidade internacional. Mas permitam-me dizer, continua o Papa, que o não cumprimento das responsabilidades comuns não deve nos levar a transformar as intenções iniciais em novos programas revisados que, em vez de beneficiar as pessoas respondendo às suas necessidades reais, não as levam em consideração.

Pelo contrário, observa Francisco, devemos ser muito cuidadosos e respeitar as comunidades locais, a diversidade cultural e as especificidades tradicionais, que não podem ser alteradas ou destruídas em nome de uma ideia míope de progresso que, na realidade, corre o risco de se tornar sinônimo de "colonização ideológica".

Ação conjunta e colaborativa de toda a família das nações

Por esse motivo, nunca me canso de enfatizar isso, as intervenções e os projetos devem ser planejados e implementados em resposta ao clamor das pessoas e de suas comunidades; não podem ser impostos de cima para baixo ou por instâncias que buscam apenas seus próprios interesses ou lucros.

O Santo Padre enfatiza que o desafio que enfrentamos é a ação conjunta e colaborativa de toda a família das nações e que não pode haver espaço para conflito ou oposição, quando os enormes desafios em questão exigem uma abordagem holística e multilateral.
Contribuição da Santa Sé para o bem comum

Por isso, a FAO e as outras organizações internacionais só conseguirão cumprir seu mandato e coordenar medidas preventivas e incisivas para o benefício de todos, especialmente dos mais pobres, por meio de uma sinergia leal e pensada de modo consensual e perspicaz por parte de todos os atores envolvidos. Os governos, as empresas, o mundo acadêmico, as instituições internacionais, a sociedade civil e os indivíduos devem fazer um esforço conjunto, deixando de lado lógicas mesquinhas e visões tendenciosas, para que todos se beneficiem e ninguém seja deixado para trás.

Francisco conclui assegurando que a Santa Sé, por sua vez, continuará dando sua contribuição para o bem comum, oferecendo a experiência e o trabalho das instituições ligadas à Igreja católica, para que não falte o pão de cada dia a ninguém em nosso mundo e para que o nosso planeta receba a proteção necessária, a fim de que volte a ser o belo jardim que saiu das mãos do Criador para o deleite do ser humano.

Do salário ao vínculo laboral. Cinco indicadores que explicam os desafios do emprego jovem

Joana Nabais Ferreira, in ECO

Atingir 25 mil jovens com contrato de trabalho sem termo e salários de, no mínimo, 1.330 euros, é o objetivo do programa de apoio à contratação jovem “Avançar” que acaba de arrancar. Entre os parceiros sociais, o programa “Avançar” foi bem recebido, mas deixam alertas para a “rigidez das leis laborais” e para a necessidade de acompanhar os montantes mobilizados e a empregabilidade gerada pela medida. Em maio, havia em Portugal mais de 70 mil jovens desempregados.

Apoio à contratação jovem. Saiba como funciona

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Desemprego, vínculo laboral e salários são alguns dos indicadores analisados no estudo “Retrato do Emprego Jovem em Portugal”, de Paulo Marques, professor do ISCTE-IUL, que ajudam a explicar a urgência de medidas concretas à integração dos jovens no mercado de trabalho, mas também emprego menos precários e com salários que acompanhem as qualificações.


Há quase 30% de pessoas com ensino superior com contratos a termo e a registar na última década perdas de rendimentos líquidos especialmente entre os jovens mais qualificados.
Taxa de desemprego

O desemprego jovem não tem dado tréguas, tendo registado um crescimento muito acelerado durante as crises financeiras e da dívida soberana (2010-2014), uma redução acelerada nos anos da recuperação económica (2015-2019), tendo voltado durante a pandemia da Covid-19 a registar um crescimento, que, só no caso dos jovens que completaram o Ensino Superior, é que inverteu totalmente, aponta o estudo “Retrato do Emprego Jovem em Portugal”.

Assim, o desemprego jovem é mais elevado entre os pouco qualificados: 25% dos desempregados entre os 25 e os 29 anos concluíram apenas o ensino básico.

Olhando apenas para a taxa de desemprego de jovens qualificados, com o ensino superior, a trajetória é mais animadora. Se, durante as crises financeira e da dívida soberana, se registava uma divergência com a União Europeia muito significativa, desde 2017 que Portugal tem vindo a convergir com a média dos Estados-membros da UE, embora continue com uma taxa superior.

Os dados mais recentes do Instituto Nacional de Estatística (INE) dão disso conta. Em maio, 338.600 pessoas estavam desempregadas no país, dos quais 70.500 jovens. A taxa de desemprego jovem era de 18,6%, mais do triplo da registada para os adultos (5,5%) e uma subida de 0,5 pontos percentuais face a abril e de 0,1 pontos percentuais relativamente ao período homólogo.

No mesmo mês, havia 2,696 milhões de jovens (com menos de 25 anos) desempregados na UE, dos quais 2,226 milhões na Zona Euro. A taxa de desemprego dos jovens era, contudo, inferior à nacional: 13,9% tanto na UE como na Zona, dão conta os dados do Eurostat.
Contratos temporários

Também a percentagem de jovens com contratos temporários tem vindo a diminuir, mas, neste caso, os valores nacionais continuam ainda longe da UE, onde a percentagem de jovens com contratos com termo é bem mais reduzida. E exatamente o mesmo acontece se analisarmos a representação desde tipo de contrato laboral entre os jovens com o ensino superior.

A percentagem de pessoas com ensino superior com contratos a termo reduziu 11% (40% em 2010 e 29% em 2022), embora ainda estejamos distantes da média da União Europeia, de 17%, elenca o estudo levado a cabo pelo ISCTE.

Um dos objetivos do programa “Avançar” é precisamente reduzir a precariedade, já que o apoio às empresas no âmbito deste programa pressupõe que o jovem tenha um contrato de trabalho sem termo. A ministra do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social, Ana Mendes Godinho, foi ainda mais longe e anunciou que o principal objetivo é atingir 25 mil jovens com este tipo de vínculo laboral.
Salários líquidos reais

Já no que toca aos ordenados, “entre 2021 e 2022, os qualificados perdem bastante em termos salariais“, conclui o professor Paulo Marques. “Quanto aos restantes, a situação não se alterou significativamente.”

De 2021 para 2022, apenas os jovens mais qualificados registaram uma perda nos seus rendimentos líquidos, passando dos 1.128 euros para os 1.061 euros (uma diminuição de 67 euros). Já os jovens com ensino secundário e os jovens com o ensino básico registaram aumentos salariais líquidos de 13 e dez euros, respetivamente.

O estudo “Estado da Nação: Educação, Emprego e Competências em Portugal”, realizado anualmente pela Fundação José Neves (FJN) mostrou há pouco mais de duas semanas que o ganho salarial associado a uma formação de ensino superior está em “mínimos históricos”. Apesar do aumento do salário nominal em 3,6%, a subida da inflação acabou por resultar numa quebra do poder de compra dos portugueses.

O salário real caiu 4% entre 2021 e 2022 tendo esse impacto sido sentido de forma muito pronunciada entre os jovens qualificados: tiveram uma queda de 6% no seu salário real. O diferencial entre os ordenados dos jovens portugueses com ensino superior e dos jovens com ensino secundário atingiu, assim, mínimos históricos, diminuindo de cerca de 50%, em 2011, para 27%, em 2022, revelou a edição de 2023 deste relatório.

Carlos Oliveira, presidente da FJN, considera que “é muito positivo que o país reconheça e o Governo tome medidas para colmatar o problema de precariedade no emprego dos jovens, e que é determinante tomar medidas para reverter esta situação”.
Além do Governo, o papel das empresas é fundamental para dar um novo impulso à valorização do emprego dos jovens, que lhes permita encontrar em Portugal as condições para poderem progredir profissionalmente, com remunerações adequadas e competitivas, e condições de trabalho atrativas.
Carlos Oliveira

Fundação José Neves

“O programa ‘Avançar’ é uma medida importante, e que está em linha com dois eixos do ‘Pacto para Mais e Melhores Empregos para os Jovens’: atrair e reter os jovens, e garantir emprego de qualidade aos jovens. É uma obrigação nacional fazer o que for necessário para mudar o estado das coisas”. “Além do Governo, o papel das empresas é fundamental para dar um novo impulso à valorização do emprego dos jovens, que lhes permita encontrar em Portugal as condições para poderem progredir profissionalmente, com remunerações adequadas e competitivas, e condições de trabalho atrativas”, conclui.

Na próxima segunda-feira, as empresas signatárias e parceiras do Pacto –– na primeira fase houve 50 empresas a aderir a este compromisso — vão reunir e dar novos passos para contribuir para a melhoria do emprego jovem no nosso país, adianta ainda o líder da FJN ao Trabalho by ECO.
Saída de emigrantes portugueses

Outro dos temas analisados no estudo realizado pelo ISCTE incide sobre a emigração e a saída do talento do mercado nacional. Entre 2010 e 2013 verificou-se um aumento muito rápido da emigração, em linha com a subida do desemprego. Posteriormente, a trajetória tem vindo a ser decrescente, especialmente durante a pandemia — em que, devido às restrições de mobilidade, as saídas de emigrantes portugueses registaram o valor mais baixo desde, pelo menos, 2010 (45.000 saídas). Corrigindo essa diminuição “forçada”, em 2021, 60.000 portugueses emigraram.

“Prevê-se que, nos próximos anos, a emigração estabilize em torno das 70 mil saídas anuais, próximo do valor verificado em 2010″, lê-se no documento a que o Trabalho by ECO teve acesso.

Saída de talento que agrava o problema de escassez que país está a atravessar — há falta de pessoas para setores fundamentais da economia como turismo ou construção — e que há que contrariar com medidas de fixação.

O país está “numa competição muito feroz entre organizações e entre países pelo talento”, lembrou Ana Mendes Godinho, no início do ano, durante a apresentação do “Pacto Mais e Melhores Empregos para os Jovens”.

“Os jovens são o nosso bem mais valioso para o nosso destino coletivo”, afirmou, considerando “crítico fixar o talento em Portugal”, tanto o nacional como atraindo para o mercado nacional talento internacional como os nómadas digitais, lembrou a ministra do Trabalho.
Emprego no setor dos serviços

“Em 2010 Portugal tinha uma percentagem muito reduzida de emprego nos serviços intensivos em conhecimento. No entanto, verificou-se uma tendência positiva nos últimos anos, em linha com o aumento do nível de escolaridade da população portuguesa”, analisa o docente do ISCTE.

E, recordando que a Suécia é um dos destinos da emigração portuguesa qualificada, Paulo Marques destaca este país nórdico como “exemplo em matéria de emprego qualificado”. “A percentagem de emprego nos serviços intensivos em conhecimento é muito elevada, sendo que tal já sucedia em 2010.”
Como reter os jovens qualificados em Portugal?

Em jeito de síntese, o responsável pelo estudo menciona a “redução acelerada do desemprego jovem, especialmente entre os qualificados”, a “melhoria muito acelerada das qualificações dos jovens” e os “ganhos salariais verificados no período pré-crise inflacionista” como os aspetos mais positivos.

Já a “elevada emigração (ainda que inferior ao verificado durante as crises financeira e da dívida soberana)”, a “evolução negativa dos salários no período 2021-2022, nomeadamente para os jovens qualificados” e os “salários baixos, especialmente quando comparados com os observados nos principais destinos da emigração portuguesa” são os indicadores mais negativos, e onde constam os maiores desafios do emprego jovem em Portugal.


Agora que a taxa de desemprego entre os muito qualificadas é reduzida, podemos ser mais ambiciosos na estratégia de retenção dos muito qualificados.
Paulo Marques

Professor no ISCTE e coordenador do Observatório do Emprego Jovem


Olhando especificamente para a percentagem de jovens com contratos temporários e para o peso do emprego nos serviços intensivos em conhecimento, Paulo Marques considera que se “verificam melhorias, mas persistem problemas”.

Para reter os jovens qualificados em Portugal, o docente e coordenador do Observatório do Emprego Jovem deixa ainda seis linhas de ação:“Expansão dos setores intensivos em conhecimento (articulação de políticas públicas é decisivo)”;
“Alinhamento entre oferta formativa e procura no mercado de trabalho (ensino superior politécnico e universitário)”;
“Promover o aumento dos salários (políticas de emprego e negociação coletiva)”;
“Quebrar a armadilha do emprego precário (implementar as alterações feitas à legislação de proteção no emprego)”;
“Outras dimensões da qualidade do emprego (conciliação entre trabalho e vida familiar; direito a teletrabalho; oportunidades de formação, entre outras)”;
“Políticas de habitação (os jovens são os mais atingidos pelos elevados preços da habitação)”.

“Agora que a taxa de desemprego entre os muito qualificadas é reduzida, podemos ser mais ambiciosos na estratégia de retenção dos muito qualificados”, conclui.
Parceiros sociais aplaudem medida

Entre os parceiros sociais, o programa “Avançar” foi bem recebido. “A Confederação Confederação do Comércio e Serviços de Portugal (CCP) considera que este tipo de medidas é positivo para a integração de jovens no mercado de trabalho”, começa por comentar o presidente da CCP, João Vieira Lopes, em declarações ao Trabalho by ECO.

Mas, ao mesmo tempo, deixa um alerta: “As questões da precariedade são mais complexas e prendem-se, nomeadamente, com a rigidez das leis laborais, mas num contexto de falta generalizada de trabalhadores e uma significativa mobilidade dos mesmos, nomeadamente dos jovens, faz menos sentido colocar as questões em termos de precariedade.”

As questões da precariedade são mais complexas e prendem-se, nomeadamente, com a rigidez das leis laborais, mas num contexto de falta generalizada de trabalhadores e uma significativa mobilidade dos mesmos, nomeadamente dos jovens, faz menos sentido colocar as questões em termos de precariedade.
João Viera Lopes

Presidente da CCP


A UGT, num parecer enviado ao Ministério do Trabalho sobre a portaria publicada esta segunda-feira em Diário da República sobre o programa “Avançar”, considera que o objetivo estratégico a que se propõem estas medidas é de “extrema importância”, uma vez que vem ao encontro de “uma das lacunas nacionais, que é o potencial na retenção de jovens e talento no nosso mercado de trabalho, lacuna essa muito resultante do nosso modelo económico de baixos salários”. Assim, “se bem monitorizada e divulgada”, a medida tem “um elevado potencial de sucesso”.

“Será também importante para a UGT que haja um acompanhamento dos montantes mobilizados e da empregabilidade que advier da implementação do presente programa, de modo a não frustrar as elevadas expectativas junto dos jovens trabalhadores”, acrescenta a organização sindical.

O Trabalho by ECO contactou igualmente a CGTP, mas até ao momento da publicação não obteve qualquer comentário.

Programa Avançar promove contratação sem termo de jovens qualificados

in Portugal.Gov

O programa Avançar tem como finalidade «incentivar a contratação sem termo de jovens qualificados com salário base igual ou superior a 1330 euros», disse a Ministra do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social, Ana Mendes Godinho, na apresentação do programa, em Lisboa, na qual esteve também presente o Secretário de Estado do Trabalho, Miguel Fontes.


Outro objetivo é a contratação sem termo de 25 mil jovens qualificados, prevendo o programa apoios financeiros de entre 8,6 e 12,4 mil euros para as empresas e descontos de 50% das contribuições para a Segurança Social.


Os jovens contratados – até aos 35 anos, com qualificação de nível superior e inscritos como desempregados no Instituto do Emprego e da Formação Profissional (IEFP) – ainda recebem uma bolsa mensal de 150 euros, um «apoio financeiro à autonomização», durante o primeiro ano da vigência do contrato de trabalho.


O programa Avançar, que é regulado pela Portaria n.º 187/2023 publicada em Diário da República, prevê ainda majorações do apoio financeiro à contratação «sempre que esteja em causa a contratação de jovem com deficiência e incapacidade, posto de trabalho localizado em território do interior, quando a entidade empregadora seja parte de instrumento de regulamentação coletiva de trabalho, quando esteja em causa a contratação de jovem qualificado que esteja em situação de desemprego de longa duração e, ainda, a contratação de jovens qualificados do sexo sub-representado na profissão».


O programa pretende «atrair e reter o talento dos jovens qualificados» e apoiar a sua autonomização, assim como «promover a melhoria da qualidade do emprego, incentivando vínculos laborais mais estáveis e promovendo a fixação de salários adequados às qualificações dos jovens, fomentando e apoiando a criação líquida de postos de trabalho de jovens qualificados».


Em maio estavam desempregados em Portugal 70 500 jovens, o que corresponde a uma taxa de desemprego jovem de 18,6%, mais do triplo da registada para os adultos (5,5%).


O programa Avançar concretiza mais uma medida do Acordo de Rendimentos e Competitividade.


Para mais informações sobre destinatários, condições e candidaturas consulte o site do Instituto do Emprego e Formação Profissional.

Proprietários querem aumento de rendas igual à inflação, para os inquilinos "qualquer aumento é uma violência"

in SIC

Os proprietários querem que o aumento das rendas seja igual ao valor da inflação e querem saber se o Governo vai voltar definir um teto para o aumento dos preços.

Os proprietários querem que o aumento das rendas seja igual ao valor da inflação e querem saber se o Governo vai voltar definir um teto para o aumento dos preços. Para os inquilinos qualquer aumento é prejudicial.

No ano de todas as subidas, para ajudar a combater o aumento do custo de vida e ajudar as famílias, o Governo decidiu fixar em 2% o limite máximo do preço das rendas.

Uma medida que veio ajudar os inquilinos mas que os proprietários condenam. Por isso, querem que o aumento do preço das rendas no próximo ano seja igual ao valor médio da inflação: 7%.

Com o limite definido, os proprietários ficam impedidos de subir as rendas além do valor estipulado, uma medida que protege os inquilinos que, mesmo com os apoios, dizem que qualquer que seja o aumento será prejudicial.

Segundo dados do INE, nos primeiros 3 meses do ano as rendas aumentaram em todas as regiões do país. Cerca de um terço dos inquilinos gasta quase metade dos rendimentos com as despesas da casa.

Dedicação plena dos médicos vale suplemento de 20% sobre salário-base

Inês Schreck, in JN



Proposta do Governo dá extra de 573 euros a médicos em início da carreira, mais 4,5% de atualização salarial. Sindicatos contra 350 horas extra anuais.


Os médicos que trabalhem no regime de dedicação plena mantêm as 40 horas por semana e vão ganhar um suplemento de 20% sobre a remuneração base, o que para um especialista em início de carreira corresponde a mais 573 euros brutos. A este montante acresce uma atualização salarial imediata de 4,5%, que se repetirá em janeiro de 2024 e janeiro de 2025. Quem não aderir a este regime passa a trabalhar 35 horas semanais e subirá uma posição remuneratória na tabela salarial dos médicos. O que corresponderá a um salto de 107 euros na posição base da carreira.

Isaura: “Com a questão dos vistos, perguntamos: ‘onde vamos pôr tanta gente?’ Deveria ser obrigatório viver algum tempo nos meios rurais”

Por Blitz, in Expresso


“As pessoas não se mentalizam que em Portugal o preponderante ainda é o rural, não são as cidades. A música que se ouve em Lisboa não é a música que se ouve no resto do país, por exemplo”. Criada no distrito da Guarda, Isaura fala no podcast Posto Emissor sobre o esquecimento a que o interior está votado e como “Lisboa e Porto não são uma boa amostra do que se passa no país”

Ao recordar no Posto Emissor a infância vivida em São Paio, no distrito da Guarda, Isaura lamentou a desertificação do interior, sugerindo que os estrangeiros que vivem nas cidades portuguesas podiam ser reencaminhados para outras zonas do país. “Com a questão dos vistos, perguntamos: ‘onde vamos pôr tanta gente?’. Era tão bom que essas pessoas pudessem vir mas ser-lhes imposto que tinham de viver x tempo nos meios rurais”.

“As pessoas não se mentalizam que em Portugal o preponderante ainda é o rural, não são as cidades”, acrescenta a artista, “Lisboa, Porto e Coimbra não são, em nada, uma boa amostra do que se passa no resto do país. A música que se ouve em Lisboa não é a música que se ouve no resto do país, por exemplo”.

Estudo sobre comunidade cigana pretende combater "fantasmas coletivos perigosos"

Sónia Santos Silva, in TSF

A comunidade cigana em Portugal vai ser alvo de um estudo inédito. Francisco Assis, presidente do CES, diz que vai resultar num retrato socioeconómico inexistente em Portugal. Os resultados vão ser conhecidos dentro de dois anos.

O protocolo para a realização de um estudo científico sobre a situação socioeconómica das comunidades ciganas em Portugal é assinado esta tarde e envolve o Conselho Económico e Social (CES), a Fundação para a Ciência e Tecnologia (FCT) e o Alto Comissariado para as Migrações (ACM). Dentro de dois anos devem ser conhecidos os dados de uma comunidade com 500 anos de presença em território nacional, mas sobre a qual não há um panorama completo e científico. Francisco Assis, presidente do CES sublinha que, inexplicavelmente, o que existe são dados avulsos que não permitem reunir uma visão ampla e completa.

"Há vários estudos, mas estão dispersos e são muito insuficientes. Finalmente vai-se dar um passo decisivo tendo em vista a realização deste estudo. Até ao final do anos estaremos em condições de o lançar e dentro de dois anos. É muito importante, porque nem a extensão desta comunidade em Portugal é conhecida com rigor. Fala-se entre 30 mil a 50 mil pessoas."
Para o presidente do Conselho Económico e Social, concretiza-se, com este estudo, uma velha aspiração da comunidade científica. Na atual conjuntura, esta investigação ganha ainda mais relevância no campo político. Francisco Assis lembra que o desconhecimento pode dar origem a um discurso perigoso e a fantasmas coletivos indesejáveis.

"É um tema que se presta, muitas vezes, a um discurso profundamente demagógico, extremista e desonesto. Não há como opor o conhecimento aos fantasmas coletivos que, muitas vezes, se conseguem construir em torno de temáticas desta natureza. O desconhecimento premeditado é o maior aliado do discurso demagógico. Com base no desconhecimento, e na utilização descarada desse mesmo desconhecimento, é fácil produzir um discurso que suscite, que cria fantasmas coletivos perigosos."

O protocolo para a realização do estudo sobre a comunidade cigana é assinado às 16h30, no Conselho Económico e Social, em Lisboa, e conta com a presença da ministra da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, Elvira Fortunato, e da ministra Adjunta e dos Assuntos Parlamentares, Ana Catarina Mendes.
A colaboração entre o Conselho Económico e Social (CES), a Fundação para a Ciência e Tecnologia (FCT) e o Alto Comissariado para as Migrações (ACM) vai dar origem ao primeiro estudo nacional sobre as comunidades ciganas, um objetivo da Estratégia Nacional para a Integração das Comunidades Ciganas (ENICC).

Inflação nos países da OCDE caiu para 6,5% em maio

Rita Robalo Rosa, in Expresso

A taxa de inflação nos 38 países da OCDE abrandou para 6,5% em maio (após 7,4% em abril). Em apenas três países (Noruega, Reino Unido e Países Baixos) não houve um recuo da inflação

A taxa de inflação nos 38 países membros da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE) abrandou para os 6,5% em maio, face aos 7,4% registados em abril, anunciou a instituição esta terça-feira.

A descida foi generalizada, sendo que apenas nos Países Baixos, na Noruega e no Reino Unido não abrandou. Apesar da queda praticamente presente em todos os países membros da OCDE, as taxas foram bastante variadas, entre menos de 3% na Costa Rica, Grécia e Dinamarca, e mais de 20% na Hungria e na Turquia.

Em Portugal, segundo o Instituto Nacional de Estatística, a inflação em maio foi de 4% (entretanto, os números mais recentes, apontam para um descida para 3,4% em junho).

“Mantendo a tendência dos meses anteriores, a inflação da OCDE menos alimentos e energia (inflação subjacente) diminuiu a um ritmo muito mais lento do que a inflação global e atingiu 6,9% em maio de 2023, após 7,1% em abril”, revela a nota da organização.

Analisando especificamente a energia - que há um ano fazia disparar os preços - a taxa de inflação caiu para -5,1% no mês em análise, contra 0,7% em abril. Nos produtos energéticas a taxa de inflação foi negativa em 16 países da OCDE, mas manteve-se acima dos 10% na Letónia, Itália, República Checa, Colômbia e Hungria.

Nas sete maiores economias globais, denominadas como G7, a inflação abrandou para os 4,6% (5,4% em abril).

Vice-presidente Pedro Cardoso em seminário sobre pobreza energética

in MundialFm


O vice-presidente da Câmara Municipal de Cantanhede, Pedro Cardoso, participou no seminário “Das futuras casas e comunidades energeticamente autónomas à pobreza energética: os fundos do PRR [Plano de Recuperação e Resiliência] como estratégia de combate à pobreza energética”, organizado pela EAPN Portugal / Rede Europeia Anti-Pobreza, em parceria com a Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto.

O autarca integrou o painel “O PRR e a aposta no combate à pobreza energética: o estado da arte?”, juntamente com a vereadora da Câmara Municipal de Foz Côa, Ana Filipe, e Filipe Araújo, vice-presidente da Câmara Municipal do Porto.

“A pobreza energética é uma matéria que deve preocupar os decisores políticos, porquanto afeta a qualidade de vida das pessoas. Diminuir as diferenças de acesso à energia deveria ser uma prioridade”, entende o vice-presidente do Município de Cantanhede, Pedro Cardoso, que elogia iniciativas que debatem aquele que “é dos problemas mais prementes das sociedades atuais”.

O objetivo do encontro foi debater a implementação do PRR em diferentes territórios, destacando as potencialidades e as dificuldades sentidas até ao momento com este instrumento financeiro, mas também debater soluções alternativas para promover a sua boa execução até 2026, tendo como pano de fundo a relevância desta temática no combate aos fenómenos de pobreza e exclusão social.

Do programa constaram ainda intervenções sobre “A primeira casa modular em madeira energeticamente autónoma em Portugal”, “O futuro das comunidades autónomas de energia”, “Energias sustentáveis: o poder das pessoas” e “O PRR e a aposta no combate à pobreza energética”.

Elvira e Joana habituaram-se a ouvir "não vales nada", "não devias ser médica". Agora, lutam por justiça

Ana Mafalda Inácio, in DN


O assédio laboral é proibido e punido pela Lei 73/2017, de 16 agosto, em Portugal. A Organização Internacional do Trabalho rejeita liminarmente, mas na classe médica é uma realidade. Ordem e sindicatos assumem ser "uma prática reiterada", "silenciada" e "sem punição". As vítimas resistem, habituam-se ou desistem e são poucas as que avançam com queixas, por medo de represálias ou falta de confiança nas soluções. Hoje é uma das principais razões do "burnout", do absentismo e das saídas do SNS. Nesta reportagem, o DN conta-lhe cinco casos de assédio, mostra os poucos números que existem, fala-lhe do Direito, e de como é difícil fazer prova, sobretudo porque os assediantes são chefes, e, por fim, em entrevista, dá-lhe a conhecer a posição do Diretor Executivo do SNS e da Inspetora-Geral da ACT.


Elvira e Joana são vítimas de assédio laboral, mas por razões diferentes. Uma por que recusou um caso com o diretor de serviço, a outra porque ocupava funções onde este queria colocar um "amigo", mas Elvira há mais tempo do que Joana. Ambas aceitam falar ao DN, por os advogados considerarem que os seus casos integram os requisitos definidos na lei do assédio, embora sob anonimato, receiam mais represálias, porque "no SNS a prática é igual a impunidade."

Desigualdades de rendimentos agravaram-se e são maiores no litoral e municípios grandes

Por Lusa, in DN

Já a "taxa líquida de criação de empregos por conta de outrem" registou um aumento bastante positivo em termos nacionais em 2021 e "foi superior nos municípios do interior em relação aos municípios do litoral".

Portugal registou um aumento geral considerável das desigualdades de rendimentos, que são mais acentuadas nos municípios do litoral e de maior dimensão, revela o estudo "Melhores municípios para viver", apresentado esta terça-feira, que analisou dados oficiais de 2019 a 2021.

O estudo de 2023 alterou este ano a metodologia habitualmente utilizada e avaliou estatísticas oficiais em 12 dimensões a nível local, como economia, ensino, cultura, emprego e saúde, entre 2019 e 2021, englobando-as em análises tendo em conta a diferença entre os municípios do interior e do litoral e entre municípios de pequena, média ou grande dimensão.

Devido aos anos em análise, e embora não fosse a intenção dos autores, o estudo "na prática quase faz uma avaliação dos impactos também da pandemia" de covid-19, disse à Lusa Miguel Pereira Lopes, coordenador do estudo realizado pelo INTEC - Instituto de Tecnologia Comportamental da Universidade Lusófona.

Segundo o coordenador, "um indicador muito crítico" a nível nacional é o das desigualdades de rendimento, "que subiu muito consideravelmente de uma forma geral" em 2021.

"Ele subiu muito a nível nacional, mas os municípios do interior revelaram valores inferiores do coeficiente de Gini [que avalia as desigualdades de rendimento]. Ou seja, as desigualdades agravaram-se no geral, mas agravaram-se ainda mais nos municípios do litoral e de maior dimensão", disse.

Miguel Pereira Lopes realçou que "há um dado que pode ser surpreendente", que é o da "taxa líquida de criação de empregos por conta de outrem, que é, no fundo, se o saldo dos empregos é positivo ou negativo", e que registou um aumento bastante positivo em termos nacionais em 2021, mas "foi superior nos municípios do interior em relação aos municípios do litoral".

"Nos municípios do interior foi muito melhor e nos do litoral até foi ligeiramente negativa, ou seja, houve perda de postos de trabalho, se quisermos ser mais taxativos", afirmou, considerando que "o ganho bastante significativo de trabalhadores no interior" pode ser "enquadrado com a pandemia e um aumento do teletrabalho", por exemplo.

Segundo o coordenador, dois dados em que se registaram melhorias gerais foram a educação, na qual, entre 2019 e 2021, aumentou a percentagem de estudantes que completou o ensino secundário e reduziu a taxa de retenção e desistência no ensino básico, e também o número de médicos e enfermeiros por 1.000 habitantes a nível nacional.


No entanto, na área da saúde, há outro indicador que registou "um grande aumento a nível nacional" e com uma incidência bem maior nos municípios do interior, que foi a taxa de mortalidade por doenças do aparelho circulatório.

Em relação a possíveis efeitos relacionados com a pandemia, entre 2019 e 2021 o número de espetáculos por 1.000 habitantes caiu drasticamente, embora o investimento dos municípios nesta área tenha tido uma ligeira quebra, "mas muito mais ténue".

"Isso, em princípio, aponta para o facto de os municípios terem mantido algum apoio, mesmo que alguns espetáculos não se tenham realizado", sublinhou.

Pela primeira vez foram analisados dados sobre a participação cívica dos cidadãos destacando-se que a taxa de abstenção nas eleições autárquicas foi, em 2021, "maior nos municípios do litoral e nos grandes municípios", enquanto os municípios mais pequenos tiveram mais pessoas a participar.

Também foi registada uma "redução significativa" dos crimes contra a vida em sociedade e uma "descida significativa" do consumo de água por habitante, embora tanto o consumo de água como o de energia seja mais alto nos municípios do litoral e de grande dimensão.

O coordenador assinalou que, através deste estudo, os 308 municípios têm a possibilidade de comparar o seu concelho com outros municípios de referência, da mesma dimensão ou da mesma zona geográfica, e os que o pretenderem podem avançar para um estudo estatístico através de inquéritos sobre a qualidade de vida nos respetivos concelhos.

A edição de 2023 do estudo "Melhores municípios para viver" avaliou os domínios ensino; cultura, lazer, desporto; comunidade e participação cívica; mobilidade e transportes; economia; segurança; saúde; serviços públicos; turismo; urbanismo e habitação; ambiente; e emprego.

3.7.23

​Portugal tem de “correr” para garantir salários competitivos para os jovens

Cristina Nascimento, in RR 


Ministra do Trabalho assegura que a evolução salarial tem sido positiva, mas reconhece que tem de ser feito mais para que os jovens encontrem condições em Portugal. Objetivo é convergência dos salários com a média europeia até 2026.


A ministra do Trabalho, Ana Mendes Godinho, reconhece que Portugal precisa de “correr” para garantir salários competitivos para os jovens.

No lançamento do programa “Avançar” esta segunda-feira, em declarações à Renascença, a ministra assegura que “os números recentes mostram que houve uma evolução positiva, nomeadamente o da valorização dos salários dos jovens em Portugal desde 2015, com aumento de cerca de 44%, mas não chega”.

A governante lembrou que o objetivo estabelecido no acordo de rendimentos é “convergir com a média europeia do peso dos salários no PIB até 2026”, acrescentado que estão a tentar “acelerar e colocar velocidade” neste que “é um objetivo crítico para o nosso país”.


“É preciso mesmo avançar, mas, mais do que avançar, é até correr”, admite.

Ana Mendes Godinho considera que é neste esforço que se insere o programa “Avançar”, um programa que prevê a atribuição, durante um ano, de uma bolsa de 150 euros a 25 mil jovens qualificados até aos 35 anos que sejam contratados sem termo com um salário mensal de pelo menos 1.330 euros.

O programa é também “um repto coletivo” lançado a todos, afirma a ministra.

No lançamento do programa "Avançar", que se realizou em Lisboa, marcaram presença vários parceiros sociais, bem como jovens trabalhadores que relataram que dificuldades e receios sentiram na integração no mercado laboral.

Foi feita também uma apresentação por parte do professor do ISCTE Paulo Marques sobre o "Retrato do Emprego Jovem em Portugal". Este especialista revelou que, em 2022, terão saído de Portugal entre 70 a 75 mil trabalhadores.

Crianças portuguesas estão mais gordas: uma em cada três tem excesso de peso

Vera Lúcia Arreigoso Jornalista e Carlos Esteves Jornalista infográfico, in Expresso


Estudo coordenado pelo Instituto Ricardo Jorge sinaliza aumento do excesso de peso e da obesidade na população entre os seis e os oito anos de idade. Açores é a região onde as crianças têm o peso menos saudável

Abalança não engana: as crianças portuguesas engordaram durante a pandemia e 32% tem excesso de peso e 13,5% é mesmo obesa.

Os dados são relativos à faixa etária dos seis aos oito anos e constam do estudo COSI (Childhood Obesity Surveillance Initiative), na sexta ronda do sistema de vigilância nutricional infantil no âmbito da Organização Mundial da Saúde, e coordenado em Portugal pelo Instituto Ricardo Jorge.

Realizado no no ano letivo de 2021-2022, entre 6205 alunos do primeiro ciclo do ensino básico, o estudo indica um agravamento do desequilíbrio no peso das crianças.

O excesso de peso infantil subiu 2,2 pontos percentuais e a obesidade 1,6, assumindo especial gravidade aos oito anos, com 35,3% ‘fora da linha’.

Os Açores são a região com os piores resultados, com uma prevalência de peso excessivo de 43% e 23% de obesidade. No continente, o Algarve ganha no peso a mais, com 28%, e o Alentejo na percentagem de menor obesidade, com 11,5% de crianças obesas.

Olhando para o panorama europeu, Portugal fica, ainda assim, dentro da média, com uma em cada três crianças com peso acima do indicado.

AMAMENTAÇÃO EQUILIBRA O PESO

Outro dado a reter é a relação entre o peso e a amamentação. Os Açores são a região com menos crianças que beneficiam do aleitamento materno (74%). Ao invés, o Algarve tem a taxa mais expressiva, 93%. No geral, 90% dos bebés em Portugal são amamentados.

É unânime a importância do aleitamento materno e do pequeno-almoço e neste campo também existiu um retrocesso que poderá ter contribuído para os resultados menos satisfatórios. Tomar pequeno-almoço todos os dias deixou de ser uma refeição assegurada por mais de 90% das crianças estudadas como acontecia no diagnóstico anterior, realizado em 2019.
MENOS AÇÚCAR À MESA E NAS ESCOLAS

Apesar do aumento de alguns maus hábitos, também há um aumento de bons comportamentos, mesmo que ainda residuais. São disso exemplos, o crescimento do consumo diário de fruta (63% para 71%), a ingestão diária de hortícolas ou de sopa (69%), a redução do consumo de bolachas doces, bolos ou donuts até três vezes por semana (80% para 72,4%) e de refrigerantes com açúcar (71,3% para 69%).

E o açúcar não só deixou de ir menos vezes à mesa das famílias como também está menos presente nos recintos escolares. A disponibilidade de refrigerantes açucarados diminuiu de 4% para 1% e de snack doces e salgados de 11% para 6%. Em sentido contrário, há mais fruta fresca (62% para 72%) e vegetais (32% para 44%). Até as máquinas de venda automática são agora menos (7% para 3%).
20% VAI PARA A ESCOLA A PÉ OU DE BICICLETA

O estudo do Instituto Ricardo Jorge olhou ainda para a atividade física e o que os investigadores viram não é bom.

“De 2019 para 2022, todos os parâmetros estudados relativos às atividades sedentárias registaram um aumento na ordem dos 2,2 a 9,3 pontos percentuais, com o maior aumento verificado no uso de computadores para jogos eletrónicos durante a semana pelo menos duas horas por dia, concretamente 18% para 27%”, escrevem os autores.

Fica ainda a saber-se que apenas 20,5% vai pra a escola a pé ou de bicicleta e 25% pratica exercício físico num clube desportivo pelo menos quatro horas semanais. No entanto, mais de metade (56%) tem atividade física espontânea (jogos e brincadeiras) pelos menos duas horas por dia durante a semana e 85% aos fins de semana.

Voluntariado: um exercício de cidadania

Carlos Carreiras, opinião, in \Sol online

O voluntariado jovem em Cascais está consolidado e responde a muitas necessidades de toda a comunidade e atinge com sucesso muitos objetivos direcionados para a comunidade jovem.


Na passada terça-feira, dia 20 de junho, arrancaram os Programas de Voluntariado Jovem deste Verão.
Programas que se traduzem num espaço de encontro entre as pessoas interessadas em ser voluntárias, que oferecem a sua disponibilidade para prestar um conjunto de ações inerentes à condição de cidadania ativa e solidária, e as organizações acolhedoras e promotoras de voluntariado.
Com o envolvimento de mais de 2.500 voluntários, e ainda com algumas centenas de vagas por preencher até ao final do verão, estes projetos oferecem um leque de oportunidades aos jovens cascalenses dos 12 aos 30 anos, ao estabelecerem parceria com cerca de 70 entidades.
O voluntariado jovem em Cascais está consolidado e responde a muitas necessidades de toda a comunidade e atinge com sucesso muitos objetivos direcionados para a comunidade jovem.
Inserem-se numa política de Juventude mais vasta que coloca o jovem de Cascais no centro da ação e que contribui para uma cidadania ativa que os ajuda a não adormecerem no jargão de que são o futuro, para cada vez mais assumirem de plenos direitos e responsabilidade de que são de facto o presente.

É de relembrar que Cascais foi um exemplo nacional no combate à pandemia, quer nos centros de testes, de vacinação e centros de vacinação, quer na distribuição de comida, alimentos ou medicamentos e bens de primeira necessidade. Os Jovens Voluntários estiveram em força e em carinho. Eu não tenho dúvidas de que tal acontece, também, porque as redes formadas pela democracia colaborativa permitiram dar uma resposta com capilaridade e proximidade. Ao mesmo tempo, também não tenho dúvidas de que mobilização para a ação promovida pela dinâmica da Democracia Participativa, o sentido de missão para o bem comum, foi decisivo para que uma geração inteira de jovens e menos jovens se voluntariassem para estar na primeira linha de apoio aos mais fragilizados, num verdadeiro diálogo intergeracional.
Os projetos de voluntariado oferecem opções que permitem agradar a todas as vocações, mesmo aquelas que deste modo são pela primeira vez experimentadas. São várias as causas que mobilizam os Jovens Voluntários, desde as ambientais (Natura Observa e Maré Viva), às culturais (Cultura no Bairro), sociais (Cultura Social), atividade física (Férias na Desportiva) e turismo (Locals), os jovens voluntários podem escolher a atividade que mais se adequa às suas preferências. E são todos verdadeiros promotores de Cascais.

Constituídos com o grande objetivo de promover a participação dos jovens e a fomentar um sentido de cidadania e responsabilidade ativas, ser voluntário em Cascais significa também aprendizagens, participação, amizades. É, ainda, a maneira ideal de conciliar a paixão com as competências, ao permitirem aos mais jovens um primeiro contacto com o mundo de trabalho e unirem esforços em prol da vida do município, para além de promoverem uma maior coesão social e territorial.
O projeto Maré Viva tem como missão assegurar os serviços básicos ao nível da prevenção, vigilância e segurança nas praias do Concelho; o Natura Observa visa a ocupação dos tempos livres de jovens em período de férias num regime quinzenal, fomentando o voluntariado e a educação para o desenvolvimento sustentável através do serviço à comunidade, na defesa e gestão do património natural do concelho de Cascais; a Cultura no Bairro tem como principal objetivo divulgar todas as atividades culturais da Câmara Municipal de Cascais e também, contribuir para o bem-estar dos visitantes à Vila de Cascais; a Cultura Social tem como objetivo desenvolver atividades que melhorem a qualidade de vida das pessoas destinatárias ao projeto, como por exemplo, pessoas com limitações físicas ou cognitivas, crianças/adolescentes, idosos, imigrantes e refugiados, entre outros; o das Férias na Desportiva promove a ocupação saudável dos tempos livres dos jovens contribuindo para qualificar a oferta de atividades de âmbito desportivo do município; e o Locals promove o turismo, ao alocar jovens nos mais variados pontos de Cascais para prestação de informação geral aos visitantes da vila. Enquanto desenvolvem as suas competências de atendimento ao público, os jovens conseguem contribuir para o bom funcionamento do concelho.
Neste ano junta-se mais um, a Jornada Mundial da Juventude 2023, que vai, também, marcar toda a comunidade cascalense.
Por fim, há ainda de realçar que são jovens que organizam e lideram os vários programas.
Cascais tem presente ao assegurar que tem futuro.


Maior acesso a espaços verdes em zonas residenciais pode retardar o envelhecimento

Por Lusa, in Expresso


Resultados de um estudo realizado ao longo de 20 anos em quatro cidades dos Estados Unidos revelam que viver em cidades próximas de espaços verdes pode estar associado a uma melhor saúde e que as disparidades socioeconómicas no envelhecimento podem, pelo menos em parte, dever-se a um acesso desigual aos espaços verdes por parte das comunidades mais desfavorecidas


Uma maior exposição a espaços verdes em zonas residenciais pode retardar o envelhecimento biológico, segundo os resultados de um estudo realizado ao longo de 20 anos em quatro cidades dos Estados Unidos.

A investigação, publicada na 'Science Advances', é liderada pela norte-americana Northwest University, em colaboração com os espanhóis Instituto de Saúde Global de Barcelona (ISGlobal), Universidade de Pompeu Fabra e Centro de Investigação Biomédica em Rede sobre Epidemiologia e Saúde Pública (Cibersp).

Os resultados revelam que viver em cidades próximas de espaços verdes pode estar associada a uma melhor saúde e que as disparidades socioeconómicas no envelhecimento podem, pelo menos em parte, dever-se a um acesso desigual aos espaços verdes por parte das comunidades mais desfavorecidas.

Vários estudos encontraram ligações entre a exposição a espaços verdes e a metilação do ADN, mas não é ainda claro o que estas modificações epigenéticas podem significar no envelhecimento biológico e de que forma podem diferir em função de dimensões sociais como a raça e o nível socioeconómico.

A metilação é um processo que determina quando e como são ativados os genes que controlam o desenvolvimento do organismo e que podem ser afetados por causas ambientais.

Para explorar melhor este aspeto, a equipa de investigadores recorreu à epigenética, que visa identificar as modificações do ADN provocadas por fatores ambientais e comportamentais.

Os investigadores examinaram os dados sobre a metilação do ADN, espaços verdes e dados demográficos do grupo de 924 participantes no estudo, entre os quais 376 negros e 548 brancos, residentes em Chicago, Birmingham, Minneapolis e Oakland entre 1985 e 2006.

O estudo comparou biomarcadores de envelhecimento baseados na metilação do ADN com a densidade da vegetação obtida por satélite e a localização de parques próximos das habitações dos participantes.

Uma das descobertas foi que uma maior exposição a espaços verdes junto a zonas residenciais estava associada a um envelhecimento epigenético mais lento, mas apenas entre os participantes brancos.

Os participantes negros estavam, em média, menos expostos a espaços verdes, e os de nível socioeconómico mais baixo revelaram uma forte associação entre a exposição aos espaços verdes e o envelhecimento, conclui o estudo.

Segundo os autores do estudo, estes resultados revelam que grupos desfavorecidos podiam ter maiores benefícios de saúde através de um maior acesso a espaços verdes, sendo, no entanto, necessárias mais pesquisas para identificar os fatores de saúde responsáveis por esse efeito, bem como outros indicadores sociais em jogo.

"Os nossos resultados têm implicações importantes para combinar a intervenção da saúde pública e o planeamento urbano com o objetivo de ampliar as infraestruturas verdes e maximizar a sua utilização, o que pode estar associado a uma maior esperança de vida", escrevem os autores.

Arroz atingiu preços recorde e pode (ainda) subir mais

 in SIC

Depois de quase ter duplicado de preço no ano passado, o arroz poderá voltar a ter um ligeiro aumento este ano. O custo com as sementes e os fertilizantes continuam a ter um forte peso para quem produz.


A colheita só vai chegar lá mais para o fim do verão mas os produtores de arroz já começam a fazer contas ao peso da fatura com tudo o que já foi gasto. Uma situação semelhante à do ano passado e que levou a uma significativa subida de preço.

“Todos os fatores de produção subiram no último ano: os combustíveis, sementes, fertilizantes. Depois, claro, que o produto final teve que ajustar o preço para que a fileira do arroz não continuasse com valores negativos”, destaca Armindo Valente, presidente da Cooperativa Agrícola de Montemor-o-Velho.

Além do combustível consumido pelas máquinas agrícolas, a produção de arroz recorre também ao gás para o processo de secagem. Uma fatia importante dos que está a baixar criando margem para que não se repitam as significativas subidas de preço do fim do ano passado

“Pode haver um pequeno ajuste mas de facto o maior aumento foi o ano passado. Este ano aquilo que esperamos é que o preço se mantenha e se houver um ajuste seja pequeno”, diz Armindo Valente.

Outra ameaça ao preço do arroz chega da quebra na oferta, pelo menos nos campos do Baixo Mondego muitos agricultores tê reduzido o investimento no arroz, preferindo aumentar as áreas dedicadas à produção de milho.

Os pobres da Europa

Jorge Barreto Xavier, opinião, in DN


Nas sociedades europeias, face à pobreza, acontecem efeitos simultâneos. Há os dispositivos públicos, das igrejas e de outras instituições, que procuram a sua erradicação através de programas educativos, formação, incentivos ao emprego, apoio à habitação, suporte alimentar, RSI, etc.; há os programas de emergência social; há as atitudes cidadãs face à pobreza.

1. A erradicação da pobreza -- A pobreza, a carência de acesso a recursos básicos, é, infelizmente, um problema que acompanha a história da Humanidade. Há exemplos comunitários e de distribuição equitativa, desde a Pré-História e nas mais diversas localizações geográficas, que nos deviam inspirar hoje. A verdade é que vivemos graus elevados de desigualdade, embora as condições de acesso à proteção social na Europa sejam, em geral, melhores do que na maior parte do mundo. Os modelos atuais que pretendem erradicar a pobreza demonstram capacidade de contenção relativa do fenómeno, mas não efetivam, tendencialmente, a sua erradicação. Situações recentes de contexto - crise económica, guerra, aumento da inflação - têm propiciado o aumento das carências.

2. Os programas de emergência social -- Estes programas têm sido essenciais para responder, no curto prazo, a situações de habitação, acesso a bens alimentares, vestuário, medicamentos ou situações similares, originadas por desemprego, aumento de custos de bens essenciais, reformas insuficientes, remunerações de trabalho abaixo do limiar das necessidades básicas ou, de forma evidente nos últimos anos, a fuga de cenários de guerra, refugiados e migrações, legais e ilegais. Infelizmente, amiúde, situações de emergência social tendem a prolongar-se e medidas que deviam ser emergenciais tornam-se assistenciais no médio prazo. Cessando, colocam muitas vezes os beneficiários, de novo, num ciclo de limitações e dificuldades.

3. As atitudes cidadãs -- Há um número pequeno de cidadãos que, confrontado com fenómenos de pobreza, se mobiliza e procura contribuir, na medida das suas possibilidades, para melhorar a vida dos que sofrem desta circunstância, notando que, mais do que pobres, o que há é pobreza. Esta não é a atitude da maioria. A maioria que não pode ser categorizada toda da mesma maneira. Para lá dos indiferentes, há os que consideram que, com a carga fiscal que pagam, já entregam ao Estado o suficiente para que este se ocupe do assunto e que mais não têm de se preocupar; há quem considere que um pobre é, essencialmente, um mandrião - é pobre por não trabalhar o suficiente, por não se fazer à vida; há os que têm horror aos pobres, pois a sua visão confronta-os com realidades que querem ignorar, e procuram, por isso, afastar-se o mais possível; há quem os associe a grupos que criticam e que, por vezes, mais ou menos abertamente, detestam: refugiados, imigrantes, ciganos, nomeadamente.


O que provoca na Europa a execração do fenómeno da pobreza? Países como a Hungria, a Polónia, a Roménia e outros próximos da Ucrânia são destino de milhões de deslocados da guerra com a Rússia. Países como a Grécia, Itália e outros da região mediterrânica têm recebido vagas sucessivas de norte-africanos, fugindo da guerra e/ou da falta de recursos, ou, simplesmente, procurando uma vida melhor.

Há pouco tempo, na Grécia, assisti ao desespero de crianças a procurar vender na rua pensos e pechisbeques, sendo ignoradas por toda as pessoas a quem se dirigiam. Podia ser um dos nossos filhos ou netos, podia ser em muitos outros lugares... Será que são exploradas por uma rede de tráfico?; são filhos de famílias pobres à procura de sobreviver naquele dia com uma refeição?; ao fim da tarde vão bater-lhes por não trazerem o suficiente? Qual o seu futuro imediato? Qual o seu futuro? Estas situações multiplicam-se. Agravam-se. O seu agravamento pode tornar o desespero revolta, e a revolta violência. Esta pode manifestar-se por atos isolados, por adesão a causas radicais. Se, por um lado, precisamos de proteger o que Ursula von der Leyen chamou "o modo de vida europeu", por outro essa proteção implica transformar o incómodo cidadão face à pobreza em proatividade e promover ações sistémicas no quadro internacional que estabilizem as condições de vida em países hoje em ruína. Se assim não for, entre a miragem de fazer parte do "modo de vida europeu" e a pressão dos contextos atuais, todos ficaremos a perder.

'Despertar da Teatral'Idade'. Uma peça com foco no "envelhecimento ativo"


No próximo dia 5 de julho o Teatro do Bairro, em Lisboa, vai receber o 'Despertar da Teatral'Idade', um projeto que conta com artistas profissionais e não profissionais que reivindicam "os direitos das pessoas na maior idade a um envelhecimento ativo e à participação na sociedade".


O espectáculo, que terá interpretação em Língua Gestual Portuguesa, nasceu, segundo a organização, no grupo 'Teatral’Idade', "um grupo de teatro de Reformados da Função Pública".

Todo o projecto foi construído em conjunto, "em oficinas desenvolvidas ao longo de 10 meses - de design, cenografia, escrita criativa, dança e movimento, interpretação - provando que a terceira idade pode ser estimulante, criativa, e ativa".

'O Despertar da Teatral’Idade' parte assim da premissa de uma partilha de conhecimentos intergeracionais, onde jovens profissionais trabalharam em colaboração com os participantes com mais de 65 anos, onde os grupos partilharam práticas artísticas, ferramentas de criação e um um vasto rol de experiências.

A peça é produzida pela 'Além Mundus' no âmbito do programa 'Arte e Envelhecimento Activo', uma parceria do Ministério da Cultura e da DGArtes.

A direção artística e encenação ficaram a cargo de Carolina Serrão, professora de teatro do grupo desde 2015. Já o texto foi escrito por Carolina Campanela e concebido "a partir das experiências dos 13 participantes do curso, baseado nas histórias de vida que contaram".

Em palco, este colectivo de pessoas questiona e reflete sobre os diferentes papéis que lhes foram sendo atribuídos ao longo da vida, cruzando memórias passadas e inquietações presentes, e lançando a questão: será a força do colectivo 'Teatral’idade' capaz de despertar uma nova revolução?

Presidente da República junta-se à evocação dos 500 anos das perseguições aos portugueses ciganos

Ana Cristina Pereira,  in Público


Proposta de grupo de cidadãos, para o biénio 2025-2026, também foi bem acolhida pelo presidente da Assembleia da República.

O Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, decidiu integrar a comissão de honra da proposta de evocação, no biénio 2025-2026, do quinto centenário da perseguição aos portugueses ciganos. O presidente da Assembleia da República (AR), Augusto Santos Silva, também já acolheu a iniciativa.


Marcelo Rebelo de Sousa esteve nesta quarta-feira à tarde reunido com diversos elementos da comissão promotora, formada por cidadãos ciganos e não-ciganos. E aí lhes garantiu que poderão contar com o alto patrocínio da Presidência da República.

“Trata-se de uma ocasião para relembrar o sofrimento e injustiça sofridos pelas portuguesas e portugueses ciganos nesses cinco séculos, mas também para celebrar mais de meio milénio de vida cigana portuguesa e o respectivo contributo para a cultura e identidade nacionais”, lia-se, pouco depois, numa nota publicada no site oficial da Presidência. “A iniciativa ajudará a construir futuro.”


“É importante evocar este episódio infeliz da história portuguesa para evitar repeti-lo”, disse, por sua vez, Santos Silva, num breve telefonema com o PÚBLICO. “Essa evocação constitui uma ocasião soberana para consolidar a nossa consciência comum de que é preciso evitar qualquer discriminação que negue seja a quem for a sua dignidade.”

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Da comissão de honra fazem parte Elisa Ferreira, comissária europeia da Coesão e Reformas, Fernando Negrão, presidente da Primeira Comissão da Assembleia da República, Francisco Assis, presidente do Conselho Económico e Social, e Luísa Salgueiro, presidente da Associação Nacional de Municípios Portugueses.

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Presume-se que os primeiros ciganos tenham chegado a Portugal na segunda metade do século XV. A iniciativa toma como ponto de referência o primeiro documento régio. Em 1525, as Cortes de Torres Novas solicitaram a D. João III que tomasse providências contra os ciganos, que tinham entrado no reino pelo Alentejo. E no dia 13 de Março de 1526 ele aprovou o alvará: “Que não entrem ciganos no reino e que saiam os que nele estiverem.”


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Lar Major Rato: Ter voz não tem idade

 Lídia Barato, in Reconquista



O Lar Major Rato comemora os seus 164 anos de apoio à comunidade idosa e crianças, com um fórum subordinado ao tema “Ter voz não tem idade”.

O Lar Major Rato comemora, dia 17 de julho, pelas 14H00, os seus 164 anos de apoio à comunidade idosa e crianças, com um fórum subordinado ao tema “Ter voz não tem idade”, que decorrerá no Centro Cultural de Alcains, dinamizado em parceria com o Núcleo Distrital de Castelo Branco da EAPN – Rede Europeia Anti Pobreza.

Da relevância de falar ao direito de ser escutado é o mote deste evento, que tem como objetivo a participação das pessoas idosas e crianças, desafiando-os a novos projetos, que visem a auscultação e a voz mais ativa destes grupos. A participação no Fórum é gratuita, mas de inscrição obrigatória.

A sessão começa com a passagem do vídeo “Ter voz não tem idade”, com testemunhos dos utentes idosos da ERPI - Estrutura Residencial para Pessoas Idosas e das criaças do Infantário do Lar Major Rato de Alcains. Serão oradores a advogada e mediadora de conflitos Isabel Oliveira, que versará sobre o tema “O direito de ser escutado”, e o animador sociocultural Bruno Trindade, que abordará a questão “REbrincar ao longo da vida”.

A abertura estará a cargo de Maria da Conceição Leão, presidente da direção do Lar Major Rato, Frederico Reis, presidente do Conselho Geral do Núcleo Distrital da EAPN, Nuno Maia, diretor do Centro Distrital da Segurança Social de Castelo Branco, Milena Santos, presidente de Junta de Freguesia de Alcains, e Leopoldo Rodrigues, presidente da Câmara Municipal de Castelo Branco.

Encerramento, depois do debate e reflexão sobre as intervenções, contará com um momento musical pelo Grupo Musical do Lar Major Rato.

Banco de Portugal anuncia revisão das taxas de esforço para aumentar acesso ao crédito à habitação

Por Lusa, in Público


A vice-governadora do Banco de Portugal acredita que o ajuste vai permitir que mais famílias acedam a crédito. A informação foi partilhada durante uma entrevista à Antena 1 e ao Jornal de Negócios.

A vice-governadora do Banco de Portugal, Clara Raposo, informou este sábado que o banco central vai rever o cálculo da taxa de esforço, permitindo, assim, que mais famílias possam aceder ao crédito à habitação. A decisão vai ser tomada ainda este ano para os novos créditos, explicou a vice-governadora numa entrevista à Antena 1 e ao Jornal de Negócios.

"Acho que faz sentido revermos a recomendação macroprudencial”, referiu Raposo. "Agora temos aqui este período do Verão e uma melhor capacidade da previsibilidade da evolução futura das taxas de juro", continuou. "Estamos a olhar no sentido de baixar aqui um pouco o choque extra."

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Com a revisão, Raposo acredita que "mais famílias que poderão vir a aceder a crédito".

Sobre as renegociações dos créditos à habitação, Clara Raposo não avançou com números concretos, mas adiantou que os dados que existem não são preocupantes. "No diálogo com a banca e nos números que temos até agora, ainda não encontramos um número que nos preocupe assim muito quanto a incumprimentos ou dificuldades das famílias em cumprir as suas obrigações", afirmou.


Segundo a vice-governadora, os valores do crédito malparado não sofreram alterações significativas entre o final do ano passado e o primeiro trimestre deste ano.

Clara Raposo referiu igualmente que compreende as preocupações dos ministros das Finanças que acham que as subidas das taxas de juro já foram suficientes para evitar um efeito mais recessivo.

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Medidas do Governo não vão contra BCE

A vice-governante do Banco de Portugal esclarece, no entanto, que as medidas implementadas pelo Governo português para minimizar o impacto da subida das taxas de juro e da inflação, não vão contra as determinações do BCE (Banco Central Europeu), admitindo, no entanto, que possa existir uma revisão cirúrgica para manter alguma disciplina orçamental.

uestionada sobre a política do BCE de aumento das taxas de juro, Clara Raposo afirmou não ter certezas sobre a necessidade de aumento das mesmas em Julho, porque é preciso dar tempo para que as subidas anteriores produzam efeitos na economia. Ainda assim considerou que, psicologicamente, os agentes já estão preparados para esse aumento.

A vice-governadora apelou ainda às empresas para que façam reflectir nos preços ao consumidor e nas suas margens de lucro a reversão que já se verificou no mercado da energia e que levou ao aumento dos custos nas empresas.

Raposo não considera que tenha havido um aproveitamento deliberado das empresas do aumento da inflação. O que houve foi um aproveitamento da situação por alguns sectores já identificados e isso, disse a representante, "tem um limite". Neste sentido, Clara Raposo apela a um contributo geral de empresas e trabalhadores.

A vice-governadora pediu igualmente “um compasso de espera para que se consiga uma descida de inflação que convença todos na Europa”.

[artigo disponível na íntegra só para assinantes aqui]

Choque no aumento da pobreza infantil mitigado pelas prestações sociais

António Pereira, in Público online

O risco de pobreza infantil aumentou na última década, mas apoios sociais permitiram ligeira melhoria nos últimos anos, com dados disponíveis: 20,4% em 2020 e 18,5% em 2021

Para a investigadora da Escola Nacional de Saúde Pública Joana Alves, que estuda as causas dos problemas na saúde e na economia social, “a desigualdade é muito injusta e nociva, porque acaba por prejudicar todas as classes e determina que fiquemos abaixo da nossa capacidade enquanto sociedade”. Mas são as pessoas com menores rendimentos, ou seja, os pobres, que mais sofrem, por entrarem numa espiral de falta de dinheiro e de acesso às condições essenciais para serem, de facto, cidadãos de pleno direito na educação, na saúde, na habitação, no emprego. Uma das lutas decisivas é contra a pobreza infantil, a base geracional (0 aos 17 anos) do futuro. Em Portugal, o risco de pobreza infantil subiu, segundo os dados disponíveis em 2020, para 20,4%, perto dos 22,8% de 2007. Mas os dados do Inquérito às Condições de Vida e Rendimento, feito pelo Instituto Nacional de Estatística (INE), referentes a 2021, atenuam o choque, reduzindo esse risco para 18,5%, ao nível de 2019, quando a curva da pobreza recomeçou a descer até ao pico de 2020.

“A desigualdade e as bolsas de pobreza são persistentes ao longo dos anos. E depois há anos contraciclo”, observa Joana Alves. “Não há só a diferença entre mais pobres e mais ricos, existe um gradiente ao nível social. Ou seja, a cada degrau que nós descemos corresponde a perda de anos de vida, o aumento da mortalidade, a diminuição da esperança média de vida e o crescimento da morbilidade com que vivemos, quer em carga da doença, quer na degradação da saúde mental”, analisa. E sublinha alguns factores afectados: comportamentos da mobilidade, o exercício físico, uma melhor nutrição e até o consumo de tabaco e álcool.

E conclui: “Realmente, o que vemos é um gradiente. Não se passa de um extremo para o outro. Tudo contribui, da família ao contexto em que nascemos. Todo este contexto influencia a saúde, as nossas oportunidades para estudar, o acesso às actividades extracurriculares. Umas crianças ficam em casa porque os pais trabalham por turnos, outras podem ir para o Inglês, para a Música, etc. Isto por um lado é extremamente injusto e, por outro, é evitável.”

[...]

Atenção ao sobe e desce

O bom indicador constante no Inquérito às Condições de Vida e Rendimento do INE, de Janeiro de 2023, em que o risco de pobreza dos menores de 18 anos diminuiu 1,9%, de 20,4%, em 2020, para 18,5%, em 2021, é bem acolhido por Fátima Veiga, que trabalha no gabinete de investigação e projectos da sede da Rede Europeia Anti-Pobreza (REAP) em Portugal, no Porto.

“Andamos sempre neste sobe e desce”, diz sobre a curva ondulante da taxa de pobreza e exclusão social, que tanto tem períodos de aumento do risco para as crianças, como anos em que as notícias são mais animadoras. Neste caso concreto, pode ter a ver com as transferências sociais. O aumento do abono de família pode ter contribuído para descer a taxa de pobreza de 2020 para 2021”, analisa a socióloga que na REAP tem por principal área de trabalho e de investigação a infância e juventude, em particular a pobreza infantil.

No entanto, nota Fátima Veiga, que trabalha na REAP desde 1997, o caminho do combate à pobreza infantil é longo e sinuoso. “Estamos a viver com uma inflação alta, que se reflecte em todas as áreas da nossa vida e muito no crédito à habitação. A situação é mais difícil para todas as famílias e não só para as das classes mais baixas”, alerta.

“Há muitas notícias de despejos, de famílias em que os dois membros do casal trabalham e não conseguem pagar as contas da casa. E nestas famílias há sempre crianças”, destaca Fátima Veiga.

Por isso, “é muito difícil ter crianças, é essa a razão de sermos um país com um índice de envelhecimento dos mais altos”, explica. “Temos de ter um nível de acolhimento pleno das famílias migrantes e, além disso, criar mais medidas de apoio à natalidade", aponta.

E termina com mais um alerta: “Portugal é um país com salários muito baixos. E esses salários muito baixos colocam os casais que trabalham em grandes dificuldades para pagar as contas mensais, o que torna muito difícil tomar a decisão de ter filhos.”

[...]

A pobreza na infância e nos mais velhos, as privações materiais e sociais, as diferenças regionais e os desafios do custo de vida. Nesta série editorial, o PÚBLICO faz um raio X ao impacto da pandemia de covid-19 em Portugal, com o apoio da Fundação ‘la Caixa’, BPI e Nova SBE, promotores do estudo Portugal, Balanço Social 2022, publicado em 2023.


[artigo disponível na íntegra só para assinantes aqui