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8.3.23

Portugueses têm dos maiores níveis de intolerância à corrupção da UE

Mariana Oliveira, in Público

Eurobarómetro sobre corrupção também indica que 90% dos inquiridos acreditam que este tipo de fenómeno é “muito” ou “bastante” comum em Portugal. Só 2% dizem ter testemunhado um caso concreto.

Os portugueses são dos cidadãos da União Europeia que apresentam dos maiores índices de intolerância à corrupção, ficando à frente dos finlandeses e dos suecos, que são conhecidos pela pouca tolerância a este tipo de fenómenos.

Segundo os dados do último Eurobarómetro especial dedicado à corrupção, realizado o ano passado, só a Irlanda apresentou um nível de intolerância mais elevado do que Portugal.

Dos 1003 portugueses que responderam ao inquérito financiado pela Comissão Europeia, apenas 1% consideram a corrupção aceitável, enquanto para 23% esta atitude é tolerável. A maioria (76%) vê este fenómeno como algo intolerável.

Mesmo assim, este indicador baixou 12 pontos percentuais desde o anterior Eurobarómetro especial, realizado em finais de 2019, uma tendência que se sentiu um pouco por toda a União Europeia (UE) e que se reflectiu na descida da percentagem média dos cidadãos dos 27 Estados-membros que consideraram a corrupção inaceitável (passou de 69 para 63%).

Este índice resulta da análise das respostas dos inquiridos a três questões: “Se quisesse obter algo da administração pública ou de um serviço público, em que medida pensa ser aceitável dar um presente?”, “fazer um favor?”​ e “dar dinheiro?”.

Apesar dos elevados níveis de intolerância dos portugueses a estas práticas, a tolerância com estes comportamentos aumentou bastante desde 2019, essencialmente quanto à aceitabilidade de dar um presente ou fazer um favor. Nesse Eurobarómetro, só 8% consideravam “por vezes aceitável” dar um presente nessas situações, uma percentagem que cresceu para 20% no último inquérito especial. Em 2019, havia 6% de portugueses a dizer que “por vezes era aceitável” fazer um favor para obter algo da administração pública ou de um serviço público, uma percentagem que subiu para 19% no ano passado.

Apesar de mais de três quartos dos portugueses garantirem ser intolerantes à corrupção, 90% acreditam que este tipo de fenómeno é “muito” ou “bastante” comum em Portugal, uma percentagem que caiu quatro pontos face ao inquérito anterior.

Questionados sobre se a corrupção aumentou, permaneceu no mesmo nível ou diminuiu nos três anos anteriores, 51% consideraram em 2022 que estas práticas subiram (menos 4% do que em 2019) e 34% disseram que estava tudo igual (mais 8% do que no inquérito anterior).

Embora os portugueses considerem a corrupção um fenómeno comum no país, apenas 8% (em 2019 eram 7%) disseram conhecer alguém que aceite ou tenha aceitado subornos. Bastante menos que os 34% de gregos e de 25% dos letões que afirmam o mesmo. Aliás, ao nível deste indicador, Portugal fica abaixo da própria média da UE, que está nos 11%.

Ainda mais baixo é o número de portugueses que assumiu que “nos últimos 12 meses foi vítima ou testemunhou algum caso de corrupção”. A essa pergunta responderam afirmativamente apenas 2% dos inquiridos (menos 1% do que em 2019), o que coloca Portugal bem abaixo da média dos cidadãos dos 27 países da UE, que foi de 6%.

Um valor mais baixo do que o registado no inquérito “O que pensam os portugueses sobre corrupção: percepções-atitudes-práticas”, do Instituto de Ciências Sociais (ICS) da Universidade de Lisboa, publicado em 2021 com financiamento da Fundação para a Ciência e Tecnologia.

De uma amostra de 1020 pessoas, representativa da população portuguesa, 7% admitiram que, nos últimos três anos, funcionários públicos lhe pediram ou deram a entender que queriam presentes, favores ou subornos em troca dos seus serviços.
Resultados “surpreendentes” e “enigmáticos”

Luís de Sousa, investigador principal do ICS e um dos autores deste estudo, que apresenta um extenso currículo de artigos científicos na área da criminalidade económico-financeira, considera “surpreendentes” e até “enigmáticos” os resultados de Portugal relativamente ao nível de intolerância à corrupção, explicando que essa estranheza levou um colega a estudar especificamente esta questão.

Apesar de considerar 7% uma percentagem baixa no contexto europeu, Luís de Sousa nota que face a estudos idênticos que realizou há uns anos a percentagem significa uma subida para mais do dobro. “Crescemos de três para 7%”, refere.

Entre os indicadores existentes sobre a dimensão do fenómeno da corrupção, nota Márcia Costa no mestrado “Decisões judiciais sobre o crime de corrupção em Portugal: um estudo de sentencing”​, está o Barómetro Global da Corrupção da Transparência Internacional. Neste estudo, o último divulgado em 2021, dá-se conta de que 3% dos inquiridos (utilizadores de serviços) indicaram o pagamento de subornos nos últimos 12 meses.

Confrontados com uma lista de profissionais/instituições em que “a maior parte ou todas as pessoas” são corruptas, 33% dos inquiridos apontaram para os banqueiros, 27% para os empresários, a mesma percentagem que indicou os deputados do Parlamento. Os autarcas com 19%, o Governo com 16%, o primeiro-ministro com 15% e os magistrados com 11% são as restantes categorias mais referenciadas.

A Transparência Internacional ainda realiza anualmente o Índice de Percepção da Corrupção, que avalia o grau em que especialistas e gerentes de empresas acreditam que funcionários públicos e políticos aceitam subornos, pagamentos ilícitos em compras públicas, desviam fundos ou cometem crimes semelhantes. Portugal obteve no ano passado 62 pontos em 100, tendo ficado na 33.ª posição numa lista de 180 países que tem a Dinamarca à cabeça, com 90 pontos, e a Somália no fundo, com 12. A posição de Portugal tem-se mantido relativamente estável desde 2012, tendo oscilado entre os 64 e os 61 pontos.

18.1.23

Aumento do custo de vida e pobreza são os assuntos que mais preocupam portugueses, diz o Eurobarómetro

por Lusa, in Observador

98% dos cidadãos nacionais identificou o aumento do custo de vida, por exemplo, através da subida do preço de produtos alimentares e da energia como o assunto mais preocupante.O aumento do custo de vida, como consequência da inflação exacerbada pela guerra na Ucrânia, assim como a pobreza e a exclusão social são as questões que mais preocupam os portugueses, de acordo com o último Eurobarómetro.

Segundo o último relatório estatístico europeu, divulgado esta quinta-feira, que inquiriu 1.028 cidadãos portugueses de um total de 26.431 cidadãos pertencentes a Estados-membros da União Europeia (UE), 98% dos cidadãos nacionais identificou o aumento do custo de vida, por exemplo, através do aumento do preço de produtos alimentares e da energia como o assunto mais preocupante, uma percentagem que é em cinco pontos percentuais superior à média dos 27.

Apesar da preocupação, 47% dos inquiridos nacionais respondeu que até ao momento está a viver com algum conforto com os rendimentos de que dispõe, enquanto 40% revelou que enfrenta algumas dificuldades atualmente e 9% disse que enfrenta bastantes dificuldades com os rendimentos atuais. Em comparação com a média europeia, 46% responderam que vivem confortavelmente com os rendimentos que têm, enquanto 36% dizem passar por algumas dificuldades.

O tópico seguinte que mais preocupa a população nacional é a pobreza e a exclusão social (95%). Aqui há um hiato maior para a média europeia, já que 82% responderam que esta era uma preocupação maior.





Mas a maior disparidade surge quando a questão é sobre a possibilidade de propagação de doenças infecciosas como a covid-19 ou a varíola dos macacos. Os portugueses são mais receosos do que a média europeia, uma vez que 83% responderam que estavam “preocupados” com essa hipótese, em oposição à média da UE, que é de 62%.

Com a guerra na Ucrânia a cumprir quase um ano e sem desfecho à vista continua a pairar o receio de uma escalada nuclear do conflito, que se refletiu na maioria dos mais de 1.000 cidadãos portugueses inquiridos. 89% respondeu que receia “incidentes nucleares” e apenas 9% respondeu que essa questão não levanta preocupações. Olhando para o conjunto dos países do bloco comunitário, 74% acredita que o risco é real, enquanto 25% descarta essa possibilidade

Questionados também sobre o estado da generalidade do país, 43% dos portugueses inquiridos considerou que está a ir “na direção errada”, mas aqui os portugueses estão abaixo da média europeia, que é de 62%. 30% dos cidadãos nacionais consideram que Portugal está no caminho certo, 16% não sabem e 11% consideraram que a situação do país continua igual.

Em relação ao estado da União Europeia, a percentagem portuguesa (35%) contrasta com a europeia (51%) quando a resposta é “as coisas estão a ir na direção errada. A mesma percentagem de portugueses considera que a União Europeia está no rumo correto.

Contudo, mais de metade dos portugueses (52%, no universo da amostra de 1.028) está otimista em relação ao futuro do bloco comunitário. Neste parâmetro, a população entre os 15 e os 24 anos e entre os 40 e os 54 anos é que apresenta uma fatia maior de otimismo em relação ao futuro da UE, 52% e 61%, respetivamente.

13.1.23

Custo de vida, pobreza e exclusão social são o que mais preocupa os portugueses

in RTP

O aumento do custo de vida, a pobreza e exclusão social são os assuntos que mais preocupam os portugueses. O Eurobarómetro mostra agora que o aumento dos preços de alimentos e da energia preocupa 98% dos cidadãos nacionais. A pobreza preocupa 95 por cento.

Veja a reportagem aqui

Eurobarómetro. Aumento do custo de vida e pobreza são as maiores preocupações dos portugueses


por Lusa, in RR


Com a guerra na Ucrânia a cumprir quase um ano e sem desfecho à vista continua a pairar o receio de uma escalada nuclear do conflito, que se refletiu na maioria dos mais de 1.000 cidadãos portugueses inquiridos no Eurobarómetro.

O aumento do custo de vida, como consequência da inflação exacerbada pela guerra na Ucrânia, assim como a pobreza e a exclusão social são as questões que mais preocupam os portugueses, de acordo com o último Eurobarómetro.

De acordo com o último relatório estatístico europeu, divulgado esta quinta-feira, que inquiriu 1.028 cidadãos portugueses de um total de 26.431 cidadãos pertencentes a Estados-membros da União Europeia (UE), 98% dos cidadãos nacionais identificou o aumento do custo de vida, por exemplo, através do aumento do preço de produtos alimentares e da energia como o assunto mais preocupante, uma percentagem que é em cinco pontos percentuais superior à média dos 27.

Apesar da preocupação, 47% dos inquiridos nacionais respondeu que até ao momento está a viver com algum conforto com os rendimentos de que dispõe, enquanto 40% revelou que enfrenta algumas dificuldades atualmente e 9% disse que enfrenta bastantes dificuldades com os rendimentos atuais. Em comparação com a média europeia, 46% responderam que vivem confortavelmente com os rendimentos que têm, enquanto 36% dizem passar por algumas dificuldades.

O tópico seguinte que mais preocupa a população nacional é a pobreza e a exclusão social (95%). Aqui há um hiato maior para a média europeia, já que 82% responderam que esta era uma preocupação maior.

Receio com a propagação de doenças infecciosas

Mas a maior disparidade surge quando a questão é sobre a possibilidade de propagação de doenças infecciosas como a Covid-19 ou a varíola dos macacos. Os portugueses são mais receosos do que a média europeia, uma vez que 83% responderam que estavam "preocupados" com essa hipótese, em oposição à média da UE, que é de 62%.

Com a guerra na Ucrânia a cumprir quase um ano e sem desfecho à vista continua a pairar o receio de uma escalada nuclear do conflito, que se refletiu na maioria dos mais de 1.000 cidadãos portugueses inquiridos. 89% respondeu que receia "incidentes nucleares" e apenas 9% respondeu que essa questão não levanta preocupações. Olhando para o conjunto dos países do bloco comunitário, 74% acredita que o risco é real, enquanto 25% descarta essa possibilidade.

Questionados também sobre o estado da generalidade do país, 43% dos portugueses inquiridos considerou que está a ir "na direção errada", mas aqui os portugueses estão abaixo da média europeia, que é de 62%. 30% dos cidadãos nacionais consideram que Portugal está no caminho certo, 16% não sabem e 11% consideraram que a situação do país continua igual.

Em relação ao estado da União Europeia, a percentagem portuguesa (35%) contrasta com a europeia (51%) quando a resposta é "as coisas estão a ir na direção errada. A mesma percentagem de portugueses considera que a União Europeia está no rumo correto.

Contudo, mais de metade dos portugueses (52%, no universo da amostra de 1.028) está otimista em relação ao futuro do bloco comunitário. Neste parâmetro, a população entre os 15 e os 24 anos e entre os 40 e os 54 anos é que apresenta uma fatia maior de otimismo em relação ao futuro da UE, 52% e 61%, respetivamente.

25.10.22

Portugal é o país da UE onde as pessoas se sentem menos informadas sobre a qualidade do ar

Carla Barata, in Público online

Inquérito Eurobarómetro revela atitudes dos europeus face à poluição atmosférica. A maior parte da população desconhece os padrões de avaliação do ar que respiramos.

Portugal é o país da União Europeia onde as pessoas dizem sentir-se menos informadas acerca dos problemas da qualidade do ar e poluição atmosférica (58% dos portugueses reconhecem não estar muito bem informados, e 21% nada informados, um total de 79%, e essa percentagem cresceu ligeiramente em relação a 2019). Na União Europeia (EU), a proporção é de 46% (pouco informados) e 14% (nada informados), revela o Eurobarómetro sobre as atitudes dos europeus face à qualidade do ar, divulgado nesta segunda-feira.

Cerca de metade dos europeus (47%), considera que a qualidade do ar piorou nos últimos anos. Em Portugal, 46% é da mesma opinião. No entanto, houve um recuo de 11 pontos percentuais em relação ao que os europeus diziam sentir em 2019, e de quatro pontos em Portugal.

A grande maioria dos cidadãos europeus, no entanto, diz que nunca ouviu falar dos padrões de qualidade do ar estabelecidos pela União Europeia (73%). Em Portugal, esse desconhecimento é menor: é partilhado por 62% da população. Mas, apesar de as desconhecerem, tanto portugueses como os outros cidadãos europeus consideram que essas regras devem ser reforçadas (68% em Portugal).

Essa opinião é mais representada nos países em que é mais forte a ideia de que a qualidade do ar diminuiu, como Malta, Chipre ou França. Portugal fica mais ou menos a meio da tabela. O país onde é maior a proporção dos cidadãos que consideram que a qualidade ar melhorou mais (39%) é a República Checa.

A esmagadora maioria dos europeus considera que as doenças relacionáveis com a poluição do ar são um problema grave no seu país. A nível europeu, 89% vê as doenças respiratórias, desta forma, quando em Portugal essa percentagem desde para 81%. Quanto à asma, 88% considera esta doença um problema sério, mas em Portugal apenas 79% a vêem assim. Portugal fica um pouco abaixo da opinião dos europeus em relação à gravidade das doenças cardiovasculares (79% para 83%).

A acidificação (conhecida como chuva ácida, que afecta as florestas, por exemplo) e eutrofização (aumento de matéria orgânica num ecossistema) são vistas como problemas graves por 83% dos europeus. Em Portugal, só 72% dos cidadãos são da opinião que estas são consequências graves da poluição.
A culpa da indústria

Quando aos responsáveis pela má qualidade do ar, a maioria da população aponta o dedo às grandes instalações industriais (73% na UE, 70% em Portugal) como os maiores culpados. Logo a seguir vêm os produtores de energias fósseis (66% na UE, 60% em Portugal). As autoridades públicas são responsabilizadas por 60% dos cidadãos por não garantirem a boa qualidade do ar. Os empregadores são igualmente mencionados – por não possibilitarem deslocações menos poluentes, como ir de bicicleta para o emprego, ou a pé – por 54% dos europeus e 57% dos portugueses.

Não há muito reconhecimento da responsabilidade individual: só 38% dos europeus e 45% dos portugueses considera que os agregados familiares não fazem o suficiente pela qualidade do ar.

O que fazem então os europeus, no seu dia-a-dia, para tentar reduzir as emissões de poluentes atmosféricos? O uso de transportes públicos ou bicicleta são as acções mais citadas (41% ao nível da UE, e 27% em Portugal). Quarenta por cento dos europeus dizem ter substituído electrodomésticos antigos com maior consumo energético por equipamentos mais novos, com uma melhor classe de eficiência energética, mas só 26% dos portugueses o fizeram. Isolar termicamente a casa foi algo que fizeram 22% dos europeus, mas apenas 8% dos portugueses.

5.7.22

Portugueses são os segundos da UE a sentir mais as consequências económicas da guerra

Diogo Queiroz de Andrade, in Expresso


Um Eurobarómetro especial mostra que Portugal é o segundo país onde mais se sentem as consequências económicas da guerra na Ucrânia, que a maioria dos europeus diz ainda não sentir. E só 49% assumem que a defesa da democracia e da liberdade tenha prioridade face à manutenção do nível de vida - contra 59% dos europeus

Os resultados revelam que, em geral, os portugueses estão mais preocupados com as consequências da guerra e consideram-se menos preparados que a média europeia. E os números também demonstram de forma bastante clara que os portugueses já estão a sentir o impacto no nível de vida, aumentando o seu pessimismo face ao futuro: 57% dos portugueses dizem já ter sentido os efeitos da guerra, contra apenas 40% dos europeus que dizem já ter sentido os efeitos.

E as consequências começam já a fazer-se sentir de uma forma mais profunda. À pergunta sobre se é mais importante defender os valores europeus ou manter o nível de vida, os portugueses distanciam-se novamente dos europeus: enquanto 59% dos europeus querem que a defesa da democracia e da liberdade tenham prioridade, apenas 49% de portugueses defendem o mesmo. E, quando perguntados sobre se a manutenção dos preços e do custo de vida deve ser uma prioridade mesmo que ponha em causa os valores comuns, 45% dos portugueses já concordam, contra 39% da média europeia.

E as preocupações nacionais ficam mais uma vez claras quando se lhes é perguntado quais devem ser as prioridades do Parlamento Europeu. Para os portugueses, a prioridade absoluta deve ser a luta contra a pobreza (66% contra uma média europeia de 37%), a defesa da saúde pública (53% contra 35%) e o apoio à economia e à criação de emprego (52% contra 30%). Henrique Burnay, consultor em assuntos europeus, refere que "estes resultados mostram que temos a perceção de que somos um país pobre, e que estamos mais preocupados do que esperançosos, o que não surpreende." E nota que o processo não está confinado a Portugal e “vai alastrar para o resto da Europa”, sendo que isso levanta outra questão, "que se prende com os instrumentos que serão usados para combater a crise, que podem agravar as assimetrias que já existem."

A imagem do Parlamento Europeu tem mais 3 pontos percentuais de perceção positiva do que no ano passado, sendo Portugal o terceiro país que tem melhor imagem da instituição - só atrás da Irlanda e de Malta. Outro aspeto interessante: a percentagem de portugueses que tem uma opinião positiva sobre a Rússia é 2%, muito menor do que a média europeia de 10%. A isto Burnay responde que "para um país que está geograficamente distante da guerra, mostra que os portugueses percebem o que está a acontecer e que tratam o assunto com a dignidade que ele merece. Em momentos de crise, as pessoas percebem que a Europa é importante e que é nela que estará a solução para os problemas."

Este Eurobarómetro é um especial do Parlamento Europeu na Primavera e é a primeira avaliação ponderada do sentimento dos Europeus face à guerra e aos sinais da crise económica que se instala em alguns setores. As entrevistas foram realizadas entre 19 de abril e 16 de maio, tendo sido recolhidos resultados de 26.580 europeus (entre os quais 1.006 portugueses).

Os resultados do Eurobarómetro especial do Parlamento Europeu revelam que os portugueses são dos primeiros a sentir as consequências da guerra e que, em consequência, se estão a distanciar dos restantes europeus no que toca às prioridades a considerar. Para os portugueses, dada a degradação económica, é mais importante proteger a qualidade de vida do que a promoção dos valores da democracia e da liberdade.

4.3.22

Quase um terço das mulheres abdicou de trabalho pago por causa da carga doméstica durante a pandemia

Aline Flor, in Público on-line

Eurobarómetro mostra que 90% das mulheres em Portugal acredita que a violência de género aumentou. As portuguesas são as mais preocupadas da UE com a disparidade salarial entre mulheres e homens.

Foto 47% das trabalhadoras portuguesas afirmam que a pandemia teve um impacto negativo nos seus rendimentos Daniel Rocha

Não é a abordagem habitual, mas na contagem decrescente para o Dia Internacional das Mulheres o Parlamento Europeu publica um Eurobarómetro em que foram entrevistadas apenas pessoas do sexo feminino - cerca de mil em cada país da União Europeia (UE) - e traça um retrato do impacto da pandemia na vida das mulheres.

Mais de metade das mulheres empregadas em Portugal sentiu que a pandemia teve um impacto negativo no equilíbrio entre trabalho e vida pessoal, uma percentagem que fica acima dos 44% da média da UE. Entre os 27 Estados-membros, é no Chipre que mais mulheres (68%) consideram ter sofrido um impacto negativo neste equilíbrio entre vida profissional e pessoal, seguido da Grécia (59%) e Malta (59%). No outro extremo está a Dinamarca, onde apenas um terço das mulheres se queixa do mesmo.

Quase metade das mulheres empregadas em Portugal (47%) afirmam que a pandemia teve um impacto negativo nos rendimentos: 29% concordam com esta afirmação, e 18% “concordam totalmente” com a mesma. A nível europeu, Grécia (60%), Bulgária (57%) e Chipre (57%) são os países onde as mulheres mais sentiram o impacto negativo da pandemia nos rendimentos, em contraponto com países como Dinamarca (18%), Finlândia (22%) e Estónia (23%). A média europeia situa-se nos 38%.

Há também uma proporção relativamente grande de trabalhadoras portuguesas que fizeram menos trabalho remunerado do que queriam: 42% trabalharam menos do que desejavam “devido ao impacto da pandemia no mercado de trabalho” (a média da UE foi 31%) e 30% tiveram que reduzir o trabalho remunerado devido ao “aumento do trabalho em casa” (na UE, 25% responderam o mesmo).
 

Aumentar

Uma das grandes preocupações levantadas pela pandemia é o impacto desproporcional que ela possa ter nas mulheres a médio ou longo prazo. Os dados ajudam a quantificar: cerca de uma em cada cinco mulheres europeias pretende reduzir permanentemente o tempo que dedica ao trabalho remunerado.


Violência aumentou

Ao nível da violência contra as mulheres, as percepções também são alarmantes: nove em cada dez portuguesas afirmam considerar que houve um “aumento na violência física e emocional contra mulheres no seu país”; a média europeia foi de 77%, e apenas a Grécia ultrapassa a percentagem portuguesa, com 93% das respostas a apontar para este aumento.

Entre todas as mulheres inquiridas em Portugal, 64% consideram que houve um “grande aumento” da violência contra mulheres; 26% responderam que houve um “pequeno aumento”.
 



Em Portugal, 17% das mulheres responderam que conheciam pelo menos uma mulher na família ou círculo de amigos que sofreu assédio online ou outra forma de ciber-violência; outras 17% afirmaram conhecer vítimas que sofreram assédio na rua nos últimos dois anos; 14% conheceram pelo menos um caso de violência doméstica contra mulheres durante a pandemia; 14% estiveram em contacto com casos de violência económica; e 14% souberam de pelo menos uma mulher que foi assediada no trabalho.

Em linha com as respostas a nível europeu, as portuguesas indicam que a principal medida a ser aplicada para combater a violência contra mulheres é tornar mais fácil o processo de queixa às autoridades, mas sugerem também maior formação da polícia e dos magistrados sobre estas questões, o aumento das opções de ajuda para as mulheres vítimas de violência e a promoção da autonomia financeira das mulheres.

Algumas medidas sugeridas pelas outras mulheres europeias que estão mais longe das preocupações da generalidade das portuguesas são as medidas para combater o assédio online (indicada por 36% na Finlândia e apenas 13% em Portugal) e para facilitar o acesso das mulheres à interrupção voluntária da gravidez - pedidas por 30% das mulheres na Polónia, onde o acesso ao aborto é ultra-restrito, e por apenas 4% em Portugal, onde apesar de ser legal ainda existem obstáculos ao acesso à IVG.
Combate às desigualdades

Por fim, também a saúde mental das mulheres sofreu devido às restrições relacionadas com a pandemia. O confinamento e as medidas de recolher obrigatório (41% a nível da UE) e limitações do número de pessoas com quem se podem reunir (38%) foram as medidas que mais impacto negativo tiveram na saúde mental das mulheres.


Em Portugal, mais mulheres manifestaram sentir-se preocupadas com amigos ou família (63%), ansiosas ou stressadas (45%) ou preocupadas com o futuro (41%). Mas no nosso país parece haver mais acesso a meios de apoio, por comparação à média europeia: questionadas sobre o que fariam ou a quem recorreriam se passassem por uma questão de saúde mental, como stress ou ansiedade, 53% das mulheres portuguesas referiram amigos ou família (assim como 48% das europeias) e 52% mencionaram um psicólogo ou terapeuta (quando a média europeia foi de apenas 38%), havendo ainda 41% de mulheres em Portugal que coloca a opção de recorrer ao médico de família (38% na UE).

Quando inquiridas sobre que prioridades deve ter o Parlamento Europeu em matéria de igualdade de género, 55% das mulheres portuguesas estão preocupadas com a “disparidade salarial entre mulheres e homens e o seu impacto no desenvolvimento da carreira”. É a maior preocupação que reportam.

55% das mulheres portuguesas estão preocupadas com a “disparidade salarial entre mulheres e homens e o seu impacto no desenvolvimento da carreira”

Em segundo e terceiro lugar na lista de questões importantes para as portuguesas estão o tráfico e exploração sexual de mulheres e crianças - uma prioridade absoluta em países como Finlândia, Suécia, Roménia, Grécia, Dinamarca e Chipre - e a violência mental e física contra as mulheres, que preocupa com particular importância as mulheres no Leste da Europa.


9.2.22

Portugueses são os mais preocupados com a promoção da saúde pública na UE

Rita Siza, in Público on-line

Dados do Eurobarómetro de Outono mostram que os portugueses entendem que o combate à pandemia, a luta contra a pobreza e a exclusão social, e o apoio à economia e emprego devem ser as prioridades da acção política europeia. No Norte da Europa, e entre os jovens, a maior preocupação são as alterações climáticas.

Sem surpresa, no final de 2021, o combate à pandemia mantinha-se no topo das preocupações dos cidadãos de onze países da União Europeia, entre os quais Portugal, onde uma expressiva maioria de 72% (o valor mais elevado em toda a UE) considera que a promoção da saúde pública deve ser a principal prioridade para a acção política das instituições europeias no futuro próximo, como revelam os dados do Eurobarómetro de Outono, divulgados esta terça-feira.

Segundo o estudo de opinião encomendado pelo Parlamento Europeu, e realizado entre 1 de Novembro e 2 de Dezembro do ano passado, os portugueses entendiam que, no actual contexto da crise sanitária e social, as atenções dos dirigentes e parlamentares europeus deveriam estar focadas na luta contra a pobreza e exclusão social (61%) e nos apoios à economia e ao emprego (60%) — que são as principais preocupações em cinco Estados-membros da UE, nomeadamente a França ou o Luxemburgo.

Em oito países, quase todos do Norte da Europa, e nas camadas mais jovens da população, é o combate às alterações climáticas que é apontado como a principal prioridade para a acção política da UE — que, em todos os 27 Estados-membros, sem excepção, é avaliada positivamente por mais de metade dos inquiridos. Em Portugal, 67% confirmaram ter uma imagem positiva da UE, e 88% consideraram que a integração no bloco comunitário beneficia o país.

A Itália e a Espanha, que são os maiores beneficiários do fundo de recuperação “Próxima Geração UE”, foram dois dos doze países onde mais cresceu a percepção das vantagens de pertencer à UE no ano passado. A cooperação entre países, o crescimento económico e as oportunidades são, a par da paz e segurança, as razões que estão por detrás da satisfação dos cidadãos com a UE.

Segundo o Eurobarómetro uma maioria de 58% dos inquiridos mostra interesse em seguir a actividade legislativa de Bruxelas, enquanto 44% admite ter pouco ou nenhum interesse em acompanhar a política europeia. Mas quatro em cada dez dizem que gostariam de obter mais informação sobre a forma como os fundos comunitários são gastos no seu país, e três em dez gostariam de perceber melhor quais são as consequências concretas das decisões tomadas em Bruxelas na sua vida.

As questões ligadas à segurança e protecção das fronteiras, migrações e asilo ou combate ao terrorismo e crime organizado figuram no meio da tabela das preocupações dos europeus, que gostavam de ver o Parlamento Europeu assumir o papel de defensor dos valores da democracia e da liberdade, bem como protector dos direitos humanos e do Estado de direito na UE e no mundo.


Eurobarómetro. Portugueses e europeus veem saúde pública e combate à pobreza como prioridades

in RTP

Após mais um ano marcado pela pandemia da covid-19, uma grande maioria de portugueses considera que a saúde pública deve ser uma prioridade fundamental do Parlamento Europeu. Outros temas considerados centrais para os portugueses são a pobreza, as alterações climáticas, a economia e o emprego, sendo Portugal um dos países mais pró-europeus da UE. As conclusões são apresentadas no Eurobarómetro de outono de 2021 do Parlamento Europeu, realizado nos meses de novembro e dezembro nos 27 Estados-membros da União Europeia.

De acordo com o Eurobarómetro conhecido esta terça-feira, 72 por cento dos portugueses identificam a saúde pública como a principal prioridade para o Parlamento Europeu. Seguem-se a luta contra a pobreza e exclusão social (61 por cento), os apoios à economia e emprego (60 por cento) e ainda as medidas contra as alterações climáticas (41 por cento).

A nível geral, 42 por cento dos europeus consideram que a saúde pública deve ser prioritária, seguida também da luta contra a pobreza e exclusão social (40 por cento), medidas contra as alterações climáticas (39 por cento) e apoio à economia e emprego (32 por cento).
Democracia é prioridade para os europeus

Quanto aos valores a defender no âmbito geral, os europeus defendem como principais valores a democracia (32 por cento), a liberdade de expressão e pensamento (27 por cento) e a proteção dos direitos humanos à escala europeia e mundial (27 por cento).

Tal como na tendência europeia, 11 Estados-membros colocam a defesa da democracia em primeiro lugar (Suécia, Alemanha, Finlândia, Itália, Dinamarca, Áustria, Luxemburgo, Malta, Polónia, República Checa e Hungria). Nestes dois últimos países, a proteção dos direitos humanos também surge em primeiro lugar.

"Como corretamente assinalado pelos cidadãos, a defesa da democracia é o valor mais importante, acima de qualquer outro. Não podemos tomar a democracia como garantida; extremismos, autoritarismos e nacionalismos são hoje ameaças ao nosso projeto europeu comum”, refere a presidente do Parlamento Europeu recentemente eleita, a maltesa Roberta Metsola, no comunicado enviado às redações pela representação portuguesa da União Europeia.

Ainda quanto aos valores, os portugueses consideram que o mais importante é promover a igualdade entre mulheres e homens (32 por cento), a solidariedade entre Estados-membros (30 por cento) e a proteção dos direitos humanos a nível da União Europeia, mas também global (27 por cento). Quanto à defesa da democracia, 19 por cento dos portugueses consideram que esse é um valor prioritário da UE.

Portugueses com perceção positiva da UE

Ainda de acordo com este Eurobarómetro, os portugueses continuam a ser dos europeus com imagem mais positiva do Parlamento Europeu (47 por cento), apenas atrás da Irlanda (62 por cento) e da Suécia (48 por cento). Os franceses são os que têm pior imagem da instituição, com apenas 22 por cento a assumir que tem uma boa perceção.

Há mesmo 67 por cento de portugueses que gostaria de ver o Parlamento Europeu a desempenhar um papel mais importante, sendo a média europeia de 58 por cento.

Também sobre a União Europeia, os portugueses estão no topo dos Estados-membros que olham de forma positiva para a instituição, ocupando o segundo lugar logo após a Irlanda.

A grande maioria dos cidadãos europeus (62 por cento na União Europeia, 77 por cento em Portugal) encara de forma favorável a pertença do país à instituição. Em temas concretos, os portugueses apontam para os contributos da União Europeia para o crescimento económico (40 por cento), a cooperação entre os outros países da UE (32 por cento) e a possibilidade de ter uma voz mais forte no mundo (30 por cento).

Na média europeia, os países destacam a melhoria na cooperação com outras nações dentro da UE (32 por cento), a manutenção da paz e reforço da segurança (30 por cento) e o contributo para o crescimento económico do país (30 por cento).

O barómetro foi realizado com 26.510 entrevistas, distribuídas de forma ponderada pelos países de acordo com a dimensão da população. Em Portugal foram realizadas 1.004 entrevistas para elaboração do inquérito.

28.2.19

O que inquieta os portugueses? Os serviços de saúde e a Segurança Social

Abílio Ferreira, in Expresso

Segundo o último Eurobarómetro, o desemprego e a situação económica do país deixaram de figurar na lista de receios e preocupações

É o último Eurobarómetro que o diz. Os portugueses estão mais otimistas e menos preocupados em relação à situação económica e à ameaça do desemprego. Em contrapartida, crescem os receios ligados ao custo de vida e à eficácia dos serviços de saúde e Segurança Social.

O Eurobarómetro é o documento da Comissão Europeia que retrata periodicamente os 28 países da União Europeia (UE) a partir de uma série de pesquisas de opinião com uma grande variedade de questões. O último, o 90º da série resulta de trabalhos de campo realizados em novembro de 2018.

E que conclusões partir retirar face ao anterior? Os portugueses manifestam-se preocupados com os setores da saúde e segurança social (33%), seguindo-se o desconforto ligado à subida de preços e ao custo de vida.
O desemprego, que no outono de 2016 era apontado como principal preocupação por 58% dos portugueses, surge agora na terceira posição, com 27% de respostas. Ou seja, caiu para metade no universo dos inquiridos.
O Eurobarómetro nota que esta é uma realidade que distingue Portugal dos restantes países do sul da Europa. Em Espanha, Itália e Grécia, metade dos inquiridos coloca o desemprego no centro das suas preocupações imediatas, surgindo no primeiro lugar do ranking.

Situação económica do país não tira o sono
Quanto à situação económica do país, citada por um terço dos portugueses há dois anos, ela deixou de figurar na lista de inquietações. Só 15% dos inquiridos vivem atormentados com esse tema. É uma valor em linha com a média europeia.

Na União Euroeia, o terrorismo aflige 8% dos inquiridos. Em Portugal, é residual, não superando 1%. Temas como imigração, crime, ambiente ou clima também passam também ao lado dos portugueses.
Metade dos portugueses considera que a situação económica não sofrerá alterações relevantes nos próximos 12 meses. Mas, apenas 29% acreditam que a evolução da economia será positiva. Em relação ao anterior Eurobarómetro, a a comunidade de otimistas reduziu-se em 7 pontos.

Rendimento familiar preocupa 40%
Quanto à situação financeira do agregado familiar, três em cada cinco portugueses expressam uma avaliação positiva. É um resultado em linha com o anterior Eurobarómetro. Ou seja, há 40% que receiam pelas finanças domésticas.
A relação é 11% inferior à média europeia (72%) e permite definir os portugueses como o sexto povo menos otimista em relação ao tema do rendimento familiar. Grécia e Bulgária são os únicos países entre os 28 da UE em que a avaliação é inferior a 50% - ficam nos dois casos nos 39%.

A maioria dos portugueses manifesta otimismo para o futuro: 63% acredita que a evolução da situação financeira do agregado familiar não vai piorar nos próximos 12 meses. O resultado supera a média da UE (60%). E, neste tópico, apenas 8% dos portugueses revelam pessimismo.

A democracia funciona, a Europa satisfaz
Na frente política, a satisfação impera. Quase dois terços afirmam-se agradados com o funcionamento da democracia.
Neste indicador, Portugal está bem acima da média europeia (57%). Mas, o nível de satisfação está em queda: há um ano a aprovação era de 75%. (média de 71% na UE), altura em que atingiu um pico, recuperando de valores baixos no rescaldo da troika.

A quebra de confiança afeta por igual partidos políticos, governo e o parlamento. O registo atual compara com o recorde de aprovação na Dinamarca (91%) e o mínimo da Grécia (26%).
E, qual a visão face a Europa, a poucos meses das eleições para o Parlamento Europeu? O Eurobarómetro concluiu que o sentimento de cidadania europeia continua a prevalecer em Portugal.
A maioria dos portugueses confia na UE (55%), tem uma imagem é positiva da UE (53%) e rejeita a ideia de que o país poderia enfrentar melhor o futuro a pedalar isoladamente(69%). Portugal é o sexto país com a maior taxa de confiança na UE. Lituânia (65%), Dinamarca (60%) e Suécia (59%) lideram.

Televisão é mais confiável do que a imprensa escrita

O media preferido dos portugueses? A televisão. É o meio de eleição e a fonte a que mais recorrem para se informarem sobre política nacional e internacional. A rádio também é apreciada e bate ligeiramente a TV na confiança noticiosa.

Os dois meios superam a imprensa escrita (68% contra 61%). Os padrões identificados pelo Eurobarómetro colocam Portugal acima da média europeia para os três grandes meios tradicionais, que os portugueses consideram plurais e isentos. A diferença para a UE é mais acentuada (18%) no caso da televisão.

Um em cada quatro portugueses confia nas redes sociais. É um valor muito acima da média da UE (19%).

15.3.18

Emprego aumentou mas precariedade impede saída da pobreza

in RTP

A entrada no mercado de trabalho aumentou, mas os empregos precários impedem a população de sair da pobreza, revela um estudo do Barómetro do Observatório de Luta Contra a Pobreza na Cidade de Lisboa, hoje divulgado.

O terceiro Barómetro do Observatório de Luta Contra a Pobreza na Cidade de Lisboa, publicado no livro "Trânsito condicionado", mostra que a inserção no mercado de trabalho se "faz em condições tão precárias que nenhum [entrevistado] consegue sair da situação de pobreza".

O documento refere que "a desigualdade social e a precarização do trabalho têm estado em acelerada evolução e atingem grandes grupos populacionais a partir de baixos salários, trabalho sem contrato, penosas condições laborais, nomeadamente em termos de horários", o que condiciona a evolução social.

Em 2011 (data do início do estudo), a taxa de risco de pobreza em Portugal era de 17,9%, em 2016 estava ainda mais alta, nos 18,3%. Das 47 pessoas acompanhadas pelos investigadores, desde 2011, apenas duas conseguiram sair da "condição de pobreza".

O estudo alerta, também, para a falta de articulação entre os dispositivos de assistência e as políticas de emprego, o que prejudica a integração social de quem está em situação de pobreza.

"A ação dos dispositivos de assistência parece estar insuficientemente articulada com as políticas de emprego, e consequentemente para uma intervenção mais generativa, capaz de promover um processo de reintegração social e autonomização, que vá para além da emergência social", refere.

Em relação ao tipo de trabalho que os portugueses conseguem, Portugal tem a maior taxa, da União Europeia, de empregados a tempo parcial com o ensino básico, são 55,4%, mais do dobro da média da União Europeia (27,3%). São também os portugueses com o ensino básico que têm a taxa mais alta de "`desencorajados`, apesar de estarem disponíveis para trabalhar": 66,7%, contra os 45,2% de média da União Europeia.
Para quem está em situação de pobreza e vive nos bairros históricos de Lisboa, o aumento do turismo não ajuda. "Arrendar uma habitação no mercado privado tornou-se praticamente impossível, dada a crescente procura de habitações para o arrendamento turístico", aponta o estudo.

O recurso a cuidadores informais e a redes de apoio informal é, muitas vezes, o principal apoio para quem está nestas situações de pobreza, mas, alerta a investigação, trata-se de uma situação prejudicial para os envolvidos.

"O importante papel social que assumem [os cuidadores informais] no seio das famílias no cuidado a pessoas dependentes repercute-se no seu empobrecimento, no curto e longo prazo, e na redução dos custos para o Estado, nomeadamente relativos à sua institucionalização ou à prestação de cuidados formais no domicílio, mas também no valor futuro das pensões de velhice, dada a curta carreira contributiva".

O livro "Trânsito condicionado", que será apresentado na terça-feira, foi elaborado em parceria com o DINÂMIA`CET -- Centro de Estudos sobre a Mudança Socioeconómica e o Território (ISCTE-IUL), e faz, a partir de um trabalho de campo realizado desde 2011, um retrato qualitativo da pobreza na capital. O estudo terá final em 2020 e vai continuar a acompanhar o mesmo grupo de pessoas, nos próximos anos.

14.5.14

Portugueses e búlgaros entre os europeus menos satisfeitos com a vida

in RR

Eurobarómetro “Europeus em 2014” revela que a média da União Europeia aponta no sentido contrário. Os portugueses têm, por outro lado, mais confiança na UE do que no Governo do país.

Os portugueses são, a par dos búlgaros, os europeus mais insatisfeitos com a vida e dos mais descrentes quanto a uma evolução positiva no futuro próximo, revela um inquérito divulgado esta segunda-feira pela Comissão Europeia.

Mais de metade (62%) dos inquiridos em Portugal declara-se insatisfeito, “de uma forma geral”, com a vida que tem. Apenas 38% estão satisfeitos.

O valor só é igualado pela Bulgária, mas os gregos (58%) e os romenos (53%) também não andam satisfeitos. A média da União Europeia (UE) aponta no sentido contrário: 75% dos cidadãos estão satisfeitos com a vida.

Aqui, a lista é dos que mais sorriem é encabeçada pelos suecos e dinamarqueses (97%), seguidos pelos finlandeses (95%) e os luxemburgueses (94%). Apesar do contexto económico da Espanha, uma grande maioria dos espanhóis (71%) mostra-se satisfeita.

O Eurobarómetro sobre os “Europeus em 2014” é dedicado às percepções dos europeus face à actual situação económica e às suas principais preocupações. O estudo mostra ainda que os portugueses têm mais confiança na União Europeia do que no Governo.

Situação económica “muito má”
Quando questionados sobre a situação económica no seu país, 97% dos inquiridos em Portugal classificam-na como “má ou muito má”.

Ao nível da situação financeira do agregado familiar, os portugueses também não se mostram felizes: 67% dão-lhe classificação negativa.

Quanto à sua situação profissional, 51% dos inquiridos portugueses classificam-na de má, 40% consideram-na boa e 9% não sabem ou não respondem. A Hungria acompanha Portugal neste “ranking”.

Olhando para o futuro próximo, apenas 17% dos portugueses acham que a vida vai melhorar – o valor mais baixo de toda a UE. Há ainda 45% de portugueses para quem a situação económica vai piorar.

O inquérito “Europeus em 2014” decorreu em Março nos 28 Estados-membros da União. Em Portugal foram inquiridas 1.025 pessoas.