24.10.17

Jovens escolhem 22 projectos,‘Tu Decides!’ que abrangem várias áreas

Patrícia Sousa, in Correio do Minho

Promovida pelo Município de Braga em articulação com o Conselho Municipal de Juventude, o Orçamento ‘Tu Decides!’, que prevê uma dotação orçamental de 75 mil euros, assume-se como um dos principais meios da participação cívica dos mais jovens na construção da sua cidade. Em votação estão 22 projectos que abrangem diversas áreas de intervenção.

A criação de uma ‘Academia de Artes e Desporto’ é uma das propostas, que pretende desenvolver uma academia de artes e desporto, um espaço de desenvolvimento de competências artísticas e desportivas em crianças e jovens.

Outro dos projectos em votação é a ‘Reabilitação do recinto desportivo do canil’, na freguesia da Sé. A iniciativa é de um grupo de jovens da freguesia com o apoio da Associação Poder Viver na Sé.

A 3.ª edição do ‘Festival Radical’ é mais uma das propostas, que espera que este Festival da Arte Urbana seja “uma semana dirigida aos jovens de Braga e terá um conjunto de actividades que vão desde os desportos radicais (skate, patins em linha, BMX, freestyle motocross, escalada, slide, insufláveis) aos workshops temáticos (graffiti, DJ’s, MC’s, Break Dance, Percussão, Teatro de Rua, Danças Urbanas, etc)”, pode ler-se na proposta.

O ‘Lusiarte - Festival de Luz e Arte de Braga’, também se candidata ao Orçamento Tu Decides!, um evento nocturno, artístico e cultural. Pretende-se que se realize nos principais espaços públicos da cidade durante duas noites de Verão, contando com a participação de vários artistas nacionais e internacionais, que recorrem à luz .
Já na área da Educação e formação, diálogo intergeracional, cultura e criatividade, apresenta--se a proposta ‘Let’s Play’, que está dividida em três grandes partes: a formação, a divulgação/ formação de novos públicos e festival internacional.

Outro projecto a votação é o ‘Urban Sports Park Activation’. O principal objectivo é dinamizar o parque desportivo Urban Spots Park durante o ano de 2018, oferecendo um programa de actividades.

Num ano em que Braga será a Cidade Europeia do Desporto, surge outro projecto na área do desporto, saúde e bem-estar e voluntariado e inclusão social. A 2.ª edição do ‘Let’s Move’ surge no sentido da promoção de hábitos de vida saudável em toda a população, incentivando a prática desportiva em diferentes públicos-alvo.

Já na área da Educação e Formação, desporto, saúde e bem-estar surge a proposta ‘Dançar com alegria’ nos jardins-de-infãncia. Este projecto consistirá em dar aulas desenvolvendo um projeto coreográfico ambicioso.
‘Jovens Socorristas’ é outro das propostas a votação. Pelo trabalho que tem vindo a ser desenvolvido, nos últimos dois anos pelo projecto Jovens Socorristas junto de centenas de alunos e respectivos cuidadores, considera-se fundamental continuar este trabalho de educação e formação, dotando as pessoas de ferramentas e técnicas básicas.

‘Karaté para todos’, outra das propostas, pretende requalificar uma sala do Estádio 1.º de Maio para a prática de Karaté, dinamizando-se assim a prática da modalidade.
‘Ciência por um Canudo’ é mais uma das propostas a votação neste orçamento, que apresenta um programa de espectáculos itinerantes de ciência que viajará pelo concelho para levar a ciência aos jovens, de forma divertida, experimental, educativa e gratuita.

Também a votação está o projecto ‘Intercâmbio entre cidade

s geminadas’, que se baseia na organização de um intercâmbio de duração de 15 dias entre as cidades de Braga, Clermont-Ferrand, Aberdeen e Rogensburg.
‘Vamos lanchar juntos’ no combate à solidão na velhice é outra das propostas a votação, onde se espera que equipas multidisciplinares acompanhem os idosos.

As propostas continuam com ‘Desporto: modalidades de vidas’, que contempla a publicação de um conto original e ilustrações, destinado a alunos do 1.º ciclo e uma performance/espectáculo final.
‘Braga Sounds Better’ propõe, entretanto, três dias de festival musical no coração da cidade, dentro dos géneros techno, hip-hop, drum n bass, tech house, trance, teggae e dubstep.

Com a proposta ‘A Bicicleta no Centro Histórico: a zona de coexistência de Braga’, espera-se sensibilizar de forma pedagógica e educatida através da Escola de Educação Rodoviária de Braga.
‘Mais Andebol Feminino’ é outro dos projectos apresentados que pretende mobilizar e sensibilizar para a democratização do desporto.
‘Parretas Team, das Ruas para o Ringue’ é o projecto social e desportivo de Boxe Parretas Team, que nasceu na rua e que pretende dar o salto para o ringue.
‘Abrir a Porta ao Mundo’ é outra das propostas a votação, que tem como objectivo a cidade multicultural.

Dotar uma sala no Estádio 1.º de Maio com condições para o desenvolvimento do desporto na área da capoeira é o objectivo da proposta ‘Capoeira Sul da Bahia’.
‘DonaRádio’ estimula à criação de um clube de rádio na Escola Secundária D. Maria II.
Por último, a proposta do Orçamento ‘Tu Decides!’ é a ‘Escola do Pedal’, que pretende desenvolver e implementar um programa de formação técnica e cívica para a utilização da bicicleta.

Instrumento incentiva à participação dos mais novos

O Orçamento ‘Tu Decides!’, que vai já na terceira edição, é uma forma de promover uma cidadania activa e participada por parte dos jovens bracarenses, assim como a sua aproximação às políticas levadas a cabo na cidade, materializando as suas ambições.

Para a vereadora da Juventude e do Desporto da Câmara Municipal de Braga, Sameiro Araújo, o Orçamento ‘Tu Decides!’ tem como objectivo não só criar “uma maior aproximação aos cidadãos mais jovens dos órgãos de decisão autárquicos, mas também promover o exercício de uma cidadania activa e participada junto dos jovens, o seu desenvolvimento pessoal e social, fomentando a educação para a cidadania e o diálogo entre os jovens e os órgãos de poder local”.

As candidaturas ao orçamento foram apresentadas até ao passado dia 31 de Agosto, numa iniciativa do Município de Braga que se assume como um dos principais meios da participação cívica dos mais jovens na construção da sua cidade.

O Orçamento ‘Tu Decides!’ contempla uma verba 75 mil euros para a edição deste ano. Cada proposta não devia ultrapassar um valor de realização global de 25 mil euros, sendo que abrangem áreas temáticas que vão desde a educação e formação; emprego e empreendedorismo; desporto, saúde e bem-estar; participação cívica; voluntariado e inclusão social; diálogo intergeracional à cultura e criatividade.

Entre os projectos apresentados há ideias ligadas ao desporto, à música, dança, um curso de formação em socorrismo, uma sala de rádio e uma sala para uma associação de estudantes, iniciativas de apoio a pessoas em solidão e da terceira idade e até um programa itinerante relacionado com a ciência.

23.10.17

Vigília assinala em Lisboa Dia Internacional para a Erradicação da Pobreza

in o Observador

Várias organizações realizam esta terça-feira, em Lisboa, uma vigília pela “erradicação da pobreza”, para lembrar os 2,6 milhões de pobres em Portugal e apelar ao envolvimento de todos na luta contra este flagelo.

A vigília, marcada para as 21:30 desta terça-feira junto à Praça de Touros do Campo Pequeno, em Lisboa, é organizada pela Rede Europeia Anti-Pobreza (EAPN) Portugal, pela associação ANIMAR, Amnistia Internacional, Comissão de Freguesias da Estrela e pela Assistência Médica Internacional (AMI)
.
Em declarações à agência Lusa, o presidente da EAPN Portugal, o padre Jardim Moreira, explicou que a iniciativa pretende criar “um momento público” de congregação de várias instituições que lutam contra a pobreza em Portugal, assinalando assim o Dia Internacional para a Erradicação da Pobreza, 17 de outubro.

Durante a vigília, as instituições irão divulgar vídeos e pessoas em situação de pobreza e exclusão social irão dar o seu testemunho. No recinto, serão também colocadas velas para “lembrar todos os cidadãos portugueses da necessidade e do dever” que todos têm de corrigir a situação de injustiça em que muitos portugueses vivem.

Além da vigília, outras iniciativas marcam o Dia Internacional para a Erradicação da Pobreza em várias cidades do país. Em Évora, arranca a iniciativa “Pelo Combate à Pobreza e à Exclusão Social”, promovida pela EAPN Portugal, que decorre até dia 24 em todo o país.

Na mesma cidade alentejana decorre o seminário “A Concertação Estratégica no Combate à Pobreza”, promovido pela Unitate – Associação de Desenvolvimento da Economia Social. Em Braga, é inaugurada na Praça da República a exposição “Construtores de Esperança” e no Funchal, o Núcleo da Madeira do Movimento Erradicar a Pobreza realiza uma iniciativa de contacto com a população.

A Impossible – Passionate Happenings e a Cáritas Diocesana de Lisboa realizam, em Lisboa, o “Fórum My Precious – Uso das Coisas – Quando o mundo não pode ser de ninguém”, que assinala a Jornada Internacional pela Erradicação da Pobreza.

Os últimos dados do Instituto Nacional de Estatística referem que, em 2016, havia 2,595 milhões de portugueses (25,1%) em risco de pobreza ou exclusão social, menos 1,5 pontos percentuais face ano anterior. Destas, 487 mil (18,8%) tinham menos de 18 anos e 468 mil (18%) tinham 65 ou mais anos, adiantam os dados, que apontam um aumento do rendimento médio disponível por família de 79 euros, passando para 1.497 euros por mês, em 2016.

O Dia Internacional para a Erradicação da Pobreza foi instituído pelas Nações Unidas para consciencializar sobre a necessidade de erradicar a pobreza e a miséria em todo o mundo.

Vigília assinala hoje em Lisboa Dia Internacional para a Erradicação da Pobreza

in Diário de Notícias

Várias organizações realizam hoje, em Lisboa, uma vigília pela "erradicação da pobreza", para lembrar os 2,6 milhões de pobres em Portugal e apelar ao envolvimento de todos na luta contra este flagelo.

A vigília, marcada para as 21:30 de hoje junto à Praça de Touros do Campo Pequeno, em Lisboa, é organizada pela Rede Europeia Anti-Pobreza (EAPN) Portugal, pela associação ANIMAR, Amnistia Internacional, Comissão de Freguesias da Estrela e pela Assistência Médica Internacional (AMI).

Em declarações à agência Lusa, o presidente da EAPN Portugal, o padre Jardim Moreira, explicou que a iniciativa pretende criar "um momento público" de congregação de várias instituições que lutam contra a pobreza em Portugal, assinalando assim o Dia Internacional para a Erradicação da Pobreza, 17 de outubro.

Durante a vigília, as instituições irão divulgar vídeos e pessoas em situação de pobreza e exclusão social irão dar o seu testemunho.

No recinto, serão também colocadas velas para "lembrar todos os cidadãos portugueses da necessidade e do dever" que todos têm de corrigir a situação de injustiça em que muitos portugueses vivem.

Além da vigília, outras iniciativas marcam o Dia Internacional para a Erradicação da Pobreza em várias cidades do país,
Em Évora, arranca a iniciativa "Pelo Combate à Pobreza e à Exclusão Social", promovida pela EAPN Portugal, que decorre até dia 24 em todo o país.

Na mesma cidade alentejana decorre o seminário "A Concertação Estratégica no Combate à Pobreza", promovido pela Unitate -- Associação de Desenvolvimento da Economia Social.

Em Braga, é inaugurada na Praça da República a exposição "Construtores de Esperança" e no Funchal, o Núcleo da Madeira do Movimento Erradicar a Pobreza realiza uma iniciativa de contacto com a população.

A Impossible -- Passionate Happenings e a Cáritas Diocesana de Lisboa realizam, em Lisboa, o "Fórum My Precious -- Uso das Coisas -- Quando o mundo não pode ser de ninguém", que assinala a Jornada Internacional pela Erradicação da Pobreza.

Os últimos dados do Instituto Nacional de Estatística referem que, em 2016, havia 2,595 milhões de portugueses (25,1%) em risco de pobreza ou exclusão social, menos 1,5 pontos percentuais face ano anterior.

Destas, 487 mil (18,8%) tinham menos de 18 anos e 468 mil (18%) tinham 65 ou mais anos, adiantam os dados, que apontam um aumento do rendimento médio disponível por família de 79 euros, passando para 1.497 euros por mês, em 2016.

O Dia Internacional para a Erradicação da Pobreza foi instituído pelas Nações Unidas para consciencializar sobre a necessidade de erradicar a pobreza e a miséria em todo o mundo.

Human Rights Watch acusa governo afegão de afastar raparigas do ensino

in Diário de Notícias

A organização não-governamental Human Rights Watch (HRW) acusa o governo de Cabul e os doadores internacionais de falharem na aplicação dos programas de educação para raparigas, estimando que dois terços das jovens afegãs não têm acesso à escolarização.

"O governo do Afeganistão e os doadores fizeram grandes promessas em 2001 no sentido de garantir educação para as raparigas, mas a insegurança, a pobreza e a mobilidade forçada estão a afastar as jovens das escolas", disse Liesl Gerntholtz, diretora para os Direitos das Mulheres da HRW.

"O governo precisa de voltar a focar-se para garantir educação a todas as raparigas", sublinhou.

O relatório de 132 páginas com o título "Não vou ser médica e um dia tu vais ficar doente: o acesso à educação no Afeganistão", a HRW refere que os doadores internacionais se afastaram dos compromissos.

Os casos abordados no documento dizem sobretudo respeito a regiões das províncias de Cabul, Kandahar, Balkh e Nangarhar e foca-se nas raparigas com idades compreendidas entre os 11 e os 18 anos que não estudam ou não podem continuar a estudar.

O relatório indica também as situações em que, por motivos religiosos, as famílias impedem as raparigas de serem ensinadas por professores do sexo masculino e que 41 por cento das escolas não funcionam em edifícios apropriados: não têm água, paredes ou instalações sanitárias.
A discriminação contra as raparigas é também sublinhada no relatório que alerta para os casamentos forçados: um terço das raparigas são obrigadas a casarem-se antes dos 18 anos.

A organização com sede nos Estados Unidos recorda que os talibãs controlam cerca de 40 por cento dos distritos do país, 16 anos depois do início da intervenção internacional liderada por Washington.

A situação é também marcada pela falta de aplicação da legislação em vigor, pela presença de milícias e grupos de crime organizado que proliferam em todo o país.

"As raparigas são alvo de ameaças e ataques sexuais, raptos e agressões com ácido além dos ataques específicos contra as raparigas que se encontram a estudar", nota o documento.

A HRW insiste com o governo de Cabul e os doadores internacionais para que aumentem o investimento na educação e a proteger as escolas e os estudantes adotando medidas concretas que devem passar, entre outras, pelo aumento do orçamento do Estado dedicado ao setor.

Falta de acesso a planeamento e contraceção perpetua desigualdade

in Diário de Notícias

Falta de acesso a planeamento familiar e gravidezes indesejadas são parte dum eixo que agrava a desigualdade entre géneros, que piorou em 68 dos 142 países analisados num relatório do Fundo Das Nações Unidas para a População.

Em "Mundos Distantes", divulgado hoje, a organização salienta que a aplicação dos direitos sexuais e reprodutivos "ainda guarda muitas disparidades", desde logo pelo acesso a contracetivos e cuidados de saúde durante a gravidez e parto, que não chega a mulheres pobres, as que estão entre as 20% do escalão inferior de rendimentos nos países em desenvolvimento.

O desrespeito por estes direitos tem efeitos por todo o tecido social, porque uma menina ou mulher que engravida, muitas vezes de forma indesejada e com risco para a própria vida, vê-se privada de educação ou de trabalho, entrando num ciclo em que está em desvantagem, sem hipótese de dar a volta.

"A desigualdade não é inevitável. A redução das disparidades representa o cumprimento com uma obrigação moral em defesa dos direitos humanos, num mundo mais igualitário", defende o Fundo.

Entre as medidas defendidas pelo organismo está "tornar a assistência à saúde reprodutiva universal, por exemplo, não só ajuda a cumprir os direitos reprodutivos de uma mulher pobre, mas também ajuda a superar as desigualdades em educação e rendimento", o que beneficia a própria, a família e o próprio país.

Aqui, a prioridade deve ser dada à população mais jovem, que o Fundo aponta como a classe etária com mais dificuldades de acesso a planeamento familiar e contraceção por causa de "leis e políticas restritivas e estigmas associados ao sexo na adolescência".

O ciclo vicioso da desigualdade perpetua-se quando as mulheres, que em média têm salários mais baixos, não conseguem ter acesso a planeamento familiar e não conseguem sair da pobreza, tal como os seus filhos e gerações futuras. O princípio da igualdade deve ter sempre força de lei, defende-se, sobretudo a nível constitucional, um objetivo que está de acordo com a agenda 2030 para o desenvolvimento sustentável adotada entre as Nações Unidas.

Alargar a saúde materna, proporcionar partos mais seguros, facilitar o acesso à contraceção e garantir estes objetivos nas políticas públicas são outros dos desafios a cumprir, defende o Fundo.

Nos indicadores sobre saúde sexual e reprodutiva, Portugal surge entre os países com menor mortalidade infantil (10 mortes por 100.000 nascimentos em 2015) e com menor taxa de gravidezes adolescentes (10 em cada 10.000 meninas entre os 15 e os 19 anos).

O uso de contraceção situa-se nos 74% entre os 15 e os 49 anos, 68% de métodos modernos, com 91 por cento de pedidos de contraceção satisfeitos.

Os números entre 2006 e 2016 indicam também que 99% dos partos em Portugal foram atendidos por profissionais qualificados.

Nos desafios lançados aos países que subscrevem conta-se também a eliminação de obstáculos, sejam sociais, económicos ou geográficos que as meninas enfrentem para conseguir uma educação, especialmente científicos e tecnológicos.

"Trabalho decente", fora do circuito do trabalho informal, é outro objetivo primordial, defende o Fundo.

17 de Outubro – Dia Internacional Para a Erradicação da Pobreza

in Rostos on-line

A Participação como condição para a Inclusão Social

A pobreza e a exclusão social em Portugal e na Europa permanece um desafio de carácter estrutural na sociedade europeia e exige uma visão global e integral, em detrimento de medidas pontuais, parcelares ou sectoriais. Estas medidas sendo importantes devem ser enquadradas e complementadas por uma estratégia nacional de combate à pobreza e exclusão social, como, de resto, vimos defendendo há muito tempo.
Mensagem da EAPN Portugal

Por ocasião do Dia Internacional para a Erradicação da Pobreza , a EAPN Portugal renova o seu apelo para a necessidade de um modelo social, baseado numa escala de valores de carácter humanista, em que, acima de tudo, não se mercantilize a existência das pessoas.

A pobreza e a exclusão social em Portugal e na Europa permanece um desafio de carácter estrutural na sociedade europeia e exige uma visão global e integral, em detrimento de medidas pontuais, parcelares ou sectoriais. Estas medidas sendo importantes devem ser enquadradas e complementadas por uma estratégia nacional de combate à pobreza e exclusão social, como, de resto, vimos defendendo há muito tempo.

Apesar de nos últimos anos ter havido uma reposição de alguns direitos sociais, e uma consequente melhoria das condições de vida de uma parte dos portugueses, ainda permanece demasiado elevada a taxa de risco de pobreza em Portugal , o que significa que ainda estamos longe de atingir as causas da pobreza. Uma estratégia de erradicação da pobreza e exclusão social requer, para além de políticas sociais mais generosas, políticas económicas e fiscais mais justas e redistributivas.

Implica também uma atuação ao nível do sistema educativo, fundamental para romper com a transmissão intergeracional da pobreza, para que este seja inclusivo, para além de universal e gratuito. Um sistema educativo capaz de se adaptar à nova realidade social e tecnológica da nossa sociedade, e atendendo e respeitando a diversidade, transmitindo valores éticos de respeito, convivência, solidariedade, justiça e espiritualidade.

Contudo, para que se verifique uma alteração substancial nos números da pobreza, para além da responsabilidade do Governo e das políticas públicas nacionais e europeias, será necessário um compromisso por parte da sociedade civil, em especial das organizações da economia social, no sentido de focarem a sua intervenção nas causas da pobreza e não só nas suas consequências, substituindo uma lógica puramente assistencialista de provisão de serviços que apenas atenuam o impacto da pobreza, por uma ação focalizada na definição e implementação de políticas tendo por base a direta participação das pessoas destinatárias dessas mesmas políticas.

Para a EAPN Portugal, a participação das pessoas em situação de pobreza e exclusão social é não só um objetivo, mas também a sua metodologia de trabalho. Os Conselhos Locais de Cidadãos existentes nos dezoito distritos do país são espaços privilegiados para o desenvolvimento de “massa crítica” sobre as estratégias de enfrentamento dos problemas que os afetam, encontrando-se mais focados nas pessoas, enquanto parte da solução e menos enquanto parte do problema.

A experiência dos Conselhos de Cidadãos permite-nos concluir que a participação é uma condição para a inclusão social e que é possível exercer uma cidadania ativa, ouvindo e dando voz aqueles que por razões de diversa natureza se encontram à margem da sociedade.

Sabemos, porém, que esta forma de abordar os problemas da pobreza e da exclusão social não é muito comum na nossa sociedade, onde ainda persistem muitas resistências a um envolvimento dos cidadãos mais pobres, nomeadamente na área social, com uma tendência muito generalizada para adopção de modelos de intervenção muito verticais e unidirecionais. Estamos conscientes de que a nossa intervenção é ainda uma “gota no oceano” e que necessitamos de alargar, em diferentes contextos, e com diferentes públicos, experiências participativas baseadas no conhecimento daqueles que quotidianamente experienciam estas situações.

Acreditamos, que este é o caminho que devemos trilhar na construção de uma sociedade mais justa e mais igualitária, em que todos os cidadãos, sem exceção, tenham consciência do seu lugar na sociedade e possam exercer a sua cidadania plena, sem constrangimentos.

A participação é a base de uma cultura que se pretende democrática. É um direito, uma responsabilidade, e deve ser um compromisso de todos os cidadãos. Sendo um desafio permanente, e que não se mede por um único momento, é o melhor caminho para (re)construir uma verdadeira Democracia e combater todos os populismos que a ameaçam e contaminam. Porque em Democracia a Dignidade e a Liberdade não são opções, são condições básicas para a sua concretização efetiva.

EAPN, 17 de Outubro de 2017
EAPN Portugal/Rede Europeia Anti-Pobreza

1. A 17 de outubro de 1987, Joseph Wresinski, o fundador do Movimento Internacional ATD Quarto Mundo, convidou as pessoas a se reunirem em honra das vítimas da fome e da pobreza em Paris, no local onde tinha sido assinada a Declaração Universal dos Direitos Humanos. A data foi comemorada oficialmente pela primeira vez em 1992, com o objetivo de alertar a população para a necessidade de defender um direito básico do ser humano.

2. O recente Destaque do INE indica que 19.0% das pessoas estavam em risco de pobreza em 2015, valor ligeiramente inferior ao ano anterior (19.5% em 2014).

África deve focar nos jovens e no empoderamento de mulheres e meninas, diz Guterres

in ONUBR

A África deve se concentrar nos jovens, empoderar as mulheres e meninas e ser inovadora para alavancar recursos e financiar o desenvolvimento, disse o secretário-geral da ONU, António Guterres, na segunda-feira (16) ao lançar a semana da África nas Nações Unidas.

“A África é a terra da resiliência e, acima de tudo, de oportunidades”, disse ele, ressaltando o recente progresso do continente em reduzir a pobreza, diversificar suas economias, construir uma classe média e cultivar o crescimento em uma variedade de setores.

A África deve se concentrar nos jovens, empoderar as mulheres e meninas e ser inovadora em alavancar recursos e financiar o desenvolvimento, disse o secretário-geral da ONU, António Guterres, na segunda-feira (16) ao lançar a semana da África nas Nações Unidas.
“A semana da África foi criada para aumentar a conscientização e mobilizar apoio. Estou convencido de que, juntos, podemos enfrentar os desafios”, disse Guterres em suas declarações no evento inaugural ocorrido na sede da ONU em Nova Iorque.

O secretário-geral disse que a comunidade internacional deve mudar a forma como olha para o continente africano.

“A África é a terra da resiliência e, acima de tudo, de oportunidades”, disse ele, ressaltando o recente progresso do continente em reduzir a pobreza, diversificar suas economias, construir uma classe média e cultivar o crescimento em uma variedade de setores.

Segundo Guterres, para impulsionar esse potencial, os jovens devem desempenhar um papel central, já que a África tem a população juvenil de mais rápido crescimento no mundo.

“Podemos ajudar a aproveitar ao máximo esse dividendo demográfico através de maiores investimentos em educação, especialmente em ciência e tecnologia, e garantindo a participação dos jovens no desenvolvimento econômico. As pessoas precisam de habilidades que combinem com as necessidades de hoje e de amanhã”, disse.

Empoderar as mulheres e meninas da África também é fundamental, uma vez que a desigualdade de gênero está custando dezenas de bilhões de dólares por ano à África Subsaariana, como em qualquer outro lugar no mundo.

Outro ponto crucial é ser inovador na alavancagem de recursos e financiamento para o desenvolvimento, incluindo uma reforma tributária pelos próprios países africanos e esforços internacionais para combater a evasão fiscal, a lavagem de dinheiro e os fluxos financeiros ilícitos que esgotaram a base de recursos do continente, acrescentou.

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Murros contra a velhice. As 'avós' pugilistas da África do Sul

por Pedro Filipe Pina, in Notícias ao Minuto

Projeto curioso chamou a atenção da objetiva da Reuters.

Em Cosmo City, nos arredores de Joanesburgo, na África do Sul, há um projeto que mostra que o pugilismo não tem idade.

Mais do que isso: aprender a trocar um par de murros no centro do ringue é uma curiosa forma de envelhecimento ativo.
Constance Ngubane , de 79 anos, e Gladys Ngwenya, de 77 anos, são duas das ‘avós’ que participam neste projeto e que foram fotografadas pela Reuters.

O objetivo dos treinos passa por manter estas 'avós pugilistas' em forma.

Percorra a galeria acima para ver as imagens.

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Quase 3.000 desempregados têm subsídio enquanto procuram trabalho noutro país

in RR

Desde Maio de 2010 que estão em vigor as transferências de prestações de desemprego no seio da União Europeia.

Quase 3.000 desempregados em Portugal foram autorizados, nos últimos dois anos, a deslocar-se a outros países da União Europeia, à Islândia, à Noruega, ao Liechtenstein e à Suíça à procura de emprego, mas sem deixar de receber o subsídio de desemprego.

Os dados são do Instituto da Segurança Social (ISS), segundo o qual “nos últimos dois anos foram autorizados 2.927 beneficiários de prestações de desemprego a deslocar-se à procura de emprego” para outro país.

“Mais concretamente, 1.744 beneficiários em 2015 e 1.183 beneficiários em 2016”, refere fonte do ISS citada pela agência Lusa, adiantando não ser possível “identificar os países para onde estes cidadãos se deslocaram porque, no período em que estão autorizados a receber prestações de desemprego fora do território nacional, podem procurar emprego em mais do que um país”.

Para os beneficiários do subsídio de desemprego continuarem a receber por Portugal, é necessário que tenham permanecido inscritos no centro de emprego durante, pelo menos, quatro semanas após o início do desemprego, informar o Serviço de Emprego de que se vão ausentar do país para procurar trabalho e solicitar ao serviço competente da Segurança Social o documento portátil U2 (que ateste que continua a ter direito às prestações durante o período de procura de emprego noutro Estado-membro).

Além disso, têm de se inscrever como candidatos a emprego nos serviços nos países onde vão procurar trabalho (União Europeia, Islândia, Noruega, Liechtenstein ou na Suíça) no prazo de sete dias, onde devem entregar o documento portátil U2.

“Caso a inscrição seja feita após o referido prazo, as prestações de desemprego só lhes são pagas a partir da data de inscrição no serviço de emprego” do país onde estiver, refere o ISS.

“Nas situações em que os beneficiários (portugueses ou cidadãos de um país da União Europeia, Islândia, Noruega, Liechtenstein ou da Suíça) estão a receber prestações de desemprego num país” daquele universo e “vêm à procura de trabalho em Portugal, acompanhados do documento portátil U2, apenas devem proceder à sua inscrição no competente Serviço de Emprego e ficarem sujeitos ao controlo organizado”, mantendo assim “o direito às prestações de desemprego pelos países de origem”, indica a mesma fonte.

As transferências de prestações de desemprego no seio da União Europeia estão em vigor desde Maio de 2010.

Beja soma 2 424 beneficiários de prestações de desemprego

in Rádio Pax

Em Setembro passado estavam registados no Centro Distrital de Beja da Segurança Social 2 424 beneficiários de prestações de desemprego.
Os dados agora revelados pela Segurança Social indicam que em Setembro foram contabilizados mais 65 beneficiários do que no mês anterior (Agosto).

Comparativamente com o período homologo, verificou-se uma redução de 684 beneficiários em Setembro passado.

No país recebiam prestações de desemprego 188 969 indivíduos.

O valor médio mensal de subsídio processado por desempregado, em Beja, foi de 421,9 euros.

As prestações incluem dados do Subsídio de Desemprego, Subsídio Social de Desemprego Inicial, Subsídio Social de Desemprego Subsequente, Prolongamento de Subsídio Social de Desemprego e Medida Extraordinária de Apoio aos Desempregados de Longa Duração.

Número de desempregados continua em queda

in TVI24

O número de desempregados inscritos nos centros de emprego baixou para 410,8 mil pessoas em setembro, menos 16,3% do que no mesmo mês do ano passado (-80,3 mil pessoas) e menos 1,8% do que no mês anterior (-7,4 mil pessoas).

A diminuição de 1,8% em cadeia do desemprego registado mais do que compensa o aumento de 0,5% ocorrido no mês de agosto, e situa o desemprego registado em níveis de novembro de 2008 (em linha com tendências observadas nas estatísticas do INE).

O desemprego jovem está nas 47,4 mil pessoas, com uma diminuição homóloga de 20,5% (-12,2 mil pessoas). Em relação ao mês de agosto, houve um ligeiro acréscimo do número de jovens inscritos (+3,1%) – tendência comum entre o final do 3.º trimestre e início do 4.º trimestre, sendo habitual que estes aumentos pontuais sejam compensados por decréscimos ao longo do 4.º trimestre.

O número de desempregados de longa duração teve nova redução em cadeia (-2%), fixando-se nas 205,3 mil pessoas, menos 14,5% em termos homólogos (-34,8 mil pessoas).

Os números os divulgados pelo Instituto do Emprego e Formação Profissional (IEFP) nada dizem sobre as razões da redução do desemprego. Qual a percentagem que consegue emprego - desses quais os com termo e sem termo. Ou se no caso, por exemplo dos jovens, se é por saída para o estrangeiro.

Na sexta-feira passada, a Lusa noticiou que quase 3.000 desempregados em Portugal foram autorizados nos últimos dois anos a deslocarem-se para outros países da União Europeia, Islândia, Noruega, Liechtenstein ou Suíça à procura de emprego, continuando a receber subsídio de desemprego por Portugal.

Estes são os dados que o Instituto da Segurança Social (ISS) tem disponíveis sobre as transferências de prestações de desemprego no seio da União Europeia, em vigor desde maio de 2010.

Sabe que pode ter ajuda para lançar a sua empresa?

TVI24

Quem está desempregado ou não consegue crédito para uma ideia de negócio não deve desanimar. Há alternativas que podem fazer a diferença. É só procurar e, sobretudo, acreditar no projeto

Estar desempregado ou ter poucos recursos financeiros é, em regra, motivo de exclusão das nossas sociedades. Mas esta circunstância não pode ser a regra, e por isso hoje comemora-se o Dia Europeu da Microfinança. Em Portugal, o microcrédito já é razoavelmente conhecido, mas menos familiar é o conceito de microfinança. Esta é, no entanto, na grande maioria dos países e instituições europeias, a designação mais corrente.

Em alguns países, à medida que o movimento do microcrédito ganhou relevância, tomou-se consciência de que as iniciativas e empresas apoiadas, ao crescerem, precisavam, também, de recorrer a outros produtos financeiros: seguros, garantias, cartões de crédito, aplicações de poupanças, bolsas de estudo, etc. José Centeio, secretário-geral da Associação Nacional de Direito ao Crédito, esteve np espaço da Economoa24 do "Diário da Manhã" da TVI.

Afinal o que é isto da Microfinança?

São produtos financeiros para pessoas que estão excluídas, seja destes proutos, seja do ponto de vista social, devido, por exemplo, à exclusão do mercado de trabalho.

Há muita exclusão?

Sim. E por isso, também a necessidade de um Dia Europeu da Microfinança. Na Europa a, sociedades excluem, com o aumento do fosso entre os que mais e menos têm. Há muita gente desempregada de longa duração e 92% das empresas na Europa têm menos de 10 trabalhadores.

Em Portugal quem são os vossos destinatários?

São desempregados. Ou pessoas que têm trabalhos precários e estão numa situação em que o contrato vai terminar. Pessoas em situação de grande vulnerabilidade, que até podem ter uma ideia para um negócio mas nunca lhes será dado crédito bancário.

O que oferece a Associação Nacional do Direito do Crédito?

Oferecemos um serviço integrado. As pessoas muitas vezes têm a ideia, mas precisam de apoio no desenvolvimento da ideia para que, eventualmente, possa ser transformada num negócio.

Como podemos entrar em contacto com a Associação?

Podem ir ao site microcrédito.com.pt,onde há uma ficha de candidatura que podem preencher e, no máximo, no prazo de dois dias receberão um telefonema. Ou liga o: 808202922

Se o projeto for viável consigo crédito?

O banco terá sempre a última palavra, mas, por norma, conseguimos. Temos casos de um grande salto de vida.

Após o lançamento a Associação acompanha os projectos?

Sim.

Quanto custa?

Até há pouco tempo era gratuito, porque tínhamos um acordo com o Instituo do Emprego Formação Profissional (IEFP), atualmente há uma comparticipação nos custos se o projeto for aceite. E o custo é integrado no próprio projeto.

E no caso dos particulares. Necessidades de crédito, por exemplo para educação?

Não. É preciso frisar que, mesmo no caso dos projetos empresariais a Associação não empresta diretamente mas têm protocolos com bancos – limitamo-nos ao microcrédito para pequenos negócios. Na Europa, a Microfinança está mais desenvolvida e à outro tipo de abordagem no que respeita ao microcrédito. Em Portugal estamos longe disso.

Investir nos primeiros anos de escolaridade

Cristina Soutinho, in o Observador

Agora que se discute o orçamento de Estado, fica o apelo ao governo, aos partidos políticos e ao setor privado e empresarial para que apoiem as políticas nacionais direcionadas para a infância.

Portugal tem vindo a melhorar a sua posição, de acordo com vários indicadores de relatórios internacionais, no que concerne ao bem-estar e à qualidade de vida das crianças e jovens, em áreas tão diversas como a saúde, a escolarização e o apoio às famílias. No entanto, outros indicadores de educação parecem comprometer o desenvolvimento social e económico do país.

Vamos por partes. Nos últimos 40 anos, a educação melhorou substancialmente, como afirmou recentemente a ex-ministra da educação, Maria de Lurdes Rodrigues, na apresentação do estudo “Aprender a ler e a escrever em Portugal”, da EPIS. Graças à democratização do acesso à educação em Portugal, as novas gerações estudam mais anos, em escolas com melhores condições, com mais professores, mais recursos e melhores métodos de ensino e de aprendizagem. No entanto, a democratização do acesso à educação não se traduziu na democratização do sucesso escolar, dado que “o insucesso anual de mais de cem mil alunos que, do 2.º ao 12.º ano ficam para trás, é o sinal de que a Escola não dá resposta a todos”.

De acordo com o estudo, existe um consenso generalizado de que as dificuldades de aprendizagem da leitura e da escrita potenciam o insucesso, o baixo desempenho escolar e o risco de repetência. O aspeto mais preocupante sublinhado no estudo é a taxa de repetência no 2º ano de escolaridade. As causas apontadas são diversas e conhecidas: ausência da frequência do pré-escolar, contextos socioeconómicos desfavorecidos, baixos níveis de escolaridade dos pais, e a percepção dos educadores sobre a inevitabilidade das dificuldades sentidas por estes alunos na leitura e na escrita, logo nos primeiros anos da escolaridade obrigatória, fator mais preocupante de todos.

Este indicador de insucesso escolar logo no 2º ano de escolaridade, aliado aos dados constantes do relatório Building the Future: Children and the Sustainable Development Goals in Rich Countries, da UNICEF (2017), deve preocupar todos os agentes do ecossistema educativo. Portugal está no meio da tabela no critério “educação”, que avalia as competências em leitura, matemática e ciências, e na “promoção de um trabalho digno e crescimento económico”, situando-se na 26.º posição. Este relatório coloca ainda Portugal nos lugares de baixo na tabela noutros critérios associados aos objetivos para o desenvolvimento sustentável nos países mais ricos. No critério “erradicar a pobreza”, uma em cada quatro crianças portuguesas vive em pobreza de rendimentos relativa. No critério “erradicar a fome e garantir uma alimentação de qualidade”, Portugal surge em 32º lugar, com 18,2% das crianças menores de 15 anos a viverem com um adulto que enfrenta insegurança alimentar. Acresce referir ainda que temos a quinta taxa de obesidade infantil mais elevada, fruto, entre outras causas, da adoção de uma dieta hipercalórica, do abandono da dieta mediterrânica e da má nutrição.

Nem tudo é negativo. O país também apresenta como ponto forte o facto de ser um dos 15 países no mundo que adotou as três políticas essenciais para apoiar famílias com crianças – a saber, dois anos de educação pré-escolar gratuita, licença de maternidade paga durante os primeiros seis meses de vida da criança, além de quatro semanas de licença de paternidade remuneradas. Estas políticas contribuem decisivamente para a proteção das crianças, proporcionando-lhes uma nutrição mais adequada, permitindo-lhes brincar e ter experiências de aprendizagem precoce nos primeiros dois anos de vida.

Os resultados destes dois estudos demonstram claramente que compete a todos os agentes do ecossistema educativo (governantes, pais, professores, agentes de saúde, diretores, empresários, organizações, entre outros) articular respostas integradas na resolução dos problemas identificados nos primeiros anos de escolaridade. Para que o insucesso escolar diminua, é vital que os alunos provenientes de contextos e famílias vulneráveis possam usufruir de programas preventivos, de intervenção precoce, apoio familiar, avaliação nutricional e acompanhamento do desenvolvimento psicológico e cognitivo da criança. Estes serão os pré-requisitos mais importantes, a ter em conta, sobretudo nos primeiros anos de escolaridade.

Numa altura em que se discute o orçamento de Estado, fica aqui o apelo ao governo, aos partidos políticos e ao setor privado e empresarial para que apoiem as políticas nacionais direcionadas para a infância, para que invistam nelas e para que ampliem os serviços que priorizam as crianças, sobretudo as mais vulneráveis. Portugal precisa de fazer mais por estes alunos. E agora é o momento.

Programa Escolas Solidárias entra no 8.º ano com o foco no apoio às comunidades

in Diário de Notícias

O programa Escolas Solidárias Fundação EDP, que em 2016/17 qualificou 41 escolas do distrito do Porto com a denominação de "Super Escolas", vai avançar para a 8.ª edição com a aposta na melhoria das comunidades onde se inserem.

Num comunicado enviado à agência Lusa, a organização explica que as "Escolas Solidárias são um programa da Fundação EDP que promove a cidadania ativa e a solidariedade, incentivando professores e alunos a serem agentes de mudança positiva e a contribuir para a melhoria das comunidades onde estão inseridos".

A iniciativa tem o apoio da Secretaria de Estado da Cultura e da Direção Geral da Educação e pretende envolver todas as escolas públicas e privadas desde o 2.º Ciclo ao Ensino Secundário, não havendo prazo para fazer as inscrições.

Os projetos apresentados pelas escolas devem ter por base "os objetivos de Desenvolvimento Sustentável da Organização das Nações Unidas, em áreas como a Pobreza e a Fome, Desemprego/Sustentabilidade Económica, Educação/Literacia, Saúde, População Sénior, Conviver com a Diferença, Sustentabilidade Ambiental e Parceria Global para o Desenvolvimento Humano".

Para Margarida Pinto Correia, diretora de Inovação Social da Fundação EDP, "ser uma Escola Solidária significa proporcionar aos alunos uma educação integral que tem, no exercício da cidadania, um instrumento de desenvolvimento pessoal e social" e, ao mesmo tempo "criar vínculos fortes entre a população escolar, as famílias e a comunidade alargada".

Na última edição participaram 433 escolas, públicas e privadas, tendo sido "desenvolvidos projetos que envolveram a participação de mais de 40 mil alunos e professores, representando um investimento de cerca de três milhões de horas em ações de solidariedade que ajudaram a melhorar as condições de vida de mais de 245 mil pessoas".

Por cada seis pessoas que morreram em 2015, uma perdeu a vida por causa da poluição

Joana Azevedo Viana, in Expresso

Investigadores ligaram nove milhões de mortes no mundo em 2015 à poluição ambiental, dois terços delas à poluição do ar. Bangladesh e Somália registam os números mais elevados de vítimas. No extremo oposto estão a Suécia e o Brunei

Um estudo publicado esta semana na revista "Lancet" liga nove milhões de mortes registadas em todo o mundo em 2015 à poluição ambiental, o correspondente a 16% do total de mortes nesse ano, dois terços delas ligadas à poluição do ar e quase todas ocorridas em países de baixo e médio rendimento.

A investigação de dois anos apurou que, nesses países, a poluição pode ser responsável por até um quarto do total de mortes anuais, com o Bangladesh e a Somália a registarem os piores níveis. Na ponta oposta estão a Suécia e o Brunei, os países com números mais reduzidos de mortes causadas direta ou indiretamente pela poluição em 2015.

Segundo os especialistas, a maioria destas mortes é causada por problemas cardíacos, acidentes vasculares cerebrais (AVC) e cancro de pulmão, doenças que estão diretamente ligadas à poluição.

"A poluição é muito mais do que um desafio ambiental, é uma ameaça profunda e difusa que afeta muitos aspetos da saúde humana e do nosso bem-estar", refere um dos autores do estudo, Philip Landrigan, da Escola Icahn de Medicina do hospital Mount Sinai em Nova Iorque.

Em 2015, aponta o relatório, 6,5 milhões de mortes prematuras em todo o mundo foram de alguma forma causadas pela poluição do ar. O segundo fator de maior risco, a poluição da água, contribuiu para 1,8 milhões de mortes no mesmo ano, com a poluição no local de trabalho ligada a 800 mil mortes a nível global.

Do total, 92% ocorreram em nações pobres, com os maiores impactos sentidos em países em desenvolvimento que têm registado um rápido crescimento económico, como é o caso da Índia, que surge em quinto lugar na lista, e da China, em 16.º.
Entre os 188 países avaliados, o Reino Unido surge em 55.º. atrás dos Estados Unidos e da maioria dos países europeus, incluindo Portugal, a Alemanha, França, Espanha, Itália e Dinamarca.

"A poluição do ar está a atingir um nível de crise mundialmente e o Reino Unido está a sair-se pior do que muitos países da Europa Ocidental e que os EUA", refere Penny Woods, da Fundação Britânica do Pulmão. "Um fator que contribui para isto é a nossa dependência de veículos movidos a diesel, que libertam elevadas quantidades de partículas venenosas e gases [para a atmosfera]."

Os autores do estudo, que criaram um mapa interativo com os dados recolhidos, referem ainda que a poluição do ar está a afetar os mais pobres de uma forma desproporcional, até em países ricos.

"A poluição, a pobreza, a falta de saúde e as injustiças sociais estão profundamente interligadas", defende uma das investigadoras, Karti Sandilya, da Pure Earth. "A poluição ameaça os direitos humanos fundamentais como o direito à vida, à saúde, ao bem-estar e a trabalho seguro para além de pôr em risco a proteção de crianças e dos mais vulneráveis."

Associação Dignitude distribui medicamentos pelas pessoas afetadas pelos fogos

in RTP

A Associação Dignitude, com sede em Coimbra, vai ativar de emergência o programa Abem nos concelhos afetados pelos incêndios de domingo, de forma a distribuir medicamentos pelos cidadãos que se encontrem em maior necessidade momentânea.

Em comunicado enviado à agência Lusa, a instituição adianta que "o programa será protocolado com as autarquias mais afetadas pelos últimos incêndios", à semelhança do que foi feito com o município de Figueiró dos Vinhos para apoio às famílias vítimas dos incêndios de junho.

O programa Abem procura combater a exclusão no acesso ao medicamento, tendo distribuído 36.616 fármacos a 3.019 beneficiários entre maio de 2016 e setembro de 2017.

O projeto conta atualmente com a adesão de 280 farmácias, de 21 concelhos.

Os beneficiários do programa Abem têm acesso a medicamentos sem qualquer discriminação "em relação à generalidade dos cidadãos, na mesma rede de farmácias, com a mesma qualidade, segurança e confidencialidade".

Esta rede solidária do medicamento é o primeiro programa dinamizado pela Associação Dignitude e pretende dar resposta aos problemas de acesso ao medicamento motivados pelo atual contexto socioeconómico.

Esta associação e o programa Abem ambicionam atingir 25 mil beneficiários até ao final do próximo ano e 50 mil até ao final de 2019.
A criação da Associação Dignitude, em novembro de 2015, foi promovida pela Associação Nacional de Farmácias, Associação Portuguesa da Indústria Farmacêutica, Cáritas e Plataforma Saúde em Diálogo e resulta de várias parcerias instituídas com entidades a nível local, autarquias, Instituições Particulares de Solidariedade Social (IPSS) e outras instituições da área social.

Além de Ramalho Eanes, António Arnaut e Maria de Belém Roseira, são embaixadores da associação os farmacêuticos Odette Ferreira, Francisco Carvalho Guerra, João Gonçalves da Silveira e João Cordeiro.

A Associação Dignitude vai também receber a totalidade das vendas do livro "A lucidez da ousadia - A propósito da lei da transplantação 12/93", que será apresentado no sábado na Secção Regional do Centro da Ordem dos Médicos, em Coimbra, às 16:00.
Este livro foi coordenado pelo antigo secretário de Estado da Saúde José Martins Nunes, que é também presidente do comité de "fundraising" do programa Abem, da Associação Dignitude.

As centenas de incêndios que deflagraram no domingo, o pior dia de fogos do ano segundo as autoridades, provocaram 43 mortos e cerca de 70 feridos, mais de uma dezena dos quais graves.

Os fogos obrigaram a evacuar localidades, a realojar as populações e a cortar o trânsito em dezenas de estradas, sobretudo nas regiões Norte e Centro.

Número de beneficiários de prestações de desemprego cai 15% em setembro

in RTP

A Segurança Social pagou em setembro prestações de desemprego a 188.969 beneficiários, mais 3.496 (1,9%) do que em agosto, mas menos 33.172 (14,9%) do que em setembro de 2016, segundo os dados hoje divulgados.

De acordo com os dados estatísticos disponibilizados no portal da Segurança Social, no nono mês deste ano foram processadas 188.969 prestações de desemprego, quando em agosto tinham sido processadas 185.473, naquele que foi o número mais baixo desde janeiro de 2002.
Mas, em termos homólogos, houve um recuo significativo, de 222.141 beneficiários (setembro de 2016) para 188.969 beneficiários (setembro de 2017).

As prestações de desemprego incluem o subsídio de desemprego, o subsídio social de desemprego inicial e o subsequente, o prolongamento do subsídio social de desemprego e a medida extraordinária de apoio aos desempregados de longa duração.

De resto, no final de setembro havia 1.072.410 titulares do abono de família, menos 3% face ao mesmo mês de 2016.

Os beneficiários do subsídio de doença ascenderam no período a 112.203, menos 2% do que em setembro do ano passado.

Já o número de beneficiários de prestações de parentalidade avançou 4% em termos homólogos para 36.188 em setembro.

O número de beneficiários do Rendimento Social de Inserção (RSI) baixou 2% para 210.065, enquanto o número de beneficiários do Complemento Solidário para Idosos (CSI) subiu 4% para 165.736.

Por fim, o número de beneficiários de Pensões de Velhice aumentou ligeiramente (0,2%) para 2.035.585.

António Cardoso promete lutar contra a pobreza em Vieira do Minho

in Diário do Minho

O combate à pobreza e a luta contra o desemprego vai estar no centro das preocupações do novo executivo da Câmara Municipal de Vieira do Minho. A equipa liderada pelo reeleito António Cardoso tomou ontem posse, numa cerimónia que ficou marcada pela ausência do socialista Jorge Dantas, que não assumiu o lugar de vereador, após ter perdido a corrida à presidência.

Rede Anti Pobreza: Encontro distrital no Fundão

in Reconquista


O encontro vai na 12.ª edição e começa pelas 10H00. Ao longo do dia vão passar pelo local grupos ligados a instituições do distrito.
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O pavilhão multiusos do Fundão recebe a próxima edição do Encontro Distrital de Associados da Rede Europeia Anti Pobreza, que acontece no dia 21.

O encontro vai na 12.ª edição e começa pelas 10H00.

Ao longo do dia vão passar pelo local grupos ligados a instituições do distrito, como os grupo de cantares do Centro Social de Salgueiro do Campo, do Lar Major Rato de Alcains e o Raízes dos Lentiscais, entre outros.

O Dia Internacional para a Erradicação da Pobreza assinalou-se na terça-feira, dia 17.

À procura do modelo europeu

Henrique Burnay, in Diário de Notícias

Sexta-feira passada, no Project Syndicate, Javier Solana explicava, com razoável simplicidade, que há um traço comum entre os eleitores de Trump, os votantes do brexit e o surto independentista na Catalunha: o regresso a uma ideia antiga (e desatualizada, argumenta) de nacionalismo como forma de responder ao sentimento de impotência perante o mundo moderno, global e competitivo.

Aquilo que Solana diz pode, sem desonestidade intelectual, ser generalizado a outros casos. De França à Alemanha, à Hungria, à Áustria ou ao Syriza de Varoufakis, há um traço comum: acreditar-se que a causa dos males contemporâneos é uma sociedade desregulada, capitalista, liberal, aberta e global. Goste-se ou não, aquilo a que se chamou o Consenso de Washington e que foi o guião da política económica internacional das últimas décadas está em crise. Mesmo quem continue a acreditar que esse é o modelo que trouxe crescimento económico global e redução da pobreza à escala mundial tem de reconhecer que a classe média-baixa dos países desenvolvidos hoje sente-se ameaçada (pelo efeito do progresso económico do resto do mundo). Resumindo muito: há medo da concorrência do estrangeiro e dos estrangeiros. O desafio, agora, é descobrir que resposta se pode dar a esse sentimento que resulta de uma realidade: as expectativas desta classe média-baixa e dos filhos de toda a classe média são hoje piores do que eram há quinze ou vinte anos. Há vários caminhos que se pode tentar, alguns deles especialmente perigosos.

A The Economist de há duas semanas tinha na capa Xi Jinping, a quem chamava o homem mais poderoso do mundo. Por mais que não se goste de Trump, tem de se ficar muito preocupado quando o homem mais poderoso do mundo não é o líder da maior potência económica democrática e liberal, mas sim o da maior economia autoritária. O possível domínio do chamado Consenso de Pequim, a convicção de que o modelo centralizado, não liberal nem livre, de crescimento económico é o caminho a seguir é um perigo. Independentemente de não haver outras geografias com as características da China, há outros lugares onde parte desta ideia faz o seu caminho. É um pouco isso que os populistas prometem: a partir do Estado, recuperar a prosperidade económica, recusando o livre-comércio e a globalização (duas coisas que fizeram a China crescer), e recusando o declínio das fronteiras. Como se fechados sobre si os povos, os países, os Estados, as regiões, tivessem maior capacidade de proteger os seus cidadãos e oferecer-lhes prosperidade. A história ensina que não, mas a história não basta.

Por cá, Macron e Merkel, e a União Europeia em geral, são a outra face da moeda. Do seu sucesso depende o sucesso da ideia de democracia liberal. Resta saber se sabem exatamente o que estão a fazer. E se há ou vai haver um Consenso Europeu.