por P.M., in Diário de Notícias
Um café com Carlos Farinha Rodrigues e Sérgio Aires, moderado por António Barreto.
A redução da desigualdade que foi obtida em Portugal e deve-se essencialmente à melhoria dos condições de vida dos indivíduos mais pobres. O debate mostra que o papel da intervenção do Estado é fundamental para a melhoria das condições de vida dos indivíduos mais pobres e um aumento das prestações sociais.
Para Carlos Farinha Rodrigues não tivemos políticas novas - efetivas - no combate às desigualdades, mas houve políticas sociais de combate à pobreza e exclusão social.
Os ganhos que tivemos nas desigualdades foi "à boleia" das medidas de combate à pobreza e exclusão social.
A austeridade - 2009 foi um ponto de viragem e a partir daí as desigualdades intensificaram-se - tem contribuído para as desigualdades sociais. Segundo um INE há um claro retrocesso, porque as medidas de combate diminuíram como os critérios de atribuição às famílias foram alterados.
A questão da pobreza continua desde 1994 com o cenário de que não é um problema europeu mas sim de cada um dos Estados Membros.
Quando se dá o alargamento Portugal deixou de ser interessante para a instalação de empresas. "Nós somos interessantes até termos salários baixos", afirma Sérgio Aires.
Considera ainda, que os fundos comunitários nos beneficiaram muito e também nos prejudicaram muito.
Conclui que a pobreza é o grande inimigo da democracia. "Na Grécia o partido que dá comida aos pobres na Praça Syntagma é o neo-nazi Aurora Dourada".
Os países mais pobres são simultaneamente os países mais desiguais. Um frase trágica que se ouve muito é : "Sempre houve pobres e sempre haverá pobres", lembrou Carlos Farinha Rodrigues. Há por isso que combater esta tolerância em relação à desigualdade e esta tolerância em relação à pobreza.