3.5.21

Emprego com retoma ligeira em Fevereiro e Março

Sérgio Aníbal, in Público on-line

Depois da quebra de Dezembro e Janeiro, em Março, o emprego em Portugal voltou à tendência de retoma ligeira, revelam os números publicados esta quinta-feira pelo INE.

Mesmo no meio da terceira vaga da pandemia, o emprego registou em Portugal uma tendência de ligeira recuperação durante os meses de Fevereiro e Março. Um resultado que é ainda ajudado pelos apoios que estão a ser dados às empresas através do layoff simplificado.

De acordo com os dados do inquérito mensal ao mercado de trabalho publicados esta quinta-feira pelo Instituto Nacional de Estatística (INE), o número de pessoas empregadas em Portugal, depois de ter registado reduções em Dezembro e Janeiro, regressou a uma trajectória ascendente em Fevereiro (dados definitivos) e em Março (dados provisórios). Em Fevereiro, a subida foi de 0,4% face ao ano anterior (ou 19 mil novos empregos) e em Março de 0,3% (ou 13 mil novos empregos). Os números apresentados são corrigidos do efeito de sazonalidade.

A recuperação registada, depois da quebra sentida no último mês do ano passado e no primeiro deste ano, não é ainda suficiente para que se regresse aos níveis de emprego que se registavam em Portugal antes da pandemia. Entre Fevereiro de 2020 (o último mês antes da pandemia) e Março deste ano, verifica-se uma diminuição de 55 mil empregos.

Outros indicadores confirmam a tendência de ligeira melhoria das condições no mercado de trabalho registada em Fevereiro e Março. A taxa de desemprego passou de 6,9% em Janeiro, para 6,8% em Fevereiro e 6,5% em Março, enquanto a taxa de subutilização do trabalho (um indicador que usa um conceito mais alargado de desemprego) manteve-se em 13,8% em Fevereiro e desceu para 13,3% em Março. No que diz respeito à população activa, que no início da pandemia diminuiu bastante, registou uma subida de cerca de 17 mil pessoas em Fevereiro, mantendo-se estável em Março.

A evolução dos indicadores do emprego e do desemprego têm vindo, desde Março do ano passado, a ser influenciados por algumas características extraordinárias da pandemia, que explicam em larga medida o porquê de a taxa de desemprego, apesar da forte contracção da actividade económica, ter registado uma subida bastante moderada.

Por um lado, as medidas de confinamento afectam a capacidade de as pessoas procurarem activamente um emprego, por exemplo, realizando entrevistas com potenciais empregadores. Uma vez que, nas regras seguidas a nível internacional, uma pessoa apenas pode ser classificada como desempregada se tiver, no último mês, realizado acções concretas de procura de emprego, uma parte importante da população afectada pela crise passou a ser classificada como inactiva, não contando para o cálculo da taxa de desemprego. No início da pandemia, a população inactiva aumentou bastante, tendo agora, diminuído em Fevereiro e estabilizado em Março.

Depois, o facto de os trabalhadores colocados em situação de layoff continuarem a ser, na sua grande maioria, considerados como empregados, também permitiu que os números do emprego, embora caindo, tenham resistido bastante melhor do que em anteriores crises, uma característica que se verifica na generalidade dos países europeus.

O desafio nos próximos meses para a economia e para o mercado de trabalho será o de garantir que, à medida que as medidas de apoio público como a do layoff simplificado são retiradas, as empresas não optam por reduzir a sua força de trabalho, levando a que se registe uma redução acentuada do nível de emprego no país.