Cristina Oliveira da Silva, in Negócios online
No ano passado o IEFP recebeu menos ofertas de emprego e colocou menos desempregados.
Em 2011, os centros de emprego só conseguiram dar resposta a 53,5% das ofertas de emprego que receberam das empresas. Isto significa que apesar do aumento histórico do desemprego, o Instituto do Emprego e da Formação Profissional (IEFP) apenas conseguiu encaminhar pessoas inscritas para pouco mais de metade das ofertas disponíveis.
Ainda assim, este é o valor mais elevado dos últimos anos. A subida da taxa de satisfação não tem a ver com o aumento das colocações (que, aliás, caíram) mas sim com a forte redução sentida nas vagas captadas junto das empresas. O IEFP revela que, no ano passado, os centros de emprego conseguiram arranjar emprego a menos pessoas, consequência da descida no número de ofertas comunicadas devido à "conjuntura económica actual". Ainda assim, fonte do Instituto salienta que "o número de colocações decresceu menos que o número de ofertas recebidas, situando-se a taxa de satisfação das ofertas em 2011, em 53,5%, mais sete pontos percentuais que em 2010".
No ano passado, o IEFP conseguiu colocar 60.135 pessoas, menos 9,6% face a 2010. Deste grupo, 55.566 estavam desempregados (já que o IEFP também recebe pedidos de empregados), menos 11%. Já as ofertas recebidas ao longo do ano sofreram um tombo maior, de 20,3%, para 99.488. Por isso, a taxa de satisfação aumentou (para chegar a este valor, ainda é preciso somar cerca de 13 mil vagas disponíveis no final de 2010).
27.2.12
Novas regras do subsídio social por desemprego
in Negócios Online
Alvo de acordo na Concertação Social, o Compromisso para o Crescimento, Competitividade e Emprego dá o mote a este fórum. Vêm aí mudanças nas leis laborais. O Negócios, em colaboração com a Garrigues, responde às dúvidas dos leitores
Novas regras do subsídio social por desemprego
A partir de quando entra em vigor o novo regulamento sobre as compensações por despedimento? JC
Em primeiro lugar, devemos referir que já se encontra em vigor a Lei n.º 53/2011, de 14 de Outubro, a qual estabelece novas regras de cálculo dos montantes das compensações devidas pela cessação dos contratos de trabalho por iniciativa do empregador com base em motivos objectivos
Alvo de acordo na Concertação Social, o Compromisso para o Crescimento, Competitividade e Emprego dá o mote a este fórum. Vêm aí mudanças nas leis laborais. O Negócios, em colaboração com a Garrigues, responde às dúvidas dos leitores
Novas regras do subsídio social por desemprego
A partir de quando entra em vigor o novo regulamento sobre as compensações por despedimento? JC
Em primeiro lugar, devemos referir que já se encontra em vigor a Lei n.º 53/2011, de 14 de Outubro, a qual estabelece novas regras de cálculo dos montantes das compensações devidas pela cessação dos contratos de trabalho por iniciativa do empregador com base em motivos objectivos
Portugueses ainda não conseguiram interiorizar conceito de "dar e receber"
in Negócios on-line
Uma década depois da entrada do Banco do Tempo em Portugal, muitos "clientes" ainda não conseguiram interiorizar a essência do projecto: quem dá uma hora do seu tempo na prestação de um serviço tem de receber outra em troca.
Uma década depois da entrada do Banco do Tempo em Portugal, muitos "clientes" ainda não conseguiram interiorizar a essência do projecto: quem dá uma hora do seu tempo na prestação de um serviço tem de receber outra em troca.
O Banco do Tempo (BT) funciona como uma instituição bancária comum, com banco central, agências, cheques e depósitos, mas com a particularidade de utilizar o tempo como moeda de troca.
"O problema do Banco do Tempo é que há muita gente a dar e pouca a querer receber", disse à agência Lusa Maria Elisa Carvalho, coordenadora da agência da Penha de França, explicando que o projecto não assenta numa lógica de voluntariado, mas de troca de serviços.
Esta opinião é sustentada por Adelaide Lopes, uma das coordenadoras da agência da Foz (Porto): "Há alguns princípios que não são interiorizados tão bem, como a obrigatoriedade de dar e receber e a inexistência de troca directa de serviços".
Adelaide Lopes adianta que os portugueses estão "muito formatados" para o voluntariado, mas o Banco do Tempo vai muito além disso. Assim, "embora achem piada ao projecto, não interiorizam a essência do projecto que é dar e receber", o que vai inquinar o registo das horas e o tipo de serviços.
Esta realidade também é constatada pela coordenadora do BT do Lumiar, realçando que o banco "não é o voluntariado duro, em que a pessoa dá e não recebe nada. Quem dá tem de receber".
Irene de Freitas Silva dá o seu exemplo: "Eu sou a coordenadora e aquilo que recebo é que nunca mais fui ao cabeleireiro".
"Tenho a cabeleireira que vem a minha casa, em troca ela recebe aulas de inglês e informática uma vez por semana", conta.
A coordenadora da agência da Foz realizou um inquérito junto dos 183 membros e concluiu que "a construção de relações pessoais mais humanas e solidárias foi o que mais contribuiu para a vida das pessoas".
Mas a criação de relações de amizade leva a um problema: os participantes esquecem-se de registar as horas, principalmente quando são serviços de companhia, como ir ao cinema ou dar um passeio, diz Adelaide Lopes.
"A partir de uma certa altura, as pessoas ficam tão amigas que o Banco do tempo já não se justifica e a necessidade inicial desaparece. É um fenómeno muito engraçado", comenta.
A coordenadora e também presidente da Junta da Freguesia da Penha de França salienta, por outro lado, a importância deste projecto para construir uma cultura de solidariedade entre pessoas que vivem no mesmo espaço.
"Em cidades como Lisboa há pessoas que estão isoladas e o Banco do Tempo pode servir para ultrapassar essa situação", diz Elisa Carvalho, acrescentando: "Quero que as pessoas sejam mais solidárias, se conheçam e se ajudem".
Em Portugal há cerca de 1.700 pessoas inscritas nas 32 agências espalhadas pelo país, a maioria mulheres e com idades entre os 50 e os 70 anos, segundo Teresa Branco, do movimento GRAAL, coordenador do banco central do projecto.
Teresa Branco diz que há uma maior participação de jovens e começa a existir "um interesse crescente em bancos de tempo escolares", como os que já existem na Póvoa de Varzim e em Cascais.
Dos objectivos do BT fazem parte o apoio há família e a conciliação entre a vida profissional e familiar.
Os serviços prestados correspondem a actividades não profissionais e a troca assenta na boa vontade, na lógica das relações de "boa vizinhança".
Todos os membros têm de pagar anualmente uma quota de quatro horas, que vai para a "conta" da Agência.
Uma década depois da entrada do Banco do Tempo em Portugal, muitos "clientes" ainda não conseguiram interiorizar a essência do projecto: quem dá uma hora do seu tempo na prestação de um serviço tem de receber outra em troca.
Uma década depois da entrada do Banco do Tempo em Portugal, muitos "clientes" ainda não conseguiram interiorizar a essência do projecto: quem dá uma hora do seu tempo na prestação de um serviço tem de receber outra em troca.
O Banco do Tempo (BT) funciona como uma instituição bancária comum, com banco central, agências, cheques e depósitos, mas com a particularidade de utilizar o tempo como moeda de troca.
"O problema do Banco do Tempo é que há muita gente a dar e pouca a querer receber", disse à agência Lusa Maria Elisa Carvalho, coordenadora da agência da Penha de França, explicando que o projecto não assenta numa lógica de voluntariado, mas de troca de serviços.
Esta opinião é sustentada por Adelaide Lopes, uma das coordenadoras da agência da Foz (Porto): "Há alguns princípios que não são interiorizados tão bem, como a obrigatoriedade de dar e receber e a inexistência de troca directa de serviços".
Adelaide Lopes adianta que os portugueses estão "muito formatados" para o voluntariado, mas o Banco do Tempo vai muito além disso. Assim, "embora achem piada ao projecto, não interiorizam a essência do projecto que é dar e receber", o que vai inquinar o registo das horas e o tipo de serviços.
Esta realidade também é constatada pela coordenadora do BT do Lumiar, realçando que o banco "não é o voluntariado duro, em que a pessoa dá e não recebe nada. Quem dá tem de receber".
Irene de Freitas Silva dá o seu exemplo: "Eu sou a coordenadora e aquilo que recebo é que nunca mais fui ao cabeleireiro".
"Tenho a cabeleireira que vem a minha casa, em troca ela recebe aulas de inglês e informática uma vez por semana", conta.
A coordenadora da agência da Foz realizou um inquérito junto dos 183 membros e concluiu que "a construção de relações pessoais mais humanas e solidárias foi o que mais contribuiu para a vida das pessoas".
Mas a criação de relações de amizade leva a um problema: os participantes esquecem-se de registar as horas, principalmente quando são serviços de companhia, como ir ao cinema ou dar um passeio, diz Adelaide Lopes.
"A partir de uma certa altura, as pessoas ficam tão amigas que o Banco do tempo já não se justifica e a necessidade inicial desaparece. É um fenómeno muito engraçado", comenta.
A coordenadora e também presidente da Junta da Freguesia da Penha de França salienta, por outro lado, a importância deste projecto para construir uma cultura de solidariedade entre pessoas que vivem no mesmo espaço.
"Em cidades como Lisboa há pessoas que estão isoladas e o Banco do Tempo pode servir para ultrapassar essa situação", diz Elisa Carvalho, acrescentando: "Quero que as pessoas sejam mais solidárias, se conheçam e se ajudem".
Em Portugal há cerca de 1.700 pessoas inscritas nas 32 agências espalhadas pelo país, a maioria mulheres e com idades entre os 50 e os 70 anos, segundo Teresa Branco, do movimento GRAAL, coordenador do banco central do projecto.
Teresa Branco diz que há uma maior participação de jovens e começa a existir "um interesse crescente em bancos de tempo escolares", como os que já existem na Póvoa de Varzim e em Cascais.
Dos objectivos do BT fazem parte o apoio há família e a conciliação entre a vida profissional e familiar.
Os serviços prestados correspondem a actividades não profissionais e a troca assenta na boa vontade, na lógica das relações de "boa vizinhança".
Todos os membros têm de pagar anualmente uma quota de quatro horas, que vai para a "conta" da Agência.
Fundo de 200 milhões no programa Mercado Social de Arrendamento
Por Solange Sousa Mendes, in iOnline
O fundo gerido pela Norfin coloca no mercado 1200 casas em 112 concelhos do país e prevê chegar às duas mil no final do ano
A crise económica em que o país se encontra desde 2008 obrigou o mercado do imobiliário a pensar em soluções para não estagnar. Soluções que beneficiassem as famílias, os promotores imobiliários e os investidores. Por isso, em 2010, foi criado pela Câmara Municipal de Gaia, presidida por Luís Filipe Menezes, em conjunto com o grupo Caixa Geral de Depósitos, o projecto Arco-Íris. Segundo o seu mentor, o secretário de Estado da Segurança Social, Marco António Costa, o objectivo foi dar uma resposta inovadora a uma das necessidades sociais mais prementes: a habitação.
O sucesso desta iniciativa foi de tal forma que só o ano passado resolveu o problema de habitação de 42 famílias e já tem uma lista de espera de 200. Também o ano passado, o projecto Arco-Íris ganhou o prémio SIL imobiliário, na categoria autarquias.
Com base neste modelo, no âmbito do programa “Mercado de Arrendamento Social”, o Ministério da Solidariedade e da Segurança Social anuncia no próximo mês a criação de um fundo de 200 milhões, gerido pela Norfin, e que integra logo à partida 1200 casas, prevendo-se um alargamento para duas mil no fim do ano – 1700 de bancos e 300 do Instituto da Habitação e da Reabilitação Urbana (IHRU). Ao contrário do projecto de Gaia, este fundo é alargado a todo o país, mais precisamente a 112 concelhos.
Marco António Costa defende que este programa abre um novo nicho de mercado entre o mercado livre de arrendamento e o da habitação social, apresenta um triplo benefício: resolve o problema habitacional das famílias com ofertas de imóveis com rendas 30% abaixo do mercado livre, rentabiliza o crescente património imobiliário que os bancos têm herdado, dando-lhes ao mesmo tempo uma função social, potencia a reabilitação urbana do parque habitacional, em alguns casos em estado de degradação, e protege a paisagem urbana.
Miguel Marques dos Santos, um dos advogados que contribuiu para a elaboração da proposta de lei do arrendamento, complementa esta ideia ao afirmar que o Fundo Social de Arrendamento é uma iniciativa inteligente e meritória, na medida em que irá permitir criar oferta de arrendamento a famílias que não têm tão baixos rendimentos que lhes permitam recorrer à habitação social nem têm rendimentos suficientes para arrendar casas a preços de mercado.
Para o advogado, este fundo tem tudo para dar certo. “A impossibilidade de adquirir habitação própria, em resultado da escassez de crédito, e o facto de o mercado de arrendamento ainda não estar a funcionar, sendo as rendas novas ainda muito altas, empurrará necessariamente muitas famílias para soluções alternativas deste tipo. Para que a solução tenha dimensão nacional relevante é necessário que o fundo venha a crescer, mas estou certo que o mérito intrínseco da solução levará necessariamente a esse crescimento.”
O programa “Mercado Social de Arrendamento” é uma iniciativa de âmbito nacional, resultando numa parceria entre Estado, câmaras municipais e entidades bancárias: Banif, Banco Popular, BCP, BES, CGD, Montepio e Santander.
O fundo gerido pela Norfin coloca no mercado 1200 casas em 112 concelhos do país e prevê chegar às duas mil no final do ano
A crise económica em que o país se encontra desde 2008 obrigou o mercado do imobiliário a pensar em soluções para não estagnar. Soluções que beneficiassem as famílias, os promotores imobiliários e os investidores. Por isso, em 2010, foi criado pela Câmara Municipal de Gaia, presidida por Luís Filipe Menezes, em conjunto com o grupo Caixa Geral de Depósitos, o projecto Arco-Íris. Segundo o seu mentor, o secretário de Estado da Segurança Social, Marco António Costa, o objectivo foi dar uma resposta inovadora a uma das necessidades sociais mais prementes: a habitação.
O sucesso desta iniciativa foi de tal forma que só o ano passado resolveu o problema de habitação de 42 famílias e já tem uma lista de espera de 200. Também o ano passado, o projecto Arco-Íris ganhou o prémio SIL imobiliário, na categoria autarquias.
Com base neste modelo, no âmbito do programa “Mercado de Arrendamento Social”, o Ministério da Solidariedade e da Segurança Social anuncia no próximo mês a criação de um fundo de 200 milhões, gerido pela Norfin, e que integra logo à partida 1200 casas, prevendo-se um alargamento para duas mil no fim do ano – 1700 de bancos e 300 do Instituto da Habitação e da Reabilitação Urbana (IHRU). Ao contrário do projecto de Gaia, este fundo é alargado a todo o país, mais precisamente a 112 concelhos.
Marco António Costa defende que este programa abre um novo nicho de mercado entre o mercado livre de arrendamento e o da habitação social, apresenta um triplo benefício: resolve o problema habitacional das famílias com ofertas de imóveis com rendas 30% abaixo do mercado livre, rentabiliza o crescente património imobiliário que os bancos têm herdado, dando-lhes ao mesmo tempo uma função social, potencia a reabilitação urbana do parque habitacional, em alguns casos em estado de degradação, e protege a paisagem urbana.
Miguel Marques dos Santos, um dos advogados que contribuiu para a elaboração da proposta de lei do arrendamento, complementa esta ideia ao afirmar que o Fundo Social de Arrendamento é uma iniciativa inteligente e meritória, na medida em que irá permitir criar oferta de arrendamento a famílias que não têm tão baixos rendimentos que lhes permitam recorrer à habitação social nem têm rendimentos suficientes para arrendar casas a preços de mercado.
Para o advogado, este fundo tem tudo para dar certo. “A impossibilidade de adquirir habitação própria, em resultado da escassez de crédito, e o facto de o mercado de arrendamento ainda não estar a funcionar, sendo as rendas novas ainda muito altas, empurrará necessariamente muitas famílias para soluções alternativas deste tipo. Para que a solução tenha dimensão nacional relevante é necessário que o fundo venha a crescer, mas estou certo que o mérito intrínseco da solução levará necessariamente a esse crescimento.”
O programa “Mercado Social de Arrendamento” é uma iniciativa de âmbito nacional, resultando numa parceria entre Estado, câmaras municipais e entidades bancárias: Banif, Banco Popular, BCP, BES, CGD, Montepio e Santander.
26.2.12
Rede Europeia pede a Durão que se centre nas pessoas, não nos mercados
in Dinheiro Digital
A Rede Europeia Anti Pobreza (EAPN) Portugal escreveu ao presidente da Comissão Europeia a apelar para que a ajuda financeira aos países em dificuldade seja feita com base na solidariedade com as pessoas e não com os mercados.
A missiva enviada a Durão Barroso, com conhecimento aos diretores do Fundo Monetário Internacional e do Banco Central Europeu, apela ainda à troika "que pare de gerar mais pobreza" e define cinco ações urgentes a concretizar em todos os estados-membros da União Europeia alvo de ajuda financeira.
Estas ações, explica a EAPN Portugal, visam reverter os ataques sistemáticos que têm sido feitos aos direitos sociais.
Segundo a Rede Europeia Anti Pobreza, a análise anual do crescimento, observada pela Comissão Europeia, confirma que as medidas de austeridade tem tido um impacto negativo sobre as taxas de crescimento, emprego e pobreza e, por esta razão, foi incluída uma nova prioridade social, que visa lutar contra o desemprego e as consequências sociais da crise.
No entanto, defende a EAPN, as medidas tomadas contradizem totalmente esta decisão, pois os países que estão a receber ajuda financeira são, em primeiro lugar, obrigados a aceitar as condições que estão a devastar as suas infraestruturas sociais.
De acordo com as orientações da Comissão Europeia para os novos programas nacionais de reforma, os países que estão a ser resgatados ficam isentos de desenvolver estes programas, assim como de efetuar uma monitorização do seu progresso em termos de objetivos sociais.
Para o presidente da EAPN, Ludo Horemans, estas orientações significam que a UE só se preocupa com o desempenho macroeconómico e não com o impacto sobre as pessoas.
"Verifica-se uma dupla penalização sobre esses países e são as pessoas, especialmente as que têm baixos rendimentos, as mais afetadas. Isto revela o desprezo pelos compromissos assumidos relativamente à redução da pobreza no âmbito da Europa 2020. Por isso, apelamos à Comissão e à União Europeia que tome medidas imediatas para assegurar que os acordos com a troika parem de gerar ainda mais pobreza. A integridade e o futuro da Europa social estão em jogo", disse Ludo Horemans.
A EAPN propõe que os países com apoio económico recebam tratamento igual perante a "Europa 2020", produzindo PNRs e registando o progresso em relação às metas.
Por outro lado, a EAPN refere que todos os programas nacionais de reforma deverão ser obrigados a garantir que as medidas de austeridade fiscal deixem de atingir desproporcionalmente as pessoas em situação de pobreza e deverão ainda envolver ativamente a sociedade civil e outros parceiros, em todas as fases do seu desenvolvimento.
A rede europeia anti pobreza defende também a designação de uma delegação específica da Comissão Europeia/Comité de Proteção Social para trabalhar com os países que recebem ajuda económica no sentido de garantir que as condições impostas a esses países não resultem no aumento da pobreza.
Diário Digital / Lusa
A Rede Europeia Anti Pobreza (EAPN) Portugal escreveu ao presidente da Comissão Europeia a apelar para que a ajuda financeira aos países em dificuldade seja feita com base na solidariedade com as pessoas e não com os mercados.
A missiva enviada a Durão Barroso, com conhecimento aos diretores do Fundo Monetário Internacional e do Banco Central Europeu, apela ainda à troika "que pare de gerar mais pobreza" e define cinco ações urgentes a concretizar em todos os estados-membros da União Europeia alvo de ajuda financeira.
Estas ações, explica a EAPN Portugal, visam reverter os ataques sistemáticos que têm sido feitos aos direitos sociais.
Segundo a Rede Europeia Anti Pobreza, a análise anual do crescimento, observada pela Comissão Europeia, confirma que as medidas de austeridade tem tido um impacto negativo sobre as taxas de crescimento, emprego e pobreza e, por esta razão, foi incluída uma nova prioridade social, que visa lutar contra o desemprego e as consequências sociais da crise.
No entanto, defende a EAPN, as medidas tomadas contradizem totalmente esta decisão, pois os países que estão a receber ajuda financeira são, em primeiro lugar, obrigados a aceitar as condições que estão a devastar as suas infraestruturas sociais.
De acordo com as orientações da Comissão Europeia para os novos programas nacionais de reforma, os países que estão a ser resgatados ficam isentos de desenvolver estes programas, assim como de efetuar uma monitorização do seu progresso em termos de objetivos sociais.
Para o presidente da EAPN, Ludo Horemans, estas orientações significam que a UE só se preocupa com o desempenho macroeconómico e não com o impacto sobre as pessoas.
"Verifica-se uma dupla penalização sobre esses países e são as pessoas, especialmente as que têm baixos rendimentos, as mais afetadas. Isto revela o desprezo pelos compromissos assumidos relativamente à redução da pobreza no âmbito da Europa 2020. Por isso, apelamos à Comissão e à União Europeia que tome medidas imediatas para assegurar que os acordos com a troika parem de gerar ainda mais pobreza. A integridade e o futuro da Europa social estão em jogo", disse Ludo Horemans.
A EAPN propõe que os países com apoio económico recebam tratamento igual perante a "Europa 2020", produzindo PNRs e registando o progresso em relação às metas.
Por outro lado, a EAPN refere que todos os programas nacionais de reforma deverão ser obrigados a garantir que as medidas de austeridade fiscal deixem de atingir desproporcionalmente as pessoas em situação de pobreza e deverão ainda envolver ativamente a sociedade civil e outros parceiros, em todas as fases do seu desenvolvimento.
A rede europeia anti pobreza defende também a designação de uma delegação específica da Comissão Europeia/Comité de Proteção Social para trabalhar com os países que recebem ajuda económica no sentido de garantir que as condições impostas a esses países não resultem no aumento da pobreza.
Diário Digital / Lusa
Igreja/Crise: Decisões com base na solidariedade e não com os mercados
in Agência Ecclesia
Rede Europeia Anti-Pobreza envia carta ao presidente da CE e diretores do FMI e BCE
A Rede Europeia Anti-Pobreza (EAPN) enviou uma carta a Durão Barroso e aos diretores do Fundo Monetário Internacional (FMI) e do Banco Central Europeu (BCE), pedindo decisões baseadas na solidariedade e "não com os mercados”.
No momento em que a «troika» (Comissão Europeia, Banco Central Europeu e Fundo Monetário Internacional) acaba de negociar um novo programa de resgate para a Grécia, um comunicado enviado à Agência ECCLESIA pela EAPN sublinha que todos os Programas Nacionais de Reforma (PNRs) “deverão ser obrigados a garantir que as medidas de austeridade fiscal deixem de atingir desproporcionalmente as pessoas em situação de pobreza”.
As propostas da EAPN realçam também que deve ser designada uma delegação específica da Comissão Europeia / Comité de Proteção Social para trabalhar com os países “que recebem ajuda económica e monitorização por parte da CE, FMI e do BCE, no sentido de garantir que as condições impostas a esses países não resultem no aumento da pobreza”.
LFS
Rede Europeia Anti-Pobreza envia carta ao presidente da CE e diretores do FMI e BCE
A Rede Europeia Anti-Pobreza (EAPN) enviou uma carta a Durão Barroso e aos diretores do Fundo Monetário Internacional (FMI) e do Banco Central Europeu (BCE), pedindo decisões baseadas na solidariedade e "não com os mercados”.
No momento em que a «troika» (Comissão Europeia, Banco Central Europeu e Fundo Monetário Internacional) acaba de negociar um novo programa de resgate para a Grécia, um comunicado enviado à Agência ECCLESIA pela EAPN sublinha que todos os Programas Nacionais de Reforma (PNRs) “deverão ser obrigados a garantir que as medidas de austeridade fiscal deixem de atingir desproporcionalmente as pessoas em situação de pobreza”.
As propostas da EAPN realçam também que deve ser designada uma delegação específica da Comissão Europeia / Comité de Proteção Social para trabalhar com os países “que recebem ajuda económica e monitorização por parte da CE, FMI e do BCE, no sentido de garantir que as condições impostas a esses países não resultem no aumento da pobreza”.
LFS
Cavaco apela ao reconhecimento dos jovens empresários
in RR
Os jovens “acreditam nas potencialidades do país e querem contribuir para a melhoria da competitividade e internacionalização da economia”, sublinha o Presidente da República.
Num balanço à sexta etapa do Roteiro para a Juventude, que ontem terminou no Porto, Cavaco Silva diz que os jovens não pedem mais apoios públicos ou financeiros, mas querem que confiem neles, nas suas iniciativas e criatividade.
“Nenhum país atinge um elevado grau de desenvolvimento se não for capaz de estimular os seus jovens empresários e se não souber reconhecer e apoiar o mérito e o talento dos melhores. Eles são a seiva de uma economia próspera”, defende Cavaco Silva na sua mensagem.
O chefe de Estado diz ainda que escolheu as indústrias criativas para a última etapa do Roteiro, porque acredita que o sector “tem um papel de grande relevo no crescimento económico e na criação de oportunidades de trabalho qualificado e sustentável para os jovens”.
Leia a mensagem completa
“Dediquei a 6ª etapa do Roteiro para a Juventude às indústrias criativas por considerar que este sector tem um papel de grande relevo no crescimento económico e na criação de oportunidades de trabalho qualificado e sustentável para os jovens.
No revigorante diálogo que mantive com os jovens empresários, tanto nas visitas às empresas, como no almoço-debate promovido pela ANJE, encontrei um eixo comum: a importância que dão à inovação e à criatividade enquanto atitude empresarial e o entusiasmo, a energia e a audácia com que procuram transformar boas ideias em negócios de sucesso. Acreditam nas potencialidades do País e querem contribuir para a melhoria da competitividade e a internacionalização da economia e para a criação de emprego. Mais do que apoios públicos ou financeiros, os jovens querem que não se lhes criem barreiras às capacidades criativas e às iniciativas empresariais e que confiemos neles.
Nenhum País atinge um elevado grau de desenvolvimento se não for capaz de estimular os seus jovens empresários e se não souber reconhecer e apoiar o mérito e o talento dos melhores. Eles são a seiva de uma economia próspera”.
PARTILHAR
Mais notícias de País
País
Menos barcos no Tejo a partir de amanhã
País
Extinto incêndio na Serra da Estrela
País
Serra da Estrela a arder. Meios reforçados
País
Situação controlada em Mação
País
Probabilidade de chuva é inferior a 35%
País
Incêndio preocupante em Mação
Comentar
Deixe aqui o seu comentário relativo a esta notícia. Todos os comentários estão sujeitos a mediação.
Os jovens “acreditam nas potencialidades do país e querem contribuir para a melhoria da competitividade e internacionalização da economia”, sublinha o Presidente da República.
Num balanço à sexta etapa do Roteiro para a Juventude, que ontem terminou no Porto, Cavaco Silva diz que os jovens não pedem mais apoios públicos ou financeiros, mas querem que confiem neles, nas suas iniciativas e criatividade.
“Nenhum país atinge um elevado grau de desenvolvimento se não for capaz de estimular os seus jovens empresários e se não souber reconhecer e apoiar o mérito e o talento dos melhores. Eles são a seiva de uma economia próspera”, defende Cavaco Silva na sua mensagem.
O chefe de Estado diz ainda que escolheu as indústrias criativas para a última etapa do Roteiro, porque acredita que o sector “tem um papel de grande relevo no crescimento económico e na criação de oportunidades de trabalho qualificado e sustentável para os jovens”.
Leia a mensagem completa
“Dediquei a 6ª etapa do Roteiro para a Juventude às indústrias criativas por considerar que este sector tem um papel de grande relevo no crescimento económico e na criação de oportunidades de trabalho qualificado e sustentável para os jovens.
No revigorante diálogo que mantive com os jovens empresários, tanto nas visitas às empresas, como no almoço-debate promovido pela ANJE, encontrei um eixo comum: a importância que dão à inovação e à criatividade enquanto atitude empresarial e o entusiasmo, a energia e a audácia com que procuram transformar boas ideias em negócios de sucesso. Acreditam nas potencialidades do País e querem contribuir para a melhoria da competitividade e a internacionalização da economia e para a criação de emprego. Mais do que apoios públicos ou financeiros, os jovens querem que não se lhes criem barreiras às capacidades criativas e às iniciativas empresariais e que confiemos neles.
Nenhum País atinge um elevado grau de desenvolvimento se não for capaz de estimular os seus jovens empresários e se não souber reconhecer e apoiar o mérito e o talento dos melhores. Eles são a seiva de uma economia próspera”.
PARTILHAR
Mais notícias de País
País
Menos barcos no Tejo a partir de amanhã
País
Extinto incêndio na Serra da Estrela
País
Serra da Estrela a arder. Meios reforçados
País
Situação controlada em Mação
País
Probabilidade de chuva é inferior a 35%
País
Incêndio preocupante em Mação
Comentar
Deixe aqui o seu comentário relativo a esta notícia. Todos os comentários estão sujeitos a mediação.
Retirar 90 milhões da pobreza até 2015
Texto Miguel Marujo, in Fátima Missionária
«Os pequenos agricultores podem alimentar-se e podem ajudar a alimentar o mundo». Um compromisso que ajudará a diminuir número de pobres
Um responsável das Nações Unidas assumiu esta quarta-feira o compromisso de se retirar até 90 milhões de pessoas da pobreza no ano de 2015 e ajudar os pequenos agricultores e todos os que vivem em áreas rurais a concretizarem a oportunidade de eliminarem a fome e promoverem o desenvolvimento.
“Os pequenos agricultores podem alimentar-se e podem ajudar a alimentar o mundo”, afirmou Kanayo F. Nwanze, presidente do Fundo Internacional de Desenvolvimento Agrícola (FIDA), no seu discurso de abertura da reunião do Conselho de Administração desta agência.
“Chegou o momento de os pequenos agricultores desempenharem o seu papel para contribuírem para o crescimento económico e a segurança alimentar”, afirmou nesta reunião que engloba líderes mundiais, decisores políticos globais, agricultores e ministros de governos.
«Os pequenos agricultores podem alimentar-se e podem ajudar a alimentar o mundo». Um compromisso que ajudará a diminuir número de pobres
Um responsável das Nações Unidas assumiu esta quarta-feira o compromisso de se retirar até 90 milhões de pessoas da pobreza no ano de 2015 e ajudar os pequenos agricultores e todos os que vivem em áreas rurais a concretizarem a oportunidade de eliminarem a fome e promoverem o desenvolvimento.
“Os pequenos agricultores podem alimentar-se e podem ajudar a alimentar o mundo”, afirmou Kanayo F. Nwanze, presidente do Fundo Internacional de Desenvolvimento Agrícola (FIDA), no seu discurso de abertura da reunião do Conselho de Administração desta agência.
“Chegou o momento de os pequenos agricultores desempenharem o seu papel para contribuírem para o crescimento económico e a segurança alimentar”, afirmou nesta reunião que engloba líderes mundiais, decisores políticos globais, agricultores e ministros de governos.
Envelhecimento: Sociedade consumista relegou os “mais frágeis” para segundo plano
in Público on-line
O Ano Europeu do Envelhecimento Activo procura sensibilizar e chamar a atenção para o contributo das pessoas mais velhas para a sociedade (Manuel Roberto)
A coordenadora nacional do Ano Europeu do Envelhecimento Activo, Joaquina Madeira, considera que o modelo de sociedade consumista relegou os “mais frágeis”, como os idosos, para segundo plano, causando situações de abandono que são “intoleráveis”.
“Infelizmente temos esses pequenos caos na nossa sociedade”, disse Joaquina Madeira em entrevista à Lusa, a propósito da abertura oficial em Portugal, na terça-feira, do Ano Europeu do Envelhecimento Activo e da Solidariedade entre Gerações.
Para a coordenadora do Ano Europeu, situações como a dos idosos que aparecem mortos sozinhos em casa são “muito críticas” e merecem a indignação de todos.
“A sociedade já não tolera situações desta desumanidade”, vinca.
Joaquina Madeira aponta responsabilidades ao “modelo de sociedade consumista, pós-industrial, materialista, que relegou os mais frágeis para uma posição em que são pouco alvo da atenção e da solidariedade das comunidades”.
Para a responsável, “a fragmentação das famílias, a urbanização e as condições da vizinhança, que não sente obrigação relativamente ao outro, vieram criar estas situações”.
Apesar destas situações não poderem acontecer, o facto das pessoas terem “maior consciência de que são situações intoleráveis é um factor muito importante para a mudança”.
“Às vezes aprendemos da pior maneira e isto pode ajudar também para que saibamos dar mais valor às pessoas e às amizades”, sustentou, considerando que as dificuldades que as famílias estão a viver também podem fomentar uma maior aproximação com os outros.
Contudo, admite, “é um fenómeno que dificilmente se combate porque cada vez há mais idosos a viver sozinhos, o que não acontecia no passado e as pessoas também morriam mais cedo”.
Dados do Instituto Nacional de Estatística (INE) indicam que, em 2011, mais de 1,2 milhões de idosos viviam sozinhos ou em companhia de outras pessoas com mais de 65 anos, representando cerca de 60 por cento da população idosa a viver nestas condições.
Na última década, os idosos a viver sós ou em companhia com outros idosos aumentou 28%, adiantam os Censos 2011.
Joaquina Madeira salientou as iniciativas que já foram tomadas por organizações não-governamentais e freguesias para através do voluntariado fazerem um acompanhamento sistemático destas pessoas.
“Antigamente estes casos também existiam mas estavam ocultados. O facto de sabermos já é muito bom porque vamos tomar medidas”, sublinha.
O Ano Europeu do Envelhecimento Activo procura sensibilizar e chamar a atenção para o contributo das pessoas mais velhas para a sociedade e promover medidas que criem melhores oportunidades para essas pessoas se manterem activas.
O Ano Europeu do Envelhecimento Activo procura sensibilizar e chamar a atenção para o contributo das pessoas mais velhas para a sociedade (Manuel Roberto)
A coordenadora nacional do Ano Europeu do Envelhecimento Activo, Joaquina Madeira, considera que o modelo de sociedade consumista relegou os “mais frágeis”, como os idosos, para segundo plano, causando situações de abandono que são “intoleráveis”.
“Infelizmente temos esses pequenos caos na nossa sociedade”, disse Joaquina Madeira em entrevista à Lusa, a propósito da abertura oficial em Portugal, na terça-feira, do Ano Europeu do Envelhecimento Activo e da Solidariedade entre Gerações.
Para a coordenadora do Ano Europeu, situações como a dos idosos que aparecem mortos sozinhos em casa são “muito críticas” e merecem a indignação de todos.
“A sociedade já não tolera situações desta desumanidade”, vinca.
Joaquina Madeira aponta responsabilidades ao “modelo de sociedade consumista, pós-industrial, materialista, que relegou os mais frágeis para uma posição em que são pouco alvo da atenção e da solidariedade das comunidades”.
Para a responsável, “a fragmentação das famílias, a urbanização e as condições da vizinhança, que não sente obrigação relativamente ao outro, vieram criar estas situações”.
Apesar destas situações não poderem acontecer, o facto das pessoas terem “maior consciência de que são situações intoleráveis é um factor muito importante para a mudança”.
“Às vezes aprendemos da pior maneira e isto pode ajudar também para que saibamos dar mais valor às pessoas e às amizades”, sustentou, considerando que as dificuldades que as famílias estão a viver também podem fomentar uma maior aproximação com os outros.
Contudo, admite, “é um fenómeno que dificilmente se combate porque cada vez há mais idosos a viver sozinhos, o que não acontecia no passado e as pessoas também morriam mais cedo”.
Dados do Instituto Nacional de Estatística (INE) indicam que, em 2011, mais de 1,2 milhões de idosos viviam sozinhos ou em companhia de outras pessoas com mais de 65 anos, representando cerca de 60 por cento da população idosa a viver nestas condições.
Na última década, os idosos a viver sós ou em companhia com outros idosos aumentou 28%, adiantam os Censos 2011.
Joaquina Madeira salientou as iniciativas que já foram tomadas por organizações não-governamentais e freguesias para através do voluntariado fazerem um acompanhamento sistemático destas pessoas.
“Antigamente estes casos também existiam mas estavam ocultados. O facto de sabermos já é muito bom porque vamos tomar medidas”, sublinha.
O Ano Europeu do Envelhecimento Activo procura sensibilizar e chamar a atenção para o contributo das pessoas mais velhas para a sociedade e promover medidas que criem melhores oportunidades para essas pessoas se manterem activas.
Governo quer tomar posse de terras sem dono para as distribuir
Por Rosa Soares, Ricardo Garcia, in Público on-line
O Governo quer identificar todas as terras em Portugal às quais ninguém se apresenta como dono, reclamá-las para o Estado e distribuí-las para quem as queira cultivar.
“O objectivo é identificar o que não tem dono, e o que não tem dono pertence ao Estado”, afirma a ministra da Agricultura, do Mar, do Ambiente e do Ordenamento do Território, Assunção Cristas, numa entrevista ao PÚBLICO. “Só que o Estado também não sabe que terras são essas”, completa Cristas.
A identificação destas terras será feita no âmbito da realização do cadastro das propriedades rurais, que o Governo quer realizar em quatro a cinco anos, com recurso aos dados que a administração central já tem na sua posse - como informações sobre impostos, subsídios agrícolas e registos públicos.
Para as parcelas cujos proprietários não são imediatamente identificados, o Governo vai dar um prazo para que reivindiquem a sua posse. “A ideia é que, à medida que se vá fazendo o cadastro, e confirmada que não há nenhuma interação com o Estado, dar um prazo para que venham sinalizar a propriedade. Se não vierem, é declarado o seu abandono e é integrada na bolsa de terras”, diz Assunção Cristas.
O Governo está a ultimar legislação sobre a bolsa de terras, através da qual será disponibilizada informação sobre propriedades públicas ou privadas disponíveis para serem cultivadas.
O Governo quer identificar todas as terras em Portugal às quais ninguém se apresenta como dono, reclamá-las para o Estado e distribuí-las para quem as queira cultivar.
“O objectivo é identificar o que não tem dono, e o que não tem dono pertence ao Estado”, afirma a ministra da Agricultura, do Mar, do Ambiente e do Ordenamento do Território, Assunção Cristas, numa entrevista ao PÚBLICO. “Só que o Estado também não sabe que terras são essas”, completa Cristas.
A identificação destas terras será feita no âmbito da realização do cadastro das propriedades rurais, que o Governo quer realizar em quatro a cinco anos, com recurso aos dados que a administração central já tem na sua posse - como informações sobre impostos, subsídios agrícolas e registos públicos.
Para as parcelas cujos proprietários não são imediatamente identificados, o Governo vai dar um prazo para que reivindiquem a sua posse. “A ideia é que, à medida que se vá fazendo o cadastro, e confirmada que não há nenhuma interação com o Estado, dar um prazo para que venham sinalizar a propriedade. Se não vierem, é declarado o seu abandono e é integrada na bolsa de terras”, diz Assunção Cristas.
O Governo está a ultimar legislação sobre a bolsa de terras, através da qual será disponibilizada informação sobre propriedades públicas ou privadas disponíveis para serem cultivadas.
OCDE pede mais medidas para Portugal reduzir desigualdades no mercado laboral
Por Raquel Martins, Pedro Crisóstomo, in Público on-line
Apesar das reformas concretizadas ao longo dos últimos anos, Portugal deve fazer mais para reduzir a dualidade do mercado de trabalho, nomeadamente ao nível do subsídio de desemprego e da protecção dos trabalhadores com contratos permanentes, considera a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE).
Esta é uma das recomendações feitas pela instituição no relatório Going for Growth de 2012, hoje divulgado, e que faz uma análise das reformas feitas entre 2007 e 2011 tanto em Portugal como nos restantes países-membros.
A OCDE reconhece que a reforma da legislação laboral feita em 2009 simplificou o processo de despedimento individual e que, em 2011, se reduziram as indemnizações por despedimento para as novas contratações.
Além disso, tem em conta a intenção de Portugal reformar, em 2012, a protecção no desemprego, mas continua a recomendar que se alivie a protecção dos trabalhadores do quadro e que se reduza a duração do subsídio de desemprego para os trabalhadores mais velhos e se reforce a protecção dos mais jovens.
“Em algumas áreas prioritárias foram feitos progresso substanciais desde 2007, nomeadamente na melhoria dos resultados do sistema de educação, na redução da burocracia e na protecção do emprego, contudo são necessários mais esforços para reduzir o dualismo do mercado de trabalho”, lê-se no relatório.
No documento nota-se ainda que na área fiscal é necessário tomar medidas no alargamento das bases de incidência tributária.
A OCDE frisa que os programas de resgate financeiro a que Portugal, Grécia e Irlanda tiveram que recorrer, levaram a que estes países tivessem que acelerar as reformas estruturais e pôr no terreno algumas das medidas prioridades que vêem sendo recomendadas nos sucessivos relatórios.
“Como foi muitas vezes o caso no passado, a crise funcionou como um catalisador para reformas estruturais. O ímpeto reformista tem sido particularmente forte nos países da zona euro que pediram assistência à União Europeia e ao Fundo Monetário Internacional. Na Grécia, Irlanda e Portugal, algumas das medidas anunciadas em 2010 e 2011 estão associadas aos programas de assistência financeira, mas também estão em linha com as recomendações [dos relatórios anteriores Going for Growth]”, diz o documento.
Sem se referir em concreto a qualquer país e na base de uma análise empírica das reformas estruturais dos países da OCDE durante os 30 anos que antecederam a crise financeira, a organização conclui que, num período de especial dificuldade, determinadas reformas no mercado de trabalho podem piorar temporariamente a situação económica
“Muitas vezes, os benefícios das reformas estruturais – geralmente destinadas a aumentar a produtividade ou o emprego – levam tempo a concretizar-se, e os seus impactos no curto e no longo prazo podem ser diferentes”, lê-se no documento divulgado pela organização dirigida por Angel Gurría.
Alguns benefícios de longo prazo podem implicar custos no processo de transição, o que a OCDE diz dever-se, por exemplo, ao desaparecimento de empresas e aos despedimentos que daí resultam na sequência da “liberalização do mercado”.
A organização observa, por outro lado, que algumas reformas estruturais “podem impulsionar o crescimento rapidamente”, quando aumentam a confiança na economia antecipando benefícios que estimulam o consumo e o investimento.
Apesar das reformas concretizadas ao longo dos últimos anos, Portugal deve fazer mais para reduzir a dualidade do mercado de trabalho, nomeadamente ao nível do subsídio de desemprego e da protecção dos trabalhadores com contratos permanentes, considera a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE).
Esta é uma das recomendações feitas pela instituição no relatório Going for Growth de 2012, hoje divulgado, e que faz uma análise das reformas feitas entre 2007 e 2011 tanto em Portugal como nos restantes países-membros.
A OCDE reconhece que a reforma da legislação laboral feita em 2009 simplificou o processo de despedimento individual e que, em 2011, se reduziram as indemnizações por despedimento para as novas contratações.
Além disso, tem em conta a intenção de Portugal reformar, em 2012, a protecção no desemprego, mas continua a recomendar que se alivie a protecção dos trabalhadores do quadro e que se reduza a duração do subsídio de desemprego para os trabalhadores mais velhos e se reforce a protecção dos mais jovens.
“Em algumas áreas prioritárias foram feitos progresso substanciais desde 2007, nomeadamente na melhoria dos resultados do sistema de educação, na redução da burocracia e na protecção do emprego, contudo são necessários mais esforços para reduzir o dualismo do mercado de trabalho”, lê-se no relatório.
No documento nota-se ainda que na área fiscal é necessário tomar medidas no alargamento das bases de incidência tributária.
A OCDE frisa que os programas de resgate financeiro a que Portugal, Grécia e Irlanda tiveram que recorrer, levaram a que estes países tivessem que acelerar as reformas estruturais e pôr no terreno algumas das medidas prioridades que vêem sendo recomendadas nos sucessivos relatórios.
“Como foi muitas vezes o caso no passado, a crise funcionou como um catalisador para reformas estruturais. O ímpeto reformista tem sido particularmente forte nos países da zona euro que pediram assistência à União Europeia e ao Fundo Monetário Internacional. Na Grécia, Irlanda e Portugal, algumas das medidas anunciadas em 2010 e 2011 estão associadas aos programas de assistência financeira, mas também estão em linha com as recomendações [dos relatórios anteriores Going for Growth]”, diz o documento.
Sem se referir em concreto a qualquer país e na base de uma análise empírica das reformas estruturais dos países da OCDE durante os 30 anos que antecederam a crise financeira, a organização conclui que, num período de especial dificuldade, determinadas reformas no mercado de trabalho podem piorar temporariamente a situação económica
“Muitas vezes, os benefícios das reformas estruturais – geralmente destinadas a aumentar a produtividade ou o emprego – levam tempo a concretizar-se, e os seus impactos no curto e no longo prazo podem ser diferentes”, lê-se no documento divulgado pela organização dirigida por Angel Gurría.
Alguns benefícios de longo prazo podem implicar custos no processo de transição, o que a OCDE diz dever-se, por exemplo, ao desaparecimento de empresas e aos despedimentos que daí resultam na sequência da “liberalização do mercado”.
A organização observa, por outro lado, que algumas reformas estruturais “podem impulsionar o crescimento rapidamente”, quando aumentam a confiança na economia antecipando benefícios que estimulam o consumo e o investimento.
Idosos são esquecidos na sociedade consumista
in Diário de Notícias
A coordenadora nacional do Ano Europeu do Envelhecimento Ativo considera que o modelo de sociedade consumista relegou os idosos para segundo plano
A coordenadora nacional do Ano Europeu do Envelhecimento Ativo, Joaquina Madeira, considera que o modelo de sociedade consumista relegou os "mais frágeis", como os idosos, para segundo plano, causando situações de abandono que são "intoleráveis".
"Infelizmente temos esses pequenos caos na nossa sociedade", disse Joaquina Madeira em entrevista à agência Lusa, a propósito da abertura oficial em Portugal, na terça-feira, do Ano Europeu do Envelhecimento Ativo e da Solidariedade entre Gerações.
Para a coordenadora do Ano Europeu, situações como a dos idosos que aparecem mortos sozinhos em casa são "muito críticas" e merecem a indignação de todos.
"A sociedade já não tolera situações desta desumanidade", vinca.
Joaquina Madeira aponta responsabilidades ao "modelo de sociedade consumista, pós-industrial, materialista, que relegou os mais frágeis para uma posição em que são pouco alvo da atenção e da solidariedade das comunidades".
Para a responsável, "a fragmentação das famílias, a urbanização e as condições da vizinhança, que não sente obrigação relativamente ao outro, vieram criar estas situações".
Apesar destas situações não poderem acontecer, o facto das pessoas terem "maior consciência de que são situações intoleráveis é um fator muito importante para a mudança".
""s vezes aprendemos da pior maneira e isto pode ajudar também para que saibamos dar mais valor às pessoas e às amizades", sustentou, considerando que as dificuldades que as famílias estão a viver também podem fomentar uma maior aproximação com os outros.
Contudo, admite, "é um fenómeno que dificilmente se combate porque cada vez há mais idosos a viver sozinhos, o que não acontecia no passado e as pessoas também morriam mais cedo".
Dados do Instituto Nacional de Estatística (INE) indicam que, em 2011, mais de 1,2 milhões de idosos viviam sozinhos ou em companhia de outras pessoas com mais de 65 anos, representando cerca de 60 por cento da população idosa a viver nestas condições.
Na última década, os idosos a viver sós ou em companhia com outros idosos aumentou 28%, adiantam os Censos 2011.
A coordenadora nacional do Ano Europeu do Envelhecimento Ativo considera que o modelo de sociedade consumista relegou os idosos para segundo plano
A coordenadora nacional do Ano Europeu do Envelhecimento Ativo, Joaquina Madeira, considera que o modelo de sociedade consumista relegou os "mais frágeis", como os idosos, para segundo plano, causando situações de abandono que são "intoleráveis".
"Infelizmente temos esses pequenos caos na nossa sociedade", disse Joaquina Madeira em entrevista à agência Lusa, a propósito da abertura oficial em Portugal, na terça-feira, do Ano Europeu do Envelhecimento Ativo e da Solidariedade entre Gerações.
Para a coordenadora do Ano Europeu, situações como a dos idosos que aparecem mortos sozinhos em casa são "muito críticas" e merecem a indignação de todos.
"A sociedade já não tolera situações desta desumanidade", vinca.
Joaquina Madeira aponta responsabilidades ao "modelo de sociedade consumista, pós-industrial, materialista, que relegou os mais frágeis para uma posição em que são pouco alvo da atenção e da solidariedade das comunidades".
Para a responsável, "a fragmentação das famílias, a urbanização e as condições da vizinhança, que não sente obrigação relativamente ao outro, vieram criar estas situações".
Apesar destas situações não poderem acontecer, o facto das pessoas terem "maior consciência de que são situações intoleráveis é um fator muito importante para a mudança".
""s vezes aprendemos da pior maneira e isto pode ajudar também para que saibamos dar mais valor às pessoas e às amizades", sustentou, considerando que as dificuldades que as famílias estão a viver também podem fomentar uma maior aproximação com os outros.
Contudo, admite, "é um fenómeno que dificilmente se combate porque cada vez há mais idosos a viver sozinhos, o que não acontecia no passado e as pessoas também morriam mais cedo".
Dados do Instituto Nacional de Estatística (INE) indicam que, em 2011, mais de 1,2 milhões de idosos viviam sozinhos ou em companhia de outras pessoas com mais de 65 anos, representando cerca de 60 por cento da população idosa a viver nestas condições.
Na última década, os idosos a viver sós ou em companhia com outros idosos aumentou 28%, adiantam os Censos 2011.
Idosos são úteis, capazes e fazem falta à sociedade
in Diário de Notícias
A coordenadora nacional do Ano Europeu do Envelhecimento Ativo e da Solidariedade entre Gerações defendeu a importância desta iniciativa para passar a mensagem de que os mais velhos "são úteis, capazes e fazem falta à sociedade".
Joaquina Madeira falava à agência Lusa nas vésperas da abertura oficial em Portugal do Ano Europeu do Envelhecimento Ativo e da Solidariedade entre Gerações, que decorre na terça-feira em Lisboa.
Em entrevista à agência Lusa, Joaquina Madeira confessou que a coordenação desta iniciativa é uma "tarefa árdua", mas ao mesmo tempo "um desafio muito importante e muito interessante".
O objetivo do Ano Europeu "é sensibilizar, informar e formar a opinião pública e os atores relevantes da sociedade portuguesa para as questões do envelhecimento ativo, como uma forma de se envelhecer com qualidade, saúde, segurança e com participação na sociedade", sublinhou.
"É um desafio que se põe à sociedade no sentido de também contribuir para que as pessoas envelheçam com melhor qualidade", uma vez que a população idosa irá continuar a crescer.
Os Censos de 2011 mostraram que existem em Portugal 2,023 milhões de pessoas com 65 ou mais anos (cerca de 19 por cento da população total), um número que aumentou cerca de 19% em dez anos.
As estimativas apontam que, em 2050, o número de idosos duplicará (35,7%) e a dos jovens diminuirá 0,5% (14,4%).
Para Joaquina Madeira, a longevidade da população é um "enorme desafio" para o qual a sociedade tem de se preparar ao nível da saúde, do trabalho, emprego, segurança e da urbanização.
Outro objetivo, avançou, é "aproximar as gerações" e acabar com o "fosso" que foi criado, afastando os mais novos dos mais velhos.
"O ano europeu transforma num desafio e num objetivo criar boas práticas para aproximar gerações, com projetos e iniciativas com as escolas para que todos se conheçam melhor e percebam que todos têm talentos e capacidade de fazer coisas independentemente da idade", adiantou.
A coordenadora nacional do Ano Europeu do Envelhecimento Ativo e da Solidariedade entre Gerações defendeu a importância desta iniciativa para passar a mensagem de que os mais velhos "são úteis, capazes e fazem falta à sociedade".
Joaquina Madeira falava à agência Lusa nas vésperas da abertura oficial em Portugal do Ano Europeu do Envelhecimento Ativo e da Solidariedade entre Gerações, que decorre na terça-feira em Lisboa.
Em entrevista à agência Lusa, Joaquina Madeira confessou que a coordenação desta iniciativa é uma "tarefa árdua", mas ao mesmo tempo "um desafio muito importante e muito interessante".
O objetivo do Ano Europeu "é sensibilizar, informar e formar a opinião pública e os atores relevantes da sociedade portuguesa para as questões do envelhecimento ativo, como uma forma de se envelhecer com qualidade, saúde, segurança e com participação na sociedade", sublinhou.
"É um desafio que se põe à sociedade no sentido de também contribuir para que as pessoas envelheçam com melhor qualidade", uma vez que a população idosa irá continuar a crescer.
Os Censos de 2011 mostraram que existem em Portugal 2,023 milhões de pessoas com 65 ou mais anos (cerca de 19 por cento da população total), um número que aumentou cerca de 19% em dez anos.
As estimativas apontam que, em 2050, o número de idosos duplicará (35,7%) e a dos jovens diminuirá 0,5% (14,4%).
Para Joaquina Madeira, a longevidade da população é um "enorme desafio" para o qual a sociedade tem de se preparar ao nível da saúde, do trabalho, emprego, segurança e da urbanização.
Outro objetivo, avançou, é "aproximar as gerações" e acabar com o "fosso" que foi criado, afastando os mais novos dos mais velhos.
"O ano europeu transforma num desafio e num objetivo criar boas práticas para aproximar gerações, com projetos e iniciativas com as escolas para que todos se conheçam melhor e percebam que todos têm talentos e capacidade de fazer coisas independentemente da idade", adiantou.
Acesso de mulheres a cargos de decisão "é francamente negativo"
in Jornal de Notícias
A secretária de Estado da Igualdade, Teresa Morais, vai dizer à Organização das Nações Unidas, no balanço que apresentará sobre igualdade de género em Portugal, que o acesso a cargos de decisão política evoluiu, mas ainda "é francamente negativo" na economia.
"Há uma assimetria, em Portugal muito notória, entre o papel que as mulheres já têm no domínio da participação política e a escassa representação que têm ao nível dos lugares de decisão económica", afirmou a governante, em declarações à agência Lusa, antes de partir para Nova Iorque (Estados Unidos da América), onde vai participar na 56.ª sessão da Comissão sobre o Estatuto das Mulheres (CSW, na sigla em inglês).
A secretária de Estado dos Assuntos Parlamentares e da Igualdade chefia a delegação portuguesa à CSW, exclusivamente dedicada à igualdade de género e que reúne anualmente representantes dos estados-membros para avaliar os progressos.
A sessão deste ano, que começa na segunda-feira e se prolonga até 9 de março, na sede da Organização das Nações Unidas (ONU), em Nova Iorque, tem como tema central o fortalecimento do papel das mulheres rurais e o seu papel na erradicação da pobreza e da fome e no desenvolvimento.
Na intervenção que fará no plenário de alto nível, na segunda-feira, Teresa Morais vai reconhecer que "a situação do país é francamente negativa" no que respeita à representação de mulheres nos lugares de decisão económica, que "está muito abaixo da média europeia".
Recordando que os passos políticos para enfrentar esta "assimetria" já dados "não tiveram efeitos práticos", limitando-se a "fixar orientações e boas práticas", Teresa Morais garante que o Governo "está a fazer uma reflexão" sobre o assunto.
"Há um caminho a percorrer", reconhece, realçando que não é só uma questão de "justiça". "Há uma dimensão económica que é importante que os empresários comecem a reconhecer", assinala, citando estudos que sustentam que "há um acréscimo de produtividade e um ganho financeiro para as empresas que têm quadros de administração mais equilibrados e em que as mulheres participam na gestão".
"Há até estudos que demonstram que a presença de uma única mulher nos lugares de administração não é suficiente, porque só quando elas existem de uma forma plural é que conseguem verdadeiramente influenciar o resultado", frisa.
A secretária de Estado da Igualdade, Teresa Morais, vai dizer à Organização das Nações Unidas, no balanço que apresentará sobre igualdade de género em Portugal, que o acesso a cargos de decisão política evoluiu, mas ainda "é francamente negativo" na economia.
"Há uma assimetria, em Portugal muito notória, entre o papel que as mulheres já têm no domínio da participação política e a escassa representação que têm ao nível dos lugares de decisão económica", afirmou a governante, em declarações à agência Lusa, antes de partir para Nova Iorque (Estados Unidos da América), onde vai participar na 56.ª sessão da Comissão sobre o Estatuto das Mulheres (CSW, na sigla em inglês).
A secretária de Estado dos Assuntos Parlamentares e da Igualdade chefia a delegação portuguesa à CSW, exclusivamente dedicada à igualdade de género e que reúne anualmente representantes dos estados-membros para avaliar os progressos.
A sessão deste ano, que começa na segunda-feira e se prolonga até 9 de março, na sede da Organização das Nações Unidas (ONU), em Nova Iorque, tem como tema central o fortalecimento do papel das mulheres rurais e o seu papel na erradicação da pobreza e da fome e no desenvolvimento.
Na intervenção que fará no plenário de alto nível, na segunda-feira, Teresa Morais vai reconhecer que "a situação do país é francamente negativa" no que respeita à representação de mulheres nos lugares de decisão económica, que "está muito abaixo da média europeia".
Recordando que os passos políticos para enfrentar esta "assimetria" já dados "não tiveram efeitos práticos", limitando-se a "fixar orientações e boas práticas", Teresa Morais garante que o Governo "está a fazer uma reflexão" sobre o assunto.
"Há um caminho a percorrer", reconhece, realçando que não é só uma questão de "justiça". "Há uma dimensão económica que é importante que os empresários comecem a reconhecer", assinala, citando estudos que sustentam que "há um acréscimo de produtividade e um ganho financeiro para as empresas que têm quadros de administração mais equilibrados e em que as mulheres participam na gestão".
"Há até estudos que demonstram que a presença de uma única mulher nos lugares de administração não é suficiente, porque só quando elas existem de uma forma plural é que conseguem verdadeiramente influenciar o resultado", frisa.
Cavaco Silva diz que há demasiado medo de falhar em Portugal
in Jornal de Notícias
O presidente da República identificou, este sábado, no Porto, no âmbito da sexta jornada do Roteiro para a Juventude, o "risco de falhar" como uma dos defeitos dos investidores portugueses.
"Quando se monta um negócio, está a arriscar-se, há sempre o risco de falhar. E em Portugal as pessoas têm medo do risco de falhar, enquanto noutros países falhar é apenas uma etapa do processo", afirmou Aníbal Cavaco Silva.
O chefe de Estado fez este comentário após ouvir a estilista Katty Xiomara explicar as dificuldades por que passou para afirmar o seu projeto empresarial iniciado há 15 anos.
Xiomara, que o presidente visitou no seu atelier, está a afirmar-se em mercados como o dos Estados Unidos e Japão, mas admitiu que ultimamente tem tido menos sucesso na Europa.
A estilista, que já está a preparar as coleções de 2012, disse que usa 80% de matérias-primas nacionais nas suas peças.
Cavaco Silva cumpre este sábado no Porto o segundo e último dia da sexta jornada do Roteiro para a Juventude, dedicada às indústrias criativas.
O presidente começou por visitar o atelier de design de interiores de Paulo Lobo, aonde contactou com arquitetos e artesãos, e a loja da ALDECO, uma marca portuguesa de tecidos que se tem afirmado no mercado internacional, sobretudo com a coleção "Alma Lusa", inspirada nos descobrimentos portugueses.
Visitou igualmente o a "Casa do Conto, Arts & Residence", um "design hotel" do Porto que combina "a promoção das artes e dos criadores".
Cerca das 14 horas, o Chefe de Estado encontrava-se na sede da Associação Nacional de Jovens Empresários, a visita a mostra de "jovens empreendedores das Indústrias Criativas".
O presidente da República identificou, este sábado, no Porto, no âmbito da sexta jornada do Roteiro para a Juventude, o "risco de falhar" como uma dos defeitos dos investidores portugueses.
"Quando se monta um negócio, está a arriscar-se, há sempre o risco de falhar. E em Portugal as pessoas têm medo do risco de falhar, enquanto noutros países falhar é apenas uma etapa do processo", afirmou Aníbal Cavaco Silva.
O chefe de Estado fez este comentário após ouvir a estilista Katty Xiomara explicar as dificuldades por que passou para afirmar o seu projeto empresarial iniciado há 15 anos.
Xiomara, que o presidente visitou no seu atelier, está a afirmar-se em mercados como o dos Estados Unidos e Japão, mas admitiu que ultimamente tem tido menos sucesso na Europa.
A estilista, que já está a preparar as coleções de 2012, disse que usa 80% de matérias-primas nacionais nas suas peças.
Cavaco Silva cumpre este sábado no Porto o segundo e último dia da sexta jornada do Roteiro para a Juventude, dedicada às indústrias criativas.
O presidente começou por visitar o atelier de design de interiores de Paulo Lobo, aonde contactou com arquitetos e artesãos, e a loja da ALDECO, uma marca portuguesa de tecidos que se tem afirmado no mercado internacional, sobretudo com a coleção "Alma Lusa", inspirada nos descobrimentos portugueses.
Visitou igualmente o a "Casa do Conto, Arts & Residence", um "design hotel" do Porto que combina "a promoção das artes e dos criadores".
Cerca das 14 horas, o Chefe de Estado encontrava-se na sede da Associação Nacional de Jovens Empresários, a visita a mostra de "jovens empreendedores das Indústrias Criativas".
35 mil famílias numerosas em risco de pobreza
Leonor Paiva Watson, in Jornal de Notícias
Portugal tem 107 mil agregados com três ou mais crianças e destes 33,2% vivem no limite v Estatística exige medidas estruturais, dizem especialistas
Em Portugal, há 35 524 famílias numerosas - com três ou mais crianças - em risco de pobreza. Quantos mais filhos temos, mais nos diferenciamos em relação à pobreza média da Europa. Para pior.
A taxa de pobreza em Portugal, após as transferências sociais, está nos 19%. Na Europa a 27, nos 18,3%. Não é muito diferente mas, se olhando para o risco de pobreza por tipo de agregado, é nas famílias com mais filhos que o país se separa da UE.
Portugal tem 107 mil agregados com três ou mais crianças e destes 33,2% vivem no limite v Estatística exige medidas estruturais, dizem especialistas
Em Portugal, há 35 524 famílias numerosas - com três ou mais crianças - em risco de pobreza. Quantos mais filhos temos, mais nos diferenciamos em relação à pobreza média da Europa. Para pior.
A taxa de pobreza em Portugal, após as transferências sociais, está nos 19%. Na Europa a 27, nos 18,3%. Não é muito diferente mas, se olhando para o risco de pobreza por tipo de agregado, é nas famílias com mais filhos que o país se separa da UE.
Crise pode revalorizar o papel das mulheres na agricultura
in Jornal de Notícias
A crise poderá resultar na revalorização do "valor da terra", o que deve passar por reconhecer o papel das mulheres na agricultura, disse a secretária de Estado da Igualdade, que vai debater este tema na Organização das Nações Unidas.
A 56.ª sessão da Comissão sobre o Estatuto das Mulheres (CSW, na sigla em inglês), que começa na segunda-feira e se prolonga até 09 de março, na sede da Organização das Nações Unidas (ONU), em Nova Iorque (Estados Unidos da América), tem como tema central o fortalecimento do papel das mulheres rurais e o seu papel na erradicação da pobreza e da fome e no desenvolvimento.
A secretária de Estado dos Assuntos Parlamentares e da Igualdade, Teresa Morais, chefia a delegação portuguesa que participa na comissão. "É um tema muito relevante neste momento" de crise, que poderá resultar na "revalorização de algumas formas seguras de riqueza, como é o caso da terra", disse, em declarações à Lusa.
O "investimento em formas supérfluas de riqueza" acompanhou a "desvalorização" da agricultura, mas talvez a crise traga "uma mudança de atitude" face "ao valor seguro da terra" e ao contributo da agricultura, não só para a economia familiar, mas também para a produção nacional de riqueza, estima.
Em Portugal, assiste-se a "uma situação interessante", considera a governante, explicando que, no "contexto de declínio global da agricultura" e de "envelhecimento da população agrícola", tem-se verificado igualmente "um aumento da representação das mulheres", tanto na agricultura familiar, como na empresarial.
Embora os produtores agrícolas em Portugal continuem a ser maioritariamente homens, o número de mulheres aumentou entre 1999 e 2009, representando hoje cerca de um terço dos produtores agrícolas singulares. Ao nível dos trabalhadores agrícolas assalariados, a taxa feminina é a quinta maior da União Europeia (47%).
Simultaneamente, realça Teresa Morais, existe "uma forte representação feminina ao nível do ensino superior na área da agricultura" (55 por cento).
Mas não há só indicadores positivos sobre as mulheres das zonas rurais. " semelhança de outros contextos, também ali persiste uma "discrepância salarial entre mulheres e homens", que "ronda os 16%", frisa. Simultaneamente, estas mulheres continuam a estar sub-representadas na política e outras atividades públicas e a serem vulneráveis a situações de exclusão e isolamento, aspetos "em que se pode melhorar", reconhece a secretária de Estado.
Exclusivamente dedicada à igualdade de género, a Comissão sobre o Estatuto das Mulheres reúne anualmente representantes dos estados-membros para avaliar os progressos.
Na segunda-feira, Teresa Morais participa no debate central e intervém no plenário de alto nível sobre a Plataforma de Ação de Pequim.
Para terça-feira está previsto um encontro com Michelle Bachelet, diretora executiva da agência da ONU para a igualdade de género (ONU Mulheres), criada em julho de 2010, com quem falará sobre a experiência portuguesa no âmbito da violência contra mulheres, que será o tema da sessão do próximo ano, adiantou Teresa Morais, referindo que Portugal manifestará interesse em ter "uma participação ativa".
Na quarta-feira, a secretária de Estado encontra-se com a representante especial do secretário-geral da ONU para a violência contra crianças, a portuguesa Marta Santos Pais.
À margem dos trabalhos da CSW, Teresa Morais encontra-se este sábado com a comunidade portuguesa de New Bedford.
A crise poderá resultar na revalorização do "valor da terra", o que deve passar por reconhecer o papel das mulheres na agricultura, disse a secretária de Estado da Igualdade, que vai debater este tema na Organização das Nações Unidas.
A 56.ª sessão da Comissão sobre o Estatuto das Mulheres (CSW, na sigla em inglês), que começa na segunda-feira e se prolonga até 09 de março, na sede da Organização das Nações Unidas (ONU), em Nova Iorque (Estados Unidos da América), tem como tema central o fortalecimento do papel das mulheres rurais e o seu papel na erradicação da pobreza e da fome e no desenvolvimento.
A secretária de Estado dos Assuntos Parlamentares e da Igualdade, Teresa Morais, chefia a delegação portuguesa que participa na comissão. "É um tema muito relevante neste momento" de crise, que poderá resultar na "revalorização de algumas formas seguras de riqueza, como é o caso da terra", disse, em declarações à Lusa.
O "investimento em formas supérfluas de riqueza" acompanhou a "desvalorização" da agricultura, mas talvez a crise traga "uma mudança de atitude" face "ao valor seguro da terra" e ao contributo da agricultura, não só para a economia familiar, mas também para a produção nacional de riqueza, estima.
Em Portugal, assiste-se a "uma situação interessante", considera a governante, explicando que, no "contexto de declínio global da agricultura" e de "envelhecimento da população agrícola", tem-se verificado igualmente "um aumento da representação das mulheres", tanto na agricultura familiar, como na empresarial.
Embora os produtores agrícolas em Portugal continuem a ser maioritariamente homens, o número de mulheres aumentou entre 1999 e 2009, representando hoje cerca de um terço dos produtores agrícolas singulares. Ao nível dos trabalhadores agrícolas assalariados, a taxa feminina é a quinta maior da União Europeia (47%).
Simultaneamente, realça Teresa Morais, existe "uma forte representação feminina ao nível do ensino superior na área da agricultura" (55 por cento).
Mas não há só indicadores positivos sobre as mulheres das zonas rurais. " semelhança de outros contextos, também ali persiste uma "discrepância salarial entre mulheres e homens", que "ronda os 16%", frisa. Simultaneamente, estas mulheres continuam a estar sub-representadas na política e outras atividades públicas e a serem vulneráveis a situações de exclusão e isolamento, aspetos "em que se pode melhorar", reconhece a secretária de Estado.
Exclusivamente dedicada à igualdade de género, a Comissão sobre o Estatuto das Mulheres reúne anualmente representantes dos estados-membros para avaliar os progressos.
Na segunda-feira, Teresa Morais participa no debate central e intervém no plenário de alto nível sobre a Plataforma de Ação de Pequim.
Para terça-feira está previsto um encontro com Michelle Bachelet, diretora executiva da agência da ONU para a igualdade de género (ONU Mulheres), criada em julho de 2010, com quem falará sobre a experiência portuguesa no âmbito da violência contra mulheres, que será o tema da sessão do próximo ano, adiantou Teresa Morais, referindo que Portugal manifestará interesse em ter "uma participação ativa".
Na quarta-feira, a secretária de Estado encontra-se com a representante especial do secretário-geral da ONU para a violência contra crianças, a portuguesa Marta Santos Pais.
À margem dos trabalhos da CSW, Teresa Morais encontra-se este sábado com a comunidade portuguesa de New Bedford.
Portugal entre os piores na distribuição dos rendimentos
in Jornal de Notícias
Portugal está no grupo de países com maiores desigualdades em termos de rendimento disponível das famílias, sendo o terceiro com maior desigualdade em rendimento de trabalhadores a tempo inteiro, diz a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico.
No relatório "Going for Growth", publicado esta sexta-feira, a OCDE junta Portugal ao Chile, Israel, México, Turquia e Estados Unidos da América no grupo dos países com maiores desigualdades em termos de rendimento disponível das famílias, indicando que nestes países existe uma elevada concentração de rendimentos de trabalho, capital e trabalho independente, e que nestes países a taxa de pobreza é elevada.
A OCDE explica que foram testados vários cenários alternativos mas que os países incluídos nos grupos onde se detetam maiores desigualdades manteve-se estável, indicando um fosso maior para os restantes.
Portugal é incluído ainda no grupo dos três países com maiores desigualdades em termos de dispersão de rendimentos, juntamente com o Chile e os Estados Unidos da América.
Os dados relativos a 2008 foram compilados no índice Gini da OCDE e indicam de zero a um (sendo zero o mais equilibrado e um o mais desigual) as posições dos países em termos de desigualdade.
Neste contexto, a posição de Portugal varia consoante o grupo da população considerado. Em termos de desigualdades nos rendimentos dos trabalhadores a tempo inteiro, Portugal surge como o terceiro país com maiores desigualdades, com os Estados Unidos a liderarem o fundo da tabela, seguido do Chile.
Considerando o grupo de trabalhadores a tempo inteiro e a tempo parcial, Portugal apresenta-se com o quarto pior resultado e quando é considerada a totalidade da população em idade de trabalho surge na quinta pior posição.
Países nórdicos praticam maior igualdade
Os países nórdicos surgem mais uma vez no grupo dos países onde existe maior igualdade na distribuição dos rendimentos. Dinamarca, Islândia, Noruega, Suécia e Suíça constituem o grupo de países com menores desigualdades no rendimento disponível das famílias.
A OCDE considera que nestes países existe uma elevada taxa de emprego e uma menor dispersão em termos de salários, que as transferências em espécie tendem a ser universais e que os impostos são altamente progressivos.
Este exercício considera a população trabalhadora entre os 15 e os 64 anos, com exceção dos estudantes e as pessoas acima da idade legal de reforma em cada país.
Segundo a OCDE, para calcular estas desigualdades são considerados quatro fatores: a dispersão dos rendimentos por hora entre aqueles que trabalham a tempo inteiro; os que trabalham a tempo parcial; a taxa de não empregados; a formação do agregado familiar.
Portugal está no grupo de países com maiores desigualdades em termos de rendimento disponível das famílias, sendo o terceiro com maior desigualdade em rendimento de trabalhadores a tempo inteiro, diz a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico.
No relatório "Going for Growth", publicado esta sexta-feira, a OCDE junta Portugal ao Chile, Israel, México, Turquia e Estados Unidos da América no grupo dos países com maiores desigualdades em termos de rendimento disponível das famílias, indicando que nestes países existe uma elevada concentração de rendimentos de trabalho, capital e trabalho independente, e que nestes países a taxa de pobreza é elevada.
A OCDE explica que foram testados vários cenários alternativos mas que os países incluídos nos grupos onde se detetam maiores desigualdades manteve-se estável, indicando um fosso maior para os restantes.
Portugal é incluído ainda no grupo dos três países com maiores desigualdades em termos de dispersão de rendimentos, juntamente com o Chile e os Estados Unidos da América.
Os dados relativos a 2008 foram compilados no índice Gini da OCDE e indicam de zero a um (sendo zero o mais equilibrado e um o mais desigual) as posições dos países em termos de desigualdade.
Neste contexto, a posição de Portugal varia consoante o grupo da população considerado. Em termos de desigualdades nos rendimentos dos trabalhadores a tempo inteiro, Portugal surge como o terceiro país com maiores desigualdades, com os Estados Unidos a liderarem o fundo da tabela, seguido do Chile.
Considerando o grupo de trabalhadores a tempo inteiro e a tempo parcial, Portugal apresenta-se com o quarto pior resultado e quando é considerada a totalidade da população em idade de trabalho surge na quinta pior posição.
Países nórdicos praticam maior igualdade
Os países nórdicos surgem mais uma vez no grupo dos países onde existe maior igualdade na distribuição dos rendimentos. Dinamarca, Islândia, Noruega, Suécia e Suíça constituem o grupo de países com menores desigualdades no rendimento disponível das famílias.
A OCDE considera que nestes países existe uma elevada taxa de emprego e uma menor dispersão em termos de salários, que as transferências em espécie tendem a ser universais e que os impostos são altamente progressivos.
Este exercício considera a população trabalhadora entre os 15 e os 64 anos, com exceção dos estudantes e as pessoas acima da idade legal de reforma em cada país.
Segundo a OCDE, para calcular estas desigualdades são considerados quatro fatores: a dispersão dos rendimentos por hora entre aqueles que trabalham a tempo inteiro; os que trabalham a tempo parcial; a taxa de não empregados; a formação do agregado familiar.
303 mil desempregados já não recebem subsídio
Lucília Tiago, in Dinheiro Vivo
Há cada vez mais desempregados a esgotar os tempos máximos de atribuição dos subsídios de desemprego (inicial, subsequente e social).
Em janeiro, o número de pessoas sem trabalho e sem direito a estes apoios ascendia já já 303.478, o que traduz uma realidade nunca antes registada.
Em apenas um mês, a fileira dos desempregados sem direito a receber subsídio de desemprego ficou com mais 15.500, segundo indicam os mais recentes dados da Segurança social e do Instituto do Emprego e da Formação Profissional.
Ainda assim, a relação entre os que recebem e deixaram de receber manteve-se inalterada nos 47,6% já observados em dezembro.
A crise continua a empurrar cada vez mais pessoas para o desemprego. Em Janeiro, o número de desempregados inscritos nos Centros de Emprego totalizava 637.662, traduzindo uma subida de 5,3% em relação ao mês anterior.
Neste mesmo período, subiu também, mas de forma menos significativa (2,5%), os beneficiários de prestações de desemprego, com a Segurança Social a registar um total de 317.118 pessoas, o que representa uma subida de mais 7700).
Este desequilíbrio no ritmo de crescimento entre o número de desempregados inscritos e os que recebem aquele apoio social faz com que seja cada vez maior o grupo dos que ficam de fora do subsídio de desemprego.
Um cenário que está diretamente ligado com o fato de as pessoas se manterem por períodos mais longos sem conseguir regressar ao mercado de trabalho, acabando por esgotar os prazos do subsídio de desemprego, e também pelo facto de desde o final de 2010 a atribuição do subsídio social de desemprego estar dependente da prova de condição de recursos, na qual são tidos em conta todos os rendimentos não apenas do agregado (incluindo contas bancárias ou certificados), mas de todas as pessoas que residem na mesma morada. Ou seja, no limite, a reforma de uma tia-avó que partilhe a casa do desempregado, também é contabilizada na condição de recursos.
Já no que diz respeito ao valor médio pago a cada beneficiário do subsídio de desemprego, não há diferenças a assinalar entre o final de 2011 e o início de 2012. Em média, cada desempregado recebe 533 euros de subsídio de desemprego.
No social, o valor também se manteve inalterado nos 346 euros.
A escalada do desemprego (que no final de 2011 atingia já 771 mil pessoas, segundo o INE) é também visível no número cada vez mais elevado de pedidos de subsídio que chegam à Segurança Social. Em janeiro, estes serviços deferiram 25.840 requerimentos, mais dois mil do que em dezembro.
Há cada vez mais desempregados a esgotar os tempos máximos de atribuição dos subsídios de desemprego (inicial, subsequente e social).
Em janeiro, o número de pessoas sem trabalho e sem direito a estes apoios ascendia já já 303.478, o que traduz uma realidade nunca antes registada.
Em apenas um mês, a fileira dos desempregados sem direito a receber subsídio de desemprego ficou com mais 15.500, segundo indicam os mais recentes dados da Segurança social e do Instituto do Emprego e da Formação Profissional.
Ainda assim, a relação entre os que recebem e deixaram de receber manteve-se inalterada nos 47,6% já observados em dezembro.
A crise continua a empurrar cada vez mais pessoas para o desemprego. Em Janeiro, o número de desempregados inscritos nos Centros de Emprego totalizava 637.662, traduzindo uma subida de 5,3% em relação ao mês anterior.
Neste mesmo período, subiu também, mas de forma menos significativa (2,5%), os beneficiários de prestações de desemprego, com a Segurança Social a registar um total de 317.118 pessoas, o que representa uma subida de mais 7700).
Este desequilíbrio no ritmo de crescimento entre o número de desempregados inscritos e os que recebem aquele apoio social faz com que seja cada vez maior o grupo dos que ficam de fora do subsídio de desemprego.
Um cenário que está diretamente ligado com o fato de as pessoas se manterem por períodos mais longos sem conseguir regressar ao mercado de trabalho, acabando por esgotar os prazos do subsídio de desemprego, e também pelo facto de desde o final de 2010 a atribuição do subsídio social de desemprego estar dependente da prova de condição de recursos, na qual são tidos em conta todos os rendimentos não apenas do agregado (incluindo contas bancárias ou certificados), mas de todas as pessoas que residem na mesma morada. Ou seja, no limite, a reforma de uma tia-avó que partilhe a casa do desempregado, também é contabilizada na condição de recursos.
Já no que diz respeito ao valor médio pago a cada beneficiário do subsídio de desemprego, não há diferenças a assinalar entre o final de 2011 e o início de 2012. Em média, cada desempregado recebe 533 euros de subsídio de desemprego.
No social, o valor também se manteve inalterado nos 346 euros.
A escalada do desemprego (que no final de 2011 atingia já 771 mil pessoas, segundo o INE) é também visível no número cada vez mais elevado de pedidos de subsídio que chegam à Segurança Social. Em janeiro, estes serviços deferiram 25.840 requerimentos, mais dois mil do que em dezembro.
Portugal "deve baixar salários" e "é um país difícil de explicar"
in Jornal de Notícias
O economista Paul Krugman vê Portugal como o país mais difuso do euro, duvida que consiga pagar a sua dívida e afirma que os salários dos portugueses têm de cair até 30% face à Alemanha.
Segunda-feira, Paul Krugmam vai receber na Aula Magna da Reitoria da Universidade de Lisboa, o grau de Doutor Honoris Causa atribuído, pela primeira vez, juntamente por três universidades portuguesas (Universidade de Lisboa, Universidade Técnica de Lisboa e a Universidade Nova de Lisboa).
Na sua coluna no jornal "The New York Times", a 23 de maio de 2011, o economista norte-americano escrevia que "é agora claro que a Grécia, Irlanda e Portugal não conseguem e não vão pagar as suas dívidas por inteiro", ou seja, a Europa teria de estar preparada para uma redução destes montantes.
Um ano antes, a 17 de maio de 2010, Krugman frisava no seu blogue, também no diário nova-iorquino, que "neste momento, os salários na Grécia/Espanha/Portugal/Letónia/Estónia, etc., têm de cair algo como 20 a 30% em relação aos salários na Alemanha".
No ano passado, o Nobel da Economia de 2008 acreditava que Portugal seria a próxima peça a cair no dominó da zona euro. "Esperava que não, principalmente - claro - por causa dos portugueses (...), mas também egoisticamente porque é, de longe, o mais difuso dos países periféricos com problemas", referia então Krugman.
O que significa que a história portuguesa é "mais difícil de contar do que a da Grécia, Espanha e Irlanda", porque Portugal "não estava assim tão mal em termos orçamentais, mas também não teve um surto de preços imobiliários. Houve muito crédito ao privado, mas não é fácil explicar exatamente porquê".
"O que é claro, porém, é que nesta altura Portugal enfrenta problemas de ajustamento semelhantes aos espanhóis e, possivelmente, piores. Os custos laborais estão desalinhados com o resto da zona euro e adequá-los vai necessitar uma desvalorização interna dolorosa, ou seja, deflação", acrescentava Krugman.
O economista norte-americano estará bastante familiarizado com a realidade nacional, uma vez que foi em Lisboa que começou a trabalhar em termos de política económica, em 1976.
Num discurso na Universidade de Princeton, Krugman lembrava as "sábias palavras" do governador do Banco de Portugal na altura, Silva Lopes: "Quando eu tenho seis meses de reservas, eu terei zero reservas", numa referência à quebra de reservas que o banco central enfrentou após o 25 de abril.
Numa página sobre "incidentes" da sua carreira, o economista esclarece: "O que aprendi dessa experiência foi o poder de ideias económicas muito simples e, simultaneamente, a inutilidade de teorias que não podem ter conteúdo operacional. Em particular, a minha experiência num país onde era um enorme desafio até decidir se a produção estava a aumentar ou a cair deu-me uma alergia crónica a modelos que dizem que uma política potencialmente útil existe sem darem uma única forma de determinar que política é essa".
O economista Paul Krugman vê Portugal como o país mais difuso do euro, duvida que consiga pagar a sua dívida e afirma que os salários dos portugueses têm de cair até 30% face à Alemanha.
Segunda-feira, Paul Krugmam vai receber na Aula Magna da Reitoria da Universidade de Lisboa, o grau de Doutor Honoris Causa atribuído, pela primeira vez, juntamente por três universidades portuguesas (Universidade de Lisboa, Universidade Técnica de Lisboa e a Universidade Nova de Lisboa).
Na sua coluna no jornal "The New York Times", a 23 de maio de 2011, o economista norte-americano escrevia que "é agora claro que a Grécia, Irlanda e Portugal não conseguem e não vão pagar as suas dívidas por inteiro", ou seja, a Europa teria de estar preparada para uma redução destes montantes.
Um ano antes, a 17 de maio de 2010, Krugman frisava no seu blogue, também no diário nova-iorquino, que "neste momento, os salários na Grécia/Espanha/Portugal/Letónia/Estónia, etc., têm de cair algo como 20 a 30% em relação aos salários na Alemanha".
No ano passado, o Nobel da Economia de 2008 acreditava que Portugal seria a próxima peça a cair no dominó da zona euro. "Esperava que não, principalmente - claro - por causa dos portugueses (...), mas também egoisticamente porque é, de longe, o mais difuso dos países periféricos com problemas", referia então Krugman.
O que significa que a história portuguesa é "mais difícil de contar do que a da Grécia, Espanha e Irlanda", porque Portugal "não estava assim tão mal em termos orçamentais, mas também não teve um surto de preços imobiliários. Houve muito crédito ao privado, mas não é fácil explicar exatamente porquê".
"O que é claro, porém, é que nesta altura Portugal enfrenta problemas de ajustamento semelhantes aos espanhóis e, possivelmente, piores. Os custos laborais estão desalinhados com o resto da zona euro e adequá-los vai necessitar uma desvalorização interna dolorosa, ou seja, deflação", acrescentava Krugman.
O economista norte-americano estará bastante familiarizado com a realidade nacional, uma vez que foi em Lisboa que começou a trabalhar em termos de política económica, em 1976.
Num discurso na Universidade de Princeton, Krugman lembrava as "sábias palavras" do governador do Banco de Portugal na altura, Silva Lopes: "Quando eu tenho seis meses de reservas, eu terei zero reservas", numa referência à quebra de reservas que o banco central enfrentou após o 25 de abril.
Numa página sobre "incidentes" da sua carreira, o economista esclarece: "O que aprendi dessa experiência foi o poder de ideias económicas muito simples e, simultaneamente, a inutilidade de teorias que não podem ter conteúdo operacional. Em particular, a minha experiência num país onde era um enorme desafio até decidir se a produção estava a aumentar ou a cair deu-me uma alergia crónica a modelos que dizem que uma política potencialmente útil existe sem darem uma única forma de determinar que política é essa".
Subscrever:
Mensagens (Atom)


