In "Sic Notícias"
A Casa da Música, no Porto, dedica este ano à Rússia e apresenta o espetáculo "Gulag". Os lemas da inclusão e da igualdade de oportunidades sobem ao palco na próxima segunda-feira, 4 de abril, num espetáculo que quer ser "um grito à exclusão".
5.4.16
Combate á discriminação
in Metro
Sociedade. A ação de sensibilização, lançada hoje pela EAPN Portugal, tem como objetivo chamar a atenção para os preconceitos de que a comunidade cigana é alvo hoje em dia.
A European Anti Poverty Network (EAPN), ou seja, a Rede Europeia Antipobreza lança hoje, no Porto, a campanha “A Discriminação é Falta de Educação”. A iniciativa visa chamar a atenção para “as iniquidades de que as comunidades ciganas são, ainda, alvo”. “Estamos conscientes de que as atitudes, os comportamentos e as próprias representações sociais resultam de um conjunto de mensagens e informações, geralmente distorcidas da realidade, fundadas em experiências de situações negativas vividas por alguns cidadãos e que se converteram em generalizações”, explica Maria José Vicente, socióloga da EAPN Portugal e coautora, com Sérgio Aires, sociólogo e fotógrafo, do livro “O Singular do Plural” que será, ainda, apresentado no âmbito desta iniciativa. A campanha, dividida em duas fases, sensibiliza para a necessidade de um “continuado combate à discriminação”. “Um combate centrado no questionamento de estereótipos, incitando as pessoas a conhecerem antes de discriminarem negativamente. A iniciativa tem este fim, o de desconstruir mitos, num esforço coletivo de co-responsabilidade, para a indispensável convivência de todas as diferenças”, informa a organização.
Sociedade. A ação de sensibilização, lançada hoje pela EAPN Portugal, tem como objetivo chamar a atenção para os preconceitos de que a comunidade cigana é alvo hoje em dia.
A European Anti Poverty Network (EAPN), ou seja, a Rede Europeia Antipobreza lança hoje, no Porto, a campanha “A Discriminação é Falta de Educação”. A iniciativa visa chamar a atenção para “as iniquidades de que as comunidades ciganas são, ainda, alvo”. “Estamos conscientes de que as atitudes, os comportamentos e as próprias representações sociais resultam de um conjunto de mensagens e informações, geralmente distorcidas da realidade, fundadas em experiências de situações negativas vividas por alguns cidadãos e que se converteram em generalizações”, explica Maria José Vicente, socióloga da EAPN Portugal e coautora, com Sérgio Aires, sociólogo e fotógrafo, do livro “O Singular do Plural” que será, ainda, apresentado no âmbito desta iniciativa. A campanha, dividida em duas fases, sensibiliza para a necessidade de um “continuado combate à discriminação”. “Um combate centrado no questionamento de estereótipos, incitando as pessoas a conhecerem antes de discriminarem negativamente. A iniciativa tem este fim, o de desconstruir mitos, num esforço coletivo de co-responsabilidade, para a indispensável convivência de todas as diferenças”, informa a organização.
Pobreza e más habitações determinantes no risco de pneumonias
in Diário de Notícias
Doenças respiratórias matam 47 pessoas por dia em Portugal. Cancro do pulmão e pneumonia são as situações mais graves
As doenças respiratórias são a terceira causa de morte e a quinta de internamento em Portugal. As pneumonias são a situação mais grave. Pobreza, envelhecimento, más condições das habitações e má distribuição de médicos que dificulta o acesso aos cuidados podem explicar porque o país tem dos piores resultados na Europa. Por dia as doenças respiratórias matam, em média, 47 pessoas.
Segundo o relatório do Observatório Nacional das Doenças Respiratórias (ONDR), apresentado ontem, em 2014 as doenças respiratórias provocaram a morte de mais de 17 mil pessoas e cerca de 70 mil internamentos. O ONDR destaca o impacto das pneumonias: cerca de 150 mil por ano. No cancro do pulmão registam-se em média mais de 4 mil mortes por ano. "As pneumonias e o cancro agravaram-se nos últimos 12 anos", disse Artur Teles de Araújo, presidente da ONDR. "Temos condições ambientais e socio-económicas e uma população envelhecida é mais facilmente atingida por este tipo de doenças", disse.
O relatório afirmar que "as condições habitacionais são más em muitos lares", que cerca de dois milhões de portugueses estão em risco de pobreza e que com isso aumentam comportamentos de risco e défices alimentares com impacto negativo na saúde respiratória. Situação que se agravou entre 2008 e 2014, "provavelmente relacionável com a crise económico-financeira".
Destaque para o envelhecimento da população, a falta de médicos de família e o número reduzido de consultas por utilizador que "poderá indicar dificuldades na acessibilidade". São condicionantes a falta de enfermeiros, de camas de cuidados continuados e paliativos e de pneumologistas. "A maioria estão concentrados na área metropolitana de Lisboa, do Porto e região centro", disse Teles Araújo, salientando que se o "acesso é pior, cresce o risco de doença respiratória". Embora tenha salientado que considera razoável o rácio de um pneumologista por 25 mil portugueses.
Doenças respiratórias matam 47 portugueses por dia
Precisa-se de rede nacional de espirometria
A Doença Pulmonar Obstrutiva Crónica (DPOC), a par da asma, é uma das doenças que se suspeita existir um sub-diagnóstico e tratamento. Segundo o relatório a incidência estimada é de 14% acima dos 40 anos, pelo que se estima que existam cerca de 700 mil pessoas com a doença em Portugal. Mas o número de doentes com diagnóstico registado nos centros de saúde é muito inferior (cerca de 100 mil), tal como o relatório da Direção-Geral da Saúde já tinha apontado. Teles Araújo referiu que em 2014 foram dispensados apenas 894 mil embalagens de broncodilatadores de longa ação.
José Duarte Albino, presidente da Respira, associação de doentes com DPOC, disse ao DN que muitos doentes estão registados nos centros de saúde como tendo bronquite crónica e efisema pulmonar o que faz com exista um sob-diagnóstico. "A existência de uma rede nacional de espirometria é determinante para o diagnóstico. Temos estado em contacto com a diretora do programa das doenças respiratórias, que nos disse que este é um dos objetivos do plano".
Quando ao acesso a cuidados, o mesmo salientou as diferentes que estar num centro de saúde tradicional e uma Unidade de Saúde Familiar (USF) pode ter fruto das diferentes formas de organização dos serviços. "Na USF todas as pessoas têm médico de família e se este faltar tem sempre acesso a consulta. No centro de saúde pode não ter médico de família e não é viável um doente, que tem dificuldades até deslocação, ir às seis da manhã para tentar ter uma consulta. O controlo da doença acaba por ser completamente diferente", afirmou, desconhecendo o número de doentes com DPOC que não têm médico de família atribuído.
Doenças respiratórias matam 47 pessoas por dia em Portugal. Cancro do pulmão e pneumonia são as situações mais graves
As doenças respiratórias são a terceira causa de morte e a quinta de internamento em Portugal. As pneumonias são a situação mais grave. Pobreza, envelhecimento, más condições das habitações e má distribuição de médicos que dificulta o acesso aos cuidados podem explicar porque o país tem dos piores resultados na Europa. Por dia as doenças respiratórias matam, em média, 47 pessoas.
Segundo o relatório do Observatório Nacional das Doenças Respiratórias (ONDR), apresentado ontem, em 2014 as doenças respiratórias provocaram a morte de mais de 17 mil pessoas e cerca de 70 mil internamentos. O ONDR destaca o impacto das pneumonias: cerca de 150 mil por ano. No cancro do pulmão registam-se em média mais de 4 mil mortes por ano. "As pneumonias e o cancro agravaram-se nos últimos 12 anos", disse Artur Teles de Araújo, presidente da ONDR. "Temos condições ambientais e socio-económicas e uma população envelhecida é mais facilmente atingida por este tipo de doenças", disse.
O relatório afirmar que "as condições habitacionais são más em muitos lares", que cerca de dois milhões de portugueses estão em risco de pobreza e que com isso aumentam comportamentos de risco e défices alimentares com impacto negativo na saúde respiratória. Situação que se agravou entre 2008 e 2014, "provavelmente relacionável com a crise económico-financeira".
Destaque para o envelhecimento da população, a falta de médicos de família e o número reduzido de consultas por utilizador que "poderá indicar dificuldades na acessibilidade". São condicionantes a falta de enfermeiros, de camas de cuidados continuados e paliativos e de pneumologistas. "A maioria estão concentrados na área metropolitana de Lisboa, do Porto e região centro", disse Teles Araújo, salientando que se o "acesso é pior, cresce o risco de doença respiratória". Embora tenha salientado que considera razoável o rácio de um pneumologista por 25 mil portugueses.
Doenças respiratórias matam 47 portugueses por dia
Precisa-se de rede nacional de espirometria
A Doença Pulmonar Obstrutiva Crónica (DPOC), a par da asma, é uma das doenças que se suspeita existir um sub-diagnóstico e tratamento. Segundo o relatório a incidência estimada é de 14% acima dos 40 anos, pelo que se estima que existam cerca de 700 mil pessoas com a doença em Portugal. Mas o número de doentes com diagnóstico registado nos centros de saúde é muito inferior (cerca de 100 mil), tal como o relatório da Direção-Geral da Saúde já tinha apontado. Teles Araújo referiu que em 2014 foram dispensados apenas 894 mil embalagens de broncodilatadores de longa ação.
José Duarte Albino, presidente da Respira, associação de doentes com DPOC, disse ao DN que muitos doentes estão registados nos centros de saúde como tendo bronquite crónica e efisema pulmonar o que faz com exista um sob-diagnóstico. "A existência de uma rede nacional de espirometria é determinante para o diagnóstico. Temos estado em contacto com a diretora do programa das doenças respiratórias, que nos disse que este é um dos objetivos do plano".
Quando ao acesso a cuidados, o mesmo salientou as diferentes que estar num centro de saúde tradicional e uma Unidade de Saúde Familiar (USF) pode ter fruto das diferentes formas de organização dos serviços. "Na USF todas as pessoas têm médico de família e se este faltar tem sempre acesso a consulta. No centro de saúde pode não ter médico de família e não é viável um doente, que tem dificuldades até deslocação, ir às seis da manhã para tentar ter uma consulta. O controlo da doença acaba por ser completamente diferente", afirmou, desconhecendo o número de doentes com DPOC que não têm médico de família atribuído.
Violência contra idosos. Quando a solidão é não poder dizê-la
Teresa Abecasis , Rodrigo Machado (ilustrações e gráficos, in RR
Isabel foi prisioneira dentro da própria casa. “Ela é a filha que eu nunca tive”, diz uma idosa sobre a cuidadora que lhe ficou com o dinheiro todo. A violência contra idosos é um problema escondido em Portugal: o agressor é, na maior parte das vezes, quem cuida da vítima.
Isabel foi prisioneira dentro da própria casa. Reformada, vivia sozinha e quem costumava cuidar dela era a nora. “Cuidar”. Isto era o que o resto da família pensava, mas a realidade era outra: a nora gritava, insultava-a, desvalorizava-a e, pior que tudo, mantinha a sogra trancada em casa.
Foi preciso Isabel (nome fictício) correr perigo de vida para isto acabar. Um dia, sentiu-se mal, e, sem outra alternativa, gritou por ajuda. Os vizinhos chamaram o INEM, mas só depois de a polícia intervir conseguiram chegar até ela. No hospital é que acabou por revelar o que se passava.
A história de Isabel chegou à Associação Portuguesa de Apoio à Vítima (APAV) através de uma vizinha, testemunha da violência que se passava dentro de quatro paredes.
Não há muitos dados sobre a violência contra idosos em Portugal. Os dados da APAV relativos a 2015, recentemente divulgados, mostram uma subida no número de denúncias: no ano passado registaram-se mais de dois casos por dia contra vítimas com mais de 65 anos (977 no ano inteiro, mais 125 do que em 2014). Números alarmantes, que a associação acredita estarem ainda aquém da realidade.
“Temos muitas situações complicadas”, explica Sónia Reis, gestora da Linha de Apoio à Vítima da APAV, mas “acreditamos que há muitas situações ainda por chegar até nós. Haverá, com certeza, muitas cifras negras”.
Perfil da vítima idosa com quem a APAV contactou em 2015. Mas há muitas histórias que continuam escondidas. A violência contra idosos não distingue entre ricos e pobres, habitantes urbanos e rurais
O único estudo feito em Portugal sobre o tema também aponta para valores mais significativos: estima que um em cada dez idosos com mais de 60 anos seja vítima de violência por parte de pessoas conhecidas (12,6%, de acordo com o projecto “Envelhecimento e Violência”, coordenado pelo Instituto Nacional de Saúde Dr. Ricardo Jorge, publicado em 2014).
De acordo com estes dados, mais de 300 mil idosos foram vítimas de violência no espaço de um ano, entre Outubro de 2011 e Outubro de 2012.
Entre as vítimas, outro número salta à vista: mais de metade não falou sobre o caso nem apresentou queixa (64,9% das vítimas). E é aqui que a situação fica mais complicada.
Tudo em família
Voltamos à história de Isabel. Chamado pelo serviço social do hospital, o filho foi informado da violência a que a mãe era sujeita. Foi uma surpresa.
“Não queria acreditar no que estava a acontecer”, conta Sónia Reis, da APAV. A mãe nunca tinha dito nada, temia ser mal entendida e que isso afectasse a relação com o filho. Uma possibilidade que ela não queria arriscar, mesmo quando isso significava continuar a sofrer. Quando o pedido de ajuda chegou, já era uma questão de sobrevivência.
Quando há violência contra idosos, quase sempre o agressor está na família. Em quase 60% dos casos, estima o projecto “Envelhecimento e Violência”. E acrescenta que 13,5% das vítimas recusa identificar o agressor, um número que, acreditam os autores do estudo, pode esconder mais familiares.
Dentro da família, em metade dos casos, a violência parte do cônjuge ou companheiro ou dos filhos. Na maior parte dos casos, o idoso, para além de gerir o seu sofrimento, tem de se confrontar com questões afectivas.
Testemunhos de violência na primeira pessoa. Clique para ver com maior dimensão
“A pessoa chega a ter vergonha de dizer que é vítima de violência”, salienta Etelvina Ferreira, directora da Unidade de Desenvolvimento e Intervenção de Proximidade Tejo, da Santa Casa da Misericórdia.
Etelvina já viu muitas histórias de violência contra idosos e analisa o jogo emocional em causa. “Esta é uma idade de pensar muito, de fazer o balanço da vida, e é uma idade para pensar também naquilo que nós fomos. Um idoso, muitas vezes, sente um bocadinho um sentimento de culpa ao pensar que está a ser vítima de violência porque ele próprio não soube cuidar das relações ao longo da vida com os seus descendentes, nomeadamente filhos, ou companheiros”, diz.
Além da vergonha, existe a desvalorização do problema, que reflecte uma desvalorização da própria pessoa. Sónia Reis completa: “É muito difícil para o idoso denunciar, e acaba muitas vezes por ir aguentando. Ou só pedir ajuda no sentido de poder ter algum apoio psicológico para suportar aquela situação, mas dizendo à partida que não pretendem denunciar às autoridades”.
A denúncia é a maneira mais eficaz de desbloquear os vários mecanismos não só de condenação do agressor, mas também de protecção da vítima. Porque é de crimes que estamos a falar e há muitos casos que nunca chegam à justiça. “Não sempre, nem em todas as situações, nem em todas que se pretendia. Mas há casos de agressores que são condenados”, lamenta a responsável da APAV.
A complementar o silêncio das vítimas está um sistema de justiça pouco eficiente nesta matéria. O relatório do projecto “Envelhecimento e Violência” deixa um alerta: “O enquadramento jurídico-legal português não dá uma resposta célere e eficiente a todas as condutas/formas de violência que põem em causa os direitos das pessoas idosas.”
Afectos em troca de dinheiro
Aconteceu num centro de dia da Santa Casa da Misericórdia. Uma idosa que frequentava a instituição ia atrasando o pagamento do serviço sem nenhum motivo que o justificasse. O caso é contado por Etelvina Ferreira: “Fomos percebendo… A senhora dizia: ‘A Maria há-de vir pagar’. Chamo-lhe Maria, mas podia chamar-lhe outro nome qualquer. E percebemos que a Maria era uma cuidadora que a pessoa tinha em casa”.
A pouco e pouco, foram descortinando a gravidade do caso: “Maria” tinha uma procuração que lhe dava acesso à conta bancária da senhora, supostamente para fazer os pagamentos da idosa, mas vinha andando a pagar as suas próprias contas.
A idosa estava falida e consciente da burla, mas mesmo assim recusava-se a denunciar a cuidadora. “Este tipo de violência é muito grave, e despe-nos de tudo o que é nosso. Mas esta senhora dizia-nos: “Não façam nada de mal contra a Maria, porque ela é a filha que eu nunca tive”, recorda Etelvina Ferreira.
As violências financeira e psicológica são as mais frequentes em Portugal e estima-se que afecte 6,3% da população com mais de 60 anos (relatório “Envelhecimento e Violência, 2014). Nas pessoas com idade superior a 76 anos, o risco de ser vítima aumenta 10% por cada ano de idade.
Estes são também os tipos de violência que são mais difíceis de identificar porque não deixam marcas visíveis, ao contrário da violência física.
Estamos a falar de idosos que “não têm poder sobre os seus bens, sobre o seu dinheiro e sobre a sua pensão”, explica Sónia Reis. A denúncia nestes casos parte muitas vezes de terceiros e a intervenção começa por fazer ver ao idoso que se encontra a ser vítima de um crime.
Quais são os sinais de violência financeira e psicológica a que podemos estar atentos?
Um problema de todos
O problema da violência contra idosos não distingue entre ricos e pobres, habitantes urbanos e rurais. “É transversal a todos os estratos sociais, e continua e vai acontecendo em todos eles. Possivelmente, nem todos chegam até nós”, afirma Sónia Reis.
Como combater então um problema que se esconde dentro de quatro paredes? “É preciso continuar a trabalhar para a cidadania e para o facto de que todos, de uma forma natural, chegaremos a essa fase da vida, e temos que começar a prepará-la, e não pensarmos que isto é um assunto que não nos interessa.”
Etelvina Ferreia acrescenta que tem de haver uma sensibilização forte para que as pessoas percebam de que têm a “responsabilidade de cuidar” dos idosos. Família, vizinhos, comunidade, instituições. Todos têm um papel activo na protecção dos mais velhos. E funcionam melhor quando trabalham em conjunto.
Em caso de dúvida numa questão de violência, a Linha de Apoio à Vítima da APAV pode esclarecer: 707 20 00 77.
Ganhar coragem aos 70 anos
Esta história também nos chega sem nome próprio, pela voz de Sónia Reis, gestora da Linha de Apoio à Vítima. Mas deixemos o nome de lado e concentremo-nos na luta de uma mulher de 70 anos, agredida e insultada durante anos e anos pelo marido.
Poderiam ser “só mais uns anos”, como ela chegou a pensar, “até morrer”, porque a única certeza da vida só podia estar cada vez mais perto. A vida ia continuando, e até era uma situação conhecida pelos filhos, que “estavam lá longe nas suas vidas”.
Até que aconteceu aquilo porque ela esperou a vida toda. Alguém chamou a polícia, que chamou a APAV, que finalmente conseguiu mostrar-lhe um outro caminho. E não foi tarde. “Ela percebeu que ali tinha apoio e que podia ser protegida”.
Com novas certezas, foi possível expôr o caso num tribunal. Esta senhora foi a mais velha a ser acolhida numa casa-abrigo para vítimas de violência doméstica. Um caso atípico, que durou dois meses, até ser aplicada uma medida de coacção ao agressor.
Aos 70 anos, esta senhora aprendeu que a vida podia começar e recomeçar quando ela quisesse.
Isabel foi prisioneira dentro da própria casa. “Ela é a filha que eu nunca tive”, diz uma idosa sobre a cuidadora que lhe ficou com o dinheiro todo. A violência contra idosos é um problema escondido em Portugal: o agressor é, na maior parte das vezes, quem cuida da vítima.
Isabel foi prisioneira dentro da própria casa. Reformada, vivia sozinha e quem costumava cuidar dela era a nora. “Cuidar”. Isto era o que o resto da família pensava, mas a realidade era outra: a nora gritava, insultava-a, desvalorizava-a e, pior que tudo, mantinha a sogra trancada em casa.
Foi preciso Isabel (nome fictício) correr perigo de vida para isto acabar. Um dia, sentiu-se mal, e, sem outra alternativa, gritou por ajuda. Os vizinhos chamaram o INEM, mas só depois de a polícia intervir conseguiram chegar até ela. No hospital é que acabou por revelar o que se passava.
A história de Isabel chegou à Associação Portuguesa de Apoio à Vítima (APAV) através de uma vizinha, testemunha da violência que se passava dentro de quatro paredes.
Não há muitos dados sobre a violência contra idosos em Portugal. Os dados da APAV relativos a 2015, recentemente divulgados, mostram uma subida no número de denúncias: no ano passado registaram-se mais de dois casos por dia contra vítimas com mais de 65 anos (977 no ano inteiro, mais 125 do que em 2014). Números alarmantes, que a associação acredita estarem ainda aquém da realidade.
“Temos muitas situações complicadas”, explica Sónia Reis, gestora da Linha de Apoio à Vítima da APAV, mas “acreditamos que há muitas situações ainda por chegar até nós. Haverá, com certeza, muitas cifras negras”.
Perfil da vítima idosa com quem a APAV contactou em 2015. Mas há muitas histórias que continuam escondidas. A violência contra idosos não distingue entre ricos e pobres, habitantes urbanos e rurais
O único estudo feito em Portugal sobre o tema também aponta para valores mais significativos: estima que um em cada dez idosos com mais de 60 anos seja vítima de violência por parte de pessoas conhecidas (12,6%, de acordo com o projecto “Envelhecimento e Violência”, coordenado pelo Instituto Nacional de Saúde Dr. Ricardo Jorge, publicado em 2014).
De acordo com estes dados, mais de 300 mil idosos foram vítimas de violência no espaço de um ano, entre Outubro de 2011 e Outubro de 2012.
Entre as vítimas, outro número salta à vista: mais de metade não falou sobre o caso nem apresentou queixa (64,9% das vítimas). E é aqui que a situação fica mais complicada.
Tudo em família
Voltamos à história de Isabel. Chamado pelo serviço social do hospital, o filho foi informado da violência a que a mãe era sujeita. Foi uma surpresa.
“Não queria acreditar no que estava a acontecer”, conta Sónia Reis, da APAV. A mãe nunca tinha dito nada, temia ser mal entendida e que isso afectasse a relação com o filho. Uma possibilidade que ela não queria arriscar, mesmo quando isso significava continuar a sofrer. Quando o pedido de ajuda chegou, já era uma questão de sobrevivência.
Quando há violência contra idosos, quase sempre o agressor está na família. Em quase 60% dos casos, estima o projecto “Envelhecimento e Violência”. E acrescenta que 13,5% das vítimas recusa identificar o agressor, um número que, acreditam os autores do estudo, pode esconder mais familiares.
Dentro da família, em metade dos casos, a violência parte do cônjuge ou companheiro ou dos filhos. Na maior parte dos casos, o idoso, para além de gerir o seu sofrimento, tem de se confrontar com questões afectivas.
Testemunhos de violência na primeira pessoa. Clique para ver com maior dimensão
“A pessoa chega a ter vergonha de dizer que é vítima de violência”, salienta Etelvina Ferreira, directora da Unidade de Desenvolvimento e Intervenção de Proximidade Tejo, da Santa Casa da Misericórdia.
Etelvina já viu muitas histórias de violência contra idosos e analisa o jogo emocional em causa. “Esta é uma idade de pensar muito, de fazer o balanço da vida, e é uma idade para pensar também naquilo que nós fomos. Um idoso, muitas vezes, sente um bocadinho um sentimento de culpa ao pensar que está a ser vítima de violência porque ele próprio não soube cuidar das relações ao longo da vida com os seus descendentes, nomeadamente filhos, ou companheiros”, diz.
Além da vergonha, existe a desvalorização do problema, que reflecte uma desvalorização da própria pessoa. Sónia Reis completa: “É muito difícil para o idoso denunciar, e acaba muitas vezes por ir aguentando. Ou só pedir ajuda no sentido de poder ter algum apoio psicológico para suportar aquela situação, mas dizendo à partida que não pretendem denunciar às autoridades”.
A denúncia é a maneira mais eficaz de desbloquear os vários mecanismos não só de condenação do agressor, mas também de protecção da vítima. Porque é de crimes que estamos a falar e há muitos casos que nunca chegam à justiça. “Não sempre, nem em todas as situações, nem em todas que se pretendia. Mas há casos de agressores que são condenados”, lamenta a responsável da APAV.
A complementar o silêncio das vítimas está um sistema de justiça pouco eficiente nesta matéria. O relatório do projecto “Envelhecimento e Violência” deixa um alerta: “O enquadramento jurídico-legal português não dá uma resposta célere e eficiente a todas as condutas/formas de violência que põem em causa os direitos das pessoas idosas.”
Afectos em troca de dinheiro
Aconteceu num centro de dia da Santa Casa da Misericórdia. Uma idosa que frequentava a instituição ia atrasando o pagamento do serviço sem nenhum motivo que o justificasse. O caso é contado por Etelvina Ferreira: “Fomos percebendo… A senhora dizia: ‘A Maria há-de vir pagar’. Chamo-lhe Maria, mas podia chamar-lhe outro nome qualquer. E percebemos que a Maria era uma cuidadora que a pessoa tinha em casa”.
A pouco e pouco, foram descortinando a gravidade do caso: “Maria” tinha uma procuração que lhe dava acesso à conta bancária da senhora, supostamente para fazer os pagamentos da idosa, mas vinha andando a pagar as suas próprias contas.
A idosa estava falida e consciente da burla, mas mesmo assim recusava-se a denunciar a cuidadora. “Este tipo de violência é muito grave, e despe-nos de tudo o que é nosso. Mas esta senhora dizia-nos: “Não façam nada de mal contra a Maria, porque ela é a filha que eu nunca tive”, recorda Etelvina Ferreira.
As violências financeira e psicológica são as mais frequentes em Portugal e estima-se que afecte 6,3% da população com mais de 60 anos (relatório “Envelhecimento e Violência, 2014). Nas pessoas com idade superior a 76 anos, o risco de ser vítima aumenta 10% por cada ano de idade.
Estes são também os tipos de violência que são mais difíceis de identificar porque não deixam marcas visíveis, ao contrário da violência física.
Estamos a falar de idosos que “não têm poder sobre os seus bens, sobre o seu dinheiro e sobre a sua pensão”, explica Sónia Reis. A denúncia nestes casos parte muitas vezes de terceiros e a intervenção começa por fazer ver ao idoso que se encontra a ser vítima de um crime.
Quais são os sinais de violência financeira e psicológica a que podemos estar atentos?
Um problema de todos
O problema da violência contra idosos não distingue entre ricos e pobres, habitantes urbanos e rurais. “É transversal a todos os estratos sociais, e continua e vai acontecendo em todos eles. Possivelmente, nem todos chegam até nós”, afirma Sónia Reis.
Como combater então um problema que se esconde dentro de quatro paredes? “É preciso continuar a trabalhar para a cidadania e para o facto de que todos, de uma forma natural, chegaremos a essa fase da vida, e temos que começar a prepará-la, e não pensarmos que isto é um assunto que não nos interessa.”
Etelvina Ferreia acrescenta que tem de haver uma sensibilização forte para que as pessoas percebam de que têm a “responsabilidade de cuidar” dos idosos. Família, vizinhos, comunidade, instituições. Todos têm um papel activo na protecção dos mais velhos. E funcionam melhor quando trabalham em conjunto.
Em caso de dúvida numa questão de violência, a Linha de Apoio à Vítima da APAV pode esclarecer: 707 20 00 77.
Ganhar coragem aos 70 anos
Esta história também nos chega sem nome próprio, pela voz de Sónia Reis, gestora da Linha de Apoio à Vítima. Mas deixemos o nome de lado e concentremo-nos na luta de uma mulher de 70 anos, agredida e insultada durante anos e anos pelo marido.
Poderiam ser “só mais uns anos”, como ela chegou a pensar, “até morrer”, porque a única certeza da vida só podia estar cada vez mais perto. A vida ia continuando, e até era uma situação conhecida pelos filhos, que “estavam lá longe nas suas vidas”.
Até que aconteceu aquilo porque ela esperou a vida toda. Alguém chamou a polícia, que chamou a APAV, que finalmente conseguiu mostrar-lhe um outro caminho. E não foi tarde. “Ela percebeu que ali tinha apoio e que podia ser protegida”.
Com novas certezas, foi possível expôr o caso num tribunal. Esta senhora foi a mais velha a ser acolhida numa casa-abrigo para vítimas de violência doméstica. Um caso atípico, que durou dois meses, até ser aplicada uma medida de coacção ao agressor.
Aos 70 anos, esta senhora aprendeu que a vida podia começar e recomeçar quando ela quisesse.
4.4.16
Há exclusão social em Pombal e Alcobaça, mas está “mitigada”
Raquel de Sousa Silva, in "Jornal de Leiria"
Estudo analisa pobreza e dinâmicas territoriais em Portugal
Registam uma conjugação “equilibradae mitigada das várias dimensõesde exclusão” e “nenhum dos factores de vulnerabilidade face à exclusão social tem uma expressão muito evidente e significativa”.
É assim que é caracterizado o grupo de 38 concelhos em “exclusãomitigada” do Referencial de CoesãoSocial, e onde se incluem cinco territóriosda região de Leiria.
Alcobaça, Óbidos, Ourém, Pombale Porto de Mós encontram-seneste grupo, que inclui concelhosonde se verifica uma “presençamuito reduzida de famílias muitopobres”, “bom indicador” de que osterritórios deste perfil apresentam“porventura a melhor situação relativamenteà emergência de casosmais graves de pobreza e exclusãosocial”.
São concelhos que “conjugamas vertentes rurais e urbanassem as suas facetas mais extrema das e num quadro de algum dinamismoeconómico”, aponta o estudo,recentemente apresentadonuma reunião do Conselho Local deAcção Social (CLAS) de Pombal.das e num quadro de algum dinamismoeconómico”, aponta o estudo,recentemente apresentadonuma reunião do Conselho Local deAcção Social (CLAS) de Pombal.
Estudo analisa pobreza e dinâmicas territoriais em Portugal
Registam uma conjugação “equilibradae mitigada das várias dimensõesde exclusão” e “nenhum dos factores de vulnerabilidade face à exclusão social tem uma expressão muito evidente e significativa”.
É assim que é caracterizado o grupo de 38 concelhos em “exclusãomitigada” do Referencial de CoesãoSocial, e onde se incluem cinco territóriosda região de Leiria.
Alcobaça, Óbidos, Ourém, Pombale Porto de Mós encontram-seneste grupo, que inclui concelhosonde se verifica uma “presençamuito reduzida de famílias muitopobres”, “bom indicador” de que osterritórios deste perfil apresentam“porventura a melhor situação relativamenteà emergência de casosmais graves de pobreza e exclusãosocial”.
São concelhos que “conjugamas vertentes rurais e urbanassem as suas facetas mais extrema das e num quadro de algum dinamismoeconómico”, aponta o estudo,recentemente apresentadonuma reunião do Conselho Local deAcção Social (CLAS) de Pombal.das e num quadro de algum dinamismoeconómico”, aponta o estudo,recentemente apresentadonuma reunião do Conselho Local deAcção Social (CLAS) de Pombal.
Há milionários que querem mais impostos
Filipe Morais, in "Diário de Notícias"
São os mais ricos que tomam a iniciativa de querer pagar mais para aumentar investimento no ensino e infraestruturas.
Queremos pagar mais impostos. Foi o que um grupo de 51 milionários do estado de Nova Iorque pediu ao governador, o democrata Andrew Cuomo, num abaixo-assinado organizado pelo think tank de esquerda Fiscal Policy Institute e pelo Responsible Wealth Project. Em causa não está qualquer sentimento de culpa destes milionários, mas a vontade de garantir a viabilidade económica de Nova Iorque a longo prazo.
No fim deste ano terminam as taxas mais reduzidas para famílias mais pobres, mas estes milionários defendem que os impostos para os mais ricos devem ser aumentados em 1%, para que haja mais "justiça fiscal". E como mais ricos, ou sujeito a estas taxas, entenda-se quem tenha rendimentos superiores a 665 mil dólares anuais (583 mil euros). Esta verba extra, defendem, tem de ser aplicada não só em infraestruturas, mas também em ensino, no combate à pobreza e apoio aos sem-abrigo. "Como nova-iorquinos, temos beneficiado da capacidade económica do nosso estado e temos tanto a responsabilidade como a capacidade de pagar a nossa quota-parte", afirmam. No abaixo-assinado, mostram-se ainda "profundamente preocupados com a situação de muitos nova-iorquinos, que enfrentam uma luta económica e com a situação das infra-estruturas do estado a precisar de atenção desesperadamente", pelo que apelam ao governador e legisladores para que aprovem o aumento de impostos de 1%.
Entre os apoiantes deste plano estão Steven Rockefeller, já na quarta geração da família Rockefeller, Elspeth Gilmore, que recolhe donativos de milionários abaixo dos 35 anos com objetivos filantrópicos, e Joshua Mailman, filho do inventor e filantropo Joseph Mailman. Na carta sublinham que "é uma vergonha que a pobreza infantil no estado de Nova Iorque esteja num nível recorde, ultrapassando os 50% em alguns dos centros urbanos. O estado tem um número recorde de famílias sem-abrigo, mais de 80 mil pessoas, que lutam para sobreviver. E há muitos adultos sem qualificações necessárias para poderem sobreviver na economia do século XXI". A carta acrescenta ainda que "agora é o momento de investir na viabilidade económica de longo prazo de Nova Iorque, com um forte sistema de ensino", de investir em pontes, túneis, edifícios públicos e estradas "de que todos dependemos".
O aumento de impostos de 1% é classificado como "um sacrifício partilhado" que vai acabar por resultar "na criação de emprego, trabalhadores mais qualificados e uma redução da desigualdade. "Entre os que têm o 1% dos rendimentos mais altos, há a obrigação de contribuir para o setor público com uma taxa mais alta do que os outros", defende Lewis Cullman, um dos signatários.
São os mais ricos que tomam a iniciativa de querer pagar mais para aumentar investimento no ensino e infraestruturas.
Queremos pagar mais impostos. Foi o que um grupo de 51 milionários do estado de Nova Iorque pediu ao governador, o democrata Andrew Cuomo, num abaixo-assinado organizado pelo think tank de esquerda Fiscal Policy Institute e pelo Responsible Wealth Project. Em causa não está qualquer sentimento de culpa destes milionários, mas a vontade de garantir a viabilidade económica de Nova Iorque a longo prazo.
No fim deste ano terminam as taxas mais reduzidas para famílias mais pobres, mas estes milionários defendem que os impostos para os mais ricos devem ser aumentados em 1%, para que haja mais "justiça fiscal". E como mais ricos, ou sujeito a estas taxas, entenda-se quem tenha rendimentos superiores a 665 mil dólares anuais (583 mil euros). Esta verba extra, defendem, tem de ser aplicada não só em infraestruturas, mas também em ensino, no combate à pobreza e apoio aos sem-abrigo. "Como nova-iorquinos, temos beneficiado da capacidade económica do nosso estado e temos tanto a responsabilidade como a capacidade de pagar a nossa quota-parte", afirmam. No abaixo-assinado, mostram-se ainda "profundamente preocupados com a situação de muitos nova-iorquinos, que enfrentam uma luta económica e com a situação das infra-estruturas do estado a precisar de atenção desesperadamente", pelo que apelam ao governador e legisladores para que aprovem o aumento de impostos de 1%.
Entre os apoiantes deste plano estão Steven Rockefeller, já na quarta geração da família Rockefeller, Elspeth Gilmore, que recolhe donativos de milionários abaixo dos 35 anos com objetivos filantrópicos, e Joshua Mailman, filho do inventor e filantropo Joseph Mailman. Na carta sublinham que "é uma vergonha que a pobreza infantil no estado de Nova Iorque esteja num nível recorde, ultrapassando os 50% em alguns dos centros urbanos. O estado tem um número recorde de famílias sem-abrigo, mais de 80 mil pessoas, que lutam para sobreviver. E há muitos adultos sem qualificações necessárias para poderem sobreviver na economia do século XXI". A carta acrescenta ainda que "agora é o momento de investir na viabilidade económica de longo prazo de Nova Iorque, com um forte sistema de ensino", de investir em pontes, túneis, edifícios públicos e estradas "de que todos dependemos".
O aumento de impostos de 1% é classificado como "um sacrifício partilhado" que vai acabar por resultar "na criação de emprego, trabalhadores mais qualificados e uma redução da desigualdade. "Entre os que têm o 1% dos rendimentos mais altos, há a obrigação de contribuir para o setor público com uma taxa mais alta do que os outros", defende Lewis Cullman, um dos signatários.
Leiria – “Correr com a exclusão” em Monte Real
In "Pombal97"
Grupo de cidadãos monte-realenses promove “II Corrida de Barbatanas”.
Um grupo de cidadãos que acredita nas potencialidades da vila de Monte Real, freguesia do concelho de Leiria, denominado “Sentir Mais Monte Real”, vai dedicar um dia para “Correr Com a Exclusão”.
Tendo como mote o “Apoio a Atletas Paralímpicos rumo aos Jogos Olímpicos 2016”, o evento decorrerá durante todo o dia 5 de Junho. De manhã será realizada uma conferência, com a presença de alguns oradores, atletas de alta competição e do presidente da Associação Portuguesa de Ciclismo Adaptado (APCA), Telmo Pinão. No período da tarde, decorrerá a “Corrida de Barbatanas Solidária”, pelas ruas de Monte Real, para “promover a diferença, alertando para esta realidade, criando assim uma ligação com a dificuldade de locomoção”.
Segundo o grupo de cidadãos, este ano os fundos angariados serão entregues à APCA, “ajudando-os, assim, à participação nos Jogos Olímpicos 2016, no Rio de Janeiro” e ao Centro de Bem Estar Infantil de Monte Real, “visto as crianças serem um dos focos do evento e pelo facto de esta ser uma IPSS sem fins lucrativos da nossa terra”.
“Promover a solidariedade e a inclusão na infância é, sem dúvida, o espírito”, refere o grupo monte-realense, ciente de que esta corrida “causará impacto e diferença, valendo-se da sua criatividade, não somente durante a sua realização, como antes, através da promoção e divulgação através dos meios adequados”.
“Temos ideias, vontade e o maior empenho a nível pessoal e profissional, para vermos esta terra tornar-se mais atractiva a investidores e, consequentemente, que esta freguesia volte a estar assinalada no mapa deste País”, argumenta o grupo, empenhado em unir esforços e rentabilizar energias de experiências anteriores, “para dinamizar actividades/eventos que promovam a freguesia no seu todo”.
“Sentir Mais Monte Real” também quer criar oportunidades para o aparecimento de “novas estruturas de apoio a um conjunto de projectos potenciadores de novos investimentos e conquistar novos mercados nas áreas do turismo, comércio e social”, mas sempre numa “vertente solidária”.
Grupo de cidadãos monte-realenses promove “II Corrida de Barbatanas”.
Um grupo de cidadãos que acredita nas potencialidades da vila de Monte Real, freguesia do concelho de Leiria, denominado “Sentir Mais Monte Real”, vai dedicar um dia para “Correr Com a Exclusão”.
Tendo como mote o “Apoio a Atletas Paralímpicos rumo aos Jogos Olímpicos 2016”, o evento decorrerá durante todo o dia 5 de Junho. De manhã será realizada uma conferência, com a presença de alguns oradores, atletas de alta competição e do presidente da Associação Portuguesa de Ciclismo Adaptado (APCA), Telmo Pinão. No período da tarde, decorrerá a “Corrida de Barbatanas Solidária”, pelas ruas de Monte Real, para “promover a diferença, alertando para esta realidade, criando assim uma ligação com a dificuldade de locomoção”.
Segundo o grupo de cidadãos, este ano os fundos angariados serão entregues à APCA, “ajudando-os, assim, à participação nos Jogos Olímpicos 2016, no Rio de Janeiro” e ao Centro de Bem Estar Infantil de Monte Real, “visto as crianças serem um dos focos do evento e pelo facto de esta ser uma IPSS sem fins lucrativos da nossa terra”.
“Promover a solidariedade e a inclusão na infância é, sem dúvida, o espírito”, refere o grupo monte-realense, ciente de que esta corrida “causará impacto e diferença, valendo-se da sua criatividade, não somente durante a sua realização, como antes, através da promoção e divulgação através dos meios adequados”.
“Temos ideias, vontade e o maior empenho a nível pessoal e profissional, para vermos esta terra tornar-se mais atractiva a investidores e, consequentemente, que esta freguesia volte a estar assinalada no mapa deste País”, argumenta o grupo, empenhado em unir esforços e rentabilizar energias de experiências anteriores, “para dinamizar actividades/eventos que promovam a freguesia no seu todo”.
“Sentir Mais Monte Real” também quer criar oportunidades para o aparecimento de “novas estruturas de apoio a um conjunto de projectos potenciadores de novos investimentos e conquistar novos mercados nas áreas do turismo, comércio e social”, mas sempre numa “vertente solidária”.
Estratégia europeia com enfoque nos direitos das crianças refugiadas ou ciganas
In "Jornal Económico"
A defesa dos direitos das crianças refugiadas ou das crianças ciganas, o combate aos abusos sexuais ou a eliminação das punições físicas são algumas das medidas que constam da nova Estratégia do Conselho da Europa pelos Direitos das Crianças.
O documento, para 2016 -- 2021, vai ser apresentado no decorrer de uma conferência de alto nível, marcada para os dias 05 e 06 de abril, na Bulgária, onde os Estados membros do Conselho da Europa vão debater de que forma podem responder aos atuais desafios aos direitos das crianças.
Na opinião do Conselho da Europa, os direitos das crianças são violados diariamente, principalmente quando têm deficiência, são refugiadas ou vivem em comunidades ciganas, o que leva este organismo a apresentar uma nova Estratégia pelos Direitos das Crianças.
A estratégia traz cinco áreas de atuação: igualdade de oportunidades para todas as crianças, participação das crianças nas tomadas de decisão, vida livre de violência, justiça amiga das crianças e defesa dos seus direitos nos ambientes digitais.
Logo no primeiro ponto, o Conselho da Europa diz que vai promover a Carta Social Europeia, como um conjunto de normas mínimas de proteção dos direitos das famílias e das crianças, sustentando que se trata de uma ferramenta "particularmente relevante" em tempos de austeridade económica.
"A pobreza infantil e a exclusão social podem mais facilmente ser combatidas através de sistema de proteção que integrem medidas preventivas, apoio às famílias, educação e apoio infantil precoces, serviços sociais, educação e políticas de habitação", lê-se no documento.
No que diz respeito às crianças refugiadas, o Conselho da Europa deixa a garantia de que irá prestar "especial atenção" à situação das crianças não acompanhadas e à relação entre migração e tráfico de crianças, além de assegurar que os direitos destas crianças continuarão a ser protegidos e promovidos por vários órgãos dentro do Conselho da Europa.
O organismo pretende dar especial atenção à proteção das minorias, comprometendo-se a "proteger e promover os direitos das crianças oriundas de etnias tradicionais ou minorias nacionais, no que diz respeito ao uso da sua linguagem em privado, em público ou nas escolas.
Nesse sentido, diz que irá tomar medidas para avaliar a efetiva implementação dos direitos das crianças ciganas, com enfoque nos casamentos com crianças, para incentivar o acesso dos ciganos, em particular das raparigas e das crianças com deficiência, a uma educação inclusiva, fazendo pleno uso dos mediadores e combatendo estereótipos contra as crianças ciganas.
O Conselho da Europa quer também que as crianças tenham uma vida livre de violência, indo apelar aos Estados membros que implementem a recomendação da Comissão de Ministros pela aplicação de estratégias nacionais pela proteção das crianças contra a violência.
Por outro lado, vai promover, monitorizar e suportar a implementação dos tratados pela prevenção e combate das várias formas de violência sexual contra crianças, passando o dia 18 de novembro a ser a data escolhida para em cada ano assinalar o Dia Europeu pela Proteção das Crianças contra a Exploração Sexual e os Abusos Sexuais.
O organismos europeu diz que vai também continuar a promover o fim das punições físicas e outras formas cruéis e degradantes de castigo das crianças em todos os ambientes, incluindo em casa.
A defesa dos direitos das crianças refugiadas ou das crianças ciganas, o combate aos abusos sexuais ou a eliminação das punições físicas são algumas das medidas que constam da nova Estratégia do Conselho da Europa pelos Direitos das Crianças.
O documento, para 2016 -- 2021, vai ser apresentado no decorrer de uma conferência de alto nível, marcada para os dias 05 e 06 de abril, na Bulgária, onde os Estados membros do Conselho da Europa vão debater de que forma podem responder aos atuais desafios aos direitos das crianças.
Na opinião do Conselho da Europa, os direitos das crianças são violados diariamente, principalmente quando têm deficiência, são refugiadas ou vivem em comunidades ciganas, o que leva este organismo a apresentar uma nova Estratégia pelos Direitos das Crianças.
A estratégia traz cinco áreas de atuação: igualdade de oportunidades para todas as crianças, participação das crianças nas tomadas de decisão, vida livre de violência, justiça amiga das crianças e defesa dos seus direitos nos ambientes digitais.
Logo no primeiro ponto, o Conselho da Europa diz que vai promover a Carta Social Europeia, como um conjunto de normas mínimas de proteção dos direitos das famílias e das crianças, sustentando que se trata de uma ferramenta "particularmente relevante" em tempos de austeridade económica.
"A pobreza infantil e a exclusão social podem mais facilmente ser combatidas através de sistema de proteção que integrem medidas preventivas, apoio às famílias, educação e apoio infantil precoces, serviços sociais, educação e políticas de habitação", lê-se no documento.
No que diz respeito às crianças refugiadas, o Conselho da Europa deixa a garantia de que irá prestar "especial atenção" à situação das crianças não acompanhadas e à relação entre migração e tráfico de crianças, além de assegurar que os direitos destas crianças continuarão a ser protegidos e promovidos por vários órgãos dentro do Conselho da Europa.
O organismo pretende dar especial atenção à proteção das minorias, comprometendo-se a "proteger e promover os direitos das crianças oriundas de etnias tradicionais ou minorias nacionais, no que diz respeito ao uso da sua linguagem em privado, em público ou nas escolas.
Nesse sentido, diz que irá tomar medidas para avaliar a efetiva implementação dos direitos das crianças ciganas, com enfoque nos casamentos com crianças, para incentivar o acesso dos ciganos, em particular das raparigas e das crianças com deficiência, a uma educação inclusiva, fazendo pleno uso dos mediadores e combatendo estereótipos contra as crianças ciganas.
O Conselho da Europa quer também que as crianças tenham uma vida livre de violência, indo apelar aos Estados membros que implementem a recomendação da Comissão de Ministros pela aplicação de estratégias nacionais pela proteção das crianças contra a violência.
Por outro lado, vai promover, monitorizar e suportar a implementação dos tratados pela prevenção e combate das várias formas de violência sexual contra crianças, passando o dia 18 de novembro a ser a data escolhida para em cada ano assinalar o Dia Europeu pela Proteção das Crianças contra a Exploração Sexual e os Abusos Sexuais.
O organismos europeu diz que vai também continuar a promover o fim das punições físicas e outras formas cruéis e degradantes de castigo das crianças em todos os ambientes, incluindo em casa.
31.3.16
Governo vai criar balcões de atendimento específicos para deficientes
In "Renascença"
A secretária de Estado da Inclusão das Pessoas com Deficiência, Ana Sofia Antunes, que chefiou a delegação portuguesa, anunciou que "Portugal está fortemente empenhado em garantir a mais elevada protecção de todos os direitos humanos".
A criação de balcões de atendimento especializados em questões de deficiência, contratação de intérpretes de língua gestual no Serviço Nacional de Saúde ou medidas fiscais mais vantajosas são algumas das propostas que o Governo quer implementar nos próximos anos.
As medidas surgem na sequência da primeira avaliação de Portugal pelo Comité das Nações Unidas dos Direitos das Pessoas com Deficiência à implementação da Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência.
Portugal está sob avaliação e na terça-feira e hoje teve lugar, em Genebra, na Suíça, a primeira sessão de avaliação, já que esta é a primeira vez, desde a ratificação da convenção em 2009, que Portugal é submetido a este processo de monitorização.
A secretária de Estado da Inclusão das Pessoas com Deficiência, Ana Sofia Antunes, que chefiou a delegação portuguesa, anunciou que "Portugal está fortemente empenhado em garantir a mais elevada protecção de todos os direitos humanos".
Nesse sentido, sublinhou que é intenção do Governo lançar para os próximos anos uma série de medidas, sendo uma dessas medidas os Balcões da Inclusão, ou seja, postos de atendimento especializados em questões da deficiência que estarão disponíveis em todos os serviços da Segurança Social.
Por outro lado, pretende contratar intérpretes da língua gestual para o Serviço Nacional de Saúde (SNS), bem como criar medidas fiscais mais vantajosas para as pessoas com deficiência, além do lançamento do sistema de apoio à vida independente.
De acordo com a secretária de Estado outra das prioridades "para os próximos meses" é a regulamentação do Código do Trabalho, com vista a uma promoção da justiça no trabalho para as pessoas com deficiência.
Ana Sofia Antunes frisou que a inclusão de quotas para pessoas com deficiência na administração pública está regulamentada por lei desde 2001, faltando, no entanto, que seja uma realidade.
Defendeu, nesta matéria, que a administração pública seja um exemplo para que o regime de quotas possa ser alargado ao sector privado.
De acordo com a governante, a protecção das pessoas com deficiência é uma preocupação central do sistema de segurança social, frisando que existem várias prestações pecuniárias com vista a proteger crianças, jovens e adultos com deficiência, quer de carácter contributivo, quer não contributivo, que são complementadas por uma rede de estabelecimentos e serviços com respostas sociais dirigidas especificamente a estas pessoas.
Ana Sofia Antunes reafirmou que é intenção do Governo lançar várias medidas "verdadeiramente promotoras de inclusão", mas que para esse objectivo ser concretizado é preciso conhecer a realidade das pessoas com deficiência, saber onde estão e "o que é necessário para melhorar a sua situação".
Revelou que o Governo está a preparar um Livro Branco que faça um retrato da situação actual e do qual irá resultar a Agenda Nacional para as Pessoas com Deficiência, medida a implementar durante a actual legislatura.
Apesar das várias medidas anunciadas, a secretária de Estado admitiu que é necessário melhorar o regime de protecção, adiantando que este está em fase de revisão e tem três objectivos essenciais: melhorar a protecção social, retirar as pessoas com deficiência da situação de pobreza e promover a empregabilidade.
A secretária de Estado da Inclusão das Pessoas com Deficiência, Ana Sofia Antunes, que chefiou a delegação portuguesa, anunciou que "Portugal está fortemente empenhado em garantir a mais elevada protecção de todos os direitos humanos".
A criação de balcões de atendimento especializados em questões de deficiência, contratação de intérpretes de língua gestual no Serviço Nacional de Saúde ou medidas fiscais mais vantajosas são algumas das propostas que o Governo quer implementar nos próximos anos.
As medidas surgem na sequência da primeira avaliação de Portugal pelo Comité das Nações Unidas dos Direitos das Pessoas com Deficiência à implementação da Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência.
Portugal está sob avaliação e na terça-feira e hoje teve lugar, em Genebra, na Suíça, a primeira sessão de avaliação, já que esta é a primeira vez, desde a ratificação da convenção em 2009, que Portugal é submetido a este processo de monitorização.
A secretária de Estado da Inclusão das Pessoas com Deficiência, Ana Sofia Antunes, que chefiou a delegação portuguesa, anunciou que "Portugal está fortemente empenhado em garantir a mais elevada protecção de todos os direitos humanos".
Nesse sentido, sublinhou que é intenção do Governo lançar para os próximos anos uma série de medidas, sendo uma dessas medidas os Balcões da Inclusão, ou seja, postos de atendimento especializados em questões da deficiência que estarão disponíveis em todos os serviços da Segurança Social.
Por outro lado, pretende contratar intérpretes da língua gestual para o Serviço Nacional de Saúde (SNS), bem como criar medidas fiscais mais vantajosas para as pessoas com deficiência, além do lançamento do sistema de apoio à vida independente.
De acordo com a secretária de Estado outra das prioridades "para os próximos meses" é a regulamentação do Código do Trabalho, com vista a uma promoção da justiça no trabalho para as pessoas com deficiência.
Ana Sofia Antunes frisou que a inclusão de quotas para pessoas com deficiência na administração pública está regulamentada por lei desde 2001, faltando, no entanto, que seja uma realidade.
Defendeu, nesta matéria, que a administração pública seja um exemplo para que o regime de quotas possa ser alargado ao sector privado.
De acordo com a governante, a protecção das pessoas com deficiência é uma preocupação central do sistema de segurança social, frisando que existem várias prestações pecuniárias com vista a proteger crianças, jovens e adultos com deficiência, quer de carácter contributivo, quer não contributivo, que são complementadas por uma rede de estabelecimentos e serviços com respostas sociais dirigidas especificamente a estas pessoas.
Ana Sofia Antunes reafirmou que é intenção do Governo lançar várias medidas "verdadeiramente promotoras de inclusão", mas que para esse objectivo ser concretizado é preciso conhecer a realidade das pessoas com deficiência, saber onde estão e "o que é necessário para melhorar a sua situação".
Revelou que o Governo está a preparar um Livro Branco que faça um retrato da situação actual e do qual irá resultar a Agenda Nacional para as Pessoas com Deficiência, medida a implementar durante a actual legislatura.
Apesar das várias medidas anunciadas, a secretária de Estado admitiu que é necessário melhorar o regime de protecção, adiantando que este está em fase de revisão e tem três objectivos essenciais: melhorar a protecção social, retirar as pessoas com deficiência da situação de pobreza e promover a empregabilidade.
Pela dignidade na vida
Paula Santos, in "Expresso"
Nos últimos anos verificou-se o agravamento e a degradação das condições de vida dos reformados, pensionistas e idosos, em resultado das opções políticas de PSD e CDS – baixas pensões e reformas, o congelamento da maioria das pensões (foram congeladas as pensões acima de 265 euros), o corte no complemento solidário para idosos (milhares de idosos perderam esta prestação social e muitos viram o seu montante reduzir) ou as crescentes dificuldades no acesso à saúde. O alastramento da pobreza afetou a população em geral, incluindo a população idosa.
Esta semana tive oportunidade de falar com muitas pessoas idosas, no âmbito de uma ação junto dos reformados dinamizada pelo PCP, e aquilo que me transmitiram foi que as reformas são muito baixas. Depois de pagarem a casa, água, luz e gás, sobra muito pouco para a alimentação e para os medicamentos.
Muitos disseram-me que os custos com a saúde são muito elevados. Não é por acaso que têm vindo a ser tornados públicos inúmeros elementos que dão conta que muitos idosos adiam a ida ao médico (porque não é só o custo associado à consulta, é também a deslocação e o custo associado à prescrição médica), idosos que abandonam tratamentos e a terapêutica. A introdução de critérios mais restritivos na atribuição do transporte de doentes não urgentes constituiu um obstáculo no acesso à saúde, em especial por muitas pessoas idosas.
Após uma vida de trabalho, os idosos, veem-se hoje numa situação de extremas dificuldades para viverem.
O atual governo procedeu ao descongelamento das pensões até 628,82 euros, o que é muito insuficiente. O descongelamento das pensões deve ser acompanhado do aumento do seu valor real, como o PCP tem vindo a defender e a propor.
As pessoas idosas precisam de condições de vida dignas, o que passa necessariamente pela valorização das pensões e reformas, pelo reforço das prestações sociais para quem está em situação de carência económica, pelo combate à pobreza.
É possível ir mais longe e assegurar condições de vida dignas através do rompimento com os constrangimentos que nos são impostos, da justa tributação (tributando mais os grandes grupos económicos e financeiros) e da diversificação das fontes de financiamento da Segurança Social.
Para além disso é preciso assegurar o acesso à reforma sem penalização dos trabalhadores com longas carreiras contributivas (acima dos 40 anos), retomar o pagamento por inteiro e nos meses devido os montantes referentes ao subsídio de férias e de natal, assegurar o direito à saúde e em proximidade (nomeadamente com a abolição das taxas moderadoras, a garantia da atribuição do transporte de doentes não urgente e a comparticipação a 100% dos medicamentes para doenças crónicas), assegurar a mobilidade através da redução em 50% do preço dos transportes, criar uma rede pública de equipamentos sociais para a terceira idade e incentivar a participação dos idosos na vida social, política e cultura.
A dignidade da vida tem de ser assegurada para todas as pessoas em todas as fases da sua vida.
Nos últimos anos verificou-se o agravamento e a degradação das condições de vida dos reformados, pensionistas e idosos, em resultado das opções políticas de PSD e CDS – baixas pensões e reformas, o congelamento da maioria das pensões (foram congeladas as pensões acima de 265 euros), o corte no complemento solidário para idosos (milhares de idosos perderam esta prestação social e muitos viram o seu montante reduzir) ou as crescentes dificuldades no acesso à saúde. O alastramento da pobreza afetou a população em geral, incluindo a população idosa.
Esta semana tive oportunidade de falar com muitas pessoas idosas, no âmbito de uma ação junto dos reformados dinamizada pelo PCP, e aquilo que me transmitiram foi que as reformas são muito baixas. Depois de pagarem a casa, água, luz e gás, sobra muito pouco para a alimentação e para os medicamentos.
Muitos disseram-me que os custos com a saúde são muito elevados. Não é por acaso que têm vindo a ser tornados públicos inúmeros elementos que dão conta que muitos idosos adiam a ida ao médico (porque não é só o custo associado à consulta, é também a deslocação e o custo associado à prescrição médica), idosos que abandonam tratamentos e a terapêutica. A introdução de critérios mais restritivos na atribuição do transporte de doentes não urgentes constituiu um obstáculo no acesso à saúde, em especial por muitas pessoas idosas.
Após uma vida de trabalho, os idosos, veem-se hoje numa situação de extremas dificuldades para viverem.
O atual governo procedeu ao descongelamento das pensões até 628,82 euros, o que é muito insuficiente. O descongelamento das pensões deve ser acompanhado do aumento do seu valor real, como o PCP tem vindo a defender e a propor.
As pessoas idosas precisam de condições de vida dignas, o que passa necessariamente pela valorização das pensões e reformas, pelo reforço das prestações sociais para quem está em situação de carência económica, pelo combate à pobreza.
É possível ir mais longe e assegurar condições de vida dignas através do rompimento com os constrangimentos que nos são impostos, da justa tributação (tributando mais os grandes grupos económicos e financeiros) e da diversificação das fontes de financiamento da Segurança Social.
Para além disso é preciso assegurar o acesso à reforma sem penalização dos trabalhadores com longas carreiras contributivas (acima dos 40 anos), retomar o pagamento por inteiro e nos meses devido os montantes referentes ao subsídio de férias e de natal, assegurar o direito à saúde e em proximidade (nomeadamente com a abolição das taxas moderadoras, a garantia da atribuição do transporte de doentes não urgente e a comparticipação a 100% dos medicamentes para doenças crónicas), assegurar a mobilidade através da redução em 50% do preço dos transportes, criar uma rede pública de equipamentos sociais para a terceira idade e incentivar a participação dos idosos na vida social, política e cultura.
A dignidade da vida tem de ser assegurada para todas as pessoas em todas as fases da sua vida.
Jovens participam em acção de formação sobre voluntariado
In "Correio do Minho"
Vinte e quatro formandos, na sua maioria jovens oriundos da Escola Secundária Sá de Miranda, participaram numa acção de formação geral do voluntariado, ministrada por Manuela Gonçalves, responsável pela equipa de voluntariado de proximidade da Junta de Freguesia de S. Vicente. Participaram ainda formandos que se encontram enquadrados nas actividades de voluntariado da junta vicentina.
Para Manuela Gonçalves, “estes jovens vêm reforçar, dar continuidade e promover novos projectos no trabalho iniciado pelos anteriores colegas”, salientou aquela responsável pela equipa de voluntariado.
A participação e o interesse foram generalizados e todos mostraram vontade de construir uma comunidade mais coesa e solidária, tendo como alvo as pessoas mais desfavorecidas.
Colocar estes objectivos e m prática é um grande desafio que visa ajustar a prática ao discurso.
No final da formação foi feito um apelo para a doacção de bens alimentares, uma vez que a equipa de voluntariado da Junta de Freguesia de S. Vicente luta com dificuldades nesta área, uma vez que existe uma grande procura por pessoas carenciadas.
Jorge Pires, presidente da Junta de Freguesia de S. Vicente, para além de entregar os diplomas aos formados participantes, mostrou-se bastante satisfeito pelo facto de tantos jovens estarem a aderir ao projecto do voluntariado da freguesia vicentina.
Para o autarca da freguesia de S. Vicente, “tem sido feito um trabalho extraordinário na ajuda aos nossos residentes, com muita dedicação de mais de 120 voluntários que estão disponíveis, sem qualquer contrapartida económica”.
Vinte e quatro formandos, na sua maioria jovens oriundos da Escola Secundária Sá de Miranda, participaram numa acção de formação geral do voluntariado, ministrada por Manuela Gonçalves, responsável pela equipa de voluntariado de proximidade da Junta de Freguesia de S. Vicente. Participaram ainda formandos que se encontram enquadrados nas actividades de voluntariado da junta vicentina.
Para Manuela Gonçalves, “estes jovens vêm reforçar, dar continuidade e promover novos projectos no trabalho iniciado pelos anteriores colegas”, salientou aquela responsável pela equipa de voluntariado.
A participação e o interesse foram generalizados e todos mostraram vontade de construir uma comunidade mais coesa e solidária, tendo como alvo as pessoas mais desfavorecidas.
Colocar estes objectivos e m prática é um grande desafio que visa ajustar a prática ao discurso.
No final da formação foi feito um apelo para a doacção de bens alimentares, uma vez que a equipa de voluntariado da Junta de Freguesia de S. Vicente luta com dificuldades nesta área, uma vez que existe uma grande procura por pessoas carenciadas.
Jorge Pires, presidente da Junta de Freguesia de S. Vicente, para além de entregar os diplomas aos formados participantes, mostrou-se bastante satisfeito pelo facto de tantos jovens estarem a aderir ao projecto do voluntariado da freguesia vicentina.
Para o autarca da freguesia de S. Vicente, “tem sido feito um trabalho extraordinário na ajuda aos nossos residentes, com muita dedicação de mais de 120 voluntários que estão disponíveis, sem qualquer contrapartida económica”.
Lições de guerra: as escolas em Damasco
In "Sic Notícias"
A guerra na Síria já fez mais de 270 mil mortos, dos quais mais de 13 mil eram crianças e, gerou a maior crise migratória após a 2ª Guerra Mundial. Num cenário de destruição que é a cidade de Damasco, erguem-se escolas para as crianças sírias que ficaram. Esta é uma galeria de fotos da Agência Reuters.
O conflito na síria começou em 2011 com a Primavera Árabe e a contestação a Bashar al-Assad.
Desde então o país é controlado por diversas forças, como o Daesh, a Frente al-Nusra ligada à al-Qaeda e pelos curdos.
Damasco está sob o controlo do Governo sírio.
A capital é testemunha da violência contínua gerada no país e dos ataques terroristas que pesam na vida diária daqueles que ficaram.
A guerra na Síria já fez mais de 270 mil mortos, dos quais mais de 13 mil eram crianças e, gerou a maior crise migratória após a 2ª Guerra Mundial. Num cenário de destruição que é a cidade de Damasco, erguem-se escolas para as crianças sírias que ficaram. Esta é uma galeria de fotos da Agência Reuters.
O conflito na síria começou em 2011 com a Primavera Árabe e a contestação a Bashar al-Assad.
Desde então o país é controlado por diversas forças, como o Daesh, a Frente al-Nusra ligada à al-Qaeda e pelos curdos.
Damasco está sob o controlo do Governo sírio.
A capital é testemunha da violência contínua gerada no país e dos ataques terroristas que pesam na vida diária daqueles que ficaram.
Cães de assistência mudam vidas dos doentes
Paulo Lourenço, in "Jornal de Notícias"
Cães são treinados para ajudar pessoas com paralisia, diabetes, epilepsia e meninos autistas. Ajudam em tarefas do dia a dia e já salvaram algumas vidas.
"O Sinatra está doente. Sente picadas no corpo, dói-lhe a cabeça e às vezes a barriga". O Sinatra é um labrador de seis anos e o diagnóstico é feito pelo Miguel, um menino de quatro anos. Os sintomas que descreve são, porém, aqueles com que ele próprio se debate. Portador de autismo, sente grandes dificuldades na comunicação e, até há pouco tempo, nas consultas recusava-se a explicar aos médicos o que sentia. Agora, exprime-se através do cão, uma espécie de alter ego de quatro patas, em que projeta toda a sua vida. "É a ponte entre dois mundos. O dele e o nosso", resume a mãe, Mafalda Vaz.
Sinatra é um dos três cães de assistência treinados e certificados pela Associação Portuguesa de Cães de Assistência (APCA) e já distribuídos aos respetivos donos. Mais oito estão em treino e, em lista de espera, há mais de 350 interessados.
A APCA é a entidade em Portugal que certifica cães de assistência na área de "Medical Dogs", animais que apoiam pessoas com problemas de diabetes, mobilidade reduzida, epilepsia ou autismo.
No caso de Miguel, o Sinatra já pertencia à família, teve de receber apenas treino em obediência e espaço público, antes da respetiva certificação, que lhe garante o acesso a todos os locais públicos.
"Graças a isto, Miguel conseguiu ficar internado no hospital, deixou-se observar, tirar sangue e até comeu a comida que era fornecida, tudo coisas que eram totalmente impossíveis antes"
"Graças a isto, Miguel conseguiu ficar internado no hospital, deixou-se observar, tirar sangue e até comeu a comida que era fornecida, tudo coisas que eram totalmente impossíveis antes", conta ao JN o pai, Daniel Vaz. A ligação é tão profunda que o menino hoje até já vai ao cinema e treina numa escola de futebol. Sempre com o Sinatra ao lado. Uma história de amor entre um menino e um cão que lhe permitiu abrir portas de um mundo que, devido ao seu problema, parecia totalmente inacessível.
Nina, a cadela que abre janelas
O JN visitou também Diana Niepce, de 30 anos, bailarina e acrobata, que em 2014 sofreu um acidente que a atirou para uma cadeira de rodas. A jovem, moradora em Lisboa, é acompanhada diariamente pela Nina, uma cadela de raça weimaranter, que a ajuda em tarefas do dia a dia. "Dá-me uma segurança e apoio enormes. Ela ajuda a despir-me, tira-me o casaco, as meias, vai buscar-me a cadeira de rodas, abre-me e fecha-me janelas e apaga ou acende as luzes. Além disso, se eu cair, ela ajuda-me a levantar-me, deixando que me apoie sobre o seu corpo", descreve.
"Ela ajuda a despir-me, tira-me o casaco, as meias, vai buscar-me a cadeira de rodas, abre-me e fecha-me janelas e apaga ou acende as luzes."
Rui Elvas, presidente da APCA, conta ainda o caso de uma criança diabética que sofreu uma hipoglicemia grave na escola e que foi salva pelo cão de assistência: "Estavam 17 pessoas na sala e ninguém se apercebeu até o animal dar o alarme. Foi no momento certo".
"Criámos a associação, porque havia muitos interessados neste tipo de apoio e não havia ninguém que treinasse e certificasse estes cães", descreve Rui Elvas.
Um cão de assistência leva, em média de um e meio a dois anos a preparar. Além da especificidade da sua função, todos recebem treino em obediência e espaço público.
A aquisição, treino e certificação pode custar entre cinco e 15 mil euros, sendo que a maioria dos interessados não tem esta disponibilidade financeira.
Cães são treinados para ajudar pessoas com paralisia, diabetes, epilepsia e meninos autistas. Ajudam em tarefas do dia a dia e já salvaram algumas vidas.
"O Sinatra está doente. Sente picadas no corpo, dói-lhe a cabeça e às vezes a barriga". O Sinatra é um labrador de seis anos e o diagnóstico é feito pelo Miguel, um menino de quatro anos. Os sintomas que descreve são, porém, aqueles com que ele próprio se debate. Portador de autismo, sente grandes dificuldades na comunicação e, até há pouco tempo, nas consultas recusava-se a explicar aos médicos o que sentia. Agora, exprime-se através do cão, uma espécie de alter ego de quatro patas, em que projeta toda a sua vida. "É a ponte entre dois mundos. O dele e o nosso", resume a mãe, Mafalda Vaz.
Sinatra é um dos três cães de assistência treinados e certificados pela Associação Portuguesa de Cães de Assistência (APCA) e já distribuídos aos respetivos donos. Mais oito estão em treino e, em lista de espera, há mais de 350 interessados.
A APCA é a entidade em Portugal que certifica cães de assistência na área de "Medical Dogs", animais que apoiam pessoas com problemas de diabetes, mobilidade reduzida, epilepsia ou autismo.
No caso de Miguel, o Sinatra já pertencia à família, teve de receber apenas treino em obediência e espaço público, antes da respetiva certificação, que lhe garante o acesso a todos os locais públicos.
"Graças a isto, Miguel conseguiu ficar internado no hospital, deixou-se observar, tirar sangue e até comeu a comida que era fornecida, tudo coisas que eram totalmente impossíveis antes"
"Graças a isto, Miguel conseguiu ficar internado no hospital, deixou-se observar, tirar sangue e até comeu a comida que era fornecida, tudo coisas que eram totalmente impossíveis antes", conta ao JN o pai, Daniel Vaz. A ligação é tão profunda que o menino hoje até já vai ao cinema e treina numa escola de futebol. Sempre com o Sinatra ao lado. Uma história de amor entre um menino e um cão que lhe permitiu abrir portas de um mundo que, devido ao seu problema, parecia totalmente inacessível.
Nina, a cadela que abre janelas
O JN visitou também Diana Niepce, de 30 anos, bailarina e acrobata, que em 2014 sofreu um acidente que a atirou para uma cadeira de rodas. A jovem, moradora em Lisboa, é acompanhada diariamente pela Nina, uma cadela de raça weimaranter, que a ajuda em tarefas do dia a dia. "Dá-me uma segurança e apoio enormes. Ela ajuda a despir-me, tira-me o casaco, as meias, vai buscar-me a cadeira de rodas, abre-me e fecha-me janelas e apaga ou acende as luzes. Além disso, se eu cair, ela ajuda-me a levantar-me, deixando que me apoie sobre o seu corpo", descreve.
"Ela ajuda a despir-me, tira-me o casaco, as meias, vai buscar-me a cadeira de rodas, abre-me e fecha-me janelas e apaga ou acende as luzes."
Rui Elvas, presidente da APCA, conta ainda o caso de uma criança diabética que sofreu uma hipoglicemia grave na escola e que foi salva pelo cão de assistência: "Estavam 17 pessoas na sala e ninguém se apercebeu até o animal dar o alarme. Foi no momento certo".
"Criámos a associação, porque havia muitos interessados neste tipo de apoio e não havia ninguém que treinasse e certificasse estes cães", descreve Rui Elvas.
Um cão de assistência leva, em média de um e meio a dois anos a preparar. Além da especificidade da sua função, todos recebem treino em obediência e espaço público.
A aquisição, treino e certificação pode custar entre cinco e 15 mil euros, sendo que a maioria dos interessados não tem esta disponibilidade financeira.
Três pessoas morreram em instituição de saúde mental
In "Jornal de Notícias"
Três utentes de uma instituição de saúde mental e reabilitação dos Açores morreram na mesma noite. Instituição diz que foi "coincidência". Os corpos não foram autopsiados.
Os familiares das vítimas exigem explicações à direção da Casa de Saúde de São Rafael, em Angra do Heroísmo. O caso remota a 18 de março, mas só agora foi revelado, numa reportagem da RTP.
Segundo os familiares, há suspeita de intoxicação alimentar, que terá afetado 16 pessoas.
Três utentes de uma instituição de saúde mental e reabilitação dos Açores morreram na mesma noite. Instituição diz que foi "coincidência". Os corpos não foram autopsiados.
Os familiares das vítimas exigem explicações à direção da Casa de Saúde de São Rafael, em Angra do Heroísmo. O caso remota a 18 de março, mas só agora foi revelado, numa reportagem da RTP.
Segundo os familiares, há suspeita de intoxicação alimentar, que terá afetado 16 pessoas.
30.3.16
Mochilas da escola serão kits de refugiados
Pedro Sousa Tavares, in "Diário de Notícias"
No dia 6 de abril, estudantes de todo o país serão desafiados a vestir a pele de migrantes, escolhendo objetos essenciais
As mochilas que carregam às costas ao longo de milhares de quilómetros, por terra e pelo mar, são muitas vezes idênticas às que os estudantes usam para levar os livros e o material para a escola. Mas o que transportam lá dentro é muito diferente: pequenos objetos, como documentos, dinheiro, uma muda de roupa e medicamentos. O essencial para sobreviver. Por vezes, também, uma recordação do que deixaram para trás.
No próximo dia 6 de abril, estudantes de todo o país serão chamados a trocar simbolicamente de papel com estes migrantes - muitos deles das suas idades - que procuram um porto seguro na Europa. O nome da iniciativa - "E se fosse eu? Fazer a mochila e partir" - diz quase tudo.
"O objetivo é fazê-los refletir, de uma forma profunda, pondo-se na pele de um refugiado", conta ao DN o diretor-geral da Educação, José Vítor Pedroso. "Muitas vezes, nas nossas vidas, custa-nos pormo-nos na pele do outro. Esperamos que a iniciativa chegue às casas, levada pelos alunos, que tenha um impacto para além das escolas."
A ideia conta já com a adesão de "centenas de escolas", esperando-se que "muitas mais possam fazê-lo a partir de segunda-feira", com o regresso às aulas.
A Direção-Geral de Educação tem enviado para os agrupamentos um "guião com sugestões de abordagem de iniciativa em sala de aula, para os vários níveis de ensino, do pré-escolar ao secundário". Mas não há regras rígidas. Mesmo a mochila "pode ser mais simbólica do que física, até porque os alunos continuam a ter de levar o seu material para a escola. Podem, por exemplo, escolher os objetos que levariam e fotografá-los para os mostrar na escola", sugere.
"Um exercício de empatia"
"A ideia é, através de um exercício de empatia, sermos capazes de nos pôr no lugar do outro e perceber o que é para uma pessoa, seja homem, mulher, criança, ter de abandonar tudo e partir", diz Rui Marques, da Plataforma de Apoio aos Refugiados, outra promotora desta iniciativa. "Ser refugiado é ter de deixar tudo para trás, é ter a vida resumida ao que se pode levar numa mochila. De uma forma simbólica, esta pergunta - "e se fosse eu?" - ajuda a perceber melhor o que é ser refugiado e, se calhar, o que cada um de nós valoriza mais na vida, ao escolher o que põe numa mochila".
Fernando Nobre, presidente da Assistência Médica Internacional, já passou "há muitos anos por uma experiência na Bélgica, num cenário montado", em que tinha de repetir "o percurso de alguém que tem de passar fronteiras, suportar o enxovalho de humilhações, interrogatórios". Recorda "uma experiência muito dura". Esta iniciativa não será tão intensa. "Mas se for no sentido de sensibilizar os jovens para as dificuldades de quem tenta chegar até nós, será positiva."
João Garcia, alpinista, recusa comparar as suas aventuras voluntárias com a experiência dos refugiados - "eu sei que tenho uma casa para onde voltar", explica. Mas aplaude todas as iniciativas que ponham os jovens a pensar nos problemas do mundo. "A camada mais nova é o futuro do país. E têm de pensar nestes temas."
No dia 6 de abril, estudantes de todo o país serão desafiados a vestir a pele de migrantes, escolhendo objetos essenciais
As mochilas que carregam às costas ao longo de milhares de quilómetros, por terra e pelo mar, são muitas vezes idênticas às que os estudantes usam para levar os livros e o material para a escola. Mas o que transportam lá dentro é muito diferente: pequenos objetos, como documentos, dinheiro, uma muda de roupa e medicamentos. O essencial para sobreviver. Por vezes, também, uma recordação do que deixaram para trás.
No próximo dia 6 de abril, estudantes de todo o país serão chamados a trocar simbolicamente de papel com estes migrantes - muitos deles das suas idades - que procuram um porto seguro na Europa. O nome da iniciativa - "E se fosse eu? Fazer a mochila e partir" - diz quase tudo.
"O objetivo é fazê-los refletir, de uma forma profunda, pondo-se na pele de um refugiado", conta ao DN o diretor-geral da Educação, José Vítor Pedroso. "Muitas vezes, nas nossas vidas, custa-nos pormo-nos na pele do outro. Esperamos que a iniciativa chegue às casas, levada pelos alunos, que tenha um impacto para além das escolas."
A ideia conta já com a adesão de "centenas de escolas", esperando-se que "muitas mais possam fazê-lo a partir de segunda-feira", com o regresso às aulas.
A Direção-Geral de Educação tem enviado para os agrupamentos um "guião com sugestões de abordagem de iniciativa em sala de aula, para os vários níveis de ensino, do pré-escolar ao secundário". Mas não há regras rígidas. Mesmo a mochila "pode ser mais simbólica do que física, até porque os alunos continuam a ter de levar o seu material para a escola. Podem, por exemplo, escolher os objetos que levariam e fotografá-los para os mostrar na escola", sugere.
"Um exercício de empatia"
"A ideia é, através de um exercício de empatia, sermos capazes de nos pôr no lugar do outro e perceber o que é para uma pessoa, seja homem, mulher, criança, ter de abandonar tudo e partir", diz Rui Marques, da Plataforma de Apoio aos Refugiados, outra promotora desta iniciativa. "Ser refugiado é ter de deixar tudo para trás, é ter a vida resumida ao que se pode levar numa mochila. De uma forma simbólica, esta pergunta - "e se fosse eu?" - ajuda a perceber melhor o que é ser refugiado e, se calhar, o que cada um de nós valoriza mais na vida, ao escolher o que põe numa mochila".
Fernando Nobre, presidente da Assistência Médica Internacional, já passou "há muitos anos por uma experiência na Bélgica, num cenário montado", em que tinha de repetir "o percurso de alguém que tem de passar fronteiras, suportar o enxovalho de humilhações, interrogatórios". Recorda "uma experiência muito dura". Esta iniciativa não será tão intensa. "Mas se for no sentido de sensibilizar os jovens para as dificuldades de quem tenta chegar até nós, será positiva."
João Garcia, alpinista, recusa comparar as suas aventuras voluntárias com a experiência dos refugiados - "eu sei que tenho uma casa para onde voltar", explica. Mas aplaude todas as iniciativas que ponham os jovens a pensar nos problemas do mundo. "A camada mais nova é o futuro do país. E têm de pensar nestes temas."
Dia Mundial da Saúde promovendo a solidariedade
In "Diário de Coimbra"
Para celebrar o Dia Mundial da Saúde, no próximo dia 10 de Abril, a Câmara Municipal de Figueiró dos Vinhos e o Grupo de Voluntariado Comunitário local da Liga Portuguesa Contra o Cancro vão dinamizar um conjunto de actividades com que pretendem «alertar para a importância de boas práticas para uma vida saudável, bem como angariar donativos a favor da Liga Portuguesa Contra o Cancro».
Um comunicado explica que “Eu Vou e Tu?” é o mote do programa que decorre durante to do o dia, sendo a manhã preenchida com rastreios de saúde e actividades físicas, com a presença do atleta olímpico Mário Silva na Caminhada Urbana. Os interessados nesta actividade devem inscrever-se até ao dia 5 de Abril através telefones 918 433 924, 914 143 539, 236 551 127 e 236 551 132.
Da parte da tarde, a partir das 15h30, a programação continua na Casa da Cultura, agora com animação cultural, apresentada pelo Conservatório Regional de Castelo Branco, Associação Cultura e Musical Sintonia Consequente de Figueiró dos Vinhos, Grupo de Concertinas de Lagoa Parada e Grupo de Hip-Hop da Escola José Malhoa de Figueiró dos Vinhos, que, desta forma, se associam à causa solidária.
No programa está também a inauguração da sede do Grupo de Voluntariado Comunitário da Liga Portuguesa Contra o Cancro, em instalações cedidas pela autarquia, na antiga escola primária do Bairro Novo.
Para celebrar o Dia Mundial da Saúde, no próximo dia 10 de Abril, a Câmara Municipal de Figueiró dos Vinhos e o Grupo de Voluntariado Comunitário local da Liga Portuguesa Contra o Cancro vão dinamizar um conjunto de actividades com que pretendem «alertar para a importância de boas práticas para uma vida saudável, bem como angariar donativos a favor da Liga Portuguesa Contra o Cancro».
Um comunicado explica que “Eu Vou e Tu?” é o mote do programa que decorre durante to do o dia, sendo a manhã preenchida com rastreios de saúde e actividades físicas, com a presença do atleta olímpico Mário Silva na Caminhada Urbana. Os interessados nesta actividade devem inscrever-se até ao dia 5 de Abril através telefones 918 433 924, 914 143 539, 236 551 127 e 236 551 132.
Da parte da tarde, a partir das 15h30, a programação continua na Casa da Cultura, agora com animação cultural, apresentada pelo Conservatório Regional de Castelo Branco, Associação Cultura e Musical Sintonia Consequente de Figueiró dos Vinhos, Grupo de Concertinas de Lagoa Parada e Grupo de Hip-Hop da Escola José Malhoa de Figueiró dos Vinhos, que, desta forma, se associam à causa solidária.
No programa está também a inauguração da sede do Grupo de Voluntariado Comunitário da Liga Portuguesa Contra o Cancro, em instalações cedidas pela autarquia, na antiga escola primária do Bairro Novo.
APAV: abusadas sexualmente 102 crianças
In "Diário de Coimbra"
A Associação Portuguesa de Apoio à Vítima (APAV) apoiou, em 2015, uma média de três crianças e jovens por dia vítimas de crime, num total de 1.084, mais 92 face a 2014, segundo dados ontem divulgados. O relatório anual 2015 da APAV refere que 54,6% das vítimas são meninas, com uma média de idade de 9,9 anos, sendo que 23,8% frequenta o pré-escolar e 23,6%, o primeiro ciclo. Os dados da APAV apontam 102 casos de crianças menores de 14 anos que foram abusadas sexualmente e um caso de pornografia de menores. A maioria das vítimas vivia em famílias nucleares com filhos (49,6%).
A Associação Portuguesa de Apoio à Vítima (APAV) apoiou, em 2015, uma média de três crianças e jovens por dia vítimas de crime, num total de 1.084, mais 92 face a 2014, segundo dados ontem divulgados. O relatório anual 2015 da APAV refere que 54,6% das vítimas são meninas, com uma média de idade de 9,9 anos, sendo que 23,8% frequenta o pré-escolar e 23,6%, o primeiro ciclo. Os dados da APAV apontam 102 casos de crianças menores de 14 anos que foram abusadas sexualmente e um caso de pornografia de menores. A maioria das vítimas vivia em famílias nucleares com filhos (49,6%).
Pedidos de ajuda aumentam na APAV
Patrícia Cruz Almeida, in "Diário as Beiras"
A Associação Portuguesa de Apoio à Vítima (APAV) registou, em 2015, 609 atendimentos no distrito de Coimbra. Contudo, de acordo com Natália Cardoso, gestora do Gabinete de Apoio à Vítima (GAV) local, “nem todos os pedidos de ajuda reportaram a casos de crime”. Ainda assim registouse “um aumento substancial de pedidos de ajuda” em relação a 2104, ano em que o GAV de Coimbra analisou 505 processos de apoio com atendimentos. Deste total, foram acompanhadas 460 vítimas diretas que foram alvo de 1.202 crimes ou de outros atos violentos. “Tal não significa, necessariamente, que a violência tenha aumentado: significa que, devido à divulgação do trabalho levado a cabo pela APAV, muitas vítimas de crime procurassem ajuda e deixassem de permanecer no silêncio”, adiantou a responsável. A nível nacional, a APAV registou uma média de 63 crimes por dia em 2015, segundo dados divulgados ontem e que revelam um total
Gabinete de Apoio à Vítima de Coimbra registou 609 atendimentos de 23.326 casos, um número que subiu 13% nos últimos dois anos. Segundo o relatório, 30% eram casadas e viviam numa família nuclear com filhos (37,7%). A maioria vivia em
Lisboa (20,4%), no Porto (12,1%) e em Faro (9,5%). Contudo, “364 vítimas (ou seja 3,8 por cento) residiam no concelho de Coimbra”, frisou Natália Cardoso.
A Associação Portuguesa de Apoio à Vítima (APAV) registou, em 2015, 609 atendimentos no distrito de Coimbra. Contudo, de acordo com Natália Cardoso, gestora do Gabinete de Apoio à Vítima (GAV) local, “nem todos os pedidos de ajuda reportaram a casos de crime”. Ainda assim registouse “um aumento substancial de pedidos de ajuda” em relação a 2104, ano em que o GAV de Coimbra analisou 505 processos de apoio com atendimentos. Deste total, foram acompanhadas 460 vítimas diretas que foram alvo de 1.202 crimes ou de outros atos violentos. “Tal não significa, necessariamente, que a violência tenha aumentado: significa que, devido à divulgação do trabalho levado a cabo pela APAV, muitas vítimas de crime procurassem ajuda e deixassem de permanecer no silêncio”, adiantou a responsável. A nível nacional, a APAV registou uma média de 63 crimes por dia em 2015, segundo dados divulgados ontem e que revelam um total
Gabinete de Apoio à Vítima de Coimbra registou 609 atendimentos de 23.326 casos, um número que subiu 13% nos últimos dois anos. Segundo o relatório, 30% eram casadas e viviam numa família nuclear com filhos (37,7%). A maioria vivia em
Lisboa (20,4%), no Porto (12,1%) e em Faro (9,5%). Contudo, “364 vítimas (ou seja 3,8 por cento) residiam no concelho de Coimbra”, frisou Natália Cardoso.
Investigador de Coimbra promove cursos sobre envelhecimento ativo
Carolina Ferreira, Pedro Teodoro, in "RTP"
Nos cursos, ensina-se como gerir o tempo ou utilizar melhor a inteligência emocional. Os participantes são também avaliados no âmbito de um estudo sobre a preparação para a reforma.
Nos cursos, ensina-se como gerir o tempo ou utilizar melhor a inteligência emocional. Os participantes são também avaliados no âmbito de um estudo sobre a preparação para a reforma.
Unidade móvel vai prestar apoio médico a prostitutas e sem-abrigo em viseu
Nuno Noronha, in "Sapo"
Projeto “Saúde na Esquina” da ONG Saúde em Português quer abranger a população que vive à margem dos cuidados do Sistema Nacional de Saúde.
A notícia é avançada pelo jornal Público.
A organização não-governamental (ONG) “Saúde em Português” vai avançar, em Viseu, com consultas médicas na rua para pessoas sem-abrigo e prostitutas.
A unidade móvel de saúde começa a percorrer as estradas do concelho a partir de agosto.
"Além das consultas, vamos dar conselhos de promoção de saúde e apoio social", explica Inês Figueiredo, delegada em Viseu da ONG que foi criada em finais do ano passado (2015), citada pelo referido jornal.
"Esta população terá, simultaneamente, acesso a apoio psicossocial tanto em ambiente de consulta como em ambiente informal de rua", nomeadamente com a realização de testes rápidos de VIH/SIDA no local, por exemplo.
Projeto “Saúde na Esquina” da ONG Saúde em Português quer abranger a população que vive à margem dos cuidados do Sistema Nacional de Saúde.
A notícia é avançada pelo jornal Público.
A organização não-governamental (ONG) “Saúde em Português” vai avançar, em Viseu, com consultas médicas na rua para pessoas sem-abrigo e prostitutas.
A unidade móvel de saúde começa a percorrer as estradas do concelho a partir de agosto.
"Além das consultas, vamos dar conselhos de promoção de saúde e apoio social", explica Inês Figueiredo, delegada em Viseu da ONG que foi criada em finais do ano passado (2015), citada pelo referido jornal.
"Esta população terá, simultaneamente, acesso a apoio psicossocial tanto em ambiente de consulta como em ambiente informal de rua", nomeadamente com a realização de testes rápidos de VIH/SIDA no local, por exemplo.
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