in Jornal de Leiria
Criado há 20 anos, em muitos casos, fez a diferença
Alice tinha acabado de sair de um processo de divórcio “muito complicado”, concluído após anos e anos de violência doméstica, razão pela qual pede o anonimato. Nunca havia trabalhado, porque “ele não deixava”, nem possuía qualquer tipo de rendimento. Ao ver-se “sem nada”, teve de procurar ajuda. Bateu à porta de “uma pessoa amiga”, a quem pediu emprego. “Disse-me que, de momento, não me conseguia arranjar trabalho, mas sugeriu que me inscrevesse na Segurança Social”.
Foi há cinco anos e, apesar de a medida já existir desde 1996, era a primeira vez que Alice ouvia falar do Rendimento Social de Inserção (ex-Rendimento Mínimo Garantido). “Atribuíram-me 189 euros. Foi uma grande ajuda. Não tinha dinheiro para pagar a renda nem para comprar comida.
Quando entrei na casa, não havia um prato ou um copo. Só uma televisão e uma cama, as únicas coisas que ele [ex-marido] me deixou trazer”, recorda Alice, residente no concelho de Leiria.
Com a dinheiro do RSI e o apoio de familiares e de amigos, conseguiu refazer a vida. Três meses depois estava, de novo, a bater à porta da Segurança Social. Desta vez para informar que tinha arranjado emprego e que já não precisava do subsídio.
“Foi uma alegria imensa. Tive sorte, é verdade, mas também não fiquei de braços cruzados e fui à luta”, admite Alice, que actualmente faz trabalhos de limpeza e conseguiu a sua independência.
“Naquele momento, o RSI fez toda a diferença na minha vida. Não sei o que faria sem esse apoio.” Coordenadora do Núcleo Distrital de Leiria da Rede Europeia Anti- -Pobreza e, há anos, a trabalhar com beneficiários do RSI, Patrícia Ervilha reconhece que não há muitos casos de sucesso como o de Alice, porque “é muito difícil quebrar os ciclos de pobreza e de exclusão”.
Mas, frisa, isso não significa que a medida, criada há 20 anos, possa ser considerada um fracasso. “Muito pelo contrário”, afirma a socióloga, para quem o RSI continua a ser “absolutamente essencial para garantir o mínimo de dignidade”.
3.11.16
Iniciativa da Rede Europeia Anti-Pobreza
Texto Juliana Batista, in Fátima Missionária
Grupos de cidadãos portugueses lançaram uma campanha nacional pela «não discriminação». Vários materiais que mostram a importância da inclusão estão a ser distribuídos para alertar a população para os «preconceitos e estereótipos negativos»
Os membros dos núcleos da Rede Europeia Anti-Pobreza de Castelo Branco, Coimbra, Leiria, Guarda, Santarém e Viseu, em conjunto com os respetivos conselhos locais de cidadãos, desenvolveram a campanha nacional «Despir os preconceitos, vestir a inclusão».
O objetivo é «sensibilizar a comunidade em geral para a importância de não discriminação de pessoas com deficiência e incapacidades, pessoas idosas, desempregadas, migrantes e minorias étnicas, famílias em situação de pobreza e pessoas sem abrigo, ex-toxicodependentes e ex-reclusos», explicam os promotores da iniciativa, em comunicado.
No âmbito desta campanha serão distribuídos materiais como sacos, cartazes, postais, marcadores de livro e crachás que sensibilizam para este problema. Além disso, serão realizadas atividades de combate aos «preconceitos e estereótipos negativos».
Numa primeira fase, a ação vai envolver a comunidade escolar, as organizações da economia social e projetos de intervenção social. Mais tarde, será alargada a outros destinatários e «serão criados recursos didáticos para apoiar a dinamização de atividades junto dos mesmos».
Grupos de cidadãos portugueses lançaram uma campanha nacional pela «não discriminação». Vários materiais que mostram a importância da inclusão estão a ser distribuídos para alertar a população para os «preconceitos e estereótipos negativos»
Os membros dos núcleos da Rede Europeia Anti-Pobreza de Castelo Branco, Coimbra, Leiria, Guarda, Santarém e Viseu, em conjunto com os respetivos conselhos locais de cidadãos, desenvolveram a campanha nacional «Despir os preconceitos, vestir a inclusão».
O objetivo é «sensibilizar a comunidade em geral para a importância de não discriminação de pessoas com deficiência e incapacidades, pessoas idosas, desempregadas, migrantes e minorias étnicas, famílias em situação de pobreza e pessoas sem abrigo, ex-toxicodependentes e ex-reclusos», explicam os promotores da iniciativa, em comunicado.
No âmbito desta campanha serão distribuídos materiais como sacos, cartazes, postais, marcadores de livro e crachás que sensibilizam para este problema. Além disso, serão realizadas atividades de combate aos «preconceitos e estereótipos negativos».
Numa primeira fase, a ação vai envolver a comunidade escolar, as organizações da economia social e projetos de intervenção social. Mais tarde, será alargada a outros destinatários e «serão criados recursos didáticos para apoiar a dinamização de atividades junto dos mesmos».
Projecto 'Não engolimos Sapos' chega a Lisboa com exposição
in Público on-line
Metade dos estabelecimentos visitados pelo projecto, que luta contra esta prática discriminatória da etnia cigana, acabaram por retirar os sapos de loiça.
O projecto "Não engolimos Sapos" andou pelo país a convencer os comerciantes a retirarem os sapos de loiça dos estabelecimentos contra a entrada de pessoas ciganas e chega este sábado a Lisboa com uma exposição de fotografias e sapos "libertados".
Em declarações à agência Lusa, o autor das fotografias e mentor do projecto explicou que tudo começou em Outubro de 2015, no decorrer de uma formação para profissionais de órgãos de comunicação social, em que um activista da SOS Racismo perguntou o que cada um poderia fazer no seu local de trabalho em prol da comunidade cigana.
Logo aí surgiu a ideia de fotografar sapos de loiça, que os comerciantes frequentemente têm à porta dos estabelecimentos para evitar a entrada de pessoas ciganas, que começou a ganhar corpo em Janeiro de 2016 quando abriram as candidaturas ao Fundo de Apoio à Estratégia Nacional para a Integração das Comunidades Ciganas (FAPE 2016) e com o apoio da SOS Racismo.
"A ideia foi sempre uma ideia proactiva e não de crítica ao comerciante, ou seja, sensibilizando-os e não culpabilizando-os", adiantou Rui Farinha.
Entre Julho e Agosto, com a companhia de vários elementos da comunidade cigana foram visitados 44 estabelecimentos comerciais de Braga, Figueira da Foz, Gondomar, Porto e Lisboa, sendo que a primeira visita decorre a 13 de Julho a um café da cidade de Braga.
"Entrávamos de t-shirt [branca, com o logótipo 'Não engolimos Sapos'] e as pessoas perguntavam logo se estávamos ali por causa do bicho. Tínhamos um folheto, que líamos, e depois explicávamos a campanha", contou.
Como consequência, conseguiram que em metade dos estabelecimentos visitados fossem retirados os sapos de loiça, ao mesmo tempo que davam uma tabuleta para ser colocada na porta de entrada onde se lia "Aberto a todos", "Aberto à diversidade" ou "Fechado ao preconceito".
"O resultado foi muito positivo porque nós estávamos à espera de uma percentagem na casa dos 25% e nunca dos 50%, claramente", frisou Rui Farinha.
Em 12 desses estabelecimentos, os comerciantes consentiram que lhes fosse tirada uma fotografia e são essas 12 fotografias que vão estar expostas a partir deste sábado e até dia 12 de Outubro nas instalações do Alto-Comissariado para as Migrações, em Lisboa.
"A fotografia aqui não funciona tanto como um elemento estético, mas mais como um prémio para todos os comerciantes que aderiram e foram sensíveis. É uma memória para o futuro", adiantou. Além das fotografias, vão também estar expostos dez sapos "libertados", que os comerciantes dispensaram.
Depois de Lisboa, a exposição segue para o Porto, a 14 de Outubro, no Teatro Rivoli, integrada no Festival de Cinema MICAR. Depois irá passar por Braga, Gondomar, Figueira da Foz, Mafra e Mora, mas ainda sem data definida. A exposição em Lisboa inaugura às 16h, com debate entre comerciantes, comunidade cigana e participantes no projecto.
Recorde-se que o filme a Balada de um Batráquio, uma curta da jovem realizadora Leonor Teles que recebeu este ano um Urso de Ouro do Festival de Cinema de Berlim, estava precisamente centrado nesta superstição de colocar sapos de louça à porta das lojas para impedir a entrada de ciganos. No filme, Leonor Teles, que tem raízes ciganas por parte do pai, destruía vários desses sapos em frente à câmara.
Metade dos estabelecimentos visitados pelo projecto, que luta contra esta prática discriminatória da etnia cigana, acabaram por retirar os sapos de loiça.
O projecto "Não engolimos Sapos" andou pelo país a convencer os comerciantes a retirarem os sapos de loiça dos estabelecimentos contra a entrada de pessoas ciganas e chega este sábado a Lisboa com uma exposição de fotografias e sapos "libertados".
Em declarações à agência Lusa, o autor das fotografias e mentor do projecto explicou que tudo começou em Outubro de 2015, no decorrer de uma formação para profissionais de órgãos de comunicação social, em que um activista da SOS Racismo perguntou o que cada um poderia fazer no seu local de trabalho em prol da comunidade cigana.
Logo aí surgiu a ideia de fotografar sapos de loiça, que os comerciantes frequentemente têm à porta dos estabelecimentos para evitar a entrada de pessoas ciganas, que começou a ganhar corpo em Janeiro de 2016 quando abriram as candidaturas ao Fundo de Apoio à Estratégia Nacional para a Integração das Comunidades Ciganas (FAPE 2016) e com o apoio da SOS Racismo.
"A ideia foi sempre uma ideia proactiva e não de crítica ao comerciante, ou seja, sensibilizando-os e não culpabilizando-os", adiantou Rui Farinha.
Entre Julho e Agosto, com a companhia de vários elementos da comunidade cigana foram visitados 44 estabelecimentos comerciais de Braga, Figueira da Foz, Gondomar, Porto e Lisboa, sendo que a primeira visita decorre a 13 de Julho a um café da cidade de Braga.
"Entrávamos de t-shirt [branca, com o logótipo 'Não engolimos Sapos'] e as pessoas perguntavam logo se estávamos ali por causa do bicho. Tínhamos um folheto, que líamos, e depois explicávamos a campanha", contou.
Como consequência, conseguiram que em metade dos estabelecimentos visitados fossem retirados os sapos de loiça, ao mesmo tempo que davam uma tabuleta para ser colocada na porta de entrada onde se lia "Aberto a todos", "Aberto à diversidade" ou "Fechado ao preconceito".
"O resultado foi muito positivo porque nós estávamos à espera de uma percentagem na casa dos 25% e nunca dos 50%, claramente", frisou Rui Farinha.
Em 12 desses estabelecimentos, os comerciantes consentiram que lhes fosse tirada uma fotografia e são essas 12 fotografias que vão estar expostas a partir deste sábado e até dia 12 de Outubro nas instalações do Alto-Comissariado para as Migrações, em Lisboa.
"A fotografia aqui não funciona tanto como um elemento estético, mas mais como um prémio para todos os comerciantes que aderiram e foram sensíveis. É uma memória para o futuro", adiantou. Além das fotografias, vão também estar expostos dez sapos "libertados", que os comerciantes dispensaram.
Depois de Lisboa, a exposição segue para o Porto, a 14 de Outubro, no Teatro Rivoli, integrada no Festival de Cinema MICAR. Depois irá passar por Braga, Gondomar, Figueira da Foz, Mafra e Mora, mas ainda sem data definida. A exposição em Lisboa inaugura às 16h, com debate entre comerciantes, comunidade cigana e participantes no projecto.
Recorde-se que o filme a Balada de um Batráquio, uma curta da jovem realizadora Leonor Teles que recebeu este ano um Urso de Ouro do Festival de Cinema de Berlim, estava precisamente centrado nesta superstição de colocar sapos de louça à porta das lojas para impedir a entrada de ciganos. No filme, Leonor Teles, que tem raízes ciganas por parte do pai, destruía vários desses sapos em frente à câmara.
Santana descentralizou os serviços sociais da Santa Casa
Ana Cristina Pereira, in Público on-line
Sérgio Cintra, administrador executivo, sublinha importância das pontes criadas nos últimos anos, apontando “novo modelo de gestão, com um forte pendor local de intervenção social, promovendo e reforçando parcerias”
A Santa Casa da Misericórdia de Lisboa já não se fecha tanto num mundo à parte, sobre si própria, com ar de auto-suficiente. Reorganizou algumas respostas sociais, tratou de desenvolver um modelo descentralizado, de construir pontes. Há uma marca de Santana Lopes na intervenção social?
Os relatórios e contas mostram que a partir de 2011 aumentaram os subsídios a pessoas carenciadas. Apontam a crise da dívida e o recuo do Estado social. Houve uma quebra no último semestre de 2014, que se tem vindo a manter. Atribuem-na à autonomização das pessoas, mas também à diminuição do tempo de espera na atribuição das prestações sociais.
Esta não é uma misericórdia como as outras. Reúne e coordena serviços que noutros concelhos são assegurados pela Segurança Social. Faz atendimento social, gere o serviço de adopção, uma rede de equipamentos de infância e juventude, respostas sociais para pessoas portadoras de deficiência, todo o tipo de serviços para idosos. E a emergência e o apoio à inserção de sem-abrigo.
Além de uma grande dimensão, a Santa Casa tem uma grande tradição, comenta Luís Capucha, do Centro de Investigação e Estudos de Sociologia do Instituto Universitário de Lisboa. A acção do provedor tem de atender a essa carga, que requer alguma estabilidade, mas também à orientação política. Afinal, este é um cargo de nomeação governamental. Parece-lhe que houve uma tentação caritativa, na era Passos Coelho, e um regresso à lógica solidária, com António Costa.
Que não haja equívocos, reclama Sérgio Cintra, administrador executivo da Santa Casa com o pelouro da Acção Social. “O provedor não se limita a gerir, tem uma visão própria”, sublinha. “Estamos inconformados com algumas soluções, achamos que devemos ser diferentes e temos iniciativas diferentes, inovar.” Nestes últimos cinco anos, a Santa Casa reabilitou equipamentos. Reorganizou serviços. Abriu duas residências de apoio moderado destinadas a jovens adultos que não conseguem ter autonomia completa mas têm capacidades para viver em habitação com suporte. Envolveu-se na criação da Rede Social e do Núcleo de Planeamento e Intervenção Sem Abrigo de Lisboa. Ficou com a responsabilidade da intervenção e, nesse âmbito, com a gestão da Unidade de Atendimento à Pessoa Sem Abrigo.
Há, hoje, maior abertura ou, pelo menos, maior esforço de articulação, concorda Joaquina Madeira, que foi directora-geral da Acção Social entre 1991 a 2000 e em 2012 assumiu o papel de coordenadora Nacional do Programa Europeu do Envelhecimento Activo e da Solidariedade entre Gerações.
Sérgio Cintra prefere falar em pontes. Menciona o acordo firmado com a União das Misericórdias Portuguesas, que permitiu usar receitas do jogo para apoiar actividades de outras misericórdias do país. E um novo modelo de gestão, iniciado na sequência da reforma administrativa da cidade (24 freguesias), “mais descentralizado, com um forte pendor local de intervenção social, promovendo e reforçando parcerias, numa lógica de governação integrada”. Este novo paradigma, explica, assenta numa abordagem colaborativa e na gestão de caso.
Sérgio Aires, director do Observatório de Luta Contra a Pobreza na Cidade de Lisboa, nota um esforço para requalificar as equipas técnicas e para tomar decisões baseadas em conhecimento. “Nos últimos anos, os funcionários estão mais próximos das pessoas”, analisa. Tratam-nas com maior cuidado, seguindo uma lógica que, pouco a pouco, se propaga pelo todo nacional.
A Santa Casa, gaba-se Santana Lopes, já não fica tanto à espera que quem precisa bata à porta. E dá o exemplo do projecto Intergerações, que fez, pela primeira vez, o levantamento da situação dos idosos que vivem na cidade de Lisboa. Quase 60 jovens percorreram as ruas de Lisboa, porta a porta, e encontraram mais de 500 idosos a precisar de apoio urgente.
O provedor faz a defesa da intergeracionalidade e da substituição do apoio em lares pelo apoio em casa. E, lembra Sérgio Cintra, as equipas de apoio a idosos foram requalificadas e reforçadas. Foi impulsionada a figura do cuidador familiar. O curso de formação para agentes de geriatria termina em Novembro de 2016. E a Acção Social está agora a preparar um projecto de intervenção e apoio directo aos utentes e às famílias de modo a reforçar e qualificar o apoio no domicilio. Está já a preparar um manual de boas práticas para cuidadores informais.
Sérgio Cintra, administrador executivo, sublinha importância das pontes criadas nos últimos anos, apontando “novo modelo de gestão, com um forte pendor local de intervenção social, promovendo e reforçando parcerias”
A Santa Casa da Misericórdia de Lisboa já não se fecha tanto num mundo à parte, sobre si própria, com ar de auto-suficiente. Reorganizou algumas respostas sociais, tratou de desenvolver um modelo descentralizado, de construir pontes. Há uma marca de Santana Lopes na intervenção social?
Os relatórios e contas mostram que a partir de 2011 aumentaram os subsídios a pessoas carenciadas. Apontam a crise da dívida e o recuo do Estado social. Houve uma quebra no último semestre de 2014, que se tem vindo a manter. Atribuem-na à autonomização das pessoas, mas também à diminuição do tempo de espera na atribuição das prestações sociais.
Esta não é uma misericórdia como as outras. Reúne e coordena serviços que noutros concelhos são assegurados pela Segurança Social. Faz atendimento social, gere o serviço de adopção, uma rede de equipamentos de infância e juventude, respostas sociais para pessoas portadoras de deficiência, todo o tipo de serviços para idosos. E a emergência e o apoio à inserção de sem-abrigo.
Além de uma grande dimensão, a Santa Casa tem uma grande tradição, comenta Luís Capucha, do Centro de Investigação e Estudos de Sociologia do Instituto Universitário de Lisboa. A acção do provedor tem de atender a essa carga, que requer alguma estabilidade, mas também à orientação política. Afinal, este é um cargo de nomeação governamental. Parece-lhe que houve uma tentação caritativa, na era Passos Coelho, e um regresso à lógica solidária, com António Costa.
Que não haja equívocos, reclama Sérgio Cintra, administrador executivo da Santa Casa com o pelouro da Acção Social. “O provedor não se limita a gerir, tem uma visão própria”, sublinha. “Estamos inconformados com algumas soluções, achamos que devemos ser diferentes e temos iniciativas diferentes, inovar.” Nestes últimos cinco anos, a Santa Casa reabilitou equipamentos. Reorganizou serviços. Abriu duas residências de apoio moderado destinadas a jovens adultos que não conseguem ter autonomia completa mas têm capacidades para viver em habitação com suporte. Envolveu-se na criação da Rede Social e do Núcleo de Planeamento e Intervenção Sem Abrigo de Lisboa. Ficou com a responsabilidade da intervenção e, nesse âmbito, com a gestão da Unidade de Atendimento à Pessoa Sem Abrigo.
Há, hoje, maior abertura ou, pelo menos, maior esforço de articulação, concorda Joaquina Madeira, que foi directora-geral da Acção Social entre 1991 a 2000 e em 2012 assumiu o papel de coordenadora Nacional do Programa Europeu do Envelhecimento Activo e da Solidariedade entre Gerações.
Sérgio Cintra prefere falar em pontes. Menciona o acordo firmado com a União das Misericórdias Portuguesas, que permitiu usar receitas do jogo para apoiar actividades de outras misericórdias do país. E um novo modelo de gestão, iniciado na sequência da reforma administrativa da cidade (24 freguesias), “mais descentralizado, com um forte pendor local de intervenção social, promovendo e reforçando parcerias, numa lógica de governação integrada”. Este novo paradigma, explica, assenta numa abordagem colaborativa e na gestão de caso.
Sérgio Aires, director do Observatório de Luta Contra a Pobreza na Cidade de Lisboa, nota um esforço para requalificar as equipas técnicas e para tomar decisões baseadas em conhecimento. “Nos últimos anos, os funcionários estão mais próximos das pessoas”, analisa. Tratam-nas com maior cuidado, seguindo uma lógica que, pouco a pouco, se propaga pelo todo nacional.
A Santa Casa, gaba-se Santana Lopes, já não fica tanto à espera que quem precisa bata à porta. E dá o exemplo do projecto Intergerações, que fez, pela primeira vez, o levantamento da situação dos idosos que vivem na cidade de Lisboa. Quase 60 jovens percorreram as ruas de Lisboa, porta a porta, e encontraram mais de 500 idosos a precisar de apoio urgente.
O provedor faz a defesa da intergeracionalidade e da substituição do apoio em lares pelo apoio em casa. E, lembra Sérgio Cintra, as equipas de apoio a idosos foram requalificadas e reforçadas. Foi impulsionada a figura do cuidador familiar. O curso de formação para agentes de geriatria termina em Novembro de 2016. E a Acção Social está agora a preparar um projecto de intervenção e apoio directo aos utentes e às famílias de modo a reforçar e qualificar o apoio no domicilio. Está já a preparar um manual de boas práticas para cuidadores informais.
Há menos pessoas em situação de pobreza extrema depois da crise
Liliana Borges, in Público on-line
Os números são do Banco Mundial que concluem que o número de pessoas em situação de pobreza extrema não parou de diminuir. Ainda assim, o fosso económico está longe de estar corrigido.
Depois da crise financeira mundial, existem hoje menos pessoas a viver em situações de extrema pobreza. Isto é, a diminuição do número de pessoas que sobrevivem com menos de 1,90 dólares por dia (cerca de 1,70 euros) é a maior desde a Revolução Industrial.
Os números são do Banco Mundial, que este domingo publicou um estudo onde conclui que uma em cada dez pessoas vive em situação de pobreza extrema. Em números concretos e de acordo com os dados mais recentes, em 2013 o número de pessoas a sobreviver com cerca de 1,70 euros por dia diminuiu em 114 milhões de pessoas comparativamente com o ano anterior.
De acordo com os analistas, a justificação poderá estar no crescimento económico registado nos últimos 30 anos nas economias emergentes do Brasil, China e Índia. No entanto, em contrapartida, esta diminuição da desigualdade foi acompanhada por um aumento da desigualdade interna registada em cada país, nota o Financial Times.
Os dados citados pelo Financial Times mostram que o Reino Unido foi a economia que mais diminuiu as suas desigualdades depois da crise financeira de 2008. Também os EUA, a Alemanha, o Brasil e a China conseguiram diminuir o fosso de desigualdades económicas. Por outro lado, África do Sul e o Haiti são os países onde as desigualdades económicas são mais acentuadas.
Sem surpreender, os dados confirmam que a pobreza continua concentrada na África do Sul e na África Subsariana, onde estão 650 milhões das 766 milhões de pessoas assinaladas em situação de pobreza extrema.
Na África Subsariana, o número de pessoas a viver em situação de extrema pobreza representa 41% da população.
Os números são do Banco Mundial que concluem que o número de pessoas em situação de pobreza extrema não parou de diminuir. Ainda assim, o fosso económico está longe de estar corrigido.
Depois da crise financeira mundial, existem hoje menos pessoas a viver em situações de extrema pobreza. Isto é, a diminuição do número de pessoas que sobrevivem com menos de 1,90 dólares por dia (cerca de 1,70 euros) é a maior desde a Revolução Industrial.
Os números são do Banco Mundial, que este domingo publicou um estudo onde conclui que uma em cada dez pessoas vive em situação de pobreza extrema. Em números concretos e de acordo com os dados mais recentes, em 2013 o número de pessoas a sobreviver com cerca de 1,70 euros por dia diminuiu em 114 milhões de pessoas comparativamente com o ano anterior.
De acordo com os analistas, a justificação poderá estar no crescimento económico registado nos últimos 30 anos nas economias emergentes do Brasil, China e Índia. No entanto, em contrapartida, esta diminuição da desigualdade foi acompanhada por um aumento da desigualdade interna registada em cada país, nota o Financial Times.
Os dados citados pelo Financial Times mostram que o Reino Unido foi a economia que mais diminuiu as suas desigualdades depois da crise financeira de 2008. Também os EUA, a Alemanha, o Brasil e a China conseguiram diminuir o fosso de desigualdades económicas. Por outro lado, África do Sul e o Haiti são os países onde as desigualdades económicas são mais acentuadas.
Sem surpreender, os dados confirmam que a pobreza continua concentrada na África do Sul e na África Subsariana, onde estão 650 milhões das 766 milhões de pessoas assinaladas em situação de pobreza extrema.
Na África Subsariana, o número de pessoas a viver em situação de extrema pobreza representa 41% da população.
UE: Bispos católicos recordam os 119 milhões de europeus em risco de pobreza e exclusão social
in Agência Ecclesia
«Europa tem de voltar a afirmar-se como comunidade de solidariedade», diz a Comissão dos Episcopados do Velho Continente
Bruxelas, 28 out 2016 (Ecclesia) - A Comissão dos Episcopados Católicos da União Europeia (COMECE), da qual Portugal faz parte, concluiu hoje a sua assembleia plenária com um alerta a favor dos “mais pobres” do Velho Continente.
Nas conclusões do encontro, enviadas à Agência ECCLESIA, aquele organismo salientam que cerca de “119 milhões de europeus, quase um quarto da população no território, vivem hoje com o risco da pobreza e da exclusão social”.
Para o cardeal Reinhard Marx, presidente da COMECE, “o apoio aos mais pobres tem que ser prioridade para a Igreja Católica”, bem como para as instituições em Bruxelas e os Estados-membros.
O responsável católico recorda que “o projeto europeu” partiu da premissa de “dar a todos na comunidade a possibilidade de viver em paz e prosperidade”.
Algo que “ainda não foi atingido mas é o principal desígnio da União Europeia”, acrescenta o prelado alemão.
A assembleia plenária da COMECE incluiu contactos com a Cáritas Europa, com representante da Comissão Europeia e com as autoridades locais.
Estas conversações vão ter como resultado prático um documento a ser lançado em breve, com propostas da Igreja Católica no âmbito da dignidade da pessoa humana, para que esta seja colocada no centro das medidas políticas de combate à pobreza.
Os 28 bispos que compõem a COMECE - Portugal é representado no organismo por D. Manuel Clemente - atestaram também a vontade da Comissão Europeia em reforçar o diálogo com a Igreja Católica, em matéria de política social.
Para o arcebispo de Luxemburgo, D. Jean-Claude Hollerich, “a Europa tem de se afirmar novamente como uma comunidade de solidariedade”.
“A sobrevivência do projeto europeu depende disso”, disse aquele responsável.
Outro tema que dominou a assembleia geral da COMECE foi a questão das migrações, com os bispos católicos a renovarem o seu apelo para a implementação de um sistema de asilo comum a toda a UE e sustentado por todos os Estados-membros.
«Europa tem de voltar a afirmar-se como comunidade de solidariedade», diz a Comissão dos Episcopados do Velho Continente
Bruxelas, 28 out 2016 (Ecclesia) - A Comissão dos Episcopados Católicos da União Europeia (COMECE), da qual Portugal faz parte, concluiu hoje a sua assembleia plenária com um alerta a favor dos “mais pobres” do Velho Continente.
Nas conclusões do encontro, enviadas à Agência ECCLESIA, aquele organismo salientam que cerca de “119 milhões de europeus, quase um quarto da população no território, vivem hoje com o risco da pobreza e da exclusão social”.
Para o cardeal Reinhard Marx, presidente da COMECE, “o apoio aos mais pobres tem que ser prioridade para a Igreja Católica”, bem como para as instituições em Bruxelas e os Estados-membros.
O responsável católico recorda que “o projeto europeu” partiu da premissa de “dar a todos na comunidade a possibilidade de viver em paz e prosperidade”.
Algo que “ainda não foi atingido mas é o principal desígnio da União Europeia”, acrescenta o prelado alemão.
A assembleia plenária da COMECE incluiu contactos com a Cáritas Europa, com representante da Comissão Europeia e com as autoridades locais.
Estas conversações vão ter como resultado prático um documento a ser lançado em breve, com propostas da Igreja Católica no âmbito da dignidade da pessoa humana, para que esta seja colocada no centro das medidas políticas de combate à pobreza.
Os 28 bispos que compõem a COMECE - Portugal é representado no organismo por D. Manuel Clemente - atestaram também a vontade da Comissão Europeia em reforçar o diálogo com a Igreja Católica, em matéria de política social.
Para o arcebispo de Luxemburgo, D. Jean-Claude Hollerich, “a Europa tem de se afirmar novamente como uma comunidade de solidariedade”.
“A sobrevivência do projeto europeu depende disso”, disse aquele responsável.
Outro tema que dominou a assembleia geral da COMECE foi a questão das migrações, com os bispos católicos a renovarem o seu apelo para a implementação de um sistema de asilo comum a toda a UE e sustentado por todos os Estados-membros.
"Pobreza está a aumentar" na região do Porto, alerta autarca de Valongo
in Notícias ao Minuto
O presidente da Câmara de Valongo alertou hoje o Conselho Metropolitano do Porto (CmP) para o facto de "o fenómeno da pobreza estar a aumentar" na região, defendendo a criação de uma estratégia para o combater.
Na resposta, o presidente da Câmara da Póvoa de Varzim, Aires Pereira (PSD), desabafou com um "quem diria".
"A alteração da política, a redistribuição de rendimentos não está a surtir efeitos", acrescentou Aires Pereira.
Admitindo que sozinho não consegue combater o fenómeno da pobreza que "está a aumentar por todo o lado", José Manuel Ribeiro disse que a questão "põe em xeque o esforço" dos autarcas e "destrói a confiança que a cidadania tem nos seus eleitos".
O social-democrata da Póvoa registou o alerta do colega de Valongo adiantando que "ou o rendimento não está a chegar às pessoas ou é só uma ficção que se está a criar".
"Ou há alguma coisa q ue não está bem na redistribuição", concluiu, aludindo ao Orçamento do Estado para 2017 da responsabilidade do Governo do PS, que conta com o apoio do BE.
O presidente da Câmara de Santo Tirso, Joaquim Couto (PS), chamou a atenção para a existência de "políticas nacionais e municipais" para combater a pobreza e pediu à comissão executiva do CmP para fazer uma "grelha" das respostas existentes em cada um dos 17 municípios e a nível nacional.
Depois desse levantamento feito, disse Joaquim Couto, será possível "discutir eventuais medidas a tomar" na AMP para combater a pobreza.
No anterior mandato, a AMP teve um Programa Metropolitano de Emergência Social, que visou contribuir para a promoção da inserção e da coesão social de pessoas e de grupos mais vulneráveis.
O presidente da Câmara de Valongo alertou hoje o Conselho Metropolitano do Porto (CmP) para o facto de "o fenómeno da pobreza estar a aumentar" na região, defendendo a criação de uma estratégia para o combater.
Na resposta, o presidente da Câmara da Póvoa de Varzim, Aires Pereira (PSD), desabafou com um "quem diria".
"A alteração da política, a redistribuição de rendimentos não está a surtir efeitos", acrescentou Aires Pereira.
Admitindo que sozinho não consegue combater o fenómeno da pobreza que "está a aumentar por todo o lado", José Manuel Ribeiro disse que a questão "põe em xeque o esforço" dos autarcas e "destrói a confiança que a cidadania tem nos seus eleitos".
O social-democrata da Póvoa registou o alerta do colega de Valongo adiantando que "ou o rendimento não está a chegar às pessoas ou é só uma ficção que se está a criar".
"Ou há alguma coisa q ue não está bem na redistribuição", concluiu, aludindo ao Orçamento do Estado para 2017 da responsabilidade do Governo do PS, que conta com o apoio do BE.
O presidente da Câmara de Santo Tirso, Joaquim Couto (PS), chamou a atenção para a existência de "políticas nacionais e municipais" para combater a pobreza e pediu à comissão executiva do CmP para fazer uma "grelha" das respostas existentes em cada um dos 17 municípios e a nível nacional.
Depois desse levantamento feito, disse Joaquim Couto, será possível "discutir eventuais medidas a tomar" na AMP para combater a pobreza.
No anterior mandato, a AMP teve um Programa Metropolitano de Emergência Social, que visou contribuir para a promoção da inserção e da coesão social de pessoas e de grupos mais vulneráveis.
VÍDEO: Para erradicar a pobreza extrema até 2030, precisamos lutar contra a desigualdade
in ONUBR
O mundo avançou muito na redução da pobreza extrema: quase 1,1 bilhão de pessoas saíram da pobreza extrema desde 1990. Ainda assim, aproximadamente 800 milhões de pessoas vivem com menos de 1,90 dólar por dia. Reduzir a desigualdade é um componente chave para levar o crescimento até os mais pobres e melhorar a vida de milhões de pessoas. Confira neste vídeo do Banco Mundial.
O mundo avançou muito na redução da pobreza extrema: quase 1,1 bilhão de pessoas saíram da pobreza extrema desde 1990. Ainda assim, aproximadamente 800 milhões de pessoas vivem com menos de 1,90 dólar por dia. Reduzir a desigualdade é um componente chave para levar o crescimento até os mais pobres e melhorar a vida de milhões de pessoas. Confira neste vídeo do Banco Mundial.
A pobreza será uma fatalidade?
Texto Eduardo Santos, in Fátima Missionária
Portugal está entre os nove países com taxa de pobreza mais alta. Quase um em cada cinco portugueses estava, em 2014, em risco de pobreza (19,5%), de acordo com dados divulgados recentemente pelo Eurostat
A propósito do Dia Internacional para a Erradicação da Pobreza, que ocorreu no passado dia 17, o gabinete oficial de estatísticas da União Europeia (UE) - o Eurostat, divulgou os dados comparativos da pobreza no espaço europeu. Em síntese este documento indica que 119 milhões de cidadãos europeus ainda vivem em risco de pobreza ou de exclusão social. Em 2014 eram 122 milhões, correspondentes a 24,4% da população do velho Continente.
Verifica-se que a Roménia é o país onde maior número de pessoas está em risco de pobreza (25,4%), seguindo-se a Letónia (22,5%), a Lituânia (22,2%), a Espanha (22,1%), a Bulgária (22%), a Estónia (21,6%), a Grécia (21,4%), a Itália (19,9%) e, por fim, Portugal (19,5%).
No nosso país quase um em cada cinco portugueses estava, em 2014, em risco de pobreza (19,5%). Recordamos que a média da UE é de 17,3%. Apesar da ligeira melhoria em 2015, Portugal continua acima da média europeia.
A percentagem da população em risco de pobreza mostra o peso das famílias que em cada país vive com rendimentos abaixo do que está definido como sendo o limiar de pobreza (422 euros mensais, em Portugal). Se ao risco de pobreza se somar o risco de exclusão social, a população portuguesa afectada situa-se nos 26,6% — um pouco acima dos 23,7% da média observada para a UE. O Eurostat nota, a propósito desta média europeia, que depois de vários anos a subir, ela iguala a média de 23,7% registada em 2008.
Em Portugal, o risco de pobreza ou exclusão social afecta mais as mulheres (27,3%) que os homens (25,9%); e as crianças e jovens até aos 18 anos (29,6%) mais do que os maiores de 65 anos (21,7%). Abrange 60,5% dos desempregados, mas também 14,8% dos adultos portugueses que trabalham. Os agregados familiares com crianças estão mais expostos a este risco do que aqueles que apenas têm adultos: 27,1% para 26,1%.
Na globalidade 2,76 milhões de portugueses vivem em risco de pobreza depois das prestações sociais, em severa privação material ou quando pertencentes a agregados familiares com intensidade de trabalho muito baixa. Mesmo assim, a percentagem referente a 2015 é mais baixa do que os 27,5% no ano anterior.
A realidade portuguesa é alarmante e Vieira da Silva, ministro do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social, reconhece isso mesmo ao dizer que Portugal tem «demasiada pobreza», situação que é «urgente» mudar, sendo a «maior prioridade» o combate à pobreza infantil. Numa mensagem, o ministro afirma que «a pobreza muitas vezes quer dizer guerra», «refugiados», «idosos abandonados» e «crianças sem apoio» e «quase sempre quer dizer desemprego» e «tantas vezes quer dizer desigualdade».
«Erradicar a pobreza tem de ser a ambição maior da nossa sociedade, tem de ser a ambição maior das nossas gerações», disse Vieira da Silva, numa mensagem divulgada no «youtube» e no «twitter» oficial do governo e do ministério, para assinalar o Dia Internacional Para a Erradicação da Pobreza.
Ou seja, a radiografia da pobreza em Portugal está feita com objectividade, agora o que é necessário é atacar o problema com seriedade e diminuir o seu impacto na sociedade, já que muito dificilmente será possível erradica-la, como todos desejaríamos.
Portugal está entre os nove países com taxa de pobreza mais alta. Quase um em cada cinco portugueses estava, em 2014, em risco de pobreza (19,5%), de acordo com dados divulgados recentemente pelo Eurostat
A propósito do Dia Internacional para a Erradicação da Pobreza, que ocorreu no passado dia 17, o gabinete oficial de estatísticas da União Europeia (UE) - o Eurostat, divulgou os dados comparativos da pobreza no espaço europeu. Em síntese este documento indica que 119 milhões de cidadãos europeus ainda vivem em risco de pobreza ou de exclusão social. Em 2014 eram 122 milhões, correspondentes a 24,4% da população do velho Continente.
Verifica-se que a Roménia é o país onde maior número de pessoas está em risco de pobreza (25,4%), seguindo-se a Letónia (22,5%), a Lituânia (22,2%), a Espanha (22,1%), a Bulgária (22%), a Estónia (21,6%), a Grécia (21,4%), a Itália (19,9%) e, por fim, Portugal (19,5%).
No nosso país quase um em cada cinco portugueses estava, em 2014, em risco de pobreza (19,5%). Recordamos que a média da UE é de 17,3%. Apesar da ligeira melhoria em 2015, Portugal continua acima da média europeia.
A percentagem da população em risco de pobreza mostra o peso das famílias que em cada país vive com rendimentos abaixo do que está definido como sendo o limiar de pobreza (422 euros mensais, em Portugal). Se ao risco de pobreza se somar o risco de exclusão social, a população portuguesa afectada situa-se nos 26,6% — um pouco acima dos 23,7% da média observada para a UE. O Eurostat nota, a propósito desta média europeia, que depois de vários anos a subir, ela iguala a média de 23,7% registada em 2008.
Em Portugal, o risco de pobreza ou exclusão social afecta mais as mulheres (27,3%) que os homens (25,9%); e as crianças e jovens até aos 18 anos (29,6%) mais do que os maiores de 65 anos (21,7%). Abrange 60,5% dos desempregados, mas também 14,8% dos adultos portugueses que trabalham. Os agregados familiares com crianças estão mais expostos a este risco do que aqueles que apenas têm adultos: 27,1% para 26,1%.
Na globalidade 2,76 milhões de portugueses vivem em risco de pobreza depois das prestações sociais, em severa privação material ou quando pertencentes a agregados familiares com intensidade de trabalho muito baixa. Mesmo assim, a percentagem referente a 2015 é mais baixa do que os 27,5% no ano anterior.
A realidade portuguesa é alarmante e Vieira da Silva, ministro do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social, reconhece isso mesmo ao dizer que Portugal tem «demasiada pobreza», situação que é «urgente» mudar, sendo a «maior prioridade» o combate à pobreza infantil. Numa mensagem, o ministro afirma que «a pobreza muitas vezes quer dizer guerra», «refugiados», «idosos abandonados» e «crianças sem apoio» e «quase sempre quer dizer desemprego» e «tantas vezes quer dizer desigualdade».
«Erradicar a pobreza tem de ser a ambição maior da nossa sociedade, tem de ser a ambição maior das nossas gerações», disse Vieira da Silva, numa mensagem divulgada no «youtube» e no «twitter» oficial do governo e do ministério, para assinalar o Dia Internacional Para a Erradicação da Pobreza.
Ou seja, a radiografia da pobreza em Portugal está feita com objectividade, agora o que é necessário é atacar o problema com seriedade e diminuir o seu impacto na sociedade, já que muito dificilmente será possível erradica-la, como todos desejaríamos.
Terras de Bouro: Projeto Bem Envelhecer III proporciona atividade
in Correio do Minho
No âmbito do Projeto Bem Envelhecer III, várias instituições de Terras de Bouro e os restantes parceiros do projeto, contando ainda com colaboração ativa do Município de Terras de Bouro, participaram numa atividade em Vieira do Minho, dinamizada pelo município local, em colaboração com a Santa Casa da Misericórdia de Vieira do Minho.
No dia 26 de Outubro e após a receção do grupo na Casa Museu Adelino Ângelo, decorreu na Casa de Lamas, também em Vieira do Minho, uma atividade intitulada 'Histórias Musicadas”. O tema de partida para estas “Histórias Musicadas” foi a narrativa de amor entre a Laurindinha e o José, ao qual assistiram cerca de 80 idosos.
É de salientar que a realização destas iniciativas, que desta vez contou, inclusive, com um diálogo com crianças sobre como
era a sua escola antigamente, visa a promoção do envelhecimento ativo e da qualidade de vida dos idosos, inscrevendo-se num quadro de prevenção das perdas físicas, sociais e cognitivas associadas ao processo de envelhecimento.
Instituições participantes na atividade: ADCL; SC Misericórdia Vieira do Minho; Centro Social Paroquial de Cervães; Centro Social e Paroquial de S. Victor; Fraterna; SCM Póvoa de Lanhoso; Centro Social e Paroquial de Cibões, Centro de Solidariedade Social de Chorense, Centro Social de Rio Caldo,Centro Social e Paroquial de Souto, Centro Social de Moimenta, Centro Social de Vilar, Centro Social de Vilar da Veiga, Centro Social e Paroquial de Covide, Município de Terras de Bouro, Casa do Povo de Vale do Cávado, EAPN Portugal,
No âmbito do Projeto Bem Envelhecer III, várias instituições de Terras de Bouro e os restantes parceiros do projeto, contando ainda com colaboração ativa do Município de Terras de Bouro, participaram numa atividade em Vieira do Minho, dinamizada pelo município local, em colaboração com a Santa Casa da Misericórdia de Vieira do Minho.
No dia 26 de Outubro e após a receção do grupo na Casa Museu Adelino Ângelo, decorreu na Casa de Lamas, também em Vieira do Minho, uma atividade intitulada 'Histórias Musicadas”. O tema de partida para estas “Histórias Musicadas” foi a narrativa de amor entre a Laurindinha e o José, ao qual assistiram cerca de 80 idosos.
É de salientar que a realização destas iniciativas, que desta vez contou, inclusive, com um diálogo com crianças sobre como
era a sua escola antigamente, visa a promoção do envelhecimento ativo e da qualidade de vida dos idosos, inscrevendo-se num quadro de prevenção das perdas físicas, sociais e cognitivas associadas ao processo de envelhecimento.
Instituições participantes na atividade: ADCL; SC Misericórdia Vieira do Minho; Centro Social Paroquial de Cervães; Centro Social e Paroquial de S. Victor; Fraterna; SCM Póvoa de Lanhoso; Centro Social e Paroquial de Cibões, Centro de Solidariedade Social de Chorense, Centro Social de Rio Caldo,Centro Social e Paroquial de Souto, Centro Social de Moimenta, Centro Social de Vilar, Centro Social de Vilar da Veiga, Centro Social e Paroquial de Covide, Município de Terras de Bouro, Casa do Povo de Vale do Cávado, EAPN Portugal,
Denúncia dos sindicatos. Há 90 mil empregados clandestinos na restauração
Diogo Ferreira Nunes, in Jornal de Notícias
Patrões dizem que há falta de mão-de-obra especializada, que está a impedir abertura de novos espaços. Trabalhadores queixam-se da falta de condições de trabalho e de salários baixos, ao nível do salário mínimo nacional
Há 90 mil trabalhadores clandestinos nos cafés, pastelarias e restaurantes em Portugal. A denúncia é feita ao DN/Dinheiro Vivo pelo Sindicato da Hotelaria do Norte, que adianta que este fenómeno ajuda a explicar a diminuição do desemprego neste setor. Os responsáveis da área da restauração defendem, pelo contrário, que há falta de mão--de-obra especializada.
"Há muitos restaurantes que recorrem ao trabalho informal e que não descontam para a Segurança Social. Há 90 mil trabalhadores clandestinos nos cafés, pastelarias e restaurantes. Representam 30% da força de trabalho no setor", adianta Francisco Figueiredo.
Para este dirigente, "muita da diminuição do desemprego está a ser feita à conta desta situação". António Baião, dirigente do Sindicato da Hotelaria e Restauração do Centro, acusa "muitos empresários de querem obter lucro ao fim de um ou dois anos e, para isso, cortam nos custos e condições de trabalho".
Os números do Instituto de Emprego e Formação Profissional (IEFP) confirmam este cenário. Numa consulta feita aos números registados a partir de julho (pós-regresso do IVA para 13%), nota-se uma descida no desemprego no final de cada um dos meses na comparação com o período homólogo de 2015. Por exemplo, no final de setembro havia 33 290 pessoas sem trabalho na área da restauração, menos 8,4% do que no mesmo período do ano passado (36 339).
Só que as queixas dos sindicatos não ficam por aqui. "De acordo com o contrato coletivo de trabalho atualizado neste ano, um empregado de mesa ou de balcão ganha entre 530 e 542 euros, pouco acima do salário mínimo. Só trabalha no setor quem não tem alternativa", refere Francisco Figueiredo, que denuncia ainda que "há vários grupos económicos que descontam para a Segurança Social apenas 20 horas de trabalho quando pagam 40 horas aos trabalhadores para não levantar suspeitas às Finanças".
António Baião fala sobre a falta de condições dos estagiários. "Muitos jovens sentem que o primeiro embate com a realidade é negativo: os estágios não são respeitados, não há descanso semanal e muitos estão a substituir trabalhadores em vez de aprenderem mais com eles. Ganham abaixo do salário mínimo."
Os responsáveis da área da restauração têm outra visão e sustentam que há falta de mão-de-obra no setor, situação que impede a abertura de novos espaços. "Há restaurantes que não estão a abrir por falta de mão-de-obra especializada. Já falámos com várias entidades para criarmos uma plataforma para promover o emprego na área da restauração", diz Daniel Serra, presidente da Associação para a Defesa, Promoção e Inovação dos Restaurantes de Portugal (Pro.Var).
Rodrigo Pinto Barros, presidente da Associação Portuguesa de Hotelaria, Restauração e Turismo (APHORT), indica que, "sobretudo nos restaurantes integrados nos hotéis, é muito difícil encontrar alguém com o perfil pretendido".
Este facto explica a diminuição, em 20%, das ofertas de emprego junto do IEFP ao longo do mês de setembro. Ainda assim, uma descida menos acentuada do que as verificadas em agosto (-43,7%) e em julho (-26,2%).
Patrões usam menos o IEFP
Os restaurantes estão a recorrer cada vez menos aos desempregados inscritos no Instituto de Emprego e Formação Profissional (IEFP). O caso é contado por Rodrigo Pinto Barros, presidente da Associação Portuguesa de Hotelaria, Restauração e Turismo (APHORT).
"O setor não vai ao IEFP preencher postos de trabalho. Muitas vezes, os currículos são entregues diretamente aos patrões", refere o líder da APHORT.
Do lado dos trabalhadores, Francisco Figueiredo, dirigente do Sindicato da Hotelaria do Norte, admite que "há falta de formação profissional" neste setor.
Patrões dizem que há falta de mão-de-obra especializada, que está a impedir abertura de novos espaços. Trabalhadores queixam-se da falta de condições de trabalho e de salários baixos, ao nível do salário mínimo nacional
Há 90 mil trabalhadores clandestinos nos cafés, pastelarias e restaurantes em Portugal. A denúncia é feita ao DN/Dinheiro Vivo pelo Sindicato da Hotelaria do Norte, que adianta que este fenómeno ajuda a explicar a diminuição do desemprego neste setor. Os responsáveis da área da restauração defendem, pelo contrário, que há falta de mão--de-obra especializada.
"Há muitos restaurantes que recorrem ao trabalho informal e que não descontam para a Segurança Social. Há 90 mil trabalhadores clandestinos nos cafés, pastelarias e restaurantes. Representam 30% da força de trabalho no setor", adianta Francisco Figueiredo.
Para este dirigente, "muita da diminuição do desemprego está a ser feita à conta desta situação". António Baião, dirigente do Sindicato da Hotelaria e Restauração do Centro, acusa "muitos empresários de querem obter lucro ao fim de um ou dois anos e, para isso, cortam nos custos e condições de trabalho".
Os números do Instituto de Emprego e Formação Profissional (IEFP) confirmam este cenário. Numa consulta feita aos números registados a partir de julho (pós-regresso do IVA para 13%), nota-se uma descida no desemprego no final de cada um dos meses na comparação com o período homólogo de 2015. Por exemplo, no final de setembro havia 33 290 pessoas sem trabalho na área da restauração, menos 8,4% do que no mesmo período do ano passado (36 339).
Só que as queixas dos sindicatos não ficam por aqui. "De acordo com o contrato coletivo de trabalho atualizado neste ano, um empregado de mesa ou de balcão ganha entre 530 e 542 euros, pouco acima do salário mínimo. Só trabalha no setor quem não tem alternativa", refere Francisco Figueiredo, que denuncia ainda que "há vários grupos económicos que descontam para a Segurança Social apenas 20 horas de trabalho quando pagam 40 horas aos trabalhadores para não levantar suspeitas às Finanças".
António Baião fala sobre a falta de condições dos estagiários. "Muitos jovens sentem que o primeiro embate com a realidade é negativo: os estágios não são respeitados, não há descanso semanal e muitos estão a substituir trabalhadores em vez de aprenderem mais com eles. Ganham abaixo do salário mínimo."
Os responsáveis da área da restauração têm outra visão e sustentam que há falta de mão-de-obra no setor, situação que impede a abertura de novos espaços. "Há restaurantes que não estão a abrir por falta de mão-de-obra especializada. Já falámos com várias entidades para criarmos uma plataforma para promover o emprego na área da restauração", diz Daniel Serra, presidente da Associação para a Defesa, Promoção e Inovação dos Restaurantes de Portugal (Pro.Var).
Rodrigo Pinto Barros, presidente da Associação Portuguesa de Hotelaria, Restauração e Turismo (APHORT), indica que, "sobretudo nos restaurantes integrados nos hotéis, é muito difícil encontrar alguém com o perfil pretendido".
Este facto explica a diminuição, em 20%, das ofertas de emprego junto do IEFP ao longo do mês de setembro. Ainda assim, uma descida menos acentuada do que as verificadas em agosto (-43,7%) e em julho (-26,2%).
Patrões usam menos o IEFP
Os restaurantes estão a recorrer cada vez menos aos desempregados inscritos no Instituto de Emprego e Formação Profissional (IEFP). O caso é contado por Rodrigo Pinto Barros, presidente da Associação Portuguesa de Hotelaria, Restauração e Turismo (APHORT).
"O setor não vai ao IEFP preencher postos de trabalho. Muitas vezes, os currículos são entregues diretamente aos patrões", refere o líder da APHORT.
Do lado dos trabalhadores, Francisco Figueiredo, dirigente do Sindicato da Hotelaria do Norte, admite que "há falta de formação profissional" neste setor.
Desemprego recuou em Beja
in Rádio Pax
No concelho de Beja estavam inscritos no Centro de Emprego, em Setembro passado, 1 716 indivíduos.
Os serviços contabilizaram menos 126 desempregados do que em Setembro do ano passado. Os dados do Instituto de Emprego e Formação Profissional (IEFP) indicam que face ao mês anterior (Agosto) inscreveram-se menos 56 pessoas.
No mês de Setembro o desemprego atingia no concelho de Beja 796 homens e 920 mulheres. Do total de desempregados, 872 não tinham trabalho há mais de um ano. O desemprego verificava-se sobretudo no grupo etário dos 35 aos 54 anos em indivíduos com o ensino secundário.
O número de desempregados inscritos em Setembro passado nos Centros de Emprego do Alentejo caiu 6% face a período homólogo.
Os dados do Instituto indicam uma queda do desemprego em todas as regiões do país. O Alentejo somava 23 mil 290 desempregados.
Comparativamente com o mês anterior (Agosto), o desemprego desceu na região 0,3%.
No concelho de Beja estavam inscritos no Centro de Emprego, em Setembro passado, 1 716 indivíduos.
Os serviços contabilizaram menos 126 desempregados do que em Setembro do ano passado. Os dados do Instituto de Emprego e Formação Profissional (IEFP) indicam que face ao mês anterior (Agosto) inscreveram-se menos 56 pessoas.
No mês de Setembro o desemprego atingia no concelho de Beja 796 homens e 920 mulheres. Do total de desempregados, 872 não tinham trabalho há mais de um ano. O desemprego verificava-se sobretudo no grupo etário dos 35 aos 54 anos em indivíduos com o ensino secundário.
O número de desempregados inscritos em Setembro passado nos Centros de Emprego do Alentejo caiu 6% face a período homólogo.
Os dados do Instituto indicam uma queda do desemprego em todas as regiões do país. O Alentejo somava 23 mil 290 desempregados.
Comparativamente com o mês anterior (Agosto), o desemprego desceu na região 0,3%.
Acolhimento de refugiados para evitar a despovoação
Silvia Burlacu, in Jornal de Notícias
Pequenos municípios do sul da Itália estão a oferecer-se para acolher migrantes, tentando, assim, repovoar as áreas rurais e prevenir o envelhecimento.
O pequeno município de Camini, com 737 habitantes em 2011, de acordo com os censos, recebeu 90 refugiados e está a espera de mais 30. Os políticos do município da província de Reggio Calabria, no sul da Itália, tentam travar a despovoação da cidade acolhendo famílias vindos do outro lado do Mediterrâneo.
Uma das medidas tomadas neste município foi a reabilitação de casas do centro histórico da cidade, abandonado há décadas, permitindo, assim, o acolhimento dos migrantes, de acordo com o diário espanhol "El País". Segundo o presidente da câmara, Giuseppe Alfarano, homens e mulheres que escaparam da morte devolveram a vida ao município. No Parlamento Europeu afirmou que "sem eles, Camini seria uma cidade fantasma".
Este não é o único caso. A cerca de 200 quilómetros de Camini, ainda em Calabria, a população de uma outra comuna italiana, Acquaformosa, defende que a presença de refugiados ajudaria a prevenir o envelhecimento da área rural. Tem cerca de mil habitantes e recebeu cem refugiados. O presidente da câmara, Giovanni Manoccio, disse que a chegada dos requerentes de asilo revitalizaram o município.
Até na Grécia, há lugares onde acontece o mesmo. María Kamma, presidente da câmara da ilha de Tilo, situada a 600 quilómetros de Lesbos, disse que podia receber alguns refugiados. As autoridades gregas perguntaram-lhe, porém, como uma ilha com 500 habitantes poderia acolher migrantes. Apesar disso, semanas depois, a população de Tilo cresceu. Dez famílias desembarcaram na ilha. "Há milhares de municípios na Grécia e na Europa. Não acredito que cada um deles não possa acolher alguns refugiados e resolver assim a crise", defendeu Kamma.
A coordenação entre município foi uma das ideias que o presidente de Lesbos, um dos lugares que mais migrantes tem recebido, defendeu no Parlamento Europeu. Spyros Galinos afirmou que muitos municípios querem participar mas que as autoridades nacionais não facilitam a tarefa.
Pequenos municípios do sul da Itália estão a oferecer-se para acolher migrantes, tentando, assim, repovoar as áreas rurais e prevenir o envelhecimento.
O pequeno município de Camini, com 737 habitantes em 2011, de acordo com os censos, recebeu 90 refugiados e está a espera de mais 30. Os políticos do município da província de Reggio Calabria, no sul da Itália, tentam travar a despovoação da cidade acolhendo famílias vindos do outro lado do Mediterrâneo.
Uma das medidas tomadas neste município foi a reabilitação de casas do centro histórico da cidade, abandonado há décadas, permitindo, assim, o acolhimento dos migrantes, de acordo com o diário espanhol "El País". Segundo o presidente da câmara, Giuseppe Alfarano, homens e mulheres que escaparam da morte devolveram a vida ao município. No Parlamento Europeu afirmou que "sem eles, Camini seria uma cidade fantasma".
Este não é o único caso. A cerca de 200 quilómetros de Camini, ainda em Calabria, a população de uma outra comuna italiana, Acquaformosa, defende que a presença de refugiados ajudaria a prevenir o envelhecimento da área rural. Tem cerca de mil habitantes e recebeu cem refugiados. O presidente da câmara, Giovanni Manoccio, disse que a chegada dos requerentes de asilo revitalizaram o município.
Até na Grécia, há lugares onde acontece o mesmo. María Kamma, presidente da câmara da ilha de Tilo, situada a 600 quilómetros de Lesbos, disse que podia receber alguns refugiados. As autoridades gregas perguntaram-lhe, porém, como uma ilha com 500 habitantes poderia acolher migrantes. Apesar disso, semanas depois, a população de Tilo cresceu. Dez famílias desembarcaram na ilha. "Há milhares de municípios na Grécia e na Europa. Não acredito que cada um deles não possa acolher alguns refugiados e resolver assim a crise", defendeu Kamma.
A coordenação entre município foi uma das ideias que o presidente de Lesbos, um dos lugares que mais migrantes tem recebido, defendeu no Parlamento Europeu. Spyros Galinos afirmou que muitos municípios querem participar mas que as autoridades nacionais não facilitam a tarefa.
Filhos de imigrantes têm mais formação do que portugueses
Dina Margato, in Jornal de Notícias
A formação dos imigrantes de segunda geração supera a dos cidadãos portugueses, revelou, na quinta-feira, o Eurostat.
Portugal faz parte do grupo de países onde a instrução dos estrangeiros descendentes é mais elevada do que a dos nacionais, no caso, considerando a população entre os 25 e os 54 anos.
Portugal, Chipre, Malta, Hungria, Reino Unido e Itália são os países onde a segunda geração de imigrantes possui níveis superiores de formação em comparação com os locais. No lado contrário estão Bélgica, Luxemburgo, entre outros.
Em Portugal, 45,2% dos filhos de imigrantes tiveram acesso ao ensino universitário, uma percentagem que quase duplica em relação aos nativos, fixada nos 23%. Repare-se que mesmo em comparação com a primeira geração, os portugueses apresentam níveis de escolaridade inferiores (23% contra 29,4%).
A taxa de empregabilidade também se revela acima para a segunda geração de imigrantes mas aqui a subida mostra-se pouca acentuada face aos nacionais: 78,3% (imigrantes) e 77,8% (portugueses).
O último relatório do Serviço de Estrangeiros e Fronteiras (SEF) indica que se consolidou a queda de estrangeiros residentes em Portugal, situando-se agora em 388.731 cidadãos com visto de residência válido (decréscimo de 1,6%).
Apesar da diminuição, os brasileiros ainda são a principal comunidade estrangeira a viver em Portugal (mais de 82 mil. Eram 87 mil). Seguem-se os imigrantes de Cabo verde, Ucrânia, Roménia, China e Angola.
A formação dos imigrantes de segunda geração supera a dos cidadãos portugueses, revelou, na quinta-feira, o Eurostat.
Portugal faz parte do grupo de países onde a instrução dos estrangeiros descendentes é mais elevada do que a dos nacionais, no caso, considerando a população entre os 25 e os 54 anos.
Portugal, Chipre, Malta, Hungria, Reino Unido e Itália são os países onde a segunda geração de imigrantes possui níveis superiores de formação em comparação com os locais. No lado contrário estão Bélgica, Luxemburgo, entre outros.
Em Portugal, 45,2% dos filhos de imigrantes tiveram acesso ao ensino universitário, uma percentagem que quase duplica em relação aos nativos, fixada nos 23%. Repare-se que mesmo em comparação com a primeira geração, os portugueses apresentam níveis de escolaridade inferiores (23% contra 29,4%).
A taxa de empregabilidade também se revela acima para a segunda geração de imigrantes mas aqui a subida mostra-se pouca acentuada face aos nacionais: 78,3% (imigrantes) e 77,8% (portugueses).
O último relatório do Serviço de Estrangeiros e Fronteiras (SEF) indica que se consolidou a queda de estrangeiros residentes em Portugal, situando-se agora em 388.731 cidadãos com visto de residência válido (decréscimo de 1,6%).
Apesar da diminuição, os brasileiros ainda são a principal comunidade estrangeira a viver em Portugal (mais de 82 mil. Eram 87 mil). Seguem-se os imigrantes de Cabo verde, Ucrânia, Roménia, China e Angola.
Refugiados. Portugal prepara rede de acolhimento a menores desacompanhados
in RR
O tema vai estar em debate na quinta-feira, numa conferência organizada pela Confederação Nacional das Instituições de Solidariedade (CNIS).
É cada vez maior o número de menores não acompanhados que chegam à Europa no contexto da crise dos refugiados. A Confederação Nacional das Instituições de Solidariedade (CNIS) considera, por isso, importante chamar a atenção para esta realidade.
“Em Itália, sabemos que estão a chegar cada vez em maior número, a cada dia. Na Grécia, sabemos também que o sistema está de tal forma saturado, que muitas destas crianças estão a ficar em centros de detenção, porque já não há equipamentos de trânsito em que estes menores possam ser acolhidos e muito menos estruturas feitas de raiz a pensar nisto. Em Calais, é aquilo de que se tem falado nos últimos dias, sabemos como a situação está. Portanto, seja ao nível da primeira linha de acolhimento ou não seja, a situação está problemática para estas crianças”, sustenta Ana Rodrigues, consultora jurídica da CNIS
A preocupação coloca-se no risco a que estão sujeitos estes menores não acompanhados, pois, provavelmente, estamos a falar “de um menor que já foi alvo de exploração por parte dos passadores que o trouxeram para a Europa”, adianta a responsável, em declarações à Renascença.
Falar-se de um menor desacompanhado “é falar-se de alguém que porventura é muito mais susceptível de ser apanhado numa rede de tráfico de pessoas, seja para fins de trabalho forçado, exploração sexual, laboral, mendicidade ou quaisquer outros fins”, acrescenta Ana Rodrigues.
Portugal tem já preparada uma rede de acolhimento para um primeiro grupo de menores refugiados.
“Temos um modelo que tem estado a ser trabalhado em parceria com algumas instituições associadas da CNIS, que têm possibilidade de acolher estes menores. É uma rede que poderá estar em expansão”, diz a consultora da confederação, acrescentando que “neste momento estamos prontos para receber, a breve trecho, as primeiras crianças”.
Ana Rodrigues adianta ainda à Renascença que o primeiro grupo deve ser constituído por dezenas de crianças, mas o número será alargado. O modelo de acolhimento visa a institucionalização dos menores.
Para discutir soluções para o futuro dessas crianças que chegam à Europa sozinhas, realiza-se no Porto, no próximo dia 3, uma conferência organizada pela CNIS.
O tema vai estar em debate na quinta-feira, numa conferência organizada pela Confederação Nacional das Instituições de Solidariedade (CNIS).
É cada vez maior o número de menores não acompanhados que chegam à Europa no contexto da crise dos refugiados. A Confederação Nacional das Instituições de Solidariedade (CNIS) considera, por isso, importante chamar a atenção para esta realidade.
“Em Itália, sabemos que estão a chegar cada vez em maior número, a cada dia. Na Grécia, sabemos também que o sistema está de tal forma saturado, que muitas destas crianças estão a ficar em centros de detenção, porque já não há equipamentos de trânsito em que estes menores possam ser acolhidos e muito menos estruturas feitas de raiz a pensar nisto. Em Calais, é aquilo de que se tem falado nos últimos dias, sabemos como a situação está. Portanto, seja ao nível da primeira linha de acolhimento ou não seja, a situação está problemática para estas crianças”, sustenta Ana Rodrigues, consultora jurídica da CNIS
A preocupação coloca-se no risco a que estão sujeitos estes menores não acompanhados, pois, provavelmente, estamos a falar “de um menor que já foi alvo de exploração por parte dos passadores que o trouxeram para a Europa”, adianta a responsável, em declarações à Renascença.
Falar-se de um menor desacompanhado “é falar-se de alguém que porventura é muito mais susceptível de ser apanhado numa rede de tráfico de pessoas, seja para fins de trabalho forçado, exploração sexual, laboral, mendicidade ou quaisquer outros fins”, acrescenta Ana Rodrigues.
Portugal tem já preparada uma rede de acolhimento para um primeiro grupo de menores refugiados.
“Temos um modelo que tem estado a ser trabalhado em parceria com algumas instituições associadas da CNIS, que têm possibilidade de acolher estes menores. É uma rede que poderá estar em expansão”, diz a consultora da confederação, acrescentando que “neste momento estamos prontos para receber, a breve trecho, as primeiras crianças”.
Ana Rodrigues adianta ainda à Renascença que o primeiro grupo deve ser constituído por dezenas de crianças, mas o número será alargado. O modelo de acolhimento visa a institucionalização dos menores.
Para discutir soluções para o futuro dessas crianças que chegam à Europa sozinhas, realiza-se no Porto, no próximo dia 3, uma conferência organizada pela CNIS.
Um refugiado, uma solução
Texto de João Pavão, in Público on-line (P3)
Bem sei que o cepticismo existe — na nossa sociedade — em relação às novas culturas e sobretudo em relação aos imigrantes/refugiados, mas com pequenos passos e pequenas palavras cada refugiado pode ser uma solução
"Tenho 23 anos e fui obrigado a abandonar a minha querida terra, assim como a minha região, porque rebentou uma guerra. Toda a gente quer o poder mas, ao mesmo tempo, ninguém o quer. Lutamos muitas vezes por algo sem substância. Não sei se são interesses, se são negócios, mas perdi a minha família e os meus amigos. Só ainda não perdi a vontade de sonhar. Mas sinto que posso ser útil."
O parágrafo anterior podia ser a nossa história, podia ser a nossa realidade, podia ser a nossa dor. Ainda bem que não temos guerras civis e religiosas no nosso país e que podemos continuar a sonhar. Todavia, existem nos milhares de refugiados pessoas com sonhos e bastante inteligentes que podem ajudar a nosso país a evoluir cultural e demograficamente. Bem sei que o cepticismo existe — na nossa sociedade — em relação às novas culturas e sobretudo em relação aos imigrantes/refugiados, mas com pequenos passos e pequenas palavras cada refugiado pode ser uma solução.
Verifiquei, quer por motivos profissionais quer pessoais, que existe por parte do Alto Comissariado para as Migrações uma vontade enorme em acolher os novos imigrantes e tornar o nosso país um pólo migrante — e que isso possa trazer benefícios culturais, demográficos e económicos para o nosso território. Para as regiões do interior, este programa de "captação" de imigrantes pode ser uma plataforma que contribua para o impulso demográfico de cada concelho. Para o efeito, "basta" capacitar as instituições locais — em cooperação com os órgãos nacionais — de uma visão holística e capacitada onde seja possível implementar estratégias de formação às famílias nas seguinte componentes: na língua e cultura portuguesa; sobre aspectos jurídicos pessoais; sobre empreendedorismo e inovação.
Obviamente que isto não é um plano a curto prazo e necessita ainda de uma forte investida por parte dos órgãos nacionais e europeus em convencer as estruturais locais, incluindo as autarquias, de uma visão positiva e de um plano verdadeiramente acolhedores e inclusivos para o refugiado.
Em suma, o nosso país tem capacidade humana e profissional para saber integrar e para, posteriormente, dotar os refugiados de capacidades que melhorem a região onde estão inseridos. A estratégia será sempre: um refugiado, uma solução. Muitas vezes o problema somos nós.
Bem sei que o cepticismo existe — na nossa sociedade — em relação às novas culturas e sobretudo em relação aos imigrantes/refugiados, mas com pequenos passos e pequenas palavras cada refugiado pode ser uma solução
"Tenho 23 anos e fui obrigado a abandonar a minha querida terra, assim como a minha região, porque rebentou uma guerra. Toda a gente quer o poder mas, ao mesmo tempo, ninguém o quer. Lutamos muitas vezes por algo sem substância. Não sei se são interesses, se são negócios, mas perdi a minha família e os meus amigos. Só ainda não perdi a vontade de sonhar. Mas sinto que posso ser útil."
O parágrafo anterior podia ser a nossa história, podia ser a nossa realidade, podia ser a nossa dor. Ainda bem que não temos guerras civis e religiosas no nosso país e que podemos continuar a sonhar. Todavia, existem nos milhares de refugiados pessoas com sonhos e bastante inteligentes que podem ajudar a nosso país a evoluir cultural e demograficamente. Bem sei que o cepticismo existe — na nossa sociedade — em relação às novas culturas e sobretudo em relação aos imigrantes/refugiados, mas com pequenos passos e pequenas palavras cada refugiado pode ser uma solução.
Verifiquei, quer por motivos profissionais quer pessoais, que existe por parte do Alto Comissariado para as Migrações uma vontade enorme em acolher os novos imigrantes e tornar o nosso país um pólo migrante — e que isso possa trazer benefícios culturais, demográficos e económicos para o nosso território. Para as regiões do interior, este programa de "captação" de imigrantes pode ser uma plataforma que contribua para o impulso demográfico de cada concelho. Para o efeito, "basta" capacitar as instituições locais — em cooperação com os órgãos nacionais — de uma visão holística e capacitada onde seja possível implementar estratégias de formação às famílias nas seguinte componentes: na língua e cultura portuguesa; sobre aspectos jurídicos pessoais; sobre empreendedorismo e inovação.
Obviamente que isto não é um plano a curto prazo e necessita ainda de uma forte investida por parte dos órgãos nacionais e europeus em convencer as estruturais locais, incluindo as autarquias, de uma visão positiva e de um plano verdadeiramente acolhedores e inclusivos para o refugiado.
Em suma, o nosso país tem capacidade humana e profissional para saber integrar e para, posteriormente, dotar os refugiados de capacidades que melhorem a região onde estão inseridos. A estratégia será sempre: um refugiado, uma solução. Muitas vezes o problema somos nós.
Familiares dos funcionários públicos vão pagar para ter ADSE
Raquel Martins, in Público on-line
Medida está prevista no diploma que cria o instituto da ADSE. Beneficiários e sindicatos participam na gestão do subsistema de saúde.
Os familiares dos funcionários públicos que queiram beneficiar da ADSE vão passar a pagar uma contribuição, ao contrário do que acontece actualmente. No decreto-lei que cria o instituto público da ADSE, a que o PÚBLICO teve acesso, o Governo alarga o leque de receitas que alimentam o subsistema de saúde da função pública, passando a contar com as contribuições dos familiares dos trabalhadores do Estado e com as prestações de serviços realizadas pela ADSE para outras entidades públicas.
Assim, além dos descontos dos trabalhadores e dos aposentados do Estado, passam a ser receitas do instituto as contribuições "dos familiares dos trabalhadores das administrações públicas, beneficiários do sistema de saúde ADSE”. Isto significa que os cônjuges, filhos ou pais (desde que a cargo do beneficiário titular) dos funcionários públicos, que agora têm acesso à ADSE sem fazerem qualquer desconto adicional, passam a pagar para poderem aceder aos cuidados de saúde comparticipados.
A forma como a contribuição se vai aplicar, o seu valor e o universo abrangido não é revelado no decreto-lei e deverá ser definido posteriormente num diploma próprio.
Ao contrário do que são as pretensões dos sindicatos, não consta na lista das receitas a contribuição das entidades empregadoras, pelo que a ADSE continuará a ser alimentada exclusivamente pelo desconto de 3,5% exigido aos beneficiários titulares (funcionários e aposentados do Estado).
Ainda no campo das receitas, a proposta que está em cima da mesa responde a uma das recomendações do Tribunal de Contas (TdC), e a ADSE passará a cobrar pelos serviços que presta a outras entidades públicas. Numa auditoria de 2015, o TdC alertava que havia um conjunto de despesas no valor de 40 milhões de euros que estavam a ser financiados pelos beneficiários e que deviam ser um encargo do Orçamento do Estado. Entre elas estava a verificação domiciliária da doença e a realização de juntas médicas a pedido das entidades empregadoras.
O decreto-lei, que deverá ser colocado em discussão pública nos próximos dias, cria o instituto público da ADSE e prevê que os beneficiários participem nos seus órgãos de gestão. O conselho directivo do novo instituto terá um presidente e dois vogais, um dos quais será indicado pelos representantes dos beneficiários, dos sindicatos e das associações de reformados.
A ADSE terá ainda um conselho geral e de supervisão, que irá participar na definição das linhas gerais de actuação do sistema, que contará com cinco representantes dos beneficiários titulares, que serão eleitos por sufrágio universal e directo, três representantes dos sindicatos da função pública e um membro da associação mais representativa dos aposentados e reformados. São estes representantes que indicam a pessoa que deve ocupar o lugar de vogal da direcção.
Este conselho terá poderes acrescidos, sendo chamado a dar parecer sobre os objectivos estratégicos da ADSE e sobre as medidas apresentadas pela direcção para assegurar a sustentabilidade do sistema.
Na introdução do diploma, o Governo justifica porque optou por não transformar a ADSE numa associação mutualista, como propunha a comissão que estudou o novo modelo de gestão do sistema. “Atendendo ao número de titulares e beneficiários da ADSE (…), à utilidade pública que é reconhecida à ADSE (…) a necessidade de promover a confiança dos associados bem como assegurar a continuidades das suas actividades, julga-se oportuna uma transição gradual, criando o instituto público da ADSE”, refere.
Tal como já tinha sido anunciado, a tutela da ADSE volta a ser partilhada entre a Saúde e as Finanças.
Medida está prevista no diploma que cria o instituto da ADSE. Beneficiários e sindicatos participam na gestão do subsistema de saúde.
Os familiares dos funcionários públicos que queiram beneficiar da ADSE vão passar a pagar uma contribuição, ao contrário do que acontece actualmente. No decreto-lei que cria o instituto público da ADSE, a que o PÚBLICO teve acesso, o Governo alarga o leque de receitas que alimentam o subsistema de saúde da função pública, passando a contar com as contribuições dos familiares dos trabalhadores do Estado e com as prestações de serviços realizadas pela ADSE para outras entidades públicas.
Assim, além dos descontos dos trabalhadores e dos aposentados do Estado, passam a ser receitas do instituto as contribuições "dos familiares dos trabalhadores das administrações públicas, beneficiários do sistema de saúde ADSE”. Isto significa que os cônjuges, filhos ou pais (desde que a cargo do beneficiário titular) dos funcionários públicos, que agora têm acesso à ADSE sem fazerem qualquer desconto adicional, passam a pagar para poderem aceder aos cuidados de saúde comparticipados.
A forma como a contribuição se vai aplicar, o seu valor e o universo abrangido não é revelado no decreto-lei e deverá ser definido posteriormente num diploma próprio.
Ao contrário do que são as pretensões dos sindicatos, não consta na lista das receitas a contribuição das entidades empregadoras, pelo que a ADSE continuará a ser alimentada exclusivamente pelo desconto de 3,5% exigido aos beneficiários titulares (funcionários e aposentados do Estado).
Ainda no campo das receitas, a proposta que está em cima da mesa responde a uma das recomendações do Tribunal de Contas (TdC), e a ADSE passará a cobrar pelos serviços que presta a outras entidades públicas. Numa auditoria de 2015, o TdC alertava que havia um conjunto de despesas no valor de 40 milhões de euros que estavam a ser financiados pelos beneficiários e que deviam ser um encargo do Orçamento do Estado. Entre elas estava a verificação domiciliária da doença e a realização de juntas médicas a pedido das entidades empregadoras.
O decreto-lei, que deverá ser colocado em discussão pública nos próximos dias, cria o instituto público da ADSE e prevê que os beneficiários participem nos seus órgãos de gestão. O conselho directivo do novo instituto terá um presidente e dois vogais, um dos quais será indicado pelos representantes dos beneficiários, dos sindicatos e das associações de reformados.
A ADSE terá ainda um conselho geral e de supervisão, que irá participar na definição das linhas gerais de actuação do sistema, que contará com cinco representantes dos beneficiários titulares, que serão eleitos por sufrágio universal e directo, três representantes dos sindicatos da função pública e um membro da associação mais representativa dos aposentados e reformados. São estes representantes que indicam a pessoa que deve ocupar o lugar de vogal da direcção.
Este conselho terá poderes acrescidos, sendo chamado a dar parecer sobre os objectivos estratégicos da ADSE e sobre as medidas apresentadas pela direcção para assegurar a sustentabilidade do sistema.
Na introdução do diploma, o Governo justifica porque optou por não transformar a ADSE numa associação mutualista, como propunha a comissão que estudou o novo modelo de gestão do sistema. “Atendendo ao número de titulares e beneficiários da ADSE (…), à utilidade pública que é reconhecida à ADSE (…) a necessidade de promover a confiança dos associados bem como assegurar a continuidades das suas actividades, julga-se oportuna uma transição gradual, criando o instituto público da ADSE”, refere.
Tal como já tinha sido anunciado, a tutela da ADSE volta a ser partilhada entre a Saúde e as Finanças.
Portugueses estão a emigrar menos, mas saldo migratório continua negativo
Natália Faria, in Público on-line
Apesar de haver menos portugueses a sair e mais imigrantes a entrar, o saldo migratório continua negativo pelo quinto ano consecutivo, segundo o INE.
O número de emigrantes diminuiu 18,5% em 2015 face ao ano anterior. O Instituto Nacional de Estatística (INE) estima que, no ano passado, tenham saído de Portugal 40.377 pessoas para residir e trabalhar no estrangeiro por pelo menos um ano (49.572 em 2014). No reverso desta medalha, o país está a atrair mais gente, estimando-se que, no ano passado, tenham entrado 29.896 pessoas, num aumento de 53,2%, face a 2014.
Apesar desta inversão de tendências, o saldo migratório continua a apresentar um valor negativo, pelo quinto ano consecutivo, ainda que menos acentuado: menos 10.481, em 2015, contra os menos 30.956 do ano anterior. O saldo entre os que saem e os que entram agrava-se substancialmente, se, à coluna dos que saem, somarmos os emigrantes temporários, ou seja, que vão para o estrangeiro por mais de três meses e menos de um ano: foram 60.826 em 2015. Somados aos emigrantes permanentes, elevam para 101.203 os residentes em Portugal que em 2015 saíram do país para viver e trabalhar no estrangeiro.
Mas mesmo na emigração temporária a comparação entre 2014 e 2015 aponta para uma diminuição de 28,5% (tinham saído 85.052, em 2014), o que não acontecia pelo menos desde 2011.
Entre os emigrantes que saem do país por mais de um ano, o retrato-tipo é o de um homem, em idade activa, com o 9.º ano de escolaridade. O INE precisa que 66% dos emigrantes permanentes foram homens, 94% estavam em idade activa e 43% tinham como nível de escolaridade completo no máximo o 3.º ciclo do ensino básico, contra os 30% que levavam na mala um canudo do ensino superior. No caso dos temporários, a percentagem dos que têm formação universitária reduz-se para 22%.
Num e noutro caso, mais de metade (68% nos permanentes e 63% nos temporários) tinham como destino um país da União Europeia.
Quanto aos que entraram no país, 51% eram homens, 81% estavam em idade activa, 55% residiam anteriormente num país da União Europeia, 43% nasceram em Portugal e 50% tinham nacionalidade portuguesa. Refira-se que o INE inclui na categoria "imigrantes" aqueles que, mesmo sendo portugueses, regressaram ao país após terem permanecido lá fora por um período de um ano ou mais.
Em termos de tendências, o decréscimo da emigração e o aumento da imigração não bastaram para inverter o decréscimo da população residente em Portugal. Mesmo se considerarmos ainda o ligeiro aumento da natalidade para os 85.500 bebés em 2015, o que não acontecia desde 2010, os óbitos continuaram a aumentar e a uma velocidade muito maior. Em 2015, morreram 108.511 pessoas, pelo que o saldo natural continuou negativo em 23.011 indivíduos.
No resultado final, a 31 de Dezembro de 2015, a população residente em Portugal foi estimada em 10.341.330 pessoas, ou seja, menos 33.492 do que em 2014, o que representa uma taxa de crescimento efectivo de -0,32%.
Apesar de haver menos portugueses a sair e mais imigrantes a entrar, o saldo migratório continua negativo pelo quinto ano consecutivo, segundo o INE.
O número de emigrantes diminuiu 18,5% em 2015 face ao ano anterior. O Instituto Nacional de Estatística (INE) estima que, no ano passado, tenham saído de Portugal 40.377 pessoas para residir e trabalhar no estrangeiro por pelo menos um ano (49.572 em 2014). No reverso desta medalha, o país está a atrair mais gente, estimando-se que, no ano passado, tenham entrado 29.896 pessoas, num aumento de 53,2%, face a 2014.
Apesar desta inversão de tendências, o saldo migratório continua a apresentar um valor negativo, pelo quinto ano consecutivo, ainda que menos acentuado: menos 10.481, em 2015, contra os menos 30.956 do ano anterior. O saldo entre os que saem e os que entram agrava-se substancialmente, se, à coluna dos que saem, somarmos os emigrantes temporários, ou seja, que vão para o estrangeiro por mais de três meses e menos de um ano: foram 60.826 em 2015. Somados aos emigrantes permanentes, elevam para 101.203 os residentes em Portugal que em 2015 saíram do país para viver e trabalhar no estrangeiro.
Mas mesmo na emigração temporária a comparação entre 2014 e 2015 aponta para uma diminuição de 28,5% (tinham saído 85.052, em 2014), o que não acontecia pelo menos desde 2011.
Entre os emigrantes que saem do país por mais de um ano, o retrato-tipo é o de um homem, em idade activa, com o 9.º ano de escolaridade. O INE precisa que 66% dos emigrantes permanentes foram homens, 94% estavam em idade activa e 43% tinham como nível de escolaridade completo no máximo o 3.º ciclo do ensino básico, contra os 30% que levavam na mala um canudo do ensino superior. No caso dos temporários, a percentagem dos que têm formação universitária reduz-se para 22%.
Num e noutro caso, mais de metade (68% nos permanentes e 63% nos temporários) tinham como destino um país da União Europeia.
Quanto aos que entraram no país, 51% eram homens, 81% estavam em idade activa, 55% residiam anteriormente num país da União Europeia, 43% nasceram em Portugal e 50% tinham nacionalidade portuguesa. Refira-se que o INE inclui na categoria "imigrantes" aqueles que, mesmo sendo portugueses, regressaram ao país após terem permanecido lá fora por um período de um ano ou mais.
Em termos de tendências, o decréscimo da emigração e o aumento da imigração não bastaram para inverter o decréscimo da população residente em Portugal. Mesmo se considerarmos ainda o ligeiro aumento da natalidade para os 85.500 bebés em 2015, o que não acontecia desde 2010, os óbitos continuaram a aumentar e a uma velocidade muito maior. Em 2015, morreram 108.511 pessoas, pelo que o saldo natural continuou negativo em 23.011 indivíduos.
No resultado final, a 31 de Dezembro de 2015, a população residente em Portugal foi estimada em 10.341.330 pessoas, ou seja, menos 33.492 do que em 2014, o que representa uma taxa de crescimento efectivo de -0,32%.
15 mil portugueses regressaram. E há menos gente a deixar o país
Céu Neves, in Diário de Notícias
Menos emigrantes e mais imigrantes, o que é positivo para a evolução da população portuguesa. Apesar disso, é difícil nas próximas décadas inverter a tendência de diminuição de residentes no país. Saldo continua negativo
Trinta mil pessoas quiseram vir morar para Portugal no ano passado e 15 mil são portugueses que regressaram. Ao mesmo tempo, há menos habitantes a deixar o país, dizem os dados demográficas do Instituto Nacional de Estatística (INE), ontem divulgados. O que demonstra, segundo os demógrafos, que há uma nova esperança relativamente à situação económica.
As estatísticas demográficas sublinham o decréscimo de emigrantes (ver infografia), bem como o crescimento da imigração. E indicam o perfil destes 29 896 novos residentes: "51% eram homens; 50% tinham nacionalidade portuguesa; 43% nasceram em Portugal; 55% residiam anteriormente num país da UE; 81% estavam em idade ativa." É que, explica o gabinete de comunicação do INE, imigrante permanente é a "pessoa (nacional ou estrangeira) que entrou no país com a intenção de aqui permanecer por um ou mais anos, tendo residido no estrangeiro por um período contínuo igual ou superior a um ano. E, em 2014, também metade dos que entraram tinham a nacionalidade portuguesa, só que no ano passado vieram mais.
"Há sempre uma parte dos portugueses que regressa, sempre houve alguma rotação. O mercado de trabalho dos emigrantes está marcado por uma certa temporalidade. As pessoas têm um contrato de trabalho de um, dois , três anos e regressam porque, apesar de tudo, têm aqui uma boa base social", justifica Jorge Malheiros, geógrafo especialista em migrações.
Há estrangeiros que, depois de voltar ao seu país, regressaram e fixaram-se em Portugal
E há também estrangeiros que voltaram às origens e que acabaram por se fixar de novo em Portugal, o que é confirmado pelos responsáveis da Casa do Brasil. Anderson Silva, 27 anos, jardineiro, é um desses casos. Deixou o Espírito Santo, no Brasil, tinha 17 anos, para estudar em Lisboa. A vida trocou--lhe as voltas, um problema de equivalências com o qual não contava, e voltou-se para o trabalho. Até que conheceu a mulher, brasileira do mesmo estado, casaram-se e decidiram retornar, até para conhecer as respetivas famílias. Isto em 2013.
"Estive dois anos no Brasil, nunca cheguei a pensar ficar definitivamente, a minha mulher até se chateava. Mas vim para cá com 17 anos, tenho cá os meus amigos, já não me adaptei ao Brasil, até o calor me fazia confusão", conta Anderson.
O jovem tinha aqui tirado a carta de condução e foi motorista no seu país, a mulher também encontrou trabalho, tiveram uma filha. Nada disso evitou o regresso da família a Portugal, no ano passado. Anderson voltou para o mesmo patrão que tinha na zona de Torres Vedras, o que também com a mulher. Tentam, agora, obter uma nova autorização de residência.
Menos saem e mais casam
No ano passado, 40 377 pessoas deixaram Portugal de forma permanente e 530 não eram portugueses, mas aqui viveram mais de um ano. A estes juntam-se 60 826 que emigraram por um período inferior a um ano, os temporários. Em ambos os casos, o número de saídas não só é inferior ao de 2014, como em relação aos três anos anteriores, regressando aos valores de 2011. Mas não se regista a mesma diminuição no grupo etário dos 25 aos 34 anos, que teve um ligeiro aumento.
Outro dado demográfico positivo é o aumento da taxa de natalidade, invertendo a tendência de diminuição, mas também aumentaram as mortes, o que significa que o saldo natural é negativo.
Jorge Malheiros realça alguma inversão no que poderia indiciar um cenário demográfico catastrófico, não se cumprindo as estimativas de que seremos menos de sete milhões daqui a 50 anos. Ainda assim, as melhorias não chegam para evitar que a população portuguesa continue a diminuir nas próximas duas décadas. Aparentemente, essa quebra será mais lenta e até poderá estabilizar. E isto, sublinha Jorge Malheiros, "se conseguirmos melhorar a situação económica e ter uma maior capacidade de atração migratória, porque só assim conseguiremos aumentar a população". O geógrafo acrescenta que as estatísticas do INE demonstram "um ganhar de uma esperança. Há uma perceção da realidade para melhor do que há dois anos, as pessoas têm um pouco mais de crença no futuro do país".
E há mais pessoas a querer dar o nó, mais 915 em 2015 do que em 2014, um pequeno acréscimo - tanto os civis como os católicos -, e que também vai contra a tendência desde 2013, com as uniões oficializadas sempre a diminuir. O que não vai contra a tendência é a idade média do casamento, que continua a subir, acima dos 33 anos. E casaram-se 350 pessoas do mesmo sexo, ligeiramente mais do que em 2014 (308).
E mantêm-se os valores relativos à esperança de vida, acima dos 80 anos, já que as projeções são para o triénio 2013-2015. E se na idade média do casamento eles casam-se mais tarde do que elas, já no que diz respeito à morte elas têm maior longevidade.
Menos emigrantes e mais imigrantes, o que é positivo para a evolução da população portuguesa. Apesar disso, é difícil nas próximas décadas inverter a tendência de diminuição de residentes no país. Saldo continua negativo
Trinta mil pessoas quiseram vir morar para Portugal no ano passado e 15 mil são portugueses que regressaram. Ao mesmo tempo, há menos habitantes a deixar o país, dizem os dados demográficas do Instituto Nacional de Estatística (INE), ontem divulgados. O que demonstra, segundo os demógrafos, que há uma nova esperança relativamente à situação económica.
As estatísticas demográficas sublinham o decréscimo de emigrantes (ver infografia), bem como o crescimento da imigração. E indicam o perfil destes 29 896 novos residentes: "51% eram homens; 50% tinham nacionalidade portuguesa; 43% nasceram em Portugal; 55% residiam anteriormente num país da UE; 81% estavam em idade ativa." É que, explica o gabinete de comunicação do INE, imigrante permanente é a "pessoa (nacional ou estrangeira) que entrou no país com a intenção de aqui permanecer por um ou mais anos, tendo residido no estrangeiro por um período contínuo igual ou superior a um ano. E, em 2014, também metade dos que entraram tinham a nacionalidade portuguesa, só que no ano passado vieram mais.
"Há sempre uma parte dos portugueses que regressa, sempre houve alguma rotação. O mercado de trabalho dos emigrantes está marcado por uma certa temporalidade. As pessoas têm um contrato de trabalho de um, dois , três anos e regressam porque, apesar de tudo, têm aqui uma boa base social", justifica Jorge Malheiros, geógrafo especialista em migrações.
Há estrangeiros que, depois de voltar ao seu país, regressaram e fixaram-se em Portugal
E há também estrangeiros que voltaram às origens e que acabaram por se fixar de novo em Portugal, o que é confirmado pelos responsáveis da Casa do Brasil. Anderson Silva, 27 anos, jardineiro, é um desses casos. Deixou o Espírito Santo, no Brasil, tinha 17 anos, para estudar em Lisboa. A vida trocou--lhe as voltas, um problema de equivalências com o qual não contava, e voltou-se para o trabalho. Até que conheceu a mulher, brasileira do mesmo estado, casaram-se e decidiram retornar, até para conhecer as respetivas famílias. Isto em 2013.
"Estive dois anos no Brasil, nunca cheguei a pensar ficar definitivamente, a minha mulher até se chateava. Mas vim para cá com 17 anos, tenho cá os meus amigos, já não me adaptei ao Brasil, até o calor me fazia confusão", conta Anderson.
O jovem tinha aqui tirado a carta de condução e foi motorista no seu país, a mulher também encontrou trabalho, tiveram uma filha. Nada disso evitou o regresso da família a Portugal, no ano passado. Anderson voltou para o mesmo patrão que tinha na zona de Torres Vedras, o que também com a mulher. Tentam, agora, obter uma nova autorização de residência.
Menos saem e mais casam
No ano passado, 40 377 pessoas deixaram Portugal de forma permanente e 530 não eram portugueses, mas aqui viveram mais de um ano. A estes juntam-se 60 826 que emigraram por um período inferior a um ano, os temporários. Em ambos os casos, o número de saídas não só é inferior ao de 2014, como em relação aos três anos anteriores, regressando aos valores de 2011. Mas não se regista a mesma diminuição no grupo etário dos 25 aos 34 anos, que teve um ligeiro aumento.
Outro dado demográfico positivo é o aumento da taxa de natalidade, invertendo a tendência de diminuição, mas também aumentaram as mortes, o que significa que o saldo natural é negativo.
Jorge Malheiros realça alguma inversão no que poderia indiciar um cenário demográfico catastrófico, não se cumprindo as estimativas de que seremos menos de sete milhões daqui a 50 anos. Ainda assim, as melhorias não chegam para evitar que a população portuguesa continue a diminuir nas próximas duas décadas. Aparentemente, essa quebra será mais lenta e até poderá estabilizar. E isto, sublinha Jorge Malheiros, "se conseguirmos melhorar a situação económica e ter uma maior capacidade de atração migratória, porque só assim conseguiremos aumentar a população". O geógrafo acrescenta que as estatísticas do INE demonstram "um ganhar de uma esperança. Há uma perceção da realidade para melhor do que há dois anos, as pessoas têm um pouco mais de crença no futuro do país".
E há mais pessoas a querer dar o nó, mais 915 em 2015 do que em 2014, um pequeno acréscimo - tanto os civis como os católicos -, e que também vai contra a tendência desde 2013, com as uniões oficializadas sempre a diminuir. O que não vai contra a tendência é a idade média do casamento, que continua a subir, acima dos 33 anos. E casaram-se 350 pessoas do mesmo sexo, ligeiramente mais do que em 2014 (308).
E mantêm-se os valores relativos à esperança de vida, acima dos 80 anos, já que as projeções são para o triénio 2013-2015. E se na idade média do casamento eles casam-se mais tarde do que elas, já no que diz respeito à morte elas têm maior longevidade.
Mais imigrantes em Portugal em 2015, menos emigrantes
in SicNotícias
Portugal acolheu, o ano passado, 29.896 imigrantes, mais 53,2% face ao anterior, mas viu partir 40.377 portugueses para residir estrangeiro, menos 18,5% do que em 2014, segundo estimativas do Instituto Nacional de Estatísticas (INE) hoje divulgadas.
Apesar de se ter observado, a nível dos movimentos migratórios, "uma recuperação do saldo", este permaneceu negativo (menos 10.481), porque "o número de imigrantes continuou a ser inferior ao de emigrantes", refere o INE nas Estatísticas Demográficas 2015.
Traçando a situação demográfica em Portugal, o INE afirma que "continua a caracterizar-se pelo decréscimo da população residente, apesar do aumento da natalidade e da imigração, e do decréscimo da emigração".
Assim, em 2015, a população residente em Portugal foi estimada em 10.341.330 pessoas, menos 33.492 do que em 2014, o que representa uma taxa de crescimento efetivo de menos 0,32%, quando no ano anterior tinha sido de menos 50%.
"Manteve-se assim a tendência de decréscimo populacional que se vem verificando desde 2010, apesar de se ter atenuado nos dois últimos anos", sublinha o INE.
Pela primeira vez em seis anos, registou-se "um ligeiro aumento" do número de nascimentos (85.500 face a 82.367 de 2014), mas "foi insuficiente" para compensar o número de óbitos, que se situou nos 108.511, mais 3,5% do que em 2014 (104.843), razão pela qual o saldo natural foi negativo (-23.011).
Segundo o Instituto Nacional de Estatística, mais de metade (50,7%) dos bebés nasceu "fora do casamento".
Os dados indicam também uma recuperação ligeira, pelo segundo ano consecutivo, do índice sintético de fecundidade, que foi de 1,30 filhos por mulher (1,23 em 2014).
Já a esperança de vida à nascença foi estimada em 80,41 anos, para o triénio 2013-2015, e continua a ser superior nas mulheres (83,23 anos, face a 77,36 nos homens).
Pelo segundo ano consecutivo o índice sintético de fecundidade recuperou ligeiramente, sendo de 1,30 filhos por mulher, refere o INE, sublinhado se se mantém "a tendência de adiamento da idade à maternidade".
De acordo com os dados, a idade média da mulher ao nascimento do primeiro filho foi de 30,2 anos e a idade média da mulher ao nascimento de um filho foi de 31,7 anos (30,0 anos e 31,5 anos, respetivamente, em 2014).
A taxa bruta de mortalidade foi de 10,5%, valor ligeiramente superior ao de 2014 (10,1%). Já a taxa de mortalidade infantil foi de 2,9 óbitos por mil nados vivos, semelhante ao valor registado em 2014.
A maioria (70,5%) das pessoas que morreu no ano passado tinha 75 ou mais anos (69,5%, em 2014).
Relativamente ao número de casamentos, o INE refere que, pela primeira vez, desde 2010 se registou um aumento, totalizando 32.393 matrimónios, mais 915 do que em 2014.
Já a idade média ao casamento continuou a aumentar, situando-se em 36,3 anos para os homens e 33,8 anos para as mulheres (35,8 anos e 33,3 anos, respetivamente, em 2014).
Lusa
Portugal acolheu, o ano passado, 29.896 imigrantes, mais 53,2% face ao anterior, mas viu partir 40.377 portugueses para residir estrangeiro, menos 18,5% do que em 2014, segundo estimativas do Instituto Nacional de Estatísticas (INE) hoje divulgadas.
Apesar de se ter observado, a nível dos movimentos migratórios, "uma recuperação do saldo", este permaneceu negativo (menos 10.481), porque "o número de imigrantes continuou a ser inferior ao de emigrantes", refere o INE nas Estatísticas Demográficas 2015.
Traçando a situação demográfica em Portugal, o INE afirma que "continua a caracterizar-se pelo decréscimo da população residente, apesar do aumento da natalidade e da imigração, e do decréscimo da emigração".
Assim, em 2015, a população residente em Portugal foi estimada em 10.341.330 pessoas, menos 33.492 do que em 2014, o que representa uma taxa de crescimento efetivo de menos 0,32%, quando no ano anterior tinha sido de menos 50%.
"Manteve-se assim a tendência de decréscimo populacional que se vem verificando desde 2010, apesar de se ter atenuado nos dois últimos anos", sublinha o INE.
Pela primeira vez em seis anos, registou-se "um ligeiro aumento" do número de nascimentos (85.500 face a 82.367 de 2014), mas "foi insuficiente" para compensar o número de óbitos, que se situou nos 108.511, mais 3,5% do que em 2014 (104.843), razão pela qual o saldo natural foi negativo (-23.011).
Segundo o Instituto Nacional de Estatística, mais de metade (50,7%) dos bebés nasceu "fora do casamento".
Os dados indicam também uma recuperação ligeira, pelo segundo ano consecutivo, do índice sintético de fecundidade, que foi de 1,30 filhos por mulher (1,23 em 2014).
Já a esperança de vida à nascença foi estimada em 80,41 anos, para o triénio 2013-2015, e continua a ser superior nas mulheres (83,23 anos, face a 77,36 nos homens).
Pelo segundo ano consecutivo o índice sintético de fecundidade recuperou ligeiramente, sendo de 1,30 filhos por mulher, refere o INE, sublinhado se se mantém "a tendência de adiamento da idade à maternidade".
De acordo com os dados, a idade média da mulher ao nascimento do primeiro filho foi de 30,2 anos e a idade média da mulher ao nascimento de um filho foi de 31,7 anos (30,0 anos e 31,5 anos, respetivamente, em 2014).
A taxa bruta de mortalidade foi de 10,5%, valor ligeiramente superior ao de 2014 (10,1%). Já a taxa de mortalidade infantil foi de 2,9 óbitos por mil nados vivos, semelhante ao valor registado em 2014.
A maioria (70,5%) das pessoas que morreu no ano passado tinha 75 ou mais anos (69,5%, em 2014).
Relativamente ao número de casamentos, o INE refere que, pela primeira vez, desde 2010 se registou um aumento, totalizando 32.393 matrimónios, mais 915 do que em 2014.
Já a idade média ao casamento continuou a aumentar, situando-se em 36,3 anos para os homens e 33,8 anos para as mulheres (35,8 anos e 33,3 anos, respetivamente, em 2014).
Lusa
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