in Jornal de Notícias
Um octogenário da localidade da Póvoa, Vila Real, está a ceder os seus terrenos, que já não consegue trabalhar, de forma gratuita para quem queira tratar de uma vinha ou plantar uma horta.
Porque já não se sente com forças para granjear as terras, mas não as quer ver ao abandono, colocou o anúncio num jornal regional: "Cede-se terreno a título gracioso".
E, em duas semanas, o idoso foi contactado por muitas pessoas e cedeu três terrenos dos cinco que possui na aldeia da Póvoa. Cada propriedade possui cerca de um hectare.
Felisberto Varela não quer vender as propriedades de onde tirou o sustento toda a sua vida, mas também não os quer deixar ver abandonados.
"Custa-me pensar que eles podem ficar a monte", afirmou o octogenário.
E depois, segundo acrescentou, esta medida pretende também ajudar os que, nesta altura de crise, se lamentam de não terem um pedaço de terra para cultivar. Ou seja, ajudar a quem queira plantar uma horta para ajudar nas despesas com a alimentação.
Por isso, para aqueles que precisam de um "pedacinho de terra" para se dedicar a culturas, como por exemplo batatas, feijões ou couves, a cedência é gratuita.
Felisberto Varela apenas pede uma contrapartida a quem quiser tratar das suas propriedades já com vinha, nomeadamente, que paguem a poda, que já foi feita, e deem mais uma contribuição para suportar as despesas legais da produção.
A Câmara de Vila Real anunciou em outubro de 2010 um projeto, que ainda não foi implementado, com vista à criação de hortas urbanas, na zona do Parque Corgo, para ceder a famílias carenciadas.
O espaço, cuja gestão será entregue à população, contará com uma área de 2.700 metros quadrados e será cedido a um total de 26 famílias, que poderão usufruir dos vários produtos hortícolas que ali poderão cultivar.
Do projeto das hortas urbanas faz parte a criação de um acesso pedonal e de infraestruturas de apoio, nomeadamente água canalizada para a rega das hortas.
14.2.13
Programa "Impulso Jovem" alarga-se a Lisboa e Vale do tejo
in Jornal de Notícias
As alterações que visam tornar mais abrangente o programa para promover a empregabilidade "Impulso Jovem" foram, esta quarta-feira, publicadas em Diário de República e vão entrar em vigor quinta-feira. Nas alterações publicadas, destaca-se o alargamento do programa à região de Lisboa e Vale do Tejo.
De acordo com fonte do gabinete do ministro adjunto e dos assuntos parlamentares, as alterações publicadas representam "um novo impulso para o Impulso Jovem".
"As alterações a algumas medidas do Plano Estratégico Impulso Jovem visam alargar ainda mais o número de destinatários, em que se destaca a abrangência da região de Lisboa e Vale do Tejo, procurando, assim, contrariar a tendência de aumento do desemprego entre os mais jovens", diz um comunicado emitido pelo gabinete do ministro Miguel Relvas, que coordena o programa.
O Impulso Jovem, destinado a promover a empregabilidade de jovens desempregados entre os 18 e os 30 anos, foi aprovado pelo Governo a 14 de junho e desenvolve-se em torno de três eixos: estágios profissionais, apoio à contratação e empreendedorismo e apoios ao investimento.
Entre as alterações publicadas esta quarta-feira, nomeadamente no âmbito dos Estágios Passaporte Emprego, consta o alargamento do programa à região de Lisboa e Vale do Tejo com verbas do orçamento do Instituto de Emprego e Formação Profissional (IEFP).
O alargamento da duração dos estágios de seis meses para 12 meses, a adesão a estágios de acesso a profissões regulamentadas por ordens profissionais e o alargamento da medida Passaporte Emprego Economia Social às autarquias locais são outras das alterações que vão entrar em vigor.
No âmbito do apoio à contratação de jovens por via do reembolso das contribuições para a segurança social, vai ser reduzido de 12 para seis meses o prazo de inscrição prévia dos jovens nos centros de emprego.
O Impulso Jovem tem como meta abranger cerca de 90 mil jovens desempregados.
De acordo com o documento de avaliação do programa distribuído aos parceiros sociais em meados de janeiro, no âmbito da VI reunião de acompanhamento do Impulso Jovem, tinham sido registadas 3387 candidaturas, e tinham sido abrangidos pelas medidas de empregabilidade 1356 jovens.
O mesmo documento refere que cerca de 40% dos jovens colocados em postos de trabalho no âmbito de medidas de Apoio à Contratação correspondem a contratos de trabalho por tempo indeterminado.
As alterações que visam tornar mais abrangente o programa para promover a empregabilidade "Impulso Jovem" foram, esta quarta-feira, publicadas em Diário de República e vão entrar em vigor quinta-feira. Nas alterações publicadas, destaca-se o alargamento do programa à região de Lisboa e Vale do Tejo.
De acordo com fonte do gabinete do ministro adjunto e dos assuntos parlamentares, as alterações publicadas representam "um novo impulso para o Impulso Jovem".
"As alterações a algumas medidas do Plano Estratégico Impulso Jovem visam alargar ainda mais o número de destinatários, em que se destaca a abrangência da região de Lisboa e Vale do Tejo, procurando, assim, contrariar a tendência de aumento do desemprego entre os mais jovens", diz um comunicado emitido pelo gabinete do ministro Miguel Relvas, que coordena o programa.
O Impulso Jovem, destinado a promover a empregabilidade de jovens desempregados entre os 18 e os 30 anos, foi aprovado pelo Governo a 14 de junho e desenvolve-se em torno de três eixos: estágios profissionais, apoio à contratação e empreendedorismo e apoios ao investimento.
Entre as alterações publicadas esta quarta-feira, nomeadamente no âmbito dos Estágios Passaporte Emprego, consta o alargamento do programa à região de Lisboa e Vale do Tejo com verbas do orçamento do Instituto de Emprego e Formação Profissional (IEFP).
O alargamento da duração dos estágios de seis meses para 12 meses, a adesão a estágios de acesso a profissões regulamentadas por ordens profissionais e o alargamento da medida Passaporte Emprego Economia Social às autarquias locais são outras das alterações que vão entrar em vigor.
No âmbito do apoio à contratação de jovens por via do reembolso das contribuições para a segurança social, vai ser reduzido de 12 para seis meses o prazo de inscrição prévia dos jovens nos centros de emprego.
O Impulso Jovem tem como meta abranger cerca de 90 mil jovens desempregados.
De acordo com o documento de avaliação do programa distribuído aos parceiros sociais em meados de janeiro, no âmbito da VI reunião de acompanhamento do Impulso Jovem, tinham sido registadas 3387 candidaturas, e tinham sido abrangidos pelas medidas de empregabilidade 1356 jovens.
O mesmo documento refere que cerca de 40% dos jovens colocados em postos de trabalho no âmbito de medidas de Apoio à Contratação correspondem a contratos de trabalho por tempo indeterminado.
Portugal está a 77 mil do milhão de desempregados
Luis Ribeiro, in Jornal de Notícias
EconomiaNo último trimestre de 2012, estavam no desemprego quase um milhão de portugueses. O número cresceu 150 mil casos em um ano e mais 248 mil desde que o atual Governo e a troika assumiram o poder.
No quarto trimestre de 2012, 923,2 mil pessoas estavam sem trabalho, o equivalente a 16,9% da população ativa, indicou ontem o Instituto Nacional de Estatística (INE). No entanto, este é o número oficial. Analisando o fenómeno de uma forma mais lata, ou seja, considerando os inativos que se declararam disponíveis para trabalhar mas não conseguiram e os indivíduos a tempo parcial que trabalharam menos que o planeado, a realidade é mais brutal: o contingente sobe para mais de 1,4 milhões de pessoas, cerca de 25% da população ativa real.
EconomiaNo último trimestre de 2012, estavam no desemprego quase um milhão de portugueses. O número cresceu 150 mil casos em um ano e mais 248 mil desde que o atual Governo e a troika assumiram o poder.
No quarto trimestre de 2012, 923,2 mil pessoas estavam sem trabalho, o equivalente a 16,9% da população ativa, indicou ontem o Instituto Nacional de Estatística (INE). No entanto, este é o número oficial. Analisando o fenómeno de uma forma mais lata, ou seja, considerando os inativos que se declararam disponíveis para trabalhar mas não conseguiram e os indivíduos a tempo parcial que trabalharam menos que o planeado, a realidade é mais brutal: o contingente sobe para mais de 1,4 milhões de pessoas, cerca de 25% da população ativa real.
Economia portuguesa com segundo pior desempenho da UE
in Jornal de Notícias
A economia portuguesa teve o segundo pior desempenho no quarto trimestre do ano passado, face a igual período de 2011, com uma retração do Produto Interno Bruto de 3,8%, só superado pela Grécia, indicou, esta quinta-feira, o Eurostat.
Entre os 20 países que disponibilizaram dados ao gabinete de estatísticas da União Europeia sobre a evolução da economia, só a Grécia tem um pior desempenho no final do ano passado, com uma contração de 6% no PIB face ao último trimestre de 2011.
A Grécia vinha já de uma contração homóloga de 6,7% no terceiro trimestre, de 6,4% no segundo trimestre e novamente de 6,7% no primeiro trimestre do ano.
Portugal surge com o segundo pior desempenho entre os 20 países que apresentaram resultados ao Eurostat, com uma contração homóloga do seu PIB de 3,8% no quarto trimestre, 3,5% no terceiro trimestre, 3,1% no segundo trimestre e 2,5% no primeiro trimestre do ano.
Logo a seguir a Portugal nos piores desempenhos surge a Hungria, com uma retração de 2,8% no último trimestre do ano, e a Itália que vinha a apresentar já contrações muito significativas ao longo do ano e fecha o ano com a pior queda homóloga, nos 2,7%.
Também Espanha e França apresentam quedas no produto em termos homólogos.
Neste capítulo, o Eurostat não dispõem de dados para a evolução do PIB na Dinamarca, Irlanda, Luxemburgo, Malta, Polónia, Eslovénia e Suécia.
Quando a comparação é feita trimestre a trimestre (quarto trimestre compara com o terceiro trimestre) Portugal surge com o pior desempenho da União Europeia já que a Grécia, a que deveria apresentar um resultado mais negativo considerando os restantes resultados, não apresenta dados trimestrais.
Nas comparações feitas entre estes dois períodos também a Alemanha já surge com uma contração no seu PIB no quarto trimestre, na ordem dos 0,6%.
Entre os 19 países da União Europeia que apresentam dados para comparações em cadeia, 13 já têm contrações no seu PIB, algo que acaba por se refletir na evolução do PIB na União Europeia que entrou em contração no último trimestre do ano com uma queda de 0,5%.
Na zona euro são já três os trimestres consecutivos de queda, que aprofundou no último trimestre do ano com uma contração de 0,6%.
A economia portuguesa teve o segundo pior desempenho no quarto trimestre do ano passado, face a igual período de 2011, com uma retração do Produto Interno Bruto de 3,8%, só superado pela Grécia, indicou, esta quinta-feira, o Eurostat.
Entre os 20 países que disponibilizaram dados ao gabinete de estatísticas da União Europeia sobre a evolução da economia, só a Grécia tem um pior desempenho no final do ano passado, com uma contração de 6% no PIB face ao último trimestre de 2011.
A Grécia vinha já de uma contração homóloga de 6,7% no terceiro trimestre, de 6,4% no segundo trimestre e novamente de 6,7% no primeiro trimestre do ano.
Portugal surge com o segundo pior desempenho entre os 20 países que apresentaram resultados ao Eurostat, com uma contração homóloga do seu PIB de 3,8% no quarto trimestre, 3,5% no terceiro trimestre, 3,1% no segundo trimestre e 2,5% no primeiro trimestre do ano.
Logo a seguir a Portugal nos piores desempenhos surge a Hungria, com uma retração de 2,8% no último trimestre do ano, e a Itália que vinha a apresentar já contrações muito significativas ao longo do ano e fecha o ano com a pior queda homóloga, nos 2,7%.
Também Espanha e França apresentam quedas no produto em termos homólogos.
Neste capítulo, o Eurostat não dispõem de dados para a evolução do PIB na Dinamarca, Irlanda, Luxemburgo, Malta, Polónia, Eslovénia e Suécia.
Quando a comparação é feita trimestre a trimestre (quarto trimestre compara com o terceiro trimestre) Portugal surge com o pior desempenho da União Europeia já que a Grécia, a que deveria apresentar um resultado mais negativo considerando os restantes resultados, não apresenta dados trimestrais.
Nas comparações feitas entre estes dois períodos também a Alemanha já surge com uma contração no seu PIB no quarto trimestre, na ordem dos 0,6%.
Entre os 19 países da União Europeia que apresentam dados para comparações em cadeia, 13 já têm contrações no seu PIB, algo que acaba por se refletir na evolução do PIB na União Europeia que entrou em contração no último trimestre do ano com uma queda de 0,5%.
Na zona euro são já três os trimestres consecutivos de queda, que aprofundou no último trimestre do ano com uma contração de 0,6%.
Portugal dança pelo fim da violência contra as mulheres
in Jornal de Notícias
Portugal participa, esta quinta-feira, na campanha One Billion Rising, que quer pôr o mundo a dançar pelo fim da violência contra as mulheres, com duas dezenas de iniciativas em vários pontos do país.
Viseu, Covilhã, Fundão, Lagos, Góis, Aljustrel, Coimbra, Almada, Costa de Caparica, Setúbal e Lisboa são as localidades portuguesas que decidiram aderir a esta comemoração diferente do Dia dos Namorados.
O nome da campanha One Billion Rising (www.onebillionrising.org) encontra explicação numa estatística das Nações Unidas: "mil milhões de mulheres - uma em cada três - serão violadas e agredidas no planeta durante a sua vida".
A campanha propõe que, esta quinta-feira, um número igual ou superior de mulheres e homens se junte em todo o mundo, dançando, para combater essa violência.
Mais de 200 países já aderiram à dança global. Na página oficial da campanha, constam perto de duas dezenas de eventos em Portugal.
Em Lisboa, está agendada para as 13 horas uma 'flash mob', promovida pela organização não governamental ComuniDária no Mercado de Fusão, Martim Moniz.
Mais tarde, a partir das 17.30 horas, no Largo de Camões, deputadas e ativistas vão participar na iniciativa "@ Menin@ Dança?", uma coreografia para a música "Break the Chain", que contou com a colaboração do bailarino Marco De Camillis.
Organizada pela eurodeputada socialista Ana Gomes, a iniciativa contará com a presença de organizações como Associação Portuguesa de Apoio à Vítima, Associação Portuguesa de Mulheres Juristas, ILGA Portugal, União de Mulheres Alternativa e Resposta, Amnistia Internacional e companhia Chapitô.
Em nome das dinamizadoras da campanha em Portugal, a eurodeputada socialista Ana Gomes disse à Lusa que se pretende que "cidadãos e cidadãs" se mobilizem "ativamente pelo fim da violência contra as mulheres".
A ideia da campanha global surgiu depois de Eve Ensler, conhecida dramaturga dos Estados Unidos e autora do livro "Os Monólogos da Vagina", ter visitado uma comunidade na República Democrática do Congo, onde as mulheres, altamente vulneráveis à violência, saram as feridas através da dança.
"Vi o poder da dança e comecei a pensar o que seria se mil milhões de mulheres, e todos os homens que as amam, dançassem no mesmo dia, em todo o planeta", explicou Eve Ensler, recentemente, em teleconferência com jornalistas de todo o mundo.
Portugal participa, esta quinta-feira, na campanha One Billion Rising, que quer pôr o mundo a dançar pelo fim da violência contra as mulheres, com duas dezenas de iniciativas em vários pontos do país.
Viseu, Covilhã, Fundão, Lagos, Góis, Aljustrel, Coimbra, Almada, Costa de Caparica, Setúbal e Lisboa são as localidades portuguesas que decidiram aderir a esta comemoração diferente do Dia dos Namorados.
O nome da campanha One Billion Rising (www.onebillionrising.org) encontra explicação numa estatística das Nações Unidas: "mil milhões de mulheres - uma em cada três - serão violadas e agredidas no planeta durante a sua vida".
A campanha propõe que, esta quinta-feira, um número igual ou superior de mulheres e homens se junte em todo o mundo, dançando, para combater essa violência.
Mais de 200 países já aderiram à dança global. Na página oficial da campanha, constam perto de duas dezenas de eventos em Portugal.
Em Lisboa, está agendada para as 13 horas uma 'flash mob', promovida pela organização não governamental ComuniDária no Mercado de Fusão, Martim Moniz.
Mais tarde, a partir das 17.30 horas, no Largo de Camões, deputadas e ativistas vão participar na iniciativa "@ Menin@ Dança?", uma coreografia para a música "Break the Chain", que contou com a colaboração do bailarino Marco De Camillis.
Organizada pela eurodeputada socialista Ana Gomes, a iniciativa contará com a presença de organizações como Associação Portuguesa de Apoio à Vítima, Associação Portuguesa de Mulheres Juristas, ILGA Portugal, União de Mulheres Alternativa e Resposta, Amnistia Internacional e companhia Chapitô.
Em nome das dinamizadoras da campanha em Portugal, a eurodeputada socialista Ana Gomes disse à Lusa que se pretende que "cidadãos e cidadãs" se mobilizem "ativamente pelo fim da violência contra as mulheres".
A ideia da campanha global surgiu depois de Eve Ensler, conhecida dramaturga dos Estados Unidos e autora do livro "Os Monólogos da Vagina", ter visitado uma comunidade na República Democrática do Congo, onde as mulheres, altamente vulneráveis à violência, saram as feridas através da dança.
"Vi o poder da dança e comecei a pensar o que seria se mil milhões de mulheres, e todos os homens que as amam, dançassem no mesmo dia, em todo o planeta", explicou Eve Ensler, recentemente, em teleconferência com jornalistas de todo o mundo.
13.2.13
Novo regime de arrendamento "é uma lei mata-velhos"
Carolina Reis, in Expresso
Os inqulinos acusam Assunção Cristas de não respeitar os idosos e de já o ano passado ter ficado pela ideia de criar um subsídio de apoio.
A Associação de Inquilinos Lisbonenses (AIL) considera que a nova lei do arrendamento está a impedir os idosos de morrerem em paz e que a criação de um subsídio de rendas não é suficiente.
"A nova lei do arrendamento é uma lei mata-velhos. Revela que a ministra não respeita os idosos", disse ao Expresso António Machado, membro da direção da AIL.
António Machado acusa Assunção Cristas, ministra do Ordenamento do Território, de já no ano passado ter falado nessa possibilidade, mas "tudo não passou de palavras".
A ministra disse terça-feira, no Parlamento, que estava a ser estudado um subsídio de renda destinado aos idosos com dificuldades, depois de passado o período transitório da lei das rendas, ou seja, para daqui a cinco anos.
"Daqui a cinco anos?"
"Em cinco anos muita coisa acontece. Mas quem diz que a senhora ministra ainda cá está daqui a cinco anos?! Daqui a cinco anos muitos dos idosos que precisam de ajuda já cá não estão", acusa. Para o representante da Associação de Inquilinos Lisbonenes é necessário "revogar a lei e fazer outra mais justa".
O dirigente considera que a nova lei está a impedir os idosos de morrerem em paz. "As pessoas chegam aqui aterrorizadas, com aumentos de renda maiores do que as reformas que recebem."
Já Magda Fonseca, da comissão de inquilinos das Avenidas Novas, diz que os arrendatários dos bairros da zona já pediram a Assunção Cristas o alargamento do período de transição para a atualização das rendas.
"Pedimos para passar de cinco para 15 anos, assim ao menos dá-nos tempo para morrer. Não estamos na situação de pedir um subsídio, mas não conseguimos pagar mais", disse ao Expresso Magda Fonseca.
Os inqulinos acusam Assunção Cristas de não respeitar os idosos e de já o ano passado ter ficado pela ideia de criar um subsídio de apoio.
A Associação de Inquilinos Lisbonenses (AIL) considera que a nova lei do arrendamento está a impedir os idosos de morrerem em paz e que a criação de um subsídio de rendas não é suficiente.
"A nova lei do arrendamento é uma lei mata-velhos. Revela que a ministra não respeita os idosos", disse ao Expresso António Machado, membro da direção da AIL.
António Machado acusa Assunção Cristas, ministra do Ordenamento do Território, de já no ano passado ter falado nessa possibilidade, mas "tudo não passou de palavras".
A ministra disse terça-feira, no Parlamento, que estava a ser estudado um subsídio de renda destinado aos idosos com dificuldades, depois de passado o período transitório da lei das rendas, ou seja, para daqui a cinco anos.
"Daqui a cinco anos?"
"Em cinco anos muita coisa acontece. Mas quem diz que a senhora ministra ainda cá está daqui a cinco anos?! Daqui a cinco anos muitos dos idosos que precisam de ajuda já cá não estão", acusa. Para o representante da Associação de Inquilinos Lisbonenes é necessário "revogar a lei e fazer outra mais justa".
O dirigente considera que a nova lei está a impedir os idosos de morrerem em paz. "As pessoas chegam aqui aterrorizadas, com aumentos de renda maiores do que as reformas que recebem."
Já Magda Fonseca, da comissão de inquilinos das Avenidas Novas, diz que os arrendatários dos bairros da zona já pediram a Assunção Cristas o alargamento do período de transição para a atualização das rendas.
"Pedimos para passar de cinco para 15 anos, assim ao menos dá-nos tempo para morrer. Não estamos na situação de pedir um subsídio, mas não conseguimos pagar mais", disse ao Expresso Magda Fonseca.
Governo alarga Impulso Jovem
Ângela Silva, in Expresso
No dia em que o desemprego atingiu um novo recorde - 1,2 milhões de pessoas - o Governo decidiu alargar o programa de apoio Impulso Jovem a todo o território nacional.
Na semana em que se sabe que o desemprego real em Portugal voltou a bater um recorde - 1,2 milhões de pessoas, segundo o Instituto Nacional de Estatística - entram em vigor as alterações ao Impulso Jovem - programa de apoio ao emprego jovem e às pequenas e médias empresas (PME) - que alargam este plano a Lisboa e Vale do Tejo, ficando assim abrangido todo o território nacional.
Os estágios profissionais remunerados em PME, para jovens com idades entre os 18 e os 30 anos, são alargados de seis para 12 meses; as autarquias passam a poder apresentar candidaturas para o sector social; cai a obrigatoriedade de inscrição dos jovens no Instituto de Emprego há pelo menos quatro meses; e haverá uma maior comparticipação nos apoios para jovens até aos 25 anos, os destinatários principais destes estágios.
Para reforçar os estímulos às empresas na contratação de jovens, o Governo prevê o reembolso das contribuições para a segurança social devidas pelas entidades empregadoras.
No dia em que o desemprego atingiu um novo recorde - 1,2 milhões de pessoas - o Governo decidiu alargar o programa de apoio Impulso Jovem a todo o território nacional.
Na semana em que se sabe que o desemprego real em Portugal voltou a bater um recorde - 1,2 milhões de pessoas, segundo o Instituto Nacional de Estatística - entram em vigor as alterações ao Impulso Jovem - programa de apoio ao emprego jovem e às pequenas e médias empresas (PME) - que alargam este plano a Lisboa e Vale do Tejo, ficando assim abrangido todo o território nacional.
Os estágios profissionais remunerados em PME, para jovens com idades entre os 18 e os 30 anos, são alargados de seis para 12 meses; as autarquias passam a poder apresentar candidaturas para o sector social; cai a obrigatoriedade de inscrição dos jovens no Instituto de Emprego há pelo menos quatro meses; e haverá uma maior comparticipação nos apoios para jovens até aos 25 anos, os destinatários principais destes estágios.
Para reforçar os estímulos às empresas na contratação de jovens, o Governo prevê o reembolso das contribuições para a segurança social devidas pelas entidades empregadoras.
Governo estuda criação do subsídio de renda para idosos
in TSF
A ministra Assunção Cristas disse que o Governo está a recolher dados para preparar a legislação que cria o subsídio de renda destinados aos idosos com dificuldades.
O Governo está a recolher informação para abrir caminho a um subsídio de renda, que poderá ser atribuido a alguns inquilinos mais idosos dentro de cinco anos.
Na comissão parlamentar de Ordenamento do Território, a ministra Assunção Cristas garantiu que haverá uma resposta social para os inquilinos em situação económica mais dificil.
Em reação à TSF, Romão Lavadinho, presidente da Associação Lisbonense de Inquilinos, não se mostrou muito entusiasmado com a promessa de um subsídio para os inquilinos mais velhos com menores recursos.
O responsável lembrou que o subsídio da lei anterior ajudava pouco os inquilinos com dificuldades em pagarem as respetivas rendas.
Na Assembleia da República, Assunção Cristas explicou ainda que já fez os convites para a comissão que vai monitorizar a aplicação da nova lei das rendas.
A comissão vai integrar, entre outros, representantes dos inquilinos e dos proprietários.
Romão Lavadinho disse à TSF que foi convidado pessoalmente pela ministra, mas sublinhou que, na altura em que conversaram, colocou à governante várias questões sobre a utilidade desta comissão.
A ministra Assunção Cristas disse que o Governo está a recolher dados para preparar a legislação que cria o subsídio de renda destinados aos idosos com dificuldades.
O Governo está a recolher informação para abrir caminho a um subsídio de renda, que poderá ser atribuido a alguns inquilinos mais idosos dentro de cinco anos.
Na comissão parlamentar de Ordenamento do Território, a ministra Assunção Cristas garantiu que haverá uma resposta social para os inquilinos em situação económica mais dificil.
Em reação à TSF, Romão Lavadinho, presidente da Associação Lisbonense de Inquilinos, não se mostrou muito entusiasmado com a promessa de um subsídio para os inquilinos mais velhos com menores recursos.
O responsável lembrou que o subsídio da lei anterior ajudava pouco os inquilinos com dificuldades em pagarem as respetivas rendas.
Na Assembleia da República, Assunção Cristas explicou ainda que já fez os convites para a comissão que vai monitorizar a aplicação da nova lei das rendas.
A comissão vai integrar, entre outros, representantes dos inquilinos e dos proprietários.
Romão Lavadinho disse à TSF que foi convidado pessoalmente pela ministra, mas sublinhou que, na altura em que conversaram, colocou à governante várias questões sobre a utilidade desta comissão.
Médicos do Mundo pedem ajuda através da campanha “Ligue-nos Mais”
por Joana Bénard da Costa, in RR
Caso a associação não consiga angariar fundos pode estar em causa a assistência a mais de 13 mil pessoas.
“Ligue-nos Mais” pede a associação Médicos do Mundo, que atravessa fortes dificuldades financeiras. Os apoios de empresas e de particulares estão a diminuir, motivo pelo qual acaba de ser lançada uma campanha para angariar verbas de forma a permitir manter os actuais projectos.
Pode estar em causa a assistência a mais de dez mil pessoas, como explica à Renascença Carla Paiva, directora geral da associação. "Estamos com 13.500 pessoas ao nosso cargo a quem damos assistência" e "não havendo capacidade de autofinanciamento ou deixando de ter financiamento por parte das entidades, uma vez que também sofrem do mesmo mal que nós, essas pessoas estão em risco de perder o nosso apoio", lamenta.
Para continuar a ajudar estas pessoas, os Médicos do Mundo apelam à solidariedade de particulares e empresas, através da campanha “Ligue-nos Mais”.
Todas as informações sobre a forma de ajudar a associação podem ser obtidas no site medicosdomundo.pt.
Pode ligar para 760 50 10 50 (custo da chamada 60 cêntimos + IVA).
"Lutamos contra todas as doenças, até mesmo a injustiça"
A associação Médicos do Mundo é uma organização não-governamental de ajuda humanitária e de cooperação para o desenvolvimento, sem filiação partidária ou religiosa. Em Portugal, a Médicos do Mundo foi fundada em 1999 por um grupo de médicos que adoptaram o lema “Lutamos contra todas as doenças, até mesmo a injustiça”.
A sede funciona em Lisboa, com representações também no Porto e em Évora. Conta com cerca de 37.000 doadores inscritos, cerca de 200 voluntários activos e 280 sócios, apoiados por uma equipa operativa. O trabalho da associação assenta em projectos, nacionais e internacionais, que garantam o acesso a cuidados de saúde a todas as pessoas, independentemente da sua nacionalidade, religião, ideologia, raça ou possibilidades económicas.
As linhas de actuação da Médicos do Mundo em Portugal passam pelo combate à SIDA, às doenças crónicas, doença mental, falta de acesso a cuidados de saúde, ao apoio psicossocial e ainda a luta contra a exclusão social. As populações beneficiárias são, na maioria, sem-abrigo, residentes em bairros sociais, utilizadores de drogas intravenosas, trabalhadores sexuais, imigrantes e pessoas idosas e isoladas.
Caso a associação não consiga angariar fundos pode estar em causa a assistência a mais de 13 mil pessoas.
“Ligue-nos Mais” pede a associação Médicos do Mundo, que atravessa fortes dificuldades financeiras. Os apoios de empresas e de particulares estão a diminuir, motivo pelo qual acaba de ser lançada uma campanha para angariar verbas de forma a permitir manter os actuais projectos.
Pode estar em causa a assistência a mais de dez mil pessoas, como explica à Renascença Carla Paiva, directora geral da associação. "Estamos com 13.500 pessoas ao nosso cargo a quem damos assistência" e "não havendo capacidade de autofinanciamento ou deixando de ter financiamento por parte das entidades, uma vez que também sofrem do mesmo mal que nós, essas pessoas estão em risco de perder o nosso apoio", lamenta.
Para continuar a ajudar estas pessoas, os Médicos do Mundo apelam à solidariedade de particulares e empresas, através da campanha “Ligue-nos Mais”.
Todas as informações sobre a forma de ajudar a associação podem ser obtidas no site medicosdomundo.pt.
Pode ligar para 760 50 10 50 (custo da chamada 60 cêntimos + IVA).
"Lutamos contra todas as doenças, até mesmo a injustiça"
A associação Médicos do Mundo é uma organização não-governamental de ajuda humanitária e de cooperação para o desenvolvimento, sem filiação partidária ou religiosa. Em Portugal, a Médicos do Mundo foi fundada em 1999 por um grupo de médicos que adoptaram o lema “Lutamos contra todas as doenças, até mesmo a injustiça”.
A sede funciona em Lisboa, com representações também no Porto e em Évora. Conta com cerca de 37.000 doadores inscritos, cerca de 200 voluntários activos e 280 sócios, apoiados por uma equipa operativa. O trabalho da associação assenta em projectos, nacionais e internacionais, que garantam o acesso a cuidados de saúde a todas as pessoas, independentemente da sua nacionalidade, religião, ideologia, raça ou possibilidades económicas.
As linhas de actuação da Médicos do Mundo em Portugal passam pelo combate à SIDA, às doenças crónicas, doença mental, falta de acesso a cuidados de saúde, ao apoio psicossocial e ainda a luta contra a exclusão social. As populações beneficiárias são, na maioria, sem-abrigo, residentes em bairros sociais, utilizadores de drogas intravenosas, trabalhadores sexuais, imigrantes e pessoas idosas e isoladas.
Crédito a empresas e famílias cai quase 20 mil milhões desde pedido de resgate
in Público on-line
O crédito concedido pelos bancos às empresas e famílias caiu em quase 20 mil milhões de euros desde que Portugal pediu assistência financeira à troika em Abril de 2011, tendo a maioria da redução acontecido no crédito às empresas.
De acordo com os dados divulgados nesta quarta-feira pelo Banco de Portugal, o valor do crédito em dívida pelas empresas e pelas famílias caiu 19.555 milhões de euros quando se comparam os valores registados em Abril de 2011 e os dados divulgados hoje, referentes ao final de Dezembro de 2012.
Só no segmento do crédito às empresas a redução foi de 11.582 milhões de euros, quase 60% da redução total registada neste período.
A redução até seria mais acentuada se fossem considerados os valores do final de maio de 2011, quando o saldo do crédito concedido às empresas se situava nos 117.251 milhões de euros.
O crédito às empresas tem registado quedas consistentes desde essa altura, reduzindo-se em 2012 em 8409 milhões de euros, e só no último mês do ano que terminou recentemente em 1193 milhões de euros.
A esta redução junta-se uma diminuição no crédito concedido às famílias entre Abril de 2011 e Dezembro de 2012 na ordem dos 7973 milhões de euros.
O malparado, ou crédito considerado de cobrança duvidosa, até se reduziu no final do ano passado no que diz respeito às empresas, com uma queda de 886 milhões de euros.
O valor do crédito considerado malparado vinha, no entanto, de uns históricos 10.837 milhões de euros, e de cinco meses acima dos 10 mil milhões de euros, um nível inédito desde que o Banco de Portugal recolhe estas estatísticas.
O crédito concedido pelos bancos às empresas e famílias caiu em quase 20 mil milhões de euros desde que Portugal pediu assistência financeira à troika em Abril de 2011, tendo a maioria da redução acontecido no crédito às empresas.
De acordo com os dados divulgados nesta quarta-feira pelo Banco de Portugal, o valor do crédito em dívida pelas empresas e pelas famílias caiu 19.555 milhões de euros quando se comparam os valores registados em Abril de 2011 e os dados divulgados hoje, referentes ao final de Dezembro de 2012.
Só no segmento do crédito às empresas a redução foi de 11.582 milhões de euros, quase 60% da redução total registada neste período.
A redução até seria mais acentuada se fossem considerados os valores do final de maio de 2011, quando o saldo do crédito concedido às empresas se situava nos 117.251 milhões de euros.
O crédito às empresas tem registado quedas consistentes desde essa altura, reduzindo-se em 2012 em 8409 milhões de euros, e só no último mês do ano que terminou recentemente em 1193 milhões de euros.
A esta redução junta-se uma diminuição no crédito concedido às famílias entre Abril de 2011 e Dezembro de 2012 na ordem dos 7973 milhões de euros.
O malparado, ou crédito considerado de cobrança duvidosa, até se reduziu no final do ano passado no que diz respeito às empresas, com uma queda de 886 milhões de euros.
O valor do crédito considerado malparado vinha, no entanto, de uns históricos 10.837 milhões de euros, e de cinco meses acima dos 10 mil milhões de euros, um nível inédito desde que o Banco de Portugal recolhe estas estatísticas.
Economia perdeu 200 mil empregos no espaço de um ano
Raquel Martins, in Público on-linei>
Entre o último trimestre de 2011 e o final de 2012, a economia portuguesa perdeu 200 mil postos de trabalho, sobretudo na construção, indústria e energia.
Os dados divulgados esta quarta-feira revelam que a população empregada continua a reduzir-se de forma significativa e o pouco emprego criado é precário e a tempo parcial. No último ano, a economia perdeu 200 mil postos de trabalho. Mas, se recuarmos ao terceiro trimestre de 2008 – quando o emprego começou a cair –, a contracção do mercado de trabalho foi ainda mais pronunciada. Desde então, perderam-se 664 mil postos de trabalho e a taxa de desemprego não parou de subir.
No último trimestre de 2012, a redução do emprego ocorreu sobretudo na construção, indústria e energia (com uma redução de 12,8%), mas também no sector dos serviços (onde a quebra foi de 1,9%), com destaque para as actividades financeiras e a administração pública. Agricultura, produção animal e pescas foram os sectores onde se criou algum emprego (a população empregada aumentou 3,3%).
O inquérito ao emprego do Instituto Nacional de Estatística permite ainda concluir que a redução do emprego tem ocorrido principalmente entre os trabalhadores com contratos sem termo (-4,6%) e a termo (-11,3%), enquanto os outros tipos de contrato, que incluem os recibos verdes, tiveram um ligeiro aumento, de 1,7%.
O emprego a tempo completo também tem vindo a reduzir-se (no último trimestre de 2012, houve um recuo de 6,3% face ao período homólogo), enquanto o trabalho a tempo parcial continua a aumentar (4%). As estatísticas mostram que o número de pessoas a trabalhar a tempo parcial, mas que gostariam de ter um emprego a tempo inteiro, também está a aumentar (9%).
Entre o último trimestre de 2011 e o final de 2012, a economia portuguesa perdeu 200 mil postos de trabalho, sobretudo na construção, indústria e energia.
Os dados divulgados esta quarta-feira revelam que a população empregada continua a reduzir-se de forma significativa e o pouco emprego criado é precário e a tempo parcial. No último ano, a economia perdeu 200 mil postos de trabalho. Mas, se recuarmos ao terceiro trimestre de 2008 – quando o emprego começou a cair –, a contracção do mercado de trabalho foi ainda mais pronunciada. Desde então, perderam-se 664 mil postos de trabalho e a taxa de desemprego não parou de subir.
No último trimestre de 2012, a redução do emprego ocorreu sobretudo na construção, indústria e energia (com uma redução de 12,8%), mas também no sector dos serviços (onde a quebra foi de 1,9%), com destaque para as actividades financeiras e a administração pública. Agricultura, produção animal e pescas foram os sectores onde se criou algum emprego (a população empregada aumentou 3,3%).
O inquérito ao emprego do Instituto Nacional de Estatística permite ainda concluir que a redução do emprego tem ocorrido principalmente entre os trabalhadores com contratos sem termo (-4,6%) e a termo (-11,3%), enquanto os outros tipos de contrato, que incluem os recibos verdes, tiveram um ligeiro aumento, de 1,7%.
O emprego a tempo completo também tem vindo a reduzir-se (no último trimestre de 2012, houve um recuo de 6,3% face ao período homólogo), enquanto o trabalho a tempo parcial continua a aumentar (4%). As estatísticas mostram que o número de pessoas a trabalhar a tempo parcial, mas que gostariam de ter um emprego a tempo inteiro, também está a aumentar (9%).
O que moldou as famílias portuguesas desde 1864
Raquel Albuquerque, in Público on-line
O PÚBLICO recolheu os números do estado civil de todos os censos realizados em Portugal, desde 1864: neles está o retrato das mudanças da sociedade. Hoje as decisões estão cada vez mais à margem dos registos.
Varões e fêmeas eram os termos usados no primeiro censo realizado em Portugal, em 1864, para contar os homens e as mulheres, no total da população: eram dois milhões de varões e 2,2 milhões de fêmeas. Citando o primeiro recenseamento português – e mantendo precisamente a escrita da época – assim se resumia o estado civil: “A differença entre viuvos e viuvas é mui sensível. Ha mais de duas vezes mais viuvas que viuvos. Os homens recasam-se mais que as mulheres; as mulheres sobrevivem mais aos maridos, que os maridos ás mulheres, o que está de acordo com a maior somma de agentes destruidores que assediam o homem”.
Num só volume encadernado, com um custo total de 7295 réis por cada “1000 almas”, o primeiro censo contava três estados civis (solteiros, casados e viúvos). Aprofundavam outros detalhes como a distribuição dos homens e das mulheres no país: os “districtos” do interior eram os “mais favorecidos pelo predominio dos varões”, enquanto que os da “orla maritima” eram “aquelles em que o elemento masculino é mais escasso”.
Hoje, 147 anos passados entre o primeiro censo (1864) e o mais recente (2011), temos 15 recenseamentos (disponíveis online). O Gabinete dos Censos do Instituto Nacional de Estatística (INE) refere que estas são as operações estatísticas “mais complexas e dispendiosas que qualquer país pode realizar”. Esse peso leva a que se realizem de dez em dez anos.
O último recenseamento, realizado em 2011 e publicado no ano passado, motivou a recolha alargada dos dados do estado civil, feita pelo PÚBLICO no âmbito de um projecto de investigação em jornalismo computacional (REACTION). Outros motivos como a diminuição dos divórcios (quase 3% face a 2010) e dos casamentos (10%), ou o aumento uniões de facto (de 7% para 13%, de 2001 para 2011), justificaram a recolha dos dados e o seu enquadramento num período de tempo mais alargado.
Olhar para os números em perspectiva torna visível o peso de cada estado civil face à população. Vêem-se as oscilações entre mulheres e homens (sempre houve mais viúvas que viúvos e mais divorciadas do que divorciados, por exemplo) e vêem-se os principais picos, sobretudo nos casamentos e nos divórcios, que hoje, com mais distância temporal, podem ser explicados e justificados à luz de mudanças na lei ou da evolução da sociedade.
Recuar até às primeiras contagens de pessoas separadas ou divorciadas leva-nos até ao ano de 1900. Foi nesse recenseamento que se incluíram, pela primeira vez, os números de pessoas separadas judicialmente: eram cerca de 2500 (mais mulheres que homens). No recenseamento seguinte, que saiu em 1911 e não em 1910, dada a turbulência criada pela implantação da República, aparecem os primeiros divorciados: 2685. Assim surgia uma segunda nova categoria no estado civil que não deixaria de crescer no século seguinte: em 2011, contaram-se cerca de 594 mil divorciados, o que significa uma passagem de cinco divorciados por cada 10 mil habitantes (em 1911) para 562 por cada 10 mil (2011).
Deixar o tempo falar
“Existe uma precipitação de análise com dados de um só ano. É a tendência que deve ser lida, não um número”, sublinha Maria João Valente Rosa, demógrafa e directora da Pordata, afirmando ser necessário deixar o tempo falar. Também a socióloga Anália Torres, professora no Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas (ISCSP) e autora de livros sobre o casamento e o divórcio em Portugal, reforça a ideia. “Os comportamentos vêem-se a longo prazo”.
É nesse sentido que a quebra no número de divórcios em 2011 – a última quebra tinha ocorrido em 2005 – pode ser vista de diferentes formas. Apontar as dificuldades económicas dos casais como causa pode estar correcto, mas nada o garante. “A crise pode jogar nos dois sentidos”, sublinha a socióloga Maria das Dores Guerreiro, professora no Instituto Universitário de Lisboa (IUL-ISCTE). Ou seja, a crise pode levar casais que consolidariam a ruptura conjugal a terem de ficar juntos ou, inversamente, alimentando a conflitualidade e levando à ruptura.
Foi o tempo que mostrou a outra principal tendência: a quebra dos casamentos. “Sobretudo os católicos, porque os casamentos civis mantêm-se sensivelmente os mesmos”, sublinha a directora da Pordata. De acordo com os censos, o número de casados aumentou até 1981. É no recenseamento de 1991 que se vê a primeira quebra. Outros dados do INE mostram a descida acentuada dos casamentos nos últimos anos: em 1995, registaram-se 65 mil (69% católicos, 31% civis); em 2011 o número passou para 36 mil (40% católicos e 60% civis).
Aos vários motivos que fizeram evoluir o conceito de casamento, junta-se a mudança de percepção em relação ao tempo de vida. “O dilatar da vida faz com que se imaginem mais projectos”, diz Maria João Valente Rosa, sublinhando o facto de uma vida mais longa aumentar a esperança de a conseguir refazer, mesmo após um divórcio.
De varões e fêmeas a homens e mulheres
Paralelamente, e por trás de uma ruptura com o tradicionalismo da sociedade portuguesa, surgem novas formas de conjugalidade. “O tradicionalismo dos anos 50 e 60 estava nos valores, na família, no casamento. Quem mandava era o homem”, lembra Maria das Dores Guerreiro. Assim, termos como “varões e fêmeas” inseriam-se num contexto que só viria a conhecer “os primeiros ecos de modernidade” no início dos anos 70.
Exemplos de como era vista a mulher e o homem estão nas análises feitas no primeiro recenseamento. Explicavam-se as diferenças entre o número de mulheres e homens: “A proporção dos dois sexos está, na differença, em perfeita harmonia com os habitos e officios que um e outro tem no consorcio social, os quaes, ao passo que levam longe do logar nativo em busca de aventuras, instrucção e maior fortuna o homem, conservam a mulher mais presa ao tecto domestico.” Ou então, em 1890, e mantendo a ortografia original, explicava-se assim o maior número de viúvas do que viúvos: “Differentes rasões explicam esta differença: a mulher casa, em geral, mais nova do que o homem, e por isso tem mais probabilidades de lhe sobreviver; as viuvas tem menos facilidade do que os viuvos em casar segunda vez; e, finalmente, a vida media das mulheres é mais longa do que a dos homens.”
Outros factores externos, analisados nos censos, explicavam as variações na população, como em 1920, quando o défice se deve em parte à epidemia de gripe pneumónica em 1918 e à Primeira Guerra. “Se a vida normal do povo não voltar tam cedo a ser convulsionada por qualquer crise violenta […] e, se, como é de esperar, progressivamente forem melhoradas as condições de vida do povo, facilitando-se a nupcialidade, e, […] deminuindo-se o índice de mortalidade […] é de prever que a população do Continente e Ilhas atingirá a cifra de dez milhões de habitantes no decénio de 1980-1990”.
A população não chegou aos dez milhões nesse decénio e os termos varões e fêmeas seriam ainda utilizados até ao recenseamento de 1940. Como explica o Gabinete dos Censos, os questionários vão sendo “adaptados a cada época em que se realizam” e as estatísticas vão sendo “adaptadas às necessidades de informação decorrentes das próprias transformações da sociedade”. “Em 1940, os padrões de família eram diferentes dos de hoje e as variáveis a inquirir também”.
À margem dos registos
Os divorciados nunca deixaram de ser contados, desde 1911, mas o último recenseamento trouxe mudanças: passou a ser registado o estado civil legal e não o estado civil de facto como anteriormente. “Em 2011, a variável estado civil legal, obrigatória por regulamento comunitário, e a variável união de facto substituem a variável estado civil de facto (em 1991 e 2001)”, esclarece o o INE. Essa alteração dificulta uma comparação directa e exacta entre as mesmas categorias dos vários anos, até porque pela primeira vez passaram a ser contados os casamentos e as uniões de facto entre pessoas do mesmo sexo.
Só que os dados não contam tudo. “Há dados que não são suficientes para medir ou cobrir a população interna”, sublinha Sofia Aboim, socióloga, investigadora do Instituto de Ciência Sociais da Universidade de Lisboa (ICS). “Estávamos também à espera para saber quantos casais vivem em união de facto e esses resultados não foram publicados”. O Gabinete dos Censos esclarece que os questionários “foram objecto de apreciação” pela Comissão Nacional de Protecção de Dados, que “emitiu decisão no sentido de eliminar-se a informação respeitante às variáveis relativas a união de facto, entre pessoas do mesmo sexo e entre pessoas de sexo diferente, por se enquadrarem na esfera de dados sensíveis, designadamente de dados sobre a vida privada”.
A investigadora refere ainda existir em Portugal “um certo tabu” em estabelecer uma categorização em termos de conjugalidade. Entre os dados estatísticos, lembra Sofia Aboim, também ficam outras informações, como ser impossível hoje contar as dissoluções das uniões de facto, visto não serem registadas.
Dentro do que ficou nos registos, ao longo de 147 anos, estão várias decisões. Casar, não casar, pôr fim a um casamento, entrar numa união de facto ou voltar a casar, após ficar divorciado ou viúvo, foi o que criou e recriou milhões de famílias. O que os dados não contam são as histórias por trás de cada número.
O PÚBLICO recolheu os números do estado civil de todos os censos realizados em Portugal, desde 1864: neles está o retrato das mudanças da sociedade. Hoje as decisões estão cada vez mais à margem dos registos.
Varões e fêmeas eram os termos usados no primeiro censo realizado em Portugal, em 1864, para contar os homens e as mulheres, no total da população: eram dois milhões de varões e 2,2 milhões de fêmeas. Citando o primeiro recenseamento português – e mantendo precisamente a escrita da época – assim se resumia o estado civil: “A differença entre viuvos e viuvas é mui sensível. Ha mais de duas vezes mais viuvas que viuvos. Os homens recasam-se mais que as mulheres; as mulheres sobrevivem mais aos maridos, que os maridos ás mulheres, o que está de acordo com a maior somma de agentes destruidores que assediam o homem”.
Num só volume encadernado, com um custo total de 7295 réis por cada “1000 almas”, o primeiro censo contava três estados civis (solteiros, casados e viúvos). Aprofundavam outros detalhes como a distribuição dos homens e das mulheres no país: os “districtos” do interior eram os “mais favorecidos pelo predominio dos varões”, enquanto que os da “orla maritima” eram “aquelles em que o elemento masculino é mais escasso”.
Hoje, 147 anos passados entre o primeiro censo (1864) e o mais recente (2011), temos 15 recenseamentos (disponíveis online). O Gabinete dos Censos do Instituto Nacional de Estatística (INE) refere que estas são as operações estatísticas “mais complexas e dispendiosas que qualquer país pode realizar”. Esse peso leva a que se realizem de dez em dez anos.
O último recenseamento, realizado em 2011 e publicado no ano passado, motivou a recolha alargada dos dados do estado civil, feita pelo PÚBLICO no âmbito de um projecto de investigação em jornalismo computacional (REACTION). Outros motivos como a diminuição dos divórcios (quase 3% face a 2010) e dos casamentos (10%), ou o aumento uniões de facto (de 7% para 13%, de 2001 para 2011), justificaram a recolha dos dados e o seu enquadramento num período de tempo mais alargado.
Olhar para os números em perspectiva torna visível o peso de cada estado civil face à população. Vêem-se as oscilações entre mulheres e homens (sempre houve mais viúvas que viúvos e mais divorciadas do que divorciados, por exemplo) e vêem-se os principais picos, sobretudo nos casamentos e nos divórcios, que hoje, com mais distância temporal, podem ser explicados e justificados à luz de mudanças na lei ou da evolução da sociedade.
Recuar até às primeiras contagens de pessoas separadas ou divorciadas leva-nos até ao ano de 1900. Foi nesse recenseamento que se incluíram, pela primeira vez, os números de pessoas separadas judicialmente: eram cerca de 2500 (mais mulheres que homens). No recenseamento seguinte, que saiu em 1911 e não em 1910, dada a turbulência criada pela implantação da República, aparecem os primeiros divorciados: 2685. Assim surgia uma segunda nova categoria no estado civil que não deixaria de crescer no século seguinte: em 2011, contaram-se cerca de 594 mil divorciados, o que significa uma passagem de cinco divorciados por cada 10 mil habitantes (em 1911) para 562 por cada 10 mil (2011).
Deixar o tempo falar
“Existe uma precipitação de análise com dados de um só ano. É a tendência que deve ser lida, não um número”, sublinha Maria João Valente Rosa, demógrafa e directora da Pordata, afirmando ser necessário deixar o tempo falar. Também a socióloga Anália Torres, professora no Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas (ISCSP) e autora de livros sobre o casamento e o divórcio em Portugal, reforça a ideia. “Os comportamentos vêem-se a longo prazo”.
É nesse sentido que a quebra no número de divórcios em 2011 – a última quebra tinha ocorrido em 2005 – pode ser vista de diferentes formas. Apontar as dificuldades económicas dos casais como causa pode estar correcto, mas nada o garante. “A crise pode jogar nos dois sentidos”, sublinha a socióloga Maria das Dores Guerreiro, professora no Instituto Universitário de Lisboa (IUL-ISCTE). Ou seja, a crise pode levar casais que consolidariam a ruptura conjugal a terem de ficar juntos ou, inversamente, alimentando a conflitualidade e levando à ruptura.
Foi o tempo que mostrou a outra principal tendência: a quebra dos casamentos. “Sobretudo os católicos, porque os casamentos civis mantêm-se sensivelmente os mesmos”, sublinha a directora da Pordata. De acordo com os censos, o número de casados aumentou até 1981. É no recenseamento de 1991 que se vê a primeira quebra. Outros dados do INE mostram a descida acentuada dos casamentos nos últimos anos: em 1995, registaram-se 65 mil (69% católicos, 31% civis); em 2011 o número passou para 36 mil (40% católicos e 60% civis).
Aos vários motivos que fizeram evoluir o conceito de casamento, junta-se a mudança de percepção em relação ao tempo de vida. “O dilatar da vida faz com que se imaginem mais projectos”, diz Maria João Valente Rosa, sublinhando o facto de uma vida mais longa aumentar a esperança de a conseguir refazer, mesmo após um divórcio.
De varões e fêmeas a homens e mulheres
Paralelamente, e por trás de uma ruptura com o tradicionalismo da sociedade portuguesa, surgem novas formas de conjugalidade. “O tradicionalismo dos anos 50 e 60 estava nos valores, na família, no casamento. Quem mandava era o homem”, lembra Maria das Dores Guerreiro. Assim, termos como “varões e fêmeas” inseriam-se num contexto que só viria a conhecer “os primeiros ecos de modernidade” no início dos anos 70.
Exemplos de como era vista a mulher e o homem estão nas análises feitas no primeiro recenseamento. Explicavam-se as diferenças entre o número de mulheres e homens: “A proporção dos dois sexos está, na differença, em perfeita harmonia com os habitos e officios que um e outro tem no consorcio social, os quaes, ao passo que levam longe do logar nativo em busca de aventuras, instrucção e maior fortuna o homem, conservam a mulher mais presa ao tecto domestico.” Ou então, em 1890, e mantendo a ortografia original, explicava-se assim o maior número de viúvas do que viúvos: “Differentes rasões explicam esta differença: a mulher casa, em geral, mais nova do que o homem, e por isso tem mais probabilidades de lhe sobreviver; as viuvas tem menos facilidade do que os viuvos em casar segunda vez; e, finalmente, a vida media das mulheres é mais longa do que a dos homens.”
Outros factores externos, analisados nos censos, explicavam as variações na população, como em 1920, quando o défice se deve em parte à epidemia de gripe pneumónica em 1918 e à Primeira Guerra. “Se a vida normal do povo não voltar tam cedo a ser convulsionada por qualquer crise violenta […] e, se, como é de esperar, progressivamente forem melhoradas as condições de vida do povo, facilitando-se a nupcialidade, e, […] deminuindo-se o índice de mortalidade […] é de prever que a população do Continente e Ilhas atingirá a cifra de dez milhões de habitantes no decénio de 1980-1990”.
A população não chegou aos dez milhões nesse decénio e os termos varões e fêmeas seriam ainda utilizados até ao recenseamento de 1940. Como explica o Gabinete dos Censos, os questionários vão sendo “adaptados a cada época em que se realizam” e as estatísticas vão sendo “adaptadas às necessidades de informação decorrentes das próprias transformações da sociedade”. “Em 1940, os padrões de família eram diferentes dos de hoje e as variáveis a inquirir também”.
À margem dos registos
Os divorciados nunca deixaram de ser contados, desde 1911, mas o último recenseamento trouxe mudanças: passou a ser registado o estado civil legal e não o estado civil de facto como anteriormente. “Em 2011, a variável estado civil legal, obrigatória por regulamento comunitário, e a variável união de facto substituem a variável estado civil de facto (em 1991 e 2001)”, esclarece o o INE. Essa alteração dificulta uma comparação directa e exacta entre as mesmas categorias dos vários anos, até porque pela primeira vez passaram a ser contados os casamentos e as uniões de facto entre pessoas do mesmo sexo.
Só que os dados não contam tudo. “Há dados que não são suficientes para medir ou cobrir a população interna”, sublinha Sofia Aboim, socióloga, investigadora do Instituto de Ciência Sociais da Universidade de Lisboa (ICS). “Estávamos também à espera para saber quantos casais vivem em união de facto e esses resultados não foram publicados”. O Gabinete dos Censos esclarece que os questionários “foram objecto de apreciação” pela Comissão Nacional de Protecção de Dados, que “emitiu decisão no sentido de eliminar-se a informação respeitante às variáveis relativas a união de facto, entre pessoas do mesmo sexo e entre pessoas de sexo diferente, por se enquadrarem na esfera de dados sensíveis, designadamente de dados sobre a vida privada”.
A investigadora refere ainda existir em Portugal “um certo tabu” em estabelecer uma categorização em termos de conjugalidade. Entre os dados estatísticos, lembra Sofia Aboim, também ficam outras informações, como ser impossível hoje contar as dissoluções das uniões de facto, visto não serem registadas.
Dentro do que ficou nos registos, ao longo de 147 anos, estão várias decisões. Casar, não casar, pôr fim a um casamento, entrar numa união de facto ou voltar a casar, após ficar divorciado ou viúvo, foi o que criou e recriou milhões de famílias. O que os dados não contam são as histórias por trás de cada número.
IVA leva restaurantes a suspender doação de refeições
in Público on-line
Programa “DA – Direito à Alimentação” arrancou em 2011 e tinha dado mais de 45 mil refeições. Porém, a sua continuidade está em causa devido ao aumento do IVA.
O programa “DA – Direito à Alimentação”, que juntou restaurantes na distribuição de refeições a pessoas carenciadas, está em risco e os estabelecimentos culpam o aumento do IVA para 23%.
Entre 2011 e 2012 o programa conseguiu distribuir mais de 45 mil refeições, segundo números avançados pelo Jornal de Notícias na edição desta quarta-feira. Só que neste momento está parado devido a dificuldades financeiras, anunciou a Associação da Hotelaria, Restauração e Similares de Portugal (AHRESP).
A campanha surgiu com o principal objectivo de ajudar pessoas mais carenciadas e, ao mesmo tempo, combater o desperdício de comida nestes estabelecimentos. A ideia contou com o apoio do Presidente da República e foi criada uma plataforma online na qual os restaurantes disponíveis se podiam inscrever. Mais tarde, o programa foi alargado aos municípios e instituições de solidariedade, que sinalizavam os casos prioritários, tendo-se conseguido chegar a 91 concelhos.
O problema agora, segundo explica a AHRESP ao mesmo jornal, é que 11 mil empresas fecharam e 37 mil pessoas ficaram sem emprego, o que inviabiliza a continuidade do programa. “Tudo isto se deve à crise e ao aumento do IVA para 23%. Mais concretamente, deve-se em 80% dos casos ao aumento do IVA, porque à crise o sector sobreviveria. Agora, os próprios empresários, ainda sem direito ao subsídio de desemprego, estão a passar por muitas necessidades”, insistiu o presidente da AHRESP, José Manuel Esteves.
Ainda em 2011, antes da chegada das novas tabelas de IVA, a AHRESP alertou que a campanha poderia ficar comprometida com os aumentos. Na altura, a associação avançou mesmo com a possibilidade de a crise encerrar 54.000 estabelecimentos e de colocar em causa 120.000 postos de trabalho, o que reduziria em muito os restaurantes com capacidade para dar refeições.
A rede de solidariedade juntava restaurantes e hotéis, autarquias, empresas de distribuição e instituições de solidariedade.
Programa “DA – Direito à Alimentação” arrancou em 2011 e tinha dado mais de 45 mil refeições. Porém, a sua continuidade está em causa devido ao aumento do IVA.
O programa “DA – Direito à Alimentação”, que juntou restaurantes na distribuição de refeições a pessoas carenciadas, está em risco e os estabelecimentos culpam o aumento do IVA para 23%.
Entre 2011 e 2012 o programa conseguiu distribuir mais de 45 mil refeições, segundo números avançados pelo Jornal de Notícias na edição desta quarta-feira. Só que neste momento está parado devido a dificuldades financeiras, anunciou a Associação da Hotelaria, Restauração e Similares de Portugal (AHRESP).
A campanha surgiu com o principal objectivo de ajudar pessoas mais carenciadas e, ao mesmo tempo, combater o desperdício de comida nestes estabelecimentos. A ideia contou com o apoio do Presidente da República e foi criada uma plataforma online na qual os restaurantes disponíveis se podiam inscrever. Mais tarde, o programa foi alargado aos municípios e instituições de solidariedade, que sinalizavam os casos prioritários, tendo-se conseguido chegar a 91 concelhos.
O problema agora, segundo explica a AHRESP ao mesmo jornal, é que 11 mil empresas fecharam e 37 mil pessoas ficaram sem emprego, o que inviabiliza a continuidade do programa. “Tudo isto se deve à crise e ao aumento do IVA para 23%. Mais concretamente, deve-se em 80% dos casos ao aumento do IVA, porque à crise o sector sobreviveria. Agora, os próprios empresários, ainda sem direito ao subsídio de desemprego, estão a passar por muitas necessidades”, insistiu o presidente da AHRESP, José Manuel Esteves.
Ainda em 2011, antes da chegada das novas tabelas de IVA, a AHRESP alertou que a campanha poderia ficar comprometida com os aumentos. Na altura, a associação avançou mesmo com a possibilidade de a crise encerrar 54.000 estabelecimentos e de colocar em causa 120.000 postos de trabalho, o que reduziria em muito os restaurantes com capacidade para dar refeições.
A rede de solidariedade juntava restaurantes e hotéis, autarquias, empresas de distribuição e instituições de solidariedade.
Desemprego já atinge 923 mil pessoas
in Público on-line
Os números divulgados esta quarta-feira pelo Instituto Nacional de Estatística (INE) revelam que a taxa de desemprego pulou para os 16,9% no último trimestre de 2012, valor que compara com os 14% apurados no final de 2011.
A evolução do desemprego ao longo do ano e os números do último trimestre ameaçam as previsões do Governo para o corrente ano. No Orçamento do Estado, o executivo espera fechar 2013 com uma taxa de desemprego de 16,4%.
A taxa de 16,9% tem por detrás uma população desempregada que já ultrapassa as 923 mil pessoas. Comparando com o último trimestre de 2011, o INE dá conta de mais 152 mil desempregados. E entre o terceiro e o quarto trimestre do ano passado, 52 mil pessoas declararam estar sem emprego.
A população empregada continuou a cair e está no nível mais baixo dos últimos 20 anos. De acordo com o INE, havia 4531,8 mil pessoas a trabalhar, “o que representa uma diminuição homóloga de 4,3% e trimestral de 2,7% (menos 203,6 mil e 124,5 mil pessoas, respectivamente)”.
Taxa anual fura previsões do Governo
O INE divulgou também a taxa de desemprego média anual, que chegou aos 15,7%, furando as previsões do Governo em 0,2 pontos percentuais. A equipa de Pedro Passos Coelho e o próprio relatório do Fundo Monetário Internacional apontavam para uma taxa anual de 15,5%.
Em termos anuais, a população desempregada foi de 860 mil pessoas, tendo aumentado 21,8% em relação a 2011. A população empregada registou um decréscimo anual de 4,2%.
Os números divulgados esta quarta-feira pelo Instituto Nacional de Estatística (INE) revelam que a taxa de desemprego pulou para os 16,9% no último trimestre de 2012, valor que compara com os 14% apurados no final de 2011.
A evolução do desemprego ao longo do ano e os números do último trimestre ameaçam as previsões do Governo para o corrente ano. No Orçamento do Estado, o executivo espera fechar 2013 com uma taxa de desemprego de 16,4%.
A taxa de 16,9% tem por detrás uma população desempregada que já ultrapassa as 923 mil pessoas. Comparando com o último trimestre de 2011, o INE dá conta de mais 152 mil desempregados. E entre o terceiro e o quarto trimestre do ano passado, 52 mil pessoas declararam estar sem emprego.
A população empregada continuou a cair e está no nível mais baixo dos últimos 20 anos. De acordo com o INE, havia 4531,8 mil pessoas a trabalhar, “o que representa uma diminuição homóloga de 4,3% e trimestral de 2,7% (menos 203,6 mil e 124,5 mil pessoas, respectivamente)”.
Taxa anual fura previsões do Governo
O INE divulgou também a taxa de desemprego média anual, que chegou aos 15,7%, furando as previsões do Governo em 0,2 pontos percentuais. A equipa de Pedro Passos Coelho e o próprio relatório do Fundo Monetário Internacional apontavam para uma taxa anual de 15,5%.
Em termos anuais, a população desempregada foi de 860 mil pessoas, tendo aumentado 21,8% em relação a 2011. A população empregada registou um decréscimo anual de 4,2%.
"Isto parece um país de pedintes", diz António Frias
por Lusa, publicado por Graciosa Silva, in Diário de Notícias
A Associação Nacional de Proprietários (ANP) faz um "balanço positivo" dos primeiros três meses de aplicação da reforma do arrendamento, mas lamenta que a lei permita que 72% dos inquilinos declarem "carência económica" para travar a atualização das rendas.
"Em relação aos inquilinos a aceitação [das novas regras do arrendamento urbano] tem sido razoável. Temos é, neste momento, 72% de inquilinos que alegam pobreza, isto parece que é um país de pedintes", afirmou o presidente da ANP, António Frias Marques, em declarações à agência Lusa.
Segundo o líder da associação -- que hoje faz um "primeiro balanço" da nova legislação em conferência de imprensa no Porto -- na base do tão elevado número de alegações de "carência económica" está o valor do rendimento previsto na lei: "Segundo a lei das rendas, ser pobre é ganhar por mês menos de 2.425 euros, equivalente a cinco ordenados mínimos", disse.
Partindo deste valor, explicou, os inquilinos cujas rendas são alvo de atualização "alegam pobreza e vão ás Finanças pedir que tal lhes seja declarado", o que implica que "o processo fica suspenso" e esses elementos só fiquem disponíveis "lá para julho/agosto ou setembro".
Como consequência, antecipou António Frias Marques, "durante este ano não vai acontecer aumento nenhum para essas pessoas que alegam carência económica".
Ainda assim, o presidente da ANP, que representa 10.000 senhorios de todo o país, assegura que os proprietários "são pacientes": "Estamos há dezenas e dezenas de anos com rendas baixíssimas nos contratos antigos e temos, forçosamente, que ter paciência. Para um senhorio que está há 20 ou 30 anos a receber rendas muito baixinhas, esperar mais seis meses ou um ano não tem grande significado", sustentou.
Na conferência de imprensa de hoje, a associação fará ainda um balanço do processo rápido de despejo por não pagamento de renda, tendo o presidente adiantado à Lusa que a ANP envia, em média, 10 petições diárias para a plataforma eletrónica do Balcão Nacional do Arrendamento, que "tem respondido razoavelmente".
"Ainda é muito cedo para fazer um balanço definitivo, mas, e apesar de termos algumas pequenas objeções, no geral achamos que a nova lei é a lei possível e é bastante positiva", afirmou António Frias Marques.
Entre os pontos a tratar na conferência estarão ainda as exceções dos inquilinos com mais de 65 anos ou 60% de incapacidade, uma análise à carga fiscal inerente ao mercado do arrendamento, a avaliação geral do património e do "aumento exorbitante" do IMI (Imposto Municipal sobre Imóveis) urbano, "o que se prepara" em relação ao IMI rústico e o problema das "casas a mais".
A Associação Nacional de Proprietários (ANP) faz um "balanço positivo" dos primeiros três meses de aplicação da reforma do arrendamento, mas lamenta que a lei permita que 72% dos inquilinos declarem "carência económica" para travar a atualização das rendas.
"Em relação aos inquilinos a aceitação [das novas regras do arrendamento urbano] tem sido razoável. Temos é, neste momento, 72% de inquilinos que alegam pobreza, isto parece que é um país de pedintes", afirmou o presidente da ANP, António Frias Marques, em declarações à agência Lusa.
Segundo o líder da associação -- que hoje faz um "primeiro balanço" da nova legislação em conferência de imprensa no Porto -- na base do tão elevado número de alegações de "carência económica" está o valor do rendimento previsto na lei: "Segundo a lei das rendas, ser pobre é ganhar por mês menos de 2.425 euros, equivalente a cinco ordenados mínimos", disse.
Partindo deste valor, explicou, os inquilinos cujas rendas são alvo de atualização "alegam pobreza e vão ás Finanças pedir que tal lhes seja declarado", o que implica que "o processo fica suspenso" e esses elementos só fiquem disponíveis "lá para julho/agosto ou setembro".
Como consequência, antecipou António Frias Marques, "durante este ano não vai acontecer aumento nenhum para essas pessoas que alegam carência económica".
Ainda assim, o presidente da ANP, que representa 10.000 senhorios de todo o país, assegura que os proprietários "são pacientes": "Estamos há dezenas e dezenas de anos com rendas baixíssimas nos contratos antigos e temos, forçosamente, que ter paciência. Para um senhorio que está há 20 ou 30 anos a receber rendas muito baixinhas, esperar mais seis meses ou um ano não tem grande significado", sustentou.
Na conferência de imprensa de hoje, a associação fará ainda um balanço do processo rápido de despejo por não pagamento de renda, tendo o presidente adiantado à Lusa que a ANP envia, em média, 10 petições diárias para a plataforma eletrónica do Balcão Nacional do Arrendamento, que "tem respondido razoavelmente".
"Ainda é muito cedo para fazer um balanço definitivo, mas, e apesar de termos algumas pequenas objeções, no geral achamos que a nova lei é a lei possível e é bastante positiva", afirmou António Frias Marques.
Entre os pontos a tratar na conferência estarão ainda as exceções dos inquilinos com mais de 65 anos ou 60% de incapacidade, uma análise à carga fiscal inerente ao mercado do arrendamento, a avaliação geral do património e do "aumento exorbitante" do IMI (Imposto Municipal sobre Imóveis) urbano, "o que se prepara" em relação ao IMI rústico e o problema das "casas a mais".
Desemprego atinge valor recorde de 16,9% e afeta mais de 920 mil pessoas
in Jornal de Notícias
A taxa de desemprego subiu em Portugal para os 16,9% no quarto trimestre de 2012, face aos 15,8% observados no trimestre anterior, com o número de desempregados em Portugal a ultrapassar os 920 mil, divulgou o Instituto Nacional de Estatística.
De acordo com o Instituto Nacional de Estatística (INE), a taxa de desemprego aumentou assim, em termos trimestrais 1,1 pontos percentuais e em termos homólogos 2,9 pontos percentuais.
Entre outubro e dezembro de 2012, o INE contabilizou 923,2 mil desempregados, o que representa um acréscimo trimestral de 6% (mais 52,3 mil pessoas) e homólogo de 19,7% (mais 152,2 mil pessoas).
Os números observados no final do quarto trimestre atingem níveis absolutamente históricos, num contexto de subidas da taxa de desemprego em Portugal desde 2008, altura em que se situava nos 7,3%, o equivalente a 409,9 mil desempregados.
Relativamente ao conjunto do ano, a taxa de desemprego média anual de 2012 fixou-se nos 15,7%, de acordo com o INE, duas décimas acima das previsões revistas pelo Governo que apontavam para os 15,5% (a primeira estimativa inscrita no Orçamento do Estado para 2012 era de 13,4%), o que representa um acréscimo em 2,9 pontos percentuais em relação ao ano anterior.
Segundo o INE, o aumento da população desempregada no terceiro trimestre ocorreu essencialmente nas mulheres, na faixa etária dos 25 aos 44 anos, nas pessoas com nível de escolaridade completo correspondente ao ensino básico, à procura de um novo emprego (com origem no setor da indústria, construção, energia e água) e à procura de emprego há 12 e mais meses.
A taxa de desemprego entre os homens fixou-se nos 16,8% e nas mulheres nos 17,1%, com ambas a aumentarem em relação ao trimestre homólogo (2,9 e 3,0 pontos percentuais respetivamente) e em relação ao trimestre anterior (0,8 e 1,7 pontos percentuais, respetivamente).
Ainda de acordo com os dados do INE, a população empregada em dezembro era de 4,532 milhões de pessoas, um decréscimo trimestral de 2,7% (menos 124,5 mil pessoas), e a homóloga era de 4,3% (menos 203,6 mil pessoas).
A taxa de desemprego subiu em Portugal para os 16,9% no quarto trimestre de 2012, face aos 15,8% observados no trimestre anterior, com o número de desempregados em Portugal a ultrapassar os 920 mil, divulgou o Instituto Nacional de Estatística.
De acordo com o Instituto Nacional de Estatística (INE), a taxa de desemprego aumentou assim, em termos trimestrais 1,1 pontos percentuais e em termos homólogos 2,9 pontos percentuais.
Entre outubro e dezembro de 2012, o INE contabilizou 923,2 mil desempregados, o que representa um acréscimo trimestral de 6% (mais 52,3 mil pessoas) e homólogo de 19,7% (mais 152,2 mil pessoas).
Os números observados no final do quarto trimestre atingem níveis absolutamente históricos, num contexto de subidas da taxa de desemprego em Portugal desde 2008, altura em que se situava nos 7,3%, o equivalente a 409,9 mil desempregados.
Relativamente ao conjunto do ano, a taxa de desemprego média anual de 2012 fixou-se nos 15,7%, de acordo com o INE, duas décimas acima das previsões revistas pelo Governo que apontavam para os 15,5% (a primeira estimativa inscrita no Orçamento do Estado para 2012 era de 13,4%), o que representa um acréscimo em 2,9 pontos percentuais em relação ao ano anterior.
Segundo o INE, o aumento da população desempregada no terceiro trimestre ocorreu essencialmente nas mulheres, na faixa etária dos 25 aos 44 anos, nas pessoas com nível de escolaridade completo correspondente ao ensino básico, à procura de um novo emprego (com origem no setor da indústria, construção, energia e água) e à procura de emprego há 12 e mais meses.
A taxa de desemprego entre os homens fixou-se nos 16,8% e nas mulheres nos 17,1%, com ambas a aumentarem em relação ao trimestre homólogo (2,9 e 3,0 pontos percentuais respetivamente) e em relação ao trimestre anterior (0,8 e 1,7 pontos percentuais, respetivamente).
Ainda de acordo com os dados do INE, a população empregada em dezembro era de 4,532 milhões de pessoas, um decréscimo trimestral de 2,7% (menos 124,5 mil pessoas), e a homóloga era de 4,3% (menos 203,6 mil pessoas).
Taxa de desemprego jovem chega aos 40%
in Jornal de Notícias
A taxa de desemprego entre os jovens em Portugal continua a subir e chegou, no quarto trimestre de 2012, aos 40%, afetando 165 mil pessoas entre os 15 e os 24 anos.
No terceiro trimestre de 2012, a taxa de desemprego nesta faixa etária era de 39%, mas o número de jovens desempregados contabilizados pelo Instituto Nacional de Estatística (INE) era superior, alcançando os 175,1 mil.
No trimestre homólogo, a taxa de desemprego entre os jovens era de 35,4%, atingindo 156,3 mil pessoas.
De acordo com os dados divulgados hoje pelo INE, a taxa de desemprego subiu no quarto trimestre para os 16,9%, face aos 15,8% observados no trimestre anterior, com o número de desempregados em Portugal a ultrapassar os 920 mil.
De acordo com o INE, a taxa de desemprego aumentou assim, em termos trimestrais 1,1 pontos percentuais e em termos homólogos 2,9 pontos percentuais.
A taxa de desemprego entre os jovens em Portugal continua a subir e chegou, no quarto trimestre de 2012, aos 40%, afetando 165 mil pessoas entre os 15 e os 24 anos.
No terceiro trimestre de 2012, a taxa de desemprego nesta faixa etária era de 39%, mas o número de jovens desempregados contabilizados pelo Instituto Nacional de Estatística (INE) era superior, alcançando os 175,1 mil.
No trimestre homólogo, a taxa de desemprego entre os jovens era de 35,4%, atingindo 156,3 mil pessoas.
De acordo com os dados divulgados hoje pelo INE, a taxa de desemprego subiu no quarto trimestre para os 16,9%, face aos 15,8% observados no trimestre anterior, com o número de desempregados em Portugal a ultrapassar os 920 mil.
De acordo com o INE, a taxa de desemprego aumentou assim, em termos trimestrais 1,1 pontos percentuais e em termos homólogos 2,9 pontos percentuais.
Mais de um terço dos jovens desempregados em 2012 reside no Norte
in Jornal de Notícias
Mais de um terço do número de jovens desempregados contabilizados no conjunto de 2012 reside no Norte do país, segundo dados divulgados, esta quarta-feira, pelo Instituto Nacional de Estatística.
De acordo com o INE, em 2012, havia 56,7 mil desempregados na região Norte entre os 15 e os 24 anos, contra os 50,5 mil existentes em 2011, cerca de 35% do total de 161 mil contabilizados para o conjunto do ano.
Em 2011, em Portugal, havia 133,5 mil jovens desempregados, menos 27,5 mil do que os contabilizados em 2012.
Lisboa foi a segunda região mais afetada pelo desemprego jovem, atingindo no ano passado 43,8 mil pessoas (35,8 mil em 2011), seguida do Centro, com 32,4 mil pessoas (23,6 mil em 2011).
Os Açores e a Madeira, de acordo com os dados do INE, eram as regiões com menos registo de jovens desempregados, ambas com 5,3 mil.
Segundo o INE, a taxa de desemprego entre os jovens em Portugal continua a subir e chegou no quarto trimestre aos 40%, afetando 165 mil pessoas entre os 15 e os 24 anos.
No terceiro trimestre de 2012, a taxa de desemprego nesta faixa etária era de 39%, mas o número de jovens desempregados contabilizados pelo Instituto Nacional de Estatística era superior, alcançando os 175,1 mil.
No trimestre homólogo, a taxa de desemprego entre os jovens era de 35,4%, atingindo 156,3 mil pessoas.
Mais de um terço do número de jovens desempregados contabilizados no conjunto de 2012 reside no Norte do país, segundo dados divulgados, esta quarta-feira, pelo Instituto Nacional de Estatística.
De acordo com o INE, em 2012, havia 56,7 mil desempregados na região Norte entre os 15 e os 24 anos, contra os 50,5 mil existentes em 2011, cerca de 35% do total de 161 mil contabilizados para o conjunto do ano.
Em 2011, em Portugal, havia 133,5 mil jovens desempregados, menos 27,5 mil do que os contabilizados em 2012.
Lisboa foi a segunda região mais afetada pelo desemprego jovem, atingindo no ano passado 43,8 mil pessoas (35,8 mil em 2011), seguida do Centro, com 32,4 mil pessoas (23,6 mil em 2011).
Os Açores e a Madeira, de acordo com os dados do INE, eram as regiões com menos registo de jovens desempregados, ambas com 5,3 mil.
Segundo o INE, a taxa de desemprego entre os jovens em Portugal continua a subir e chegou no quarto trimestre aos 40%, afetando 165 mil pessoas entre os 15 e os 24 anos.
No terceiro trimestre de 2012, a taxa de desemprego nesta faixa etária era de 39%, mas o número de jovens desempregados contabilizados pelo Instituto Nacional de Estatística era superior, alcançando os 175,1 mil.
No trimestre homólogo, a taxa de desemprego entre os jovens era de 35,4%, atingindo 156,3 mil pessoas.
Portugal ainda aceita sacrifício da carreira das mulheres por causa da família
in Jornal de Notícias
Os países nórdicos são os únicos na Europa a rejeitar, de forma clara, que as mulheres sacrifiquem as suas carreiras profissionais pela família, mas em Portugal essa possibilidade tem mais aceitação, segundo um inquérito.
As conclusões estão numa análise a dados do Inquérito Social Europeu (ESS, European Social Survey) e que vão ser apresentadas na quinta-feira, no Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa.
"Num contexto de crise financeira e económica e com orçamentos familiares mais curtos, em Portugal, Espanha e Irlanda a concordância com esta ideia diminui", indicam os investigadores na sua análise, referindo-se às mulheres ficarem em casa numa prioridade à família.
O trabalho "As perspetivas igualitárias sobre a família na Europa: evolução em contexto de crise" decorre da análise dos dados do ESS entre 2004 e 2010 por Anália Torres, Bernardo Coelho e Diana Carvalho.
Outra das conclusões indica a família como a "principal prioridade da vida dos indivíduos".
No resumo do trabalho a que a agência Lusa teve acesso, pode ler-se que há uma "tendência igualitária de género", isto é a convergência entre todos os países da Europa e um elevado grau de concordância com a "ideia de que os homens deviam ter tantas responsabilidades como as mulheres em relação à casa e aos filhos".
Da análise dos inquéritos, indica-se que o modelo da família assente no homem trabalhador é "ultrapassado e as famílias europeias assentam na dupla carreira".
"Mesmo no atual cenário de crise económica e financeira, em que se poderia imaginar alguns retrocessos, aos homens não é atribuída prioridade no acesso ao trabalho", indicam os investigadores sociais.
A eventual prioridade parece "perder ainda mais legitimidade, sendo mais rejeitada agora (2010) do que antes (2004)", mas há diferenças notadas: Portugal e outros países do sul e do leste europeu rejeitam menos a ideia de prioridade dos homens do que os países nórdicos.
Os dados vão ser apresentados na quinta-feira durante o XIII Seminário de Apresentação de Resultados do European Social Survey (ESS - Inquérito Europeu Social), no Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa.
Os países nórdicos são os únicos na Europa a rejeitar, de forma clara, que as mulheres sacrifiquem as suas carreiras profissionais pela família, mas em Portugal essa possibilidade tem mais aceitação, segundo um inquérito.
As conclusões estão numa análise a dados do Inquérito Social Europeu (ESS, European Social Survey) e que vão ser apresentadas na quinta-feira, no Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa.
"Num contexto de crise financeira e económica e com orçamentos familiares mais curtos, em Portugal, Espanha e Irlanda a concordância com esta ideia diminui", indicam os investigadores na sua análise, referindo-se às mulheres ficarem em casa numa prioridade à família.
O trabalho "As perspetivas igualitárias sobre a família na Europa: evolução em contexto de crise" decorre da análise dos dados do ESS entre 2004 e 2010 por Anália Torres, Bernardo Coelho e Diana Carvalho.
Outra das conclusões indica a família como a "principal prioridade da vida dos indivíduos".
No resumo do trabalho a que a agência Lusa teve acesso, pode ler-se que há uma "tendência igualitária de género", isto é a convergência entre todos os países da Europa e um elevado grau de concordância com a "ideia de que os homens deviam ter tantas responsabilidades como as mulheres em relação à casa e aos filhos".
Da análise dos inquéritos, indica-se que o modelo da família assente no homem trabalhador é "ultrapassado e as famílias europeias assentam na dupla carreira".
"Mesmo no atual cenário de crise económica e financeira, em que se poderia imaginar alguns retrocessos, aos homens não é atribuída prioridade no acesso ao trabalho", indicam os investigadores sociais.
A eventual prioridade parece "perder ainda mais legitimidade, sendo mais rejeitada agora (2010) do que antes (2004)", mas há diferenças notadas: Portugal e outros países do sul e do leste europeu rejeitam menos a ideia de prioridade dos homens do que os países nórdicos.
Os dados vão ser apresentados na quinta-feira durante o XIII Seminário de Apresentação de Resultados do European Social Survey (ESS - Inquérito Europeu Social), no Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa.
Portuguesas são cada vez mais o "único ganha pão" em casa
in Jornal de Notícias
As portuguesas fazem menos trabalho doméstico que há dez anos e 16,5% das mulheres em Portugal são o "único ganha-pão" na família, segundo um inquérito europeu.
A análise do último inquérito social europeu sobre divisão do trabalho pago, da autoria de Karin Wall e de Sofia Aboim, mostra o crescente aumento de mulheres no mercado de trabalho e o crescimento do número de horas que os homens dedicam ao trabalho doméstico, embora bastante menos que as mulheres.
As investigadoras do Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa notaram uma tendência para o "aumento rápido" do modelo em que apenas a mulher trabalha fora de casa: 16,5% em casais portugueses entre os 18 e os 65 anos contra 2% em 2002.
O valor é mais elevado entre casais com menor escolaridade e pessoas mais velhas, sobretudo entre os 51 e os 65 anos.
Em Portugal, a percentagem de casais em que ambos estão sem trabalho pago foi uma das mais elevadas (2,6%) entre os países analisados.
"O tradicional modelo do ganha-pão masculino (em que apenas o homem trabalha fora de casa) abarca hoje, segundo estes dados, 17,9% dos casos (17% também em 2002)", lê-se.
Os números podem ser justificados com o "aumento do desemprego masculino para níveis históricos", superando, pela primeira vez, o número de mulheres desempregadas.
Segundo o estudo, que vai ser apresentado na quinta-feira, em Lisboa, as mulheres fazem em média o mesmo numero de horas de trabalho doméstico do que as belgas e as alemãs.
"As mais novas dedicam menos tempo ao trabalho doméstico, diminuindo assim a diferença que as separa dos homens", indicam as investigadoras.
Em Portugal, quando as mulheres trabalham fora, os homens continuam a fazer menos de cinco horas de trabalho doméstico por semana contra as 21,8 horas das mulheres.
São os homens em casais em que ambos trabalham que mais fazem trabalho doméstico (quase seis horas).
Os dados vão ser apresentados na quinta-feira durante o XIII Seminário de Apresentação de Resultados do European Social Survey (ESS - Inquérito Europeu Social), no Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa.
As portuguesas fazem menos trabalho doméstico que há dez anos e 16,5% das mulheres em Portugal são o "único ganha-pão" na família, segundo um inquérito europeu.
A análise do último inquérito social europeu sobre divisão do trabalho pago, da autoria de Karin Wall e de Sofia Aboim, mostra o crescente aumento de mulheres no mercado de trabalho e o crescimento do número de horas que os homens dedicam ao trabalho doméstico, embora bastante menos que as mulheres.
As investigadoras do Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa notaram uma tendência para o "aumento rápido" do modelo em que apenas a mulher trabalha fora de casa: 16,5% em casais portugueses entre os 18 e os 65 anos contra 2% em 2002.
O valor é mais elevado entre casais com menor escolaridade e pessoas mais velhas, sobretudo entre os 51 e os 65 anos.
Em Portugal, a percentagem de casais em que ambos estão sem trabalho pago foi uma das mais elevadas (2,6%) entre os países analisados.
"O tradicional modelo do ganha-pão masculino (em que apenas o homem trabalha fora de casa) abarca hoje, segundo estes dados, 17,9% dos casos (17% também em 2002)", lê-se.
Os números podem ser justificados com o "aumento do desemprego masculino para níveis históricos", superando, pela primeira vez, o número de mulheres desempregadas.
Segundo o estudo, que vai ser apresentado na quinta-feira, em Lisboa, as mulheres fazem em média o mesmo numero de horas de trabalho doméstico do que as belgas e as alemãs.
"As mais novas dedicam menos tempo ao trabalho doméstico, diminuindo assim a diferença que as separa dos homens", indicam as investigadoras.
Em Portugal, quando as mulheres trabalham fora, os homens continuam a fazer menos de cinco horas de trabalho doméstico por semana contra as 21,8 horas das mulheres.
São os homens em casais em que ambos trabalham que mais fazem trabalho doméstico (quase seis horas).
Os dados vão ser apresentados na quinta-feira durante o XIII Seminário de Apresentação de Resultados do European Social Survey (ESS - Inquérito Europeu Social), no Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa.
Apenas 9% dos jovens apresentam queixa por violência no namoro
in Jornal de Notícias
Os jovens estão mais sensibilizados para a violência no namoro, mas ainda são poucos os que procuram ajuda e apenas 9% das vítimas apresentam queixa às autoridades.
"Constituindo a violência no namoro uma experiência pessoal caracterizada por sentimentos de vergonha, embaraço, a grande maioria dos jovens não procura ajuda", adiantou a investigadora Sónia Caridade, autora de um estudo sobre este tema.
O medo de serem culpabilizados, de que o segredo não seja preservado, que os adultos os pressionem para terminar a relação, acharem que não vão ser ajudados, temerem punições parentais (muitas relações são proibidas pelos pais), faz com que os jovens não contem o que estão a passar.
Os seus "principais confidentes" costumam ser os amigos, mas, na grande maioria, "não reúnem condições" para dar o "devido apoio", ou porque também estão envolvidos em relações abusivas ou porque "legitimam um conjunto de crenças perpetuadoras do fenómeno", explicou a investigadora da Universidade do Minho, que falava à Lusa a propósito do Dia dos Namorados, que se assinala quinta-feira.
30% admitiu ter sido agressor
O estudo nacional sobre a prevalência da violência do namoro envolveu 4667 jovens com idades entre os 13 e os 29 anos, dos quais 25,4% relataram ter sido vítimas de, pelo menos, um ato abusivo no último ano e 30,6% admitiu ter sido agressor.
Em termos de vitimação, os comportamentos emocionalmente abusivos lideram (19,5%), seguindo-se os fisicamente abusivos (13,4%) e a violência física severa (7,6%).
A legitimação da violência surge "mais elevada" entre os participantes mais novos, com menor formação e rapazes, que são educados para "serem mais fortes, emocionalmente pouco expressivos, competitivos e dominadores face às suas parceiras".
Uma "cultura de prevenção", que envolva a promoção de relacionamentos saudáveis, a consciencialização dos jovens e modificação de comportamentos violentos é, para Sónia Caridade, a melhor forma de combater este fenómeno.
Para isso, defendeu, terá de haver uma "articulação concertada" entre os jovens, entidades e agentes educativos (pais, professores, funcionários), os pares e a comunidade.
Maus-tratos começam por volta dos 13 anos
Para despertar os jovens para esta problemática, a Associação Portuguesa de Apoio à Vítima (APAV) tem realizado campanhas que alertam para a importância de valorizar todos os atos de violência, comportamentos puníveis criminalmente.
"É fundamental investir na aproximação a estes jovens para os sensibilizar e promover neles uma postura de maior pró ação quando estas situações lhe chegam", disse Manuela Santos, da APAV.
A decisão de um jovem apresentar queixa ou expor esta experiência a um agente de autoridade "não é fácil de tomar", preferindo dirigir-se a uma instituição de apoio.
"A APAV recebe alguns pedidos de ajuda de jovens que partilham connosco as suas experiências de vitimação e nos pedem apoio e encaminhamento sobre o que podem fazer do ponto de vista legal", contou Manuela Santos, adiantando que essas solicitações têm vindo a crescer.
Para a investigadora Susana Lucas, do Instituto Piaget, as campanhas de prevenção têm contribuído para "mudar o paradigma" da violência no namoro ser "uma coisa encoberta e mostrar às pessoas que não estão sozinhas".
"Felizmente já começa a existir alguma procura [por parte dos jovens] das autoridades e das associações de apoio à vítima que depois os encaminha para os trâmites legais", disse Susana Lucas, adiantando que os maus-tratos começam por volta dos 13 anos.
Os jovens estão mais sensibilizados para a violência no namoro, mas ainda são poucos os que procuram ajuda e apenas 9% das vítimas apresentam queixa às autoridades.
"Constituindo a violência no namoro uma experiência pessoal caracterizada por sentimentos de vergonha, embaraço, a grande maioria dos jovens não procura ajuda", adiantou a investigadora Sónia Caridade, autora de um estudo sobre este tema.
O medo de serem culpabilizados, de que o segredo não seja preservado, que os adultos os pressionem para terminar a relação, acharem que não vão ser ajudados, temerem punições parentais (muitas relações são proibidas pelos pais), faz com que os jovens não contem o que estão a passar.
Os seus "principais confidentes" costumam ser os amigos, mas, na grande maioria, "não reúnem condições" para dar o "devido apoio", ou porque também estão envolvidos em relações abusivas ou porque "legitimam um conjunto de crenças perpetuadoras do fenómeno", explicou a investigadora da Universidade do Minho, que falava à Lusa a propósito do Dia dos Namorados, que se assinala quinta-feira.
30% admitiu ter sido agressor
O estudo nacional sobre a prevalência da violência do namoro envolveu 4667 jovens com idades entre os 13 e os 29 anos, dos quais 25,4% relataram ter sido vítimas de, pelo menos, um ato abusivo no último ano e 30,6% admitiu ter sido agressor.
Em termos de vitimação, os comportamentos emocionalmente abusivos lideram (19,5%), seguindo-se os fisicamente abusivos (13,4%) e a violência física severa (7,6%).
A legitimação da violência surge "mais elevada" entre os participantes mais novos, com menor formação e rapazes, que são educados para "serem mais fortes, emocionalmente pouco expressivos, competitivos e dominadores face às suas parceiras".
Uma "cultura de prevenção", que envolva a promoção de relacionamentos saudáveis, a consciencialização dos jovens e modificação de comportamentos violentos é, para Sónia Caridade, a melhor forma de combater este fenómeno.
Para isso, defendeu, terá de haver uma "articulação concertada" entre os jovens, entidades e agentes educativos (pais, professores, funcionários), os pares e a comunidade.
Maus-tratos começam por volta dos 13 anos
Para despertar os jovens para esta problemática, a Associação Portuguesa de Apoio à Vítima (APAV) tem realizado campanhas que alertam para a importância de valorizar todos os atos de violência, comportamentos puníveis criminalmente.
"É fundamental investir na aproximação a estes jovens para os sensibilizar e promover neles uma postura de maior pró ação quando estas situações lhe chegam", disse Manuela Santos, da APAV.
A decisão de um jovem apresentar queixa ou expor esta experiência a um agente de autoridade "não é fácil de tomar", preferindo dirigir-se a uma instituição de apoio.
"A APAV recebe alguns pedidos de ajuda de jovens que partilham connosco as suas experiências de vitimação e nos pedem apoio e encaminhamento sobre o que podem fazer do ponto de vista legal", contou Manuela Santos, adiantando que essas solicitações têm vindo a crescer.
Para a investigadora Susana Lucas, do Instituto Piaget, as campanhas de prevenção têm contribuído para "mudar o paradigma" da violência no namoro ser "uma coisa encoberta e mostrar às pessoas que não estão sozinhas".
"Felizmente já começa a existir alguma procura [por parte dos jovens] das autoridades e das associações de apoio à vítima que depois os encaminha para os trâmites legais", disse Susana Lucas, adiantando que os maus-tratos começam por volta dos 13 anos.
Ativistas vão "intensificar" ocupação de casas vazias em Espanha
in Jornal de Notícias
A Plataforma de Afetados pelas Hipoteca e o Movimento 15M avisaram que vão "intensificar" a sua campanha civil de ocupação de casas vazias nas mãos de entidades financeiras e administrações públicas para alojar famílias despejadas em Espanha.
A campanha foi anunciada numa conferência de imprensa em frente ao Congresso de Deputados, em que Lola Fernández, da Plataforma de Afetados pelas Hipoteca (PAH), referiu que os cidadãos vão assinalar "publicamente" os deputados que votem contra a iniciativa popular que pretende travar despejos.
Na terça-feira, os deputados espanhóis aprovaram a tramitação parlamentar de uma iniciativa legislativa popular (ILP) que permite a entrega ao banco de uma casa como pagamento integral da dívida e a paralisação retroativa dos despejos.
O apoio unânime surgiu depois de o Partido Popular (PP) recuar na sua posição inicial, de votar contra a proposta, e o texto acabou por ser aprovado, num dia em que surgiram notícias de novos casos de suicídio, alegadamente motivados por despejos.
Na conferência de imprensa, Lola Fernández instou todas as formações políticas a apoiar, agora durante a tramitação parlamentar, os três elementos centrais da ILP: a dação retroativa, a paralisação imediata de todos os despejos e a criação de um parque imobiliário público para arrendamento social usando as casas vazias.
A associação PAH e o Movimento 15M exigem além disso que o texto, levado ao parlamento com 1,5 milhões de assinaturas, seja aprovado de forma urgente.
"Se não o fizerem, ou se mudarem o conteúdo, vamos assinalá-los como responsáveis pelo genocídio financeiro e terão que aceitar as consequências. Não pararemos aqui", disse.
"Face à atuação da banca, que acumula casas vazias enquanto despejam famílias, intensificaremos a nossa campanha de ocupação de andares vazios das entidades financeiras e das administrações", disse.
Nos últimos meses, a organização PAH, que nasceu do movimento dos indignados, tem-se multiplicado por toda a Espanha, realizando ações de protesto para evitar despejos e promover a ocupação de casas vazias.
Violeta Fernández, da Assembleia de Moradores de Madrid, interveio na mesma conferência de imprensa e apelou a todos os espanhóis para que "assinalem pública e pacificamente os deputados e os responsáveis políticos pela tragédia dos despejos" e dos suicídios que têm causado.
A Plataforma de Afetados pelas Hipoteca e o Movimento 15M avisaram que vão "intensificar" a sua campanha civil de ocupação de casas vazias nas mãos de entidades financeiras e administrações públicas para alojar famílias despejadas em Espanha.
A campanha foi anunciada numa conferência de imprensa em frente ao Congresso de Deputados, em que Lola Fernández, da Plataforma de Afetados pelas Hipoteca (PAH), referiu que os cidadãos vão assinalar "publicamente" os deputados que votem contra a iniciativa popular que pretende travar despejos.
Na terça-feira, os deputados espanhóis aprovaram a tramitação parlamentar de uma iniciativa legislativa popular (ILP) que permite a entrega ao banco de uma casa como pagamento integral da dívida e a paralisação retroativa dos despejos.
O apoio unânime surgiu depois de o Partido Popular (PP) recuar na sua posição inicial, de votar contra a proposta, e o texto acabou por ser aprovado, num dia em que surgiram notícias de novos casos de suicídio, alegadamente motivados por despejos.
Na conferência de imprensa, Lola Fernández instou todas as formações políticas a apoiar, agora durante a tramitação parlamentar, os três elementos centrais da ILP: a dação retroativa, a paralisação imediata de todos os despejos e a criação de um parque imobiliário público para arrendamento social usando as casas vazias.
A associação PAH e o Movimento 15M exigem além disso que o texto, levado ao parlamento com 1,5 milhões de assinaturas, seja aprovado de forma urgente.
"Se não o fizerem, ou se mudarem o conteúdo, vamos assinalá-los como responsáveis pelo genocídio financeiro e terão que aceitar as consequências. Não pararemos aqui", disse.
"Face à atuação da banca, que acumula casas vazias enquanto despejam famílias, intensificaremos a nossa campanha de ocupação de andares vazios das entidades financeiras e das administrações", disse.
Nos últimos meses, a organização PAH, que nasceu do movimento dos indignados, tem-se multiplicado por toda a Espanha, realizando ações de protesto para evitar despejos e promover a ocupação de casas vazias.
Violeta Fernández, da Assembleia de Moradores de Madrid, interveio na mesma conferência de imprensa e apelou a todos os espanhóis para que "assinalem pública e pacificamente os deputados e os responsáveis políticos pela tragédia dos despejos" e dos suicídios que têm causado.
12.2.13
Violência contra mulheres não terá fim 'a não ser que economia recupere'
por Sofia Branco, Agência Lusa, in Sol
A violência contra as mulheres não terá fim "a não ser que a economia recupere", sustenta Eve Ensler, fundadora da campanha que quer pôr mil milhões de pessoas a dançar no Dia dos Namorados.
Mais de 200 países, incluindo Portugal, já aderiram à dança global convocada para quinta-feira pela campanha One Billion Rising (www.onebillionrising.org), que quer acabar com a violência contra mulheres.
O nome tem explicação numa estatística das Nações Unidas: "mil milhões de mulheres -- uma em cada três -- serão violadas e agredidas no planeta durante a sua vida". A campanha propõe que um número igual ou superior de mulheres e homens se junte em todo o mundo, dançando, num só dia.
Fundadora da campanha e dramaturga norte-americana, celebrizada pela obra "Os Monólogos da Vagina", Eve Ensler falou com jornalistas de todo o mundo, numa teleconferência de uma hora.
Em resposta à pergunta da Lusa, Ensler reconheceu a relação entre crise e vulnerabilidade, alertando que, "em alturas de austeridade ou regressão económica, a violência contra mulheres sempre aumenta".
Entre as razões para o aumento da violência estão a degradação das condições de vida em geral, o sentimento de "humilhação" dos homens que se vêem sem rendimento e a "objectificação das mulheres", quer através do tráfico sexual, quer através da venda "por menos do que um telemóvel", enumera a activista.
"Não podemos eliminar a violência a não ser que a economia recupere e [se altere] a forma como tratamos 99 por cento das pessoas, (...) que vivem em stress e com dificuldades", frisa.
A dramaturga tem passado bastante tempo na República Democrática do Congo, onde milhões de mulheres são violadas e torturadas. E deu por si a imaginar o que o mundo poderia ser se, de repente, a violência cometida ali, com raízes no "colonialismo, capitalismo e pobreza", se tornasse numa realidade global.
Ali lhe surgiu a ideia para a campanha, por acreditar que, "se o coração de África começar a sarar as feridas, o resto mundo sarará também". Foram também as mulheres congolesas, "das mais fortes e bonitas" que já viu, que lhe deram a resposta, porque "transformam dor em poder, sofrimento em liderança, agonia em visão", através da dança.
"Vi o poder da dança e comecei a pensar o que seria se mil milhões de mulheres, e todos os homens que as amam, dançassem no mesmo dia, em todo o planeta", conta.
Ensler confia que será possível atingir o número de mil milhões de participantes, porque nenhuma ideia anterior "pegou fogo" como esta, juntando "organizações que nunca combateram juntas" e atraindo um número de homens "inédito na história do movimento contra a violência".
Já aderiram desde líderes políticos (presidente da Croácia, Ivo Josipovic, e primeira-ministra da Austrália, Julia Gillard) e religiosos (Dalai Lama) a trabalhadores, estrelas de cinema a mulheres indígenas, sindicatos a artistas.
A adesão e as redes sociais puseram "a violência contra as mulheres no centro da agenda nos países onde a campanha se vai realizar em simultâneo", destaca a activista. "Provavelmente nunca voltaremos a ver uma acção desta dimensão, especialmente pelas mulheres", diz.
Portanto, "o objectivo é agora o mundo", porque "a violência não é específica de nenhuma cultura e alastra-se por todo o planeta", realça.
"Temos de sair desta mentalidade que diz que [a violência contra mulheres] faz parte da nossa cultura. Podemos mudar. A cultura muda, certo? Estamos sempre a mudar a cultura, mudamos a forma como pensamos, a forma como sentimos. Costumávamos achar que o mundo era plano, costumávamos achar impossíveis coisas que agora são possíveis", recorda.
Impõe-se, defende, "desenvolver a imaginação" para criar um mundo "onde homens e mulheres vivam sem violência, sem um acima do outro, sem um a magoar e outro a sofrer".
Eve Ensler não tem dúvidas: o que vai acontecer a 14 de Fevereiro é "uma revolução através da dança". E deixa um apelo: "Quando dizemos o que não é suposto e fazemos o que não é suposto, o mundo muda." É isso que a fará dançar na quinta-feira, em Bukavu, na República Democrática do Congo.
Lusa/SOL
A violência contra as mulheres não terá fim "a não ser que a economia recupere", sustenta Eve Ensler, fundadora da campanha que quer pôr mil milhões de pessoas a dançar no Dia dos Namorados.
Mais de 200 países, incluindo Portugal, já aderiram à dança global convocada para quinta-feira pela campanha One Billion Rising (www.onebillionrising.org), que quer acabar com a violência contra mulheres.
O nome tem explicação numa estatística das Nações Unidas: "mil milhões de mulheres -- uma em cada três -- serão violadas e agredidas no planeta durante a sua vida". A campanha propõe que um número igual ou superior de mulheres e homens se junte em todo o mundo, dançando, num só dia.
Fundadora da campanha e dramaturga norte-americana, celebrizada pela obra "Os Monólogos da Vagina", Eve Ensler falou com jornalistas de todo o mundo, numa teleconferência de uma hora.
Em resposta à pergunta da Lusa, Ensler reconheceu a relação entre crise e vulnerabilidade, alertando que, "em alturas de austeridade ou regressão económica, a violência contra mulheres sempre aumenta".
Entre as razões para o aumento da violência estão a degradação das condições de vida em geral, o sentimento de "humilhação" dos homens que se vêem sem rendimento e a "objectificação das mulheres", quer através do tráfico sexual, quer através da venda "por menos do que um telemóvel", enumera a activista.
"Não podemos eliminar a violência a não ser que a economia recupere e [se altere] a forma como tratamos 99 por cento das pessoas, (...) que vivem em stress e com dificuldades", frisa.
A dramaturga tem passado bastante tempo na República Democrática do Congo, onde milhões de mulheres são violadas e torturadas. E deu por si a imaginar o que o mundo poderia ser se, de repente, a violência cometida ali, com raízes no "colonialismo, capitalismo e pobreza", se tornasse numa realidade global.
Ali lhe surgiu a ideia para a campanha, por acreditar que, "se o coração de África começar a sarar as feridas, o resto mundo sarará também". Foram também as mulheres congolesas, "das mais fortes e bonitas" que já viu, que lhe deram a resposta, porque "transformam dor em poder, sofrimento em liderança, agonia em visão", através da dança.
"Vi o poder da dança e comecei a pensar o que seria se mil milhões de mulheres, e todos os homens que as amam, dançassem no mesmo dia, em todo o planeta", conta.
Ensler confia que será possível atingir o número de mil milhões de participantes, porque nenhuma ideia anterior "pegou fogo" como esta, juntando "organizações que nunca combateram juntas" e atraindo um número de homens "inédito na história do movimento contra a violência".
Já aderiram desde líderes políticos (presidente da Croácia, Ivo Josipovic, e primeira-ministra da Austrália, Julia Gillard) e religiosos (Dalai Lama) a trabalhadores, estrelas de cinema a mulheres indígenas, sindicatos a artistas.
A adesão e as redes sociais puseram "a violência contra as mulheres no centro da agenda nos países onde a campanha se vai realizar em simultâneo", destaca a activista. "Provavelmente nunca voltaremos a ver uma acção desta dimensão, especialmente pelas mulheres", diz.
Portanto, "o objectivo é agora o mundo", porque "a violência não é específica de nenhuma cultura e alastra-se por todo o planeta", realça.
"Temos de sair desta mentalidade que diz que [a violência contra mulheres] faz parte da nossa cultura. Podemos mudar. A cultura muda, certo? Estamos sempre a mudar a cultura, mudamos a forma como pensamos, a forma como sentimos. Costumávamos achar que o mundo era plano, costumávamos achar impossíveis coisas que agora são possíveis", recorda.
Impõe-se, defende, "desenvolver a imaginação" para criar um mundo "onde homens e mulheres vivam sem violência, sem um acima do outro, sem um a magoar e outro a sofrer".
Eve Ensler não tem dúvidas: o que vai acontecer a 14 de Fevereiro é "uma revolução através da dança". E deixa um apelo: "Quando dizemos o que não é suposto e fazemos o que não é suposto, o mundo muda." É isso que a fará dançar na quinta-feira, em Bukavu, na República Democrática do Congo.
Lusa/SOL
Exportações de bens caem em dezembro mas crescem 5,8% em 2012
in Jornal de Notícias
As exportações de bens caíram 18,2% em dezembro face ao mês anterior, devido sobretudo a uma forte queda nas vendas de Portugal para países da União Europeia, mas no acumulado de 2012 cresceram 5,8%, segundo o Instituto Nacional de Estatística.
O final de 2012 ficou marcado por sucessivas greves dos trabalhadores dos portos de Lisboa, Setúbal, Aveiro e Figueira da Foz. Além disso, a crise da dívida soberana também afetou a procura europeia dirigida à economia portuguesa.
De acordo com as estatísticas do comércio internacional hoje divulgadas pelo Instituto Nacional de Estatística (INE), as exportações de Portugal caíram em termos mensais 21,7% em dezembro para os países da União Europeia, os principais parceiros comerciais do país, e 9,6% para os restantes países, pelo segundo mês consecutivo.
O INE justifica a queda de 18,2% nas exportações em dezembro, face a novembro, com a "diminuição verificada na quase totalidade dos grupos de produtos" e com maior dimensão no comércio dentro da União Europeia (UE).
Já em termos homólogos, as exportações diminuíram 3,2% em dezembro, devido à "evolução negativa registada no comércio Intra-UE" (-5,7%), sobretudo no setor dos veículos e outro material de transporte e nos minerais e minérios, justifica o INE, acrescentando contudo que as saídas de bens extra-UE aumentaram 2,7%.
As importações também continuaram a cair em dezembro face a novembro: 9,2% relativamente aos países da União Europeia, "reflexo principalmente da redução verificada no comércio Intra-UE", segundo o INE, e 2,9% aos restantes países.
Em termos homólogos, as importações diminuíram 7,9% também devido à "redução verificada no comércio Intra-UE" (-11,2%), principalmente na área das máquinas e aparelhos e veículos e outro material de transporte. Quanto às importações extra-UE revelam uma evolução de 2,2%.
No total dos 12 meses do ano passado as saídas aumentaram 5,8% e as entradas caíram 5,4% face a 2011.
A projeção do Governo para as exportações de bens e serviços para 2012 é de 4,3% e de -6,6% para as exportações.
Já no último trimestre de 2012, as exportações aumentaram 1% e as importações caíram 3% em termos homólogos, o que determinou um desagravamento do défice da balança comercial em 533,7 milhões de euros.
No quarto trimestre de 2012, as maiores quedas nas saídas ocorreram no material de transporte e acessórios (-14,8%) e nos combustíveis e lubrificantes (-8,7%), ao contrário das máquinas e outros bens de capital em que se registou um aumento (+15,2%).
Já nas entradas, destacam-se as quebras no material de transporte e acessórios (-14%) e nos bens de consumo (-7,6%) e o aumento verificado nos combustíveis e lubrificantes (+5,2%).
As exportações de bens caíram 18,2% em dezembro face ao mês anterior, devido sobretudo a uma forte queda nas vendas de Portugal para países da União Europeia, mas no acumulado de 2012 cresceram 5,8%, segundo o Instituto Nacional de Estatística.
O final de 2012 ficou marcado por sucessivas greves dos trabalhadores dos portos de Lisboa, Setúbal, Aveiro e Figueira da Foz. Além disso, a crise da dívida soberana também afetou a procura europeia dirigida à economia portuguesa.
De acordo com as estatísticas do comércio internacional hoje divulgadas pelo Instituto Nacional de Estatística (INE), as exportações de Portugal caíram em termos mensais 21,7% em dezembro para os países da União Europeia, os principais parceiros comerciais do país, e 9,6% para os restantes países, pelo segundo mês consecutivo.
O INE justifica a queda de 18,2% nas exportações em dezembro, face a novembro, com a "diminuição verificada na quase totalidade dos grupos de produtos" e com maior dimensão no comércio dentro da União Europeia (UE).
Já em termos homólogos, as exportações diminuíram 3,2% em dezembro, devido à "evolução negativa registada no comércio Intra-UE" (-5,7%), sobretudo no setor dos veículos e outro material de transporte e nos minerais e minérios, justifica o INE, acrescentando contudo que as saídas de bens extra-UE aumentaram 2,7%.
As importações também continuaram a cair em dezembro face a novembro: 9,2% relativamente aos países da União Europeia, "reflexo principalmente da redução verificada no comércio Intra-UE", segundo o INE, e 2,9% aos restantes países.
Em termos homólogos, as importações diminuíram 7,9% também devido à "redução verificada no comércio Intra-UE" (-11,2%), principalmente na área das máquinas e aparelhos e veículos e outro material de transporte. Quanto às importações extra-UE revelam uma evolução de 2,2%.
No total dos 12 meses do ano passado as saídas aumentaram 5,8% e as entradas caíram 5,4% face a 2011.
A projeção do Governo para as exportações de bens e serviços para 2012 é de 4,3% e de -6,6% para as exportações.
Já no último trimestre de 2012, as exportações aumentaram 1% e as importações caíram 3% em termos homólogos, o que determinou um desagravamento do défice da balança comercial em 533,7 milhões de euros.
No quarto trimestre de 2012, as maiores quedas nas saídas ocorreram no material de transporte e acessórios (-14,8%) e nos combustíveis e lubrificantes (-8,7%), ao contrário das máquinas e outros bens de capital em que se registou um aumento (+15,2%).
Já nas entradas, destacam-se as quebras no material de transporte e acessórios (-14%) e nos bens de consumo (-7,6%) e o aumento verificado nos combustíveis e lubrificantes (+5,2%).
Sobe o número de portugueses vítimas de tráfico human
Augusto Freitas de Sousa, in Jornal de Notícias
Portugal deixou de ser, principalmente, um destino de vítimas de tráfico de seres humanos para ser, ele mesmo, um país de origem. O relatório do Conselho da Europa deixa 29 recomendações.
O relatório do Grupo de peritos em ações contra o tráfico de seres humanos (GRETA), do Conselho da Europa, refere que, entre 2008 e 2011, do total de 479 alegadas vítimas identificadas em Portugal (oficialmente, só 122 foram classificadas como tal) a maioria era originária de países como o Brasil (35% do total) e Moçambique (15%).
Porém, o documento refere que Portugal é, atualmente, um país de origem com "um número crescente de portugueses explorados no próprio país e em estados vizinhos, particularmente em Espanha". Os números apontam para que 35% do total das vítimas sejam portuguesas. Um aumento que Portugal relativiza uma vez que, tradicionalmente, a escravatura ou práticas similares são abrangidas por outro artigo do Código Penal que não o tráfico de seres humanos.
Entre as 29 recomendações que aquele grupo do Conselho da Europa faz a Portugal, refere-se o número escasso de condenações por tráfico de seres humanos. De acordo com o documento, as autoridades portuguesas devem tomar medidas para "identificar lacunas no processo de investigação e apresentação de casos nos tribunais". Uma alteração que pretende garantir que "os crimes de tráfico de seres humanos são efetivamente investigados e acusados, levando a sanções proporcionadas e dissuasivas".
O relatório divulgado hoje refere que Portugal deve concentrar esforços, em particular, no tráfico para fins de exploração de trabalho e ainda "ter mais em conta as vítimas do sexo masculino e crianças que não são devidamente atendidas no sistema atual".
A cooperação internacional na identificação de traficantes e vítimas faz parte das medidas propostas, juntamente com ações que evitem a imigração ilegal. Para o GRETA, as autoridades "devem continuar os seus esforços para detetar casos de tráfico através de um maior controlo de fronteiras. Aquele grupo convida ainda Portugal a dar formação ao pessoal consular no intuito de tornar mais fácil a deteção de riscos de tráfico de seres humanos durante os processos de pedidos de vistos.
Uma recomendação contida no relatório refere-se ainda à necessidade de intensificar as medidas económicas e sociais que abordem as causas subjacentes deste tipo de crime, como sejam a situação económica e social, a falta de educação, desemprego, entre outras.
A secretária de Estado dos Assuntos Parlamentares e da Igualdade, Teresa Morais, que tutela a Comissão para a Cidadania e Igualdade de Género, onde são implementadas estas políticas, respondeu ao GRETA que as recomendações e comentários são um bom guia para a continuação do trabalho em Portugal.
Portugal deixou de ser, principalmente, um destino de vítimas de tráfico de seres humanos para ser, ele mesmo, um país de origem. O relatório do Conselho da Europa deixa 29 recomendações.
O relatório do Grupo de peritos em ações contra o tráfico de seres humanos (GRETA), do Conselho da Europa, refere que, entre 2008 e 2011, do total de 479 alegadas vítimas identificadas em Portugal (oficialmente, só 122 foram classificadas como tal) a maioria era originária de países como o Brasil (35% do total) e Moçambique (15%).
Porém, o documento refere que Portugal é, atualmente, um país de origem com "um número crescente de portugueses explorados no próprio país e em estados vizinhos, particularmente em Espanha". Os números apontam para que 35% do total das vítimas sejam portuguesas. Um aumento que Portugal relativiza uma vez que, tradicionalmente, a escravatura ou práticas similares são abrangidas por outro artigo do Código Penal que não o tráfico de seres humanos.
Entre as 29 recomendações que aquele grupo do Conselho da Europa faz a Portugal, refere-se o número escasso de condenações por tráfico de seres humanos. De acordo com o documento, as autoridades portuguesas devem tomar medidas para "identificar lacunas no processo de investigação e apresentação de casos nos tribunais". Uma alteração que pretende garantir que "os crimes de tráfico de seres humanos são efetivamente investigados e acusados, levando a sanções proporcionadas e dissuasivas".
O relatório divulgado hoje refere que Portugal deve concentrar esforços, em particular, no tráfico para fins de exploração de trabalho e ainda "ter mais em conta as vítimas do sexo masculino e crianças que não são devidamente atendidas no sistema atual".
A cooperação internacional na identificação de traficantes e vítimas faz parte das medidas propostas, juntamente com ações que evitem a imigração ilegal. Para o GRETA, as autoridades "devem continuar os seus esforços para detetar casos de tráfico através de um maior controlo de fronteiras. Aquele grupo convida ainda Portugal a dar formação ao pessoal consular no intuito de tornar mais fácil a deteção de riscos de tráfico de seres humanos durante os processos de pedidos de vistos.
Uma recomendação contida no relatório refere-se ainda à necessidade de intensificar as medidas económicas e sociais que abordem as causas subjacentes deste tipo de crime, como sejam a situação económica e social, a falta de educação, desemprego, entre outras.
A secretária de Estado dos Assuntos Parlamentares e da Igualdade, Teresa Morais, que tutela a Comissão para a Cidadania e Igualdade de Género, onde são implementadas estas políticas, respondeu ao GRETA que as recomendações e comentários são um bom guia para a continuação do trabalho em Portugal.
O lugar do Pego Negro é uma quase-ilha onde se podia viver bem melhor
in Público on-line
Na Campanhã das fábricas que já não existem ficaram as ilhas, onde há rendas demasiado altas para a falta de condições evidente. Duas escolas tentam reabilitar estes locais do Porto e acabar com estigmas
José paga 280 euros de renda, mas dorme no chão. A casa que habita, num emaranhado de habitações na Rua do Pego Negro, em Campanhã (Porto), é tão pequena que não chega para mais. Casado e com três filhos, tem um colchão no chão do que seria uma sala pequena e é aí que passa as noites, com a mulher e o filho de um ano e meio. O único quarto da casa - que tem ainda uma cozinha e uma casa de banho exíguas - é para os outros dois filhos do casal, de 14 e 8 anos. O espaço não chega, claramente, mas ainda assim é melhor do que a opção anterior, quando a família se amontoava num único quarto, no bairro camarário onde morava a mãe de José.
A casa onde vive hoje a sua família não fica numa ilha, mas é como se ficasse. Não há um portão comum a vedar o acesso às habitações da rua, mas o isolamento a que o conjunto está votado, rodeado por vias rápidas, parece maior do que se houvesse o tal portão a fechar o caminho. Há casas espalhadas pela rua circular que termina no mesmo sítio onde começa e casas amontoadas em corredores com um acesso comum. É aí que vivem José, Mónica, Ana ou César. Na semana passada, Ana pediu ajuda à Junta de Campanhã para tentar obter uma habitação camarária, depois de a saúde do filho, de sete meses, se ter ressentido "da humidade e do gelo" que inundam a casa do Pego Negro. Quando uma equipa de técnicos chegou o local, para ajudar a moradora a instruir o processo, deparou-se com um grupo de vizinhos, que perguntava: "Então, e nós?".
No dia seguinte, os professores Fernando Matos Rodrigues e Berta Granja estavam no local, acompanhados de José António Pinto, assistente social da Junta de Freguesia de Campanhã, e de um grupo de estagiárias do Instituto Superior de Serviço Social do Porto (ISSSP), que está a trabalhar na junta. São elas que estão a levar às ilhas da freguesia um questionário para tentar traçar o retrato dos principais problemas que os seus moradores vivem no dia-a-dia, para que seja possível construir soluções que permitam ultrapassá-los. Ao mesmo tempo que as estagiárias do ISSSP, a que pertence Berta Granja, traçam o retrato social dos moradores, Matos Rodrigues, da Escola Superior Artística do Porto (ESAP), vai fazendo o perfil das necessidades físicas das ilhas, tentando perceber como é possível melhorar e, até, rentabilizar, estes espaços. Um trabalho que deverá ser sistematizado por um Laboratório da Habitação, que a ESAP e o ISSSP estão a criar em conjunto (ver texto ao lado).
No Pego Negro, os dois professores encontraram muitos dos problemas que existem noutras ilhas da cidade - casas sobrelotadas, com problemas de humidade e sem saneamento. "Há que repensar estas ocupações com condições de dignidade", defende Berta Granja. Matos Rodrigues acrescenta: "Está-se a investir muito no espaço público e não nas pessoas, na cidade real. É preciso investir nesta arquitectura, que constitui um património muito importante. Se isto não existisse, estas pessoas já não estariam na cidade. E o problema é que muitas delas já nem conseguem suportar as rendas de locais como este, que são muito elevadas para as condições que oferecem".
Um bom exemplo à porta
Entre as várias casas do Pego Negro, há um exemplo do que o futuro poderia ser. A casa de Odete, que pertence ao sogro, foi totalmente reabilitada. Por dentro, parece um apartamento moderno da zona central da cidade. "Com a porta fechada, até me esqueço de onde estou", diz a moradora. Investiu ali porque a casa pertence à família e porque gosta do sossego do lugar do Pego Negro, onde nasceu e casou. Por isso, diz, beneficia do melhor dos dois mundos - conforto e modernidade, dentro de portas; sossego, vizinhança e vista familiares, quando sai à rua.
Enquanto o Laboratório de Habitação não se instala, José António Pinto e as estagiárias do ISSSP já lançaram mãos à obra e o assistente social tem ideias muito concretas sobre os próximos passos a dar no Pego Negro: "É preciso dinamizar a comissão de moradores, fazer um levantamento fotográfico e de vídeo do que existe hoje", diz. Na forja está também um convite a todos os candidatos à Câmara do Porto para que visitem o local, com o alerta para que o núcleo habitacional tenha o tratamento devido a quem vive paredes-meias com o Parque Oriental. E, das fotografias que se vão tirar, poderá nascer uma exposição a ser instalada na sede da antiga associação de moradores do Pego Negro, actualmente ao abandono.
É também aí que os envolvidos neste trabalho - que Berta Granja descreve como "economia social e habitacional" - querem ver desenvolvidas outras iniciativas cívicas e culturais, para levar aos moradores uma dinâmica que hoje lhes foge. O objectivo final é que, com o apoio dos senhorios das habitações e dos próprios moradores, se possa melhorar a qualidade de vida de todos. Para que Mónica deixe de ter de partilhar a cama com os quatro filhos no único quarto da casa ou de sair à rua para ir à casa de banho da habitação, que fica no exterior (180 euros de renda). Para que César, que paga 250 euros de renda, não tenha de ter o berço do filho encostado a uma parede de tijolo, construída por ele e ainda por pintar, para substituir a madeira podre da divisão. Para que as águas residuais de todos não continuem a ir parar ao rio Tinto, que corre ali ao lado.
Na Campanhã das fábricas que já não existem ficaram as ilhas, onde há rendas demasiado altas para a falta de condições evidente. Duas escolas tentam reabilitar estes locais do Porto e acabar com estigmas
José paga 280 euros de renda, mas dorme no chão. A casa que habita, num emaranhado de habitações na Rua do Pego Negro, em Campanhã (Porto), é tão pequena que não chega para mais. Casado e com três filhos, tem um colchão no chão do que seria uma sala pequena e é aí que passa as noites, com a mulher e o filho de um ano e meio. O único quarto da casa - que tem ainda uma cozinha e uma casa de banho exíguas - é para os outros dois filhos do casal, de 14 e 8 anos. O espaço não chega, claramente, mas ainda assim é melhor do que a opção anterior, quando a família se amontoava num único quarto, no bairro camarário onde morava a mãe de José.
A casa onde vive hoje a sua família não fica numa ilha, mas é como se ficasse. Não há um portão comum a vedar o acesso às habitações da rua, mas o isolamento a que o conjunto está votado, rodeado por vias rápidas, parece maior do que se houvesse o tal portão a fechar o caminho. Há casas espalhadas pela rua circular que termina no mesmo sítio onde começa e casas amontoadas em corredores com um acesso comum. É aí que vivem José, Mónica, Ana ou César. Na semana passada, Ana pediu ajuda à Junta de Campanhã para tentar obter uma habitação camarária, depois de a saúde do filho, de sete meses, se ter ressentido "da humidade e do gelo" que inundam a casa do Pego Negro. Quando uma equipa de técnicos chegou o local, para ajudar a moradora a instruir o processo, deparou-se com um grupo de vizinhos, que perguntava: "Então, e nós?".
No dia seguinte, os professores Fernando Matos Rodrigues e Berta Granja estavam no local, acompanhados de José António Pinto, assistente social da Junta de Freguesia de Campanhã, e de um grupo de estagiárias do Instituto Superior de Serviço Social do Porto (ISSSP), que está a trabalhar na junta. São elas que estão a levar às ilhas da freguesia um questionário para tentar traçar o retrato dos principais problemas que os seus moradores vivem no dia-a-dia, para que seja possível construir soluções que permitam ultrapassá-los. Ao mesmo tempo que as estagiárias do ISSSP, a que pertence Berta Granja, traçam o retrato social dos moradores, Matos Rodrigues, da Escola Superior Artística do Porto (ESAP), vai fazendo o perfil das necessidades físicas das ilhas, tentando perceber como é possível melhorar e, até, rentabilizar, estes espaços. Um trabalho que deverá ser sistematizado por um Laboratório da Habitação, que a ESAP e o ISSSP estão a criar em conjunto (ver texto ao lado).
No Pego Negro, os dois professores encontraram muitos dos problemas que existem noutras ilhas da cidade - casas sobrelotadas, com problemas de humidade e sem saneamento. "Há que repensar estas ocupações com condições de dignidade", defende Berta Granja. Matos Rodrigues acrescenta: "Está-se a investir muito no espaço público e não nas pessoas, na cidade real. É preciso investir nesta arquitectura, que constitui um património muito importante. Se isto não existisse, estas pessoas já não estariam na cidade. E o problema é que muitas delas já nem conseguem suportar as rendas de locais como este, que são muito elevadas para as condições que oferecem".
Um bom exemplo à porta
Entre as várias casas do Pego Negro, há um exemplo do que o futuro poderia ser. A casa de Odete, que pertence ao sogro, foi totalmente reabilitada. Por dentro, parece um apartamento moderno da zona central da cidade. "Com a porta fechada, até me esqueço de onde estou", diz a moradora. Investiu ali porque a casa pertence à família e porque gosta do sossego do lugar do Pego Negro, onde nasceu e casou. Por isso, diz, beneficia do melhor dos dois mundos - conforto e modernidade, dentro de portas; sossego, vizinhança e vista familiares, quando sai à rua.
Enquanto o Laboratório de Habitação não se instala, José António Pinto e as estagiárias do ISSSP já lançaram mãos à obra e o assistente social tem ideias muito concretas sobre os próximos passos a dar no Pego Negro: "É preciso dinamizar a comissão de moradores, fazer um levantamento fotográfico e de vídeo do que existe hoje", diz. Na forja está também um convite a todos os candidatos à Câmara do Porto para que visitem o local, com o alerta para que o núcleo habitacional tenha o tratamento devido a quem vive paredes-meias com o Parque Oriental. E, das fotografias que se vão tirar, poderá nascer uma exposição a ser instalada na sede da antiga associação de moradores do Pego Negro, actualmente ao abandono.
É também aí que os envolvidos neste trabalho - que Berta Granja descreve como "economia social e habitacional" - querem ver desenvolvidas outras iniciativas cívicas e culturais, para levar aos moradores uma dinâmica que hoje lhes foge. O objectivo final é que, com o apoio dos senhorios das habitações e dos próprios moradores, se possa melhorar a qualidade de vida de todos. Para que Mónica deixe de ter de partilhar a cama com os quatro filhos no único quarto da casa ou de sair à rua para ir à casa de banho da habitação, que fica no exterior (180 euros de renda). Para que César, que paga 250 euros de renda, não tenha de ter o berço do filho encostado a uma parede de tijolo, construída por ele e ainda por pintar, para substituir a madeira podre da divisão. Para que as águas residuais de todos não continuem a ir parar ao rio Tinto, que corre ali ao lado.
Guerra à medicina ocidental leva à morte de 25 pessoas por vacinarem crianças
Romana Borja-Santos, in Público on-line
Vacinar está a custar a vida a vários profissionais de saúde.
O acto de vacinar crianças contra a poliomielite tem custado a vida a vários profissionais de saúde em países como a Nigéria, onde esses profissionais estão a ser vistos como estando ao serviço da medicina ocidental contra o islão. Desde Dezembro, já morreram 25 pessoas na Nigéria, Paquistão e Afeganistão, em atentados que tiveram na sua origem esse motivo.
A escalada da violência e de ataques em serviços de saúde levou mesmo a Organização das Nações Unidas (ONU) a suspender o programa de vacinação que tinha no Paquistão para erradicar a poliomielite. O Paquistão é, a par do Afeganistão e da Nigéria, um dos três únicos países do mundo onde esta doença altamente contagiosa ainda é endémica. No ano passado, na Nigéria, foram detectados 121 casos, 58 no Paquistão e 37 no Afeganistão. Isto apesar de a poliomielite poder ser completamente erradicada pela vacinação e de provocar paralisias muito graves em quem é infectado.
O problema é que os taliban acreditam que muitas das campanhas de vacinação em vigor no terreno não são mais do que estratégias ocidentais para obter informação interna dos países. Uma desconfiança que aumentou muito depois de a CIA ter utilizado uma campanha falsa contra a hepatite para conseguir no Paquistão pistas sobre o paradeiro de Bin Laden. Aliás, o médico paquistanês que esteve à frente da campanha, lembra o El País, foi condenado a 33 anos de prisão, por traição.
Desta vez, nove mulheres que estavam a vacinar crianças em Kano, no Norte da Nigéria, foram assassinadas a tiro na sexta-feira, em dois ataques idênticos. Homens armados em moto abriram fogo contra dois centros de saúde com um intervalo de meia hora, adiantou o El País. Um dia antes, um clérigo islâmico muito controverso na Nigéria tinha feito declarações públicas contra a vacinação, dizendo que as inoculações tornam as crianças inférteis e que os casos que têm surgido de poliomielite se devem a medicamentos contaminados fornecidos pelos responsáveis que lideram o programa no país.
Até agora, a autoria do atentado ainda não foi reivindicada, mas o dedo tem sido apontado aos islamistas radicais de Boko Haram, que têm condenado o plano da medicina ocidental e insistido para que as autoridades do país imponham a sharia, a lei islâmica, no país. Também o activista Shehu Sani, presidente do Congresso dos Direitos Civis da Nigéria, ao Guardian, salientou que o grupo “Boko Haram e os taliban no Paquistão e Afeganistão partilham uma ideologia comum e uma estratégia comum” perante o que consideram ser um perigo em comum.
Já no Paquistão, dois ataques diferentes, um em Dezembro e outro em Janeiro, mataram 16 pessoas, na maioria também mulheres, que estavam a trabalhar nas campanhas de vacinação.
A luta contra as campanhas não é, porém, inédita. Um grupo de radicais islâmicos fez há uns anos uma campanha que associava a imunização à esterilidade e ao VIH/sida, o que fez com que os casos ressurgissem na Nigéria por não-adesão à vacina. “Isto é claramente um obstáculo na erradicação da poliomielite na Nigéria, mas não implicará uma paragem”, disse à Reuters Oyewale Tomorio, membro da campanha de vacinação no país.
Em relação a Portugal, o país não regista casos de poliomielite aguda por vírus selvagem desde 1987, facto que se deve às elevadas coberturas vacinais mantidas há décadas. Ainda assim, para quem viaja, a Direcção-Geral da Saúde tem insistido na necessidade da vacinação contra a poliomielite quando os destinos procurados são áreas endémicas, de transmissão restabelecida ou com ocorrência registada de surtos. A doença foi considerada eliminada da região europeia em 2002, pela Organização Mundial de Saúde.
Vacinar está a custar a vida a vários profissionais de saúde.
O acto de vacinar crianças contra a poliomielite tem custado a vida a vários profissionais de saúde em países como a Nigéria, onde esses profissionais estão a ser vistos como estando ao serviço da medicina ocidental contra o islão. Desde Dezembro, já morreram 25 pessoas na Nigéria, Paquistão e Afeganistão, em atentados que tiveram na sua origem esse motivo.
A escalada da violência e de ataques em serviços de saúde levou mesmo a Organização das Nações Unidas (ONU) a suspender o programa de vacinação que tinha no Paquistão para erradicar a poliomielite. O Paquistão é, a par do Afeganistão e da Nigéria, um dos três únicos países do mundo onde esta doença altamente contagiosa ainda é endémica. No ano passado, na Nigéria, foram detectados 121 casos, 58 no Paquistão e 37 no Afeganistão. Isto apesar de a poliomielite poder ser completamente erradicada pela vacinação e de provocar paralisias muito graves em quem é infectado.
O problema é que os taliban acreditam que muitas das campanhas de vacinação em vigor no terreno não são mais do que estratégias ocidentais para obter informação interna dos países. Uma desconfiança que aumentou muito depois de a CIA ter utilizado uma campanha falsa contra a hepatite para conseguir no Paquistão pistas sobre o paradeiro de Bin Laden. Aliás, o médico paquistanês que esteve à frente da campanha, lembra o El País, foi condenado a 33 anos de prisão, por traição.
Desta vez, nove mulheres que estavam a vacinar crianças em Kano, no Norte da Nigéria, foram assassinadas a tiro na sexta-feira, em dois ataques idênticos. Homens armados em moto abriram fogo contra dois centros de saúde com um intervalo de meia hora, adiantou o El País. Um dia antes, um clérigo islâmico muito controverso na Nigéria tinha feito declarações públicas contra a vacinação, dizendo que as inoculações tornam as crianças inférteis e que os casos que têm surgido de poliomielite se devem a medicamentos contaminados fornecidos pelos responsáveis que lideram o programa no país.
Até agora, a autoria do atentado ainda não foi reivindicada, mas o dedo tem sido apontado aos islamistas radicais de Boko Haram, que têm condenado o plano da medicina ocidental e insistido para que as autoridades do país imponham a sharia, a lei islâmica, no país. Também o activista Shehu Sani, presidente do Congresso dos Direitos Civis da Nigéria, ao Guardian, salientou que o grupo “Boko Haram e os taliban no Paquistão e Afeganistão partilham uma ideologia comum e uma estratégia comum” perante o que consideram ser um perigo em comum.
Já no Paquistão, dois ataques diferentes, um em Dezembro e outro em Janeiro, mataram 16 pessoas, na maioria também mulheres, que estavam a trabalhar nas campanhas de vacinação.
A luta contra as campanhas não é, porém, inédita. Um grupo de radicais islâmicos fez há uns anos uma campanha que associava a imunização à esterilidade e ao VIH/sida, o que fez com que os casos ressurgissem na Nigéria por não-adesão à vacina. “Isto é claramente um obstáculo na erradicação da poliomielite na Nigéria, mas não implicará uma paragem”, disse à Reuters Oyewale Tomorio, membro da campanha de vacinação no país.
Em relação a Portugal, o país não regista casos de poliomielite aguda por vírus selvagem desde 1987, facto que se deve às elevadas coberturas vacinais mantidas há décadas. Ainda assim, para quem viaja, a Direcção-Geral da Saúde tem insistido na necessidade da vacinação contra a poliomielite quando os destinos procurados são áreas endémicas, de transmissão restabelecida ou com ocorrência registada de surtos. A doença foi considerada eliminada da região europeia em 2002, pela Organização Mundial de Saúde.
A violência na comunidade escolar
José Morgado, in Público on-line
No final da semana passada a Procuradoria-Geral Distrital de Lisboa divulgou alguns dados sobre a actividade do Ministério Público em 2012. Entre outra informação lê-se que se registaram 245 processos de violência nas comunidades escolares, mais 86 que em 2011, um aumento de 54%. O Distrito Judicial de Lisboa abrange os círculos judiciais de Almada, Caldas da Rainha, Cascais, Sintra, Lisboa, Loures, Oeiras, Amadora, Torres Vedras e Vila Franca de Xira, além das regiões autónomas dos Açores e da Madeira, o que traduz um retrato significativo do país.
Estes números referem-se, evidentemente, a episódios reportados sendo que, como acontece em múltiplas áreas, muitos outras ocorrências não serão contabilizadas. Estranhamente, do meu ponto de vista, esta informação não passou, que desse conta,
de uma nota de rodapé em alguma imprensa, o aumento do fenómeno da violência na comunidade escolar parece já não merecer mais do que uma referência breve, sem um sobressalto. Creio, no entanto, que se justificam algumas notas.
Os comportamentos agressivos em contexto escolar, bullying por exemplo, são tão antigos quanto a instituição escolar, sendo certo que os estudos destes fenómenos são mais recentes. Actualmente, estes fenómenos são também mais objecto de referências fora dos contextos escolares dado o volume e a gravidade de algumas situações, bem como a divulgação de estudos e a fortíssima mediatização advinda do papel das novas tecnologias de informação. Todos recordamos variadíssimos episódios de violência que surgiram no YouTube registados em salas de aula, recreios escolares ou fora da escola e que tiveram ampla divulgação.
Em vários estudos muito recentes constata-se que os adolescentes tendem a encarar a violência entre si, e de uma forma geral, como normal, o que não surpreenderá os mais atentos. A sociedade da informação e os sistemas de valores actuais banalizaram a violência, não são os adolescentes que a banalizaram, acompanham o tempo.
Por outro lado, a escola, por ser o espaço onde os adolescentes passam a maior parte do seu tempo é, naturalmente, o espaço onde emergem e se tornam visíveis os problemas e inquietações que os alunos carregam. No entanto, não é possível considerar-se que a escola é mágica e omnipotente pelo que tudo resolverá. “Tudo” pode envolver a escola, mas nem “tudo” é da exclusiva responsabilidade da escola. A escola não tem meios, recursos e competências para “resolver” um problema que é, sobretudo, da comunidade. Aliás, a violência é apenas um dos vários aspectos em que sendo certo que a escola pode fazer parte da solução, não é, não pode e não consegue ser A solução, admitindo que existe uma solução, algo de improvável nos nossos tempos.
Apesar disso, no que respeita à violência envolvendo jovens e outros elementos das comunidades escolares, um fenómeno complexo, duas questões que me parecem essenciais e contributivas para a reflexão. Em primeiro lugar é importante criar nos alunos, ou adultos, vitimizados a convicção de que se podem queixar e denunciar as situações e encontrar dispositivos de apoio que garantam protecção, o medo de represálias é o principal motivo da não apresentação da queixa, sobretudo entre os mais novos. É importante também que os actores da escola e pais e encarregados de educação saibam detectar nos alunos sinais que indiciem vitimização.
Em segundo lugar, é preciso contrariar no limite do possível a ideia de impunidade, de que não acontece nada ao agressor, seja aluno, pai ou encarregado de educação, funcionário, professor, etc. As escolas, tal como a comunidade em geral podem e devem
assumir atitudes, discursos e montar dispositivos que, visivelmente, mostrem com clareza que não existe tolerância para determinados comportamentos. Os efeitos de uma certa cultura de impunidade que de mansinho se instalou em múltiplos sectores da nossa sociedade são devastadores da sua qualidade ética e cívica.
Por outro lado e no que respeita à violência que envolve professores, o desgaste, intencional ou não, da imagem dos professores produzido por discursos de responsáveis, incluindo parte do discurso de responsáveis da tutela, algum do discurso produzido
pelos próprios representantes dos professores e também o discurso que muitos opinadores profissionais, mais ou menos ignorantes, produzem sobre os professores e a escola, contribuíram para um risco evidente de desvalorização da imagem social
dos professores, fragilizando-a seriamente aos olhos da comunidade educativa, designadamente de alunos e pais. Esta fragilização, para além das alterações nos modelos que regulam as interacções sociais, tem, do meu ponto de vista, graves e óbvias consequências, na relação dos professores com alunos e pais, sobretudo porque mina a percepção da autoridade e do papel regulador dos professores.
Um professor ganha tanta mais autoridade quanto mais competente e apoiado se sentir. É também importante não esquecer a formação de professores. As escolas de formação de professores não podem “ensinar” só o que sabem ensinar, mas o que é necessário ser aprendido e reflectido pelos novos professores e pelos professores já em exercício. Problemas "novos" carecem também de abordagens "novas". São recorrentes as referências a falta de formação para lidar com algumas situações de maior tensão.
As escolas devem poder usar a sua autonomia para desenvolver dispositivos de apoio, por exemplo, o recurso a outros técnicos ou a utilização regular de dois professores em sala de aula que pode ser uma medida de contenção de problemas de natureza disciplinar que não raramente se transformam em episódios de violência, no momentoou algum tempo depois no recreio ou à saída da escola. Não é necessário aumentar o número de professores, é imprescindível que os recursos sejam geridos de outra maneira e aproveitar os professores experientes que já estão no sistema. Parece também claro que escolas e turmas sobredimensionadas são um enorme factor de risco em muitas escolas, em sala de aula ou no recreio. Este risco, entre outros, tem sido, aliás, pouco considerado, nas decisões do Ministério da Educação e Ciência em matéria de organização da rede escolar, na gestão do número de professores e na definição do número de alunos por turma.
Escolas organizadas, com cultura institucional sólida traduzida na adequação e consistência dos seus projectos educativos e com lideranças eficazes são mais organizadoras dos comportamentos de quem nelas habita, como qualquer outra organização.
Os discursos demagógicos e populistas, ainda que eventualmente bem-intencionados, não são um bom serviço à minimização destes incidentes que minam a qualidade cívica da nossa vida.
José Morgado é professor universitário no Instituto Superior de Psicologia Aplicada
No final da semana passada a Procuradoria-Geral Distrital de Lisboa divulgou alguns dados sobre a actividade do Ministério Público em 2012. Entre outra informação lê-se que se registaram 245 processos de violência nas comunidades escolares, mais 86 que em 2011, um aumento de 54%. O Distrito Judicial de Lisboa abrange os círculos judiciais de Almada, Caldas da Rainha, Cascais, Sintra, Lisboa, Loures, Oeiras, Amadora, Torres Vedras e Vila Franca de Xira, além das regiões autónomas dos Açores e da Madeira, o que traduz um retrato significativo do país.
Estes números referem-se, evidentemente, a episódios reportados sendo que, como acontece em múltiplas áreas, muitos outras ocorrências não serão contabilizadas. Estranhamente, do meu ponto de vista, esta informação não passou, que desse conta,
de uma nota de rodapé em alguma imprensa, o aumento do fenómeno da violência na comunidade escolar parece já não merecer mais do que uma referência breve, sem um sobressalto. Creio, no entanto, que se justificam algumas notas.
Os comportamentos agressivos em contexto escolar, bullying por exemplo, são tão antigos quanto a instituição escolar, sendo certo que os estudos destes fenómenos são mais recentes. Actualmente, estes fenómenos são também mais objecto de referências fora dos contextos escolares dado o volume e a gravidade de algumas situações, bem como a divulgação de estudos e a fortíssima mediatização advinda do papel das novas tecnologias de informação. Todos recordamos variadíssimos episódios de violência que surgiram no YouTube registados em salas de aula, recreios escolares ou fora da escola e que tiveram ampla divulgação.
Em vários estudos muito recentes constata-se que os adolescentes tendem a encarar a violência entre si, e de uma forma geral, como normal, o que não surpreenderá os mais atentos. A sociedade da informação e os sistemas de valores actuais banalizaram a violência, não são os adolescentes que a banalizaram, acompanham o tempo.
Por outro lado, a escola, por ser o espaço onde os adolescentes passam a maior parte do seu tempo é, naturalmente, o espaço onde emergem e se tornam visíveis os problemas e inquietações que os alunos carregam. No entanto, não é possível considerar-se que a escola é mágica e omnipotente pelo que tudo resolverá. “Tudo” pode envolver a escola, mas nem “tudo” é da exclusiva responsabilidade da escola. A escola não tem meios, recursos e competências para “resolver” um problema que é, sobretudo, da comunidade. Aliás, a violência é apenas um dos vários aspectos em que sendo certo que a escola pode fazer parte da solução, não é, não pode e não consegue ser A solução, admitindo que existe uma solução, algo de improvável nos nossos tempos.
Apesar disso, no que respeita à violência envolvendo jovens e outros elementos das comunidades escolares, um fenómeno complexo, duas questões que me parecem essenciais e contributivas para a reflexão. Em primeiro lugar é importante criar nos alunos, ou adultos, vitimizados a convicção de que se podem queixar e denunciar as situações e encontrar dispositivos de apoio que garantam protecção, o medo de represálias é o principal motivo da não apresentação da queixa, sobretudo entre os mais novos. É importante também que os actores da escola e pais e encarregados de educação saibam detectar nos alunos sinais que indiciem vitimização.
Em segundo lugar, é preciso contrariar no limite do possível a ideia de impunidade, de que não acontece nada ao agressor, seja aluno, pai ou encarregado de educação, funcionário, professor, etc. As escolas, tal como a comunidade em geral podem e devem
assumir atitudes, discursos e montar dispositivos que, visivelmente, mostrem com clareza que não existe tolerância para determinados comportamentos. Os efeitos de uma certa cultura de impunidade que de mansinho se instalou em múltiplos sectores da nossa sociedade são devastadores da sua qualidade ética e cívica.
Por outro lado e no que respeita à violência que envolve professores, o desgaste, intencional ou não, da imagem dos professores produzido por discursos de responsáveis, incluindo parte do discurso de responsáveis da tutela, algum do discurso produzido
pelos próprios representantes dos professores e também o discurso que muitos opinadores profissionais, mais ou menos ignorantes, produzem sobre os professores e a escola, contribuíram para um risco evidente de desvalorização da imagem social
dos professores, fragilizando-a seriamente aos olhos da comunidade educativa, designadamente de alunos e pais. Esta fragilização, para além das alterações nos modelos que regulam as interacções sociais, tem, do meu ponto de vista, graves e óbvias consequências, na relação dos professores com alunos e pais, sobretudo porque mina a percepção da autoridade e do papel regulador dos professores.
Um professor ganha tanta mais autoridade quanto mais competente e apoiado se sentir. É também importante não esquecer a formação de professores. As escolas de formação de professores não podem “ensinar” só o que sabem ensinar, mas o que é necessário ser aprendido e reflectido pelos novos professores e pelos professores já em exercício. Problemas "novos" carecem também de abordagens "novas". São recorrentes as referências a falta de formação para lidar com algumas situações de maior tensão.
As escolas devem poder usar a sua autonomia para desenvolver dispositivos de apoio, por exemplo, o recurso a outros técnicos ou a utilização regular de dois professores em sala de aula que pode ser uma medida de contenção de problemas de natureza disciplinar que não raramente se transformam em episódios de violência, no momentoou algum tempo depois no recreio ou à saída da escola. Não é necessário aumentar o número de professores, é imprescindível que os recursos sejam geridos de outra maneira e aproveitar os professores experientes que já estão no sistema. Parece também claro que escolas e turmas sobredimensionadas são um enorme factor de risco em muitas escolas, em sala de aula ou no recreio. Este risco, entre outros, tem sido, aliás, pouco considerado, nas decisões do Ministério da Educação e Ciência em matéria de organização da rede escolar, na gestão do número de professores e na definição do número de alunos por turma.
Escolas organizadas, com cultura institucional sólida traduzida na adequação e consistência dos seus projectos educativos e com lideranças eficazes são mais organizadoras dos comportamentos de quem nelas habita, como qualquer outra organização.
Os discursos demagógicos e populistas, ainda que eventualmente bem-intencionados, não são um bom serviço à minimização destes incidentes que minam a qualidade cívica da nossa vida.
José Morgado é professor universitário no Instituto Superior de Psicologia Aplicada
Aumentou a sinalização de crianças vítimas de tráfico para mendigar
Joana Gorjão Henriques, in Público on-line
bservatório do Tráfico de Seres Humanos ainda está a produzir relatório sobre 2012, mas adianta tendências.
O número de crianças vítimas de tráfico sinalizadas em 2012 aumentou significativamente em Portugal, devido sobretudo a casos de mendicidade, ou seja, crianças a pedir esmola ao serviço de redes organizadas. No ano passado aumentou também a sinalização de portugueses, homens, vítimas de tráfico para exploração laboral no estrangeiro, uma tendência que já se verificava em 2011.
A informação foi dada ao PÚBLICO por Joana Wrabetz, directora do Observatório do Tráfico de Seres Humanos (OTSH), que não pode adiantar ainda os números finais do ano, por esta entidade do Ministério da Administração Interna estar ainda a elaborar o relatório de 2012. Estas sinalizações têm que ser confirmadas uma a uma, pois pode haver casos em que as pessoas sejam vítimas de outros tipos de crime.
Mas, para Joana Wrabetz, é uma "nota positiva" as redes de tráfico de crianças para mendicidade "terem sido identificadas", pois reconhece-se que elas existem e permite que sejam vistas "não como uma questão cultural". Além de crianças, também mulheres grávidas, portadores de deficiência e idosos são usados nestas redes de mendicidade, acrescenta.
Em 2011 foram confirmadas 11 vítimas de tráfico de seres humanos em Portugal, três delas menores (para exploração laboral, sexual e tentativa de adopção), e 18 portugueses no estrangeiro, 17 para exploração laboral. Ao todo, foram sinalizadas 79 vítimas nesse ano, 48 em Portugal e 31 no estrangeiro.
Mas estes dados serão muito inferiores à realidade. As 122 vítimas identificadas entre 2008 e 2011 são um número que é apenas "a ponta do icebergue", diz Petya Nestorova, secretária do Grupo de Peritos em Acção Contra o Tráfico de Seres Humanos (GRETA), organização do Conselho da Europa que controla a forma como é implementada a convenção contra este tipo de crime, em vigor desde 2008.
Para explicar por que acha que os dados serão muito superiores, Petya Nestorova dá o exemplo dos números divulgados recentemente pela Organização Mundial do Trabalho, que estima que há no mundo 21 milhões de pessoas sujeitas a trabalhos forçados, 880 mil delas na Europa.
Depois de ter produzido relatórios sobre 16 países europeus, o GRETA publica hoje o primeiro sobre Portugal, onde apela a uma melhoria na assistência às vítimas deste crime e à adopção de medidas para uma maior eficácia na condenação de traficantes de seres humanos. Exploração sexual, laboral ou serviços forçados, escravatura ou práticas idênticas a escravatura, servidão e remoção de órgãos são as formas de exploração cobertas pela convenção europeia.
Uma das recomendações do relatório é que as vítimas sejam identificadas como tal, de modo a evitar que sejam tratadas como imigrantes ilegais ou criminosos e a receberem a protecção devida (abrigo, autorização de residência e direito a compensação, algo muitas vezes desconhecido pelos próprios agentes no terreno, lembra a secretária do GRETA). "Se as pessoas não são identificadas como vítimas, podem abandonar o país", o que dificulta a investigação sobre as redes, diz.
Poucas condenações
Nos dados relativos a Portugal recolhidos pelo grupo conclui-se que, entre 2008 e 2011, o tráfico para exploração sexual continuava a ser significativo (47%), mas que havia uma nova tendência: o aumento de casos de vítimas de tráfico para exploração laboral (46%), que afecta sobretudo os homens. Os peritos do Conselho da Europa revelam preocupação com o baixo número de condenações por tráfico humano e pedem que as autoridades portuguesas identifiquem as lacunas nas investigações e na apresentação dos casos em tribunal.
O tráfico de seres humanos para diversos fins foi constituído como crime específico na lei apenas em 2007, daí não serem claras para muitos as técnicas de investigação que podem ser aplicadas nestes casos, lembra a secretária do GRETA. No relatório identificam-se três condenações em Portugal em 2008 e cinco em 2009, mas estes casos não são ainda definitivos, uma vez que podem ainda ser alvo de recurso.
Petya Nestorova considera que Portugal tem uma "boa base para lidar com este problema" mas chama ainda a atenção, no âmbito da protecção às vítimas, para a necessidade de se criarem pelo menos mais dois abrigos (actualmente existe apenas um, para mulheres, gerido pela Associação para o Planeamento da Família). Esta foi, aliás, uma das recomendações entregues ontem pelo partido Os Verdes ao Governo, exigindo a "garantia de uma rede pública de casas-abrigo para acolhimento temporário e encaminhamento de vítimas de tráfico, com prestação de assistência psicológica, médica, jurídica e social".
O aumento do número de homens para exploração laboral e a exploração de crianças com vários fins (mendigar, roubar ou traficar drogas e exploração sexual, no caso de raparigas) são algumas das tendências europeias no tráfico de pessoas, diz Petya Nestorova. Outra tendência é o tráfico para fraude com subsídios: pessoas registadas em países que têm benefícios sociais, que são depois usados pelos traficantes.
Entretanto, o OTSH vai coordenar um projecto pan-europeu de monitorização, em tempo real, de vítimas de tráfico de pessoas. No site do observatório há informação sobre números a contactar para denunciar suspeitas de tráfico de seres humanos.
bservatório do Tráfico de Seres Humanos ainda está a produzir relatório sobre 2012, mas adianta tendências.
O número de crianças vítimas de tráfico sinalizadas em 2012 aumentou significativamente em Portugal, devido sobretudo a casos de mendicidade, ou seja, crianças a pedir esmola ao serviço de redes organizadas. No ano passado aumentou também a sinalização de portugueses, homens, vítimas de tráfico para exploração laboral no estrangeiro, uma tendência que já se verificava em 2011.
A informação foi dada ao PÚBLICO por Joana Wrabetz, directora do Observatório do Tráfico de Seres Humanos (OTSH), que não pode adiantar ainda os números finais do ano, por esta entidade do Ministério da Administração Interna estar ainda a elaborar o relatório de 2012. Estas sinalizações têm que ser confirmadas uma a uma, pois pode haver casos em que as pessoas sejam vítimas de outros tipos de crime.
Mas, para Joana Wrabetz, é uma "nota positiva" as redes de tráfico de crianças para mendicidade "terem sido identificadas", pois reconhece-se que elas existem e permite que sejam vistas "não como uma questão cultural". Além de crianças, também mulheres grávidas, portadores de deficiência e idosos são usados nestas redes de mendicidade, acrescenta.
Em 2011 foram confirmadas 11 vítimas de tráfico de seres humanos em Portugal, três delas menores (para exploração laboral, sexual e tentativa de adopção), e 18 portugueses no estrangeiro, 17 para exploração laboral. Ao todo, foram sinalizadas 79 vítimas nesse ano, 48 em Portugal e 31 no estrangeiro.
Mas estes dados serão muito inferiores à realidade. As 122 vítimas identificadas entre 2008 e 2011 são um número que é apenas "a ponta do icebergue", diz Petya Nestorova, secretária do Grupo de Peritos em Acção Contra o Tráfico de Seres Humanos (GRETA), organização do Conselho da Europa que controla a forma como é implementada a convenção contra este tipo de crime, em vigor desde 2008.
Para explicar por que acha que os dados serão muito superiores, Petya Nestorova dá o exemplo dos números divulgados recentemente pela Organização Mundial do Trabalho, que estima que há no mundo 21 milhões de pessoas sujeitas a trabalhos forçados, 880 mil delas na Europa.
Depois de ter produzido relatórios sobre 16 países europeus, o GRETA publica hoje o primeiro sobre Portugal, onde apela a uma melhoria na assistência às vítimas deste crime e à adopção de medidas para uma maior eficácia na condenação de traficantes de seres humanos. Exploração sexual, laboral ou serviços forçados, escravatura ou práticas idênticas a escravatura, servidão e remoção de órgãos são as formas de exploração cobertas pela convenção europeia.
Uma das recomendações do relatório é que as vítimas sejam identificadas como tal, de modo a evitar que sejam tratadas como imigrantes ilegais ou criminosos e a receberem a protecção devida (abrigo, autorização de residência e direito a compensação, algo muitas vezes desconhecido pelos próprios agentes no terreno, lembra a secretária do GRETA). "Se as pessoas não são identificadas como vítimas, podem abandonar o país", o que dificulta a investigação sobre as redes, diz.
Poucas condenações
Nos dados relativos a Portugal recolhidos pelo grupo conclui-se que, entre 2008 e 2011, o tráfico para exploração sexual continuava a ser significativo (47%), mas que havia uma nova tendência: o aumento de casos de vítimas de tráfico para exploração laboral (46%), que afecta sobretudo os homens. Os peritos do Conselho da Europa revelam preocupação com o baixo número de condenações por tráfico humano e pedem que as autoridades portuguesas identifiquem as lacunas nas investigações e na apresentação dos casos em tribunal.
O tráfico de seres humanos para diversos fins foi constituído como crime específico na lei apenas em 2007, daí não serem claras para muitos as técnicas de investigação que podem ser aplicadas nestes casos, lembra a secretária do GRETA. No relatório identificam-se três condenações em Portugal em 2008 e cinco em 2009, mas estes casos não são ainda definitivos, uma vez que podem ainda ser alvo de recurso.
Petya Nestorova considera que Portugal tem uma "boa base para lidar com este problema" mas chama ainda a atenção, no âmbito da protecção às vítimas, para a necessidade de se criarem pelo menos mais dois abrigos (actualmente existe apenas um, para mulheres, gerido pela Associação para o Planeamento da Família). Esta foi, aliás, uma das recomendações entregues ontem pelo partido Os Verdes ao Governo, exigindo a "garantia de uma rede pública de casas-abrigo para acolhimento temporário e encaminhamento de vítimas de tráfico, com prestação de assistência psicológica, médica, jurídica e social".
O aumento do número de homens para exploração laboral e a exploração de crianças com vários fins (mendigar, roubar ou traficar drogas e exploração sexual, no caso de raparigas) são algumas das tendências europeias no tráfico de pessoas, diz Petya Nestorova. Outra tendência é o tráfico para fraude com subsídios: pessoas registadas em países que têm benefícios sociais, que são depois usados pelos traficantes.
Entretanto, o OTSH vai coordenar um projecto pan-europeu de monitorização, em tempo real, de vítimas de tráfico de pessoas. No site do observatório há informação sobre números a contactar para denunciar suspeitas de tráfico de seres humanos.
11.2.13
Deco vê aumentar pedidos de ajuda de sobre-endividados
in Sol
O Gabinete de Apoio ao Sobre-endividado da Deco abriu em Janeiro deste ano 458 processos, mais sete do que em igual período do ano passado, de acordo com dados revelados hoje à agência Lusa pela associação.
Em declarações à Lusa, a coordenadora do Gabinete de Apoio ao Sobre-endividado (GAS) da Deco, Natália Nunes, adiantou que este mês de Janeiro apresenta “um cenário muito complicado", mais do que em 2012.
“São situações que já nos chegam em incumprimento e com taxas de esforço muito elevadas. Em Janeiro temos uma taxa de esforço das famílias de 133%, muito elevada [face] à verificada em 2012 que não chegava aos 100%”, disse.
O boletim estatístico do GAS indica que o desemprego (41%) continua a ser a principal causa do endividamento das famílias seguido da deterioração das condições laborais (30%), ou seja, cortes salariais, redução de horas extraordinárias e atrasos no pagamento dos salários.
Entre as causas do sobre-endividamento estão também o divórcio ou separação (11%), alteração do agregado familiar (8%), doença (4%), fiador (3%) e penhora (3%).
Em período homólogo de 2012, as causas para abertura de processos aos consumidores com dívidas mais significativas era também o desemprego (33,9%) e a deterioração das condições laborais (25,7%).
Estas duas causas registaram um aumento de 21% e 17%, respectivamente, representando 71% dos motivos para o sobre-endividamento, quando em 2012 representavam 59,6%.
Natália Nunes explicou à Lusa que o aumento das situações de sobre-endividamento desde que o GAS entrou em funcionamento (em 2000) começou a agravar-se a partir de 2007, altura em que começou a sentir-se a crise económica.
“Em 2007 e 2008 as famílias foram penalizadas pelo aumento da Euribor que se refletiu no seu crédito à habitação. Esse foi um dos grandes responsáveis pelo aumento significativo de aumento que temos”, referiu.
No entender da coordenadora do GAS, esta é uma preocupação que vai adensar-se este ano, uma vez que se prevê uma subida das taxas Euribor, o que vai reflectir-se nas prestações das casas, no crédito à habitação, contribuindo também para o aumento das situações de sobre-endividamento.
De acordo com o boletim estatístico do GAS, em Janeiro de 2013 já deram entrada na Deco quase tantos processos (458) como em todo o ano de 2002 (379) ou 2003 (515).
O documento indica que em Janeiro deste ano a média dos créditos por processo de sobre-endividamento era de 4,8%.
A maioria das dívidas das famílias que recorreu ao GAS em Janeiro dizia respeito ao crédito pessoal (1,8%), a cartões de crédito (1,6%), ao crédito à habitação (0,8%), crédito automóvel (0,4%) e outros (0,2%).
Quanto ao tipo de dívida para a qual foi solicitada a ajuda da Deco, os dados indicam que em 55,1% dos processos foi pedida a reestruturação do crédito pessoal e em 50% dos processos foi requerida a renegociação dos cartões de crédito.
As estatísticas indicam também que em 29,7% dos processos é pedida ajuda na renegociação do crédito à habitação e em 22,5% é solicitada a reestruturação do crédito automóvel.
“Cada processo aberto pela Deco inclui mais que um tipo de dívida a renegociar”, adianta a Deco, realçando que 59,4% já apresentavam incumprimento em, pelo menos, um dos créditos.
O Gabinete de Apoio ao Sobre-endividado da Deco abriu em Janeiro deste ano 458 processos, mais sete do que em igual período do ano passado, de acordo com dados revelados hoje à agência Lusa pela associação.
Em declarações à Lusa, a coordenadora do Gabinete de Apoio ao Sobre-endividado (GAS) da Deco, Natália Nunes, adiantou que este mês de Janeiro apresenta “um cenário muito complicado", mais do que em 2012.
“São situações que já nos chegam em incumprimento e com taxas de esforço muito elevadas. Em Janeiro temos uma taxa de esforço das famílias de 133%, muito elevada [face] à verificada em 2012 que não chegava aos 100%”, disse.
O boletim estatístico do GAS indica que o desemprego (41%) continua a ser a principal causa do endividamento das famílias seguido da deterioração das condições laborais (30%), ou seja, cortes salariais, redução de horas extraordinárias e atrasos no pagamento dos salários.
Entre as causas do sobre-endividamento estão também o divórcio ou separação (11%), alteração do agregado familiar (8%), doença (4%), fiador (3%) e penhora (3%).
Em período homólogo de 2012, as causas para abertura de processos aos consumidores com dívidas mais significativas era também o desemprego (33,9%) e a deterioração das condições laborais (25,7%).
Estas duas causas registaram um aumento de 21% e 17%, respectivamente, representando 71% dos motivos para o sobre-endividamento, quando em 2012 representavam 59,6%.
Natália Nunes explicou à Lusa que o aumento das situações de sobre-endividamento desde que o GAS entrou em funcionamento (em 2000) começou a agravar-se a partir de 2007, altura em que começou a sentir-se a crise económica.
“Em 2007 e 2008 as famílias foram penalizadas pelo aumento da Euribor que se refletiu no seu crédito à habitação. Esse foi um dos grandes responsáveis pelo aumento significativo de aumento que temos”, referiu.
No entender da coordenadora do GAS, esta é uma preocupação que vai adensar-se este ano, uma vez que se prevê uma subida das taxas Euribor, o que vai reflectir-se nas prestações das casas, no crédito à habitação, contribuindo também para o aumento das situações de sobre-endividamento.
De acordo com o boletim estatístico do GAS, em Janeiro de 2013 já deram entrada na Deco quase tantos processos (458) como em todo o ano de 2002 (379) ou 2003 (515).
O documento indica que em Janeiro deste ano a média dos créditos por processo de sobre-endividamento era de 4,8%.
A maioria das dívidas das famílias que recorreu ao GAS em Janeiro dizia respeito ao crédito pessoal (1,8%), a cartões de crédito (1,6%), ao crédito à habitação (0,8%), crédito automóvel (0,4%) e outros (0,2%).
Quanto ao tipo de dívida para a qual foi solicitada a ajuda da Deco, os dados indicam que em 55,1% dos processos foi pedida a reestruturação do crédito pessoal e em 50% dos processos foi requerida a renegociação dos cartões de crédito.
As estatísticas indicam também que em 29,7% dos processos é pedida ajuda na renegociação do crédito à habitação e em 22,5% é solicitada a reestruturação do crédito automóvel.
“Cada processo aberto pela Deco inclui mais que um tipo de dívida a renegociar”, adianta a Deco, realçando que 59,4% já apresentavam incumprimento em, pelo menos, um dos créditos.
Jovens da classe média pedem cada vez mais ajuda social
Por Ana Leiria e Rute Peixinho (texto) e Mário Cruz (fotografia), da agência Lusa, in Sol
São cada vez mais os jovens da classe média que pedem ajuda nos serviços sociais da urgência do Hospital de Santa Maria, em Lisboa, e que revelam dificuldades até para pagar taxas moderadoras.
"Temos jovens casais que já estão a sentir dificuldade em vir a uma urgência. Provavelmente estará a aumentar a dívida dessas prestações [taxas moderadoras]. As pessoas dizem que vêm, mas não sabem como vão pagar a vinda à urgência", relatou à agência Lusa a assistente social Argentina Castilho.
Os pedidos de apoio domiciliário para a população dependente também estão a aumentar naquele serviço, porque cada vez mais as pessoas evitam faltar ao trabalho para cuidar dos seus familiares.
As assistentes sociais da urgência do maior hospital do país deparam-se com um crescente número de casos em que a alta clínica não coincide com a alta social (o doente fica internado sem motivos médicos, mas por falta de autonomia e de apoios).
"Há mais pedidos de resposta social. Há um grande número de população dependente, quer física quer cognitivamente e há muitas famílias a pedirem-nos apoio domiciliário", disse Argentina Castilho.
Em causa estão situações, por exemplo, de idosos que tinham uma vida autónoma e que após um episódio de urgência ficam acamados ou dependentes para as suas tarefas mais básicas.
Tradicionalmente, a família daria o apoio necessário, mas actualmente essa resposta é praticamente inexistente, sobretudo porque os familiares evitam ao máximo faltar ao trabalho, protelando a alta social enquanto não é conseguido o apoio domiciliário, disse à Lusa outra assistente social daquele serviço.
Este receio do absentismo ao trabalho também é sentido pelos médicos no serviço de urgência, que verificam uma maior afluência dos doentes menos urgentes no período pós laboral.
Em 2012, registou-se um aumento de 18% de pedidos de ajuda.
No que respeita aos casos que deram origem a abertura de processos, houve um aumento de 8,9% em 2012, face ao ano anterior, para um total de 1.267.
Os pedidos de ajuda económica, nomeadamente para compra de medicação, também estão a aumentar, embora não de forma tão significativa como os pedidos de "orientação": que recursos têm, quais os seus direitos e quais as respostas sociais disponíveis.
Lusa/ SOL
São cada vez mais os jovens da classe média que pedem ajuda nos serviços sociais da urgência do Hospital de Santa Maria, em Lisboa, e que revelam dificuldades até para pagar taxas moderadoras.
"Temos jovens casais que já estão a sentir dificuldade em vir a uma urgência. Provavelmente estará a aumentar a dívida dessas prestações [taxas moderadoras]. As pessoas dizem que vêm, mas não sabem como vão pagar a vinda à urgência", relatou à agência Lusa a assistente social Argentina Castilho.
Os pedidos de apoio domiciliário para a população dependente também estão a aumentar naquele serviço, porque cada vez mais as pessoas evitam faltar ao trabalho para cuidar dos seus familiares.
As assistentes sociais da urgência do maior hospital do país deparam-se com um crescente número de casos em que a alta clínica não coincide com a alta social (o doente fica internado sem motivos médicos, mas por falta de autonomia e de apoios).
"Há mais pedidos de resposta social. Há um grande número de população dependente, quer física quer cognitivamente e há muitas famílias a pedirem-nos apoio domiciliário", disse Argentina Castilho.
Em causa estão situações, por exemplo, de idosos que tinham uma vida autónoma e que após um episódio de urgência ficam acamados ou dependentes para as suas tarefas mais básicas.
Tradicionalmente, a família daria o apoio necessário, mas actualmente essa resposta é praticamente inexistente, sobretudo porque os familiares evitam ao máximo faltar ao trabalho, protelando a alta social enquanto não é conseguido o apoio domiciliário, disse à Lusa outra assistente social daquele serviço.
Este receio do absentismo ao trabalho também é sentido pelos médicos no serviço de urgência, que verificam uma maior afluência dos doentes menos urgentes no período pós laboral.
Em 2012, registou-se um aumento de 18% de pedidos de ajuda.
No que respeita aos casos que deram origem a abertura de processos, houve um aumento de 8,9% em 2012, face ao ano anterior, para um total de 1.267.
Os pedidos de ajuda económica, nomeadamente para compra de medicação, também estão a aumentar, embora não de forma tão significativa como os pedidos de "orientação": que recursos têm, quais os seus direitos e quais as respostas sociais disponíveis.
Lusa/ SOL
Cada vez mais portugueses estudam alemão para fugir à crise
in TSF
O Instituto Goethe tem cada vez mais procura. Curso que arranca em Março já está esgotado
O Instituto Goethe regista um crescimento continuo nos últimos dois anos. Muitos são estudantes universitários que sabem que o mercado de trabalho em Portugal estará difícil quando acabarem a licenciatura ou o mestrado.
Números da OCDE revelam que no primeiro semestre do ano passado a emigração nacional para a Alemanha rondou as seis mil pessoas, num número que não pára de crescer há dois anos.
Em paralelo com a crise, o número de alunos no Instituto Goethe também cresceu mais de 50% desde 2010.
Os responsáveis do Instituto contam que muitos novos alunos querem aprender a língua rapidamente, pelo que aumentou a procura de cursos intensivos e curtos. O objectivo é ir para a Alemanha mas também para a Suíça.
Dorothea Klenke-Gerdes, a directora destes cursos, explica que emigrar é quase sempre o objectivo de quem procura aulas intensivas de alemão, mas nem todos são desempregados: grande parte são estudantes universitários, de todas as áreas de estudo, a pensar no futuro.
Por vezes surgem no entanto expectativas pouco realistas sobre o trabalho em Berlim e as competências linguísticas necessárias. Dorothea Klenke-Gerdes explica que é preciso pelo menos meio ano de estudos intensivos para falar bem alemão.
No último semestre o Instituto Goethe teve um recorde de mais de 1500 alunos. O próximo curso da primavera começa em Março e já está esgotado, mas os responsáveis admitem abrir mais vagas.
O Instituto Goethe tem cada vez mais procura. Curso que arranca em Março já está esgotado
O Instituto Goethe regista um crescimento continuo nos últimos dois anos. Muitos são estudantes universitários que sabem que o mercado de trabalho em Portugal estará difícil quando acabarem a licenciatura ou o mestrado.
Números da OCDE revelam que no primeiro semestre do ano passado a emigração nacional para a Alemanha rondou as seis mil pessoas, num número que não pára de crescer há dois anos.
Em paralelo com a crise, o número de alunos no Instituto Goethe também cresceu mais de 50% desde 2010.
Os responsáveis do Instituto contam que muitos novos alunos querem aprender a língua rapidamente, pelo que aumentou a procura de cursos intensivos e curtos. O objectivo é ir para a Alemanha mas também para a Suíça.
Dorothea Klenke-Gerdes, a directora destes cursos, explica que emigrar é quase sempre o objectivo de quem procura aulas intensivas de alemão, mas nem todos são desempregados: grande parte são estudantes universitários, de todas as áreas de estudo, a pensar no futuro.
Por vezes surgem no entanto expectativas pouco realistas sobre o trabalho em Berlim e as competências linguísticas necessárias. Dorothea Klenke-Gerdes explica que é preciso pelo menos meio ano de estudos intensivos para falar bem alemão.
No último semestre o Instituto Goethe teve um recorde de mais de 1500 alunos. O próximo curso da primavera começa em Março e já está esgotado, mas os responsáveis admitem abrir mais vagas.
Uma refundação para mascarar a crise
in RR
A segurança social, a educação e a saúde são das áreas eleitas pelo primeiro-ministro para proceder ao corte de quatro mil milhões na despesa do Estado. Entre os especialistas, ninguém acredita que tais poupanças correspondam a alterações de fundo no modelo do Estado Social.
A segurança social, a educação e a saúde são das áreas eleitas pelo primeiro-ministro para proceder ao corte de quatro mil milhões na despesa do Estado. Entre os especialistas, ninguém acredita que tais poupanças correspondam a alterações de fundo no modelo do Estado Social.
Governo quer ajuda dos municípios para formar jovens para as empresas
Jorge Talixa, in Público on-line
O presidente da ANQEP admitiu que o Governo não tem dinheiro para equipar de novo as escolas, mas mostrou-se convicto de que o que existe é suficiente.
A principal aposta do Governo na área da qualificação vai passar pela formação profissional de jovens que, depois do secundário, não tenham perspectivas no ensino superior, mas possam responder às necessidades das empresas, disse esta quinta-feira Gonçalo Xufre, presidente da Agência para a Qualificação e Ensino Profissional (ANQEP).
Falando numa conferência de imprensa em Vila Franca de Xira, Xufre indicou que a concretização deste plano será feita através de protocolos com os 308 municípios do país, o primeiro dos quais foi celebrado, na quarta-feira, em Cascais, uma vez que o Governo não tem dinheiro para voltar a equipar escolas ou centros de formação. As autarquias e as comunidades intermunicipais deverão participar na definição dos cursos mais adequados para as necessidades das suas regiões, explicitou no decorrer de uma conferência sobre oportunidades de desenvolvimento para o concelho de Vila Franca de Xira.
No âmbito do acordo celebrado com a ANQEP, a Câmara de Cascais anunciou que “estão a ser criadas e alargadas parcerias que envolvem entidades formadoras com vocação para colocação dos jovens no mercado de trabalho”, nomeadamente nas áreas de Hotelaria e Turismo, Saúde, Mecânica Automóvel, Energias Renováveis e Música. Por representarem um "potencial de crescimento para a economia local", serão também estas as apostas no que respeita à rede do ensino profissional do concelho.
Segundo o presidente da ANQEP, o problema dos jovens qualificados sem emprego afecta sobretudo aqueles que concluíram o secundário, seguiram para a faculdade, mas não conseguiram acabar a formação superior. Por outro lado, é frequente as empresas não encontrarem jovens com formação técnica adequada às suas necessidades.
O Governo, segundo explicou, pretende que se aproveitem, em simultâneo, os equipamentos já existentes e as capacidades do pessoal docente. “Cerca de 47 por cento dos jovens do secundário já optam pelo ensino profissional. É uma realidade que não é marginal. Mas falta fazer a reestruturação, falta dar sentido, para que a formação corresponda às necessidades dos empregadores. É este sistema que é preciso conseguir montar”, vincou, salientando que “não há dinheiro” para voltar a equipar as escolas com, mas que é necessário aproveitar mais o que já existe em estabelecimentos de ensino (públicos e privados com contrato de associação) e nos centros de formação profissional.
A oferta do ensino profissional “deve ser construída em diálogo com as comunidades locais, porque as necessidades no Algarve não serão as mesmas de Trás-os Montes”, prosseguiu, admitindo que este será “um sistema educativo muito mais complexo de gerir”, porque cada curso carece de recursos humanos e materiais específicos, mas deve ser “dado no sítio certo” e corresponder às necessidades das empresas da região em causa.
Por exemplo, em Vila Franca de Xira, a EDP precisa de 600 novos profissionais habilitados na área das energias mas não os consegue encontrar no mercado, indicou. Para suprir esta falta, foi já criado um novo curso, através do qual vão ser formados 600 jovens que terão colocação naquele grupo energético, garantiu.
O presidente da ANQEP admitiu que o Governo não tem dinheiro para equipar de novo as escolas, mas mostrou-se convicto de que o que existe é suficiente.
A principal aposta do Governo na área da qualificação vai passar pela formação profissional de jovens que, depois do secundário, não tenham perspectivas no ensino superior, mas possam responder às necessidades das empresas, disse esta quinta-feira Gonçalo Xufre, presidente da Agência para a Qualificação e Ensino Profissional (ANQEP).
Falando numa conferência de imprensa em Vila Franca de Xira, Xufre indicou que a concretização deste plano será feita através de protocolos com os 308 municípios do país, o primeiro dos quais foi celebrado, na quarta-feira, em Cascais, uma vez que o Governo não tem dinheiro para voltar a equipar escolas ou centros de formação. As autarquias e as comunidades intermunicipais deverão participar na definição dos cursos mais adequados para as necessidades das suas regiões, explicitou no decorrer de uma conferência sobre oportunidades de desenvolvimento para o concelho de Vila Franca de Xira.
No âmbito do acordo celebrado com a ANQEP, a Câmara de Cascais anunciou que “estão a ser criadas e alargadas parcerias que envolvem entidades formadoras com vocação para colocação dos jovens no mercado de trabalho”, nomeadamente nas áreas de Hotelaria e Turismo, Saúde, Mecânica Automóvel, Energias Renováveis e Música. Por representarem um "potencial de crescimento para a economia local", serão também estas as apostas no que respeita à rede do ensino profissional do concelho.
Segundo o presidente da ANQEP, o problema dos jovens qualificados sem emprego afecta sobretudo aqueles que concluíram o secundário, seguiram para a faculdade, mas não conseguiram acabar a formação superior. Por outro lado, é frequente as empresas não encontrarem jovens com formação técnica adequada às suas necessidades.
O Governo, segundo explicou, pretende que se aproveitem, em simultâneo, os equipamentos já existentes e as capacidades do pessoal docente. “Cerca de 47 por cento dos jovens do secundário já optam pelo ensino profissional. É uma realidade que não é marginal. Mas falta fazer a reestruturação, falta dar sentido, para que a formação corresponda às necessidades dos empregadores. É este sistema que é preciso conseguir montar”, vincou, salientando que “não há dinheiro” para voltar a equipar as escolas com, mas que é necessário aproveitar mais o que já existe em estabelecimentos de ensino (públicos e privados com contrato de associação) e nos centros de formação profissional.
A oferta do ensino profissional “deve ser construída em diálogo com as comunidades locais, porque as necessidades no Algarve não serão as mesmas de Trás-os Montes”, prosseguiu, admitindo que este será “um sistema educativo muito mais complexo de gerir”, porque cada curso carece de recursos humanos e materiais específicos, mas deve ser “dado no sítio certo” e corresponder às necessidades das empresas da região em causa.
Por exemplo, em Vila Franca de Xira, a EDP precisa de 600 novos profissionais habilitados na área das energias mas não os consegue encontrar no mercado, indicou. Para suprir esta falta, foi já criado um novo curso, através do qual vão ser formados 600 jovens que terão colocação naquele grupo energético, garantiu.
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