in Público on-line
O porta-voz da Conferência Episcopal Portuguesa (CEP), Manuel Morujão, defendeu hoje em Fátima que a Igreja Católica precisa de mais apoio do Governo para garantir ajuda às pessoas na actual crise.
No final da reunião do conselho permanente da CEP, que hoje decorreu em Fátima, Morujão recordou o caso denunciado pela União das Misericórdias Portuguesas (UMP), cujo presidente acusou recentemente o Ministério da Saúde de não honrar as suas obrigações e admitiu existirem instituições em situação de ruptura e com salários em atraso.
“As misericórdias estão a ter graves dificuldades em responder – nas suas obras sociais – às pessoas que lhe batem à porta porque não têm chegado as verbas prometidas pelo Estado. Não vemos aí má vontade, mas queremos uma vontade mais cooperante para que a Igreja possa responder a essas urgências sociais”, afirmou Manuel Morujão.
O porta-voz da CEP sublinhou que “o Estado terá de olhar para aqueles que estão no terreno, próximo das pessoas, a ajudar a ultrapassar a crise”, desejando que o Governo “ponha em prática a boa vontade manifestada”.
O padre Morujão aproveitou para dizer que “a crise tem credibilizado a Igreja pelas suas múltiplas instituições sociais” precisamente porque “tem estado perto daqueles que precisam”.
Igreja quer ouvir sociólogos
Na conferência de imprensa após a reunião, Manuel Morujão revelou ainda que foi criada uma comissão que irá contar com a contribuição de sociólogos para analisar mais profundamente o inquérito sobre o perfil religioso dos portugueses, realizado recentemente pela Universidade Católica Portuguesa, a pedido da CEP.
O estudo, que pretende perceber como é que os portugueses se situam perante o fenómeno religioso, revelou que, nos últimos doze anos (entre 1999 e 2011), os católicos passaram de 86,9% da população para 79,5%.
A existência de menos praticantes é um desafio para a Igreja agir e para adaptar a sua forma de comunicar, sustentou Manuel Morujão, frisando que a criação desta comissão espelha a atitude da Igreja Católica de “não cruzar os braços”.


