Mostrar mensagens com a etiqueta Autarquias. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Autarquias. Mostrar todas as mensagens

6.4.23

Ministro alerta que 2023 será "ainda mais difícil" do que 2022

Por Lusa, in RTP


"Aquilo que eu posso dizer é que por todos os indicadores que temos hoje, o ano de 2023 vai ser ainda mais difícil do que foi o ano de 2022", disse José Luís Carneiro aos jornalistas à saída da inauguração da esquadra da PSP de Matosinhos, no distrito do Porto.


Reforçando que o ano vai ser "muito difícil", o governante referiu que cada um tem de fazer a sua parte.

"Temos de nos preparar, estamo-nos a preparar, mas é evidente que os meios são sempre limitados em circunstâncias de emergência e aquilo que temos que fazer é cada um a sua parte", frisou.

O ministro vincou que o Estado Português, a Proteção Civil e as autarquias estão a procurar fazer a sua parte, mas todos têm de contribuir porque 55% dos incêndios que deflagraram em 2022 foram por negligência.

Significa, acrescentou, que se houvesse mais cuidado, responsabilidade e outras atitudes, o número de incêndios provocados por negligência poderia ser mais baixo.

Além disso, José Luís Carneiro adiantou que a GNR anda já por todo o país a sensibilizar as populações para a necessidade de fazer limpezas preventivas.

"Ninguém me pode acusar de não ter tido, desde setembro do ano que passou, a preocupação de sempre que posso alertar para a necessidade de cada uma e cada um que tem responsabilidades em todo o sistema fazer a sua parte", ressalvou.

30.9.22

Bragança é a capital de distrito mais transparente de Portugal

in Mensageiro de Bragança

O Município de Bragança recebeu o Prémio de Reconhecimento às Câmaras Municipais com Maior Índice de Transparência, tendo sido classificada em primeiro lugar entre as 18 capitais de distrito portuguesas e em terceiro na classificação geral nacional.

O prémio foi entregue a Miguel Abrunhosa, Vereador da Câmara Municipal de Bragança, no dia 26 de setembro, no “Opengov Leadership Summit – Congresso de Transparência”, no Altice Forum, em Braga.

O trabalho da Câmara Municipal de Bragança, liderada por Hernâni Dias, obteve 75.4 pontos no “Dynamic Transparency Index”, elaborado pela Dyntra, uma entidade colaborativa internacional que, entre outros assuntos, se dedicada a medir de forma quantitativa a transparência de diversas organizações públicas, em vários países do Mundo.

Na avaliação do Índice de Transparência de Municipal foram utilizados 139 critérios, entre os quais: Transparência Municipal (Informação sobre os Membros Eleitos, sobre a Organização e Normativa, Património Municipal, Planificação e Organização, Pessoal); Participação e colaboração dos Cidadãos (Atendimento, Compromisso com a cidadania, Acesso à Informação pública); Transparência Económico Financeira (Orçamento e a sua Execução, Contas Municipais, Endividamento); Contratos, Acordos, Subvenções (Procedimento de Contratação, Relação com Fornecedores, Acordos e Concessões, Ajudas e Subvenções); Urbanismo e Obras (Ordenamento do Território, Gestão Urbanística, Investimentos e Infraestruturas); e Open Data.

23.5.22

Municípios vão ter 168 milhões do PRR para arrendarem 1600 casas a custos acessíveis

Rafaela Burd Relvas, in Público on-line

O programa Parque Público de Habitação a Custos Acessíveis, financiado pelo PRR, tem como objectivo lançar 6800 casas com rendas acessíveis. Está atrasado, mas o Governo garante que as metas serão cumpridas.

Os municípios vão poder aceder, a partir desta segunda-feira, a uma linha de crédito de 167,8 milhões de euros para financiar a reabilitação, construção ou aquisição de imóveis destinados ao arrendamento acessível. É a primeira linha de financiamento da componente de empréstimos do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR) a ser lançada, na vertente da habitação, e tem como objectivo financiar a disponibilização de 1590 casas no mercado de arrendamento. O programa está a arrancar com atraso, mas o Governo garante que as metas “não estão em causa”.

A nova linha é lançada no âmbito do “Parque Público de Habitação a Custos Acessíveis”, um dos vários programas que fazem parte da componente de habitação do PRR e que visam promover o acesso a habitação para todos. Para este programa, está previsto um investimento total de 774,8 milhões de euros até 2026, montante que será obtido através da componente de empréstimos do PRR. Do montante total, 607 milhões serão destinados ao financiamento de 5210 alojamentos a custos acessíveis promovidos directamente pelo Instituto da Habitação e da Reabilitação Urbana (IHRU), enquanto os restantes 167,8 milhões serão canalizados para a linha de financiamento que agora arranca, que visa financiar 1590 casas. Ao todo, o programa permitirá a disponibilização de 6800 alojamentos a custos acessíveis.

O objectivo, pode ler-se no aviso que estabelece as condições desta nova linha, publicado esta segunda-feira, é disponibilizar casas “às famílias que não encontram respostas no mercado tradicional, por incompatibilidade entre os seus rendimentos e os valores de renda praticados”. Os municípios e o Fundo Nacional de Reabilitação do Edificado (FNRE) poderão candidatar-se a estes empréstimos para promover a oferta habitacional através dos programas municipais próprios, ficando sujeitos às mesmas condições de financiamento obtidas pelo Estado junto da União Europeia no âmbito do Mecanismo de Recuperação e Resiliência, com taxas de juro mais baixas e prazos de pagamento mais longos do que os que são praticados pela banca.

Os limites máximos de financiamento a conceder por projecto, para a reabilitação ou construção, serão aqueles que estão definidos no regime de habitação de custos controlados. No caso da reabilitação, este limite pode ser aumentado até 25%, “e casos excepcionas devidamente fundamentados e aceites pelo IHRU, designadamente quando as obras devem ser precedidas de trabalhos prévios de demolição, contenção ou similares”. Já no caso da aquisição, o financiamento máximo corresponde aos valores medianos de venda de alojamentos familiares novos, em cada concelho, divulgados pelo Instituto Nacional de Estatística (INE).

Já os valores máximos de rendas a serem praticadas uma vez que as casas estejam prontas para ser lançadas no mercado são as que estão estabelecidas no Programa de Arrendamento Acessível. Ou seja, no máximo, as rendas terão de corresponder a uma redução de 20% face aos valores medianos de renda em cada concelho, de acordo com os dados divulgados semestralmente pelo INE. Mas os valores poderão ser inferiores, se, por exemplo, os programas municipais definirem rendas mais baixas do que este limite.

Metas “não estão em causa"

O programa que agora arranca está atrasado face aos compromissos que foram assumidos com a Comissão Europeia no âmbito do PRR – como, aliás, o Governo admitiu quando entregou o Programa Nacional de Reformas a Bruxelas, em Abril. Mas estes atrasos, garante agora o executivo, são “as vicissitudes normais de um calendário” e não colocam em causa as metas traçadas, que, para já, não foram alteradas.

Isso mesmo assegura a secretária de Estado da Habitação, Marina Gonçalves, em declarações ao PÚBLICO. “O atraso é em relação ao cenário óptimo que queríamos e estamos a trabalhar para ir recuperando para a meta final. O nosso objectivo continua a ser de 6800 fogos a custos acessíveis e, até ver, não há nada que nos faça antecipar que isso não vai acontecer”, diz a governante. “São as vicissitudes normais de um calendário. Obviamente, tínhamos um cenário óptimo, que, depois, vamos reajustando, mas a meta final, até ver, não está em causa”, acrescenta.

Quanto ao impacto que o aumento acentuado dos preços dos materiais poderá ter sobre o cumprimento destes prazos, a secretária de Estado admite que existe “preocupação” em torno deste tema, mas lembra as medidas que estão a ser implementadas para mitigar este impacto. “Ainda na sexta-feira, foi publicado o diploma da revisão de preços e o Instituto dos Mercados Públicos, do Imobiliário e da Construção (IMPIC) publicou um documento de recomendações às entidades adjudicantes, para orientá-las sobre como devem aplicar o Código dos Contratos Públicos (CCP) e garantir que não ficam com concursos desertos. Há, também, um trabalho que é feito pelo Governo, junto do sector, para garantirmos que temos mão-de-obra. Todos estes cenários têm uma margem de risco e de incerteza, mas o que é importante é fazermos esta antecipação e acompanharmos com medidas, que é o que estamos a fazer”, aponta.

As medidas que estão a ser implementadas, acredita Marina Gonçalves, serão suficientes para evitar cenários em que não há candidatos aos concursos de obras públicas, até porque “este aumento do preço é, efectivamente, extraordinário”, pelo que se espera um regresso à normalidade. “Vamos acompanhando em função da evolução do mercado e, à partida, garantimos que os compromissos assumidos vão ser concretizados”, resume.

15.3.22

Portimão recebeu a EAPN Portugal -Rede Europeia Anti Pobreza

in DL - diariOnline

A presidente da Câmara Municipal de Portimão, Isilda Gomes, recebeu uma delegação da EAPN Portugal – Rede Europeia Anti Pobreza, liderada por Dionísia Pedro, representante do núcleo algarvio deste organismo, que entregou, simbolicamente, à autarca, um tijolo que constitui a “Primeira Pedra” na construção e implementação de respostas mais eficazes e eficientes, orientadas para os cidadãos, no acesso a uma habitação digna.

A entrega da “Primeira Pedra” faz parte da campanha nacional lançada o ano passado, no âmbito das comemorações do Dia Internacional para a Erradicação da Pobreza, e que pretende «sensibilizar o público e o poder político, nomeadamente as autarquias, para a necessidade de se fazer cumprir o direito fundamental à habitação consagrado na Constituição portuguesa, em particular para a população com menores rendimentos».

Na ocasião, Isilda Gomes falou sobre a estratégia autárquica de erradicação da pobreza, tendo por objetivo "a fome zero em Portimão", e realçou que o Município desenvolve um conjunto de projetos no combate às carências das pessoas desfavorecidas, para o que conta com «uma autêntica rede de boas vontades, cuja malha é muito apertada, com toda a gente bastante dedicada na área social».

A autarca recordou os três contratos programa extraordinários implementados na sequência da Covid-19, assegurando liquidez financeira para as associações locais que lidam com os mais carenciados.

A propósito desta campanha pelo direito à habitação, Isilda Gomes deu conta que existem para Portimão cerca de 80 milhões de euros protocolados com o IHRU – Instituto da Habitação e da Reabilitação Urbana no âmbito da estratégia local de habitação.

A presidente abordou igualmente o realojamento de 28 famílias de etnia cigana para o Vale da Arrancada, cuja comunidade é apoiada no terreno por uma equipa permanente de técnicos da autarquia, sublinhando o trabalho que está a ser desenvolvido através do Programa (Re)viver o Meu Bairro, de apoio às populações mais vulneráveis residentes nos bairros camarários.

A cargo do Município de Portimão, existem em curso outras medidas sociais destinadas a famílias carenciadas, de que são exemplos o apoio ao arrendamento de habitação no mercado privado, contribuindo para a eliminação das situações de precariedade habitacional de 262 agregados familiares, assim como a tarifa social da água, que beneficia atualmente 656 agregados familiares.

Outra iniciativa relevante prende-se com o apoio à aquisição de medicação, que envolve 12 farmácias do concelho e permite que pessoas carenciadas não fiquem privadas dos seus medicamentos, para o que está garantida uma contribuição financeira a cem por cento na verba que cabe ao munícipe na respetiva aquisição, mediante receita médica.

«As autarquias estão na linha da frente no combate à pobreza e Portimão é um exemplo disso mesmo, pois globalmente não sei se haverá muitos municípios que tenham um conjunto de projetos como os que nós temos», sustentou Isilda Gomes.

22.2.22

Encontro Regional Centro “A Dimensão Social no Poder Local”

in Direita

Pretende-se analisar os impactos no combate à pobreza como resultado das mudanças introduzidas nos modelos de governação por via deste processo de transferência para os órgãos municipais e de que forma essas mudanças podem resultar em novas ações que alterem os paradigmas de combate à pobreza, sob o escopo da recentemente aprovada Estratégia Nacional de Combate à Pobreza.

No âmbito do Decreto-Lei n.º 55/2020 de 12 de agosto passa a caber aos órgãos dos municípios a competência, entre outras, para a elaboração e divulgação das cartas sociais municipais, incluindo o mapeamento de respostas existentes ao nível dos equipamentos sociais, para acompanhamento de situações de risco e carência social, para assegurar o serviço de atendimento e de acompanhamento social e para a implementação da componente de apoio à família para crianças que frequentam o ensino pré-escolar da rede pública.

Neste contexto, a EAPN Portugal irá promover um conjunto de Encontros Regionais sobre a Transferência de Competências de Ação Social para as Autarquias, com o objetivo de refletir sobre os desafios deste processo, em conjunto com as entidades sociais, as autarquias e outras partes interessadas.
O Encontro Regional – A Dimensão Social no Poder Local, direcionado para a Região Centro, decorrerá no dia 3 de março, através da plataforma Zoom, com início às 14h30.

Pretende-se analisar os impactos no combate à pobreza como resultado das mudanças introduzidas nos modelos de governação por via deste processo de transferência para os órgãos municipais e de que forma essas mudanças podem resultar em novas ações que alterem os paradigmas de combate à pobreza, sob o escopo da recentemente aprovada Estratégia Nacional de Combate à Pobreza.

A inscrição é gratuita, mas deverá ser concretizada obrigatoriamente através do formulário de inscrição até ao dia 1 de março.

https://docs.google.com/forms/d/e/1FAIpQLSdkDxdR0ZRk_cA5tosiMH595NkjtnbyfH0m6xNKPRGN4MR9YQ/viewform

3.11.21

Campo Maior: Luís Rosinha reuniu com o Núcleo Distrital da EAPN PT

in Linhas de Elvas

O presidente da Câmara Municipal de Campo Maior, Luís Rosinha, reuniu com o Núcleo Distrital de Portalegre da EAPN PT, no passado dia 27 de Outubro, que apresentou a Campanha Nacional de Sensibilização sobre o Direito à Habitação, realizada no âmbito do Dia Internacional para a Erradicação da Pobreza.

A EAPN PT conta com uma experiência acumulada de quase 30 anos na luta contra a pobreza, com o objectivo de influenciar as políticas sociais em defesa de uma sociedade menos desigual e mais inclusiva.

A habitação é um direito fundamental constitucionalmente consagrado, base de uma sociedade estável e o alicerce a partir do qual os indivíduos e suas famílias constroem as condições que lhes permitem aceder a outros direitos como a educação, a saúde ou o emprego.
Neste sentido, a EAPN PT entregou simbolicamente “um tijolo”, que constitui a “primeira pedra” na construção e implementação de respostas mais eficazes e eficientes, orientadas para os cidadãos, no acesso a uma habitação digna.

2.11.21

Campanha da EAPN Portugal sensibiliza autarcas para o direito à habitação

Por Notícias ao Minuto

A EAPN Portugal (Rede Europeia Anti Pobreza) lançou uma campanha de sensibilizando para o direito à habitação, oferecendo um tijolo aos presidentes das câmaras para os incentivar à construção de políticas que efetivem o acesso à habitação digna.

Amais recente campanha da EAPN Portugal (Rede Europeia Anti Pobreza) sensibiliza os autarcas para o direito à habitação. Como? Oferecendo um tijolo aos presidentes das autarquias para a construção de políticas que efetivem o acesso à habitação digna.

Esta iniciativa foi criada para chamar à atenção do público em geral e do poder político em particular, nomeadamente, todas as autarquias do país para a necessidade de fazer cumprir este direito, pode-se ler em comunicado a que o Notícias ao Minuto teve acesso.

Isto porque "trata-se de uma questão que está no cerne do debate público, até porque no âmbito do Programa de Recuperação e Resiliência apontam-se grandes objetivos em matéria de política de habitação e reabilitação", justifica Jardim Moreira, presidente da EAPN Portugal.

Para o responsável, "é necessário criar condições para que a reabilitação seja a principal forma de intervenção ao nível do edificado e do desenvolvimento urbano, promovendo a inclusão social e territorial e as oportunidades de escolha habitacionais, apostando em abordagens integradas e participativas nos bairros de arrendamento públicos e no reforço da informação, encaminhamento e acompanhamento de proximidade."

Note que o Inquérito às Condições de Vida e Rendimento de 2019, indicava que 9,5% das pessoas viviam em alojamentos com sobrelotação, afetando principalmente os residentes na região do Algarve (17,8%) e na região Autónoma dos Açores (15,7%). Mais ainda, para além de sobrelotado, o alojamento em que viviam sofria, pelo menos um dos problemas como a não existência de banho ou duche ou de sanita com autoclismo, lê-se no documento.

Por isso, o tijolo entregue às autarcas vem acompanhado do artigo 65.º da Constituição, como forma simbólica de lançar a 'primeira pedra' para a construção e implementação de respostas mais eficazes, no acesso a uma habitação digna.

Até à data, já foram visitadas as autarquias de Almeida, Estarreja, Guarda, Castro Verde, Cantanhede, Bragança e Odemira. Fica apenas a falta a Câmara de Santa Marta de Penaguião, com data prevista para 10 novembro, refere o comunicado.

Leia Também: BE com medidas de combate à pobreza e direito à habitação para o Porto

14.7.21

Mais de 60 municípios aderem aos objetivos de desenvolvimento sustentável

Por Notícias ao Minuto

Sessenta e um municípios do continente e regiões autónomas já formalizaram a adesão aos objetivos de desenvolvimento sustentável para 2030 definidos pela ONU, seis meses após o lançamento da plataforma digital ODSlocal, disse à Lusa uma das responsáveis do projeto.

A plataforma digital ODSlocal, que permite aos municípios fazerem um mapeamento das boas práticas para cumprir metas de desenvolvimento sustentável para 2030, foi lançada em 11 de novembro do ano passado em Lisboa.

A plataforma visa contribuir para que os municípios de todo o país possam concretizar os 17 objetivos de desenvolvimento sustentável definidos pela Organização das Nações Unidas (ONU), incentivar boas práticas e promover a participação cívica nas vertentes económica, social e ambiental.

Nessa plataforma, os municípios podem introduzir os projetos que estão a ser realizados no terreno, projetos esses a ser realizados por empresas, organizações não-governamentais, associações e pelos próprios municípios.

Em declarações hoje à agência Lusa, Luísa Schmidt, uma das responsáveis pelo projeto, destacou que o balanço do projeto ODSlocal tem sido muito positivo.

"Este projeto tem criado aquilo que nós mais queríamos no terreno: a dinâmica à escala local. Já temos 61 municípios aderentes, o que é 20% do total do país ao fim de seis meses de atividade. Também temos indicadores que servem para monitorizar as metas e objetivos sustentáveis à escala local", disse.

De acordo com Luísa Schmidt, desde o lançamento da plataforma já foram mapeadas 143 iniciativas desenvolvidas pelas autarquias, que correspondem a boas práticas municipais relacionadas com a implementação da agenda 2030, nomeadamente medidas de apoio a famílias desfavorecidas, equidade de género nos órgãos de poder e incentivo a ações de educação para a reflorestação.

Desde novembro, segundo a responsável, a plataforma recebeu 159 projetos que representam contributos locais para o cumprimento dos 17 objetivos de desenvolvimento sustentável.

Erradicação da pobreza, saúde, educação, mobilidade, biodiversidade, voluntariado, economia circular, são alguns dos temas dos projetos apresentados.

"Tivemos também 12.400 visitantes só no portal e 10% destes são estrangeiros. Páginas visitadas foram 56.262", indicou.

Sobre o futuro, Luísa Schmidt adiantou que a expectativa é conseguir mais do que os 20% de municípios.

"A nível nacional, concertamos a rede de municípios aderentes e reforçámos o nosso trabalho colaborativo com o Instituto Nacional de Estatística e com a Direção Geral do Território, criando novos indicadores e olhando para a metas. A nível internacional, estamos a tentar uma plataforma colaborativa para a comunidade dos países de língua portuguesa. Fizemos agora uma candidatura conjunta com Angola, Cabo Verde e São Tomé, mas ainda não temos resultados", indicou.

Segundo dados do projeto, ao nível da capacitação dos técnicos das autarquias, foram realizadas 11 sessões dos Laboratórios Dinâmicos para a Sustentabilidade Local, organizadas por grandes áreas geográficas do país, para a promoção da Agenda 2030 à escala local.

O ciclo de sessões decorreu durante um período de três meses, entre março e maio deste ano, e envolveu cerca de 300 técnicos municipais, tendo estado representados 116 municípios (quase 40% do total).

Luísa Schmidt adiantou que está a ser preparado o reconhecimento e valorização dos projetos, as boas práticas com o lançamento de um selo municipal ODSlocal (para distinguir o elevado grau de compromisso e desempenho das autarquias em relação à sustentabilidade local), prémios de boas práticas municipais e prémios para os projetos, um objetivo para a segunda metade do ano.

"É muito importante porque é à escala local que se conseguem instalar mais facilmente as mudanças, porque se cria articulação entre poderes e cidadãos de forma mais próxima, melhor entendimento das medidas, identificam-se melhor urgências e lacunas, problemas e soluções porque as autarquias são mais eficientes a chegar às pessoas e isso vemos nos inquéritos, que as pessoas confiam mais no poder local do que no central", disse.

1.6.21

EAPN Portugal promove oficina sobre a transferência da ação social para as autarquias

Beatriz Torres Valente, in a Voz da Planície

A EAPN Portugal tem como um dos seus objetivos a capacitação do tecido socioinstitucional nos domínios específicos da luta contra a pobreza e exclusão social. Nesta oficina prática do conhecimento, que decorre a partir das 15h00, pretende-se partilhar reflexões e conhecimentos sobre a transferência da ação social para as autarquias.

A sessão tem início às 15h00, com João Martins, presidente da Mesa do Concelho Geral do Núcleo Distrital de Beja da EAPN Portugal. De seguida Fernanda Rodrigues, presidente da Comissão Instaladora da Ordem de Assistentes Sociais fala sobre a ação social em Portugal e as transferências para as autarquias. Pelas 15h30 haverá espaço para debate, e pelas 16h30, conclusões e encerramento da sessão.

A EAPN Portugal acredita que “é pelo conhecimento que é possível produzir mudança” e considera “fundamental promover espaços de intercâmbio de informação e conhecimento” através destas oficinas.

A sessão destina-se a profissionais de intervenção social e comunitária e sociedade civil em geral, e será transmitida via Zoom.

13.5.21

Pessoas sem-abrigo vão poder indicar autarquias ou instituições sociais como morada

Por Nuno Guedes, in TSF

"Para nós é tão normal ter uma morada que nem percebemos bem a importância desta mudança". A medida pode ser aplicada, também, a quem vive precariamente em quartos.

O Governo quer que os portugueses sem endereço postal físico possam indicar a morada de uma autarquia, de um serviço local da Segurança Social ou de uma associação da sociedade civil sem fins lucrativos quando fazem o cartão de cidadão.

A mudança está prevista na proposta de lei entregue pelo Executivo no Parlamento para mudar as regras de emissão do cartão de cidadão e era reclamada há muito pelas associações que trabalham com pessoas em situação de sem-abrigo, resolvendo um problema que se prolongava há vários anos.

"Como até agora é preciso ter uma morada para fazer o cartão de cidadão, estas pessoas que vivem na rua ou em alojamentos de transição das associações caem numa situação em que não podem fazê-lo", explica o diretor-geral do Centro de Apoio ao Sem-Abrigo, que admite que fica "muito feliz" com a solução agora apresentada.

Hoje, "quem está na rua não pode indicar qualquer morada, ficando, na prática, sem cartão de cidadão", detalha Nuno Jardim, numa situação que complica as comunicações com as entidades públicas, nomeadamente com a Segurança Social para pedir apoios do Estado.

Gonçalo Santos, da associação Cais, confirma que a medida agora proposta aos deputados será muito útil para os sem-abrigo, mas também para outras pessoas que vivem em situações precárias, nomeadamente alugando quartos e trocando regularmente de sítio, evitando-se, assim a perda de correspondência relevante ou mesmo obrigatória com entidades como o fisco ou a Segurança Social.

É comum as pessoas em situação de sem-abrigo darem moradas de instituições sociais, mas a proposta de lei regulariza a prática e inclui, igualmente, as autarquias.

"Imaginemos uma pessoa que não vive na rua, mas que tem um quarto subalugado que não é sempre o mesmo. A avançar esta medida, através da morada do município a pessoa receberá mais facilmente a sua correspondência, garantindo-se, igualmente, um maior controlo se recebe ou não as comunicações do Estado", refere o responsável da Cais.

Nuno Jardim acrescenta que "para nós é tão normal ter uma morada que nem percebemos bem a importância desta mudança" - a partir da possibilidade de ter uma identificação e um cartão de cidadão válido tudo fica mais fácil para obter, por exemplo, um eventual emprego.

A proposta do Governo entregue na Assembleia da República prevê que a indicação das moradas alternativas à habitual morada própria terão de ser autorizadas pela entidade em causa, numa regulamentação que terá de ser feita, mais tarde, através de uma portaria dos membros do Governo responsáveis pelas áreas da integração e migrações, das finanças, da administração interna, da justiça, da modernização administrativa, da administração local e da segurança social.

25.3.21

Autarquias vão poder pagar subsídios diretamente a famílias em situação de pobreza

in o Observador

A atribuição desta possibilidade às autarquias surge como uma resposta de proximidade. Para que haja inclusão social deve haver uma intervenção das entidades mais próximas.

As autarquias vão poder pagar diretamente subsídios a famílias em situações de pobreza no âmbito do processo de descentralização de competências para a administração local em matéria de ação social, segundo uma portaria esta quarta-feira publicada.

A portaria publicada em Diário da República vem regulamentar “os termos de operacionalização da transferência de competências, em matéria de serviço de atendimento e de acompanhamento social (SAAS) de pessoas e famílias em situação de vulnerabilidade e exclusão social, para as câmaras municipais”, de acordo com o preâmbulo do diploma assinado pelos ministros das Finanças, João Leão, Modernização do Estado e da Administração Pública, Alexandra Leitão, e do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social, Ana Mendes Godinho.

A atribuição desta competência insere-se, segundo o diploma, numa lógica de resposta de proximidade, referindo que para atingir uma melhoria das condições de vida e inclusão social “é necessária, a maioria das vezes, uma intervenção prioritária das entidades mais próximas das pessoas e famílias em situação de vulnerabilidade e exclusão social, a atuação desenvolvida pelo SAAS torna-se mais eficaz e eficiente numa lógica de subsidiariedade”.

De acordo com o diploma, é competência das autarquias assegurar o desenvolvimento do SAAS, elaborar os relatórios de diagnóstico social e de acompanhamento “e a atribuição de prestações pecuniárias de caráter eventual em situação de emergência social, comprovada carência económica e de risco social“.

A câmara municipal, no exercício das competências previstas nos números anteriores, pode contratualizar, através da celebração de acordo específico, com instituições particulares de solidariedade social (IPSS) ou equiparadas”, determina a portaria.

Sempre que o SAAS funcione em IPSS ou instituições equiparadas por acordo ou protocolo com os serviços da Segurança Social, as verbas comparticipadas pela Segurança Social para o seu financiamento passam a ser transferidas para as autarquias, que procedem, por sua vez, ao pagamento às instituições.

Quando o SAAS está sob a alçada direta do Instituto de Segurança Social (ISS), ou o Estado transfere para a câmara municipal “a dotação correspondente às remunerações e demais encargos salariais anuais com o(s) trabalhador(es)” ou esses trabalhadores são transferidos para as autarquias, desde que com o acordo da autarquia, do ISS e do trabalhador.

As autarquias podem aceitar ou recusar a transferência de competências até 2022. Para um período transitório até à concretização do processo de transferência de competências são criadas comissões de acompanhamento “pelo tempo estritamente necessário à concretização do procedimento de transferência” e com elementos das autarquias e do ISS.

31.8.20

Câmaras gastaram 31 milhões de euros no combate à pandemia. Cascais lidera investimentos

Rita Rato Nunes, in DN

As câmaras municipais de Cascais, Oeiras, Lisboa, Vila Nova de Gaia e do Porto foram as que mais dinheiro despenderam na resposta à pandemia de covid-19 desde março - o mês em que o novo coronavírus começou a registar casos em Portugal - até agosto, de acordo com informações disponíveis no Portal Base, a plataforma do Estado onde são publicados todos os contratos públicos.

O DN consultou 358 contratos celebrados pelas autarquias portuguesas em que consta a palavra covid-19 na designação, desde o primeiro dia do mês de março até 30 de agosto. O resultado da soma são 30 601 097 milhões de euros gastos pelas câmaras municipais com as mais variadas justificações.

Se a maioria dos investimentos diz diretamente respeito à área da saúde (compra de equipamentos de proteção individual, testes de rastreio à covid-19 ou de imunidade, contratação de serviços de limpeza, desinfeção, equipamentos para hospitais), destaca-se também a quantidade de contratos na área social, educativa, na vigilância e até na divulgação das medidas de prevenção sanitárias contra o novo coronavírus.

Nos primeiros meses da pandemia, nota-se uma especial preocupação, para além da compra de máscaras e desinfetantes, com a aquisição de computadores e de serviços de internet móvel quer no âmbito do teletrabalho quer como uma forma de diminuir as desigualdades no ensino, através da doação ou do empréstimo de equipamentos informáticos aos alunos que passaram a ter aulas à distância.

Os contratos têm os mais variados objetivos, desde o reforço dos transportes públicos, em Vila Nova de Famalicão, ao aluguer de quartos de hotel para os profissionais de saúde na primeira linha do combate ao vírus, em Oeiras. Passando pelas licenças corporativas da plataforma de videochamada Zoom, na Maia, até aos estudos, encomendados pela Câmara Municipal de Lisboa, no valor de 19 950 euros para perceber o impacto que um surto de covid tem nas atitudes e nos comportamentos dos cidadãos e a forma como estes utilizam a cidade.

Apesar de esta ser uma batalha mundial gerida pelos governos nacionais, a resposta local tem-se revelado importante. Cascais foi, até agora, o município que mais gastou na resposta à pandemia, com investimentos feitos em quase todas as frentes. Dos quase 31 milhões de euros em análise, Cascais tem uma fatia de 4 353 539,13 milhões de euros, ou seja, 14% do total nacional.

Segue-se o município de Oeiras, que gastou 3 280 852,39 milhões euros. Depois, Lisboa (3 341 083,6 milhões), Vila Nova de Gaia (1 671 058) e o Porto (1 326 947). A maioria do investimento concentra-se na Área Metropolitana de Lisboa (18 426 686 milhões de euros).
Saúde. Equipamentos de proteção e infraestruturas

As compras diretamente ligadas a materiais de proteção contra o novo coronavírus foi onde se gastou mais. Quase todos os 308 concelhos do país, numa altura ou noutra, adquiriram, por exemplo, gel desinfetante ou máscaras. Lisboa gastou, nesta rubrica, segundo os contratos disponíveis no portal Base, 1 169 548 milhões de euros.

Muitos municípios decidiram também ajudar a montar hospitais de campanha. Cascais gastou 55 mil euros numa tenda, Idanha-a-Nova destinou 39 700 euros para colchões para infetados, em Sever do Vouga foram gastos sete mil euros em barreiras para separar doentes e em Sousel 58 500 no aluguer de um hospital de campanha por três meses. Já no Porto foram, pelo menos, 217 mil euros para apoiar o hospital de campanha instalado no Pavilhão Rosa Mota, no jardim do Palácio de Cristal, e na Pousada da Juventude do Porto.

Outra despesa comum foram os testes de rastreio à covid (Almada assinou três contratos no valor de 87 950 euros cada um com a Cruz Vermelha para prestar este serviço à população. Fafe gastou cem mil euros. Bragança 50 mil num centro de rastreio móvel e Cascais 197 mil em testes e 540 mil pelo aluguer, durante 60 dias, do Centro de Congressos do Estoril onde esteve instalado um centro de testes). Mais tarde, os municípios começaram a investir na realização de testes serológicos com vista a conseguirem calcular a imunidade no concelho.

Muitas autarquias tiveram ainda de contratar reforços para limpeza e desinfeção do espaço público. Foi o caso de Loures que, como explica a autarquia no contrato, "não sendo possível corresponder, através da contratação em vigor, a necessidades imediatas de reforço do serviço (...), a contratação de piquetes para fazer face às necessidades municipais" foi imperativa. No total, Loures gastou em limpeza e desinfeção municipal 189 mil euros dos 1 633 150 despendidos na resposta à covid.

Salta à vista a iniciativa do município de Oeiras que realizou quatro contratos de alojamento para disponibilizar quartos aos profissionais de saúde na primeira linha do combate à covid-19. No total, o executivo camarário liderado por Isaltino Morais gastou 963 754 euros neste serviço.
Educação. Ajuda para estudar em casa

O cancelamento das aulas presenciais gerou desigualdades entre os alunos, uma vez que nem todos têm acesso ao mesmo tipo de equipamentos informáticos, como relembraram ainda neste fim de semana especialistas da Sociedade Portuguesa de Pediatria, numa carta em que defendem o regresso do ensino presencial. Alguns estudantes nem sequer tinham um computador em casa. Por isso, várias autarquias intervieram e compraram portáteis e acessos à internet.

Isto aconteceu em Albufeira, Alfandega da Fé, Almeida, Barcelos, Cinfães, Esposende, Leiria, Matosinhos, Torres Novas, Terras do Bouro, Montalegre, Odemira, Vouzela, Oliveira do Bairro, Penafiel. Estes investimentos vão desde os dez mil euros (em Vouzela) aos 236 960 (em Albufeira).

No caso de Mafra e Vila Nova de Gaia, as duas câmaras celebraram contratos com empresas do setor alimentar (superiores a cem mil euros) para assegurar a continuidade das refeições para os alunos com Ação Social Escolar.

Apoio social. Comida e assistência aos sem-abrigo

A maioria das câmaras municipais assumiu um compromisso social com os mais desprotegidos, numa altura em que muitos sofreram uma perda de rendimento. Foram contratados serviços de alimentação para distribuir refeições a pessoas carenciadas ou isoladas que se estendem um pouco por todo o país. Lisboa gastou mais de dois milhões de euros nesta rubrica.

Em Braga, a autarquia contratou serviços de segurança para a escola EB 2/3 Nogueira, que passou a servir como espaço de apoio a pessoas sem abrigo. Em Cinfães, a ajuda alimentar foi para os bombeiros a auxiliar na resposta ao novo coronavírus.

Vila Nova de Famalicão fez uma aposta diferente e singular: investiu no reforço dos transportes públicos em mais de cem mil euros.
Vigilância do território

Outra preocupação das autarquias foi aumentar a capacidade de vigilância das autoridades locais a fiscalizar o cumprimento das normas sanitárias.

Em Cascais, foi comprado um drone, no valor de 58 825 euros, para ajudar a Proteção Civil na vigilância. Em Lisboa, gastou-se 49 681 euros para aumentar os recursos humanos, tal como em Terras de Bouro (Braga), onde o contrato foi de 8283 euros.

Informar e sensibilizar a população

A comunicação é outro pilar de investimento das câmaras. Foram gastos milhares de euros em cartazes, panfletos, vídeos de informação à população sobre a doença e as medidas de restrição aplicadas.

Dos métodos mais conservadores, como a impressão de panfletos para distribuir na rua, até campanhas nas redes sociais (em que a Câmara da Póvoa de Varzim gastou sensivelmente 122 mil euros), cada município comunicou para os seus munícipes. Em Valongo (Porto), por exemplo, o investimento na comunicação passou pela compra do suplemento do Jornal de Notícias Guia Prático Covid-19 para distribuir a toda a população.

Chegados ao verão, nos últimos meses há despesas de comunicação maiores nos municípios com praia que optaram por assinalar, mais uma vez, as normas no acesso às zonas balneares. Foi o caso de Albufeira, que gastou 14 791 euros em "equipamentos de comunicação com as regras de prevenção no acesso a todas as praias do município".

27.7.20

Governo e autarquias analisam fim do estado de calamidade

in DN

Autarcas declararam-se otimistas, mas ministra da Saúde pôs água na fervura. Presidente da República não tem pressa.

Os autarcas dos cinco concelhos com freguesias em estado de calamidade devido ao números de contaminados com covid-19 reúnem-se nesta segunda-feira à tarde com vários elementos do executivo. O objetivo do encontro é analisar em conjunto a estratégia adotada naquelas áreas para se tomar uma decisão, em conselho de ministros de quinta-feira, sobre o eventual levantamento daquela medida de exceção.

À mesa da residência oficial do primeiro-ministro estarão os ministros Eduardo Cabrita (Administração Interna), Marta Temido (Saúde), Ana Mendes Godinho (Trabalho, Solidariedade e Segurança Social), os secretários de Estado Duarte Cordeiro (coordenador da Região de Lisboa e Vale do Tejo) e Tiago Antunes (adjunto do primeiro-ministro), bem como os autarcas Basílio Horta (Sintra), Bernardino Soares (Loures), Carla Tavares (Amadora), Fernando Medina (Lisboa) e Hugo Martins (Odivelas), e ainda o coordenador do Gabinete de intervenção para a supressão da covid-19 em Lisboa e Vale do Tejo, Rui Portugal.
Otimismo dos autarcas

Nos últimos dias os presidentes das câmaras de Lisboa e de Loures mostraram-se otimistas quanto à evolução epidemiológica nas freguesias afetadas e, em consequência, que se decrete o fim do estado de calamidade.

"A evolução que temos tido ao longo das últimas semanas tem sido uma evolução positiva na generalidade dos municípios da área metropolitana e nas várias freguesias. Essa avaliação vai ser feita no início da próxima semana com o governo. Se for possível registar, ao longo destes dias que ainda faltam, uma evolução positiva, como aquela que temos vindo a registar, o mais provável é de facto a retirada de freguesias da lista da situação de calamidade", comentou na sexta-feira Fernando Medina, que é também presidente do Conselho Metropolitano de Lisboa.

Na quinta-feira o comunista Bernardino Soares, autarca de Loures, declarou que a evolução nas suas freguesias (Camarate, Unhos e Apelação e Sacavém e Prior Velho) é positiva. "Se se confirmar a trajetória de descida [esta semana], quer do número de casos ativos, quer do número de novos casos diários, eu julgo que estão criadas as condições para as nossas freguesias saírem do estado de calamidade", afirmou à agência Lusa.

Bernardino Soares disse que o número de casos ativos é muito menor do que antes e que a situação está normalizada. "Vamos continuar a ter covid-19 no nosso território e vamos ter de continuar a trabalhar e a manter as equipas no terreno, mas acho que estamos já num patamar em que podemos lidar com isso sem estar em estado de calamidade."

Portugal continental entrou no dia 1 de julho em situação de alerta devido à pandemia de covid-19, com exceção da AML, que passou para o estado de contingência.

Na AML, que é constituída por 18 municípios, 19 freguesias de cinco concelhos - Loures, Amadora, Odivelas, Lisboa e Sintra - permaneceram em estado de calamidade, já que, segundo disse na altura o primeiro-ministro António Costa, é onde se concentra "o foco de maior preocupação de novos casos [de infeção] registados".

A situação de alerta, aquela em que o país se encontrava antes de ser decretado o estado de emergência em 18 de março, é o nível mais baixo de intervenção previsto na Lei de Bases de Proteção Civil, e o de calamidade o mais elevado.

As medidas vigoram até ao final do mês e têm correspondência com diferentes restrições. Nas 19 freguesias em estado de calamidade foram impostas medidas especiais de confinamento, como o "dever cívico de recolhimento domiciliário", ou seja, as pessoas só devem sair de casa para ir trabalhar, ir às compras, praticar desporto ou prestar auxílio a familiares.

Os ajuntamentos estão limitados a cinco pessoas e estão proibidas as feiras e mercados de levante.

As 19 freguesias que estão em estado de calamidade são: Santa Clara (Lisboa), as quatro freguesias do município de Odivelas (Odivelas e as uniões de freguesias de Pontinha e Famões, Póvoa de Santo Adrião e Olival Basto, e Ramada e Caneças), as seis freguesias do concelho da Amadora (Alfragide, Águas Livres, Encosta do Sol, Mina de Água, Venteira e União de Freguesias de Falagueira e Venda Nova), seis freguesias de Sintra (uniões de freguesias de Queluz e Belas, Massamá e Monte Abraão, Cacém e São Marcos, Agualva e Mira Sintra, Algueirão-Mem Martins e Rio de Mouro) e as duas referidas freguesias de Loures.

Ao falar sobre a única freguesia do concelho de Lisboa, Santa Clara, em estado de calamidade, o presidente da autarquia registou melhorias tanto nos focos locais, como "nos números globais". E aproveitou para comentar a política de saúde pública adotada: "No fundo o que se tratava era o controlo de focos que, estando na comunidade, tivemos a capacidade de os isolar, de os confinar e, no fundo, de impedir a sua propagação. E isso é um trabalho que está a ter bons resultados e que já está a ter efeitos nos números que nós estamos a registar."
Ministra da Saúde baixa expectativas

A ministra da Saúde, Marta Temido, lembrou na sexta-feira que "não se pode baixar a guarda" e que o levantamento da situação de calamidade depende da "consolidação de dados".

Foi a resposta às declarações de Fernando Medina, que lembrou ainda que a decisão é tomada "em momento próprio", pelo Conselho de Ministros: "Nós estabelecemos desde o início um calendário quinzenal para poder ter alguma estabilidade de informação e ter dados mais robustos mais fiáveis e, portanto, vamos respeitar esse calendário", defendeu.


"Sabemos que de facto há áreas que estão a ter uma evolução mais rápida do que outras, que são áreas mais complexas com mais habitantes com características mais multifacetadas e sabemos, sobretudo, que muitas destas medidas que utilizamos nestes cinco concelhos são medidas muito importantes eventualmente para estender a outros territórios", salientou.

Marta Temido disse estar a falar concretamente de "aspetos provavelmente menos mediáticos" como o trabalho das equipas multidisciplinares e das equipas de saúde pública.

"Acreditamos que é sobretudo por essa via que podemos garantir que a situação fica mais robusta, mais controlada e que em outros territórios também limítrofes a estes concelhos aquilo que é a progressão normal da doença pode ser evitada".

Segundo a ministra, essa avaliação "depende da consolidação de dados". "A grande lição que todos já temos hoje, até quando olhamos para a evolução de outros países, é que ninguém está livre da doença até ser descoberta uma vacina ou um tratamento eficaz, e não podemos baixar a guarda", asseverou.
Marcelo apela para o diálogo científico

Quem também mostrou cautela foi o Presidente da República. No sábado, no final de uma cerimónia religiosa em memória das 40 vítimas mortais por covid-19 em Ovar, disse: "Vale a pena esperar para ver, uma vez que o regime que existe dura até ao final do mês. Faltam cinco dias e cada dia conta. Olhar para a diminuição que tem havido - e que deve manter-se - de internados e utentes em cuidados intensivos é muito importante."

Olhar para os números e ouvir os especialistas é a receita defendida pelo chefe de Estado, que indicou, no entanto, a existência de pontos de vista diferentes entre a comunidade científica.

"No dia 8, à saída de uma reunião que foi a última naquele modelo com epidemiologistas, eu, por exemplo, citava um estudo de uma equipa de epidemiologistas liderada pelo professor Henrique de Barros sobre as linhas ferroviárias na Grande Lisboa. Passados 17 dias, há agora entendimentos aparentemente diversos sobre esta matéria, também técnicos, portanto aquilo que nós esperamos é que os especialistas e sanitaristas vão dialogando, trocando impressões, e que seja possível, a partir disso, haver uma imagem cada vez mais clara da situação para quem tem que tomar decisões políticas e de acompanhar o que se passa no dia-a-dia", concluiu.

15.7.20

Câmaras assumem RSI e atendimento a famílias vulneráveis

Alexandra Figueira, in JN

As câmaras vão acompanhar os contratos de inserção, assinados por quem tem Rendimento Social de Inserção (RSI), e receber famílias vulneráveis ou em exclusão social. A Associação Nacional de Municípios (ANMP) e Governo chegaram a acordo sobre a transferência de competências na Ação Social.

A Ação Social era a última área a transferir da Administração Central para a Local, nos planos originais do ministro da Administração Interna, Eduardo Cabrita, que teve este dossiê em mãos no primeiro Governo Costa.

No Rendimento Social de Inserção, continua a ser a Segurança Social quem decide se a pessoa tem direito ao subsídio, mas a elaboração e acompanhamento do contrato de inserção que os beneficiários assinaram fica na esfera das câmaras. A lei permite-lhes delegar esta competência em Instituições Particulares de Solidariedade Social (IPSS).

O atendimento e acompanhamento de famílias vulneráveis também deixará de ser feito pelos centros da Segurança Social e passa para as câmaras (ou IPSS). E ficam a seu cargo os relatórios feitos quando uma família recebe uma ajuda em dinheiro eventual.

As câmaras também terão competência para melhorar as condições das casas de idosos, por atividades de animação de crianças no pré-escolar e executar os contratos locais de desenvolvimento social. Vão, ainda, fazer cartas sociais municipais, uma lista dos equipamentos sociais existentes. Se o Estado quiser criar um novo equipamento, terá que ouvir a câmara. Se o seu parecer for negativo, será vinculativo.

Transferência termina em março de 2021

Trinta dias depois de o decreto-lei entrar em vigor, a Segurança Social dirá a cada município quanto dinheiro e trabalhadores vai receber. A ministra da tutela, Alexandra Leitão, já admitiu que deverão receber 50 milhões de euros. Depois, o município terá também trinta dias para se pronunciar - se não o fizer, deduz-se que está de acordo.

De seguida, o Governo terá outros trinta dias para publicar o mapa do Fundo de Financiamento da Descentralização, para pagar a área do RSI e do atendimento e acompanhamento social. Por último, acrescem outros 60 dias para que a câmara recuse esta competência para o ano de 2021.

No limite, todas as competências já acordadas serão transferidas até 31 de março de 2022. A Ação Social foi a última e, a par da Educação e Saúde, é a que envolve mais dinheiro e pessoal.

27.4.20

Autarquias podem usar Fundo Social Municipal para despesas com covid-19

Maria Lopes, in Público on-line

Governo alarga recursos financeiros dos municípios mas terá de reforçar o fundo num futuro orçamento rectificativo. IVA reduzido para máscaras e gel e isenção do imposto para o Estado, autarquias, e saúde privada integrada no plano nacional do SNS de combate à pandemia.

As autarquias poderão recorrer ao Fundo Social Municipal (FSM) para financiarem despesas com equipamentos, bens e serviços de combate aos efeitos da pandemia de covid-19 e terão uma moratória de seis meses das prestações que tinham de pagar em 2020. A medida de apoio aos municípios que foi aprovada no Conselho de Ministros da semana passada já está na Assembleia da República para ser discutida e votada no plenário desta semana.

De acordo com a proposta de lei do Governo, são elegíveis para recurso ao FSM as despesas feitas entre 12 de Março e 30 de Junho. O Fundo Social Municipal é uma subvenção específica referente às atribuições e competências transferidas da administração central para os municípios. Apesar de as autarquias passarem a dispor de mais um instrumento financeiro no imediato para o combate à pandemia, o fundo terá de ser reforçado mais tarde, quando o Orçamento do Estado for rectificado, de forma a que as outras competências dos municípios não fiquem subfinanciadas.

Esse reforço torna-se ainda mais premente quando o Governo também dá aos municípios uma moratória de seis meses (mais tempo) para que estes paguem as prestações do capital e quando possibilita que as autarquias com empréstimos de assistência financeira tenham uma moratória de um ano na amortização do capital que tinham de pagar até ao fim deste ano (o montante que não for pago em 2020 é, no entanto, distribuído pelos anos restantes do empréstimo, sem que haja adiamento do prazo limite de pagamento, o que implica um esforço maior nos próximos anos).

Tendo em conta que as autarquias já tinham os seus orçamentos fechados e em vigor quando a pandemia começou, terão agora que fazer orçamentos rectificativos para inscreverem as despesas com o combate à covid-19. E vêem alargados os prazos para prestarem informações à Direcção-geral das Autarquias Locais até 60 dias úteis depois do fim do estado de emergência. O Governo também propõe que as contas deste ano das empresas locais afectadas pela situação de emergência decorrente da pandemia (por exemplo as que gerem as piscinas ou parques de campismo) não sejam contabilizadas para as regras que obrigam à dissolução destas empresas em caso de três anos seguidos de prejuízo.

IVA de máscaras e gel
Outra proposta de lei do Governo que os deputados vão discutir e votar na quinta-feira é a da redução da taxa do IVA para máscaras de protecção respiratória e gel desinfectante cutâneo, como propôs o PSD: passará de 23 para 6% quando a lei entrar em vigor (o que poderá acontecer dentro de uma semana) e até 31 de Dezembro deste ano. No mesmo diploma, o executivo estipula ainda a isenção de IVA para a compra de bens necessários para o combate à covid-19, uma extensa lista que inclui desde dispositivos médicos como ventiladores, respiradores, sondas, TAC, electrocardiógrafos até medicamentos específicos, passando por vestuário de protecção, macas e cadeiras de rodas, material para hospitais de campanha (tendas e camas) ou kits de diagnóstico de coronavírus e reagentes para testes.

A isenção do IVA já estava prevista para as compras fora da União Europeia e abrange agora as compras e vendas intracomunitárias. Mas a isenção do IVA só se aplica às entidades do Estado, regiões autónomas, autarquias, unidades de saúde do Serviço Nacional de Saúde (SNS), estabelecimentos de saúde privados desde que inseridos no plano nacional do SNS de combate à covid-19 e que tenham contratualizado esse serviço com o Ministério da Saúde, e às “entidade com fins caritativos ou filantrópicos aprovadas previamente para o efeito” e que façam parte da lista que será aprovada por despacho dos ministérios das Finanças, Saúde e Trabalho, Solidariedade e Segurança Social. Esta isenção aplica-se às aquisições feitas entre 30 de Janeiro de 2020 e de 31 de Julho – as entidades que já fizeram compras terão direito a um reembolso ou crédito do valor do IVA pago.

11.7.19

Metade das autarquias não integra rede de apoio à habitação para vítimas de violência doméstica

Rita Marques Costa, in Público on-line

Num inquérito online promovido pela Comissão para a Cidadania e Igualdade de Género, 13% dos municípios disse que não considera prioritária a integração na rede.

Só 152 câmaras (são 308 no total) integram a rede solidária de municípios criada em 2012 com o objectivo de incentivar a autonomização das vítimas de violência doméstica através da disponibilização de habitações ou de apoio ao arrendamento.

Alcácer do Sal: uma “casa do Monopólio” em ponto grande
Na edição desta quarta-feira, o Jornal de Notícias (JN) adianta que a iniciativa, que faz parte da estratégia de cooperação entre a Comissão para a Cidadania e Igualdade de Género (CIG) e a Associação Nacional de Municípios Portugueses (ANMP), tem como objectivo responder à necessidade anual de 250 casas para vítimas deste crime. No ano passado, só foram cedidas 31 habitações.

Questionados pela CIG através de um inquérito online sobre a não adesão ao protocolo, metade das autarquias admitiu não conhecer o programa e reconheceu que não tem habitação para este fim. Já 13% não o consideram prioritário.

Daniel Cotrim, técnico da Associação Portuguesa de Apoio à Vítima, defende que, “apesar do aparato público e político relativamente à violência doméstica, talvez falte sensibilização junto dos municípios”.

Teresa Morais, ex-secretária de Estado da Igualdade entre 2011 e 2015 (governo PSD), foi quem esteve por trás da criação desta rede. Ao JN, admite que “houve um desinvestimento nesta rede”. Porque é isso aconteceu? “O sucesso dependia, por um lado, do empenhamento do Governo PS” e, por outro lado, “devia existir uma proactividade por parte da ANMP para uma sensibilização dos seus associados”.

Na altura em que a rede foi criada, Teresa Morais explica a importância deste programa: “Se uma mulher, que sai muitas vezes acompanhada dos seus filhos, gasta dois terços do seu rendimento mensal numa habitação, muito dificilmente conseguirá sobreviver a essa situação e pode muitas vezes ter, como em alguns casos conhecidos aconteceu, a tendência de voltar para trás e voltar a viver com o seu agressor.”

Portugal vai ter bolsa de casas para vítimas de violência doméstica
Cobertura em todos os distritos
A CIG disponibiliza no seu site uma lista de todos os municípios que integram a rede. Todos os distritos têm pelo menos um concelho inserido no programa. Setúbal, com apenas um município nesta rede (Alcochete), é o território que está pior representado. Por outro lado, Aveiro (14), Porto (13), Viseu (12) e Coimbra (11) têm todos mais de dez autarquias aderentes ao protocolo.

Instituto da Habitação atribuiu 15 casas a vítimas de violência doméstica em 2018

Novo plano contra a violência vai reforçar direitos das vítimas à habitação

Num ano, 1600 pessoas passaram por casas de abrigo. O que lhes aconteceu depois?
A adesão é mais forte nos municípios do norte do país. Além de Setúbal, Évora, Beja e Portalegre estão entre os distritos com menos autarquias aderentes ao programa. Em Lisboa, por exemplo, a cobertura também ainda não é total. Estão de fora municípios como Mafra, Cascais ou Vila Franca de Xira.

Em Fevereiro, a CIG e a ANMP assinaram mais um protocolo que substituiu o documento de 2012 e que levou à inclusão de mais 20 autarquias nesta rede solidária (chegando assim aos actuais 152 municípios aderentes).

9.3.18

Mulheres lideram 32 câmaras em Portugal, um número recorde, mas que representa só 10% das autarquias

Joana Almeida, in Económico on-line

Nas eleições autárquicas de 2017, registou-se um número recorde de mulheres a candidatarem-se a câmaras municipais e 32 delas conseguiram ser eleitas para liderar executivos locais.

A desigualdade de género no poder local é ainda um problema que está longe de estar ultrapassado, mas nos últimos anos foram feitos avanços significativos no nosso país. Nas eleições autárquicas de 2017, registou-se um número recorde de mulheres a candidatarem-se a câmaras municipais e 32 delas conseguiram ser eleitas para liderar executivos locais. Mesmo assim, representam apenas 10,3% dos municípios portugueses.

Luísa Salgueiro, deputada do Partido Socialista (PS), candidatou-se pela primeira vez à Câmara Municipal de Matosinhos o ano passado. Até então, nunca nenhuma mulher se tinha chegado à frente para disputar a liderança do município e Luísa Salgueiro, não só o fez, como conseguiu o maior número de votos. Ao todo, conseguiu ser eleita com 36,36% dos votos, o que corresponde a mais de 29 mil votos num universo de quase 80 mil eleitores.

“A minha eleição em Outubro para a presidência da câmara não deve ser vista de um modo maniqueísta, mas como uma consequência natural da crescente capacidade de afirmação das mulheres no mundo do trabalho e no mundo da política”, afirma Luísa Salgueiro, ao Jornal Económico.

A presidente da Câmara de Matosinhos acredita que a autarquia é “do ponto de vista da desigualdade de género, um caso bastante especial”. A esmagadora maioria dos lugares de chefia da autarquia são ocupados por mulheres, desde há alguns anos e a assembleia municipal é já há alguns anos presidida também por uma mulher; uma tendência que se manteve depois das autárquicas de 2017.
“O facto de Matosinhos ter uma presidente da câmara e uma presidente da assembleia municipal não é resultado de qualquer tipo de discriminação positiva, mas da nossa disponibilidade para intervir civicamente e da nossa capacidade de trabalho”, ressalva.

Também a autarquia da Amadora reelegeu nas últimas dois eleições autárquicas uma mulher para liderar o executivo local. Carla Tavares, conta ao Jornal Económico que nunca se sentiu tratada de forma diferente, mas reconhece que esse é um preconceito ainda bastante presente na sociedade portuguesa.

“Aqui [no concelho da Amadora] não sinto que haja discriminação em função de ser mulher. Talvez por se tratar de um concelho grande e urbano, não sinto esse tipo de discriminação”, afirma Carla Tavares, que foi reeleita para um novo mandato de quatro anos o ano passado.

Dedicada à política desde muito jovem, a presidente da Câmara Municipal da Amadora acredita que a participação ativa das mulheres na vida política vem tornar a atividade ainda mais enriquecedora. “Acho que as mulheres vêm complementar o trabalho dos homens e vice-versa. Juntos formamos uma equipa mais coesa e este equilíbrio vai-nos permitir representar melhor a sociedade, que é composta tanto por homens como por mulheres”, afirma.

Nas eleições autárquicas de 2013, foram eleitas 23 mulheres para as 308 Câmaras de norte a sul do país, tendo o número subido para 25. Comparando as mulheres eleitas o ano passado com as de 2013, subiram à liderança do poder local mais 9 mulheres. O presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, já tinha afirmado que uma maior participação das mulheres na política é “fundamental para o país”, para garantir a representatividade da sociedade portuguesa. Marcelo Rebelo de Sousa destaca-lhes a postura de “um poder-missão” e o seu “sentido não possessivo”.

13.7.17

O lento caminhar das mulheres ao encontro da paridade nas autarquias

Carlos Dias, in Público on-line

O lento caminhar das mulheres ao encontro da paridade nas autarquias Decorridos 41 anos desde as primeiras eleições autárquicas, a consagração da igualdade do género na Constituição da República Portuguesa, aprovada em 1976, revelou-se insuficiente para reduzir a desigualdade que prevalece entre homens e mulheres, sobretudo no exercício de cargos de liderança política.

Veri? ca-se uma evolução que não foi linear, sujeita a avanços e recuos, que mantiveram a participação feminina ao nível do simbólico, na constituição das listas. Os resultados de 11 actos eleitorais realizados entre 1976 e 2013 são sintomáticos: registam a eleição de 3350 homens e de 122 mulheres para liderar os executivos municipais no continente e nas regiões autónomas. Para reverter este paradoxo democrático, o Parlamento aprovou, em 2006, a Lei da Paridade, instrumento legislativo que estabelece que as listas para a Assembleia da República, Parlamento Europeu e Autarquias Locais devem “ser compostas de modo a assegurar a representação mínima de 33% de cada um dos sexos”. Contudo, a existência de quotas provou revelar-se insu? ciente para assegurar que se alcançava a igualdade do género, como ? cou demonstrado nas eleições autárquicas de 2009 e de 2013. Em cada um destes escrutínios, as candidaturas femininas conquistaram 23 lugares na liderança de executivos camarários num universo de 308 municípios, ou seja, uma percentagem de 7,46%.

Manuela Tavares, dirigente da União de Mulheres Alternativa e Resposta (UMAR), fala da existência de “fugas” à lei da paridade, e dá um exemplo que classi? ca como “caricato”: na composição de uma lista para um executivo municipal faziam parte marido e mulher, “ela Têm um estilo de liderança mais transparente e democrático e revelam mais relutância em violar normas sociais e políticas, predicados que não têm pesado nas escolhas dos partidos à frente e ele atrás”, para respeitar a paridade. Anunciados os resultados do acto eleitoral, “a candidata é eleita, mas desiste e o lugar passa a pertencer ao marido”.

A par desta “reprovável” subtileza, Manuela Tavares critica a “ interpretação depreciativa da lei da paridade que é feita” por alguns políticos e até mulheres. E destaca a importância do quadro legislativo, apesar dos resultados das eleições autárquicas de 2009 e 2013 “não terem sido famosos”.

É um facto que as forças políticas “concentram as candidaturas femininas, sobretudo, nos lugares de vereação”, em detrimento da eleição de “mais presidentes de câmara”, realça a dirigente da UMAR. E mesmo que as mulheres se destaquem pela sua “competência e capacidade de trabalho”, são preteridas, porque os presidentes de câmara “querem perpetuar-se no lugar”, e recusam-se a sair, critica Manuela Tavares.
Apesar das críticas ao baixo índice de mulheres nas lideranças autárquicas, a Adelaide Teixeira, presidente da Câmara de Portalegre, 55 anos, eleita pela Candidatura Livre e Independente por Portalegre (CLIP), desvaloriza a Lei da Paridade. “O que importa é a competência e não, se é homem ou mulher que desempenha funções no mundo da política autárquica. Não ligo às diferenças do género”, acentua, para garantir que nunca sentiu como constrangimento o facto de ser mulher.

Conclusão semelhante pode retirar-se das palavras de Fermelinda Carvalho, 46 anos, que lidera a Câmara de Arronches, numa lista do PSD. “Entrar numa liderança autárquica para respeitar quotas é qualquer coisa ‘à força’, que muitas vezes signi? ca estar lá por estar. Não presta”, resume a autarca, assumindo que a igualdade do género está “na capacidade de trabalho e competência, independentemente de se ser homem ou mulher”. “Nós, muIgualdade de género Carlos Dias Trato dos meus dos fi lhos e faço o jantar Fermelinda Carvalho Presidente da Câmara de Arronches (PSD) e da Associação de Agricultores de Portalegre dade Intermunicipal do Alentejo Central. É, aliás, a única mulher na liderança de um órgão intermunicipal em todo o país. “Nunca me senti discriminada”, declara. “A diferença não estará no facto de ser mulher mas sim na minha experiência de vida.” Hortênsia Menino sugere que a defesa dos direitos das mulheres deverá ser “transversal” às diversas dimensões da vida, e não centrar-se apenas na política.

“Não se pode falar nas di? culdades das mulheres em assumir maiores responsabilidades enquanto autarcas sem falarmos nos direitos e na igualdade que possa levar o mundo feminino a participar na vida política”, defende.

Em Alfândega da Fé, Berta Nunes, 61 anos, eleita pelo PS, valoriza a Lei da Paridade por acreditar que a igualdade do género fará escola.
Nas próximas eleições autárquicas “vão ser eleitas mais mulheres para a presidência de câmaras”, conta a autarca, embora preferisse que fossem contempladas quotas 50/50.

”Eu é que sou a presidente” “Não noto diferenças no tratamento” em relação aos colegas homens, confessa a presidente da Câmara da Amadora, Carla Maria Tavares , 47 anos, eleita numa lista socialista.

Mas sublinha um pormenor: Teve que se “adaptar”, com um custo que se reflecte na vida familiar.

“Sou uma mãe ausente, mas não negligente.” Responsável pela gestão da quarta cidade mais populosa do país, com 176 mil habitantes de 55 nacionalidades concentrados em 24 quilómetros quadrados, Carla Tavares defronta-se com uma realidade diametralmente oposta à que Fermelinda Carvalho encontra em lheres, fazemos um esforço maior, mas este é o caminho”, sublinha.

Há distritos que nunca viram mulheres a liderar câmaras Os distritos de Beja, Braga, Vila Real e região autónoma da Madeira são os únicos que nunca elegeram uma presidente de câmara nos 11 actos eleitorais para os órgãos autárquicos que se realizaram desde 1976.

Ao contrário do Alentejo Central e Norte Alentejo, que nas últimas autárquicas elegeram mulheres para a liderança das câmaras de Alandroal, Arraiolos, Montemor-o-Novo, Mourão, Nisa, Arronches e Portalegre, na região do Baixo Alentejo nenhuma força política (PS, CDU, PSD e CDS) elegeu qualquer mulher para presidente de câmara. Só a CDU ousou propor mulheres, nos anos 90, para cabeças de lista, nos concelhos de Ferreira do Alentejo e Cuba, mas a derrota foi absoluta.

Nem na terra onde nasceu Catarina Eufémia, a freguesia de Baleizão, no concelho de Beja, se ousou, alguma vez, avançar com uma mulher para a liderança autárquica. E, no entanto, todos os anos o PCP homenageia a mulher que representa o seu símbolo maior na luta contra o antigo regime.

Talvez possa acontecer nas próximas eleições autárquicas. Até ao momento, foram anunciadas três candidaturas às câmaras de Barrancos, Odemira e Vidigueira, lideradas por mulheres. Em Barrancos, ENRIC VIVES-RUBIO Berta Nunes, de Alfândega da Fé (em cima) e Susana Amador (em baixo), que trocou entretanto a Câmara de Odivelas pelo Parlamento Fonte: PÚBLICO Percentagem e número de mulheres eleitas presidentes de câmara desde 1976 20132009200520011997199319891985198219791976 1,0 1,3 1,9 1,3 2,0 1,6 3,9 5,2 6,2 7,5 7,5 5 3 5 4 4 5 10 15 18 23 23 N.º de mulheres presidentes de câmara Arronches. “Aqui o grande problema é a falta de gente”, comenta a presidente da câmara, que gere 340 quilómetros quadrados com apenas 3200 habitantes.

Além de autarca, Fermelinda Carvalho realça a sua condição de mulher casada: “Trato dos meus dos ? lhos e faço o jantar.” Lidera a Câmara de Arronches e também da Associação de Agricultores de Portalegre, é a primeira mulher na presidência desta organização.

“Vêem-me como uma igual, sem diferenciações ou estigmas pelo facto de ser mulher”, observa a autarca que diz atribuir um cunho “assertivo e personalizado à sua liderança”, tal como a sua colega de Alfandega da Fé, Berta Nunes.

A autarca do nordeste transmontano critica a atitude de alguns colegas presidentes de câmara que, “inconscientemente, continuam a fazer uso de uma certa condescendência paternalista”. Berta Nunes diz não dar tréguas a este tipo de atitudes, aproveitando a sua posição privilegiada: “Eu é que sou a presidente” e, como tal, “tenho legitimidade para combater as atitudes de quem nos tenta subalternizar”.
Na presidência da Câmara de Portalegre, a independente Adelaide Teixeira resiste às posições “por vezes agressivas” dos seus opositores masculinos, alegando que a este tipo de atitudes está associado o reconhecimento de que resolveu “problemas que eram encarados como insolúveis”. O problema maior que se coloca às mulheres “entronca nas questões de natureza cultural e de disponibilidade para fazer política”, assinala a autarca portalegrense. “Se os meus ? lhos fossem pequenos, não estaria onde estou, neste momento”, confessa Adelaide Teixeira, explicando que a “maior parte das mulheres continua a dar prioridade à família”.

A importância da família é igualmente valorizada por Hortênsia Menino. “Só com a partilha de tarefas” é possível manter actividade no mundo da política, acentua a autarca.

Lideranças mais democráticas Num estudo sobre a transparência económico-? nanceira dos municípios portugueses, apresentado, em 2014, por Solange Sousa Nunes, do Departamento de Ciências Sociais, Políticas e do Território da Universidade de Aveiro, constata-se que o estilo de liderança feminina é “mais participativo e democrático”. Acresce, segundo o mesmo estudo, que as mulheres portuguesas à frente de autarquias se têm revelado mais “adversas a violar normas sociais e políticas”, por um lado, ao mesmo tempo que vêm demonstrando um “maior sentido da responsabilidade”.

Outra conclusão interessante é que diz respeito à comparação entre a informação económica e ? nanceira disponibilizada pelos municípios com presidentes de câmara do sexo maculino e do sexo feminino.

De acordo com esta investigação, a informação económico e ? nanceira disponibilizada por autarquias lideradas por mulheres “é superior”, com um índice de 83,62, enquanto que nas câmaras presididas por homens a média é de 66,11.

candidata-se na lista da CDU, Isabel Catarino, que assim poderá vir a tomar o lugar ocupado por Pica Tereno, por ter cumprido os três mandatos previstos na lei. A candidata é vereadora no concelho raiano desde 1997.

Mais a sul em Odemira, a CDU propõe uma jovem, Sara Ramos, para a liderança da sua lista e na Vidigueira acaba de ser anunciada a candidatura de Helena D’Aguilar, actual vereadora eleita nas listas da CDU, que optou pela constituição de uma lista de cidadãos independentes para se candidatar nas próximas eleições autárquicas de 1 de Outubro.

Mulheres eleitas presidentes de câmara em 2013 Ao todo há 23 mulheres como responsáveis máximas de autarquias. Amadora, Odivelas e Setúbal são as autarquias mais populosas geridas por mulheres. Entre estas 23, 12 são socialistas e seis da CDU, o segundo partido mais representado neste âmbito.

Há ainda três autarcas do PSD e duas eleitas em listas de grupos de cidadãos independentes.
Anadia — Teresa Cardoso (Grupo de Cidadãos) Alfândega da Fé — Berta Nunes (PS) Freixo de Espada à Cinta — Maria do Céu Quintas (PSD) Góis — Lurdes Castanheira (PS) Alandroal — Mariana Chilra (CDU) Arraiolos — Sílvia Pinto (CDU) Montemor-o-Novo — Hortênsia Menino (CDU) Mourão — Maria Clara Safara (PS) Lagos — Maria Joaquina Matos (PS) Portimão — Isilda Gomes (PS) Silves — Rosa Palma (CDU) Amadora — Carla Tavares (PS) Odivelas — Susana Amador (PS) — actualmente deputada Arronches — Fermelinda Carvalho (PSD) Nisa — Idalina Trindade (PS) Portalegre — Adelaide Teixeira (Lista Grupo de Cidadãos) Vila do Conde — Elisa Ferraz (PS) Abrantes — Maria do Céu Albuquerque (PS) Alcanena — Fernanda Asseiceira (PS) Constância — Júlia Amorim (CDU) Rio Maior — Isaura Morais (PSD-CDS-PP) Tomar — Anabela Freitas (PS) Setúbal — Maria das Dores Meira (CDU) Maria das Dores Meira (CDU) preside à Câmara de Setúbal desde 2006, quando Carlos de Sousa se demitiu

27.6.16

Projecto de investigação propõe índice municipal para a igualdade de género

Camilo Soldado, in Público on-line

Estudo envolveu cinco autarquias de vários pontos do país e elaborou guiões de boas práticas a adoptar pelos municípios.

Com o objectivo de medir as desigualdades de género no território nacional, um projecto de investigação do Centro de Estudos Sociais da Universidade de Coimbra (UC) em que participaram cinco autarquias propõe a criação de um índice municipal que classifique o trabalho dos municípios nesta área.

A coordenadora do projecto Local Gender Equality, Virgínia Ferreira, conta ao PÚBLICO que a criação deste mecanismo parte da necessidade de estabelecer linhas de intervenção. “Sem uma métrica, sem a possibilidade de medir como é que essa realidade se vai alterando de ano para ano, é difícil estabelecer objectivos”, justifica a investigadora.

Considerando que este “fenómeno muito complexo” não se pode “traduzir exclusivamente por um indicador”, Virgínia Ferreira explica que esta espécie de ranking contemplaria 20 indicadores de três tipos: os estruturais (que remetem para a existência ou não de instrumentos como os planos para a igualdade de género), os de resultados (se as políticas em vigor têm impacto) e os de processo (que têm em conta a existência ou não de serviços a nível local, como por exemplo os de apoio a vítimas de violência doméstica).

“Este índice poderia permitir que a câmara avaliasse ano a ano o seu desempenho e ter uma noção de melhores práticas a seguir por comparação com outros concelhos”, sublinha a também docente da Faculdade de Economia da UC.

Esta proposta é um dos resultados do projecto de investigação financiado pelo Mecanismo Financeiro do Espaço Económico Europeu através da Comissão para a Cidadania e a Igualdade de Género (CIG) e que foi desenvolvido ao longo de 15 meses com vários parceiros. No processo, cujo objectivo era produzir instrumentos para que as autarquias promovam a igualdade de género, estiveram envolvidas as câmaras de Lagoa, Ferreira do Alentejo, Pombal, Mangualde e Póvoa de Lanhoso, bem como o Centro de Estudos e Formação Autárquica (CEFA) e uma consultora.

Sobre a monitorização deste índice, a investigadora menciona que esta poderia ser assumida pela CIG. “Aqui não haveria muito que fazer”, explica, afirmando que houve “uma preocupação fundamental de que os indicadores todos estivessem disponíveis em bases estatísticas nacionais comparáveis, acessíveis”, ou seja, os dados estão disponíveis, basta juntá-los e fazer um trabalho de ponderação.

A coordenadora do projecto refere que os resultados, que incluem também oito guiões que abordam várias áreas de actuação, traduzem o trabalho com os parceiros a nível municipal. Ou seja, estes documentos são fruto de reuniões e troca de ideias com os técnicos e líderes políticos dos municípios. Cada guião oferece “instrumentos de diagnóstico e sugestões de solução dos problemas sectorialmente” e é dirigido a “problemas de gestão que, necessariamente, qualquer tipo de câmara municipal tem”. Os documentos abordam oito temáticas tão distintas como mobilidade e transportes, violência no trabalho ou cultura, desporto, juventude e lazer.

Cada guião está dividido em quatro partes. Começam por enquadrar a importância da igualdade de género em determinada área, seguem-se os princípios e metodologias que devem ser observados, depois instrumentos práticos como questionários ou checklists e, por fim, os exemplos de boas práticas, tanto a nível nacional como internacional.

Foi também elaborado um livro branco que aborda “questões mais transversais” e visa oferecer “orientações de como os bons princípios podem ser postos em prática”. Os problemas abordados neste manual passam por questões como a da linguagem utilizada ao nível interno e da comunicação externa (utilização do masculino como representante dos géneros) ou pela elaboração de orçamentos sensíveis a género. “Por exemplo, em relação ao desporto, pode haver uma maior desagregação das despesas para que haja uma identificação de quem beneficia dessa alocação de recursos. Isto pode traduzir-se em constatar que há uma injustiça na alocação de recursos”, sugere.

Virgínia Ferreira distingue este tipo de documentos dos planos municipais para a igualdade. “A primeira leva de planos municipais para a igualdade no país foi toda virada para a própria estrutura autárquica”, analisa, sendo que apenas “só mais recentemente tem havido apoios para as câmaras fazerem planos municipais virados mais para o exterior”.

O projecto é apresentado nesta segunda-feira num colóquio em Lisboa com a presença do ministro adjunto Eduardo Cabrita, que tutela a secretaria de Estado para a Cidadania e a Igualdade.

10.7.15

Algarve procura solução para o desemprego nos fundos comunitários

Idálio Revez, in Público on-line

Câmaras municipais querem ajudar os empresários a romper o cliclo dos negócios centrados no Verão. A Comunidade Intermunicipal – Amal apresentou um plano para o efeito.

O que fazer com 319 milhões de euros? A esta pergunta, responde a Comunidade Intermunicipal do Algarve – Amal com a apresentação de um plano de accão, através do qual apela à “inovação e criatividade” para que o pacote dos próximos fundos comunitários consiga diversificar a base económica da região.

Nesse sentido, o presidente da Amal, Jorge Botelho, defende um reforço do papel dos municípios na definição das politicas económicas. “Queremos juntar esforços e dar clareza a quem queira investir”, afirmou esta quarta-feira o autarca socialista (também presidente da Câmara de Tavira) na apresentação do "Plano Intermunicipal Algarve 2020”.

O documento traça uma estratégia regional alinhada com as orientações da Comissão Europeia, procurando minimizar os efeitos na oferta de emprego da oscilação entre a estação alta e baixa do turismo. O plano, que foi desenvolvida para a Amal pela Sociedade Portuguesa de Inovação, destina-se às autarquias, mas a sua concretização está depende, em grande medida, da dinâmica empresarial que se possa desencadear com ajuda dos apoios comuntários.

Do conjunto das propostas, destaca-se a criação de programas de “eficiência energética em rede”. Mas é no capítulo da reabilitação urbana que surge a maior lista de iniciativas. É que, no Algarve, para lá das zonas urbanas antigas que estão a ficar desertas e degradadas, o parque hoteleiro e os blocos de apartamentos de férias dão sinais de envelhecimento precoce um pouco por toda a região.

O presidente da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento da Região do Algarve, David Santos, por seu lado, defende a internacionalização de economia e criação de emprego numa lógica de trabalho em rede. Sobre o programa dos 319 milhões de fundos comunitários, lembrou que o dinheiro só estará disponível se os empresários mudarem de atitude, passando a unir esforços. No quadro comunitário de 2007-2013, criticou, “as associações empresariais não se apresentaram à chamada da co-produção, ou das acções conjuntas”.