in RTP
A taxa de pobreza entre os idosos em Portugal caiu dos 15,2% para os 9,9% em três anos, posicionando-se abaixo da média de Portugal e dos países da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE).
Segundo aponta o quinto relatório anual sobre pensões da instituição liderada por Angel Gurria, entre os países da OCDE, a taxa média de pobreza entre os idosos em 2010 foi de 12,8%, igualmente inferior aos 15,1% observados em 2007.
Em 2007, a taxa de pobreza em Portugal situava-se nos 13,6%, abaixo da média entre os idosos, passando a ser, em 2010, de 11,4%, acima da observada na população acima dos 65 anos.
A OCDE destaca que na maioria dos países analisados, os rendimentos dos mais idosos subiram mais do que os da restante população "entre meados da década de 90 e os últimos anos da década de 2000", com Portugal a destacar-se entre os quatro países onde os rendimentos dos pensionistas mais subiram neste período, a par de Israel, México e Nova Zelândia.
No final da década de 2000, de acordo com os dados da OCDE, o rendimento da população em idade de reforma em Portugal, ou seja com mais de 65 anos, equivalia a 90,8% do rendimento médio da população total, acima da média da OCDE de 86,2%.
4.12.13
Desemprego em Portugal recua em outubro pelo oitavo mês consecutivo
in TSF
O Eurostat divulgou hoje que a taxa de desemprego em Portugal desceu em outubro para os 15,7%. No caso dos jovens, o país regista a sétima taxa mais alta da União Europeia - 36,5%.
Neste boletim, o gabinete oficial de estatísticas da União Europeia reviu em baixa de meio ponto percentual (de 16,3% para 15,8%) a taxa de desemprego para Portugal em setembro, tal como os valores para os meses de julho e agosto, de 16,5% para 16% e de 16,5% para 16,2%, respetivamente.
Assim, segundo os dados divulgados até agora pelo Eurostat, a taxa de desemprego em Portugal regista descidas consecutivas há oito meses: março (17,4%), de abril (17,3%), maio (17%), junho (16,7%), julho (16,2%), agosto (16%), setembro (15,8%) e outubro (15,7%).
O Eurostat justifica as revisões, sobretudo as mais significativas, como no caso de Portugal, com a inclusão no processo de cálculo da taxa de desemprego dos dados mais recentes do estudo da União Europeia sobre a força de trabalho, com base no qual calcula a taxa de desemprego, resultado do número de pessoas desempregadas enquanto percentagem da força de trabalho.
A taxa de desemprego de 15,7% em outubro (uma descida face aos 15,8% verificados em setembro e aos 16,9% de outubro de 2012) mantém Portugal como o quinto país da União Europeia com o desemprego mais elevado, sendo ultrapassado apenas pela Grécia, Espanha, Croácia e Chipre.
Na zona euro a taxa de desemprego em outubro situou-se nos 12,1% (19,298 milhões de pessoas) e nos 10,9% (26,654 milhões de pessoas) ao nível da União Europeia.
Entre os 28 Estados-membros, as taxas de desemprego mais baixas foram registadas na Áustria (4,8%), Alemanha (5,2%) e Luxemburgo (5,9%) e as mais elevadas na Grécia (27,3%, em agosto) e em Espanha (26,7%).
Na comparação homóloga, isto é, face a outubro de 2012, a taxa de desemprego aumentou em metade dos países europeus e baixou na outra metade, sendo que as subidas homólogas mais acentuadas se verificaram em Chipre (de 13,2% para 17%), Grécia (de 25,5% para 27,3% entre agosto de 2012 e de 2013) e nos Países Baixos (de 5,5% para 7%).
No que diz respeito ao desemprego jovem (cidadãos com menos de 25 anos), Portugal regista a sétima taxa mais elevada da União Europeia (36,5% em outubro).
De acordo com o Eurostat, em outubro de 2013, 5,657 milhões de jovens estavam no desemprego no conjunto dos 28 países da União Europeia e 3,577 milhões apenas ao nível da zona euro.
O Eurostat divulgou hoje que a taxa de desemprego em Portugal desceu em outubro para os 15,7%. No caso dos jovens, o país regista a sétima taxa mais alta da União Europeia - 36,5%.
Neste boletim, o gabinete oficial de estatísticas da União Europeia reviu em baixa de meio ponto percentual (de 16,3% para 15,8%) a taxa de desemprego para Portugal em setembro, tal como os valores para os meses de julho e agosto, de 16,5% para 16% e de 16,5% para 16,2%, respetivamente.
Assim, segundo os dados divulgados até agora pelo Eurostat, a taxa de desemprego em Portugal regista descidas consecutivas há oito meses: março (17,4%), de abril (17,3%), maio (17%), junho (16,7%), julho (16,2%), agosto (16%), setembro (15,8%) e outubro (15,7%).
O Eurostat justifica as revisões, sobretudo as mais significativas, como no caso de Portugal, com a inclusão no processo de cálculo da taxa de desemprego dos dados mais recentes do estudo da União Europeia sobre a força de trabalho, com base no qual calcula a taxa de desemprego, resultado do número de pessoas desempregadas enquanto percentagem da força de trabalho.
A taxa de desemprego de 15,7% em outubro (uma descida face aos 15,8% verificados em setembro e aos 16,9% de outubro de 2012) mantém Portugal como o quinto país da União Europeia com o desemprego mais elevado, sendo ultrapassado apenas pela Grécia, Espanha, Croácia e Chipre.
Na zona euro a taxa de desemprego em outubro situou-se nos 12,1% (19,298 milhões de pessoas) e nos 10,9% (26,654 milhões de pessoas) ao nível da União Europeia.
Entre os 28 Estados-membros, as taxas de desemprego mais baixas foram registadas na Áustria (4,8%), Alemanha (5,2%) e Luxemburgo (5,9%) e as mais elevadas na Grécia (27,3%, em agosto) e em Espanha (26,7%).
Na comparação homóloga, isto é, face a outubro de 2012, a taxa de desemprego aumentou em metade dos países europeus e baixou na outra metade, sendo que as subidas homólogas mais acentuadas se verificaram em Chipre (de 13,2% para 17%), Grécia (de 25,5% para 27,3% entre agosto de 2012 e de 2013) e nos Países Baixos (de 5,5% para 7%).
No que diz respeito ao desemprego jovem (cidadãos com menos de 25 anos), Portugal regista a sétima taxa mais elevada da União Europeia (36,5% em outubro).
De acordo com o Eurostat, em outubro de 2013, 5,657 milhões de jovens estavam no desemprego no conjunto dos 28 países da União Europeia e 3,577 milhões apenas ao nível da zona euro.
Austeridade enfraquece os direitos humanos, alerta Conselho da Europa
in Público on-line
Novo estudo sobre o impacto da crise fala em "consequências terríveis" em grupos como as crianças e jovens.
O Conselho da Europa alertou nesta quarta-feira que as medidas de austeridade estão a enfraquecer os direitos humanos, porque os governos "esquecem" as suas obrigações nesta área e os credores não contemplam os direitos humanos nos programas de assistência.
"Muitos governos na Europa que impõem medidas de austeridade esqueceram as suas obrigações em matéria de direitos humanos, especialmente os direitos sociais e económicos dos mais vulneráveis, a necessidade de garantir o acesso à justiça e o direito a tratamento igual", afirmou o comissário do Conselho da Europa para os Direitos Humanos ao apresentar um estudo sobre o impacto da crise.
"Lamentavelmente, as entidades internacionais que emprestam também descuram a inclusão de considerações de direitos humanos nos seus programas de assistência", acrescentou Nils Muiznieks.
Para o comissário, as decisões tomadas pelos governos e as imposições internacionais pecam por "falta de transparência, participação pública e responsabilização democrática".
Em alguns casos, referiu, "condições onerosas impedem os governos de investir em programas essenciais de protecção social, saúde e educação", pelo que a União Europeia e a troika devem, ao decidir políticas e condições, "ter em atenção o impacto nos direitos humanos".
Nils Muiznieks destacou "consequências terríveis" em grupos como as crianças e os jovens, especialmente afectados pelos "níveis recorde de desemprego jovem" e os "cortes nos apoios às famílias e às crianças, na saúde e na educação".
"Um número crescente de crianças está a abandonar a escola para encontrar emprego e sustentar a família, o que pode comprometer permanentemente a sua educação e fomentar a insegurança laboral, a par da ressurgência do trabalho infantil e da exploração infantil", afirmou.
O comissário apontou a necessidade de "fortalecer o modelo social europeu" e, ao nível dos governos nacionais, definir "como prioridade a redução do desemprego jovem e de longa duração" e "manter as bases de protecção social para um rendimento mínimo e cuidados de saúde durante a crise", assim como garantir o "acesso efectivo à justiça" através dos sistemas de assistência legal.
Muiznieks frisou também a importância de "avaliar sistematicamente" o impacto das políticas económicas e orçamentais nos direitos humanos, sobretudo nos grupos mais vulneráveis, e favorecer a actividade das instituições que se dedicam a esta área, muitas vezes afectadas também por cortes de financiamento ou pessoal.
Novo estudo sobre o impacto da crise fala em "consequências terríveis" em grupos como as crianças e jovens.
O Conselho da Europa alertou nesta quarta-feira que as medidas de austeridade estão a enfraquecer os direitos humanos, porque os governos "esquecem" as suas obrigações nesta área e os credores não contemplam os direitos humanos nos programas de assistência.
"Muitos governos na Europa que impõem medidas de austeridade esqueceram as suas obrigações em matéria de direitos humanos, especialmente os direitos sociais e económicos dos mais vulneráveis, a necessidade de garantir o acesso à justiça e o direito a tratamento igual", afirmou o comissário do Conselho da Europa para os Direitos Humanos ao apresentar um estudo sobre o impacto da crise.
"Lamentavelmente, as entidades internacionais que emprestam também descuram a inclusão de considerações de direitos humanos nos seus programas de assistência", acrescentou Nils Muiznieks.
Para o comissário, as decisões tomadas pelos governos e as imposições internacionais pecam por "falta de transparência, participação pública e responsabilização democrática".
Em alguns casos, referiu, "condições onerosas impedem os governos de investir em programas essenciais de protecção social, saúde e educação", pelo que a União Europeia e a troika devem, ao decidir políticas e condições, "ter em atenção o impacto nos direitos humanos".
Nils Muiznieks destacou "consequências terríveis" em grupos como as crianças e os jovens, especialmente afectados pelos "níveis recorde de desemprego jovem" e os "cortes nos apoios às famílias e às crianças, na saúde e na educação".
"Um número crescente de crianças está a abandonar a escola para encontrar emprego e sustentar a família, o que pode comprometer permanentemente a sua educação e fomentar a insegurança laboral, a par da ressurgência do trabalho infantil e da exploração infantil", afirmou.
O comissário apontou a necessidade de "fortalecer o modelo social europeu" e, ao nível dos governos nacionais, definir "como prioridade a redução do desemprego jovem e de longa duração" e "manter as bases de protecção social para um rendimento mínimo e cuidados de saúde durante a crise", assim como garantir o "acesso efectivo à justiça" através dos sistemas de assistência legal.
Muiznieks frisou também a importância de "avaliar sistematicamente" o impacto das políticas económicas e orçamentais nos direitos humanos, sobretudo nos grupos mais vulneráveis, e favorecer a actividade das instituições que se dedicam a esta área, muitas vezes afectadas também por cortes de financiamento ou pessoal.
Desemprego. Quebra da taxa não está a favorecer os mais prejudicados
Por Filipe Paiva Cardoso, in iOnline
Salários baixos e aumento da taxa de desemprego jovem continuam a marcar as tendências do mercado laboral português
A reestruturação da economia portuguesa posta em prática pela troika e pelo governo PSD/CDS continua a assentar na redução generalizada do valor do emprego em Portugal. A taxa de desemprego, depois de atingir o pico, viveu o oitavo mês consecutivo de quebra em Outubro, reduções alimentadas pelos empregos que pagam no máximo o salário mínimo - 485 euros brutos por mês. Além disso, o grande flagelo do desemprego jovem continua sem controlo.
Desde que a troika chegou a Portugal e que o actual executivo entrou em funções, o total de trabalhadores no país que ganham o salário mínimo nacional saltou 13%, um aumento de quase 70 mil profissionais, havendo hoje 590 mil trabalhadores que não ganham mais que aquele valor. No lado oposto, nos salários acima de 1800 euros brutos mensais, a queda já superou os 26% até Agosto último.
Segundo os dados ontem divulgados pelo Eurostat, Portugal fechou o mês de Outubro com uma taxa de desemprego de 15,7%, valor que compara com os 16,9% de Outubro do ano passado e os 15,8% registados em Setembro deste ano. Apesar da melhoria registada nos últimos oito meses na taxa global, certo é que os jovens continuam condenados a não ter perspectivas: o desemprego entre os menores de 25 anos aumentou em Outubro para 36,5%, depois dos 36,2% registados em Setembro. O valor agora divulgado, contudo, está abaixo dos 38,9% registados em Outubro do ano passado, segundo o Eurostat.
Ao longo deste ano, e à medida que o Instituto Nacional de Estatística foi divulgando os seus dados sobre a evolução do desemprego no país, as estatísticas demonstraram que a criação de emprego em Portugal tem sido obtida sobretudo nos trabalhos com remuneração de menos de 310 euros mensais, que entre Agosto de 2012 e o mesmo mês deste ano deu um salto de 5,2%, segundo avançou então o Dinheiro Vivo - criação de mais 8 mil destes empregos.
Um outro aspecto a ter em conta na recuperação do emprego em Portugal é o ano bastante positivo que o sector do turismo está a viver, ainda a beneficiar do efeito Primavera Árabe. A criação de emprego sazonal tem sido um dos principais factores a explicar as quedas recentes do desemprego, aguardando-se o comportamento desta taxa nos próximos meses para entender melhor em que nível irá estabilizar.
Os números do Eurostat mostram ainda que a zona euro apresentava em Outubro uma taxa de desemprego de 12,1%, contra os 11,7% no mesmo mês do ano passado. Já o desemprego jovem na moeda única está nos 24,4%, acima dos 23,7% de 2012.
Salários baixos e aumento da taxa de desemprego jovem continuam a marcar as tendências do mercado laboral português
A reestruturação da economia portuguesa posta em prática pela troika e pelo governo PSD/CDS continua a assentar na redução generalizada do valor do emprego em Portugal. A taxa de desemprego, depois de atingir o pico, viveu o oitavo mês consecutivo de quebra em Outubro, reduções alimentadas pelos empregos que pagam no máximo o salário mínimo - 485 euros brutos por mês. Além disso, o grande flagelo do desemprego jovem continua sem controlo.
Desde que a troika chegou a Portugal e que o actual executivo entrou em funções, o total de trabalhadores no país que ganham o salário mínimo nacional saltou 13%, um aumento de quase 70 mil profissionais, havendo hoje 590 mil trabalhadores que não ganham mais que aquele valor. No lado oposto, nos salários acima de 1800 euros brutos mensais, a queda já superou os 26% até Agosto último.
Segundo os dados ontem divulgados pelo Eurostat, Portugal fechou o mês de Outubro com uma taxa de desemprego de 15,7%, valor que compara com os 16,9% de Outubro do ano passado e os 15,8% registados em Setembro deste ano. Apesar da melhoria registada nos últimos oito meses na taxa global, certo é que os jovens continuam condenados a não ter perspectivas: o desemprego entre os menores de 25 anos aumentou em Outubro para 36,5%, depois dos 36,2% registados em Setembro. O valor agora divulgado, contudo, está abaixo dos 38,9% registados em Outubro do ano passado, segundo o Eurostat.
Ao longo deste ano, e à medida que o Instituto Nacional de Estatística foi divulgando os seus dados sobre a evolução do desemprego no país, as estatísticas demonstraram que a criação de emprego em Portugal tem sido obtida sobretudo nos trabalhos com remuneração de menos de 310 euros mensais, que entre Agosto de 2012 e o mesmo mês deste ano deu um salto de 5,2%, segundo avançou então o Dinheiro Vivo - criação de mais 8 mil destes empregos.
Um outro aspecto a ter em conta na recuperação do emprego em Portugal é o ano bastante positivo que o sector do turismo está a viver, ainda a beneficiar do efeito Primavera Árabe. A criação de emprego sazonal tem sido um dos principais factores a explicar as quedas recentes do desemprego, aguardando-se o comportamento desta taxa nos próximos meses para entender melhor em que nível irá estabilizar.
Os números do Eurostat mostram ainda que a zona euro apresentava em Outubro uma taxa de desemprego de 12,1%, contra os 11,7% no mesmo mês do ano passado. Já o desemprego jovem na moeda única está nos 24,4%, acima dos 23,7% de 2012.
Banco Alimentar recolheu 2767 toneladas de alimentos
Pedro Crisóstomo, in Público on-line
Isabel Jonet diz que recolha do fim-de-semana foi uma “manifestação de esperança”.
A campanha do Banco do Banco Alimentar Contra a Fome nos supermercados, neste fim-de-semana, recolheu um total de 2767 toneladas de alimentos, segundo os dados finais apurados pela organização.
A presidente da Federação Portuguesa dos Bancos Alimentares Contra a Fome, Isabel Jonet, adiantou ao PÚBLICO que na campanha deste ano “entrou muito azeite” e os alimentos que, por regra, as pessoas mais doam: leite, arroz e massas.
Para Isabel Jonet, apesar do momento de crise, a quantidade angariada ficou assim próxima do valor da campanha realizada no mesmo período do ano passado, em que se recolheram 2914 toneladas de alimentos.
A recolha deste fim-de-semana, na qual o Banco Alimentar esperava 40 mil voluntários, ultrapassou este número de participantes, diz a responsável, para quem a quantidade de alimentos recolhidos e o número de pessoas envolvidas são “motivo de grande regozijo numa altura em que a conjuntura não é tão favorável”. É, na leitura de Isabel Jonet, uma “manifestação de esperança para a sociedade portuguesa”, porque, diz, “há pessoas que têm dificuldades mas querem contribuir”.
Terminada a fase de recolha, o passo seguinte é o escoamento dos produtos perecíveis, que as instituições vão buscar aos 20 bancos alimentares espalhados pelo país já nesta segunda-feira, para que os produtos frescos sejam escoados com “aproveitamento”, explica Isabel Jonet.
No resto da semana, o circuito segue a distribuição normal feita ao longo do ano nos 20 bancos (Abrantes, Algarve, Aveiro, Beja, Braga, Coimbra, Cova da Beira, Évora, Leiria-Fátima, Lisboa, Madeira, Porto, Portalegre Santarém, São Miguel, Setúbal, Terceira, Oeste, Viana do Castelo e Viseu).
Os alimentos recolhidos juntam-se, assim, ao stock de outras campanhas e aos que são entregues aos bancos alimentares directamente pela distribuição, indústria e agricultura.
Para além da recolha feita nos supermercados, nos sacos de plásticos distribuídos à entrada dos estabelecimentos pelos voluntários, corre ainda até 8 de Dezembro a campanha “Ajuda Vale”, que funciona nas caixas dos supermercados, onde se pode pedir um vale com um código de barras para um determinado produto.
A campanha acontece também no site Alimente Esta Ideia, onde são feitas doações de seis produtos específicos: leite, azeite, salsicha, atum, açúcar e óleo.
Isabel Jonet diz que recolha do fim-de-semana foi uma “manifestação de esperança”.
A campanha do Banco do Banco Alimentar Contra a Fome nos supermercados, neste fim-de-semana, recolheu um total de 2767 toneladas de alimentos, segundo os dados finais apurados pela organização.
A presidente da Federação Portuguesa dos Bancos Alimentares Contra a Fome, Isabel Jonet, adiantou ao PÚBLICO que na campanha deste ano “entrou muito azeite” e os alimentos que, por regra, as pessoas mais doam: leite, arroz e massas.
Para Isabel Jonet, apesar do momento de crise, a quantidade angariada ficou assim próxima do valor da campanha realizada no mesmo período do ano passado, em que se recolheram 2914 toneladas de alimentos.
A recolha deste fim-de-semana, na qual o Banco Alimentar esperava 40 mil voluntários, ultrapassou este número de participantes, diz a responsável, para quem a quantidade de alimentos recolhidos e o número de pessoas envolvidas são “motivo de grande regozijo numa altura em que a conjuntura não é tão favorável”. É, na leitura de Isabel Jonet, uma “manifestação de esperança para a sociedade portuguesa”, porque, diz, “há pessoas que têm dificuldades mas querem contribuir”.
Terminada a fase de recolha, o passo seguinte é o escoamento dos produtos perecíveis, que as instituições vão buscar aos 20 bancos alimentares espalhados pelo país já nesta segunda-feira, para que os produtos frescos sejam escoados com “aproveitamento”, explica Isabel Jonet.
No resto da semana, o circuito segue a distribuição normal feita ao longo do ano nos 20 bancos (Abrantes, Algarve, Aveiro, Beja, Braga, Coimbra, Cova da Beira, Évora, Leiria-Fátima, Lisboa, Madeira, Porto, Portalegre Santarém, São Miguel, Setúbal, Terceira, Oeste, Viana do Castelo e Viseu).
Os alimentos recolhidos juntam-se, assim, ao stock de outras campanhas e aos que são entregues aos bancos alimentares directamente pela distribuição, indústria e agricultura.
Para além da recolha feita nos supermercados, nos sacos de plásticos distribuídos à entrada dos estabelecimentos pelos voluntários, corre ainda até 8 de Dezembro a campanha “Ajuda Vale”, que funciona nas caixas dos supermercados, onde se pode pedir um vale com um código de barras para um determinado produto.
A campanha acontece também no site Alimente Esta Ideia, onde são feitas doações de seis produtos específicos: leite, azeite, salsicha, atum, açúcar e óleo.
Maior hospital do país está a dispensar medicamentos a carenciados
por Raquel Abecasis, in RR
Administrador do Santa Maria diz, em entrevista à Renascença, que a falta de cobrança de taxas moderadoras significa este ano um “défice de milhões” para o hospital, mas que esse não é o motivo para a exclusão de ninguém.
O hospital de Santa Maria, em Lisboa, está a dispensar medicamentos em casos de carência, revela o administrador Carlos Martins em entrevista ao “Terça à Noite” da Renascença.
Por causa da situação de crise que o país atravessa, o responsável deu instruções aos serviços para “dispensa de medicamentos entre os 30 e os 180 dias”.
Para tal é necessário que “seja justificada a carência económica, debilidade física ou degradação do estado de saúde por deslocações que são evitáveis e por situações que têm que ver com o estado em que o país vive, isto é: pessoas que precisam de ir à procura de emprego para o estrangeiro”.
Nesta entrevista à Renascença, Carlos Martins diz que “o hospital tem uma missão constitucional” de garantir os cuidados de saúde a todos os cidadãos que se dirijam ao centro hospitalar Lisboa Norte.
O administrador do maior hospital de Portugal diz mesmo que aqueles que se confrontam com “ruptura de stocks” noutros hospitais, encontram no Santa Maria a assistência e os medicamentos de que necessitam.
Carlos Martins diz também que a falta de cobrança de taxas moderadoras significa este ano um “défice de milhões” para o Santa Maria, mas que esse não é o motivo para a exclusão de ninguém.
O administrador do centro hospitalar Lisboa Norte anunciou que o Santa Maria vai abrir um banco alimentar no seu interior, para utentes e funcionários do hospital, e o Pulido Valente vai em breve abrir uma ala de cuidados continuados e uma “pequena ala para albergar casos sociais enquanto esperam uma resposta das instituições sociais ou das famílias”.
Administrador do Santa Maria diz, em entrevista à Renascença, que a falta de cobrança de taxas moderadoras significa este ano um “défice de milhões” para o hospital, mas que esse não é o motivo para a exclusão de ninguém.
O hospital de Santa Maria, em Lisboa, está a dispensar medicamentos em casos de carência, revela o administrador Carlos Martins em entrevista ao “Terça à Noite” da Renascença.
Por causa da situação de crise que o país atravessa, o responsável deu instruções aos serviços para “dispensa de medicamentos entre os 30 e os 180 dias”.
Para tal é necessário que “seja justificada a carência económica, debilidade física ou degradação do estado de saúde por deslocações que são evitáveis e por situações que têm que ver com o estado em que o país vive, isto é: pessoas que precisam de ir à procura de emprego para o estrangeiro”.
Nesta entrevista à Renascença, Carlos Martins diz que “o hospital tem uma missão constitucional” de garantir os cuidados de saúde a todos os cidadãos que se dirijam ao centro hospitalar Lisboa Norte.
O administrador do maior hospital de Portugal diz mesmo que aqueles que se confrontam com “ruptura de stocks” noutros hospitais, encontram no Santa Maria a assistência e os medicamentos de que necessitam.
Carlos Martins diz também que a falta de cobrança de taxas moderadoras significa este ano um “défice de milhões” para o Santa Maria, mas que esse não é o motivo para a exclusão de ninguém.
O administrador do centro hospitalar Lisboa Norte anunciou que o Santa Maria vai abrir um banco alimentar no seu interior, para utentes e funcionários do hospital, e o Pulido Valente vai em breve abrir uma ala de cuidados continuados e uma “pequena ala para albergar casos sociais enquanto esperam uma resposta das instituições sociais ou das famílias”.
Sem-abrigo estão a organizar um encontro no Porto
Ana Cristina Pereira, in Público on-line
A ajudá-los a organizar o evento, marcado para dia 6 de Dezembro, está a coordenadora do Núcleo de Planeamento e Intervenção Sem-Abrigo da Cidade do Porto.
E se um desconhecido, de repente, lhe oferecer uma flor de papel? Pode estar a tentar convidá-lo para o encontro “Uma vida como a arte: Existimos! Somos Pessoas!”, organizado por pessoas em situação de sem abrigo, agendado para 6 de Dezembro, no Museu Soares dos Reis, no Porto.
Querem sentar gente com poder de decisão e à sua frente gente que a vida nalgum momento atirou para a rua. Parece-lhes que é tempo de encontrar soluções a partir de quem sabe o que é não ter aonde regressar ao final do dia, adormecer ao relento, despertar em sobressalto, inventariar comida.
A ideia despontou a 20 de Abril, num encontro sobre intervenção comunitário, o primeiro do ciclo “Vozes do Silêncio”, que se apresenta como uma forma de “diálogo entre artistas e pessoas em situação de sem abrigo”. No final da sessão, estava a coordenadora do Núcleo de Planeamento e Intervenção Sem-Abrigo da Cidade do Porto (NPISA), Paula França, a dar uma entrevista, passaram por ela dois homens.
— Minha senhora, tudo o que aquela gente esteve para ali a falar é uma merda — terá comentado um.
— Não se aproveita nada? — perguntou ela, embaraçada.
— Devia por um sem-abrigo a falar. Os sem-abrigo é que sabem o que passam!
Os homens caminharam em direcção à comida, que começara a ser servida noutra sala da Associação de Comerciantes do Porto. Terminada a entrevista, a técnica do Centro Distrital de Segurança Social, procurou-os, mas já não os encontrou. Virou-se para Vítor Santos, com um longo percurso de consumo de drogas e uma vasta experiência de vida de rua, só que ele não os conhecia. Nunca mais apareceram. A ideia de dar palco aos sem-abrigo, essa, estava lançada.
Vítor não se vê nas reuniões preparatórias. Não tem tempo. É educador de pares. Integra a equipa de rua da Associação Planeamento Família, que faz troca de seringas na zona histórica. Conversou com Christian Georgescu, que como ele mora na comunidade de inserção Casa da Rua, da Santa Casa de Misericórdia do Porto. Desafiaram Paula França a ajudá-los a fazer um seminário na rua.
O seminário na rua morreu naquela primeira conversa. O que aí vem é um evento que junta artistas sem-abrigo e artistas integrados, como o realizador francês Christophe Bisson, que está a fazer um filme-documentário com e sobre sem-abrigo no Porto, ou a dupla de realizadores portugueses Duarte Guedes e Nuno Simões, que estão a fazer um filme-documentário sobre este ciclo.
A semana passada – quando discutiam sobre a informação a entregar aos transeuntes com uma flor de papel azul ou branca –, Paula França discorreu sobre a inclusão “através da linguagem universal da arte”. Está sempre nas reuniões, a assistente social. Está ela e Sandra Araújo, da Santa Casa da Misericórdia do Porto, e Alfredo Costa, da Universidade Católica, membros da rede interinstitucional constituída pela Segurança Social e por 64 entidades formais e informais de apoio aos sem-abrigo.
É a primeira vez que um evento desta natureza surge de baixo para cima, isto é, da rua para os técnicos e para quem toma as decisões que eles aplicam. O programa provisório está delineado. Houve uma reunião aberta, no dia 5, no auditório da junta de freguesia de Santo Ildefonso, só para o discutir.
Poucos técnicos apareceram. E alguns sem-abrigo estavam mais interessados em discutir as fraquezas da Estratégia Nacional para a Integração dos Sem-Abrigo aprovada em 2009, depois a União Europeia ter instigado os estados-membros a resolverem a situação dos sem-abrigo até 2015. “Guarde isso para dia 6”, pedia-lhes Paula França.
Na sala, ecoaram queixas sobre a “triagem”, o sistema montado para responder a quem está na rua e quer sair dela (ver texto). E sobre a distribuição de bens alimentares, assegurada por voluntários que em certas noites quase se atropelam para servir pessoas empobrecidas – algumas sem abrigo. Há noites fartas, em que se pode jantar duas ou três vezes, e noites de mingua, tardes de nada.
Conta-se meia dúzia de reuniões desde que tudo começou, em Julho. Uns sem-abrigo vieram a todas, outras a umas, outros a outras. Em cada reunião, juntaram-se caras novas e algumas levantam questões já ultrapassadas.
Os feitios podem chocar. O estado de alguns pode estar alterado. A tensão pode subir. Um dia, a fazer flores, por pouco dois homens não desataram à porrada. Paula França até ficou com vontade de sair. Por valorizar o evento, vai ficando – a problematizar, a ajudar a encontrar soluções, a gerir conflitos.
São seis os membros da comissão eleita de braço no ar. Alfredo Martins, por exemplo, gosta de tomar nota do nome de todos os que participam nas reuniões – no início até queria número de bilhete de identidade, prova de que as presenças eram reais. António Ribeiro tira notas e faz as actas com uma letra muito direitinha. Pedro Silva nunca aparece – não consegue deixar de consumir drogas.
Cada um tem as suas razões para estar ali. “Eu entrei na comissão para as pessoas que têm experiência de rua terem uma oportunidade de falar, para as pessoas de cima saberem como é a vida das pessoas de baixo, para a vida melhorar”, diz Christian Georgescu. “É muito duro. Somos como papel de embrulho usado.”
“Há coisas que não funcionam”, diz Nuno Serrano, o sexto membro da comissão. Mesmo assim usa a palavra “gratidão”. Passou poucas noites na rua depois de ter saído de uma comunidade terapêutica sem ter quem o quisesse acolher. Acredita que lá estaria ainda, à chuva e ao frio, se a rede montada no Porto não tivesse funcionado. Foi posto num quarto de pensão. Aguardou duas semanas por um sítio certo para almoçar e jantar. “É preciso mais informação [sobre o sistema de triagem] e é preciso sensibilizar a sociedade para os problemas dos sem abrigo.”
Qualquer um pode ir parar à rua. Qualquer um. Basta, por exemplo, enlouquecer. Para quebrar a dicotomia “eles” e “nós”, Paula França lembra-o amiúde até aos voluntários que dobram a noite a distribuir comida ou abraços.
A ajudá-los a organizar o evento, marcado para dia 6 de Dezembro, está a coordenadora do Núcleo de Planeamento e Intervenção Sem-Abrigo da Cidade do Porto.
E se um desconhecido, de repente, lhe oferecer uma flor de papel? Pode estar a tentar convidá-lo para o encontro “Uma vida como a arte: Existimos! Somos Pessoas!”, organizado por pessoas em situação de sem abrigo, agendado para 6 de Dezembro, no Museu Soares dos Reis, no Porto.
Querem sentar gente com poder de decisão e à sua frente gente que a vida nalgum momento atirou para a rua. Parece-lhes que é tempo de encontrar soluções a partir de quem sabe o que é não ter aonde regressar ao final do dia, adormecer ao relento, despertar em sobressalto, inventariar comida.
A ideia despontou a 20 de Abril, num encontro sobre intervenção comunitário, o primeiro do ciclo “Vozes do Silêncio”, que se apresenta como uma forma de “diálogo entre artistas e pessoas em situação de sem abrigo”. No final da sessão, estava a coordenadora do Núcleo de Planeamento e Intervenção Sem-Abrigo da Cidade do Porto (NPISA), Paula França, a dar uma entrevista, passaram por ela dois homens.
— Minha senhora, tudo o que aquela gente esteve para ali a falar é uma merda — terá comentado um.
— Não se aproveita nada? — perguntou ela, embaraçada.
— Devia por um sem-abrigo a falar. Os sem-abrigo é que sabem o que passam!
Os homens caminharam em direcção à comida, que começara a ser servida noutra sala da Associação de Comerciantes do Porto. Terminada a entrevista, a técnica do Centro Distrital de Segurança Social, procurou-os, mas já não os encontrou. Virou-se para Vítor Santos, com um longo percurso de consumo de drogas e uma vasta experiência de vida de rua, só que ele não os conhecia. Nunca mais apareceram. A ideia de dar palco aos sem-abrigo, essa, estava lançada.
Vítor não se vê nas reuniões preparatórias. Não tem tempo. É educador de pares. Integra a equipa de rua da Associação Planeamento Família, que faz troca de seringas na zona histórica. Conversou com Christian Georgescu, que como ele mora na comunidade de inserção Casa da Rua, da Santa Casa de Misericórdia do Porto. Desafiaram Paula França a ajudá-los a fazer um seminário na rua.
O seminário na rua morreu naquela primeira conversa. O que aí vem é um evento que junta artistas sem-abrigo e artistas integrados, como o realizador francês Christophe Bisson, que está a fazer um filme-documentário com e sobre sem-abrigo no Porto, ou a dupla de realizadores portugueses Duarte Guedes e Nuno Simões, que estão a fazer um filme-documentário sobre este ciclo.
A semana passada – quando discutiam sobre a informação a entregar aos transeuntes com uma flor de papel azul ou branca –, Paula França discorreu sobre a inclusão “através da linguagem universal da arte”. Está sempre nas reuniões, a assistente social. Está ela e Sandra Araújo, da Santa Casa da Misericórdia do Porto, e Alfredo Costa, da Universidade Católica, membros da rede interinstitucional constituída pela Segurança Social e por 64 entidades formais e informais de apoio aos sem-abrigo.
É a primeira vez que um evento desta natureza surge de baixo para cima, isto é, da rua para os técnicos e para quem toma as decisões que eles aplicam. O programa provisório está delineado. Houve uma reunião aberta, no dia 5, no auditório da junta de freguesia de Santo Ildefonso, só para o discutir.
Poucos técnicos apareceram. E alguns sem-abrigo estavam mais interessados em discutir as fraquezas da Estratégia Nacional para a Integração dos Sem-Abrigo aprovada em 2009, depois a União Europeia ter instigado os estados-membros a resolverem a situação dos sem-abrigo até 2015. “Guarde isso para dia 6”, pedia-lhes Paula França.
Na sala, ecoaram queixas sobre a “triagem”, o sistema montado para responder a quem está na rua e quer sair dela (ver texto). E sobre a distribuição de bens alimentares, assegurada por voluntários que em certas noites quase se atropelam para servir pessoas empobrecidas – algumas sem abrigo. Há noites fartas, em que se pode jantar duas ou três vezes, e noites de mingua, tardes de nada.
Conta-se meia dúzia de reuniões desde que tudo começou, em Julho. Uns sem-abrigo vieram a todas, outras a umas, outros a outras. Em cada reunião, juntaram-se caras novas e algumas levantam questões já ultrapassadas.
Os feitios podem chocar. O estado de alguns pode estar alterado. A tensão pode subir. Um dia, a fazer flores, por pouco dois homens não desataram à porrada. Paula França até ficou com vontade de sair. Por valorizar o evento, vai ficando – a problematizar, a ajudar a encontrar soluções, a gerir conflitos.
São seis os membros da comissão eleita de braço no ar. Alfredo Martins, por exemplo, gosta de tomar nota do nome de todos os que participam nas reuniões – no início até queria número de bilhete de identidade, prova de que as presenças eram reais. António Ribeiro tira notas e faz as actas com uma letra muito direitinha. Pedro Silva nunca aparece – não consegue deixar de consumir drogas.
Cada um tem as suas razões para estar ali. “Eu entrei na comissão para as pessoas que têm experiência de rua terem uma oportunidade de falar, para as pessoas de cima saberem como é a vida das pessoas de baixo, para a vida melhorar”, diz Christian Georgescu. “É muito duro. Somos como papel de embrulho usado.”
“Há coisas que não funcionam”, diz Nuno Serrano, o sexto membro da comissão. Mesmo assim usa a palavra “gratidão”. Passou poucas noites na rua depois de ter saído de uma comunidade terapêutica sem ter quem o quisesse acolher. Acredita que lá estaria ainda, à chuva e ao frio, se a rede montada no Porto não tivesse funcionado. Foi posto num quarto de pensão. Aguardou duas semanas por um sítio certo para almoçar e jantar. “É preciso mais informação [sobre o sistema de triagem] e é preciso sensibilizar a sociedade para os problemas dos sem abrigo.”
Qualquer um pode ir parar à rua. Qualquer um. Basta, por exemplo, enlouquecer. Para quebrar a dicotomia “eles” e “nós”, Paula França lembra-o amiúde até aos voluntários que dobram a noite a distribuir comida ou abraços.
3.12.13
Desemprego e sobreendividamento das famílias fazem disparar pedidos aos Bancos Alimentares
Fernanda Fernandes, in RTP
A campanha do Banco Alimentar que decorre, este fim-de-semana, está um pouco abaixo da recolha de Natal do ano passado. Este ano, a instituição já esperava menos doações comparativamente a 2012. As primeiras contas da campanha revelam números mais baixos, mas ainda assim generosos. Os balanço final só vai ser conhecido amanhã. Esta operação envolve 40 mil voluntários que estão em 2 mil supermercados do país. Só no ano passado 390 mil pessoas beneficiaram da ajuda do Banco Alimentar.
A campanha do Banco Alimentar que decorre, este fim-de-semana, está um pouco abaixo da recolha de Natal do ano passado. Este ano, a instituição já esperava menos doações comparativamente a 2012. As primeiras contas da campanha revelam números mais baixos, mas ainda assim generosos. Os balanço final só vai ser conhecido amanhã. Esta operação envolve 40 mil voluntários que estão em 2 mil supermercados do país. Só no ano passado 390 mil pessoas beneficiaram da ajuda do Banco Alimentar.
RSI: Excluídas mais de metade das famílias
in Esquerda.net
70 mil famílias com duas ou mais pessoas perderam o Rendimento Social de Inserção, entre 2010 e 2012. Entre março de 2010 e setembro de 2013, 152 mil beneficiários deixaram de receber o RSI. A maior parte da exclusão é devida aos cortes impostos pelo governo. Apesar da desenfreada campanha do executivo contra as fraudes, apenas 1,5% das exclusões se devem a fraude.
Segundo o jornal “Expresso” deste sábado, 140 mil famílias com duas ou mais pessoas recebiam RSI em 2010. Em 2012, metade dessas famílias já não recebia o rendimento.
Pelo menos, 53% das famílias perderam o acesso ao RSI devido à alteração das regras. Os cortes no RSI, nomeadamente a elevação do montante a partir do qual se pode aceder ao benefício, que foram efetuados primeiro pelo governo Sócrates em 2012 e depois pelo governo PSD/CDS-PP, no verão de 2012 e no início de 2013, são o principal fator para a drástica diminuição de beneficiários do rendimento.
O investigador Carlos Farinha Rodrigues, em artigo publicado no jornal, salienta: “Apesar da profunda crise que o país atravessa potenciar o incremento do número de beneficiários, quer por via do forte agravamento do desemprego quer pela redução dos rendimentos auferidos, este reduziu-se significativamente. De cerca de 400 mil em janeiro de 2010 para cerca de 255 mil em setembro de 2013.”
O ministro da Solidariedade, do Emprego e Segurança Social, Pedro Mota Soares, justifica ao jornal as novas regras, dizendo que "serviram para separar o trigo do joio, ou seja, para destinar a prestação a quem efetivamente precisa deste apoio do Estado", combatendo "o abuso e a fraude aos quais o RSI era permeável". No entanto, a argumentação do ministro do CDS-PP revela-se falsa perante os dados fornecidos pelo seu próprio gabinete: desde a alteração das regras em 2012, de 44 mil famílias que deixaram de receber RSI apenas 1,5% dos casos (645) se deveram a falsas declarações dos beneficiários.
Sandra Araújo, diretora-executiva em Portugal da Rede Europeia Antipobreza (EAPN), declara ao “Expresso”: “Assistimos a uma diminuição drástica do número de pessoas abrangidas e a cortes muito substanciais nos montantes. Esta ideologia que existe de que os pobres são todos preguiçosos e não querem trabalhar está a tornar-se um mito dominante.”
O jornal assinala 7 mudanças que ocorreram no RSI. A que mais tem levado à redução do número de beneficiários é a alteração do montante a partir do qual as pessoas podem ter acesso e que foram alteradas por três vezes em três anos. O jornal exemplifica: “Em 2010 um casal com dois filhos tinha de ganhar menos de 569 euros por mês. Agora tem de ganhar menos de 374.”
Orlando Reguinga, coordenador das equipas de RSI do Centro Social da Sagrada Família (CSSF) diz ao jornal: “O que nós notamos cada vez mais é que são mais qualificadas e aparecem-nos mesmo no limite; já depois de terem gasto as poupanças e recorrido à ajuda dos parentes.”
No seu artigo, o professor Carlos Farinha Rodrigues frisa:
“... aquilo que presenciamos atualmente é a introdução de cortes generalizados nos benefícios, a estigmatização de algumas políticas como o Rendimento Social de Inserção (RSI) e a substituição progressiva de uma política social, baseada no reconhecimento de direitos e de deveres, para uma política assistencialista que tende a desvalorizar o papel do Estado no combate à exclusão social.”
70 mil famílias com duas ou mais pessoas perderam o Rendimento Social de Inserção, entre 2010 e 2012. Entre março de 2010 e setembro de 2013, 152 mil beneficiários deixaram de receber o RSI. A maior parte da exclusão é devida aos cortes impostos pelo governo. Apesar da desenfreada campanha do executivo contra as fraudes, apenas 1,5% das exclusões se devem a fraude.
Segundo o jornal “Expresso” deste sábado, 140 mil famílias com duas ou mais pessoas recebiam RSI em 2010. Em 2012, metade dessas famílias já não recebia o rendimento.
Pelo menos, 53% das famílias perderam o acesso ao RSI devido à alteração das regras. Os cortes no RSI, nomeadamente a elevação do montante a partir do qual se pode aceder ao benefício, que foram efetuados primeiro pelo governo Sócrates em 2012 e depois pelo governo PSD/CDS-PP, no verão de 2012 e no início de 2013, são o principal fator para a drástica diminuição de beneficiários do rendimento.
O investigador Carlos Farinha Rodrigues, em artigo publicado no jornal, salienta: “Apesar da profunda crise que o país atravessa potenciar o incremento do número de beneficiários, quer por via do forte agravamento do desemprego quer pela redução dos rendimentos auferidos, este reduziu-se significativamente. De cerca de 400 mil em janeiro de 2010 para cerca de 255 mil em setembro de 2013.”
O ministro da Solidariedade, do Emprego e Segurança Social, Pedro Mota Soares, justifica ao jornal as novas regras, dizendo que "serviram para separar o trigo do joio, ou seja, para destinar a prestação a quem efetivamente precisa deste apoio do Estado", combatendo "o abuso e a fraude aos quais o RSI era permeável". No entanto, a argumentação do ministro do CDS-PP revela-se falsa perante os dados fornecidos pelo seu próprio gabinete: desde a alteração das regras em 2012, de 44 mil famílias que deixaram de receber RSI apenas 1,5% dos casos (645) se deveram a falsas declarações dos beneficiários.
Sandra Araújo, diretora-executiva em Portugal da Rede Europeia Antipobreza (EAPN), declara ao “Expresso”: “Assistimos a uma diminuição drástica do número de pessoas abrangidas e a cortes muito substanciais nos montantes. Esta ideologia que existe de que os pobres são todos preguiçosos e não querem trabalhar está a tornar-se um mito dominante.”
O jornal assinala 7 mudanças que ocorreram no RSI. A que mais tem levado à redução do número de beneficiários é a alteração do montante a partir do qual as pessoas podem ter acesso e que foram alteradas por três vezes em três anos. O jornal exemplifica: “Em 2010 um casal com dois filhos tinha de ganhar menos de 569 euros por mês. Agora tem de ganhar menos de 374.”
Orlando Reguinga, coordenador das equipas de RSI do Centro Social da Sagrada Família (CSSF) diz ao jornal: “O que nós notamos cada vez mais é que são mais qualificadas e aparecem-nos mesmo no limite; já depois de terem gasto as poupanças e recorrido à ajuda dos parentes.”
No seu artigo, o professor Carlos Farinha Rodrigues frisa:
“... aquilo que presenciamos atualmente é a introdução de cortes generalizados nos benefícios, a estigmatização de algumas políticas como o Rendimento Social de Inserção (RSI) e a substituição progressiva de uma política social, baseada no reconhecimento de direitos e de deveres, para uma política assistencialista que tende a desvalorizar o papel do Estado no combate à exclusão social.”
“É tempo de ouvir e agir!”
Ana Cristina Pereira, in Diário de Notícias Madeira
Vou dormir com a minha utopia. Não é sexy, eu sei, mas aconchega-me nesta noite fria de Bruxelas.
Nada que ver com Thomas More, que inventou essa palavra e, com ela, um mundo inteirinho num livro que só li, já grande, na Universidade do Minho. Não-lugar, lugar nenhum, lugar idealizado – em qualquer caso inconformismo, em qualquer caso esperança.
Agora que penso bem nisto, percebo que esse nem foi o meu primeiro contacto com o conceito. Afinal, lera a República, de Platão, na Escola Secundária de Francisco Franco, e o catecismo nos bancos da Igreja de Nossa Senhora da Saúde, nos tempos em que, vista ao longe, mais parecia um armazém de guardar vimes.
Enfim, estou a perder-me. Dizia-vos que vou dormir com a minha utopia. Cada um há-de ter a sua, não é?
A minha utopia está escancarada numa T-shirt que um rapaz me deu esta tarde no The Egg. Diz assim: “A pobreza não é inevitável e pode ser erradicada na União Europeia e no planeta. Nós queremos uma Europa social livre de pobreza, exclusão social e iniquidade.”
Não me venham com a crise, como se essa palavra bastasse para aniquilar qualquer ventura. Deviam ter ouvido o presidente da Comissão Europeia, José Manuel Barroso, esta tarde.
O homem que para nós há-de sempre chamar-se Durão Barroso acha que ainda podemos não só retomar os níveis de pobreza e de exclusão social que tínhamos em 2008, ano em que a coisa estourou nos EUA e veio por aí fora, como retirar 20 milhões dessa situação até 2020, como nos propusemos em 2010. “Eu acredito que podemos fazê-lo. Nós podemos fazê-lo inspirados nos nossos valores. O valor da solidariedade está no coração do modelo europeu”, disse ele.
Há amplo consenso sobre o que deve ser feito rumo a uma sociedade para todos. Uma criatura senta-se a ouvir Durão Barroso, Herman Van Rompuy, presidente do Conselho da Europa, László Andor, comissário do Emprego, dos Assuntos Sociais e da Inclusão, e outras figuras e até se espanta com a amplitude do consenso: falam todos na necessidade de solidariedade entre cidadãos, entre regiões, entre Estados-membros. Depois de ouvi-los assim, de seguida, ainda é mais difícil perceber o que falta para passar à prática, dizia Sérgio Aires, presidente da European Anti Poverty Network (EAPN), traduzível por Rede Europeia Antipobreza.
Vou dormir com a T-shirt branca que me deu o rapaz da EAPN. Não é sexy, eu sei, mas aconchega-me nesta noite fria de Bruxelas. Nas costas está escrito: “É tempo de ouvir e agir!”
Vou dormir com a minha utopia. Não é sexy, eu sei, mas aconchega-me nesta noite fria de Bruxelas.
Nada que ver com Thomas More, que inventou essa palavra e, com ela, um mundo inteirinho num livro que só li, já grande, na Universidade do Minho. Não-lugar, lugar nenhum, lugar idealizado – em qualquer caso inconformismo, em qualquer caso esperança.
Agora que penso bem nisto, percebo que esse nem foi o meu primeiro contacto com o conceito. Afinal, lera a República, de Platão, na Escola Secundária de Francisco Franco, e o catecismo nos bancos da Igreja de Nossa Senhora da Saúde, nos tempos em que, vista ao longe, mais parecia um armazém de guardar vimes.
Enfim, estou a perder-me. Dizia-vos que vou dormir com a minha utopia. Cada um há-de ter a sua, não é?
A minha utopia está escancarada numa T-shirt que um rapaz me deu esta tarde no The Egg. Diz assim: “A pobreza não é inevitável e pode ser erradicada na União Europeia e no planeta. Nós queremos uma Europa social livre de pobreza, exclusão social e iniquidade.”
Não me venham com a crise, como se essa palavra bastasse para aniquilar qualquer ventura. Deviam ter ouvido o presidente da Comissão Europeia, José Manuel Barroso, esta tarde.
O homem que para nós há-de sempre chamar-se Durão Barroso acha que ainda podemos não só retomar os níveis de pobreza e de exclusão social que tínhamos em 2008, ano em que a coisa estourou nos EUA e veio por aí fora, como retirar 20 milhões dessa situação até 2020, como nos propusemos em 2010. “Eu acredito que podemos fazê-lo. Nós podemos fazê-lo inspirados nos nossos valores. O valor da solidariedade está no coração do modelo europeu”, disse ele.
Há amplo consenso sobre o que deve ser feito rumo a uma sociedade para todos. Uma criatura senta-se a ouvir Durão Barroso, Herman Van Rompuy, presidente do Conselho da Europa, László Andor, comissário do Emprego, dos Assuntos Sociais e da Inclusão, e outras figuras e até se espanta com a amplitude do consenso: falam todos na necessidade de solidariedade entre cidadãos, entre regiões, entre Estados-membros. Depois de ouvi-los assim, de seguida, ainda é mais difícil perceber o que falta para passar à prática, dizia Sérgio Aires, presidente da European Anti Poverty Network (EAPN), traduzível por Rede Europeia Antipobreza.
Vou dormir com a T-shirt branca que me deu o rapaz da EAPN. Não é sexy, eu sei, mas aconchega-me nesta noite fria de Bruxelas. Nas costas está escrito: “É tempo de ouvir e agir!”
Rede Europeia Anti-Pobreza pede revisão do Rendimento Social de Inserção
por Cristina Branco, in RR
Organização defende que a medida não está a cumprir o papel de reinserção social e de combate à pobreza. Tema em debate no Porto, por especialistas nacionais e internacionais.
A Rede Europeia Anti-Pobreza Portugal (REAPN) apela ao Governo que ajuste à actual conjuntura os critérios de atribuição do Rendimento Social de Inserção (RSI).
A coordenadora nacional da organização, Sandra Araújo, alerta que, com os cortes e as alterações introduzidas, a medida “não está a cumprir o papel de reinserção social nem está a actuar no combate à pobreza”.
“Nós sabemos que há situações de miséria extrema em que não vai ser possível construir um projecto de inserção”, afirma à Renascença.
Os recentes cortes no valor da prestação e a revisão dos critérios de atribuição do RSI “tornam impraticável o acesso a muitas pessoas e o valor médio da prestação não permite actuar no combate à pobreza”, acrescenta.
O Governo e o país “têm de perceber a importância desta medida”, considera da REAPN, que apela a um debate aberto com todos os agentes sobre o contexto do RSI.
O tema está em debate esta manhã no seminário internacional "Rendimento Social de Inserção: uma garantia de cidadania?", organizado pela REAPN e a decorrer na Fundação Engenheiro António de Almeida, no Porto.
Organização defende que a medida não está a cumprir o papel de reinserção social e de combate à pobreza. Tema em debate no Porto, por especialistas nacionais e internacionais.
A Rede Europeia Anti-Pobreza Portugal (REAPN) apela ao Governo que ajuste à actual conjuntura os critérios de atribuição do Rendimento Social de Inserção (RSI).
A coordenadora nacional da organização, Sandra Araújo, alerta que, com os cortes e as alterações introduzidas, a medida “não está a cumprir o papel de reinserção social nem está a actuar no combate à pobreza”.
“Nós sabemos que há situações de miséria extrema em que não vai ser possível construir um projecto de inserção”, afirma à Renascença.
Os recentes cortes no valor da prestação e a revisão dos critérios de atribuição do RSI “tornam impraticável o acesso a muitas pessoas e o valor médio da prestação não permite actuar no combate à pobreza”, acrescenta.
O Governo e o país “têm de perceber a importância desta medida”, considera da REAPN, que apela a um debate aberto com todos os agentes sobre o contexto do RSI.
O tema está em debate esta manhã no seminário internacional "Rendimento Social de Inserção: uma garantia de cidadania?", organizado pela REAPN e a decorrer na Fundação Engenheiro António de Almeida, no Porto.
Dia Internacional assinalado com iniciativas pelo país
in Diário de Notícias
O Dia Internacional da Pessoa com Deficiência assinala-se hoje, uma data que serve para alertar para a necessidade de construir uma sociedade inclusiva para os cerca de 15% da população mundial, que vive com alguma deficiência.
Em 2013, o tema é "Quebrem barreiras, abram portas: Por uma sociedade inclusiva para todos", e o Instituto Nacional para a Reabilitação (INR) assinala a data com uma festa para crianças e jovens, na Fundação Calouste Gulbenkian, em Lisboa, mas também com um congresso sobre a surdocegueira, no Centro Cultural de Belém.
As iniciativas do INR são realizadas em conjunto com a Casa Pia de Lisboa e, no dia 04 de dezembro, serão nomeados oficialmente os embaixadores para a deficiência para o ano de 2014.
Os nomes são já conhecidos. No desporto paraolímpico trata-se de Simone Fragoso, de José Arruda, na gestão das Organizações Não Governamentais (ONG), Carlos Pereira para a área das acessibilidades e de Mário Augusto para a comunicação social.
Durante o dia de hoje decorre também uma conferência por "Uma Vida Independente", da responsabilidade dos (d)Eficientes Indignados, que começa de manhã e conta com a participação de vários participantes estrangeiros.
Ainda em Lisboa, tem lugar a entrega dos prémios BPI Capacitar 2013, uma iniciativa integrada na política de responsabilidade social da instituição bancária.
Nesta quarta edição da iniciativa, o BPI vai entregar 500 mil euros a diversas instituições sem fins lucrativos que se dedicam a projetos que promovem a melhoria da qualidade de vida e a integração social de pessoas com deficiência.
Mais à noite, pelas 19:00, a Associação Portuguesa de Deficientes promove uma vigília contra as medidas de austeridade.
Em Cascais, comemoram-se os 25 anos da Comissão para a Pessoa com Deficiência do concelho, com a inauguração de uma exposição de arte.
Mais a norte, no Porto, a Provedoria Municipal do Cidadão, em parceria com a Direção Municipal do Urbanismo, da Câmara Municipal do Porto, leva a cabo um seminário sobre "Espaço Público para Todos".
Durante o seminário, será apresentado o novo portal de sistemas de itinerários acessíveis (SAI), enquadrado no Plano de Promoção de Acessibilidade para a Cidade do Porto.
Lugar ainda para o encerramento da 15.ª edição do "Juntos pela Arte", que inclui uma peça de teatro da Associação Portuguesa de Pais e Amigos do Cidadão Deficiente Mental (APPACDM) da Trofa, a hora do conto, a peça de teatro OCEANOS, da APPACDM de Matosinhos, e atuações musicais.
O Dia Internacional da Pessoa com Deficiência assinala-se hoje, uma data que serve para alertar para a necessidade de construir uma sociedade inclusiva para os cerca de 15% da população mundial, que vive com alguma deficiência.
Em 2013, o tema é "Quebrem barreiras, abram portas: Por uma sociedade inclusiva para todos", e o Instituto Nacional para a Reabilitação (INR) assinala a data com uma festa para crianças e jovens, na Fundação Calouste Gulbenkian, em Lisboa, mas também com um congresso sobre a surdocegueira, no Centro Cultural de Belém.
As iniciativas do INR são realizadas em conjunto com a Casa Pia de Lisboa e, no dia 04 de dezembro, serão nomeados oficialmente os embaixadores para a deficiência para o ano de 2014.
Os nomes são já conhecidos. No desporto paraolímpico trata-se de Simone Fragoso, de José Arruda, na gestão das Organizações Não Governamentais (ONG), Carlos Pereira para a área das acessibilidades e de Mário Augusto para a comunicação social.
Durante o dia de hoje decorre também uma conferência por "Uma Vida Independente", da responsabilidade dos (d)Eficientes Indignados, que começa de manhã e conta com a participação de vários participantes estrangeiros.
Ainda em Lisboa, tem lugar a entrega dos prémios BPI Capacitar 2013, uma iniciativa integrada na política de responsabilidade social da instituição bancária.
Nesta quarta edição da iniciativa, o BPI vai entregar 500 mil euros a diversas instituições sem fins lucrativos que se dedicam a projetos que promovem a melhoria da qualidade de vida e a integração social de pessoas com deficiência.
Mais à noite, pelas 19:00, a Associação Portuguesa de Deficientes promove uma vigília contra as medidas de austeridade.
Em Cascais, comemoram-se os 25 anos da Comissão para a Pessoa com Deficiência do concelho, com a inauguração de uma exposição de arte.
Mais a norte, no Porto, a Provedoria Municipal do Cidadão, em parceria com a Direção Municipal do Urbanismo, da Câmara Municipal do Porto, leva a cabo um seminário sobre "Espaço Público para Todos".
Durante o seminário, será apresentado o novo portal de sistemas de itinerários acessíveis (SAI), enquadrado no Plano de Promoção de Acessibilidade para a Cidade do Porto.
Lugar ainda para o encerramento da 15.ª edição do "Juntos pela Arte", que inclui uma peça de teatro da Associação Portuguesa de Pais e Amigos do Cidadão Deficiente Mental (APPACDM) da Trofa, a hora do conto, a peça de teatro OCEANOS, da APPACDM de Matosinhos, e atuações musicais.
Portugal no topo do ajustamento mas na cauda da saúde económica
in Jornal de Notícias
Portugal mantém o quarto lugar no "ranking" do ajustamento económico elaborado pelo "think tank" Lisbon Council, mas encontra-se no penúltimo lugar da zona euro em termos de saúde da economia, segundo o mais recente relatório, publicado esta terça-feira.
De acordo com o documento "Euro Plus Monitor 2013", Portugal é quarto em termos de indicadores de "progresso do ajustamento" económico, apenas atrás de outros três países com programas de assistência financeira - Grécia, Irlanda e Espanha -, mas é 19.º e penúltimo na "saúde" da sua economia, somente à frente de Chipre.
O "Euro Plus Monitor 2013" é elaborado em colaboração com o banco Berenberg, a mais antiga casa de investimento alemã, que estabelece classificações, para os 17 países da zona euro mais Polónia, Suécia e Reino Unido, em termos de indicadores de "progresso do ajustamento" económico e de "saúde fundamental" da economia.
O documento sublinha que, por um lado, Portugal está a fazer grandes esforços a nível de ajustamento orçamental e externo, mas aponta como grande fraqueza da economia portuguesa o "muito fraco" potencial de crescimento, um dos mais baixos da zona euro, que atribui à baixa fertilidade e à elevada propensão para o consumo.
Em termos de ajustamento, o relatório observa que os quatro países que já estavam sob assistência externa no início de 2013 reforçaram os esforços de ajustamento ao longo dos últimos 12 meses - acima da média dos países do euro - e ocupam assim, sem surpresa, as quatro primeiras posições do "ranking" [tabela], sendo que Chipre, país 'resgatado' na primavera, protagonizou a maior subida, ao subir do décimo posto em 2012 para o sétimo lugar em 2013.
Sendo as escalas dos indicadores de 0 a 10, Portugal tem agora 6,7 pontos no 'ranking' do ajustamento (subiu 0,2 relativamente ao ano anterior), muito perto de Espanha (6,9), sendo que o melhor resultado é verificado nas reformas (7,7 pontos) e ajustamento externo (7,1 pontos).
Já a nível de saúde da economia, Portugal cai mesmo um posto (de 18.º em 2012 para 19.º e penúltimo este ano), apesar de ter subido meio ponto, de 3,9 para 4,4, apenas à frente de Chipre (4,0 pontos), e imediatamente atrás de Itália e Grécia (ambos com 4,5 pontos).
A pior 'nota' entre os indicadores da "saúde" económica portuguesa é dada ao "potencial de crescimento" a longo prazo, que fica pelos 3,9 pontos, na escala de zero a dez, mesmo tendo Portugal protagonizado a maior subida nesta classificação específica, ao "saltar" do 19.º lugar (com 3,6 pontos), em 2012, para o 16.º lugar.
Portugal mantém o quarto lugar no "ranking" do ajustamento económico elaborado pelo "think tank" Lisbon Council, mas encontra-se no penúltimo lugar da zona euro em termos de saúde da economia, segundo o mais recente relatório, publicado esta terça-feira.
De acordo com o documento "Euro Plus Monitor 2013", Portugal é quarto em termos de indicadores de "progresso do ajustamento" económico, apenas atrás de outros três países com programas de assistência financeira - Grécia, Irlanda e Espanha -, mas é 19.º e penúltimo na "saúde" da sua economia, somente à frente de Chipre.
O "Euro Plus Monitor 2013" é elaborado em colaboração com o banco Berenberg, a mais antiga casa de investimento alemã, que estabelece classificações, para os 17 países da zona euro mais Polónia, Suécia e Reino Unido, em termos de indicadores de "progresso do ajustamento" económico e de "saúde fundamental" da economia.
O documento sublinha que, por um lado, Portugal está a fazer grandes esforços a nível de ajustamento orçamental e externo, mas aponta como grande fraqueza da economia portuguesa o "muito fraco" potencial de crescimento, um dos mais baixos da zona euro, que atribui à baixa fertilidade e à elevada propensão para o consumo.
Em termos de ajustamento, o relatório observa que os quatro países que já estavam sob assistência externa no início de 2013 reforçaram os esforços de ajustamento ao longo dos últimos 12 meses - acima da média dos países do euro - e ocupam assim, sem surpresa, as quatro primeiras posições do "ranking" [tabela], sendo que Chipre, país 'resgatado' na primavera, protagonizou a maior subida, ao subir do décimo posto em 2012 para o sétimo lugar em 2013.
Sendo as escalas dos indicadores de 0 a 10, Portugal tem agora 6,7 pontos no 'ranking' do ajustamento (subiu 0,2 relativamente ao ano anterior), muito perto de Espanha (6,9), sendo que o melhor resultado é verificado nas reformas (7,7 pontos) e ajustamento externo (7,1 pontos).
Já a nível de saúde da economia, Portugal cai mesmo um posto (de 18.º em 2012 para 19.º e penúltimo este ano), apesar de ter subido meio ponto, de 3,9 para 4,4, apenas à frente de Chipre (4,0 pontos), e imediatamente atrás de Itália e Grécia (ambos com 4,5 pontos).
A pior 'nota' entre os indicadores da "saúde" económica portuguesa é dada ao "potencial de crescimento" a longo prazo, que fica pelos 3,9 pontos, na escala de zero a dez, mesmo tendo Portugal protagonizado a maior subida nesta classificação específica, ao "saltar" do 19.º lugar (com 3,6 pontos), em 2012, para o 16.º lugar.
Banco Alimentar Contra a Fome recolheu 2767 toneladas de alimentos
in Jornal de Notícias
A campanha do Banco Alimentar Contra a Fome, lançada este fim de semana em supermercados de todo o país, resultou na recolha de um total de 2767 toneladas de géneros alimentares, informou, esta segunda-feira, a organização.
"Os resultados surpreendem pela solidariedade que os portugueses voltam a demonstrar, continuando - e apesar das grandes dificuldades económicas para muitas famílias portuguesas - a apoiar de forma tão significativa uma iniciativa em que acreditam e que os mobiliza, destinada a minorar as carências alimentares com que muitos dos seus concidadãos se debatem", realça a Federação Portuguesa dos Bancos Alimentares Contra a Fome, em comunicado.
Os resultados desta ação, realizada num universo de 1895 superfícies comerciais, ultrapassam os que foram alcançados por outra que teve lugar em maio e são ligeiramente inferiores aos obtidos na campanha levada a cabo no mesmo período do ano passado.
Estes números não incorporam ainda os resultados da Campanha Vale nem da campanha 'online', os quais têm adquirido um peso cada vez maior nas contribuições dos particulares, como realça a organização, indicando que haverá possibilidade de contribuir através das mesmas ao longo da próxima semana.
"Congratulamo-nos por continuar a mobilizar tantos portugueses e suscitar estes elevados níveis de participação numa campanha de solidariedade que se realiza já pela 44.ª vez consecutiva e por merecer a confiança para poder ajudar aqueles que mais precisam (...). Tudo somado, os resultados são extraordinários", sublinhou a presidente da Federação Portuguesa dos Bancos Alimentares contra a Fome, Isabel Jonet, no mesmo comunicado.
Os alimentos recolhidos vão ser distribuídos, a partir da próxima semana, a um total de 2280 Instituições de solidariedade social, que as vão entregar a cerca de 418 mil pessoas com carências alimentares comprovadas sob a forma de cabazes ou refeições confecionadas.
A campanha do Banco Alimentar Contra a Fome, lançada este fim de semana em supermercados de todo o país, resultou na recolha de um total de 2767 toneladas de géneros alimentares, informou, esta segunda-feira, a organização.
"Os resultados surpreendem pela solidariedade que os portugueses voltam a demonstrar, continuando - e apesar das grandes dificuldades económicas para muitas famílias portuguesas - a apoiar de forma tão significativa uma iniciativa em que acreditam e que os mobiliza, destinada a minorar as carências alimentares com que muitos dos seus concidadãos se debatem", realça a Federação Portuguesa dos Bancos Alimentares Contra a Fome, em comunicado.
Os resultados desta ação, realizada num universo de 1895 superfícies comerciais, ultrapassam os que foram alcançados por outra que teve lugar em maio e são ligeiramente inferiores aos obtidos na campanha levada a cabo no mesmo período do ano passado.
Estes números não incorporam ainda os resultados da Campanha Vale nem da campanha 'online', os quais têm adquirido um peso cada vez maior nas contribuições dos particulares, como realça a organização, indicando que haverá possibilidade de contribuir através das mesmas ao longo da próxima semana.
"Congratulamo-nos por continuar a mobilizar tantos portugueses e suscitar estes elevados níveis de participação numa campanha de solidariedade que se realiza já pela 44.ª vez consecutiva e por merecer a confiança para poder ajudar aqueles que mais precisam (...). Tudo somado, os resultados são extraordinários", sublinhou a presidente da Federação Portuguesa dos Bancos Alimentares contra a Fome, Isabel Jonet, no mesmo comunicado.
Os alimentos recolhidos vão ser distribuídos, a partir da próxima semana, a um total de 2280 Instituições de solidariedade social, que as vão entregar a cerca de 418 mil pessoas com carências alimentares comprovadas sob a forma de cabazes ou refeições confecionadas.
Portugal mantém 33.º lugar no "índice da corrupção"
in Jornal de Notícias
Portugal manteve, em 2013, o 33.º lugar no Índice de Perceção da Corrupção da organização Transparência Internacional, mas perdeu pontuação numa lista que este ano inclui mais um país do que em 2012.
No "ranking" divulgado esta terça-feira, Portugal apresenta uma classificação de 62 pontos (63 no ano passado), numa escala de zero a cem, que vai de muito corrupto (zero) a livre de corrupção (100).
Na mesma posição de Portugal encontram-se Porto Rico e São Vicente e Granadinas.
Mais de dois terços dos 177 países incluídos no "ranking" obtiveram uma pontuação inferior a 50, assinala a Transparência Internacional.
Numa análise aos países da União Europeia (UE), Portugal surge este ano em 14.º lugar (15.º, no ano passado), acima da Polónia, Espanha, Itália, Grécia e da maioria dos países de leste.
O conjunto dos países da UE e Europa Ocidental é liderada pela Dinamarca (91 pontos em 100 possíveis), seguindo-se a Finlândia e a Suécia (com 89 pontos), enquanto o último lugar é ocupado pela Grécia (40 pontos).
O índice revela ainda que 23% dos 32 países da União Europeia e da Europa Ocidental, obtiveram pontuação abaixo de 50.
Entre os 177 países classificados, a Dinamarca e a Nova Zelândia ocupam o 1.º lugar, com 91 pontos, enquanto a Somália, o Afeganistão e a Coreia do Norte são os piores da lista com apenas oito pontos, em cem possíveis. Dos países incluídos na lista, dois não forneceram informação.
O Índice de Perceção da Corrupção é composto por índices de corrupção de entidades internacionais consideradas credíveis, como o Banco Mundial.
Portugal manteve, em 2013, o 33.º lugar no Índice de Perceção da Corrupção da organização Transparência Internacional, mas perdeu pontuação numa lista que este ano inclui mais um país do que em 2012.
No "ranking" divulgado esta terça-feira, Portugal apresenta uma classificação de 62 pontos (63 no ano passado), numa escala de zero a cem, que vai de muito corrupto (zero) a livre de corrupção (100).
Na mesma posição de Portugal encontram-se Porto Rico e São Vicente e Granadinas.
Mais de dois terços dos 177 países incluídos no "ranking" obtiveram uma pontuação inferior a 50, assinala a Transparência Internacional.
Numa análise aos países da União Europeia (UE), Portugal surge este ano em 14.º lugar (15.º, no ano passado), acima da Polónia, Espanha, Itália, Grécia e da maioria dos países de leste.
O conjunto dos países da UE e Europa Ocidental é liderada pela Dinamarca (91 pontos em 100 possíveis), seguindo-se a Finlândia e a Suécia (com 89 pontos), enquanto o último lugar é ocupado pela Grécia (40 pontos).
O índice revela ainda que 23% dos 32 países da União Europeia e da Europa Ocidental, obtiveram pontuação abaixo de 50.
Entre os 177 países classificados, a Dinamarca e a Nova Zelândia ocupam o 1.º lugar, com 91 pontos, enquanto a Somália, o Afeganistão e a Coreia do Norte são os piores da lista com apenas oito pontos, em cem possíveis. Dos países incluídos na lista, dois não forneceram informação.
O Índice de Perceção da Corrupção é composto por índices de corrupção de entidades internacionais consideradas credíveis, como o Banco Mundial.
Aumentar a idade da reforma é opção “mais razoável” entre as disponíveis, diz especialista
in iOnline
O Governo quer alterar o fator de sustentabilidade usado para o cálculo das pensões, com o objetivo de aumentar a idade da reforma para os 66 anos em 2014
O economista Jorge Bravo defendeu hoje que o aumento da idade da reforma é a solução “mais razoável” para tornar o sistema de pensões sustentável e que pode ser uma “oportunidade” para se sentir realizado a trabalhar.
O especialista em pensões e investigador da Universidade de Évora, que falava à margem da apresentação do portal “aminhapensao.pt”, salientou que “esta é uma solução de compromisso” entre as várias opções disponíveis e a que parece ser mais razoável.
“Entre reduzir o valor nominal das pensões e permitir que as pessoas se reformem mais cedo ou incentivá-las a prolongar a sua permanência no mercado de trabalho, no sentido de se reformarem um pouco mais tarde, mas com uma pensão melhor, [o aumento da idade da reforma] parece-me, dentro do leque de opções disponíveis, aquela que é mais razoável”, afirmou.
Segundo explicou, num sistema de pensões baseado na repartição, como o português, só há três formas de assegurar a sustentabilidade: prolongando a vida ativa, reduzindo os benefícios ou aumentando as contribuições para o sistema (aumentando a taxa de contribuição dos trabalhadores ou das entidades empregadoras ou criando impostos especiais, por exemplo).
Jorge Bravo salientou ainda que “é normal” que os cidadãos queiram prolongar a sua vida ativa face ao aumento significativo da esperança média de vida.
“Sentem-se em condições de dar o seu contributo para a sociedade, sentem-se realizados naquilo que fazem no dia-a-dia. Não vejo de forma tão negativa que um aumento da idade da reforma seja uma espécie de penalização”, justificou, afirmando que “pode ser uma oportunidade de continuar a trabalhar” para quem se sente realizado.
O Governo quer alterar o fator de sustentabilidade usado para o cálculo das pensões, com o objetivo de aumentar a idade da reforma para os 66 anos em 2014.
De acordo com a proposta do executivo, apenas os contribuintes que descontaram mais de 40 anos e algumas carreiras especiais é que vão conseguir fugir à subida da idade da reforma para os 66 anos.
No entanto, nos casos das carreiras mais longas poderá haver antecipação da idade de acesso à reforma: por cada ano de descontos para lá dos 40, os contribuintes antecipam quatro meses. Ou seja, um contribuinte que tenha descontado 43 anos conseguirá reformar-se aos 65 anos de idade.
Para além das carreiras contributivas mais longas, também as profissões de maior desgaste ou aquelas em que há uma proibição de trabalhar para lá dos 65 anos de idade, manterão a idade de reforma aos 65 anos.
O Orçamento do Estado para 2014 prevê uma poupança de 205 milhões de euros em 2014 com a alteração da idade da reforma.
O Governo quer alterar o fator de sustentabilidade usado para o cálculo das pensões, com o objetivo de aumentar a idade da reforma para os 66 anos em 2014
O economista Jorge Bravo defendeu hoje que o aumento da idade da reforma é a solução “mais razoável” para tornar o sistema de pensões sustentável e que pode ser uma “oportunidade” para se sentir realizado a trabalhar.
O especialista em pensões e investigador da Universidade de Évora, que falava à margem da apresentação do portal “aminhapensao.pt”, salientou que “esta é uma solução de compromisso” entre as várias opções disponíveis e a que parece ser mais razoável.
“Entre reduzir o valor nominal das pensões e permitir que as pessoas se reformem mais cedo ou incentivá-las a prolongar a sua permanência no mercado de trabalho, no sentido de se reformarem um pouco mais tarde, mas com uma pensão melhor, [o aumento da idade da reforma] parece-me, dentro do leque de opções disponíveis, aquela que é mais razoável”, afirmou.
Segundo explicou, num sistema de pensões baseado na repartição, como o português, só há três formas de assegurar a sustentabilidade: prolongando a vida ativa, reduzindo os benefícios ou aumentando as contribuições para o sistema (aumentando a taxa de contribuição dos trabalhadores ou das entidades empregadoras ou criando impostos especiais, por exemplo).
Jorge Bravo salientou ainda que “é normal” que os cidadãos queiram prolongar a sua vida ativa face ao aumento significativo da esperança média de vida.
“Sentem-se em condições de dar o seu contributo para a sociedade, sentem-se realizados naquilo que fazem no dia-a-dia. Não vejo de forma tão negativa que um aumento da idade da reforma seja uma espécie de penalização”, justificou, afirmando que “pode ser uma oportunidade de continuar a trabalhar” para quem se sente realizado.
O Governo quer alterar o fator de sustentabilidade usado para o cálculo das pensões, com o objetivo de aumentar a idade da reforma para os 66 anos em 2014.
De acordo com a proposta do executivo, apenas os contribuintes que descontaram mais de 40 anos e algumas carreiras especiais é que vão conseguir fugir à subida da idade da reforma para os 66 anos.
No entanto, nos casos das carreiras mais longas poderá haver antecipação da idade de acesso à reforma: por cada ano de descontos para lá dos 40, os contribuintes antecipam quatro meses. Ou seja, um contribuinte que tenha descontado 43 anos conseguirá reformar-se aos 65 anos de idade.
Para além das carreiras contributivas mais longas, também as profissões de maior desgaste ou aquelas em que há uma proibição de trabalhar para lá dos 65 anos de idade, manterão a idade de reforma aos 65 anos.
O Orçamento do Estado para 2014 prevê uma poupança de 205 milhões de euros em 2014 com a alteração da idade da reforma.
Segurança Social encaixa 6,7 milhões com cortes nos subsídios de desemprego e de doença
Raquel Martins, in Público on-line
Nova versão dos cortes só foi aplicada em Outubro. Receita arrecadada corresponde a 14% do previsto no orçamento rectificativo.
As contribuições de 5% e 6% a que estão sujeitos os subsídios de desemprego e de doença permitiram à Segurança Social encaixar 6,7 milhões de euros no final de Outubro. Trata-se do primeiro mês em que os cortes foram efectivados e o resultado está aquém dos 50 milhões de euros previstos pelo Governo até ao final do ano.
De acordo com a execução orçamental da Segurança Social até ao final de Outubro, a taxa de 5% aplicada ao subsídio de doença permitiu encaixar quase 385 mil euros, enquanto a taxa de 6% sobre o subsídio de desemprego “rendeu” à volta de 6,3 milhões de euros.
Estes montantes correspondem ao valor arrecadado com a aplicação das taxas sobre os subsídios e incluem também o valor devolvido pelos beneficiários destas prestações que, entre Julho e Setembro, continuaram a receber a totalidade dos subsídios.
Os cortes nos subsídios estavam previstos no Orçamento do Estado para 2013, mas o Tribunal Constitucional acabou por chumbar a medida por não salvaguardar os beneficiários que recebiam os valores mínimos, o que violava o princípio da proporcionalidade.
O Governo devolveu os montantes retidos de Janeiro a Abril e reformulou a medida, salvaguardando dos cortes os limites mínimos. A 25 de Julho, entrou em vigor o primeiro orçamento rectificativo, que mandava aplicar a taxa de 5% aos subsídios de doença de valor superior a 4,19 euros por dia e a taxa de 6% às prestações de desemprego acima de 419,22 euros.
Contudo, ao contrário do que determinava a lei, o Instituto de Segurança Social (ISS) não aplicou estas taxas no imediato e continuou a pagar os subsídios por inteiro nos meses de Julho, Agosto e Setembro. No início de Outubro, numa carta enviada aos beneficiários, o ISS pedia a devolução do dinheiro pago indevidamente. Fonte oficial do instituto explicou na altura que “a aplicação das contribuições de 6% e 5% ao subsídio de desemprego e doença, respectivamente, ocorreu com o processamento de Outubro, de forma a permitir uma fase de testes informáticos que garantem a aplicação das contribuições com todo o rigor e segurança”.
Além dos valores mínimos, também ficam a salvo dos cortes os casais desempregados com filhos a cargo que têm direito a uma majoração do subsídio, o subsídio social de desemprego inicial ou subsequente e as baixas por doença inferiores a 30 dias.
De acordo com a execução orçamental, as receitas da Segurança Social estão a aumentar face ao ano passado e totalizaram mais de 21.087 milhões de euros. As despesas, por seu lado, também estão a aumentar para 20.542 milhões de euros, mais 6,7% do que no período homólogo. Este aumento das despesas ficou a dever-se ao incremento da despesa com pensões, nomeadamente o pagamento dos duodécimos do subsídio de Natal e de parte do subsídio de férias, e ao aumento dos gastos com prestações de desemprego.
Nova versão dos cortes só foi aplicada em Outubro. Receita arrecadada corresponde a 14% do previsto no orçamento rectificativo.
As contribuições de 5% e 6% a que estão sujeitos os subsídios de desemprego e de doença permitiram à Segurança Social encaixar 6,7 milhões de euros no final de Outubro. Trata-se do primeiro mês em que os cortes foram efectivados e o resultado está aquém dos 50 milhões de euros previstos pelo Governo até ao final do ano.
De acordo com a execução orçamental da Segurança Social até ao final de Outubro, a taxa de 5% aplicada ao subsídio de doença permitiu encaixar quase 385 mil euros, enquanto a taxa de 6% sobre o subsídio de desemprego “rendeu” à volta de 6,3 milhões de euros.
Estes montantes correspondem ao valor arrecadado com a aplicação das taxas sobre os subsídios e incluem também o valor devolvido pelos beneficiários destas prestações que, entre Julho e Setembro, continuaram a receber a totalidade dos subsídios.
Os cortes nos subsídios estavam previstos no Orçamento do Estado para 2013, mas o Tribunal Constitucional acabou por chumbar a medida por não salvaguardar os beneficiários que recebiam os valores mínimos, o que violava o princípio da proporcionalidade.
O Governo devolveu os montantes retidos de Janeiro a Abril e reformulou a medida, salvaguardando dos cortes os limites mínimos. A 25 de Julho, entrou em vigor o primeiro orçamento rectificativo, que mandava aplicar a taxa de 5% aos subsídios de doença de valor superior a 4,19 euros por dia e a taxa de 6% às prestações de desemprego acima de 419,22 euros.
Contudo, ao contrário do que determinava a lei, o Instituto de Segurança Social (ISS) não aplicou estas taxas no imediato e continuou a pagar os subsídios por inteiro nos meses de Julho, Agosto e Setembro. No início de Outubro, numa carta enviada aos beneficiários, o ISS pedia a devolução do dinheiro pago indevidamente. Fonte oficial do instituto explicou na altura que “a aplicação das contribuições de 6% e 5% ao subsídio de desemprego e doença, respectivamente, ocorreu com o processamento de Outubro, de forma a permitir uma fase de testes informáticos que garantem a aplicação das contribuições com todo o rigor e segurança”.
Além dos valores mínimos, também ficam a salvo dos cortes os casais desempregados com filhos a cargo que têm direito a uma majoração do subsídio, o subsídio social de desemprego inicial ou subsequente e as baixas por doença inferiores a 30 dias.
De acordo com a execução orçamental, as receitas da Segurança Social estão a aumentar face ao ano passado e totalizaram mais de 21.087 milhões de euros. As despesas, por seu lado, também estão a aumentar para 20.542 milhões de euros, mais 6,7% do que no período homólogo. Este aumento das despesas ficou a dever-se ao incremento da despesa com pensões, nomeadamente o pagamento dos duodécimos do subsídio de Natal e de parte do subsídio de férias, e ao aumento dos gastos com prestações de desemprego.
Papa Francisco: "Esta economia mata"
Clara Barata, in Público on-line
Exortação evangélica Evangelii Gaudium ataca a "nova tirania" do capitalismo sem limites e apela a uma "saudável descentralização" da Igreja"
O Papa Francisco atacou o capitalismo sem limites como “uma nova tirania” e advertiu que a desigualdade e a exclusão social "geram violência" no mundo e podem provocar "uma explosão", na sua primeira exortação apostólica, divulgada nesta terça-feira pelo Vaticano.
Este documento de 84 páginas é como que o programa oficial do seu papado (aqui, a versão em espanhol no site do Vaticano). Contém as posições que ele tem vindo a expressar nos seus sermões e discursos desde Março, quando se se tornou o primeiro sumo pontífice não europeu dos últimos 1300 anos.
Nesta exortação, de título Evangelii Gaudium" (A alegria do Evangelho) reconhece estar “aberto a sugestões” para reformar o papado. “Como bispo de Roma, cabe-me estar aberto às sugestões para que o exercício do meu ministério se torne mais fiel ao sentido que Jesus Cristo quis dar-lhe e às necessidades actuais da evangelização”, escreveu o Papa.
O Papa Francisco expressa mais claramente do que nunca as posições que tem vindo a assumir de luta contra a pobreza e a exclusão neste documento. Apelou aos políticos para que garantam a todos os cidadãos “trabalho digno, educação e cuidados de saúde”, e aos ricos para que partilhem a sua fortuna: “Tal como o mandamento ‘Não matarás’ impõe um limite claro para defender o valor da vida humana, hoje também temos de dizer ‘Tu não’ a uma economia de exclusão e desigualdade. Esta economia mata”, afirma Francisco na exortação apostólica.
O Papa Francisco diz que a renovação da Igreja não pode ser adiada, e que a hierarquia do Vaticano “tem de ouvir a chamada para a conversão pastoral”, mas reitera afirmações que já tinha feito antes, de que a reforma não passará pela ordenação de mulheres como padres – “não é uma questão que esteja aberta a discussão” –, ou pela aceitação do aborto. “Não é progressista” resolver os problemas “eliminando uma vida humana”. Reconhece no entanto que a Igreja Católica “tem feito pouco” para acompanhar as mulheres que se encontram numa situação que as leva a abortar, sobretudo num contexto de violação ou extrema pobreza, diz o El País, na leitura que fez do documento.
Outra ideia forte da exortação apostólica de Francisco é fazer “uma saudável descentralização da Igreja”, e aumentar a responsabilidade dos laicos”, que são “mantidos à margem das decisões” e sublinha que “é preciso ampliar os espaços para uma presença feminina mais incisiva na Igreja”. Os jovens devem ter também maior protagonismo na tomada de decisões, diz o Papa. “Muitas vezes, comportamo-nos como controladores da graça e não como facilitadores. Mas a igreja não é uma alfândega, é a casa paterna onde há lugar para todos.”
Exortação evangélica Evangelii Gaudium ataca a "nova tirania" do capitalismo sem limites e apela a uma "saudável descentralização" da Igreja"
O Papa Francisco atacou o capitalismo sem limites como “uma nova tirania” e advertiu que a desigualdade e a exclusão social "geram violência" no mundo e podem provocar "uma explosão", na sua primeira exortação apostólica, divulgada nesta terça-feira pelo Vaticano.
Este documento de 84 páginas é como que o programa oficial do seu papado (aqui, a versão em espanhol no site do Vaticano). Contém as posições que ele tem vindo a expressar nos seus sermões e discursos desde Março, quando se se tornou o primeiro sumo pontífice não europeu dos últimos 1300 anos.
Nesta exortação, de título Evangelii Gaudium" (A alegria do Evangelho) reconhece estar “aberto a sugestões” para reformar o papado. “Como bispo de Roma, cabe-me estar aberto às sugestões para que o exercício do meu ministério se torne mais fiel ao sentido que Jesus Cristo quis dar-lhe e às necessidades actuais da evangelização”, escreveu o Papa.
O Papa Francisco expressa mais claramente do que nunca as posições que tem vindo a assumir de luta contra a pobreza e a exclusão neste documento. Apelou aos políticos para que garantam a todos os cidadãos “trabalho digno, educação e cuidados de saúde”, e aos ricos para que partilhem a sua fortuna: “Tal como o mandamento ‘Não matarás’ impõe um limite claro para defender o valor da vida humana, hoje também temos de dizer ‘Tu não’ a uma economia de exclusão e desigualdade. Esta economia mata”, afirma Francisco na exortação apostólica.
O Papa Francisco diz que a renovação da Igreja não pode ser adiada, e que a hierarquia do Vaticano “tem de ouvir a chamada para a conversão pastoral”, mas reitera afirmações que já tinha feito antes, de que a reforma não passará pela ordenação de mulheres como padres – “não é uma questão que esteja aberta a discussão” –, ou pela aceitação do aborto. “Não é progressista” resolver os problemas “eliminando uma vida humana”. Reconhece no entanto que a Igreja Católica “tem feito pouco” para acompanhar as mulheres que se encontram numa situação que as leva a abortar, sobretudo num contexto de violação ou extrema pobreza, diz o El País, na leitura que fez do documento.
Outra ideia forte da exortação apostólica de Francisco é fazer “uma saudável descentralização da Igreja”, e aumentar a responsabilidade dos laicos”, que são “mantidos à margem das decisões” e sublinha que “é preciso ampliar os espaços para uma presença feminina mais incisiva na Igreja”. Os jovens devem ter também maior protagonismo na tomada de decisões, diz o Papa. “Muitas vezes, comportamo-nos como controladores da graça e não como facilitadores. Mas a igreja não é uma alfândega, é a casa paterna onde há lugar para todos.”
Já há mais de 400 mil pessoas a ganhar o salário mínimo
Por Luís Reis Ribeiro, in Dinheiro Vivo
Nunca houve tanta gente a ganhar o salário mínimo (SMN) em Portugal. Os dados oficiais apontam para um universo que rondará os 420 mil trabalhadores por conta de outrem a tempo completo (quase 13% do total de emprego dependente) com um ordenado de 485 euros brutos.
Apesar da crise que continua a assolar o mercado de trabalho doméstico – a taxa de desemprego dá alguns sinais de alívio, mas continua a registar-se uma forte destruição de emprego –, os salários mais baixos têm vindo a reforçar presença no mercado de trabalho.
O Inquérito aos Ganhos e à Duração do Trabalho, da responsabilidade do Ministério da Economia, indicava que em abril de 2011, quando o Governo assinou o memorando de entendimento com a troika, cerca de 10,9% dos trabalhadores por conta de outrem (TCO) a tempo completo ganhava o salário mínimo: cerca de 391 mil pessoas, assumindo como base o universo dos TCO do segundo trimestre de 2011 apurado pelo Instituto Nacional de Estatística. No final de 2012, o peso do salário mínimo tinha subido para 12,9% dos empregados dependentes – cerca de 418 mil.
Esta proporção ter-se-á mantido ou até aumentado ligeiramente ao longo de 2013, o que colocará o universo de pessoas que ganham o mínimo perto dos 420 mil casos. Ou seja, desde que chegou a troika, há mais 29 mil empregados com a remuneração mínima.
A tendência é similar nos ordenados abaixo do mínimo. Segundo o Inquérito ao Emprego do INE, o único escalão salarial que registou uma melhoria no emprego foi o dos rendimentos abaixo de 310 euros líquidos: mais 8% (ou 12 mil empregados) entre o segundo trimestre de 2011 e o terceiro deste ano.
Este período foi marcado pela destruição de 311 mil empregos, mostram as estatísticas oficiais. O programa de ajustamento e de financiamento termina formalmente no final do segundo trimestre de 2014.
O salário mínimo está congelado em 485 euros desde 2011, inclusive. O memorando da troika diz explicitamente que novos aumentos só podem ser “justificados por desenvolvimentos económicos e do mercado de trabalho e de acordo com o enquadramento das avaliações do programa”.
Ou seja, só quando a economia estiver a crescer de forma consistente, o desemprego a cair e terminar o longo ciclo de destruição de emprego.
Enquanto isso, Portugal vai mal em termos internacionais (ver gráfico). O salário mínimo (diluindo por 12 meses os subsídios de férias e de Natal) está em 567 euros mensais. Os gregos, apesar do ajustamento brutal, ainda ganham mais 118 euros (687 euros); na Irlanda, o salário mínimo é 2,5 vezes maior (1462 euros).
Para a troika não se justifica uma subida do SMN; para o Governo e os partidos da coligação (PSD e CDS) também não.
O primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho, atira a negociação a favor de uma eventual subida para o ano que vem: “2014 é o ano em que devemos aprofundar o esforço de concertação social”.
Patrões e sindicatos vêem margem para subir
Voltou a existir sintonia entre representantes dos empresários e dos trabalhadores a favor do aumento do salário mínimo no âmbito de acordo na concertação.
Em entrevista ao Dinheiro Vivo, João Vieira Lopes, da CCP (confederação dos serviços, que tem assento na concertação)revelou que “em relação aos sectores de mão-de-obra intensiva, como as áreas de limpezas, segurança, transportes, ‘contact centers’ e afins, aquilo que nos foi dito pela maioria das empresas foi que, desde que esse salário mínimo entre em vigor universalmente e seja negociado com antecedência, não tem problema”.
António Saraiva, da CIP (indústria), diz estar disponível “para discutir” o assunto “em determinadas condições para, durante 2014, poder aplicá-lo”.
Os dois sindicatos da concertação ¬ – UGT e CGTP – defendem, naturalmente, uma subida o quanto antes.
Bruno Bobone, da Câmara de Comércio e Indústria, diz mesmo que “aumentar o salário mínimo é uma resposta inteligente dos empresários. Cria negócio porque cria mercado, faz circular o dinheiro, mobiliza as empresas, mesmo que implique, numa primeira fase, algum sacrifício”.
O debate já chegou ao Parlamento, com o BE a propor uma subida para 545 euros em 2014. A proposta teve o apoio da CDU e do PS, mas foi chumbada por PSD e CDS. A oposição diz que o Governo está isolado.
Para o Executivo, é a troika que não deixa. “É uma matéria que está no acordo do memorando de entendimento como sendo algo que está condicionado a uma apreciação dos credores de Portugal”, disse Octávio Oliveira, secretário de Estado do Emprego.
Nunca houve tanta gente a ganhar o salário mínimo (SMN) em Portugal. Os dados oficiais apontam para um universo que rondará os 420 mil trabalhadores por conta de outrem a tempo completo (quase 13% do total de emprego dependente) com um ordenado de 485 euros brutos.
Apesar da crise que continua a assolar o mercado de trabalho doméstico – a taxa de desemprego dá alguns sinais de alívio, mas continua a registar-se uma forte destruição de emprego –, os salários mais baixos têm vindo a reforçar presença no mercado de trabalho.
O Inquérito aos Ganhos e à Duração do Trabalho, da responsabilidade do Ministério da Economia, indicava que em abril de 2011, quando o Governo assinou o memorando de entendimento com a troika, cerca de 10,9% dos trabalhadores por conta de outrem (TCO) a tempo completo ganhava o salário mínimo: cerca de 391 mil pessoas, assumindo como base o universo dos TCO do segundo trimestre de 2011 apurado pelo Instituto Nacional de Estatística. No final de 2012, o peso do salário mínimo tinha subido para 12,9% dos empregados dependentes – cerca de 418 mil.
Esta proporção ter-se-á mantido ou até aumentado ligeiramente ao longo de 2013, o que colocará o universo de pessoas que ganham o mínimo perto dos 420 mil casos. Ou seja, desde que chegou a troika, há mais 29 mil empregados com a remuneração mínima.
A tendência é similar nos ordenados abaixo do mínimo. Segundo o Inquérito ao Emprego do INE, o único escalão salarial que registou uma melhoria no emprego foi o dos rendimentos abaixo de 310 euros líquidos: mais 8% (ou 12 mil empregados) entre o segundo trimestre de 2011 e o terceiro deste ano.
Este período foi marcado pela destruição de 311 mil empregos, mostram as estatísticas oficiais. O programa de ajustamento e de financiamento termina formalmente no final do segundo trimestre de 2014.
O salário mínimo está congelado em 485 euros desde 2011, inclusive. O memorando da troika diz explicitamente que novos aumentos só podem ser “justificados por desenvolvimentos económicos e do mercado de trabalho e de acordo com o enquadramento das avaliações do programa”.
Ou seja, só quando a economia estiver a crescer de forma consistente, o desemprego a cair e terminar o longo ciclo de destruição de emprego.
Enquanto isso, Portugal vai mal em termos internacionais (ver gráfico). O salário mínimo (diluindo por 12 meses os subsídios de férias e de Natal) está em 567 euros mensais. Os gregos, apesar do ajustamento brutal, ainda ganham mais 118 euros (687 euros); na Irlanda, o salário mínimo é 2,5 vezes maior (1462 euros).
Para a troika não se justifica uma subida do SMN; para o Governo e os partidos da coligação (PSD e CDS) também não.
O primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho, atira a negociação a favor de uma eventual subida para o ano que vem: “2014 é o ano em que devemos aprofundar o esforço de concertação social”.
Patrões e sindicatos vêem margem para subir
Voltou a existir sintonia entre representantes dos empresários e dos trabalhadores a favor do aumento do salário mínimo no âmbito de acordo na concertação.
Em entrevista ao Dinheiro Vivo, João Vieira Lopes, da CCP (confederação dos serviços, que tem assento na concertação)revelou que “em relação aos sectores de mão-de-obra intensiva, como as áreas de limpezas, segurança, transportes, ‘contact centers’ e afins, aquilo que nos foi dito pela maioria das empresas foi que, desde que esse salário mínimo entre em vigor universalmente e seja negociado com antecedência, não tem problema”.
António Saraiva, da CIP (indústria), diz estar disponível “para discutir” o assunto “em determinadas condições para, durante 2014, poder aplicá-lo”.
Os dois sindicatos da concertação ¬ – UGT e CGTP – defendem, naturalmente, uma subida o quanto antes.
Bruno Bobone, da Câmara de Comércio e Indústria, diz mesmo que “aumentar o salário mínimo é uma resposta inteligente dos empresários. Cria negócio porque cria mercado, faz circular o dinheiro, mobiliza as empresas, mesmo que implique, numa primeira fase, algum sacrifício”.
O debate já chegou ao Parlamento, com o BE a propor uma subida para 545 euros em 2014. A proposta teve o apoio da CDU e do PS, mas foi chumbada por PSD e CDS. A oposição diz que o Governo está isolado.
Para o Executivo, é a troika que não deixa. “É uma matéria que está no acordo do memorando de entendimento como sendo algo que está condicionado a uma apreciação dos credores de Portugal”, disse Octávio Oliveira, secretário de Estado do Emprego.
Viver debaixo da ponte
Por Pedro Miguel Santos (texto), José Caria (fotos) e Francisco Rodrigues (infografia), in Visão
Comem, dormem, lavam-se, urinam, defecam debaixo do chão por onde passam, todos os dias, milhares de pessoas. Revelamos três casos limite de sem-abrigo que vivem debaixo de pontes em Loures, Oeiras e Lisboa
Comem, dormem, lavam-se, urinam, defecam debaixo do chão por onde passam, todos os dias, milhares de pessoas. Revelamos três casos limite de sem-abrigo que vivem debaixo de pontes em Loures, Oeiras e Lisboa
“A austeridade na Europa é um verdadeiro pacto suicida”
Sérgio Aníbal e Pedro Crisóstomo, in Público on-line
Para Mark Blyth, autor de Austeridade – A História de Uma Ideia Perigosa, o argumento de que as políticas restritivas poupam os mais pobres ignora o facto de serem eles quem mais depende do Estado.
Uma ideia sedutora, mas inútil e contraproducente, que não está a resultar em Portugal, como não resultou no passado. É isso a austeridade para Mark Blyth, professor de Economia Política na Brown University e autor da obra Austeridade – A História de Uma Ideia Perigosa (Quetzal), que lhe deu projecção crítica internacional no meio da crise europeia. O seu retrato de Portugal, onde esteve em Lisboa na última sexta-feira para falar sobre o tema, é este: um país que tenta pagar a sua dívida para nada. Defende um novo modelo económico para o país. A dificuldade está em desenvolvê-lo sem autonomia monetária, nem orçamental. O que está a ser feito na Europa, com Mario Draghi à frente do BCE, não chega e é preciso que os líderes europeus o percebam, diz. Para Portugal, sugere uma renegociação da dívida. “Basicamente porque não vai conseguir pagá-la.”
Portugal voltou a crescer nos dois últimos trimestres e as taxas de juro da dívida estão mais baixas. Vê algum sinal de que a estratégia da troika está a resultar?
A Europa está num momento de viragem, por causa de Portugal! A economia estabilizou no terceiro trimestre, mas no trimestre seguinte pode cair outra vez… Todas as taxas de juro da dívida desceram. O maior problema é que não há nada a fazer com a dívida, porque ela continua a aumentar, a aumentar, a aumentar desde 2010. E desde 2011, as taxas de juro estão em queda. Porquê? O senhor [Jean-Claude] Trichet [ex-presidente do BCE] saiu de cena e o senhor [Mario] Draghi entrou em acção. Veio responder aos erros de Trichet no seu último ano de mandato. Então, porque é que as taxas de juro desceram? Porque agora temos um banco central que actua como um banco central.
As exportações estão a crescer, a ganhar quota de mercado. Não é um sinal de ajustamento?
O ciclo das exportações em alta e as importações em queda acontece porque Portugal está a importar menos, porque os salários estão a diminuir. Por definição, quando se importa menos, as exportações crescem mais. Vamos assumir que esse não era o caso: que as importações se mantinham [ao mesmo nível] e as exportações cresciam. Dir-se-ia que a resposta para zona euro é que todos os países precisam de exportar mais. Mas para onde? Para que alguém tenha um excedente de exportações, isso corresponde a um défice comercial [de outra geografia]. Consegue toda a economia global, no seu conjunto, ter um excedente? Isto é impossível de acontecer na zona euro. Como um todo, não consegue ter um excedente, mesmo se os alemães ditam as regras, estabelecendo um limite de 6% de excedente comercial e um défice orçamental de 3%.
Foi precisamente para estimular a economia que a Comissão Europeia fez a recomendação à Alemanha.
Exactamente. Se os países não puderem ter défices [mais altos], enquanto alguns conseguem obter excedentes, o único resultado possível é a destruição da equidade entre cidadãos e aumento do desemprego. Não é por haver uma inversão [pontual da conjuntura económica] que as coisas melhoram. Se um país tem um excedente permanente, algum país está condenado a ter um défice permanente. E mais desemprego permanente. Não acredito que a Comissão Europeia queira que isso aconteça.
E é possível que isso resulte? Se se colocar na pele de um alemão — o desemprego está baixo, as coisas aparentam estar a correr bem —, como convencer um alemão a mudar este modelo?
Se viver em Berlim, vou achar que as coisas estão bem, absolutamente… Os alemães pensam que está a resultar. Como realizaram reformas do mercado de trabalho, tomaram as medidas que melhor entenderam ser necessárias, por causa das reformas do mercado de trabalho, aumentaram as desigualdades na distribuição de rendimento. Há mais pessoas a trabalhar, mas muitos estão a fazê-lo recebendo salários mais baixos. Se olharmos para a despesa da Alemanha no sector da Saúde, não estão de todo a cortar no Estado social, estão a apoiar as famílias… Todos os países vão conseguir ter um excedente? Isso não funciona.
O modelo alemão é uma má resposta à crise?
Para a Alemanha, tem de funcionar. É o mesmo com a Suíça: nem todos podemos ser suíços. A Suíça funciona, porque eles ficam com o dinheiro que todos querem esconder. Se todos tentarmos ser a Suíça, claramente não vai resultar. Um país pode [querer] ser o próximo campeão das exportações, mas só pode haver um. É o mesmo argumento quando dizem que se tem de ser mais competitivo. Não há dúvida de que dez anos de crédito fácil vindos de excedentes do Norte para os bancos do Sul levaram à bolha imobiliária em Espanha. O maior problema de Portugal dos últimos 20 anos é a demografia e crescimento muito baixo. E agora têm um problema e precisam de uma resposta: o país precisa de um novo modelo económico. Mas não é Bruxelas quem deve decidir, é algo que cabe aos portugueses decidir. Os políticos europeus usam a palavra “competitividade” da mesma forma que os americanos falam em “liberdade”. Mas o que é que a competitividade significa, na verdade? Porque se a competitividade significa simplesmente cortar nos salários, as pessoas que estão a fazer sacrifícios agora vão ficar mais pobres e os seus filhos também. “Mas não se preocupem, salvámos os bancos.”
A Irlanda é tida como um país que está numa posição melhor do que Portugal. Qual é a diferença — ou ela não existe?
Depois do resgate, voltaram a aumentar as desigualdades na distribuição da riqueza, é um país com uma taxa de desemprego de 12%, o crescimento é fraco… Se é o regresso aos mercados que avalia o êxito do resgate, qualquer um consegue voltar aos mercados, porque o BCE está lá como garantia. Todos estes resultados, por causa da recessão, por causa de nada se fazer, aumentaram a dimensão da crise, é o que vemos acontecer por toda a Europa. “Alguém tem de pagar por isto.” Mas vamos pensar: quem tem mais dinheiro nestes bancos? As pessoas que investiram em activos, em investimentos imobiliários, em sistemas privados de pensões. Conseguiram proteger os seus investimentos com os resgates. E agora dizem: “Ah, temos de ser austeros.” O que é que isso significa mesmo? Que quem vai pagar são as próximas gerações.
O Governo português usa esse argumento ao contrário, dizendo que não podemos hipotecar o futuro das próximas gerações. E esgrime o mesmo argumento em relação às novas regras do mercado de trabalho.
As pessoas vão pagar por isso. Portugal é uma pequena economia, com altos níveis de pobreza, baixos níveis de qualificação, baixa produtividade, que tenta pagar a dívida para nada.
Continuamos a ter um problema com os bancos na Europa. Que política devemos aplicar?
Temos uma economia de cerca de 15 biliões [milhões de milhões] de euros. Temos um sector bancário que comprou activos, incluindo títulos espanhóis, dívida pública grega e outro tipo de activos, de cerca de 45 biliões de euros. Quem é a maior economia? A Alemanha, com mais de quatro biliões. A solução passa pela mutualização e pelo perdão das dívidas. Não nos podemos esquecer que, em 1953, a economia alemã estava de rastos e com o desemprego em alta, e o milagre económico alemão veio com o perdão da dívida em 1953 na Conferência de Londres. É o que se faz quando as economias têm uma dívida, mas os alemães esqueceram-se disso. Acha honestamente que os gregos conseguem pagar a sua dívida? [O caso de] Portugal é exactamente a mesma coisa. Ter um banco na Europa significa lidar com os problemas dos bancos. Pode haver uma mutualização, euro-obrigações, mas para isso é preciso uma liderança. Antes das eleições na Alemanha, qual era a expectativa na Europa? Toda a gente sabia que a estratégia estava bloqueada e que isso tinha a ver com a reeleição de Angela Merkel e que haveria uma mudança de política. Alguém viu a mudança de política [no acordo da “grande coligação” entre a CDU e o SPD]?
Não se vê uma mudança na forma como os líderes europeus olham para a austeridade. Quando é que poderemos esperar uma mudança?
As coisas mudam, mesmo que estejamos mortos. Mas espero que isso aconteça antes de morrermos… As pessoas mais velhas estão a ficar mais pobres, enquanto se corta no Estado social e se fazem reformas no mercado de trabalho para empregos que não existem.
Não vê um projecto para Portugal?
Não vejo agora, mas é difícil ter um projecto económico quando não se tem uma moeda própria. Sem autonomia monetária não se tem uma verdadeira autonomia orçamental.
A troika está a chegar. Se o Governo português decidisse dizer que não a mais austeridade e a troika insistisse, o que é que se fazia — sair do euro?
Não é preciso fazer nada assim tão drástico, porque, provavelmente, acabariam com uma inflação alta e uma moeda muito desvalorizada. E Portugal ainda não exporta o suficiente. Uma coisa muito mais simples pode ser feita, que é não aplicar mais austeridade. Vejam o que aconteceu no segundo trimestre deste ano — a economia cresceu 0,7%. A Comissão Europeia ficou radiante com o resultado, mas por que é que isto aconteceu? Porque não aplicaram a austeridade. E não há problema com os mercados. A dívida tem estado a subir desde 2010 e as taxas de juro têm estado a descer desde 2011, porque o problema era o de saber se o banco central dava uma garantia e ela foi dada. A austeridade agora é não só inútil como contraproducente. Por isso, parem de a aplicar. Não estou a sugerir uma grande injecção de capital, que não vai acontecer, nem grandes investimentos em infra-estruturas, que já têm muito razoáveis. O que estou a dizer é: parem de se magoar a vós próprios, só isso.
E porque é que a troika haveria de nos querer magoar, vê alguma razão?
Em parte, por uma questão de reputação. É sempre muito difícil dizer: “Parece que nos enganámos.” O que eu esperava neste último ano era que houvesse um recuo progressivo em que toda a gente fingisse que nunca nada disto tinha acontecido, mas, afinal, a Alemanha insiste em que toda a gente deve ser como eles e tornar-se mais competitivo. Mas isso não vai resultar. Posso vir cá daqui a um ano e teremos exactamente a mesma conversa.
O Governo diz que as medidas que tem tomado poupam as pessoas com mais dificuldades. Julga que isso pode ser importante?
Podemos ser mais ou menos generosos com algumas pessoas, mas a verdade é que se está sempre a cortar alguém. Pode-se escolher cortar no pescoço ou apenas na cintura, mas é sempre um corte. E vejam-se as pessoas com rendimentos verdadeiramente elevados. Quanto é que dependem dos serviços públicos? Nada. A escola dos filhos pode ser privada, os hospitais também. Portanto, se se cortar, cortar, cortar nos serviços públicos, quem é afectado é quem tem rendimentos mais baixos. Esse argumento de que se está a poupar os pobres ignora o facto de serem eles quem mais depende do funcionamento do Estado.
Um dos argumentos usados pelos defensores da austeridade é o de que pode afectar o país no curto prazo, mas dá-lhe mais competitividade no longo prazo...
Mas a austeridade tem enormes efeitos negativos no longo prazo. Um cenário em que se entra em recessão, se aplica austeridade para começar tudo do zero e a economia depois arranca muito poucas vezes acontece. E, quando acontece, tem a ver com outras razões, como uma grande desvalorização da divisa ou com os parceiros comerciais estarem a crescer muito rapidamente. Mesmo na melhor versão da história, aquilo que é ignorado é o facto de as consequências sociais dessa crise profunda se prolongarem por um grande período de tempo. Por exemplo, depois da crise asiática, ocorreu uma escalada da contaminação pelo vírus VIH. Porquê? Porque muitas pessoas foram forçadas a prostituir-se. Os preços diminuíram, a segurança diminuiu e o contágio aumentou. E o efeito do desemprego de longo prazo nas famílias? Passa a haver mais divórcios que, por sua vez, conduzem a maior pobreza infantil. São tudo consequências que ainda se sentem vários anos depois da crise.
E o efeito de uma melhoria das expectativas, se as finanças públicas estiverem melhor?
O problema é que, quando se opta por fazer encolher o produto interno bruto (PIB), a mesma quantidade de dívida acaba por ter um peso superior na economia. Os modelos económicos dizem que isso não acontece, porque as pessoas mudaram as suas expectativas e, como agora estão à espera de impostos mais baixos daqui a dez anos, vão ao Ikea e compram um sofá. Isso pode funcionar nos modelos, mas não funciona no mundo real. Por isso, o que se faz quando se está a encolher a economia é a gerar um crescimento negativo da produtividade. Isso é algo realmente muito perigoso, porque se começa a perder as pessoas qualificadas através da emigração, perdendo também a futura base fiscal.
Podemos estar perante um cenário de estagnação prolongada?
Pode ser, mas não tem de ser. Olhe para as diferenças de crescimento dos EUA e da Europa nas últimas décadas. Elas acontecem por causa de políticas estúpidas na Europa, como as regras do Tratado de Maastricht. Parem com as políticas estúpidas e um cenário de estagnação prolongada já não acontece.
É difícil de acreditar que todos os líderes europeus optem por políticas estúpidas. São todos estúpidos?
Não são, mas investiram demasiado nisto. Não sei se acreditam realmente naquilo que dizem, mas todas as pessoas em Bruxelas, com excelentes salários, querem acreditar neste projecto. E adoram juntar-se e falar da próxima ronda de harmonização. Se faz sentido ou não, a verdade é que os excelentes empregos de uns quantos milhares de pessoas dependem disso e eles não vão sair sem dar luta. Em Bruxelas, assinala-se agora que se está a regressar ao crescimento... A Comissão tem anunciado o virar da esquina na crise praticamente em todos os trimestres. Mas qual foi o crescimento no último trimestre? Apenas 0,1%. Se isso é virar a esquina, então é virar a esquina contra um muro de tijolos.
Tem mais esperança em Mario Draghi e no BCE do que em Bruxelas?
Sim, muito mais. Mario Draghi percebe a situação e o BCE, como um todo, está a começar a perceber que a função de um banco central não é combater uma inflação que morreu em 1923. Não é contra a memória da hiperinflação alemã que temos de lutar. Na Europa, o perigo agora é a deflação. E a função de um banco central tem de ser a de ser credor de último recurso. Tem de fazer injecções de liquidez, salvar aquilo que tem de ser salvo e fechar aquilo que se pode fechar.
E o BCE pode funcionar contra as ideias do Bundesbank durante muito tempo?
Sim, tem de ser. De outro modo, a Europa fracassa. E Draghi percebe isso. Tem de haver uma mudança cultural, se não constitucional, fundamental no BCE.
O que está a ser feito não chega?
Não. Agora fala-se de taxas de juro dos depósitos negativas, para os bancos tirarem o dinheiro do BCE e emprestarem às famílias e às empresas. Mas a razão pela qual os bancos não emprestam é porque não há procura. E por isso é que é preciso que o BCE mude. Quando os mercados voltarem a duvidar da primeira promessa que foi feita por Draghi, já não vai ser possível voltar atrás. Não se pode dizer duas vezes: “Farei o que for preciso.” Ou se faz tudo o que for preciso, ou não. Draghi fez essa proposta, comprou bastante tempo, mas a situação ainda não mudou.
Portugal deve tentar uma reestruturação da sua dívida?
Claramente que sim, basicamente porque não vai conseguir pagá-la. Neste tema, têm-se colocado em primeiro plano questões de moral. “Quem deve, tem de pagar”, é o que se diz. Mas, de um ponto de vista económico, se há muito mais pessoas prejudicadas do que beneficiadas pelo facto de um Estado tentar pagar as suas dívidas, que tipo de resultado global em termos de bem-estar é que vamos ter? Uma atitude moralista muitas vezes não tem bons resultados económicos. Mas a moral é muito apelativa. Todas a gente gosta da ideia de que se tem de pagar as dívidas, desde que não seja a própria dívida.
Mas houve casos em que a austeridade funcionou...
É verdade. Mas aquilo a que chamamos austeridade actualmente na Europa o que é verdadeiramente é um pacto suicida entre todos. A austeridade na base é fazer consolidação orçamental e isso, por si só, não é negativo. Mas é preciso fazê-lo quando se está a crescer. E todos os casos de sucesso da austeridade que existem – Dinamarca, Austrália, Canadá, etc. – mostram isso. No Canadá, por exemplo, no final dos anos 1970. Decidiram cortar no orçamento com várias medidas de austeridade. Mas ao mesmo tempo o que é que fizeram? Desvalorizaram a divisa em 40%. Quase todas as exportações do Canadá vão para os Estados Unidos e, no início dos anos 1980, a economia norte-americana dispara e o dólar ainda se aprecia. As exportações do Canadá claro que cresceram imenso e eles usaram esse dinheiro para pagar dívida. Na Europa, os países não têm a sua própria divisa e exportam uns aos outros. É muito difícil exportar para quem também está a querer poupar. Esta austeridade na Europa é um verdadeiro pacto suicida.
Para Mark Blyth, autor de Austeridade – A História de Uma Ideia Perigosa, o argumento de que as políticas restritivas poupam os mais pobres ignora o facto de serem eles quem mais depende do Estado.
Uma ideia sedutora, mas inútil e contraproducente, que não está a resultar em Portugal, como não resultou no passado. É isso a austeridade para Mark Blyth, professor de Economia Política na Brown University e autor da obra Austeridade – A História de Uma Ideia Perigosa (Quetzal), que lhe deu projecção crítica internacional no meio da crise europeia. O seu retrato de Portugal, onde esteve em Lisboa na última sexta-feira para falar sobre o tema, é este: um país que tenta pagar a sua dívida para nada. Defende um novo modelo económico para o país. A dificuldade está em desenvolvê-lo sem autonomia monetária, nem orçamental. O que está a ser feito na Europa, com Mario Draghi à frente do BCE, não chega e é preciso que os líderes europeus o percebam, diz. Para Portugal, sugere uma renegociação da dívida. “Basicamente porque não vai conseguir pagá-la.”
Portugal voltou a crescer nos dois últimos trimestres e as taxas de juro da dívida estão mais baixas. Vê algum sinal de que a estratégia da troika está a resultar?
A Europa está num momento de viragem, por causa de Portugal! A economia estabilizou no terceiro trimestre, mas no trimestre seguinte pode cair outra vez… Todas as taxas de juro da dívida desceram. O maior problema é que não há nada a fazer com a dívida, porque ela continua a aumentar, a aumentar, a aumentar desde 2010. E desde 2011, as taxas de juro estão em queda. Porquê? O senhor [Jean-Claude] Trichet [ex-presidente do BCE] saiu de cena e o senhor [Mario] Draghi entrou em acção. Veio responder aos erros de Trichet no seu último ano de mandato. Então, porque é que as taxas de juro desceram? Porque agora temos um banco central que actua como um banco central.
As exportações estão a crescer, a ganhar quota de mercado. Não é um sinal de ajustamento?
O ciclo das exportações em alta e as importações em queda acontece porque Portugal está a importar menos, porque os salários estão a diminuir. Por definição, quando se importa menos, as exportações crescem mais. Vamos assumir que esse não era o caso: que as importações se mantinham [ao mesmo nível] e as exportações cresciam. Dir-se-ia que a resposta para zona euro é que todos os países precisam de exportar mais. Mas para onde? Para que alguém tenha um excedente de exportações, isso corresponde a um défice comercial [de outra geografia]. Consegue toda a economia global, no seu conjunto, ter um excedente? Isto é impossível de acontecer na zona euro. Como um todo, não consegue ter um excedente, mesmo se os alemães ditam as regras, estabelecendo um limite de 6% de excedente comercial e um défice orçamental de 3%.
Foi precisamente para estimular a economia que a Comissão Europeia fez a recomendação à Alemanha.
Exactamente. Se os países não puderem ter défices [mais altos], enquanto alguns conseguem obter excedentes, o único resultado possível é a destruição da equidade entre cidadãos e aumento do desemprego. Não é por haver uma inversão [pontual da conjuntura económica] que as coisas melhoram. Se um país tem um excedente permanente, algum país está condenado a ter um défice permanente. E mais desemprego permanente. Não acredito que a Comissão Europeia queira que isso aconteça.
E é possível que isso resulte? Se se colocar na pele de um alemão — o desemprego está baixo, as coisas aparentam estar a correr bem —, como convencer um alemão a mudar este modelo?
Se viver em Berlim, vou achar que as coisas estão bem, absolutamente… Os alemães pensam que está a resultar. Como realizaram reformas do mercado de trabalho, tomaram as medidas que melhor entenderam ser necessárias, por causa das reformas do mercado de trabalho, aumentaram as desigualdades na distribuição de rendimento. Há mais pessoas a trabalhar, mas muitos estão a fazê-lo recebendo salários mais baixos. Se olharmos para a despesa da Alemanha no sector da Saúde, não estão de todo a cortar no Estado social, estão a apoiar as famílias… Todos os países vão conseguir ter um excedente? Isso não funciona.
O modelo alemão é uma má resposta à crise?
Para a Alemanha, tem de funcionar. É o mesmo com a Suíça: nem todos podemos ser suíços. A Suíça funciona, porque eles ficam com o dinheiro que todos querem esconder. Se todos tentarmos ser a Suíça, claramente não vai resultar. Um país pode [querer] ser o próximo campeão das exportações, mas só pode haver um. É o mesmo argumento quando dizem que se tem de ser mais competitivo. Não há dúvida de que dez anos de crédito fácil vindos de excedentes do Norte para os bancos do Sul levaram à bolha imobiliária em Espanha. O maior problema de Portugal dos últimos 20 anos é a demografia e crescimento muito baixo. E agora têm um problema e precisam de uma resposta: o país precisa de um novo modelo económico. Mas não é Bruxelas quem deve decidir, é algo que cabe aos portugueses decidir. Os políticos europeus usam a palavra “competitividade” da mesma forma que os americanos falam em “liberdade”. Mas o que é que a competitividade significa, na verdade? Porque se a competitividade significa simplesmente cortar nos salários, as pessoas que estão a fazer sacrifícios agora vão ficar mais pobres e os seus filhos também. “Mas não se preocupem, salvámos os bancos.”
A Irlanda é tida como um país que está numa posição melhor do que Portugal. Qual é a diferença — ou ela não existe?
Depois do resgate, voltaram a aumentar as desigualdades na distribuição da riqueza, é um país com uma taxa de desemprego de 12%, o crescimento é fraco… Se é o regresso aos mercados que avalia o êxito do resgate, qualquer um consegue voltar aos mercados, porque o BCE está lá como garantia. Todos estes resultados, por causa da recessão, por causa de nada se fazer, aumentaram a dimensão da crise, é o que vemos acontecer por toda a Europa. “Alguém tem de pagar por isto.” Mas vamos pensar: quem tem mais dinheiro nestes bancos? As pessoas que investiram em activos, em investimentos imobiliários, em sistemas privados de pensões. Conseguiram proteger os seus investimentos com os resgates. E agora dizem: “Ah, temos de ser austeros.” O que é que isso significa mesmo? Que quem vai pagar são as próximas gerações.
O Governo português usa esse argumento ao contrário, dizendo que não podemos hipotecar o futuro das próximas gerações. E esgrime o mesmo argumento em relação às novas regras do mercado de trabalho.
As pessoas vão pagar por isso. Portugal é uma pequena economia, com altos níveis de pobreza, baixos níveis de qualificação, baixa produtividade, que tenta pagar a dívida para nada.
Continuamos a ter um problema com os bancos na Europa. Que política devemos aplicar?
Temos uma economia de cerca de 15 biliões [milhões de milhões] de euros. Temos um sector bancário que comprou activos, incluindo títulos espanhóis, dívida pública grega e outro tipo de activos, de cerca de 45 biliões de euros. Quem é a maior economia? A Alemanha, com mais de quatro biliões. A solução passa pela mutualização e pelo perdão das dívidas. Não nos podemos esquecer que, em 1953, a economia alemã estava de rastos e com o desemprego em alta, e o milagre económico alemão veio com o perdão da dívida em 1953 na Conferência de Londres. É o que se faz quando as economias têm uma dívida, mas os alemães esqueceram-se disso. Acha honestamente que os gregos conseguem pagar a sua dívida? [O caso de] Portugal é exactamente a mesma coisa. Ter um banco na Europa significa lidar com os problemas dos bancos. Pode haver uma mutualização, euro-obrigações, mas para isso é preciso uma liderança. Antes das eleições na Alemanha, qual era a expectativa na Europa? Toda a gente sabia que a estratégia estava bloqueada e que isso tinha a ver com a reeleição de Angela Merkel e que haveria uma mudança de política. Alguém viu a mudança de política [no acordo da “grande coligação” entre a CDU e o SPD]?
Não se vê uma mudança na forma como os líderes europeus olham para a austeridade. Quando é que poderemos esperar uma mudança?
As coisas mudam, mesmo que estejamos mortos. Mas espero que isso aconteça antes de morrermos… As pessoas mais velhas estão a ficar mais pobres, enquanto se corta no Estado social e se fazem reformas no mercado de trabalho para empregos que não existem.
Não vê um projecto para Portugal?
Não vejo agora, mas é difícil ter um projecto económico quando não se tem uma moeda própria. Sem autonomia monetária não se tem uma verdadeira autonomia orçamental.
A troika está a chegar. Se o Governo português decidisse dizer que não a mais austeridade e a troika insistisse, o que é que se fazia — sair do euro?
Não é preciso fazer nada assim tão drástico, porque, provavelmente, acabariam com uma inflação alta e uma moeda muito desvalorizada. E Portugal ainda não exporta o suficiente. Uma coisa muito mais simples pode ser feita, que é não aplicar mais austeridade. Vejam o que aconteceu no segundo trimestre deste ano — a economia cresceu 0,7%. A Comissão Europeia ficou radiante com o resultado, mas por que é que isto aconteceu? Porque não aplicaram a austeridade. E não há problema com os mercados. A dívida tem estado a subir desde 2010 e as taxas de juro têm estado a descer desde 2011, porque o problema era o de saber se o banco central dava uma garantia e ela foi dada. A austeridade agora é não só inútil como contraproducente. Por isso, parem de a aplicar. Não estou a sugerir uma grande injecção de capital, que não vai acontecer, nem grandes investimentos em infra-estruturas, que já têm muito razoáveis. O que estou a dizer é: parem de se magoar a vós próprios, só isso.
E porque é que a troika haveria de nos querer magoar, vê alguma razão?
Em parte, por uma questão de reputação. É sempre muito difícil dizer: “Parece que nos enganámos.” O que eu esperava neste último ano era que houvesse um recuo progressivo em que toda a gente fingisse que nunca nada disto tinha acontecido, mas, afinal, a Alemanha insiste em que toda a gente deve ser como eles e tornar-se mais competitivo. Mas isso não vai resultar. Posso vir cá daqui a um ano e teremos exactamente a mesma conversa.
O Governo diz que as medidas que tem tomado poupam as pessoas com mais dificuldades. Julga que isso pode ser importante?
Podemos ser mais ou menos generosos com algumas pessoas, mas a verdade é que se está sempre a cortar alguém. Pode-se escolher cortar no pescoço ou apenas na cintura, mas é sempre um corte. E vejam-se as pessoas com rendimentos verdadeiramente elevados. Quanto é que dependem dos serviços públicos? Nada. A escola dos filhos pode ser privada, os hospitais também. Portanto, se se cortar, cortar, cortar nos serviços públicos, quem é afectado é quem tem rendimentos mais baixos. Esse argumento de que se está a poupar os pobres ignora o facto de serem eles quem mais depende do funcionamento do Estado.
Um dos argumentos usados pelos defensores da austeridade é o de que pode afectar o país no curto prazo, mas dá-lhe mais competitividade no longo prazo...
Mas a austeridade tem enormes efeitos negativos no longo prazo. Um cenário em que se entra em recessão, se aplica austeridade para começar tudo do zero e a economia depois arranca muito poucas vezes acontece. E, quando acontece, tem a ver com outras razões, como uma grande desvalorização da divisa ou com os parceiros comerciais estarem a crescer muito rapidamente. Mesmo na melhor versão da história, aquilo que é ignorado é o facto de as consequências sociais dessa crise profunda se prolongarem por um grande período de tempo. Por exemplo, depois da crise asiática, ocorreu uma escalada da contaminação pelo vírus VIH. Porquê? Porque muitas pessoas foram forçadas a prostituir-se. Os preços diminuíram, a segurança diminuiu e o contágio aumentou. E o efeito do desemprego de longo prazo nas famílias? Passa a haver mais divórcios que, por sua vez, conduzem a maior pobreza infantil. São tudo consequências que ainda se sentem vários anos depois da crise.
E o efeito de uma melhoria das expectativas, se as finanças públicas estiverem melhor?
O problema é que, quando se opta por fazer encolher o produto interno bruto (PIB), a mesma quantidade de dívida acaba por ter um peso superior na economia. Os modelos económicos dizem que isso não acontece, porque as pessoas mudaram as suas expectativas e, como agora estão à espera de impostos mais baixos daqui a dez anos, vão ao Ikea e compram um sofá. Isso pode funcionar nos modelos, mas não funciona no mundo real. Por isso, o que se faz quando se está a encolher a economia é a gerar um crescimento negativo da produtividade. Isso é algo realmente muito perigoso, porque se começa a perder as pessoas qualificadas através da emigração, perdendo também a futura base fiscal.
Podemos estar perante um cenário de estagnação prolongada?
Pode ser, mas não tem de ser. Olhe para as diferenças de crescimento dos EUA e da Europa nas últimas décadas. Elas acontecem por causa de políticas estúpidas na Europa, como as regras do Tratado de Maastricht. Parem com as políticas estúpidas e um cenário de estagnação prolongada já não acontece.
É difícil de acreditar que todos os líderes europeus optem por políticas estúpidas. São todos estúpidos?
Não são, mas investiram demasiado nisto. Não sei se acreditam realmente naquilo que dizem, mas todas as pessoas em Bruxelas, com excelentes salários, querem acreditar neste projecto. E adoram juntar-se e falar da próxima ronda de harmonização. Se faz sentido ou não, a verdade é que os excelentes empregos de uns quantos milhares de pessoas dependem disso e eles não vão sair sem dar luta. Em Bruxelas, assinala-se agora que se está a regressar ao crescimento... A Comissão tem anunciado o virar da esquina na crise praticamente em todos os trimestres. Mas qual foi o crescimento no último trimestre? Apenas 0,1%. Se isso é virar a esquina, então é virar a esquina contra um muro de tijolos.
Tem mais esperança em Mario Draghi e no BCE do que em Bruxelas?
Sim, muito mais. Mario Draghi percebe a situação e o BCE, como um todo, está a começar a perceber que a função de um banco central não é combater uma inflação que morreu em 1923. Não é contra a memória da hiperinflação alemã que temos de lutar. Na Europa, o perigo agora é a deflação. E a função de um banco central tem de ser a de ser credor de último recurso. Tem de fazer injecções de liquidez, salvar aquilo que tem de ser salvo e fechar aquilo que se pode fechar.
E o BCE pode funcionar contra as ideias do Bundesbank durante muito tempo?
Sim, tem de ser. De outro modo, a Europa fracassa. E Draghi percebe isso. Tem de haver uma mudança cultural, se não constitucional, fundamental no BCE.
O que está a ser feito não chega?
Não. Agora fala-se de taxas de juro dos depósitos negativas, para os bancos tirarem o dinheiro do BCE e emprestarem às famílias e às empresas. Mas a razão pela qual os bancos não emprestam é porque não há procura. E por isso é que é preciso que o BCE mude. Quando os mercados voltarem a duvidar da primeira promessa que foi feita por Draghi, já não vai ser possível voltar atrás. Não se pode dizer duas vezes: “Farei o que for preciso.” Ou se faz tudo o que for preciso, ou não. Draghi fez essa proposta, comprou bastante tempo, mas a situação ainda não mudou.
Portugal deve tentar uma reestruturação da sua dívida?
Claramente que sim, basicamente porque não vai conseguir pagá-la. Neste tema, têm-se colocado em primeiro plano questões de moral. “Quem deve, tem de pagar”, é o que se diz. Mas, de um ponto de vista económico, se há muito mais pessoas prejudicadas do que beneficiadas pelo facto de um Estado tentar pagar as suas dívidas, que tipo de resultado global em termos de bem-estar é que vamos ter? Uma atitude moralista muitas vezes não tem bons resultados económicos. Mas a moral é muito apelativa. Todas a gente gosta da ideia de que se tem de pagar as dívidas, desde que não seja a própria dívida.
Mas houve casos em que a austeridade funcionou...
É verdade. Mas aquilo a que chamamos austeridade actualmente na Europa o que é verdadeiramente é um pacto suicida entre todos. A austeridade na base é fazer consolidação orçamental e isso, por si só, não é negativo. Mas é preciso fazê-lo quando se está a crescer. E todos os casos de sucesso da austeridade que existem – Dinamarca, Austrália, Canadá, etc. – mostram isso. No Canadá, por exemplo, no final dos anos 1970. Decidiram cortar no orçamento com várias medidas de austeridade. Mas ao mesmo tempo o que é que fizeram? Desvalorizaram a divisa em 40%. Quase todas as exportações do Canadá vão para os Estados Unidos e, no início dos anos 1980, a economia norte-americana dispara e o dólar ainda se aprecia. As exportações do Canadá claro que cresceram imenso e eles usaram esse dinheiro para pagar dívida. Na Europa, os países não têm a sua própria divisa e exportam uns aos outros. É muito difícil exportar para quem também está a querer poupar. Esta austeridade na Europa é um verdadeiro pacto suicida.
"É dever de todos encontrar soluções que afastem a violência"
Por Rita Tavares, in iOnline
José de Faria Costa avança que o número de queixosos aumentou nos últimos tempos, resultado da crise
É a primeira entrevista que dá à imprensa e a segunda desde que assumiu o cargo de provedor de justiça, em Julho. José de Faria Costa mede cada uma das palavras. Afastando-se a todo o custo das questões de política partidária, chega até a preferir responder enquanto académico (é professor catedrático de Direito de Coimbra). Diz que só enviará o Orçamento do Estado para o Constitucional "em última instância" e prefere valorizar os poderes que tem sobre o quotidiano dos cidadãos. Não entra no discurso de violência crescente, mas também avisa que evitá-la está nas mãos das instituições. Admite que a provedoria está a trabalhar numa "situação-limite", o que também vê num país em crise onde o número de queixosos aumentou nos últimos tempos, confessa o provedor.
José de Faria Costa avança que o número de queixosos aumentou nos últimos tempos, resultado da crise
É a primeira entrevista que dá à imprensa e a segunda desde que assumiu o cargo de provedor de justiça, em Julho. José de Faria Costa mede cada uma das palavras. Afastando-se a todo o custo das questões de política partidária, chega até a preferir responder enquanto académico (é professor catedrático de Direito de Coimbra). Diz que só enviará o Orçamento do Estado para o Constitucional "em última instância" e prefere valorizar os poderes que tem sobre o quotidiano dos cidadãos. Não entra no discurso de violência crescente, mas também avisa que evitá-la está nas mãos das instituições. Admite que a provedoria está a trabalhar numa "situação-limite", o que também vê num país em crise onde o número de queixosos aumentou nos últimos tempos, confessa o provedor.
Aquecer a casa. Soluções variam entre 21 e 193 euros anuais
Por Sónia Peres Pinto, in iOnline
O aparelho de ar condicionado é considerado o mais económico em consumo de luz mas conte com a aquisição
O consumo energético dispara com a chegada do Inverno e automaticamente aumenta a factura da electricidade. O recurso a soluções de aquecimento entra na rotina da maioria dos portugueses e as ofertas disponíveis no mercado são as mais variadas e apresentam custos diferentes. Podem oscilar entre os 21 e os 193 euros por ano, de acordo com a ronda feita pela Associação de Defesa do Consumidor (Deco).
A verdade é que escolher o aparelho ideal e saber usá-lo com eficácia permite poupar na factura da luz. Um factor que ganha cada vez mais importância tendo em conta que os orçamentos familiares estão cada vez mais asfixiados. Mas nem sempre é fácil saber qual é o sistema que fica mais económico. "Os aparelhos de ar condicionado do tipo inverter são, sem dúvida, o sistema de eleição: além de poupados e eficientes, proporcionam um grande conforto térmico, quer de Inverno, quer de Verão", salienta a Deco.
Mas, em contrapartida, os custos de instalação desta solução podem não estar ao alcance de todos. "Com a escassez de capital que actualmente atinge a população portuguesa, há outras armas a considerar nesta batalha", salienta a associação. Por isso mesmo, os aquecimentos portáteis ganham grande importância. Para quem considera que esta é a melhor modalidade, a associação aconselha o termoventilador porque apresenta um consumo menor (ver dicas ao lado).
De fora das escolhas da entidade ficam os radiadores a óleo e os aparelhos de halogéneo. "Ambos demoram a aquecer e não permitem uma regulação adequada da temperatura", acrescentando ainda que, no caso dos primeiros aparelhos, "a potência real de funcionamento dos modelos testados está longe da anunciada pelo fabricante. Estes modelos indicam ser de 2000 W, mas durante a maior parte do tempo não conseguiram trabalhar a mais de 700 a 1000 W, mesmo quando programados para funcionar no máximo".
A verdade é que há medidas que pode tomar e apresentam custo zero. "É muito comum ocorrer um sobreaquecimento inútil da divisão. Evite deixá-los a funcionar durante longos períodos sem controlo. Caso sinta que a temperatura começa a ser excessiva, desligue o modelo ou reduza a regulação do termóstato de modo a que o aparelho pare ou se desligue", aconselha a entidade.
Não se esqueça que, a par da zona do país, também a área da casa e o tipo de construção influenciam a decisão. Por exemplo, Guarda é a cidade onde mais rapidamente compensa investir numa caldeira de condensação, mas tem de esperar 11 anos pelo retorno do investimento, enquanto em Lisboa e no Porto há o risco de isso nunca acontecer. Já as caldeiras murais a gás (convencionais ou de condensação) também nem sempre compensam. É necessário fazer muito bem as contas.
O aparelho de ar condicionado é considerado o mais económico em consumo de luz mas conte com a aquisição
O consumo energético dispara com a chegada do Inverno e automaticamente aumenta a factura da electricidade. O recurso a soluções de aquecimento entra na rotina da maioria dos portugueses e as ofertas disponíveis no mercado são as mais variadas e apresentam custos diferentes. Podem oscilar entre os 21 e os 193 euros por ano, de acordo com a ronda feita pela Associação de Defesa do Consumidor (Deco).
A verdade é que escolher o aparelho ideal e saber usá-lo com eficácia permite poupar na factura da luz. Um factor que ganha cada vez mais importância tendo em conta que os orçamentos familiares estão cada vez mais asfixiados. Mas nem sempre é fácil saber qual é o sistema que fica mais económico. "Os aparelhos de ar condicionado do tipo inverter são, sem dúvida, o sistema de eleição: além de poupados e eficientes, proporcionam um grande conforto térmico, quer de Inverno, quer de Verão", salienta a Deco.
Mas, em contrapartida, os custos de instalação desta solução podem não estar ao alcance de todos. "Com a escassez de capital que actualmente atinge a população portuguesa, há outras armas a considerar nesta batalha", salienta a associação. Por isso mesmo, os aquecimentos portáteis ganham grande importância. Para quem considera que esta é a melhor modalidade, a associação aconselha o termoventilador porque apresenta um consumo menor (ver dicas ao lado).
De fora das escolhas da entidade ficam os radiadores a óleo e os aparelhos de halogéneo. "Ambos demoram a aquecer e não permitem uma regulação adequada da temperatura", acrescentando ainda que, no caso dos primeiros aparelhos, "a potência real de funcionamento dos modelos testados está longe da anunciada pelo fabricante. Estes modelos indicam ser de 2000 W, mas durante a maior parte do tempo não conseguiram trabalhar a mais de 700 a 1000 W, mesmo quando programados para funcionar no máximo".
A verdade é que há medidas que pode tomar e apresentam custo zero. "É muito comum ocorrer um sobreaquecimento inútil da divisão. Evite deixá-los a funcionar durante longos períodos sem controlo. Caso sinta que a temperatura começa a ser excessiva, desligue o modelo ou reduza a regulação do termóstato de modo a que o aparelho pare ou se desligue", aconselha a entidade.
Não se esqueça que, a par da zona do país, também a área da casa e o tipo de construção influenciam a decisão. Por exemplo, Guarda é a cidade onde mais rapidamente compensa investir numa caldeira de condensação, mas tem de esperar 11 anos pelo retorno do investimento, enquanto em Lisboa e no Porto há o risco de isso nunca acontecer. Já as caldeiras murais a gás (convencionais ou de condensação) também nem sempre compensam. É necessário fazer muito bem as contas.
Portugal é o único país a sair do ajustamento com menos população
Por Ana Tomás, in iOnlinei>
A emigração e a quebra no número de nascimentos, nestes últimos anos, são dois dos factores que mais contribuem para a diminuição da população no território nacional
Portugal é o único país sob intervenção da troika que vai sair do programa de ajustamento com menos população, face ao número de residentes que tinha quando pediu ajuda financeira.
De acordo com o jornal “Público”, que cita as previsões da Comissão Europeia (CE), entre os países que tiveram intervenção do FMI e da União Europeia (BCE e CE), Portugal é o único a apresentar uma redução da sua população residente entre o início da crise financeira internacional e 2015, ano em que se prevê que a Europa entre em retoma. Segundo Bruxelas, essa diminuição será de 1,3%, cerca de 130 mil pessoas.
A emigração e a quebra no número de nascimentos, nestes últimos anos, são dois dos factores que mais contribuem para a diminuição da população no território nacional.
Na zona euro, só a Letónia e a Estónia acompanham Portugal, nesta tendência demográfica. Alargando o leque de países para todo o espaço comunitário também os países de leste (Bulgária, Croácia, Lituânia, Hungria e Roménia) reflectem uma redução da sua população.
A emigração e a quebra no número de nascimentos, nestes últimos anos, são dois dos factores que mais contribuem para a diminuição da população no território nacional
Portugal é o único país sob intervenção da troika que vai sair do programa de ajustamento com menos população, face ao número de residentes que tinha quando pediu ajuda financeira.
De acordo com o jornal “Público”, que cita as previsões da Comissão Europeia (CE), entre os países que tiveram intervenção do FMI e da União Europeia (BCE e CE), Portugal é o único a apresentar uma redução da sua população residente entre o início da crise financeira internacional e 2015, ano em que se prevê que a Europa entre em retoma. Segundo Bruxelas, essa diminuição será de 1,3%, cerca de 130 mil pessoas.
A emigração e a quebra no número de nascimentos, nestes últimos anos, são dois dos factores que mais contribuem para a diminuição da população no território nacional.
Na zona euro, só a Letónia e a Estónia acompanham Portugal, nesta tendência demográfica. Alargando o leque de países para todo o espaço comunitário também os países de leste (Bulgária, Croácia, Lituânia, Hungria e Roménia) reflectem uma redução da sua população.
Ciganos em Portugal querem ser incluídos na sociedade, mas sem sacrificar a sua cultura - apelo lançado no 40º Encontro Nacional da Pastoral dos Ciganos.
in Rádio Vaticano
A Igreja em Portugal pede uma atitude de respeito pelos valores das comunidades ciganas através da sua participação nas estruturas, iniciativas e programas de inclusão.
O apelo foi lançado no 40º Encontro Nacional da Pastoral dos Ciganos que teve lugar em Alfragide, junto a Lisboa.
Um encontro que alertou para a necessidade de melhorar as condições de vida dos ciganos e para uma maior integração desta etnia na pastoral da igreja.
A Igreja em Portugal pede uma atitude de respeito pelos valores das comunidades ciganas através da sua participação nas estruturas, iniciativas e programas de inclusão.
O apelo foi lançado no 40º Encontro Nacional da Pastoral dos Ciganos que teve lugar em Alfragide, junto a Lisboa.
Um encontro que alertou para a necessidade de melhorar as condições de vida dos ciganos e para uma maior integração desta etnia na pastoral da igreja.
Aos abraços da Catarina
Texto de Marta Couto, in Público on-line (P3)
Catarina tem 26 anos e um mundo de sonhos pela frente. O cabelo acima dos ombros e aquela certeza nos olhos tornam-na numa das meninas mais bonitas que já vi. A Catarina também tem Síndrome de Down mas isso diz-se numa frase
A Catarina tem o cabelo acima dos ombros e os olhos carregados de vida. Enfrenta o mundo com a doçura e a determinação de quem quer muito ir para lá dos poros da felicidade. Isto é tão raro, sobretudo na era dos descrentes no sorriso, que folgo em saber que aquele olhar quer dizer que o mundo é um berlinde para o tamanho dos sonhos que ela carrega.
Passei uma tarde com ela e — uma mão de horas depois de nos conhecermos — a Catarina assaltava-me o pescoço com a certeza de que nunca mais havíamos de deixar de dar abraços. É tão rara — também — esta entrega que percebi que, quando falamos de empatia, sobretudo entre pessoas que se separam por dois míseros anos de idade, não há abraço roubado que nos faça estranhar.
A dança — ou a forma mais física da felicidade a querer romper para lá dos poros — é uma paixão que a Catarina desenha com raridade. Tem ritmo, uma noção gigante do tempo na música e vê-se sozinha — com ela e com o corpo dela — naquele isolamento gostoso que só toca aqueles que se entregam ao que realmente gostam de fazer.
Quando conheci a Catarina, ela confessou-me baixinho — à medida que eu guardava a sorte de me sentir confidente — que estava apaixonada e que tinha um sonho muito grande: casar e ter filhos. Hoje, aquele príncipe deixou de ser o cavaleiro dela mas não duvido que o sonho continue lá. A julgar pela determinação nos olhos dela, ali não se apagam sonhos com uma borracha.
Um dia, fui vê-la interpretar uma personagem no musical “Jesus Cristo Superstar”, no cinema São Jorge. Não coube em mim de orgulho no talento para o teatro e na forma como se deixou, outra vez, dançar em cima de um palco, desinibida de pequenos, médios ou grandes públicos.
A natação, o teatro e a dança enchem-lhe o coração de prazer mas ainda tem a vontade dos pouco acomodados: não consegue estar parada. Levanta-se, disponível, para tudo o que se permite fazer.
No dia em que em conheci a Catarina, na despedida, ela voltou a assaltar-me o pescoço. Nunca me pareceu tão sentido o abraço de uma — até ali — desconhecida. A julgar por aquele aperto, não havia ali senão muito amor para dar. O príncipe dela há-de ser um sortudo por poder assaltado no pescoço todos os dias da vida deles.
A Catarina tem 26 anos e um mundo de sonhos pela frente. O cabelo acima dos ombros e aquela certeza nos olhos tornam-na numa das meninas mais bonitas que já vi. A Catarina também tem Síndrome de Down mas isso diz-se numa frase. A frase tem doze palavras e não tenho ideia do que possa vir a acrescentar de muito substancial ao que já vos contei sobre ela. A frase já acabou, já veio outra a seguir e acho que perceberam que a Trissomia 21 é apenas mais uma das características da Catarina. O resto das características — ou aquilo que se chama de carácter — diz-se em muitos parágrafos e numa data de frases. O resto não se contabiliza em palavras.
Catarina tem 26 anos e um mundo de sonhos pela frente. O cabelo acima dos ombros e aquela certeza nos olhos tornam-na numa das meninas mais bonitas que já vi. A Catarina também tem Síndrome de Down mas isso diz-se numa frase
A Catarina tem o cabelo acima dos ombros e os olhos carregados de vida. Enfrenta o mundo com a doçura e a determinação de quem quer muito ir para lá dos poros da felicidade. Isto é tão raro, sobretudo na era dos descrentes no sorriso, que folgo em saber que aquele olhar quer dizer que o mundo é um berlinde para o tamanho dos sonhos que ela carrega.
Passei uma tarde com ela e — uma mão de horas depois de nos conhecermos — a Catarina assaltava-me o pescoço com a certeza de que nunca mais havíamos de deixar de dar abraços. É tão rara — também — esta entrega que percebi que, quando falamos de empatia, sobretudo entre pessoas que se separam por dois míseros anos de idade, não há abraço roubado que nos faça estranhar.
A dança — ou a forma mais física da felicidade a querer romper para lá dos poros — é uma paixão que a Catarina desenha com raridade. Tem ritmo, uma noção gigante do tempo na música e vê-se sozinha — com ela e com o corpo dela — naquele isolamento gostoso que só toca aqueles que se entregam ao que realmente gostam de fazer.
Quando conheci a Catarina, ela confessou-me baixinho — à medida que eu guardava a sorte de me sentir confidente — que estava apaixonada e que tinha um sonho muito grande: casar e ter filhos. Hoje, aquele príncipe deixou de ser o cavaleiro dela mas não duvido que o sonho continue lá. A julgar pela determinação nos olhos dela, ali não se apagam sonhos com uma borracha.
Um dia, fui vê-la interpretar uma personagem no musical “Jesus Cristo Superstar”, no cinema São Jorge. Não coube em mim de orgulho no talento para o teatro e na forma como se deixou, outra vez, dançar em cima de um palco, desinibida de pequenos, médios ou grandes públicos.
A natação, o teatro e a dança enchem-lhe o coração de prazer mas ainda tem a vontade dos pouco acomodados: não consegue estar parada. Levanta-se, disponível, para tudo o que se permite fazer.
No dia em que em conheci a Catarina, na despedida, ela voltou a assaltar-me o pescoço. Nunca me pareceu tão sentido o abraço de uma — até ali — desconhecida. A julgar por aquele aperto, não havia ali senão muito amor para dar. O príncipe dela há-de ser um sortudo por poder assaltado no pescoço todos os dias da vida deles.
A Catarina tem 26 anos e um mundo de sonhos pela frente. O cabelo acima dos ombros e aquela certeza nos olhos tornam-na numa das meninas mais bonitas que já vi. A Catarina também tem Síndrome de Down mas isso diz-se numa frase. A frase tem doze palavras e não tenho ideia do que possa vir a acrescentar de muito substancial ao que já vos contei sobre ela. A frase já acabou, já veio outra a seguir e acho que perceberam que a Trissomia 21 é apenas mais uma das características da Catarina. O resto das características — ou aquilo que se chama de carácter — diz-se em muitos parágrafos e numa data de frases. O resto não se contabiliza em palavras.
PME nacionais empregaram 2,4 milhões de pessoas em 2012
Por Margarida Bon de Sousa, in iOnline
Empresas com menos de 249 trabalhadores produziram cerca de 50 mil milhões de euros em valor acrescentado para a economia portuguesa
Apesar da crise, as PME nacionais continuam a desempenhar um papel de relevo em Portugal. Em 2012, as mais de 810 mil empresas desta dimensão do sector empresarial privado nacional empregaram cerca de 2,4 milhões de trabalhadores e produziram perto de 50 mil milhões de euros em valor acrescentado para a economia. No total, representam 99,9% de todas as empresas portuguesas e são responsáveis por 68,4% do valor acrescentado em termos económicos e 78,6% do emprego no sector privado não financeiro. Os dados são da Comissão Europeia, que anualmente analisa o progresso deste tipo de companhias nos 28 estados-membros.
Recuperação da crise A recessão profunda do país desde 2008 teve e ainda tem graves repercussões no tecido empresarial nacional, quer entre as maiores quer nas micro. Os sectores da construção e do imobiliário foram os mais atingidos pela crise e, mesmo com os primeiros sinais de recuperação, a previsão para o futuro deixa apenas espaço para um optimismo cauteloso, sobretudo porque a recuperação para os níveis pré-crise ainda não é perceptível.
Ambiente de negócios Pese o facto de continuarem a enfrentar dificuldades económicas de peso, a UE considera que as PME nacionais têm vindo a beneficiar de uma série de mudanças políticas positivas, tais como melhores condições de enquadramento e programas de apoio ao empreendedorismo, apoio financeiro para os empresários e melhorias na legislação sobre insolvências.
A transposição da lei comunitária para o direito nacional e a sua aplicação também foram elogiados por Bruxelas, que afirma que este processo é comparativamente mais rápido em Portugal do que noutros países da UE.
Não obstante, alerta a Comissão, o desempenho de Portugal neste campo só será reforçado se houver melhorias significativas no acesso ao crédito, a auxílios estatais e contratos públicos, áreas em que o país ainda fica aquém da média europeia por uma margem considerável.
Micro criam mais emprego No conjunto da UE, as pequenas e médias empresas com 10 a 249 colaboradores continuam a ser o principal motor da economia. São elas que criam mais emprego, cerca de 50% do total dos postos de trabalho, e que mais contribuem para o crescimento económico da Europa. Em 2011, e exceptuando a área financeira, das 22 milhões de empresas da UE a 28 registadas, a esmagadora maioria das empresas eram micro (93%), respondendo por 30% do emprego e 17% do volume de negócios. A percentagem mais elevada de PME ocorre na Alemanha (18% das empresas), na Roménia e no Luxemburgo (ambos com 13%) e na Áustria (12%). No lado oposto estão a República Checa e a Eslováquia (ambas com 4 %).
Empresas com menos de 249 trabalhadores produziram cerca de 50 mil milhões de euros em valor acrescentado para a economia portuguesa
Apesar da crise, as PME nacionais continuam a desempenhar um papel de relevo em Portugal. Em 2012, as mais de 810 mil empresas desta dimensão do sector empresarial privado nacional empregaram cerca de 2,4 milhões de trabalhadores e produziram perto de 50 mil milhões de euros em valor acrescentado para a economia. No total, representam 99,9% de todas as empresas portuguesas e são responsáveis por 68,4% do valor acrescentado em termos económicos e 78,6% do emprego no sector privado não financeiro. Os dados são da Comissão Europeia, que anualmente analisa o progresso deste tipo de companhias nos 28 estados-membros.
Recuperação da crise A recessão profunda do país desde 2008 teve e ainda tem graves repercussões no tecido empresarial nacional, quer entre as maiores quer nas micro. Os sectores da construção e do imobiliário foram os mais atingidos pela crise e, mesmo com os primeiros sinais de recuperação, a previsão para o futuro deixa apenas espaço para um optimismo cauteloso, sobretudo porque a recuperação para os níveis pré-crise ainda não é perceptível.
Ambiente de negócios Pese o facto de continuarem a enfrentar dificuldades económicas de peso, a UE considera que as PME nacionais têm vindo a beneficiar de uma série de mudanças políticas positivas, tais como melhores condições de enquadramento e programas de apoio ao empreendedorismo, apoio financeiro para os empresários e melhorias na legislação sobre insolvências.
A transposição da lei comunitária para o direito nacional e a sua aplicação também foram elogiados por Bruxelas, que afirma que este processo é comparativamente mais rápido em Portugal do que noutros países da UE.
Não obstante, alerta a Comissão, o desempenho de Portugal neste campo só será reforçado se houver melhorias significativas no acesso ao crédito, a auxílios estatais e contratos públicos, áreas em que o país ainda fica aquém da média europeia por uma margem considerável.
Micro criam mais emprego No conjunto da UE, as pequenas e médias empresas com 10 a 249 colaboradores continuam a ser o principal motor da economia. São elas que criam mais emprego, cerca de 50% do total dos postos de trabalho, e que mais contribuem para o crescimento económico da Europa. Em 2011, e exceptuando a área financeira, das 22 milhões de empresas da UE a 28 registadas, a esmagadora maioria das empresas eram micro (93%), respondendo por 30% do emprego e 17% do volume de negócios. A percentagem mais elevada de PME ocorre na Alemanha (18% das empresas), na Roménia e no Luxemburgo (ambos com 13%) e na Áustria (12%). No lado oposto estão a República Checa e a Eslováquia (ambas com 4 %).
OCDE adverte para importância do contexto socioeconómico no sistema de ensino
in iOnline
Os técnicos da OCDE incluem Portugal entre os países onde o desafio é maior, juntamente com a Turquia, o Brasil, o México, o Chile, a Hungria, a Eslováquia, a Polónia e a República Checa
A Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE) advertiu hoje para o impacto do contexto socioeconómico no desempenho dos alunos, incluindo Portugal entre os países que enfrentam maiores desafios.
“Entre os países da OCDE, Turquia e México, onde 69% e 56% dos estudantes, respetivamente, pertencem ao grupo mais desfavorecido, e Portugal, Chile, Hungria e Espanha, onde mais de 20% dos estudantes pertencem a este grupo, enfrentam muito maiores desafios do que, por exemplo, Islândia, Noruega, Finlândia e Dinamarca, onde menos de cinco por cento os alunos são prejudicados”, afirma a organização no relatório do Programa Internacional de Avaliação de Alunos (PISA).
A heterogeneidade socioeconómica nas populações estudantis representa um grande desafio para os professores e os sistemas de ensino, segundo a OCDE.
Ao examinar os resultados de diferentes países no contexto socioeconómico, os técnicos da OCDE incluem Portugal entre os países onde o desafio é maior, juntamente com a Turquia, o Brasil, o México, o Chile, a Hungria, a Eslováquia, a Polónia e a República Checa.
Luxemburgo, Noruega, Japão, Finlândia, Islândia e Dinamarca, Irlanda e Estados Unidos são aqueles que apresentam contextos demográficos, sociais e económicos mais favorecidos.
O Programa Internacional de Avaliação de Alunos (PISA) analisa em que medida os alunos perto do final da escolaridade obrigatória têm adquirido alguns dos conhecimentos e habilitações que são essenciais para a plena participação na sociedade moderna, especialmente em matemática, leitura e ciência.
No relatório lembra que os professores que ensinam alunos de contextos mais desfavorecidos enfrentam desafios maiores do que aqueles que trabalham em meios mais favorecidos.
“Da mesma forma, os países com maiores proporções de crianças desfavorecidas enfrentam desafios maiores do que os países com menores proporções destes estudantes”, lê-se no documento, que continua a situar Portugal abaixo da média da OCDE nas competências demonstradas pelos alunos em matemática, leitura e ciência.
Entre os países com dados disponíveis, Luxemburgo, Noruega, Japão, Finlândia, Islândia, Dinamarca, Irlanda e Estados Unidos, apresentam os contextos demográficos, sociais e económicos mais favorecidos.
A OCDE diz novamente que Portugal, México, Hungria, Eslováquia e a República Checa são aqueles que apresentam maiores desafios neste contexto.
A organização defende que estas diferenças têm de ser consideradas na interpretação dos resultados dos alunos.
Simultaneamente, refere que o futuro, em termos económicos e de desenvolvimento social, tanto dos indivíduos como dos países, depende dos resultados que realmente alcançam e não do desempenho que poderiam conseguir em condições mais favoráveis.
A OCDE faz esta análise no capítulo dedicado ao perfil do aluno e ao desempenho a matemática, embora com uma abordagem geral.
Os técnicos da OCDE incluem Portugal entre os países onde o desafio é maior, juntamente com a Turquia, o Brasil, o México, o Chile, a Hungria, a Eslováquia, a Polónia e a República Checa
A Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE) advertiu hoje para o impacto do contexto socioeconómico no desempenho dos alunos, incluindo Portugal entre os países que enfrentam maiores desafios.
“Entre os países da OCDE, Turquia e México, onde 69% e 56% dos estudantes, respetivamente, pertencem ao grupo mais desfavorecido, e Portugal, Chile, Hungria e Espanha, onde mais de 20% dos estudantes pertencem a este grupo, enfrentam muito maiores desafios do que, por exemplo, Islândia, Noruega, Finlândia e Dinamarca, onde menos de cinco por cento os alunos são prejudicados”, afirma a organização no relatório do Programa Internacional de Avaliação de Alunos (PISA).
A heterogeneidade socioeconómica nas populações estudantis representa um grande desafio para os professores e os sistemas de ensino, segundo a OCDE.
Ao examinar os resultados de diferentes países no contexto socioeconómico, os técnicos da OCDE incluem Portugal entre os países onde o desafio é maior, juntamente com a Turquia, o Brasil, o México, o Chile, a Hungria, a Eslováquia, a Polónia e a República Checa.
Luxemburgo, Noruega, Japão, Finlândia, Islândia e Dinamarca, Irlanda e Estados Unidos são aqueles que apresentam contextos demográficos, sociais e económicos mais favorecidos.
O Programa Internacional de Avaliação de Alunos (PISA) analisa em que medida os alunos perto do final da escolaridade obrigatória têm adquirido alguns dos conhecimentos e habilitações que são essenciais para a plena participação na sociedade moderna, especialmente em matemática, leitura e ciência.
No relatório lembra que os professores que ensinam alunos de contextos mais desfavorecidos enfrentam desafios maiores do que aqueles que trabalham em meios mais favorecidos.
“Da mesma forma, os países com maiores proporções de crianças desfavorecidas enfrentam desafios maiores do que os países com menores proporções destes estudantes”, lê-se no documento, que continua a situar Portugal abaixo da média da OCDE nas competências demonstradas pelos alunos em matemática, leitura e ciência.
Entre os países com dados disponíveis, Luxemburgo, Noruega, Japão, Finlândia, Islândia, Dinamarca, Irlanda e Estados Unidos, apresentam os contextos demográficos, sociais e económicos mais favorecidos.
A OCDE diz novamente que Portugal, México, Hungria, Eslováquia e a República Checa são aqueles que apresentam maiores desafios neste contexto.
A organização defende que estas diferenças têm de ser consideradas na interpretação dos resultados dos alunos.
Simultaneamente, refere que o futuro, em termos económicos e de desenvolvimento social, tanto dos indivíduos como dos países, depende dos resultados que realmente alcançam e não do desempenho que poderiam conseguir em condições mais favoráveis.
A OCDE faz esta análise no capítulo dedicado ao perfil do aluno e ao desempenho a matemática, embora com uma abordagem geral.
OCDE. Alunos portugueses mantêm-se abaixo da média mas melhoram desempenho
in iOnline
O Pisa realizou-se pela primeira vez em 2000 e decorre de três em três anos. A escala utilizada foi construída de forma a que, no conjunto dos países da OCDE, a média fosse de 500 pontos
Portugal mantém-se abaixo dos países que participam no Programa Internacional de Avaliação de Alunos (PISA) nas áreas de leitura, matemática e ciências, destacando a OCDE a melhoria da performance dos estudantes nacionais desde 2003.
Os resultados do relatório PISA 2012, da responsabilidade da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económicos (OCDE) foram hoje divulgados, sendo testados os conhecimentos dos alunos de 15 anos de 65 países a nível mundial.
Nas três áreas, Portugal mantém-se abaixo da média, apesar de estar perto deste valor, no caso da Matemática, onde os alunos portugueses obtiveram 487 pontos, sendo o nível da média geral 494.
Na avaliação dos conhecimentos de leitura, os estudantes portugueses conseguiram um resultado médio de 488, enquanto o nível da média geral se fixou nos 496.
Nas ciências, os alunos nacionais obtiveram 489 pontos, sendo a média de 501 nesta área.
No sumário executivo do documento, a OCDE destaca que Portugal faz parte do grupo de países, que participando em todas as avaliações deste 2003, apresenta uma melhoria média em matemática de mais de 2,5 pontos por ano.
Assim, surge o parâmetro “mudança anualizada” (annualised change) que a OCDE considera ser uma medida mais robusta para avaliar as tendências no desempenho, porque se baseia em todas as informações disponíveis e não na diferença entre um ano e outro.
Na matemática, os alunos portugueses verificaram uma mudança anualizada de 2,8, enquanto na ciência obtiveram 2,5 e na leitura 1,6.
Entre 2003 e 2012, Itália, Polónia e Portugal aumentaram a participação de melhores desempenhos e, simultaneamente, conseguiram reduzir a parcela de baixo desempenho em matemática.
O sumário executivo do relatório destaca ainda que Portugal é um dos países da OCDE que melhorou o desempenho em termos de leitura nas várias avaliações do PISA.
Xangai (China), Singapura e Hong Kong (China) ocupam os três primeiros lugares nas três áreas de conhecimento avaliadas pelo PISA.
No PISA 2009, os alunos portugueses tinham conseguido uma classificação de 489 pontos, quase ao nível da média geral, que foi de 493 no parâmetro principal de avaliação, centrado na leitura.
Nos conhecimentos de matemática, os portugueses conseguiram então 487 pontos e na avaliação dos conhecimentos em ciência 493.
Cerca de 510 mil estudantes de 15 anos realizaram a esta prova, que ficou mais a matemática, mas abordou também a leitura e a ciência. Estes alunos representam os cerca de 28 milhões de estudantes de 15 anos que frequentam as escolas dos 65 países participantes no estudo.
O Pisa realizou-se pela primeira vez em 2000 e decorre de três em três anos. A escala utilizada foi construída de forma a que, no conjunto dos países da OCDE, a média fosse de 500 pontos.
O Pisa realizou-se pela primeira vez em 2000 e decorre de três em três anos. A escala utilizada foi construída de forma a que, no conjunto dos países da OCDE, a média fosse de 500 pontos
Portugal mantém-se abaixo dos países que participam no Programa Internacional de Avaliação de Alunos (PISA) nas áreas de leitura, matemática e ciências, destacando a OCDE a melhoria da performance dos estudantes nacionais desde 2003.
Os resultados do relatório PISA 2012, da responsabilidade da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económicos (OCDE) foram hoje divulgados, sendo testados os conhecimentos dos alunos de 15 anos de 65 países a nível mundial.
Nas três áreas, Portugal mantém-se abaixo da média, apesar de estar perto deste valor, no caso da Matemática, onde os alunos portugueses obtiveram 487 pontos, sendo o nível da média geral 494.
Na avaliação dos conhecimentos de leitura, os estudantes portugueses conseguiram um resultado médio de 488, enquanto o nível da média geral se fixou nos 496.
Nas ciências, os alunos nacionais obtiveram 489 pontos, sendo a média de 501 nesta área.
No sumário executivo do documento, a OCDE destaca que Portugal faz parte do grupo de países, que participando em todas as avaliações deste 2003, apresenta uma melhoria média em matemática de mais de 2,5 pontos por ano.
Assim, surge o parâmetro “mudança anualizada” (annualised change) que a OCDE considera ser uma medida mais robusta para avaliar as tendências no desempenho, porque se baseia em todas as informações disponíveis e não na diferença entre um ano e outro.
Na matemática, os alunos portugueses verificaram uma mudança anualizada de 2,8, enquanto na ciência obtiveram 2,5 e na leitura 1,6.
Entre 2003 e 2012, Itália, Polónia e Portugal aumentaram a participação de melhores desempenhos e, simultaneamente, conseguiram reduzir a parcela de baixo desempenho em matemática.
O sumário executivo do relatório destaca ainda que Portugal é um dos países da OCDE que melhorou o desempenho em termos de leitura nas várias avaliações do PISA.
Xangai (China), Singapura e Hong Kong (China) ocupam os três primeiros lugares nas três áreas de conhecimento avaliadas pelo PISA.
No PISA 2009, os alunos portugueses tinham conseguido uma classificação de 489 pontos, quase ao nível da média geral, que foi de 493 no parâmetro principal de avaliação, centrado na leitura.
Nos conhecimentos de matemática, os portugueses conseguiram então 487 pontos e na avaliação dos conhecimentos em ciência 493.
Cerca de 510 mil estudantes de 15 anos realizaram a esta prova, que ficou mais a matemática, mas abordou também a leitura e a ciência. Estes alunos representam os cerca de 28 milhões de estudantes de 15 anos que frequentam as escolas dos 65 países participantes no estudo.
O Pisa realizou-se pela primeira vez em 2000 e decorre de três em três anos. A escala utilizada foi construída de forma a que, no conjunto dos países da OCDE, a média fosse de 500 pontos.
Reformas. Idade sobe mesmo para os 66 anos sem Concertação
Por Margarida Bon de Sousa, in iOnline
Alteração à legislação foi aprovada na generalidade na sexta-feira passadae baixou agora à especialidade. Parceiros sociais só discutiram a proposta ontem de manhã
A proposta de alteração à Lei de Bases da Segurança Social que pretende subir a idade da reforma para os 66 anos começou a ser discutida no parlamento na sexta-feira passada, mas só ontem foi à Concertação Social para ser liminarmente rejeitada pelas confederações sindicais, que consideram inaceitável que os trabalhadores tenham de fazer mais um ano de descontos para se aposentarem. Já o patronato foi mais flexível, embora defendendo o faseamento da medida.
A proposta foi aprovada na generalidade pela maioria parlamentar, com os votos contra da oposição e sem o acordo prévio em sede tripartida.
O executivo tem como principal objectivo recalcular a fórmula de sustentabilidade do sistema, que prevê que a idade para a aposentação seja calculada em função da esperança de vida. A Lei de Bases actual, aprovada durante o governo de Sócrates, estabelece que a base de partida para o cálculo são os 65 anos em 2006. A partir do próximo ano, os 65 anos passam a ser indexados ao ano de 2000, o que se traduz num aumento de um ano entre 2013 e 2014.
Este será o tecto para que não haja penalizações se o trabalhador pretender antecipar a reforma e não exclui os desempregados de longa duração mais idosos.
Quem fica de fora As únicas excepções previstas na proposta de lei prendem-se com os contribuintes com mais de 40 anos de descontos, que podem antecipar a aposentação quatro meses por cada ano de trabalho sem penalizações e os trabalhadores de profissões com desgaste rápido, como os desportistas, os mineiros e os pescadores.
Ou seja, quem tiver feito descontos para a Segurança Social durante 43 anos poderá reformar-se por inteiro aos 65 anos.
Com esta alteração, o executivo espera conseguir uma poupança de 200 milhões de euros já em 2014, mantendo depois a progressividade do aumento da idade legal para a aposentação, de forma que esta seja de 67 anos em 2029, meta essa que pela lei actual só estava agendada para 2049.
Sindicatos contra "Este documento é de rejeição total por parte da UGT, porque são medidas que não estão nem devidamente fundamentadas, nem entendemos que servem ao país ou aos trabalhadores", disse a representante desta central sindical, Lucinda Dâmaso, no final da reunião da Concertação Social que decorreu ontem de manhã em Lisboa. Para o secretário- -geral da CGTP, Arménio Carlos, a proposta também é inaceitável porque não faz sentido debater o aumento da idade de reforma sem enfrentar as causas dos problemas da Segurança Social, que não têm unicamente a ver com o pagamento daquelas mas também com o desemprego,que levou ao aumento dos encargos com o pagamento deste subsídio.
As confederações patronais foram mais receptivas ao aumento da idade da reforma, embora tenham alertado para o impacto que pode ter na renovação dos quadros nas empresas. A posição dos representantes do patronato também foi unânime quanto à necessidade de faseamento desta medida, como está previsto na actual Lei de Bases da Segurança Social.
Na sexta-feira, durante o debate parlamentar, o ministro da Solidariedade e da Segurança Social, Pedro Mota Soares, afirmou que a alteração do factor de sustentabilidade e o consequente aumento da idade da reforma para os 66 anos já no próximo ano implica "apenas" um aumento de seis meses na idade da aposentação, embora o argumento não tenha convencido a oposição.
Alteração à legislação foi aprovada na generalidade na sexta-feira passadae baixou agora à especialidade. Parceiros sociais só discutiram a proposta ontem de manhã
A proposta de alteração à Lei de Bases da Segurança Social que pretende subir a idade da reforma para os 66 anos começou a ser discutida no parlamento na sexta-feira passada, mas só ontem foi à Concertação Social para ser liminarmente rejeitada pelas confederações sindicais, que consideram inaceitável que os trabalhadores tenham de fazer mais um ano de descontos para se aposentarem. Já o patronato foi mais flexível, embora defendendo o faseamento da medida.
A proposta foi aprovada na generalidade pela maioria parlamentar, com os votos contra da oposição e sem o acordo prévio em sede tripartida.
O executivo tem como principal objectivo recalcular a fórmula de sustentabilidade do sistema, que prevê que a idade para a aposentação seja calculada em função da esperança de vida. A Lei de Bases actual, aprovada durante o governo de Sócrates, estabelece que a base de partida para o cálculo são os 65 anos em 2006. A partir do próximo ano, os 65 anos passam a ser indexados ao ano de 2000, o que se traduz num aumento de um ano entre 2013 e 2014.
Este será o tecto para que não haja penalizações se o trabalhador pretender antecipar a reforma e não exclui os desempregados de longa duração mais idosos.
Quem fica de fora As únicas excepções previstas na proposta de lei prendem-se com os contribuintes com mais de 40 anos de descontos, que podem antecipar a aposentação quatro meses por cada ano de trabalho sem penalizações e os trabalhadores de profissões com desgaste rápido, como os desportistas, os mineiros e os pescadores.
Ou seja, quem tiver feito descontos para a Segurança Social durante 43 anos poderá reformar-se por inteiro aos 65 anos.
Com esta alteração, o executivo espera conseguir uma poupança de 200 milhões de euros já em 2014, mantendo depois a progressividade do aumento da idade legal para a aposentação, de forma que esta seja de 67 anos em 2029, meta essa que pela lei actual só estava agendada para 2049.
Sindicatos contra "Este documento é de rejeição total por parte da UGT, porque são medidas que não estão nem devidamente fundamentadas, nem entendemos que servem ao país ou aos trabalhadores", disse a representante desta central sindical, Lucinda Dâmaso, no final da reunião da Concertação Social que decorreu ontem de manhã em Lisboa. Para o secretário- -geral da CGTP, Arménio Carlos, a proposta também é inaceitável porque não faz sentido debater o aumento da idade de reforma sem enfrentar as causas dos problemas da Segurança Social, que não têm unicamente a ver com o pagamento daquelas mas também com o desemprego,que levou ao aumento dos encargos com o pagamento deste subsídio.
As confederações patronais foram mais receptivas ao aumento da idade da reforma, embora tenham alertado para o impacto que pode ter na renovação dos quadros nas empresas. A posição dos representantes do patronato também foi unânime quanto à necessidade de faseamento desta medida, como está previsto na actual Lei de Bases da Segurança Social.
Na sexta-feira, durante o debate parlamentar, o ministro da Solidariedade e da Segurança Social, Pedro Mota Soares, afirmou que a alteração do factor de sustentabilidade e o consequente aumento da idade da reforma para os 66 anos já no próximo ano implica "apenas" um aumento de seis meses na idade da aposentação, embora o argumento não tenha convencido a oposição.
Trabalhadores sentem-se cada vez menos recompensados
in iOnline
Na educação, foram estudados 10.249 casos e 91 por cento destes profissionais revelam risco grave de sobrecarga
Os trabalhadores portugueses sentem-se cada vez menos recompensados e reconhecidos, revela um estudo, que regista uma degradação do envolvimento das pessoas no trabalho e identifica riscos graves ou moderados de falta de energia, sobrecarga e exaustão.
O estudo, promovido pela Associação Portuguesa de Psicologia da Saúde Ocupacional (APPSO) e que analisou quase 33.900 casos entre 2010 e 2013, concluiu ainda que o trabalho é cada vez mais encarado apenas como forma de obter um rendimento no final do mês.
Segundo dados de 2012 do estudo, que avalia os riscos psicossociais em empresas portuguesas, 73 por cento dos trabalhadores sentiam que o seu esforço não era recompensado pelo salário, nem reconhecido pelas chefias e colegas.
86 por cento dos trabalhadores apresentavam risco elevado de perda de energia, 79 por cento de falta de vigor e 71 por cento tinham um fraco sentimento de justiça social e laboral.
"Há uma degradação do envolvimento das pessoas face ao trabalho. Cada vez mais as pessoas usam o trabalho numa perspetiva instrumental e esse objetivo mais instrumental, que muitas vezes é o ordenado ao fim do mês, começa a não ser suficiente para que as pessoas o considerem uma boa recompensa. As pessoas consideram que as recompensas que vão recebendo pela sua atividade laboral não equilibram o esforço que têm feito", disse à agência Lusa João Paulo Pereira, presidente da APPSO.
Por tudo isto, segundo João Paulo Pereira, os trabalhadores apresentam elevados riscos de fadiga, exaustão e complicações emocionais como o esgotamento (burnout).
Segundo o estudo, 63 por cento dos trabalhadores (62,5 no caso das mulheres e 76,3 no caso dos homens) apresentavam risco de sobrecarga, 62 por cento de exaustão (84,1 no caso das mulheres e 82,7 no caso dos homens) e 38 por cento de burnout (12,7 por cento nas mulheres e 31,6 por cento nos homens).
Por setores, João Paulo Pereira destaca os riscos acrescidos entre os profissionais da saúde e da educação.
Na saúde, o estudo analisou 12.725 casos e concluiu que 92 por cento destes evidenciam falta de energia, 88 por cento correm risco grave de exaustão e 61 por cento risco moderado de burnout.
78 por cento não se sentem recompensados.
Na educação, foram estudados 10.249 casos e 91 por cento destes profissionais revelam risco grave de sobrecarga, 82 por cento risco moderado de exaustão e 79 por cento risco moderado de esgotamento.
Entre os profissionais do comércio, serviços e distribuição, o risco grave de sobrecarga atinge 94 por cento dos 10.917 trabalhadores avaliados, enquanto o risco de esgotamento abrangia 64 por cento.
97 por cento dos trabalhadores deste setor não se sentiam recompensados pelo seu trabalho e 73 por cento tinham um fraco sentimento de justiça laboral.
A mudança da filosofia e das normas tradicionais do mercado de trabalho, a menor estabilidade social e a pressões como o aumento do horário laboral são apontadas como algumas das causas que influenciam o envolvimento das pessoas no trabalho.
"A pressão sobre o cumprimento de mais horas de trabalho em que a recompensa não vai progredir na mesma percentagem tem uma influência determinante em termos emocionais", sublinhou.
João Paulo Pereira destacou ainda que o estudo revela que, apesar destes resultados, os trabalhadores evidenciam "forte capacidade" para dar a volta aos momentos menos bons.
"As pessoas continuam a ter um sentimento de realização (68 por cento dos trabalhadores sentia-se realizados) que os protege da chegada a estados limite. Não evita o aumento [do consumo] de antidepressivos e ansiolíticos, de substâncias como o álcool, tabaco e outras, mas dá um potencial grande de intervenção e de alertar a sociedade para que existem condições para inverter esta tendência mais negativista em relação ao trabalho", disse.
O estudo completo será apresentado durante o Congresso Internacional da Associação Portuguesa de Psicologia da Saúde Ocupacional, que decorre quinta e sexta-feira em Lisboa, subordinado ao tema "Felicidade e sentido de vida no trabalho".
Na educação, foram estudados 10.249 casos e 91 por cento destes profissionais revelam risco grave de sobrecarga
Os trabalhadores portugueses sentem-se cada vez menos recompensados e reconhecidos, revela um estudo, que regista uma degradação do envolvimento das pessoas no trabalho e identifica riscos graves ou moderados de falta de energia, sobrecarga e exaustão.
O estudo, promovido pela Associação Portuguesa de Psicologia da Saúde Ocupacional (APPSO) e que analisou quase 33.900 casos entre 2010 e 2013, concluiu ainda que o trabalho é cada vez mais encarado apenas como forma de obter um rendimento no final do mês.
Segundo dados de 2012 do estudo, que avalia os riscos psicossociais em empresas portuguesas, 73 por cento dos trabalhadores sentiam que o seu esforço não era recompensado pelo salário, nem reconhecido pelas chefias e colegas.
86 por cento dos trabalhadores apresentavam risco elevado de perda de energia, 79 por cento de falta de vigor e 71 por cento tinham um fraco sentimento de justiça social e laboral.
"Há uma degradação do envolvimento das pessoas face ao trabalho. Cada vez mais as pessoas usam o trabalho numa perspetiva instrumental e esse objetivo mais instrumental, que muitas vezes é o ordenado ao fim do mês, começa a não ser suficiente para que as pessoas o considerem uma boa recompensa. As pessoas consideram que as recompensas que vão recebendo pela sua atividade laboral não equilibram o esforço que têm feito", disse à agência Lusa João Paulo Pereira, presidente da APPSO.
Por tudo isto, segundo João Paulo Pereira, os trabalhadores apresentam elevados riscos de fadiga, exaustão e complicações emocionais como o esgotamento (burnout).
Segundo o estudo, 63 por cento dos trabalhadores (62,5 no caso das mulheres e 76,3 no caso dos homens) apresentavam risco de sobrecarga, 62 por cento de exaustão (84,1 no caso das mulheres e 82,7 no caso dos homens) e 38 por cento de burnout (12,7 por cento nas mulheres e 31,6 por cento nos homens).
Por setores, João Paulo Pereira destaca os riscos acrescidos entre os profissionais da saúde e da educação.
Na saúde, o estudo analisou 12.725 casos e concluiu que 92 por cento destes evidenciam falta de energia, 88 por cento correm risco grave de exaustão e 61 por cento risco moderado de burnout.
78 por cento não se sentem recompensados.
Na educação, foram estudados 10.249 casos e 91 por cento destes profissionais revelam risco grave de sobrecarga, 82 por cento risco moderado de exaustão e 79 por cento risco moderado de esgotamento.
Entre os profissionais do comércio, serviços e distribuição, o risco grave de sobrecarga atinge 94 por cento dos 10.917 trabalhadores avaliados, enquanto o risco de esgotamento abrangia 64 por cento.
97 por cento dos trabalhadores deste setor não se sentiam recompensados pelo seu trabalho e 73 por cento tinham um fraco sentimento de justiça laboral.
A mudança da filosofia e das normas tradicionais do mercado de trabalho, a menor estabilidade social e a pressões como o aumento do horário laboral são apontadas como algumas das causas que influenciam o envolvimento das pessoas no trabalho.
"A pressão sobre o cumprimento de mais horas de trabalho em que a recompensa não vai progredir na mesma percentagem tem uma influência determinante em termos emocionais", sublinhou.
João Paulo Pereira destacou ainda que o estudo revela que, apesar destes resultados, os trabalhadores evidenciam "forte capacidade" para dar a volta aos momentos menos bons.
"As pessoas continuam a ter um sentimento de realização (68 por cento dos trabalhadores sentia-se realizados) que os protege da chegada a estados limite. Não evita o aumento [do consumo] de antidepressivos e ansiolíticos, de substâncias como o álcool, tabaco e outras, mas dá um potencial grande de intervenção e de alertar a sociedade para que existem condições para inverter esta tendência mais negativista em relação ao trabalho", disse.
O estudo completo será apresentado durante o Congresso Internacional da Associação Portuguesa de Psicologia da Saúde Ocupacional, que decorre quinta e sexta-feira em Lisboa, subordinado ao tema "Felicidade e sentido de vida no trabalho".
Dois terços dos portugueses acham que vão viver pior com a reforma
Por Ana Suspiro, in iOnline
Sondagem mostra que 94% da população está preocupada com as reformas
Uma sondagem mostra que 66% da população portuguesa percebe de forma clara que receber apenas uma pensão da Segurança Social implica ter um padrão de vida mais baixo que o actual. De acordo com uma sondagem do Instituto BBVA de Pensões, 16% dos inquiridos acha mesmo que vai viver muito pior do que agora. O estudo realizado a partir de mil entrevistas telefónicas em Portugal continental indica que a reforma é um tema que preocupa muito ou bastante 72% dos portugueses. Apenas 6%, concentrados nas camadas mais jovens, diz não estar preocupado. A perda de poder de compra é a principal preocupação dos portugueses em relação à reforma, seguida da saúde da família. A sondagem foi realizada na segunda quinzena de Setembro quando ainda não eram conhecidas com detalhe todas as medidas de penalização das reformas a partir do próximo ano. No entanto, já era pública a intenção de cortar as reformas do Estado no sentido da convergência com o regime da Segurança Social.
Os resultados mostram que apenas um terço da população sente que está muito ou bastante informada sobre o tema. O futuro do sistema público de pensões e o valor da pensão, são os principais assuntos sobre as quais pessoas querem ter mais informação. Apenas dois em cada cinco portugueses sabe que existe a possibilidade de simular o valor da sua pensão e um terço desconhece quantos os anos terá de trabalhar para ter direito a uma pensão completa. Apenas 30% tem conhecimento de que houve uma reforma da Segurança Social em 2007. O nível de conhecimento sobre o tema aumenta com a idade dos entrevistados.
Veja os resultados do inquérito no PDF
Sondagem mostra que 94% da população está preocupada com as reformas
Uma sondagem mostra que 66% da população portuguesa percebe de forma clara que receber apenas uma pensão da Segurança Social implica ter um padrão de vida mais baixo que o actual. De acordo com uma sondagem do Instituto BBVA de Pensões, 16% dos inquiridos acha mesmo que vai viver muito pior do que agora. O estudo realizado a partir de mil entrevistas telefónicas em Portugal continental indica que a reforma é um tema que preocupa muito ou bastante 72% dos portugueses. Apenas 6%, concentrados nas camadas mais jovens, diz não estar preocupado. A perda de poder de compra é a principal preocupação dos portugueses em relação à reforma, seguida da saúde da família. A sondagem foi realizada na segunda quinzena de Setembro quando ainda não eram conhecidas com detalhe todas as medidas de penalização das reformas a partir do próximo ano. No entanto, já era pública a intenção de cortar as reformas do Estado no sentido da convergência com o regime da Segurança Social.
Os resultados mostram que apenas um terço da população sente que está muito ou bastante informada sobre o tema. O futuro do sistema público de pensões e o valor da pensão, são os principais assuntos sobre as quais pessoas querem ter mais informação. Apenas dois em cada cinco portugueses sabe que existe a possibilidade de simular o valor da sua pensão e um terço desconhece quantos os anos terá de trabalhar para ter direito a uma pensão completa. Apenas 30% tem conhecimento de que houve uma reforma da Segurança Social em 2007. O nível de conhecimento sobre o tema aumenta com a idade dos entrevistados.
Veja os resultados do inquérito no PDF
Aumentam as portugueses com emprego mas na pobreza
in Porto Canal
A rede europeia anti-pobreza alerta que em Portugal uma em cada dez pessoas com emprego são pobres. Um aviso que sai de um seminário internacional que está a decorrer no Porto e que debate a importância mas ainda as regras do rendimento social de inserção.
A rede europeia anti-pobreza alerta que em Portugal uma em cada dez pessoas com emprego são pobres. Um aviso que sai de um seminário internacional que está a decorrer no Porto e que debate a importância mas ainda as regras do rendimento social de inserção.
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