in Rede Regional
"Estratégia 2020: Oportunidades para o terceiro setor" é o nome do fórum que se vai realizar na Casa do Brasil, em Santarém, no próximo dia 9 de abril, a partir das 14h30, numa organização conjunta da Câmara Municipal, da Segurança Social e do núcleo de Santarém da Rede Europeia Anti Pobreza (REAPN).
Esta iniciativa pretende elucidar as instituições particulares de solidariedade social (IPSS's) e demais organizações do terceiro setor acerca dos recursos financeiros disponibilizados pelo novo período de programação e o seu enquadramento na lógica da "Estratégia 2020", bem como das linhas de financiamento do atual quadro comunitário.
Durante o fórum, o núcleo de REAPN vai apresentar vários dados sobre o distrito de Santarém, que, segundo uma nota de imprensa da organização, "podem ser úteis para a apresentação de candidaturas a financiamentos".
7.4.15
Valeu a pena o sacrifício?
Paula Ferreira, in Jornal de Notícias
Foram quatro anos de intervenção externa para pôr as contas em dia. Os portugueses pobres ficaram mais pobres, os remediados viram-se despromovidos à pobreza. Os ricos continuam a fazer fortuna. O quadro social é este. E não temos ainda as contas ajustadas.
É caso para perguntar: valeu a pena o sacrifício? Poderão os especialistas em economia e finanças afirmar que sim. E Maria Luís Albuquerque surgir na Europa como representante do país que fez tudo certo para equilibrar as Finanças. Os portugueses, certamente, respondem de forma negativa. A vida das pessoas desmente os especialistas, no minuto seguinte. Os juros da dívida, é certo, estão longe dos 9 por cento atingidos em 2011, o que levaria o ministro das Finanças de então a falar a um jornal para forçar o primeiro-ministro a pedir ajuda externa. O "deficit" baixou mas, apesar de todo o sacrifício, do verdadeiro massacre social, não atingiu os valores exigido por Bruxelas.
Portugal está diferente. Não para melhor como alguns tentam pintar. Os números do desemprego sobem, os apoios sociais seguem caminho inverso. Se, no final de 2010, a taxa de desemprego estava nos 10,8 por cento; hoje atinge os 14,7 por cento. Dados oficiais. Contudo, a realidade é ainda mais calamitosa: vários especialistas indicam que o desemprego anda acima dos 20 por cento.
O próprio FMI (os seus técnicos, lembre-se, foram os principais ideólogos da política austeritária) manifestou há dias preocupação com a dificuldade do país para recuperar o emprego. São eles economistas e especialistas em finanças. Não virá nos livros que sem dinheiro não há compras, o que talvez explique um recuo da economia da ordem dos 6,5 por cento no período de resgate. A muitos das centenas de milhares caídos no lamaçal do desemprego resta a alternativa conhecida dos portugueses: emigrar. Desde a entrada da troika, mais de 350 mil foram forçados a sair. Se não tivessem partido, que dimensão teria a taxa de desemprego?
Com eleições à porta, o primeiro-ministro, Passos Coelho, prega as virtualidades do ajustamento. Anuncia mesmo um tempo novo, de crescimento e prosperidade. Estranha Europa esta, que enaltece o exemplo de Portugal: país em que um em cada quatro cidadãos se encontra em risco de pobreza. Mas os cofres, dizem, estão cheios. Cheios de quê? De repente, parece termos recuado ao "tempo da outra senhora".
Foram quatro anos de intervenção externa para pôr as contas em dia. Os portugueses pobres ficaram mais pobres, os remediados viram-se despromovidos à pobreza. Os ricos continuam a fazer fortuna. O quadro social é este. E não temos ainda as contas ajustadas.
É caso para perguntar: valeu a pena o sacrifício? Poderão os especialistas em economia e finanças afirmar que sim. E Maria Luís Albuquerque surgir na Europa como representante do país que fez tudo certo para equilibrar as Finanças. Os portugueses, certamente, respondem de forma negativa. A vida das pessoas desmente os especialistas, no minuto seguinte. Os juros da dívida, é certo, estão longe dos 9 por cento atingidos em 2011, o que levaria o ministro das Finanças de então a falar a um jornal para forçar o primeiro-ministro a pedir ajuda externa. O "deficit" baixou mas, apesar de todo o sacrifício, do verdadeiro massacre social, não atingiu os valores exigido por Bruxelas.
Portugal está diferente. Não para melhor como alguns tentam pintar. Os números do desemprego sobem, os apoios sociais seguem caminho inverso. Se, no final de 2010, a taxa de desemprego estava nos 10,8 por cento; hoje atinge os 14,7 por cento. Dados oficiais. Contudo, a realidade é ainda mais calamitosa: vários especialistas indicam que o desemprego anda acima dos 20 por cento.
O próprio FMI (os seus técnicos, lembre-se, foram os principais ideólogos da política austeritária) manifestou há dias preocupação com a dificuldade do país para recuperar o emprego. São eles economistas e especialistas em finanças. Não virá nos livros que sem dinheiro não há compras, o que talvez explique um recuo da economia da ordem dos 6,5 por cento no período de resgate. A muitos das centenas de milhares caídos no lamaçal do desemprego resta a alternativa conhecida dos portugueses: emigrar. Desde a entrada da troika, mais de 350 mil foram forçados a sair. Se não tivessem partido, que dimensão teria a taxa de desemprego?
Com eleições à porta, o primeiro-ministro, Passos Coelho, prega as virtualidades do ajustamento. Anuncia mesmo um tempo novo, de crescimento e prosperidade. Estranha Europa esta, que enaltece o exemplo de Portugal: país em que um em cada quatro cidadãos se encontra em risco de pobreza. Mas os cofres, dizem, estão cheios. Cheios de quê? De repente, parece termos recuado ao "tempo da outra senhora".
O que a Finlândia vai mudar no ensino é em tudo contrário ao que Portugal fez
Clara Viana, in Público on-line
Estudantes vão participar na elaboração dos currículos e na escolha dos temas a abordar nos novos módulos multidisciplinares.
O país que é habitualmente apontado como exemplo no campo da educação, a Finlândia, prepara-se para mudar, a partir de 2016, o seu sistema de ensino de modo a adaptar a escola a um “mundo que está a mudar a grande velocidade”, indicou ao PÚBLICO a directora do Conselho Nacional de Educação finlandês, o organismo que está a elaborar o novo currículo nacional para a escolaridade obrigatória.
Não é a “revolução” anunciada, em Março, pelo jornal inglês The Independent, numa notícia que, apesar de prontamente desmentida pelo Governo finlandês, acabou por ser replicada por vários outros jornais e blogues. Ao contrário do que aí se escreveu, as disciplinas tradicionais não vão ser abolidas e substituídas por um ensino baseado em tópicos transversais, embora este também vá por diante. O que se propõe é, assim, um modelo de coabitação e não de exclusão numa reforma que vai também pôr os estudantes a participar na definição dos currículos e meios de avaliação.
Na prática, tudo que o “país maravilha” da educação se propõe fazer para mudar a escola é radicalmente diferente e de sinal contrário à reforma empreendida recentemente em Portugal pelo ministro Nuno Crato, comenta José Morgado, professor do Instituto Superior de Psicologia Aplicada (ISPA).
Na Finlândia aponta-se para “uma ‘modernização’ do pensamento educativo” que, destaca Morgado, se traduz na intenção de desenvolver “formas de trabalho em sala de aula que transcendam a lógica do trabalho interior a cada disciplina, definindo um conjunto de tópicos que exigem saberes oriundos de diferentes disciplinas e que serão trabalhados de forma transversal”.
Já Portugal, pelo contrário, apostou numa maior compartimentação, com uma nova estrutura curricular assente “em programas demasiados extensos e excessivamente prescritivos e na definição de metas curriculares, que fazem correr o sério risco de que o ensino se transforme na gestão de uma espécie de check list”, resume este docente do Departamento de Psicologia da Educação do ISPA, que tem larga experiência na formação de professores.
José Morgado lembra, a propósito, que as metas aprovadas para Português e Matemática do 1.º ciclo “definem um total de 177 objectivos e 703 descritores de aprendizagem, sendo exigido aos professores que promovam o ensino formal de cada um deles e aos alunos que atinjam, por exemplo, uma velocidade de leitura de, no mínimo, 90 palavras por minuto”.
Também Assunção Flores, presidente da Associação Internacional de Estudo dos Professores e do Ensino, fala de dois modelos distintos. A visão “mais integrada e flexível de currículo” assumida pela Finlândia “afasta-se de uma perspectiva mais redutora que se centra nos conteúdos a aprender e nos objectivos a atingir no âmbito das disciplinas, prevalecendo, muitas vezes, uma lógica caracterizada pela rigidez e obesidade curriculares, associadas, entre outros aspectos, à extensão e cumprimento escrupuloso dos programas”, aponta a também investigadora da Universidade do Minho.
Alunos no centro das escolhas
Em respostas por escrito ao PÚBLICO, a directora do Centro Nacional de Educação finlandês, Irmeli Halinen, refere que o novo currículo nacional, com base num diploma de 2012 onde se estabeleceram as metas globais e os tempos lectivos para a escolaridade obrigatória, entre os sete e os 16 anos, “clarifica os objectivos de todas as disciplinas escolares, dá ênfase a práticas de cooperação em sala de aula e implementa conhecimentos e competências multidisciplinares, através do estudo de fenómenos e tópicos que será feito com a colaboração entre vários professores em sala de aula”.
Esta aprendizagem vai permitir, por exemplo, que a propósito do aquecimento global sejam mobilizados em simultâneo vários conhecimentos (matemática, física, história, etc.), mas com aplicações práticas. Com esse fim, prossegue Halinen, “todas as escolas terão de criar pelo menos um módulo por ano lectivo, com uma duração de uma a quatro semanas, centrado no estudo de tópicos que sejam de especial interesse para os estudantes”.
Competirá às “escolas definir quais os assuntos a abordar nestes módulos, a sua duração e como serão implementados”, mas com um pressuposto de base: “Os estudantes devem participar no planeamento destes módulos. Antes do início das aulas, em conjunto com os professores, estudarão quais as melhores formas de atingir as metas estabelecidas no currículo, quais os objectivos e tópicos dos módulos e como serão estes organizados”.
Estudantes vão participar na elaboração dos currículos e na escolha dos temas a abordar nos novos módulos multidisciplinares.
O país que é habitualmente apontado como exemplo no campo da educação, a Finlândia, prepara-se para mudar, a partir de 2016, o seu sistema de ensino de modo a adaptar a escola a um “mundo que está a mudar a grande velocidade”, indicou ao PÚBLICO a directora do Conselho Nacional de Educação finlandês, o organismo que está a elaborar o novo currículo nacional para a escolaridade obrigatória.
Não é a “revolução” anunciada, em Março, pelo jornal inglês The Independent, numa notícia que, apesar de prontamente desmentida pelo Governo finlandês, acabou por ser replicada por vários outros jornais e blogues. Ao contrário do que aí se escreveu, as disciplinas tradicionais não vão ser abolidas e substituídas por um ensino baseado em tópicos transversais, embora este também vá por diante. O que se propõe é, assim, um modelo de coabitação e não de exclusão numa reforma que vai também pôr os estudantes a participar na definição dos currículos e meios de avaliação.
Na prática, tudo que o “país maravilha” da educação se propõe fazer para mudar a escola é radicalmente diferente e de sinal contrário à reforma empreendida recentemente em Portugal pelo ministro Nuno Crato, comenta José Morgado, professor do Instituto Superior de Psicologia Aplicada (ISPA).
Na Finlândia aponta-se para “uma ‘modernização’ do pensamento educativo” que, destaca Morgado, se traduz na intenção de desenvolver “formas de trabalho em sala de aula que transcendam a lógica do trabalho interior a cada disciplina, definindo um conjunto de tópicos que exigem saberes oriundos de diferentes disciplinas e que serão trabalhados de forma transversal”.
Já Portugal, pelo contrário, apostou numa maior compartimentação, com uma nova estrutura curricular assente “em programas demasiados extensos e excessivamente prescritivos e na definição de metas curriculares, que fazem correr o sério risco de que o ensino se transforme na gestão de uma espécie de check list”, resume este docente do Departamento de Psicologia da Educação do ISPA, que tem larga experiência na formação de professores.
José Morgado lembra, a propósito, que as metas aprovadas para Português e Matemática do 1.º ciclo “definem um total de 177 objectivos e 703 descritores de aprendizagem, sendo exigido aos professores que promovam o ensino formal de cada um deles e aos alunos que atinjam, por exemplo, uma velocidade de leitura de, no mínimo, 90 palavras por minuto”.
Também Assunção Flores, presidente da Associação Internacional de Estudo dos Professores e do Ensino, fala de dois modelos distintos. A visão “mais integrada e flexível de currículo” assumida pela Finlândia “afasta-se de uma perspectiva mais redutora que se centra nos conteúdos a aprender e nos objectivos a atingir no âmbito das disciplinas, prevalecendo, muitas vezes, uma lógica caracterizada pela rigidez e obesidade curriculares, associadas, entre outros aspectos, à extensão e cumprimento escrupuloso dos programas”, aponta a também investigadora da Universidade do Minho.
Alunos no centro das escolhas
Em respostas por escrito ao PÚBLICO, a directora do Centro Nacional de Educação finlandês, Irmeli Halinen, refere que o novo currículo nacional, com base num diploma de 2012 onde se estabeleceram as metas globais e os tempos lectivos para a escolaridade obrigatória, entre os sete e os 16 anos, “clarifica os objectivos de todas as disciplinas escolares, dá ênfase a práticas de cooperação em sala de aula e implementa conhecimentos e competências multidisciplinares, através do estudo de fenómenos e tópicos que será feito com a colaboração entre vários professores em sala de aula”.
Esta aprendizagem vai permitir, por exemplo, que a propósito do aquecimento global sejam mobilizados em simultâneo vários conhecimentos (matemática, física, história, etc.), mas com aplicações práticas. Com esse fim, prossegue Halinen, “todas as escolas terão de criar pelo menos um módulo por ano lectivo, com uma duração de uma a quatro semanas, centrado no estudo de tópicos que sejam de especial interesse para os estudantes”.
Competirá às “escolas definir quais os assuntos a abordar nestes módulos, a sua duração e como serão implementados”, mas com um pressuposto de base: “Os estudantes devem participar no planeamento destes módulos. Antes do início das aulas, em conjunto com os professores, estudarão quais as melhores formas de atingir as metas estabelecidas no currículo, quais os objectivos e tópicos dos módulos e como serão estes organizados”.
O minucioso trabalho da formiguinha
Luísa Pinto, in Público on-line
O Plano Nacional de Formação Financeira está nas escolas. E quanto mais cedo se começa a aprender a lidar com conceitos como poupança e taxas de juro, melhor. Próximo passo? A literacia financeira chega aos manuais escolares do 1.º ciclo.
Pedro Castro tem 10 anos, mais de metade dos quais passou a juntar dinheiro para um propósito muito definido. Quer fazer uma viagem até à Australia, visitar o país que fica do outro lado do mundo e que é a terra onde vivem os cangurus. “Eu já tenho dinheiro para a minha viagem. Mas agora estou à espera que os meus pais juntem também, porque não posso ir sozinho”, diz ao PÚBLICO. Só se lembra que foi por ver a Ópera de Sydney que lhe nasceu esta vontade, quando tinha três anos. E não tem mais explicações para tamanha determinação.
Pedro nunca teve, nem tem ainda, uma mesada certa e garantida. Mas teve sempre a mesma resposta quando avós, padrinhos, tios, familiares, lhe perguntavam o que é que gostaria de ter de prenda de Natal, na Páscoa, na comunhão: “Dinheiro para ir conhecer a Austrália.”
A estratégia não lhe correu mal. Diz que já tem que chegue (à volta de 3000 euros) e não se pode queixar, sequer, de ter abdicado de muita coisa: também tem o relógio, a consola e alguns jogos e o equipamento do FC Porto com o qual gosta de ir aos treinos de guarda-redes.
A mãe explica o milagre: ele começou cedo, muito cedo, a interiorizar a necessidade de fazer opções, a estabelecer prioridades. E a regra de ouro a que parece ter obedecido não é tanto a quantidade de dinheiro que põe de lado de cada vez, mas o facto de ter persistido no objectivo, de nunca se ter esquecido de o fazer.
Se numa tarde ensolarada lhe dão dinheiro para comprar um gelado, é capaz de escolher o mais barato, para conseguir colocar de parte uma quantia, por mais pequena que seja. Outra regra de ouro que cumpre — se calhar sem sequer saber que a regra existe: o importante para poupar não é o que se ganha, mas o que se gasta.
Apesar de se estar a falar em regras, o que se pode dizer é que Pedro Castro está mais perto de ser uma excepção. E esta afirmação é válida tanto para crianças da idade dele — e que estão agora, e pela primeira vez, a falar do assunto na escola —, como para as mais velhas e que se vão aproximando da idade de tomar decisões financeiras e de aprender a gerir orçamentos. Foi a esses que Eugénia Ribeiro fez perguntas muito concretas no âmbito de uma dissertação de um mestrado em Finanças desenvolvido na Universidade Portucalense.
Eugénia Ribeiro usou uma amostra representativa dos alunos do ensino básico (2.º e 3.º ciclos) e secundário de uma escola secundária do Grande Porto e deixou-lhes questionários com perguntas de resposta fechada para aferir o grau de literacia financeira que evidenciava aquela comunidade infantil.
Os questionários foram respondidos por alunos que frequentavam desde o 7.º ano até ao 12.º ano de escolaridade, com idades compreendidas entre os 11 e os 18 anos. Resultados: uma expressiva maioria parece ter noções básicas de poupança — pelo menos mais de 80% dizem estar a poupar dinheiro para o futuro. Mas apenas metade conta que quando um familiar lhes dá dinheiro guarda algum.
O inquérito de Eugénia Ribeiro permitiu também, de alguma forma, perceber como é obtido o rendimento das crianças, que assume mais um carácter esporádico (43% dizem receber dinheiro sempre que avisam os pais de que precisam) do que regular. Ainda assim, cerca de 21% auferem uma semanada, 19% têm de gerir uma mesada e há uns expressivos 16% que optam por não responder.
O trabalho de campo foi efectuado em finais de 2013, no auge da crise e do programa de assistência financeira, mas 66% das crianças afirmaram não ter vivido nenhum tipo de alteração no último ano. Já 44% disseram que o rendimento mensal dos pais diminuíra — cerca de 33% não responderam (ou não sabiam responder).
Maioria tem conta
A maior parte das crianças já é titular de uma conta à ordem numa instituição financeira. A maioria, contudo, não faz a mínima ideia do que é um spread (70%) ou uma taxa interbancária como a Euribor (59% não sabe).
As crianças e jovens abrangidas pelo estudo, admitem, ainda assim, que essa informação é relevante para o futuro e defendem que ela devia ser ensinada nas escolas. Cerca de 80% acham que seria importante que pais e escolas ensinassem os jovens a lidar com o dinheiro para que fossem capazes de ultrapassar dificuldades financeiras, decidir enquanto consumidores ou até, e de uma forma mais lata, para que fossem capazes de entender o mundo em que vivem.
A investigadora concluiu pela transversalidade das necessidades de educação financeira. E diz que é preciso “direccionar melhor a actividade futura da escola de forma a preencher essas lacunas”. A educação financeira deve ser incluída formalmente nas rotinas de educação, tanto na escola, como em casa, sublinha Eugénia Ribeiro. “Para se criar uma educação financeira eficaz deve-se aproximar os pais da escola. São os pais que transmitem valores e hábitos de compra que começam em casa”, argumenta ainda.
O Plano Nacional de Formação Financeira está nas escolas. E quanto mais cedo se começa a aprender a lidar com conceitos como poupança e taxas de juro, melhor. Próximo passo? A literacia financeira chega aos manuais escolares do 1.º ciclo.
Pedro Castro tem 10 anos, mais de metade dos quais passou a juntar dinheiro para um propósito muito definido. Quer fazer uma viagem até à Australia, visitar o país que fica do outro lado do mundo e que é a terra onde vivem os cangurus. “Eu já tenho dinheiro para a minha viagem. Mas agora estou à espera que os meus pais juntem também, porque não posso ir sozinho”, diz ao PÚBLICO. Só se lembra que foi por ver a Ópera de Sydney que lhe nasceu esta vontade, quando tinha três anos. E não tem mais explicações para tamanha determinação.
Pedro nunca teve, nem tem ainda, uma mesada certa e garantida. Mas teve sempre a mesma resposta quando avós, padrinhos, tios, familiares, lhe perguntavam o que é que gostaria de ter de prenda de Natal, na Páscoa, na comunhão: “Dinheiro para ir conhecer a Austrália.”
A estratégia não lhe correu mal. Diz que já tem que chegue (à volta de 3000 euros) e não se pode queixar, sequer, de ter abdicado de muita coisa: também tem o relógio, a consola e alguns jogos e o equipamento do FC Porto com o qual gosta de ir aos treinos de guarda-redes.
A mãe explica o milagre: ele começou cedo, muito cedo, a interiorizar a necessidade de fazer opções, a estabelecer prioridades. E a regra de ouro a que parece ter obedecido não é tanto a quantidade de dinheiro que põe de lado de cada vez, mas o facto de ter persistido no objectivo, de nunca se ter esquecido de o fazer.
Se numa tarde ensolarada lhe dão dinheiro para comprar um gelado, é capaz de escolher o mais barato, para conseguir colocar de parte uma quantia, por mais pequena que seja. Outra regra de ouro que cumpre — se calhar sem sequer saber que a regra existe: o importante para poupar não é o que se ganha, mas o que se gasta.
Apesar de se estar a falar em regras, o que se pode dizer é que Pedro Castro está mais perto de ser uma excepção. E esta afirmação é válida tanto para crianças da idade dele — e que estão agora, e pela primeira vez, a falar do assunto na escola —, como para as mais velhas e que se vão aproximando da idade de tomar decisões financeiras e de aprender a gerir orçamentos. Foi a esses que Eugénia Ribeiro fez perguntas muito concretas no âmbito de uma dissertação de um mestrado em Finanças desenvolvido na Universidade Portucalense.
Eugénia Ribeiro usou uma amostra representativa dos alunos do ensino básico (2.º e 3.º ciclos) e secundário de uma escola secundária do Grande Porto e deixou-lhes questionários com perguntas de resposta fechada para aferir o grau de literacia financeira que evidenciava aquela comunidade infantil.
Os questionários foram respondidos por alunos que frequentavam desde o 7.º ano até ao 12.º ano de escolaridade, com idades compreendidas entre os 11 e os 18 anos. Resultados: uma expressiva maioria parece ter noções básicas de poupança — pelo menos mais de 80% dizem estar a poupar dinheiro para o futuro. Mas apenas metade conta que quando um familiar lhes dá dinheiro guarda algum.
O inquérito de Eugénia Ribeiro permitiu também, de alguma forma, perceber como é obtido o rendimento das crianças, que assume mais um carácter esporádico (43% dizem receber dinheiro sempre que avisam os pais de que precisam) do que regular. Ainda assim, cerca de 21% auferem uma semanada, 19% têm de gerir uma mesada e há uns expressivos 16% que optam por não responder.
O trabalho de campo foi efectuado em finais de 2013, no auge da crise e do programa de assistência financeira, mas 66% das crianças afirmaram não ter vivido nenhum tipo de alteração no último ano. Já 44% disseram que o rendimento mensal dos pais diminuíra — cerca de 33% não responderam (ou não sabiam responder).
Maioria tem conta
A maior parte das crianças já é titular de uma conta à ordem numa instituição financeira. A maioria, contudo, não faz a mínima ideia do que é um spread (70%) ou uma taxa interbancária como a Euribor (59% não sabe).
As crianças e jovens abrangidas pelo estudo, admitem, ainda assim, que essa informação é relevante para o futuro e defendem que ela devia ser ensinada nas escolas. Cerca de 80% acham que seria importante que pais e escolas ensinassem os jovens a lidar com o dinheiro para que fossem capazes de ultrapassar dificuldades financeiras, decidir enquanto consumidores ou até, e de uma forma mais lata, para que fossem capazes de entender o mundo em que vivem.
A investigadora concluiu pela transversalidade das necessidades de educação financeira. E diz que é preciso “direccionar melhor a actividade futura da escola de forma a preencher essas lacunas”. A educação financeira deve ser incluída formalmente nas rotinas de educação, tanto na escola, como em casa, sublinha Eugénia Ribeiro. “Para se criar uma educação financeira eficaz deve-se aproximar os pais da escola. São os pais que transmitem valores e hábitos de compra que começam em casa”, argumenta ainda.
Só há uma verdade: Mário Belém não quer emigrar
Texto de Bruna Cunha, in Público on-line
Depois de apresentar o seu trabalho em 2013, Mário regressa com uma nova exposição no Bairro Alto de 11 a 18 de Abril. Dois anos depois, deixa uma garantia: não quer ir trabalhar para fora
Mário Belém desenha desde que se lembra. Dos “snoopys” e “mickeys” passou a fazer trabalhos mais sérios como banda desenhada para uma revista. Gostou, mas queria mudar de estilo. Armado “em esperto”, decidiu ir para a faculdade estudar arquitectura para aprofundar conhecimentos. Odiou. Resolveu então, tirar um curso de “design” gráfico. Ao contrário da faculdade, gostou muito da carga horária e da possibilidade de trabalhar ao mesmo tempo que estudava.
Depois de alguns trabalhos e “coisas malucas”, Mário está, actualmente, a trabalhar como “freelancer” em áreas tão distintas como agências de publicidade e capas de CD. Mas afinal, o que é que Mário gosta mesmo de fazer? Os trabalhos “de umbigo”, aqueles que são mais pessoais.
Reapreendeu a desenhar à mão – “é bem mais difícil do que imaginei”, confessa – e decidiu que queria pintar murais. Mas a decisão não veio do nada. O deslumbramento por este tipo de arte nasceu depois de ver um prédio "enorme" pintado com um mural "lindo". Ficou decidido nesse momento: “É isto que quero fazer!”, recorda. No meio de latas de spray e roupa suja, vive do que sonhou: pintar as paredes de Lisboa, Figueira da Foz, Holanda e Paris.
"A saída é pelo espelho"
Em 2013, apresentou o seu trabalho “Mário quem?” e regressa agora com a exposição "Só há uma verdade: a saída é pelo espelho" que engloba o trabalho de dois anos, marcado por perdas pessoais. Assim, o seu mundo pessoal transporta-se para o trabalho artístico com tons de cinza e, ao mesmo tempo, muita cor como sinal de esperança.
Ciente das reacções boas e más que o seu trabalho desperta, não pensa duas vezes quando lhe perguntam se quer ir trabalhar para o estrangeiro. Não, não quer. Porquê? “Eu adoro isto, pá!”.
As expressões e provérbios populares, assim como o trabalho com a madeira e as pinturas nas ruas, vão estar presentes neste “pop up show” (de 11 a 18 de Abril) no Bairro Alto.
Depois de apresentar o seu trabalho em 2013, Mário regressa com uma nova exposição no Bairro Alto de 11 a 18 de Abril. Dois anos depois, deixa uma garantia: não quer ir trabalhar para fora
Mário Belém desenha desde que se lembra. Dos “snoopys” e “mickeys” passou a fazer trabalhos mais sérios como banda desenhada para uma revista. Gostou, mas queria mudar de estilo. Armado “em esperto”, decidiu ir para a faculdade estudar arquitectura para aprofundar conhecimentos. Odiou. Resolveu então, tirar um curso de “design” gráfico. Ao contrário da faculdade, gostou muito da carga horária e da possibilidade de trabalhar ao mesmo tempo que estudava.
Depois de alguns trabalhos e “coisas malucas”, Mário está, actualmente, a trabalhar como “freelancer” em áreas tão distintas como agências de publicidade e capas de CD. Mas afinal, o que é que Mário gosta mesmo de fazer? Os trabalhos “de umbigo”, aqueles que são mais pessoais.
Reapreendeu a desenhar à mão – “é bem mais difícil do que imaginei”, confessa – e decidiu que queria pintar murais. Mas a decisão não veio do nada. O deslumbramento por este tipo de arte nasceu depois de ver um prédio "enorme" pintado com um mural "lindo". Ficou decidido nesse momento: “É isto que quero fazer!”, recorda. No meio de latas de spray e roupa suja, vive do que sonhou: pintar as paredes de Lisboa, Figueira da Foz, Holanda e Paris.
"A saída é pelo espelho"
Em 2013, apresentou o seu trabalho “Mário quem?” e regressa agora com a exposição "Só há uma verdade: a saída é pelo espelho" que engloba o trabalho de dois anos, marcado por perdas pessoais. Assim, o seu mundo pessoal transporta-se para o trabalho artístico com tons de cinza e, ao mesmo tempo, muita cor como sinal de esperança.
Ciente das reacções boas e más que o seu trabalho desperta, não pensa duas vezes quando lhe perguntam se quer ir trabalhar para o estrangeiro. Não, não quer. Porquê? “Eu adoro isto, pá!”.
As expressões e provérbios populares, assim como o trabalho com a madeira e as pinturas nas ruas, vão estar presentes neste “pop up show” (de 11 a 18 de Abril) no Bairro Alto.
Desemprego em Portugal está num nível «insustentável»
in TVI24
Secretário-geral da OCDE defende a criação de medidas específicas de combate ao desemprego de longa duração
O secretário-geral da OCDE afirmou esta quarta-feira que a criação de emprego é o maior desafio de Portugal para combater os níveis insustentáveis de desemprego jovem e defendeu a criação de medidas específicas de combate ao desemprego de longa duração.
«Portugal tem a quarta taxa mais elevada de desemprego jovem entre os países da OCDE e um grande número de jovens não está nem a trabalhar nem integrado no sistema educativo e formativo», disse Ángel Gurría, em Lisboa.
Na sua intervenção, o responsável da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE) considerou que «este facto tem efeitos muito negativos nos indivíduos em causa, assim como na sociedade no seu todo».
Referiu, a propósito, que «a criação de emprego constitui o maior desafio da sociedade portuguesa para combater os níveis insustentavelmente elevados de desemprego jovem que se verificam» e defendeu «a necessidade de assegurar que os programas de apoio aos jovens são bem concebidos e coerentes, a par de um sistema de informação e de orientação profissional bem estruturado».
Um outro desafio que Portugal enfrenta, segundo Ángel Gurría, prende-se com o aumento da reintegração no mercado de trabalho dos desempregados de longa duração.
«Portugal tem uma elevada percentagem de desempregados de longa duração, isto é, pessoas que se encontram fora do mercado de trabalho há mais de um ano. O nível de desemprego de longa duração em Portugal já era elevado mesmo antes da crise financeira, o que indicia a existência de problemas estruturais mais profundos no mercado de trabalho anteriores à crise», salientou o responsável.
Neste âmbito, o secretário-geral daa OCDE assinalou a necessidade de implementar medidas específicas orientadas para ações de reconversão profissional e ajuda na procura de emprego, «essenciais para garantir que os desempregados de longa duração não ficam completamente desligados do mercado de trabalho».
Ainda em matéria laboral, o relatório da OCDE hoje apresentado evidencia a necessidade de Portugal reduzir os obstáculos à procura de emprego e à contratação, numa alusão às prestações de desemprego que, «para alguns grupos de pessoas podem funcionar como desincentivo à procura de emprego».
Gurría lembrou ainda que as empresas que pretendem contratar em Portugal estão sujeitas a uma carga fiscal acima da média da OCDE, «o que pode ter um efeito negativo na capacidade das empresas em contratar trabalhadores».
Além disso, o responsável frisou que em Portugal uma grande percentagem de trabalhadores (especialmente os jovens) é admitida através de contratos temporários, estando assim mais sujeitos «a uma maior insegurança no emprego e a empregos de menor qualidade».
Secretário-geral da OCDE defende a criação de medidas específicas de combate ao desemprego de longa duração
O secretário-geral da OCDE afirmou esta quarta-feira que a criação de emprego é o maior desafio de Portugal para combater os níveis insustentáveis de desemprego jovem e defendeu a criação de medidas específicas de combate ao desemprego de longa duração.
«Portugal tem a quarta taxa mais elevada de desemprego jovem entre os países da OCDE e um grande número de jovens não está nem a trabalhar nem integrado no sistema educativo e formativo», disse Ángel Gurría, em Lisboa.
Na sua intervenção, o responsável da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE) considerou que «este facto tem efeitos muito negativos nos indivíduos em causa, assim como na sociedade no seu todo».
Referiu, a propósito, que «a criação de emprego constitui o maior desafio da sociedade portuguesa para combater os níveis insustentavelmente elevados de desemprego jovem que se verificam» e defendeu «a necessidade de assegurar que os programas de apoio aos jovens são bem concebidos e coerentes, a par de um sistema de informação e de orientação profissional bem estruturado».
Um outro desafio que Portugal enfrenta, segundo Ángel Gurría, prende-se com o aumento da reintegração no mercado de trabalho dos desempregados de longa duração.
«Portugal tem uma elevada percentagem de desempregados de longa duração, isto é, pessoas que se encontram fora do mercado de trabalho há mais de um ano. O nível de desemprego de longa duração em Portugal já era elevado mesmo antes da crise financeira, o que indicia a existência de problemas estruturais mais profundos no mercado de trabalho anteriores à crise», salientou o responsável.
Neste âmbito, o secretário-geral daa OCDE assinalou a necessidade de implementar medidas específicas orientadas para ações de reconversão profissional e ajuda na procura de emprego, «essenciais para garantir que os desempregados de longa duração não ficam completamente desligados do mercado de trabalho».
Ainda em matéria laboral, o relatório da OCDE hoje apresentado evidencia a necessidade de Portugal reduzir os obstáculos à procura de emprego e à contratação, numa alusão às prestações de desemprego que, «para alguns grupos de pessoas podem funcionar como desincentivo à procura de emprego».
Gurría lembrou ainda que as empresas que pretendem contratar em Portugal estão sujeitas a uma carga fiscal acima da média da OCDE, «o que pode ter um efeito negativo na capacidade das empresas em contratar trabalhadores».
Além disso, o responsável frisou que em Portugal uma grande percentagem de trabalhadores (especialmente os jovens) é admitida através de contratos temporários, estando assim mais sujeitos «a uma maior insegurança no emprego e a empregos de menor qualidade».
Mas que Observatório é este?
João Miguel Tavares, in Público on-line
Teremos nós um nível de desemprego real quatro pontos percentuais acima da maior depressão do século XX? Foi para tentar perceber como ocorreu este milagre da multiplicação dos números do desemprego que eu decidi ir observar o Observatório sobre Crises.
Notícia do El Mundo de 27 de Março: “No princípio deste mês, o Eurostat revelava que Portugal era o terceiro país onde mais se havia reduzido a taxa de desemprego, até 13,3% em Janeiro passado. No entanto, um estudo divulgado hoje pelo Observatório sobre Crises e Alternativas da Universidade de Coimbra revela que estes números oficiais podem estar muito abaixo dos números reais. Segundo esse estudo, a taxa real de desemprego em Portugal estaria nos 29%.” A notícia tinha como título: Estará Portugal a maquilhar os seus dados do desemprego?
Eu não tenho dúvidas de que os números do desemprego em Portugal sejam altíssimos — aliás, segundo o mesmo Eurostat, o desemprego subiu para 14,1% em Fevereiro. Também sei que muitos postos de trabalho estão a ser criados artificialmente desde 2013 através do esquema de estágios anuais subsidiados pelo IEFP. Mas, ainda assim, 29% de desemprego real? Vinte-e-nove-por-cento?!? Só para termos uma noção, estima-se que a taxa de desemprego nos Estados Unidos em 1933, pleno pico da Grande Depressão, tenha batido nos 25%. Teremos nós um nível de desemprego real quatro pontos percentuais acima da maior depressão do século XX? Foi para tentar perceber como ocorreu este milagre da multiplicação dos números do desemprego que eu decidi ir observar o Observatório sobre Crises.
***
E aquilo que observei, num boletim intitulado Barómetro das Crises n.º13, seria coisa para ficar excelentemente no portal da CGTP, mas que é uma vergonha constar de um site que invoca a caução científica da Universidade de Coimbra. Carvalho da Silva saiu da liderança da CGTP para a investigação no Centro de Estudos Sociais do professor Boaventura Sousa Santos, mas os métodos de trabalho mantiveram-se inalterados. Para chegar aos 29%, o Observatório que ele lidera soma aos desempregados propriamente ditos um conjunto de categorias criativas de quem nem Karl Marx se lembraria: os “desempregados ocupados” (que são, na verdade, empregados subsidiados), os “inactivos desencorajados” (que incluem aqueles que por opção de vida não querem trabalhar, como Kiki Espírito Santo), os “activos migrantes” (mais conhecidos por emigrantes) e o “subemprego” (trabalhadores a tempo parcial que gostariam de trabalhar mais horas). É somando isto tudo que o Observatório sobre Crises e Alternativas chega à conclusão de que o desemprego real em Portugal é de 29,1%.
Bravo! Mas, ainda assim, e se era para dar largas à imaginação, acho que poderiam ter ido um pouco mais longe. Bastava juntar o número de empregados que não estão satisfeitos com o seu trabalho (“activos infelizes”), os que estando insatisfeitos ainda não o conseguiram admitir para si próprios (“activos que não saíram do armário”), os que gostariam de passar mais tempo em casa, se tivessem essa possibilidade (“inactivos potenciais”), os que acham que recebem mal em relação ao que trabalham (“activos descontentes”), ou os que sonham em ganhar o Euromilhões (“activos sonhadores”), e penso que Carvalho da Silva, Boaventura e a malta do CES conseguiriam com facilidade conduzir a taxa de desemprego até perto dos 100%.
Devo garantir que eu adoro diversidade e gente que discorda de mim. Mas assegurem-me, por amor de Deus, que não é este o género de “ciência” que se anda a praticar nas universidades portuguesas. E, de caminho, jurem-me que nem um cêntimo dos meus impostos está a servir para pagar o Observatório sobre Crises e os fetiches ideológicos do senhor Boaventura.
Jornalista; jmtavares@outlook.com
Teremos nós um nível de desemprego real quatro pontos percentuais acima da maior depressão do século XX? Foi para tentar perceber como ocorreu este milagre da multiplicação dos números do desemprego que eu decidi ir observar o Observatório sobre Crises.
Notícia do El Mundo de 27 de Março: “No princípio deste mês, o Eurostat revelava que Portugal era o terceiro país onde mais se havia reduzido a taxa de desemprego, até 13,3% em Janeiro passado. No entanto, um estudo divulgado hoje pelo Observatório sobre Crises e Alternativas da Universidade de Coimbra revela que estes números oficiais podem estar muito abaixo dos números reais. Segundo esse estudo, a taxa real de desemprego em Portugal estaria nos 29%.” A notícia tinha como título: Estará Portugal a maquilhar os seus dados do desemprego?
Eu não tenho dúvidas de que os números do desemprego em Portugal sejam altíssimos — aliás, segundo o mesmo Eurostat, o desemprego subiu para 14,1% em Fevereiro. Também sei que muitos postos de trabalho estão a ser criados artificialmente desde 2013 através do esquema de estágios anuais subsidiados pelo IEFP. Mas, ainda assim, 29% de desemprego real? Vinte-e-nove-por-cento?!? Só para termos uma noção, estima-se que a taxa de desemprego nos Estados Unidos em 1933, pleno pico da Grande Depressão, tenha batido nos 25%. Teremos nós um nível de desemprego real quatro pontos percentuais acima da maior depressão do século XX? Foi para tentar perceber como ocorreu este milagre da multiplicação dos números do desemprego que eu decidi ir observar o Observatório sobre Crises.
***
E aquilo que observei, num boletim intitulado Barómetro das Crises n.º13, seria coisa para ficar excelentemente no portal da CGTP, mas que é uma vergonha constar de um site que invoca a caução científica da Universidade de Coimbra. Carvalho da Silva saiu da liderança da CGTP para a investigação no Centro de Estudos Sociais do professor Boaventura Sousa Santos, mas os métodos de trabalho mantiveram-se inalterados. Para chegar aos 29%, o Observatório que ele lidera soma aos desempregados propriamente ditos um conjunto de categorias criativas de quem nem Karl Marx se lembraria: os “desempregados ocupados” (que são, na verdade, empregados subsidiados), os “inactivos desencorajados” (que incluem aqueles que por opção de vida não querem trabalhar, como Kiki Espírito Santo), os “activos migrantes” (mais conhecidos por emigrantes) e o “subemprego” (trabalhadores a tempo parcial que gostariam de trabalhar mais horas). É somando isto tudo que o Observatório sobre Crises e Alternativas chega à conclusão de que o desemprego real em Portugal é de 29,1%.
Bravo! Mas, ainda assim, e se era para dar largas à imaginação, acho que poderiam ter ido um pouco mais longe. Bastava juntar o número de empregados que não estão satisfeitos com o seu trabalho (“activos infelizes”), os que estando insatisfeitos ainda não o conseguiram admitir para si próprios (“activos que não saíram do armário”), os que gostariam de passar mais tempo em casa, se tivessem essa possibilidade (“inactivos potenciais”), os que acham que recebem mal em relação ao que trabalham (“activos descontentes”), ou os que sonham em ganhar o Euromilhões (“activos sonhadores”), e penso que Carvalho da Silva, Boaventura e a malta do CES conseguiriam com facilidade conduzir a taxa de desemprego até perto dos 100%.
Devo garantir que eu adoro diversidade e gente que discorda de mim. Mas assegurem-me, por amor de Deus, que não é este o género de “ciência” que se anda a praticar nas universidades portuguesas. E, de caminho, jurem-me que nem um cêntimo dos meus impostos está a servir para pagar o Observatório sobre Crises e os fetiches ideológicos do senhor Boaventura.
Jornalista; jmtavares@outlook.com
2.4.15
OCDE: combate ao desemprego é o maior desafio para Portugal
in o Observador
OCDE diz que Portugal tem de combater os níveis insustentáveis de desemprego jovem e defendeu a criação de medidas específicas de combate ao desemprego de longa duração.
O secretário-geral da OCDE afirmou que a criação de emprego é o maior desafio de Portugal para combater os níveis insustentáveis de desemprego jovem e defendeu a criação de medidas específicas de combate ao desemprego de longa duração.
“Portugal tem a quarta taxa mais elevada de desemprego jovem entre os países da OCDE e um grande número de jovens não está nem a trabalhar nem integrado no sistema educativo e formativo”, disse Ángel Gurría durante a apresentação pública do relatório de diagnóstico ‘Uma estratégia de competências para Portugal’, em Lisboa.
Na sua intervenção, o responsável da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE) considerou que “este facto tem efeitos muito negativos nos indivíduos em causa, assim como na sociedade no seu todo”.
Referiu, a propósito, que “a criação de emprego constitui o maior desafio da sociedade portuguesa para combater os níveis insustentavelmente elevados de desemprego jovem que se verificam” e defendeu a necessidade de assegurar que os programas de apoio aos jovens são bem concebidos e coerentes, a par de um sistema de informação e de orientação profissional bem estruturado”.
Um outro desafio que Portugal enfrenta, segundo Ángel Gurría, prende-se com o aumento da reintegração no mercado de trabalho dos desempregados de longa duração.
“Portugal tem uma elevada percentagem de desempregados de longa duração, isto é, pessoas que se encontram fora do mercado de trabalho há mais de um ano. O nível de desemprego de longa duração em Portugal já era elevado mesmo antes da crise financeira, o que indicia a existência de problemas estruturais mais profundos no mercado de trabalho anteriores à crise”, salientou o responsável.
Neste âmbito, o secretário-geral daa OCDE assinalou a necessidade de implementar medidas específicas orientadas para ações de reconversão profissional e ajuda na procura de emprego, “essenciais para garantir que os desempregados de longa duração não ficam completamente desligados do mercado de trabalho”.
Ainda em matéria laboral, o relatório da OCDE hoje apresentado evidencia a necessidade de Portugal reduzir os obstáculos à procura de emprego e à contratação, numa alusão às prestações de desemprego que, “para alguns grupos de pessoas podem funcionar como desincentivo à procura de emprego”.
Gurría lembrou ainda que as empresas que pretendem contratar em Portugal estão sujeitas a uma carga fiscal acima da média da OCDE, “o que pode ter um efeito negativo na capacidade das empresas em contratar trabalhadores”.
Além disso, o responsável frisou que em Portugal uma grande percentagem de trabalhadores (especialmente os jovens) é admitida através de contratos temporários, estando assim mais sujeitos “a uma maior insegurança no emprego e a empregos de menor qualidade”.
OCDE diz que Portugal tem de combater os níveis insustentáveis de desemprego jovem e defendeu a criação de medidas específicas de combate ao desemprego de longa duração.
O secretário-geral da OCDE afirmou que a criação de emprego é o maior desafio de Portugal para combater os níveis insustentáveis de desemprego jovem e defendeu a criação de medidas específicas de combate ao desemprego de longa duração.
“Portugal tem a quarta taxa mais elevada de desemprego jovem entre os países da OCDE e um grande número de jovens não está nem a trabalhar nem integrado no sistema educativo e formativo”, disse Ángel Gurría durante a apresentação pública do relatório de diagnóstico ‘Uma estratégia de competências para Portugal’, em Lisboa.
Na sua intervenção, o responsável da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE) considerou que “este facto tem efeitos muito negativos nos indivíduos em causa, assim como na sociedade no seu todo”.
Referiu, a propósito, que “a criação de emprego constitui o maior desafio da sociedade portuguesa para combater os níveis insustentavelmente elevados de desemprego jovem que se verificam” e defendeu a necessidade de assegurar que os programas de apoio aos jovens são bem concebidos e coerentes, a par de um sistema de informação e de orientação profissional bem estruturado”.
Um outro desafio que Portugal enfrenta, segundo Ángel Gurría, prende-se com o aumento da reintegração no mercado de trabalho dos desempregados de longa duração.
“Portugal tem uma elevada percentagem de desempregados de longa duração, isto é, pessoas que se encontram fora do mercado de trabalho há mais de um ano. O nível de desemprego de longa duração em Portugal já era elevado mesmo antes da crise financeira, o que indicia a existência de problemas estruturais mais profundos no mercado de trabalho anteriores à crise”, salientou o responsável.
Neste âmbito, o secretário-geral daa OCDE assinalou a necessidade de implementar medidas específicas orientadas para ações de reconversão profissional e ajuda na procura de emprego, “essenciais para garantir que os desempregados de longa duração não ficam completamente desligados do mercado de trabalho”.
Ainda em matéria laboral, o relatório da OCDE hoje apresentado evidencia a necessidade de Portugal reduzir os obstáculos à procura de emprego e à contratação, numa alusão às prestações de desemprego que, “para alguns grupos de pessoas podem funcionar como desincentivo à procura de emprego”.
Gurría lembrou ainda que as empresas que pretendem contratar em Portugal estão sujeitas a uma carga fiscal acima da média da OCDE, “o que pode ter um efeito negativo na capacidade das empresas em contratar trabalhadores”.
Além disso, o responsável frisou que em Portugal uma grande percentagem de trabalhadores (especialmente os jovens) é admitida através de contratos temporários, estando assim mais sujeitos “a uma maior insegurança no emprego e a empregos de menor qualidade”.
Metade das crianças na Síria não vai à escola. A guerra está a criar uma "geração perdida"
por Cristina Nascimento, in RR
Quase três milhões de crianças sírias não têm acesso à escola, ficando com o seu futuro em risco e mais vulneráveis à exploração. O alerta é lançado pela organização não governamental (ONG) Save the Children no mais recente relatório sobre os efeitos do conflito na escolaridade infantil.
O documento lembra que o país está em guerra há quase quatro anos e que, se nada for feito para melhorar a escolaridade no país, "a perspectiva de paz, estabilidade e prosperidade económica torna-se ainda mais incerta".
Antes da guerra, quase todas as crianças estavam inscritas na escola primária e o grau de literacia dos jovens entre os 15 e os 24 anos fixava-se nos 95%. Actualmente, a percentagem de crianças inscritas desceu para 50%. Nas zonas mais afectadas pelo conflito, os números podem descer até aos 6% (na cidade de Alepo, por exemplo).
A Save the Children fala mesmo numa "geração perdida". A ONG lembra que, antes da guerra, um adulto que não tivesse completado a escolaridade básica ganhava menos um terço do que aqueles que concluíram o ensino secundário e menos de metade do que os que conseguiram concluir os estudos superiores. Com o afastamento das crianças do sistema de ensino, a disparidade vai agravar-se, garante a organização.
Quando aprender é "luxo"
O cenário nas zonas onde muitos sírios conseguiram encontrar refúgio é igualmente preocupante. "Para muitas crianças refugiadas na Síria o ensino a tempo inteiro é um luxo", escreve a Save the Children.
"Quase metade das crianças refugiadas em idade escolar não recebe qualquer tipo de educação e apenas 340 mil estão formalmente inscritas nalgum tipo de ensino", acrescentam. Em alguns locais, os números são ainda piores. Por exemplo, no Líbano, país que acolheu a maior parte dos refugiados sírios, 78% das crianças sírias estão fora da escola.
O relatório da organização refere também que a escola, além de ser um local de instrução, é também um sítio onde, apesar de tudo, as crianças estão mais protegidas.
"Quando as crianças estão na escola estão menos vulneráveis a riscos como trabalho infantil, casamento em idade precoce ou recrutamento para grupos armados", descreve o relatório, acrescentando que "a frequência da escola reintroduz uma noção de estabilidade e permite-lhes enfrentar melhor as dificuldades".
Um quarto das escolas destruídas
A Save the Children refere que, nestes quatro anos, quase uma em cada quatro escolas do país ficou parcial ou totalmente destruída.
A organização estima que os custos directos de substituir o equipamento escolar e os custos de reconstrução de escolas destruídas ou ocupadas rondem os três mil milhões de euros.
Há outros números a reter deste relatório. A organização estima que o custo das crianças continuarem sem acesso ao ensino vai representar 5,4% do Produto Interno Bruto do país, ou seja, quase 1,5 mil milhões de euros.
Perante este cenário, a Save the Children quer que 2015 seja o ano do regresso das crianças sírias à escola.
"Apelamos aos doadores, aos países que acolhem crianças refugiadas da Síria, às partes em conflito e à comunidade internacional para que 2015 seja o ano em que o futuro das crianças sírias retome o seu caminho", pede a ONG.
Quase três milhões de crianças sírias não têm acesso à escola, ficando com o seu futuro em risco e mais vulneráveis à exploração. O alerta é lançado pela organização não governamental (ONG) Save the Children no mais recente relatório sobre os efeitos do conflito na escolaridade infantil.
O documento lembra que o país está em guerra há quase quatro anos e que, se nada for feito para melhorar a escolaridade no país, "a perspectiva de paz, estabilidade e prosperidade económica torna-se ainda mais incerta".
Antes da guerra, quase todas as crianças estavam inscritas na escola primária e o grau de literacia dos jovens entre os 15 e os 24 anos fixava-se nos 95%. Actualmente, a percentagem de crianças inscritas desceu para 50%. Nas zonas mais afectadas pelo conflito, os números podem descer até aos 6% (na cidade de Alepo, por exemplo).
A Save the Children fala mesmo numa "geração perdida". A ONG lembra que, antes da guerra, um adulto que não tivesse completado a escolaridade básica ganhava menos um terço do que aqueles que concluíram o ensino secundário e menos de metade do que os que conseguiram concluir os estudos superiores. Com o afastamento das crianças do sistema de ensino, a disparidade vai agravar-se, garante a organização.
Quando aprender é "luxo"
O cenário nas zonas onde muitos sírios conseguiram encontrar refúgio é igualmente preocupante. "Para muitas crianças refugiadas na Síria o ensino a tempo inteiro é um luxo", escreve a Save the Children.
"Quase metade das crianças refugiadas em idade escolar não recebe qualquer tipo de educação e apenas 340 mil estão formalmente inscritas nalgum tipo de ensino", acrescentam. Em alguns locais, os números são ainda piores. Por exemplo, no Líbano, país que acolheu a maior parte dos refugiados sírios, 78% das crianças sírias estão fora da escola.
O relatório da organização refere também que a escola, além de ser um local de instrução, é também um sítio onde, apesar de tudo, as crianças estão mais protegidas.
"Quando as crianças estão na escola estão menos vulneráveis a riscos como trabalho infantil, casamento em idade precoce ou recrutamento para grupos armados", descreve o relatório, acrescentando que "a frequência da escola reintroduz uma noção de estabilidade e permite-lhes enfrentar melhor as dificuldades".
Um quarto das escolas destruídas
A Save the Children refere que, nestes quatro anos, quase uma em cada quatro escolas do país ficou parcial ou totalmente destruída.
A organização estima que os custos directos de substituir o equipamento escolar e os custos de reconstrução de escolas destruídas ou ocupadas rondem os três mil milhões de euros.
Há outros números a reter deste relatório. A organização estima que o custo das crianças continuarem sem acesso ao ensino vai representar 5,4% do Produto Interno Bruto do país, ou seja, quase 1,5 mil milhões de euros.
Perante este cenário, a Save the Children quer que 2015 seja o ano do regresso das crianças sírias à escola.
"Apelamos aos doadores, aos países que acolhem crianças refugiadas da Síria, às partes em conflito e à comunidade internacional para que 2015 seja o ano em que o futuro das crianças sírias retome o seu caminho", pede a ONG.
Empresas de trabalho temporário crescem 4,5% em 2014
por João Carlos Malta, in RR
Este sector facturou 910 milhões de euros no ano passado e estima-se que depois de dois anos a decrescer (2012 e 2013) cresça no próximo biénio. Emprega 65.811 pessoas.
Em 2014, as empresas de trabalho temporário facturaram mais 4,5% do que em 2013. As 205 unidades deste sector (mais quatro do que em 2013) tiveram um volume de vendas de 910 milhões de euros, segundo um estudo da consultora D&B Informa.
"A facturação das empresas agregadas das empresas portuguesas de trabalho temporário registou em 2014, num contexto de recuperação do emprego, um aumento de 4,5%, após vários anos de fortes quebras", diz a consultora.
Os anos anteriores, marcados pela crise económica, tiveram reflexos nesta actividade com a contracção da actividade em 15% no ano de 2012 e de 2% em 2013.
Depois de no ano passado a tendência se inverter, para este ano está previsto novo crescimento de facturação de 7%.
O número de empresas de trabalho temporário com actividade em Portugal manteve entre os anos de 2005 e 2012 uma tendência de descida, reduzindo 25% neste período. Entre 2012 e 2014, no entanto, registou-se uma ligeira recuperação, com um crescimento anual do número de operadores de 1%.
Lisboa concentra a maior parte das empresas de trabalho temporário, localizando-se nesta zona cerca da metade do total em 2013, com 98 sociedades. Seguem-se as zonas Norte, com 77 empresas, e Centro, com 15.
Este sector que emprega 65.811 pessoas é composto por um número reduzido de grandes grupos multinacionais que ocupa os lugares de liderança no mercado português e que têm a concorrência de alguns importantes operadores multiserviços nacionais, que estão presentes em outros ramos relacionados com a gestão de recursos humanos.
Este sector facturou 910 milhões de euros no ano passado e estima-se que depois de dois anos a decrescer (2012 e 2013) cresça no próximo biénio. Emprega 65.811 pessoas.
Em 2014, as empresas de trabalho temporário facturaram mais 4,5% do que em 2013. As 205 unidades deste sector (mais quatro do que em 2013) tiveram um volume de vendas de 910 milhões de euros, segundo um estudo da consultora D&B Informa.
"A facturação das empresas agregadas das empresas portuguesas de trabalho temporário registou em 2014, num contexto de recuperação do emprego, um aumento de 4,5%, após vários anos de fortes quebras", diz a consultora.
Os anos anteriores, marcados pela crise económica, tiveram reflexos nesta actividade com a contracção da actividade em 15% no ano de 2012 e de 2% em 2013.
Depois de no ano passado a tendência se inverter, para este ano está previsto novo crescimento de facturação de 7%.
O número de empresas de trabalho temporário com actividade em Portugal manteve entre os anos de 2005 e 2012 uma tendência de descida, reduzindo 25% neste período. Entre 2012 e 2014, no entanto, registou-se uma ligeira recuperação, com um crescimento anual do número de operadores de 1%.
Lisboa concentra a maior parte das empresas de trabalho temporário, localizando-se nesta zona cerca da metade do total em 2013, com 98 sociedades. Seguem-se as zonas Norte, com 77 empresas, e Centro, com 15.
Este sector que emprega 65.811 pessoas é composto por um número reduzido de grandes grupos multinacionais que ocupa os lugares de liderança no mercado português e que têm a concorrência de alguns importantes operadores multiserviços nacionais, que estão presentes em outros ramos relacionados com a gestão de recursos humanos.
Violência doméstica e delinquência juvenil aumentam em Portugal
Maria João Lopes, in Público on-line
Relatório Anual de Segurança Interna, referente a 2014, será divulgado na íntegra nesta terça-feira.
No geral, a criminalidade diminuiu 6,7% em Portugal entre 2013 e 2014. Assim como a violenta e grave que também desceu 5,4%. Há, porém, aumentos no que toca, por exemplo, à violência doméstica e à delinquência juvenil. Os primeiros dados foram apresentados nesta segunda-feira pela secretária-geral do Sistema de Segurança Interna, Helena Fazenda, para quem “a grande evidência é a de que a criminalidade diminuiu”.
Ainda assim, a responsável mostrou-se preocupada com os números relativos à violência doméstica. Questionada sobre qual o dado que mais a preocupa, Helena Fazenda respondeu que “todas as participações” a preocupam, mas admitiu que “ainda” continua a haver muitas participações por violência doméstica, o que “merece um empenhamento muito grande”. A violência doméstica contra cônjuge ou análogo registou, em 2014, mais 31 casos participados do que no ano anterior, ou seja, mais 0,1%.
O furto de oportunidade de objectos não guardados também surge com um aumento de 9,2%, mais 877 participações. Assim como o furto por carteiristas, com mais 3721 participações, o que corresponde a um aumento de 36,3%.
A criminalidade grupal revela uma diminuição de registos para 165, o que equivale a menos 2,5%. No entanto, a delinquência juvenil regista mais 453 participações, ou seja, um aumento de 23,4% em relação a 2013. A responsável sublinhou, no entanto, que este aumento acontece num universo de 2393 casos: “Considero que é um aumento, não me parece que seja um aumento preocupante”, disse.
Nesta segunda-feira, os dados foram previamente seleccionados e apresentados à comunicação social. Os slides com os números e gráficos foram passando rapidamente e, apesar dos protestos dos jornalistas, para poderem ter acesso a pelo menos ao que estava a ser apresentado no ecrã, nenhum documento foi facultado. O relatório, que foi discutido e aprovado na reunião do Conselho Superior de Segurança Interna, estará disponível na íntegra nesta terça-feira no site do Parlamento, onde será entregue para apreciação.
A criminalidade geral desceu 6,7% - 343.768 participações, menos 24.684 do que no ano anterior. Também a criminalidade violenta e grave diminuiu 5,4% - 19.061 participações, menos 1086 do que ano anterior.
Outros dados que foram adiantados dão conta de uma descida de 6,4% no que se refere a participações por furto em veículo motorizado. As participações registadas (20) por roubo a tesouraria ou estação de correio também diminuíram 60,8%.
No que respeita a incêndios florestais – incêndio e fogo posto em floresta, mata, arvoredo ou seara – registou-se uma diminuição de 47,9%, o que equivale a menos 4452 participações. Na área ardida, verifica-se uma diminuição de 85,7%.
Quanto à população prisional, um dos dados destacados diz respeito aos reclusos preventivos/condenados, item em que a diminuição é de 2% (menos 281).
Sobre o controlo de fronteiras, foi também revelado que houve uma diminuição de 9,4% das pessoas controladas em fronteira marítima.
Já no que concerne à segurança rodoviária, há um ligeiro aumento do número total de acidentes, mas menos vítimas mortais – menos 43 do que em 2013, segundo os dados avançados na conferência de imprensa desta segunda-feira.
Já no ano passado se tinha verificado uma descida da criminalidade em Portugal, continuando, no entanto, a verificar-se que a violência doméstica não acompanhava essa tendência. E já no ano passado o secretário-geral do Sistema de Segurança Interna, Antero Luís, mostrava preocupação perante o acréscimo de mortes resultantes de violência entre cônjuges.
Relatório Anual de Segurança Interna, referente a 2014, será divulgado na íntegra nesta terça-feira.
No geral, a criminalidade diminuiu 6,7% em Portugal entre 2013 e 2014. Assim como a violenta e grave que também desceu 5,4%. Há, porém, aumentos no que toca, por exemplo, à violência doméstica e à delinquência juvenil. Os primeiros dados foram apresentados nesta segunda-feira pela secretária-geral do Sistema de Segurança Interna, Helena Fazenda, para quem “a grande evidência é a de que a criminalidade diminuiu”.
Ainda assim, a responsável mostrou-se preocupada com os números relativos à violência doméstica. Questionada sobre qual o dado que mais a preocupa, Helena Fazenda respondeu que “todas as participações” a preocupam, mas admitiu que “ainda” continua a haver muitas participações por violência doméstica, o que “merece um empenhamento muito grande”. A violência doméstica contra cônjuge ou análogo registou, em 2014, mais 31 casos participados do que no ano anterior, ou seja, mais 0,1%.
O furto de oportunidade de objectos não guardados também surge com um aumento de 9,2%, mais 877 participações. Assim como o furto por carteiristas, com mais 3721 participações, o que corresponde a um aumento de 36,3%.
A criminalidade grupal revela uma diminuição de registos para 165, o que equivale a menos 2,5%. No entanto, a delinquência juvenil regista mais 453 participações, ou seja, um aumento de 23,4% em relação a 2013. A responsável sublinhou, no entanto, que este aumento acontece num universo de 2393 casos: “Considero que é um aumento, não me parece que seja um aumento preocupante”, disse.
Nesta segunda-feira, os dados foram previamente seleccionados e apresentados à comunicação social. Os slides com os números e gráficos foram passando rapidamente e, apesar dos protestos dos jornalistas, para poderem ter acesso a pelo menos ao que estava a ser apresentado no ecrã, nenhum documento foi facultado. O relatório, que foi discutido e aprovado na reunião do Conselho Superior de Segurança Interna, estará disponível na íntegra nesta terça-feira no site do Parlamento, onde será entregue para apreciação.
A criminalidade geral desceu 6,7% - 343.768 participações, menos 24.684 do que no ano anterior. Também a criminalidade violenta e grave diminuiu 5,4% - 19.061 participações, menos 1086 do que ano anterior.
Outros dados que foram adiantados dão conta de uma descida de 6,4% no que se refere a participações por furto em veículo motorizado. As participações registadas (20) por roubo a tesouraria ou estação de correio também diminuíram 60,8%.
No que respeita a incêndios florestais – incêndio e fogo posto em floresta, mata, arvoredo ou seara – registou-se uma diminuição de 47,9%, o que equivale a menos 4452 participações. Na área ardida, verifica-se uma diminuição de 85,7%.
Quanto à população prisional, um dos dados destacados diz respeito aos reclusos preventivos/condenados, item em que a diminuição é de 2% (menos 281).
Sobre o controlo de fronteiras, foi também revelado que houve uma diminuição de 9,4% das pessoas controladas em fronteira marítima.
Já no que concerne à segurança rodoviária, há um ligeiro aumento do número total de acidentes, mas menos vítimas mortais – menos 43 do que em 2013, segundo os dados avançados na conferência de imprensa desta segunda-feira.
Já no ano passado se tinha verificado uma descida da criminalidade em Portugal, continuando, no entanto, a verificar-se que a violência doméstica não acompanhava essa tendência. E já no ano passado o secretário-geral do Sistema de Segurança Interna, Antero Luís, mostrava preocupação perante o acréscimo de mortes resultantes de violência entre cônjuges.
Envelhecer e morrer sozinho
in Público on-line
No Japão, os números são esmagadores. Numa população de 127 milhões, uma em cada quatro pessoas tem mais de 65 anos. Cerca de 5 milhões são idosos que vivem sozinhos. Sem apoio ou visitas da família, aumentam os casos de idosos que morrem isolados, nas suas próprias casas. Em Março, o corpo de um homem de 80 anos foi encontrado no interior do seu apartamento. Estava morto há um mês e só o cheiro intenso deu o alerta aos vizinhos. Até agora, há 40 mil casos destes registados no Japão, mas a previsão é de que nos próximos dez anos esse número possa ultrapassar os 100 mil. Surgem por isso empresas especializadas para esvaziar e limpar os apartamentos, cobrando um mínimo de 700 euros pela operação. Aos vizinhos, dizem muitas vezes que estão a fazer uma simples mudança, para não os perturbar. Limpam a memória de quem ali viveu, incenso e flores são deixados no lugar de quem já partiu.
No Japão, os números são esmagadores. Numa população de 127 milhões, uma em cada quatro pessoas tem mais de 65 anos. Cerca de 5 milhões são idosos que vivem sozinhos. Sem apoio ou visitas da família, aumentam os casos de idosos que morrem isolados, nas suas próprias casas. Em Março, o corpo de um homem de 80 anos foi encontrado no interior do seu apartamento. Estava morto há um mês e só o cheiro intenso deu o alerta aos vizinhos. Até agora, há 40 mil casos destes registados no Japão, mas a previsão é de que nos próximos dez anos esse número possa ultrapassar os 100 mil. Surgem por isso empresas especializadas para esvaziar e limpar os apartamentos, cobrando um mínimo de 700 euros pela operação. Aos vizinhos, dizem muitas vezes que estão a fazer uma simples mudança, para não os perturbar. Limpam a memória de quem ali viveu, incenso e flores são deixados no lugar de quem já partiu.
Condenações à pena de morte subiram 28%
in Jornal de Notícias
Em 2014, pelo menos 607 pessoas condenadas à morte foram executadas. Há 22 países que aplicam a pena de morte.
Um relatório da Amnistia Internacional (AI), revelado esta quarta-feira, indica que as 607 pessoas executadas em 2014 representam uma diminuição de quase 22% em relação a 2013.
No entanto, a condenação à pena capital aumentou 28%, com 2466 pessoas a serem condenadas, face às 1925 penas de morte aplicadas em 2013. Este aumento deveu-se principalmente aos acontecimentos no Egito (109 penas de morte em 2013, 509 em 2014) e na Nigéria (141 em 2013 e 659 em 2014).
Decapitação, enforcamento, injeção letal e fuzilamento foram os métodos usados para executar os condenados, refere a AI, sublinhando que pelo menos 14 pessoas tinham menos de 18 anos quando foram executadas no Irão, numa violação da lei internacional.
No final do ano passado, pelo menos 19094 pessoas estavam no corredor da morte.
Sete países que aplicaram a pena de morte em 2013 não o fizeram no ano passado: Bangladesh, Botsuana, Indonésia, Índia, Kuwait, Nigéria e Sudão do Sul.
A China executou mais pessoas do que todos os outros países, mas o verdadeiro número das execuções é desconhecido porque esta informação é considerada um segredo de Estado, de acordo com a organização não governamental de defesa dos direitos humanos.
A AI sublinha ainda ser impossível confirmar o número de execuções efetuadas na Coreia do Norte. De acordo com fontes credíveis, que citou, realizaram-se no ano passado pelo menos 50 execuções, mas a ONG acredita que o número real deve ser mais elevado.
Crimes
Em muitos países que condenaram à morte ou executaram os procedimentos não respeitaram os padrões exigidos para um julgamento considerado justo e, em alguns casos, as autoridades obtiveram "confissões" através de tortura, como no Afeganistão, Arábia Saudita, Bahrein, China, Coreia do Norte, Irão e Iraque.
A AI nota que as pessoas continuaram a ser condenadas à morte e executadas por crimes que não correspondem ao padrão definido internacionalmente de "crimes muito graves" e "homicídios intencionais", incluindo crimes relacionados com tráfico drogas em pelo menos dez países na Ásia e no Médio Oriente. "Adultério" nos Emirados Árabes Unidos, "blasfémia" no Paquistão, crimes económicos na China, Coreia do Norte e Vietname, crimes que envolvem violação no Afeganistão, Arábia Saudita, Índia e Irão, e "bruxaria" na Arábia Saudita.
Alguns países suspenderam moratórias à aplicação da pena capital, como o Paquistão e Singapura, na Ásia, e o Egito, Emirados Árabes Unidos e Jordânia, no Médio Oriente.
Na África subsaariana, três países realizaram execuções no ano passado: Guiné Equatorial (nove), Somália (mais de 14) e Sudão (mais de 23).
A Guiné Equatorial executou, por fuzilamento, nove pessoas em janeiro, todas condenadas por homicídio. A 13 de fevereiro, o governo adotou uma moratória temporária sobre a aplicação da pena de morte para que o país concretizasse a adesão à Comunidade de Países de Língua Portuguesa (CPLP) em julho. A justiça da Guiné Equatorial não voltou a condenar à pena capital. Em maio, durante a revisão periódica universal da situação dos Direitos Humanos no país, no âmbito do conselho de Direitos Humanos da ONU, Malabo comprometeu-se a considerar a possibilidade de ratificar o segundo protocolo para a abolição da pena de morte do tratado internacional de direitos cívicos e políticos.
Na Europa, a Bielorrússia - único país no continente que aplica a pena de morte - retomou a aplicação, tendo executado pelo menos três pessoas no ano passado, pondo fim a um intervalo de 24 meses.
A AI sublinha que o número de países diminuiu quase para metade em duas décadas, já que em 1995 a pena de morte foi aplicada por 41 nações.
Atualmente, 140 países em todo o mundo são abolicionistas na lei ou na prática e, no ano passado, registaram-se comutações ou perdões da pena capital em 28 países. Pelo menos 112 pessoas condenadas à morte foram perdoadas em nove Estados, em 2014, indica a AI.
Em 2014, pelo menos 607 pessoas condenadas à morte foram executadas. Há 22 países que aplicam a pena de morte.
Um relatório da Amnistia Internacional (AI), revelado esta quarta-feira, indica que as 607 pessoas executadas em 2014 representam uma diminuição de quase 22% em relação a 2013.
No entanto, a condenação à pena capital aumentou 28%, com 2466 pessoas a serem condenadas, face às 1925 penas de morte aplicadas em 2013. Este aumento deveu-se principalmente aos acontecimentos no Egito (109 penas de morte em 2013, 509 em 2014) e na Nigéria (141 em 2013 e 659 em 2014).
Decapitação, enforcamento, injeção letal e fuzilamento foram os métodos usados para executar os condenados, refere a AI, sublinhando que pelo menos 14 pessoas tinham menos de 18 anos quando foram executadas no Irão, numa violação da lei internacional.
No final do ano passado, pelo menos 19094 pessoas estavam no corredor da morte.
Sete países que aplicaram a pena de morte em 2013 não o fizeram no ano passado: Bangladesh, Botsuana, Indonésia, Índia, Kuwait, Nigéria e Sudão do Sul.
A China executou mais pessoas do que todos os outros países, mas o verdadeiro número das execuções é desconhecido porque esta informação é considerada um segredo de Estado, de acordo com a organização não governamental de defesa dos direitos humanos.
A AI sublinha ainda ser impossível confirmar o número de execuções efetuadas na Coreia do Norte. De acordo com fontes credíveis, que citou, realizaram-se no ano passado pelo menos 50 execuções, mas a ONG acredita que o número real deve ser mais elevado.
Crimes
Em muitos países que condenaram à morte ou executaram os procedimentos não respeitaram os padrões exigidos para um julgamento considerado justo e, em alguns casos, as autoridades obtiveram "confissões" através de tortura, como no Afeganistão, Arábia Saudita, Bahrein, China, Coreia do Norte, Irão e Iraque.
A AI nota que as pessoas continuaram a ser condenadas à morte e executadas por crimes que não correspondem ao padrão definido internacionalmente de "crimes muito graves" e "homicídios intencionais", incluindo crimes relacionados com tráfico drogas em pelo menos dez países na Ásia e no Médio Oriente. "Adultério" nos Emirados Árabes Unidos, "blasfémia" no Paquistão, crimes económicos na China, Coreia do Norte e Vietname, crimes que envolvem violação no Afeganistão, Arábia Saudita, Índia e Irão, e "bruxaria" na Arábia Saudita.
Alguns países suspenderam moratórias à aplicação da pena capital, como o Paquistão e Singapura, na Ásia, e o Egito, Emirados Árabes Unidos e Jordânia, no Médio Oriente.
Na África subsaariana, três países realizaram execuções no ano passado: Guiné Equatorial (nove), Somália (mais de 14) e Sudão (mais de 23).
A Guiné Equatorial executou, por fuzilamento, nove pessoas em janeiro, todas condenadas por homicídio. A 13 de fevereiro, o governo adotou uma moratória temporária sobre a aplicação da pena de morte para que o país concretizasse a adesão à Comunidade de Países de Língua Portuguesa (CPLP) em julho. A justiça da Guiné Equatorial não voltou a condenar à pena capital. Em maio, durante a revisão periódica universal da situação dos Direitos Humanos no país, no âmbito do conselho de Direitos Humanos da ONU, Malabo comprometeu-se a considerar a possibilidade de ratificar o segundo protocolo para a abolição da pena de morte do tratado internacional de direitos cívicos e políticos.
Na Europa, a Bielorrússia - único país no continente que aplica a pena de morte - retomou a aplicação, tendo executado pelo menos três pessoas no ano passado, pondo fim a um intervalo de 24 meses.
A AI sublinha que o número de países diminuiu quase para metade em duas décadas, já que em 1995 a pena de morte foi aplicada por 41 nações.
Atualmente, 140 países em todo o mundo são abolicionistas na lei ou na prática e, no ano passado, registaram-se comutações ou perdões da pena capital em 28 países. Pelo menos 112 pessoas condenadas à morte foram perdoadas em nove Estados, em 2014, indica a AI.
Portugal já tem centro de formação para cuidar de bebés prematuros
Adriana Neves, Texto editado por Andrea Cunha Freitas, in Púbico on-line
O “São João NIDCAP – Training Centre Porto” pretende dar uma maior qualidade de vida aos bebés prematuros
O Hospital São João, no Porto, inaugurou esta quarta-feira um centro de formação para profissionais que lidam com recém-nascidos prematuros. O projecto está inserido no Neonatal Individualized Care and Assessment Program (NIDCAP) e tem como objectivo implementar cuidados individualizados centrados no desenvolvimento do recém-nascido.
Uma equipa de seis profissionais, entre médicos, enfermeiros e psicólogos, do Hospital de S. João quer inovar os cuidados prestados aos recém-nascidos prematuros. Aprenderam novas formas de cuidar dos bebés junto de profissionais norte-americanos, nomeadamente a ler a linguagem gestual deles para, dessa forma, conseguirem interpretar se os tratamentos os estão a “beneficiar ou a prejudicar” ou se estão (ou não) numa posição confortável, explica Hercília Guimarães, directora do serviço de neonatologia do Centro Hospitalar de São João. O recém-nascido merece, assim, uma atenção individualizada onde cada bébé é único. É preciso compreender os bebés, defende a responsável pelo serviço
Dentro da incubadora, os bebés são mantidos dentro de uma “concha” de pano que tenta, dentro do possível, “simular o útero materno”, adianta Madalena Ramos, enfermeira chefe no serviço de Neonatologia. "É como se estivessem na barriga da mãe", acrescenta Hercília Guimarães. Manter os familiares sempre informados ou apoiar a amamentação são outras das preocupações desta equipa. Os cuidados prestados a estes recém-nascidos também passam por um reforço do contacto de pele entre o bebé e a mãe e o pai.
As técnicas, centradas no desenvolvimento e na família, têm como grande objectivo "garantir o desenvolvimento cerebral do bebé.” Para Fátima Clemente, especialista em Neonatologia e mestre no NIDCAP, “a intervenção dos pais demonstrou uma melhoria do desenvolvimento do cérebro e na capacidade cognitiva".
Hercília Guimarães considera que o que o hospital fez até agora “estava bem feito mas era preciso mais alguma coisa”. Assim, após uma visita a Boston, nos Estados Unidos, onde o projecto NIDCAP foi dado a conhecer à equipa que esta quarta-feira inaugurou o centro do Hospital São João, percebeu-se que esta era uma boa aposta e que viria a beneficiar os bebés do centro hospitalar.
A componente emocional do projecto vai ser muito importante, deixando-se de lado protocolos mais rígidos da neonatologia. Para os médicos, a família é um elemento fundamental para ajudar a cuidar do bebé que, por ter nascido prematuramente, tem de passar dias, semanas ou meses na incubadora.
Tânia Martins, mãe de uma bebé prematura que nasceu neste hospital, garante que, apesar de a situação ser má, “houve momentos bons”. O facto de “poder estar perto dos nossos bebés já é muito bom e ajuda a superar o momento difícil”, explica Tânia Martins, garantindo que, enquanto a sua bebé esteve no hospital teve “plena confiança” nos profissionais que a rodeavam e que lhe explicavam “tudo direitinho”.
A enfermeira chefe Madalena Ramos relata a alteração de objectivos que houve desde que decidiram participar no NIDCAP: antes “a nossa preocupação era a sobrevivência”, agora a meta é a “excelência”.
A inauguração do espaço estava inicialmente marcada para o ano passado mas Hercília Guimarães explica que se tratou de um “processo moroso” que, devido a “constrangimentos económicos e de trabalho [por falta de pessoal]”, tornou impossível cumprir prazos.
Os formadores pretendem agora partilhar os seus conhecimentos com o restante pessoal do serviço e, mais tarde, com os especialistas que trabalham fora do hospital. Os principais interessados, para já, são hospitais nacionais e brasileiros e Hercília Guimarães garante que estão "disponíveis para os ensinar. Aliás, é esse o objectivo”.
Segundo dados do ano passado do projecto de Cuidados de Apoio a Recém-nascidos em Risco (CARE), nascem cerca de 1000 crianças com um peso inferior a 1500 gramas. No Hospital São João, cerca de 7% dos recém-nascidos são prematuros.
O “São João NIDCAP – Training Centre Porto” pretende dar uma maior qualidade de vida aos bebés prematuros
O Hospital São João, no Porto, inaugurou esta quarta-feira um centro de formação para profissionais que lidam com recém-nascidos prematuros. O projecto está inserido no Neonatal Individualized Care and Assessment Program (NIDCAP) e tem como objectivo implementar cuidados individualizados centrados no desenvolvimento do recém-nascido.
Uma equipa de seis profissionais, entre médicos, enfermeiros e psicólogos, do Hospital de S. João quer inovar os cuidados prestados aos recém-nascidos prematuros. Aprenderam novas formas de cuidar dos bebés junto de profissionais norte-americanos, nomeadamente a ler a linguagem gestual deles para, dessa forma, conseguirem interpretar se os tratamentos os estão a “beneficiar ou a prejudicar” ou se estão (ou não) numa posição confortável, explica Hercília Guimarães, directora do serviço de neonatologia do Centro Hospitalar de São João. O recém-nascido merece, assim, uma atenção individualizada onde cada bébé é único. É preciso compreender os bebés, defende a responsável pelo serviço
Dentro da incubadora, os bebés são mantidos dentro de uma “concha” de pano que tenta, dentro do possível, “simular o útero materno”, adianta Madalena Ramos, enfermeira chefe no serviço de Neonatologia. "É como se estivessem na barriga da mãe", acrescenta Hercília Guimarães. Manter os familiares sempre informados ou apoiar a amamentação são outras das preocupações desta equipa. Os cuidados prestados a estes recém-nascidos também passam por um reforço do contacto de pele entre o bebé e a mãe e o pai.
As técnicas, centradas no desenvolvimento e na família, têm como grande objectivo "garantir o desenvolvimento cerebral do bebé.” Para Fátima Clemente, especialista em Neonatologia e mestre no NIDCAP, “a intervenção dos pais demonstrou uma melhoria do desenvolvimento do cérebro e na capacidade cognitiva".
Hercília Guimarães considera que o que o hospital fez até agora “estava bem feito mas era preciso mais alguma coisa”. Assim, após uma visita a Boston, nos Estados Unidos, onde o projecto NIDCAP foi dado a conhecer à equipa que esta quarta-feira inaugurou o centro do Hospital São João, percebeu-se que esta era uma boa aposta e que viria a beneficiar os bebés do centro hospitalar.
A componente emocional do projecto vai ser muito importante, deixando-se de lado protocolos mais rígidos da neonatologia. Para os médicos, a família é um elemento fundamental para ajudar a cuidar do bebé que, por ter nascido prematuramente, tem de passar dias, semanas ou meses na incubadora.
Tânia Martins, mãe de uma bebé prematura que nasceu neste hospital, garante que, apesar de a situação ser má, “houve momentos bons”. O facto de “poder estar perto dos nossos bebés já é muito bom e ajuda a superar o momento difícil”, explica Tânia Martins, garantindo que, enquanto a sua bebé esteve no hospital teve “plena confiança” nos profissionais que a rodeavam e que lhe explicavam “tudo direitinho”.
A enfermeira chefe Madalena Ramos relata a alteração de objectivos que houve desde que decidiram participar no NIDCAP: antes “a nossa preocupação era a sobrevivência”, agora a meta é a “excelência”.
A inauguração do espaço estava inicialmente marcada para o ano passado mas Hercília Guimarães explica que se tratou de um “processo moroso” que, devido a “constrangimentos económicos e de trabalho [por falta de pessoal]”, tornou impossível cumprir prazos.
Os formadores pretendem agora partilhar os seus conhecimentos com o restante pessoal do serviço e, mais tarde, com os especialistas que trabalham fora do hospital. Os principais interessados, para já, são hospitais nacionais e brasileiros e Hercília Guimarães garante que estão "disponíveis para os ensinar. Aliás, é esse o objectivo”.
Segundo dados do ano passado do projecto de Cuidados de Apoio a Recém-nascidos em Risco (CARE), nascem cerca de 1000 crianças com um peso inferior a 1500 gramas. No Hospital São João, cerca de 7% dos recém-nascidos são prematuros.
Tráfico humano: mulheres africanas desprotegidas
autoria Elena Perlino, in Público on-line (P3)
"Pipeline" é o nome do livro fotográfico de Elena Perlino cujo tema central é o tráfico de mulheres de origem nigeriana para a prostituição em Itália. A autora esteve em Roma, Génova, Turim, Nápoles e Palermo onde testemunhou o funcionamento das redes de tráfico de mulheres e o quotidiano das vítimas. Ao chegar a Itália, o destino destas mulheres já está definido: a prostituição será o meio através do qual irão saldar a dívida de 60 a 80 mil euros que contraíram com a organização criminosa que as transportou desde a Nigéria até território europeu. O seu trabalho decorre, maioritariamente, nas bermas das grandes vias de acesso rodoviário e a actividade sexual decorre dentro de carros, entre a vegetação ou em casas abandonadas. Ao contrário do que seria expectável, as organizações que controlam estas mulheres não recorrem à violência física, dando preferência à coerção psicológica e emocional. A fotógrafa disse ao P3, em entrevista, que a ausência de violência foi determinante: "Tornou a interacção directa possível e permitiu-me entrar nas suas vidas. Tive mais dificuldades em documentar a vida das comunidades nas grandes cidades, onde os gangues nigerianos operam." Desprotegidas, isoladas da sociedade italiana e em situação de pobreza extrema, as mulheres aceitam sem relutância a extorção de que são vítimas. "Entrei num universo de desolação onde as mulheres, apesar de tudo, conseguiram manter a sua força, humanidade e orgulho. Mostrar este contraste tornou-se a minha motivação para realizar a reportagem." As autoridades policiais e de controlo de imigração visitam com frequência os locais onde se prostituem e detêm aquelas que não apresentam os seus documentos de identificação. São nesses casos, colocadas em centros de detenção para imigrantes ilegais e, mais tarde, integradas no Programa de Protecção à Vítima — que em Itália é, segundo Perlino, dos mais avançados da Europa. Segundo a Organização das Nações Unidas, a Nigéria é o oitavo país do mundo com maior incidência de crime de tráfico humano.
"Pipeline" é o nome do livro fotográfico de Elena Perlino cujo tema central é o tráfico de mulheres de origem nigeriana para a prostituição em Itália. A autora esteve em Roma, Génova, Turim, Nápoles e Palermo onde testemunhou o funcionamento das redes de tráfico de mulheres e o quotidiano das vítimas. Ao chegar a Itália, o destino destas mulheres já está definido: a prostituição será o meio através do qual irão saldar a dívida de 60 a 80 mil euros que contraíram com a organização criminosa que as transportou desde a Nigéria até território europeu. O seu trabalho decorre, maioritariamente, nas bermas das grandes vias de acesso rodoviário e a actividade sexual decorre dentro de carros, entre a vegetação ou em casas abandonadas. Ao contrário do que seria expectável, as organizações que controlam estas mulheres não recorrem à violência física, dando preferência à coerção psicológica e emocional. A fotógrafa disse ao P3, em entrevista, que a ausência de violência foi determinante: "Tornou a interacção directa possível e permitiu-me entrar nas suas vidas. Tive mais dificuldades em documentar a vida das comunidades nas grandes cidades, onde os gangues nigerianos operam." Desprotegidas, isoladas da sociedade italiana e em situação de pobreza extrema, as mulheres aceitam sem relutância a extorção de que são vítimas. "Entrei num universo de desolação onde as mulheres, apesar de tudo, conseguiram manter a sua força, humanidade e orgulho. Mostrar este contraste tornou-se a minha motivação para realizar a reportagem." As autoridades policiais e de controlo de imigração visitam com frequência os locais onde se prostituem e detêm aquelas que não apresentam os seus documentos de identificação. São nesses casos, colocadas em centros de detenção para imigrantes ilegais e, mais tarde, integradas no Programa de Protecção à Vítima — que em Itália é, segundo Perlino, dos mais avançados da Europa. Segundo a Organização das Nações Unidas, a Nigéria é o oitavo país do mundo com maior incidência de crime de tráfico humano.
Semana Santa: Via-Sacra no Coliseu de Roma vai lembrar cristãos perseguidos e escravatura moderna
in Agência Ecclesia
Vaticano publica reflexões pedidas pelo Papa a bispo italiano
Cidade do Vaticano, 30 mar 2015 (Ecclesia) - A Via-Sacra desta Sexta-feira Santa, no Coliseu de Roma, vai lembrar os cristãos perseguidos e a escravatura moderna, em reflexões escritas, a pedido do Papa, por D. Renato Corti, bispo emérito de Novara, Itália.
“Há homens e mulheres que são presos, condenados ou até mesmo trucidados, só porque são crentes ou comprometidos em prol da justiça e da paz. Não se envergonham da vossa cruz. São, para nós, admiráveis exemplos a imitar”, pode ler-se no texto, divulgado pelo Vaticano.
Os participantes na tradicional celebração, com início marcado para as 21h15 (menos uma em Lisboa), vão rezar pelo “direito fundamental à liberdade religiosa”.
A evocação da prisão, julgamento e condenação à morte de Jesus vai seguir o esquema clássico das 14 ‘estações’, lembrando “situações terríveis” da humanidade de hoje, como “o tráfico de seres humanos, a condição das crianças-soldado, o trabalho que se torna escravidão, as crianças e os adolescentes despojados de si mesmos, feridos na sua intimidade, barbaramente profanados”.
“Quando será abolida a pena de morte, praticada ainda hoje em numerosos Estados? Quando será eliminada toda a forma de tortura e a supressão violenta de pessoas inocentes? O vosso Evangelho é a mais firme defesa do homem, de cada homem”, escreve D. Renato Corti.
O bispo italiano convida os fiéis a ser “guardiões de toda a criação, de todas as pessoas, especialmente das mais pobres”.
“Julgar é fácil; mais importante, porém, é pormo-nos no lugar dos outros e ajudá-los até onde nos for possível”, pode ler-se.
A reflexão tem como título ‘A cruz, ápice luminoso do amor de Deus que nos guarda. Chamados, também nós, a sermos guardiões por amor’.
Entre os temas escolhidos estão também a família, o sofrimento e as mulheres, com textos do Papa Paulo VI, do cardeal Carlo Maria Martini ou de Shahbaz Bhatti, ministro paquistanês assassinado em 2011.
Os textos já estão disponíveis, em português, no site do Vaticano.
Todos os anos, o Papa pede a um autor diferente a redação dos textos de reflexão apresentados nas estações da celebração de Sexta-feira Santa, seguida por dezenas de milhares de peregrinos, com velas na mão, e por milhões de pessoas, através dos meios de comunicação.
OC
Vaticano publica reflexões pedidas pelo Papa a bispo italiano
Cidade do Vaticano, 30 mar 2015 (Ecclesia) - A Via-Sacra desta Sexta-feira Santa, no Coliseu de Roma, vai lembrar os cristãos perseguidos e a escravatura moderna, em reflexões escritas, a pedido do Papa, por D. Renato Corti, bispo emérito de Novara, Itália.
“Há homens e mulheres que são presos, condenados ou até mesmo trucidados, só porque são crentes ou comprometidos em prol da justiça e da paz. Não se envergonham da vossa cruz. São, para nós, admiráveis exemplos a imitar”, pode ler-se no texto, divulgado pelo Vaticano.
Os participantes na tradicional celebração, com início marcado para as 21h15 (menos uma em Lisboa), vão rezar pelo “direito fundamental à liberdade religiosa”.
A evocação da prisão, julgamento e condenação à morte de Jesus vai seguir o esquema clássico das 14 ‘estações’, lembrando “situações terríveis” da humanidade de hoje, como “o tráfico de seres humanos, a condição das crianças-soldado, o trabalho que se torna escravidão, as crianças e os adolescentes despojados de si mesmos, feridos na sua intimidade, barbaramente profanados”.
“Quando será abolida a pena de morte, praticada ainda hoje em numerosos Estados? Quando será eliminada toda a forma de tortura e a supressão violenta de pessoas inocentes? O vosso Evangelho é a mais firme defesa do homem, de cada homem”, escreve D. Renato Corti.
O bispo italiano convida os fiéis a ser “guardiões de toda a criação, de todas as pessoas, especialmente das mais pobres”.
“Julgar é fácil; mais importante, porém, é pormo-nos no lugar dos outros e ajudá-los até onde nos for possível”, pode ler-se.
A reflexão tem como título ‘A cruz, ápice luminoso do amor de Deus que nos guarda. Chamados, também nós, a sermos guardiões por amor’.
Entre os temas escolhidos estão também a família, o sofrimento e as mulheres, com textos do Papa Paulo VI, do cardeal Carlo Maria Martini ou de Shahbaz Bhatti, ministro paquistanês assassinado em 2011.
Os textos já estão disponíveis, em português, no site do Vaticano.
Todos os anos, o Papa pede a um autor diferente a redação dos textos de reflexão apresentados nas estações da celebração de Sexta-feira Santa, seguida por dezenas de milhares de peregrinos, com velas na mão, e por milhões de pessoas, através dos meios de comunicação.
OC
1.4.15
Senhorios com mais de 65 anos podem manter recibos de rendas em papel
por Lucília Tiago, in Diário de Notícias
Novas regras entram hoje em vigor. Primeiro recibo eletrónico de rendas será passado em maio e terá de reportar os valores pagos desde janeiro.
A partir de maio, os senhorios vão ter de passar recibos de rendas em versão eletrónica. Esta vai ser a regra, mas o diploma que a cria abre também a porta a algumas exceções, permitindo que os proprietários com mais de 65 anos ou com um valor de rendas anual inferior a 838,44 euros possam continuar com os recibos em papel. Proprietários receiam que se esteja a criar apenas mais um entrave burocrático.
A s novas regras entram agora em vigor, mas produzem efeitos a 1 de janeiro, pelo que a portaria estabelece que os senhorios têm de emitir em maio um recibo eletrónico conjunto para os cinco meses do ano já decorridos. Este modelo de recibo eletrónico, criado com a reforma do IRS, destina-se a quem tem rendimentos da categoria F, sendo o seu preenchimento e emissão feito no Portal das Finanças, onde o senhorio deve aceder usando o número de identificação fiscal (NIF) e senha de acesso.
Apesar de o recibo de rendas eletrónico ser a regra, podem manter a versão em papel os senhorios que cumulativamente "não possuam nem estejam obrigados a possuir caixa postal eletrotónica" ou que recebam um valor anual de rendas até dois indexantes de Apoios Sociais, ou seja, 838,44 euros, o que equivale a um valor médio mensal a rondar os 70 euros. De fora da nova obrigação ficam ainda os senhorios que tenham "a 31 de dezembro do ano anterior aquela a que respeitam tais rendimentos, idade igual ou superior a 65 anos".
Ou seja, permite-se que os proprietários mais velhos possam escolher o modelo de recibo, independentemente do valor de rendas. Manter o formato em papel implica que até ao final de janeiro de cada ano tenham de entregar uma declaração anual das rendas - podendo fazê-lo pela Internet ou num serviço de Finanças. Aqueles que tendo mais de 65 anos venham mais tarde a mudar-se para o recibo eletrónico ficam, nessa altura ,obrigados a emitir este formato de recibo para as rendas auferidas nos meses anteriores do ano em questão.
António Frias Marques, presidente da associação Nacional de Proprietários (ANP), lembra que, pelo valor anual de rendas que é considerado, poucos serão os senhorios que vão poder manter os recibos de renda de papel. Menezes Leitão, presidente da Associação Lisbonense de Proprietários, considera, por seu lado, que esta nova obrigação não faz sentido numa altura em que quem tem rendas pode optar por profissionalizar-se (passando a ser tributado pela categoria B) ou por declará-las como rendimentos da categoria F - uma solução mais à medida dos pequenos proprietários. Mas é precisamente a estes últimos que se destinam os recibos eletrónicos. "Está a criar-se um enquadramento burocrático que não tem paralelo, por exemplo, com os rendimentos prediais. Não faz sentido.".
Outra das mudanças que espera os senhorios tem a ver com a comunicação dos contratos, que passa a ser feita através da declaração Modelo 2, podendo esta ser enviada por via eletrónica ou entregue numa repartição de Finanças. A liquidação do Imposto de Selo é posteriormente efetuada pela Autoridade Tributária, sendo emitido um comprovativo do pagamento do imposto. Esta solução, conjugada com a comunicação a cada três meses dos consumos de eletricidade, gás, água e telecomunicações permitirá à AT detetar de forma mais célere eventuais casos de evasão fiscal e reforçar os meios de combate nesta área, tal como tem sublinhado o secretário de Estado dos Assuntos Fiscais, Paulo Núncio.
Novas regras entram hoje em vigor. Primeiro recibo eletrónico de rendas será passado em maio e terá de reportar os valores pagos desde janeiro.
A partir de maio, os senhorios vão ter de passar recibos de rendas em versão eletrónica. Esta vai ser a regra, mas o diploma que a cria abre também a porta a algumas exceções, permitindo que os proprietários com mais de 65 anos ou com um valor de rendas anual inferior a 838,44 euros possam continuar com os recibos em papel. Proprietários receiam que se esteja a criar apenas mais um entrave burocrático.
A s novas regras entram agora em vigor, mas produzem efeitos a 1 de janeiro, pelo que a portaria estabelece que os senhorios têm de emitir em maio um recibo eletrónico conjunto para os cinco meses do ano já decorridos. Este modelo de recibo eletrónico, criado com a reforma do IRS, destina-se a quem tem rendimentos da categoria F, sendo o seu preenchimento e emissão feito no Portal das Finanças, onde o senhorio deve aceder usando o número de identificação fiscal (NIF) e senha de acesso.
Apesar de o recibo de rendas eletrónico ser a regra, podem manter a versão em papel os senhorios que cumulativamente "não possuam nem estejam obrigados a possuir caixa postal eletrotónica" ou que recebam um valor anual de rendas até dois indexantes de Apoios Sociais, ou seja, 838,44 euros, o que equivale a um valor médio mensal a rondar os 70 euros. De fora da nova obrigação ficam ainda os senhorios que tenham "a 31 de dezembro do ano anterior aquela a que respeitam tais rendimentos, idade igual ou superior a 65 anos".
Ou seja, permite-se que os proprietários mais velhos possam escolher o modelo de recibo, independentemente do valor de rendas. Manter o formato em papel implica que até ao final de janeiro de cada ano tenham de entregar uma declaração anual das rendas - podendo fazê-lo pela Internet ou num serviço de Finanças. Aqueles que tendo mais de 65 anos venham mais tarde a mudar-se para o recibo eletrónico ficam, nessa altura ,obrigados a emitir este formato de recibo para as rendas auferidas nos meses anteriores do ano em questão.
António Frias Marques, presidente da associação Nacional de Proprietários (ANP), lembra que, pelo valor anual de rendas que é considerado, poucos serão os senhorios que vão poder manter os recibos de renda de papel. Menezes Leitão, presidente da Associação Lisbonense de Proprietários, considera, por seu lado, que esta nova obrigação não faz sentido numa altura em que quem tem rendas pode optar por profissionalizar-se (passando a ser tributado pela categoria B) ou por declará-las como rendimentos da categoria F - uma solução mais à medida dos pequenos proprietários. Mas é precisamente a estes últimos que se destinam os recibos eletrónicos. "Está a criar-se um enquadramento burocrático que não tem paralelo, por exemplo, com os rendimentos prediais. Não faz sentido.".
Outra das mudanças que espera os senhorios tem a ver com a comunicação dos contratos, que passa a ser feita através da declaração Modelo 2, podendo esta ser enviada por via eletrónica ou entregue numa repartição de Finanças. A liquidação do Imposto de Selo é posteriormente efetuada pela Autoridade Tributária, sendo emitido um comprovativo do pagamento do imposto. Esta solução, conjugada com a comunicação a cada três meses dos consumos de eletricidade, gás, água e telecomunicações permitirá à AT detetar de forma mais célere eventuais casos de evasão fiscal e reforçar os meios de combate nesta área, tal como tem sublinhado o secretário de Estado dos Assuntos Fiscais, Paulo Núncio.
Bloqueio informático deixou jovens criminosos à solta
por Rute Coelho, in Diário de Notícias
O aumento dos crimes praticados por menores em 2014 não foi refletido, de igual forma, na entrada de jovens nos centros educativos por haver processos parados.
A subida de crimes praticados por jovens não teve equivalência na entrada de delinquentes juvenis no sistema (centros educativos) onde cumprem pena. A culpa foi do bloquieo do Citius que fez parar processos, segundo informações avançadas ao DN pelo diretor geral adjunto da Reinserção Social. Licínio Lima teme que "o sistema fique sobrelotado" assim que os tribunais voltarem ao normal.
No ano passado houve 6,5 crimes cometidos por dia por menores dos 12 aos 16 anos,valor a que se chega tendo por base o total de 2393 ilícitos nesta faixa etária participados às autoridades, segundo o Relatório Anual de Segurança Interna (RASI) de 2014. Mas esta subida da delinquência juvenil em 23,4% em relação a 2013 não foi acompanhada de um aumento das penas de internamento em centros educativos. "Com a entrada em vigor do novo mapa judiciário e a falha no Citius muitos processos relacionados com delinquência juvenil pararam. Isto conduziu a um decréscimo enorme de propostas de internamento de menores em centros educativos", afirmou Licínio Lima.
O aumento dos crimes praticados por menores em 2014 não foi refletido, de igual forma, na entrada de jovens nos centros educativos por haver processos parados.
A subida de crimes praticados por jovens não teve equivalência na entrada de delinquentes juvenis no sistema (centros educativos) onde cumprem pena. A culpa foi do bloquieo do Citius que fez parar processos, segundo informações avançadas ao DN pelo diretor geral adjunto da Reinserção Social. Licínio Lima teme que "o sistema fique sobrelotado" assim que os tribunais voltarem ao normal.
No ano passado houve 6,5 crimes cometidos por dia por menores dos 12 aos 16 anos,valor a que se chega tendo por base o total de 2393 ilícitos nesta faixa etária participados às autoridades, segundo o Relatório Anual de Segurança Interna (RASI) de 2014. Mas esta subida da delinquência juvenil em 23,4% em relação a 2013 não foi acompanhada de um aumento das penas de internamento em centros educativos. "Com a entrada em vigor do novo mapa judiciário e a falha no Citius muitos processos relacionados com delinquência juvenil pararam. Isto conduziu a um decréscimo enorme de propostas de internamento de menores em centros educativos", afirmou Licínio Lima.
"Tratamento dos doentes com cancro em Portugal está no vermelho"
in Diário de Notícias
Falta de camas impediu que 266 doentes fossem operados em 2014. "É inaceitável", afirma o presidente da Sociedade Portuguesa de Oncologia.
O presidente cessante da Sociedade Portuguesa de Oncologia (SPO), Joaquim Abreu de Sousa, afirmou quarta-feira que "o tratamento dos doentes com cancro em Portugal está no vermelho" ao nível da assistência porque as instituições estão "no limite".
Joaquim Abreu de Sousa, até há poucas semanas presidente da SPO, proferiu estas afirmações no decurso da sua audição na Comissão Parlamentar da Saúde, onde se encontra a pedido do PS e após ter afirmado, em março, que foram adiadas cirurgias oncológicas devido à falta de camas.
Estas afirmações foram consideradas "alarmistas" pela deputada social-democrata Carla Rodrigues, acusação refutada por Joaquim Abreu de Sousa: "A gravidade está demonstrada nos relatórios do governo", disse o médico, considerando que os dados são "indiscutíveis".
"A sociedade tem de decidir se este é ou não um assunto prioritário, se a principal causa de morte em Portugal deve merecer mais verbas ou não", afirmou o oncologista e diretor do serviço de cirurgia do Instituto Português de Oncologia (IPO) do Porto. Segundo Joaquim Abreu de Sousa, neste momento, "o tratamento dos doentes com cancro em Portugal está no vermelho", nomeadamente ao nível dos cuidados assistenciais e devido ao limite das instituições.
"Quando o sistema começa a perder resiliência, começa a perder capacidade de resistir aos eventos. Queremos prevenir situações de rutura", adiantou.
Antes de ser questionado pelos deputados, Joaquim Abreu de Sousa apresentou um conjunto de dados sobre a oncologia em Portugal, os quais justificam a preocupação dos profissionais de saúde. De acordo com estes dados, em Portugal registam-se 50 mil novos casos de cancro por ano.
"Uma pessoa com menos de 35 anos tem uma probabilidade de vir a ter cancro de 24 por cento e de 10 por cento de morrer", recordou. Os mesmos dados indicam que Portugal gasta 53 euros por pessoa para o tratamento do cancro, "menos de metade da média na União Europeia e menos de um terço do que gastam" outros países europeus, disse.
Relativamente às camas - tema que levou o oncologista à Comissão Parlamentar da Saúde -, Joaquim Abreu de Sousa lembrou que estas diminuíram de 39 mil para 35 mil nos últimos vinte anos. O oncologista sublinhou, no entanto, que 10 mil das 35 mil camas oncológicas estão no setor privado.
O médico reiterou que a falta de camas impediu que 266 doentes fossem operados em 2014, apesar das equipas estarem disponíveis para isso. "Temos de tratar estes doentes com mais dignidade. É inaceitável que um doente que chega ao hospital para ser operado, com as equipas disponíveis, não tenha cama", disse. "Como cidadão, acho que isto é inaceitável", reafirmou.
Falta de camas impediu que 266 doentes fossem operados em 2014. "É inaceitável", afirma o presidente da Sociedade Portuguesa de Oncologia.
O presidente cessante da Sociedade Portuguesa de Oncologia (SPO), Joaquim Abreu de Sousa, afirmou quarta-feira que "o tratamento dos doentes com cancro em Portugal está no vermelho" ao nível da assistência porque as instituições estão "no limite".
Joaquim Abreu de Sousa, até há poucas semanas presidente da SPO, proferiu estas afirmações no decurso da sua audição na Comissão Parlamentar da Saúde, onde se encontra a pedido do PS e após ter afirmado, em março, que foram adiadas cirurgias oncológicas devido à falta de camas.
Estas afirmações foram consideradas "alarmistas" pela deputada social-democrata Carla Rodrigues, acusação refutada por Joaquim Abreu de Sousa: "A gravidade está demonstrada nos relatórios do governo", disse o médico, considerando que os dados são "indiscutíveis".
"A sociedade tem de decidir se este é ou não um assunto prioritário, se a principal causa de morte em Portugal deve merecer mais verbas ou não", afirmou o oncologista e diretor do serviço de cirurgia do Instituto Português de Oncologia (IPO) do Porto. Segundo Joaquim Abreu de Sousa, neste momento, "o tratamento dos doentes com cancro em Portugal está no vermelho", nomeadamente ao nível dos cuidados assistenciais e devido ao limite das instituições.
"Quando o sistema começa a perder resiliência, começa a perder capacidade de resistir aos eventos. Queremos prevenir situações de rutura", adiantou.
Antes de ser questionado pelos deputados, Joaquim Abreu de Sousa apresentou um conjunto de dados sobre a oncologia em Portugal, os quais justificam a preocupação dos profissionais de saúde. De acordo com estes dados, em Portugal registam-se 50 mil novos casos de cancro por ano.
"Uma pessoa com menos de 35 anos tem uma probabilidade de vir a ter cancro de 24 por cento e de 10 por cento de morrer", recordou. Os mesmos dados indicam que Portugal gasta 53 euros por pessoa para o tratamento do cancro, "menos de metade da média na União Europeia e menos de um terço do que gastam" outros países europeus, disse.
Relativamente às camas - tema que levou o oncologista à Comissão Parlamentar da Saúde -, Joaquim Abreu de Sousa lembrou que estas diminuíram de 39 mil para 35 mil nos últimos vinte anos. O oncologista sublinhou, no entanto, que 10 mil das 35 mil camas oncológicas estão no setor privado.
O médico reiterou que a falta de camas impediu que 266 doentes fossem operados em 2014, apesar das equipas estarem disponíveis para isso. "Temos de tratar estes doentes com mais dignidade. É inaceitável que um doente que chega ao hospital para ser operado, com as equipas disponíveis, não tenha cama", disse. "Como cidadão, acho que isto é inaceitável", reafirmou.
Amnistia Internacional denuncia maior número de penas de morte em 2014
por Filomena Naves, in Diário de Notícias
Amnistia Internacional divulga hoje o seu relatório sobre a pena capital. Há menos execuções, mas mais sentenças proferidas.
Durante ano e meio, Meriam Yehya Ibrahim esteve encerrada numa prisão de Cartum, no Sudão, condenada à morte por professar a religião "errada". Mas a Amnistia Internacional (AI) juntou mais de um milhão de pessoas em todo o mundo pedindo a sua libertação e a 23 de junho do ano passado a jovem de 27 anos foi libertada, Vive hoje nos Estados Unidos.
Para Meriam houve um final feliz, mas para 607 outras pessoas, que foram executadas em 2014, em 22 países, a vida acabou ali. Segundo a AI, existirão cerca de 20 mil pessoas no corredor da morte em todo o mundo e, só no ano passado, foram proferidas 2466 penas capitais em 55 países. É um aumento de 28% em relação a 2013, em que foram sentenciadas 1925 pessoas à pena capital.
Estes são dados do Relatório Anual da Pena de Morte 2014, que a Amnistia Internacional divulga hoje em todo o mundo, e que mostra que o abolicionismo ainda tem muito caminho para andar
Amnistia Internacional divulga hoje o seu relatório sobre a pena capital. Há menos execuções, mas mais sentenças proferidas.
Durante ano e meio, Meriam Yehya Ibrahim esteve encerrada numa prisão de Cartum, no Sudão, condenada à morte por professar a religião "errada". Mas a Amnistia Internacional (AI) juntou mais de um milhão de pessoas em todo o mundo pedindo a sua libertação e a 23 de junho do ano passado a jovem de 27 anos foi libertada, Vive hoje nos Estados Unidos.
Para Meriam houve um final feliz, mas para 607 outras pessoas, que foram executadas em 2014, em 22 países, a vida acabou ali. Segundo a AI, existirão cerca de 20 mil pessoas no corredor da morte em todo o mundo e, só no ano passado, foram proferidas 2466 penas capitais em 55 países. É um aumento de 28% em relação a 2013, em que foram sentenciadas 1925 pessoas à pena capital.
Estes são dados do Relatório Anual da Pena de Morte 2014, que a Amnistia Internacional divulga hoje em todo o mundo, e que mostra que o abolicionismo ainda tem muito caminho para andar
Comissário europeu: "É preciso continuar o ímpeto reformista" em Portugal
in RR
Pierre Moscovici diz que medidas chave, como a reforma das pensões, não avançaram o suficiente.
O comissário europeu dos Assuntos Económicos e Financeiros elogia o desempenho de Portugal durante a crise, mas deixa claro que o país tem ainda muito pela frente. Para Pierre Moscovici, "é preciso continuar o ímpeto reformista".
"As reformas estruturais são fundamentais. Portugal fez progressos, mas é preciso continuar o ímpeto reformista", disse Moscovici, ouvido nas comissões parlamentares de Assuntos Europeus e de Orçamento, Finanças e Administração Pública, esta terça-feira, no Parlamento.
O comissário francês considerou que, "em concreto, no que respeita às finanças públicas, algumas medidas-chave que estavam em preparação, como a reforma das pensões, não parecem ter progredido o suficiente".
Quanto ao mercado de trabalho e às qualificações, Pierre Moscovici deixou também um aviso, que vinha incluído nas recomendações específicas da Comissão Europeia a Portugal, divulgadas em Fevereiro: é preciso "facilitar o acesso a contratos permanentes [de trabalho] para reduzir o nível de segmentação do mercado laboral português" e é preciso "fazer mais" ao nível da educação e da formação profissional.
"Pensamos que o crescimento da pobreza exige o reforço da ajuda social e não a sua diminuição", sublinhou.
"Se queremos orientar de maneira duradoura a economia portuguesa para a produção de bens exportáveis, o país tem necessidade imperativa de investimento privado. Penso que é essa a chave de tudo", afirmou o comissário, dando exemplos concretos: melhor integração transfronteiriça das redes de energia, o desenvolvimento da pesquisa, o apoio à inovação, a realização de infra-estruturas ferroviária e portuária.
A visita do ex-ministro das Finanças francês a Lisboa enquadra-se no âmbito do Semestre Europeu de 2015 e da definição das prioridades europeias em matéria de assuntos económicos e monetários, incluindo o Tratado Orçamental, bem como sobre as propostas da Comissão Europeia referentes ao Plano de Investimento para a Europa e ao Fundo Europeu para Investimentos Estratégicos, o 'plano Juncker', que prevê investimentos de mais de 300 mil milhões de euros em toda a Europa.
Défice abaixo dos 3% em 2015
Pierre Moscovici afirmou que o défice de Portugal pode ficar abaixo dos 3% em 2015, considerando que cabe ao Parlamento decidir sobre a necessidade de implementar medidas suplementares.
Questionado pelo deputado do PSD António Rodrigues sobre se acredita que Portugal vai conseguir que o défice orçamental fique abaixo dos 3% em 2015, o comissário disse: "sim, há um compromisso de [o défice orçamental] não passar dos 3% e esse compromisso deve ser respeitado".
"Se pode ser respeitado? Sim, acreditamos que isso pode ser feito. Mas a questão que se deve colocar é como" é que Portugal pode cumprir este compromisso, replicou o comissário francês, acrescentando que, "se isso vai exigir esforços suplementares ou não, cabe ao parlamento decidir".
CE alertou para desequilíbrios económicos excessivos
Em Fevereiro, a Comissão Europeia divulgou as recomendações específicas aos países da União Europeia e colocou Portugal sob "monitorização específica" por desequilíbrios económicos excessivos, tendo criticado a estratégia de consolidação orçamental seguida, que assenta em factores cíclicos e "não facilita" o cumprimento dos objectivos de médio prazo.
No relatório, que dá seguimento ao mecanismo de alerta (de desequilíbrios macroeconómicos) realizado em Novembro no âmbito do calendário do Semestre Europeu, Bruxelas refere que as medidas discricionárias subjacentes à estratégia orçamental recente "têm sido substancialmente reduzidas", o que quer dizer que a diminuição do défice orçamental decorre "sobretudo da recuperação cíclica em curso".
Outra das críticas apontadas a Portugal foi o facto de o sistema de protecção social não ter sido capaz de lidar com o aumento da pobreza nos últimos anos.
O executivo comunitário afirmou ainda que algumas das medidas tomadas recentemente pelo Governo, como o corte nos apoios sociais, "tiveram um impacto negativo no rendimento disponível", afectando "desproporcionalmente os mais pobres" e "as crianças com menos de dez anos".
Pierre Moscovici diz que medidas chave, como a reforma das pensões, não avançaram o suficiente.
O comissário europeu dos Assuntos Económicos e Financeiros elogia o desempenho de Portugal durante a crise, mas deixa claro que o país tem ainda muito pela frente. Para Pierre Moscovici, "é preciso continuar o ímpeto reformista".
"As reformas estruturais são fundamentais. Portugal fez progressos, mas é preciso continuar o ímpeto reformista", disse Moscovici, ouvido nas comissões parlamentares de Assuntos Europeus e de Orçamento, Finanças e Administração Pública, esta terça-feira, no Parlamento.
O comissário francês considerou que, "em concreto, no que respeita às finanças públicas, algumas medidas-chave que estavam em preparação, como a reforma das pensões, não parecem ter progredido o suficiente".
Quanto ao mercado de trabalho e às qualificações, Pierre Moscovici deixou também um aviso, que vinha incluído nas recomendações específicas da Comissão Europeia a Portugal, divulgadas em Fevereiro: é preciso "facilitar o acesso a contratos permanentes [de trabalho] para reduzir o nível de segmentação do mercado laboral português" e é preciso "fazer mais" ao nível da educação e da formação profissional.
"Pensamos que o crescimento da pobreza exige o reforço da ajuda social e não a sua diminuição", sublinhou.
"Se queremos orientar de maneira duradoura a economia portuguesa para a produção de bens exportáveis, o país tem necessidade imperativa de investimento privado. Penso que é essa a chave de tudo", afirmou o comissário, dando exemplos concretos: melhor integração transfronteiriça das redes de energia, o desenvolvimento da pesquisa, o apoio à inovação, a realização de infra-estruturas ferroviária e portuária.
A visita do ex-ministro das Finanças francês a Lisboa enquadra-se no âmbito do Semestre Europeu de 2015 e da definição das prioridades europeias em matéria de assuntos económicos e monetários, incluindo o Tratado Orçamental, bem como sobre as propostas da Comissão Europeia referentes ao Plano de Investimento para a Europa e ao Fundo Europeu para Investimentos Estratégicos, o 'plano Juncker', que prevê investimentos de mais de 300 mil milhões de euros em toda a Europa.
Défice abaixo dos 3% em 2015
Pierre Moscovici afirmou que o défice de Portugal pode ficar abaixo dos 3% em 2015, considerando que cabe ao Parlamento decidir sobre a necessidade de implementar medidas suplementares.
Questionado pelo deputado do PSD António Rodrigues sobre se acredita que Portugal vai conseguir que o défice orçamental fique abaixo dos 3% em 2015, o comissário disse: "sim, há um compromisso de [o défice orçamental] não passar dos 3% e esse compromisso deve ser respeitado".
"Se pode ser respeitado? Sim, acreditamos que isso pode ser feito. Mas a questão que se deve colocar é como" é que Portugal pode cumprir este compromisso, replicou o comissário francês, acrescentando que, "se isso vai exigir esforços suplementares ou não, cabe ao parlamento decidir".
CE alertou para desequilíbrios económicos excessivos
Em Fevereiro, a Comissão Europeia divulgou as recomendações específicas aos países da União Europeia e colocou Portugal sob "monitorização específica" por desequilíbrios económicos excessivos, tendo criticado a estratégia de consolidação orçamental seguida, que assenta em factores cíclicos e "não facilita" o cumprimento dos objectivos de médio prazo.
No relatório, que dá seguimento ao mecanismo de alerta (de desequilíbrios macroeconómicos) realizado em Novembro no âmbito do calendário do Semestre Europeu, Bruxelas refere que as medidas discricionárias subjacentes à estratégia orçamental recente "têm sido substancialmente reduzidas", o que quer dizer que a diminuição do défice orçamental decorre "sobretudo da recuperação cíclica em curso".
Outra das críticas apontadas a Portugal foi o facto de o sistema de protecção social não ter sido capaz de lidar com o aumento da pobreza nos últimos anos.
O executivo comunitário afirmou ainda que algumas das medidas tomadas recentemente pelo Governo, como o corte nos apoios sociais, "tiveram um impacto negativo no rendimento disponível", afectando "desproporcionalmente os mais pobres" e "as crianças com menos de dez anos".
Fechar centro de acolhimento de jovens é "a pior das soluções"
in Notícias ao Minuto
O PCP considerou hoje que o encerramento da Casa Alberto Souto, em Aveiro, é "a pior das soluções" para aquele centro de acolhimento de jovens no limiar da exclusão social.
"No seguimento de um processo de progressivo desmantelamento, com colocação dos jovens em outras instituições do país e sucessivos atropelamentos aos direitos dos trabalhadores, este é um desfecho tão triste como anunciado", refere o PCP, em comunicado.
Para os comunistas, a solução adotada apenas favorece os interesses dos grupos privados que operam na esfera da Ação Social, quando, segundo dados fornecidos pelos próprios trabalhadores, havia até terça-feira uma lista de espera de 126 jovens para acolhimento na instituição que hoje encerra portas.
"Esta é a pior das soluções também para utentes e trabalhadores. Do lado dos utentes, jovens no limiar da exclusão social, a sua deslocação para outras instituições compromete seriamente a sua integração social, colocando em risco tudo o que até agora foi feito, afastando-os das famílias e pondo em risco o acesso a serviços básicos de saúde, a partir de agora sujeitos a um 'teto' de 70 euros mensais", critica o PCP.
Quanto aos trabalhadores, a decisão vem confirmar que "a precariedade é antecâmara do desemprego", já que, depois de vários meses a recibos verdes e com salários atrasados, "são agora enviados para o desemprego, engrossando as enormes fileiras do lote dos desempregados no país".
O PCP recorda ainda que havia confrontado o Governo, aquando da discussão do Orçamento de Estado para 2015, na Assembleia da República, com os rumores de encerramento da Casa Alberto Souto, tendo na altura recebido "um categórico desmentido" por parte da ministra da Justiça.
"Uma vez mais, sem surpresa, a palavra deste Governo prova-se sem qualquer valor", conclui.
A Casa Alberto Souto, inserida numa área de três hectares em Aradas, Aveiro, propriedade do Ministério da Justiça, funcionava como lar para jovens delinquentes, enviados pelo Tribunal, gerido pelo Ministério da Solidariedade, Emprego e Segurança Social e acolhia 16 adolescentes, que eram acompanhados por técnicos especializados, para a sua reabilitação, que foram distribuídos por outras instituições.
O PCP considerou hoje que o encerramento da Casa Alberto Souto, em Aveiro, é "a pior das soluções" para aquele centro de acolhimento de jovens no limiar da exclusão social.
"No seguimento de um processo de progressivo desmantelamento, com colocação dos jovens em outras instituições do país e sucessivos atropelamentos aos direitos dos trabalhadores, este é um desfecho tão triste como anunciado", refere o PCP, em comunicado.
Para os comunistas, a solução adotada apenas favorece os interesses dos grupos privados que operam na esfera da Ação Social, quando, segundo dados fornecidos pelos próprios trabalhadores, havia até terça-feira uma lista de espera de 126 jovens para acolhimento na instituição que hoje encerra portas.
"Esta é a pior das soluções também para utentes e trabalhadores. Do lado dos utentes, jovens no limiar da exclusão social, a sua deslocação para outras instituições compromete seriamente a sua integração social, colocando em risco tudo o que até agora foi feito, afastando-os das famílias e pondo em risco o acesso a serviços básicos de saúde, a partir de agora sujeitos a um 'teto' de 70 euros mensais", critica o PCP.
Quanto aos trabalhadores, a decisão vem confirmar que "a precariedade é antecâmara do desemprego", já que, depois de vários meses a recibos verdes e com salários atrasados, "são agora enviados para o desemprego, engrossando as enormes fileiras do lote dos desempregados no país".
O PCP recorda ainda que havia confrontado o Governo, aquando da discussão do Orçamento de Estado para 2015, na Assembleia da República, com os rumores de encerramento da Casa Alberto Souto, tendo na altura recebido "um categórico desmentido" por parte da ministra da Justiça.
"Uma vez mais, sem surpresa, a palavra deste Governo prova-se sem qualquer valor", conclui.
A Casa Alberto Souto, inserida numa área de três hectares em Aradas, Aveiro, propriedade do Ministério da Justiça, funcionava como lar para jovens delinquentes, enviados pelo Tribunal, gerido pelo Ministério da Solidariedade, Emprego e Segurança Social e acolhia 16 adolescentes, que eram acompanhados por técnicos especializados, para a sua reabilitação, que foram distribuídos por outras instituições.
Pobreza infantil impacta desenvolvimento do cérebro
in Exame.com
Segundo o estudo, as soluções estão ao alcance de todos, incluindo merenda escolar melhor, ensino motivado e programas comunitários para incentivar as crianças
Paris - Filhos de pais mais ricos e mais instruídos têm cérebros maiores e mais habilidades cognitivas do que seus pares menos afortunados, mas a ajuda social e o ensino podem ajudar a superar as diferenças - informou um estudo publicado nesta segunda-feira.
As distinções foram mais profundas em regiões do cérebro que apoiam a linguagem e a leitura, funções executivas como memória e tomada de decisões, e habilidades espaciais, segundo artigo publicado na revista Nature Neuroscience.
O impacto foi "significativo em termos da forma como o cérebro está trabalhando nessas crianças", explicou à AFP a co-autora do trabalho Elizabeth Sowell, da Universidade do Sul da Califórnia.
"Descobrimos que a relação entre cérebro (estrutura) e renda familiar afeta o funcionamento cognitivo das crianças", disse Sowell por e-mail.
O estudo destacou que as soluções estão ao alcance de todos, incluindo merenda escolar melhor, ensino motivado e programas comunitários para incentivar as crianças.
"Não é tarde demais para pensar em como usar os recursos que enriquecem o ambiente de desenvolvimento, que em troca ajudam as conexões cerebrais", ponderou Sowell.
Desigualdades socioeconômicas têm sido vistas como ligadas a diferenças no desenvolvimento cognitivo, mas a medida em que a estrutura do cérebro era afetada não estava clara até agora.
Considerado o maior estudo deste tipo, a pesquisa conduzida por Sowell e sua equipe testou 1.099 meninos e meninas com idades entre três e 20 anos com desenvolvimento típico, de diversos grupos da população.
Eles compararam renda e nível de educação dos pais com a área de superfície do cérebro das crianças, medidas por tomografias computadorizadas, bem como os resultados dos testes cognitivos.
Uma correção para outras influências que poderiam gerar confusão sobre a estrutura do cérebro, como a ascendência genética, foi feita.
Além das diferenças observadas entre a área da superfície do cérebro das crianças nos níveis de rendimento mais baixos e mais altos, também houve uma disparidade gritante entre os grupos de renda no extremo inferior da escala.
Houve uma diferença maior, por exemplo, entre os resultados em crianças de famílias com renda anual entre 30 mil dólares e 50 mil, do que aqueles que ganham entre 90 mil e 110.000 mil.
Sowell disse que a razão por trás dessa diferença não é clara.
"Parece razoável especular que os recursos proporcionados pela mais abastados (nutrição, cuidados infantis, escolas etc.) ajudam a 'bombar' o cérebro durante a fase de desenvolvimento", afirmou a pesquisadora.
"O ponto mais importante que queremos transmitir...não é 'se você é pobre, seu cérebro vai ser menor e não há nada que possa ser feito sobre isso'. Essa absolutamente não é a mensagem!", garantiu.
Tópicos: Crianças, Desenvolvimento econômico, Desenvolvimento, Educação, Pobreza
Segundo o estudo, as soluções estão ao alcance de todos, incluindo merenda escolar melhor, ensino motivado e programas comunitários para incentivar as crianças
Paris - Filhos de pais mais ricos e mais instruídos têm cérebros maiores e mais habilidades cognitivas do que seus pares menos afortunados, mas a ajuda social e o ensino podem ajudar a superar as diferenças - informou um estudo publicado nesta segunda-feira.
As distinções foram mais profundas em regiões do cérebro que apoiam a linguagem e a leitura, funções executivas como memória e tomada de decisões, e habilidades espaciais, segundo artigo publicado na revista Nature Neuroscience.
O impacto foi "significativo em termos da forma como o cérebro está trabalhando nessas crianças", explicou à AFP a co-autora do trabalho Elizabeth Sowell, da Universidade do Sul da Califórnia.
"Descobrimos que a relação entre cérebro (estrutura) e renda familiar afeta o funcionamento cognitivo das crianças", disse Sowell por e-mail.
O estudo destacou que as soluções estão ao alcance de todos, incluindo merenda escolar melhor, ensino motivado e programas comunitários para incentivar as crianças.
"Não é tarde demais para pensar em como usar os recursos que enriquecem o ambiente de desenvolvimento, que em troca ajudam as conexões cerebrais", ponderou Sowell.
Desigualdades socioeconômicas têm sido vistas como ligadas a diferenças no desenvolvimento cognitivo, mas a medida em que a estrutura do cérebro era afetada não estava clara até agora.
Considerado o maior estudo deste tipo, a pesquisa conduzida por Sowell e sua equipe testou 1.099 meninos e meninas com idades entre três e 20 anos com desenvolvimento típico, de diversos grupos da população.
Eles compararam renda e nível de educação dos pais com a área de superfície do cérebro das crianças, medidas por tomografias computadorizadas, bem como os resultados dos testes cognitivos.
Uma correção para outras influências que poderiam gerar confusão sobre a estrutura do cérebro, como a ascendência genética, foi feita.
Além das diferenças observadas entre a área da superfície do cérebro das crianças nos níveis de rendimento mais baixos e mais altos, também houve uma disparidade gritante entre os grupos de renda no extremo inferior da escala.
Houve uma diferença maior, por exemplo, entre os resultados em crianças de famílias com renda anual entre 30 mil dólares e 50 mil, do que aqueles que ganham entre 90 mil e 110.000 mil.
Sowell disse que a razão por trás dessa diferença não é clara.
"Parece razoável especular que os recursos proporcionados pela mais abastados (nutrição, cuidados infantis, escolas etc.) ajudam a 'bombar' o cérebro durante a fase de desenvolvimento", afirmou a pesquisadora.
"O ponto mais importante que queremos transmitir...não é 'se você é pobre, seu cérebro vai ser menor e não há nada que possa ser feito sobre isso'. Essa absolutamente não é a mensagem!", garantiu.
Tópicos: Crianças, Desenvolvimento econômico, Desenvolvimento, Educação, Pobreza
Como Portugal não atrai investimento, o desemprego vai continuar elevado
in Expresso
O aumento da taxa de desemprego, as emissões de dívida e o fim das quotas leiteiras na UE, na análise de Vítor Andrade, coordenador do Expresso e da Exame, na SIC Notícias.
O aumento da taxa de desemprego, as emissões de dívida e o fim das quotas leiteiras na UE, na análise de Vítor Andrade, coordenador do Expresso e da Exame, na SIC Notícias.
Aumento do desemprego é “doloroso desmentido” ao Governo
in RR
Instituto Nacional de Estatística revelou que taxa de Fevereiro subiu para os 14,1%.
O PS considerou esta segunda-feira que os mais dados desta segunda-feira, que indiciam um agravamento do desemprego em Fevereiro, representam "um doloroso desmentido" ao Governo e um "alerta sério" sobre a possibilidade de permanência de um desemprego estrutural elevado.
Estas posições foram assumidas pela vice-presidente da bancada socialista Inês de Medeiros, depois de o Instituto Nacional de Estatística (INE) ter divulgado que a taxa de desemprego foi de 14,1% em Fevereiro, mais 0,3 pontos percentuais do que em Janeiro deste ano e menos 0,8 pontos percentuais face ao período homólogo.
"Estes números do INE são obviamente uma má notícia. São um alerta muito sério e um doloroso desmentido ao discurso do Governo de autoproclamação e de autopromoção", reagiu a vice-presidente do Grupo Parlamentar do PS.
Perante os dados do INE, Inês de Medeiros considerou que "ninguém se pode regozijar com uma subida do desemprego" em Portugal e advertiu que "não vale a pena começarem-se já a ensaiar 'nuances'" sobre o significado destes indicadores.
"Não podemos contornar os números, porque há uma subida do desemprego, e o facto de Portugal ter voltado a ultrapassar a barreira psicológica dos 14% mostra bem que não houve qualquer tipo de reforma estrutural no mercado de trabalho. A evolução do mercado de trabalho esteve e está totalmente dependente da política orçamental do Governo. Ou seja, assim que o Governo deixou de apoiar o trabalho precário para o Estado, verifica-se que a curva do desemprego inverte-se e volta a subir", sustentou a vice-presidente da bancada do PS.
Na perspectiva de Inês de Medeiros, os dados do INE demonstram que "as tão apregoadas políticas activas de emprego apenas serviram para camuflar a dimensão real do desemprego".
"Como têm concluído várias instituições internacionais, ou voltamos a apostar numa política de qualificações, criando mecanismos de combate ao desemprego de longa duração, ou o desemprego estrutural arrisca-se a instalar-se definitivamente na casa dos 13%", defendeu ainda a deputada socialista.
Instituto Nacional de Estatística revelou que taxa de Fevereiro subiu para os 14,1%.
O PS considerou esta segunda-feira que os mais dados desta segunda-feira, que indiciam um agravamento do desemprego em Fevereiro, representam "um doloroso desmentido" ao Governo e um "alerta sério" sobre a possibilidade de permanência de um desemprego estrutural elevado.
Estas posições foram assumidas pela vice-presidente da bancada socialista Inês de Medeiros, depois de o Instituto Nacional de Estatística (INE) ter divulgado que a taxa de desemprego foi de 14,1% em Fevereiro, mais 0,3 pontos percentuais do que em Janeiro deste ano e menos 0,8 pontos percentuais face ao período homólogo.
"Estes números do INE são obviamente uma má notícia. São um alerta muito sério e um doloroso desmentido ao discurso do Governo de autoproclamação e de autopromoção", reagiu a vice-presidente do Grupo Parlamentar do PS.
Perante os dados do INE, Inês de Medeiros considerou que "ninguém se pode regozijar com uma subida do desemprego" em Portugal e advertiu que "não vale a pena começarem-se já a ensaiar 'nuances'" sobre o significado destes indicadores.
"Não podemos contornar os números, porque há uma subida do desemprego, e o facto de Portugal ter voltado a ultrapassar a barreira psicológica dos 14% mostra bem que não houve qualquer tipo de reforma estrutural no mercado de trabalho. A evolução do mercado de trabalho esteve e está totalmente dependente da política orçamental do Governo. Ou seja, assim que o Governo deixou de apoiar o trabalho precário para o Estado, verifica-se que a curva do desemprego inverte-se e volta a subir", sustentou a vice-presidente da bancada do PS.
Na perspectiva de Inês de Medeiros, os dados do INE demonstram que "as tão apregoadas políticas activas de emprego apenas serviram para camuflar a dimensão real do desemprego".
"Como têm concluído várias instituições internacionais, ou voltamos a apostar numa política de qualificações, criando mecanismos de combate ao desemprego de longa duração, ou o desemprego estrutural arrisca-se a instalar-se definitivamente na casa dos 13%", defendeu ainda a deputada socialista.
"É muito fácil esconder uma depressão. Não é como uma perna partida"
por Joana Capucho, in Diário de Notícias
Psiquiatra e piloto, José Gameiro assume que fica "perplexo" quando é confrontado com notícias como a do Airbus da Germanwings. "É muito difícil de explicar o que vai na cabeça de uma pessoa que faz isto".
Nos últimos anos, houve um crescimento no número de depressões?
Não há números fiáveis em Portugal. Verifica-se um aumento no número de consultas, mas isso não quer dizer que haja um aumento do número de depressões, porque pode significar apenas maior acesso. Contudo, notamos que tem vindo a aumentar progressivamente. E isso é preocupante.
Quais são as principais causas?
No que diz respeito às causas, há dois tipos de depressões: as reativas, geralmente provocadas por situações como o luto, o fim de uma relação ou a perda do emprego, e as endógenas, que têm uma causa genética. Estas últimas podem aparecer do nada e manifestarem-se várias vezes ao longo da vida.
Como se manifestam?
Além da tristeza, há dificuldades em estar com os outros, em dormir, na concentração e na memória, ansiedade e há a ideia de que a morte pode ser a solução para a dor. Por vezes também se verifica inibição psicomotora e ideias hipocondríacas.
Quais são as mais graves?
As depressões endógenas são muito mais graves e podem repetir-se ao longo da vida. Além de os sintomas serem mais graves, os riscos de suicídio são maiores. Por vezes, também estão associadas a ideias delirantes de ruína, como a pessoa achar que está falida ou que é perseguida. Não são evitáveis e geralmente são tratadas com medicação antidepressiva, enquanto nas reativas nem sempre é preciso.
Até onde pode ir a depressão?
O suicídio é o sintoma mais grave. Muitas depressões estão associadas à ideia de que a morte pode aliviar a dor, mas isso não quer dizer que seja ao suicídio, porque pode não existir um plano. Quando há um plano, o risco é muito grande.
Psiquiatra e piloto, José Gameiro assume que fica "perplexo" quando é confrontado com notícias como a do Airbus da Germanwings. "É muito difícil de explicar o que vai na cabeça de uma pessoa que faz isto".
Nos últimos anos, houve um crescimento no número de depressões?
Não há números fiáveis em Portugal. Verifica-se um aumento no número de consultas, mas isso não quer dizer que haja um aumento do número de depressões, porque pode significar apenas maior acesso. Contudo, notamos que tem vindo a aumentar progressivamente. E isso é preocupante.
Quais são as principais causas?
No que diz respeito às causas, há dois tipos de depressões: as reativas, geralmente provocadas por situações como o luto, o fim de uma relação ou a perda do emprego, e as endógenas, que têm uma causa genética. Estas últimas podem aparecer do nada e manifestarem-se várias vezes ao longo da vida.
Como se manifestam?
Além da tristeza, há dificuldades em estar com os outros, em dormir, na concentração e na memória, ansiedade e há a ideia de que a morte pode ser a solução para a dor. Por vezes também se verifica inibição psicomotora e ideias hipocondríacas.
Quais são as mais graves?
As depressões endógenas são muito mais graves e podem repetir-se ao longo da vida. Além de os sintomas serem mais graves, os riscos de suicídio são maiores. Por vezes, também estão associadas a ideias delirantes de ruína, como a pessoa achar que está falida ou que é perseguida. Não são evitáveis e geralmente são tratadas com medicação antidepressiva, enquanto nas reativas nem sempre é preciso.
Até onde pode ir a depressão?
O suicídio é o sintoma mais grave. Muitas depressões estão associadas à ideia de que a morte pode aliviar a dor, mas isso não quer dizer que seja ao suicídio, porque pode não existir um plano. Quando há um plano, o risco é muito grande.
Ministério da Educação não quer pagar bolsas de mérito a alunos carenciados?
in Diário de Notícias
O Ministério da Educação e Ciência, dirigido por Nuno Crato, nega que existam irregularidades.
A alegada irregularidade aplica-se aos estudantes do ensino profissional na região Norte.
As escolas da região Norte terão recebido instruções dos serviços do Ministério da Educação para não pagar bolsas de mérito a estudantes carenciados do ensino profissional, e não terão recebido essas verbas, avança esta terça-feira o jornal Expresso. Uma questão que não se aplica aos estudantes do ensino científico-humanístico, que têm recebido as suas bolsas.
O Expresso cita direções de escolas do norte do país que dizem não ter recebido verbas para pagar bolsas de mérito aos alunos carenciados do ensino profissional. Cita ainda documentos oficiais assinados pelo delegado regional de Educação da Região Norte, onde se lê que, no que toca a bolsas de mérito, os cursos profissionais "não poderão ser considerados nesta modalidade, nesta fase".
Confrontado com essas informações, o Ministério da Educação terá negado ao Expresso que exista alguma irregularidade, acrescentando que "todos os processos instruídos e terminados já foram pagos".
Não é a primeira vez que os alunos carenciados do ensino profissional ficam sem receber as bolsas de mérito, cujos valores rondam os mil euros por estudante e que são atribuídas aos estudantes com médias a partir dos 14 valores. Em 2014, quando se deu uma situação semelhante, o Ministério da Educação disse que se tratava de uma "interpretação errada dos serviços", tendo transferido as verbas em questão.
O Ministério da Educação e Ciência, dirigido por Nuno Crato, nega que existam irregularidades.
A alegada irregularidade aplica-se aos estudantes do ensino profissional na região Norte.
As escolas da região Norte terão recebido instruções dos serviços do Ministério da Educação para não pagar bolsas de mérito a estudantes carenciados do ensino profissional, e não terão recebido essas verbas, avança esta terça-feira o jornal Expresso. Uma questão que não se aplica aos estudantes do ensino científico-humanístico, que têm recebido as suas bolsas.
O Expresso cita direções de escolas do norte do país que dizem não ter recebido verbas para pagar bolsas de mérito aos alunos carenciados do ensino profissional. Cita ainda documentos oficiais assinados pelo delegado regional de Educação da Região Norte, onde se lê que, no que toca a bolsas de mérito, os cursos profissionais "não poderão ser considerados nesta modalidade, nesta fase".
Confrontado com essas informações, o Ministério da Educação terá negado ao Expresso que exista alguma irregularidade, acrescentando que "todos os processos instruídos e terminados já foram pagos".
Não é a primeira vez que os alunos carenciados do ensino profissional ficam sem receber as bolsas de mérito, cujos valores rondam os mil euros por estudante e que são atribuídas aos estudantes com médias a partir dos 14 valores. Em 2014, quando se deu uma situação semelhante, o Ministério da Educação disse que se tratava de uma "interpretação errada dos serviços", tendo transferido as verbas em questão.
Portugueses compram 23 mil caixas de antidepressivos por dia
por Ana Bela Ferreira, in Diário de Notícias
Venderam-se no ano passado 8,5 milhões de embalagens. Depressão e ansiedade são os principais problemas nacionais.
Todos os dias chegam ao consultório de Rui Nogueira, na USF Briosa em Coimbra, pessoas com problemas de depressão. E a maioria dos casos está ligada "ao desemprego. Dos próprios ou de alguém próximo, filhos ou o outro elemento do casal". Frequentemente, este médico de família também vê casos de "pais cujos filhos emigraram e o afastamento trouxe a depressão".
Depressões e ansiedade são os problemas que mais afetam a saúde mental dos portugueses. O que se tem traduzido num aumento do consumo de antidepressivos e estabilizadores de humor. Só no ano passado, foram vendidas nas farmácias 8,5 milhões de embalagens destes medicamentos. O que dá uma média de 23 mil caixas por dia, segundo os dados enviados ao DN pela consultora IMS Health. Numa altura em que a depressão passou a ser uma das preocupações centrais da sociedade, na sequência do desastre de avião nos Alpes provocado pelo próprio copiloto que sofria desta doença.
Venderam-se no ano passado 8,5 milhões de embalagens. Depressão e ansiedade são os principais problemas nacionais.
Todos os dias chegam ao consultório de Rui Nogueira, na USF Briosa em Coimbra, pessoas com problemas de depressão. E a maioria dos casos está ligada "ao desemprego. Dos próprios ou de alguém próximo, filhos ou o outro elemento do casal". Frequentemente, este médico de família também vê casos de "pais cujos filhos emigraram e o afastamento trouxe a depressão".
Depressões e ansiedade são os problemas que mais afetam a saúde mental dos portugueses. O que se tem traduzido num aumento do consumo de antidepressivos e estabilizadores de humor. Só no ano passado, foram vendidas nas farmácias 8,5 milhões de embalagens destes medicamentos. O que dá uma média de 23 mil caixas por dia, segundo os dados enviados ao DN pela consultora IMS Health. Numa altura em que a depressão passou a ser uma das preocupações centrais da sociedade, na sequência do desastre de avião nos Alpes provocado pelo próprio copiloto que sofria desta doença.
"Pela educação muda-se a sociedade", diz provincial dos Salesianos
por Ângela Roque, in RR
No bicentenário do nascimento de S. João Bosco, a Renascença entrevista o Provincial dos Salesianos. Uma conversa sobre educação, vocações e missão.
O provincial dos Salesianos lamenta o desinvestimento actual do Estado na educação. Em entrevista à Renascença, a propósito do bicentenário do nascimento do fundador dos Salesianos, S. João Bosco, o padre Artur Pereira desdramatiza a falta de vocações e diz que o Papa Francisco trouxe "uma Igreja Nova".
A entrevista vai ser transmitida no programa Principio e Fim do próximo domingo. A Renascença antecipa-a no dia em que se assinalam os 71 anos da canonização de S. João Bosco.
OQual é a representatividade dos Salesianos na Província Portuguesa, que também inclui Cabo Verde?
Os salesianos têm 12 presenças na Província, uma em Cabo Verde. Destas, nove são escolas. É possível, por isso, que as pessoas facilmente liguem os Salesianos a escolas, mas também temos 13 paróquias e juntamente com as paróquias há centros juvenis. O importante é que a perspectiva pela qual precisamos de ler a dimensão educativa e evangelizadora é a partir dos jovens. Por exemplo, o reitor maior quando este ano, celebrando o bicentenário, coloca como lema "Como D. Bosco, com os jovens e para os jovens", centra exactamente aquilo que deve ser a presença dos salesianos em contexto juvenil e social.
Nas escolas salesianas, andarão 10 mil alunos, mas há imensos jovens que estão nas paróquias. Aí, já é mais difícil contabilizar. Temos também uma realidade muito importante e significativa, que são os lares e o internato. São lares onde acolhemos jovens com falta de rectaguarda familiar e a quem procuramos assegurar aquilo que D. Bosco dizia: o espírito de família, o ambiente educativo. Andará pelos 113, 114 jovens.
S. João Bosco teve sempre essa preocupação particular pelos jovens em situação de pobreza e risco. Essa continua a ser uma preocupação vossa?
Há uma perspectiva que é importante nunca esquecer. Não seremos salesianos se não tivermos a preocupação pelos últimos, e os últimos são os que mais precisam. E a dimensão social, comunitária, material, fazem parte. Não podemos educar uma criança olhando apenas para partes dela. A educação tem de ser integral. O que os salesianos mais desejam é que nos seus ambientes as crianças e jovens possam sentir-se bem.
Mas há quem pense nos salesianos só como escolas de elite…
Já tive experiência suficiente nas escolas, já fui responsável por vários colégios e leccionei 12 anos na escola pública. A minha percepção é a de que, antes de mais, a educação deve ser inclusiva: numa comunidade educativa é necessário haver lugar para todos. Perceber com que cabeça e coração é que fazemos as coisas, os salesianos têm essa preocupação. Por exemplo: se numa escola são os pais que pagam a educação integral, há outras em que o Estado ajuda.
Têm alguns colégios com contrato de associação?
Sim. Manique, Poiares e Mogofores. Também o Porto, no que tem a ver com a dimensão vocacional. E estes colégios têm sofrido bastante, porque o Estado reduziu o que davam por cada turma. Estamos numa situação muito complicada.
E nos outros colégios, recebem pedidos de ajuda de famílias com dificuldades?
Temos situações muito complicadas. Acompanhamos as famílias, dificilmente uma família sai da escola porque não tem dinheiro, quando batem à nossa porta as pessoas são atendidas – aliás, não podia ser de outra maneira. Já tive um caso em que o pai ficou desempregado, depois a mãe, e os alunos ficaram até final do ano. Mas, destas coisas não se faz bandeira, chega-se ao coração da situação e ajudam-se as pessoas. Fazer contabilidade, pôr no jornal, não vamos por aí.
Muitas famílias procuram os vossos colégios pelo método educativo. Propõe formar "honestos cidadãos e bons cristãos".
É preciso não esquecer que este tal sistema preventivo é fruto de uma vida. Foi escrito em 1877 e repare que D. Bosco começou a sua actividade com o primeiro jovem em 1841. Este método educativo tem apenas três ou quatro páginas, foi uma reflexão que D. Bosco foi fazendo e aperfeiçoando. E o que nos deixou foi aquilo que de mais essencial se pode ter, com alguns aspectos que se devem referir sempre: "presença", "proximidade", "espírito de família" e "confiança".
Antes de mais, toda a gente entende que é melhor prevenir que remediar. O "prevenir" significa olhar a vida como projecto, perceber que caminhos é necessário a pessoa percorrer para ser verdadeiramente feliz. Nas nossas comunidades procuramos que haja um bom ambiente. É, antes de mais, o necessário para uma boa educação.
É a educação que pode fazer a diferença numa sociedade?
Pela educação mudamos a sociedade, porque no fim de contas o que está em jogo é a formação de cidadãos. A educação não tem na sociedade portuguesa, ou não lhe é dada, a importância que devia ter.
Falta olhar para a educação não como uma despesa mas como um investimento?
Exactamente. O que temos de melhor são os jovens. Se não somos capazes de investir naqueles que vão tornar melhor a sociedade em que vivemos, o que é que estamos a fazer?
Como é que vê a situação da educação em Portugal neste momento?
Mal. O desinvestimento tem consequências e o que é mais grave é que as consequências não são "eu faço hoje e vejo amanhã"; é mais "eu não faço hoje e vai haver um tempo em que eu não vou ver".
Estamos a hipotecar uma ou duas gerações?
Exactamente. Por isso é que eu dizia que a educação devia ter uma outra leitura, outra visão, outro empenho. Quando a escola salesiana se preocupa em ter o desporto, a música, o teatro e as outras actividades, não é para encher o tempo, é porque são dimensões às quais é necessário fazer referência, para que a educação integral, inclusiva, seja capaz de chegar a cada miúdo na sua circunstância.
E a dimensão da fé também é importante no método educativo salesiano?
Há uma expressão cunhada entre nós, que é: "educar evangelizando e evangelizar educando". Naquilo que os salesianos fazem, a educação e a evangelização são uma só realidade. Quando procuramos a dimensão educativa, a dimensão evangelizadora está presente, e vice-versa. O estar no pátio, o estar na igreja, o estar na aula são realidades idênticas. D. Bosco diz que o pátio "é o lugar teológico do encontro com Deus". Porque é que se encontra Deus no pátio? Por causa dos miúdos. Os alunos, os jovens, não são senão presença de Deus.
E quem conhece os colégios salesianos sabe que o pátio é muito importante.
É determinante.
A dimensão missionária continua a ser muito importante para os salesianos que estão neste momento em 192 países.
Sim, e estamos também em países muçulmanos onde não há hipótese de falar no nome de Cristo. Porque partimos do jovem no centro do acto educativo. Falamos do ambiente, da pedagogia preventiva, não remediativa ou de conserto. Falamos do espírito de família, de protagonismo juvenil. E estes elementos cabem em qualquer cultura. Por isso, a missão e o empenho missionário para nós é determinante. Há cinco ou seis anos iniciámos uma nova comunidade salesiana no Bangladesh. É uma população paupérrima, que andará pelos 156 milhões. Estamos a tentar ajudá-los.
Fala-se muito em crise de vocações. Como é que estão os salesianos?
Estão em crise [risos]. Mas fez bem em falar deste assunto porque vem mesmo na sequência: as vocações podem nascer do voluntariado. Temos no Estoril o pré-noviciado e um jovem vai assumir formalmente este momento de pré-noviciado. E há outros jovens a caminho.
Hoje já não se arrebanha gente, mas penso que a Igreja tem gente mais esclarecida, os leigos são gente mais bem formada, mais capaz de levar por diante esta missão evangelizadora da Igreja. Estou convencido que a Igreja tem as vocações que precisa. É necessário é haver gente e nós temos. Olhando pelas paróquias, nas dioceses, nos diversos agrupamentos, movimentos, há tanta gente!. O que está em jogo é uma nova visão da Igreja, se calhar o Papa Francisco está a dizer alguma coisa…
A eleição de Francisco trouxe uma nova esperança à Igreja?
Trouxe. Eu quase poderia dizer que trouxe uma Igreja nova. Voltando às vocações, nós fazemos o que devemos fazer para que a vontade de Deus possa ser a que ele quer? Aqui tenho algumas dúvidas.
Sobre as celebrações do bicentenário do nascimento de S. João Bosco, tem havido várias iniciativas. O ponto alto será em Agosto, em Turim, mas por cá, em Maio, haverá a peregrinação das escolas salesianas a Fátima.
Sim, para dar este tom de celebração do nascimento de um homem cuja generosidade é causa da nossa presença. E Nossa Senhora é determinante para a congregação salesiana.
Está também a ser preparado um Congresso sobre Pedagogia…
Será, em princípio, em Setembro. D. Bosco tem lugar na história da pedagogia mundial. D. Bosco não é uma coisa dos salesianos e não queremos ficar com ele na nossa sacristia, antes pelo contrário. É um Santo da Igreja, que tem um carisma que vai ao âmago da sociedade, aos jovens, ao sonho. Por isso a sua pedagogia, a sua forma de se aproximar-se dos jovens, a atenção, os recursos para que se chegue a tudo o que pode promover os jovens no dia de hoje, faz dele sempre actual.
Foi João Paulo II que o nomeou como "Pai e mestre da juventude". Celebramos 200 anos de vida, não apenas de um homem, mas da acção do Espírito no mundo.
Esta entrevista vai ser transmitida no programa Princípio e Fim do próximo domingo, 5 de Abril
No bicentenário do nascimento de S. João Bosco, a Renascença entrevista o Provincial dos Salesianos. Uma conversa sobre educação, vocações e missão.
O provincial dos Salesianos lamenta o desinvestimento actual do Estado na educação. Em entrevista à Renascença, a propósito do bicentenário do nascimento do fundador dos Salesianos, S. João Bosco, o padre Artur Pereira desdramatiza a falta de vocações e diz que o Papa Francisco trouxe "uma Igreja Nova".
A entrevista vai ser transmitida no programa Principio e Fim do próximo domingo. A Renascença antecipa-a no dia em que se assinalam os 71 anos da canonização de S. João Bosco.
OQual é a representatividade dos Salesianos na Província Portuguesa, que também inclui Cabo Verde?
Os salesianos têm 12 presenças na Província, uma em Cabo Verde. Destas, nove são escolas. É possível, por isso, que as pessoas facilmente liguem os Salesianos a escolas, mas também temos 13 paróquias e juntamente com as paróquias há centros juvenis. O importante é que a perspectiva pela qual precisamos de ler a dimensão educativa e evangelizadora é a partir dos jovens. Por exemplo, o reitor maior quando este ano, celebrando o bicentenário, coloca como lema "Como D. Bosco, com os jovens e para os jovens", centra exactamente aquilo que deve ser a presença dos salesianos em contexto juvenil e social.
Nas escolas salesianas, andarão 10 mil alunos, mas há imensos jovens que estão nas paróquias. Aí, já é mais difícil contabilizar. Temos também uma realidade muito importante e significativa, que são os lares e o internato. São lares onde acolhemos jovens com falta de rectaguarda familiar e a quem procuramos assegurar aquilo que D. Bosco dizia: o espírito de família, o ambiente educativo. Andará pelos 113, 114 jovens.
S. João Bosco teve sempre essa preocupação particular pelos jovens em situação de pobreza e risco. Essa continua a ser uma preocupação vossa?
Há uma perspectiva que é importante nunca esquecer. Não seremos salesianos se não tivermos a preocupação pelos últimos, e os últimos são os que mais precisam. E a dimensão social, comunitária, material, fazem parte. Não podemos educar uma criança olhando apenas para partes dela. A educação tem de ser integral. O que os salesianos mais desejam é que nos seus ambientes as crianças e jovens possam sentir-se bem.
Mas há quem pense nos salesianos só como escolas de elite…
Já tive experiência suficiente nas escolas, já fui responsável por vários colégios e leccionei 12 anos na escola pública. A minha percepção é a de que, antes de mais, a educação deve ser inclusiva: numa comunidade educativa é necessário haver lugar para todos. Perceber com que cabeça e coração é que fazemos as coisas, os salesianos têm essa preocupação. Por exemplo: se numa escola são os pais que pagam a educação integral, há outras em que o Estado ajuda.
Têm alguns colégios com contrato de associação?
Sim. Manique, Poiares e Mogofores. Também o Porto, no que tem a ver com a dimensão vocacional. E estes colégios têm sofrido bastante, porque o Estado reduziu o que davam por cada turma. Estamos numa situação muito complicada.
E nos outros colégios, recebem pedidos de ajuda de famílias com dificuldades?
Temos situações muito complicadas. Acompanhamos as famílias, dificilmente uma família sai da escola porque não tem dinheiro, quando batem à nossa porta as pessoas são atendidas – aliás, não podia ser de outra maneira. Já tive um caso em que o pai ficou desempregado, depois a mãe, e os alunos ficaram até final do ano. Mas, destas coisas não se faz bandeira, chega-se ao coração da situação e ajudam-se as pessoas. Fazer contabilidade, pôr no jornal, não vamos por aí.
Muitas famílias procuram os vossos colégios pelo método educativo. Propõe formar "honestos cidadãos e bons cristãos".
É preciso não esquecer que este tal sistema preventivo é fruto de uma vida. Foi escrito em 1877 e repare que D. Bosco começou a sua actividade com o primeiro jovem em 1841. Este método educativo tem apenas três ou quatro páginas, foi uma reflexão que D. Bosco foi fazendo e aperfeiçoando. E o que nos deixou foi aquilo que de mais essencial se pode ter, com alguns aspectos que se devem referir sempre: "presença", "proximidade", "espírito de família" e "confiança".
Antes de mais, toda a gente entende que é melhor prevenir que remediar. O "prevenir" significa olhar a vida como projecto, perceber que caminhos é necessário a pessoa percorrer para ser verdadeiramente feliz. Nas nossas comunidades procuramos que haja um bom ambiente. É, antes de mais, o necessário para uma boa educação.
É a educação que pode fazer a diferença numa sociedade?
Pela educação mudamos a sociedade, porque no fim de contas o que está em jogo é a formação de cidadãos. A educação não tem na sociedade portuguesa, ou não lhe é dada, a importância que devia ter.
Falta olhar para a educação não como uma despesa mas como um investimento?
Exactamente. O que temos de melhor são os jovens. Se não somos capazes de investir naqueles que vão tornar melhor a sociedade em que vivemos, o que é que estamos a fazer?
Como é que vê a situação da educação em Portugal neste momento?
Mal. O desinvestimento tem consequências e o que é mais grave é que as consequências não são "eu faço hoje e vejo amanhã"; é mais "eu não faço hoje e vai haver um tempo em que eu não vou ver".
Estamos a hipotecar uma ou duas gerações?
Exactamente. Por isso é que eu dizia que a educação devia ter uma outra leitura, outra visão, outro empenho. Quando a escola salesiana se preocupa em ter o desporto, a música, o teatro e as outras actividades, não é para encher o tempo, é porque são dimensões às quais é necessário fazer referência, para que a educação integral, inclusiva, seja capaz de chegar a cada miúdo na sua circunstância.
E a dimensão da fé também é importante no método educativo salesiano?
Há uma expressão cunhada entre nós, que é: "educar evangelizando e evangelizar educando". Naquilo que os salesianos fazem, a educação e a evangelização são uma só realidade. Quando procuramos a dimensão educativa, a dimensão evangelizadora está presente, e vice-versa. O estar no pátio, o estar na igreja, o estar na aula são realidades idênticas. D. Bosco diz que o pátio "é o lugar teológico do encontro com Deus". Porque é que se encontra Deus no pátio? Por causa dos miúdos. Os alunos, os jovens, não são senão presença de Deus.
E quem conhece os colégios salesianos sabe que o pátio é muito importante.
É determinante.
A dimensão missionária continua a ser muito importante para os salesianos que estão neste momento em 192 países.
Sim, e estamos também em países muçulmanos onde não há hipótese de falar no nome de Cristo. Porque partimos do jovem no centro do acto educativo. Falamos do ambiente, da pedagogia preventiva, não remediativa ou de conserto. Falamos do espírito de família, de protagonismo juvenil. E estes elementos cabem em qualquer cultura. Por isso, a missão e o empenho missionário para nós é determinante. Há cinco ou seis anos iniciámos uma nova comunidade salesiana no Bangladesh. É uma população paupérrima, que andará pelos 156 milhões. Estamos a tentar ajudá-los.
Fala-se muito em crise de vocações. Como é que estão os salesianos?
Estão em crise [risos]. Mas fez bem em falar deste assunto porque vem mesmo na sequência: as vocações podem nascer do voluntariado. Temos no Estoril o pré-noviciado e um jovem vai assumir formalmente este momento de pré-noviciado. E há outros jovens a caminho.
Hoje já não se arrebanha gente, mas penso que a Igreja tem gente mais esclarecida, os leigos são gente mais bem formada, mais capaz de levar por diante esta missão evangelizadora da Igreja. Estou convencido que a Igreja tem as vocações que precisa. É necessário é haver gente e nós temos. Olhando pelas paróquias, nas dioceses, nos diversos agrupamentos, movimentos, há tanta gente!. O que está em jogo é uma nova visão da Igreja, se calhar o Papa Francisco está a dizer alguma coisa…
A eleição de Francisco trouxe uma nova esperança à Igreja?
Trouxe. Eu quase poderia dizer que trouxe uma Igreja nova. Voltando às vocações, nós fazemos o que devemos fazer para que a vontade de Deus possa ser a que ele quer? Aqui tenho algumas dúvidas.
Sobre as celebrações do bicentenário do nascimento de S. João Bosco, tem havido várias iniciativas. O ponto alto será em Agosto, em Turim, mas por cá, em Maio, haverá a peregrinação das escolas salesianas a Fátima.
Sim, para dar este tom de celebração do nascimento de um homem cuja generosidade é causa da nossa presença. E Nossa Senhora é determinante para a congregação salesiana.
Está também a ser preparado um Congresso sobre Pedagogia…
Será, em princípio, em Setembro. D. Bosco tem lugar na história da pedagogia mundial. D. Bosco não é uma coisa dos salesianos e não queremos ficar com ele na nossa sacristia, antes pelo contrário. É um Santo da Igreja, que tem um carisma que vai ao âmago da sociedade, aos jovens, ao sonho. Por isso a sua pedagogia, a sua forma de se aproximar-se dos jovens, a atenção, os recursos para que se chegue a tudo o que pode promover os jovens no dia de hoje, faz dele sempre actual.
Foi João Paulo II que o nomeou como "Pai e mestre da juventude". Celebramos 200 anos de vida, não apenas de um homem, mas da acção do Espírito no mundo.
Esta entrevista vai ser transmitida no programa Princípio e Fim do próximo domingo, 5 de Abril
Pobreza infantil pode impactar o desenvolvimento cerebral, diz estudo
in Globo1
Estudo foi publicado na revista científica 'Nature Neuroscience'.
Ainda de acordo com pesquisa, ensino pode ajudar a superar diferenças.
Filhos de pais mais ricos e mais instruídos têm cérebros maiores e mais habilidades cognitivas do que crianças mais pobres, mas a ajuda social e o ensino podem ajudar a superar as diferenças - informou um estudo publicado na revista "Nature Neuroscience".
As distinções foram mais profundas em regiões do cérebro que apoiam a linguagem e a leitura, funções executivas como memória e tomada de decisões, e habilidades espaciais, segundo artigo publicadom nesta segunda-feira (30).
O impacto foi "significativo em termos da forma como o cérebro está trabalhando nessas crianças", explicou a coautora do trabalho Elizabeth Sowell, da Universidade do Sul da Califórnia. "Descobrimos que a relação entre cérebro (estrutura) e renda familiar afeta o funcionamento cognitivo das crianças", disse Sowell por e-mail.
O estudo destacou que as soluções estão ao seu alcance de todos, incluindo merenda escolar melhor, ensino motivado e programas comunitários para incentivar as crianças. "Não é tarde demais para pensar em como usar os recursos que enriquecem o ambiente de desenvolvimento, que em troca ajudam as conexões cerebrais", ponderou Sowell.
Comparações
Desigualdades socioeconômicas têm sido vistas como ligadas a diferenças no desenvolvimento cognitivo, mas a medida em que a estrutura do cérebro era afetada não estava clara até agora.
Considerado o maior estudo deste tipo, a pesquisa conduzida por Sowell e sua equipe testou 1.099 meninos e meninas com idades entre três e 20 anos com desenvolvimento típico, de diversos grupos da população.
Eles compararam renda e nível de educação dos pais com a área de superfície do cérebro das crianças, medidas por tomografias computadorizadas, bem como os resultados dos testes cognitivos.
Uma correção para outras influências que poderiam gerar confusão sobre a estrutura do cérebro, como a ascendência genética, foi feita. Além das diferenças observadas entre a área da superfície do cérebro das crianças nos níveis de rendimento mais baixos e mais altos, também houve uma disparidade gritante entre os grupos de renda no extremo inferior da escala.
Houve uma diferença maior, por exemplo, entre os resultados em crianças de famílias com renda anual entre US$ 30 mil e US$ 50 mil, do que aqueles que ganham entre US$ 90 mil e US$ 110 mil. Sowell disse que a razão por trás dessa diferença não é clara.
"Parece razoável especular que os recursos proporcionados pela mais abastados (nutrição, cuidados infantis, escolas etc.) ajudam a 'bombar' o cérebro durante a fase de desenvolvimento", afirmou a pesquisadora.
"O ponto mais importante que queremos transmitir...não é 'se você é pobre, seu cérebro vai ser menor e não há nada que possa ser feito sobre isso'. Essa absolutamente não é a mensagem!", garantiu.
Estudo foi publicado na revista científica 'Nature Neuroscience'.
Ainda de acordo com pesquisa, ensino pode ajudar a superar diferenças.
Filhos de pais mais ricos e mais instruídos têm cérebros maiores e mais habilidades cognitivas do que crianças mais pobres, mas a ajuda social e o ensino podem ajudar a superar as diferenças - informou um estudo publicado na revista "Nature Neuroscience".
As distinções foram mais profundas em regiões do cérebro que apoiam a linguagem e a leitura, funções executivas como memória e tomada de decisões, e habilidades espaciais, segundo artigo publicadom nesta segunda-feira (30).
O impacto foi "significativo em termos da forma como o cérebro está trabalhando nessas crianças", explicou a coautora do trabalho Elizabeth Sowell, da Universidade do Sul da Califórnia. "Descobrimos que a relação entre cérebro (estrutura) e renda familiar afeta o funcionamento cognitivo das crianças", disse Sowell por e-mail.
O estudo destacou que as soluções estão ao seu alcance de todos, incluindo merenda escolar melhor, ensino motivado e programas comunitários para incentivar as crianças. "Não é tarde demais para pensar em como usar os recursos que enriquecem o ambiente de desenvolvimento, que em troca ajudam as conexões cerebrais", ponderou Sowell.
Comparações
Desigualdades socioeconômicas têm sido vistas como ligadas a diferenças no desenvolvimento cognitivo, mas a medida em que a estrutura do cérebro era afetada não estava clara até agora.
Considerado o maior estudo deste tipo, a pesquisa conduzida por Sowell e sua equipe testou 1.099 meninos e meninas com idades entre três e 20 anos com desenvolvimento típico, de diversos grupos da população.
Eles compararam renda e nível de educação dos pais com a área de superfície do cérebro das crianças, medidas por tomografias computadorizadas, bem como os resultados dos testes cognitivos.
Uma correção para outras influências que poderiam gerar confusão sobre a estrutura do cérebro, como a ascendência genética, foi feita. Além das diferenças observadas entre a área da superfície do cérebro das crianças nos níveis de rendimento mais baixos e mais altos, também houve uma disparidade gritante entre os grupos de renda no extremo inferior da escala.
Houve uma diferença maior, por exemplo, entre os resultados em crianças de famílias com renda anual entre US$ 30 mil e US$ 50 mil, do que aqueles que ganham entre US$ 90 mil e US$ 110 mil. Sowell disse que a razão por trás dessa diferença não é clara.
"Parece razoável especular que os recursos proporcionados pela mais abastados (nutrição, cuidados infantis, escolas etc.) ajudam a 'bombar' o cérebro durante a fase de desenvolvimento", afirmou a pesquisadora.
"O ponto mais importante que queremos transmitir...não é 'se você é pobre, seu cérebro vai ser menor e não há nada que possa ser feito sobre isso'. Essa absolutamente não é a mensagem!", garantiu.
Contratos de Emprego-Inserção: o trabalho semiescravo na era moderna
Texto de Carla Prino, in Público on-line
Manuela Ferreira Leite, do partido do Governo, afirmou-se contra a utilização abusiva dos Contratos Emprego-Inserção, designando-os de “trabalho semiescravo”
Os contratos de emprego-inserção têm servido para sujeitar milhares de desempregados a trabalhar a troco do subsídio de desemprego para o qual descontaram, como se a isso estivessem obrigados. Há uma tendência para culpabilizar os desempregados pela situação em que se encontram, como se o desemprego resultasse da falta de vontade de “bater punho”, como muito se vendeu e vende por aí. Esta medida de apoio à (falsa) contratação, implementada em 2009 (Portaria 128/2009), surge como materialização dessa culpa, sujeitando os desempregados a perderem o subsídio ou o Rendimento Social de Inserção (RSI) caso se recusem a compactuar com esta manobra política para “inglês ver”.
Refere a portaria citada que as medidas de contrato emprego-inserção e contrato emprego-inserção+ se aplicam aos desempregados beneficiários de subsídio de desemprego ou subsídio social de desemprego e de RSI, forçando-os a desenvolver trabalho socialmente necessário; a troco desse mesmo subsídio, para o qual devidamente descontaram e a que se junta uma chamada bolsa complementar (na mesma de fundos públicos). Mas, o que é afinal trabalho socialmente necessário? De acordo com a definição dada pelo próprio IEFP, trata-se da “realização de actividades por desempregados inscritos nos centros de emprego que satisfaçam necessidades sociais ou colectivas temporárias, prestadas em entidade pública ou privada sem fins lucrativos”. Um novo conceito usado para justificar novas medidas, assentes em velhas máximas da exploração laboral, já que o direito ao salário e a um contrato de trabalho parecem ter ficado esquecidos.
A candidatura a estas medidas de apoio à contratação fica sujeita às exigências impostas pelo IEFP, tais como o trabalho socialmente necessário ter de ser de carácter temporário e não poder visar a ocupação de postos de trabalho. Ora, dizem as estatísticas do IEFP que em 2014 foram 73 mil pessoas e em 2013, 70 mil as pessoas desempregadas contratadas através destas medidas; contratações que entram nas percentagens de “emprego criado”, quando não passam de medidas patrocinadoras de “salários” miseráveis, financiados por fundos públicos. Não devia o Governo gabar-se de andar a criar (falso) emprego à custa do trabalho forçado e do constragimento dos desempregados, usados para substituir trabalhadores que, ou foram despedidos ou aos quais impingiram a reforma ou que, simplesmente, deixaram de recrutar. O Governo, entre autarquias e IPSS, é quem mais contrata nestas condições, ao recorrer-se de desempregados a quem ordena exercer funções permanentes, quando a isso está impedido pelo próprio instrumento governamental a que está sujeito: a Portaria 128/2009.
A própria Manuela Ferreira Leite, do partido do Governo, se afirmou contra a utilização abusiva dos Contratos Emprego-Inserção, designando-os de “trabalho semiescravo”. Também o Provedor de Justiça José Faria Costa se pronunciou, após uma queixa apresentada pela CGTP, dirigindo directamente uma carta ao Ministro Mota Soares, demonstrando a sua repulsa para com a conduta do Governo. E os desempregados, o que têm eles a dizer sobre esta nova forma de exploração moderna a que os sujeitam?
Manuela Ferreira Leite, do partido do Governo, afirmou-se contra a utilização abusiva dos Contratos Emprego-Inserção, designando-os de “trabalho semiescravo”
Os contratos de emprego-inserção têm servido para sujeitar milhares de desempregados a trabalhar a troco do subsídio de desemprego para o qual descontaram, como se a isso estivessem obrigados. Há uma tendência para culpabilizar os desempregados pela situação em que se encontram, como se o desemprego resultasse da falta de vontade de “bater punho”, como muito se vendeu e vende por aí. Esta medida de apoio à (falsa) contratação, implementada em 2009 (Portaria 128/2009), surge como materialização dessa culpa, sujeitando os desempregados a perderem o subsídio ou o Rendimento Social de Inserção (RSI) caso se recusem a compactuar com esta manobra política para “inglês ver”.
Refere a portaria citada que as medidas de contrato emprego-inserção e contrato emprego-inserção+ se aplicam aos desempregados beneficiários de subsídio de desemprego ou subsídio social de desemprego e de RSI, forçando-os a desenvolver trabalho socialmente necessário; a troco desse mesmo subsídio, para o qual devidamente descontaram e a que se junta uma chamada bolsa complementar (na mesma de fundos públicos). Mas, o que é afinal trabalho socialmente necessário? De acordo com a definição dada pelo próprio IEFP, trata-se da “realização de actividades por desempregados inscritos nos centros de emprego que satisfaçam necessidades sociais ou colectivas temporárias, prestadas em entidade pública ou privada sem fins lucrativos”. Um novo conceito usado para justificar novas medidas, assentes em velhas máximas da exploração laboral, já que o direito ao salário e a um contrato de trabalho parecem ter ficado esquecidos.
A candidatura a estas medidas de apoio à contratação fica sujeita às exigências impostas pelo IEFP, tais como o trabalho socialmente necessário ter de ser de carácter temporário e não poder visar a ocupação de postos de trabalho. Ora, dizem as estatísticas do IEFP que em 2014 foram 73 mil pessoas e em 2013, 70 mil as pessoas desempregadas contratadas através destas medidas; contratações que entram nas percentagens de “emprego criado”, quando não passam de medidas patrocinadoras de “salários” miseráveis, financiados por fundos públicos. Não devia o Governo gabar-se de andar a criar (falso) emprego à custa do trabalho forçado e do constragimento dos desempregados, usados para substituir trabalhadores que, ou foram despedidos ou aos quais impingiram a reforma ou que, simplesmente, deixaram de recrutar. O Governo, entre autarquias e IPSS, é quem mais contrata nestas condições, ao recorrer-se de desempregados a quem ordena exercer funções permanentes, quando a isso está impedido pelo próprio instrumento governamental a que está sujeito: a Portaria 128/2009.
A própria Manuela Ferreira Leite, do partido do Governo, se afirmou contra a utilização abusiva dos Contratos Emprego-Inserção, designando-os de “trabalho semiescravo”. Também o Provedor de Justiça José Faria Costa se pronunciou, após uma queixa apresentada pela CGTP, dirigindo directamente uma carta ao Ministro Mota Soares, demonstrando a sua repulsa para com a conduta do Governo. E os desempregados, o que têm eles a dizer sobre esta nova forma de exploração moderna a que os sujeitam?
Um plano nacional contra a violência sexual
Ricardo Barroso, in Público on-line
Quanto mais tarde for iniciado um plano no âmbito da violência sexual, mais tarde poderemos ver eficácia em termos de incidência e reincidência.
A violência sexual é reconhecida como sendo uma das formas mais graves de concretização da violência nas sociedades ocidentais, suscitando facilmente nas pessoas uma resposta de repúdio, dada a violação brutal da intimidade das vítimas e as acções de dominação exercidas sobre as mesmas. Por este motivo, diversas instituições internacionais (UE, ONU, OMS) têm vindo a reconhecer o impacto desta problemática, requerendo não apenas uma intervenção profissional urgente e ajustada ou novas investigações no terreno, mas também solicitando políticas concretas e especializadas de combate ao problema.
Neste sentido, no contexto europeu, foram elaboradas directrizes (que deveriam ter sido transpostas há mais de um ano) em que ficava claro que os Estados-membros deveriam levar à prática políticas que conduzissem à diminuição da incidência e reincidência de abusos sexuais. Para dar resposta à necessidade de transposição destas linhas de orientação legal, vários países constituíram atempadamente uma comissão técnica especializada e experiente que, em conjunto com juristas, lhes permitiu elaborar legislação com objectivos concretos e bem definidos a curto, médio e longo prazos.
Sobre estes procedimentos tem sido confrangedor o que se tem passado em Portugal nos últimos meses. Depois de ter sido usado como tema mediático em cerimónias de abertura de anos judiciais, o Ministério da Justiça apresenta, finalmente, ainda que com enorme atraso, uma proposta de lei que não tem em conta os actuais conhecimentos científicos sobre medidas e metodologias eficazes na prevenção da incidência e reincidência da violência sexual. Mais: para um assunto de enorme gravidade e importância que exigia uma discussão técnica e jurídica séria e pragmática, são apresentadas apenas uma ou duas medidas populistas e com efeito inócuo (provado já em vários países) na incidência e/ou reincidência de violência sexual. Portugal perde assim uma oportunidade de desenvolver no seu território um plano de intervenção que permita evidenciar resultados significativos dentro de alguns anos, tal como ocorreu (ou tem vindo a suceder) em outros Estados (Dinamarca, Holanda, Alemanha) que aproveitaram a obrigatoriedade de transposição de medidas comunitárias para estabelecerem um plano de acção contra a violência sexual amplo, objectivo e realista.
Seguindo a experiência nacional e internacional obtida no terreno, permito-me deixar aqui as linhas gerais que um plano desta natureza deverá seguir. Em primeiro lugar, urge atentar com perspicácia nas directrizes europeias e na evolução dos estudos internacionais, envolvendo necessariamente várias entidades governamentais (ministérios da Justiça, da Administração Interna, da Educação e Ciência, da Solidariedade, Emprego e Segurança Social, da Saúde). A experiência que Portugal teve, com assinalável sucesso, com o plano nacional de prevenção e combate à violência doméstica e de género deverá ser seguido de perto.
Uma maior ênfase deve colocar-se na prevenção primária da violência sexual, isto é, antes que as agressões ocorram. Ao mesmo tempo, devem ser implementadas medidas que aumentem a probabilidade de sucesso ao nível da prevenção da reincidência. Nesse sentido, entendo que um primeiro Plano Nacional Contra a Violência Sexual (PNCVS) deverá estruturar-se a partir de cinco áreas consideradas estratégicas e fundamentais, a seguir indicadas juntamente com sugestões exemplificativas de medidas: 1) Informar, Sensibilizar e Educar — transmitir conhecimentos aos cidadãos sobre o problema, sobre como o reconhecer e quais os comportamentos para prevenir a sua ocorrência; 2) Proteger e Intervir com as Vítimas — constituição, em todos os concelhos, de um serviço especializado e continuado de apoio a vítimas de violência sexual (crianças, adolescentes e/ou adultos); 3) Intervir com os Agressores — paralelamente à responsabilização do agressor, sejam eles adultos ou adolescentes agressores sexuais, devem ser construídos e implementados programas de intervenção especializados para a prevenção da reincidência sexual em centros educativos e em estabelecimentos prisionais; 4) Qualificar os Profissionais — de acordo com a especificidade das funções de cada um, formação especializada de psicólogos, psiquiatras, operadores judiciários, professores, profissionais de lares de infância e juventude, entre outros, com competências técnicas de prevenção e intervenção com vítimas e agressores sexuais — e, 5) Aprofundar o Conhecimento do Fenómeno da Violência Sexual — de modo a conhecer com substância o fenómeno da violência sexual no contexto português, evitando a constante necessidade de estabelecer paralelos, muitas vezes especulativos, com outros países europeus, Canadá ou EUA, devem ser estimulados projectos de investigação rigorosos no âmbito da violência sexual em Portugal.
Quanto mais tarde for iniciado um plano no âmbito da violência sexual, mais tarde poderemos ver eficácia em termos de incidência e reincidência.
A violência sexual é reconhecida como sendo uma das formas mais graves de concretização da violência nas sociedades ocidentais, suscitando facilmente nas pessoas uma resposta de repúdio, dada a violação brutal da intimidade das vítimas e as acções de dominação exercidas sobre as mesmas. Por este motivo, diversas instituições internacionais (UE, ONU, OMS) têm vindo a reconhecer o impacto desta problemática, requerendo não apenas uma intervenção profissional urgente e ajustada ou novas investigações no terreno, mas também solicitando políticas concretas e especializadas de combate ao problema.
Neste sentido, no contexto europeu, foram elaboradas directrizes (que deveriam ter sido transpostas há mais de um ano) em que ficava claro que os Estados-membros deveriam levar à prática políticas que conduzissem à diminuição da incidência e reincidência de abusos sexuais. Para dar resposta à necessidade de transposição destas linhas de orientação legal, vários países constituíram atempadamente uma comissão técnica especializada e experiente que, em conjunto com juristas, lhes permitiu elaborar legislação com objectivos concretos e bem definidos a curto, médio e longo prazos.
Sobre estes procedimentos tem sido confrangedor o que se tem passado em Portugal nos últimos meses. Depois de ter sido usado como tema mediático em cerimónias de abertura de anos judiciais, o Ministério da Justiça apresenta, finalmente, ainda que com enorme atraso, uma proposta de lei que não tem em conta os actuais conhecimentos científicos sobre medidas e metodologias eficazes na prevenção da incidência e reincidência da violência sexual. Mais: para um assunto de enorme gravidade e importância que exigia uma discussão técnica e jurídica séria e pragmática, são apresentadas apenas uma ou duas medidas populistas e com efeito inócuo (provado já em vários países) na incidência e/ou reincidência de violência sexual. Portugal perde assim uma oportunidade de desenvolver no seu território um plano de intervenção que permita evidenciar resultados significativos dentro de alguns anos, tal como ocorreu (ou tem vindo a suceder) em outros Estados (Dinamarca, Holanda, Alemanha) que aproveitaram a obrigatoriedade de transposição de medidas comunitárias para estabelecerem um plano de acção contra a violência sexual amplo, objectivo e realista.
Seguindo a experiência nacional e internacional obtida no terreno, permito-me deixar aqui as linhas gerais que um plano desta natureza deverá seguir. Em primeiro lugar, urge atentar com perspicácia nas directrizes europeias e na evolução dos estudos internacionais, envolvendo necessariamente várias entidades governamentais (ministérios da Justiça, da Administração Interna, da Educação e Ciência, da Solidariedade, Emprego e Segurança Social, da Saúde). A experiência que Portugal teve, com assinalável sucesso, com o plano nacional de prevenção e combate à violência doméstica e de género deverá ser seguido de perto.
Uma maior ênfase deve colocar-se na prevenção primária da violência sexual, isto é, antes que as agressões ocorram. Ao mesmo tempo, devem ser implementadas medidas que aumentem a probabilidade de sucesso ao nível da prevenção da reincidência. Nesse sentido, entendo que um primeiro Plano Nacional Contra a Violência Sexual (PNCVS) deverá estruturar-se a partir de cinco áreas consideradas estratégicas e fundamentais, a seguir indicadas juntamente com sugestões exemplificativas de medidas: 1) Informar, Sensibilizar e Educar — transmitir conhecimentos aos cidadãos sobre o problema, sobre como o reconhecer e quais os comportamentos para prevenir a sua ocorrência; 2) Proteger e Intervir com as Vítimas — constituição, em todos os concelhos, de um serviço especializado e continuado de apoio a vítimas de violência sexual (crianças, adolescentes e/ou adultos); 3) Intervir com os Agressores — paralelamente à responsabilização do agressor, sejam eles adultos ou adolescentes agressores sexuais, devem ser construídos e implementados programas de intervenção especializados para a prevenção da reincidência sexual em centros educativos e em estabelecimentos prisionais; 4) Qualificar os Profissionais — de acordo com a especificidade das funções de cada um, formação especializada de psicólogos, psiquiatras, operadores judiciários, professores, profissionais de lares de infância e juventude, entre outros, com competências técnicas de prevenção e intervenção com vítimas e agressores sexuais — e, 5) Aprofundar o Conhecimento do Fenómeno da Violência Sexual — de modo a conhecer com substância o fenómeno da violência sexual no contexto português, evitando a constante necessidade de estabelecer paralelos, muitas vezes especulativos, com outros países europeus, Canadá ou EUA, devem ser estimulados projectos de investigação rigorosos no âmbito da violência sexual em Portugal.
Subscrever:
Mensagens (Atom)


