2.12.22

IL alerta para situação de pobreza e lembra haver 81 mil madeirenses estão em risco

Romina Barreto, in Jornal da Madeira


"Considera o Banco Mundial: "Pobreza é fome. Pobreza é falta de abrigo. Pobreza é ficar doente e não poder ir ao médico. (...). Pobreza é não ter emprego, é medo do futuro, viver um dia de cada vez. (...) A pobreza é um apelo à acção (...), um apelo para mudar (...) para que muitos mais tenham o suficiente para comer, abrigo adequado, acesso à educação e saúde, protecção contra a violência e uma voz no que acontece nas suas comunidades", começa por enquadrar o IL Madeira.

Nuno Morna (IL), releva a urgência de proceder à quebra do ciclo vicioso, exortando que "81 mil madeirenses estão em risco" de pobreza.

"Temos de sair deste círculo vicioso: é pobre porque falta dinheiro; falta dinheiro porque há baixa capacidade de poupança e consequente acumulação de riqueza; há baixa capacidade de poupança porque os rendimentos são baixos; há rendimentos baixos porque a produtividade é baixa; há baixa produtividade porque há falta de dinheiro; e voltamos ao princípio... O governo entende que o problema está então na falta de dinheiro. E aparece o subsídio. Só que este é insuficiente para resolver o problema porque está sustentado em impostos, que não estão apoiados em produção, sendo, assim, o próprio estado arrastado para o ciclo da pobreza", sustenta.

"O combate à pobreza é um combate às suas causas. A falta de emprego, a incapacidade de fazermos com que a educação funcione como meio de alavancagem social, a abordagem governamental que vê a solução na subsidiarização da pobreza, a enorme crise económica que vivemos e, primeiro que tudo, a inexistente estratégia de qualificação dos recursos humanos, estão entre as causas. Se por um lado é necessário aplicar os recursos na manutenção da qualidade de vida das pessoas, por outro essa aplicação tem que ter uma perspectiva de futuro estando associada a medidas efectivas que alterem o estado das coisas. Criar emprego, adequar a carga de impostos, equidade, educação, mercado livre, criação de condições que promovam o crescimento económico e a riqueza das famílias, inovação tecnológica, são o caminho a seguir", deixa claro.