Por Bruno Faria Lopes, iOnline
Números do governo para desemprego em 2013 acomodam “só” mais 50 mil pessoas
A previsão do governo para a taxa de desemprego em 2013 – que salta para 16,4% a partir de 15,5% este ano – acomoda a destruição de mais 50 mil postos de trabalho. Este é a margem que terá que aguentar uma vaga de reduções de contratados a prazo no Estado – que pode chegar a 40 mil pessoas – e os riscos intensos que pairam sobre a economia portuguesa no próximo ano. Por outras palavras, a previsão de 16,4% de desemprego indicada na semana passada por Vítor Gaspar está já em perigo.
“A previsão parece optimista tendo em conta que a destruição de emprego será mais concentrada no sector privado”, aponta Paula Carvalho, economista do Banco BPI. “No próximo ano o cenário poderá ser ainda pior do que este ano”, acrescenta. A economista confirma que o salto previsto pelo governo entre a taxa de desemprego de 2012 e a de 2013 significa a destruição de 50 mil empregos.
Se fosse implicada na íntegra, a meta de 50% de redução dos contratados a prazo – que faz parte da versão preliminar do Orçamento do Estado para 2013 enviado aos sindicatos – significaria a perda de 40 mil empregos, consumindo logo cerca de 80% do salto previsto pelo governo para a taxa de desemprego.
A redução não deverá, contudo, atingir números tão expressivos, segundo indicou o governo ontem aos grupos parlamentares, na apresentação das linhas gerais da proposta de Orçamento do Estado para 2013.
Áreas como a da saúde – com mais de 15 mil pessoas contratadas a prazo – dificilmente poderão respeitar a meta de 50% de redução planeada pelo ministério das Finanças. Fontes hospitalares contactadas pelo i indicam que estas pessoas – pessoal auxiliar e administrativo – não são “dispensáveis” sem uma reorganização da rede de cuidados de saúde.
Mas mesmo que a meta de redução de pessoal seja cumprida apenas pela metade – o que resultaria na perda de mais de 20 mil postos de trabalho, incluindo os cortes esperados na esfera militar – mais de 50% da previsão oficial do governo para o desemprego ficaria consumida. Seria preciso que na economia privada a destruição de empregos fosse muito modesta – um pressuposto muito arriscado.
“O grande risco para estas previsões é mesmo o facto das medidas de austeridade – parte delas ainda carecendo de maior concretização – poderem acabar por conduzir a uma recessão económica superior à actualmente prevista pelo Governo”, José Miguel Moreira, economista do Departamento de Estudos do banco Montepio, que prevê também 16,4% de taxa média de desemprego em 2013.
O economista acredita, contudo, que a revisão da taxa de desemprego “também já deverá ter incorporado a intenção de redução do número de contratados a prazo”, a somar ao recuo na polémica medida da Taxa Social Única (que, segundo o governo, contribuiria para estancar a sangria laboral em 2013).
O ministério das Finanças confirma ao i que a meta de 16,4% se mantém: “a previsão da taxa de desemprego é a apresentada pelo Sr. Ministro na conferência de imprensa da semana passada”. O ministro Vítor Gaspar anunciou a nova meta depois de já se ter comprometido perante a troika com reduções de pessoal contratado no Estado. Um documento da Comissão Europeia, datado do final de Setembro, nota que entre as medidas de redução de gastos em 2013 está “a redução suplementar nas despesas com o pessoal”. O governo tinha previsto inicialmente (em 2011) uma taxa de desemprego de 13,4% este ano – o resultado final deverá ficar mais de dois pontos acima.


