in Dinheiro Vivo
O economista Vítor Bento considerou hoje que o aprofundamento da união política no seio da União Europeia, devia resultar na "federalização de responsabilidades" sociais dos Estados, como os subsídios de desemprego.
O aprofundamento da união política devia resultar na "federalização das responsabilidades sociais, a primeira das quais o subsídio de desemprego" e, a prazo, na "federalização da própria segurança social", depois de alcançada a uniformização dos sistemas europeus e das suas regras, afirmou o conselheiro de Estado, que falou na convenção "Por Uma União Política", que hoje decorre na Fundação Gulbenkian.
Em contrapartida, o economista alertou para o perigo de se esperar que o aprofundamento da união política seja uma "panaceia" para todos os males. "A união politica, por si, não resolve o problema, se não forem resolvidas as contradições" no seio da União Europeia (UE)", avisou.
"A união política pode ser um instrumento facilitador da resolução das contradições. O meu receio é que se crie a expectativa de que a união política é uma panaceia, e que, uma vez encontrada, se pense que os problemas estão resolvidos. Acho que não estão e que há o risco muito sério de os países que hoje estão em dificuldade ficarem permanentemente como regiões deprimidas", considerou o economista.
Vítor Bento entende que a zona euro enfrenta o problema de ter países com diferentes culturas monetárias - aqueles que têm longas tradições de moedas fortes, como a Alemanha, Áustria, Holanda e Bélgica, os que sempre viveram com moedas fracas, como a Irlanda, Espanha, Itália, Portugal, Grécia e os que estão a meio caminho, como a França e a Finlândia -, o que levanta a questão "fundamental" de se saber "se os países do euro fraco conseguem realizar o potencial económico" e alterar o seu comportamento orçamental e financeiro.
Defendendo que os países em maiores dificuldades na zona euro "têm que ver o serviço da dívida aliviado, através de formas de mutualização da dívida", Vítor Bento colocou, por outro lado, uma "questão de fundo": "Conseguem estes países sobreviver no euro ajustando os seus comportamentos às regras austeras da união económica e monetária?". "Conseguem estes países reentrar no euro?", sublinhou o economista.
É que a situação em que se encontram estas economias, disse, é "uma espécie de limbo", em que "apenas estão ligadas através do tubo estreitíssimo do BCE" aos mercados de financiamento internacionais.


