5.8.20

Depois do Pingo Doce, vídeo denúncia comida no lixo de super da Auchan

Ana Marcela, in Dinheiro Vivo

Face às dificuldades de recolha das doações sentidas pelas IPSS, Auchan está a reorganizar para garantir que tem sempre instituições disponíveis. 

Depois de terem denunciado num vídeo que comida prestes a terminar o prazo estava a ser atirada para o lixo por um supermercado do Pingo Doce em Lisboa, Hugo Breda e João Relógio, da produtora Swag On, voltaram a fazer uma ronda pelos supermercados da cidade e, mais uma vez, encontraram alimentos em condições para consumo no lixo, desta vez da Auchan. A cadeia assegura que a “redução do desperdício é um compromisso da Auchan Retail Portugal” e que, face às dificuldades das IPSS, geradas pela pandemia, em recolher as doações, estão a reorganizar para garantir ter “sempre associações disponíveis para a doação.”

“Ontem fomos dar mais uma volta (pelos supermercados), chegamos a uma loja do Auchan e é melhor ver o vídeo”, diz Hugo Breda. O vídeo, que só no Instagram já acumula cerca de 39 mil visualizações, mostra pacotes de saladas, vários quilos de legumes e fruta retirados de um contentor de lixo de um supermercado da Auchan, em Lisboa. A situação encontrada, acredita Hugo Breda, “é um pouco mais recorrente do que as grandes superfícies querem achar. Por mais esforços que façam há muito a ser feito. Isto é uma gota no oceano”. 

O número de mensagens que recebeu desde que publicou um vídeo a denunciar o ocorrido num supermercado do Pingo Doce leva-o a acreditar que, efetivamente, há muito a fazer no que se refere ao combate ao desperdício no retalho alimentar. “Recebemos mensagens de muitos colaboradores, e não só do Pingo Doce, a dizer que isto é prática comum diária. Que são obrigados a deitar lixívia para contentores, a trancá-los, a deitar detergente em pó para evitar que vão lá pessoas buscar comida”, descreve. “Não podem levar comida para casa. Temos relatos de pessoas que se despediram de lojas porque não conseguiam compactuar mais com isso. De todas as cadeias”, assegura. 

“Não temos a informação toda do nosso lado, não somos especialistas no assunto, isto foi quase uma bomba que nos explodiu nas mãos por acaso, certamente haverá pessoas que terão respostas ou teses sobre este assunto. Nós só demos um testemunho”, diz João Relógio, referindo que aguardam resposta de algumas organizações que fazem recolha de alimentos, que contactaram depois da avalanche de mensagens que receberam com pedidos de ajuda e oferta de voluntariado. 

“Temos do nosso lado centenas de pessoas a se oferecerem para voluntariado a pedirem mais informações, temos centenas de testemunhos de colaboradores e ex-colaboradores horríveis de se ler, centenas de mensagens de pessoas e famílias à beira do desespero a nos tratarem como salvadores e a nos pedirem comida. E nós não queremos fazer isto, não queremos ir ao lixo, não é digno de ninguém, nem seguro”, diz João Relógio.

“Isto é um acaso na nossas vidas, quisemos foi mostrar com este acaso que este é um problema um bocadinho maior do que pensamos. Este é um assunto sério. Estamos a falar da sobrevivência de pessoas, a comida tem de ser tratada quase como sagrada e não como possível lixo”, lamenta Hugo Breda. 

O que diz a Auchan? 

“A redução do desperdício é um compromisso da Auchan Retail Portugal. Por isso mesmo, procuramos sempre novas soluções que combinem a prevenção de desperdícios alimentares com a conveniência do melhor preço para o consumidor, sem prejuízo da qualidade dos produtos”, reage fonte oficial do retalhista, quando contactada pelo Dinheiro Vivo. 

Um combate ao desperdício que passa por doações, a entidades como a Refood e a Dar i Acordar, “que servem de intermediários com as associações, sendo facilitadores nestas doações de produtos em aproximação de fim de validade”. O ano passado, a cadeia doou 2,4 mil toneladas de produtos alimentares, num total de mais de 2,5 milhões de euros, a cerca de 80 IPSS e 30 associações de apoio a animais. 

Mas, face ao impacto disrutivo da pandemia no circuito, está a reorganizar. “Neste contexto específico de pandemia, verificamos que, em situações pontuais, algumas das IPSS com que temos uma parceria estão a ter dificuldades em recolher os alimentos. Nestes casos específicos, estamos a reorganizarmo-nos no sentido de garantirmos que temos sempre associações disponíveis para a doação”, adianta fonte oficial. 

Recentemente, firmaram uma parceria com a Too Good To Go, a aplicação que combate o desperdício alimentar, para a venda de excedentes alimentares em Magic Boxes. “Disponibilizamos as Magic Boxes em 32 Hiper/Supers e 26 lojas de proximidade (MyAuchan). Este projeto arrancou na Auchan de Almada em novembro de 2019, em teste, e foi desmultiplicado nas restantes, em junho deste ano. Conseguimos já salvar cerca de 8 mil refeições e evitámos a emissão de 20 mil kg CO2 equivalentes”. 

Estão igualmente a promover a venda de produtos de economia circular. “É o caso do bolo de banana, vegan, disponível em todas as lojas de fabrico próprio, que é feito com as bananas demasiado maduras da loja. Temos também disponível a venda de pão do dia anterior, para culinária, com desconto, bem como de pão ralado, feito com pão com mais de dois dias”, refere. 

Para diminuir o número de alimentos desperdiçados, a Auchan tem em marcha o projeto Desperdício Zero. Uma estratégia que passa por “uma oferta comercial que oferece ao cliente a possibilidade de comprar apenas a quantidade que necessita, como a venda avulso, a venda na área self-discount de frutas e legumes com características estéticas que, por norma, retiram estes produtos do circuito comercial, e a venda de produtos cuja data de validade se aproxima do fim a preços de desconto, identificados com uma etiqueta laranja”. Mas, também, por uma “gestão operacional rigorosa (como o controlo da temperatura dos alimentos) para minimizar qualquer desperdício e apostamos na formação e sensibilização dos colaboradores para esta questão.” 

A cadeia tem ainda um “serviço que contratualizamos a uma empresa de valorização de resíduos, que recolhe alguns dos nossos excedentes, sendo estes usados para produzir ração de animais, fertilizantes, entre outros fins.”

Ação de Formação – Entrevista Motivacional: motivar as famílias para a mudança

in Notícias de Viseu

O Núcleo Distrital de Viseu da EAPN Portugal irá realizar a ação de formação “Entrevista Motivacional: motivar as famílias para a mudança”, que decorrerá em formato online, nos dias 15, 17, 22 e 24 de setembro de 2020, das 14h às 17h (duração de 12 horas), através da plataforma Zoom.

A ação é destinada a profissionais que desenvolvem intervenção social e tem como objetivos específicos: Conhecer a importância de motivar as famílias para a mudança, bem como as fases do processo de mudança na família; Conhecer e experimentar a técnica da Entrevista Motivacional enquanto ferramenta para promover e motivar a mudança nas famílias.

Será uma formação ministrada por Catarina Rivero: Professora Auxiliar Convidada no Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas (ISCSP) da Universidade de Lisboa. Psicóloga e membro efetivo da Ordem dos Psicólogos Portugueses, especialista em Psicologia Clínica e da Saúde, com especialidades avançadas em Psicoterapia e Psicologia Comunitária. É Psicóloga Clínica pela Faculdade de Psicologia e Ciências de Educação da Universidade de Lisboa. Tem formação em Terapia Familiar pela Associação Portuguesa de Terapia Familiar e Comunitária. É Master em Terapia Familiar e Sistemas da Faculdade de Medicina da Universidade de Sevilha. Possui Mestrado Executivo em Psicologia Positiva Aplicada pela Universidade de Lisboa (ISCSP-UL). Tem ainda Mestrado em Sociedade, Risco e Saúde (ISCSP-UL), onde estudou o impacto de fatores da sociedade no bem-estar e na depressão dos cidadãos europeus. É co-autora do livro Positiva-Mente (Esfera dos Livros) e do Manual de Práticas Positivas e Colaborativas em Intervenção Social (EAPN Portugal). É presidente da Associação Portuguesa de Terapia Familiar e Comunitária, e membro fundador da Associação Portuguesa de Estudos e Intervenção em Psicologia Positiva. Exerce Psicoterapia Individual, Familiar e de Casal em consultório privado, e colabora com diversas entidades enquanto formadora. Mais informações em www.catarinarivero.com.

O prazo para a receção de inscrições termina a 10 de setembro de 2020 e as inscrições são limitadas a 25 participantes.

4.8.20

ONU teme catástrofe geracional e pede aos países medidas para a reabertura das escolas

in DN

As Nações Unidas pediram a todos países para que seja dada prioridade à reabertura das escolas sempre que haja controlo da transmissão local dos contágios de covid-19, alertando que o encerramento prolongado pode provocar uma "catástrofe geracional".

Vivemos um momento decisivo para as crianças e jovens de todo o mundo. As decisões que os governos venham a tomar agora vão ter um efeito duradouro em centenas de milhões de jovens, assim como nas perspetivas de desenvolvimento dos países, durante décadas", assinalou o secretário-geral da ONU, António Guterres, através de uma mensagem em vídeo.

Guterres apresentou um relatório elaborado pela organização para analisar o impacto do encerramento das escolas, institutos e universidades e propõe recomendações aos responsáveis políticos.

De acordo com o relatório, já se verificava uma "crise na educação" no mundo, antes da pandemia de SARS CoV-2, com mais de 250 milhões de crianças que não estavam escolarizadas e, nos países em desenvolvimento, apenas uma quarta parte dos alunos do ensino secundário tinham terminado os estudos com "competências básicas".

Para a ONU "é essencial encontrar um equilíbrio entre os riscos para a saúde e os riscos para a educação e proteção das crianças e ter em conta também a repercussão da situação na participação das mulheres na força do trabalho".

Segundo o relatório, em todo este processo é fundamental consultar os pais, cuidadores, docentes e os próprios alunos.

As Nações Unidas pedem para que seja dada prioridade à educação na distribuição de fundos, protegendo e aumentando os orçamentos para a educação nas contas públicas dos respetivos países e reclama que a questão passe a estar no centro dos "esforços internacionais de solidariedade".

"Agora enfrentamos uma catástrofe geracional que pode vir a desperdiçar um potencial humano incalculável, minar décadas de progresso e exacerbar desigualdades instaladas", disse Guterres.

A pandemia, sublinhou Guterres, causou "a maior disrupção de sempre na educação".

Segundo dados da ONU, em meados de julho as escolas permaneciam encerradas em mais de 160 países, o que afeta mais de mil milhões de estudantes sendo que mais de uma centena de países ainda não anunciaram as datas de reabertura.

Entre os aspetos que mais preocupam as Nações Unidas destacam-se o tempo perdido por milhões de crianças do pré-escolar, uma etapa considerada essencial, disse em conferência de imprensa a diretora geral adjunto para a Educação da UNESCO, Stefnia Giannini.

A educação à distância, com aulas através da rádio, televisão ou internet, "deixa muitos alunos para trás", avisa a ONU que destaca em especial o risco daqueles que sofrem deficiências, de comunidades minoritárias ou desfavorecidas, os deslocados, refugiados e aqueles que vivem em zonas remotas.

Assim, a pandemia está a aumentar as desigualdades na educação e ameaça desfazer rapidamente os progressos alcançados nas últimas décadas.

Perante esta situação, a ONU pede a aplicação de medidas, começando pela reabertura das escolas o mais rápido possível, uma questão que está a gerar amplos debates em vários países.

"Assim que a transmissão local de covid-19 esteja controlada é preciso devolver os alunos às escolas e aos estabelecimentos de ensino de forma segura: esta deve ser uma das prioridades fundamentais", afirmou Guterres.

A ONU pede também especial atenção aos estudantes em situação mais vulnerável e pede para que seja "aproveitada" a pandemia para se transformar os sistemas educativos através de infraestruturas digitais, revitalizando a aprendizagem ou usando métodos de ensino mais flexíveis.

"Temos uma oportunidade geracional de recriar a educação e o ensino. Podemos dar um salto e avançar para sistemas progressistas que consigam educação de qualidade para todos, como um 'trampolim' para alcançar os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável", disse Guterres.

Empresas já podem pedir ao IEFP o apoio de um ou dois salários

Victor Ferreira, in Público on-line

Requerimento de acesso ao incentivo extraordinário à normalização da actividade deve ser entregue por via electrónica no site do IEFP. 

As empresas que tenham estado em layoff simplificado, ou que tenham aderido ao apoio extraordinário à manutenção do emprego através de planos extraordinários à formação, podem pedir, a partir desta terça-feira, 4 de Agosto, o pagamento de um ou dois salários mínimos por cada trabalhador que tenha regressado ao trabalho.
As candidaturas ao chamado incentivo extraordinário à normalização da actividade empresarial só estão disponíveis às empresas que passaram pelo layoff simplificado ou pelos planos de formação e que não tencionam aderir ao mecanismo do apoio extraordinário à retoma progressiva, que está em vigor desde 1 de Agosto para empresas com pelo menos 40% de quebras na facturação e que queiram trabalhar em horário reduzido com apoio financeiro da Segurança Social.


Neste regime, o Estado paga 635 ou 1270 euros, equivalente a uma ou duas vezes o valor da retribuição mínima garantida, por cada trabalhador que tenha estado em layoff por causa da pandemia. As empresas candidatas não poderão, contudo, beneficiar de outros apoios que o Governo criou no âmbito da resposta de emergência económica devido à pandemia.

O apoio pode ser pago de uma só vez e nesse caso a empresa recebe 635 euros. Ou pode ser pago em duas prestações, ao longo de seis meses, e nesse caso o valor será o dobro, 1270 euros. Nesta última situação, a empresa fica ainda isenta em 50% da Taxa Social Única por cada um dos funcionários que tenha estado em layoff. E se a empresa tiver contratado novos trabalhadores, por tempo indeterminado, nos três meses subsequentes ao pagamento do apoio, essa isenção passa a ser total por dois meses.

O requerimento de acesso ao apoio de um ou dois salários deve, por seu lado, ser submetido no portal do IEFP. Este instituto tem dez dias para dar resposta e o pagamento será feito no prazo de dez dias a contar a partir da comunicação da aprovação do apoio. As empresas que optem pelo apoio dos dois salários mínimos terão um primeiro pagamento no prazo de dez dias após a comunicação da aprovação do requerimento. O segundo pagamento será feito no prazo de seis meses a contar do fim do layoff simplificado ou do plano de formação na empresa.

O valor efectivo a receber dependerá, porém, do número de dias em que vigoraram as medidas extraordinárias de apoio à manutenção dos contratos de trabalho. Quando o layoff simplificado tiver durado mais de um mês, o montante a que a empresa tem direito será calculado a partir da média aritmética simples do número de trabalhadores que passaram por esse mecanismo.
Já se o layoff tiver durado menos de um mês, o montante de um salário mínimo é reduzido proporcionalmente.

Se o layoff tiver durado menos de três meses, o valor a pagar no caso dos dois salários mínimos é igualmente reduzido proporcionalmente. Isto porque, como se lê no site do IEFP, “a aplicação da regra da proporcionalidade é efectuada de acordo com o número de dias de aplicação” do layoff ou do plano de formação.


Estes apoios não são cumuláveis com outros e obrigam a empresa a não despedir durante a concessão do apoio e nos 60 dias subsequentes. Na modalidade de pagamento faseado, a empresa fica obrigada a manter o nível de emprego pelo mesmo prazo.

O acesso ao layoff tradicional, previsto no Código do Trabalho, só pode acontecer 60 dias após o pagamento deste apoio à normalização. No site do IEFP há informação mais detalhada sobre como apresentar candidatura ao incentivo à normalização da actividade.


OMS admite que pode nunca vir a existir uma “panaceia” contra a covid-19

in Público on-line

Apesar de haver várias vacinas a apresentar resultados promissores durante os ensaios clínicos, OMS avisa que ainda não há e “talvez nunca existe” uma cura definitiva para a covid-19.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) alertou esta segunda-feira que talvez nunca venha a existir “uma panaceia” contra a pandemia de covid-19, apesar das investigações em curso que procuram conseguir uma vacina contra a doença.

“Há uma série de vacinas que estão agora na fase 3 dos ensaios clínicos, e todos esperamos ter várias vacinas eficazes que consigam ajudar a prevenir o contágio. Mas não há nenhuma panaceia neste momento e talvez não exista nunca”, declarou o director-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, no discurso de abertura da conferência de imprensa da OMS sobre a evolução da pandemia no mundo, esta segunda-feira, através da Internet.

Com mais de 18,1 milhões de casos no mundo e quase 690 mil mortes, o director-geral da OMS incitou os países a impor rigorosamente as medidas de protecção sanitária como o uso de máscaras, o distanciamento social, a higienização regular das mãos e a aposta na testagem intensiva.

“A mensagem para as pessoas e governos é clara: façam tudo”, afirmou Tedros Adhanom Ghebreyesus, reforçando que é preciso manter os esforços depois de controlada a situação.

“Quando a situação estiver sob controlo, continuem. Continuem a reforçar os sistemas de saúde. Continuem a melhorar a vigilância, o rastreio de contactos e assegurar que serviços de saúde afectados sejam reiniciados o mais rapidamente possível. Mantenham as protecções e serviços de monitorização instalados, porque o levantamento demasiado rápido das restrições pode levar a um ressurgimento de contágios”, alertou.

Sobre os países com taxas de transmissão altas, como o Brasil e a Índia, Mike Ryan, especialista em doenças infecciosas, lembrou que o combate ao vírus não é fácil.

“O caminho é longo e requer um compromisso sustentado”, disse o director executivo do programa de emergências sanitárias da OMS, apelando ainda um “recomeço” da política de combate à pandemia em algumas nações.

“Alguns países vão mesmo ter que dar um passo atrás e parar para observar como estão a lidar com a pandemia dentro das suas fronteiras.”

Há quatro anos que não havia tantos desempregados com o ensino secundário

Sónia M. Lourenço, in Expresso

O número de desempregados registados no centros de emprego subiu em força desde o início da pandemia e são os trabalhadores com habilitações ao nível do ensino secundário que mais estão a alimentar este aumento. São já mais de 129 mil, o valor mais elevado desde maio de 2016

São mais de 129 mil. É esse o número de desempregados inscritos nos centros de emprego com qualificações ao nível do ensino secundário. É o valor mais elevado dos últimos quatro anos.

O Expresso analisou os números do Instituto do Emprego e Formação Profissional (IEFP) e concluiu que são estes trabalhadores com qualificações intermédias que mais estão a alimentar a subida do desemprego registado desde o início da crise provocada pela pandemia de Covid-19.

Comparando o mês de junho (últimos dados disponíveis) com o mês fevereiro (pré-pandemia), o número de desempregados inscritos nos centros de emprego subiu em força. São mais 91.103 pessoas (29%), atingindo um total de 406.665 desempregados.

Ora, 42% deste aumento (mais 37.838 pessoas) é explicado por desempregados com qualificações ao nível do ensino secundário. São agora 129.059, mais 41% do que em fevereiro. E economistas ouvidos pelo Expresso alertam que o seu regresso ao emprego pode tardar.

Mais ainda, este é o valor mais elevado desde maio de 2016. Ou seja, há mais de quatro anos que não havia tantos desempregados registados em Portugal com habilitações ao nível do ensino secundário.

O peso destes profissionais no aumento do desemprego registado é, até agora, muito superior ao dos trabalhadores com o terceiro ciclo do ensino básico (9º ano de escolaridade), que, com mais 22.221 pessoas, ocupam o segundo lugar neste ranking.

Já os desempregados com qualificações mais elevadas (ensino superior) ou mais modestas (até ao segundo ciclo do ensino básico) sofreram, até agora, aumentos menos marcados no desemprego registado.

Só 766 pediram estatuto de cuidador informal

Ana Cristina Pereira, in Público on-line

“Mesmo considerando os 30 concelhos dos projectos-piloto, há muito mais pessoas a cuidar”, suspira a vice-presidente da Associação Nacional de Cuidadores Informais, Maria dos Anjos Catapirra.

Até ao final de Julho, só 766 pessoas solicitaram ao Instituto de Segurança Social (ISS) o reconhecimento do Estatuto de Cuidador. Uma pequeníssima parte de um universo estimado em 800 mil cuidadores, 240 mil dos quais a tempo inteiro.

O número foi avançado pelo gabinete da ministra do Trabalho, da Solidariedade e da Segurança Social, Ana Mendes Godinho, a pedido do PÚBLICO. Nos 30 concelhos escolhidos para os projectos-piloto, o estatuto pode ser requerido desde o dia 1 de Junho. No resto do país, começou no dia 1 de Julho.

Os últimos dados revelados pelo PÚBLICO diziam respeito a 27 de Julho, altura em que o ISS contava 637 requerimentos. Presumia-se que houvesse uma corrida na última semana, já que no dia 31 de Julho terminava o prazo para quem mora nos 30 municípios-chave requerer o estatuto com direito a retroactivos desde 1 de Abril, isto, claro, nos casos em que há direito a subsídio (os rendimentos de referência do seu agregado familiar têm de ser inferiores a 1,2 Indexante dos Apoios Sociais, o que no ano em curso corresponde a 526,57 euros).

Recorrer a autarquias e a polícias

"Por amor de Deus”, suspira a vice-presidente da Associação Nacional de Cuidadores Informais, Maria dos Anjos Catapirra. “Mesmo considerando os 30 concelhos, há muito mais pessoas a cuidar. E aqui já estão pessoas que não pertencem aos projectos-piloto.”

Todos os dias, Maria dos Anjos Catapirra recebe telefonemas de cuidadores. “Passo o dia ao telefone”. Esclarece dúvidas, ouve desabafos, conforta. E, quando lhe liga um jornalista, não se cansa de denunciar a carga burocrática, a falta de informação e a impreparação dos funcionários. Recomenda à ISS que recorra às juntas de freguesias e às câmaras municipais, à GNR e à PSP para chegar a mais idosos e a quem deles cuida.

No portal da Segurança Social, há uma área dedicada que inclui um Guia Prático, um folheto e os formulários. Nos 18 centros distritais formou-se um Gabinete de Acolhimento ao Cuidador Informal. Abriu-se uma linha telefónica exclusiva para dúvidas e apoio ao cuidador (300 502 502).

Ao que afirma o gabinete da ministra, o ISS está a fazer um esforço para chegar aos cuidadores residentes nos 30 concelhos do projecto-piloto. Está a notificar os beneficiários titulares de complemento por dependência de 2.º grau e do subsídio por assistência de terceira pessoa residentes nos concelhos dos projectos-piloto”. E prevê “o envio de um mailshot destinado a informar e sensibilizar as associações representativas deste público-alvo”.

Nas muitas conversas que vai tendo, Maria dos Anjos Catapirra encontra outras justificações para a míngua de requerimentos entrados até agora. Percebe que muitos cuidadores desistem ao compreender que não terão direito a qualquer subsídio, desvalorizando um conjunto de medidas a desenvolver pela Saúde, pela Segurança Social e pelas autarquias, como a formação e a capacitação dos cuidadores, o apoio psicossocial, as oportunidades de descanso. “O descanso do cuidador é das coisas mais importante que as pessoas vão ter”, salienta.
Associação a estatuto de maior acompanhado

Aquela dirigente associativa também conhece cuidadores que desejam avançar e se deparam com barreiras inesperadas. É preciso que a pessoa cuidada dê o seu consentimento. No caso de ter uma demência ou outra forma de incapacidade psíquica, há que obter o estatuto de maior acompanhado, o que, por si só, é um processo longo e complexo. Já as pessoas que são titulares de Complemento por Dependência de 1º grau têm de sujeitar-se a uma avaliação do Serviço de Verificação de Incapacidade. A pandemia de covid-19 criou atrasos que não se ultrapassaram (embora até ao final do ano, baste a palavra de um médico, não seja necessário uma junta médica).

Recomenda aos cuidadores residentes fora dos concelhos dos projectos-piloto que não deixem de pedir o estatuto, embora lhe cheguem histórias de desencorajados por funcionários da Segurança Social. Servirá para orçamentar a medida no próximo ano. E sempre lhes dará um cartão de identificação com o qual os que estiverem a estudar poderão requerer o estatuto de trabalhador-estudante e os que tiverem filhos a cargo poderão beneficiar do regime de parentalidade previsto no Código de Trabalho. Prevê-se que algumas leis do trabalho venham a ser alteradas para melhor permitir a conciliação

ONU: Existe racismo em Portugal e não é devidamente investigado e punido

in Esquerda.net

A ONU é perentória ao assinalar “a persistência de casos de violência policial contra pessoas de minorias étnicas” e a inexistência de investigação e punição adequadas no que concerne aos crimes praticados pela polícia ou cidadãos. Este órgão defende ainda que a população cigana e afrodescendente é vítima de discriminação na educação, habitação e emprego.

No seu último relatório, citado pelo Público (link is external), o Comité de Direitos Humanos das Nações Unidas alerta para “a persistência de casos de violência policial contra pessoas de minorias étnicas, em especial pessoas ciganas e afrodescendentes”.

“Apesar das explicações da delegação portuguesa, a comissão nota preocupação com o facto de os agentes policiais destacados para zonas habitadas por pessoas de minorias étnicas não serem suficientemente treinados”, lê-se no documento.

A ONU propõe a instalação de câmaras nos agentes, bem como formação “para erradicar estereótipos e a discriminação de minorias étnicas”.

Acresce que os crimes contra minorias étnicas, cometidos pela polícia ou cidadãos, não estão a ser “adequadamente investigados”. Recorde-se que, de 2009 a 2018, o Ministério da Justiça não registou condenações por racismo.

O Comité de Direitos Humanos das Nações Unidas quer que Portugal garanta que todos os mecanismos de queixa funcionam adequadamente, que todas as queixas são sistematicamente investigadas em profundidade e que existe “uma punição proporcional”.

A intolerância, os crimes e o discurso de ódio contra grupos minoritários incluindo ciganos, afrodescendentes, muçulmanos, lésbicas, gays, bissexuais e transgénero são preocupantes em Portugal, adverte a ONU, recomendando o reforço ao combate à intolerância e discriminação, bem como a formação de agentes das forças de segurança, magistrados e profissionais do sistema judicial, e a realização de campanhas de sensibilização que encorajem as denúncias.

Para a ONU, é ainda preocupante que o Código Penal limite o crime de discriminação a “atividades de propaganda organizada”, não considerando o incitamento à discriminação praticado numa base individual. E que não cubra a discriminação com base na linguagem, punida pela Convenção de Proteção de Direitos Humanos e Fundamentais que Portugal ratificou.

Os peritos do Comité de Direitos Humanos das Nações Unidas consideram que Portugal deveria alterar o Código Penal por forma a garantir que a sua aplicação protege os cidadãos “da discriminação, por todos os meios, e em todas as esferas e sectores, incluindo o incitamento à discriminação”. Assim como deve assegurar que as vítimas de discriminação têm acesso a compensações, proteção e garantia do direito à intervenção processual.

No seu relatório, a ONU reforça ainda a necessidade de recolher dados sobre minorias étnico-raciais entre a população, “de modo a monitorizar o usufruto de todos os direitos e liberdades pelas minorias”. A organização intergovernamental aponta que continuam a surgir relatos que dão conta da discriminação de que é alvo a população cigana e afrodescendente em áreas como a discriminação na educação, habitação e emprego.

Filas de fome: Pobreza aumenta e gera onda de sem-abrigo em Setúbal devido à pandemia

Sofia Garcia, in CM

Pedidos de ajuda duplicaram com a pandemia.

O Centro de Apoio aos Sem Abrigo, há nove anos em Setúbal, tem desempenhado um papel fundamental em tempo de pandemia, na cidade.

Com a entrada do vírus no país, a CASA, sigla da instituição, passou também a ajudar famílias para evitar que fiquem também em situação de sem-abrigo.

Só #JUNTOS poderemos combater a pobreza, esse vírus (paralelo) que não pára

Isabel Jonet, in o Observador

Não há estudos que nos preparem para mais de 58 mil pessoas a pedir ajuda para comer, famílias com crianças, nem tubos de ensaio que nos permitam prever o que acontecerá quando tudo isto terminar.

Em 2004, fundei a ENTRAJUDA para levar gestão e organização às instituições de solidariedade, nomeadamente aos Bancos Alimentares. Foi esta, a instituição responsável por uma rede que permitiu dar resposta à emergência alimentar e que, infelizmente, vai durar mais do que imagináramos. Nada o faria prever: 18570 novos pedidos de ajuda, 58 mil pessoas, uma onda de inesperados novos pobres que nasceu na pandemia e que cresce todos os dias. Profissionais das artes, do turismo, dos ginásios, empresários e demais trabalhadores precários e da economia informal que, de uma forma súbita e imprevista, ficaram sem sustento: se já tínhamos um vírus a comprometer a saúde e a vida, outro corre em paralelo e que, num suspiro, também pode matar. É por isso que, mais do que nunca, a mobilização de toda a sociedade neste momento tão difícil acaba por ser o mais importante anti-inflamatório para este vírus que nos assola e que, seguramente, terá um impacto imensurável na casa de muitas famílias portuguesas.

De dentistas a taxistas, cabeleireiras, empresários, artistas, os pedidos chegam de toda a parte e o problema central é que, ao contrário do que se pensa, a crise social instalou-se nas mesmas dimensões que a Covid-19: de forma inesperada, incontrolável e com efeitos totalmente imprevisíveis. Não há estudos que nos preparem para mais de 58 mil pessoas a pedir ajuda para comer, famílias com crianças a cargo, nem tubos de ensaio que nos permitam prever o que acontecerá quando tudo isto, aparentemente, terminar.

Utilizar apoios europeus para ajudar a preservar empregos e recorrer a todos os meios disponíveis para fazer com que as empresas preservem a sua actividade, deverá ser preocupação primordial das entidades governamentais. É urgente que as empresas voltem a dar emprego e trabalho às pessoas, que voltem a dar-lhes a possibilidade de ser donas da sua própria vida, porque, se num primeiro momento as pessoas da economia informal se vão aguentar, precariamente, por via de pequenos trabalhos remunerados de forma imediata, muitas empresas vão dispensar colaboradores e fazer despedimentos depois desta experiência do teletrabalho.

É por isso que, quando empresas se unem à Rede de Emergência Alimentar, o fazem com a clara noção de que estão a entrar pela porta principal da casa das famílias portuguesas e a ajudar pessoas que ficaram sem recursos, ou apoios, a fazer uma alimentação saudável de que tanto necessitam. É desse esforço que nascem projectos como o #JUNTOS, da Danone Portugal, por exemplo, que desafiam a solidariedade e o potencial do digital para fazer chegar a mais de dois milhões de famílias algo tão simples, mas altamente rico e nutritivo como um iogurte. É com base nesse princípio, dedicação e vontade, que quando marcas firmam compromissos com a Rede, que era inicialmente um projecto temporário e que agora não sabemos até quando estará activo, firmam-no com o Manuel, a Maria, o Francisco, a Joana e com milhares de nomes com rosto, família e necessidades absolutamente inimagináveis.

À semelhança da grave pandemia que vivemos, começa a ser também imprevisível definir quanto tempo vai durar esta crise que cresce, todos os dias, em paralelo. As próximas estações preocupam-nos, por serem alturas do ano em que as necessidades se adensam, e a recuperação económica, que se prevê lenta e gradual acontecerá, seguramente, num ritmo antítese aquele que precisamos para responder às necessidades dos cidadãos.

É por isso que, mais do que nunca, a coesão social terá de s

er palavra de ordem no dia-a-dia de todos nós. Juntos temos de ser um e perceber que no cumprimento dos Objectivos do Desenvolvimento Sustentável e, em especial, no combate e luta contra a fome, todos somos absolutamente indispensáveis. É urgente dinamizar iniciativas que envolvam os cidadãos numa causa que é de instituições, de entidades governamentais, de agentes formais e informais, que é de todos. É das empresas, é dos governos, é da sociedade civil, porque, a verdade é que esta crise veio provar-nos que, à semelhança da Covid-19, este é um vírus ao qual ninguém está imune: centenas de famílias viram a vida do avesso em apenas um suspiro e a cura continua sem estar garantida ao nosso alcance. E a esperança não pode perder-se nunca.

Este artigo foi escrito no âmbito do lançamento da iniciativa #JUNTOS, da Danone Portugal.

3.8.20

Famílias de acolhimento aguardam há quase um ano por legislação

Ana Gaspar, in JN

Novo regime aprovado em setembro devia ter entrado em vigor em dezembro, mas falta portaria para ser efetivado. Subsídios pagos a "pais" ainda são feitos à luz da lei anterior. Tutela diz que novas dotações terão retroativos a 2019.

Faz em setembro um ano sobre a publicação do novo regime de acolhimento familiar. "Mas nada mudou até à data". O que significa que as famílias que se disponibilizam para acolher menores em risco continuam a receber o mesmo valor desde 2009 e a emitir um recibo pelo subsídio. O alerta é dado por Celina Cláudio, diretora da "Mundos de Vida", instituição que trabalha com esta medida de proteção destinada a crianças e jovens em risco e que substitui o seu internamento em instituições.

O decreto-lei entrou em vigor três meses depois (em dezembro) e continua sem aplicação, pois falta regulamentar uma portaria (sobre a seleção das famílias e as condições que vão reger as instituições), que deveria ter sido concluída nos 60 dias após a publicação do novo regime, explica a responsável ao JN. "Questionámos várias vezes a Segurança Social, sem resposta".

Depois de contactado pelo JN, o Ministério do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social garante que o documento "se encontra em fase final de elaboração" e que os trabalhos para a sua aprovação foram afetados pela pandemia.

A tutela, citando o Instituto da Segurança Social, adianta que "o pagamento de acordo com o novo regime será feito com retroativos a 1 de dezembro de 2019, a partir do momento da publicação da portaria".

Valor é igual desde 2009

"As famílias recebem o mesmo valor desde 2009 e emitem um recibo verde para usufruir do subsídio de prestação de serviços (176,89 euros), que em sede de IRS está sujeito a tributação", frisa Celina Cláudio. Além deste valor, recebem mais 153,40 euros. Com a nova legislação, o valor passa para 522, 91 euros, mas pode ser superior, se a criança tiver menos de dois anos ou sofrer de deficiência.

A entrada em vigor do novo regime implica "a alteração de contrato de prestação de serviços celebrado com a Segurança Social (SS) ou com as instituições. E, neste momento, nem o valor foi atualizado nem foi alterada essa figura fiscal", acrescenta a responsável pela instituição, que atualmente monitoriza o acolhimento de 39 crianças por 30 famílias. Além disso, estes "pais" continuam a não conseguir incluir a criança no seu agregado, nem a beneficiar de direitos parentais, como faltar ao trabalho por doença da criança.

200 crianças em 2018

Segundo o relatório CASA (Caracterização Anual da Situação de Acolhimento de Crianças e Jovens) da SS, divulgado em dezembro de 2019, no ano de 2018, apenas 200 crianças estavam em acolhimento familiar - o número mais baixo desde 2008. O JN questionou quantas crianças estavam neste regime em 2019, mas não obteve resposta.

No final de 2017, Ana Sofia Antunes, secretária de Estado da Inclusão das Pessoas com Deficiência, tinha anunciado que as famílias de acolhimento só voltariam a receber crianças quando houvesse meios de fiscalização adequados. Porém, os candidatos ainda estão a ser selecionadas com base na lei de 2015.

Acolhimento familiar

É uma medida temporária, através da confiança da criança ou do jovem a uma pessoa singular ou a uma família, habilitadas para o efeito. A medida visa a sua integração futura numa outra família, que pode ser a de origem.

Adoção

É definitiva, após ser decretada. Não podendo ser revogada, nem mesmo por acordo entre o adotante e o adotado. A criança/jovem torna-se filho e passa a fazer parte da família, para todos os efeitos legais, incluindo os sucessórios. Deixa de ter relacionamento com a família de origem.

Apadrinhamento civil

Trata-se de uma relação jurídica do tipo familiar que se constitui entre uma criança ou jovem e uma pessoa singular ou família, a quem são atribuídas as responsabilidades parentais, e entre quem se estabelecem vínculos afetivos. Os pais e/ou restante família biológica mantêm o direito de visitar, manter o relacionamento e de acompanhar o seu desenvolvimento.

Desconfinamento: quando o medo está do lado de fora da porta

Ana da Canha, in Público on-line

Para muitos, o sentimento de solidão causado pelo confinamento teve um impacto negativo. Para outros, o verdadeiro desafio é o regresso às velhas rotinas, com a insegurança e a instabilidade económica a ameaçar o futuro.

O confinamento foi um tempo para Maria, 24 anos, e Joana, 25 anos, repensarem as suas vidas e não sentiram grande dificuldade em ficar em casa. É agora que se debatem com a necessidade de passar para lá da porta de casa e enfrentarem o “novo normal”. A Ordem dos Psicólogos Portugueses (OPP) está atenta aos que se sentem mais ansiosos ou mesmo em pânico e, por isso, lançou um “Kit Psicológico para o Desconfinamento”. No mesmo sentido, as empresas têm vindo a redobrar esforços para que “o medo não seja bloqueador”, conforme expõe Patrícia Gonçalves, consultora de recrutamento especializado com formação na área dos Recursos Humanos.

“Houve jovens para quem o confinamento foi uma experiência muito positiva, sentiram-se mais protegidos”, confirma a psicóloga Renata Benavente, da OPP. “Nós tivemos algumas pessoas que se habituaram a estar em casa e que, embora não fossem muito ansiosas, tiveram dificuldades a desconfinar”, declara a psicóloga Wiebke Ehmke.

Maria, actriz, revela que “antes do confinamento, era tudo sem parar”. Por isso, “ao confinar, tudo o que era tomado por garantido foi repensado”. Agora que é confrontada com convites de amigos para saídas, a jovem hesita, com medo. “Socializar num grupo implica várias energias, vários tempos… E mexe comigo de uma forma, que amplia os sentimentos de exclusão, de que não me integro”, explica.

Joana, psicóloga, que já antes do confinamento começara a sentir a ansiedade, com as notícias alarmantes sobre o novo coronavírus a monopolizar os meios de comunicação social, encontrou em sua casa “um refúgio” para um mundo caótico. Durante estes meses, a jovem não saía de casa para passeios higiénicos, nem sequer para fazer compras – mesmo com o início do desconfinamento, o medo de dar um passeio pelas imediações continuava a assustá-la. Para regressar ao trabalho, “teve de ser aos poucos, com ajuda profissional”, confessa. Para Joana, o mundo estava agora mais barulhento e no final do dia sentia-se completamente “drenada”, pois “estar ligada, falar com as pessoas, era demasiado”.
Falta de segurança

Nesta fase, ao mesmo tempo que os sentimentos de ansiedade social se ampliam para Maria e Joana, há também a questão da segurança. Afinal, o vírus ainda não desapareceu. “Ficámos com a perspectiva de que estar com o outro é perigoso”, explica Renata Benavente. “Estamos híper vigilantes, alguns preferem evitar o contacto social”, especialmente depois de se terem adaptado ao conforto de casa e do teletrabalho, acrescenta a psicóloga. Patrícia Gonçalves aponta para o “medo colectivo” sentido nas empresas: “Além do medo de infectar ou de ser infectado, há um medo mais intrínseco de perder o emprego, perder estatuto social ou performance no trabalho.”

“No confinamento, foi como se tivesse escrito um livro. No desconfinamento pude lê-lo” – é assim que Maria resume a sua experiência. Nos últimos tempos, tem procurado conciliar a vida social com momentos de solidão e introspecção. “Tenho de aceitar que gosto de estar em casa, respeitar o meu tempo e as minhas necessidades”, acrescenta. Já Joana tem vindo a fazer progressos e a adaptar-se a esta “nova normalidade” aos poucos.

No âmbito do desconfinamento, a Ordem dos Psicólogos está a reactivar a sua campanha “Encontre uma saída”, disponibilizando ainda o “Kit Psicológico para o Desconfinamento”, para auxiliar as pessoas que experienciem situações de diminuição da percepção do controlo, de medo de uma segunda vaga, de sentimentos de incerteza, de perda ou de ansiedade em relação à situação económica. Patrícia Gonçalves partilha que, dentro das empresas, há que “garantir confiança interna, comunicar de forma aberta, mostrar que há uma estratégia, um plano”. “É preciso um período de ajustamento”, reforça Renata Benavente, relembrando que é fundamental “recuperar as rotinas de forma gradual”.

Kit Psicológico para o Desconfinamento

"Lembre-se que é natural que não se sinta 'preparado' para desconfinar"

"Seja paciente consigo próprio"

"Volte à rotina anterior"

"Adapte"

"Dê pequenos passos"

"Concentre-se naquilo que pode controlar"

"Seja assertivo"

"Siga o seu ritmo"

"Procure 'o lado positivo'"

"Exercite a sua flexibilidade"

"Continue a cuidar de si"

"Peça ajuda"




Confinamento aumentou burnout na maioria dos pais

Alexandra Campos, in Público on-line

Alguns pais relatam que, durante o confinamento na habitação, deram palmadas e disseram coisas aos filhos de que mais tarde se arrependeram, enquanto outros consideram que relação com filhos até melhorou.

Se para uns pais o confinamento e o isolamento social provocaram um aumento dos sintomas de burnout (síndrome de exaustão emocional), para outros esta fase foi encarada como uma oportunidade para aumentar a qualidade da sua relação com os filhos. São conclusões preliminares de um estudo realizado por investigadores das universidades de Coimbra e Porto que revelam que a pandemia em Portugal não teve o mesmo impacto na qualidade da parentalidade e das relações com os filhos, para todas as mães e pais.

A crise pandémica e o confinamento na habitação “não tiveram o mesmo impacto na qualidade da parentalidade e das relações com os filhos para todas as mães e pais”, lê-se numa nota enviada à imprensa pela Universidade de Coimbra. Para quase um terço das mães e um quinto dos pais inquiridos o confinamento e o isolamento social provocaram um aumento dos sintomas de burnout parental, com impacto negativo nos seus comportamentos em relação aos filhos, como “dar palmadas e dizer coisas aos filhos que depois se arrependem, e de desligamento - por exemplo, não dar atenção e prestar cuidados quando acham que o deviam fazer”. No sentido oposto, 27% das mães e 19% dos pais consideraram que esta fase até permitiu reduzir o burnout parental e melhorar a qualidade da relação com os filhos.

É neste sentido que apontam os primeiros resultados deste estudo realizado por uma equipa das universidades de Coimbra (UC) e do Porto (UP), no âmbito de um projecto internacional integrado num consórcio de 40 países que investiga esta temática. Em Portugal, a pesquisa contou com a participação de 488 pais e mães (a maioria mães, 81%), através de um questionário online aplicado durante o período de confinamento, entre 30 de Abril e 20 de Maio.

O burnout parental, explica Maria Filomena Gaspar, docente da Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação e investigadora do Centro de Estudos Sociais (CES) da UC, citada na nota à imprensa, “é uma condição de saúde mental caracterizada por um estado de exaustão e um sentimento de saturação relacionados com o papel parental, com perda de prazer em estar com os filhos e distanciamento emocional destes, contrastando estes sentimentos e estados com os que existiam antes”. É desencadeado quando há um “desequilíbrio entre as “exigências” que se colocam ao exercício do papel parental e os “recursos” que coexistem para lidar com elas”.

A “polarização” evidenciada neste estudo - com “um pólo marcado por bem-estar emocional e aumento da qualidade das relações com os filhos, e outro pólo marcado por sofrimento psicológico e redução da qualidade da relação com os filhos” relacionada com um “maior risco de comportamentos de tipo violento e negligente” – está “associada a um conjunto de factores (não de causas) que se podem constituir, respectivamente, como protectores ou riscos”, afirma Maria Filomena Gaspar, que também é membro do Laboratório Colaborativo ProChild (entidade que também participou no trabalho), e que coordena este estudo em Portugal, juntamente com Anne Marie Fontaine, professora emérita da UP.

Como factores de risco para burnout parental sobressaem a idade (ser mais jovem), o maior número de anos de escolaridade, e residir numa grande cidade, tal como viver numa casa ou apartamento sem espaço exterior onde se possa brincar ou jogar com os filhos, ou ainda ter problemas de saúde mental. O impacto também é superior no caso de pais com mais filhos com menos de quatro anos de idade, que antes do confinamento estavam numa ama, creche ou jardim-de-infância, e no caso de pais com mais filhos com mais problemas de saúde física, mental, emocional ou comportamental.

A investigação faz parte de um estudo internacional, coordenado por investigadores da Universidade de Tilburg (Holanda), no âmbito de um consórcio de 40 países que investiga o burnout parental e que é liderado pela Universidade de Louvain (Bélgica).

De dirigente associativo a empreendedor(a): uma oportunidade desaproveitada

Inês Alexandre, in Público on-line

O associativismo deve e pode ser uma escola de competências sociais, dentro ou fora dos contextos escolares. O desafio passa por garantir que falamos a uma só voz e que existe uma aposta neste sentido.

Na União Europeia, apenas 17% dos jovens, entre os 15 e os 35 anos, ponderam tornar-se empreendedores. Esta é uma das conclusões do relatório de 2013 Generation Entrepreneur? O Estado do Empreendedorismo Global da Juventude, que revela também que, na África Subsariana, o valor sobe para uns incríveis 60%. Mas a que se deve essa disparidade?

Um factor importante é o nível de pobreza. Nas regiões mais pobres, há muito empreendedorismo por necessidade. É onde os jovens procuram e constroem activamente essa oportunidade, porque muitas vezes constitui a melhor maneira de gerar rendimentos. Por sua vez, nos países mais ricos, a probabilidade dos jovens se envolverem em actividades empreendedoras depende, em grande parte, de existirem ou não essas oportunidades criadas e, muitas vezes, o medo do fracasso pesa mais durante a decisão.

Em Portugal, há um potencial enorme no associativismo estudantil e juvenil, na medida em que este pode ser uma rampa de lançamento para o empreendedorismo. Quando falamos em associativismo estudantil, focamo-nos muitas vezes nas associações de estudantes do ensino básico, secundário e universitário, limitando-as, quase sempre, a três tipos de eventos: a semana das campanhas eleitorais, as festas e as viagens de finalistas. Claro que existem excepções, mas este é um panorama generalizado e assumido por todos nós, das direcções das escolas aos alunos. E é esta visão que tem de mudar.

O associativismo deve e pode ser uma escola de competências sociais, dentro ou fora dos contextos escolares. O desafio passa por garantir que falamos a uma só voz e que existe uma aposta neste sentido. Podemos e devemos fazer crescer projectos que envolvam os jovens e activá-los para um processo de co-responsabilização do impacto das suas acções. Mas como é que fazemos isto?

O primeiro passo é levantarmo-nos do sofá, sairmos da zona de conforto e estarmos disponíveis para coisas novas. A etapa seguinte passa pela avaliação e monitorização, garantindo que a co-responsabilidade faz parte do nosso sistema de ensino e de um trabalho direccionado para a aquisição de competências que deixam os jovens decidir, aprender, falhar e voltar a tentar.

Fala-se pouco de falhas, mas são as falhas as maiores aliadas do processo de educação. São elas que nos vão dizer o que não fazer e de que valores não estamos dispostos a abdicar.


Depois, é necessário estruturar. Diria que estruturar e guiar são os secrets sauces desta missão. A missão de aumentarmos os projectos com e para os jovens, liderados por jovens. Quando guiamos alguém, estamos a ensinar essa pessoa para que mais tarde seja ela a ensinar a pessoa seguinte. Não existindo uma “receita milagrosa” para este processo, diria que o importante é:
Ensinar a questionar — a perguntar porquê;
Ensinar a ser crítico(a) — a ter informação necessária para dar a opinião e mostrar a sua visão;
Ensinar a estruturar, a planear — a explorar que ferramentas usar e qual o processo mais adequado;
Ensinar a trabalhar em equipa — a liderar, a perceber qual o nosso papel;
Ensinar que são as pessoas a parte mais importante de tudo — são elas que nos vão fazer pontes, são elas que vão ou não gostar de nós e recomendar-nos, são elas que vão ou não confiar e acreditar em nós;
Ensinar que todos temos de ganhar, que todos contam e que ninguém pode ficar para trás;
Ensinar que falhar é a melhor coisa que nos pode acontecer, para aprendermos.


Foi nestes sete tópicos que se focou o AEleva-te — um programa-piloto de capacitação dirigido a dirigentes associativos estudantis do ensino secundário, em Cascais —, de forma a garantir que estes aprendiam e integravam no seu dia-a-dia estes ensinamentos e que nunca se esquecessem que ninguém pode ficar para trás. Falhar faz parte do processo; o importante é o que fazemos com isso.

Estes dirigentes do associativismo são futuros empreendedores. São os nossos futuros líderes e quem vai gerar oportunidades de co-construção e de co-responsabilização, tal como nós — Transformers — e o município de Cascais fizemos com eles.

Portugueses ainda não desconfinaram tudo

Marta F. Reis, in iOnline

Uso de transportes ainda não voltou aos níveis pré-pandémicos. Este domingo passam cinco meses desde que foram detetados os primeiros casos de covid-19 em Portugal, quase três desde que começou o desconfinamento. Lisboa, que registou três vezes mais casos depois do fim do estado de emergência do que antes, saiu do vermelho no mapa europeu.

Cinco meses depois dos primeiros casos de covid-19 detetados no país, e quase três meses depois do início do desconfinamento, os portugueses ainda não voltaram à rua como antes da pandemia. Os relatórios de mobilidade feitos pelas operadoras móveis mostram que as deslocações associadas ao comércio e lazer, de cafés a centros comerciais, mas também museus ou por exemplo bibliotecas, estão agora 13% abaixo do que era habitual antes da pandemia em todo o país, quando a quebra chegou a ser bastante superior durante o estado de emergência. No que diz respeito aos transportes públicos e locais de trabalho, ainda se está um terço abaixo do que era normal antes da covid-19, sendo que a Google usa como referência o mês de janeiro.

Os relatórios feitos semanalmente por esta operadora desde o início da epidemia mostram também que, em Lisboa, as movimentações parecem ainda mais contidas do que no Porto: a Sul a mobilidade associada a lazer e comércio registava na última semana ainda uma quebra de 34% face à média de janeiro, enquanto no Porto era de 16%. Nos transportes, a quebra é de 49% em Lisboa, enquanto no Porto é de 32%. Em Faro, apesar das limitações do verão com covid-19, nota-se um aumento da afluência tanto no comércio como nas praias e espaços livres face a janeiro, como é expectável dado que no inverno há sempre menos pessoas na região. No comércio, há um aumento de 32% na circulação e nos espaços livres, o que inclui parques e praias, de 252%, quando no resto do país também há mais pessoas nos espaços livres, mas a diferença em relação a janeiro é de 70%.

Esta semana o Conselho de Ministros decidiu medidas para a próxima quinzena, mantendo a área metropolitana de Lisboa em estado de contingência e com regras mais apertadas para o comércio, que continuará a ter de fechar às 20h. O país continua a assim a duas velocidades, agora com mais margem para alguma vida noturna, apesar de bares e discotecas continuarem fechados – podem funcionar como cafés e fechar mais tarde no resto do país.

Lisboa sai do vermelho, Norte com mais casos

Lisboa continua a concentrar o maior número de novos casos de covid-19, agora com uma tendência decrescente, o argumento invocado pelo Governo para levantar o estado de calamidade nas 19 freguesias com mais casos. Ainda assim, o Executivo fala de grande estabilidade desde o início do desconfinamento, quando desde 4 de maio a região de Lisboa teve três vezes mais casos do que tinha tido até então e cinco vezes mais casos do que a região Norte, que tinha sido o epicentro na primeira fase da epidemia e onde as infeções baixaram.

Analisando os boletins diários da DGS, constata-se que nos últimos sete dias se manteve a tendência de diminuição de novos casos em Lisboa, sendo o abrandamento ligeiramente inferior ao que se registou na semana passada. No total, registaram-se de sexta-feira da semana passada até esta sexta-feira 1210 novos casos, o número mais baixo das últimas semanas. E o suficiente para tirar a grande Lisboa do patamar de incidência muito elevada com que aparecia há semanas nos mapas publicados diariamente pelo Centro Europeu de Controlo e Prevenção de Doenças, onde surgia a vermelho escuro como um das zonas de maior risco da Europa. Agora está a laranja (com uma incidência nos últimos 14 dias entre 20 e 59,9 casos por 100 mil habitantes, ainda perto do limitar superior, mas já abaixo dos 100 casos que registou nas últimas semanas).

Já na região Norte, onde o cenário continua mais calmo do que em Lisboa, houve nos últimos dias uma nova subida dos novos casos, que tinham diminuído na semana passada. Neste período de sete dias foram registados 260 novos casos, o que compara com 188 na semana passada. O Norte já tinha registado nas semanas anteriores um ligeiro aumento de casos, que se inverteu, sendo preciso esperar para perceber a evolução. As últimas estimativas do Instituto Ricardo Jorge para o RT, o indicador que calcula a taxa de novos casos a partir de cada infetado e que dá uma ideia sobre a trajetória da epidemia, são de 0,94 a nível nacional, sendo que no Norte voltou a subir ligeiramente para os 0,97. Em Lisboa a equipa do INSA calcula um RT de 0,92. Os valores mais elevados surgem nas restantes regiões do país, todas com um RT acima de 1: 1,01 na região Centro, 1,14 no Alentejo e 1,09 no Algarve. Com têm menos casos, as variações refletem-se mais rapidamente neste indicador: no Alentejo foram reportados 81 novos casos esta semana, o que compara com 77 na semana passada. No Algarve foram reportados 77 novos casos, o que compara com 61 na semana passada. São mais do que acontecia no início do desconfinamento, mas por exemplo equivalem ao que acontece em dois concelhos da grande Lisboa em 24 horas.

Portugal em contraciclo

Na previsão global, o INSA continua a apontar para uma descida dos casos, o que a confirmar-se aponta para um agosto em contraciclo com o que se passa em Espanha, França, Bélgica, Reino Unido ou mesmo Luxemburgo, que neste momento é o país com maior incidência de novos casos por 100 mil habitantes nos últimos 14 dias.

Portugal estava esta sexta-feira com uma incidência a 14 dias de 30,9 casos por 100 mil habitantes, o valor mais baixo dos últimos meses. Em Espanha, onde toda a região da Catalunha surge agora a vermelho no mapa do ECDC, a incidência situa-se nos 53,6, o segundo mais elevado na UE. Vários países mantêm ainda assim restrições para quem viaje para Portugal. A Dinamarca retirou esta semana o país da lista de restrições, o que entra em vigor este sábado. O Reino Unido, que sexta-feira suspendeu os planos de desconfinamento e adiou a reabertura de teatros e salas de espetáculos e tem vindo a registar diariamente um aumento dos casos, tem mantido a obrigação de isolamento de 14 dias a quem regresse de Portugal. Uma petição lançada por uma enfermeira portuguesa a pedir que seja permitido aos imigrantes visitar as suas famílias sem serem penalizados no regresso ao trabalho juntava sexta-feira quase 2000 assinaturas.


Desemprego real é 26,7 vezes mais do que indicam números do INE

João Amaral Santos, in iOnline

A garantia é do economista Eugénio Rosa que afirma que desemprego já atingia mais de 630 mil pessoas em junho. Recuperação rápida é uma “ilusão”, diz.

“Entre março e junho de 2020, em apenas três meses, o desemprego oficial aumentou em 4100, mas o desemprego real subiu em 109 600, ou seja, 26,7 vezes mais”. O alerta é do economista Eugénio Rosa que acrescenta que número de desempregados divulgados, na última semana, pelo Instituto Nacional de Estatística (INE) “não considera para cálculo do ‘desemprego oficial’ todos os desempregados que no período em que se fez o inquérito não procuraram emprego, apesar de serem trabalhadores no desemprego (os chamados ‘inativos disponíveis’ que em junho de 2020 já somavam 305 000, quase tanto como desemprego oficial).

Segundo o INE, a taxa de desemprego aumentou para 7% em junho, e a população desempregada era, nesse mês, de 350,9 mil pessoas – um aumento de 21,2% (+61,3 mil) em relação ao mês anterior, de 10,6% (33,7 mil) relativamente a três meses antes e de 3,0% (10,0 mil) por comparação com junho de 2019).

As contas de Eguénio Rosa são, porém, diferentes. O economista afirma que “o desemprego oficial do INE oculta à opinião pública o desemprego real”, uma vez que “em junho de 2020, o número de trabalhadores desempregados já atingia 636 200, mas o número destes que recebiam o subsidio de desemprego era apenas de 221 701”. “Somente 35 em cada 100 desempregados recebem subsídio de desemprego”, completa.

Recuperação rápida é “ilusão” e “mentira”. Eugénio Rosa não poupa nas críticas à comunicação social e ao Governo, que considera estarem a difundir a falsa ideia que “a crise é passageira, e que o país após a pandemia tem o seu aparelho produtivo intacto e rapidamente recuperará”. “Ora tudo isso é uma ilusão, quando não mesmo uma mentira”, afirma.

Para o economista, “o medo que se instalou na sociedade portuguesa, com a quebra generalizada de rendimentos dos trabalhadores, e com o fecho de mercados externos, é evidente que a crise vai ser prolongada e vai causar uma enorme destruição de empresas que não se aguentarão por falta de vendas.

“Não compreender isto é estar cego, nem tomar medidas imediatas para reativar a economia é suicídio. O aumento do desemprego e o fecho definitivo de muitas empresas que se já verificou é apenas o sinal de uma crise social e económica que não sabemos quando terminará, e cuja recuperação será mais difícil devido à desorganização que está a causar em toda a administração pública”, conclui.

Algarve. “Estamos quase como uma folha em branco a rescrever um destino”

Marta Grosso , Miguel Coelho (entrevista), in RR

Presidente da Região de Turismo do Algarve esteve nas Três da Manhã para contar como está a região mais turística de Portugal a viver este verão sem precedentes.

Em tempo de pandemia de Covid-19 e depois de dois meses sem atividade turística (abril e maio), o Algarve vive dias diferentes.

“Temo-nos habituado a que cada ano seja melhor que o anterior, assim aconteceu em 2019, e agora estamos quase como uma folha em branco a rescrever um destino”, diz na Renascença o presidente da Região de Turismo do Algarve.

“Começámos o ano, até fevereiro, a crescer 14,6% em hóspedes, o que é muito pouco habitual para um destino maduro e para o pico da época baixa. Depois tivemos o impacto da Covid e março teve praticamente metade da atividade do período homólogo. Abril e maio foram meses de completa inatividade pelo confinamento”, começa por descrever.

Junho foi o mês do regresso à atividade, “mas as taxas de ocupação andaram nos 10%, 11%”, sendo que, em julho, “terão andado nos 30%, 40%”, acrescenta João Fernandes, salientando que não há ainda “dados fechados”.

Em termos de preços, o presidente da Região de Turismo do Algarve garante que foram adaptados ao momento que se vive.

“Em todo o mundo, qualquer mercado aberto – e o turismo é, por natureza, global – a relação entre procura e oferta dita o preço, portanto tem acontecido um ajustamento dos preços à realidade que vivemos”, afirma no programa As Três da Manhã.

Quanto a receios por causa da pandemia de Covid-19, João Fernandes diz que não há risco zero, mas sublinha que o setor do turismo está habituado a adaptar-se a mudanças no âmbito da higiene e segurança.

“Ninguém pode, de plena consciência, dizer que mais pessoas não implica mais risco”, mas “o mais importante é preparar-nos” para isso.

João Fernandes lembra outros surtos de gripe com “protocolos muito semelhantes” aos atuais e frisa que “o Algarve e o setor do turismo em geral, no país, foi muito rápido em implementar planos de contingência e protocolos sanitários”.

“Isso, obviamente, minimiza o risco que temos todos, no dia a dia, em todo o lado”, destaca ainda.

Até agora, não há registo de qualquer aumento de casos por causa de férias no Algarve. “E devo lembrar que tivemos um período, no início de junho, que ditou quase umas miniférias, em que tivemos uma presença de pessoas mais expressiva do que era a nossa expectativa, e percebemos que, passados 20 dias, não havia qualquer caso decorrente dessa presença”, sublinha ainda.



Comité da OMS antecipa que pandemia durará muito tempo

Lusa, in RR

Atualmente, três potenciais vacinas estão na fase três dos ensaios clínicos, para testar a sua segurança e eficácia.

O Comité de Emergência da Organização Mundial de Saúde (OMS) antecipou que a pandemia irá durar muito tempo e, por isso, é necessário continuar os esforços para a sua contenção em todo o mundo.

Segundo dados oficiais da OMS, a pandemia já provocou 675.060 mortos e infetou quase 17,4 milhões de pessoas em todo o mundo.

O grupo de cientistas, que se reuniu por videoconferência na sexta-feira, avaliou a evolução da pandemia de Covid-19, tendo em conta toda a informação científica que surgiu sobre o novo coronavírus nos últimos três meses, data da última reunião.

"A pandemia é uma crise sanitária que ocorre uma vez em cada século e os seus efeitos serão sentidos nas décadas seguintes”, disse o diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, ao Comité, segundo um comunicado da organização.

O responsável fez também um balanço do que tem acontecido, salientando que “muitos países que pensavam que o pior já tinha passado estão agora a enfrentar novos surtos, outros que tinham sido menos afetados estão a ver os casos e os mortos a aumentar, enquanto países que tiveram grandes surtos conseguiram controlá-los”.

Entre as principais recomendações que o Comité de Emergência dirigiu à OMS está a necessidade de continuar a apoiar os países serviços médicos mais fragéis, bem como a necessidade de continuar a impulsionar as investigações em curso para se encontrar um ou mais tratamentos e vacinas para a Covid-19.

O objetivo é que, quando existir uma vacina, os países com menos recursos não fiquem de fora por incapacidade de as comprar. Ou seja, defendeu o Comité, a distribuição de vacinas deve ser o mais equitativa possível.

Atualmente três potenciais vacinas (dos Estados Unidos da América, Inglaterra e China) estão na fase três dos ensaios clínicos, para testar a sua segurança e eficácia.

A OMS referiu a este propósito que poderá ser possível que uma vacina esteja pronta para comercialização “na primeira metade de 2021”.

Relativamente às viagens, o Comité indicou que os países devem tomar medidas proporcionais e aconselhar os cidadãos em função dos riscos, avaliando as suas informações de forma regular. Por outro lado, recomendou que os serviços de saúde sejam reforçados para permitir a identificação de novos casos e o rastreio de contactos.

A pandemia de Covid-19 já provocou mais de 680 mil mortos e infetou mais de 17,6 milhões de pessoas em 196 países e territórios, segundo um balanço feito pela agência de notícias France-Presse (AFP).

Região de Lisboa com ‘via verde’ para os novos fundos europeus

Joana Nunes Mateus, in Expresso
Ministro do Planeamento, Nelson de Souza, quer apoiar as grandes Áreas Metropolitanas de Lisboa e do Porto a combater as maiores bolsas de pobreza do país

A Área Metropolitana de Lisboa (AML) pode ser das regiões mais beneficiadas pelos novos subsídios do Mecanismo de Recuperação e Resiliência que os líderes dos 27 Estados-membros acordaram no último Conselho Europeu. Em causa está um envelope adicional na ordem dos €13 mil milhões que o país vai receber, para recuperar da crise, entre 2021 e 2026.

O Mecanismo de Recuperação e Resiliência pode financiar, a fundo perdido, investimentos que os tradicionais fundos comunitários não costumam pagar à região mais rica do país. Contrariamente às verbas do atual quadro Portugal 2020 ou do futuro quadro Portugal 2030, estes novos subsídios não precisam de ser canalizados para as regiões menos desenvolvidas do país. Ou seja, nada impede o Governo de privilegiar a região com o maior produto interno bruto per capita (em paridade de poder de compra que corrige a diferença de nível de preços).

Mesmo antes da crise pandémica, já o fenómeno dos ‘coletes amarelos’ confirmava a necessidade de Bruxelas dar mais atenção às grandes cidades no novo orçamento europeu. E o Governo português sempre procurou mais fundos para intervir nos bairros mais pobres e degradados da AML. Já em 2019 o ministro do Planeamento, Nelson de Souza, prometia ao Expresso encontrar “recursos mais substantivos para apoiar uma nova geração de políticas urbanas, que incluam, além da componente física da reabilitação urbana, uma dimensão social de apoio à integração, melhoria dos serviços coletivos, criação de emprego mais apropriado à juventude, etc”.

Fonte governamental assegura agora que o ministro continua bastante empenhado neste dossiê e que será adotada uma iniciativa para as grandes áreas metropolitanas, “onde se escondem as maiores bolsas de pobreza do país”. A mesma fonte confirma que haverá viabilidade de financiamento para um projeto desta envergadura nos próximos instrumentos europeus, seja para Lisboa, para o Porto e eventualmente outras cidades grandes. O gabinete do ministro do Planeamento assegura já estar a trabalhar neste sentido.

Oportunidade única

Esta é uma oportunidade única para a região de Lisboa, que tem visto o seu tradicional envelope reduzir-se a cada quadro comunitário. Por exemplo, os dados relativos ao primeiro trimestre deste ano revelam que os habitantes da AML receberam uma média de €462 do Portugal 2020, contra €6470 nos Açores, €3250 na Madeira, €2964 no Alentejo, €2602 no Centro, €2287 no Norte e €1026 no Algarve.

Além de menos fundos, a AML também goza de uma taxa de comparticipação europeia mais baixa, penalizando os territórios mais pobres de uma grande região que envolve realidades tão díspares como os municípios de Lisboa, Oeiras, Cascais, Mafra, Vila Franca de Xira, Odivelas, Sintra, Loures e Amadora, na margem norte do Tejo, ou Alcochete, Almada, Setúbal, Palmela, Seixal, Sesimbra, Montijo, Barreiro e Moita, na margem sul.

Facto é que a região capital de Portugal surge mal posicionada no índice de competitividade regional da Comissão Europeia. A AML é a 97.ª região mais desenvolvida da União Europeia quando se olha para o PIB per capita. E desce para 128.º lugar quando se acrescentam dezenas de outros indicadores sobre a qualidade das infraestruturas, saúde, educação, emprego, inovação ou governação. Daí que vários políticos e empresários da margem sul de Lisboa já tenham defendido a emancipação da península de Setúbal da AML como forma de investirem mais nos seus territórios.

No âmbito da definição da estratégia para a próxima década, a Agência de Desenvolvimento e Coesão (AD & C) também já destacou a relação existente entre a capacidade de convergir de um país e o desempenho económico da sua região capital.

Comparando o ano de 2000 com os dados mais recentes para 2018, constata-se que Portugal divergiu, em vez de convergir, e que Lisboa baixou de 123% para 100% do PIB per capita da União Europeia. No plano interno, revela-se como Lisboa deixou de puxar pelo país e as restantes seis regiões portuguesas ficaram todas mais pobres face ao ano de 2000 (primeiro gráfico). No plano externo, destaca-se como Lisboa diverge da trajetória de enriquecimento das regiões capitais de alguns dos países de Leste, que já nos ultrapassaram ou nos estão prestes a ultrapassar no ranking do PIB per capita (segundo gráfico).

Plano em outubro

Para aceder a estes fundos, Portugal precisa de submeter a Bruxelas um plano nacional de recuperação e resiliência, explicando em que reformas e investimentos concretos pretende aplicar o dinheiro. O Governo já prometeu apresentá-lo até outubro de 2020, pois, apesar de as verbas poderem chegar apenas em meados do próximo ano, nada as impede de pagar projetos iniciados antes.

A Comissão Europeia pede agora rapidez e ousadia aos Estados-membros na identificação de projetos virados para o futuro capazes de acelerar a transição ecológica e digital e de desbloquear de vez os entraves estruturais ao maior desenvolvimento do país, como é o caso do baixo nível de competências dos portugueses.


O racismo mata – Deixe já

Carmo Afonso, in Expresso

Numa entrevista recente à TSF o filósofo francês Bernard-Henri Lévy, entre muitos e bons temas, falou de racismo e da luta antirracista. Afirmou que estaria sempre na primeira linha de combate ao racismo e que foi fundador da associação SOS Racismo, em França e que esse é um dos grandes orgulhos da sua vida 

Sobre os contornos da atual luta antirracista manifestou a sua total discordância e caracterizou-a como sendo racismo invertido, basicamente movimentos que fingem combater o racismo mas que encerram cada um na sua essência racialista pois, na sua leitura, assentam num princípio segundo o qual as mulheres e os homens brancos não podem entender o racismo.

Esta parte da entrevista é um possível ponto de partida para uma reflexão sobre o racismo e a atual luta antirracista.

Existe um movimento antirracista com um alcance e um radicalismo sem precedentes – Black Lives Matter (BLM) – e são impressionantes os relatos do que tem conseguido junto de uma comunidade que à partida não pareceria tão sensibilizada para o tema, junto de estruturas capitalistas. Os seus ativistas, como forma de luta, entre várias ações de rua e nas plataformas digitais, partiram montras e não numa linguagem metafórica. Resultado: marcas como a Marc Jacobs, que viram as suas lojas danificadas, vieram dizer que uma vida é que não poderia ser substituída e que racismo sim é violência. Mais, contribuíiram com donativos para a causa. Este é um aspeto importante: “open your purse” ou “put their money where their mouth is”. Este movimento quer menos conversa e mais ação efectiva. Querem mudar as coisas? Façam donativos. Estão a conseguir ambos.

Parte da comunidade que sempre se colocou, mais ou menos ativamente, ao lado da luta antirracista, sobretudo brancos, contesta a virtude destas reivindicações, a sua fundamentação e sobretudo os métodos e a da forma de luta. Estas pessoas reconhecem a existência de racismo, e por isso a necessidade e pertinência da luta, mas não se reveem nos novos movimentos.

Já lá vamos.

É que existem ainda pessoas que negam a própria existência de racismo. Em Portugal esta negação não é um mero: “Ah, eu não acredito que exista racismo” mas sim um “Eu asseguro que não existe racismo”. Qual é a relevância desta diferença? É que quem assegura que não existe racismo não aceita a luta antirracista e classifica-a, não de inútil mas sim de provocatória. Quem assegura que não existe racismo silencia as vítimas, encontra justificações para comportamentos discriminatórios, tantas vezes criminosos, e abre caminho para a sua perpetuação.

Parte do grupo que assegura que não existe racismo propõe-se neste momento, por cada manifestação antirracista, ir igualmente para as ruas e dizer: o que vocês, negros, relatam e dizem sentir, não tem razão de ser.

Uma pista: se não detetas que existe racismo em Portugal, não serás negro, podes não estar atento ou podes simplesmente ser racista.

Imaginemos uma manifestação de mulheres que se dizem vítimas de violência doméstica ou que querem denunciar casos de violência doméstica que conhecem e que a resposta dos visados agressores é irem igualmente para a rua fazer a sua própria manifestação. Dirão: não existe nenhuma violência doméstica, estas mulheres que dizem existir tal coisa não merecem credibilidade.

Se essas pessoas consideram que não existe violência doméstica será então um tema que não lhes diz respeito: se não são vítimas, se não são agressores, se não reconhecem a existência de vítimas quanto mais a necessidade de as auxiliar, que papel ativista lhes resta nesta luta?

Esse ativismo é apenas uma boa concretização da sua ligação à violência doméstica. Porque quereria um homem que é contra a agressão de mulheres ir para a rua manifestar a sua indignação por existirem mulheres que afirmam que existe e que são vítimas dela? Porque entendem a verificação da existência de violência doméstica como uma afronta pessoal? Mais: como podem demonstrar que não existe?

A existência de racismo em Portugal é um facto e este artigo não é de todo sobre essa discussão.

Voltemos à entrevista, é ela que levanta a discussão que poderá persistir: será o movimento BLM um movimento extremista e ele próprio racista? Esta análise é de extrema importância pois não se pode falhar outra vez. Não se pode voltar a ignorar quem luta pela igualdade.

A luta antirracista, como outras lutas que se desenrolam há séculos - e aqui é mesmo inevitável a sua comparação com a luta feminista, com a luta dos trabalhadores e, mais recentemente, com a luta LGBTQIA+ – é a luta natural dos próprios, dos que sofrem a discriminação e de quem luta pelos direitos em causa.

Estranho seria ter um sindicato de mineiros representado pelos donos das minas. Claro que existe um papel para quem está na posição de reconhecer direitos e um papel para quem, não sendo vítima de racismo, não aceita que outros o sejam e sim estes papéis são fundamentais.

Mas recuemos:

Todas estas lutas começaram pela tentativa de reconhecimento de questões básicas e que estão ultrapassadas Alguns exemplos são o direito de voto das mulheres, o direito a férias no caso dos trabalhadores e a abolição da escravatura.

À distância parece fácil pelo nível de injustiça que estava instituído e que permitia uma violação de direitos que hoje ninguém toleraria.

Parece fácil mas não foi.

Mulheres, operários e homens negros perderam a vida na luta por direitos de elementar justiça. Existiu sempre uma oposição por parte de quem os deveria reconhecer. Uma curiosidade: se fizermos uma retrospetiva esteve sempre no topo desta cadeia o homem branco, heterossexual e abastado. É um facto e é incontornável. Ainda hoje assim é.

Adiante.

A questão é que essas lutas continuaram e os seus objetivos nunca se deram por alcançados. Mais, os seus objetivos foram ganhando ambição e à medida que isso aconteceu encontraram sempre bolsas de resistência. É como se quem o deve fazer insistisse historicamente num “já chega, o que querem mais?”

O reconhecimento de direitos exigiu sempre luta. Depois da abolição da escravatura, a comunidade branca não teve a iniciativa de considerar que somos todos iguais. Cada passo em frente foi suado, exigiu dedicação e sacrifícios, às vezes da própria vida, de muitos.

O movimento Black Lives Matter é mesmo protagonizado por ativistas negros e diz-nos que é assim que deve ser. Trata-se de um movimento coletivo e para o coletivo não existe outra alternativa que não a de ir ler e ouvir o que têm para dizer. A história ensina-nos que temos de o fazer.

Este artigo é um incentivo, pretende ser, à pesquisa e leitura do que dizem e escrevem os ativistas deste movimento, de quem pensa e trava esta luta. E porque não fazer um resumo desses conteúdos e uma análise crítica do que representam? Porque não é essa a sua vontade. Não querem ser interpretados e que a sua mensagem triunfe através de um porta-voz branco perante a comunidade branca. Há que entrar pela internet e usá-la no que tem de melhor: a disponibilização de conhecimento. Vão à fonte.

Se desse conhecimento ainda resultar uma discussão sobre a bondade deste novo ativismo, ela que tenha lugar, mas tenham presente que quem está mesmo na linha da frente não a quer ter. A violência e a morte fazem perder a paciência.

Se a discussão continuar no “existe ou não existe racismo em Portugal” então boa sorte, o racismo continuará a matar. Estar na Constituição e no Código Penal não basta. Que se afixem cartazes em todas as esquinas das cidades, em todas as escolas, em todas as esquadras de polícia, em todos os tribunais, à entrada das praias e das salas de espetáculo. Que esses cartazes mostrem as imagens do que pode causar o racismo e que diga as palavras todas. E que tenha nomes. Existe um novo: Bruno Candé.

Covid-19: Quase metade dos alojamentos turísticos encerrados ou sem hóspedes em junho

in RR

Dados são do INE.

Quase metade (45,2%) dos estabelecimentos de alojamento turístico terão estado encerrados ou não registaram movimento de hóspedes em junho, de acordo com o Instituto Nacional de Estatística (INE).

"De acordo com os resultados de um questionário específico adicional que o INE promoveu durante os meses de junho e julho, 62,6% dos estabelecimentos de alojamento turístico respondentes (representando 78,6% da capacidade de oferta) assinalaram que a pandemia covid-19 motivou o cancelamento de reservas agendadas para os meses de junho a outubro de 2020, maioritariamente dos mercados nacional e espanhol", salienta.

A maioria dos estabelecimentos que previam estar em atividade entre junho e outubro contavam registar "taxas de ocupação inferiores a 50% em cada um desses meses".

De acordo com o INE, mais de metade (57%) dos estabelecimentos turísticos não prevê alterar os preços praticados face ao ano anterior, enquanto cerca de um terço (34,9%) admite vir a reduzir os preços, "encontrando-se maioritariamente localizados na Área Metropolitana de Lisboa e no Algarve (58,8% e 54,5% dos estabelecimentos, respetivamente)".

O INE colocou aos estabelecimentos de alojamento turístico novas questões visando avaliar o impacto da atual pandemia covid-19 na sua atividade, nomeadamente quanto às reservas e cancelamentos no período de junho a outubro de 2020, por principais mercados, expetativas sobre qual a ocupação para estes meses, política de preços e quais as medidas adotadas com possível impacto na redução da capacidade oferecida pelos estabelecimentos, tendo obtido cerca de 3.900 respostas válidas.

O racismo mata – Deixe já

Amílcar Correia, in Expresso

Um racista quase só é condenado em Portugal se assassinar um negro nas ruas do Bairro Alto e pertencer claramente a organizações ideologicamente associadas ao ódio racial.

Prioridade para os mais pobres

Opinião de Francisco Sarsfield Cabral, in RR

É preciso dotar as IPSS e o restante sector social e solidário de um pouco mais de dinheiro público. E também de dinheiro privado. É que estas entidades sociais, de um modo geral, estão próximas dos mais pobres e conhecem quem se justifica ser ajudado.

No segundo trimestre do corrente ano o PIB português baixou 16,5% em relação ao trimestre homólogo de 2019. É uma queda brutal, mas não inesperada. Sobretudo por causa da pandemia, em Portugal e no mundo, é possível que a recuperação da economia portuguesa demore a concretizar-se.

Perante essa perspetiva de incerteza há que encarar o futuro com realismo e prudência. Mesmo desequilibrando temporariamente, e sem sanções de Bruxelas, as contas públicas, e contando com os previstos apoios da UE, não é razoável esperar do Estado português que nos próximos anos continue a despejar dinheiro sobre tudo e mais alguma coisa, na escala em que agora o tem feito. Daí a necessidade de uma estratégia governamental de recuperação económica e social, apontando prioridades.

Gostaria de lembrar uma prioridade, importante segundo a minha opinião, que é relativamente pouco falada. Refiro-me à situação de muita gente que não está na pobreza, mas na miséria e sem ajuda passa fome.

Não ignoro que a ajuda estatal às empresas, particularmente às PME e a às microempresas, é uma forma indireta de travar o desemprego e a pobreza que ele implica. Mas há muitos portugueses e imigrantes que estão fora do Estado social e não são apenas os sem-abrigo. Encontram-se marginalizados, frequentemente não possuem documentos legais, não têm sindicatos nem organizações que defendam os seus direitos, não têm representação no Conselho Económico e Social, não têm voz no espaço público. Muitos são idosos que vivem fisicamente isolados em aldeias desertificadas e quase só têm, quando têm, as visitas e os apoios que a GNR consegue realizar.

A marginalização destas pessoas no limiar da fome e da miséria é agravada pelo facto de elas serem, na maioria, pouco visíveis. Só quem vive relativamente próximo delas as conhece e avalia a tragédia que as atinge.

Daí que os municípios e as juntas de freguesia tenham aqui um papel a desempenhar, como felizmente já acontece em vários casos. Mas as autarquias têm pouco dinheiro, por isso é indispensável que o Estado central para elas canalize verbas adicionais, com a condição estrita de se destinarem ao apoio social dos mais desvalidos.

Como também é preciso dotar as Instituições Privadas de Solidariedade Social (IPSS) e o restante sector social e solidário de um pouco mais de dinheiro público. É que estas entidades, de um modo geral, estão próximas dos mais pobres e conhecem quem se justifica ser ajudado. Igualmente importa que os portugueses que não são pobres nem passam fome ajudem no que poderem as IPSS e entidades afins a fazer o seu trabalho de apoio aos marginalizados.

Cultura com três linhas de apoio social a partir de hoje

in SicNotícias

70 milhões de euros investidos no setor.

A partir de hoje, estão disponíveis três linhas de apoio social aos artistas e entidades artísticas.

Um reforço de 70 milhões de euros para o setor da Cultura, um dos mais afetados pela pandemia. Aos artistas, técnicos e outros trabalhadores cabem 30 milhões, que podem ainda subir aos 34,3 milhões.

Em tempo de férias, Papa apela aos líderes: “É preciso relançar o trabalho”

Aura Miguel, in RR

“Sem trabalho, as famílias e a sociedade não podem avançar. Rezemos, porque isto é e será um problema da pós-pandemia: a pobreza e a falta de trabalho".

O Papa Francisco reiterou, este domingo de manhã, o seu apelo aos responsáveis políticos e económicos, para que o trabalho seja relançado.

“Sem trabalho, as famílias e a sociedade não podem avançar. Rezemos, porque isto é e será um problema da pós-pandemia: a pobreza e a falta de trabalho. É necessária muita solidariedade e criatividade para resolver este problema”, apelou.

Na sua habitual intervenção da janela do Palácio Apostólico, no Vaticano, Francisco refletiu que a lógica de Deus não é “lavar as mãos dos problemas, nem olhar para o outro lado”, mas sim “tomar conta do outro”. E lembrou, a propósito do Evangelho deste domingo sobre a multiplicação dos pães, que a expressão “eles que se arranjem” não entra no vocabulário cristão.

O Papa desejou que, neste tempo de férias, “muitos possam viver alguns dias de descanso e de contacto com a natureza, na qual também se recarrega a dimensão espiritual”.

Francisco expressou também solidariedade ao povo da Nicarágua, que sofreu, recentemente, um grave ataque à Catedral de Manágua, que destruiu um crucifixo há séculos venerado pelos nicaraguenses.