O Mirante
Esperança de vida aumentou e já há quem fale em “idosos juniores” e “idosos seniores”.
O país está envelhecido e vai envelhecer ainda mais nas próximas décadas. Para cada 100 jovens (até aos 15 anos) existem actualmente 159 idosos (maiores de 65 anos). Na região os trabalhos no campo são assegurados maioritariamente pelos idosos. O que os move e porque continuam activos foi o que O MIRANTE quis saber a propósito do Dia Mundial da Terceira Idade, que se assinalou a 28 de Outubro.
Gracinda Monteiro, de 80 anos, sempre foi agricultora e diz sorridente que tirou todos os cursos da Cooperativa Agrícola de Torres Novas e Barquinha, organização que em 1951 sucedeu ao Grémio da Lavoura. “Até tenho a carta de tractor e não foi nada fácil”, lembra. Apesar de ter perdido a conta aos anos que descontou para a Segurança Social, a reforma que agora recebe não chega aos 300 euros.
O marido, José Marques, tem mais quatro anos de idade. Trabalhou toda a vida como pedreiro, na região e em Lisboa, mas sempre tratou da horta. Depois da reforma, aos 65 anos, passou a trabalhar mais na agricultura. Vindima, apanha figos e azeitona, faz tudo o que pode para ajudar nas despesas da casa.
O casal vive em Liteiros, Torres Novas, e foi numa fazenda ali perto, já na fronteira com a localidade de Zibreira, que O MIRANTE
os encontrou na apanha da azeitona. José usa uma cadeira de plástico para, de tempos a tempos, dar algum descaso às pernas e às costas. Gracinda mantém-se de pé ou de cócoras quando ensaca a azeitona. Há quatro anos foi-lhe diagnosticado um problema oncológico e ainda anda a fazer tratamentos no Instituto Português de Oncologia (IPO) de Lisboa, mas nem com um cateter colocado junto ao ombro direito consegue ficar parada. “A maior pena que levo desta vida é deixar de apanhar azeitona”, confessa.
José Marques usa um tractor para amanhar os seus quatro hectares de terreno. Diz ter consciência da sua perda de faculdades, nomeadamente em termos de destreza, e confessa que quando ouve notícias de acidentes com tractores não fica espantado. “Muitos podiam ser evitados, mas as pessoas mais velhas já não têm a mesma reacção que as mais novas”, lamenta.
As duas filhas do casal vivem e trabalham em Lisboa. “Gostam de vir cá buscar uns garrafões de azeite, mas este trabalho não é para elas, lá estão melhor”, dizem os pais que, para conseguirem fazer todo o trabalho, recorrem à ajuda de mais dois reformados da terra.
Um deles é Vítor Justino. Tem 64 anos e a reforma chegou há cinco quando a fábrica onde trabalhava fechou. Desde aí faz uns biscates. Diz que a reforma até é razoável mas não gosta de estar parado.
Abel Cardoso, de 62 anos, também já está reformado. Pediu a reforma antecipada porque já tinha 48 anos de descontos. Começou a trabalhar aos 14 anos e nunca mais parou. Agora que se reformou, afirma que ainda trabalha mais do que quando era operário numa fábrica de curtumes na Gouxaria, em Alcanena. “Apanho azeitona, faço umas horas nas peles e ainda faço manutenção e trato de cavalos numa quinta em Torres Novas. Por vezes penso que já é trabalho a mais”, conta-nos enquanto endireita as costas debaixo da oliveira.
Em Portugal a agricultura é a principal actividade para pessoas entre 55 e 74 anos
Gracinda e José fazem parte das estatísticas que colocam Portugal entre os países mais envelhecidos do mundo, com 159 idosos para cada 100 jovens. Um cenário que, de acordo com o relatório Ageing Europe 2019, divulgado na semana passada pelo Eurostat, vai agravar-se nas próximas três décadas, altura em que perto de metade da população portuguesa (47,1%) terá 55 ou mais anos.
Segundo o serviço de estatística da União Europeia um dos maiores desafios será segurar a população acima dos 55 anos no mercado de trabalho. A agricultura surge como um dos sectores que emprega maior percentagem de pessoas nesta faixa etária, representando, em 2018, cerca de 30,3% da força de trabalho neste sector. Em sete Estados-membros a agricultura é mesmo a principal actividade para pessoas entre 55 e 74 anos. É o caso de Portugal, onde esta faixa etária representa quase metade (47,5%) do total da força de trabalho agrícola.
No futuro só será considerado idoso quem tiver mais de 75 anos
Teresa Rodrigues, docente no Departamento de Estudos Políticos da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas, da Universidade Nova de Lisboa, lembra no ensaio “Envelhecimento e Políticas de Saúde”, editado em Setembro de 2018 pela Fundação Francisco Manuel dos Santos, que o acelerado declínio populacional em curso decorre, em parte, de um fenómeno muito positivo: o facto de Portugal ser o oitavo país do mundo com maior esperança de vida à nascença.
Para a especialista as consequências do envelhecimento demográfico não têm necessariamente de ser negativas a nível económico e social. A investigadora defende que, tendo em conta o aumento da esperança de vida, haja uma distinção entre “idosos juniores” (dos 65 aos 74 anos) e “idosos seniores” (a partir dos 75 anos), devendo apenas estes últimos ser considerados idosos.
Tendo em conta os ganhos na esperança média de vida, vários países defendem a revisão da fronteira dos 65 anos. Alguns países como o Japão propõem o início da velhice a partir dos 75 anos.
Mulheres vivem mais seis anos do que os homens
Segundo dados de 2017 da Pordata (Base de Dados de Portugal Contemporâneo, organizada e desenvolvida pela Fundação Francisco Manuel dos Santos), a esperança média de vida em Portugal é superior à da União Europeia.
Os homens portugueses vivem, em média, 78,4 anos (os europeus 78,3), e as mulheres 84,6 (a média da União Europeia é de 83,5 anos). Segundo a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE), após o 65º aniversário, os portugueses vivem apenas mais sete anos com saúde – um número muito inferior aos 16 anos que os suecos gozam de total funcionalidade e autonomia.
5.11.19
Crianças são as mais afetadas pela pobreza
in Record
Cerca de 330 mil crianças estão em risco de pobreza em Portugal, sendo que o grupo etário até aos 18 anos é o mais afetado.
Os dados mais recentes do Instituto Nacional de Estatística (INE), relativos a 2017, mostram que o risco de pobreza entre as crianças e jovens até aos 18 anos era de 19%, o que, num universo de mais de 1.729.675 menores, representa perto de 330 mil crianças.
Em declarações à Lusa, o investigador e docente da Universidade do Minho, especialista em sociologia da infância, Manuel Sarmento confirmou que o setor da população entre os zero e os 18 anos é o grupo mais afetado pela pobreza em termos percentuais.
“O que significa que há mais crianças pobres do que adultos pobres ou idosos pobres”, apontou.
Uma constatação confirmada com as estatísticas do INE, que revelam que a taxa de risco de pobreza no grupo etário entre os 18 e os 64 anos era de 16,7%, enquanto na população com mais de 65 anos chegava aos 17,7%.
“As crianças continuam a ser efetivamente o grupo populacional mais afetado pela pobreza, designadamente o que se chama pobreza monetária, ou seja, que vivem em agregados familiares cujo rendimento ‘per capita’ é inferior a 60% da mediana do rendimento nacional ‘per capita’”, explicou Manuel Sarmento.
Já a professora do Instituto Superior de Economia e Gestão (ISEG), da Universidade de Lisboa, e investigadora na área da pobreza infantil, Amélia Bastos salientou que, apesar de ter havido algumas melhorias nos últimos anos, as crianças continuam a ser um grupo “particularmente exposto à pobreza”.
“As famílias com crianças, apesar do desagravamento, são aquelas que apresentam maior risco de pobreza relativamente àquelas que não têm crianças”, referiu, acrescentando que nos últimos anos “houve uma melhoria generalizada no nível de vida, mas as crianças continuam a ser o grupo com maior incidência de pobreza monetária”.
Por outro lado, a vice-presidente da Rede Europeia Anti-Pobreza (EAPN) Portugal destacou, com base na análise feita pelo Observatório Nacional de Luta Contra a Pobreza aos dados do Inquérito às Condições de Vida e Rendimento, que a população jovem entre os 15 e os 24 anos “é dos grupos mais vulneráveis às questões da pobreza e da exclusão social”.
“Para este grupo etário a vulnerabilidade à pobreza assume proporções muito superiores à média nacional. O risco de pobreza e de exclusão é de 30,3% na população entre os 15 e os 19 anos, e de 25,8% na população dos 18 aos 24 anos”, sublinhou Sandra Araújo.
A responsável da EAPN alertou que Portugal continua a ser dos países mais desiguais da Europa e chamou a atenção para as consequências ao longo do ciclo de vida destas crianças e jovens que depois serão muito mais difíceis de resolver.
“Se não houver políticas direcionadas para a primeira infância, há tendência para perpetuar ciclos geracionais de pobreza a todos os níveis”, avisou.
O professor Manuel Sarmento defendeu que “é absolutamente fundamental” uma política integrada para a infância, para todas as crianças e não só as mais pobres, notando que ainda existe uma “excessiva compartimentação do que são as políticas públicas”.
“Talvez o novo Governo pudesse criar uma estrutura interministerial, eventualmente dependente do primeiro-ministro, para articular as políticas públicas e desenvolver e promover a estratégia [nacional para os direitos da criança] que venha a ser aprovada”, sugeriu.
O investigador sublinhou, no entanto, que nunca será possível combater a pobreza nas crianças se não se combater a pobreza dos pais das crianças e defendeu uma intervenção mais articulada consoante as necessidades dos mais novos.
Apesar de concordar, a docente e investigadora Amélia Bastos entende que a solução não passa por simplesmente aumentar os rendimentos das famílias e alertou que há famílias que podem ter um rendimento médio elevado e as crianças viverem em condições de pobreza.
Por isso, recomenda que as crianças passem a contar como uma unidade estatística nas estatísticas nacionais para serem observadas as suas reais condições de vida – e não só as do agregado familiar -, perceber o que é importante para elas e o que está em falta, nomeadamente em termos de educação, saúde, alimentação e habitação.
Cerca de 330 mil crianças estão em risco de pobreza em Portugal, sendo que o grupo etário até aos 18 anos é o mais afetado.
Os dados mais recentes do Instituto Nacional de Estatística (INE), relativos a 2017, mostram que o risco de pobreza entre as crianças e jovens até aos 18 anos era de 19%, o que, num universo de mais de 1.729.675 menores, representa perto de 330 mil crianças.
Em declarações à Lusa, o investigador e docente da Universidade do Minho, especialista em sociologia da infância, Manuel Sarmento confirmou que o setor da população entre os zero e os 18 anos é o grupo mais afetado pela pobreza em termos percentuais.
“O que significa que há mais crianças pobres do que adultos pobres ou idosos pobres”, apontou.
Uma constatação confirmada com as estatísticas do INE, que revelam que a taxa de risco de pobreza no grupo etário entre os 18 e os 64 anos era de 16,7%, enquanto na população com mais de 65 anos chegava aos 17,7%.
“As crianças continuam a ser efetivamente o grupo populacional mais afetado pela pobreza, designadamente o que se chama pobreza monetária, ou seja, que vivem em agregados familiares cujo rendimento ‘per capita’ é inferior a 60% da mediana do rendimento nacional ‘per capita’”, explicou Manuel Sarmento.
Já a professora do Instituto Superior de Economia e Gestão (ISEG), da Universidade de Lisboa, e investigadora na área da pobreza infantil, Amélia Bastos salientou que, apesar de ter havido algumas melhorias nos últimos anos, as crianças continuam a ser um grupo “particularmente exposto à pobreza”.
“As famílias com crianças, apesar do desagravamento, são aquelas que apresentam maior risco de pobreza relativamente àquelas que não têm crianças”, referiu, acrescentando que nos últimos anos “houve uma melhoria generalizada no nível de vida, mas as crianças continuam a ser o grupo com maior incidência de pobreza monetária”.
Por outro lado, a vice-presidente da Rede Europeia Anti-Pobreza (EAPN) Portugal destacou, com base na análise feita pelo Observatório Nacional de Luta Contra a Pobreza aos dados do Inquérito às Condições de Vida e Rendimento, que a população jovem entre os 15 e os 24 anos “é dos grupos mais vulneráveis às questões da pobreza e da exclusão social”.
“Para este grupo etário a vulnerabilidade à pobreza assume proporções muito superiores à média nacional. O risco de pobreza e de exclusão é de 30,3% na população entre os 15 e os 19 anos, e de 25,8% na população dos 18 aos 24 anos”, sublinhou Sandra Araújo.
A responsável da EAPN alertou que Portugal continua a ser dos países mais desiguais da Europa e chamou a atenção para as consequências ao longo do ciclo de vida destas crianças e jovens que depois serão muito mais difíceis de resolver.
“Se não houver políticas direcionadas para a primeira infância, há tendência para perpetuar ciclos geracionais de pobreza a todos os níveis”, avisou.
O professor Manuel Sarmento defendeu que “é absolutamente fundamental” uma política integrada para a infância, para todas as crianças e não só as mais pobres, notando que ainda existe uma “excessiva compartimentação do que são as políticas públicas”.
“Talvez o novo Governo pudesse criar uma estrutura interministerial, eventualmente dependente do primeiro-ministro, para articular as políticas públicas e desenvolver e promover a estratégia [nacional para os direitos da criança] que venha a ser aprovada”, sugeriu.
O investigador sublinhou, no entanto, que nunca será possível combater a pobreza nas crianças se não se combater a pobreza dos pais das crianças e defendeu uma intervenção mais articulada consoante as necessidades dos mais novos.
Apesar de concordar, a docente e investigadora Amélia Bastos entende que a solução não passa por simplesmente aumentar os rendimentos das famílias e alertou que há famílias que podem ter um rendimento médio elevado e as crianças viverem em condições de pobreza.
Por isso, recomenda que as crianças passem a contar como uma unidade estatística nas estatísticas nacionais para serem observadas as suas reais condições de vida – e não só as do agregado familiar -, perceber o que é importante para elas e o que está em falta, nomeadamente em termos de educação, saúde, alimentação e habitação.
Microsoft testa semana de quatro dias de trabalho no Japão: produtividade sobe 40%
Claudia Carvalho Silva, in Público on-line
Durante o mês de Agosto, nenhum dos 2300 trabalhadores da Microsoft Japão trabalhou às sextas-feiras. Como resultado, disseram estar mais felizes (e a produtividade também melhorou).
Quatro dias de trabalho, três dias de folga: foi este o modelo que a norte-americana Microsoft decidiu testar nos seus escritórios do Japão, num total de 2300 trabalhadores. Os resultados, divulgados na semana passada, foram positivos: houve um aumento de 39,9% nos níveis de produtividade (o resultado da divisão do número de vendas pelo número de funcionários, comparando-se com os valores homólogos de 2018) e conseguiram ainda fazer subir a taxa de cumprimento (mais 46%) do objectivo de fazer reuniões com a duração máxima de 30 minutos.
Mascarados contra o estigma, os engraxadores bolivianos impõem respeito
“Trabalhar pouco tempo, descansar bem e aprender muito”, resumiu o presidente e CEO da Microsoft Japão, Takuya Hirano. “Quero que os trabalhadores pensem nisto e percebam que conseguem alcançar os mesmos resultados com menos 20% de tempo de trabalho.” Nas conclusões da experiência, os funcionários disseram estar satisfeitos com as medidas de Verão, com 92% dos trabalhadores a afirmarem ter gostado da semana reduzida.
O objectivo é dar mais flexibilidade aos trabalhadores, conciliando-se mais facilmente a vida laboral com a vida pessoal. Assim, os trabalhadores da sucursal japonesa tiveram todas as sextas-feiras de Agosto livres e os escritórios foram fechados nesses dias. O salário era o mesmo, apesar de trabalharem menos dias.
Esta experiência tem como nome “Work Life Choice Challenge 2019 Summer” e através dela registou-se também uma redução de 59% do número de páginas impressas em Agosto (comparando com os dados homólogos de 2018) e do consumo de electricidade (menos 23%).
O teste feito durante o mês de Agosto não passa, para já, de uma experiência-piloto – e não se sabe se será ou não aplicada definitivamente na empresa. Durante o Inverno deverá ser testado um modelo similar, avança o jornal britânico The Guardian. “Estamos sempre à procura de novas formas de inovar e alavancar a nossa própria tecnologia para melhorar a vivência dos nossos trabalhadores por todo o globo”, explicou um representante da empresa.
Esta não foi a primeira empresa a testar este modelo: em 2018, a empresa neozelandesa Perpetual Guardian aplicou o modelo de quatro dias de trabalho durante dois meses, com os seus 240 trabalhadores. Os trabalhadores disseram sentir-se melhor, argumentando que se conseguiam concentrar mais facilmente no trabalho; os níveis de stress desceram 7%.
Em Julho, o PS anunciou que queria retomar a sua proposta do direito a desligar do trabalho nesta legislatura, depois de ter sido chumbada anteriormente. Os socialistas comprometem-se a regular “de forma equilibrada o direito ao desligamento, como factor de separação entre tempo de trabalho e tempo de não trabalho”.
Durante o mês de Agosto, nenhum dos 2300 trabalhadores da Microsoft Japão trabalhou às sextas-feiras. Como resultado, disseram estar mais felizes (e a produtividade também melhorou).
Quatro dias de trabalho, três dias de folga: foi este o modelo que a norte-americana Microsoft decidiu testar nos seus escritórios do Japão, num total de 2300 trabalhadores. Os resultados, divulgados na semana passada, foram positivos: houve um aumento de 39,9% nos níveis de produtividade (o resultado da divisão do número de vendas pelo número de funcionários, comparando-se com os valores homólogos de 2018) e conseguiram ainda fazer subir a taxa de cumprimento (mais 46%) do objectivo de fazer reuniões com a duração máxima de 30 minutos.
Mascarados contra o estigma, os engraxadores bolivianos impõem respeito
“Trabalhar pouco tempo, descansar bem e aprender muito”, resumiu o presidente e CEO da Microsoft Japão, Takuya Hirano. “Quero que os trabalhadores pensem nisto e percebam que conseguem alcançar os mesmos resultados com menos 20% de tempo de trabalho.” Nas conclusões da experiência, os funcionários disseram estar satisfeitos com as medidas de Verão, com 92% dos trabalhadores a afirmarem ter gostado da semana reduzida.
O objectivo é dar mais flexibilidade aos trabalhadores, conciliando-se mais facilmente a vida laboral com a vida pessoal. Assim, os trabalhadores da sucursal japonesa tiveram todas as sextas-feiras de Agosto livres e os escritórios foram fechados nesses dias. O salário era o mesmo, apesar de trabalharem menos dias.
Esta experiência tem como nome “Work Life Choice Challenge 2019 Summer” e através dela registou-se também uma redução de 59% do número de páginas impressas em Agosto (comparando com os dados homólogos de 2018) e do consumo de electricidade (menos 23%).
O teste feito durante o mês de Agosto não passa, para já, de uma experiência-piloto – e não se sabe se será ou não aplicada definitivamente na empresa. Durante o Inverno deverá ser testado um modelo similar, avança o jornal britânico The Guardian. “Estamos sempre à procura de novas formas de inovar e alavancar a nossa própria tecnologia para melhorar a vivência dos nossos trabalhadores por todo o globo”, explicou um representante da empresa.
Esta não foi a primeira empresa a testar este modelo: em 2018, a empresa neozelandesa Perpetual Guardian aplicou o modelo de quatro dias de trabalho durante dois meses, com os seus 240 trabalhadores. Os trabalhadores disseram sentir-se melhor, argumentando que se conseguiam concentrar mais facilmente no trabalho; os níveis de stress desceram 7%.
Em Julho, o PS anunciou que queria retomar a sua proposta do direito a desligar do trabalho nesta legislatura, depois de ter sido chumbada anteriormente. Os socialistas comprometem-se a regular “de forma equilibrada o direito ao desligamento, como factor de separação entre tempo de trabalho e tempo de não trabalho”.
Ministra do Trabalho confiante num acordo sobre salário mínimo para 2020
Lusa, in Público on-line
O objectivo da reunião é chegar a acordo para o valor do salário mínimo em 2020.
A ministra do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social, Ana Mendes Godinho, manifestou-se esta terça-feira confiante de que será possível alcançar um acordo em sede de concertação social sobre a evolução do salário mínimo para 2020.
Segundo a ministra, que está hoje em reuniões com os parceiros sociais, o objectivo da reunião de quarta-feira é chegar a acordo para o valor do salário mínimo em 2020.
“O nosso objectivo é de chegar aos 750 euros em 2023 e até lá faremos, ano a ano, a discussão e o debate daquilo que é o salário mínimo a cada ano. O objectivo da reunião de concertação social amanhã [quarta-feira] é o salário mínimo nacional para 2020”, disse à margem da reunião com a UGT num dia dedicado a apresentar cumprimentos às organizações sindicais e patronais com assento na Comissão Permanente de Concertação Social.
“Queremos rapidamente fixar e encerrar o salário mínimo nacional para 2020 para trabalhar em todas as outras matérias, desde a questão da conciliação da vida familiar e profissional a questão da valorização da formação profissional e valorização dos jovens qualificados”, acrescentou.
A discussão sobre o salário mínimo nacional será assim para a nova ministra “um primeiro passo” de um acordo “mais global sobre política de rendimentos”.
“Queremos rapidamente fixar e encerrar o salário mínimo nacional para 2020 para trabalhar em todas as outras matérias, desde a questão da conciliação da vida familiar e profissional a questão da valorização da formação profissional e valorização dos jovens qualificados”, acrescentou.
A ministra iniciou o programa de reuniões de apresentação de cumprimentos na sede da UGT, seguindo depois para a CAP, CCP, CIP, CTP e CGTP, fazendo-se acompanhar pelos secretários de Estado Miguel Cabrita, Gabriel Bastos, Ana Sofia Antunes e Rita Cunha Mendes, que completam a equipa ministerial.
Em declarações aos jornalistas no final da primeira reunião, Ana Mendes Godinho afirmou que com as reuniões de hoje quer “dar sinal e valor à importância dos parceiros sociais e da concertação social”.
“Claramente teremos espaço para encontrar medidas e soluções que respondam aos desafios do país quer em termos de demografia quer em termos de assimetrias e desigualdades”, disse.
No final do encontro, o secretário-geral da UGT, Carlos Silva, reafirmou também aos jornalistas a disponibilidade da central sindical para discutir em concertação social um acordo de médio prazo fixando patamares para o salário mínimo nacional, actualmente nos 600 euros, até à meta dos 800 euros em 2023, defendendo uma subida de 60 euros em 2020.
Carlos Silva quer, no entanto, que o executivo deixe a porta aberta para que a questão dos 750 euros não seja uma recta final ou ponto de chegada, manifestando-se uma vez mais disponível para uma evolução por “patamares” de 50 euros anuais até aos 800 euros em 2023.
“Mais ambição e melhores condições de vida para os trabalhadores, será essa a nota da UGT na reunião de amanhã [quarta-feira]”, salientou Carlos Silva, referindo que espera “não ficar sozinho do ponto de vista sindical na concertação social como tem acontecido nos últimos 30 anos”.
A UGT destacou também “o sinal positivo” dado pela ministra Ana Mendes Godinho de promover durante o dia de hoje reuniões com os parceiros.
“É um sinal positivo e a primeira vez que acontece desde que sou secretário-geral há seis anos”, disse.
O objectivo da reunião é chegar a acordo para o valor do salário mínimo em 2020.
A ministra do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social, Ana Mendes Godinho, manifestou-se esta terça-feira confiante de que será possível alcançar um acordo em sede de concertação social sobre a evolução do salário mínimo para 2020.
Segundo a ministra, que está hoje em reuniões com os parceiros sociais, o objectivo da reunião de quarta-feira é chegar a acordo para o valor do salário mínimo em 2020.
“O nosso objectivo é de chegar aos 750 euros em 2023 e até lá faremos, ano a ano, a discussão e o debate daquilo que é o salário mínimo a cada ano. O objectivo da reunião de concertação social amanhã [quarta-feira] é o salário mínimo nacional para 2020”, disse à margem da reunião com a UGT num dia dedicado a apresentar cumprimentos às organizações sindicais e patronais com assento na Comissão Permanente de Concertação Social.
“Queremos rapidamente fixar e encerrar o salário mínimo nacional para 2020 para trabalhar em todas as outras matérias, desde a questão da conciliação da vida familiar e profissional a questão da valorização da formação profissional e valorização dos jovens qualificados”, acrescentou.
A discussão sobre o salário mínimo nacional será assim para a nova ministra “um primeiro passo” de um acordo “mais global sobre política de rendimentos”.
“Queremos rapidamente fixar e encerrar o salário mínimo nacional para 2020 para trabalhar em todas as outras matérias, desde a questão da conciliação da vida familiar e profissional a questão da valorização da formação profissional e valorização dos jovens qualificados”, acrescentou.
A ministra iniciou o programa de reuniões de apresentação de cumprimentos na sede da UGT, seguindo depois para a CAP, CCP, CIP, CTP e CGTP, fazendo-se acompanhar pelos secretários de Estado Miguel Cabrita, Gabriel Bastos, Ana Sofia Antunes e Rita Cunha Mendes, que completam a equipa ministerial.
Em declarações aos jornalistas no final da primeira reunião, Ana Mendes Godinho afirmou que com as reuniões de hoje quer “dar sinal e valor à importância dos parceiros sociais e da concertação social”.
“Claramente teremos espaço para encontrar medidas e soluções que respondam aos desafios do país quer em termos de demografia quer em termos de assimetrias e desigualdades”, disse.
No final do encontro, o secretário-geral da UGT, Carlos Silva, reafirmou também aos jornalistas a disponibilidade da central sindical para discutir em concertação social um acordo de médio prazo fixando patamares para o salário mínimo nacional, actualmente nos 600 euros, até à meta dos 800 euros em 2023, defendendo uma subida de 60 euros em 2020.
Carlos Silva quer, no entanto, que o executivo deixe a porta aberta para que a questão dos 750 euros não seja uma recta final ou ponto de chegada, manifestando-se uma vez mais disponível para uma evolução por “patamares” de 50 euros anuais até aos 800 euros em 2023.
“Mais ambição e melhores condições de vida para os trabalhadores, será essa a nota da UGT na reunião de amanhã [quarta-feira]”, salientou Carlos Silva, referindo que espera “não ficar sozinho do ponto de vista sindical na concertação social como tem acontecido nos últimos 30 anos”.
A UGT destacou também “o sinal positivo” dado pela ministra Ana Mendes Godinho de promover durante o dia de hoje reuniões com os parceiros.
“É um sinal positivo e a primeira vez que acontece desde que sou secretário-geral há seis anos”, disse.
Apenas 1% dos jovens portugueses acedem de forma crítica a informação online
in Público on-line
Nasceram e cresceram rodeados de tecnologia mas afinal a maioria dos jovens de 13 e 14 anos, conhecidos como “nativos digitais”, não tem assim tanta habilidade a usar as tecnologias de informação, revela um estudo internacional que testou os conhecimentos de mais de 46 mil estudantes de vários países.
Os jovens portugueses não conseguem avaliar se a informação online é fiável, segundo um estudo que revela que quase metade dos alunos do 8.º ano só consegue executar “tarefas elementares” de recolha e gestão de informação.
Mascarados contra o estigma, os engraxadores bolivianos impõem respeito
Nasceram e cresceram rodeados de tecnologia mas afinal a maioria dos jovens de 13 e 14 anos, conhecidos como “nativos digitais”, não tem assim tanta habilidade a usar as tecnologias de informação, revela um estudo internacional que testou os conhecimentos de mais de 46 mil estudantes de 12 países e dois sistemas educativos.
Entre estes alunos, estão cerca de três mil estudantes de 215 escolas portuguesas que também participaram na 2.º edição do International Computer and Information Literacy (ICILS) que avaliou duas áreas: Literacia em Computadores e Informação (CIL) e Pensamento Computacional (CT).
Resultado: só 1% dos jovens portugueses conseguiram seleccionar a informação mais relevante e foram capazes de avaliar a utilidade e fiabilidade da informação para criar produtos de informação. Dos 46 mil alunos dos diferentes países, apenas 2% demonstraram ter capacidade para aceder de forma crítica a informação online.
No relatório nesta terça-feira divulgado, os investigadores questionam até que ponto estarão os jovens preparados para estudar, trabalhar e viver num mundo digital. Em Portugal, por exemplo, só 20% dos alunos portugueses mostraram ser capazes de trabalhar de forma independente com computadores.
Quase metade conseguiu executar apenas “tarefas elementares e explicitas” de recolha e gestão de informação: 46% dos jovens portugueses ainda “precisam de ajuda” na altura de usar computadores para investigar, criar ou comunicar.
Olhando para todos os estudantes que fizeram os testes, 18% ficaram abaixo do nível um, ou seja, apenas conseguem executar alguns comandos simples. Já em Portugal, a percentagem de alunos com conhecimentos tão baixos é de 7%.
No total, um em cada quatro (25% de todos os alunos e 27% dos portugueses) demonstrou ter um conhecimento funcional dos computadores enquanto ferramentas de trabalho, ficando no nível um — “básico/funcional” (a escala vai até ao nível quatro).
Perante estes resultados, os investigadores alertam para este facto: não bastar entregar equipamentos a alunos e professores e deixá-los sozinhos: é preciso ensinar a usar, defendem.
“Ainda há um caminho a fazer”
Em declarações à Lusa, o secretário de estado Adjunto e da Educação, João Costa, lembrou alguns programas que o ministério lançou nas escolas no anterior mandato, nomeadamente junto dos alunos do 1.º e 2.º ciclos, que não abrangeram os alunos que realizaram os testes do ICILS.
“Com a evolução da tecnologia, quanto mais excluído é um aluno, maior é a desigualdade no futuro”, sublinhou João Costa, reconhecendo que “ainda há um caminho a fazer” e que a sociedade digital é uma das preocupações espelhadas no programa de Governo.
Os alunos dizem que foi na escola que aprenderam a procurar informação na Internet, perceber se era credível ou se era relevante para incluir num trabalho. Mais uma vez, os números nacionais não diferem muito da média dos restantes países.
Além dos portugueses, participaram no estudo a Dinamarca, Finlândia, Alemanha, França, Itália, Luxemburgo, Moscovo, Cazaquistão, Coreia do Sul, Estados Unidos da América, Chile, Uruguai e Renânia do Norte-Vestefália.
O estudo revela que a diferença entre países é mais pequena do que as diferenças dentro de cada país entre os melhores e os piores alunos. O estudo mostra também que as condições socioeconómicas dos estudantes, os anos de experiência de utilização de computadores e o acesso a computadores em casa acabam por ser determinantes nos resultados.
Através dos inquéritos foi possível perceber que os filhos de pais com formação superior obtêm melhores resultados, assim como aqueles que têm pelo menos 26 livros em casa.
Nestes casos, as diferenças são menos gritantes em Portugal do que na maioria dos países, sublinhou em declarações à Lusa Vanda Lourenço, chefe de equipa do Instituto de Avaliação Educativa (IAVE), organismo responsável pela aplicação do estudo nas escolas portuguesas.
O estudo mostrou ainda que os alunos usam mais as TIC fora da escola e sobretudo para actividades de lazer, tais como ouvir música, descarregar vídeos ou aceder a informação através da internet.
Nasceram e cresceram rodeados de tecnologia mas afinal a maioria dos jovens de 13 e 14 anos, conhecidos como “nativos digitais”, não tem assim tanta habilidade a usar as tecnologias de informação, revela um estudo internacional que testou os conhecimentos de mais de 46 mil estudantes de vários países.
Os jovens portugueses não conseguem avaliar se a informação online é fiável, segundo um estudo que revela que quase metade dos alunos do 8.º ano só consegue executar “tarefas elementares” de recolha e gestão de informação.
Mascarados contra o estigma, os engraxadores bolivianos impõem respeito
Nasceram e cresceram rodeados de tecnologia mas afinal a maioria dos jovens de 13 e 14 anos, conhecidos como “nativos digitais”, não tem assim tanta habilidade a usar as tecnologias de informação, revela um estudo internacional que testou os conhecimentos de mais de 46 mil estudantes de 12 países e dois sistemas educativos.
Entre estes alunos, estão cerca de três mil estudantes de 215 escolas portuguesas que também participaram na 2.º edição do International Computer and Information Literacy (ICILS) que avaliou duas áreas: Literacia em Computadores e Informação (CIL) e Pensamento Computacional (CT).
Resultado: só 1% dos jovens portugueses conseguiram seleccionar a informação mais relevante e foram capazes de avaliar a utilidade e fiabilidade da informação para criar produtos de informação. Dos 46 mil alunos dos diferentes países, apenas 2% demonstraram ter capacidade para aceder de forma crítica a informação online.
No relatório nesta terça-feira divulgado, os investigadores questionam até que ponto estarão os jovens preparados para estudar, trabalhar e viver num mundo digital. Em Portugal, por exemplo, só 20% dos alunos portugueses mostraram ser capazes de trabalhar de forma independente com computadores.
Quase metade conseguiu executar apenas “tarefas elementares e explicitas” de recolha e gestão de informação: 46% dos jovens portugueses ainda “precisam de ajuda” na altura de usar computadores para investigar, criar ou comunicar.
Olhando para todos os estudantes que fizeram os testes, 18% ficaram abaixo do nível um, ou seja, apenas conseguem executar alguns comandos simples. Já em Portugal, a percentagem de alunos com conhecimentos tão baixos é de 7%.
No total, um em cada quatro (25% de todos os alunos e 27% dos portugueses) demonstrou ter um conhecimento funcional dos computadores enquanto ferramentas de trabalho, ficando no nível um — “básico/funcional” (a escala vai até ao nível quatro).
Perante estes resultados, os investigadores alertam para este facto: não bastar entregar equipamentos a alunos e professores e deixá-los sozinhos: é preciso ensinar a usar, defendem.
“Ainda há um caminho a fazer”
Em declarações à Lusa, o secretário de estado Adjunto e da Educação, João Costa, lembrou alguns programas que o ministério lançou nas escolas no anterior mandato, nomeadamente junto dos alunos do 1.º e 2.º ciclos, que não abrangeram os alunos que realizaram os testes do ICILS.
“Com a evolução da tecnologia, quanto mais excluído é um aluno, maior é a desigualdade no futuro”, sublinhou João Costa, reconhecendo que “ainda há um caminho a fazer” e que a sociedade digital é uma das preocupações espelhadas no programa de Governo.
Os alunos dizem que foi na escola que aprenderam a procurar informação na Internet, perceber se era credível ou se era relevante para incluir num trabalho. Mais uma vez, os números nacionais não diferem muito da média dos restantes países.
Além dos portugueses, participaram no estudo a Dinamarca, Finlândia, Alemanha, França, Itália, Luxemburgo, Moscovo, Cazaquistão, Coreia do Sul, Estados Unidos da América, Chile, Uruguai e Renânia do Norte-Vestefália.
O estudo revela que a diferença entre países é mais pequena do que as diferenças dentro de cada país entre os melhores e os piores alunos. O estudo mostra também que as condições socioeconómicas dos estudantes, os anos de experiência de utilização de computadores e o acesso a computadores em casa acabam por ser determinantes nos resultados.
Através dos inquéritos foi possível perceber que os filhos de pais com formação superior obtêm melhores resultados, assim como aqueles que têm pelo menos 26 livros em casa.
Nestes casos, as diferenças são menos gritantes em Portugal do que na maioria dos países, sublinhou em declarações à Lusa Vanda Lourenço, chefe de equipa do Instituto de Avaliação Educativa (IAVE), organismo responsável pela aplicação do estudo nas escolas portuguesas.
O estudo mostrou ainda que os alunos usam mais as TIC fora da escola e sobretudo para actividades de lazer, tais como ouvir música, descarregar vídeos ou aceder a informação através da internet.
23.10.19
Energia do Futuro - Portugal desconhece quantas pessoas vivem em pobreza energética
Ana Brito, in Público on-line
Não há dados oficiais sobre o número de portugueses sem dinheiro para aquecer as casas no Inverno ou refrescá-las no Verão, mas já há um índice que permite identificar as freguesias mais vulneráveis a estas situações.
Os números divulgados há poucos dias pelo Instituto Nacional de Saúde Ricardo Jorge (Insa) deixaram exposta, mais uma vez, a fragilidade de uma fatia da população portuguesa, aquela que não tem condições para se proteger devidamente dos efeitos das temperaturas extremas e para quem o Inverno pode ter consequências trágicas.
Estima-se que, em 2018, a gripe e as baixas temperaturas tenham causado cerca de 3700 mortes, das quais 397 atribuíveis ao frio. “A relação entre o frio, e em particular o frio extremo, que se mantém por vários dias, e a saúde cardiovascular e respiratória está bem estabelecido”, e as temperaturas baixas e os períodos de humidade alta no Inverno “são factores que aumentam a probabilidade que temos de vir a agravar doenças pré-existentes”, disse ao PÚBLICO o coordenador do Departamento de Epidemiologia do INSA, Carlos Dias.
“Se fora dos edifícios não existe capacidade de o ser humano controlar o ambiente e os níveis térmicos, dentro dos edifícios isso é feito à custa de equipamentos, de habitações bem isoladas e do consumo de energia. Logo, as pessoas que pertencem a grupos socio-económicos mais frágeis, claramente estão em situação de maior risco para a sua saúde”, afirmou o especialista.
O desconforto térmico, no Verão ou no Inverno, pode ser fatal para quem já tem problemas de saúde e é mais vulnerável às temperaturas extremas, como a população idosa, mas é uma realidade com que boa parte da população portuguesa convive, literalmente.
De uma forma genérica, considera-se que quem não tem condições financeiras para aquecer a casa no Inverno, mantê-la fresca no Verão, ou adequadamente iluminada, está em situação de pobreza energética.
Segundo Bruxelas, há mais de 50 milhões de pessoas na União Europeia (UE) que vivem com este tipo de privação, a que estão mais expostas as famílias monoparentais, aquelas com várias crianças e os idosos isolados.
Em Portugal, o fenómeno existe, está provado, tem consequências graves, mas é de difícil quantificação. “Não existem dados oficiais nacionais sobre o número de pessoas ou agregados familiares em situação de pobreza energética”, disse ao PÚBLICO o Ministério do Ambiente e da Transição Energética (que na nova orgânica passará a chamar-se do Ambiente e Acção Climática).
“Faz parte dos objectivos do Governo” realizar “uma análise a nível nacional que identifique o número de pessoas” e famílias nesta situação, acrescentou.
Além de não haver dados quantitativos, não há sequer em Portugal (como na maioria dos Estados europeus) uma definição oficial para a pobreza energética, pelo que se “recorre à definição usada pela Comissão Europeia”, explicou o MATE.
Stress e mal-estar
No Observatório Europeu para a Pobreza Energética, a Comissão define-a como uma “forma distinta de pobreza, associada a um conjunto de consequências adversas para o bem-estar e saúde das pessoas”, que pode agravar quadros de doença respiratória, cardíaca e mental. Não são só as temperaturas que produzem o mal-estar, é também “o stress associado a facturas energéticas incomportáveis”.
Diz a Comissão que resolver o problema tem “o potencial de trazer benefícios múltiplos”, incluindo menos gastos públicos com a saúde, menor poluição ambiental, mais conforto e bem-estar, mais rendimento disponível das famílias e crescimento económico.
Os Estados-membros estão obrigados a monitorizar a situação de pobreza energética e a introduzir medidas específicas para combatê-la nos seus planos de Energia e Clima para a próxima década.
Até agora, Portugal tem abordado a questão através da tarifa social da electricidade e do gás natural, que introduz descontos automáticos às facturas dos clientes economicamente vulneráveis – com baixos rendimentos e beneficiários de prestações sociais, como o subsídio social de desemprego ou a pensão social de velhice.
Sobre as prioridades do Governo no combate à pobreza energética, o MATE destacou o aperfeiçoamento dos “instrumentos de protecção a clientes vulneráveis” através de uma “estratégia de longo prazo” e o objectivo de “melhorar a literacia energética” da população.
Segundo o relatório “Addressing Energy Poverty in the European Union: State of Play and Action”, publicado, em Agosto do ano passado, pelo Observatório Europeu da Pobreza Energética, as tarifas sociais existem um pouco por toda a Europa e vários países têm medidas adicionais de protecção aos clientes vulneráveis que proíbem o corte de energia por falta de pagamento das contas durante o Inverno.
O relatório refere ainda que existem, mas são mais raras, as medidas direccionadas para esta população vulnerável cuja abordagem seja a do reforço de eficiência das habitações. Porém, destaca que as medidas direccionadas “são uma ferramenta muito poderosa para combater a pobreza numa perspectiva de longo-prazo”.
Em causa estão medidas de apoio à intervenção nas habitações, à substituição de aparelhos que consomem muita energia (como os frigoríficos) ou à instalação de painéis fotovoltaicos para produção de electricidade para autoconsumo (o que reduz o peso da factura energética nos orçamentos familiares).
Não há dados oficiais sobre o número de portugueses sem dinheiro para aquecer as casas no Inverno ou refrescá-las no Verão, mas já há um índice que permite identificar as freguesias mais vulneráveis a estas situações.
Os números divulgados há poucos dias pelo Instituto Nacional de Saúde Ricardo Jorge (Insa) deixaram exposta, mais uma vez, a fragilidade de uma fatia da população portuguesa, aquela que não tem condições para se proteger devidamente dos efeitos das temperaturas extremas e para quem o Inverno pode ter consequências trágicas.
Estima-se que, em 2018, a gripe e as baixas temperaturas tenham causado cerca de 3700 mortes, das quais 397 atribuíveis ao frio. “A relação entre o frio, e em particular o frio extremo, que se mantém por vários dias, e a saúde cardiovascular e respiratória está bem estabelecido”, e as temperaturas baixas e os períodos de humidade alta no Inverno “são factores que aumentam a probabilidade que temos de vir a agravar doenças pré-existentes”, disse ao PÚBLICO o coordenador do Departamento de Epidemiologia do INSA, Carlos Dias.
“Se fora dos edifícios não existe capacidade de o ser humano controlar o ambiente e os níveis térmicos, dentro dos edifícios isso é feito à custa de equipamentos, de habitações bem isoladas e do consumo de energia. Logo, as pessoas que pertencem a grupos socio-económicos mais frágeis, claramente estão em situação de maior risco para a sua saúde”, afirmou o especialista.
O desconforto térmico, no Verão ou no Inverno, pode ser fatal para quem já tem problemas de saúde e é mais vulnerável às temperaturas extremas, como a população idosa, mas é uma realidade com que boa parte da população portuguesa convive, literalmente.
De uma forma genérica, considera-se que quem não tem condições financeiras para aquecer a casa no Inverno, mantê-la fresca no Verão, ou adequadamente iluminada, está em situação de pobreza energética.
Segundo Bruxelas, há mais de 50 milhões de pessoas na União Europeia (UE) que vivem com este tipo de privação, a que estão mais expostas as famílias monoparentais, aquelas com várias crianças e os idosos isolados.
Em Portugal, o fenómeno existe, está provado, tem consequências graves, mas é de difícil quantificação. “Não existem dados oficiais nacionais sobre o número de pessoas ou agregados familiares em situação de pobreza energética”, disse ao PÚBLICO o Ministério do Ambiente e da Transição Energética (que na nova orgânica passará a chamar-se do Ambiente e Acção Climática).
“Faz parte dos objectivos do Governo” realizar “uma análise a nível nacional que identifique o número de pessoas” e famílias nesta situação, acrescentou.
Além de não haver dados quantitativos, não há sequer em Portugal (como na maioria dos Estados europeus) uma definição oficial para a pobreza energética, pelo que se “recorre à definição usada pela Comissão Europeia”, explicou o MATE.
Stress e mal-estar
No Observatório Europeu para a Pobreza Energética, a Comissão define-a como uma “forma distinta de pobreza, associada a um conjunto de consequências adversas para o bem-estar e saúde das pessoas”, que pode agravar quadros de doença respiratória, cardíaca e mental. Não são só as temperaturas que produzem o mal-estar, é também “o stress associado a facturas energéticas incomportáveis”.
Diz a Comissão que resolver o problema tem “o potencial de trazer benefícios múltiplos”, incluindo menos gastos públicos com a saúde, menor poluição ambiental, mais conforto e bem-estar, mais rendimento disponível das famílias e crescimento económico.
Os Estados-membros estão obrigados a monitorizar a situação de pobreza energética e a introduzir medidas específicas para combatê-la nos seus planos de Energia e Clima para a próxima década.
Até agora, Portugal tem abordado a questão através da tarifa social da electricidade e do gás natural, que introduz descontos automáticos às facturas dos clientes economicamente vulneráveis – com baixos rendimentos e beneficiários de prestações sociais, como o subsídio social de desemprego ou a pensão social de velhice.
Sobre as prioridades do Governo no combate à pobreza energética, o MATE destacou o aperfeiçoamento dos “instrumentos de protecção a clientes vulneráveis” através de uma “estratégia de longo prazo” e o objectivo de “melhorar a literacia energética” da população.
Segundo o relatório “Addressing Energy Poverty in the European Union: State of Play and Action”, publicado, em Agosto do ano passado, pelo Observatório Europeu da Pobreza Energética, as tarifas sociais existem um pouco por toda a Europa e vários países têm medidas adicionais de protecção aos clientes vulneráveis que proíbem o corte de energia por falta de pagamento das contas durante o Inverno.
O relatório refere ainda que existem, mas são mais raras, as medidas direccionadas para esta população vulnerável cuja abordagem seja a do reforço de eficiência das habitações. Porém, destaca que as medidas direccionadas “são uma ferramenta muito poderosa para combater a pobreza numa perspectiva de longo-prazo”.
Em causa estão medidas de apoio à intervenção nas habitações, à substituição de aparelhos que consomem muita energia (como os frigoríficos) ou à instalação de painéis fotovoltaicos para produção de electricidade para autoconsumo (o que reduz o peso da factura energética nos orçamentos familiares).
Sociedade Maioria dos portugueses defende combate à pobreza nos países em desenvolvimento como prioridade da UE
Raquel Albuquerque, in Expresso
Quase todos os portugueses (96%) reconhecem a importância de ajudar os países em vias de desenvolvimento e mais de três quartos (77%) consideram que o combate à pobreza nestes países deve ser uma das principais prioridades da União Europeia (UE). Segundo o Eurobarómetro sobre a cooperação para o desenvolvimento, divulgado esta quarta-feira pela Comissão Europeia, Portugal é dos países com uma atitude mais positiva a esta cooperação.
O inquérito europeu conclui ainda que quase dois terços (64%) dos portugueses admitem que o combate à pobreza nestes países deve ser uma prioridade do Governo português. E são mais os que agora defendem esta posição do que os 52% que estava de acordo com esta ideia em 2018, segundo o Eurobarómetro anterior.
Menos de um terço dos cidadãos da Estónia, Letónia e Lituânia defendem que essa deva ser uma prioridade dos seus governos nacionais. Contudo, conclui o Eurobarómetro, a maioria dos cidadãos europeus reconhece a importância da cooperação para o apoio dos países em desenvolvimento.
Menos pobreza, logo menos migrações e desigualdades
O inquérito realizado em junho deste ano concluiu ainda que a esmagadora maioria dos portugueses (82%) acredita que o apoio financeiro aos países menos desenvolvidos contribui para um mundo “mais pacífico e mais justo”, além de ser uma forma eficaz de combater as migrações irregulares ou reduzir as desigualdades (83%).
O impacto positivo nas migrações e desigualdades é reconhecido por mais de sete em cada dez cidadãos europeus, mostram os resultados globais deste Eurobarómetro.
Portugal é o país onde mais pessoas (94%) acham que as empresas privadas devem ter um papel importante no desenvolvimento sustentável dos países em vias de desenvolvimento, que o combate à pobreza é do próprio interesse da UE (91%) e que pode reforçar a influência da Europa no mundo (84%).
Também acima da média da UE (75%) ficam os 83% de portugueses que defendem que a UE deve reforçar a sua parceria com países africanos, aumentando os investimentos financeiros.
Mais positivo do que Portugal só mesmo o Chipre. E no extremo oposto, com uma atitude muito mais fechada e contrária a esta cooperação, ficam países como a Bulgária, República Checa, Estónia, Eslováquia ou Roménia.
Quase todos os portugueses (96%) reconhecem a importância de ajudar os países em vias de desenvolvimento e mais de três quartos (77%) consideram que o combate à pobreza nestes países deve ser uma das principais prioridades da União Europeia (UE). Segundo o Eurobarómetro sobre a cooperação para o desenvolvimento, divulgado esta quarta-feira pela Comissão Europeia, Portugal é dos países com uma atitude mais positiva a esta cooperação.
O inquérito europeu conclui ainda que quase dois terços (64%) dos portugueses admitem que o combate à pobreza nestes países deve ser uma prioridade do Governo português. E são mais os que agora defendem esta posição do que os 52% que estava de acordo com esta ideia em 2018, segundo o Eurobarómetro anterior.
Menos de um terço dos cidadãos da Estónia, Letónia e Lituânia defendem que essa deva ser uma prioridade dos seus governos nacionais. Contudo, conclui o Eurobarómetro, a maioria dos cidadãos europeus reconhece a importância da cooperação para o apoio dos países em desenvolvimento.
Menos pobreza, logo menos migrações e desigualdades
O inquérito realizado em junho deste ano concluiu ainda que a esmagadora maioria dos portugueses (82%) acredita que o apoio financeiro aos países menos desenvolvidos contribui para um mundo “mais pacífico e mais justo”, além de ser uma forma eficaz de combater as migrações irregulares ou reduzir as desigualdades (83%).
O impacto positivo nas migrações e desigualdades é reconhecido por mais de sete em cada dez cidadãos europeus, mostram os resultados globais deste Eurobarómetro.
Portugal é o país onde mais pessoas (94%) acham que as empresas privadas devem ter um papel importante no desenvolvimento sustentável dos países em vias de desenvolvimento, que o combate à pobreza é do próprio interesse da UE (91%) e que pode reforçar a influência da Europa no mundo (84%).
Também acima da média da UE (75%) ficam os 83% de portugueses que defendem que a UE deve reforçar a sua parceria com países africanos, aumentando os investimentos financeiros.
Mais positivo do que Portugal só mesmo o Chipre. E no extremo oposto, com uma atitude muito mais fechada e contrária a esta cooperação, ficam países como a Bulgária, República Checa, Estónia, Eslováquia ou Roménia.
22.10.19
"Ciganofobia" está no dia a dia da sociedade portuguesa, diz secretária de Estado
in RR
"Sempre me perturbou bastante este desconhecimento profundo que nós temos do que é e o que são as pessoas ciganas", afirmou a secretária de Estado para a Cidadania e Igualdade, Rosa Monteiro.
A secretária de Estado para a Cidadania e Igualdade disse, esta segunda-feira, que a 'ciganofobia' acompanha o dia a dia da sociedade portuguesa e que a discriminação das comunidades ciganas se combate com informação e trabalho a nível local.
Em declarações durante a apresentação do Plano Local para a Integração das Comunidades Ciganas da Figueira da Foz, Rosa Monteiro defendeu a informação dos cidadãos para combater ações como a colocação de sapos de loiça à porta dos estabelecimentos comerciais - com o intuito de afastar a comunidade cigana - uma prática discriminatória, já que aquele animal é tradicionalmente conotado como um símbolo de azar para os ciganos.
A governante lembrou que "há muitos anos", num restaurante algarvio, viu vários desses sapos colocados no jardim e questionou o porquê de ali estarem. A explicação que serviam para afastar os ciganos deixou-a "em estado de choque", enfatizou Rosa Monteiro.
"Acredito que há muitas pessoas que também desconhecem o porquê e que o sapo, nos estabelecimentos comerciais, é usado como elemento de segregação e discriminação", frisou.
A secretária de Estado para a Cidadania e Igualdade - pasta que irá manter no novo Governo - revelou que, nos dias de hoje, sempre que entra numa loja que tenha sapos à porta se indigna com a situação e advoga que os cidadãos também o façam.
"Isso é que temos de fazer todos enquanto cidadãos, nunca haverá bons resultados na política pública se as pessoas, cada uma na sua vida, e no seu exercício de cidadania, não tiverem essa consciência", argumentou a política, defendendo que a integração se faça dentro e fora das comunidades nómadas.
"Nunca conseguiremos trabalhar a integração, a cidadania nas pessoas ciganas se não trabalharmos dentro e fora [das comunidades] e em conjunto. Desde logo com a existência de uma pessoa mediadora cigana que tem essa função, não é só trabalhar dentro da sua comunidade, é ser, no fundo, aqui o veículo de tradução cultural para desconstruir tantos mitos, tantos estereótipos, tantos preconceitos que temos", precisou.
"Sempre me perturbou bastante este desconhecimento profundo que nós temos do que é e o que são as pessoas ciganas, a generalização que fazemos. Acho que não há trabalho [que se possa fazer] sem ser um trabalho bilateral", acrescentou a governante.
Questionada pela Lusa sobre a necessidade eventual de uma campanha a nível nacional contra atitudes discriminatórias, Rosa Monteiro reputou-a de "importante", considerando também fundamentais as campanhas a nível local.
"Chamar para o espaço público, para as notícias, para os órgãos de comunicação social locais, visões positivas e alternativas que eliminem esta ideia fatalista que das comunidades ciganas só vêm coisas negativas", observou.
Destacou, a esse propósito, o caso de um cigano "bombeiro voluntário", argumentando que esse e outros exemplos dentro da comunidade cigana terão de ser divulgados e, ao mesmo tempo, "consciencializar para a discriminação que estas pessoas vivem. Informar, informar", insistiu.
"E abaixo os sapos discriminatórios, sendo que o bicho não tem culpa nenhuma", notou a secretária de Estado.
Diana Rodrigues, vereadora na autarquia da Figueira da Foz com o pelouro da Ação Social, lembrou que em 2015, aquele município do litoral do distrito de Coimbra desenvolveu uma campanha juntamente com a organização SOS Racismo chamada, precisamente, "Não engolimos sapos", destinada a que fosse erradicada as representações de sapos em estabelecimentos comerciais.
"Cremos que algum impacto há-de ter ficado porque já não é tão frequente como outrora esta situação. E tendemos a acreditar que através da informação, da educação e do conhecimento se erradicam muitos dos preconceitos e das ideias erradas e preconcebidas que se geram em torno das comunidades ciganas e aí o trabalho é efetivo", garantiu a autarca.
Por outro lado, o município aposta na formação de professores e auxiliares de ação educativa, bem como em levar para as escolas "mais informação sobre a cultura cigana".
"Sabemos que estamos assim a criar uma próxima geração muito menos preconceituosa e muito mais protetora da igualdade", disse Diana Rodrigues.
"Sempre me perturbou bastante este desconhecimento profundo que nós temos do que é e o que são as pessoas ciganas", afirmou a secretária de Estado para a Cidadania e Igualdade, Rosa Monteiro.
A secretária de Estado para a Cidadania e Igualdade disse, esta segunda-feira, que a 'ciganofobia' acompanha o dia a dia da sociedade portuguesa e que a discriminação das comunidades ciganas se combate com informação e trabalho a nível local.
Em declarações durante a apresentação do Plano Local para a Integração das Comunidades Ciganas da Figueira da Foz, Rosa Monteiro defendeu a informação dos cidadãos para combater ações como a colocação de sapos de loiça à porta dos estabelecimentos comerciais - com o intuito de afastar a comunidade cigana - uma prática discriminatória, já que aquele animal é tradicionalmente conotado como um símbolo de azar para os ciganos.
A governante lembrou que "há muitos anos", num restaurante algarvio, viu vários desses sapos colocados no jardim e questionou o porquê de ali estarem. A explicação que serviam para afastar os ciganos deixou-a "em estado de choque", enfatizou Rosa Monteiro.
"Acredito que há muitas pessoas que também desconhecem o porquê e que o sapo, nos estabelecimentos comerciais, é usado como elemento de segregação e discriminação", frisou.
A secretária de Estado para a Cidadania e Igualdade - pasta que irá manter no novo Governo - revelou que, nos dias de hoje, sempre que entra numa loja que tenha sapos à porta se indigna com a situação e advoga que os cidadãos também o façam.
"Isso é que temos de fazer todos enquanto cidadãos, nunca haverá bons resultados na política pública se as pessoas, cada uma na sua vida, e no seu exercício de cidadania, não tiverem essa consciência", argumentou a política, defendendo que a integração se faça dentro e fora das comunidades nómadas.
"Nunca conseguiremos trabalhar a integração, a cidadania nas pessoas ciganas se não trabalharmos dentro e fora [das comunidades] e em conjunto. Desde logo com a existência de uma pessoa mediadora cigana que tem essa função, não é só trabalhar dentro da sua comunidade, é ser, no fundo, aqui o veículo de tradução cultural para desconstruir tantos mitos, tantos estereótipos, tantos preconceitos que temos", precisou.
"Sempre me perturbou bastante este desconhecimento profundo que nós temos do que é e o que são as pessoas ciganas, a generalização que fazemos. Acho que não há trabalho [que se possa fazer] sem ser um trabalho bilateral", acrescentou a governante.
Questionada pela Lusa sobre a necessidade eventual de uma campanha a nível nacional contra atitudes discriminatórias, Rosa Monteiro reputou-a de "importante", considerando também fundamentais as campanhas a nível local.
"Chamar para o espaço público, para as notícias, para os órgãos de comunicação social locais, visões positivas e alternativas que eliminem esta ideia fatalista que das comunidades ciganas só vêm coisas negativas", observou.
Destacou, a esse propósito, o caso de um cigano "bombeiro voluntário", argumentando que esse e outros exemplos dentro da comunidade cigana terão de ser divulgados e, ao mesmo tempo, "consciencializar para a discriminação que estas pessoas vivem. Informar, informar", insistiu.
"E abaixo os sapos discriminatórios, sendo que o bicho não tem culpa nenhuma", notou a secretária de Estado.
Diana Rodrigues, vereadora na autarquia da Figueira da Foz com o pelouro da Ação Social, lembrou que em 2015, aquele município do litoral do distrito de Coimbra desenvolveu uma campanha juntamente com a organização SOS Racismo chamada, precisamente, "Não engolimos sapos", destinada a que fosse erradicada as representações de sapos em estabelecimentos comerciais.
"Cremos que algum impacto há-de ter ficado porque já não é tão frequente como outrora esta situação. E tendemos a acreditar que através da informação, da educação e do conhecimento se erradicam muitos dos preconceitos e das ideias erradas e preconcebidas que se geram em torno das comunidades ciganas e aí o trabalho é efetivo", garantiu a autarca.
Por outro lado, o município aposta na formação de professores e auxiliares de ação educativa, bem como em levar para as escolas "mais informação sobre a cultura cigana".
"Sabemos que estamos assim a criar uma próxima geração muito menos preconceituosa e muito mais protetora da igualdade", disse Diana Rodrigues.
Eurostat faz retrato de uma Europa desigual
De Euronews
Quatro milhões de quilómetros quadrados, 513 milhões de habitantes, 28 Estados-Membros. Os números da União Europeia multiplicam-se em realidades nem sempre fáceis de compreender, mas que foram analisadas à lupa pelo Eurostat.
Uma fotografia dos europeus, para perceber quem são, como vivem e o que podem esperar da vida dentro do bloco comunitário que integram. Mas afinal, como ficou na fotografia a União Europeia?
Olhando para os dados divulgados pelo Eurostat, a Europa está a envelhecer. Em 2018, as pessoas a partir dos 65 anos de idade representavam já quase um quinto da população da União Europeia, com Itália na frente dos países com mais velhos, seguida da Grécia e de Portugal.
Um cenário que tende a agravar nos próximos anos. Em 2050, o país mais envelhecido da Europa será Portugal, onde acima de um terço da população vai ser idosa.
Um dos fatores que contribui para esta evolução é o aumento da esperança média de vida. De acordo com dados de 2017, na Europa a 28, os homens que tinham 65 anos viverão em média até aos 83 anos, as mulheres, mais de 86 anos.
França. Espanha e Itália ocupam o pódio da longevidade, com as francesas no topo, a atingir os 88 anos e meio de esperança média de vida.
No ano passado, o desemprego manteve a trajetória decrescente na União Europeia. Ainda assim, o Sul da Europa continua a ser o mais afetado pela falta de trabalho, em particular a Grécia, Espanha e Itália, com os valores mais altos, muito acima da média comunitária
.
Em todos os países, o desemprego afeta mais as mulheres e os jovens abaixo dos 25 anos. Na Grécia, onde a taxa de desemprego tem sido a mais alta entre os 28 Estados-Membros, em 2018, quase uma em cada quatro mulheres em idade ativa estava desempregada. Entre os jovens, a falta de emprego atingiu mais de 39% da população.
O risco de pobreza, avaliado em 2017, ameaçava 16,7% da população ativa da União Europeia, com especial expressão na Roménia, na Grécia e em Espanha.
Um quadro que muda quando analisamos o mesmo índice demográfico junto dos mais velhos. Estónia, Letónia e Lituânia, eram os países onde as pessoas a partir dos 65 anos estavam mais expostas à pobreza
Estes são apenas alguns dos traços que permitem ter uma imagem dos progressos e desigualdades da União Europeia. Uma fotografia de grupo, onde alguns Estados-Membros ainda aguardam por poder brilhar na linha da frente.
Quatro milhões de quilómetros quadrados, 513 milhões de habitantes, 28 Estados-Membros. Os números da União Europeia multiplicam-se em realidades nem sempre fáceis de compreender, mas que foram analisadas à lupa pelo Eurostat.
Uma fotografia dos europeus, para perceber quem são, como vivem e o que podem esperar da vida dentro do bloco comunitário que integram. Mas afinal, como ficou na fotografia a União Europeia?
Olhando para os dados divulgados pelo Eurostat, a Europa está a envelhecer. Em 2018, as pessoas a partir dos 65 anos de idade representavam já quase um quinto da população da União Europeia, com Itália na frente dos países com mais velhos, seguida da Grécia e de Portugal.
Um cenário que tende a agravar nos próximos anos. Em 2050, o país mais envelhecido da Europa será Portugal, onde acima de um terço da população vai ser idosa.
Um dos fatores que contribui para esta evolução é o aumento da esperança média de vida. De acordo com dados de 2017, na Europa a 28, os homens que tinham 65 anos viverão em média até aos 83 anos, as mulheres, mais de 86 anos.
França. Espanha e Itália ocupam o pódio da longevidade, com as francesas no topo, a atingir os 88 anos e meio de esperança média de vida.
No ano passado, o desemprego manteve a trajetória decrescente na União Europeia. Ainda assim, o Sul da Europa continua a ser o mais afetado pela falta de trabalho, em particular a Grécia, Espanha e Itália, com os valores mais altos, muito acima da média comunitária
.
Em todos os países, o desemprego afeta mais as mulheres e os jovens abaixo dos 25 anos. Na Grécia, onde a taxa de desemprego tem sido a mais alta entre os 28 Estados-Membros, em 2018, quase uma em cada quatro mulheres em idade ativa estava desempregada. Entre os jovens, a falta de emprego atingiu mais de 39% da população.
O risco de pobreza, avaliado em 2017, ameaçava 16,7% da população ativa da União Europeia, com especial expressão na Roménia, na Grécia e em Espanha.
Um quadro que muda quando analisamos o mesmo índice demográfico junto dos mais velhos. Estónia, Letónia e Lituânia, eram os países onde as pessoas a partir dos 65 anos estavam mais expostas à pobreza
Estes são apenas alguns dos traços que permitem ter uma imagem dos progressos e desigualdades da União Europeia. Uma fotografia de grupo, onde alguns Estados-Membros ainda aguardam por poder brilhar na linha da frente.
1.10.19
O restaurante que dá emprego a sem-abrigos
in TVI
No «Você na TV», Nuno Bergonse agradece por fazer parte deste projeto e acredita que vai mudar a vida de pessoas com vidas vulneráveis. Criado pela associação «Crescer», o restaurante tem o objetivo de empregar indivíduos que estão em situação de vulnerabilidade social como os sem-abrigo. Neste restaurante as segundas oportunidades são agarradas com toda a vontade já que, neste momento, não existem funcionários a viver na rua.
Para além do emprego, a associação «Crescer» oferece ainda formação e apoio psicológico para conseguir a integração social no mundo profissional. Em estúdio, conhecemos o exemplo de Carla, que há mais de 10 anos não tinha uma ocupação profissional e viu a sua vida transformada através do restaurante.
O «Você na TV» foi até à Rua São José, por detrás da Avenida da Liberdade, à inauguração do restaurante que abre as portas dia 1 de outubro.
No «Você na TV», Nuno Bergonse agradece por fazer parte deste projeto e acredita que vai mudar a vida de pessoas com vidas vulneráveis. Criado pela associação «Crescer», o restaurante tem o objetivo de empregar indivíduos que estão em situação de vulnerabilidade social como os sem-abrigo. Neste restaurante as segundas oportunidades são agarradas com toda a vontade já que, neste momento, não existem funcionários a viver na rua.
Para além do emprego, a associação «Crescer» oferece ainda formação e apoio psicológico para conseguir a integração social no mundo profissional. Em estúdio, conhecemos o exemplo de Carla, que há mais de 10 anos não tinha uma ocupação profissional e viu a sua vida transformada através do restaurante.
O «Você na TV» foi até à Rua São José, por detrás da Avenida da Liberdade, à inauguração do restaurante que abre as portas dia 1 de outubro.
Novidades no Código do Trabalho chegam hoje às empresas
Raquel Martins, in Público on-line
As alterações ao Código do Trabalho, como o alargamento do período experimental para jovens à procura do primeiro emprego e desempregados de longa duração ou a redução da duração dos contratos a termo, entram em vigor na terça-feira, dia 1 de Outubro.
Ao fim de um longo processo negocial que arrancou na concertação social e foi concluído no Parlamento, as alterações chegam a partir desta terça-feira às empresas. Mas o caminho deste pacote legislativo ainda não está fechado, dado que algumas medidas ainda terão de ser validadas constitucionalmente. O diploma, publicado em 4 de Setembro, foi alvo de um pedido de fiscalização sucessiva ao Tribunal Constitucional entregue pelo PCP, Bloco de Esquerda e PEV em 25 de Setembro. Em causa estão o período experimental, as alterações nos contratos de muito curta duração e a caducidade das convenções colectivas. As alterações ao Código do Trabalho foram aprovadas no Parlamento em Julho, apenas com os votos favoráveis do PS e a abstenção do PSD e do CDS-PP, enquanto os restantes grupos parlamentares votaram contra as medidas. Entre todas, destacam-se sete medidas.
1 - Taxa por rotatividade excessiva só será paga em 2021
Com os votos favoráveis do PS e do PSD e a abstenção do CDS, os deputados deram luz verde à “contribuição adicional por rotatividade excessiva”, que “produz efeitos no dia 1 de Janeiro de 2020”. Como essa taxa depende ainda de regulamentação para se apurar a média sectorial que servirá de referência, só no ano seguinte – em 2021 – as empresas começarão a pagar.
A taxa será aplicada quando as empresas ultrapassarem a média de contratos a termo prevista em cada sector. A taxa será progressiva até ao máximo de 2%, ou seja, quanto maior o número de trabalhadores a prazo a empresa tiver acima da média sectorial, maior será a penalização.
2 - Bancos de horas individuais só acabam dentro de um ano
Foi aprovada a revogação do banco de horas individual, mas estes mecanismos poderão manter-se durante o prazo máximo de um ano, contado a partir da entrada em vigor das novas regras.
O regime de banco de horas grupal também foi viabilizado. Este mecanismo pode ser instituído e aplicado (esta palavra foi acrescentada pelo CDS) ao conjunto dos trabalhadores de uma equipa, secção ou unidade económica desde que aprovado em referendo pelos trabalhadores.
3 - Contratação a termo com limite máximo de dois anos
O limite máximo dos contratos a termo certo passa de três para dois anos. Estes contratos podem ser renovados até três vezes, desde que a duração total das renovações não exceda a do período inicial do contrato.
A contratação a termo para postos de trabalho permanentes ficará reservada aos desempregados de muito longa duração (há mais de 24 meses) e deixará de ser possível para os jovens à procura do primeiro emprego e desempregados há um ano à procura de trabalho. A possibilidade de contratar a termo no caso de lançamento de nova actividade de duração incerta, ou quando se trata da abertura de novo estabelecimento, ficará limitada às empresas com menos de 250 trabalhadores (agora é 750).
O PCP conseguiu que o PS aprovasse uma proposta que determina que o contrato a termo resolutivo só pode ser celebrado para satisfação de necessidades temporárias “objectivamente definidas pela entidade patronal”.
4 - Período experimental alargado sem travões do PS
As alterações ao Código do Trabalho, como o alargamento do período experimental para jovens à procura do primeiro emprego e desempregados de longa duração ou a redução da duração dos contratos a termo, entram em vigor na terça-feira, dia 1 de Outubro.
Ao fim de um longo processo negocial que arrancou na concertação social e foi concluído no Parlamento, as alterações chegam a partir desta terça-feira às empresas. Mas o caminho deste pacote legislativo ainda não está fechado, dado que algumas medidas ainda terão de ser validadas constitucionalmente. O diploma, publicado em 4 de Setembro, foi alvo de um pedido de fiscalização sucessiva ao Tribunal Constitucional entregue pelo PCP, Bloco de Esquerda e PEV em 25 de Setembro. Em causa estão o período experimental, as alterações nos contratos de muito curta duração e a caducidade das convenções colectivas. As alterações ao Código do Trabalho foram aprovadas no Parlamento em Julho, apenas com os votos favoráveis do PS e a abstenção do PSD e do CDS-PP, enquanto os restantes grupos parlamentares votaram contra as medidas. Entre todas, destacam-se sete medidas.
1 - Taxa por rotatividade excessiva só será paga em 2021
Com os votos favoráveis do PS e do PSD e a abstenção do CDS, os deputados deram luz verde à “contribuição adicional por rotatividade excessiva”, que “produz efeitos no dia 1 de Janeiro de 2020”. Como essa taxa depende ainda de regulamentação para se apurar a média sectorial que servirá de referência, só no ano seguinte – em 2021 – as empresas começarão a pagar.
A taxa será aplicada quando as empresas ultrapassarem a média de contratos a termo prevista em cada sector. A taxa será progressiva até ao máximo de 2%, ou seja, quanto maior o número de trabalhadores a prazo a empresa tiver acima da média sectorial, maior será a penalização.
2 - Bancos de horas individuais só acabam dentro de um ano
Foi aprovada a revogação do banco de horas individual, mas estes mecanismos poderão manter-se durante o prazo máximo de um ano, contado a partir da entrada em vigor das novas regras.
O regime de banco de horas grupal também foi viabilizado. Este mecanismo pode ser instituído e aplicado (esta palavra foi acrescentada pelo CDS) ao conjunto dos trabalhadores de uma equipa, secção ou unidade económica desde que aprovado em referendo pelos trabalhadores.
3 - Contratação a termo com limite máximo de dois anos
O limite máximo dos contratos a termo certo passa de três para dois anos. Estes contratos podem ser renovados até três vezes, desde que a duração total das renovações não exceda a do período inicial do contrato.
A contratação a termo para postos de trabalho permanentes ficará reservada aos desempregados de muito longa duração (há mais de 24 meses) e deixará de ser possível para os jovens à procura do primeiro emprego e desempregados há um ano à procura de trabalho. A possibilidade de contratar a termo no caso de lançamento de nova actividade de duração incerta, ou quando se trata da abertura de novo estabelecimento, ficará limitada às empresas com menos de 250 trabalhadores (agora é 750).
O PCP conseguiu que o PS aprovasse uma proposta que determina que o contrato a termo resolutivo só pode ser celebrado para satisfação de necessidades temporárias “objectivamente definidas pela entidade patronal”.
4 - Período experimental alargado sem travões do PS
Crise Climática Agora
in Público on-line
E tudo o clima mudou: as consequências da crise climática em todo o mundo
Foto vencedora do concurso. Uma onde gigante arrasta um pescador da sua casa, em Bandra. Bombaim está a ser cada vez mais afectada por inundações costeiras, uma consequência da crise climática. SL Shanth Kumar, Bombaim
Quando António Guterres sobrevou Tuvalu, viu que aquele país de 12 mil pessoas no meio do Pacífico estava "na linha da frente da emergência climática global". A razão é simples: as mudanças entram-lhes casa adentro, sem bater à porta. “Podem imaginar a ansiedade das pessoas de Tuvalu ao verem o oceano subir três centímetros todos os anos, quando o seu ponto mais elevado tem apenas cinco metros de altitude”, disse depois o secretário de Estado numa conferência de imprensa, em Maio.
A fotografia que mostra as árvores caídas em Funafati, a capital de um país em risco de desaparecer, foi distinguida na categoria de "ambientes em mutação" do prémio Environmental photographer of the year, da CIWEM, organização sem fins lucrativos sediada no Reino Unido que faz consultoria na área da sustentabilidade e da gestão da água.
Uma imagem de uma onda gigante a empurrar um pescador da sua casa em Bombaim venceu o primeiro lugar do concurso que decorre desde 2007. A maior cidade indiana está em risco de inundações costeiras, com o aumento do nível da água do mar. O concurso também procura distinguir fotógrafos que retratem as desigualdades sociais, muitas vezes agudizadas pelas consequências das alterações climáticas, como o aumento da temperatura ou a escassez de água. Este é o resultado.
E tudo o clima mudou: as consequências da crise climática em todo o mundo
Foto vencedora do concurso. Uma onde gigante arrasta um pescador da sua casa, em Bandra. Bombaim está a ser cada vez mais afectada por inundações costeiras, uma consequência da crise climática. SL Shanth Kumar, Bombaim
Quando António Guterres sobrevou Tuvalu, viu que aquele país de 12 mil pessoas no meio do Pacífico estava "na linha da frente da emergência climática global". A razão é simples: as mudanças entram-lhes casa adentro, sem bater à porta. “Podem imaginar a ansiedade das pessoas de Tuvalu ao verem o oceano subir três centímetros todos os anos, quando o seu ponto mais elevado tem apenas cinco metros de altitude”, disse depois o secretário de Estado numa conferência de imprensa, em Maio.
A fotografia que mostra as árvores caídas em Funafati, a capital de um país em risco de desaparecer, foi distinguida na categoria de "ambientes em mutação" do prémio Environmental photographer of the year, da CIWEM, organização sem fins lucrativos sediada no Reino Unido que faz consultoria na área da sustentabilidade e da gestão da água.
Uma imagem de uma onda gigante a empurrar um pescador da sua casa em Bombaim venceu o primeiro lugar do concurso que decorre desde 2007. A maior cidade indiana está em risco de inundações costeiras, com o aumento do nível da água do mar. O concurso também procura distinguir fotógrafos que retratem as desigualdades sociais, muitas vezes agudizadas pelas consequências das alterações climáticas, como o aumento da temperatura ou a escassez de água. Este é o resultado.
30.9.19
As alterações ao Código do Trabalho combatem a precariedade?
Nuno Ferreira Morgado, in Jornal de Negócios
Todas estas alterações pretendem desincentivar o recurso à contratação a termo, desta forma combatendo a precariedade laboral. Mas serão estas medidas aptas a reduzir, como se pretende e anuncia, o nível de utilização da contratação a termo?
A mais recente alteração ao Código do Trabalho vem introduzir limitações relevantes aos regimes que permitem a contratação temporária de trabalhadores.
As alterações agora introduzidas caracterizam-se pela redução da duração máxima dos contratos a termo (de três para dois anos nos contratos a termo certo e de seis para quatro anos nos contratos a termo incerto), pela redução/limitação dos motivos que permitem a contratação a termo (são eliminados os fundamentos da contratação de trabalhadores à procura de primeiro emprego e de desempregados de longa duração, e limitada a possibilidade de contratar a termo por motivo de abertura de estabelecimento ou início de laboração a empresas que tenham até 250 trabalhadores), pela alteração das regras de renovação de contratos a termo e, no caso do trabalho temporário, pela introdução de limitações à renovação de contratos a termo para trabalho temporário.
Acresce, ainda, a criação de uma nova contribuição adicional de Segurança Social que, sendo progressiva, pode atingir 2% do valor total das remunerações-base relativas a contratos a termo em vigência na empresa no ano civil do apuramento. A implementação desta medida depende da publicação de uma portaria do Governo, no primeiro trimestre de cada ano civil, com a definição de um indicador do nível de contratação a termo de um determinado setor de atividade (veremos como será concretizada, tendo em conta que há empresas que desenvolvem uma multiplicidade de atividades que integram vários setores económicos).
Todas estas alterações pretendem desincentivar o recurso à contratação a termo, desta forma combatendo a precariedade laboral. Mas serão estas medidas aptas a reduzir, como se pretende e anuncia, o nível de utilização da contratação a termo?
A resposta é ... evidentemente que não. Basta ter em conta os vários regimes do contrato a termo que vigoraram após 1976. Em 1976, um governo PS, liderado por Mário Soares, aprovou o primeiro regime do contrato de trabalho a termo. Ao abrigo deste regime podiam os empregadores contratar a termo durante três anos, não se exigindo a invocação de um fundamento concreto para o efeito e não havendo limitação ao número de renovações, nem limitação à celebração de contratos sucessivos.
Se se comparar esse regime mais antigo com o atual, vemos que as limitações à contratação a termo em matéria de requisitos formais, temporais e substantivos, se agravaram substancialmente de então para agora. Não obstante esse facto, a verdade é que, entre os países da União Europeia, Portugal continua a registar a terceira maior taxa de emprego com recurso a formas de contratação não permanentes (contratos de trabalho a termo e trabalho temporário).
A razão é simples: a raiz da precariedade laboral não é o facilitismo do regime jurídico na contratação de trabalhadores com cariz temporário, mas antes a inflexibilidade que persiste nos despedimentos.
Em quase todos os países europeus, existem mecanismos simples a que as empresas podem recorrer para que, com rapidez e flexibilidade, se possam adaptar e reduzir o número de trabalhadores em cenários de crise ou redução de atividade. Em Portugal, a evolução neste domínio é praticamente nula, estimulando as empresas a evitar os vínculos permanentes.
Ignorar esta realidade é perpetuar essa precariedade, que irá persistir apesar das limitações às modalidades de contratação temporária, as quais são e continuarão a ser a válvula de escape do sistema.
Temos, pois, muito a evoluir neste domínio.
Todas estas alterações pretendem desincentivar o recurso à contratação a termo, desta forma combatendo a precariedade laboral. Mas serão estas medidas aptas a reduzir, como se pretende e anuncia, o nível de utilização da contratação a termo?
A mais recente alteração ao Código do Trabalho vem introduzir limitações relevantes aos regimes que permitem a contratação temporária de trabalhadores.
As alterações agora introduzidas caracterizam-se pela redução da duração máxima dos contratos a termo (de três para dois anos nos contratos a termo certo e de seis para quatro anos nos contratos a termo incerto), pela redução/limitação dos motivos que permitem a contratação a termo (são eliminados os fundamentos da contratação de trabalhadores à procura de primeiro emprego e de desempregados de longa duração, e limitada a possibilidade de contratar a termo por motivo de abertura de estabelecimento ou início de laboração a empresas que tenham até 250 trabalhadores), pela alteração das regras de renovação de contratos a termo e, no caso do trabalho temporário, pela introdução de limitações à renovação de contratos a termo para trabalho temporário.
Acresce, ainda, a criação de uma nova contribuição adicional de Segurança Social que, sendo progressiva, pode atingir 2% do valor total das remunerações-base relativas a contratos a termo em vigência na empresa no ano civil do apuramento. A implementação desta medida depende da publicação de uma portaria do Governo, no primeiro trimestre de cada ano civil, com a definição de um indicador do nível de contratação a termo de um determinado setor de atividade (veremos como será concretizada, tendo em conta que há empresas que desenvolvem uma multiplicidade de atividades que integram vários setores económicos).
Todas estas alterações pretendem desincentivar o recurso à contratação a termo, desta forma combatendo a precariedade laboral. Mas serão estas medidas aptas a reduzir, como se pretende e anuncia, o nível de utilização da contratação a termo?
A resposta é ... evidentemente que não. Basta ter em conta os vários regimes do contrato a termo que vigoraram após 1976. Em 1976, um governo PS, liderado por Mário Soares, aprovou o primeiro regime do contrato de trabalho a termo. Ao abrigo deste regime podiam os empregadores contratar a termo durante três anos, não se exigindo a invocação de um fundamento concreto para o efeito e não havendo limitação ao número de renovações, nem limitação à celebração de contratos sucessivos.
Se se comparar esse regime mais antigo com o atual, vemos que as limitações à contratação a termo em matéria de requisitos formais, temporais e substantivos, se agravaram substancialmente de então para agora. Não obstante esse facto, a verdade é que, entre os países da União Europeia, Portugal continua a registar a terceira maior taxa de emprego com recurso a formas de contratação não permanentes (contratos de trabalho a termo e trabalho temporário).
A razão é simples: a raiz da precariedade laboral não é o facilitismo do regime jurídico na contratação de trabalhadores com cariz temporário, mas antes a inflexibilidade que persiste nos despedimentos.
Em quase todos os países europeus, existem mecanismos simples a que as empresas podem recorrer para que, com rapidez e flexibilidade, se possam adaptar e reduzir o número de trabalhadores em cenários de crise ou redução de atividade. Em Portugal, a evolução neste domínio é praticamente nula, estimulando as empresas a evitar os vínculos permanentes.
Ignorar esta realidade é perpetuar essa precariedade, que irá persistir apesar das limitações às modalidades de contratação temporária, as quais são e continuarão a ser a válvula de escape do sistema.
Temos, pois, muito a evoluir neste domínio.
20.9.19
E se os pobres desaparecessem!
António Sílvio Couto, in Correio do Minho
Afirmar que ‘muita gente vive à custa dos pobres’ é tanto mais escandaloso quanto óbvio: retirem os pobres dos discursos dos políticos – dentro ou fora de campanha eleitoral, nas decisões ou nas promessas – e pouco ficará na agenda e nas notícias; cortem o que muitos sindicalistas almejam para com os pobres e sucumbirão as reivindicações e as lutas; promovam, de verdade, tantos dos pobres que estendem à mão às entidades sociais – entre as quais as da Igreja católica – e perderão sentido certas ações de benemerência básica ou mais subtil.
Verdadeiramente os pobres devem ser ajudados, podem ser cuidados e precisam de ser abolidos… desde que haja vontade social, política e até religiosa.
Conta-se que um grupo de senhoras muito ‘caridosas’ se reuniu para dirimirem entre si um problema: andavam a interferir – na sua linguagem a ‘roubar’ – umas com as outras com os ‘seus’ pobres… tinham de voltar a respeitar o espaço de cada uma.
Por muito que nos custe temos de enfrentar este problema humano, que tantas pessoas escraviza: a pobreza… tenha ela a configuração com que a quisermos revestir.
Digamos:
– uns são pobres no sentido mais material, sem meios de sobrevivência mínimos e suficientes, somando milhões em todo o mundo e centenas de milhar em Portugal, sobrevivendo com salários baixos, má condições de emprego e de habitação, resultando isso em pessoas muitas vezes revoltadas, exploradas e à mingua de pão, de compreensão e até de dignidade;
– outros podem ser pobres na dimensão mais psicológica, onde os aspetos de ignorância, de insuficiente educação e de negligência caminham à mistura com a submissão a tentáculos de forças que usam os pobres para tentarem concretizar os seus objetivos menos dignos, recorrentes e até subterrâneos… embora possa não haver um inventário credível, vemo-los a salpicar muitas das nossa ruas, deambulando sem nexo nem perspetivas de futuro;
– quantos outros pobres podemos vislumbrar na dimensão espiritual, que é muito mais do que meramente religiosa. De facto, quanta gente vive à solta ou à deriva, sem nexo nem controlo, titubeando por entre meros interesses de contexto individualista e à mercê de valores nem sempre condignos da conduta humana. Talvez a expressão – ‘viver como se Deus não existisse’ – possa resumir esta pobreza de índole espiritual, desde a mais básica até à mais complexa. Para que servem tantas lutas e sacrifícios, tantos projetos e dedicações… se tudo acabar na condição de sermos entes meramente materiais? Como se pode dedicar uma vida – breve, média ou longa – só para que haja um contentamento em prazeres passageiros, imediatistas e quase fúteis?
Efetivamente tudo é (ou será) mais agravado se estas ‘pobrezas’ confluírem na mesma vivência e em igual conduta. Talvez andemos excessivamente a cuidar em debelar a pobreza material, mas não demos as devidas condições para combater a pobreza psicológica e emocional nem a de incidência espiritual… Seria como que estivéssemos a construir um edifício onde as traves principais estariam deficientes e as pinturas mais ou menos bonitas, mas prestes a abrir fendas pela sua incipiente construção…
Num tempo onde a expressão ‘qualidade de vida’ pretende rotular a vivência de um certo bem-estar material, erradicar os pobres poderá ser para muitos dar de comer e uns trocos de conforto, mesmo que isso não seja acompanhado do necessário equilíbrio emocional e psicológico. Em muitos casos dá-se o peixe pescado, mas não se ensina a pescar e tão pouco são dadas instruções para que não se viva dependente daquilo que é dado em vez de fazer participar na solução e não em prolongar o problema. Estes pobres presos pela boca continuarão a bajular quem lhes alimenta a fome, controla a liberdade e condiciona o existir.
Aquele estribilho – ‘são razões de viver o que nos falta’ – faz mais vítimas do que a fome de alimento corporal, pois não ter razões de viver é bem mas grave do que passar fome, pois esta pode ser debelada enquanto esse outro valor humano não se preenche com papas e bolos…
Será de perguntar com simplicidade: quais são as fomes que eu alimento? Ou ainda: de que forma ajudo os pobres a libertarem-se das suas peias? Quais os enredos de fome me preocupam mais?
Por muito que nos custe temos de enfrentar este problema humano, que tantas pessoas escraviza: a pobreza… tenha ela a configuração com que a quisermos revestir.
Afirmar que ‘muita gente vive à custa dos pobres’ é tanto mais escandaloso quanto óbvio: retirem os pobres dos discursos dos políticos – dentro ou fora de campanha eleitoral, nas decisões ou nas promessas – e pouco ficará na agenda e nas notícias; cortem o que muitos sindicalistas almejam para com os pobres e sucumbirão as reivindicações e as lutas; promovam, de verdade, tantos dos pobres que estendem à mão às entidades sociais – entre as quais as da Igreja católica – e perderão sentido certas ações de benemerência básica ou mais subtil.
Verdadeiramente os pobres devem ser ajudados, podem ser cuidados e precisam de ser abolidos… desde que haja vontade social, política e até religiosa.
Conta-se que um grupo de senhoras muito ‘caridosas’ se reuniu para dirimirem entre si um problema: andavam a interferir – na sua linguagem a ‘roubar’ – umas com as outras com os ‘seus’ pobres… tinham de voltar a respeitar o espaço de cada uma.
Por muito que nos custe temos de enfrentar este problema humano, que tantas pessoas escraviza: a pobreza… tenha ela a configuração com que a quisermos revestir.
Digamos:
– uns são pobres no sentido mais material, sem meios de sobrevivência mínimos e suficientes, somando milhões em todo o mundo e centenas de milhar em Portugal, sobrevivendo com salários baixos, má condições de emprego e de habitação, resultando isso em pessoas muitas vezes revoltadas, exploradas e à mingua de pão, de compreensão e até de dignidade;
– outros podem ser pobres na dimensão mais psicológica, onde os aspetos de ignorância, de insuficiente educação e de negligência caminham à mistura com a submissão a tentáculos de forças que usam os pobres para tentarem concretizar os seus objetivos menos dignos, recorrentes e até subterrâneos… embora possa não haver um inventário credível, vemo-los a salpicar muitas das nossa ruas, deambulando sem nexo nem perspetivas de futuro;
– quantos outros pobres podemos vislumbrar na dimensão espiritual, que é muito mais do que meramente religiosa. De facto, quanta gente vive à solta ou à deriva, sem nexo nem controlo, titubeando por entre meros interesses de contexto individualista e à mercê de valores nem sempre condignos da conduta humana. Talvez a expressão – ‘viver como se Deus não existisse’ – possa resumir esta pobreza de índole espiritual, desde a mais básica até à mais complexa. Para que servem tantas lutas e sacrifícios, tantos projetos e dedicações… se tudo acabar na condição de sermos entes meramente materiais? Como se pode dedicar uma vida – breve, média ou longa – só para que haja um contentamento em prazeres passageiros, imediatistas e quase fúteis?
Efetivamente tudo é (ou será) mais agravado se estas ‘pobrezas’ confluírem na mesma vivência e em igual conduta. Talvez andemos excessivamente a cuidar em debelar a pobreza material, mas não demos as devidas condições para combater a pobreza psicológica e emocional nem a de incidência espiritual… Seria como que estivéssemos a construir um edifício onde as traves principais estariam deficientes e as pinturas mais ou menos bonitas, mas prestes a abrir fendas pela sua incipiente construção…
Num tempo onde a expressão ‘qualidade de vida’ pretende rotular a vivência de um certo bem-estar material, erradicar os pobres poderá ser para muitos dar de comer e uns trocos de conforto, mesmo que isso não seja acompanhado do necessário equilíbrio emocional e psicológico. Em muitos casos dá-se o peixe pescado, mas não se ensina a pescar e tão pouco são dadas instruções para que não se viva dependente daquilo que é dado em vez de fazer participar na solução e não em prolongar o problema. Estes pobres presos pela boca continuarão a bajular quem lhes alimenta a fome, controla a liberdade e condiciona o existir.
Aquele estribilho – ‘são razões de viver o que nos falta’ – faz mais vítimas do que a fome de alimento corporal, pois não ter razões de viver é bem mas grave do que passar fome, pois esta pode ser debelada enquanto esse outro valor humano não se preenche com papas e bolos…
Será de perguntar com simplicidade: quais são as fomes que eu alimento? Ou ainda: de que forma ajudo os pobres a libertarem-se das suas peias? Quais os enredos de fome me preocupam mais?
Por muito que nos custe temos de enfrentar este problema humano, que tantas pessoas escraviza: a pobreza… tenha ela a configuração com que a quisermos revestir.
Na guerra contra a pobreza, duchas para crianças pobres e “farmácia de rua” em Roma
Alessandro Di Bussolo, Andressa Collet – Cidade do Vaticano, in Vatican News
Os projetos estão sendo inaugurados nesta semana e ganham o apoio da Esmolaria Apostólica, departamento da Santa Sé que pratica a caridade em prol dos pobres e em nome do Papa Francisco. O projeto-piloto das duchas será aberto nesta quinta (18) e a farmácia foi inaugurada na terça (16): em um ano de experimento foram recolhidos e doados quase 9 mil medicamentos a 15 mil pobres.
“Estamos em guerra contra a pobreza”, afirma Lucia Ercoli, presidente de uma associação italiana de médicos voluntários chamada Medicina Solidária. A entidade administra 6 consultórios itinerantes que atendem os marginalizados de Roma, com o suporte da Esmolaria Apostólica, departamento da Santa Sé que pratica a caridade em prol dos pobres e em nome do Papa Francisco.
Um banho de solidariedade para as crianças
A presidente Lucia conta que no Tor Bella Monaca, um bairro considerado símbolo da periferia romana com 30 mil habitantes, eles têm visitado crianças com muitas feridas porque há meses dormem em vans e não conseguem se lavar. Uma das iniciativas da associação para amenizar essa realidade será a inauguração de um projeto-piloto nesta quinta-feira (18) que irá disponibilizar duchas para o banho das crianças de rua. Um centro para a infância do Instituto Salesiano irá disponibilizar o espaço.
O tratamento médico que bate à porta
Já na terça-feira (16), foi inaugurada oficialmente a “farmácia de rua”. Em um ano de experimento, através do Banco Farmacêutico, foram recolhidos e doados quase 9 mil medicamentos, no valor de 88 mil euros, destinados a 15 mil doentes pobres. Entre esse montante de remédios estão sobretudo analgésicos e anti-inflamatórios, mas também medicamentos para tratar doenças crônicas.
A médica Lucia comenta que o “Serviço Sanitário Nacional faz muito, mas não é suficiente, porque não se pode dar alta aos doentes nos hospitais com uma prescrição de remédios, sabendo que nunca poderão pagá-los. É contrário à Constituição Italiana, é como mostrar água a quem tem sede”, finaliza a presidente da associação.
Já o presidente do Banco Farmacêutico, Sergio Daniotti, explica que eles são uma ponte entre a indústria farmacêutica e as entidades próximas aos pobres e necessitados. “Gostamos muito desse projeto porque podemos pedir em modo específico às empresas os medicamentos de que se precisa em determinados momentos. Nós não pedimos mais às empresas de nos doar aquilo que não querem desperdiçar, como normalmente fazemos, mas pedimos uma doação específica para as pessoas que precisam. Acreditamos que essa seja uma maneira para ‘fazer bem o bem’, como nos convida também o Papa Francisco”, conclui.
O novo serviço, ativo sempre aos sábados pela manhã, acontece num ambulatório itinerante que fica na sede dos Voluntários da Prisão Regina Coeli, em Roma. O projeto, além do apoio da Esmolaria Apostólica, conta com a colaboração de empresas farmacêuticas e associações, como Medicina Solidária, Assogenéricos, Banco Farmacêutico e Federação da Ordem dos Farmacêuticos Italianos.
Os projetos estão sendo inaugurados nesta semana e ganham o apoio da Esmolaria Apostólica, departamento da Santa Sé que pratica a caridade em prol dos pobres e em nome do Papa Francisco. O projeto-piloto das duchas será aberto nesta quinta (18) e a farmácia foi inaugurada na terça (16): em um ano de experimento foram recolhidos e doados quase 9 mil medicamentos a 15 mil pobres.
“Estamos em guerra contra a pobreza”, afirma Lucia Ercoli, presidente de uma associação italiana de médicos voluntários chamada Medicina Solidária. A entidade administra 6 consultórios itinerantes que atendem os marginalizados de Roma, com o suporte da Esmolaria Apostólica, departamento da Santa Sé que pratica a caridade em prol dos pobres e em nome do Papa Francisco.
Um banho de solidariedade para as crianças
A presidente Lucia conta que no Tor Bella Monaca, um bairro considerado símbolo da periferia romana com 30 mil habitantes, eles têm visitado crianças com muitas feridas porque há meses dormem em vans e não conseguem se lavar. Uma das iniciativas da associação para amenizar essa realidade será a inauguração de um projeto-piloto nesta quinta-feira (18) que irá disponibilizar duchas para o banho das crianças de rua. Um centro para a infância do Instituto Salesiano irá disponibilizar o espaço.
O tratamento médico que bate à porta
Já na terça-feira (16), foi inaugurada oficialmente a “farmácia de rua”. Em um ano de experimento, através do Banco Farmacêutico, foram recolhidos e doados quase 9 mil medicamentos, no valor de 88 mil euros, destinados a 15 mil doentes pobres. Entre esse montante de remédios estão sobretudo analgésicos e anti-inflamatórios, mas também medicamentos para tratar doenças crônicas.
A médica Lucia comenta que o “Serviço Sanitário Nacional faz muito, mas não é suficiente, porque não se pode dar alta aos doentes nos hospitais com uma prescrição de remédios, sabendo que nunca poderão pagá-los. É contrário à Constituição Italiana, é como mostrar água a quem tem sede”, finaliza a presidente da associação.
Já o presidente do Banco Farmacêutico, Sergio Daniotti, explica que eles são uma ponte entre a indústria farmacêutica e as entidades próximas aos pobres e necessitados. “Gostamos muito desse projeto porque podemos pedir em modo específico às empresas os medicamentos de que se precisa em determinados momentos. Nós não pedimos mais às empresas de nos doar aquilo que não querem desperdiçar, como normalmente fazemos, mas pedimos uma doação específica para as pessoas que precisam. Acreditamos que essa seja uma maneira para ‘fazer bem o bem’, como nos convida também o Papa Francisco”, conclui.
O novo serviço, ativo sempre aos sábados pela manhã, acontece num ambulatório itinerante que fica na sede dos Voluntários da Prisão Regina Coeli, em Roma. O projeto, além do apoio da Esmolaria Apostólica, conta com a colaboração de empresas farmacêuticas e associações, como Medicina Solidária, Assogenéricos, Banco Farmacêutico e Federação da Ordem dos Farmacêuticos Italianos.
A pobreza como crime contra a humanidade?
Feliciano Barreiras Duarte, in Sol
Se não transformarmos as periferias será um desastre, porque os centros das cidades vão tornar-se cada vez mais pequenos museus, centros comerciais a céu aberto» – quem o diz é Renzo Piano, arquiteto e prémio Pritzker.
Na mais recente edição das conferências do Estoril, Bernard Kouchner, com o peso de uma vida rica e cheia de dedicação e trabalho a várias causas – de onde se destacam a de ativista por causas difíceis que estiveram na origem da criação dos Médicos Sem Fronteiras, dos Médicos do Mundo – e na sua condição de ministro (quer da Saúde, quer dos Negócios Estrangeiros) em França, quase no mesmo sentido, propôs que a pobreza possa ser considerada um crime contra a humanidade. Até porque os pobres, são pobres. E até politicamente é muito perigoso que se cataloguem divisões entre pobres de esquerda e pobres de direita. Uns prioritários, outros nem tanto, como se percebe que a extrema-esquerda quer impor.
É um tema que não pode deixar de ser tratado como prioritário. À escala global, continental e nacional.
Um tema que as Nações Unidas – e bem – têm tratado como fundamental no século XXI.
E que não pode ser qualificado como um tema ‘politicamente correto’, seja nas cimeiras e nas conferências de países recetores de ajudas ao desenvolvimento, seja também nas cimeiras e conferências dos países e organizações ‘doadores’, e não só de dinheiro.
São muitos os indicadores económicos e sociais que nos devem fazer corar de vergonha, por confirmarem que a pobreza e as desigualdades económicas e sociais, estão a aumentar em muitos países e continentes.
Com consequências que poderão vir a aumentar ainda mais as desigualdades, se não se inverterem estas tendências. Com a agravante dos impactos negativos das alterações climáticas à escala global – com a nomadização de milhões de pessoas, com a deterioração das condições de saúde e do acesso aos direitos fundamentais, como o acesso à educação, etc..
Existem vários tipos de pobreza. Como também existem vários critérios para a definição de pobre e de pobreza.
Um pobre na Europa é uma pessoa com os mesmos problemas que um pobre no Biafra, no Bangladesh ou na Mongólia?
A problemática da pobreza é complexa.
Existem, aliás, novas pobrezas. Que são as mais difíceis de debelar. Porque as pobrezas mais clássicas, infelizmente, são as de sempre – associadas à falta de habitação, educação, saúde, trabalho, etc..
As ‘novas pobrezas’ são tão ou ainda mais perigosas. Porque estão associadas àquilo que os mais antigos e sábios classificavam e chamavam de pobreza de espírito e de caráter. Onde a valorização do que é ético, do que é moral, é verdadeiro ou falso, é gelatinoso e variável, conforme os interesses em jogo. Interesses de grupo ou pessoais. Mas, apesar de um cidadão mediamente formado priorizar o combate às pobrezas clássicas, as novas pobrezas andam à solta. E devem merecer o devido acompanhamento, a par do poder negativo das novas ignorâncias.
Mas, sobre as outras pobrezas, parece-me que faz todo o sentido que se assuma a pobreza como um crime contra a humanidade.
É polémico?
É. Mas a ser assim classificado ajudará e muito, em muitos países e em vários continentes, a combater as ‘pobrezas clássicas’ e também ‘as novas pobrezas’.
olharaocentro@sol.pt
Se não transformarmos as periferias será um desastre, porque os centros das cidades vão tornar-se cada vez mais pequenos museus, centros comerciais a céu aberto» – quem o diz é Renzo Piano, arquiteto e prémio Pritzker.
Na mais recente edição das conferências do Estoril, Bernard Kouchner, com o peso de uma vida rica e cheia de dedicação e trabalho a várias causas – de onde se destacam a de ativista por causas difíceis que estiveram na origem da criação dos Médicos Sem Fronteiras, dos Médicos do Mundo – e na sua condição de ministro (quer da Saúde, quer dos Negócios Estrangeiros) em França, quase no mesmo sentido, propôs que a pobreza possa ser considerada um crime contra a humanidade. Até porque os pobres, são pobres. E até politicamente é muito perigoso que se cataloguem divisões entre pobres de esquerda e pobres de direita. Uns prioritários, outros nem tanto, como se percebe que a extrema-esquerda quer impor.
É um tema que não pode deixar de ser tratado como prioritário. À escala global, continental e nacional.
Um tema que as Nações Unidas – e bem – têm tratado como fundamental no século XXI.
E que não pode ser qualificado como um tema ‘politicamente correto’, seja nas cimeiras e nas conferências de países recetores de ajudas ao desenvolvimento, seja também nas cimeiras e conferências dos países e organizações ‘doadores’, e não só de dinheiro.
São muitos os indicadores económicos e sociais que nos devem fazer corar de vergonha, por confirmarem que a pobreza e as desigualdades económicas e sociais, estão a aumentar em muitos países e continentes.
Com consequências que poderão vir a aumentar ainda mais as desigualdades, se não se inverterem estas tendências. Com a agravante dos impactos negativos das alterações climáticas à escala global – com a nomadização de milhões de pessoas, com a deterioração das condições de saúde e do acesso aos direitos fundamentais, como o acesso à educação, etc..
Existem vários tipos de pobreza. Como também existem vários critérios para a definição de pobre e de pobreza.
Um pobre na Europa é uma pessoa com os mesmos problemas que um pobre no Biafra, no Bangladesh ou na Mongólia?
A problemática da pobreza é complexa.
Existem, aliás, novas pobrezas. Que são as mais difíceis de debelar. Porque as pobrezas mais clássicas, infelizmente, são as de sempre – associadas à falta de habitação, educação, saúde, trabalho, etc..
As ‘novas pobrezas’ são tão ou ainda mais perigosas. Porque estão associadas àquilo que os mais antigos e sábios classificavam e chamavam de pobreza de espírito e de caráter. Onde a valorização do que é ético, do que é moral, é verdadeiro ou falso, é gelatinoso e variável, conforme os interesses em jogo. Interesses de grupo ou pessoais. Mas, apesar de um cidadão mediamente formado priorizar o combate às pobrezas clássicas, as novas pobrezas andam à solta. E devem merecer o devido acompanhamento, a par do poder negativo das novas ignorâncias.
Mas, sobre as outras pobrezas, parece-me que faz todo o sentido que se assuma a pobreza como um crime contra a humanidade.
É polémico?
É. Mas a ser assim classificado ajudará e muito, em muitos países e em vários continentes, a combater as ‘pobrezas clássicas’ e também ‘as novas pobrezas’.
olharaocentro@sol.pt
Ano letivo. Há ciganos com coragem para iniciar a escola aos 13, mas a outros ainda faltam banhos
in Expresso
Entre os ciganos de Ovar há quem tivesse coragem para iniciar a escola só aos 13 anos, contrariando proibições familiares, mas elementos do projeto de inclusão "Agitana-te" defenderam hoje que essa evolução educativa ainda coexiste com fraca higiene pessoal
Agora que o programa da Cruz Vermelha de Ovar e da Cerciovar inicia mais uma temporada de ações em que várias entidades colaboram para diminuir o abandono escolar e o casamento precoce entre a etnia cigana, o balanço é positivo, mas técnicos sociais e professores reconhecem que a mudança se processa lentamente.
Branca Silva é diretora do Agrupamento de Escolas Ovar Sul, dá aulas há 23 anos na Escola EB23 Monsenhor Miguel Oliveira, "onde sempre houve alunos de etnia cigana", e começa por reconhecer que casos como o de Júlio César Monteiro, que nos anos 90 ingressou pela primeira vez no 1.º grau de escolaridade quando já tinha 13 anos de idade, "são raros e de louvar".
A professora explica porquê: "É preciso muita coragem para um cigano fazer frente aos pais, ainda para mais nessa altura, há 20 anos atrás, quando a cultura deles era ainda mais fechada. Hoje ainda há pais ciganos que não querem os filhos a estudar, mas já se nota uma diferença de atitude muito grande e, quando lhes dizemos para inscreverem os miúdos na escola, já não é uma luta tão grande como antes".
Júlio César, que hoje tem 46 anos, confessa que teve muitas discussões com o pai sobre o assunto e que só resolveu o problema agindo pela calada. "Ele cismava que eu não podia ir, mas fui-me matricular sem ele saber e, quando ele descobriu, já não pôde fazer nada", revela.
Ser "um gigante entre os pequenitos" da primeira classe até teve graça porque aprender a ler e a escrever era orgulho que superava essas e outras inibições. A dificuldade maior foi que, aos 16 anos, já Júlio se casava com uma menina de 13 e não conseguia conciliar todas as obrigações. Acabou por deixar as aulas e só mais tarde lhes deu continuidade até ao 8.º ano, já num curso de qualificação para adultos.
Recordando esses tempos, o cigano não hesita, contudo, em dizer que contrariar o pai valeu o esforço e foi das melhores coisas que fez na vida. Precisamente por isso é que aceitou de bom grado quando as técnicas do projeto "Agitana-te" apareceram no seu acampamento a oferecerem acompanhamento pedagógico aos filhos. Júlio tem cinco, todos frequentaram a escola e, embora "o mais esperto da família" tenha deixado as aulas para casar, o pai confia que Ana, a mais nova dos irmãos, completará a escolaridade obrigatória.
"Ela só não faz a escola toda se não quiser. Desde que não se perca em namoros, anda lá o mais que puder", garante o pai.
Branca Silva lamenta que essa mentalidade ainda seja frequente entre as 12 comunidades ciganas de Ovar, sobretudo no que se refere ao sexo feminino, o que impede muitas jovens de usufruírem de experiências pedagógicas habituais em todos os programas letivos. "A cultura cigana castiga muito as mulheres e há raparigas que não têm autorização para ir a visitas de estudo porque os pais têm receio que elas se apaixonem por rapazes 'brancos' e depois queiram fugir", refere como exemplo.
Do outro lado da equação, também nem tudo está resolvido. A diretora do Agrupamento assume que, "tal como em tudo na vida, há professores mais sensíveis do que outros" às questões da integração social e reconhece alguma intolerância também por parte da comunidade docente, embora a atribua menos a preconceito do que a medo puro.
"Os professores da casa são totalmente diferentes, porque já fazem este trabalho há muito tempo, conhecem a comunidade cigana de Ovar e foram vendo a mudança ao longo dos anos, mas, quando recebemos docentes novos, pode ser muito complicado porque alguns vêm de escolas muito problemáticas, em que havia casos de violência, e ao princípio têm medo - medo mesmo! - de lidar com estes miúdos ou com os pais deles, por recearem pela sua própria integridade física", diz Branca Silva.
A professora realça, aliás, que, na sua escola, "os miúdos com pior comportamento até são os outros", não-ciganos, pelo que aconselha aos novatos evitarem ideias predefinidas e, com um suspiro, afirma: "Estas coisas levam o seu tempo. Temos é que tentar fazer o melhor que podemos a cada dia".
Nessa perspetiva, um aspeto que todos os envolvidos no projeto "Agitana-te" consideram essencial é a mudança de comportamentos ao nível de higiene individual, que nem sempre é a melhor entre os miúdos ciganos.
A educadora social Maria João garante que, na maioria dos casos, não é possível detetar qualquer diferença de aparência entre miúdos "ciganos e brancos" porque todos tomam banho com frequência e vestem roupas limpas - Ana Monteiro Soares por exemplo, só se destaca nos seus 12 anos pelos cabelos fartos e olhos intensos, bem delineados a lápis preto - , mas reconhece que esse cuidado e brio ainda não é prática geral entre os jovens da mesma etnia.
"Nem todos se apresentam com o mesmo arranjo porque isso depende muitos das condições que eles têm no acampamento onde vivem - e não se consegue mostrar na escola aquilo que não se tem em casa", defende.
Branca Silva declara que essa questão é "o primeiro entrave" a um relacionamento em pé de igualdade entre a população dominante e a etnia minoritária e, identificando as famílias ciganas de uma determinada localidade de Ovar como as que vivem em condições piores, conclui: "Nesse acampamento não há as condições de habitabilidade mínimas! Se a vida deles não mudar lá, nós aqui na escola não vamos poder fazer tudo".
Entre os ciganos de Ovar há quem tivesse coragem para iniciar a escola só aos 13 anos, contrariando proibições familiares, mas elementos do projeto de inclusão "Agitana-te" defenderam hoje que essa evolução educativa ainda coexiste com fraca higiene pessoal
Agora que o programa da Cruz Vermelha de Ovar e da Cerciovar inicia mais uma temporada de ações em que várias entidades colaboram para diminuir o abandono escolar e o casamento precoce entre a etnia cigana, o balanço é positivo, mas técnicos sociais e professores reconhecem que a mudança se processa lentamente.
Branca Silva é diretora do Agrupamento de Escolas Ovar Sul, dá aulas há 23 anos na Escola EB23 Monsenhor Miguel Oliveira, "onde sempre houve alunos de etnia cigana", e começa por reconhecer que casos como o de Júlio César Monteiro, que nos anos 90 ingressou pela primeira vez no 1.º grau de escolaridade quando já tinha 13 anos de idade, "são raros e de louvar".
A professora explica porquê: "É preciso muita coragem para um cigano fazer frente aos pais, ainda para mais nessa altura, há 20 anos atrás, quando a cultura deles era ainda mais fechada. Hoje ainda há pais ciganos que não querem os filhos a estudar, mas já se nota uma diferença de atitude muito grande e, quando lhes dizemos para inscreverem os miúdos na escola, já não é uma luta tão grande como antes".
Júlio César, que hoje tem 46 anos, confessa que teve muitas discussões com o pai sobre o assunto e que só resolveu o problema agindo pela calada. "Ele cismava que eu não podia ir, mas fui-me matricular sem ele saber e, quando ele descobriu, já não pôde fazer nada", revela.
Ser "um gigante entre os pequenitos" da primeira classe até teve graça porque aprender a ler e a escrever era orgulho que superava essas e outras inibições. A dificuldade maior foi que, aos 16 anos, já Júlio se casava com uma menina de 13 e não conseguia conciliar todas as obrigações. Acabou por deixar as aulas e só mais tarde lhes deu continuidade até ao 8.º ano, já num curso de qualificação para adultos.
Recordando esses tempos, o cigano não hesita, contudo, em dizer que contrariar o pai valeu o esforço e foi das melhores coisas que fez na vida. Precisamente por isso é que aceitou de bom grado quando as técnicas do projeto "Agitana-te" apareceram no seu acampamento a oferecerem acompanhamento pedagógico aos filhos. Júlio tem cinco, todos frequentaram a escola e, embora "o mais esperto da família" tenha deixado as aulas para casar, o pai confia que Ana, a mais nova dos irmãos, completará a escolaridade obrigatória.
"Ela só não faz a escola toda se não quiser. Desde que não se perca em namoros, anda lá o mais que puder", garante o pai.
Branca Silva lamenta que essa mentalidade ainda seja frequente entre as 12 comunidades ciganas de Ovar, sobretudo no que se refere ao sexo feminino, o que impede muitas jovens de usufruírem de experiências pedagógicas habituais em todos os programas letivos. "A cultura cigana castiga muito as mulheres e há raparigas que não têm autorização para ir a visitas de estudo porque os pais têm receio que elas se apaixonem por rapazes 'brancos' e depois queiram fugir", refere como exemplo.
Do outro lado da equação, também nem tudo está resolvido. A diretora do Agrupamento assume que, "tal como em tudo na vida, há professores mais sensíveis do que outros" às questões da integração social e reconhece alguma intolerância também por parte da comunidade docente, embora a atribua menos a preconceito do que a medo puro.
"Os professores da casa são totalmente diferentes, porque já fazem este trabalho há muito tempo, conhecem a comunidade cigana de Ovar e foram vendo a mudança ao longo dos anos, mas, quando recebemos docentes novos, pode ser muito complicado porque alguns vêm de escolas muito problemáticas, em que havia casos de violência, e ao princípio têm medo - medo mesmo! - de lidar com estes miúdos ou com os pais deles, por recearem pela sua própria integridade física", diz Branca Silva.
A professora realça, aliás, que, na sua escola, "os miúdos com pior comportamento até são os outros", não-ciganos, pelo que aconselha aos novatos evitarem ideias predefinidas e, com um suspiro, afirma: "Estas coisas levam o seu tempo. Temos é que tentar fazer o melhor que podemos a cada dia".
Nessa perspetiva, um aspeto que todos os envolvidos no projeto "Agitana-te" consideram essencial é a mudança de comportamentos ao nível de higiene individual, que nem sempre é a melhor entre os miúdos ciganos.
A educadora social Maria João garante que, na maioria dos casos, não é possível detetar qualquer diferença de aparência entre miúdos "ciganos e brancos" porque todos tomam banho com frequência e vestem roupas limpas - Ana Monteiro Soares por exemplo, só se destaca nos seus 12 anos pelos cabelos fartos e olhos intensos, bem delineados a lápis preto - , mas reconhece que esse cuidado e brio ainda não é prática geral entre os jovens da mesma etnia.
"Nem todos se apresentam com o mesmo arranjo porque isso depende muitos das condições que eles têm no acampamento onde vivem - e não se consegue mostrar na escola aquilo que não se tem em casa", defende.
Branca Silva declara que essa questão é "o primeiro entrave" a um relacionamento em pé de igualdade entre a população dominante e a etnia minoritária e, identificando as famílias ciganas de uma determinada localidade de Ovar como as que vivem em condições piores, conclui: "Nesse acampamento não há as condições de habitabilidade mínimas! Se a vida deles não mudar lá, nós aqui na escola não vamos poder fazer tudo".
Portugal é dos países da OCDE onde a taxa de emprego de imigrantes é superior
Susana Paula, in Negócios on-line
Os imigrantes que residem em Portugal têm das maiores taxas de emprego do conjunto de países da OCDE. Mas a diferença face aos trabalhadores que nasceram no país continua a ser significativa.
Os imigrantes que residem em Portugal têm das maiores taxas de emprego do conjunto das economias da OCDE, que publicou nesta quarta-feira, 18 de setembro, uma análise aprofundada sobre migrações.
Segundo o relatório, a taxa de emprego dos imigrantes que vivem em Portugal subiu para 75,1% em 2018, das mais altas entre os países da OCDE. Só na Islândia, na República Checa, em Israel, na Nova Zelândia, no Chile e na Suíça é que os imigrantes têm taxas de emprego mais elevadas do que a verificada em Portugal.
Face ao ano passado, a taxa de emprego verificada entre imigrantes subiu 0,8 pontos percentuais, ao mesmo tempo que a taxa de desemprego diminuiu 1,5 pontos (para 8,5%). Embora esta queda seja das mais expressivas entre os países da OCDE, a taxa de desemprego entre migrantes está a meio da tabela.
Mas esta melhoria do mercado de trabalho para imigrantes não acontece só em Portugal, embora o país pontue melhor do que a média. Segundo o relatório, a taxa de desemprego dos migrantes desce de 9,4% para 8,7% entre 2017 e 2018. A mesma tendência positiva verifica-se na taxa de emprego: em média, mais de dois terços dos migrantes estavam empregados em 2018 nos países da OECD (68,3%).
Com estes indicadores, a OCDE conclui que as melhorias verificadas no mercado de trabalho, sobretudo nos últimos cinco anos e depois da crise económica internacional, também chegam aos imigrantes.
No entanto, as diferenças entre as taxas de desemprego e de emprego entre imigrantes e nascidos no país mantêm-se praticamente inalteradas no conjunto da OCDE. Neste aspeto, Portugal volta a destacar-se, mas pela negativa: o emprego chega a menos trabalhadores imigrantes do que nascidos no país e essa diferença é de seis pontos percentuais, sendo a quarta mais alta da OCDE.
Também a taxa de desemprego de pessoas que nasceram em Portugal é 1,4 pontos percentuais mais baixa do que a verificada entre imigrantes, praticamente o dobro da média da OCDE. Já a diferença na taxa de emprego é de 0,8 pontos percentuais, mas este ‘gap’ já está em linha com a média.
Número de imigrantes subiu 20% em 2017
Segundo os dados da OCDE, em 2017, Portugal recebeu 40 mil novos imigrantes, mais 20,6% do que em 2016. Deste bolo, 39,5% chegaram ao país através de acordos de circulação livre (como o Schengen), 19,2% eram imigrantes económicos (procuravam trabalho), 35,4% eram familiares e 1,3% eram migrantes humanitários.
Os migrantes que chegaram a Portugal em 2017 são oriundos sobretudo do Brasil, de Itália e de França. Entre os principais países de origem, o Brasil registou a maior subida (4.500) e a China a maior queda (menos 200) nos fluxos de entrada em Portugal comparando com o ano passado.
Os pedidos de asilo aumentaram 22,2% em 2018, alcançando perto de 1.200. A maioria das candidaturas disseram respeito a pessoas oriundas de Angola (200), Ucrânia (100) e da República Democrática do Congo (100). Das 1.000 decisões tomadas em 2018, 59,8% foram positivas.
Por outro lado, a emigração de portugueses para os países da OCDE diminuiu 1,4% para 64 mil. Aproximadamente um em cada quatro (23,5%) destes trabalhadores emigrou para o Reino Unido. Suíça e Alemanha foram os outros dois destinos mais escolhidos pelos portugueses.
Os imigrantes que residem em Portugal têm das maiores taxas de emprego do conjunto de países da OCDE. Mas a diferença face aos trabalhadores que nasceram no país continua a ser significativa.
Os imigrantes que residem em Portugal têm das maiores taxas de emprego do conjunto das economias da OCDE, que publicou nesta quarta-feira, 18 de setembro, uma análise aprofundada sobre migrações.
Segundo o relatório, a taxa de emprego dos imigrantes que vivem em Portugal subiu para 75,1% em 2018, das mais altas entre os países da OCDE. Só na Islândia, na República Checa, em Israel, na Nova Zelândia, no Chile e na Suíça é que os imigrantes têm taxas de emprego mais elevadas do que a verificada em Portugal.
Face ao ano passado, a taxa de emprego verificada entre imigrantes subiu 0,8 pontos percentuais, ao mesmo tempo que a taxa de desemprego diminuiu 1,5 pontos (para 8,5%). Embora esta queda seja das mais expressivas entre os países da OCDE, a taxa de desemprego entre migrantes está a meio da tabela.
Mas esta melhoria do mercado de trabalho para imigrantes não acontece só em Portugal, embora o país pontue melhor do que a média. Segundo o relatório, a taxa de desemprego dos migrantes desce de 9,4% para 8,7% entre 2017 e 2018. A mesma tendência positiva verifica-se na taxa de emprego: em média, mais de dois terços dos migrantes estavam empregados em 2018 nos países da OECD (68,3%).
Com estes indicadores, a OCDE conclui que as melhorias verificadas no mercado de trabalho, sobretudo nos últimos cinco anos e depois da crise económica internacional, também chegam aos imigrantes.
No entanto, as diferenças entre as taxas de desemprego e de emprego entre imigrantes e nascidos no país mantêm-se praticamente inalteradas no conjunto da OCDE. Neste aspeto, Portugal volta a destacar-se, mas pela negativa: o emprego chega a menos trabalhadores imigrantes do que nascidos no país e essa diferença é de seis pontos percentuais, sendo a quarta mais alta da OCDE.
Também a taxa de desemprego de pessoas que nasceram em Portugal é 1,4 pontos percentuais mais baixa do que a verificada entre imigrantes, praticamente o dobro da média da OCDE. Já a diferença na taxa de emprego é de 0,8 pontos percentuais, mas este ‘gap’ já está em linha com a média.
Número de imigrantes subiu 20% em 2017
Segundo os dados da OCDE, em 2017, Portugal recebeu 40 mil novos imigrantes, mais 20,6% do que em 2016. Deste bolo, 39,5% chegaram ao país através de acordos de circulação livre (como o Schengen), 19,2% eram imigrantes económicos (procuravam trabalho), 35,4% eram familiares e 1,3% eram migrantes humanitários.
Os migrantes que chegaram a Portugal em 2017 são oriundos sobretudo do Brasil, de Itália e de França. Entre os principais países de origem, o Brasil registou a maior subida (4.500) e a China a maior queda (menos 200) nos fluxos de entrada em Portugal comparando com o ano passado.
Os pedidos de asilo aumentaram 22,2% em 2018, alcançando perto de 1.200. A maioria das candidaturas disseram respeito a pessoas oriundas de Angola (200), Ucrânia (100) e da República Democrática do Congo (100). Das 1.000 decisões tomadas em 2018, 59,8% foram positivas.
Por outro lado, a emigração de portugueses para os países da OCDE diminuiu 1,4% para 64 mil. Aproximadamente um em cada quatro (23,5%) destes trabalhadores emigrou para o Reino Unido. Suíça e Alemanha foram os outros dois destinos mais escolhidos pelos portugueses.
11.9.19
Salários de jovens licenciados são 50% mais elevados do que dos restantes
Samuel Silva, in Público on-line
À medida que a idade vai avançando a diferença salarial de quem tem uma licenciatura alarga-se ainda mais. Na faixa etária dos 45 aos 54 anos, os trabalhadores com curso superior ganham quase o dobro dos outros, revela relatório da OCDE.
Ter um curso universitário continua a ser a melhor garantia para uma vida profissional mais favorável em Portugal. Os dados do relatório anual sobre educação da Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Económico (OCDE), Education at a Glance, que é apresentado esta terça-feira, coloca o país entre aqueles onde há maiores ganhos para quem tem uma formação superior.
Os licenciados que têm entre 45 e 54 anos ganham quase o dobro dos restantes trabalhadores da mesma faixa etária. A vantagem salarial é inferior entre os mais jovens. Mesmo assim, quem, entre os 25 e os 34 anos, tem uma formação superior, consegue vencimentos 50% mas elevados do que os outros trabalhadores da mesma idade.
Ao longo do Education at a Glance 2019, são vários os indicadores que demonstram os benefícios do ensino superior. O desemprego de longa duração é superior para quem tem como qualificação máxima o 3.º ciclo. Além disso, mais de 80% dos trabalhadores nacionais com ensino superior ganham acima da mediana de rendimentos do país. Na Europa, só a Hungria garante a mesma vantagem a quem tem um curso superior – os restantes são países da América Latina: Chile, Costa Rica, Colômbia e México.
A mediana é um indicador estatístico que fornece o valor central de um conjunto de dados. Ou seja, separa a metade superior da metade inferior de uma população. Ao contrário da média, este indicador não é afectado pela existência de valores extremos, sejam demasiado altos ou demasiado baixos.
Os benefícios de uma formação superior no mercado de trabalho não parecem suficientes para convencer mais jovens a entrar numa universidade e politécnico, ainda que a alternativa para muitos deles seja manter-se inactivo. Portugal continua a ser, de acordo com o relatório da OCDE, um dos países onde há mais jovens que não estudam nem trabalham – os chamados “nem-nem”.
Cerca de 3% dos jovens dos 18 aos 24 anos estão desempregados e não estão a estudar. Portugal está num grupo de países com o mesmo problema em que também se encontram Itália, Espanha e Grécia, que tem a percentagem mais elevada neste indicador, 7,9%.
Já na faixa etária mais jovem, o Education at a Glance salienta que Portugal foi um dos países que mais conseguiu reduzir o número de jovens fora da escola na última década. São cerca de 3% os jovens até aos 18 anos que não estudam, menos 16 pontos percentuais abaixo do que acontecia em 2005 – e a quinta taxa mais baixa de todos os países da OCDE. Este indicador será resultado do aumento da escolaridade mínima obrigatória.
À medida que a idade vai avançando a diferença salarial de quem tem uma licenciatura alarga-se ainda mais. Na faixa etária dos 45 aos 54 anos, os trabalhadores com curso superior ganham quase o dobro dos outros, revela relatório da OCDE.
Ter um curso universitário continua a ser a melhor garantia para uma vida profissional mais favorável em Portugal. Os dados do relatório anual sobre educação da Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Económico (OCDE), Education at a Glance, que é apresentado esta terça-feira, coloca o país entre aqueles onde há maiores ganhos para quem tem uma formação superior.
Os licenciados que têm entre 45 e 54 anos ganham quase o dobro dos restantes trabalhadores da mesma faixa etária. A vantagem salarial é inferior entre os mais jovens. Mesmo assim, quem, entre os 25 e os 34 anos, tem uma formação superior, consegue vencimentos 50% mas elevados do que os outros trabalhadores da mesma idade.
Ao longo do Education at a Glance 2019, são vários os indicadores que demonstram os benefícios do ensino superior. O desemprego de longa duração é superior para quem tem como qualificação máxima o 3.º ciclo. Além disso, mais de 80% dos trabalhadores nacionais com ensino superior ganham acima da mediana de rendimentos do país. Na Europa, só a Hungria garante a mesma vantagem a quem tem um curso superior – os restantes são países da América Latina: Chile, Costa Rica, Colômbia e México.
A mediana é um indicador estatístico que fornece o valor central de um conjunto de dados. Ou seja, separa a metade superior da metade inferior de uma população. Ao contrário da média, este indicador não é afectado pela existência de valores extremos, sejam demasiado altos ou demasiado baixos.
Os benefícios de uma formação superior no mercado de trabalho não parecem suficientes para convencer mais jovens a entrar numa universidade e politécnico, ainda que a alternativa para muitos deles seja manter-se inactivo. Portugal continua a ser, de acordo com o relatório da OCDE, um dos países onde há mais jovens que não estudam nem trabalham – os chamados “nem-nem”.
Cerca de 3% dos jovens dos 18 aos 24 anos estão desempregados e não estão a estudar. Portugal está num grupo de países com o mesmo problema em que também se encontram Itália, Espanha e Grécia, que tem a percentagem mais elevada neste indicador, 7,9%.
Já na faixa etária mais jovem, o Education at a Glance salienta que Portugal foi um dos países que mais conseguiu reduzir o número de jovens fora da escola na última década. São cerca de 3% os jovens até aos 18 anos que não estudam, menos 16 pontos percentuais abaixo do que acontecia em 2005 – e a quinta taxa mais baixa de todos os países da OCDE. Este indicador será resultado do aumento da escolaridade mínima obrigatória.
Um em cada seis portugueses com mais de 50 anos vive com insegurança alimentar
in Público on-line
A insegurança alimentar é o “acesso limitado” ou “incerto”, devido a restrições económicas, a alimentos nutricionalmente adequados para uma alimentação saudável.
Um em cada seis adultos portugueses com mais de 50 anos vive num agregado familiar com insegurança alimentar, revela um estudo realizado por investigadores do Instituto de Saúde Pública da Universidade do Porto (ISPUP) e que foi esta quarta-feira divulgado.
A investigadora Isabel Maia explicou à Lusa que o estudo, publicado na revista Food and Nutrition Bulletin, visava compreender a “prevalência e os determinantes” da insegurança alimentar, assim como “as suas consequências”.
A insegurança alimentar pode descrever-se como o “acesso limitado” ou “incerto”, devido a restrições económicas, a alimentos nutricionalmente adequados para uma alimentação saudável e diária.
Para determinar este índice, os investigadores recorreram a dados da coorte EPIPorto (um estudo populacional do ISPUP que avalia há 20 anos os determinantes de saúde da população adulta que reside no Porto), sendo que nesta investigação participaram 604 indivíduos, com idades entre os 50 e 90 anos.
“Aquilo que pretendemos estudar foi este período do ciclo de vida em que é a meia-idade e os adultos idosos, ou seja, quisemos perceber o quão susceptíveis estavam em insegurança alimentar num período caracterizado pela melhoria de alguns indicadores sociodemográficos, como a taxa de desemprego, ou seja, um período de recuperação da crise económica que Portugal atravessou”, avançou.
Segundo a investigadora, este estudo permitiu concluir, com base numa “série de questões”, que 16,6% dos indivíduos pertenciam a um agregado familiar em que existia insegurança alimentar.
Além desta prevalência, os investigadores também analisaram quais as “características sociodemográficas” que mais se associavam ou estavam relacionadas com a insegurança alimentar.
“Aquilo que nós verificámos foi que as mulheres, os indivíduos que tinham menor escolaridade, os que não eram casados, os indivíduos que tinham uma percepção do rendimento do agregado familiar como insuficiente e aqueles com profissões menos qualificadas apresentavam maior risco de insegurança alimentar”, salientou.
Isabel Maia considerou que esta investigação poderá ser bastante “importante”, uma vez que, ao evidenciar quais são as populações mais vulneráveis à insegurança alimentar, pode servir de suporte científico para decidir estratégias.
“Realçamos que são necessárias medidas para que possamos melhorar o estado de segurança alimentar dos indivíduos face aos números que foram encontrados neste estudo”, concluiu.
A investigadora adiantou ainda que o objectivo do grupo passa agora por “continuar a estudar a insegurança alimentar”, nomeadamente quais as suas consequências e qual a sua prevalência nas crianças.
A insegurança alimentar é o “acesso limitado” ou “incerto”, devido a restrições económicas, a alimentos nutricionalmente adequados para uma alimentação saudável.
Um em cada seis adultos portugueses com mais de 50 anos vive num agregado familiar com insegurança alimentar, revela um estudo realizado por investigadores do Instituto de Saúde Pública da Universidade do Porto (ISPUP) e que foi esta quarta-feira divulgado.
A investigadora Isabel Maia explicou à Lusa que o estudo, publicado na revista Food and Nutrition Bulletin, visava compreender a “prevalência e os determinantes” da insegurança alimentar, assim como “as suas consequências”.
A insegurança alimentar pode descrever-se como o “acesso limitado” ou “incerto”, devido a restrições económicas, a alimentos nutricionalmente adequados para uma alimentação saudável e diária.
Para determinar este índice, os investigadores recorreram a dados da coorte EPIPorto (um estudo populacional do ISPUP que avalia há 20 anos os determinantes de saúde da população adulta que reside no Porto), sendo que nesta investigação participaram 604 indivíduos, com idades entre os 50 e 90 anos.
“Aquilo que pretendemos estudar foi este período do ciclo de vida em que é a meia-idade e os adultos idosos, ou seja, quisemos perceber o quão susceptíveis estavam em insegurança alimentar num período caracterizado pela melhoria de alguns indicadores sociodemográficos, como a taxa de desemprego, ou seja, um período de recuperação da crise económica que Portugal atravessou”, avançou.
Segundo a investigadora, este estudo permitiu concluir, com base numa “série de questões”, que 16,6% dos indivíduos pertenciam a um agregado familiar em que existia insegurança alimentar.
Além desta prevalência, os investigadores também analisaram quais as “características sociodemográficas” que mais se associavam ou estavam relacionadas com a insegurança alimentar.
“Aquilo que nós verificámos foi que as mulheres, os indivíduos que tinham menor escolaridade, os que não eram casados, os indivíduos que tinham uma percepção do rendimento do agregado familiar como insuficiente e aqueles com profissões menos qualificadas apresentavam maior risco de insegurança alimentar”, salientou.
Isabel Maia considerou que esta investigação poderá ser bastante “importante”, uma vez que, ao evidenciar quais são as populações mais vulneráveis à insegurança alimentar, pode servir de suporte científico para decidir estratégias.
“Realçamos que são necessárias medidas para que possamos melhorar o estado de segurança alimentar dos indivíduos face aos números que foram encontrados neste estudo”, concluiu.
A investigadora adiantou ainda que o objectivo do grupo passa agora por “continuar a estudar a insegurança alimentar”, nomeadamente quais as suas consequências e qual a sua prevalência nas crianças.
O futuro do trabalho. Vamos todos ser precários?
Catia Mateus, Sónia M. Lourenço, in Expresso
Nas próximas décadas a flexibilidade vai marcar o mercado laboral. Especialistas defendem a criação de direitos mínimos universais e a aposta na negociação coletiva. Os desafios serão muitos
Na Europa, cerca de 10% da população adulta utiliza plataformas colaborativas para prestar serviços profissionais, como a Uber, a Cabify ou a Deliveroo. Portugal supera a média com 15,6% dos trabalhadores inseridos no que se designa economia das plataformas. Um modelo de trabalho que se caracteriza pela inexistência de vínculo laboral estável, grande flexibilidade, ausência de rendimento fixo e um nível de proteção social inferior ao dos trabalhadores por conta de outrem.
Em 2018 era assim. Como será nas próximas décadas? Caminhamos na direção de uma economia marcada por relações de trabalho mais precárias e de curta duração? E o que é que isso significa sob o ponto de vista das relações de trabalho?
Nas próximas décadas a flexibilidade vai marcar o mercado laboral. Especialistas defendem a criação de direitos mínimos universais e a aposta na negociação coletiva. Os desafios serão muitos
Na Europa, cerca de 10% da população adulta utiliza plataformas colaborativas para prestar serviços profissionais, como a Uber, a Cabify ou a Deliveroo. Portugal supera a média com 15,6% dos trabalhadores inseridos no que se designa economia das plataformas. Um modelo de trabalho que se caracteriza pela inexistência de vínculo laboral estável, grande flexibilidade, ausência de rendimento fixo e um nível de proteção social inferior ao dos trabalhadores por conta de outrem.
Em 2018 era assim. Como será nas próximas décadas? Caminhamos na direção de uma economia marcada por relações de trabalho mais precárias e de curta duração? E o que é que isso significa sob o ponto de vista das relações de trabalho?
Programa de apoio leva cabazes de alimentos a todo o distrito de Évora
in oDigital
O Distrito de Évora é um dos territórios nacionais totalmente preenchido pelo Programa Operacional de Apoio às Pessoas Mais Carenciadas (POAPMC), agora que já estão submetidas com sucesso as 4 candidaturas na 2ª fase do concurso.
Segundo a informação que nos chegou, “o programa tem como principal objectivo apoiar a distribuição de géneros alimentares às pessoas mais carenciadas, por organizações parceiras, públicas ou privadas, bem como o desenvolvimento de medidas de acompanhamento com vista à inclusão social daqueles que são os destinatários do Programa.”
Nesta fase estão submetidas com sucesso as candidaturas ao Território da Zona dos Mármores envolvendo mais de 200 pessoas, com a colaboração directa da Cruz Vermelha de Estremoz, Cantinho Amigo, SC Misericórdia de Borba e SCM de Vila Viçosa. Igualmente com sucesso está submetida a candidatura ao Território Oeste, envolvendo a SC Misericórdia de Montemor o Novo e a Casa do Povo de Vendas Novas, território onde estão incluídas mais de 180 pessoas mais carenciadas.
No Território Leste (Portel, Reguengos de Monsaraz, Redondo e Mourão) a coordenação das ações de distribuição de alimentos está a cargo da ADA (Portel) e envolve igualmente a UNITATE, a ADEREM e a SC Misericórdia de Reguengos de Monsaraz.
Mais de 170 cidadãos carenciados serão beneficiados com esta importante ajuda. Finalmente no Território Norte / SUL (Évora, Arraiolos, Mora e Viana do Alentejo) serão abrangidos cerca de 450 carenciados, envolvendo a Cáritas Diocesana, a SCM de Arraiolos, a SCM de Mora a Associação Terra Mãe.
De acordo com dados do Ministério do Trabalho, foram entregues “mais de 13.500 toneladas de bens desde Novembro de 2017” a cerca de 80 mil pessoas, entre mais de 30 mil agregados familiares. Ainda segundo a mesma fonte, cerca de 80 mil pessoas receberam cabazes de alimentos, o que permitiu a muitas delas pagar despesas como água, luz ou medicamentos. No Distrito de Évora, cabe ao Centro Distrital de Segurança Social, o acompanhamento das acções de distribuição dos alimentos, bem como a implementação e funcionamento da rede de instituições coordenadoras e executoras.
Os resultados obtidos provam que o programa, a par de outras medidas de política social, tem sido um instrumento de sucesso no combate à pobreza e à exclusão social, fenómenos a que se encontram expostos os cidadãos mais desfavorecidos e em situação de carência económica.
O Distrito de Évora é um dos territórios nacionais totalmente preenchido pelo Programa Operacional de Apoio às Pessoas Mais Carenciadas (POAPMC), agora que já estão submetidas com sucesso as 4 candidaturas na 2ª fase do concurso.
Segundo a informação que nos chegou, “o programa tem como principal objectivo apoiar a distribuição de géneros alimentares às pessoas mais carenciadas, por organizações parceiras, públicas ou privadas, bem como o desenvolvimento de medidas de acompanhamento com vista à inclusão social daqueles que são os destinatários do Programa.”
Nesta fase estão submetidas com sucesso as candidaturas ao Território da Zona dos Mármores envolvendo mais de 200 pessoas, com a colaboração directa da Cruz Vermelha de Estremoz, Cantinho Amigo, SC Misericórdia de Borba e SCM de Vila Viçosa. Igualmente com sucesso está submetida a candidatura ao Território Oeste, envolvendo a SC Misericórdia de Montemor o Novo e a Casa do Povo de Vendas Novas, território onde estão incluídas mais de 180 pessoas mais carenciadas.
No Território Leste (Portel, Reguengos de Monsaraz, Redondo e Mourão) a coordenação das ações de distribuição de alimentos está a cargo da ADA (Portel) e envolve igualmente a UNITATE, a ADEREM e a SC Misericórdia de Reguengos de Monsaraz.
Mais de 170 cidadãos carenciados serão beneficiados com esta importante ajuda. Finalmente no Território Norte / SUL (Évora, Arraiolos, Mora e Viana do Alentejo) serão abrangidos cerca de 450 carenciados, envolvendo a Cáritas Diocesana, a SCM de Arraiolos, a SCM de Mora a Associação Terra Mãe.
De acordo com dados do Ministério do Trabalho, foram entregues “mais de 13.500 toneladas de bens desde Novembro de 2017” a cerca de 80 mil pessoas, entre mais de 30 mil agregados familiares. Ainda segundo a mesma fonte, cerca de 80 mil pessoas receberam cabazes de alimentos, o que permitiu a muitas delas pagar despesas como água, luz ou medicamentos. No Distrito de Évora, cabe ao Centro Distrital de Segurança Social, o acompanhamento das acções de distribuição dos alimentos, bem como a implementação e funcionamento da rede de instituições coordenadoras e executoras.
Os resultados obtidos provam que o programa, a par de outras medidas de política social, tem sido um instrumento de sucesso no combate à pobreza e à exclusão social, fenómenos a que se encontram expostos os cidadãos mais desfavorecidos e em situação de carência económica.
Aumento do racismo e intolerância na Finlândia preocupa Conselho da Europa
in Expresso
O país nórdico registou, em 2018, a maior taxa de violência racial e assédio de pessoas de origem africana, segundo um estudo realizado pela União Europeia em 12 países
O Conselho da Europa está preocupado com o aumento dos comentários racistas e insultuosos na Finlândia, que se tornaram "habituais" na internet e cada vez mais frequentes no discurso político, indica um relatório divulgado esta terça-feira.
O país nórdico, frequentemente citado pela sua qualidade de vida e pela igualdade de género, conta apenas com 6,6% da população nascida fora das suas fronteiras, a taxa mais baixa para um país ocidental da União Europeia (UE).
No entanto, a Finlândia registou em 2018 a maior taxa de violência racial e assédio de pessoas de origem africana, segundo um estudo realizado pela UE em 12 países.
"As declarações de ódio racista e intolerante no discurso público estão a aumentar e visam principalmente os requerentes de asilo e os muçulmanos", lamenta a Comissão Contra o Racismo e a Intolerância (CCRI) do Conselho da Europa no seu relatório.
Ao mesmo tempo, na internet, "as expressões de racismo e de xenofobia contra os imigrantes ou pessoas de ascendência africana, as pessoas LGBT e a comunidade judaica são habituais, como as declarações injuriosas em relação aos ciganos", notam os autores do estudo.
No ano passado, 63% das pessoas de origem africana residentes na Finlândia tinham sido vítimas de assédio racista durante os últimos cinco anos, de acordo com um estudo da agência de direitos fundamentais da UE, o nível mais elevado registado nos 12 países estudados.
A CCRI considera que "a resposta das autoridades finlandesas a estes incidentes não pode ser considerada plenamente adequada", embora elogie medidas tomadas recentemente para tentar resolver o problema.
O relatório assinala ainda uma criticada lei que exige a esterilização de pessoas transgénero para poderem ser legalmente reconhecidas como tendo mudado de sexo, pedindo a sua modificação no que se refere àquela exigência.
Em junho, o primeiro-ministro social democrata, Antti Rinne, comprometeu-se a revogar a lei.
O país nórdico registou, em 2018, a maior taxa de violência racial e assédio de pessoas de origem africana, segundo um estudo realizado pela União Europeia em 12 países
O Conselho da Europa está preocupado com o aumento dos comentários racistas e insultuosos na Finlândia, que se tornaram "habituais" na internet e cada vez mais frequentes no discurso político, indica um relatório divulgado esta terça-feira.
O país nórdico, frequentemente citado pela sua qualidade de vida e pela igualdade de género, conta apenas com 6,6% da população nascida fora das suas fronteiras, a taxa mais baixa para um país ocidental da União Europeia (UE).
No entanto, a Finlândia registou em 2018 a maior taxa de violência racial e assédio de pessoas de origem africana, segundo um estudo realizado pela UE em 12 países.
"As declarações de ódio racista e intolerante no discurso público estão a aumentar e visam principalmente os requerentes de asilo e os muçulmanos", lamenta a Comissão Contra o Racismo e a Intolerância (CCRI) do Conselho da Europa no seu relatório.
Ao mesmo tempo, na internet, "as expressões de racismo e de xenofobia contra os imigrantes ou pessoas de ascendência africana, as pessoas LGBT e a comunidade judaica são habituais, como as declarações injuriosas em relação aos ciganos", notam os autores do estudo.
No ano passado, 63% das pessoas de origem africana residentes na Finlândia tinham sido vítimas de assédio racista durante os últimos cinco anos, de acordo com um estudo da agência de direitos fundamentais da UE, o nível mais elevado registado nos 12 países estudados.
A CCRI considera que "a resposta das autoridades finlandesas a estes incidentes não pode ser considerada plenamente adequada", embora elogie medidas tomadas recentemente para tentar resolver o problema.
O relatório assinala ainda uma criticada lei que exige a esterilização de pessoas transgénero para poderem ser legalmente reconhecidas como tendo mudado de sexo, pedindo a sua modificação no que se refere àquela exigência.
Em junho, o primeiro-ministro social democrata, Antti Rinne, comprometeu-se a revogar a lei.
A “desigualdade afectiva” é uma máquina de fazer pobres
Ana Cristina Pereira, in Publico on-line
“A rede de apoio das pessoas pobres é formada por pessoas pobres como elas e por redes institucionais, que dão algum apoio, mas também controlam.” Esta foi uma das conclusões a que chegou a socióloga Elsa Teixeira, depois de entrevistar mulheres que viviam em situação de privação. De dinheiro, mas também de afecto.
Primeiro, a socióloga Elsa Teixeira escolheu Helena Costa Araújo, professora na Faculdade de Psicologia e Ciências da Educação da Universidade do Porto, com práticas de investigação que se debruçam sobre o modo como os contextos são trespassados por relações étnicas, idade, género, orientação sexual, classe social. Depois, escolheu Bernard Lahire, professor na École Normale Supérieure de Lyon, que “explica como é que as nossas disposições para pensar, sentir e agir se formam através da socialização”. Por fim, conheceu Kathleen Lynch, professora na University College Dublin, que “atribui à desigualdade afectiva um papel essencial.” Fez 60 entrevistas em profundidade a 20 mulheres do Norte de Portugal. Cruzou várias dimensões da desigualdade – relacionadas com falta de recursos económicos ou escolaridade, mas também com amor, cuidado, solidariedade, respeito e reconhecimento. E fez a tese de doutoramento sobre “os percursos sociais e educacionais singulares de mulheres pobres e as suas estratégias para enfrentar a pobreza”.
Não estava à espera de encontrar tanta história de negligência, violência, abuso?
Entrevistei mulheres entre os 30 e 45 anos. Todas tinham sido vítimas de violência. Isso surpreendeu-me. Não era só violência doméstica. Tinham sido vítimas de desinteresse ou violência por parte de professores e de depreciação e de bullying por parte de colegas. Foram vítimas de trabalho infantil. Uma começou a trabalhar aos oito anos. Algumas tinham sido vítimas de violência física por parte das patroas. Em crianças iam trabalhar para casa das senhoras e elas batiam-lhes.
E algumas na vida adulta…
Este é um estudo qualitativo, na área das Ciências da Educação, mas muitos outros mostram que mulheres que assistiram ou foram vítimas de violência na infância procuram companheiros violentos. As mulheres que entrevistei conseguiram separar-se dos maridos violentos, mas eles desapareceram da vida dos filhos, o que agravou a situação económica destas famílias. As mulheres sentem que é responsabilidade delas cuidar dos filhos. Este trabalho não é pago. Assumindo essa responsabilidade sozinhas, elas não tinham tanto tempo para cuidar dos filhos como gostariam. Tinham de fazer vários turnos seguidos, por exemplo. [De acordo com a estatística oficial] há mais mulheres a receber Rendimento Social de Inserção [RSI]. Destacam-se as famílias monoparentais. E fala-se destas mulheres que ficam em casa com os filhos pequenos ou doentes…
Como se fossem preguiçosas?
Sim. Como se não existisse tudo isto, que muitas vezes não começa com elas, começa com as mães, com as avós. Como se não existisse esta desigualdade afectiva, esta falta de condições de habitabilidade, esta privação, até ao nível nutricional, que muitas vezes é a causa de dificuldade de aprendizagem. Uma questão interessante é a das redes sociais, que em alguns casos são muito pequenas.
E destituídas de poder?
Exactamente. Há redes que são de apoio e há redes que são de alavancagem. A rede de apoio das pessoas pobres é formada por pessoas pobres como elas e por redes institucionais, que dão algum apoio, mas também controlam. As redes de alavancagem são mais interessantes, porque são heterogéneas, permitem o acesso a mais informação e oportunidade. Às vezes, basta uma pessoa para haver uma oportunidade.
A sua tese é que a pobreza está “profundamente relacionada” com estas desigualdades afectivas.
Os estudos da Psicologia mostram que o trauma tem implicações na aprendizagem. Há uma desmotivação, que acaba por criar insucesso, e, muitas vezes, abandono escolar precoce. Quem tem poucas competências, só arranja trabalhos precários, repetitivos, pouco qualificados. Há este lado. E há outro lado, emocional. Estas mulheres, muitas vezes, sofrem de ansiedade, depressão.
Há sempre sequelas?
Quase todas tinham algum problema de saúde mental, o que também as podia impedir de ter ou de manter um emprego. Faltavam-lhes competências sociais. Algumas arranjavam conflitos facilmente. Tudo isto está relacionado. O facto de ter de trabalhar longe pode causar insegurança, para quem não está habituado a ter grandes horizontes. Se o emprego é longe, pode não haver transportes. Se há transportes, os horários podem não encaixar. Se há transportes e os horários encaixam, pode não haver com quem deixar os filhos. Muitas vezes, as mulheres têm de fazer uma opção entre ir trabalhar e cuidar dos filhos. São muitas variáveis que, se calhar, uma pessoa de classe média, que tem carro ou pode pagar a creche, não compreende.
São muito condicionadas?
Mas nada está determinado. Elas têm de tomar decisões estratégicas. Por exemplo, uma mulher tem duas filhas, vai receber um salário um pouco acima do salário mínimo, o que já a impede de ter algum tipo de apoio. Pode, por exemplo, ter de passar a pagar creche. No fundo, vai receber o mesmo. Qual o interesse de ir trabalhar, não estar com as filhas, se vai receber o mesmo valor? Qualquer pessoa posta perante um dilema destes tem de decidir. E é quase como se esta pessoa, por ser pobre, por receber um subsídio, não tivesse o direito de tomar decisões. As pessoas encontram estratégias para lidar com a pobreza. Na ausência de tudo o resto, a estratégia pode passar pela discussão, pelo conflito. Pode até passar pela violência relativamente a trabalhadores sociais, ou professores, se for a única forma de resolver problemas que respeitam aos filhos.
"Algumas pessoas estão em condições de privação tão fortes que não conseguem ver para lá do dia seguinte. Há uma adaptação psicológica que depois é lida como preguiça."
Às vezes, os problemas parecem simples de resolver, como o da criança com piolhos que não quer ir à escola.
É. Às vezes, as coisas parecem tão evidentes e não são tão evidentes. O champô para os piolhos é muito caro. Havia uma filha, uma mãe e uma avó e todas teriam de usar o champô, não era fácil contornar os problemas. Chamavam piolhosa à criança na escola, mas a mãe não tinha dinheiro para comprar o champô. [Num caso destes] ou a Segurança Social proporciona esse apoio ou o centro e saúde ou isso, que é um problema simples de resolver, acaba por ser um drama.
Com consequências que se podem prolongar na vida adulta…
Claro, porque depois a criança não queria ir à escola e que lhe chamassem de piolhosa. São questões básicas, mas com implicações ao nível da empregabilidade. Muitas destas mulheres com 30 e tal anos já não têm dentes ou têm dentes estragados. Se precisarem de óculos e perceberem que o filho também precisa vão dar ao filho primeiro. Os sacrifícios podem incluir passarem fome para poderem dar comida aos filhos.
Encontrou uma “estratégia de mobilidade social ascendente” relacionada com o futuro dos filhos…
Isso foi a estratégica comum a todas as mulheres que entrevistei: tentar que a vida dos filhos fosse melhor do que a delas. Elas valorizavam muito o papel da escola nesta eventual estratégia de mobilidade. Falavam na importância que davam à escola, nos sacrifícios que tinham de fazer para que os filhos pudessem estudar e ascender a um determinado nível de consumo – a determinadas roupas, a determinada aparência. Tudo isso acaba por ser importante na inclusão social. Falavam nas crianças como sendo a parte mais importante da vida delas.
Além das redes de alavancagem que referiu, por oposição às redes de apoio, mais homogéneas, com menos oportunidades, o que pode fazer a diferença na vida destas mulheres?
A desigualdade afectiva, isto é, o facto de se ter sido ou não vítima de violência doméstica na infância, de se ter ou não uma relação igualitária com o parceiro, de se ter ou não maior apoio emocional, e a ética de trabalho, o estar habituado a planear, a poupar. Algumas pessoas estão em condições de privação tão fortes que não conseguem ver para lá do dia seguinte. Há uma adaptação psicológica que depois é lida como preguiça. Na realidade, a possibilidade de se “autonomizarem” depende, em grande medida, das condições de habitabilidade, da educação, do emprego, dos cuidados de saúde e, muito importante, de condições relacionais e de afecto. Muitas vezes, as políticas sociais entram em conflito com os objectivos a que se propõem. Fazem a defesa da autonomia e da responsabilização (se está a receber um subsídio, tem de dar algo em troca, de trabalhar, de estudar ou de se tratar), mas permitem apenas a sobrevivência, mantêm a pessoa num estado de dependência. O valor é baixo (cem euros para um indivíduo e 200 para uma família, em média). A intervenção não é individualizada, negociada.
A lei fala em contratos de inserção negociados…
Muitas mulheres não se lembravam de ter negociado o contrato de inserção. Lembram-se de lhes terem perguntado: “Concorda que os seus filhos vão à escola? Concorda em arranjar trabalho?” As entrevistas foram realizadas durante a crise. Houve alterações na lei, que diminuíram o valor da prestação [e que acabaram com os apoios complementares]. Estas mulheres não conseguiam sustentar a família com o RSI. E eram criticadas porque viviam à custa de subsídios. Havia mulheres que estavam a sofrer privações e não iam aos correios buscar o vale porque lá estariam vizinhos que iriam ver e criticar.
Elas também interiorizam o estereótipo?
Sim. Algumas também diziam mal dos vizinhos que recebiam RSI. Havia uma transferência do descrédito para os ciganos, para os negros, para os imigrantes. Distinguiam-se de pessoas que percepcionavam como sendo de um estatuto inferior ao delas. Apresentavam-se como pessoas honestas, que tratam bem dos filhos.
Faziam a clássica distinção entre os “bons pobres” e os “maus pobres”?
Essa é também a linguagem dos trabalhadores sociais. Havia mulheres que resistiam a isto e tiveram conflitos. Lembro-me, por exemplo, de uma senhora que durante meses não recebeu o subsídio porque quando foi à assistente social levou uma criança vestida com um fato de uma marca cara, que lhe tinha sido oferecido, já em segunda mão. A assistente social disse-lhe que ela não precisava de apoio. Lá está a ausência de reconhecimento e respeito. Espera-se que as pessoas pobres tenham determinado tipo de comportamentos e determinado tipo de consumos.
Quem não corresponde ao esperado pode ser prejudicado…
Sim, mas os próprios trabalhadores sociais muitas vezes estão numa situação precária e são pressionados para obter resultados. Não há recursos humanos suficientes para ir às casas, conhecer as famílias. Se estiverem no gabinete, não conseguem avaliar bem.
“A rede de apoio das pessoas pobres é formada por pessoas pobres como elas e por redes institucionais, que dão algum apoio, mas também controlam.” Esta foi uma das conclusões a que chegou a socióloga Elsa Teixeira, depois de entrevistar mulheres que viviam em situação de privação. De dinheiro, mas também de afecto.
Primeiro, a socióloga Elsa Teixeira escolheu Helena Costa Araújo, professora na Faculdade de Psicologia e Ciências da Educação da Universidade do Porto, com práticas de investigação que se debruçam sobre o modo como os contextos são trespassados por relações étnicas, idade, género, orientação sexual, classe social. Depois, escolheu Bernard Lahire, professor na École Normale Supérieure de Lyon, que “explica como é que as nossas disposições para pensar, sentir e agir se formam através da socialização”. Por fim, conheceu Kathleen Lynch, professora na University College Dublin, que “atribui à desigualdade afectiva um papel essencial.” Fez 60 entrevistas em profundidade a 20 mulheres do Norte de Portugal. Cruzou várias dimensões da desigualdade – relacionadas com falta de recursos económicos ou escolaridade, mas também com amor, cuidado, solidariedade, respeito e reconhecimento. E fez a tese de doutoramento sobre “os percursos sociais e educacionais singulares de mulheres pobres e as suas estratégias para enfrentar a pobreza”.
Não estava à espera de encontrar tanta história de negligência, violência, abuso?
Entrevistei mulheres entre os 30 e 45 anos. Todas tinham sido vítimas de violência. Isso surpreendeu-me. Não era só violência doméstica. Tinham sido vítimas de desinteresse ou violência por parte de professores e de depreciação e de bullying por parte de colegas. Foram vítimas de trabalho infantil. Uma começou a trabalhar aos oito anos. Algumas tinham sido vítimas de violência física por parte das patroas. Em crianças iam trabalhar para casa das senhoras e elas batiam-lhes.
E algumas na vida adulta…
Este é um estudo qualitativo, na área das Ciências da Educação, mas muitos outros mostram que mulheres que assistiram ou foram vítimas de violência na infância procuram companheiros violentos. As mulheres que entrevistei conseguiram separar-se dos maridos violentos, mas eles desapareceram da vida dos filhos, o que agravou a situação económica destas famílias. As mulheres sentem que é responsabilidade delas cuidar dos filhos. Este trabalho não é pago. Assumindo essa responsabilidade sozinhas, elas não tinham tanto tempo para cuidar dos filhos como gostariam. Tinham de fazer vários turnos seguidos, por exemplo. [De acordo com a estatística oficial] há mais mulheres a receber Rendimento Social de Inserção [RSI]. Destacam-se as famílias monoparentais. E fala-se destas mulheres que ficam em casa com os filhos pequenos ou doentes…
Como se fossem preguiçosas?
Sim. Como se não existisse tudo isto, que muitas vezes não começa com elas, começa com as mães, com as avós. Como se não existisse esta desigualdade afectiva, esta falta de condições de habitabilidade, esta privação, até ao nível nutricional, que muitas vezes é a causa de dificuldade de aprendizagem. Uma questão interessante é a das redes sociais, que em alguns casos são muito pequenas.
E destituídas de poder?
Exactamente. Há redes que são de apoio e há redes que são de alavancagem. A rede de apoio das pessoas pobres é formada por pessoas pobres como elas e por redes institucionais, que dão algum apoio, mas também controlam. As redes de alavancagem são mais interessantes, porque são heterogéneas, permitem o acesso a mais informação e oportunidade. Às vezes, basta uma pessoa para haver uma oportunidade.
A sua tese é que a pobreza está “profundamente relacionada” com estas desigualdades afectivas.
Os estudos da Psicologia mostram que o trauma tem implicações na aprendizagem. Há uma desmotivação, que acaba por criar insucesso, e, muitas vezes, abandono escolar precoce. Quem tem poucas competências, só arranja trabalhos precários, repetitivos, pouco qualificados. Há este lado. E há outro lado, emocional. Estas mulheres, muitas vezes, sofrem de ansiedade, depressão.
Há sempre sequelas?
Quase todas tinham algum problema de saúde mental, o que também as podia impedir de ter ou de manter um emprego. Faltavam-lhes competências sociais. Algumas arranjavam conflitos facilmente. Tudo isto está relacionado. O facto de ter de trabalhar longe pode causar insegurança, para quem não está habituado a ter grandes horizontes. Se o emprego é longe, pode não haver transportes. Se há transportes, os horários podem não encaixar. Se há transportes e os horários encaixam, pode não haver com quem deixar os filhos. Muitas vezes, as mulheres têm de fazer uma opção entre ir trabalhar e cuidar dos filhos. São muitas variáveis que, se calhar, uma pessoa de classe média, que tem carro ou pode pagar a creche, não compreende.
São muito condicionadas?
Mas nada está determinado. Elas têm de tomar decisões estratégicas. Por exemplo, uma mulher tem duas filhas, vai receber um salário um pouco acima do salário mínimo, o que já a impede de ter algum tipo de apoio. Pode, por exemplo, ter de passar a pagar creche. No fundo, vai receber o mesmo. Qual o interesse de ir trabalhar, não estar com as filhas, se vai receber o mesmo valor? Qualquer pessoa posta perante um dilema destes tem de decidir. E é quase como se esta pessoa, por ser pobre, por receber um subsídio, não tivesse o direito de tomar decisões. As pessoas encontram estratégias para lidar com a pobreza. Na ausência de tudo o resto, a estratégia pode passar pela discussão, pelo conflito. Pode até passar pela violência relativamente a trabalhadores sociais, ou professores, se for a única forma de resolver problemas que respeitam aos filhos.
"Algumas pessoas estão em condições de privação tão fortes que não conseguem ver para lá do dia seguinte. Há uma adaptação psicológica que depois é lida como preguiça."
Às vezes, os problemas parecem simples de resolver, como o da criança com piolhos que não quer ir à escola.
É. Às vezes, as coisas parecem tão evidentes e não são tão evidentes. O champô para os piolhos é muito caro. Havia uma filha, uma mãe e uma avó e todas teriam de usar o champô, não era fácil contornar os problemas. Chamavam piolhosa à criança na escola, mas a mãe não tinha dinheiro para comprar o champô. [Num caso destes] ou a Segurança Social proporciona esse apoio ou o centro e saúde ou isso, que é um problema simples de resolver, acaba por ser um drama.
Com consequências que se podem prolongar na vida adulta…
Claro, porque depois a criança não queria ir à escola e que lhe chamassem de piolhosa. São questões básicas, mas com implicações ao nível da empregabilidade. Muitas destas mulheres com 30 e tal anos já não têm dentes ou têm dentes estragados. Se precisarem de óculos e perceberem que o filho também precisa vão dar ao filho primeiro. Os sacrifícios podem incluir passarem fome para poderem dar comida aos filhos.
Encontrou uma “estratégia de mobilidade social ascendente” relacionada com o futuro dos filhos…
Isso foi a estratégica comum a todas as mulheres que entrevistei: tentar que a vida dos filhos fosse melhor do que a delas. Elas valorizavam muito o papel da escola nesta eventual estratégia de mobilidade. Falavam na importância que davam à escola, nos sacrifícios que tinham de fazer para que os filhos pudessem estudar e ascender a um determinado nível de consumo – a determinadas roupas, a determinada aparência. Tudo isso acaba por ser importante na inclusão social. Falavam nas crianças como sendo a parte mais importante da vida delas.
Além das redes de alavancagem que referiu, por oposição às redes de apoio, mais homogéneas, com menos oportunidades, o que pode fazer a diferença na vida destas mulheres?
A desigualdade afectiva, isto é, o facto de se ter sido ou não vítima de violência doméstica na infância, de se ter ou não uma relação igualitária com o parceiro, de se ter ou não maior apoio emocional, e a ética de trabalho, o estar habituado a planear, a poupar. Algumas pessoas estão em condições de privação tão fortes que não conseguem ver para lá do dia seguinte. Há uma adaptação psicológica que depois é lida como preguiça. Na realidade, a possibilidade de se “autonomizarem” depende, em grande medida, das condições de habitabilidade, da educação, do emprego, dos cuidados de saúde e, muito importante, de condições relacionais e de afecto. Muitas vezes, as políticas sociais entram em conflito com os objectivos a que se propõem. Fazem a defesa da autonomia e da responsabilização (se está a receber um subsídio, tem de dar algo em troca, de trabalhar, de estudar ou de se tratar), mas permitem apenas a sobrevivência, mantêm a pessoa num estado de dependência. O valor é baixo (cem euros para um indivíduo e 200 para uma família, em média). A intervenção não é individualizada, negociada.
A lei fala em contratos de inserção negociados…
Muitas mulheres não se lembravam de ter negociado o contrato de inserção. Lembram-se de lhes terem perguntado: “Concorda que os seus filhos vão à escola? Concorda em arranjar trabalho?” As entrevistas foram realizadas durante a crise. Houve alterações na lei, que diminuíram o valor da prestação [e que acabaram com os apoios complementares]. Estas mulheres não conseguiam sustentar a família com o RSI. E eram criticadas porque viviam à custa de subsídios. Havia mulheres que estavam a sofrer privações e não iam aos correios buscar o vale porque lá estariam vizinhos que iriam ver e criticar.
Elas também interiorizam o estereótipo?
Sim. Algumas também diziam mal dos vizinhos que recebiam RSI. Havia uma transferência do descrédito para os ciganos, para os negros, para os imigrantes. Distinguiam-se de pessoas que percepcionavam como sendo de um estatuto inferior ao delas. Apresentavam-se como pessoas honestas, que tratam bem dos filhos.
Faziam a clássica distinção entre os “bons pobres” e os “maus pobres”?
Essa é também a linguagem dos trabalhadores sociais. Havia mulheres que resistiam a isto e tiveram conflitos. Lembro-me, por exemplo, de uma senhora que durante meses não recebeu o subsídio porque quando foi à assistente social levou uma criança vestida com um fato de uma marca cara, que lhe tinha sido oferecido, já em segunda mão. A assistente social disse-lhe que ela não precisava de apoio. Lá está a ausência de reconhecimento e respeito. Espera-se que as pessoas pobres tenham determinado tipo de comportamentos e determinado tipo de consumos.
Quem não corresponde ao esperado pode ser prejudicado…
Sim, mas os próprios trabalhadores sociais muitas vezes estão numa situação precária e são pressionados para obter resultados. Não há recursos humanos suficientes para ir às casas, conhecer as famílias. Se estiverem no gabinete, não conseguem avaliar bem.
Desigualdades na saúde ainda matam na Europa
Por Cristina Lai Men, in TSF
No primeiro relatório sobre a equidade na saúde, a OMS alerta que as diferenças agravaram-se, em algumas regiões. Quem vive em zonas pobres e tem menos instrução, arrisca-se a morrer mais cedo.
As mulheres com menos anos de escolaridade podem morrer até sete anos e meio mais cedo do que aquelas com maior grau de instrução. Nos homens, a diferença é ainda maior. No pior cenário, os homens com menos anos de escola podem morrer entre três a 15,5 mais cedo do que quem tem mais estudos.
A conclusão surge no primeiro relatório da Organização Mundial da Saúde (OMS) sobre a equidade no setor, divulgado esta terça-feira. O documento revela que apesar das medidas adotadas pelos governos europeus, as desigualdades na saúde não melhoraram. Em alguns casos, houve mesmo um agravamento.
A coordenadora do estudo, Christine Brown, lembra que "aqueles que estão a morrer mais cedo, pagaram impostos e contribuíram para o sistema de pensões, mas não chegam a beneficiar do investimento que fizeram. Já os que têm mais recursos e que vivem mais tempo, vão ter esse benefício. Por isso, é também uma questão de justiça social".
O relatório realça que o lugar onde se nasce e se vive pode ter impacto logo nos primeiros anos de vida. A taxa de mortalidade infantil em 35 dos 53 países analisados mostra que nas zonas mais pobres, morrem mais 41 bebés em cada mil logo no primeiro ano de vida. Christine Brown admite que os investigadores ficaram "bastante chocados com os resultados. E não são apenas os bebés. Em quase 75% dos países analisados, a diferença entre a esperança de vida entre as regiões mais e menos desfavorecidas não mudou na última década e em alguns casos, a situação agravou-se".
As disparidades verificam-se entre conjuntos de países. Questionada pela TSF, a coordenadora da OMS para o investimento na saúde e desenvolvimento na Europa destaca que em Portugal e noutros países do sul da Europa, "as mulheres com rendimentos mais baixos apresentam os níveis mais elevados de uma saúde mental fraca".
As desigualdades acentuam-se à medida que os europeus envelhecem. O risco de doenças cardiovasculares, diabetes, tabaco e obesidade é maior nas classes mais desfavorecidas e há grupos em maior risco: os jovens que abandonam a escola mais cedo estão mais sujeitos a doenças mentais e à pobreza, devido à insegurança no mercado de trabalho e por enfrentarem mais períodos de desemprego. Christine Brown avisa que "é assunto que temos de levar muito a sério, porque existe um risco de uma epidemia no futuro. Existe um grupo invisível de pessoas que são os trabalhadores pobres".
Para reduzir as desigualdades, a OMS defende medidas em cinco áreas consideradas críticas:
- Segurança e protecção social;
- Condições de habitabilidade, que incluem por exemplo, a iluminação das ruas, mais espaços verdes, incentivos para senhorios e inquilinos para melhorar o aquecimento das casas;
- Capital social e humano, relacionado com o isolamento, a desconfiança ou a violência contra as mulheres;
- Acesso e qualidade dos cuidados de saúde;
- Emprego e condições de trabalho, no qual se incluem o aumento de salários, a redução de stress, o fim das horas excessivas de trabalho e a redução do trabalho precário.
Christine Brown salienta que "não estamos a dizer que as diferenças vão desaparecer totalmente em quatro anos. O que dizemos é que num tempo médio de duração de um governo, podemos assistir a uma redução das desigualdades entre o topo e os que estão no fundo da tabela". As contas são feitas no relatório: "o investimento de 1% do PIB na protecção social, no mercado de trabalho, na habitação social, num país de 3 milhões de pessoas representa uma melhoria de vida para 10 mil vidas, em quatro anos. Num país de 144 milhões de pessoas, são meio milhão de vidas e creio que em Portugal, para uma população de 10 milhões e 300 mil pessoas, a melhoria de vida com esse investimento de 1% do PIB, beneficiaria 40 mil pessoas".
No primeiro relatório sobre a equidade na saúde, a OMS alerta que as diferenças agravaram-se, em algumas regiões. Quem vive em zonas pobres e tem menos instrução, arrisca-se a morrer mais cedo.
As mulheres com menos anos de escolaridade podem morrer até sete anos e meio mais cedo do que aquelas com maior grau de instrução. Nos homens, a diferença é ainda maior. No pior cenário, os homens com menos anos de escola podem morrer entre três a 15,5 mais cedo do que quem tem mais estudos.
A conclusão surge no primeiro relatório da Organização Mundial da Saúde (OMS) sobre a equidade no setor, divulgado esta terça-feira. O documento revela que apesar das medidas adotadas pelos governos europeus, as desigualdades na saúde não melhoraram. Em alguns casos, houve mesmo um agravamento.
A coordenadora do estudo, Christine Brown, lembra que "aqueles que estão a morrer mais cedo, pagaram impostos e contribuíram para o sistema de pensões, mas não chegam a beneficiar do investimento que fizeram. Já os que têm mais recursos e que vivem mais tempo, vão ter esse benefício. Por isso, é também uma questão de justiça social".
O relatório realça que o lugar onde se nasce e se vive pode ter impacto logo nos primeiros anos de vida. A taxa de mortalidade infantil em 35 dos 53 países analisados mostra que nas zonas mais pobres, morrem mais 41 bebés em cada mil logo no primeiro ano de vida. Christine Brown admite que os investigadores ficaram "bastante chocados com os resultados. E não são apenas os bebés. Em quase 75% dos países analisados, a diferença entre a esperança de vida entre as regiões mais e menos desfavorecidas não mudou na última década e em alguns casos, a situação agravou-se".
As disparidades verificam-se entre conjuntos de países. Questionada pela TSF, a coordenadora da OMS para o investimento na saúde e desenvolvimento na Europa destaca que em Portugal e noutros países do sul da Europa, "as mulheres com rendimentos mais baixos apresentam os níveis mais elevados de uma saúde mental fraca".
As desigualdades acentuam-se à medida que os europeus envelhecem. O risco de doenças cardiovasculares, diabetes, tabaco e obesidade é maior nas classes mais desfavorecidas e há grupos em maior risco: os jovens que abandonam a escola mais cedo estão mais sujeitos a doenças mentais e à pobreza, devido à insegurança no mercado de trabalho e por enfrentarem mais períodos de desemprego. Christine Brown avisa que "é assunto que temos de levar muito a sério, porque existe um risco de uma epidemia no futuro. Existe um grupo invisível de pessoas que são os trabalhadores pobres".
Para reduzir as desigualdades, a OMS defende medidas em cinco áreas consideradas críticas:
- Segurança e protecção social;
- Condições de habitabilidade, que incluem por exemplo, a iluminação das ruas, mais espaços verdes, incentivos para senhorios e inquilinos para melhorar o aquecimento das casas;
- Capital social e humano, relacionado com o isolamento, a desconfiança ou a violência contra as mulheres;
- Acesso e qualidade dos cuidados de saúde;
- Emprego e condições de trabalho, no qual se incluem o aumento de salários, a redução de stress, o fim das horas excessivas de trabalho e a redução do trabalho precário.
Christine Brown salienta que "não estamos a dizer que as diferenças vão desaparecer totalmente em quatro anos. O que dizemos é que num tempo médio de duração de um governo, podemos assistir a uma redução das desigualdades entre o topo e os que estão no fundo da tabela". As contas são feitas no relatório: "o investimento de 1% do PIB na protecção social, no mercado de trabalho, na habitação social, num país de 3 milhões de pessoas representa uma melhoria de vida para 10 mil vidas, em quatro anos. Num país de 144 milhões de pessoas, são meio milhão de vidas e creio que em Portugal, para uma população de 10 milhões e 300 mil pessoas, a melhoria de vida com esse investimento de 1% do PIB, beneficiaria 40 mil pessoas".
BE quer salário mínimo nacional de 650 euros “já em 2020”
in o Observador
Catarina Martins diz que "não é aceitável" que alguém que trabalhe a tempo inteiro não consiga "sair da pobreza". Bloco quer assim 650 euros no setor privado e no setor público "já em 2020".
O BE defendeu esta terça-feira fixar o salário mínimo nacional em 650 euros para os setores público e privado “já´em 2020”, reconhecendo o aumento de “quase 20%” na atual legislatura” mas defendeu que a subida pode ser “mais ambiciosa”.
Na feira semanal de Vila do Prado em Braga, a líder do BE, Catarina Martins, considerou que “não é aceitável” que alguém que trabalhe a tempo inteiro não consiga “sair da pobreza”, mesmo com o aumento de 95 euros ao salário mínimo nacional ao longo da legislatura, que agora é de 635 euros no setor público e 600 no privado.
“É ainda muito baixo, um dos mais baixos da Europa e as compras do supermercado tem o mesmo custo. Precisamos mesmo de reforçar o salário mínimo nacional e o Bloco de Esquerda propõe, já para janeiro de 2020, 650 euros no setor privado e no setor público igual e puxando pelos direitos de todos”, disse a líder bloquista.
Catarina Martins lembrou que nos últimos quatro anos o salário mínimo nacional subiu 95 euros, ou seja, para 700 mil trabalhadores hoje, no fim do ano, é como se tivessem mais de dois meses de salário ao final do ano, mas reforçou que é possível fazer mais. “Podemos ter uma subida mais ambiciosa começando já com 650 euros em janeiro de 2020”, apontou.
“Provamos que era possível subir o salário mínimo nacional nos últimos 4 anos, uma subida de quase 20% que só fez bem à economia, só criou emprego mas é ainda pouco”, finalizou.
Catarina Martins diz que "não é aceitável" que alguém que trabalhe a tempo inteiro não consiga "sair da pobreza". Bloco quer assim 650 euros no setor privado e no setor público "já em 2020".
O BE defendeu esta terça-feira fixar o salário mínimo nacional em 650 euros para os setores público e privado “já´em 2020”, reconhecendo o aumento de “quase 20%” na atual legislatura” mas defendeu que a subida pode ser “mais ambiciosa”.
Na feira semanal de Vila do Prado em Braga, a líder do BE, Catarina Martins, considerou que “não é aceitável” que alguém que trabalhe a tempo inteiro não consiga “sair da pobreza”, mesmo com o aumento de 95 euros ao salário mínimo nacional ao longo da legislatura, que agora é de 635 euros no setor público e 600 no privado.
“É ainda muito baixo, um dos mais baixos da Europa e as compras do supermercado tem o mesmo custo. Precisamos mesmo de reforçar o salário mínimo nacional e o Bloco de Esquerda propõe, já para janeiro de 2020, 650 euros no setor privado e no setor público igual e puxando pelos direitos de todos”, disse a líder bloquista.
Catarina Martins lembrou que nos últimos quatro anos o salário mínimo nacional subiu 95 euros, ou seja, para 700 mil trabalhadores hoje, no fim do ano, é como se tivessem mais de dois meses de salário ao final do ano, mas reforçou que é possível fazer mais. “Podemos ter uma subida mais ambiciosa começando já com 650 euros em janeiro de 2020”, apontou.
“Provamos que era possível subir o salário mínimo nacional nos últimos 4 anos, uma subida de quase 20% que só fez bem à economia, só criou emprego mas é ainda pouco”, finalizou.
Número de jovens com 20 anos no ensino superior cresceu 25% nos últimos quatro anos
in o Observador
O ministro da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior espera que em 2030 seis em cada 10 jovens com 20 anos de idade frequentem o ensino superior.
Mais de metade dos jovens portugueses com 20 anos frequentam o ensino superior, um “aumento significativo de 25%” em relação aos números de 2015, revelou esta terça-feira o ministro da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, Manuel Heitor.
“Este ano marca um passo significativo naquilo que é a confiança dos portugueses no conhecimento”, disse o ministro em Oliveira do Bairro, Aveiro, durante a sessão de abertura do ano escolar do Instituto de Educação e Cidadania (IEC), instituição sem fins lucrativos que tem por missão aproximar os centros de ciência das populações.
Manuel Heitor revelou que Portugal ultrapassou em 2019 uma “marca importante”: mais de 50% dos jovens com 20 anos frequentam o ensino superior”.
“Esta subida é fruto de um esforço coletivo das pessoas e instituições”, reconheceu o ministro, que espera que em 2030 seis em cada 10 jovens com 20 anos de idade frequentem o ensino superior.
O IEC foi uma das instituições que se distinguiu nesta “caminhada para o conhecimento”, reconheceu o ministro.
Mais de 190 mil pessoas participaram, desde 2011, em ações de divulgação científica promovidas pele Instituto fundado pelo professor universitário jubilado Arsélio Pato Carvalho, que tem sede na vila da Mamarrosa, concelho de Oliveira do Bairro.
Com o apoio científico das Universidades de Coimbra e de Aveiro e do Parque de Ciência Biocant (Cantanhede) o IEC apresenta-se como uma escola moderna de ciências e tecnologias, com forte presença em estabelecimentos do primeiro ciclo dos concelhos de Oliveira do Bairro, Anadia, Cantanhede, Figueira da Foz e Aveiro.
No caso de Oliveira do Bairro, o IEC assegura três horas semanais de divulgação de ciência e de apoio a alunos. “A Câmara de Oliveira do Bairro está metida nisto até às orelhas, felizmente”, reconhece Arsélio Pato, lembrando que todas as escolas do concelho estão dotadas de laboratórios funcionais.
“O IEC funciona como um movimento social pela Ciência”, reconheceu hoje a presidente da agência Ciência Viva. As duas instituições assinaram um protocolo de apoio financeiro para dois anos, com um valor de 80 mil euros, que vai permitir ao IEC contratar dois técnicos superiores que vão assegurar a concretização de diversas ações regulares de divulgação científica.
O ministro da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior espera que em 2030 seis em cada 10 jovens com 20 anos de idade frequentem o ensino superior.
Mais de metade dos jovens portugueses com 20 anos frequentam o ensino superior, um “aumento significativo de 25%” em relação aos números de 2015, revelou esta terça-feira o ministro da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, Manuel Heitor.
“Este ano marca um passo significativo naquilo que é a confiança dos portugueses no conhecimento”, disse o ministro em Oliveira do Bairro, Aveiro, durante a sessão de abertura do ano escolar do Instituto de Educação e Cidadania (IEC), instituição sem fins lucrativos que tem por missão aproximar os centros de ciência das populações.
Manuel Heitor revelou que Portugal ultrapassou em 2019 uma “marca importante”: mais de 50% dos jovens com 20 anos frequentam o ensino superior”.
“Esta subida é fruto de um esforço coletivo das pessoas e instituições”, reconheceu o ministro, que espera que em 2030 seis em cada 10 jovens com 20 anos de idade frequentem o ensino superior.
O IEC foi uma das instituições que se distinguiu nesta “caminhada para o conhecimento”, reconheceu o ministro.
Mais de 190 mil pessoas participaram, desde 2011, em ações de divulgação científica promovidas pele Instituto fundado pelo professor universitário jubilado Arsélio Pato Carvalho, que tem sede na vila da Mamarrosa, concelho de Oliveira do Bairro.
Com o apoio científico das Universidades de Coimbra e de Aveiro e do Parque de Ciência Biocant (Cantanhede) o IEC apresenta-se como uma escola moderna de ciências e tecnologias, com forte presença em estabelecimentos do primeiro ciclo dos concelhos de Oliveira do Bairro, Anadia, Cantanhede, Figueira da Foz e Aveiro.
No caso de Oliveira do Bairro, o IEC assegura três horas semanais de divulgação de ciência e de apoio a alunos. “A Câmara de Oliveira do Bairro está metida nisto até às orelhas, felizmente”, reconhece Arsélio Pato, lembrando que todas as escolas do concelho estão dotadas de laboratórios funcionais.
“O IEC funciona como um movimento social pela Ciência”, reconheceu hoje a presidente da agência Ciência Viva. As duas instituições assinaram um protocolo de apoio financeiro para dois anos, com um valor de 80 mil euros, que vai permitir ao IEC contratar dois técnicos superiores que vão assegurar a concretização de diversas ações regulares de divulgação científica.
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