12.1.22

Comissão vai investigar 72 anos de abusos sexuais na Igreja Católica

Cristiana Faria Moreira e Natália Faria, in Público on-line

Quantos crimes de abuso sexual de menores foram cometidos no seio da Igreja Católica portuguesa desde 1950 até à actualidade? Esta é uma das perguntas a que a comissão de investigação presidida por Pedro Strecht vai procurar responder até ao final do ano. Mas não é a única.

Quantas crianças foram sexualmente abusadas no seio da Igreja Católica portuguesa nos últimos 72 anos? Qual o perfil dos abusadores? E das vítimas? Onde ocorreram os abusos? E como é que isso mudou a relação dos portugueses com a Igreja? Estas são algumas das perguntas a que a Comissão Independente para o Estudo dos Abusos de Menores na Igreja (CIEAMI) vai procurar responder até ao final deste ano.

O plano de trabalho está definido e os canais abertos: qualquer denúncia relativa a abusos sexuais de menores perpetrados no seio do clero português pode ser apresentada pelo número 917 110 000), pelo email geral@darvozaosilencio.org ou através do inquérito na página online https://darvozaosilencio.org. Do lado de lá, e já a partir desta terça-feira, estarão os membros do grupo presidido pelo pedopsiquiatra Pedro Strecht, que gozarão de “total autonomia” para destapar a realidade dos abusos sexuais no seio do clero português desde 1950 até à actualidade.

“Não sabemos onde vamos chegar, mas podem contar connosco para não desistirmos”, prometeu Strecht, numa conferência de imprensa realizada esta segunda-feira para apresentar as metodologias de trabalho. Entre a análise de material publicado na imprensa, denúncias somadas na Associação Portuguesa de Apoio à Vítima, Instituto de Apoio à Criança e Procuradoria-Geral da República, e documentos guardados nos arquivos da Igreja Católica, além da auscultação das vítimas ou testemunhas, a CIEAMI propõe-se investigar tudo quanto possa ter acontecido em Portugal desde 1950 até à actualidade, num arco temporal em tudo semelhante ao escolhido em países como França e Alemanha, que desencadearam investigações semelhantes.

O primeiro semestre deverá ser dedicado à recolha de denúncias e à análise documental. No final de 2022, deverá surgir o primeiro relatório. Neste, a equipa procurará ir além da mera recolha quantitativa dos casos ocorridos. “Queremos saber que características têm esses abusos, se se repetem, se há perfis de vítimas, de pessoas abusadoras, de locais de abuso”, adiantou a socióloga e investigadora Ana Nunes de Almeida. De caminho, esta membro da CIEAMI, a par do ex-ministro da Justiça Laborinho Lúcio, do psiquiatra Daniel Sampaio, da assistente social e terapeuta familiar Filipa Tavares e da cineasta Catarina Vasconcelos, vai querer também estudar a forma “como evoluiu a relação dos portugueses com a Igreja Católica”.

De entre as certezas, destaca-se a de que as denúncias que não tenham prescrito e sejam passíveis de investigação serão encaminhadas para as autoridades, nomeadamente para a Procuradoria-Geral da República e Polícia Judiciária. “Não estamos a fazer uma avaliação criminal. Nós estamos a fazer um estudo”, adiantou Laborinho Lúcio, explicando que o grupo “acordou” um critério objectivo para a definição dos casos de abuso que vão considerar no estudo: actos sexuais que têm relevância jurídico-criminal no Código Penal.

Apesar de não ter contactado directamente com os 21 bispos diocesanos, que respondem directamente perante o Vaticano, não detendo a Conferência Episcopal Portuguesa (CEP) poder para forçar a abertura dos respectivos arquivos, Strecht reiterou a sua convicção de que a equipa contará com “total disponibilidade” por parte da Igreja, isto é, poderá ir vasculhar nos arquivos diocesanos, quando e se necessário. E, sendo certo que o trabalho da CIEAMI vai ser custeado pela Igreja, por via de um orçamento “lúcido”, cujos números não chegaram, porém, a ser divulgados, Strecht reiterou que a autonomia face à hierarquia da Igreja é um pressuposto fundamental. De resto, porventura para reforçar esta mensagem, o presidente da CEP, D. José Ornelas, não esteve na conferência de segunda-feira. Nos anteriores encontros com os jornalistas, D. José Ornelas vincara já que a Igreja está predisposta a prestar contas e até a sancionar atitudes de encobrimento destes crimes por parte da hierarquia eclesial.

As metodologias explicitadas esta segunda-feira continuam, porém, a não responder cabalmente a algumas das interrogações que se prendem, conforme chegou a adiantar ao PÚBLICO Nuno Caiado, um dos subscritores da carta em que quase 300 católicos apontavam a urgência desta investigação histórica, com a indefinição quanto ao âmbito da investigação: “Vai ficar pelas dioceses ou vai também aos movimentos e às outras organizações da Igreja, dependentes ou não das dioceses?”.

Independentemente das dúvidas, a Igreja Católica portuguesa junta-se aos países que mostram estar a levar a sério o apelo do Papa para que enfrentem este flagelo. Esta segunda-feira, aliás, Francisco reiterou a sua “firme vontade” de esclarecer os casos de abusos sexuais cometidos no seio de instituições católicas, nomeadamente em centros educativos, paróquias e escolas sob a tutela da Igreja. “Trata-se de crimes sobre os quais deve haver uma firme vontade de esclarecer, examinando os casos individuais para apurar as responsabilidades, fazer justiça às vítimas e impedir que se repitam no futuro semelhantes atrocidades”, declarou.

Alemanha obriga dioceses a documentar casos

O mea culpa da Igreja segue, porém, algo descompassado nos diferentes países europeus. Na Alemanha, por exemplo, o arranque de 2022 já marcou a entrada em vigor da obrigatoriedade de todas as dioceses documentarem de forma “uniforme, transparente e vinculante” todas as denúncias de abusos sexuais imputados aos membros do clero alemão. Isto porque a investigação de 2018 no seio da igreja alemã, e que apontou 3677 casos de abusos cometidos por 1670 clérigos alemães ao longo de setenta anos, concluíra que a maior parte das dioceses vinha fazendo uma “gestão desastrosa dos arquivos”, o que contribuíra para o encobrimento destes crimes, tendo algumas chegado a destruir ou a adulterar documentos incriminatórios.

Em França o processo também segue avançado, tendo os bispos franceses decidido, em Novembro, alienar património para indemnizar várias do que se calcula terem sido as 216 mil vítimas de abusos cometidos por cerca de três mil sacerdotes, entre 1950 e 2020. Já em Itália, nada foi feito ainda para apurar a realidade histórica do clero nesta matéria.

Em Espanha, por seu turno, o problema só agora começou a ser investigado de forma alargada e não por iniciativa dos bispos espanhóis, mas pela Congregação para a Doutrina da Fé, que centraliza as investigações relacionadas com a pedofilia no universo católico. A investigação foi anunciada logo depois de o jornal El País ter depositado nas mãos do Papa Francisco um relatório de 358 páginas contendo denúncias deste tipo de crimes envolvendo 251 membros do clero espanhol.

A interpelação directa do jornal ao Papa deveu-se à recusa dos bispos espanhóis assumirem a dianteira na investigação do seu passado histórico, apesar de, desde que aquele jornal criou um email específico para este tipo de denúncias, terem sido tornados públicos mais de 600 casos, além dos 251 constantes do referido relatório. Na grande maioria dos casos, os crimes foram cometidos no seio de ordens religiosas.


Porto: sala de consumo assistido já tem gestão e abre em março

 André Manuel Correia, in Expresso

O investimento da Câmara Municipal do Porto ronda os 650 mil euros. A sala de consumo vigiado amovível vai ser instalada junto ao Bairro Novo da Pasteleira

A Câmara do Porto vai mesmo avançar com a criação de uma sala de consumo vigiado amovível. O espaço vai ser montado junto ao Bairro Novo da Pasteleira, na rua 25 de Julho, e o investimento total do município irá rondar os 650 mil euros. A abertura está prevista já para o mês de março.

Em reunião privada realizada esta segunda-feira, o executivo liderado por Rui Moreira atribuiu, por unanimidade, a gestão do projeto ao consórcio “Um Porto Seguro”, liderado pela APDES – Agência Piaget para o Desenvolvimento. Esta entidade vai receber 270 mil euros para a operacionalização do equipamento durante um ano, a título experimental.

O programa de consumo vigiado resulta de um protocolo entre a Câmara Municipal do Porto, a ARS Norte, o Serviço de Intervenção nos Comportamentos Aditivos e nas Dependências (SICAD) e o Instituto de Segurança Social, refere a autarquia em comunicado.

Durante a reunião, Rui Moreira frisou que esta “não é uma sala de consumo assistido da Câmara do Porto”. Também a vereadora Cristina Pimentel, com o pelouro da Ação Social, reforçou que “não é o município que define a abordagem” nem tampouco o caderno de encargos. “Nesta matéria não temos sequer competência técnica, essa é da Administração Regional de Saúde do Norte e do SICAD”, esclareceu.

O programa de consumo vigiado será monitorizado e avaliado trimestralmente por uma Comissão de Implementação, Acompanhamento e Avaliação composta por elementos da autarquia, SICAD, ARS Norte, Centro Distrital do Porto da Segurança Social e ainda por um representante do consórcio responsável pela gestão do espaço.

Aumento das pensões chegou a 2,3 milhões de pensionistas da Segurança Social

in Expresso

Em causa estão pensões de velhice, invalidez e sobrevivência pagas por transferência bancária cujo aumento regular “abrangeu cerca de 2,3 milhões de pensionistas e 2,8 milhões de pensões”

Cerca de 2,3 milhões de pensionistas da Segurança Social receberam esta segunda-feira a sua pensão de janeiro, tendo esta sido processada já com o aumento regular que decorre da lei de atualização das pensões.

Em causa estão pensões de velhice, invalidez e sobrevivência pagas por transferência bancária cujo aumento regular “abrangeu cerca de 2,3 milhões de pensionistas e 2,8 milhões de pensões”, segundo indica uma nota publicada esta terça-feira no site da Segurança Social.

Os universos são diferentes pelo facto de existirem pensionistas que recebem mais do que uma pensão, como sucede, por exemplo, a quem recebe uma pensão própria e outra de sobrevivência.

A mesma informação adianta que o aumento em causa correspondeu a um montante total de 10,6 milhões de euros.

“No corrente mês de janeiro, as pensões de velhice, invalidez e de sobrevivência são pagas com o aumento regular previsto para 2022 à luz da legislação que enquadra a fórmula de atualização das pensões”, refere a mesma nota.

Uma portaria publicada em 15 de dezembro veio fixar o aumento das pensões a partir de 01 de janeiro de 2022, determinando que “as pensões e outras prestações atribuídas pelo sistema de Segurança Social e as pensões de aposentação, reforma e invalidez atribuídas pela CGA de montante igual ou inferior a duas vezes o valor do indexante dos apoios sociais (IAS) são atualizadas em 2022 em 1%”, enquanto as de valor compreendido entre duas vezes e seis vezes o valor do IAS são atualizadas em 0,49%, e as de montante superior a seis vezes o valor do IAS são atualizadas em 0,24%.

O diploma que define as regras de atualização das pensões e de outras prestações sociais prevê que se tenha em conta o crescimento médio anual do Produto Interno Bruto (PIB) dos últimos dois anos, terminados no terceiro trimestre, e a variação média dos últimos 12 meses do IPC, sem habitação, disponível em dezembro, ou em 30 de novembro, se aquele valor não estiver disponível à data da assinatura do diploma de atualização.

Estas pensões foram também já sujeitas às taxas de retenção na fonte do IRS em vigor este ano, no caso do continente e Açores, segundo precisou à Lusa fonte oficial do Ministério do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social, em 04 de janeiro.

No caso da Região Autónoma da Madeira, as novas tabelas de retenção apenas serão aplicadas a partir de fevereiro, sendo nessa altura feito o acerto retroativo a janeiro. Isto sucede pelo facto de, nesta região, o diploma das tabelas ter sido publicado em 30 de dezembro, “depois do processamento das pensões de janeiro”, tal como referiu a mesma fonte oficial.

Com as tabelas de retenção na fonte do IRS em vigor em 2022, os pensionistas residentes no continente com uma pensão até 710 euros estão isentos do pagamento deste imposto. Em 2021, esta isenção aplicava-se a pensões até aos 686 euros.

No Açores, o valor de pensões isento de retenção na fonte aumenta de 686 euros, em 2021, para 741 euros em 2022.

Na Região Autónoma da Madeira, os limites de isenção de retenção na fonte para as pensões são iguais aos do continente.

As novas tabelas asseguram um aumento de rendimento líquido mensal aos pensionistas que recebem uma reforma situada entre os 686 e os 710 euros (ou 741 euros se forem residentes nos Açores).

No caso da Caixa Geral de Aposentações, as pensões de janeiro serão pagas no dia 19.


Economia Social vai ter centro de formação específico para criar currículos e programas

in RTP

O setor da economia social vai ter um centro de competências específico, financiado pelo Programa de Recuperação e Resiliência e cujo protocolo é assinado hoje, para definir currículos e programas de formação a implementar na rede de formação profissional.

O anúncio foi feito pela ministra do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social à agência Lusa, que adiantou que hoje vai ser assinado um acordo entre todos os parceiros do Conselho Nacional da Economia Social, para garantir que, à semelhança do que já acontece em sede de Concertação Social, exista um entendimento para a formação na economia social.

"Nunca tinha sido feito um acordo em sede de economia social e estamos a fazer isto pela primeira vez com este conselho nacional da economia social", sublinhou Ana Mendes Godinho.

De acordo com a ministra, trata-se de um acordo para identificar as necessidades de formação específicas na economia social, que inclui a criação de um centro de competências dedicado a este setor e à inovação social, algo que acontece pela primeira vez.

"A ideia é que o centro de competências defina currículos e programas de capacitação de formação, investigação, de conhecimento, em torno do setor social, seja para desenvolver novas respostas, seja para desenvolver programas de formação para dirigentes, seja para desenvolver programas de formação para trabalhadores, que no fundo depois sejam disseminados por toda a rede IEFP [Instituto de Emprego e Formação Profissional]", explicou Ana Mendes Godinho.

Este centro de formação para o setor e a economia social irá ficar instalado na Guarda e será gerido numa parceria entre o IEFP, a Cooperativa António Sérgio e o Centro de Estudos Ibérico da Guarda.

Este centro de competências da economia social é um dos cinco centros que são protocolados hoje, no âmbito do Programa de Recuperação e Resiliência (PRR), com um investimento previsto de cerca de 60 milhões de euros.

Segundo explicou a ministra, dois destes centros vão ter gestão direta do IEFP, enquanto os outros três serão centros de formação protocolados com parceiros, de modo a "haver um maior `match` entre a procura e a oferta, entre a necessidade do mercado e a oferta de formação".

"Estes três novos centros vão ser nas áreas estratégicas evidentes do ponto de vista das prioridades, por um lado a questão da economia e inovação social, outro dedicado à transição verde e outro dedicado à transição digital", revelou.

Em relação ao momento em que estes centros poderão estar operacionais, Ana Mendes Godinho disse que o objetivo é estarem no terreno "nos `timings` que o PRR prevê em termos de execução", ou seja, até 2025, para os centros de formação.

"Depende de cada um deles [parceiros] a sua concretização e execução. O que estamos a fazer é a assinatura dos protocolos para que as entidades parceiras possam começar os trabalhos para arrancar com estes centros", sublinhou.

Ana Mendes Godinho recusou que a assinatura destes protocolos seja uma medida eleitoralista, dado o momento de pré-campanha eleitoral, justificando que os centros ficarão espalhados pelo país e que o governo tem compromissos que tem "mesmo de colocar no terreno".

Há 42 portugueses com 18 anos que recebem RSI desde que nasceram. 60 mil menores têm o apoio social

in Expresso

Mais de 60 mil jovens com menos de 18 anos beneficiam do rendimento social de inserção

Em Portugal, há 42 portugueses com 18 anos que usufruem do rendimento social de inserção (RSI) desde o dia em que nasceram. De acordo com os dados disponibilizados pelo Instituto da Segurança Social (ISS) e analisados pelo “Jornal de Notícias”, este valor corresponde a 1% das pessoas com 18 anos que recebem o apoio social.

De acordo com os mesmos dados, até outubro de 2021, 61.520 jovens com menos de 18 anos usufruem do RSI. O número total de portugueses que beneficia do RSI é de 190.352.

O sociólogo Luís Capucha realça que “há um histórico [em Portugal] de reprodução de condições que geram pobreza. A presença de pessoas que já nasceram pobres é muito grande. Será talvez mais de metade do total de pobres no país”.

O RSI tem estado no centro do debate das legislativas, com o líder do Chega a propor a redução em 25% do total de apoios distribuídos, sugerindo que a fiscalização seja feita usando os métodos que o Fisco usa para vigiar as grandes fortunas.

11.1.22

2022: Ano Europeu da Juventude vai dar «oportunidade para ouvir os jovens» – João Pedro Videira

in Agência Ecclesia

Presidente do Conselho Nacional da Juventude acredita que iniciativa pode ser «ponte de motivação para JMJ Lisboa 2023»

Lisboa, 10 jan 2022 (Ecclesia) – João Pedro Videira, presidente do Conselho Nacional da Juventude (CNJ), disse à Agência ECCLESIA que este Ano Europeu da Juventude veio dar a oportunidade para “ouvir os jovens” e pode ser “ponte” de motivação para a Jornada Mundial da Juventude Lisboa 2023.

“Recebi esta notícia do Ano Europeu da Juventude de forma positiva e com grande esperança, que a Europa nos tem habituado, há um grande ênfase e destaque para a juventude, que é motivo simples e justo, porque as novas gerações com a pandemia ficaram com o futuro suspenso”, refere à Agência ECCLESIA.

O jovem portuense adianta que “vai haver um coordenador nacional para este ano em Portugal” e define que, além das ajudas dos fundos europeus “canalizados para diminuir a diferença que existe nesta geração mais afetada pela pandemia”, terá um lado de motivação à cidadania.

“Há ainda a vontade de colocar os jovens sentados à mesa com decisores políticos para ouvirem de viva voz os problemas do dia a dia dos jovens e, em conjunto, decidirem o seu próprio futuro”.

O presidente do CNJ, uma instituição com 36 anos que reúne diferentes organizações políticas, sindicais, escuteiros, juniores de empresas e federações de associação de estudantes, explica que é muito difícil os jovens em Portugal “concretizarem os seus projetos e aspirações de vida”.

João Pedro Videira identifica que os “jovens portugueses são os que consomem mais ansiolíticos da União Europeia” e mais de 80% sentiram efeitos ao nível psicológico referentes da “pandemia, confinamentos, solidão e aulas à distância”.

“É preciso dar esperança, dar luz e horizontes às pessoas e dar perspetiva que em Portugal podemos ser felizes e podermos concretizar os nosso projetos de vida”, aponta o jovem estudante de Engenharia Mecânica.

O entrevistado assinala que o “imediatismo” a que esta geração está sujeita nem sempre facilita a realidade e o voluntariado, por exemplo, traz outra perspetiva de vida.

“Os jovens têm dificuldades em assumir compromissos, mas depois entram no espirito de missão, o dar sem esperar receber nada em troca, na ajuda ao idoso, na pessoa que precisa de comida, ou medicamentos, dão numa ação de voluntariado, por exemplo na federação académica do Porto tínhamos voluntários universitários em dois centros comunitários e eram mais de 40 jovens que ali ajudavam e se colocavam em contacto com outros mundos e novas experiências”, recorda.

O responsável admite que estas experiências que “permitem desenvolver-se enquanto seres humanos e aumentar a capacidade de relacionamento com as outras pessoas” torna-se atualmente num “aspeto diferenciador na saída para o mercado de trabalho”, fazendo um “currículo único”.

“Quem o faz tem a capacidade de se colocar no lugar das outras pessoas, tem a compaixão e misericórdia de ajudar outra pessoa, depois perceber o impacto que a nossa ação teve na vida da outra pessoa é gratificante”.

É pelos “olhos da fé” que João Pedro Videira vai regendo a sua vida como jovem, estudante e cidadão com várias responsabilidades, os valores cristãos pautam o seu dia-a-dia e acredita que este Ano Europeu da Juventude pode ser “ponte de motivação” para a Jornada Mundial da Juventude (JMJ) Lisboa 2023.

Apesar de “nunca ter estado numa JMJ”, o jovem tem “muita curiosidade” no evento pelos “relatos fascinantes” que conhece de quem já participou e deseja que a edição de 2023, em Lisboa, seja “um marco na história de juventude que Portugal tem”.

“Acredito que não podem faltar momentos de diálogo inter cultural, pôr diferentes culturas em contacto, haver espaços seguros para estes contactos e uma matriz de respeito; garantir, numa vertente mais prática, a segurança, é um evento que vai atrair os holofotes do mundo e é preciso garantir a segurança física das pessoas e considero ser necessário um compromisso alargadíssimo a muitas estruturas com os objetivos que são definidos para esta JMJ”, refere.

Outro aspeto que João Pedro Videira anseia é o “encontro com o Papa”, a figura que veio “dar um novo alento e movimento de captação de jovens à Igreja” e que possa haver oportunidade dos jovens portugueses “estar com o Papa e em harmonia com todos os irmãos que lá vão estar”.

Esta entrevista vai estar em destaque na semana de 10 a 14 de janeiro de 2022, no programa de rádio ECCLESIA, na Antena 1 da rádio pública, pelas 22h45, ficando depois disponível online.

SN

Mais de 60 mil menores precisam do rendimento social de inserção — alguns desde o dia em que nasceram e pelo menos até serem adultos

in SAPO24

Há mais de 60 mil menores a receber o Rendimento Social de Inserção. Aos 18 anos, há 1% a recebê-lo desde o dia em que nasceu, revela o ‘Jornal de Notícias’. Em outubro, havia mais de 190 mil pessoas a necessitar deste apoio social.

Oficialmente, são 42: cerca de 1% das pessoas com 18 anos que recebem o rendimento social e inserção (RSI) precisam deste apoio desde o dia em que nasceram, revela a edição de hoje do ‘Jornal de Notícias’. Porém, o número de portugueses que já nasceram pobres e chegam à idade adulta em situações de vulnerabilidade económica e social pode ser maior, alertam especialistas ouvidos pelo jornal.

O sociólogo Luís Capucha aponta mesmo para que sejam “mais de metade do total de pobres no país”, dado o “histórico de reprodução de condições que geram pobreza. A presença de pessoas que já nasceram pobres é muito grande.” Já o padre Jardim Moreira, presidente da Rede Europeia Anti-Pobreza em Portugal (EAPN), deixa críticas às "políticas públicas que tem perpetuado a pobreza".

Os dados enviados pela Segurança Social ao diário somam 61 520 beneficiários de RSI com idade inferior a 18 anos em outubro de 2021. O valor do apoio é definido consoante a composição e os rendimentos do agregado. No mesmo período e na totalidade, havia 190 352 pessoas a precisar desta prestação social.

"À medida que mais pessoas saem da pobreza, mais tendem a ficar prisioneiros aqueles que nascem em condições muito desfavorecidas", diz Luís Capucha, que aponta para os baixos rendimentos do trabalho e das prestações sociais como algumas das causas. Depois,” os défices fortíssimos de qualificação" são, também, transmitidos de geração em geração, por "mecanismos de exclusão social e escolar".

Jardim Moreira encontra igualmente "causas estruturais e pluridimensionais" na pobreza, como a habitação ou a educação: "Se uma criança desde que nasce não é alimentada suficientemente, quando chegar o tempo da escola, por mais que ela lá esteja, não vai dar o rendimento total. Não terá o desenvolvimento intelectual para assimilar", explica.

Com a pandemia, problemas laborais dos mais novos tornaram-se ainda mais evidentes, seja a precariedade ou a falta de regularização, o "trabalho informal”: "A precariedade é geral para todos os jovens. Mas aqueles que têm percursos complicados de exclusão, condições familiares muito precárias, nem sempre valorizados emocionalmente, esses são ainda mais penalizados", explica Capucha.

Quer o sociólogo, quer o padre Jardim Moreira defendem que o RSI é importante, no entanto, admitem que está cada vez mais "reduzido a uma prestação". Pedem, por isso, um "processo de desenvolvimento integral" de cada beneficiário e a valorização a "componente da inserção".

10.1.22

Mais de 60 mil menores recebem RSI

Rita Neves Costa, in JN

Cerca de 1% das pessoas com 18 anos que recebem o rendimento social de inserção
Pobreza intergeracional pode ser mais abrangente em Portugal do que mostram números oficiais. Mais de 190 mil pessoas precisam de prestação social destinada a situações de carência económica.

Cerca de 1% das pessoas com 18 anos que recebem o rendimento social de inserção (RSI) usufruem do apoio social desde o dia em que nasceram. No total, e de acordo com os números disponibilizados pelo Instituto da Segurança Social (ISS), são 42 pessoas. Apesar dos dados oficiais mostrarem uma realidade diminuta naquela faixa etária, o número de portugueses que nasceram pobres e permanecem numa situação de vulnerabilidade económica e social durante a infância, a adolescência e a idade adulta deverá ser mais vasto, segundo os especialistas ouvidos pelo JN.

"Há um histórico [em Portugal] de reprodução de condições que geram pobreza. A presença de pessoas que já nasceram pobres é muito grande. Será talvez mais de metade do total de pobres no país", avança o sociólogo Luís Capucha. Também o padre Jardim Moreira, presidente da Rede Europeia Anti-Pobreza em Portugal (EAPN), reconhece a realidade e critica as "políticas públicas que tem perpetuado a pobreza".

A Segurança Social contabilizava 61 520 beneficiários de RSI com idade inferior a 18 anos em outubro de 2021. Os titulares do apoio social são um dos pais ou os responsáveis pelo menor, salvo exceções (ver ficha). O valor é definido consoante a composição e os rendimentos do agregado. No mesmo período e na totalidade, eram 190 352 os portugueses a beneficiar da prestação social.

Mesmo com 42 pessoas de 18 anos (num total de 3285) a receber o RSI desde o nascimento, o ISS não precisou se, em idades superiores, haverá situações semelhantes. Por exemplo, jovens de 20 anos ou mais velhos a receber o apoio desde bebés.

Ficar prisioneiro

"À medida que mais pessoas saem da pobreza, mais tendem a ficar prisioneiros aqueles que nascem em condições muito desfavorecidas", diz Luís Capucha, que detalha que os baixos rendimentos do trabalho e das prestações sociais são algumas das causas. Além disso, "os défices fortíssimos de qualificação" são, na maior parte das vezes, transmitidos de geração em geração, por "mecanismos de exclusão social e escolar", afirma o também investigador.

Para o dirigente da EAPN, a pobreza tem "causas estruturais e pluridimensionais", seja na habitação ou na educação dos mais novos. "Se uma criança desde que nasce não é alimentada suficientemente, quando chegar o tempo da escola, por mais que ela lá esteja, não vai dar o rendimento total. Não terá o desenvolvimento intelectual para assimilar", explica.

Durante a pandemia, a crise evidenciou os problemas dos mais novos no trabalho, seja a precariedade ou a falta de regularização, o "trabalho informal" (ler reportagem). "A precariedade é geral para todos os jovens. Mas aqueles que têm percursos complicados de exclusão, condições familiares muito precárias, nem sempre valorizados emocionalmente, esses são ainda mais penalizados", defende Capucha.

Tanto o sociólogo como o padre Jardim Moreira defendem que o RSI é importante, contudo, está cada vez mais "reduzido a uma prestação". É necessário um "processo de desenvolvimento integral" de cada beneficiário e valorizar a "componente da inserção" afirmam.

A vontade de querer mais do que um trabalho mal pago e precário

"Maria" (nome fictício), 23 anos, residente no Porto, tem dois filhos. Tânia, 24 anos, também a viver no Porto, tem dois filhos. Ambas nunca tiveram um contrato laboral no setor da restauração: uma trabalhava a recibos verdes, outra de modo informal. Atualmente são beneficiárias do RSI e, apesar de reconhecerem a importância do apoio, querem deixar de recebê-lo e alcançar a estabilidade financeira e, sobretudo, a realização pessoal.

"Eu trabalhei num restaurante, prometeram-me um contrato e não o fizeram. Decidi vir embora. Num outro trabalho, estive a recibos verdes", conta "Maria" ao JN. A jovem de 23 anos não teve direito ao subsídio de desemprego, foi logo remetida para o rendimento social de inserção.

"Claro que não foi fácil ter de receber o RSI, mas depois vi que era a minha única hipótese". Está há cerca de um ano a receber o apoio. No total, por mês, são 512 euros para quatro pessoas (ela, o companheiro e os dois filhos, um com dois anos e outro com nove meses).

Tânia Andrade também trabalhou na restauração, após ter deixado de estudar aos 16 anos. Nunca descontou. Tinha um horário de 12 horas por dia e não ganhava o ordenado mínimo. O patrão não quis regularizar a situação. "Deixei-me andar", diz hoje, aos 24 anos, e com dois filhos, um de quatro anos e outro de sete meses. Em 2020, uma porta abriu-se.

Oportunidade de Ficar

A jovem está inserida no programa MAREESS do IEFP, que consiste na realização de trabalho socialmente necessário em instituições públicas e do setor solidário durante a pandemia. Começou por limpar e desinfetar os espaços da associação Asas de Ramalde, no Porto. Depois de ter o segundo filho, foi encaminhada para a cozinha. "Gosto muito, a ideia é ficar e deixar de receber o RSI". Neste momento, acumula-o com uma bolsa mensal.

O IEFP confirmou ao JN que a vigência do MAREESS vai até ao final de março deste ano.

Estigma do RSI

Para "Maria", o RSI tem sido uma ajuda "fundamental" para sustentar a família. "Quando saí do meu último emprego, fiquei sem nada. Tendo uma casa, têm de se pagar as despesas", explica. Para ela, que é jovem, diz, "seria muito melhor ter um trabalho".

A ex-empregada de mesa não paga renda, vive numa casa de família. Mas tem outra preocupação: um dos filhos está em lista de espera em quatro infantários. Sem retaguarda familiar, este é um dos fatores que a prejudicam na procura de emprego. Nos últimos anos, a jovem tem sido orientada pelo Centro Paroquial e Social São Nicolau, no Porto, que tem registado várias situações de desemprego em áreas como a hotelaria e a restauração, durante o período pandémico. A instituição disponibiliza serviços, como consultas de Psicologia e programas de dinamização económica.

Tânia e "Maria" têm a perceção de que o RSI é um apoio que não reúne consenso na praça pública e, inclusive, no Parlamento. Talvez por isso há quem não queira assumir ou identificar-se como beneficiário. "Como têm muito [quem critica], acham que o valor não é nada. Mas, o pouco que é, para nós [quem recebe] já é muito", conclui a ex empregada de mesa.

Condições do RSI

Quem tem direito

Pessoas que estejam em situação de pobreza extrema e precisem de melhorar a integração social e profissional. Se viver sozinho, a soma do rendimento mensal não pode ser superior a 189,66 euros.

Quais os valores

O valor máximo do RSI é de 189,66 euros para o titular do apoio, 132,76 para um adulto e 94,83 euros para um menor, que façam parte do agregado familiar.

Condições

O acesso ao RSI depende do valor do património mobiliário, como depósitos bancários e certificados de aforro, que não pode ser superior a 26 328,60 euros.

Menores

Os menores de 18 anos podem aceder por si próprios ao RSI em casos de gravidez, casamento ou união de facto há mais de dois anos ou se tiverem menores ou pessoas com deficiência a seu cargo.

Inserção

Além da prestação, o RSI é composto por um contrato de inserção, constituído por um conjunto de ações que visam garantir a integração social e profissional. O documento é um compromisso sobre a disponibilidade para trabalhar, receber formação ou enveredar por outras formas de inserção.

INE

18,4 % em risco de pobreza

A taxa de risco de pobreza correspondia, em 2020, à proporção de habitantes com rendimentos monetários líquidos (por adulto ) inferiores a 6653 euros, ou seja, 554 euros por mês.

6653 euros rendimento anual

Os dados do Inquérito às Condições de Vida e Rendimento, realizado em 2021, mostram que em 2020 mais de 18% das pessoas estavam em risco de pobreza em Portugal (um aumento de 2,2 pontos percentuais face a 2019).

Pobreza e desigualdades aumentaram nos últimos anos em Portugal

Sónia Peres Pinto, in iOnline

Aumento da pobreza atinge reformados e também alguns trabalhadores. Mas Eugénio Rosa garante que não se distribui de uma forma uniforme.

“A pobreza e as desigualdades continuam a crescer em Portugal: em 2020 o número de pobres aumentou para 1.894.663, os trabalhadores com emprego na pobreza eram já 539.179 e, entre 2020 e 2021, a taxa de risco de pobreza ou exclusão social subiu de 20% para 22,4% com as desigualdades a aumentarem”. A conclusão é de um estudo realizado por Eugénio Rosa.

De acordo com o economista, segundo o INE, em 2020 o limiar da pobreza era de 6653 euros, mas se dividirmos esse valor por 14 meses, obtém-se apenas 475,2 euros por mês. “Em 2020, se uma família - trabalhadora, reformada, etc. - tiver um rendimento superior a 475,2 euros por mês (considerando 14 meses) já não é considerada pelo INE como estando em risco de pobreza. Mesmo que seja apenas por mais dois ou três euros”, acrescentando que “por aqui se vê a relatividade e a pouca consistência de muitos dados oficiais que aparecem na comunicação social como verdades absolutas e inquestionáveis”.

E vai mais longe: como o limiar da pobreza corresponde a 60% da mediana do rendimento das famílias então conclui que, em 2020, a mediana era de 792 euros (14 meses). Isto significa, segundo Eugénio Rosa, que em 2020, metade das famílias portuguesas tinha um rendimento mensal inferior àquele valor e outra metade superior . “Não é de estranhar a enorme pobreza que continua a existir no país”.

Pensionistas e trabalhadores afetados

De acordo com o mesmo estudo, em 2020, após o pagamento de pensões, 2.368.329 portugueses, mais 115.638 do que em 2019, viviam numa situação de pobreza. “E os apoios sociais, tão criticados pela extrema-direita e também por Rui Rio, com o argumento de que alimentam muitos portugueses que não querem trabalhar retiram da pobreza extrema 473.666 portugueses. Em 2020, após todas as transferências sociais (pensões e todo o tipo de apoios sociais) ainda 1.894.663 viviam na pobreza no nosso país segundo o próprio INE. E num ano apenas, entre 2019 e 2020, o seu número aumentou em 228.289 (+13,7%), o que revela um crescimento rápido da pobreza no nosso país”, salienta.

O cenário não é mais animador para quem trabalha. Em 2020, 539.179 trabalhadores com emprego estavam na situação de pobreza, o que no seu entender, revela que “o emprego não significa sempre que não se seja pobre em Portugal devido aos baixíssimos salários que auferem”.

Também de acordo com o economista, o desemprego é uma causa importante da pobreza. Em 2020, 46,5% dos desempregados (278.256) viviam abaixo de limiar da pobreza. E isto porque apenas 40 em cada 100 desempregados efetivos recebiam subsídio de desemprego.

E chama ainda a atenção para o facto de a pobreza não se distribuir de forma uniforme no país. “A distribuição da pobreza é muito desigual sendo muito menor na Área Metropolitana de Lisboa (16,9% da população em 2021) e muito maior na Região Autónoma da Madeira, 28,9% da população já estava na pobreza em 2021”.

Emília Santos​​​​​​​: "A escola parece muito mais adequada às raparigas do que aos rapazes neste momento"

Domingos de Andrade e Inês Cardoso, in JN


Ouça a entrevista aqui.

Taxa de desemprego desce e fica nos 6,3% em novembro

in RTP

A taxa de desemprego voltou a descer. Em novembro foi de 6,3%, menos uma décima do que em outubro. A população empregada está em máximos históricos.

7.1.22

Escolas, teletrabalho, comércio, discotecas. As medidas em vigor a partir da próxima semana

Ricardo Vieira , Marta Grosso , Joana Gonçalves , João Carlos Malta , Eduardo Soares da Silva, in RR

Depois de ouvidos os especialistas no Infarmed, na quarta-feira, o Governo reuniu-se para decidir que novas medidas deverão ser tomadas no âmbito da pandemia de Covid-19 e com as eleições de 30 de janeiro no horizonte.

As escolas reabrem na segunda-feira sem turmas em isolamento e o teletrabalho continua a ser obrigatório até dia 14, anunciou esta quinta-feira o primeiro-ministro. A situação é “tranquila” no que respeita à contenção de casos graves da Covid-19 e "podemos avançar na próxima semana, com cautela", declarou António Costa.

“Não estamos numa situação de pressão sobre os internamentos, quer em cuidados gerais, quer em cuidados intensivos. Temos neste momento no nosso sistema hospitalar cerca de 16 mil pessoas internadas e menos de 10% são doentes covid-19”, afirmou António Costa, em conferência de imprensa após o Conselho de Ministros desta quinta-feira.

As novas medidas entram em vigor na segunda-feira e estarão em vigor pelo tempo necessário, disse o chefe do Governo em resposta à Renascença.

A partir de segunda-feira, as escolas reabrem depois do período de contenção e de umas férias de Natal alargadas. Não haverá turmas em isolamento, de acordo com as determinações da Direção-Geral da Saúde.

A obrigatoriedade do teletrabalho será prolongado até dia 14 de janeiro, data a partir da qual passará a ser apenas recomendado.


A proibição de saldos no comércio termina, mas os estabelecimentos ficam com limitação de lotação de uma pessoa por cinco metros quadrados.

Os bares e discotecas podem reabrir a 14 de janeiro, com exigência de teste negativo à entrada e proibição de consumo de bebidas alcoólicas na via pública.

O Governo decidiu manter o controlo de fronteiras, com teste negativo obrigatório para todos os voos que cheguem a Portugal e sanções para as companhias de aviação.

O Certificado Digital vai ser obrigatório para acesso a: restaurantes, estabelecimentos turísticos e alojamento local, espetáculos culturais, eventos com lugares marcados e ginásios.

O teste negativo passa a ser obrigatório para acesso a: visitas a lares, visitas a pacientes internados em estabelecimentos de saúde, grandes eventos e eventos sem lugares marcados ou em recintos improvisados e recintos desportivos (salvo decisão da DGS). Sendo assim, deixa de ser necessário realizar teste para ir ao teatro e ao cinema, como aconteceu no período de contenção.

Quem tem dose de reforço há mais de 14 dias está dispensado de teste negativo.

António Costa falava ao país no final do Conselho de Ministro, que fez uma avaliação das medida de contenção da pandemia de Covid-19.

São novas medidas para conter a pandemia de Covid-19, um dia depois de ouvidos os especialistas e numa altura em Portugal bate recordes de infeções, ainda que com a pressão hospitalar controlada.

A reunião desta quinta-feira surge cerca de duas semanas após o Conselho de Ministros de 21 de dezembro, em que foram aprovadas novas restrições e antecipadas outras medidas para responder ao agravamento da pandemia, devido à variante Ómicron.

Desde essa data, o número de infetados disparou e já ultrapassou os 30 mil diários, sendo que, na quarta-feira, foi registado um novo máximo: 39.570 infeções. No entanto, o número de óbitos foi bastante inferior ao máximo registado em janeiro de 2021, bem como o número de internados.

A pressão hospitalar tem, ainda assim, aumentado, mas a um ritmo muito mais reduzido do que no ano passado, estando um pouco acima da metade do limite crítico de 255 camas ocupadas nas unidades de cuidados intensivos.

[em atualização]

Pagamento de despesas a trabalhadores em teletrabalho é "quase inexequível"

Filipa Ribeiro com redação, in RR

Muitas empresas não vão conseguir pagar os valores devidos ao funcionários, no final do mês.

O Governo prolongou a obrigatoriedade do teletrabalho até à próxima sexta-feira, dia 14 de janeiro, mas as regras estão a levantar várias dúvidas sobre o pagamento das despesas adicionais aos funcionários.

O advogado e especialista em Direito do Trabalho, Luís Gonçalves da Silva, explica que os trabalhadores têm dificuldades em justificar os gastos.

"Quantos trabalhadores terão a fatura do ano anterior do mês homólogo? Como é que os trabalhadores vão exibir essas faturas quando elas são susceptíveis de exibir dados pessoais? ", questiona.

"Há aqui um conjunto de variáveis que levam a uma situação quase inexequível", acrescenta o advogado.

Este jurista avança que muitas empresas não vão conseguir cumprir os pagamentos devidos, no final do mês. Luis Gonçalves da Silva adianta ainda que os empregadores têm estado a cumprir a regra que proíbe o contacto com o trabalhador após o horário laboral.

Beneficiários de prestações de desemprego caem 8,9% em novembro

in RR

O número de beneficiários do subsídio de desemprego foi de 147.494, uma diminuição de 1,6% face ao mês anterior, e de 24% comparando com o período homólogo.

O número de beneficiários de prestações de desemprego caiu 8,9% em novembro face ao mesmo mês de 2020 e 1,5% em relação ao mês anterior, para 213.423, segundo as estatísticas mensais da Segurança Social publicadas esta segunda-feira.

Em relação a outubro verificou-se assim uma redução de 3.208 beneficiários e, na comparação com o período homólogo, registaram-se menos 20.777 beneficiários das prestações de desemprego.

De acordo com a síntese estatística do Gabinete de Estratégia e Planeamento (GEP) do Ministério do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social, o sexo feminino representava 58,5% dos beneficiários de prestações de desemprego, enquanto o sexo masculino representava 41,5%.

Por grupo etário, as pessoas com idades entre os 40 e os 59 anos representavam quase metade do total (49,5%) em novembro.

O número de beneficiários do subsídio de desemprego foi de 147.494, uma diminuição de 1,6% face ao mês anterior, e de 24% comparando com o período homólogo.

Já o subsídio social de desemprego apresentou uma quebra de 0,6% em novembro face a outubro e de 39,6% relativamente ao mesmo mês de 2020, abrangendo 5.865 beneficiários.

O subsídio social de desemprego subsequente abrangeu 14.853 pessoas, mais 4,9% em comparação com o mês anterior e menos 38,2% em relação ao período homólogo.

A prorrogação da concessão do subsídio de desemprego registou uma redução mensal de 692 processamentos (menos 1,6%), abrangendo 41.359 pessoas em novembro.

O valor médio das prestações de desemprego foi de 544,36 euros em novembro (que compara com 547,71 euros em outubro e 524,77 euros em novembro de 2020).

A síntese estatística mostra que foram atribuídas em novembro 10.805 prestações de "lay-off" ao abrigo do Código de Trabalho, uma diminuição de 5,8% face ao mês anterior, mas um aumento para quase o dobro (94%) em relação ao período homólogo.

As prestações de "lay-off" que resultaram de suspensão temporária diminuíram 51% em novembro face a outubro, abrangendo 1.174 trabalhadores, e as prestações relativas a redução de horário cresceram 6,1%, para 9.631 beneficiários.

O número de entidades empregadoras com "lay-off" do Código do Trabalho foi de 142 (mais 14 do que no mês anterior e menos 89 comparando com o homólogo).

Quanto ao número de beneficiários com processamento de prestações de doença, as estatísticas mostram que em novembro foi de 174.102, um aumento de 1,1% face a outubro e uma diminuição de 20,5% face ao mesmo mês de 2020.

As prestações de doença englobam o subsídio de doença, o subsídio de doença profissional, o subsídio de tuberculose, a concessão provisória de subsídio de doença, as baixas por contágio e o subsídio por isolamento profilático (do próprio) pelo coronavírus.

Por sua vez, em novembro foram processadas 2.065.248 pensões de velhice no âmbito dos vários regimes de segurança social, um aumento mensal de 0,1% e uma redução homóloga também de 0,1%.

As mulheres representaram 52,9% do total de pensões de velhice e os homens representaram 47,1% do total.

Secretaria da Inclusão Social e Cidadania vai receber 48,8 milhões (vídeo)

in RTP Madeira

A integração social, melhoria das condições de trabalho, criação de emprego, a redução da pobreza e exclusão social são algumas das prioridades.

Por uma transformação digital justa

Jorge Moreira da Silva, opinião, in DN

Apar das alterações climáticas e das questões demográficas, a digitalização representa uma das tendências globais com maior potencial disruptivo no curso da economia, da democracia e da sociedade. Ora, hoje estamos perante um momento verdadeiramente definidor dos contornos deste processo de digitalização: a pandemia acelerou a adoção de soluções digitais em todo o mundo; a evolução das tecnologias digitais, nomeadamente, no 5G, na inteligência artificial, na robótica e na internet das coisas, entrou numa nova fase; e surgiram novos padrões internacionais, como os princípios da OCDE para a regulação da inteligência artificial e a fiscalidade sobre as multinacionais digitais.

Mas, como sempre sucede com transformações desta magnitude, a digitalização tanto pode esbater como pode exacerbar as desigualdades dentro e entre países. É verdade que a digitalização foi uma autêntica tábua de salvação, durante a pandemia de covid-19, para muitos cidadãos - facilitou o pagamento de apoios sociais e de compensações às empresas, o acesso a cuidados de saúde e de educação e a manutenção de empregos. Entre 2019 e 2021, mais de 800 milhões de pessoas conectaram-se à internet pela primeira vez. Ao mesmo tempo, a pandemia, ao confirmar a nossa dependência do mundo digital, também expôs a enorme vulnerabilidade dos cidadãos com menor acesso às infraestruturas e às competências digitais.

Cerca de 2900 milhões de pessoas estão hoje excluídas do mundo digital e das respetivas oportunidades. Essa exclusão digital agrava as desigualdades e trava a mobilidade social. A grande maioria das pessoas desconectadas vive em países em vias de desenvolvimento (o acesso à internet na Europa é de 83%, enquanto em África é de apenas 29%), penalizando desproporcionalmente as mulheres (que têm um acesso 15% inferior ao dos homens). Mas os obstáculos no acesso à digitalização não resultam apenas da falta de redes de fibra ótica terrestre ou de acesso a banda larga móvel: cerca de 43% das pessoas com acesso à banda larga móvel não a utilizam por falta de literacia digital e pelos custos elevados dos pacotes de utilização de dados e dos dispositivos digitais. Sendo que a maioria dos países pobres não dispõem de condições (no apoio social e na formação) para reconverter uma força de trabalho amplamente informal para os novos setores digitais. Na ausência de políticas educativas, científicas, económicas e empresariais adequadas, aqueles países vão ficando para trás nas oportunidades proporcionadas pela massificação do comércio eletrónico e pela digitalização dos processos empresariais.

Contudo, as oportunidades e os riscos da digitalização ultrapassam as dimensões social e económica. As tecnologias digitais, que proporcionam uma maior participação dos cidadãos na política, também colocam novos riscos, nomeadamente, pelo uso indevido da inteligência artificial e do big data, nos planos do respeito pela dignidade da pessoa humana, do funcionamento da democracia e da perda de influência da comunicação social independente.

A digitalização é, assim, uma faca de dois gumes e é crucial, como sublinhado no recente relatório "Shaping a just digital transformation", produzido pela minha equipa na OCDE, que no plano global se avance em duas frentes. Em primeiro lugar, fazer do acesso a infraestruturas, tecnologias e competências digitais, nos países em vias de desenvolvimento, uma das maiores prioridades das políticas de cooperação para o desenvolvimento dos países doadores. Caso contrário, esses países ficarão ainda mais para trás. Em segundo lugar, atendendo aos novos riscos decorrentes de questões cada vez mais complexas - como a tributação das multinacionais digitais, a cibersegurança, a privacidade e proteção de dados, a desinformação e autocratização - é fundamental a harmonização das regras a nível global, ultrapassando ilusórias perspetivas soberanistas na digitalização. Mas a adoção desses padrões globais só será verdadeiramente inclusiva e eficaz se envolver, nesse desenho, a participação plena dos países mais pobres.



Diretor da Cooperação para o Desenvolvimento, OCDE

Pobreza e saúde mental. Marcelo pede atenção no "curtíssimo prazo"

in TSF

No texto que assina no Jornal de Notícias, o Presidente pede soluções para "Pobreza - em sentido amplíssimo - e Saúde Mental - em vastíssima amplitude" E avisa: "Vale a pena não fazer de conta de que há Natal que possa passar ao lado delas."

Desta vez, o "bilhete-postal" do Presidente da República, deixado no Jornal de Notícias, centra-se nos "ignorados e omitidos da sociedade" e para aqueles que "mais sentiram as descompensações psicossociológicas da pandemia".

Marcelo Rebelo de Sousa pede uma atenção "no curtíssimo prazo" para "os mais pobres, doentes, vulneráveis, abandonados, esquecidos, excluídos, marginalizados", aqueles que "mais sofreram e sofrem em pandemia."

"Vale a pena não fazer de conta de que há Natal que possa passar ao lado delas", avisa o Presidente, no texto que assina, hoje, no Jornal de Notícias, intitulado "Duas lembranças para o Natal".

"Que, no meio de tantas proclamações de médio e longo prazo, nos lembremos deles no curtíssimo prazo. Nestes dias - e deveriam ser todos de todos os anos - em que Natal, para eles, não significa o que simboliza para milhares e milhares de famílias reunidas num fim de semana longo de busca de uma parte do tempo perdido", escreve Marcelo.

Na segunda "lembrança", o Presidente da República destaca a importância da saúde mental "cronicamente irmã pobre" entre as várias áreas, pedindo atenção para aqueles que "mais sentiram as descompensações psicossociológicas da pandemia."

No texto que já se tornou uma tradição de Natal, no JN, Marcelo alerta que "a nossa consciência não pode parar no dia 26 ou no dia 2 de janeiro. Porque os milhões de que falamos serão os mesmos nesses dias". E termina com uma farpa: "sê-lo-ão, Natal atrás de Natal, e ano atrás de ano, se a memória coletiva continuar curta, como, tantas vezes, tem sido."

Numa comparação com o ano passado, o Presidente considera que "apesar das restrições" este é um Natal "mais aberto do que o de 2020."

Para Marcelo Rebelo de Sousa, o embora exista um "clima melhor do que o do ano passado", o Natal ainda traz "uma sensação agridoce":

"Ainda não são os Natais de antes da pandemia. Já é, porém, um tempo de reencontro mais próximo, mais partilhado, mais a caminho do sonho que todos acalentam", escreve Marcelo Rebelo de Sousa.

A pobreza é um lugar frio

Pedro Ivo Carvalho, opinião, in JN

A pobreza tem muitas faces. Demasiadas demonstrações. A pobreza pode ser um pormenor, um regresso constante a uma fatalidade que passa de avós para pais, destes para os filhos. A pobreza pode ser económica, social, cultural. A pobreza pode ser energética.

O frio voltou a fazer vítimas em Portugal. Dois irmãos, de 18 e 21 anos, morreram abraçados numa madrugada que até nem foi das mais gélidas, na casa que partilhavam com os avós, porque um fogareiro de assar sardinhas de que se serviam para aquecer os dias transformou-se num pesadelo. Não foi num território rural, recôndito, abandonado, foi em Rio Tinto, uma das maiores freguesias urbanas do país.

A pobreza energética deixou há muito de ser um traço distintivo de uma certa etnografia dos lugares esquecidos. É um mal que se instalou de forma profunda e com força crescente nas latitudes mais povoadas e desenvolvidas, onde floresce o consumo. Mas onde germinam bolsas de atraso que em muitos domínios são civilizacionais. Típicas de um Portugal que não evoluiu, que se cristalizou no preto e branco.

Todos os invernos somos sacudidos por esta inquietude: a somar à pobreza estrutural (que atinge cerca de 20% da população), há esta pobreza mascarada. A do país que não consegue dar-se ao luxo (o qualificativo é quase insultuoso, mas apropriado) de manter a casa quente nos dias mais agrestes. No Portugal da Web Summit e dos unicórnios, no Portugal líder das energias renováveis, continua a perpetuar-se esta penumbra maldita. As tarifas sociais ajudam, mas não resolvem tudo.

As mortes de José Correia e Nuno Correia deviam interpelar os agentes políticos, fazendo deste um tema obrigatório da campanha eleitoral. Um país que não garante condições económicas básicas aos seus cidadãos para manterem a habitação aquecida é o quê, senão um país do Terceiro Mundo?


“Não é tempo de esmorecer” na luta contra as situações de sem-abrigo

in RR

O padre Jardim Moreira entende as palavras de Marcelo Rebelo de Sousa de sábado são um apelo à ação.

O presidente da Rede Europeia Anti-Pobreza sublinha que não é altura para esmorecer no combate às situações de sem-abrigo.

Marcelo Rebelo de Sousa admitiu, na noite de Natal, que por causa da pandemia, terá que ser adiada a meta de 2023, que tinha sido estabelecida para acabar com as situações de sem-abrigo, em Portugal.

Numa primeira reação a esta declaração do Presidente da República, o padre Jardim Moreira diz à Renascença que não se pode deixar passar o tempo e que todos se devem empenhar, sem desânimo, para que a epidemia de pobreza seja contida.


“Acho que é necessário valorizar esse objetivo nacional que foi aprovado há poucas semanas pelo Conselho de Ministros e dar-lhe toda a aplicabilidade e todo o dinamismo de que a sociedade portuguesa precisa para entrarmos num trabalho em rede e articulado para que estes processos não se degradem mais”, diz.

“Não podemos deixar passar o tempo, devemo-nos empenhar todos, sem desânimo, para que esta epidemia de pobreza e de exclusão não aumente, e pelo contrário seja contida.”

O padre Jardim Moreira entende as palavras do Presidente da República como um apelo a mais empenho. “Acho que de facto não é para esmorecer, é um alerta para nos empenharmos mais na construção da resposta que é necessária aos portugueses que vivem nesta injustiça da exclusão.”

6.1.22

Pandemia fez aumentar para 2,3 milhões os portugueses em risco de pobreza ou exclusão social

Natália Faria, in Público on-line

Inquérito do Instituto Nacional de Estatística, baseado nos rendimentos de 2020, mostra que 18,4% dos portugueses estão agora em risco de pobreza, mais 2,2 pontos percentuais do que no ano anterior à pandemia.

A pandemia empobreceu as mulheres, sobretudo as mulheres mais idosas. Foram pelo menos estas as mais afectadas pelo crescimento do risco de pobreza, que aumentou 2,2 pontos percentuais no ano passado. Passou de 16,2% da população em 2019 para os 18,4%, segundo o Instituto Nacional de Estatística, que conta agora quase 1,9 milhões de portugueses em risco de pobreza.
 

Aumentar

Este aumento, no primeiro ano marcado pelo impacto social e económico da pandemia, inverte a tendência decrescente da taxa de risco de pobreza que se vinha observando desde 2015. Entre 2019 e 2020, houve mais de 228 mil pessoas cujas vidas passaram a estar sob a ameaça da pobreza, isto é, que vivem com menos de 554 euros mensais (6653 por ano).

Segundo o INE, o risco de pobreza fustigou mais as mulheres portuguesas, entre as quais o aumento foi de 2,5 pontos percentuais. Neste grupo, a taxa de risco de pobreza passou de 16,7% em 2019 para os 19,2% do ano passado. No caso particular das mulheres idosas, o aumento foi de três pontos percentuais: de 19,5% para 22,5%.
 



Entre os menores de 18 anos, o risco de pobreza aumentou de 19,1% para 20,4%. E recorde-se, a propósito, que a Estratégia Nacional de Combate à Pobreza (ENCP) 2021-2030, aprovada esta semana em Conselho de Ministros, propõe precisamente que crianças e jovens passem a estar no centro das políticas de combate à pobreza. Até 2030, o Governo pretende retirar 660 mil pessoas da pobreza, incluindo 170 mil crianças e jovens e 230 mil trabalhadores.

O INE calcula que o risco de pobreza para a população empregada aumentou 1,6 pontos percentuais, tendo atingido uma taxa de 11% – o valor mais alto dos últimos dez anos. Sem surpresas, a pobreza entre os desempregados aumentou mais substancialmente. Foi de 46,5% em 2020, mais 5,9 pontos percentuais do que no ano anterior à pandemia.



Nem roupa nova, nem calçado ou dinheiro no bolso

Se ao risco de pobreza somarmos o de exclusão social, aumentaram para 2,3 milhões os portugueses, que, além auferirem rendimentos abaixo dos referidos 554 euros mensais (6653 euros anuais), vivem em agregados familiares com intensidade laboral per capita muito reduzida ou em situação de privação material e social severa. No indicador “taxa de risco de pobreza ou exclusão social”, o aumento foi de 2,4 pontos percentuais, fixando-se agora nos 22,4%.

Recorde-se que houve alterações recentes na metodologia usada nestas cálculos – por exemplo, a intensidade laboral per capita muito reduzida, que abarca os adultos que trabalharam em média menos de 20% do tempo de trabalho disponível, passou a abranger as pessoas até aos 64 anos de idade (antes considerava apenas idades até aos 59 anos).

Por seu turno, a privação material severa, que media as dificuldades de acesso a um conjunto de nove itens (desde a dificuldade em manter a casa aquecida, assegurar o pagamento de uma despesa inesperada a rondar os 500 euros, custear uma refeição de carne ou peixe de dois em dois dias ou manter as rendas ou a prestação da casa em dia) foi alargada para 13 itens e passou a chamar-se “privação material e social severa”.


Além dos habituais indicadores mais focados na privação material e nas dificuldades económico-financeiras, passou a avaliar-se também aspectos relacionados com o bem-estar de cada indivíduo. “Roupa nova, calçado e dinheiro no bolso”, sintetiza o INE, para precisar que passou a medir as dificuldades de acesso à Internet, da capacidade de assegurar a necessária renovação do vestuário, a posse de pelo menos dois pares de calçado adequados à estação do ano e a capacidade para gastar pequenas quantias em actividades de lazer, além da possibilidade de reunião com familiares e amigos para uma refeição ou bebida pelo menos uma vez por mês.
 



Todos os portugueses afectados por pelo menos cinco das 13 dificuldades passaram a incluir-se no grupo dos afectados pela privação material e social severa. E a informação relativa a cada um dos itens, recolhida entre Maio e Setembro de 2021 mas referente aos últimos 12 meses, mostrou, por exemplo, que 6,9% dos portugueses viviam em famílias com rendas, prestações de crédito ou despesas obrigatórias em atraso (mais 1,5 pontos percentuais).

A tendência geral, porém, foi no sentido do desagravamento da privação material e social. A proporção de pessoas em famílias incapazes de custear uma semana de férias por ano fora de casa, por exemplo, baixou de 38% em 2020 para os actuais 36,6%. E os agregados incapazes de manter a casa aquecida também diminuíram de 17,4% para 16,4%.

Desigualdades agravadas

Entre 2019 e 2020, Portugal tornou-se também mais desigual. O coeficiente de Gini (que reflecte as diferenças de rendimentos entre todos os grupos populacionais) subiu para 33%, mais 1,8 pontos percentuais. A região centro foi a mais afectada pelo aumento das desigualdades (de 30% em 2019 para os 33,3% do ano passado), enquanto Alentejo, Algarve e Madeira aparecem no mapa como sendo as regiões menos desiguais do país. O rácio S80/20, que compara a soma do rendimento monetário líquido equivalente dos 20% da população com maiores recursos com os 20% da população com menores recursos, aumentou 14%, de 5 em 2019 para 5,7 em 2020.


Por outro lado, o INE não detectou grandes variações regionais no risco de pobreza ou exclusão social, e os Açores, tradicionalmente a região mais pobre do país e a que soma mais beneficiários do rendimento social de inserção, apresentaram pela primeira vez valores inferiores a 30%.

Projeto solidário combate à exclusão devido à saúde oral

in RTP

Há pessoas que não arranjam trabalho e outras que não saem mesmo de casa por falta de dentição e acesso a cuidados de saúde oral. São vítimas de violência doméstica, migrantes, sem abrigo, portadores de deficiência física ou mental.

Para combater a exclusão, a organização "Mundo a Sorrir" já disponibilizou mais de 108 mil tratamentos a mais de 8.500 pessoas.

O direito à energia

Andreia Galvão, in P3

Segundo António Costa, para a transição energética ser bem-sucedida não pode ter só bons resultados ambientais, mas “precisa também ser justa e ser inclusiva, não deixando ninguém para trás”, realçando o trabalho desenvolvido ao longo dos últimos meses com empresas, os sindicatos e a Câmara Municipal de Abrantes. O primeiro-ministro fez questão de deixar isto explícito há duas semanas em relação ao fim da exploração de carvão na central do Pego.

Esta afirmação surge como correcção do discurso e das políticas que foram fortemente criticadas pelo movimento social aquando do encerramento das centrais de Sines e de Matosinhos. A central do Pego trouxe melhores compromissos do Governo face à situação laboral das pessoas impactadas - no entanto, as promessas precisam de ser cumpridas.

O caso da transição energética no nosso país é crucial para analisar se existe, de facto, energia para todos.

Segundo o Observatório da União Europeia para a Pobreza Energética, mais de 50 milhões de famílias europeias vivem em pobreza energética. Apesar desta realidade não ser apenas portuguesa, o nosso país está longe de ficar bem no retrato a nível europeu: como é possível confirmar na tabela anterior, Portugal aparece no fundo da mesma, em 25.º lugar, como um dos países com maior nível de pobreza energética da Europa. Publicado em 2016 no Journal of Public Health, com base nas estatísticas entre 1980 e 2013, um ranking do excesso de mortalidade no Inverno em 30 países europeus (que, no entanto, não se refere apenas à pobreza energética como causa), revelou Portugal em segundo lugar, só atrás de Malta, com um acréscimo médio de 28% nas mortes ocorridas entre Dezembro e Março face às que têm lugar nos meses mais quentes.

Importa não só falar nas assimetrias de acesso à energia, distinguidas por factores de classe, género e étnico-raciais, mas importa falar sobre o controlo público da energia no nosso país. O sector energético está dominado por interesses privados que colocam a vontade lucrativa face às reais necessidades das populações - se assim não fosse, a equidade de acesso seria bastante mais alargada. O que este cenário tem demonstrado não é uma adaptação rápida e estrutural às urgências que a crise climática impõe. Embora o nosso país tenha algumas políticas sólidas nos sectores de energias renováveis, quando falamos sobre energia eólica passamos de cerca de 1% de energia produzida por esta fonte em 2000 para cerca de 23% em 2016. Temos vindo a reduzir ligeiramente as nossas dependências de combustíveis fósseis.




Esta diminuição é, no entanto, meramente performativa do que é preciso para mudar radicalmente tudo. É preciso tocar onde dói, nomeadamente nos monopólios de energia que têm vindo a ser inúmeras vezes denunciados por activistas, que prometem “políticas verdes” através de processos de greenwashing, mantendo todas as políticas de exploração, de neocolonialismo. Estamos a pensar, por exemplo, no caso de Cabo Delgado e da GALP ou no caso da Total, que tem desalojado tantas comunidades da linha da frente dos impactos da crise climática, reproduzindo a violência colonial.

Dizer que estamos no bom caminho para a transição energética, quer no nosso país quer a nível global, seria ignorar os sinais de emergência lançados na primeira parte do sexto relatório do IPCC, segundo o qual, a menos que haja reduções nas emissões de gases de efeito estufa imediatas, rápidas e em larga escala, o aquecimento global ultrapassará os 1,5ºC. Isto implica alterações profundas e urgentes no centro da política e da economia: terminar com a ideia insustentável e fantasiosa de que é possível manter um desenvolvimento infinito sobre recursos finitos.

Por mais que a política institucional insista em brincar aos fósseis (o relatório Drill, baby drill indica que a nível global vão ser explorados mais novos 800 poços de petróleo e óleo até ao final de 2022), o movimento social está forte nas ruas e em permanente oposição com a lógica de que é demasiado difícil garantir a nossa subsistência

Aumentou o risco de pobreza em Portugal

in ECO do Dinheiro

O risco de pobreza em Portugal aumentou para 18,4% em 2020, uma subida de 2,2 pontos percentuais face ao ano anterior.

A pandemia trouxe uma recessão sem precedentes em 2020, histórica mesmo. E Portugal foi dos países que menos apoios deu às empresas e às famílias, sobretudo porque não aproveitou os ventos favoráveis dos anos anteriores para descer a dívida pública de forma mais agressiva.

As consequências estão a fazer-se sentir. O risco de pobreza em Portugal aumentou para 18,4% em 2020, uma subida de 2,2 pontos percentuais (p.p.) relativamente ao ano anterior, de acordo com os dados do Instituto Nacional de Estatística (INE) divulgados esta sexta-feira.

A taxa de risco de pobreza, refira-se, correspondia em 2020 à proporção de habitantes com rendimentos monetários líquidos inferiores 554 euros por mês, tinha vindo a cair.

Assim, em 2020, eram cerca de 1,8 milhões os residentes em risco de pobreza, mais 228 milhares do que no ano anterior. E quem foi mais afetado? Foram as mulheres e os desempregados.

O país está assim mais desigual depois do pior ano da pandemia.

Porto vai recuperar ilhas para habitação

in Esquerda.net

A Câmara do Porto anunciou a compra de seis ilhas na Lomba, em Campanhã, com o objetivo de as reabilitar originando 41 habitações. Maria Manuel Rola lembra que o Bloco lutou pela reabilitação das ilhas pelo que “este programa é o reconhecimento do que sempre dissemos”.

A compra destas ilhas enquadra-se num projeto-piloto que depois deverá ser replicado para outras zonas da cidade. A operação vai custar 7,4 milhões de euros e contará com financiamento público no âmbito do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR), que está a ser debatido com o Instituto da Habitação e Reabilitação Urbana (IHRU).

Atualmente, estas seis ilhas contam com 59 casas, que irão ser transformadas em 41. Questionado por Sérgio Aires, vereador eleito pelo Bloco de Esquerda, o executivo camarário afirmou que os atuais moradores – 39 agregados familiares - irão regressar após as obras.

A deputada bloquista Maria Manuel Rola recorda que o Bloco se tem batido pela reabilitação das ilhas na cidade do Porto e tornou-o um assunto nacional: “em 2018, chamámos Rui Moreira precisamente para que se fizesse um plano para a reabilitação das ilhas, garantindo a manutenção dos moradores e o direito ao lugar”.

“O programa que agora é apresentado é o reconhecimento do que sempre dissemos: é essencial intervenção pública nas ilhas do Porto, a proteção dos moradores contra a especulação e fetichização e a aquisição e reabilitação para o património público” afirmou a deputada bloquista em declarações ao Esquerda.net.

A intervenção que agora irá avançar tem por base um estudo efetuado por uma equipa da Faculdade de Arquitetura da Universidade do Porto.

O levantamento, na zona da Lomba, em Campanhã, incidiu em 19 ilhas, 261 fogos e 104 agregados familiares. Do total de agregados estudados, 24 habitam em casas em mau estado de conservação, 15 em casas numa tipologia inferior à adequada e 24 não têm cozinha nem casa de banho dentro da residência. No Porto existem 957 ilhas; apenas três pertencem à autarquia.

Projeto de brinquedos para crianças com necessidades especiais vence no IPCA

in Braga TV

João Fernandes, estudante do 3º ano do Curso de Licenciatura em Engenharia Eletrotécnica e de Computadores, foi o vencedor do Prémio Valor IPCA/Santander Universidades, com o projeto Oficina do Brinquedo.

Este prémio monetário, no valor de 1.700 euros, visa distinguir, em cada ano letivo, os estudantes que se diferenciem positivamente na vertente humana ou solidária, premiando a sua participação em atividades de práticas de cidadania ativa e de voluntariado, desenvolvidas no IPCA ou na comunidade exterior.

A Oficina do Brinquedo é um projeto que visa a adaptação de brinquedos para utilização por crianças com deficiência motora e/ou cognitiva e a reparação de outros, novos ou antigos, para doação.

Trata-se de um projeto antigo no IPCA, mas que se encontrava parado, tendo a ideia sido recuperada e melhorada por João Fernandes, que reativou uma parceria com a Associação de Pais e Amigos de Crianças (APAC) de Barcelos. Isto aconteceu depois de se aperceber da escassez, ou preço demasiado elevado, de brinquedos no mercado para crianças com deficiência.

O alcance da Oficina do Brinquedo foi, também, alargado por João Fernandes, que lançou uma campanha destinada à angariação de brinquedos novos e antigos. Apostou, igualmente, na elaboração de controladores de videojogos para pessoas com deficiência motora e/ou cognitiva e na criação de controladores de computador para indivíduos com incapacidade.

Ainda no âmbito da Oficina do Brinquedo, no passado dia 18 de dezembro, um grupo de jovens da Associação de Solidariedade e Ação Social (ASAS) de Santo Tirso juntou-se, na Escola Superior de Tecnologia, a 20 estudantes do IPCA, numa ação que destinada a proporcionar a experienciação da Engenharia Eletrotécnica e do ensino superior.

Na ocasião, João Fernandes explicou que o objetivo foi “capacitar os jovens com dificuldades socioeconómicas, que são um pouco esquecidos pela sociedade devido a já não serem crianças, e mostrar-lhes que a sociedade também se importa com eles”.

A Oficina do Brinquedo foi um dos quatro projetos candidatos ao Prémio Valor IPCA/Santander Universidades deste ano. O prémio foi entregue, na sessão solene do Dia do IPCA, pela presidente da instituição, Maria José Fernandes, e pelo representante do Banco Santander, Nuno Vieira.

Na sua intervenção, João Fernandes anunciou a intenção de doar o valor total do prémio – 1.700 euros – para financiar adaptações de brinquedos destinados a crianças com deficiência motora e cognitiva, reparações de brinquedos antigos e novos para doação, elaboração de controladores de videojogos para pessoas com deficiência motora e/ou cognitiva, e criação controladores de computador. Pretende, também, que possa ser utilizado em projetos propostos por outros estudantes.

“Ao doar este prémio, pretendo que os alunos estejam à procura, e não esperem que seja a instituição ou os docentes a dar-nos tudo a nós. Temos que ir atrás e nota-se, infelizmente, que a participação não é o que deveria ser”, disse João Fernandes, que deixou um apelo a toda a comunidade estudantil para que ajude a levar por diante este projeto.

Investigação da ESTeSC sobre o envelhecimento ativo e saudável em destaque

in Notícias de Coimbra

Os resultados do projeto de investigação AGA4Life, da Escola Superior de Tecnologia da Saúde do Politécnico de Coimbra (ESTeSC-IPC), foram publicados em livro pela editora inglesa Routledge – Taylor & Francis Group.

“Promoting Healthy and Active Aging – A multidisciplinary approach” apresenta uma abordagem multidisciplinar na área do envelhecimento ativo e saudável, a partir de um modelo de investigação pioneiro desenvolvido pela escola, foi hoje anunciado.

A publicação é uma extensão do livro “Abordagem geriátrica ampla na promoção de um envelhecimento ativo e saudável: componentes do modelo de intervenção”, editado pelo Politécnico de Coimbra em 2019.

“Fomos contactados pela editora, que mostrou interesse em publicar a versão inglesa do nosso trabalho, o que muito nos orgulha”, afirma Telmo Pereira, docente da ESTeSC-IPC e coordenador do projeto AGA4Life, citado numa nota de imprensa.

“A Routledge, entretanto integrada no grupo Taylor & Francis, é uma das editoras de ciência mais antigas do Reino Unido, com quase dois séculos de atividade”, salienta.

Estratégia de combate à pobreza em vigor amanhã. Estes são os seis eixos

Por Notícias ao Minuto

A resolução do Conselho de Ministros, que entra em vigor amanhã, determina que a estratégia de combate à pobreza se organize em torno de seis eixos.

Foi publicado, esta quarta-feira, em Diário da República, a resolução do Governo que aprovou a Estratégia Nacional de Combate à Pobreza 2021-2030 (ENCP). O despacho, que entra em vigor amanhã, determina que esta estratégia se organize em torno de seis eixos.

O diploma determina ainda que os eixos identificados e os "respetivos objetivos estratégicos são previstos em planos de ação nos quais que se identificam as ações concretas a desenvolver, os indicadores, as entidades envolvidas e as metas". Os seis eixos são os seguintes:
 
Reduzir a pobreza nas crianças e jovens e nas suas famílias;
Promover a integração plena dos jovens adultos na sociedade e a redução sistémica do seu risco de pobreza;
Potenciar o emprego e a qualificação como fatores de eliminação da pobreza;
Reforçar as políticas públicas de inclusão social, promover e melhorar a integração societal e a proteção social de pessoas e grupos mais desfavorecidos;
Assegurar a coesão territorial e o desenvolvimento local;
Fazer do combate à pobreza um desígnio nacional.

O diploma do Governo prevê ainda que seja criada uma comissão interministerial de alto nível (CIAN), que será "responsável por analisar, acompanhar e avaliar a execução da ENCP, constituída pelos membros do Governo responsáveis pelas áreas da presidência do conselho de ministros, do trabalho, solidariedade e segurança social, da educação, das autarquias locais, da saúde e das infraestruturas e habitação, sem prejuízo de os membros da CIAN poderem convidar a participar nas suas reuniões, quando tal se justifique, membros do Governo responsáveis por outras áreas governativas".

Esta comissão deverá reunir-se trimestralmente, segundo a mesma resolução.

O Governo aprovou a versão final da Estratégia Nacional de Combate à Pobreza 2021-2030, em meados de dezembro. Na conferência de imprensa após essa reunião do Conselho de Ministros, a ministra de Estado e da Presidência, Mariana Vieira da Silva, referiu que a estratégia tem entre os seus objetivos a "redução da taxa de pobreza para 10% da população, o que significa retirar 660 mil pessoas da situação de pobreza até 2030".




Estratégia de Combate à Pobreza 2021-2030 publicada em Diário da República

in Sapo

A Estratégia Nacional de Combate à Pobreza (ENCP) 2021-2030, que visa, entre outras medidas, reduzir para 10% a população em situação de pobreza até ao final da década, foi hoje publicada em Diário da República.

Aprovado em Conselho de Ministros em 16 de dezembro, o documento assenta em seis prioridades: reduzir a pobreza nas crianças, jovens e suas famílias; promover a integração plena dos jovens adultos na sociedade; potenciar o emprego e a qualificação como fatores de eliminação da pobreza; reforço das políticas públicas de inclusão social; assegurar a coesão territorial e o desenvolvimento local; e fazer do combate à pobreza um desígnio nacional.

Reconhecendo a existência de cerca de dois milhões de portugueses ainda em risco de pobreza e exclusão social, este mecanismo pretende também reduzir para metade a pobreza monetária de crianças, o que significa retirar aproximadamente 170 mil crianças de situação de pobreza, e diminuir para metade a taxa de pobreza monetária dos trabalhadores pobres, ou seja, menos 230 mil trabalhadores em situação de pobreza.

Em termos financeiros, a resolução do Conselho de Ministros esclarece que “as verbas a imputar à execução da ENCP estão limitadas pelo enquadramento orçamental dos serviços e organismos responsáveis pela sua execução”, embora realce que os encargos “são satisfeitos também por fundos europeus, designadamente no âmbito do próximo quadro financeiro plurianual para o período de programação 2021-2027”.

Neste âmbito será criada uma comissão interministerial para o acompanhamento e execução da ENCP, da qual farão parte os membros do Governo que representem a presidência do conselho de ministros e os ministérios do trabalho, da solidariedade e segurança social, da educação, das autarquias locais, da saúde e das infraestruturas e habitação.

A Estratégia Nacional de Combate à Pobreza 2021-2030 entra em vigor na quinta-feira, um dia depois da sua publicação em Diário da República.

Estratégia de combate à pobreza foi publicada. Haja “vontade política” para a levar ao terreno

Natália Faria, in Público on-line

Estratégia Nacional de Combate à Pobreza, publicada esta quarta-feira em Diário da República, propõe-se retirar 660 mil portugueses da pobreza até 2030.

As metas já eram conhecidas: retirar 660 mil pessoas da pobreza até 2030, das quais 170 mil crianças e 230 mil trabalhadores. Falta agora, segundo o especialista em desigualdades Farinha Rodrigues, “garantir que haverá vontade política para levar à prática” a Estratégia Nacional de Combate à Pobreza 2021-2030 (ENCP), publicada esta quarta-feira em Diário da República.

Numa altura em que o primeiro ano da pandemia criou 228 mil novos pobres, segundo o mais recente inquérito do Instituto Nacional de Estatística (INE) — que fixa agora em 1,9 milhões os portugueses em situação de pobreza, isto é, obrigados a viver com menos de 554 euros por mês —, a ENCP propõe-se reduzir a taxa de pobreza monetária para o conjunto da população para 10%, o que representa uma redução de 660 mil pessoas. Quanto aos trabalhadores pobres, que segundo o INE subiram de 9,6% para 11,2%, o objectivo é reduzir para metade a taxa de pobreza neste grupo.

Mas a ENCP foca-se prioritariamente nos mais novos, de maneira a “quebrar a reprodução dos ciclos de pobreza, não apenas retirando as crianças da situação de pobreza”, mas garantindo que “a condição socioeconómica dos agregados deixe de ser um preditor tão preponderante de sucesso escolar e de percursos profissionais”.

Além de reforçar os apoios à frequência de creches instituindo a sua progressiva gratuitidade, a ENCP propõe-se ainda tornar o pré-escolar “tendencialmente gratuito”, criando assim as condições para tornar a sua frequência obrigatória a partir dos três anos de idade “no médio prazo”.

Portugal não estará sozinho neste propósito, tal como o PÚBLICO noticiou. Apesar de na maioria dos sistemas educativos europeus a escolaridade obrigatória se iniciar aos seis anos, a França, por exemplo, decidiu, em Setembro de 2019, baixar para os três anos a idade de início da escolaridade obrigatória. Já era assim na Hungria. E na Bélgica a idade de início da escolaridade obrigatória baixou, também em 2019, para os cinco anos. Na Grécia, inicia-se aos quatro anos, segundo o último relatório da rede Eurydice sobre o ensino obrigatório na Europa.

Como a escola continua a ser, apesar de todas as suas debilidades, o principal elevador social, a ENCP propõe-se ainda reforçar as medidas de apoio ao acompanhamento dos alunos no contexto pós-pandémico e desenvolver mecanismos de apoio ao estudo para crianças de agregados familiares pobres através da criação de “espaços de estudo acompanhado”.

A detecção precoce de problemas de saúde mental deverá igualmente ficar assegurada por via do anunciado aumento da rede de psicólogos escolares, sendo que o documento prevê ainda, entre uma miríade de outras medidas, a criação de mecanismos de acesso gratuito para crianças inseridas em famílias desfavorecidas a consultas de rotina na área da saúde oral, mental e a rastreios visuais e auditivos.

A ENCP vai, porém, mais longe, propondo medidas concretas nas áreas do emprego, da formação e da habitação. A existência de crianças no agregado familiar deverá ser uma condição prioritária de acesso à habitação. E, a pensar nas dificuldades dos jovens, particularmente dos de menores rendimentos, no acesso à habitação, prevê-se o reforço da habitação com renda acessível, através da criação de um “parque habitacional público a preços acessíveis”, a construir através da reabilitação do património imobiliário do Estado com aptidão para uso habitacional.

É um bom ponto de partida”, reage ainda Farinha Rodrigues, professor no Instituto Superior de Economia e Gestão (ISEG) da Universidade de Lisboa, e investigador nas áreas da desigualdade e pobreza, enfatizando o facto de, pela primeira vez, ficar “reconhecido que o problema do combate à pobreza não é exclusivo do Ministério do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social, mas transversal aos vários ministérios”.

660.000 As pessoas que serão retiradas da pobreza até 2030, das quais 170 mil crianças e 230 mil trabalhadores

Para o também membro da comissão de coordenação responsável pela proposta de ENCP falta, contudo, garantir que haverá vontade política para levar a estratégia ao terreno. “É uma questão de vontade política, sendo que estamos num contexto de alguma incerteza”, alerta, dizendo-se satisfeito pelo facto de a estratégia aprovada pelo Governo prever a criação de uma comissão interministerial de acompanhamento e avaliação da execução da ENCP, a qual ficará ainda incumbida de nomear um coordenador nacional da estratégia.

O texto da ENCP é, no entanto, omisso, quanto às esperadas alterações no Rendimento Social de Inserção (RSI), proposto pelos especialistas, que gostariam de ver esta prestação não contributiva alargada a mais beneficiários e não, como até agora, restringida aos mais pobres de entre os pobres.

No último inquérito às condições de vida, feito com base nos rendimentos de 2020, isto é, do primeiro ano da pandemia, o INE fixava em 18,4% os portugueses que estavam abaixo da linha de pobreza, num agravamento de 2,2 pontos percentuais relativamente a 2019. Foi o maior aumento da pobreza desde 2003, segundo os especialistas, que admitiam, porém, poder tratar-se de um efeito transitório da pandemia e não de uma inversão da tendência que, desde a crise iniciada em 2008, vem apontando baixas consecutivas no número de portugueses em situação de pobreza.

Erradicar a pobreza. Será desta?

Eugénio Fonseca, opinião, in Público on-line

O que desejo é que as medidas previstas não sejam apenas um enunciado de boas intenções. Tenho a plena convicção de que isso não dependerá só do Governo, seja ele qual for, pois tem de ser um compromisso de todos nós, cada um assumindo a responsabilidade de acordo com as suas possibilidades.

Pelas preocupações com a pandemia talvez não se tivesse dado conta de que, a 29 de dezembro, foi publicada em Diário da República uma das medidas mais, para não dizer a mais importante, deste Governo. Uma medida pública que honra qualquer Governo. Foi, finalmente, divulgada a Estratégia Nacional de Combate à Pobreza (ENCP).

Fiquei satisfeito com a maioria das medidas que se pretende concretizar para se cumprir, fundamentalmente, um dos direitos humanos, mas também dar um bom contributo para se alcançarem alguns dos objetivos do desenvolvimento sustentável e se efetivar o Plano de Ação para o Pilar dos Direitos Sociais. Oxalá não venham a ser, como diz o adágio, “mais as vozes que as nozes”, ou ainda, “quando a esmola é grande, até o pobre desconfia”. O que desejo é que as medidas previstas não sejam apenas um enunciado de boas intenções. Tenho a plena convicção de que isso não dependerá só do Governo, seja ele qual for, pois tem de ser um compromisso de todos nós, cada um assumindo a responsabilidade de acordo com as suas possibilidades. Ninguém pode ficar de fora.

Apesar de o documento ter estado em discussão pública, durante algum tempo, ao que está plasmado na Resolução do Conselho de Ministros (184/2021), tem de ser fazer uma análise mais profunda que não cabe neste espaço. Realço, em linhas gerais, os aspetos que considero positivos e algumas reservas que mantenho.
Foram felizes as escolhas das áreas da saúde, educação, trabalho digno, habitação, desenvolvimento local, coesão territorial em que se fixam os seis eixos estratégicos, os indicadores e as metas.

Antes de mais, o país tem uma estratégia para um combate (prefiro o termo “erradicação”), a um dos seus maiores flagelos humanos e sociais. Finalmente, está assumido aquilo para o qual há muito vinha a chamar a atenção: jamais se teria alguma eficácia, com a eficiência que este tipo de problemas sociais exigem, com medidas avulsas e, a maior parte delas, concentradas num único ministério. Agora, está assumido que esta estratégia é “um instrumento de política pública com um conjunto de ações coerentes e articuladas”, estando prevista, para isso, a criação de “uma comissão interministerial de alto nível (CIAN)”, admitindo-se a possibilidade de “convidar a participar nas suas reuniões, quando tal se justifique, membros do Governo responsáveis por outras áreas governativas”. Mesmo assim, penso que deveriam fazer parte do CIAN os ministérios da Economia e da Justiça. Prevê-se ainda a criação da figura de um coordenador nacional, o único a ser remunerado, de uma comissão técnica de acompanhamento da ENCP e de um “fórum consultivo”.

Trata-se de aproveitar todos os recursos específicos já existentes e potenciá-los. Pode ficar, assim, garantida a solução de um erro, que já parecia crónico, que é o de se gastar mais dinheiro com as estruturas e os seus técnicos do que, propriamente, com os destinatários das medidas. É também importante a criação de “Fóruns Locais de Combate à Pobreza”. Preferiria, contudo, que se fizesse uma remodelação nas comissões locais de freguesia e nas redes sociais a nível concelhio para que tivesse sempre este objetivo como o fundamental, evitando-se a existência de mais uma estrutura. Agrada-me, ainda, o estabelecimento de metas e de tempos que serão monitorizados regularmente. Que não seja uma avaliação a partir de bonitos relatórios, mas presencial, com a auscultação permanente dos visados pelas medidas e dos que atuam no terreno. Serão aproveitados os programas já existentes e alguns serão sujeitos a reavaliação e aperfeiçoamento. Preferiria até que alguns mudassem de nome, pela estigmatização social que sofrem.

Foram felizes as escolhas das áreas da saúde, educação, trabalho digno, habitação, desenvolvimento local, coesão territorial em que se fixam os seis eixos estratégicos, os indicadores e as metas. São medidas públicas, mas que assentam a sua aplicação a nível local, cumprindo assim o princípio de intervenção social mais eficaz que é o da subsidiariedade. Quem está mais perto dos problemas conhece-os melhor e encontra soluções mais assertivas, mas sem coartar a possibilidade da participação de todas as organizações, mesmo as mais informais. Tenho pena que não se evidenciasse o contributo do voluntariado, que já deu provas mais que suficientes de ser imprescindível, na concretização do relacionamento de proximidade que muitas destas medidas exigem. Há uma porta aberta que são os chamados “Projetos de Adesão”, mas há uma reflexão a fazer sobre a missão do voluntariado nesta estratégia.

O problema maior para a concretização desta estratégia está na efetivação do Eixo 6, que é “Fazer do combate à pobreza um desígnio nacional”. Muitas vezes o tenho referido, empregando a designação, que funcionou no combate à covid-19, de um “Pacto de Regime”. Receio que, se outro partido político assumir o governo do país, esta estratégia seja adulterada ou mesmo “metida na gaveta”, como é frequente. Desejaria que, semestralmente, o Parlamento fizesse um “Debate da Nação” só sobre a pobreza e a avaliação desta estratégia e que não se deixasse de fora a missão de acompanhar e supervisionar que compete ao Presidente da República. Todos os relatórios mais significativos deviam ser sujeitos à sua apreciação.

Por fim, o problema maior é a mudança de mentalidades sobre a pobreza que esta estratégia exige. Sem se acreditar que é possível a erradicação da pobreza e que os pobres são vítimas de um sistema gerador de desigualdades, é difícil conseguir-se alcançar tão nobre desígnio.

Ontem já foi tarde, o presente e o futuro, nesta área tão sensível à construção de um desenvolvimento integral, têm de começar já. Recusar-se a fazer este caminho é violar um dos direitos humanos fundamentais. Caminhemos juntos e na mesma direção.

Presidente da Confederação Portuguesa do Voluntariado


“Tempo de Cuidar” de idosos isolados em Borba

in Rádio Elvas

O Município de Borba, através do Serviço de Ação Social, tem em desenvolvimento, desde outubro de 2020, o projeto Tempo de Cuidar, que visa intervir e monitorizar os idosos isolados.

Neste momento, os técnicos do Serviço de Ação Social acompanham perto de 70 idosos. A maioria participa em ambas as atividades do projeto: tanto na atividade “envelhecer com saúde”, uma atividade mais dinâmica de estimulação do envelhecimento ativo; como nas “conversas à janela”, que possibilita o combate ao isolamento social, a interação, partilha e transmissão de valores.

O Serviço de Ação Social do Município de Borba criou a Árvore de Natal Solidária. A autarquia aconselha a “passar pelo Serviço de Ação Social e depositar as suas tampinhas”. Ao fazê-lo, está a contribuir para melhorar a qualidade na vida de alguém. “Não fique indiferente, seja solidário e faça alguém feliz” é o lema que acompanha este projeto social do Município borbense.