in Dinheiro Vivo
A Alemanha está a concorrer com a falta de emprego em Portugal e quer contratar jovens desempregados dispostos a ir trabalhar para o país. O programa chama-se "Job of my Life" e oferece bolsas de estudo que podem ir até aos 800 euros por mês durante a formação. No final do curso o emprego está garantido.
A formação abrange diversas áreas e mesmo que não saiba falar a língua alemã esse não é problema, uma vez que o "Job of my Life" inclui um curso intensivo de alemão gratuito, que tem lugar ainda em Portugal.
O curso para não-licenciados tem a duração de três anos e divide-se entre aulas e estágios profissionais em empresas para onde os formandos podem vir a ser contratados.
Veja também: Onde procurar se quiser trabalhar na Alemanha
Para concorrer basta ter entre 18 e 35 anos, estar desempregado e registado no Instituto de Emprego e Formação Profissional.
As áreas que mais procuram profissionais são as elétricas, mecânicas e turismo. Os licenciados encontrarão mais oportunidades nas engenharias, tecnologias de informação, turismo e saúde.
A partir de dia 19 de fevereiro terá início a "Welcome to Germany Tour 2013", um road show que irá passar pelas cidades de Braga, Porto, Aveiro, Coimbra, Lisboa, Setúbal, Évora, Faro e Portimão com o objetivo de apresentar o programa, aconselhar e pré-selecionar possíveis candidatos.
Visite aqui o site do programa "Job of my Life" (para já, só em alemão)
Posso emigrar e continuar a receber o subsídio de desemprego?
5.2.13
Na Brisa, a maior parte dos trabalhadores utilizou estes cinco dias, que terminaram ontem, para declarar que não querem duodécimos. O pagamento integral é o que mais interessa a estes funcionários, que preferem receber o subsídio de férias no período imediatamente antes do gozo do descanso e o de Natal até ao dia 15 de dezembro.
Na Brisa, a maior parte dos trabalhadores utilizou estes cinco dias, que terminaram ontem, para declarar que não querem duodécimos. O pagamento integral é o que mais interessa a estes funcionários, que preferem receber o subsídio de férias no período imediatamente antes do gozo do descanso e o de Natal até ao dia 15 de dezembro.
O mesmo acontece na Autoeuropa, em que 99% dos funcionários rejeitaram os duodécimos. Tal como António Chora tinha afirmado ao Dinheiro Vivo há três semanas, a vontade da maioria passa por receber de forma integral, para fazer frente a despesas fixas como seguros ou livros escolares.
Na Amorim Turismo, o cenário é idêntico e não surpreendeu a direção, ainda que a expressão fosse maior do que a esperada. "As pessoas, apesar de tudo, estão mais dispostas a cortar ao longo dos meses do que nos subsídios," que usam para "pagamentos concentrados e pontuais", explicou Jorge Armindo, presidente do grupo. Na sede da Amorim Turismo, a adesão aos duodécimos foi de 50%, mas nos hotéis e nos casinos a percentagem ficou entre 10% e 30%. Ou seja, bem mais de metade dos trabalhadores não abrem mão dos subsídios integrais. O responsável não tem dúvidas de que esta percentagem representa "as pessoas com menor rendimento mensal" e que utilizam o fracionamento como forma de enfrentar o dia a dia.
Já na Corticeira Amorim, a maioria dos colaboradores manifestou-se, igualmente, a favor dos salários sem duodécimos, tal como na Kyaia. Fortunato Frederico, presidente do maior grupo de calçado, admite que a esmagadora maioria dos seus funcionários não quer duodécimos, o que não será estranho ao facto de "termos muita gente com o salário mínimo nacional". No final do ano, e consoante a assiduidade, são recompensados com parte dos resultados da empresa. "Quem nunca falta levou cerca de 600 euros", diz.
Na Sogrape, grupo detentor das marcas Mateus, Sandeman e Ferreira, a contabilidade não está terminada, mas "houve muita gente a dizer que não queria duodécimos". Surpresa, ou talvez não, é a construção. Tanto na Casais como na Gabriel Couto houve "casos pontuais" de trabalhadores a recusar o novo sistema.
Na Mota-Engil, só um terço permanece fiel aos subsídios por inteiro, tal como na BP, onde a divisão ficou em 60%-40%, com os duodécimos a vencer. Algumas empresas consultadas pelo Dinheiro Vivo ainda não somaram todas as respostas. Outras, como a Delta, alargaram o prazo internamente.
Nas empresas públicas a escolha não é possível já que os funcionários recebem obrigatoriamente o subsídio de Natal em duodécimos. Isto também se alarga às empresas de transportes como a CP, Carris, Metro de Lisboa, Metro do Porto, STCP e Refer.
O mesmo acontece na Autoeuropa, em que 99% dos funcionários rejeitaram os duodécimos. Tal como António Chora tinha afirmado ao Dinheiro Vivo há três semanas, a vontade da maioria passa por receber de forma integral, para fazer frente a despesas fixas como seguros ou livros escolares.
Na Amorim Turismo, o cenário é idêntico e não surpreendeu a direção, ainda que a expressão fosse maior do que a esperada. "As pessoas, apesar de tudo, estão mais dispostas a cortar ao longo dos meses do que nos subsídios," que usam para "pagamentos concentrados e pontuais", explicou Jorge Armindo, presidente do grupo. Na sede da Amorim Turismo, a adesão aos duodécimos foi de 50%, mas nos hotéis e nos casinos a percentagem ficou entre 10% e 30%. Ou seja, bem mais de metade dos trabalhadores não abrem mão dos subsídios integrais. O responsável não tem dúvidas de que esta percentagem representa "as pessoas com menor rendimento mensal" e que utilizam o fracionamento como forma de enfrentar o dia a dia.
Já na Corticeira Amorim, a maioria dos colaboradores manifestou-se, igualmente, a favor dos salários sem duodécimos, tal como na Kyaia. Fortunato Frederico, presidente do maior grupo de calçado, admite que a esmagadora maioria dos seus funcionários não quer duodécimos, o que não será estranho ao facto de "termos muita gente com o salário mínimo nacional". No final do ano, e consoante a assiduidade, são recompensados com parte dos resultados da empresa. "Quem nunca falta levou cerca de 600 euros", diz.
Na Sogrape, grupo detentor das marcas Mateus, Sandeman e Ferreira, a contabilidade não está terminada, mas "houve muita gente a dizer que não queria duodécimos". Surpresa, ou talvez não, é a construção. Tanto na Casais como na Gabriel Couto houve "casos pontuais" de trabalhadores a recusar o novo sistema.
Na Mota-Engil, só um terço permanece fiel aos subsídios por inteiro, tal como na BP, onde a divisão ficou em 60%-40%, com os duodécimos a vencer. Algumas empresas consultadas pelo Dinheiro Vivo ainda não somaram todas as respostas. Outras, como a Delta, alargaram o prazo internamente.
Nas empresas públicas a escolha não é possível já que os funcionários recebem obrigatoriamente o subsídio de Natal em duodécimos. Isto também se alarga às empresas de transportes como a CP, Carris, Metro de Lisboa, Metro do Porto, STCP e Refer.
Portugal com a segunda maior quebra nas vendas do comércio a retalho
in Jornal de Notícias
O volume de vendas do comércio a retalho recuou 3,4% na zona euro e 2% na União Europeia em dezembro, em comparação com igual mês de 2011, tendo Portugal registado a segunda maior quebra (8,6%).
De acordo com os dados do gabinete de estatísticas da União Europeia (UE) divulgados esta terça-feira, em novembro, haviam sido registados recuos homólogos de 1,9% na zona euro, de 1% no conjunto dos 27 Estados-membros e de 5,5% em Portugal.
A descida homóloga verificada em Portugal no último mês de 2012, além de ser a segunda mais elevada entre os Estados-membros, foi a maior desde julho de 2012.
A quebra de 8,6% observada em Portugal só foi superada pela registada em Espanha (-12,3%), num pódio em que o terceiro lugar é ocupado pela Eslovénia (-7,5%).
Já as maiores subidas homólogas do volume de vendas do comércio a retalho pertenceram à Letónia (12,5%), à Estónia (7,2%) e à Lituânia (2,7%).
Na comparação mensal, isto é, dezembro em relação a novembro, o volume de vendas do comércio a retalho baixou 0,8% entre os 17 países que partilham a moeda única e 0,6% na UE, depois de, em novembro, ter recuado 0,1% na zona euro e permanecido estável ao nível dos 27.
Portugal registou uma quebra mensal de 1,8%, o mesmo valor observado no mês anterior e que é, simultaneamente, o mais baixo desde setembro de 2012.
Roménia (-3,2%), Espanha (-2,2%) e Eslovénia (-2,1%) registaram as maiores descidas mensais, enquanto as maiores subidas foram observadas no Luxemburgo, na Polónia (2,2% em ambos) e na Estónia (1,9%).
O volume de vendas do comércio a retalho recuou 3,4% na zona euro e 2% na União Europeia em dezembro, em comparação com igual mês de 2011, tendo Portugal registado a segunda maior quebra (8,6%).
De acordo com os dados do gabinete de estatísticas da União Europeia (UE) divulgados esta terça-feira, em novembro, haviam sido registados recuos homólogos de 1,9% na zona euro, de 1% no conjunto dos 27 Estados-membros e de 5,5% em Portugal.
A descida homóloga verificada em Portugal no último mês de 2012, além de ser a segunda mais elevada entre os Estados-membros, foi a maior desde julho de 2012.
A quebra de 8,6% observada em Portugal só foi superada pela registada em Espanha (-12,3%), num pódio em que o terceiro lugar é ocupado pela Eslovénia (-7,5%).
Já as maiores subidas homólogas do volume de vendas do comércio a retalho pertenceram à Letónia (12,5%), à Estónia (7,2%) e à Lituânia (2,7%).
Na comparação mensal, isto é, dezembro em relação a novembro, o volume de vendas do comércio a retalho baixou 0,8% entre os 17 países que partilham a moeda única e 0,6% na UE, depois de, em novembro, ter recuado 0,1% na zona euro e permanecido estável ao nível dos 27.
Portugal registou uma quebra mensal de 1,8%, o mesmo valor observado no mês anterior e que é, simultaneamente, o mais baixo desde setembro de 2012.
Roménia (-3,2%), Espanha (-2,2%) e Eslovénia (-2,1%) registaram as maiores descidas mensais, enquanto as maiores subidas foram observadas no Luxemburgo, na Polónia (2,2% em ambos) e na Estónia (1,9%).
Maioria de trabalhadores rejeitou duodécimos
Ana Margarida Pinheiro, in Dinheiro Vivo
A proposta lançada pelo Governo para uma entrega fracionada dos subsídios de férias e de Natal não convenceu os portugueses, que ainda preferem receber os 13.º e 14.º meses.
O limite legal para os trabalhadores rejeitarem este pagamento terminou ontem e, apesar de alguma divisão, são várias as empresas que vão pagar mais subsídios integrais do que duodécimos.
Na Brisa, a maior parte dos trabalhadores utilizou estes cinco dias, que terminaram ontem, para declarar que não querem duodécimos. O pagamento integral é o que mais interessa a estes funcionários, que preferem receber o subsídio de férias no período imediatamente antes do gozo do descanso e o de Natal até ao dia 15 de dezembro.
O mesmo acontece na Autoeuropa, em que 99% dos funcionários rejeitaram os duodécimos. Tal como António Chora tinha afirmado ao Dinheiro Vivo há três semanas, a vontade da maioria passa por receber de forma integral, para fazer frente a despesas fixas como seguros ou livros escolares.
Na Amorim Turismo, o cenário é idêntico e não surpreendeu a direção, ainda que a expressão fosse maior do que a esperada. "As pessoas, apesar de tudo, estão mais dispostas a cortar ao longo dos meses do que nos subsídios," que usam para "pagamentos concentrados e pontuais", explicou Jorge Armindo, presidente do grupo. Na sede da Amorim Turismo, a adesão aos duodécimos foi de 50%, mas nos hotéis e nos casinos a percentagem ficou entre 10% e 30%. Ou seja, bem mais de metade dos trabalhadores não abrem mão dos subsídios integrais. O responsável não tem dúvidas de que esta percentagem representa "as pessoas com menor rendimento mensal" e que utilizam o fracionamento como forma de enfrentar o dia a dia.
Já na Corticeira Amorim, a maioria dos colaboradores manifestou-se, igualmente, a favor dos salários sem duodécimos, tal como na Kyaia. Fortunato Frederico, presidente do maior grupo de calçado, admite que a esmagadora maioria dos seus funcionários não quer duodécimos, o que não será estranho ao facto de "termos muita gente com o salário mínimo nacional". No final do ano, e consoante a assiduidade, são recompensados com parte dos resultados da empresa. "Quem nunca falta levou cerca de 600 euros", diz.
Na Sogrape, grupo detentor das marcas Mateus, Sandeman e Ferreira, a contabilidade não está terminada, mas "houve muita gente a dizer que não queria duodécimos". Surpresa, ou talvez não, é a construção. Tanto na Casais como na Gabriel Couto houve "casos pontuais" de trabalhadores a recusar o novo sistema.
Na Mota-Engil, só um terço permanece fiel aos subsídios por inteiro, tal como na BP, onde a divisão ficou em 60%-40%, com os duodécimos a vencer. Algumas empresas consultadas pelo Dinheiro Vivo ainda não somaram todas as respostas. Outras, como a Delta, alargaram o prazo internamente.
Nas empresas públicas a escolha não é possível já que os funcionários recebem obrigatoriamente o subsídio de Natal em duodécimos. Isto também se alarga às empresas de transportes como a CP, Carris, Metro de Lisboa, Metro do Porto, STCP e Refer.
A proposta lançada pelo Governo para uma entrega fracionada dos subsídios de férias e de Natal não convenceu os portugueses, que ainda preferem receber os 13.º e 14.º meses.
O limite legal para os trabalhadores rejeitarem este pagamento terminou ontem e, apesar de alguma divisão, são várias as empresas que vão pagar mais subsídios integrais do que duodécimos.
Na Brisa, a maior parte dos trabalhadores utilizou estes cinco dias, que terminaram ontem, para declarar que não querem duodécimos. O pagamento integral é o que mais interessa a estes funcionários, que preferem receber o subsídio de férias no período imediatamente antes do gozo do descanso e o de Natal até ao dia 15 de dezembro.
O mesmo acontece na Autoeuropa, em que 99% dos funcionários rejeitaram os duodécimos. Tal como António Chora tinha afirmado ao Dinheiro Vivo há três semanas, a vontade da maioria passa por receber de forma integral, para fazer frente a despesas fixas como seguros ou livros escolares.
Na Amorim Turismo, o cenário é idêntico e não surpreendeu a direção, ainda que a expressão fosse maior do que a esperada. "As pessoas, apesar de tudo, estão mais dispostas a cortar ao longo dos meses do que nos subsídios," que usam para "pagamentos concentrados e pontuais", explicou Jorge Armindo, presidente do grupo. Na sede da Amorim Turismo, a adesão aos duodécimos foi de 50%, mas nos hotéis e nos casinos a percentagem ficou entre 10% e 30%. Ou seja, bem mais de metade dos trabalhadores não abrem mão dos subsídios integrais. O responsável não tem dúvidas de que esta percentagem representa "as pessoas com menor rendimento mensal" e que utilizam o fracionamento como forma de enfrentar o dia a dia.
Já na Corticeira Amorim, a maioria dos colaboradores manifestou-se, igualmente, a favor dos salários sem duodécimos, tal como na Kyaia. Fortunato Frederico, presidente do maior grupo de calçado, admite que a esmagadora maioria dos seus funcionários não quer duodécimos, o que não será estranho ao facto de "termos muita gente com o salário mínimo nacional". No final do ano, e consoante a assiduidade, são recompensados com parte dos resultados da empresa. "Quem nunca falta levou cerca de 600 euros", diz.
Na Sogrape, grupo detentor das marcas Mateus, Sandeman e Ferreira, a contabilidade não está terminada, mas "houve muita gente a dizer que não queria duodécimos". Surpresa, ou talvez não, é a construção. Tanto na Casais como na Gabriel Couto houve "casos pontuais" de trabalhadores a recusar o novo sistema.
Na Mota-Engil, só um terço permanece fiel aos subsídios por inteiro, tal como na BP, onde a divisão ficou em 60%-40%, com os duodécimos a vencer. Algumas empresas consultadas pelo Dinheiro Vivo ainda não somaram todas as respostas. Outras, como a Delta, alargaram o prazo internamente.
Nas empresas públicas a escolha não é possível já que os funcionários recebem obrigatoriamente o subsídio de Natal em duodécimos. Isto também se alarga às empresas de transportes como a CP, Carris, Metro de Lisboa, Metro do Porto, STCP e Refer.
Jovens portugueses acima da média europeia na perceção dos riscos online
in Jornal de Notícias
Os jovens portugueses entre os nove e os 16 anos têm uma perceção maior do que os seus pares europeus quanto aos riscos associados a conteúdos violentos e pornográficos na internet, revela um estudo divulgado esta terça-feira
"Quando analisámos as respostas das crianças portuguesas, o que notámos foi que Portugal apresentava valores acima da média europeia no que se refere aos conteúdos pornográficos e aos conteúdos violentos", disse à Lusa Cristina Ponte, coordenadora em Portugal do projeto europeu "EU Kids Online", responsável pelo estudo.
De acordo com a coordenadora, os jovens portugueses mostram preocupações com os riscos associados a conteúdos violentos e pornográficos numa percentagem de 27%, contra um valor médio europeu ligeiramente acima dos 20%.
Os portais de partilha de vídeos como o Youtube são a maior fonte de incómodo na internet para os jovens europeus dos nove aos 16 anos, que os associam ao risco de encontrar "online" imagens violentas ou pornográficas.
A conclusão consta de um estudo que congrega as respostas de quase dez mil jovens europeus para aferir o que incomoda as crianças e jovens dessa idade ao usarem a rede.
Conduzido em 25 países europeus, incluindo Portugal, e divulgado na data em que se assinala o Dia Europeu da Internet Mais Segura, este estudo aponta os portais de partilha e alojamento de vídeos, as páginas na internet na sua generalidade, as redes sociais e os jogos, como as principais fontes de incómodos e riscos para os mais novos.
Ainda sobre os resultados relativos aos 430 jovens e crianças portugueses inquiridos, num universo de 9904 respostas em toda a Europa, Cristina Ponte referiu que as respostas portuguesas têm que ser enquadradas "com a paisagem europeia".
"A preocupação com os conteúdos pornográficos e violentos aparece mais nos países do sul da Europa, com uma certa cultura católica e em que o uso da internet não é tão intenso, como no norte da Europa", explicou.
A coordenadora adiantou também que cerca de um terço das respostas portuguesas se assemelhavam mais a "uma recomendação do que realmente àquilo que as crianças acham que pode incomodar uma criança da idade delas".
"A resposta ao questionário parecia reproduzir uma frase que eles ouvem muito: 'Não falar com estranhos'", precisou.
Cristina Ponte destacou a diversidade das respostas a este inquérito, que levou crianças a manifestar preocupações aparentemente tão elementares como entrar na conta da rede social Facebook e perceber que se tem um amigo a menos, a aspetos mais vastos e elaborados como a perceção de uma quase total ausência de privacidade pelo uso da rede.
"São problemas que mostram que as crianças e os jovens estão a viver uma experiência que os seus pais não viveram e que é uma experiência nova em termos de relações sociais", sublinhou a coordenadora portuguesa.
Para Cristina Ponte os resultados indicam uma necessidade de envolver pais, professores, governos e entidades com poderes regulatórios num processo que previna o acesso a imagens violentas.
"Ressalta também a necessidade de uma educação para os direitos das crianças no digital e o direito à sua boa imagem não ser maltratado pelos colegas. Isto é uma questão de educação e respeito que o Dia Europeu da Internet Mais Segura deste ano coloca com muita tónica", afirmou.
Quanto ao envolvimento dos pais, Cristina Ponte pede uma atenção permanente aos sinais dados pelos filhos, um diálogo constante e uma mudança de atitude, já que entre os pais portugueses se denota uma tendência para negar comportamentos reconhecidos até pelas próprias crianças, como o envio ou a receção de imagens sexuais.
Artigo Parcial
Os jovens portugueses entre os nove e os 16 anos têm uma perceção maior do que os seus pares europeus quanto aos riscos associados a conteúdos violentos e pornográficos na internet, revela um estudo divulgado esta terça-feira
"Quando analisámos as respostas das crianças portuguesas, o que notámos foi que Portugal apresentava valores acima da média europeia no que se refere aos conteúdos pornográficos e aos conteúdos violentos", disse à Lusa Cristina Ponte, coordenadora em Portugal do projeto europeu "EU Kids Online", responsável pelo estudo.
De acordo com a coordenadora, os jovens portugueses mostram preocupações com os riscos associados a conteúdos violentos e pornográficos numa percentagem de 27%, contra um valor médio europeu ligeiramente acima dos 20%.
Os portais de partilha de vídeos como o Youtube são a maior fonte de incómodo na internet para os jovens europeus dos nove aos 16 anos, que os associam ao risco de encontrar "online" imagens violentas ou pornográficas.
A conclusão consta de um estudo que congrega as respostas de quase dez mil jovens europeus para aferir o que incomoda as crianças e jovens dessa idade ao usarem a rede.
Conduzido em 25 países europeus, incluindo Portugal, e divulgado na data em que se assinala o Dia Europeu da Internet Mais Segura, este estudo aponta os portais de partilha e alojamento de vídeos, as páginas na internet na sua generalidade, as redes sociais e os jogos, como as principais fontes de incómodos e riscos para os mais novos.
Ainda sobre os resultados relativos aos 430 jovens e crianças portugueses inquiridos, num universo de 9904 respostas em toda a Europa, Cristina Ponte referiu que as respostas portuguesas têm que ser enquadradas "com a paisagem europeia".
"A preocupação com os conteúdos pornográficos e violentos aparece mais nos países do sul da Europa, com uma certa cultura católica e em que o uso da internet não é tão intenso, como no norte da Europa", explicou.
A coordenadora adiantou também que cerca de um terço das respostas portuguesas se assemelhavam mais a "uma recomendação do que realmente àquilo que as crianças acham que pode incomodar uma criança da idade delas".
"A resposta ao questionário parecia reproduzir uma frase que eles ouvem muito: 'Não falar com estranhos'", precisou.
Cristina Ponte destacou a diversidade das respostas a este inquérito, que levou crianças a manifestar preocupações aparentemente tão elementares como entrar na conta da rede social Facebook e perceber que se tem um amigo a menos, a aspetos mais vastos e elaborados como a perceção de uma quase total ausência de privacidade pelo uso da rede.
"São problemas que mostram que as crianças e os jovens estão a viver uma experiência que os seus pais não viveram e que é uma experiência nova em termos de relações sociais", sublinhou a coordenadora portuguesa.
Para Cristina Ponte os resultados indicam uma necessidade de envolver pais, professores, governos e entidades com poderes regulatórios num processo que previna o acesso a imagens violentas.
"Ressalta também a necessidade de uma educação para os direitos das crianças no digital e o direito à sua boa imagem não ser maltratado pelos colegas. Isto é uma questão de educação e respeito que o Dia Europeu da Internet Mais Segura deste ano coloca com muita tónica", afirmou.
Quanto ao envolvimento dos pais, Cristina Ponte pede uma atenção permanente aos sinais dados pelos filhos, um diálogo constante e uma mudança de atitude, já que entre os pais portugueses se denota uma tendência para negar comportamentos reconhecidos até pelas próprias crianças, como o envio ou a receção de imagens sexuais.
Artigo Parcial
Relatório do FMI aponta "possibilidade" de Segurança Social seguir modelo sueco
in Jornal de Notícias
O ex-secretário de Estado da Segurança Social Fernando Ribeiro Mendes disse esta segunda-feira que, em 2015, existe a possibilidade de a Segurança Social funcionar num regime idêntico ao sueco, conforme consta do relatório do Fundo Monetário Internacional.
Intervindo, em Coimbra, na conferência "Saúde e Segurança Social: O Estado pode continuar a tratar de nós?", comemorativa dos 40 anos do jornal "Expresso", revelou que o relatório do FMI sobre a reforma do Estado "menciona expressamente" a possibilidade na opção por um sistema de "capitalização virtual" da parcela entregue mensalmente por cada cidadão à Segurança Social.
"O que quer dizer que, quer os peritos que nos acompanham, quer da parte do Governo que trabalhou com esses peritos, a questão está a ser equacionada como reforma, não de financiamento, mas de formação dos nossos direitos", enfatizou Fernando Ribeiro Mendes.
Disse que o sistema está em vigor em alguns países, "designadamente na Suécia", que se constitui como "a experiência mais avançada" nesse domínio.
Segundo o antigo governante e atual presidente do INATEL, com o novo sistema, os direitos a uma pensão de reforma "poderão passar a ser calculados em função de um mecanismo de capitalização, não das poupanças no sistema financeiro, mas que tenha como referência uma taxa associada ao desempenho da economia".
Questionado pelo moderador da conferência, Francisco Pinto Balsemão, explicou: "Todos nós pomos mensalmente um certo dinheiro nos cofres da Segurança Social e perdemos-lhe o rasto. Isso não deixará de ser assim, continuaremos a por esse dinheiro, mas fica uma espécie de caderneta onde é registada essa entrada e esses registos vão evoluindo como se estivessem num depósito bancário a valorizar-se a determinada taxa".
Deste modo, o pagamento de pensões de reforma "resultaria de um percurso de vida e de capitalização virtual das entregas mensais" que os cidadãos fazem ao longo da sua vida ativa.
Fernando Ribeiro Mendes estimou que em 2015 Portugal assistirá a uma transição entre os regimes de proteção social, considerando que esta "pode ser dolorosa ou menos dolorosa".
Defendeu que a determinação do grau de 'dor' depende das possibilidades que o país apresenta em negociar o recurso à divida pública na reforma do sistema de pensões.
"Há experiências anteriores na Europa de países que puderam negociar com as instâncias europeias a não contabilização de alguma dívida pública, para efeitos de critérios de dívida e de défice, se essa dívida pública estivesse dedicada à reforma estrutural do sistema de pensões", alegou.
Considerando esse cenário como "crucial" e "não impossível", o ex-secretário de Estado frisou que um modelo dessa natureza "seria uma coisa muito benéfica" quando comparada com as reduções de subsídios hoje praticada.
"Acho que devemos ter uma discussão a partir de 2015 sobre qual o nível de dívida pública desejável emitida sob a sigla 'pagar as pensões'. Iria distribuir o peso imposto a mais gerações ativas, menos esforço a cada uma, diluindo num horizonte que pode atingir um século", estimou.
O ex-secretário de Estado da Segurança Social Fernando Ribeiro Mendes disse esta segunda-feira que, em 2015, existe a possibilidade de a Segurança Social funcionar num regime idêntico ao sueco, conforme consta do relatório do Fundo Monetário Internacional.
Intervindo, em Coimbra, na conferência "Saúde e Segurança Social: O Estado pode continuar a tratar de nós?", comemorativa dos 40 anos do jornal "Expresso", revelou que o relatório do FMI sobre a reforma do Estado "menciona expressamente" a possibilidade na opção por um sistema de "capitalização virtual" da parcela entregue mensalmente por cada cidadão à Segurança Social.
"O que quer dizer que, quer os peritos que nos acompanham, quer da parte do Governo que trabalhou com esses peritos, a questão está a ser equacionada como reforma, não de financiamento, mas de formação dos nossos direitos", enfatizou Fernando Ribeiro Mendes.
Disse que o sistema está em vigor em alguns países, "designadamente na Suécia", que se constitui como "a experiência mais avançada" nesse domínio.
Segundo o antigo governante e atual presidente do INATEL, com o novo sistema, os direitos a uma pensão de reforma "poderão passar a ser calculados em função de um mecanismo de capitalização, não das poupanças no sistema financeiro, mas que tenha como referência uma taxa associada ao desempenho da economia".
Questionado pelo moderador da conferência, Francisco Pinto Balsemão, explicou: "Todos nós pomos mensalmente um certo dinheiro nos cofres da Segurança Social e perdemos-lhe o rasto. Isso não deixará de ser assim, continuaremos a por esse dinheiro, mas fica uma espécie de caderneta onde é registada essa entrada e esses registos vão evoluindo como se estivessem num depósito bancário a valorizar-se a determinada taxa".
Deste modo, o pagamento de pensões de reforma "resultaria de um percurso de vida e de capitalização virtual das entregas mensais" que os cidadãos fazem ao longo da sua vida ativa.
Fernando Ribeiro Mendes estimou que em 2015 Portugal assistirá a uma transição entre os regimes de proteção social, considerando que esta "pode ser dolorosa ou menos dolorosa".
Defendeu que a determinação do grau de 'dor' depende das possibilidades que o país apresenta em negociar o recurso à divida pública na reforma do sistema de pensões.
"Há experiências anteriores na Europa de países que puderam negociar com as instâncias europeias a não contabilização de alguma dívida pública, para efeitos de critérios de dívida e de défice, se essa dívida pública estivesse dedicada à reforma estrutural do sistema de pensões", alegou.
Considerando esse cenário como "crucial" e "não impossível", o ex-secretário de Estado frisou que um modelo dessa natureza "seria uma coisa muito benéfica" quando comparada com as reduções de subsídios hoje praticada.
"Acho que devemos ter uma discussão a partir de 2015 sobre qual o nível de dívida pública desejável emitida sob a sigla 'pagar as pensões'. Iria distribuir o peso imposto a mais gerações ativas, menos esforço a cada uma, diluindo num horizonte que pode atingir um século", estimou.
Linha para idosos isolados recebeu cerca de 500 chamadas
in Jornal de Notícias
No primeiro ano de existência, a linha S.Ó.S Lisboa, que a câmara municipal lançou para acompanhamento de idosos isolados, recebeu 493 chamadas, a maioria feita por mulheres com cerca de 80 anos.
Segundo dados da Câmara Municipal de Lisboa, entre 7 de fevereiro de 2012 e segunda-feira, aquela linha recebeu uma média de 1,4 chamadas por dia.
A grande maioria (410) foram provenientes de Lisboa e apenas 83 foram feitas de zonas fora da cidade.
Das 493 chamadas recebidas, 381 necessitaram de atendimento técnico e em oito foram ativados meios de socorro.
Benfica e Olivais foram as freguesias com o maior número de chamadas registadas: 58 e 49 respetivamente. Seguiram-se São Domingos de Benfica (20), Alcântara (16) e Penha de França (15).
No extremo oposto encontram-se as freguesias de Socorro, São Nicolau, São Francisco Xavier, São Cristóvão e São Lourenço, Santos-o-Velho e Madalena, todas com apenas uma chamada.
A linha S.Ó.S Lisboa foi lançada depois de terem sido encontradas 14 pessoas mortas em casa (em casos distintos), em Lisboa, na sua maioria idosas que viviam sozinhas.
De acordo com dados dos Censos 2011, há cerca de 85 mil idosos a viver sozinhos em Lisboa.
A linha pode ser acedida 24 horas por dia, todos os dias do ano, através do número verde 808 204 204.
Do outro lado está uma equipa com elementos da Proteção Civil, Bombeiros Sapadores e Polícia Municipal.
A linha foi criada a pensar nos idosos residentes em Lisboa, mas atende também chamadas feitas fora da cidade, que são depois reencaminhadas para os bombeiros da respetiva localidade.
No primeiro ano de existência, a linha S.Ó.S Lisboa, que a câmara municipal lançou para acompanhamento de idosos isolados, recebeu 493 chamadas, a maioria feita por mulheres com cerca de 80 anos.
Segundo dados da Câmara Municipal de Lisboa, entre 7 de fevereiro de 2012 e segunda-feira, aquela linha recebeu uma média de 1,4 chamadas por dia.
A grande maioria (410) foram provenientes de Lisboa e apenas 83 foram feitas de zonas fora da cidade.
Das 493 chamadas recebidas, 381 necessitaram de atendimento técnico e em oito foram ativados meios de socorro.
Benfica e Olivais foram as freguesias com o maior número de chamadas registadas: 58 e 49 respetivamente. Seguiram-se São Domingos de Benfica (20), Alcântara (16) e Penha de França (15).
No extremo oposto encontram-se as freguesias de Socorro, São Nicolau, São Francisco Xavier, São Cristóvão e São Lourenço, Santos-o-Velho e Madalena, todas com apenas uma chamada.
A linha S.Ó.S Lisboa foi lançada depois de terem sido encontradas 14 pessoas mortas em casa (em casos distintos), em Lisboa, na sua maioria idosas que viviam sozinhas.
De acordo com dados dos Censos 2011, há cerca de 85 mil idosos a viver sozinhos em Lisboa.
A linha pode ser acedida 24 horas por dia, todos os dias do ano, através do número verde 808 204 204.
Do outro lado está uma equipa com elementos da Proteção Civil, Bombeiros Sapadores e Polícia Municipal.
A linha foi criada a pensar nos idosos residentes em Lisboa, mas atende também chamadas feitas fora da cidade, que são depois reencaminhadas para os bombeiros da respetiva localidade.
Maior ameaça à UE é desconfiança dos cidadãos
por Lusa, publicado por Graciosa Silva, in Diário de Notícias
O Presidente francês defendeu hoje, em Estrasburgo, que a grande ameaça atual à União Europeia já não é a desconfiança dos mercados, mas sim dos cidadãos, considerando que o desemprego é o maior problema que os líderes europeus devem enfrentar.
Intervindo num debate no Parlamento Europeu sobre o futuro da UE, por ocasião da sua primeira visita à assembleia desde a sua eleição para o Eliseu, em 2012, François Hollande disse que o "desemprego em massa revela a profundidade da crise" e sustentou que o grande desafio que os líderes europeus têm de ultrapassar é o do crescimento e do emprego, pois não se podem poupar esforços enquanto houver 27 milhões de desempregados na Europa.
Afirmando que a Europa está "longe de ter retirado todas as consequências da crise", o Presidente francês insurgiu-se também contra a austeridade excessiva, defendendo que as medidas de consolidação "devem ser adaptadas às situações nacionais e aplicadas com discernimento quanto à sua duração".
"Senão, condenamos a Europa à austeridade sem fim e eu recuso isso", declarou no hemiciclo de Estrasburgo.
O Presidente francês defendeu hoje, em Estrasburgo, que a grande ameaça atual à União Europeia já não é a desconfiança dos mercados, mas sim dos cidadãos, considerando que o desemprego é o maior problema que os líderes europeus devem enfrentar.
Intervindo num debate no Parlamento Europeu sobre o futuro da UE, por ocasião da sua primeira visita à assembleia desde a sua eleição para o Eliseu, em 2012, François Hollande disse que o "desemprego em massa revela a profundidade da crise" e sustentou que o grande desafio que os líderes europeus têm de ultrapassar é o do crescimento e do emprego, pois não se podem poupar esforços enquanto houver 27 milhões de desempregados na Europa.
Afirmando que a Europa está "longe de ter retirado todas as consequências da crise", o Presidente francês insurgiu-se também contra a austeridade excessiva, defendendo que as medidas de consolidação "devem ser adaptadas às situações nacionais e aplicadas com discernimento quanto à sua duração".
"Senão, condenamos a Europa à austeridade sem fim e eu recuso isso", declarou no hemiciclo de Estrasburgo.
27% dos portugueses sem dinheiro para bens essenciais
por Ana Marcela, in Dinheiro Vivo
Cerca de 30% dos portugueses tem dificuldade em gerir o impacto da crise na sua vida e fazer face às despesas.
A conclusão é do estudo Há luz nesta crise? da empresa de estudos de mercado Kantar Worldpanel, realizado junto de um painel de 4 mil lares no final do ano passado.
O estudo revela que as dificuldades dos portugueses com a crise tem vindo a aumentar. Junto do segmento que a empresa classifica de impactados - casais, com filhos, entre os 25-49 anos, da classe baixa e média baixa e que já representa, 27% dos portugueses - o valor subiu 5 pontos percentais, em relação aos 22% registados em 2009.
A crise teve efeitos nos hábitos de consumo das famílias, com os produtos de marca de distribuição, as ofertas e promoções a serem cada vez um maior chamariz para os consumidores.
O ano passado, de acordo com os dados da Kantar Worldpanel, os frescos (+5,3%), o papel (+2,1%) foram as categorias que viram subir em volume o seu consumo, já as bebidas, por exemplo, caiu 10,6%.
O que leva os responsáveis da empresa de estudos de mercado a concluir que está a emergir "um novo padrão de consumo, mais contido, refletido", diz Sónia Antunes, diretora da Kantar Wordlpanel.
"Já em 2012 se detetou sinais desse novo padrão", diz, afirmando que em termos de alimentação "voltamos aos anos 80". "Comida tradicional como o borrego", exemplifica, "produtos estavam muito associados a momentos específicos" estão a regressar ao consumo das famílias.
À medida que o tempo passa as perspectivas de evolução da economia nos lares também piora. Se em 2009, em média 58,1% dos inquiridos considerava que a crise iria demorar três anos a passar, em 2012 o valor sobe para 76%, com apenas 4,3% a considerar que passado um ano a economia vai dar a volta.
Talvez por isso, 89% do painel - e não apenas os impactados com a crise - digam que toda a família está envolvida no controlo dos custos (em 2009 o valor era 74%) e 76% admita que compara agora mais os preços do que antes. Em 2009, esse valor era de 69%.
Já as promoções e descontos 85% dos lares admitem que é um factor a que dão importância. Mas isso já ocorria em 2009. Já nessa época era um elemento valorizado em 83% dos lares.
Cerca de 30% dos portugueses tem dificuldade em gerir o impacto da crise na sua vida e fazer face às despesas.
A conclusão é do estudo Há luz nesta crise? da empresa de estudos de mercado Kantar Worldpanel, realizado junto de um painel de 4 mil lares no final do ano passado.
O estudo revela que as dificuldades dos portugueses com a crise tem vindo a aumentar. Junto do segmento que a empresa classifica de impactados - casais, com filhos, entre os 25-49 anos, da classe baixa e média baixa e que já representa, 27% dos portugueses - o valor subiu 5 pontos percentais, em relação aos 22% registados em 2009.
A crise teve efeitos nos hábitos de consumo das famílias, com os produtos de marca de distribuição, as ofertas e promoções a serem cada vez um maior chamariz para os consumidores.
O ano passado, de acordo com os dados da Kantar Worldpanel, os frescos (+5,3%), o papel (+2,1%) foram as categorias que viram subir em volume o seu consumo, já as bebidas, por exemplo, caiu 10,6%.
O que leva os responsáveis da empresa de estudos de mercado a concluir que está a emergir "um novo padrão de consumo, mais contido, refletido", diz Sónia Antunes, diretora da Kantar Wordlpanel.
"Já em 2012 se detetou sinais desse novo padrão", diz, afirmando que em termos de alimentação "voltamos aos anos 80". "Comida tradicional como o borrego", exemplifica, "produtos estavam muito associados a momentos específicos" estão a regressar ao consumo das famílias.
À medida que o tempo passa as perspectivas de evolução da economia nos lares também piora. Se em 2009, em média 58,1% dos inquiridos considerava que a crise iria demorar três anos a passar, em 2012 o valor sobe para 76%, com apenas 4,3% a considerar que passado um ano a economia vai dar a volta.
Talvez por isso, 89% do painel - e não apenas os impactados com a crise - digam que toda a família está envolvida no controlo dos custos (em 2009 o valor era 74%) e 76% admita que compara agora mais os preços do que antes. Em 2009, esse valor era de 69%.
Já as promoções e descontos 85% dos lares admitem que é um factor a que dão importância. Mas isso já ocorria em 2009. Já nessa época era um elemento valorizado em 83% dos lares.
4.2.13
Um dia a rua virou casa
in TSF
A Casa da Esperança nasce da inquietação do Padre António do Centro Comunitário da Paróquia de Carcavelos empenhado em devolver rapidamente a dignidade a estas pessoas. Teresa Dias Mendes foi conversar com este padre.
Habituado a lidar com casos de rua por causa do álcool e droga, o Padre António percebeu que, no último ano, a realidade colocou na miséria muitas pessoas que ficaram desempregadas e decidiu fazer algo para ajudar. Foi o caso de Tiago, Alexandre e Ana Rita, três inquilinos da Casa da Esperança, estreada este mês.
«Trabalhava, tinha o meu ordenado, tinha uma casita, fiquei desempregado, não tinha dinheiro para a renda e viemos para a rua», diz Alexandre, que até teve de arrumar carros para sobreviver.
O mesmo aconteceu a Tiago: «Tinha o meu trabalho, tinha a minha casa, tinha a minha vida organizada, estabilizada, fui despedido do trabalho, o banco foi-me buscar a casa e o carro e eu tive que me tornar um sem abrigo».
A Casa da Esperança nasce da inquietação do Padre António do Centro Comunitário da Paróquia de Carcavelos empenhado em devolver rapidamente a dignidade a estas pessoas. Teresa Dias Mendes foi conversar com este padre.
Habituado a lidar com casos de rua por causa do álcool e droga, o Padre António percebeu que, no último ano, a realidade colocou na miséria muitas pessoas que ficaram desempregadas e decidiu fazer algo para ajudar. Foi o caso de Tiago, Alexandre e Ana Rita, três inquilinos da Casa da Esperança, estreada este mês.
«Trabalhava, tinha o meu ordenado, tinha uma casita, fiquei desempregado, não tinha dinheiro para a renda e viemos para a rua», diz Alexandre, que até teve de arrumar carros para sobreviver.
O mesmo aconteceu a Tiago: «Tinha o meu trabalho, tinha a minha casa, tinha a minha vida organizada, estabilizada, fui despedido do trabalho, o banco foi-me buscar a casa e o carro e eu tive que me tornar um sem abrigo».
"Fecho de 'smartshops' pode reforçar mercado negro"
por Gastão Costa Nunes e Cristina Branco, in RR
A abertura das lojas de drogas legais criou uma nova geração de toxicodependentes, admite o funcionário de um destes estabelecimentos, em entrevista à Renascença.
Com ordem anunciada para encerrar existe o risco de alguns "smartshops" tentarem escoar a mercadoria que têm em stock no mercado negro.
Esta é uma realidade reconhecida pelo director do Serviço de Intervenção dos Comportamentos Aditivos e Dependências, antigo Instituto da Droga e Toxicodependência.
João Goulão reconhece que a proibição da venda destas drogas legais leva ao tráfico nas ruas, mas defende que, ainda assim, a medida é benéfica: “Há benefícios com o impedir desta comercialização em lojas de porta aberta. Há a possibilidade de que algumas das substâncias apareçam no mercado ilícito, mas aí serão objecto de intervenção a cargo das forças policiais e aduaneiras”.
O especialista diz que estas lojas abriram as portas a uma nova geração de toxicodependentes: “Temos a noção que haverá bastante uso destas substâncias por novos consumidores, em alguns casos pessoas muito jovens. Temos ainda muito poucos pedidos de ajuda para se libertarem da dependência propriamente. Aquilo que ocorre com o uso destas substâncias são sobretudo situações agudas que motivam o recurso a urgências hospitalares.”
“Não há dúvida que esta é uma porta de entrada para o uso continuado de substâncias. Estas lojas conferem aos utilizadores uma falsa sensação de segurança. As pessoas compram de forma incauta convencidos de que se é vendido numa loja normal não pode ser perigoso”, confirma.
Um trabalhador de uma das destas lojas, que não quis ser identificado, diz à Renascença que está a nascer um novo tipo de tráfico: “Estamos a perder, para além de produto, clientes, devido ao medo destas lojas fecharem, principalmente para toxicodependentes, o produto começou a vender-se na rua. O Estado permitiu que entrasse uma quantidade enorme de estupefacientes em Portugal, uma vez que existem mais de 40 lojas no país. Ao fecharem, todo o produto vai ser escoado no mercado negro”.
Nas lojas oficiais o produto começa a escassear: “Vai-se notando uma quebra porque cada vez é mais difícil os produtos passarem na alfândega. Muitos dos produtos vêm da Ásia, Índia, e por aí”.
O funcionário explica que as chamadas “Smartshops” introduziram no país uma nova geração de toxicodependentes: “É uma hipocrisia da parte do Governo terem permitido que estas lojas estivessem abertas tanto tempo, criando uma nova geração de toxicodependentes. Os clientes dizem que os pós que vendemos são mais potentes que a cocaína e até que a heroína”, explica.
São estes produtos que agora, alegadamente, estão a comercializar-se no mercado negro, face ao encerramento anunciado dos “smartshops”.
O Governo anunciou uma lei para proibir a venda das chamadas drogas legais nos “smartshops” em Janeiro depois de uma série de casos de incidentes envolvendo menores, alguns dos quais tiveram de ser internados. A proibição deve entrar em vigor em Março, segundo os planos do Executivo.
A abertura das lojas de drogas legais criou uma nova geração de toxicodependentes, admite o funcionário de um destes estabelecimentos, em entrevista à Renascença.
Com ordem anunciada para encerrar existe o risco de alguns "smartshops" tentarem escoar a mercadoria que têm em stock no mercado negro.
Esta é uma realidade reconhecida pelo director do Serviço de Intervenção dos Comportamentos Aditivos e Dependências, antigo Instituto da Droga e Toxicodependência.
João Goulão reconhece que a proibição da venda destas drogas legais leva ao tráfico nas ruas, mas defende que, ainda assim, a medida é benéfica: “Há benefícios com o impedir desta comercialização em lojas de porta aberta. Há a possibilidade de que algumas das substâncias apareçam no mercado ilícito, mas aí serão objecto de intervenção a cargo das forças policiais e aduaneiras”.
O especialista diz que estas lojas abriram as portas a uma nova geração de toxicodependentes: “Temos a noção que haverá bastante uso destas substâncias por novos consumidores, em alguns casos pessoas muito jovens. Temos ainda muito poucos pedidos de ajuda para se libertarem da dependência propriamente. Aquilo que ocorre com o uso destas substâncias são sobretudo situações agudas que motivam o recurso a urgências hospitalares.”
“Não há dúvida que esta é uma porta de entrada para o uso continuado de substâncias. Estas lojas conferem aos utilizadores uma falsa sensação de segurança. As pessoas compram de forma incauta convencidos de que se é vendido numa loja normal não pode ser perigoso”, confirma.
Um trabalhador de uma das destas lojas, que não quis ser identificado, diz à Renascença que está a nascer um novo tipo de tráfico: “Estamos a perder, para além de produto, clientes, devido ao medo destas lojas fecharem, principalmente para toxicodependentes, o produto começou a vender-se na rua. O Estado permitiu que entrasse uma quantidade enorme de estupefacientes em Portugal, uma vez que existem mais de 40 lojas no país. Ao fecharem, todo o produto vai ser escoado no mercado negro”.
Nas lojas oficiais o produto começa a escassear: “Vai-se notando uma quebra porque cada vez é mais difícil os produtos passarem na alfândega. Muitos dos produtos vêm da Ásia, Índia, e por aí”.
O funcionário explica que as chamadas “Smartshops” introduziram no país uma nova geração de toxicodependentes: “É uma hipocrisia da parte do Governo terem permitido que estas lojas estivessem abertas tanto tempo, criando uma nova geração de toxicodependentes. Os clientes dizem que os pós que vendemos são mais potentes que a cocaína e até que a heroína”, explica.
São estes produtos que agora, alegadamente, estão a comercializar-se no mercado negro, face ao encerramento anunciado dos “smartshops”.
O Governo anunciou uma lei para proibir a venda das chamadas drogas legais nos “smartshops” em Janeiro depois de uma série de casos de incidentes envolvendo menores, alguns dos quais tiveram de ser internados. A proibição deve entrar em vigor em Março, segundo os planos do Executivo.
Muitos licenciados estão na Suíça a aceitar trabalhos “miseráveis”
in RR
O PCP, na Suíça, alerta para situação "dramática" dos novos emigrantes portugueses e critica a falta de apoio e acompanhamento das estruturas consulares e diplomáticas de Portugal.
O responsável pela Organização do PCP na Suíça alertou para o facto de que há cada vez mais portugueses com formação universitária que emigram para aquele país, em "situação de desespero" e em busca de emprego, acabando por aceitar qualquer trabalho "miserável".
A descrição foi feita à agência Lusa por Manuel Alho, no final de uma reunião da Organização do PCP, na Suíça, para discutir os problemas da comunidade portuguesa.
Segundo Manuel Alho, muitos dos novos emigrantes portugueses na Suíça são "quadros" e pessoas com "formação superior" que, em "situação de desespero", optam por tentar a sorte naquele país, onde também já é "muito difícil" arranjar trabalho, pelo que acabam por aceitar tarefas, por mais desqualificadas que sejam.
Na reunião deste domingo, em Berna, estiveram presentes portugueses que emigraram para a Suíça e que se encontram a viver com muitas dificuldades, tendo apenas a ajuda de amigos, já que, de acordo com Manuel Alho, a Embaixada portuguesa não tem dado qualquer apoio aos emigrantes, apesar de informada dos casos em concreto que atingem os compatriotas.
Outra das críticas de Manuel Alho vai para as dificuldades do ensino do português na Suíça, observando que o Governo português tem "empurrado essa responsabilidade" para o país de acolhimento dos emigrantes, tendo recentemente sido despedidos cerca de 20 pessoas que se dedicavam ao ensino da língua lusa, que devia ser vista por Portugal como um "investimento e uma mais-valia".
O PCP, na Suíça, alerta para situação "dramática" dos novos emigrantes portugueses e critica a falta de apoio e acompanhamento das estruturas consulares e diplomáticas de Portugal.
O responsável pela Organização do PCP na Suíça alertou para o facto de que há cada vez mais portugueses com formação universitária que emigram para aquele país, em "situação de desespero" e em busca de emprego, acabando por aceitar qualquer trabalho "miserável".
A descrição foi feita à agência Lusa por Manuel Alho, no final de uma reunião da Organização do PCP, na Suíça, para discutir os problemas da comunidade portuguesa.
Segundo Manuel Alho, muitos dos novos emigrantes portugueses na Suíça são "quadros" e pessoas com "formação superior" que, em "situação de desespero", optam por tentar a sorte naquele país, onde também já é "muito difícil" arranjar trabalho, pelo que acabam por aceitar tarefas, por mais desqualificadas que sejam.
Na reunião deste domingo, em Berna, estiveram presentes portugueses que emigraram para a Suíça e que se encontram a viver com muitas dificuldades, tendo apenas a ajuda de amigos, já que, de acordo com Manuel Alho, a Embaixada portuguesa não tem dado qualquer apoio aos emigrantes, apesar de informada dos casos em concreto que atingem os compatriotas.
Outra das críticas de Manuel Alho vai para as dificuldades do ensino do português na Suíça, observando que o Governo português tem "empurrado essa responsabilidade" para o país de acolhimento dos emigrantes, tendo recentemente sido despedidos cerca de 20 pessoas que se dedicavam ao ensino da língua lusa, que devia ser vista por Portugal como um "investimento e uma mais-valia".
OCDE enaltece medidas de Portugal para reduzir tempos de espera nos serviços de saúde
in iOnline
As medidas desenvolvidas em Portugal para diminuir o tempo de espera para os serviços de cuidados de saúde é enaltecida num relatório da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE) sobre o assunto.
O relatório, intitulado “Políticas sobre os tempos de espera no setor da saúde”, deverá ser divulgado na íntegra na quarta-feira e dará conta das medidas desenvolvidas nos países da OCDE para o combate aos tempos de espera, nomeadamente para uma cirurgia.
O documento sublinha a importância de analisar as medidas que efetivamente funcionam, perante a ameaça do tempo de espera voltar a subir devido à crise económica e “às fortes pressões sobre os orçamentos públicos”.
De acordo com o sumário da publicação, um estudo recente da OCDE revelou problemas com os tempos de espera em quase todos os países desta organização, envolvendo os cuidados de saúde primários, especialidades no ambulatório, atendimento de emergência, tratamento do cancro e cuidados eletivos.
O documento indicou que mais de metade destes países apresenta prolongados tempos de espera para tratamentos eletivos, os quais são uma questão política controversa.
Entre 2001 e 2004, a OCDE realizou um projeto de revisão das políticas de combate aos tempos de espera excessivos em treze países: Austrália, Canadá, Dinamarca, Finlândia, Irlanda, Itália, Holanda, Nova Zelândia, Noruega, Portugal, Espanha, Suécia e Reino Unido.
Uma década mais tarde, muitos desses países fizeram consideráveis avanços na redução dos tempos de espera, lê-se no sumário do relatório.
As medidas desenvolvidas no Reino Unido e na Finlândia, onde os prestadores de cuidados de saúde são penalizados quando excedem os objetivos, revelou-se eficaz, embora “impopular entre os profissionais de saúde e difícil de sustentar a longo prazo”.
Portugal, Holanda e Dinamarca são países que introduziram a escolha e a concorrência “com sucesso”, uma direção assumida recentemente pelo Reino Unido.
O modelo português é apontado neste estudo como “particularmente eficaz” na diminuição dos tempos de espera. Este define os tempos considerados admissíveis e inclui a emissão de vales que permite ao doente a livre escolha de um prestador (público ou privado) quando os tempos de espera são ultrapassados.
As medidas desenvolvidas em Portugal para diminuir o tempo de espera para os serviços de cuidados de saúde é enaltecida num relatório da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE) sobre o assunto.
O relatório, intitulado “Políticas sobre os tempos de espera no setor da saúde”, deverá ser divulgado na íntegra na quarta-feira e dará conta das medidas desenvolvidas nos países da OCDE para o combate aos tempos de espera, nomeadamente para uma cirurgia.
O documento sublinha a importância de analisar as medidas que efetivamente funcionam, perante a ameaça do tempo de espera voltar a subir devido à crise económica e “às fortes pressões sobre os orçamentos públicos”.
De acordo com o sumário da publicação, um estudo recente da OCDE revelou problemas com os tempos de espera em quase todos os países desta organização, envolvendo os cuidados de saúde primários, especialidades no ambulatório, atendimento de emergência, tratamento do cancro e cuidados eletivos.
O documento indicou que mais de metade destes países apresenta prolongados tempos de espera para tratamentos eletivos, os quais são uma questão política controversa.
Entre 2001 e 2004, a OCDE realizou um projeto de revisão das políticas de combate aos tempos de espera excessivos em treze países: Austrália, Canadá, Dinamarca, Finlândia, Irlanda, Itália, Holanda, Nova Zelândia, Noruega, Portugal, Espanha, Suécia e Reino Unido.
Uma década mais tarde, muitos desses países fizeram consideráveis avanços na redução dos tempos de espera, lê-se no sumário do relatório.
As medidas desenvolvidas no Reino Unido e na Finlândia, onde os prestadores de cuidados de saúde são penalizados quando excedem os objetivos, revelou-se eficaz, embora “impopular entre os profissionais de saúde e difícil de sustentar a longo prazo”.
Portugal, Holanda e Dinamarca são países que introduziram a escolha e a concorrência “com sucesso”, uma direção assumida recentemente pelo Reino Unido.
O modelo português é apontado neste estudo como “particularmente eficaz” na diminuição dos tempos de espera. Este define os tempos considerados admissíveis e inclui a emissão de vales que permite ao doente a livre escolha de um prestador (público ou privado) quando os tempos de espera são ultrapassados.
Fepicop afirma que 2012 foi o pior ano "de sempre" para a construção
in Público on-line
Cálculos da federação defendem que houve uma quebra de 44,4% nas encomendas e que foram emitidas menos 30,2% licenças para construção
A Federação Portuguesa da Indústria da Construção (Fepicop) afirma que 2012 foi ano de queda “sem precedentes” da procura no sector da construção, que levou a uma redução de 44,4% nas encomendas e de 30,2% em novas licenças para construção até Novembro, em comparação com o mesmo período de 2011.
Num comunicado divulgado nesta segunda-feira, a Fepicop anuncia que as perspectivas de emprego no sector caíram 17% em 2012 e que a confiança dos empresários sofreu uma quebra de 25,6%.
De acordo com as contas da federação, a situação financeira das empresas de construção piorou 7,8% ao longo do ano passado. Acrescentando a estes indicadores a queda de 26,9% no consumo do cimento – a maior redução homóloga desde 1973 -, a Fepicop alerta para a “grave crise que assola o sector da construção” em Portugal. A federação chega a anunciar que a “actividade de construção atingiu os valores mais baixos de sempre”.
Até Setembro, a Fepicop calculou ainda que o investimento no sector tenha caído 18,1% e que o Valor Acrescentado Bruto (VAB) tenha sofrido uma quebra de 15,3%.
Cálculos da federação defendem que houve uma quebra de 44,4% nas encomendas e que foram emitidas menos 30,2% licenças para construção
A Federação Portuguesa da Indústria da Construção (Fepicop) afirma que 2012 foi ano de queda “sem precedentes” da procura no sector da construção, que levou a uma redução de 44,4% nas encomendas e de 30,2% em novas licenças para construção até Novembro, em comparação com o mesmo período de 2011.
Num comunicado divulgado nesta segunda-feira, a Fepicop anuncia que as perspectivas de emprego no sector caíram 17% em 2012 e que a confiança dos empresários sofreu uma quebra de 25,6%.
De acordo com as contas da federação, a situação financeira das empresas de construção piorou 7,8% ao longo do ano passado. Acrescentando a estes indicadores a queda de 26,9% no consumo do cimento – a maior redução homóloga desde 1973 -, a Fepicop alerta para a “grave crise que assola o sector da construção” em Portugal. A federação chega a anunciar que a “actividade de construção atingiu os valores mais baixos de sempre”.
Até Setembro, a Fepicop calculou ainda que o investimento no sector tenha caído 18,1% e que o Valor Acrescentado Bruto (VAB) tenha sofrido uma quebra de 15,3%.
Sem uma boa Educação não há país que sobreviva à crise
por Lusa, texto publicado por Isaltina Padrão, in Diário de Notícias
O Movimento Escola Pública divulgou hoje um manifesto no qual afirma que "sem Educação de qualidade não há país que sobreviva à crise" e alerta para o facto de que apenas 32% dos portugueses possui o ensino secundário.
"O Governo quer empurrar-nos ainda mais para trás: só 32% da população portuguesa tem o ensino secundário contra 72% no conjunto dos países da OCDE [Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económicos]", afirmam os signatários do documento, entre eles, Carlos Gomes, da Plataforma pela Educação.
"O ataque à escola pública faz-se sentir todos os dias: dezenas de milhares de professores ficaram sem trabalho, o número de alunos por turma aumentou, milhares de estudantes do ensino superior abandonam as universidades por não poderem pagar ou endividam-se cada vez mais", lê-se no texto intitulado "Maré da Educação".
Segundo o manifesto, pretende-se "criar uma educação para ricos e outra para pobres".
"O Governo da 'troika' insiste em penalizar o povo, encarando a escola pública como mais uma despesa a cortar", lê-se no manifesto.
"Não foram os alunos, nem as famílias, nem os professores, os responsáveis pela dívida que aumenta todos os dias e cujo abuso dos juros anuais supera o orçamento para a Educação", argumentam os autores do texto, maioritariamente professores, como Belandina Vaz, Isabel Borges, Patrícia Figueira e Rui Foles.
"Investir nas pessoas é investir no país de forma responsável, mas tudo está a ser feito ao contrário", atesta o documento que conta entre outras com a assinatura dos estudantes Rodrigo Rivera, Maria Figueiredo e Filipa Gonçalves.
Segundo o texto, divulgado hoje, "a taxa de licenciados [em Portugal] continua muito baixa" e Portugal é "dos países com as propinas mais elevadas da Europa".
Para os subscritores "não há salvação possível quando se atacam os serviços públicos, quando se faz disparar o desemprego, quando se empobrece a escola pública".
"Em vez de investir no que pode levantar o país, o Governo ataca a Educação. O investimento neste setor desceu de 5,9% para 3,8% do Produto Interno Bruto em dois anos, menos de metade da média do investimento nos países da OCDE", argumentam.
Segundo os autores, "a inclusão de agentes externos, nomeadamente bancos, nos conselhos de gestão das universidades prova a intenção do Governo em subjugar o Ensino a uma lógica de mercado e não de conhecimento e cidadania".
"Não aceitamos que um bem público seja posto à venda!", declara o manifesto que conta com as assinaturas dos dirigentes estudantis João Mineiro e Inês Tavares.
No texto é também criticada a posição do Governo e da 'troika' que "ameaçam com mais horas de trabalho, com mais precariedade e despedimentos de professores, propinas ainda mais caras e desde o secundário",
O Movimento Escola Pública divulgou hoje um manifesto no qual afirma que "sem Educação de qualidade não há país que sobreviva à crise" e alerta para o facto de que apenas 32% dos portugueses possui o ensino secundário.
"O Governo quer empurrar-nos ainda mais para trás: só 32% da população portuguesa tem o ensino secundário contra 72% no conjunto dos países da OCDE [Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económicos]", afirmam os signatários do documento, entre eles, Carlos Gomes, da Plataforma pela Educação.
"O ataque à escola pública faz-se sentir todos os dias: dezenas de milhares de professores ficaram sem trabalho, o número de alunos por turma aumentou, milhares de estudantes do ensino superior abandonam as universidades por não poderem pagar ou endividam-se cada vez mais", lê-se no texto intitulado "Maré da Educação".
Segundo o manifesto, pretende-se "criar uma educação para ricos e outra para pobres".
"O Governo da 'troika' insiste em penalizar o povo, encarando a escola pública como mais uma despesa a cortar", lê-se no manifesto.
"Não foram os alunos, nem as famílias, nem os professores, os responsáveis pela dívida que aumenta todos os dias e cujo abuso dos juros anuais supera o orçamento para a Educação", argumentam os autores do texto, maioritariamente professores, como Belandina Vaz, Isabel Borges, Patrícia Figueira e Rui Foles.
"Investir nas pessoas é investir no país de forma responsável, mas tudo está a ser feito ao contrário", atesta o documento que conta entre outras com a assinatura dos estudantes Rodrigo Rivera, Maria Figueiredo e Filipa Gonçalves.
Segundo o texto, divulgado hoje, "a taxa de licenciados [em Portugal] continua muito baixa" e Portugal é "dos países com as propinas mais elevadas da Europa".
Para os subscritores "não há salvação possível quando se atacam os serviços públicos, quando se faz disparar o desemprego, quando se empobrece a escola pública".
"Em vez de investir no que pode levantar o país, o Governo ataca a Educação. O investimento neste setor desceu de 5,9% para 3,8% do Produto Interno Bruto em dois anos, menos de metade da média do investimento nos países da OCDE", argumentam.
Segundo os autores, "a inclusão de agentes externos, nomeadamente bancos, nos conselhos de gestão das universidades prova a intenção do Governo em subjugar o Ensino a uma lógica de mercado e não de conhecimento e cidadania".
"Não aceitamos que um bem público seja posto à venda!", declara o manifesto que conta com as assinaturas dos dirigentes estudantis João Mineiro e Inês Tavares.
No texto é também criticada a posição do Governo e da 'troika' que "ameaçam com mais horas de trabalho, com mais precariedade e despedimentos de professores, propinas ainda mais caras e desde o secundário",
Opção por título-refeição custa 10 euros/mês ao Estado
por Lucília Tiago, in Diário de Notícias
O valor de subsídio de refeição isento de IRS e de contribuições para a Segurança Social baixou no início deste ano de 5,12 para 4,27 euros.
Um dos principais objetivos do Governo com esta medida foi obter mais receita. Mas o resultado pode ser diferente do esperado porque basta que uma empresa decida trocar o pagamento deste subsídio em dinheiro por título-refeição, para que o Estado deixe de receber 10,24 euros por mês por cada trabalhador abrangido.
O encargo fiscal com os subsídios que excedam o valor isento de tributação afeta tanto o trabalhador como a empresa. Ao empregador é exigido que entregue ao Estado 23,75% sobre o valor que está acima dos 4,27 euros, a título da taxa social única (TSU), enquanto o trabalhador terá de pagar IRS e os 11% de contribuição para a Segurança Social.
Na mira deste novo encargo fiscal está apenas um valor diário de 85 cêntimos (para quem até dezembro de 2012 recebia um subsídio de 5,12 euros), mas no final do mês isto implicará que o funcionário desconte mais 5,80 euros por mês, enquanto a empresa terá de pagar mais 4,44 euros de TSU. No final de um ano, o trabalhador terá recebido menos 63,8 euros, enquanto a empresa terá entregue ao Estado mais 44,84 euros. Estes cálculos foram feitos apenas tendo em consideração as empresas que em 2012 pagavam um subsídio de alimentação "encostado" ao patamar máximo isento, mas os encargos são bastante mais elevados nos casos em que este subsídio está acima daquele limite.
Este foi o segundo ano consecutivo em que o Governo "mexeu" nos subsídios de refeição pagos em dinheiro. Em 2012, desceu o valor isento de 6,41 para 5,12 euros, e este ano decidiu tomar como valor de referência os 4,27 euros que são pagos aos funcionários públicos.
A mudança registada no ano passado fez disparar a procura pelos títulos e cartões de refeição, porque o valor pago nestas modalidades está a "salvo" do IRS e da TSU até aos 6,83 euros diários. Em 2012, segundo Rui Proença, diretor geral da Edenred (que disponibiliza o Euroticket), o número de subsídios de refeição pagos através de título triplicou e este ano a procura por parte das empresas continua a subir na sequência da alteração introduzida pelo Orçamento do Estado. Em declarações recentes ao Dinheiro Vivo, Rui Proença, afirmou que a expectativa é de crescimentos na casa dos dois dígitos este ano.
E a margem para crescer é grande, num negócio em que os bancos estão também a apostar - com o BES, BCP e a CGD a disporem de ofertas de cartões. De acordo com Rui Proença, o subsídio de refeição é pago a 2,9 milhões de pessoas em Portugal, mas apenas 5% (ou seja entre 130 a 150 mil) o recebe através de título e não em dinheiro. Portugal é ainda o único pais da União Europeia que permite benefícios fiscais nos subsídios pagos em dinheiro.
O valor de subsídio de refeição isento de IRS e de contribuições para a Segurança Social baixou no início deste ano de 5,12 para 4,27 euros.
Um dos principais objetivos do Governo com esta medida foi obter mais receita. Mas o resultado pode ser diferente do esperado porque basta que uma empresa decida trocar o pagamento deste subsídio em dinheiro por título-refeição, para que o Estado deixe de receber 10,24 euros por mês por cada trabalhador abrangido.
O encargo fiscal com os subsídios que excedam o valor isento de tributação afeta tanto o trabalhador como a empresa. Ao empregador é exigido que entregue ao Estado 23,75% sobre o valor que está acima dos 4,27 euros, a título da taxa social única (TSU), enquanto o trabalhador terá de pagar IRS e os 11% de contribuição para a Segurança Social.
Na mira deste novo encargo fiscal está apenas um valor diário de 85 cêntimos (para quem até dezembro de 2012 recebia um subsídio de 5,12 euros), mas no final do mês isto implicará que o funcionário desconte mais 5,80 euros por mês, enquanto a empresa terá de pagar mais 4,44 euros de TSU. No final de um ano, o trabalhador terá recebido menos 63,8 euros, enquanto a empresa terá entregue ao Estado mais 44,84 euros. Estes cálculos foram feitos apenas tendo em consideração as empresas que em 2012 pagavam um subsídio de alimentação "encostado" ao patamar máximo isento, mas os encargos são bastante mais elevados nos casos em que este subsídio está acima daquele limite.
Este foi o segundo ano consecutivo em que o Governo "mexeu" nos subsídios de refeição pagos em dinheiro. Em 2012, desceu o valor isento de 6,41 para 5,12 euros, e este ano decidiu tomar como valor de referência os 4,27 euros que são pagos aos funcionários públicos.
A mudança registada no ano passado fez disparar a procura pelos títulos e cartões de refeição, porque o valor pago nestas modalidades está a "salvo" do IRS e da TSU até aos 6,83 euros diários. Em 2012, segundo Rui Proença, diretor geral da Edenred (que disponibiliza o Euroticket), o número de subsídios de refeição pagos através de título triplicou e este ano a procura por parte das empresas continua a subir na sequência da alteração introduzida pelo Orçamento do Estado. Em declarações recentes ao Dinheiro Vivo, Rui Proença, afirmou que a expectativa é de crescimentos na casa dos dois dígitos este ano.
E a margem para crescer é grande, num negócio em que os bancos estão também a apostar - com o BES, BCP e a CGD a disporem de ofertas de cartões. De acordo com Rui Proença, o subsídio de refeição é pago a 2,9 milhões de pessoas em Portugal, mas apenas 5% (ou seja entre 130 a 150 mil) o recebe através de título e não em dinheiro. Portugal é ainda o único pais da União Europeia que permite benefícios fiscais nos subsídios pagos em dinheiro.
PCP alerta para situação "dramática" dos novos emigrantes na Suíça
in Jornal de Notícias
O responsável pela Organização do PCP na Suíça alertou, este domingo, que há cada vez mais portugueses com formação universitária que emigram para aquele país, em "situação de desespero" e em busca de emprego, acabando por aceitar qualquer trabalho "miserável".
A descrição foi feita à agência Lusa por Manuel Alho, no final de uma reunião da Organização do PCP na Suíça para discutir os problemas da comunidade portuguesa.
Segundo Manuel Alho, muitos dos novos emigrantes portugueses na Suíça são "quadros" e pessoas com "formação superior" que, em "situação de desespero", optam por tentar a sorte naquele país, onde também já é "muito difícil" arranjar trabalho, pelo que acabam por aceitar tarefas, por mais desqualificadas que sejam.
Na reunião deste domingo em Berna estiveram presentes portugueses que emigraram para a Suíça e que se encontram a viver com muitas dificuldades, tendo apenas a ajuda de amigos, já que, de acordo com Manuel Alho, a Embaixada portuguesa não tem dado qualquer apoio aos emigrantes, apesar de informada dos casos em concreto que atingem os compatriotas.
A falta de apoio e acompanhamento das estruturas consulares e diplomáticas de Portugal aos emigrantes que chegam e vivem em "situação precária" é uma das críticas do responsável do PCP na Suíça, numa altura em que os próprios meios de comunicação social locais noticiam o crescente fluxo migratório de portugueses para aquele país.
Outra das críticas de Manuel Alho vai para as dificuldades do ensino do português na Suíça, observando que o Governo português tem "empurrado essa responsabilidade" para o país de acolhimento dos emigrantes, tendo recentemente sido despedidos cerca de 20 pessoas que se dedicavam ao ensino da língua lusa, que devia ser vista por Portugal como um "investimento e uma mais-valia".
O responsável pela Organização do PCP na Suíça alertou, este domingo, que há cada vez mais portugueses com formação universitária que emigram para aquele país, em "situação de desespero" e em busca de emprego, acabando por aceitar qualquer trabalho "miserável".
A descrição foi feita à agência Lusa por Manuel Alho, no final de uma reunião da Organização do PCP na Suíça para discutir os problemas da comunidade portuguesa.
Segundo Manuel Alho, muitos dos novos emigrantes portugueses na Suíça são "quadros" e pessoas com "formação superior" que, em "situação de desespero", optam por tentar a sorte naquele país, onde também já é "muito difícil" arranjar trabalho, pelo que acabam por aceitar tarefas, por mais desqualificadas que sejam.
Na reunião deste domingo em Berna estiveram presentes portugueses que emigraram para a Suíça e que se encontram a viver com muitas dificuldades, tendo apenas a ajuda de amigos, já que, de acordo com Manuel Alho, a Embaixada portuguesa não tem dado qualquer apoio aos emigrantes, apesar de informada dos casos em concreto que atingem os compatriotas.
A falta de apoio e acompanhamento das estruturas consulares e diplomáticas de Portugal aos emigrantes que chegam e vivem em "situação precária" é uma das críticas do responsável do PCP na Suíça, numa altura em que os próprios meios de comunicação social locais noticiam o crescente fluxo migratório de portugueses para aquele país.
Outra das críticas de Manuel Alho vai para as dificuldades do ensino do português na Suíça, observando que o Governo português tem "empurrado essa responsabilidade" para o país de acolhimento dos emigrantes, tendo recentemente sido despedidos cerca de 20 pessoas que se dedicavam ao ensino da língua lusa, que devia ser vista por Portugal como um "investimento e uma mais-valia".
Maioria dos reformados é professor do ensino básico e secundário
in Jornal de Notícias
A maioria dos reformados do Ministério da Educação e Ciência é professor do ensino básico e secundário e recebe, em média, uma pensão de dois mil euros, metade do valor atribuído aos professores catedráticos.
No ano passado reformaram-se 2.992 docentes do ensino obrigatório, segundo uma contagem feita pela Agência Lusa às listagens das aposentações publicadas em Diário da República.
Num total de 4.366 reformados do Ministério da Educação e Ciência (MEC), 68% eram professores do ensino básico e secundário. Terminaram a carreira com uma reforma média de 2.032 euros.
Comparando com o valor total das pensões atribuídas aos funcionários com vínculo ao MEC, este grupo de docentes recebe 14% acima da média: as reformas dos professores rondaram os 6 milhões de euros (78,5% dos custos totais em reformas do MEC, que ascendeu a 7,753 milhões).
No ensino público obrigatório, dois em cada três professores reformados são mulheres mas a pensão mais elevada foi atribuída a um professor, que passou a ganhar 3.953 euros. Já a mais baixa foi atribuída a uma professora: 237,38 euros mensais.
Em 2013 já se reformaram mais 690 professores do básico e secundário. As suas reformas totalizam perto de 1,5 milhões de euros. Em janeiro, a maior reforma atribuída foi de três mil euros, sendo o valor mínimo de 706 euros. A média das pensões atribuídas em janeiro subiu um pouco em relação à media registada no ano passado, atingindo agora os 2.059 euros.
O ligeiro aumento do valor médio das pensões registado este ano não significa que no final do mês o rendimento disponível seja superior, já que houve um agravamento dos escalões de IRS e a criação de uma contribuição extraordinária de solidariedade para todos os pensionistas com reformas acima dos 1.350 euros.
Continuam a ser os professores do ensino superior que recebem as reformas mais elevadas. No ano passado, a maior reforma chegou aos 6.788 euros e foi atribuída ao vice-presidente do Instituto Politécnico de Lisboa.
A pensão média dos 47 catedráticos que em 2012 abandonaram a docência foi de 4.377 euros. Há, no entanto, uma diferença de 300 euros entre as reformas atribuídas às sete professoras catedráticas e aos 40 professores: as professoras receberam, em média, 4.632 euros enquanto os professores 4.333 euros.
Mas também há professores do ensino superior com reformas abaixo dos mil euros, como um professor do Instituto Universitário de Lisboa que ficou com uma pensão mensal de 727 euros ou um docente do Politécnico de Leiria que agora recebe 860 euros.
A maioria dos reformados do Ministério da Educação e Ciência é professor do ensino básico e secundário e recebe, em média, uma pensão de dois mil euros, metade do valor atribuído aos professores catedráticos.
No ano passado reformaram-se 2.992 docentes do ensino obrigatório, segundo uma contagem feita pela Agência Lusa às listagens das aposentações publicadas em Diário da República.
Num total de 4.366 reformados do Ministério da Educação e Ciência (MEC), 68% eram professores do ensino básico e secundário. Terminaram a carreira com uma reforma média de 2.032 euros.
Comparando com o valor total das pensões atribuídas aos funcionários com vínculo ao MEC, este grupo de docentes recebe 14% acima da média: as reformas dos professores rondaram os 6 milhões de euros (78,5% dos custos totais em reformas do MEC, que ascendeu a 7,753 milhões).
No ensino público obrigatório, dois em cada três professores reformados são mulheres mas a pensão mais elevada foi atribuída a um professor, que passou a ganhar 3.953 euros. Já a mais baixa foi atribuída a uma professora: 237,38 euros mensais.
Em 2013 já se reformaram mais 690 professores do básico e secundário. As suas reformas totalizam perto de 1,5 milhões de euros. Em janeiro, a maior reforma atribuída foi de três mil euros, sendo o valor mínimo de 706 euros. A média das pensões atribuídas em janeiro subiu um pouco em relação à media registada no ano passado, atingindo agora os 2.059 euros.
O ligeiro aumento do valor médio das pensões registado este ano não significa que no final do mês o rendimento disponível seja superior, já que houve um agravamento dos escalões de IRS e a criação de uma contribuição extraordinária de solidariedade para todos os pensionistas com reformas acima dos 1.350 euros.
Continuam a ser os professores do ensino superior que recebem as reformas mais elevadas. No ano passado, a maior reforma chegou aos 6.788 euros e foi atribuída ao vice-presidente do Instituto Politécnico de Lisboa.
A pensão média dos 47 catedráticos que em 2012 abandonaram a docência foi de 4.377 euros. Há, no entanto, uma diferença de 300 euros entre as reformas atribuídas às sete professoras catedráticas e aos 40 professores: as professoras receberam, em média, 4.632 euros enquanto os professores 4.333 euros.
Mas também há professores do ensino superior com reformas abaixo dos mil euros, como um professor do Instituto Universitário de Lisboa que ficou com uma pensão mensal de 727 euros ou um docente do Politécnico de Leiria que agora recebe 860 euros.
Espanha com mais 132 mil pessoas sem emprego em janeiro
in Jornal de Notícias
O número total de desempregados em Espanha aumentou em janeiro em 132055 pessoas, para um total de mais de 4,98 milhões, com o número de trabalhadores ativos a descer em 263 mil, segundo dados divulgados esta segunda-feira.
Os números divulgados pelo Ministério do Emprego e Segurança Social confirmam que o aumento mensal foi de 2,72% e que o crescimento do desemprego num ano foi de 8,28%.
A perda de emprego ocorreu em todos os setores, com destaque para a descida de 8,15% na agricultura e de 3,64% no setor de serviços.
Os dados confirmam também que o número de trabalhadores no ativo caiu em 263243 pessoas em janeiro, ou menos 1,60% que em dezembro do ano passado.
Comparativamente a janeiro de 2012, o sistema perdeu mais de 778 mil trabalhadores, o que significa um recuo de 4,59%.
Depois do sexto mês consecutivo de descidas neste indicador, o número total de trabalhadores em Espanha era, no final de janeiro, de 16179438 pessoas.
Tomás Burgos, secretário de Estado da Segurança Social destaca que janeiro "sempre foi um mês mau para o emprego" e que os números são afetados pelo fim dos contratos do período de Natal.
O número total de desempregados em Espanha aumentou em janeiro em 132055 pessoas, para um total de mais de 4,98 milhões, com o número de trabalhadores ativos a descer em 263 mil, segundo dados divulgados esta segunda-feira.
Os números divulgados pelo Ministério do Emprego e Segurança Social confirmam que o aumento mensal foi de 2,72% e que o crescimento do desemprego num ano foi de 8,28%.
A perda de emprego ocorreu em todos os setores, com destaque para a descida de 8,15% na agricultura e de 3,64% no setor de serviços.
Os dados confirmam também que o número de trabalhadores no ativo caiu em 263243 pessoas em janeiro, ou menos 1,60% que em dezembro do ano passado.
Comparativamente a janeiro de 2012, o sistema perdeu mais de 778 mil trabalhadores, o que significa um recuo de 4,59%.
Depois do sexto mês consecutivo de descidas neste indicador, o número total de trabalhadores em Espanha era, no final de janeiro, de 16179438 pessoas.
Tomás Burgos, secretário de Estado da Segurança Social destaca que janeiro "sempre foi um mês mau para o emprego" e que os números são afetados pelo fim dos contratos do período de Natal.
«Está traçado um quadro de miséria para os próximos anos»
in TVI24
Constança Cunha e Sá analisa nesta sexta-feira os números revelados pelo Eurostat sobre o desemprego e afirma que, «infelizmente, é um recorde que se vai bater a si próprio todos os meses».
«A previsão do Governo é de 16,4 por cento para este ano e em dezembro já ficou em 16,5. E a previsão é para que aumente em 2013 e 2014», diz a comantadora da TVI referindo que as pessoas sem emprego «não são 900» mil: «O número real é de um milhão e tal. E a tendência é para aumentar.»
Constança Cunha e Sá considera que «é assustador ver que o primeiro-ministro não tem uma palavra sobre este número» e que «não existe horizonte de esperança nenhum para os desempregados». «Está traçado um quadro de miséria para os próximos anos», conclui.
Constança Cunha e Sá analisa nesta sexta-feira os números revelados pelo Eurostat sobre o desemprego e afirma que, «infelizmente, é um recorde que se vai bater a si próprio todos os meses».
«A previsão do Governo é de 16,4 por cento para este ano e em dezembro já ficou em 16,5. E a previsão é para que aumente em 2013 e 2014», diz a comantadora da TVI referindo que as pessoas sem emprego «não são 900» mil: «O número real é de um milhão e tal. E a tendência é para aumentar.»
Constança Cunha e Sá considera que «é assustador ver que o primeiro-ministro não tem uma palavra sobre este número» e que «não existe horizonte de esperança nenhum para os desempregados». «Está traçado um quadro de miséria para os próximos anos», conclui.
Benefícios para quem contratar desempregados
in TVI24
Inativos a partir dos 45 anos também são abrangidos pela medida
Há novos incentivos à contratação de desempregados ou inativos com mais de 45 anos. O diploma que consagra os benefícios para as empresas empregadoras já foi publicado em Diário da República e visa combater o desemprego nas faixas etárias mais afetadas pela crise.
As novas medidas preveem o reembolso de uma percentagem das contribuições para a Segurança Social às empresas empregadoras, mas o reembolso não pode exceder os 200 euros por contrato e por mês. Para aceder ao benefício, da contratação tem de resultar a criação líquida de emprego, ou seja, a empresa não pode despedir outro trabalhador para contratar um que lhe dê acesso aos benefícios.
O apoio terá a duração máxima de 18 meses.
O principal alvo são as pessoas desempregadas ou inativos a partir dos 45 anos, inscritos há pelo menos seis meses nos centros de emprego.
Inativos a partir dos 45 anos também são abrangidos pela medida
Há novos incentivos à contratação de desempregados ou inativos com mais de 45 anos. O diploma que consagra os benefícios para as empresas empregadoras já foi publicado em Diário da República e visa combater o desemprego nas faixas etárias mais afetadas pela crise.
As novas medidas preveem o reembolso de uma percentagem das contribuições para a Segurança Social às empresas empregadoras, mas o reembolso não pode exceder os 200 euros por contrato e por mês. Para aceder ao benefício, da contratação tem de resultar a criação líquida de emprego, ou seja, a empresa não pode despedir outro trabalhador para contratar um que lhe dê acesso aos benefícios.
O apoio terá a duração máxima de 18 meses.
O principal alvo são as pessoas desempregadas ou inativos a partir dos 45 anos, inscritos há pelo menos seis meses nos centros de emprego.
Desemprego está a transformar vítimas em cúmplices
in TVI24
O desemprego e o desespero em resultado da crise estão a consolidar uma forma de fraude informática que desde 2009 registou um «boom» em Portugal, disse à Lusa um responsável pela investigação criminal da Polícia Judiciária.
A fraude chama-se «phishing» e consiste em obter dados pessoais sobretudo para aceder a contas bancárias e fazer branqueamento de dinheiro.
«Podemos identificar um boom de situações de phishing entre 2009 e 2011», admitiu o responsável pela Secção Central de Investigação da Criminalidade de Alta Tecnologia (SCICAT) da PJ, Carlos Cabreiro.
Só em 2012, o aumento registado deste tipo de crime ascendeu aos 20% em relação a 2011, referiu. Carlos Cabreiro adiantou que apenas na área de Lisboa houve 800 inquéritos que representam um prejuízo de quase um milhão de euros.
A «pesca» é feita, em muitos casos, através de ofertas de emprego a que as pessoas respondem dando dados pessoais.
«É um dos modus operandis que existe e baseia-se na mensagem ilusória de [oferta de] emprego, levando as pessoas a fornecer dados pessoais que não deviam ser, em nenhum momento, fornecidos a terceiros», explicou Carlos Cabreira.
O desemprego e o desespero em resultado da crise estão a consolidar uma forma de fraude informática que desde 2009 registou um «boom» em Portugal, disse à Lusa um responsável pela investigação criminal da Polícia Judiciária.
A fraude chama-se «phishing» e consiste em obter dados pessoais sobretudo para aceder a contas bancárias e fazer branqueamento de dinheiro.
«Podemos identificar um boom de situações de phishing entre 2009 e 2011», admitiu o responsável pela Secção Central de Investigação da Criminalidade de Alta Tecnologia (SCICAT) da PJ, Carlos Cabreiro.
Só em 2012, o aumento registado deste tipo de crime ascendeu aos 20% em relação a 2011, referiu. Carlos Cabreiro adiantou que apenas na área de Lisboa houve 800 inquéritos que representam um prejuízo de quase um milhão de euros.
A «pesca» é feita, em muitos casos, através de ofertas de emprego a que as pessoas respondem dando dados pessoais.
«É um dos modus operandis que existe e baseia-se na mensagem ilusória de [oferta de] emprego, levando as pessoas a fornecer dados pessoais que não deviam ser, em nenhum momento, fornecidos a terceiros», explicou Carlos Cabreira.
Serviços Mínimos Bancários
in Instituto de Segurança Social
Foi lançado um novo regime de serviços mínimos bancários para clientes particulares.
Este serviço surge na sequência de um protocolo assinado pelo Ministério da Economia e do Emprego e o Banco de Portugal com seis instituições bancárias.
Os clientes têm direito a aceder a um conjunto de serviços bancários a um custo reduzido, ou seja, os encargos cobrados anualmente aos clientes com serviços mínimos bancários não podem exceder 1% do salário mínimo nacional (equivalente a 4,85 euros, em 2012).
Serviços mínimos disponibilizados:
• Abertura e manutenção de uma conta de depósitos à ordem.
• Utilização do respetivo cartão de débito.
• Acesso a caixas automáticas e serviço de homebanking.
• Levantamentos e depósitos, pagamentos de bens e serviços, débitos diretos, transferências intrabancárias nacionais.
Para aderir o cliente tem que:
• Assinar uma declaração em que afirme não ser titular de qualquer outra conta de depósito à ordem.
• Movimentar com alguma regularidade a conta e manter um saldo médio igual ou superior a 5% do salário mínimo nacional (24,25 euros, em 2012).
Para mais informações aceda a www.todoscontam.pt
Instituições bancárias aderentes:
• Banco Comercial Português
• Banco Espírito Santo
• Banco Português de Investimento
• Banco Santander Totta
• Caixa Económica Montepio Geral
• Caixa Geral de Depósitos
Foi lançado um novo regime de serviços mínimos bancários para clientes particulares.
Este serviço surge na sequência de um protocolo assinado pelo Ministério da Economia e do Emprego e o Banco de Portugal com seis instituições bancárias.
Os clientes têm direito a aceder a um conjunto de serviços bancários a um custo reduzido, ou seja, os encargos cobrados anualmente aos clientes com serviços mínimos bancários não podem exceder 1% do salário mínimo nacional (equivalente a 4,85 euros, em 2012).
Serviços mínimos disponibilizados:
• Abertura e manutenção de uma conta de depósitos à ordem.
• Utilização do respetivo cartão de débito.
• Acesso a caixas automáticas e serviço de homebanking.
• Levantamentos e depósitos, pagamentos de bens e serviços, débitos diretos, transferências intrabancárias nacionais.
Para aderir o cliente tem que:
• Assinar uma declaração em que afirme não ser titular de qualquer outra conta de depósito à ordem.
• Movimentar com alguma regularidade a conta e manter um saldo médio igual ou superior a 5% do salário mínimo nacional (24,25 euros, em 2012).
Para mais informações aceda a www.todoscontam.pt
Instituições bancárias aderentes:
• Banco Comercial Português
• Banco Espírito Santo
• Banco Português de Investimento
• Banco Santander Totta
• Caixa Económica Montepio Geral
• Caixa Geral de Depósitos
Banco de medicamentos já tem 40 mil embalagens para idosos
por Marlene Carriço, in Jornal de Nogócios on-line
O banco de medicamentos, criado pelo Governo para apoiar idosos carenciados a viver em instituições, já tem 40 mil embalagens, num total de 250 mil euros.
O ministro da Solidariedade e da Segurança Social, Pedro Mota Soares, disse hoje que o banco de medicamentos, criado no âmbito do Programa de Emergência Social, está a “ultrapassar largamente as expectativas” do Governo.
Desde o seu arranque oficial, a 1 de Dezembro, esta plataforma já recebeu 40 mil embalagens, num total de 250 mil euros, revelou esta tarde o ministro Pedro Mota Soares no Parlamento, durante uma interpelação do Bloco de Esquerda sobre políticas sociais.
Logo nos primeiros dias de funcionamento, esta plataforma – a 4 de Dezembro – tinham sido distribuídas mais de 500 embalagens, de acordo com os dados então revelados pelo Governo. Tinham aderido 19 farmacêuticas e 59 instituições.
O Banco de Medicamentos é um sistema no qual instituições sociais recebem fármacos de empresas farmacêuticas e os distribuem gratuitamente por idosos carenciados.
Este banco resulta de um protocolo assinado pelo Ministério da Solidariedade e Segurança Social, pela Autoridade Nacional do Medicamento (Infarmed), pela Associação da Indústria Farmacêutica (Apifarma) e pela União das Misericórdias Portuguesas.
O Governo esperava fazer chegar junto da população idosa mais carenciada entre 30 mil a 35 mil embalagens de medicamentos com prazo de validade nunca inferior a seis meses.
O banco de medicamentos, criado pelo Governo para apoiar idosos carenciados a viver em instituições, já tem 40 mil embalagens, num total de 250 mil euros.
O ministro da Solidariedade e da Segurança Social, Pedro Mota Soares, disse hoje que o banco de medicamentos, criado no âmbito do Programa de Emergência Social, está a “ultrapassar largamente as expectativas” do Governo.
Desde o seu arranque oficial, a 1 de Dezembro, esta plataforma já recebeu 40 mil embalagens, num total de 250 mil euros, revelou esta tarde o ministro Pedro Mota Soares no Parlamento, durante uma interpelação do Bloco de Esquerda sobre políticas sociais.
Logo nos primeiros dias de funcionamento, esta plataforma – a 4 de Dezembro – tinham sido distribuídas mais de 500 embalagens, de acordo com os dados então revelados pelo Governo. Tinham aderido 19 farmacêuticas e 59 instituições.
O Banco de Medicamentos é um sistema no qual instituições sociais recebem fármacos de empresas farmacêuticas e os distribuem gratuitamente por idosos carenciados.
Este banco resulta de um protocolo assinado pelo Ministério da Solidariedade e Segurança Social, pela Autoridade Nacional do Medicamento (Infarmed), pela Associação da Indústria Farmacêutica (Apifarma) e pela União das Misericórdias Portuguesas.
O Governo esperava fazer chegar junto da população idosa mais carenciada entre 30 mil a 35 mil embalagens de medicamentos com prazo de validade nunca inferior a seis meses.
2.2.13
"Há um potencial enorme na agricultura", diz João Salgueiro
in Expresso
O economista João Salgueiro considera que "há um potencial enorme desaproveitado na agricultura portuguesa". O economista falava sobre o setor no congresso do milho, ontem realizado em Lisboa.
O economista João Salgueiro foi ao IX Congresso Nacional do Milho, que ontem se realizou em Lisboa, reforçar a ideia de que a alternativa às políticas de austeridade passam pela adoção de modelos económicos que promovam o investimento produtivo uma vez que existe "um enorme potencial desaproveitado na agricultura".
Esta foi também uma opinião partilhada por Luis Vasconcellos e Souza, presindente da ANPROMIS - Associação Nacional dos Produtores de Milho e Sorgo, que vê nas culturas de regadio um importante motor de crescimento e competitividade para a economia nacional. "Apesar dos bons resultados obtidos na passada campanha, é importante não esquecer que continuamos com sérias carências no que toca ao auto-abastecimento em cereais. Hoje mais do que nunca, e tendo em conta o enorme potencial de novas áreas de regadio como as que vêm surgindo em torno do Alqueva, importa criar condições para que esta seja uma cultura que contribua de forma significativa para o imprescindível aumento do nosso grau de auto-abastecimento e do Produto Agrícola Bruto" acrescentou.
O economista João Salgueiro considera que "há um potencial enorme desaproveitado na agricultura portuguesa". O economista falava sobre o setor no congresso do milho, ontem realizado em Lisboa.
O economista João Salgueiro foi ao IX Congresso Nacional do Milho, que ontem se realizou em Lisboa, reforçar a ideia de que a alternativa às políticas de austeridade passam pela adoção de modelos económicos que promovam o investimento produtivo uma vez que existe "um enorme potencial desaproveitado na agricultura".
Esta foi também uma opinião partilhada por Luis Vasconcellos e Souza, presindente da ANPROMIS - Associação Nacional dos Produtores de Milho e Sorgo, que vê nas culturas de regadio um importante motor de crescimento e competitividade para a economia nacional. "Apesar dos bons resultados obtidos na passada campanha, é importante não esquecer que continuamos com sérias carências no que toca ao auto-abastecimento em cereais. Hoje mais do que nunca, e tendo em conta o enorme potencial de novas áreas de regadio como as que vêm surgindo em torno do Alqueva, importa criar condições para que esta seja uma cultura que contribua de forma significativa para o imprescindível aumento do nosso grau de auto-abastecimento e do Produto Agrícola Bruto" acrescentou.
Ulrich: "Se os sem-abrigo aguentam porque é que nós não aguentamos?"
in Expresso
Fernando Ulrich voltou a explicar ontem, durante a apresentação dos resultados do BPI, o contexto da sua expressão "aguenta, aguenta..."
Depois de ter defendido em outubro do ano passado que o país aguentava mais austeridade, o presidente do BPI voltou ontem ao tema com um novo argumento: Se os sem-abrigo aguentam porque é que nós não aguentamos?
"Se os gregos aguentam uma queda do PIB (Produto Interno Bruto) de 25% os portugueses não aguentariam porquê? Somo todos iguais, ou não?", questionou-se Fernando Ulrich durante uma conferência de imprensa de apresentação de resultados do BPI, em Lisboa.
"Se você andar aí na rua e infelizmente encontramos pessoas que são sem-abrigo, isso não lhe pode acontecer a si ou a mim porquê? Isso também nos pode acontecer", acrescentou durante o encontro com os jornalistas.
"E se aquelas pessoas que nós vemos ali na rua, naquela situação e sofrer tanto aguentam porque é que nós não aguentamos? Parece-me uma coisa absolutamente evidente", rematou o banqueiro.
Fernando Ulrich voltou a explicar ontem, durante a apresentação dos resultados do BPI, o contexto da sua expressão "aguenta, aguenta..."
Depois de ter defendido em outubro do ano passado que o país aguentava mais austeridade, o presidente do BPI voltou ontem ao tema com um novo argumento: Se os sem-abrigo aguentam porque é que nós não aguentamos?
"Se os gregos aguentam uma queda do PIB (Produto Interno Bruto) de 25% os portugueses não aguentariam porquê? Somo todos iguais, ou não?", questionou-se Fernando Ulrich durante uma conferência de imprensa de apresentação de resultados do BPI, em Lisboa.
"Se você andar aí na rua e infelizmente encontramos pessoas que são sem-abrigo, isso não lhe pode acontecer a si ou a mim porquê? Isso também nos pode acontecer", acrescentou durante o encontro com os jornalistas.
"E se aquelas pessoas que nós vemos ali na rua, naquela situação e sofrer tanto aguentam porque é que nós não aguentamos? Parece-me uma coisa absolutamente evidente", rematou o banqueiro.
Portugal é o 35º país mais caro na habitação
Marisa Antunes, in Expresso
Um estudo comparativo a nível internacional coloca Portugal como o 35º mais caro para compra de habitação.
Portugal caiu, em menos de um ano, nove lugares num ranking de 38 países europeus no que respeita ao custo da habitação por metro quadrado: da 26ª posição em junho de 2012 ocupa agora o 35º lugar (dados de janeiro deste ano), passando de um valor de 2,330€/m para os atuais 1,741€/m2 (menos €589).
O estudo da APEMIP (Associação dos Profissionais e Empresas de Mediação Imobiliária de Portugal), baseado no portal imobiliário internacional Property Guide analisa imóveis com cerca de 120 m2, localizados nos centros mais importantes de cada país.
Portugal está apenas acima de países como a Bulgária ou a Moldávia.
Malta, por exemplo, surge imediatamente acima de Portugal com €1.847/m2 ou a Roménia em 33º com €2040/m2.
Um estudo comparativo a nível internacional coloca Portugal como o 35º mais caro para compra de habitação.
Portugal caiu, em menos de um ano, nove lugares num ranking de 38 países europeus no que respeita ao custo da habitação por metro quadrado: da 26ª posição em junho de 2012 ocupa agora o 35º lugar (dados de janeiro deste ano), passando de um valor de 2,330€/m para os atuais 1,741€/m2 (menos €589).
O estudo da APEMIP (Associação dos Profissionais e Empresas de Mediação Imobiliária de Portugal), baseado no portal imobiliário internacional Property Guide analisa imóveis com cerca de 120 m2, localizados nos centros mais importantes de cada país.
Portugal está apenas acima de países como a Bulgária ou a Moldávia.
Malta, por exemplo, surge imediatamente acima de Portugal com €1.847/m2 ou a Roménia em 33º com €2040/m2.
2,3 milhões beneficiam de medidas sociais
João Silvestre, in Expresso
Este ano, de acordo com o Orçamento do Estado para 2013, a Segurança Social vai gastar cerca de 6700 milhões de euros em medidas de apoio social.
Este ano, de acordo com o Orçamento do Estado para 2013, a Segurança Social vai gastar cerca de 6700 milhões de euros em medidas de apoio social excluindo pensões que, por si só, custam 14,9 mil milhões (às quais se somam ainda cerca de 7000 milhões da Caixa Geral de Aposentações).
Tratam-se de prestações como Rendimento Social de Inserção (RSI), Complemento Solidário para Idosos (CSI), subsídio de desemprego ou abono de família que, pelas contas do Expresso, beneficiam um total (bruto) de 2,3 milhões de pessoas. Um número que tem repetições - por exemplo, pessoas que recebem simultaneamente duas ou mais prestações.
Este ano, de acordo com o Orçamento do Estado para 2013, a Segurança Social vai gastar cerca de 6700 milhões de euros em medidas de apoio social.
Este ano, de acordo com o Orçamento do Estado para 2013, a Segurança Social vai gastar cerca de 6700 milhões de euros em medidas de apoio social excluindo pensões que, por si só, custam 14,9 mil milhões (às quais se somam ainda cerca de 7000 milhões da Caixa Geral de Aposentações).
Tratam-se de prestações como Rendimento Social de Inserção (RSI), Complemento Solidário para Idosos (CSI), subsídio de desemprego ou abono de família que, pelas contas do Expresso, beneficiam um total (bruto) de 2,3 milhões de pessoas. Um número que tem repetições - por exemplo, pessoas que recebem simultaneamente duas ou mais prestações.
"Há muitas famílias a viver sem água, luz e gás em casa"
por Paula Costa Dias, in RR
Presidente da Sociedade de S. Vicente de Paulo adverte que as actuais ajudas sociais não chegam. "Governo não está a encarar este problema como um problema efectivo, que pode trazer graves problemas à sociedade", afirma António Correia Saraiva.
Apesar dos apoios sociais, há famílias portuguesas a viverem sem luz e sem água, alerta o presidente da Sociedade de S. Vicente de Paulo.
“Há muitas famílias que, mesmo com estes apoios todos, estão a viver sem água, sem luz, sem gás em casa”, afirmou António Correia Saraiva, no final de uma reunião que juntou esta sexta-feira, em Fátima, as instituições que gerem o fundo social solidário criada pelo Igreja Católica.
O presidente da Sociedade de S. Vicente de Paulo garante que as conferências e a Cáritas não vão abandonar estas pessoas em dificuldades. “Continuam com elas e vão tentar resolver o problema junto de outras instituições: da câmara, da junta de freguesia”.
Em 2012, o fundo social solidário recebeu 1.980 pedidos de ajuda, no valor de 1 milhão 840 mil euros, por parte de famílias com dificuldades, mas apenas 470 mil euros foram disponibilizados.
A maior parte dos pedidos, 1.980, visava pagar despesas com a habitação, como o crédito, água, luz e gás, mas apenas 982 foram aceites, o que deixou de fora muitas famílias, que tiveram de ser encaminhadas para outras instituições.
Os donativos têm diminuído, o que leva António Correia Saraiva, presidente da Sociedade de S. Vicente de Paulo, a demonstrar apreensão relativamente a este ano.
“O Governo não está a encarar este problema como um problema efectivo e que pode trazer graves problemas à sociedade. Vamos ter um ano de 2013 muito difícil e vamos viver com ele da maneira que o povo português seja solidário com as instituições que estão no terreno”, apela o presidente da Sociedade de S. Vicente de Paulo.
Vila Real, Porto, Setúbal e Guarda foram as dioceses que mais recorreram ao Fundo Social Solidário criado pela Conferência Episcopal Portuguesa (CEP), para ajudar famílias no pagamento de despesas urgentes.
Presidente da Sociedade de S. Vicente de Paulo adverte que as actuais ajudas sociais não chegam. "Governo não está a encarar este problema como um problema efectivo, que pode trazer graves problemas à sociedade", afirma António Correia Saraiva.
Apesar dos apoios sociais, há famílias portuguesas a viverem sem luz e sem água, alerta o presidente da Sociedade de S. Vicente de Paulo.
“Há muitas famílias que, mesmo com estes apoios todos, estão a viver sem água, sem luz, sem gás em casa”, afirmou António Correia Saraiva, no final de uma reunião que juntou esta sexta-feira, em Fátima, as instituições que gerem o fundo social solidário criada pelo Igreja Católica.
O presidente da Sociedade de S. Vicente de Paulo garante que as conferências e a Cáritas não vão abandonar estas pessoas em dificuldades. “Continuam com elas e vão tentar resolver o problema junto de outras instituições: da câmara, da junta de freguesia”.
Em 2012, o fundo social solidário recebeu 1.980 pedidos de ajuda, no valor de 1 milhão 840 mil euros, por parte de famílias com dificuldades, mas apenas 470 mil euros foram disponibilizados.
A maior parte dos pedidos, 1.980, visava pagar despesas com a habitação, como o crédito, água, luz e gás, mas apenas 982 foram aceites, o que deixou de fora muitas famílias, que tiveram de ser encaminhadas para outras instituições.
Os donativos têm diminuído, o que leva António Correia Saraiva, presidente da Sociedade de S. Vicente de Paulo, a demonstrar apreensão relativamente a este ano.
“O Governo não está a encarar este problema como um problema efectivo e que pode trazer graves problemas à sociedade. Vamos ter um ano de 2013 muito difícil e vamos viver com ele da maneira que o povo português seja solidário com as instituições que estão no terreno”, apela o presidente da Sociedade de S. Vicente de Paulo.
Vila Real, Porto, Setúbal e Guarda foram as dioceses que mais recorreram ao Fundo Social Solidário criado pela Conferência Episcopal Portuguesa (CEP), para ajudar famílias no pagamento de despesas urgentes.
Novo secretário Estado do Emprego aposta na concertação e diálogo tripartido
in Público on-line
O novo secretário de Estado do Emprego, Pedro Roque, defendeu nesta sexta-feira, em declarações à agência Lusa, que a aposta estratégica na área deverá passar pela concertação social e pelo diálogo tripartido.
“Algo que é fundamental em termos de emprego é a questão da concertação social e a do compromisso tripartido, que foi assinado em Janeiro de 2012, porque o compromisso tripartido não são só alterações à legislação laboral, mas é um compromisso para o crescimento e emprego”, afirmou Pedro Roque, que tomará posse hoje à tarde.
O até agora dirigente dos Trabalhadores Social Democratas (TSD) considera-as “duas questões indissociáveis”.
“O compromisso é importante para lançar as bases do crescimento económico e o crescimento económico é determinante para a criação de emprego e a inversão deste ciclo recessivo, que tem tido e tem consequências num futuro próximo, em termos daquilo que é a taxa de desemprego. Creio que essa deverá ser a aposta estratégica minha e do Governo nesta matéria”, disse.
Pedro Roque acredita que a “experiência ao nível sindical e da concertação social, no diálogo tripartido entre Governo, empregadores e sindicatos”, “é importante”, já que este “é o palco” que considera “privilegiado para a concertação e para conciliar interesses”.
Interesses esses “que muitas vezes, à partida, parecem antagónicos e divergentes, mas que na prática é possível chegar a entendimento, é possível chegar a acordos com vantagem para a economia e para o emprego”, referiu.
Pedro Roque diz que vai passar no início pelo “período natural de adaptação” para se inteirar de todos os assuntos referentes à pasta que hoje assume.
“Todos os secretários de Estado fazem a sua actuação política em termos daquilo que é uma delegação de competências dos respectivos ministros, isso terá que ser redefinido a partir do momento em que eu e os outros secretários de Estado entrarmos em funções”, afirmou.
Pedro Roque, que desempenhava actualmente as funções de líder dos TSD e foi secretário-geral adjunto da UGT, responsável pelos pelouros da saúde, educação e segurança social, entre 2009 e 2011, substitui Pedro Martins.
Como deputado do grupo parlamentar do PSD na actual legislatura, era membro efectivo da Comissão de Segurança Social e Trabalho e suplente nas comissões parlamentares de Orçamento, Finanças e Administração Pública e Assuntos Europeus.
Pedro Martins deixou na quinta-feira a secretaria de Estado do Emprego, cerca de ano e meio depois de ter assumido funções no XIX Governo Constitucional, integrando o conjunto de membros do Governo independentes politicamente. Na qualidade de governante, participou no processo de revisão da legislação laboral, da redução das compensações por cessação do contrato de trabalho e na elaboração de medidas activas de emprego.
O novo secretário de Estado do Emprego, Pedro Roque, defendeu nesta sexta-feira, em declarações à agência Lusa, que a aposta estratégica na área deverá passar pela concertação social e pelo diálogo tripartido.
“Algo que é fundamental em termos de emprego é a questão da concertação social e a do compromisso tripartido, que foi assinado em Janeiro de 2012, porque o compromisso tripartido não são só alterações à legislação laboral, mas é um compromisso para o crescimento e emprego”, afirmou Pedro Roque, que tomará posse hoje à tarde.
O até agora dirigente dos Trabalhadores Social Democratas (TSD) considera-as “duas questões indissociáveis”.
“O compromisso é importante para lançar as bases do crescimento económico e o crescimento económico é determinante para a criação de emprego e a inversão deste ciclo recessivo, que tem tido e tem consequências num futuro próximo, em termos daquilo que é a taxa de desemprego. Creio que essa deverá ser a aposta estratégica minha e do Governo nesta matéria”, disse.
Pedro Roque acredita que a “experiência ao nível sindical e da concertação social, no diálogo tripartido entre Governo, empregadores e sindicatos”, “é importante”, já que este “é o palco” que considera “privilegiado para a concertação e para conciliar interesses”.
Interesses esses “que muitas vezes, à partida, parecem antagónicos e divergentes, mas que na prática é possível chegar a entendimento, é possível chegar a acordos com vantagem para a economia e para o emprego”, referiu.
Pedro Roque diz que vai passar no início pelo “período natural de adaptação” para se inteirar de todos os assuntos referentes à pasta que hoje assume.
“Todos os secretários de Estado fazem a sua actuação política em termos daquilo que é uma delegação de competências dos respectivos ministros, isso terá que ser redefinido a partir do momento em que eu e os outros secretários de Estado entrarmos em funções”, afirmou.
Pedro Roque, que desempenhava actualmente as funções de líder dos TSD e foi secretário-geral adjunto da UGT, responsável pelos pelouros da saúde, educação e segurança social, entre 2009 e 2011, substitui Pedro Martins.
Como deputado do grupo parlamentar do PSD na actual legislatura, era membro efectivo da Comissão de Segurança Social e Trabalho e suplente nas comissões parlamentares de Orçamento, Finanças e Administração Pública e Assuntos Europeus.
Pedro Martins deixou na quinta-feira a secretaria de Estado do Emprego, cerca de ano e meio depois de ter assumido funções no XIX Governo Constitucional, integrando o conjunto de membros do Governo independentes politicamente. Na qualidade de governante, participou no processo de revisão da legislação laboral, da redução das compensações por cessação do contrato de trabalho e na elaboração de medidas activas de emprego.
Já há um supermercado só para perceber como pensa o consumidor
Ana Rute Silva, in Público on-line
Escola de Gestão da Universidade Católica criou um laboratório de investigação experimental com uma loja fictícia
Saber o que pensam, como se comportam numa loja, por que decidem comprar determinado produto e rejeitar outro, para onde olham, como circulam dentro do espaço comercial, quanto tempo demoram a decidir o que comprar. Das empresas do retalho, às marcas da indústria, investigadores e especialistas de marketing, todos querem traçar o perfil do consumidor, observá-lo ao detalhe, escrutiná-lo, dissecá-lo. Entrar na mente de quem vai às compras significa melhores resultados na caixa registadora. E, numa altura em que o preço dita quase todas as decisões das famílias na hora de ir as compras, conhecer em detalhe o comportamento do consumidor ganha nova relevância.
"Nos últimos 20 anos, tem havido uma evolução muito grande do estudo do comportamento do consumidor. Se olharmos para os trabalhos de investigação dos anos 1980, vemos que são de grande simplicidade. Nessa altura, o estudo nesta área era incipiente", diz Rita Coelho do Vale, professora auxiliar da escola de Gestão da Universidade Católica, em Lisboa, e responsável pelo recém-inaugurado Laboratório de Investigação Experimental.
Analisar expressões faciais
Instalado no primeiro piso da escola numa sala de aulas remodelada, o Lerne (sigla para Laboratory of Experimental Research in Economics and Management) promete dar uma ajuda a investigadores e empresas na observação directa e em "ambiente controlado" de experiências de compra. Servirá não só para estudos sobre o retalho alimentar, como do comércio alimentar. E ajudará a perceber, dentro de alguns anos, o que mudou no consumidor com a crise e a evolução do sector.
Em cubículos forrados de tecido azul, há computadores de ecrã plano onde se vê o sítio do Orix, um supermercado online fictício, criado de raiz, e que está a servir para investigar o impacto da embalagem das marcas da distribuição na escolha do consumidor. "São experiências em software que permitem aferir a reacção a estímulos num ambiente controlado. À distância, não conseguimos apurar o tempo que se demora a escolher um determinado artigo, nem saber em que ambiente é feita a pesquisa", diz Rita Coelho do Vale.
No laboratório experimental, tudo é analisado em detalhe, incluindo as expressões faciais. Há câmaras nos computadores que monitorizam os rostos dos participantes nos estudos. Os programas de software também servem para perceber como olhamos para uma embalagem e a associamos a determinada categoria de produto. Por exemplo, cronometra o tempo que um consumidor demora a identificar a embalagem como sendo de uma garrafa de água ou detergente.
Numa pequena sala, há um minimercado com prateleiras, carrinho de compras e câmaras a vigiar os participantes. "Conseguimos perceber os efeitos das promoções, a influência da disposição dos produtos na prateleira ou até os impactos do tamanho dos carrinhos de compras", explica Rita Coelho do Vale. Num supermercado, não há produtos colocados ao acaso. As bolachas infantis estão quase sempre posicionadas nas prateleiras em baixo, na zona do joelho, para que as crianças as vejam e convençam os pais a comprá-las, exemplifica.
A professora de marketing vai mostrando o Lerne, pensado há quatro anos e financiado em grande parte por um antigo aluno que hoje trabalha no retalho mas preferiu manter o anonimato. As janelas podem ser tapadas com painéis que travam a luz natural, explica Rita Vale, lembrando-se do caso do Wal-Mart, a maior empresa de retalho do mundo.
"Fizeram um estudo em duas lojas. Numa colocaram luz natural numa secção, noutra mantiveram a luz artificial. Concluíram que, na que tinha luz natural, as pessoas demoravam mais tempo a fazer compras e gastavam mais", diz.
O laboratório está pensado para as empresas de retalho e para os investigadores. E é uma ferramenta que pode ajudar a Católica no recrutamento internacional de professores. Ter um pequeno supermercado "era um factor crítico para recrutar" e fundamental "na investigação de topo", diz Rita Vale.
Escola de Gestão da Universidade Católica criou um laboratório de investigação experimental com uma loja fictícia
Saber o que pensam, como se comportam numa loja, por que decidem comprar determinado produto e rejeitar outro, para onde olham, como circulam dentro do espaço comercial, quanto tempo demoram a decidir o que comprar. Das empresas do retalho, às marcas da indústria, investigadores e especialistas de marketing, todos querem traçar o perfil do consumidor, observá-lo ao detalhe, escrutiná-lo, dissecá-lo. Entrar na mente de quem vai às compras significa melhores resultados na caixa registadora. E, numa altura em que o preço dita quase todas as decisões das famílias na hora de ir as compras, conhecer em detalhe o comportamento do consumidor ganha nova relevância.
"Nos últimos 20 anos, tem havido uma evolução muito grande do estudo do comportamento do consumidor. Se olharmos para os trabalhos de investigação dos anos 1980, vemos que são de grande simplicidade. Nessa altura, o estudo nesta área era incipiente", diz Rita Coelho do Vale, professora auxiliar da escola de Gestão da Universidade Católica, em Lisboa, e responsável pelo recém-inaugurado Laboratório de Investigação Experimental.
Analisar expressões faciais
Instalado no primeiro piso da escola numa sala de aulas remodelada, o Lerne (sigla para Laboratory of Experimental Research in Economics and Management) promete dar uma ajuda a investigadores e empresas na observação directa e em "ambiente controlado" de experiências de compra. Servirá não só para estudos sobre o retalho alimentar, como do comércio alimentar. E ajudará a perceber, dentro de alguns anos, o que mudou no consumidor com a crise e a evolução do sector.
Em cubículos forrados de tecido azul, há computadores de ecrã plano onde se vê o sítio do Orix, um supermercado online fictício, criado de raiz, e que está a servir para investigar o impacto da embalagem das marcas da distribuição na escolha do consumidor. "São experiências em software que permitem aferir a reacção a estímulos num ambiente controlado. À distância, não conseguimos apurar o tempo que se demora a escolher um determinado artigo, nem saber em que ambiente é feita a pesquisa", diz Rita Coelho do Vale.
No laboratório experimental, tudo é analisado em detalhe, incluindo as expressões faciais. Há câmaras nos computadores que monitorizam os rostos dos participantes nos estudos. Os programas de software também servem para perceber como olhamos para uma embalagem e a associamos a determinada categoria de produto. Por exemplo, cronometra o tempo que um consumidor demora a identificar a embalagem como sendo de uma garrafa de água ou detergente.
Numa pequena sala, há um minimercado com prateleiras, carrinho de compras e câmaras a vigiar os participantes. "Conseguimos perceber os efeitos das promoções, a influência da disposição dos produtos na prateleira ou até os impactos do tamanho dos carrinhos de compras", explica Rita Coelho do Vale. Num supermercado, não há produtos colocados ao acaso. As bolachas infantis estão quase sempre posicionadas nas prateleiras em baixo, na zona do joelho, para que as crianças as vejam e convençam os pais a comprá-las, exemplifica.
A professora de marketing vai mostrando o Lerne, pensado há quatro anos e financiado em grande parte por um antigo aluno que hoje trabalha no retalho mas preferiu manter o anonimato. As janelas podem ser tapadas com painéis que travam a luz natural, explica Rita Vale, lembrando-se do caso do Wal-Mart, a maior empresa de retalho do mundo.
"Fizeram um estudo em duas lojas. Numa colocaram luz natural numa secção, noutra mantiveram a luz artificial. Concluíram que, na que tinha luz natural, as pessoas demoravam mais tempo a fazer compras e gastavam mais", diz.
O laboratório está pensado para as empresas de retalho e para os investigadores. E é uma ferramenta que pode ajudar a Católica no recrutamento internacional de professores. Ter um pequeno supermercado "era um factor crítico para recrutar" e fundamental "na investigação de topo", diz Rita Vale.
Homens chegam a ganhar em média mais 800 euros do que as mulheres
Ana Cristina Pereira, Público on-line
Disparidades salariais entre sexos têm aumentado em Portugal, indica relatório Igualdade de Género em Portugal 2011.
Desengane-se quem julga que a desigualdade se atenua nas camadas mais escolarizadas. Os quadros superiores femininos ganham, em média, menos 801 euros do que os masculinos, indica o relatório Igualdade de Género em Portugal 2011.
Segundo o relatório da Comissão para a Cidadania e Igualdade de Género, divulgado nesta quinta-feira, “a remuneração média mensal de base recebida pelas mulheres em 2010 foi de 801,81 euros e a dos homens 977,56”. Quer isto dizer que lhes pagam, em média, menos 175,75 euros por mês.
As diferenças notam-se dos mais baixos aos mais elevados níveis da hierarquia profissional: nos quadros superiores, a remuneração média de base feminina é 1725 e a masculina 2402; a diferença cresce quando se olha para os ganhos médios mensais: as mulheres levam, em média, 1972 euros para casa e os homens 2773.
Nos profissionais qualificados a diferença é de 800 para 922; nos não qualificados de 588 para 696.
“Em toda a economia da UE [União Europeia], as mulheres ganham, em média, cerca de 16% menos do que os homens”, refere o documento.
“Embora a generalidade das disparidades salariais entre homens e mulheres tenha decrescido na última década, em alguns países as disparidades salariais entre homens e mulheres a nível nacional têm aumentado, como é o caso de Portugal.”
Disparidades salariais entre sexos têm aumentado em Portugal, indica relatório Igualdade de Género em Portugal 2011.
Desengane-se quem julga que a desigualdade se atenua nas camadas mais escolarizadas. Os quadros superiores femininos ganham, em média, menos 801 euros do que os masculinos, indica o relatório Igualdade de Género em Portugal 2011.
Segundo o relatório da Comissão para a Cidadania e Igualdade de Género, divulgado nesta quinta-feira, “a remuneração média mensal de base recebida pelas mulheres em 2010 foi de 801,81 euros e a dos homens 977,56”. Quer isto dizer que lhes pagam, em média, menos 175,75 euros por mês.
As diferenças notam-se dos mais baixos aos mais elevados níveis da hierarquia profissional: nos quadros superiores, a remuneração média de base feminina é 1725 e a masculina 2402; a diferença cresce quando se olha para os ganhos médios mensais: as mulheres levam, em média, 1972 euros para casa e os homens 2773.
Nos profissionais qualificados a diferença é de 800 para 922; nos não qualificados de 588 para 696.
“Em toda a economia da UE [União Europeia], as mulheres ganham, em média, cerca de 16% menos do que os homens”, refere o documento.
“Embora a generalidade das disparidades salariais entre homens e mulheres tenha decrescido na última década, em alguns países as disparidades salariais entre homens e mulheres a nível nacional têm aumentado, como é o caso de Portugal.”
OCDE diz que Portugal cortou na Saúde o dobro do que negociou com a troika
Romana Borja-Santos, in Público on-line
Relatório destaca cortes nas despesas com o pessoal e “concentração e racionalização” da oferta em centros de saúde e hospitais como principais caminhos seguidos.
As medidas do Governo de contenção da despesa no sector da saúde fizeram com que Portugal acabasse por cortar o dobro do que era exigido no memorando de entendimento com a troika, diz um relatório da OCDE.
Esta é uma das principais conclusões do relatório Health Spending Growth at Zero – Which countries, which sectors are most affected?, que acaba de ser publicado pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE) e que compara os cortes no sector da saúde em vários países. A OCDE ressalva que este relatório limita-se a analisar as tendências e não a discutir a eficácia das medidas ou o seu efeito no estado de saúde da população. O relatório refere que a Alemanha foi o único país da OCDE que não registou um abrandamento na taxa de despesa em Saúde em 2010, em comparação com os anos anteriores.
Num dos pontos do documento, a OCDE refere que o Governo português assumiu o compromisso de fazer “poupanças significativas” no sector da saúde em 2011 e 2012, nomeadamente através de cortes nas despesas com o pessoal, “concentração e racionalização” da oferta em centros de saúde e hospitais do Serviço Nacional de Saúde e cortes nos benefícios obtidos através dos impostos, como as deduções de despesas em sede de IRS.
“Em Setembro de 2011, o país anunciou uma redução de 11% no orçamento do Serviço Nacional de Saúde para 2012, o dobro do corte do memorando de entendimento com a Comissão Europeia e o Fundo Monetário Internacional”, lê-se no documento. Numa das tabelas, as contas da OCDE apontam para que a despesa em 2011 tenha caído 5,2% face a 2010, quando a média de todos os países que integram a organização foi de um crescimento de 0,7%. Tudo isto fará com que o país alcance em 2013 uma despesa pública em Saúde pouco superior a 5,1% do produto interno bruto (PIB), quando a média da zona euro se estima que seja na ordem dos 7%. Em 2010 a despesa portuguesa representava mais de 10%.
Segundo o documento, depois da crise económica e financeira que estalou em 2008, diversos países começaram a tentar conter o contínuo crescimento da despesa no sector da saúde, alcançando taxas na ordem dos 0% em 2010 e conseguindo mesmo valores negativos em 2011.
Ao final da noite desta sexta-feira, o Ministério da Saúde desmentiu os dados da OCDE, acusando a organização de ter confundido dados dos universos EPE [Hospitais Entidades Públicas Empresariais] e SNS [Serviço Nacional de Saúde].”
Por email, a assessora do ministro assegurou que “o orçamento do SNS para 2012 (expurgando o efeito do Plano de Regularização de Dívidas) registou uma redução de 4,67% e não de 11%”. “Analisando a conta do SNS, verificou-se uma redução da despesa total em 2012 de cerca de 600 milhões de euros (-6,8%)”, especifica.
Há, segundo afirma, uma confusão “entre o processo de privatização dos HPP [Hospitais Privados de Portugal] e o inexistente processo de privatização dos EPE”. Assumiu-se que o HPP “estaria integrado na rede do SNS, o que como se sabe não é correcto”.
A mesma receita em vários países
No mesmo relatório, a OCDE acrescenta que, independentemente do país, a receita para controlar a despesa pública neste sector tem sido quase sempre a mesma e passa por três caminhos: ajustar orçamentos, aumentando as contribuições dos cidadãos; regular a procura de serviços; e controlar o custo dos cuidados prestados. Aliás, a contenção de custos têm sido feita tanto nos medicamentos como nos cuidados ambulatórios, hospitalares e serviços administrativos. Só a área de cuidados continuados tem continuado a exercer uma forte pressão nos orçamentos, continuando a crescer, ainda que a um ritmo mais controlado.
Em muitos países, em especial na Estónia, Irlanda e Hungria, a estratégia tem também passado por “grandes reduções nas verbas alocadas à prevenção e saúde pública entre 2008 e 2010”, alerta o documento, que destaca Portugal como um exemplo de um país em que os orçamentos para estas áreas têm subido, apesar da contenção noutros parâmetros. Sobre a política do medicamento sublinha-se que Portugal introduziu uma série de medidas destinadas a reduzir o preço dos fármacos, assim como centralizou a compra deste tipo de produtos em meio hospitalar, criando ainda linhas orientadoras de apoio à prescrição dos médicos.
Impactos a longo prazo
Em Novembro, a OCDE já tinha divulgado dados que indicavam que as despesas de Saúde tinham caído em toda a União Europeia em 2010, o que aconteceu pela primeira vez em décadas devido aos esforços dos governos para conterem os défices orçamentais e conseguirem convergir com as metas de Bruxelas. O documento advertia, contudo, que a redução ou abrandamento da despesa poderá ter um impacto a longo prazo nos cuidados de saúde.
“É importante assegurar um acompanhamento contínuo dos dados e dos indicadores no domínio da Saúde e dos sistemas de Saúde, a fim de obter indícios do impacto potencial da alteração das circunstâncias económicas e das políticas de Saúde ao nível do acesso aos cuidados, da sua qualidade e dos seus resultados”, referia o relatório, que dizia ainda que a redução da despesa pública foi conseguida através de medidas que incluíram a redução de salários, o aumento dos pagamentos directos por parte dos utentes e a imposição de restrições orçamentais nos hospitais.
O documento destacava que a percentagem do PIB dedicada à Saúde estabilizou ou desceu em 2010, com os Estados-membros a afectarem em média 9% do respectivo PIB. Portugal situava-se ligeiramente acima desta média, com 10,7%.
Já antes, em Junho, um outro relatório do mesmo organismo dizia que um pouco por toda a Europa os governos estavam a cortar nas despesas com a Saúde e em 2010, ao contrário do que era tendência desde 2000, o crescimento dos gastos no sector foi nulo ou muito baixo. O documento dizia que Portugal não foi excepção, tendo-se passado de um ritmo de crescimento de 2,3% para 0,6%. Mas em plena crise os portugueses continuavam a ser dos que mais pagam directamente do seu bolso despesas com saúde: 26% face aos 20,1% da média dos 34 países da OCDE.
O relatório destacava que Portugal, em termos de percentagem do PIB, gastava um pouco acima da média da OCDE, mas, se os números forem vistos à lupa, ou seja, quanto é alocado neste sector por habitante, a média é bastante inferior à dos países da OCDE: os gastos em Saúde per capita são de 2196 euros, enquanto na média dos países chega aos 2631 euros. Nos EUA, por exemplo, é de 6629 euros.
Relatório destaca cortes nas despesas com o pessoal e “concentração e racionalização” da oferta em centros de saúde e hospitais como principais caminhos seguidos.
As medidas do Governo de contenção da despesa no sector da saúde fizeram com que Portugal acabasse por cortar o dobro do que era exigido no memorando de entendimento com a troika, diz um relatório da OCDE.
Esta é uma das principais conclusões do relatório Health Spending Growth at Zero – Which countries, which sectors are most affected?, que acaba de ser publicado pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE) e que compara os cortes no sector da saúde em vários países. A OCDE ressalva que este relatório limita-se a analisar as tendências e não a discutir a eficácia das medidas ou o seu efeito no estado de saúde da população. O relatório refere que a Alemanha foi o único país da OCDE que não registou um abrandamento na taxa de despesa em Saúde em 2010, em comparação com os anos anteriores.
Num dos pontos do documento, a OCDE refere que o Governo português assumiu o compromisso de fazer “poupanças significativas” no sector da saúde em 2011 e 2012, nomeadamente através de cortes nas despesas com o pessoal, “concentração e racionalização” da oferta em centros de saúde e hospitais do Serviço Nacional de Saúde e cortes nos benefícios obtidos através dos impostos, como as deduções de despesas em sede de IRS.
“Em Setembro de 2011, o país anunciou uma redução de 11% no orçamento do Serviço Nacional de Saúde para 2012, o dobro do corte do memorando de entendimento com a Comissão Europeia e o Fundo Monetário Internacional”, lê-se no documento. Numa das tabelas, as contas da OCDE apontam para que a despesa em 2011 tenha caído 5,2% face a 2010, quando a média de todos os países que integram a organização foi de um crescimento de 0,7%. Tudo isto fará com que o país alcance em 2013 uma despesa pública em Saúde pouco superior a 5,1% do produto interno bruto (PIB), quando a média da zona euro se estima que seja na ordem dos 7%. Em 2010 a despesa portuguesa representava mais de 10%.
Segundo o documento, depois da crise económica e financeira que estalou em 2008, diversos países começaram a tentar conter o contínuo crescimento da despesa no sector da saúde, alcançando taxas na ordem dos 0% em 2010 e conseguindo mesmo valores negativos em 2011.
Ao final da noite desta sexta-feira, o Ministério da Saúde desmentiu os dados da OCDE, acusando a organização de ter confundido dados dos universos EPE [Hospitais Entidades Públicas Empresariais] e SNS [Serviço Nacional de Saúde].”
Por email, a assessora do ministro assegurou que “o orçamento do SNS para 2012 (expurgando o efeito do Plano de Regularização de Dívidas) registou uma redução de 4,67% e não de 11%”. “Analisando a conta do SNS, verificou-se uma redução da despesa total em 2012 de cerca de 600 milhões de euros (-6,8%)”, especifica.
Há, segundo afirma, uma confusão “entre o processo de privatização dos HPP [Hospitais Privados de Portugal] e o inexistente processo de privatização dos EPE”. Assumiu-se que o HPP “estaria integrado na rede do SNS, o que como se sabe não é correcto”.
A mesma receita em vários países
No mesmo relatório, a OCDE acrescenta que, independentemente do país, a receita para controlar a despesa pública neste sector tem sido quase sempre a mesma e passa por três caminhos: ajustar orçamentos, aumentando as contribuições dos cidadãos; regular a procura de serviços; e controlar o custo dos cuidados prestados. Aliás, a contenção de custos têm sido feita tanto nos medicamentos como nos cuidados ambulatórios, hospitalares e serviços administrativos. Só a área de cuidados continuados tem continuado a exercer uma forte pressão nos orçamentos, continuando a crescer, ainda que a um ritmo mais controlado.
Em muitos países, em especial na Estónia, Irlanda e Hungria, a estratégia tem também passado por “grandes reduções nas verbas alocadas à prevenção e saúde pública entre 2008 e 2010”, alerta o documento, que destaca Portugal como um exemplo de um país em que os orçamentos para estas áreas têm subido, apesar da contenção noutros parâmetros. Sobre a política do medicamento sublinha-se que Portugal introduziu uma série de medidas destinadas a reduzir o preço dos fármacos, assim como centralizou a compra deste tipo de produtos em meio hospitalar, criando ainda linhas orientadoras de apoio à prescrição dos médicos.
Impactos a longo prazo
Em Novembro, a OCDE já tinha divulgado dados que indicavam que as despesas de Saúde tinham caído em toda a União Europeia em 2010, o que aconteceu pela primeira vez em décadas devido aos esforços dos governos para conterem os défices orçamentais e conseguirem convergir com as metas de Bruxelas. O documento advertia, contudo, que a redução ou abrandamento da despesa poderá ter um impacto a longo prazo nos cuidados de saúde.
“É importante assegurar um acompanhamento contínuo dos dados e dos indicadores no domínio da Saúde e dos sistemas de Saúde, a fim de obter indícios do impacto potencial da alteração das circunstâncias económicas e das políticas de Saúde ao nível do acesso aos cuidados, da sua qualidade e dos seus resultados”, referia o relatório, que dizia ainda que a redução da despesa pública foi conseguida através de medidas que incluíram a redução de salários, o aumento dos pagamentos directos por parte dos utentes e a imposição de restrições orçamentais nos hospitais.
O documento destacava que a percentagem do PIB dedicada à Saúde estabilizou ou desceu em 2010, com os Estados-membros a afectarem em média 9% do respectivo PIB. Portugal situava-se ligeiramente acima desta média, com 10,7%.
Já antes, em Junho, um outro relatório do mesmo organismo dizia que um pouco por toda a Europa os governos estavam a cortar nas despesas com a Saúde e em 2010, ao contrário do que era tendência desde 2000, o crescimento dos gastos no sector foi nulo ou muito baixo. O documento dizia que Portugal não foi excepção, tendo-se passado de um ritmo de crescimento de 2,3% para 0,6%. Mas em plena crise os portugueses continuavam a ser dos que mais pagam directamente do seu bolso despesas com saúde: 26% face aos 20,1% da média dos 34 países da OCDE.
O relatório destacava que Portugal, em termos de percentagem do PIB, gastava um pouco acima da média da OCDE, mas, se os números forem vistos à lupa, ou seja, quanto é alocado neste sector por habitante, a média é bastante inferior à dos países da OCDE: os gastos em Saúde per capita são de 2196 euros, enquanto na média dos países chega aos 2631 euros. Nos EUA, por exemplo, é de 6629 euros.
GNR e PSP vão cooperar com Segurança Social para sinalizar idosos isolados
in Público on-line
Forças de segurança vão passar a ter elementos de contacto com a Segurança Social em cada distrito do país.
A GNR e a PSP vão passar a ter, em cada distrito, um elemento em contacto com a Segurança Social, de modo a passar informação sobre os casos de idosos isolados que possam merecer ser sinalizados.
A cooperação entre os ministérios da Solidariedade e Segurança Social e da Administração Interna foi formalizada nesta sexta-feira através de um protocolo assinado pelos ministros Pedro Mota Soares e Miguel Macedo, com o objectivo de unir esforços no combate ao isolamento e solidão dos mais idosos.
“Com este protocolo, promoveremos uma maior articulação destas forças de segurança com os serviços da Segurança Social – no caso de Lisboa, uma articulação com a Santa Casa da Misericórdia –, e queremos fortalecer as parcerias locais para que a acção seja mais fluente e directa”, adiantou o ministro da Solidariedade.
De acordo com Pedro Mota Soares, a partilha de informação entre a GNR e PSP e os serviços da Segurança Social irá permitir “aos intervenientes acompanhar e encaminhar, para quem de direito, os casos que se venham a sinalizar”.
O ministro da Solidariedade acrescentou ainda que, de seis em seis meses, será feito um relatório dos casos de idosos sinalizados em situação de isolamento, abandono ou risco.
Durante o seu discurso, o ministro da Solidariedade aproveitou para lembrar que o Governo tem tentado encontrar soluções para os mais idosos que preferem ficar em casa, e deu conta das recentes alterações ao funcionamento do serviço de apoio domiciliário (SAD).
“Uma resposta social que agora conta com um novo leque de cuidados e serviços, que vão dos tradicionais apoios à higiene pessoal, habitacional e nas refeições, até aos inovadores serviços de teleassistência, apoio psicossocial ou realização de pequenas modificações ou reparações no domicílio”, apontou Mota Soares.
O ministro da Solidariedade frisou que o país está a passar por um “envelhecimento demográfico acentuado”, ideia também destacada pelo ministro da Administração Interna, Miguel Macedo, que salientou que Portugal está perante um novo “paradigma demográfico”.
Macedo defendeu que o “Estado não pode deixar de assumir o protagonismo que dele se espera” perante o “infeliz drama social da solidão, que afecta a população mais idosa”.
Na opinião do ministro da Administração Interna, este protocolo significa “um trabalho muito importante de atenuar um sentimento de insegurança em muitos destes teores vulneráveis da sociedade portuguesa”.
“Esse trabalho não é evidentemente possível sem a determinação dos comandos das duas forças de segurança e sem o empenho, a determinação, o acompanhamento e a especial proximidade que os agentes de uma força de segurança e os militares da outra força de segurança desenvolvem todos os dias no terreno”, defendeu Miguel Macedo.
Durante o seu discurso, o ministro da Administração Interna aproveitou para lembrar alguns dados estatísticos, nomeadamente as operações da GNR Idosos em Segurança, iniciativa que, em 2011, realizou 2298 acções de sensibilização, abrangendo 53.274 pessoas idosas, e os Censos Sénior, que, em 2012, sinalizou mais de 23 mil idosos a residir sozinhos. Já a operação A Solidariedade não Tem Idade, da PSP, nos últimos sete meses, controlou 6621 idosos e sinalizou outros 1522.
De acordo com Miguel Macedo, isso significa que, por mês, foram controlados, em média, 974 idosos e sinalizados cerca de 217, ou seja, “foram, em cada dia útil, contactados 45 idosos e sinalizados dez”.
Forças de segurança vão passar a ter elementos de contacto com a Segurança Social em cada distrito do país.
A GNR e a PSP vão passar a ter, em cada distrito, um elemento em contacto com a Segurança Social, de modo a passar informação sobre os casos de idosos isolados que possam merecer ser sinalizados.
A cooperação entre os ministérios da Solidariedade e Segurança Social e da Administração Interna foi formalizada nesta sexta-feira através de um protocolo assinado pelos ministros Pedro Mota Soares e Miguel Macedo, com o objectivo de unir esforços no combate ao isolamento e solidão dos mais idosos.
“Com este protocolo, promoveremos uma maior articulação destas forças de segurança com os serviços da Segurança Social – no caso de Lisboa, uma articulação com a Santa Casa da Misericórdia –, e queremos fortalecer as parcerias locais para que a acção seja mais fluente e directa”, adiantou o ministro da Solidariedade.
De acordo com Pedro Mota Soares, a partilha de informação entre a GNR e PSP e os serviços da Segurança Social irá permitir “aos intervenientes acompanhar e encaminhar, para quem de direito, os casos que se venham a sinalizar”.
O ministro da Solidariedade acrescentou ainda que, de seis em seis meses, será feito um relatório dos casos de idosos sinalizados em situação de isolamento, abandono ou risco.
Durante o seu discurso, o ministro da Solidariedade aproveitou para lembrar que o Governo tem tentado encontrar soluções para os mais idosos que preferem ficar em casa, e deu conta das recentes alterações ao funcionamento do serviço de apoio domiciliário (SAD).
“Uma resposta social que agora conta com um novo leque de cuidados e serviços, que vão dos tradicionais apoios à higiene pessoal, habitacional e nas refeições, até aos inovadores serviços de teleassistência, apoio psicossocial ou realização de pequenas modificações ou reparações no domicílio”, apontou Mota Soares.
O ministro da Solidariedade frisou que o país está a passar por um “envelhecimento demográfico acentuado”, ideia também destacada pelo ministro da Administração Interna, Miguel Macedo, que salientou que Portugal está perante um novo “paradigma demográfico”.
Macedo defendeu que o “Estado não pode deixar de assumir o protagonismo que dele se espera” perante o “infeliz drama social da solidão, que afecta a população mais idosa”.
Na opinião do ministro da Administração Interna, este protocolo significa “um trabalho muito importante de atenuar um sentimento de insegurança em muitos destes teores vulneráveis da sociedade portuguesa”.
“Esse trabalho não é evidentemente possível sem a determinação dos comandos das duas forças de segurança e sem o empenho, a determinação, o acompanhamento e a especial proximidade que os agentes de uma força de segurança e os militares da outra força de segurança desenvolvem todos os dias no terreno”, defendeu Miguel Macedo.
Durante o seu discurso, o ministro da Administração Interna aproveitou para lembrar alguns dados estatísticos, nomeadamente as operações da GNR Idosos em Segurança, iniciativa que, em 2011, realizou 2298 acções de sensibilização, abrangendo 53.274 pessoas idosas, e os Censos Sénior, que, em 2012, sinalizou mais de 23 mil idosos a residir sozinhos. Já a operação A Solidariedade não Tem Idade, da PSP, nos últimos sete meses, controlou 6621 idosos e sinalizou outros 1522.
De acordo com Miguel Macedo, isso significa que, por mês, foram controlados, em média, 974 idosos e sinalizados cerca de 217, ou seja, “foram, em cada dia útil, contactados 45 idosos e sinalizados dez”.
Há famílias a viverem sem luz, água e gás apesar dos apoios sociais
in Público on-line
Denúncia da sociedade Vicente Paulo, que pede mais solidariedade aos portugueses e mais sensibilidade ao Governo.
O presidente da Sociedade São Vicente Paulo, uma das instituições que gere o Fundo Social Solidário (FSS) criado pela Igreja Católica, disse nesta sexta-feira em Fátima que “há muitas famílias a viverem sem água, sem luz e sem gás”.
António Correia Saraiva sublinhou que os problemas relacionados com a habitação representam “a maior fatia” do FSS e que são mais visíveis em dioceses como as de Vila Real, Porto e Guarda.
O responsável da instituição salientou, no final de uma reunião que juntou em Fátima as entidades que gerem o FSS, que 75% das solicitações feitas ficaram sem resposta, já que em 2012 a verba pedida pelas famílias portuguesas rondou 1,8 milhões de euros, mas o valor transferido foi de 469 mil euros.
No caso da habitação, foram registados 1.979 pedidos de ajuda relacionados com o pagamento do empréstimo da casa, renda, água, elextricidade e gás, tendo sido apoiadas 982 famílias.
“Isto não significa que as pessoas sejam abandonadas”, uma vez que “são ajudadas numa fase posterior” ou “reencaminhadas para outras instituições”, explicou António Correia Saraiva.
A maioria dos pedidos são oriundos das dioceses de Vila Real, Setúbal, Porto, Guarda, Aveiro e Beja.
O presidente da Sociedade São Vicente Paulo criticou o Governo porque “não está a encarar a pobreza como um problema efectivo e que pode trazer graves problemas à sociedade” e alertou para o facto de os donativos estarem a diminuir “consideravelmente”.
António Correia Saraiva expressou ainda a sua convicção de que 2013 vai ser “um ano muito difícil” e pediu ao “povo português que seja solidário para com as instituições [sociais] que estão no terreno”.
Denúncia da sociedade Vicente Paulo, que pede mais solidariedade aos portugueses e mais sensibilidade ao Governo.
O presidente da Sociedade São Vicente Paulo, uma das instituições que gere o Fundo Social Solidário (FSS) criado pela Igreja Católica, disse nesta sexta-feira em Fátima que “há muitas famílias a viverem sem água, sem luz e sem gás”.
António Correia Saraiva sublinhou que os problemas relacionados com a habitação representam “a maior fatia” do FSS e que são mais visíveis em dioceses como as de Vila Real, Porto e Guarda.
O responsável da instituição salientou, no final de uma reunião que juntou em Fátima as entidades que gerem o FSS, que 75% das solicitações feitas ficaram sem resposta, já que em 2012 a verba pedida pelas famílias portuguesas rondou 1,8 milhões de euros, mas o valor transferido foi de 469 mil euros.
No caso da habitação, foram registados 1.979 pedidos de ajuda relacionados com o pagamento do empréstimo da casa, renda, água, elextricidade e gás, tendo sido apoiadas 982 famílias.
“Isto não significa que as pessoas sejam abandonadas”, uma vez que “são ajudadas numa fase posterior” ou “reencaminhadas para outras instituições”, explicou António Correia Saraiva.
A maioria dos pedidos são oriundos das dioceses de Vila Real, Setúbal, Porto, Guarda, Aveiro e Beja.
O presidente da Sociedade São Vicente Paulo criticou o Governo porque “não está a encarar a pobreza como um problema efectivo e que pode trazer graves problemas à sociedade” e alertou para o facto de os donativos estarem a diminuir “consideravelmente”.
António Correia Saraiva expressou ainda a sua convicção de que 2013 vai ser “um ano muito difícil” e pediu ao “povo português que seja solidário para com as instituições [sociais] que estão no terreno”.
Dezenas de pessoas cantaram e dançaram contra a austeridade no Porto
Mariana Oliveira, in Público on-line
Manifestação organizada pelo movimento "Os Indignados Portugal" teve pouca adesão no Porto e em Lisboa.
As mãos de Ana Maria Pinto, 31 anos, vão ditando os tempos da música. Em frente à Câmara Municipal do Porto, canta-se a "Grândola, Vila Morena". Numa roda grande, de mãos dadas, os manifestantes respondem ao desafio da cantora lírica e maestrina do Coro de Intervenção do Porto. Usam a voz e o ritmo num protesto contra a austeridade. Ana Maria gesticula e tenta ordenar o grupo. Não são mais do que umas dezenas de pessoas, menos de uma centena.
Resistiram ao frio para participar na manifestação organizada pelo movimento Os Indignados Portugal, no Porto, um protesto que também se realizou este sábado em Lisboa e Portimão. Na capital, a concentração estava prevista para as 15h mas àquela hora não havia mais do que uma dezena de pessoas na Praça dos Restauradores. Junto ao obelisco comemorativo da Restauração de 1640 observavam-se dois cartazes em que se lia “Relvas vai estudar” e “Tirem-me deste filme”. Sobre o protesto em Portimão não há dados, tendo a PSP temetido informações para mais tarde.
Ana Maria Pinto, que o ano passado pôs uma vigília em frente ao Palácio de Belém a cantar o tema Acordai, de José Gomes Ferreira e Fernando Lopes-Graça, está no Porto a dar o seu apoio, acompanhada por alguns elementos do seu recém-criado coro. “Estamos aqui para fazer música e dar ao povo o que lhe pertence: a cultura e a verdade”, explica a maestrina. “Contra a falta de justiça”, completa.
Alguns não se juntaram ao grupo, que diz nada ter a ver com a organização do protesto. Usam as máscaras de marca dos Anonymous, um movimento que quer “expor não só a corrupção e criar uma imprensa totalmente livre em Portugal”. Recusam-se a falar com os jornalistas.
Isabel Proença, técnica de turismo, tem o rosto à mostra e a máscara na parte de trás da cabeça. “Não é para tapar a cara é apenas um símbolo de descontentamento”, resume. Tem 39 anos e ainda é uma trabalhadora precária. Esteve em Timor, voltou e o ano passado rumou ao Canadá. Mas foi ao engano: também falta trabalho do outro lado do Atlântico. Desde Agosto trabalha a recibos verdes. Falsos recibos verdes. “Protesto contra as medidas de austeridade injustificadas e desumanas”, refere.
Sobre a fraca mobilização, Isabel Proença tem uma explicação. “As pessoas não se associam a determinados grupos que ligam ao radicalismo”, argumenta. José Carvalho, outro manifestante, lança outras explicações. “Este protesto foi marcado e depois desmarcado, o que criou alguma confusão sobre a sua realização”, sublinha. E acrescenta: “Por outro lado as forças partidárias não ajudaram ao marcar outros eventos ao mesmo tempo no Porto como as jornadas autárquicas do Bloco de Esquerda e as do PCP”. Mas muitos estão convictos que em Fevereiro e Março os protestos terão outra adesão. Ana Maria Pinto garante que estará presente. A cantar, como sempre.
Manifestação organizada pelo movimento "Os Indignados Portugal" teve pouca adesão no Porto e em Lisboa.
As mãos de Ana Maria Pinto, 31 anos, vão ditando os tempos da música. Em frente à Câmara Municipal do Porto, canta-se a "Grândola, Vila Morena". Numa roda grande, de mãos dadas, os manifestantes respondem ao desafio da cantora lírica e maestrina do Coro de Intervenção do Porto. Usam a voz e o ritmo num protesto contra a austeridade. Ana Maria gesticula e tenta ordenar o grupo. Não são mais do que umas dezenas de pessoas, menos de uma centena.
Resistiram ao frio para participar na manifestação organizada pelo movimento Os Indignados Portugal, no Porto, um protesto que também se realizou este sábado em Lisboa e Portimão. Na capital, a concentração estava prevista para as 15h mas àquela hora não havia mais do que uma dezena de pessoas na Praça dos Restauradores. Junto ao obelisco comemorativo da Restauração de 1640 observavam-se dois cartazes em que se lia “Relvas vai estudar” e “Tirem-me deste filme”. Sobre o protesto em Portimão não há dados, tendo a PSP temetido informações para mais tarde.
Ana Maria Pinto, que o ano passado pôs uma vigília em frente ao Palácio de Belém a cantar o tema Acordai, de José Gomes Ferreira e Fernando Lopes-Graça, está no Porto a dar o seu apoio, acompanhada por alguns elementos do seu recém-criado coro. “Estamos aqui para fazer música e dar ao povo o que lhe pertence: a cultura e a verdade”, explica a maestrina. “Contra a falta de justiça”, completa.
Alguns não se juntaram ao grupo, que diz nada ter a ver com a organização do protesto. Usam as máscaras de marca dos Anonymous, um movimento que quer “expor não só a corrupção e criar uma imprensa totalmente livre em Portugal”. Recusam-se a falar com os jornalistas.
Isabel Proença, técnica de turismo, tem o rosto à mostra e a máscara na parte de trás da cabeça. “Não é para tapar a cara é apenas um símbolo de descontentamento”, resume. Tem 39 anos e ainda é uma trabalhadora precária. Esteve em Timor, voltou e o ano passado rumou ao Canadá. Mas foi ao engano: também falta trabalho do outro lado do Atlântico. Desde Agosto trabalha a recibos verdes. Falsos recibos verdes. “Protesto contra as medidas de austeridade injustificadas e desumanas”, refere.
Sobre a fraca mobilização, Isabel Proença tem uma explicação. “As pessoas não se associam a determinados grupos que ligam ao radicalismo”, argumenta. José Carvalho, outro manifestante, lança outras explicações. “Este protesto foi marcado e depois desmarcado, o que criou alguma confusão sobre a sua realização”, sublinha. E acrescenta: “Por outro lado as forças partidárias não ajudaram ao marcar outros eventos ao mesmo tempo no Porto como as jornadas autárquicas do Bloco de Esquerda e as do PCP”. Mas muitos estão convictos que em Fevereiro e Março os protestos terão outra adesão. Ana Maria Pinto garante que estará presente. A cantar, como sempre.
Entrega de IRS "dificulta ainda mais vida de idosos"
in Diário de Notícias
A Associação Nacional de Apoio ao Idoso (ANAI) considerou hoje que a obrigatoriedade de os pensionistas com baixos rendimentos serem obrigados a entregar a declaração de rendimentos vai "dificultar ainda mais a vida dos idosos".
O Diário de Notícias escreve hoje em manchete que todos os reformados que em 2012 receberam uma pensão mensal acima dos 293 euros vão ter de entregar a declaração de IRS este ano. Até agora, esta obrigação fiscal era apenas exigida a reformas acima dos 428 euros brutos por mês.
Em declarações à agência Lusa o presidente da direção da ANAI, José Ribeiro Ferreira, disse que não considera esta medida negativa por ser uma forma de "controlar" os gastos das pessoas.
"Não vejo como uma coisa muito negativa (...), mas vamos piorar mais e dificultar mais a vida dos idosos que já se debatem todos os dias com dificuldades de locomoção, problemas, de saúde e falta de dinheiro", salientou.
De acordo com José Ribeiro Ferreira, esta situação vai obrigar os idosos a deslocarem-se às repartições de finanças, a gastar dinheiro em transportes (aqueles que moram longe ou em montes isolados), a recorrer a pessoas que os ajudem a preencher os boletins e que lhes podem ou não cobrar dinheiro pelo serviço.
"Mesmo que os idosos não sejam iletrados, muitos deles não têm conhecimentos informáticos suficientes que lhes permitam entregar a declaração pela Internet e para muitos os próprios textos dos boletins são complicados e incompreensíveis", disse.
Esta "mudança estava prevista no Orçamento do Estado de 2012 e não significa que estes pensionistas vão passar a pagar IRS, uma vez que o mínimo de existência se mantém no equivalente ao salário mínimo", escreve o DN, acrescentando que vai implicar que um vasto universo de pensionistas tenha de passar a preencher os impressos da declaração anual do IRS".
De acordo com o presidente da ANAI, esta situação não é negativa e os idosos podem até nem ter de pagar, mas vai implicar outras situações "desgastantes" para quem está "numa idade em que é muito difícil fazer face à vida".
A Associação Nacional de Apoio ao Idoso (ANAI) considerou hoje que a obrigatoriedade de os pensionistas com baixos rendimentos serem obrigados a entregar a declaração de rendimentos vai "dificultar ainda mais a vida dos idosos".
O Diário de Notícias escreve hoje em manchete que todos os reformados que em 2012 receberam uma pensão mensal acima dos 293 euros vão ter de entregar a declaração de IRS este ano. Até agora, esta obrigação fiscal era apenas exigida a reformas acima dos 428 euros brutos por mês.
Em declarações à agência Lusa o presidente da direção da ANAI, José Ribeiro Ferreira, disse que não considera esta medida negativa por ser uma forma de "controlar" os gastos das pessoas.
"Não vejo como uma coisa muito negativa (...), mas vamos piorar mais e dificultar mais a vida dos idosos que já se debatem todos os dias com dificuldades de locomoção, problemas, de saúde e falta de dinheiro", salientou.
De acordo com José Ribeiro Ferreira, esta situação vai obrigar os idosos a deslocarem-se às repartições de finanças, a gastar dinheiro em transportes (aqueles que moram longe ou em montes isolados), a recorrer a pessoas que os ajudem a preencher os boletins e que lhes podem ou não cobrar dinheiro pelo serviço.
"Mesmo que os idosos não sejam iletrados, muitos deles não têm conhecimentos informáticos suficientes que lhes permitam entregar a declaração pela Internet e para muitos os próprios textos dos boletins são complicados e incompreensíveis", disse.
Esta "mudança estava prevista no Orçamento do Estado de 2012 e não significa que estes pensionistas vão passar a pagar IRS, uma vez que o mínimo de existência se mantém no equivalente ao salário mínimo", escreve o DN, acrescentando que vai implicar que um vasto universo de pensionistas tenha de passar a preencher os impressos da declaração anual do IRS".
De acordo com o presidente da ANAI, esta situação não é negativa e os idosos podem até nem ter de pagar, mas vai implicar outras situações "desgastantes" para quem está "numa idade em que é muito difícil fazer face à vida".
Taxa de desemprego em Portugal sobe para recorde de 16,5% em dezembro
in Jornal de Notícias
A taxa de desemprego em Portugal situou-se nos 16,5% em dezembro de 2012, ligeiramente acima do valor observado no mês anterior (16,3%) e superior aos 14,6% registados um ano antes, segundo dados divulgados, esta quinta-feira, pelo Eurostat.
foto VÍTOR RIOS / GLOBAL IMAGENS
Centro de Emprego
Segundo dados do gabinete oficial de estatísticas da União Europeia (UE), a taxa de desemprego (corrigida de variações sazonais) na zona euro manteve-se nos 11,7% em dezembro e na UE permaneceu também estável nos 10,7%, o que acontece pelo terceiro mês consecutivo em ambos os casos.
Entre os Estados-membros, Portugal continua a ter a terceira taxa de desemprego mais elevada, apenas atrás da Grécia (26,8%, valor referente a outubro) e da Espanha (26,1%), enquanto Áustria (4,3%), Alemanha e Luxemburgo (5,3% cada) apresentam as taxas mais baixas.
Na comparação homóloga, as maiores subidas na taxa de desemprego verificaram-se na Grécia (19,7% para 26,8% entre outubro de 2011 e outubro de 2012), no Chipre (de 9,7% para 14,7% entre dezembro de 2011 de dezembro de 2012), na Espanha (de 23,2% para 26,1, no mesmo período) e em Portugal (de 14,6% para 16,5%).
Os principais recuos registaram-se na Estónia (de 12,1% para 9,9% entre dezembro de 2011 e dezembro de 2012), na Letónia (de 15,7% para 14,1% entre os terceiros trimestres de 2011 e de 2012) e na Lituânia (de 13,7% para 12,3%, entre dezembro de 2011 e de 2012).
No mesmo período, a taxa de desemprego subiu de 10,7% para 11,7% na zona euro, e de 10% para 10,7% na UE a 27.
Entre os jovens (com menos de 25 anos), Portugal registou uma taxa de desemprego de 38,3 em dezembro, ligeiramente inferior aos 38,7% em novembro de 2012, mantendo a tendência de ligeiro recuo, dado que em outubro era de 39%, mas acima dos 35,1% verificados em novembro de 2011.
Na zona euro, a taxa de desemprego juvenil manteve-se nos 24% de novembro para dezembro, e subiu em relação aos 21,7% observados um ano antes.
Na UE, o desemprego entre os jovens estabilizou nos 23,4%, na comparação mensal, e aumentou na homóloga, face aos 22,2% verificados em dezembro de 2011.
De acordo com as estimativas do Eurostat, gabinete oficial de estatísticas da União, em dezembro de 2012, existiam 25,926 milhões de pessoas desempregadas na União a 27, das quais 18,715 milhões na zona euro.
O Eurostat calcula mensalmente uma taxa harmonizada de desemprego para todos os países da UE. Esta taxa utiliza uma metodologia comum a todos os 27 para permitir comparações. Os resultados do Eurostat não são necessariamente iguais aos obtidos pelo Instituto Nacional de Estatística.
A taxa de desemprego em Portugal situou-se nos 16,5% em dezembro de 2012, ligeiramente acima do valor observado no mês anterior (16,3%) e superior aos 14,6% registados um ano antes, segundo dados divulgados, esta quinta-feira, pelo Eurostat.
foto VÍTOR RIOS / GLOBAL IMAGENS
Centro de Emprego
Segundo dados do gabinete oficial de estatísticas da União Europeia (UE), a taxa de desemprego (corrigida de variações sazonais) na zona euro manteve-se nos 11,7% em dezembro e na UE permaneceu também estável nos 10,7%, o que acontece pelo terceiro mês consecutivo em ambos os casos.
Entre os Estados-membros, Portugal continua a ter a terceira taxa de desemprego mais elevada, apenas atrás da Grécia (26,8%, valor referente a outubro) e da Espanha (26,1%), enquanto Áustria (4,3%), Alemanha e Luxemburgo (5,3% cada) apresentam as taxas mais baixas.
Na comparação homóloga, as maiores subidas na taxa de desemprego verificaram-se na Grécia (19,7% para 26,8% entre outubro de 2011 e outubro de 2012), no Chipre (de 9,7% para 14,7% entre dezembro de 2011 de dezembro de 2012), na Espanha (de 23,2% para 26,1, no mesmo período) e em Portugal (de 14,6% para 16,5%).
Os principais recuos registaram-se na Estónia (de 12,1% para 9,9% entre dezembro de 2011 e dezembro de 2012), na Letónia (de 15,7% para 14,1% entre os terceiros trimestres de 2011 e de 2012) e na Lituânia (de 13,7% para 12,3%, entre dezembro de 2011 e de 2012).
No mesmo período, a taxa de desemprego subiu de 10,7% para 11,7% na zona euro, e de 10% para 10,7% na UE a 27.
Entre os jovens (com menos de 25 anos), Portugal registou uma taxa de desemprego de 38,3 em dezembro, ligeiramente inferior aos 38,7% em novembro de 2012, mantendo a tendência de ligeiro recuo, dado que em outubro era de 39%, mas acima dos 35,1% verificados em novembro de 2011.
Na zona euro, a taxa de desemprego juvenil manteve-se nos 24% de novembro para dezembro, e subiu em relação aos 21,7% observados um ano antes.
Na UE, o desemprego entre os jovens estabilizou nos 23,4%, na comparação mensal, e aumentou na homóloga, face aos 22,2% verificados em dezembro de 2011.
De acordo com as estimativas do Eurostat, gabinete oficial de estatísticas da União, em dezembro de 2012, existiam 25,926 milhões de pessoas desempregadas na União a 27, das quais 18,715 milhões na zona euro.
O Eurostat calcula mensalmente uma taxa harmonizada de desemprego para todos os países da UE. Esta taxa utiliza uma metodologia comum a todos os 27 para permitir comparações. Os resultados do Eurostat não são necessariamente iguais aos obtidos pelo Instituto Nacional de Estatística.
Sem-abrigo apresentam a meteorologia na televisão
Filomena Araújo, in Jornal de Notícias
Uma agência de publicidade alemã recruta pessoas que vivem na rua para dar as notícias do tempo, chamando a atenção para as condições em que vivem. TV's europeias estão a aderir.
A Saatchi & Saatchi, com sede em Berlim, Alemanha, colocou em marcha a campanha "Dias de Esperança" com o objetivo de denunciar a situação difícil dos sem-abrigo.
A iniciativa, que inicialmente se destinava a ser um anúncio de rádio, acabou por se estender à TV e alguns canais decidiram colaborar de forma eficaz, colocando os próprios mendigos a apresentar o boletim meteorológico.
Segundo a revista publicitária "Advertising Age", os sem-abrigo ao apresentarem as notícias sobre o tempo, realçam como o frio e a chuva afetam diretamente as suas vidas e das crianças que vivem sem casa. No final, pedem um donativo para poderem ter uma vida melhor.
Televisões da Rússia e Roménia já aderiram à causa, mas em breve irão juntar-se estações da Alemanha, Suíça e Polónia.
Uma agência de publicidade alemã recruta pessoas que vivem na rua para dar as notícias do tempo, chamando a atenção para as condições em que vivem. TV's europeias estão a aderir.
A Saatchi & Saatchi, com sede em Berlim, Alemanha, colocou em marcha a campanha "Dias de Esperança" com o objetivo de denunciar a situação difícil dos sem-abrigo.
A iniciativa, que inicialmente se destinava a ser um anúncio de rádio, acabou por se estender à TV e alguns canais decidiram colaborar de forma eficaz, colocando os próprios mendigos a apresentar o boletim meteorológico.
Segundo a revista publicitária "Advertising Age", os sem-abrigo ao apresentarem as notícias sobre o tempo, realçam como o frio e a chuva afetam diretamente as suas vidas e das crianças que vivem sem casa. No final, pedem um donativo para poderem ter uma vida melhor.
Televisões da Rússia e Roménia já aderiram à causa, mas em breve irão juntar-se estações da Alemanha, Suíça e Polónia.
Proteção dos direitos humanos não foi prioridade para a União Europeia
in Jornal de Notícias
A proteção dos direitos humanos não foi uma prioridade para a União Europeia em 2012, sobretudo em relação aos grupos marginalizados da sociedade, os mais afetados pela crise económica, segundo o relatório anual da Human Rights Watch, divulgado esta
A organização de defesa dos direitos humanos afirma no documento que "as instituições europeias falharam no cumprimento da promessa formulada na Carta Europeia dos Direitos Fundamentais" e aponta ao conselho europeu uma "particular relutância" em responsabilizar os Estados-membros.
Entre os "grupos marginalizados ou impopulares" mais vezes vítimas de discriminação na Europa, o documento aponta os ciganos, os imigrantes e os candidatos a asilo.
"Se a Europa pensa realmente exercer uma liderança no que diz respeito ao reconhecimento dos direitos no exterior, os seus governos devem começar a adotar medidas positivas para proteger os direitos no âmbito interno", afirmou o subdiretor da Divisão da Europa e Ásia Central da HRW, Benjamin Ward, num comunicado.
Por países, o relatório critica nomeadamente a Hungria, onde em 2012 foram aprovadas leis "que enfraquecem a proteção dos direitos humanos" e "a independência judicial".
Na Grécia, a HRW lamenta a "violência xenófoba" e a aprovação de legislação autorizando a polícia a deter imigrantes e candidatos a asilo por "razões de saúde pública, incluindo a suscetibilidade a doenças infeciosas".
"A relação entre crise económica, intolerância e apoio a partidos extremistas é complexa", afirma Ward, referindo-se por exemplo à criação do partido neonazi grego Aurora Dourada.
"Combater a violência e a discriminação é um passo decisivo para impedir que o tecido social se desintegre ainda mais", acrescentou.
Reino Unido, Roménia, Polónia e Lituânia são por seu lado criticados no relatório pela resistência que demonstraram a permitir que nacionais fossem ouvidos e responsabilizados nos casos relacionados com as torturas praticadas pela CIA a suspeitos de terrorismo.
A proteção dos direitos humanos não foi uma prioridade para a União Europeia em 2012, sobretudo em relação aos grupos marginalizados da sociedade, os mais afetados pela crise económica, segundo o relatório anual da Human Rights Watch, divulgado esta
A organização de defesa dos direitos humanos afirma no documento que "as instituições europeias falharam no cumprimento da promessa formulada na Carta Europeia dos Direitos Fundamentais" e aponta ao conselho europeu uma "particular relutância" em responsabilizar os Estados-membros.
Entre os "grupos marginalizados ou impopulares" mais vezes vítimas de discriminação na Europa, o documento aponta os ciganos, os imigrantes e os candidatos a asilo.
"Se a Europa pensa realmente exercer uma liderança no que diz respeito ao reconhecimento dos direitos no exterior, os seus governos devem começar a adotar medidas positivas para proteger os direitos no âmbito interno", afirmou o subdiretor da Divisão da Europa e Ásia Central da HRW, Benjamin Ward, num comunicado.
Por países, o relatório critica nomeadamente a Hungria, onde em 2012 foram aprovadas leis "que enfraquecem a proteção dos direitos humanos" e "a independência judicial".
Na Grécia, a HRW lamenta a "violência xenófoba" e a aprovação de legislação autorizando a polícia a deter imigrantes e candidatos a asilo por "razões de saúde pública, incluindo a suscetibilidade a doenças infeciosas".
"A relação entre crise económica, intolerância e apoio a partidos extremistas é complexa", afirma Ward, referindo-se por exemplo à criação do partido neonazi grego Aurora Dourada.
"Combater a violência e a discriminação é um passo decisivo para impedir que o tecido social se desintegre ainda mais", acrescentou.
Reino Unido, Roménia, Polónia e Lituânia são por seu lado criticados no relatório pela resistência que demonstraram a permitir que nacionais fossem ouvidos e responsabilizados nos casos relacionados com as torturas praticadas pela CIA a suspeitos de terrorismo.
Emigração está a fazer das crianças "pequenas pessoas adultas"
in Jornal de Notícias
O aumento da emigração reflete-se na sala de aula de Rute Coimbra, que ensina francês a crianças recém-chegadas a Vallauris, no sul de França: os alunos portugueses são mais, e as dificuldades económicas das famílias fazem deles "pequenas pessoas adultas".
Esta portuguesa radicada em França há mais de 30 anos, professora primária, especializada no ensino do francês como língua estrangeira, contou à agência Lusa que durante a última década tem assistido a um aumento do número de alunos portugueses na escola onde trabalha, a Primária Alphonse Daudet, em Vallauris, no sul do país.
Na sua sala de aula - que acolhe uma turma especial, composta por alunos internacionais recém-chegados, entre os seis e os 12 anos -, há 15 portugueses e cabo-verdianos, num total de 25 crianças. Há poucos anos, diz, "não eram mais de cinco".
Regra geral, estas crianças integram famílias "pobres ou de classe média", que saíram de Portugal ou de Cabo Verde (muitas vezes passando antes por Portugal, para obter autorizações de residência e trabalho) devido a "problemas económicos".
Os pais chegam a França à procura de emprego "para pagarem os créditos, como o da casa, e para poderem continuar a pôr os miúdos na escola", acrescenta.
Com esta mudança, diz a professora, coincide a mudança para um apartamento muito mais pequeno do que aquele em que viviam ("quase todos dormem num sofá"), e um contexto de precariedade e exploração laboral dos pais, que faz com que os adultos tenham, para além de ordenados "muito abaixo do mínimo" e a horas "difíceis", pouco tempo para acompanhar as crianças na escola.
"Os miúdos são obrigados a crescer um pouco de empurrão. Já são pequenas pessoas adultas: têm que prestar atenção aos horários, fazer comida, preparar a sua roupa, a pasta da escola, etc.", acrescenta Rute Coimbra.
Segundo esta professora, que acompanha de perto a instalação das famílias no novo país, através dos seus alunos, "a maioria das mulheres levanta-se às 2 ou 3 horas da manhã", para trabalhar para empresas de limpeza.
Os homens "trabalham, na maioria, nas obras, e também são mal pagos".
"Os patrões sabem que eles estão presos [a responsabilidades], que têm que pagar um aluguer, que não vão voltar para Portugal, que têm aqui a família, e que se sujeitam, às vezes, a qualquer salário, a qualquer emprego".
"São condições difíceis. Acho que mesmo mais difíceis do que as dos primeiros tempos de emigração dos meus pais", acrescenta.
Também é regra que a maioria das crianças nestas circunstâncias tenha dificuldades escolares: "A língua é diferente, as condições de escolaridade são diferentes, e os pais, além de terem pouco ou nenhum tempo, às vezes não têm capacidade para ajudarem os filhos", explica a professora, lembrando que pode existir, por vezes, algum desconhecimento sobre "a importância da escolaridade", que se reflete, por exemplo, no facto de muitas destas crianças chegarem a França a meio de um ano letivo.
Rute Coimbra tem também notado uma diferença de atitude entre os novos emigrantes portugueses: "Antes, as pessoas vinham com a intenção de ganhar algum dinheiro para depois ir embora. Vinham com a esperança de uma vida melhor na sua terra. Agora não. Vêm com uma tal revolta, que dizem logo que nunca mais voltam para Portugal", conclui.
Dados do Instituto Nacional de Estatística (INE) indicam que em 2011 emigraram, no total, 43998 pessoas, incluindo cidadãos de Portugal e estrangeiros. Estes números representam um aumento de 85% das saídas em relação a 2010.
Do total de 43998 pessoas que abandonaram Portugal, estima-se que 41444 seriam portugueses e 2554 teriam nacionalidades estrangeiras.
O aumento da emigração reflete-se na sala de aula de Rute Coimbra, que ensina francês a crianças recém-chegadas a Vallauris, no sul de França: os alunos portugueses são mais, e as dificuldades económicas das famílias fazem deles "pequenas pessoas adultas".
Esta portuguesa radicada em França há mais de 30 anos, professora primária, especializada no ensino do francês como língua estrangeira, contou à agência Lusa que durante a última década tem assistido a um aumento do número de alunos portugueses na escola onde trabalha, a Primária Alphonse Daudet, em Vallauris, no sul do país.
Na sua sala de aula - que acolhe uma turma especial, composta por alunos internacionais recém-chegados, entre os seis e os 12 anos -, há 15 portugueses e cabo-verdianos, num total de 25 crianças. Há poucos anos, diz, "não eram mais de cinco".
Regra geral, estas crianças integram famílias "pobres ou de classe média", que saíram de Portugal ou de Cabo Verde (muitas vezes passando antes por Portugal, para obter autorizações de residência e trabalho) devido a "problemas económicos".
Os pais chegam a França à procura de emprego "para pagarem os créditos, como o da casa, e para poderem continuar a pôr os miúdos na escola", acrescenta.
Com esta mudança, diz a professora, coincide a mudança para um apartamento muito mais pequeno do que aquele em que viviam ("quase todos dormem num sofá"), e um contexto de precariedade e exploração laboral dos pais, que faz com que os adultos tenham, para além de ordenados "muito abaixo do mínimo" e a horas "difíceis", pouco tempo para acompanhar as crianças na escola.
"Os miúdos são obrigados a crescer um pouco de empurrão. Já são pequenas pessoas adultas: têm que prestar atenção aos horários, fazer comida, preparar a sua roupa, a pasta da escola, etc.", acrescenta Rute Coimbra.
Segundo esta professora, que acompanha de perto a instalação das famílias no novo país, através dos seus alunos, "a maioria das mulheres levanta-se às 2 ou 3 horas da manhã", para trabalhar para empresas de limpeza.
Os homens "trabalham, na maioria, nas obras, e também são mal pagos".
"Os patrões sabem que eles estão presos [a responsabilidades], que têm que pagar um aluguer, que não vão voltar para Portugal, que têm aqui a família, e que se sujeitam, às vezes, a qualquer salário, a qualquer emprego".
"São condições difíceis. Acho que mesmo mais difíceis do que as dos primeiros tempos de emigração dos meus pais", acrescenta.
Também é regra que a maioria das crianças nestas circunstâncias tenha dificuldades escolares: "A língua é diferente, as condições de escolaridade são diferentes, e os pais, além de terem pouco ou nenhum tempo, às vezes não têm capacidade para ajudarem os filhos", explica a professora, lembrando que pode existir, por vezes, algum desconhecimento sobre "a importância da escolaridade", que se reflete, por exemplo, no facto de muitas destas crianças chegarem a França a meio de um ano letivo.
Rute Coimbra tem também notado uma diferença de atitude entre os novos emigrantes portugueses: "Antes, as pessoas vinham com a intenção de ganhar algum dinheiro para depois ir embora. Vinham com a esperança de uma vida melhor na sua terra. Agora não. Vêm com uma tal revolta, que dizem logo que nunca mais voltam para Portugal", conclui.
Dados do Instituto Nacional de Estatística (INE) indicam que em 2011 emigraram, no total, 43998 pessoas, incluindo cidadãos de Portugal e estrangeiros. Estes números representam um aumento de 85% das saídas em relação a 2010.
Do total de 43998 pessoas que abandonaram Portugal, estima-se que 41444 seriam portugueses e 2554 teriam nacionalidades estrangeiras.
Idosas vão para a rua por não terem respondido a inquérito
Carla Sofia Luz, in Jornal de Notícias
Ilda Cabral fez 70 anos e Maria Teixeira tem 80. Vivem em casas sociais há mais de 20 anos e têm a renda em dia. Ambas receberam ordens de despejo por não terem respondido ao inquérito da Câmara.
O pesadelo inimaginável para Ilda tornou-se real na terça-feira: ficou sem casa aos 70 anos. A Polícia entrou na habitação no Bairro do Cerco (Porto) e disse-lhe que ela e a neta de 17 anos, Mariana, tinham de sair. Assim fez. "Nunca pensei que me acontecesse uma coisa destas aos 70 anos", desabafa a antiga auxiliar de Educação na Escola do Cerco, reformada, lembrando os "meninos" que ainda a reconhecem.
Ilda Cabral fez 70 anos e Maria Teixeira tem 80. Vivem em casas sociais há mais de 20 anos e têm a renda em dia. Ambas receberam ordens de despejo por não terem respondido ao inquérito da Câmara.
O pesadelo inimaginável para Ilda tornou-se real na terça-feira: ficou sem casa aos 70 anos. A Polícia entrou na habitação no Bairro do Cerco (Porto) e disse-lhe que ela e a neta de 17 anos, Mariana, tinham de sair. Assim fez. "Nunca pensei que me acontecesse uma coisa destas aos 70 anos", desabafa a antiga auxiliar de Educação na Escola do Cerco, reformada, lembrando os "meninos" que ainda a reconhecem.
1.2.13
Para os portugueses, a segurança e a liberdade são “necessidades fundamentais” para uma vida digna
Jorge Talixa, in Público on-line
Estudo pioneiro em Portugal procura identificar o “cabaz de bens e serviços” necessários para viver com dignidade.
O estudo vai desenvolver-se em três concelhos do país Adriano Miranda.
Os portugueses reconhecem que o dinheiro é decisivo para satisfazer quase todas as necessidades básicas, mas, para além das chamadas “necessidades de sobrevivência”, apontam também como fundamentais questões como a segurança, a liberdade, a afeição, a participação e a identidade.
Esta é uma conclusão que já se pode retirar da primeira fase do estudo O que é necessário para uma pessoa viver com dignidade em Portugal?, que está a ser desenvolvido por uma equipa de investigadores das universidades Técnica de Lisboa e Católica.
A fase de definição do conceito de “nível de vida digno” para os portugueses chegou, agora, ao fim, num trabalho de sete meses que envolveu cerca de 200 pessoas residentes nos concelhos de Vila Nova de Gaia, Vila Franca de Xira e Beja. Em meados de Fevereiro serão divulgadas as primeiras conclusões, que servirão de base à fase seguinte, destinada a identificar o “cabaz de bens e serviços” considerados necessários para satisfazer estas necessidades.
Depois, serão calculados os seus custos e avaliada a razoabilidade da sua indicação. Haverá, ainda, uma ponderação das variações regionais e das diferenças entre os meios rurais e urbanos. Tudo para chegar, em Setembro de 2014, à definição de uma tabela de “Rendimento Adequado” para uma vida digna em Portugal que estabelecerá valores para diferentes tipos de agregados familiares.
Viver abaixo do “limiar de pobreza”
Estudos deste tipo já se realizam desde 2008 em Inglaterra. O Japão também está a realizar o seu e uma estudante da Universidade Técnica de Lisboa (UTL) está a tentar promover uma iniciativa do mesmo tipo em Timor.
José Pereirinha, docente da UTL e um dos coordenadores do estudo, considera que este trabalho, previsto para uma duração de dois anos e meio e apoiado pela Rede Europeia Anti-Pobreza, “constituirá um documento de grande importância para todos os portugueses, quer em termos de estudo, quer de influência prática nas suas vidas”.
E sublinha que se torna ainda mais pertinente numa altura em que a crise económica mexe muito com as condições de vida das pessoas e muitas vivem abaixo do chamado “limiar de pobreza”, que ele próprio tem vindo a baixar, acompanhando a quebra do rendimento médio das famílias.
“Estamos a tentar desenvolver um valor de referência para aquilo que a sociedade portuguesa considera que todos devem ter”, acrescenta Elvira Pereira, outra investigadora envolvida no estudo, frisando que a primeira fase já permitiu concluir que as pessoas valorizam não só os bens materiais necessários à vida mas também aspectos como a afeição, a identidade, a liberdade e a segurança.
“As pessoas falam de identidade quando falam na sua casa, por exemplo. Falam muito das questões da segurança económica. E sobretudo os idosos falam muito em ter um telefone ou um telemóvel por questões de segurança”, sublinha Elvira Vieira.
As próximas fases deste estudo vão centrar-se no concelho de Vila Franca de Xira, escolhido por misturar características urbanas e de ruralidade, pela sua proximidade com uma grande metrópole e por não se tratar de um município nem muito envelhecido nem muito jovem.
José Pereirinha salienta que o trabalho já desenvolvido permite concluir que as pessoas “sabem distinguir bem o que é adequado e o que é supérfluo” e que, uma vez concluído o estudo, haverá certamente um debate político sobre os níveis de rendimento considerados adequados e sobre a capacidade do país para poder ou não suportá-los.
Estudo pioneiro em Portugal procura identificar o “cabaz de bens e serviços” necessários para viver com dignidade.
O estudo vai desenvolver-se em três concelhos do país Adriano Miranda.
Os portugueses reconhecem que o dinheiro é decisivo para satisfazer quase todas as necessidades básicas, mas, para além das chamadas “necessidades de sobrevivência”, apontam também como fundamentais questões como a segurança, a liberdade, a afeição, a participação e a identidade.
Esta é uma conclusão que já se pode retirar da primeira fase do estudo O que é necessário para uma pessoa viver com dignidade em Portugal?, que está a ser desenvolvido por uma equipa de investigadores das universidades Técnica de Lisboa e Católica.
A fase de definição do conceito de “nível de vida digno” para os portugueses chegou, agora, ao fim, num trabalho de sete meses que envolveu cerca de 200 pessoas residentes nos concelhos de Vila Nova de Gaia, Vila Franca de Xira e Beja. Em meados de Fevereiro serão divulgadas as primeiras conclusões, que servirão de base à fase seguinte, destinada a identificar o “cabaz de bens e serviços” considerados necessários para satisfazer estas necessidades.
Depois, serão calculados os seus custos e avaliada a razoabilidade da sua indicação. Haverá, ainda, uma ponderação das variações regionais e das diferenças entre os meios rurais e urbanos. Tudo para chegar, em Setembro de 2014, à definição de uma tabela de “Rendimento Adequado” para uma vida digna em Portugal que estabelecerá valores para diferentes tipos de agregados familiares.
Viver abaixo do “limiar de pobreza”
Estudos deste tipo já se realizam desde 2008 em Inglaterra. O Japão também está a realizar o seu e uma estudante da Universidade Técnica de Lisboa (UTL) está a tentar promover uma iniciativa do mesmo tipo em Timor.
José Pereirinha, docente da UTL e um dos coordenadores do estudo, considera que este trabalho, previsto para uma duração de dois anos e meio e apoiado pela Rede Europeia Anti-Pobreza, “constituirá um documento de grande importância para todos os portugueses, quer em termos de estudo, quer de influência prática nas suas vidas”.
E sublinha que se torna ainda mais pertinente numa altura em que a crise económica mexe muito com as condições de vida das pessoas e muitas vivem abaixo do chamado “limiar de pobreza”, que ele próprio tem vindo a baixar, acompanhando a quebra do rendimento médio das famílias.
“Estamos a tentar desenvolver um valor de referência para aquilo que a sociedade portuguesa considera que todos devem ter”, acrescenta Elvira Pereira, outra investigadora envolvida no estudo, frisando que a primeira fase já permitiu concluir que as pessoas valorizam não só os bens materiais necessários à vida mas também aspectos como a afeição, a identidade, a liberdade e a segurança.
“As pessoas falam de identidade quando falam na sua casa, por exemplo. Falam muito das questões da segurança económica. E sobretudo os idosos falam muito em ter um telefone ou um telemóvel por questões de segurança”, sublinha Elvira Vieira.
As próximas fases deste estudo vão centrar-se no concelho de Vila Franca de Xira, escolhido por misturar características urbanas e de ruralidade, pela sua proximidade com uma grande metrópole e por não se tratar de um município nem muito envelhecido nem muito jovem.
José Pereirinha salienta que o trabalho já desenvolvido permite concluir que as pessoas “sabem distinguir bem o que é adequado e o que é supérfluo” e que, uma vez concluído o estudo, haverá certamente um debate político sobre os níveis de rendimento considerados adequados e sobre a capacidade do país para poder ou não suportá-los.
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