Célia Marques Azevedo, in Jornal de Notícias
Conselho Europeu quer ir mais além das medidas de resposta à crise já postas em prática
Os líderes da UE, reunidos esta quarta e quinta-feira em Bruxelas, querem ir "mais além" da resposta à crise conseguida no último fim-de-semana. Numa economia global as medidas de regulação devem ser à mesma escala.
Ontem de manhã, num encontro antes do início da cimeira, o primeiro-ministro britânico, Gordon Brown, defendia o reforço do controlo de regulação do sistema financeiro mundial, para evitar crises como a actual. Aquilo a que chamam já "Bretton Woods II", o acordo internacional que, em 1944, deu origem ao Fundo Monetário Internacional (FMI). Para tal, os princípios do FMI deverão ser actualizados de acordo com a conjuntura em vigor.
À tarde, o presidente em gestão da UE, Nicolas Sarkozy, sugeriu a realização de uma conferência internacional, antes do fim do ano, "de preferência em Nova Iorque, onde tudo começou", para dar corpo à ideia: uma nova supervisão e regulação à escala mundial dos mercados financeiros. A proposta vai ser levada no próximo fim-de-semana aos Estados Unidos, pela mão de Sarkozy e Durão Barroso.
José Sócrates disse, à margem da reunião, em Bruxelas, que a lição a tirar desta crise é que "ganhamos com a integração europeia" e só uma resposta coordenada "esteve à altura" de uma "crise severa".
O primeiro-ministro é também da opinião que é "necessário ir mais além" para limitar a crise e os "efeitos que esta pode ter na economia real". Sócrates defende que é o momento para a "Europa tirar conclusões desta crise" e para "melhorar as instituições internacionais".
Ainda no campo da supervisão, o presidente francês, quer que a UE tome medidas relativamente aos "hedge funds". A sugestão não é inédita, mas voltou ontem a ser lembrada, com o apoio da Alemanha.
Vários países da UE estão a usar a crise financeira como argumento para recuar nos esforços de combate às alterações climáticas que, entre outras medidas, pretende que a indústria pague pela emissão de dióxido de carbono. Oito dos mais recentes membros da UE - Polónia, Eslováquia, Hungria, Roménia, Bulgária, Letónia, Lituânia e Estónia - formaram um grupo reivindicando o esforço que já fizeram nesse campo e lembrando à CE a sua dependência do carvão. Durão Barroso já disse que a crise financeira não é motivo para a UE recuar nos seus planos.


