10.10.08

Pobreza/Portugal: Rede Europeia defende Plano Nacional de Luta

in RTP

O presidente da Rede Europeia Anti-Pobreza/Portugal (REAPN) defendeu hoje que o Governo "tem que criar rapidamente um Plano Nacional de Luta Contra a Pobreza e acabar com rendimentos e subsídios avulsos".

O padre Agostinho Jardim Moreira disse à Lusa que 18 por cento da população residente em Portugal tem um vencimento mensal inferior a 400 euros, "o número europeu que marca a linha de pobreza".

"São sobretudo idosos, crianças e desempregados os pobres de hoje", referiu o padre.

A REAPN promoveu hoje três encontros - em Guimarães, Viseu e Beja - para avaliar o ponto da situação da pobreza nos dezoito distritos portugueses.

E a situação é, segundo o presidente da REAPN, "nada boa".

"O Vale do Tâmega e o Vale do Ave são as regiões mais pobres do país e estão entre as mais pobres de toda a Europa", frisou Agostinho Jardim.

Técnicos de todos os distritos reuniram-se, nas três cidades, para encontrar soluções contra a pobreza e, segundo o padre, "foram unânimes em apontar as regiões do Vale do Tâmega e do Ave como aquelas onde há mais desemprego, mais abandono escolar e mais idosos em situação de abandono".

"Quando alguém diz que os pobres são preguiçosos está a insultar os mais carenciados economicamente mas também toda a sociedade em geral", frisou.

A "solução" para a pobreza, disse o padre citando conclusões dos técnicos da rede nacional, "terá que passar pela inclusão social e só depois pelos subsídios".

"Com a criação do Plano Nacional de Luta Contra a Pobreza mais do que dar subsídios", teriam que ser tomadas medidas de fundo, em várias áreas, para combater a pobreza", salientou.

Jardim Moreira sustentou ainda que "o dinheiro ajuda, os subsídios ajudam mas não acabam com a pobreza nem dão dignidade nem autonomia a quem os recebe".

"Só a existência de empregos e de salários pode quebrar os ciclos de pobreza que estão criados e reestruturar as famílias, permitindo-lhes mandar os filhos à escola, cuidar dos idosos e viver com dignidade", defendeu o presidente da REAPN.

EYM.

Lusa/Fim