Raquel Almeida Correia, in Jornal Público
As candidaturas ao fundo criado pela Associação Cristã de Empresários e Gestores vão abrir em Janeiro. São 2,5 milhões destinados a pessoas acima dos 40 que dêem garantias de retorno
Há 40 mil gestores em Portugal, com mais de 40 anos, que procuram novo emprego. Um fundo de investimento prestes a ser lançado pela Associação Cristã de Empresários e Gestores (ACEGE) poderá ser a solução para o problema. São 2,5 milhões de euros, financiados por empresas nacionais, disponíveis para apoiar projectos de empreendedorismo com retorno garantido.
A ideia surgiu no final de 2007, quando a actual direcção da ACEGE, liderada por João Luís Carvalho Talone, assumiu o comando. E prevê-se que arranque no final deste ano, faltando apenas assinar contrato com o último investidor.
"Vamos disponibilizar 2,5 milhões de euros e 80 por cento desse valor já está assegurado. Falta apenas oficializar a entrada do último investidor para fecharmos o círculo", avançou ao PÚBLICO Nuno Fernandes Thomaz, membro da direcção da ACEGE.
Este fundo destina-se a empreendedores acima de 40 anos, que tenham exercido funções intermédias ou de topo, mas que estejam desempregados actualmente. "Existem 40 mil pessoas nesta situação em Portugal", afirmou o responsável.
Trata-se de um cenário "contraditório". "A esperança média de vida aumentou, mas a esperança média de trabalho desceu", sublinhou. A criação deste fundo permite à ACEGE agir "em prol do bem comum", ao mesmo tempo que "contribui para dinamizar o mercado".
As candidaturas vão abrir em Janeiro do próximo ano. Além da idade, do nível hierárquico e da actual situação profissional, o grande requisito é a viabilidade financeira dos projectos. Até porque é neste ponto que reside a contrapartida dos investidores que decidiram associar-se à ACEGE.
"Exigimos rentabilidade económica porque isto é um fundo de investimento. Não somos uma fundação", frisou Nuno Fernandes Thomaz. A associação estima que o retorno do investimento seja alcançado "entre o final do quatro e o final do sétimo ano, mas tudo dependerá do comportamento de cada projecto", explicou.
Os investidores, cujo nome a ACEGE prefere não revelar, referindo apenas tratar-se de "grandes bancos e grupos económicos nacionais", contribuem porque "acreditam na remissão do fundo".
Projectos seguidos de perto
As exigências de rentabilidade não excluem, à partida, sectores, mas o responsável admite que "há áreas que apresentam melhores condições para se candidatarem". São elas "os serviços que demonstrem inovação ou a pequena indústria", ao contrário do comércio, por exemplo.
As garantias de retorno terão de ser dadas, não só na altura de apresentação da candidatura, como também durante o desenvolvimento do projecto, uma vez que a ACEGE está a preparar um sistema de monitorização que acompanhará os resultados dos empreendedores.
Os 2,5 milhões de euros disponíveis vão ser repartidos em fatias de 250 a 300 mil euros, no máximo, o que restringirá necessariamente o fundo à criação de empresas de média dimensão.
Apesar de o lançamento estar marcado para Janeiro, a associação, que representa cerca de 900 empresários e gestores em Portugal, "tem sido pressionada para agilizar a criação do fundo", mas não quis avançar sem atingir o valor estipulado.
Apesar da crise financeira mundial, Nuno Fernandes Thomaz assegura que "não foi difícil encontrar investidores" para o fundo, acrescentando que "todos perceberam o potencial deste projecto, seja em termos individuais, seja em termos colectivos".
2,5 milhões de euros é o valor que a ACEGE conseguiu reunir junto de investidores nacionais
40 mil pessoas em Portugal estão habilitadas a candidatar-se ao fundo a partir de Janeiro
4 anos é o tempo mínimo esperado pela associação para alcançar um retorno do investimento
300 mil euros é o valor máximo ao qual os empreendedores terão acesso para lançar os projectos


