in Correio da Manhã
Na noite em que os presidentes dos quatro maiores bancos portugueses se reuniram pela primeira vez para discutir a crise financeira houve a preocupação de passar a mensagem de que a garantia de 20 mil milhões de euros dada pelo Governo não é uma benesse.
O debate do ‘Prós e Contras’, da RTP 1, de segunda-feira, juntou Ricardo Salgado (BES), Carlos dos Santos Ferreira (Millennium BCP), Fernando Ulrich (BPI) e Faria de Oliveira (Caixa Geral de Depósitos), que no final do programa fez questão de mostrar o seu desagrado com a forma como a sua participação foi gerida.
Assim que se apagaram os holofotes e câmaras, Faria de Oliveira dirigiu-se à moderadora do debate, Fátima Campos Ferreira, para se queixar de que tinha sido penalizado em relação ao tempo das suas intervenções e que não tinha tido oportunidade de discutir todos os temas que queria. Mesmo assim, teve oportunidade durante o debate de defender que as medidas do Governo foram tomadas "no momento essencial para estabilizar as condições de mercado". Insistente na explicação de que os 20 mil milhões de euros não são uma prenda esteve Fernando Ulrich. O presidente do BPI citou um comunicado do governo alemão para pôr fim "à história de que a Fátima já repetiu do aval, do aval, do aval". Santos Ferreira foi ainda mais categórico: "O aval foi dado à família e às empresas, não à Banca."
Os quatro banqueiros asseguraram que não há neste momento motivos de preocupação com a Banca portuguesa, que se encontra sólida e, acrescentou Ricardo Salgado, o crescimento do mercado passaporparcerias entre bancos. Sobre a crise financeira internacional, a palavra de ordem é optimismo. "Já fizemos todo o trabalho de casa que podíamos. Agora é esperar", afirmou Carlos dos Santos Ferreira, que salientou que Portugal está a braços com outro tipo de crise. "O maior risco que existe é o da não racionalidade", como colocar o dinheiro "no cofre ou debaixo do colchão".
LEI DA ROLHA COM BANQUEIROS
Segurança apertada para ouvir os quatro banqueiros no debate ‘Prós e Contras’ que se realizou no Teatro Armando Cortez, em Carnide. Para além da carrinha de intervenção da PSP e agentes no local, os presidentes do BES, BCP, BPI e CGD recusaram a presença de jornalistas nos bastidores e responder a perguntas durante os intervalos. Mesmo durante o debate, as perguntas estavam vedadas ao público, que não era hostil. As cadeiras do teatro dividiram-se entre os membros da administração dos quatro bancos e os vários assessores de comunicação dos gestores. As perguntas eram exclusivas da moderadora do debate que, mesmo assim, não ficaram imunes à crítica.
Durante o intervalo, os administradores comentavam entre si a pergunta feita a Fernando Ulrich sobre se iria haver alterações ao crédito à habitação, ao que o banqueiro respondeu que teria de ser analisado caso a caso. "Renegociar o crédito? Por favor", ouviu-se na sala.
FRASES
- "[A remuneração na Banca nacional] é criteriosa e austera." Santos Ferreira, BCP
- "Os portugueses têm sido sensatos [no seu endividamento]." Ricardo Salgado BES
- "Muito vai mudar no sistema financeiro no que tem a ver com os critérios de concessão de crédito." Faria de Oliveira CGD
- "É fundamental que os bancos tenham financiamento a médio e longo prazos." Fernando Ulrich BPI


