Paula Cordeiro, in Diário de Notícias
Crise financeira. Em véspera de aprovação do Orçamento do Estado para 2009, o Presidente da República volta a dar indicações sobre quais devem ser as preocupações do Governo. Isto num dia em que o mundo continua à procura da solução global para um problema mundial
A consequência da crise financeira internacional nas empresas e nas famílias portuguesas deve ser a questão central da agenda política nacional. Esta indicação foi ontem deixada pelo Presidente da República, que voltou a manifestar a sua preocupação com a actual situação e seus efeitos sobre a vida dos portugueses.
"A minha grande preocupação está nas consequências da crise financeira sobre a vida das empresas, a vida das famílias e sobre o emprego. É aí que devemos colocar toda a nossa atenção, é aí que se deve centrar a atenção da agenda política", afirmou Cavaco Silva, citado pela agência Lusa, numa mensagem claramente dirigida à actuação futura do Governo, em vésperas de apresentação do Orçamento do Estado (OE).
Estas palavras foram proferidas à margem da inauguração do Centro Empresarial e Tecnológico (SANJOTEC), em São João da Madeira, com o Presidente da República a aludir à necessária ponderação e prudência nas decisões.
"Todos, ao nível público e privado, devem ser ponderados e prudentes nas suas decisões. Temos de ser todos muito realistas e isso requer muita ponderação, muito cuidado, nas opções que se fazem", disse Cavaco Silva.
Defendeu ainda a coordenação e cooperação internacional, no sentido de ultrapassar a crise, que considerou ter dimensões "verdadeiramente históricas". "As incertezas criadas pela crise financeira ainda não estão ultrapassadas e é da maior importância que se realize uma coordenação e cooperação ao nível internacional", referiu.
Falando sobre a banca portuguesa, o Presidente manifestou-se satisfeito pela "ausência de problemas" neste sector, salientando que os portugueses "podem confiar no sistema financeiro". E acrescentou: "As autoridades financeiras dispõem de instrumentos suficientes para intervir se for necessário."
Cavaco Silva assumiu ainda que a confiança dos investidores, considerada como "a chave de todo este processo", ainda não está restabelecida, avisando que "levará ainda algum tempo" a regressar. "Neste momento é claro que os investidores demonstram uma grande desconfiança em relação aos produtos financeiros e os bancos não têm confiança uns nos outros", sintetizou.
Este é mais um aviso à governação deixado por Cavaco, em vésperas de apresentação do OE para 2009.
Hoje, o Governo reúne, em Conselho de Ministros extraordinário, para aprovar o documento final do Orçamento, que irá entregar na Assembleia da República terça-feira, devendo só então ser divulgado publicamente.
No entanto, já são conhecidas algumas das principais medidas introduzidas pelo Governo na sua proposta, divulgadas pelo próprio primeiro-ministro, na passada quarta-feira.
A baixa do IRC de 25 para 12,5% , nos primeiros 12 500 euros de matéria colectável e o aumento da linha de crédito para PME forma duas das medidas que Sócrates divulgou no Parlamento, destinadas ao sector empresarial. Além de um aumento da linha de crédito, as empresas beneficiarão de uma taxa de juro inferior à Euribor, a taxa de referência. Para os particulares, ficou a conhecer-se a extensão da 13ª prestação do abono de família a todos os beneficiários.
Em relação ao quadro macroeconómico, o Governo prepara-se para deixar para trás as previsões concertadas com Bruxelas, colocando o défice orçamental para 2009 em 2,2%, acima dos 1,5% projectados. Como o DN noticiou, tal significa que o Executivo irá apresentar um desequilíbrio entre receitas e despesas no valor de pelo menos 3,8 mil milhões de euros, ou seja, mais 1,1 mil milhões de euros em relação aos 1,5% do PIB previstos.| com agências


