Jorge Horta, in Portugal Digital
Dia Internacional para a Erradicação da Pobreza assinala-se esta sexta-feira.
Na Baixa de Lisboa convivem lojas de luxo, turistas e pedintes.
Lisboa - Um estudo da Comissão Europeia (CE) indica que os portugueses são, entre os cidadãos europeus, aqueles que têm a maior percepção de que a sua pobreza é uma herança do passado e não adquirida recentemente. Dados do Instituto Nacional de Estatística (INE) mostram, por outro lado, que 18% da população portuguesa estava em 2006 no limiar da pobreza.
Hoje assinala-se o Dia Internacional pela Erradicação da Pobreza. Os dados do INE referem que no final de 2006 18% da população lusa ganhava menos um rendimento médio mensal por adulto equivalente inferior a 366 euros, o nível considerado como limiar de pobreza, que corresponde a 60% da mediana da distribuição dos rendimentos monetários líquidos equivalentes nacional.
Num relatório sobre a pobreza, a delegação portuguesa da Rede Europeia Anti-Pobreza (REAPN) explica que em Portugal a "taxa de risco de pobreza atinge 40% das pessoas que vivem em agregados familiares monoparentais e 35% dos agregados familiares compostos por apenas uma pessoa". Refira-se ainda que houve um forte agravamento da taxa de risco de pobreza das famílias monoparentais, com um acréscimo de 10 pontos percentuais entre 2005 e 2006, aponta o seu último relatório.
Num eurobarómetro sobre pobreza e exclusão realizado no ano passado, a Comissão Europeia mostrava que 47% dos portugueses consideravam que a sua situação de pobreza se arrasta desde sempre, isto é, que a pobreza percepcionada seria uma condição herdada do passado. É a taxa mais alta neste tipo de percepção na União Europeia. Com pensamento parecido apenas a Irlanda e Reino Unido (41%).
No entanto, os cidadãos portugueses nem são os que mais sentem que a sua situação piorou nos últimos anos. Quarenta e sete em cada 100 portugueses ouvidos no inquérito achava que a pobreza era uma condição adquirida recentemente, mas houve países com uma taxa bem mais alta, nomeadamente a Letónia, Estónia e Lituânia (todos acima de 70%).
Para o dia de hoje estão previstas várias actividades em Portugal. No Porto será feita uma visita à Fundação Serralves e Casa da Música por 100 utentes de instituições associados da REAPN do distrito. Haverá também um 'workshop' sobre a pobreza em Setúbal, outro sobre a gestão do orçamento doméstico em Faro, um debate sobre pobreza e exclusão social em Coimbra, entre outras iniciativas, que incluem, por exemplo, teatro e pinturas murais.


