9.10.08

Portugal vai acompanhar travagem a fundo da economia mundial

in Jornal Público

Com as economias mais desenvolvidas do mundo a registarem a taxa de crescimento mais baixa desde 1982, Portugal vai enfrentar, em 2009, um período de quase estagnação.
As previsões de Outono do Fundo Monetário Internacional foram apresentadas ontem e são sombrias para todo o mundo industrializado. Grandes economias europeias como a Alemanha, Itália e Espanha terão, no próximo ano, taxas de crescimento nulas ou negativas. Os EUA e o Japão não conseguirão mais do que 0,1 e 0,5 por cento, respectivamente.

O adensar da crise financeira mundial e os sinais cada vez mais claros do impacto que está a ter na economia real forçaram o FMI a uma revisão substancial das previsões que tinham sido feitas há seis meses, ficando também longe das estimativas intercalares entretanto divulgadas.

Neste cenário, Portugal não conseguiu melhor do que manter, por muito pouco, uma previsão de crescimento positiva para 2009. Em 2008, diz o Fundo, a economia nacional não conseguirá crescer mais do que 0,6 por cento e, no próximo ano, a variação do PIB não será mais do que 0,1 por cento, um resultado ligeiramente abaixo da média da zona euro, estimada em 0,2 por cento.

O Fundo prevê um regresso da subida do desemprego ao país em 2009, passando a taxa de 7,6 para 7,8 por cento. Mesmo com a economia a abrandar, o défice externo - neste caso da balança de transacções correntes - pode chegar aos 12,7 por cento, um novo máximo histórico e o segundo valor mais alto da zona euro.

Os valores para Portugal são já uma revisão em baixa das previsões apresentadas na passada sexta-feira, o que revela o ritmo a que todos os economistas estão a ser surpreendidos. "A economia mundial está a entrar num ciclo negativo de grande dimensão, quando enfrenta o choque financeiro mais perigoso desde os anos 30 do século passado", diz o relatório.

Mesmo as economias emergentes, apesar de manterem valores positivos, estão a ser penalizadas. A China vai crescer 9,3 por cento em 2009, contra os 9,8 por cento antes previstos. A Índia conseguirá 6,9 por cento, em vez de oito por cento. No total, os países industrializados crescerão apenas 0,5 por cento. O mundo conseguirá uma variação de três por cento, precisamente o limite usado pelo FMI para definir uma recessão mundial.

Em reacção às previsões do FMI, José Sócrates salientou ontem que "as previsões são más para todo o mundo", mas que se dividem "entre os países que vão entrar em recessão e os que não vão". E, afirmou, "Portugal está no segundo grupo".