16.10.08

Prestações sociais têm maior subida desde 2003

Manuel Esteves, in Diário de Notícias

Nunca o Governo de José Sócrates previu gastar tanto dinheiro com crianças e idosos como em 2009


As despesas com prestações sociais (excluindo pensões, cujo comportamento depende muito pouco do Governo) vão registar, em 2009, o maior crescimento dos últimos seis anos. Segundo os valores inscritos na proposta de Orçamento do Estado para 2009, o subsídio de desemprego, de doença, abono de família, rendimento social de inserção (RSI), complemento solidário para idosos (CSI) e outras prestações vão custar, no conjunto, cerca de 4229,8 milhões de euros, mais 7,7% do que o estimado para este ano.

Em 2008 e 2007, o crescimento anual foi de 2,5% e 1,7%, respectivamente. Em 2006, a taxa de crescimento foi de 3,2% e nos dois anos anteriores rondou os 6,5%. Só em 2003, ano do primeiro Orçamento do Governo de Durão Barroso, é que as prestações sociais (excluindo pensões) registaram uma variação (20,5%) mais acentuada do que este ano.

De onde vem o crescimento súbito de 7,7%? Todas as prestações contribuem, pois nenhuma apresenta variações negativas - o que já não sucedia há vários anos. Porém, os crescimentos mais significativos estão relacionados com duas apostas fortes deste Governo: o abono de família, que foi reforçado e alargado a mais beneficiários, e o CSI, que os centros distritais da Segurança Social têm vindo a divulgar junto das populações mais envelhecidas: o primeiro aumenta 15,3% e o segundo, 77,9%.

Apesar do aumento da despesa, o Governo espera reforçar o saldo do orçamento da Segurança Social em 6,5% no próximo ano, beneficiando de uma subida das contribuições de 5,6%.