17.10.08

"Crise não serve de pretexto"

in Jornal Público

O comissário europeu para o Emprego, Assuntos Sociais e Igualdade de Oportunidades acha que a política social pode ser parte da resposta à crise.


PÚBLICO - Por que razão a União Europeia não conseguiu reduzir a pobreza?

VLADIMIR SPIDLA - A redução da pobreza exige um forte esforço da União Europeia (UE) como um todo e de cada um dos Estados-membros. Neste momento, os Estados estão a preparar os seus planos para a inclusão, que já terão em conta a recomendação da Comissão Europeia para a inclusão activa das pessoas excluídas do mercado de trabalho.

Mas já vamos nos segundos planos para a inclusão e a taxa de pobreza não sai dos 16 por cento. O Eurostat só mostra uma descida na Holanda, na Irlanda, em Malta e em Portugal.

Não acho que tenha descido só nesses países. Há uma certa estagnação, sem dúvida. Mas na Europa central, por exemplo, houve uma descida. Claro que o progresso não foi o suficiente, por isso temos de reforçar a nossa acção.

Como é que a UE pode evitar que a pobreza torne a crescer num cenário como o actual?
A primeira coisa a fazer é coordenar a resposta europeia à crise financeira para mitigar o seu efeito e isso já está a ser feito. A crise financeira não deve servir de pretexto para desinvestir na política social. Pelo contrário, a crise financeira precisa de uma forte resposta social. E a política social pode ser parte da resposta à crise que atravessamos neste momento.

A pobreza é um fenómeno complexo. O resultado não depende apenas do dinheiro que investimos. Por exemplo, a República Checa [tem das taxas de pobreza mais baixas da UE, a par da Holanda] usa menos meios que outros países que são menos eficazes. Cada país tem de encontrar as metas certas e de usar os meios necessários. Por exemplo, Portugal tem uma elevada taxa de abandono escolar e isso é uma das causas do fraco desempenho da economia e da taxa de pobreza. Tem de se concentrar no combate ao abandono escolar se quiser diminuir a pobreza. A.C.P.