17.10.08

Organizações cristãs entregam carta a Cavaco e a Sócrates para dizer que "a pobreza é crime"

in Jornal Público

Os partidos políticos não querem receber uma batata quente. O Desafio Miqueias, uma organização evangélica de apoio aos mais desfavorecidos, queria fazer a entrega de um tubérculo aos partidos parlamentares, como símbolo de uma campanha de luta contra a pobreza. Mas todos, à excepção do Bloco de Esquerda, recusaram a ideia, com o argumento de que o assunto é sério.

Não havendo batatas dentro da Assembleia da República, os deputados terão hoje uma carrinha do Exército de Salvação perto do Parlamento, com um panelão de batatas, disse ao PÚBLICO João Pedro Martins, coordenador do Desafio Miqueias em Portugal - a organização está em mais de 40 países. A campanha consta de um vídeo que já circula na Internet (http://www.desafiomiqueias.com) e na televisão, e que mostra uma batata quente a passar de mão em mão: "A pobreza é uma batata quente que andamos a passar de uns para os outros. Menos a quem precisa", diz o texto final.

Não havendo batata, os responsáveis do Desafio Miqueias e da Rede Europeia Fé e Justiça (REFJ) - Antena Portugal, uma organização católica internacional, entregam hoje aos grupos parlamentares e na Presidência da República uma carta assinada por 265 instituições católicas, protestantes e evangélicas. A Carta Aberta contra a Pobreza e a Desigualdade foi também já entregue ontem de manhã no gabinete do primeiro-ministro.

No documento, os signatários afirmam que "a pobreza é crime" e recordam as "promessas públicas assumidas pelos 189 Estados-membros das Nações Unidas quando assinaram, em Setembro de 2000, a Declaração do Milénio e se comprometeram a reduzir para metade a pobreza extrema até 2015". "Queremos dizer aos políticos que não esqueçam os Objectivos de Desenvolvimento do Milénio e que, no meio da crise financeira, não deixem a luta contra a pobreza para terceiro ou quarto lugar", diz ao PÚBLICO o padre José Augusto, coordenador da REFJ. A.M.