Célia Marques Azevedo, in Jornal de Notícias
Os chefes de Estado e de Governo da zona euro decidiram, este domingo, garantir as operações de financiamento bancário até ao fim de 2009. A reunião de emergência convocada pelo presidente da União Europeia em exercício pretendia dar uma "resposta coordenada" à crise financeira.
Do encontro de Paris, que durou três horas, resultou uma estratégia para evitar a falência dos bancos europeus, segundo uma lista de seis pontos que todos os países deverão seguir. O plano abrange, para já, os 15 países da Zona Euro, mas em breve será alargado à totalidade dos países da UE.
A declaração final do encontro, onde participou também o presidente do Banco Central Europeu, assegura "liquidez suficiente às instituições financeiras" e pede a "facilidade do financiamento entre bancos", bloqueado desde início da crise. O primeiro-ministro português destacou este ponto como o mais importante de todos, uma vez que devolve confiança à economia.
As conclusões referem que os governos devem disponibilizar, por um período "definido, directa ou indirectamente", uma garantia, que pode assumir diversos formatos, das dívidas bancárias, por um tempo que "pode chegar aos cinco anos". Tal como fez o Reino Unido e Portugal e como devem anunciar ao longo do dia de hoje a Alemanha, a França e a Itália.
O plano de salvamento da economia europeia foi inspirado no modelo britânico de Gordon Brown, curiosamente, um dos países que não integra a Zona Euro.
O grupo pediu também que se forneça às instituições financeiras "recursos para que possam continuar a financiar correctamente a economia". Para tal, cada país deve disponibilizar à banca "novos fundos próprios". A recapitalização de bancos em dificuldades é outro das medidas elencadas por Paris.
Os chefes de Governo querem ainda incutir "alguma flexibilidade na aplicação das regras contabilísticas" tendo em conta as circunstâncias "excepcionais" actuais. Uma medida considerada por José Sócrates muito importante na "estratégia comum" dos países europeus para "restaurar rapidamente a confiança". O primeiro-ministro afirmou à saída do Eliseu que os Estados Unidos "agiram tarde" no combate à crise e ficaram "a meio do caminho" nas medidas que tomaram.


