Sérgio Aníbal, in Jornal Público
Em que consiste a medida?
O Estado vai servir de avalizador dos bancos portugueses, quando eles pedirem empréstimo junto de outros bancos. A garantia atinge o valor de 20 mil milhões de euros.
Porque é que os bancos precisam desta garantia?
Os bancos portugueses, tal como os dos outros países, têm sentido, desde o início da crise, grandes dificuldades em obter financiamento junto de outros bancos. O clima de desconfiança que se vive em relação à saúde financeira do sector leva a que as instituições financeiras evitem emprestar dinheiro umas às outras e, por isso, o mercado interbancário tem estado congelado. Com esta garantia dada pelo Estado, os bancos portugueses devem conseguir, com mais facilidade, obter empréstimos.
Tem lógica este tipo de medida em Portugal?
Sim. Os bancos portugueses, durante as últimas décadas, têm emprestado mais dinheiro do que aquele que têm em depósitos. Por isso, precisam de se financiar no estrangeiro, junto de outros bancos. O facto de terem dificuldades em aceder ao mercado interbancário constitui o principal problema actual, mesmo para os bancos que estão fortemente capitalizados.
As taxas Euribor podem descer?
Com os governos europeus a darem este tipo de garantias, é possível que a confiança regresse ao mercado interbancário e que os empréstimos entre bancos se possam fazer de forma mais fácil e barata. As Euribor são as taxas médias a que os bancos emprestam dinheiro uns aos outros e por isso, nesse cenário optimista, podem descer.
Qual o custo para os contribuintes portugueses?
Os 20 mil milhões de euros colocados à disposição pelo Governo representam quase 12 por cento do PIB português. Por isso, se todas as garantias assumidas tiverem de ser accionadas, o valor da dívida pública portuguesa, que em 2007 foi de 63,7 por cento do PIB, aumentaria muito. No entanto, e embora não se conheça o plano em detalhe, apenas se os bancos não conseguirem cumprir os seus compromissos é que o Estado terá de incorrer nesta despesa.


