Rosa Soares, in Jornal Público
As taxas que servem de referência para os empréstimos à habitação e às empresas registaram ontem uma queda expressiva
Tal como as bolsas, os mercados monetários receberam bem o plano concertado dos governos europeus para apoiar os bancos, o que constitui um sinal positivo face a um dos elementos mais importantes na actual crise: o da falta de confiança entre os membros do próprio sistema financeiro. As taxas Euribor, fixadas no mercado monetário da zona euro e que servem de referência aos empréstimos à habitação e às empresas, registaram ontem uma queda expressiva e generalizada a todos os prazos.
Depois da correcção muito ligeira da última sexta-feira, a queda de ontem vem reforçar as expectativas de que o mercado monetário comece finalmente a "descongelar", o que, a acontecer, permitirá uma correcção do preço do dinheiro - actualmente em níveis muito elevados - e a recuperação desta fonte de financiamento dos bancos.
A Euribor a seis meses, o prazo mais utilizado nos contratos à habitação das famílias portugueses, caiu 6,4 pontos base (0,064 por cento) para 5,367 por cento. Trata-se da maior queda diária desde Dezembro do ano passado.
A três meses, outro prazo muito utilizado no crédito às famílias, registou praticamente a mesma queda, ao recuar 6,3 pontos base para os 5,318 por cento, a maior quebra diária desde Janeiro do corrente ano.
O prazo de 12 meses, que, tal como os restantes prazos, fixaram sucessivos máximos históricos até quinta-feira da semana passada, registou uma queda percentual idêntica, de 0,064 por cento, para os 5,425 por cento.
No prazo mais curto, a queda é mais expressiva, passando o prazo de um mês de 5,118 por cento para 5,024 por cento, menos 0,094 por cento, o que representa um aliviar da forte pressão que dominou o mercado nas últimas sessões.
Uma correcção acentuada da Euribor, em especial nos três e seis meses, iria reflectir-se positivamente na média de Outubro, o que ajudaria as famílias com revisão de empréstimos a ocorrer em Novembro, ou quem tencione pedir empréstimos nesse mês.
A Euribor a seis meses está a mais de 1,5 por cento acima da taxa directora do Banco Central Europeu, que serve de referência aos empréstimos directos aos bancos e que está actualmente nos 3,75 por cento.
O mercado monetário interbancário de Londres, onde se fixa a Libor, que serve de referência para operações realizadas em dólares, registou ontem a sua primeira descida depois de mais de uma semana de subidas consecutivas, o que representa um sinal positivo face às medidas anunciadas na Europa e o reforço de medidas de combate à crise também nos Estados Unidos.
A Libor a três meses registou uma queda de nove pontos base para 4,73 por cento. Segundo especialistas contactados pela Bloomberg, a decisão dos bancos centrais para conceder de forma ilimitada empréstimos em dólares, juntamente com as restantes medidas governamentais, ajudam a retirar pressão negativa nos mercados. A Libor está muito longe da taxa de financiamento da Reserva Federal (Fed) norte-americana, que está em 1,5 por cento.


