14.10.08

União Europeia discute resposta conjunta à crise

in Jornal de Notícias

Os chefes de Estado e de governo da União Europeia vão debater, quarta e quinta-feira em Bruxelas, a actual crise financeira, devendo adoptar uma resposta coordenada, à semelhança daquela já acordada entre os países da Zona Euro.

Depois de os responsáveis governamentais dos 15 Estados-membros da "Eurolândia" terem chegado a acordo, domingo passado, em Paris, sobre um plano de acção conjunto para salvar os mercados financeiros, designadamente através de garantias bancárias e injecções de capital na banca, a resposta comum à crise deverá agora ser alargada aos restantes países da UE.

A resposta positiva dada segunda-feira e hoje pelos mercados financeiros às medidas adoptadas pelo Conselho do Eurogrupo cimentou a ideia de que a Europa deve responder de forma coordenada à crise para salvaguardar a actividade económica.

Segunda-feira, no final das audiências concedidas pelo primeiro-ministro português, José Sócrates, aos partidos com representação parlamentar sobre a agenda da Cimeira europeia, o ministro dos Negócios Estrangeiros, Luís Amado, apontou que Portugal se vai bater para que a UE adopte medidas concretas em articulação entre os diferentes Estados-membros, alegando que é a via mais eficaz de responder à crise.

O chefe de diplomacia disse que Portugal "tudo fará para que as medidas adoptadas tenham no mínimo a possibilidade de se enquadrarem num conjunto de opções que o Conselho Europeu venha depois a assumir, na sequência das recentes reuniões do Ecofin e do Conselho do Eurogrupo".

No caso português, o governo anunciou domingo que iria prestar garantias até 20 mil milhões de euros às operações de financiamento dos bancos em Portugal, para melhorar o acesso à liquidez e, assim, ajudar a economia.

Além da crise financeira, incontornavelmente o tema central da reunião, o Conselho Europeu discutirá outros temas "quentes" da actualidade comunitária, como o processo de ratificação do Tratado de Lisboa e o pacote energético e de combate às alterações climáticas, que a presidência francesa da UE pretende "fechar" até final do ano.

Em relação ao Tratado de Lisboa, o primeiro-ministro irlandês, Brian Cowen, vai apresentar aos restantes 26 líderes europeus um relatório sobre o ponto da situação na Irlanda na sequência da vitória do "não" no referendo realizado em Junho passado, que mergulhou a UE em nova crise institucional.

Apesar de alguns países desejarem que do Conselho Europeu saia um "roteiro" para a resolução da crise, Dublin não deverá avançar já esta semana com possíveis soluções, preferindo adiar uma posição para Dezembro, indicou segunda-feira o chefe de diplomacia irlandês, Micheal Martin, aos seus homólogos europeus.

O ministro afirmou que "tudo parece indicar" que Cowen "não está ainda em condições de fornecer uma linha clara" sobre como a Irlanda poderá vir a ratificar o Tratado, esperando estar em condições de o fazer na próxima Cimeira, em Dezembro.

Outro "dossier" quente que estará em cima da mesa é o da Energia e Alterações Climáticas, com os líderes europeus a discutirem a questão pouco pacífica sobre a distribuição dos esforços entre os Estados-membros para atingir os objectivos globais da UE em matéria de redução de emissões de dióxido de carbono.

Segundo fonte diplomática, alguns países estão mesmo a tentar rever os princípios que já haviam sido acordados pelos 27, alegando que a conjuntura actual - à luz da crise financeira - é muito diferente daquela de há um ano.

Já Portugal, adiantou a mesma fonte, aceita os princípios da proposta esboçada pela presidência francesa, estando de acordo com o texto no seu conjunto.

Por fim, outro assunto em destaque na Cimeira de Bruxelas será a imigração, com os líderes europeus a adoptarem o Pacto europeu para a Imigração, uma das principais iniciativas da presidência francesa da UE.

Como habitualmente, o Conselho Europeu será antecedido por mini-cimeiras das principais famílias políticas europeias, também elas centradas na discussão sobre a crise financeira, estando já confirmada a presença da líder do PSD, Manuela Ferreira Leite, na reunião do Partido Popular Europeu.