13.10.08

Quase metade dos alentejanos ganha menos de 600 euros

Carlos Dias, in Jornal Público

Região tem a mais alta taxa de desemprego do país (8,5%) e quase dois terços dos desempregados são mulheres


Os dados fornecidos pela União de Sindicatos do Distrito de Beja revelam que a região alentejana continua a manter a mais alta taxa de desemprego do país, com 8,5 por cento, sendo que a situação mais grave de carência afecta as mulheres. Os salários também são baixos com cerca de 43 por cento dos alentejanos a ganharem menos de 600 euros por mês.

O número de mulheres desempregadas reflecte um aumento de 9,8 por cento

relativamente ao ano de 2005, sendo agora quase dois terços da população alentejana sem emprego, situando-se muito acima da média nacional, estimada em 54,2 por cento. Em 2005, aquele grupo de trabalhadoras representava 50 por cento dos desempregados na região.

Ainda entre 2005 e o segundo trimestre de 2008, o emprego no Alentejo diminuiu 3,1 por cento, a única região do país onde isso sucedeu. Mas a precaridade laboral, no mesmo período, aumentou 10,7 por cento, enquanto o desemprego de longa duração atingiu 45,5 por cento dos que se encontram sem trabalho na região.

Jovens sem ocupação

A taxa de desemprego dos jovens é a segunda mais alta do continente. Nos indivíduos até aos 25 anos, é de 17,7 por cento. Os serviços absorvem 64,8 por cento do emprego da região, seguindo-se a indústria, com 24 por cento, e a agricultura e pesca, com 11,2 por cento.

Os números da crise no mercado de trabalho da região, fornecidos pelo organismo sindical, afecto à CGTP, registam 81 mil trabalhadores precários, atingindo 30 por cento do total dos assalariados, acima da média nacional (23%), revelando um aumento de 10,7 por cento em relação a 2005. Em contrapartida, os contratos sem termo diminuíram 6,4 por cento no mesmo período. A taxa de precaridade é mais elevada entre as mulheres (30,5 %).

Ganha-se mais nos serviços

No final do segundo trimestre de 2008, havia na região alentejana 31 mil trabalhadores desempregados, sendo que 19.300 eram mulheres, num universo aproximado de 270 mil trabalhadores por conta de outrem, rondando os 706 euros o salário médio mensal líquido no Alentejo, o que representa 95,8 por cento da média nacional.

É no sector dos serviços que se aufere um salário acima da média regional (731 euros), mas os trabalhadores da indústria e da agricultura, silvicultura e pesca têm salários líquidos abaixo da média e 42,6 por cento dos trabalhadores da região auferem salários abaixo dos 600 euros. Na agricultura, silvicultura e pescas, aquele número eleva-se a 64,5 por cento. Ainda segundo a União dos Sindicatos de Beja, a pobreza na região atinge 20 por cento da população.

a Para além das elevadas taxas de desemprego, de trabalho precário e do baixo nível salarial na generalidade da actividade laboral no distrito de Beja, Casimiro Santos, coordenador da união de sindicatos bejense, realça a existência de situações de "discriminação salarial" em empresas da região, destacando casos em que os trabalhadores são sujeitos a "condições de laboração pouco dignas".

De resto, sublinha igualmente que a actividade sindical tem sido fortemente cerceada, denunciando que os sindicalistas têm vindo a ser impedidos de entrar em algumas empresas quando pretendem realizar alguma acção de esclarecimento aos trabalhadores a respeito dos seus direitos laborais.

Casimiro Santos faz também referência a condicionalismos vários detectados nos locais de trabalho, denunciando igualmente que "há discriminação salarial praticada para homens e mulheres em situações de desempenho das mesmas funções", tal como o "controlo dos tempos que os funcionários gastam, na realização das suas necessidades mais elementares", como a ida à casa de banho, situação que está controlada através de cartão de ponto.

81.000 trabalhadores alentejanos, cerca de 30% dos assalariados, exercem trabalho precário.